Artículo en PDF
Como citar este artigo
Número completo
Mais artigos
Home da revista no Redalyc
Sistema de Información Científica
Red de Revistas Científicas de América Latina y el Caribe, España y Portugal
BIBLIOS. Año 4, No.15, Abril - Junio 2003
77
Uma proposta conceitual para a massa documental
considerando o ciclo de interação entre tecnologia e o registro
do conhecimento
Por :
Antonio MIRANDA
Professor Dr do Depto de Ciência da Informação, Universidade de Brasília, Brasil.
Correo electrónico:
cmiranda@unb.br
Elmira SIMEÃO
Doutoranda do Depto. de Ciência da Informação, Universidade de Brasília.
Professora Universidade Federal do Piauí
Correo electrónico:
elmira@unb.br
Resumen
A polissemia do conceito de "informação" parece ser uma decorrência natural da
apropriação do termo por diferentes áreas do conhecimento e está ligada ao fenômeno
conhecido como "definição consuetudinária" em que diferentes especialistas se
expressam conforme o estado da arte dos conhecimentos sobre determinado
fenômeno. Tais definições estariam, conseqüentemente, sujeitas a reformulações e
reconceitualizações
pari passu
com a evolução da pesquisa. A questão que se levanta
constantemente é se a Ciência da Informação deveria ou não ter uma concepção
única para o termo, o que parece não só impraticável, quanto inócuo.
Palavras-chave:
Informação ; Massa Documental ; Conceito de Informação ;
Tecnologia ; Registro do Conhecimento
Abstract
The polysemy of the concept of "information" seems to be a natural consequence of
the several knowledge areas employment of the term. It's bound to what we know as a
"consuetudinary definition": different specialists express themselves according to up-to-
date knowledge on specific phenomenon. Such definitions would be changed or
reformed pari passu the research development. Arguing Information Science should -
or should not - have an unique conception to the term is as infeasible as innocuous.
Keywords:
Information ; Documental Mass; Concept of Information; Technology;
Knowledge Recording
Miranda y Simeão - Uma proposta conceitual para a massa documental
78
"Não devemos pensar que essa revolução se vincula unicamente e
mecanicamente às transformações dos aparatos, se liga também a transformações
culturais, políticas, sociais. Em seu famoso ensaio sobre a reprodução mecânica das
imagens, Walter Benjamim afirma que as técnicas não têm sentido em si mesmas.
Suas significações dependem do uso que podem as sociedades fazer delas.
Isso é mais importante que qualquer determinismo tecnicista.”
ROGER CHARTIER1
Introdução
O impacto das tecnologias no processo de comunicação tem provocado uma
reordenação dos processos de produção e distribuição de conteúdos o que significa
também mudanças nas práticas e rotinas profissionais. A superação da fase do
processamento técnico para a formação de estoques insere os documentos e registros
em um contexto de transferência e uso efetivo das informações.Todos estes avanços
são decorrentes do ato comunicativo e sua necessidade de decifração, possível
através do controle bibliográfico, da organização e da difusão de
informações.(McGarry, 1984).
A polissemia do conceito de "informação" parece ser uma decorrência natural da
apropriação do termo por diferentes áreas do conhecimento e está ligada ao fenômeno
conhecido como "definição consuetudinária" em que diferentes especialistas se
expressam conforme o estado da arte dos conhecimentos sobre determinado
fenômeno. Tais definições estariam, conseqüentemente, sujeitas a reformulações e
reconceitualizações
pari passu
com a evolução da pesquisa. A questão que se levanta
constantemente é se a Ciência da Informação deveria ou não ter uma concepção
única para o termo, o que parece não só impraticável, quanto inócuo.
Informação é matéria prima de todas as áreas do conhecimento que a entendem
conforme sua forma de apropriação, teorização, dependente do estágio de
desenvolvimento de teorias e práticas metodológicas. A Ciência da Informação, por
sua origem na indústria da informação, parece privilegiar a visão de informação como
conhecimento (de alguma forma) registrado, atrelado ao conceito de documento na
concepção popperiana do termo [1]. Barreto aponta sua análise fenomenológica na
mesma direção:
"
A estrutura da informação é aqui considerada como qualquer inscrição
de informação em uma base física que a aceita; a estrutura é então pensada
como sendo um conjunto de elementos que formam um todo ordenado e com
princípios lógicos. Assim trabalhamos com o pressuposto de que uma estrutura
de informação textual, um texto de informação, possui características de
linguagem que admitem uma análise morfológica, e que esta permite extrair
indicações para decisões estratégicas de gestão com intenções de
conhecimentos
".
(BARRETO: http//www.dgzero.org/ago01/Art_01htm).
Todo documento (no sentido de informação registrada) está exposto a diferentes
abordagens, dependendo dos propósitos de busca, mas seria possível apontar duas
direções complementares e interdependentes: a primeira voltada para o conteúdo
enquanto tal e a segunda para a estrutura do próprio documento. As diversas áreas de
pesquisa são conduzidas pelo conhecimento disciplinar consubstanciado nos
registros, questionando-os e reformulando-os constantemente segundo a prática
BIBLIOS. Año 4, No.15, Abril - Junio 2003
79
postulada pela Teoria do Conhecimento Objetivo (Popper) da cadeia produtiva das
"conjecturas e refutações".
Na outra margem do processo estaria a Ciência da Informação trabalhando a massa
documental para torná-la acessível valendo-se de suas teorias, metodologias e
tecnologias de análise e manipulação estrutural. A massa documental, seja ela
convencional ou virtual [2], coloca-se como problema e pode ser abordada como
objeto de estudo de várias ciências, incluindo a Ciência da Informação, voltada para
compreender sua natureza e uso social por métodos quantitativos e qualitativos.
2 Uma Proposta
Tendo em vista a idéia de que a Ciência da Informação centra-se na análise do
fenômeno da massa documental, segundo os argumentos expostos anteriormente,
seria oportuno, para seu melhor entendimento, a conceituação de seu elemento básico
que é o próprio documento. Antes, porém, convém evitar a precipitação,
aparentemente óbvia, de afirmar que a Ciência da Informação seria a ressurreição
pós-moderna da Documentação.
É certo que tanto a Ciência da Informação como a Documentação Científica têm suas
origens na questão da bibliografia especializada, baseada na produção científica,
requerendo seu tratamento e organização para consumo da comunidade científica.
Provavelmente, em virtude dessa coincidência, é que existe tanta celeuma em torno
da origem da bibliometria, que foi o primeiro grande esforço teórico e metodológico
para o tratamento e análise do então chamado fenômeno da explosão da informação,
ou seja, da expansão da massa documental [3].
O documento passa a ser a unidade ou objeto primeiro de estudo da Ciência da
Informação como, por conseqüência, também de toda e qualquer ciência, segundo os
seus enfoques e interesses próprios. Vamos igualmente fugir da discussão relativa à
definição de documento. Sem dúvida que é importante dispor de enunciações
adequadas - e, de fato, existem várias na literatura, - mas esta análise é a de sua
natureza no denominado ciclo informacional. Para a discussão do fenômeno, partindo
do pressuposto cartesiano de que um objeto complexo torna-se melhor observado
mediante a decomposição em seus elementos constitutivos, propomos o seguinte
esquema:
Tipo - Conteúdo - Formato - Suporte
(Representação estática)
Figura 1- Elementos constitutivos do Documento - célula estrutural do conhecimento registrado
Suporte
1
Formato
2
Conteúdo
3
Tipo
4
Tecnologia
Miranda y Simeão - Uma proposta conceitual para a massa documental
80
Tipo - Para a compreensão do documento como objeto de estudo, deve-se partir de
sua tipologia ou tipificação. O tipo do documento está intrínseca e indissociavelmente
relacionado com a sua produção. No processo produtivo do conhecimento, há sempre
uma eleição prévia conforme os objetivos perseguidos. Tipos tais como artigos
científicos, relatórios técnicos, dissertações e teses acadêmicas, resenhas, recensões
e resumos, livros e patentes têm configurações convencionais, consagradas pelo uso
e sujeitos às exigências formais e normas adequadas à sua produção e veiculação.
São formas que, por força de sua reconhecibilidade, predeterminam os modos de
produção e uso.
Na prática, há expectativas maiores ou menores segundo os tipos de documentos por
parte do público, objeto de instâncias reguladoras que vão das normalizações até aos
mecanismos de editoração. O tipo de documento ou fonte também qualifica ou justifica
o seu uso nas situações do processo produtivo da indústria da informação, criando
veículos próprios para armazenagem e difusão. Bibliotecas especializadas, por
exemplo, elegem determinados tipos de documentos como prioritários - tais como
teses e publicações periódicas (coletânea de artigos, etc.) - na suposição de serem os
mais adequados aos objetivos institucionais. É obvio que tais tipos de documentos são
produtos marcados pelas exigências do mercado e estão sempre sujeitos a
transformações impostas pela demanda e pela capacidade de renovação da oferta,
simultaneamente com as tecnologias disponíveis. Se atentarmos para o caso
específico do artigo científico e, por extensão, do periódico científico, como veículo
principal da comunicação da ciência, constatamos transformações substanciais no
processo constitutivo e estamos percebendo mudanças constantes em seu
desenvolvimento recente.
Porque é importante identificar a tipologia do documento na presente análise?
Certamente a resposta está na percepção de que o tipo de documento predispõe a
autoria, condicionando o processo de registro do documento e, conseqüentemente, os
demais elementos do ciclo informacional. Como registro público, o documento
sacramenta uma pré-disposição consentânea com um objetivo a ser atingido e um uso
predeterminado que precisa ser identificado pelo público.
Conteúdo - É a parte substantiva do documento e está predeterminado pelo seu tipo,
na medida em que está conformado às normas e condições de produção. Os dados,
as informações e o conhecimento registrado seguem regras próprias do tipo escolhido.
Por exemplo, num artigo científico existe a exigência da colocação de um problema
mediante sua consubstanciação (seja por intermédio da argumentação e/ou de uma
revisão ou estado da arte da literatura, ainda que limitada pela extensão do
documento), seguida de uma análise de dados, segundo uma metodologia
estabelecida e, finalmente, conclusões que apresentam a posição do autor em relação
ao fenômeno abordado. Cada ciência se apropria do conteúdo conforme suas
capacidades heurísticas e metodológicas, mas é justo assinalar que a tipificação do
documento entra certamente na legitimação do processo de apropriação do
conhecimento. Pode-se ir mais longe e afirmar que há uma indissociabilidade entre
modo de produção e o registro mesmo do documento, em virtude de suas
potencialidades e limitações. Em caso extremo, pode-se afirmar que só existe
conhecimento científico no documento científico [4] e que sua materialidade é
diferenciada por tipos de documentos convencionais [5].
Formato - está relacionado com o modo de concepção e exposição do conteúdo. O
formato molda o conteúdo, tornando-o visível e inteligível na medida em que a forma
também determina o significado, em que "a forma é a mensagem" numa leitura
adaptada das concepções de McLuhan [6]. Ou melhor, a forma em última instância é o
conteúdo, dada a indissociabilidade entre ambos. São vasos comunicantes que se
BIBLIOS. Año 4, No.15, Abril - Junio 2003
81
complementam. No sentido oposto, diferentes formatos pressupõem diferentes
conteúdos e exigem tratamentos técnicos diferenciados.
Na prática, assim como existem tipos "típicos" (valha a tautologia para exemplificar a
tese ou o artigo científico) também é possível a determinação de formatos básicos,
que servem de modelo ou de paradigma no processo criativo. Consequentemente são
aceitos e copiados certos modelos para determinados tipos de registros que os
autores seguem, daí porque as editoras costumam estabelecer regras e normas para
os colaboradores. Faz parte do ritual acadêmico ou das práticas da indústria da
informação a elaboração de tais formatos e instrumentos auxiliares - como programas
de tratamento e exposição de dados - que facilitam tanto a produção quanto a leitura
dos documentos pelo público acostumado com os códigos estabelecidos.
Suporte - É a parte visível e manipulável do documento, ou o documento propriamente
dito, no senso comum. É a sua coisificação ou expressão física como produto, mas
que compreende todas as características constitutivas já discutidas anteriormente. Um
mesmo documento original - digamos uma tese - pode apresentar-se em diferentes
suportes, como sejam no suporte impresso, na microficha, no CD-ROM ou, mais
recentemente, em rede eletrônica. É comercializável, armazenável, transferível e
sujeito a todos os procedimentos administrativos, legais e demais considerações
institucionalizantes próprias do mercado editorial. Certamente que os suportes, assim
como os outros elementos já discutidos, evoluem e representam valores e condições
tecnológicas de seu momento histórico, mas seria ingênuo afirmar que a escolha do
suporte não implica em condições de acesso e uso. E até mesmo de significados no
sentido de vieses e diferenciações na sua apreciação. Roger Chartier (2001) em
recente entrevista, afirmou:
"
O problema fundamental é a adequação dos diversos gêneros aos
suportes. Os textos que têm como característica essencial o caráter
enciclopédico, como o dicionário e a própria enciclopédia, se adequam
perfeitamente a essa leitura fragmentada, [referindo-se aos textos na mídia
eletrônica da Internet] descontínua porque você procura a partir de um tópico.
Já há enciclopédias que têm como única forma a eletrônica. Enquanto isso, há
textos que pedem uma leitura contínua, que exigem a percepção de uma obra
como uma unidade. Esses textos se encontram em posição menos cômoda na
tecnologia
" .
Do exposto pode-se inferir que os suportes são mais ou menos adequados aos
conteúdos e que a escolha dos meios (ou suportes) pressupõe usos diferenciados que
implicam até na compreensão da obra mesma:
"
A compreensão aqui do que é obra como um todo não é tão fácil
[referindo-se ao texto na Internet]. No impresso, o livro como objeto
corresponde a obra como entidade textual. No eletrônico a leitura de um
fragmento pode ser dissociada de qualquer percepção da obra. Isso ainda é
assim, não digo que isso será indefinidamente
" (Opus cit.).
O importante é constatar que há uma inter-relação necessária entre os elementos da
seqüência: tipo - conteúdo - formato - suporte e que a alteração de um deles
pressupõe alguma mudança nos demais.
3 A Desconstrução dos Conceitos
A ordem dos elementos constitutivos do documento em seu processo criativo - tipo -
conteúdo - formato - suporte, na exposição precedente, respondeu aos interesses da
Miranda y Simeão - Uma proposta conceitual para a massa documental
82
argumentação mas pode ser vista de forma orgânica ou sistêmica, quando a variável
humana e o conteúdo interagem com a tecnologia mudando padrões e convenções
institucionais.
Observando as publicações, sua história e evolução, considera-se que a massa
documental (o Mundo 3 de Popper), reconhecida como a expressão de pensamentos
e experiências científicos, literários e artísticos, é codificada mediante uma arquitetura
em várias dimensões. No ciclo da interação entre tecnologia e conhecimento existe
uma dependência (mútua) em relação aos documentos [7]. É com base na arquitetura
do documento que se desenvolvem, de fato, as práticas de comunicação. Os padrões
ditam regras e, paradoxalmente, limitam as inovações. No entanto, o ciclo é dinâmico
porque o conhecimento registrado, príncipe do processo, é gerado pelo especialista
para responder a uma demanda social em constante transformação [8].
Nesse movimento cíclico, em função da própria natureza científica do processo, existe
uma construção física que representa as fases dessa interação. Definimos
sucintamente cada uma das etapas do ciclo, visualizadas na prática profissional por
claustros visíveis e mensuráveis. O conhecimento a ser disseminado terá que se
integrar em um ciclo baseado nos suportes físicos, formatos, conteúdos específicos e
uma classificação que tipifica cada documento. Esses elementos integram a
arquitetura do ciclo.
Suporte
- base física que reúne as idéias construídas em um determinado formato.
Formato
- desenho ou arquitetura que determina a leitura de um texto e sua
seqüência.
Conteúdo
- idéia (original ou não) que precisa ser disseminada para gerar novas
idéias.
Tipificação
- formas de classificar as publicações que disseminam o conhecimento.
As transformações observadas em cada ponto do ciclo de interação demonstram as
respostas às reais necessidades de produção e comunicação dos cientistas,
tecnólogos, acadêmicos, etc, ou seja, dos geradores e comunicadores envolvidos no
processo.
Figura 2 - Interação entre tecnologia e conhecimento registrado
A massa documental, no conceito popperiano aqui defendido, faz parte do ciclo da
comunicação científica em processo de reciclagem contínua (Fig. 2). A produção
BIBLIOS. Año 4, No.15, Abril - Junio 2003
83
(registro) do conhecimento, conformada à tecnologia e aos elementos constitutivos do
documento (tipo-conteúdo-formato-suporte), se dá através da mediação compreendida
como absorção das novas idéias, análise e crítica para a complementaridade do
conhecimento acumulado, "conjecturas e refutações", retornando ao ciclo através de
novos documentos.
Ao analisar as transformações verificadas no contexto da comunicação científica,
Meadows (1999) também detecta a interdependência entre a massa documental (em
seus diferentes aspectos) e a tecnologia. É nessa interação que surgem as mudanças
que modificam o ciclo da comunicação científica, determinado novas práticas e
modelos. Até alcançar a transição para a rede eletrônica, o periódico passou por
muitas modificações e serviu de treinamento para a comunidade ingressar em um
contexto de comunicações mais rápidas e complexas:
"
A passagem do processamento de informação científica secundária
para o processamento de informação primária dependeu da evolução do
computador. A informação primária, porém, difere quanto ao conteúdo da
informação
secundária
e
isso,
também
tem
afetado
essa
transição
."(MEADOWS, 1999:34)
Cada tipo de documento tem sua própria transição. As bases de dados, por exemplo,
adaptaram-se rapidamente ao novo suporte (em rede) porque tecnicamente têm mais
afinidades operacionais com a Internet. Já a revista estaria numa posição
intermediária, antes do livro, publicação com maior grau de complexidade, por
trabalhar com um conteúdo mais denso. Estes aspectos determinam fases (Quadro 1)
durante o processo de migração para um novo suporte. No primeiro momento quando
se estabelecem padrões para a estrutura dos documentos (fase 1) eles permanecem
inalterados até que, em um novo suporte, passam por uma fase híbrida (fase 2)
porque os modelos da primeira etapa começam a ser desconstruídos, é uma fase
intermediária. Posteriormente, os padrões são novamente retomados, já atualizados,
definindo uma nova arquitetura para os documentos. Os tipos de documento mudam
de designação, por força das transformações inovadoras buscando denominações
apropriadas.
Miranda y Simeão - Uma proposta conceitual para a massa documental
84
Quadro 1
Fases de transição na arquitetura do conhecimento registrado
SUPORTE
FORMATO
CONTEÚDO
TIPIFICAÇÂO
Fase 1
– modelo
estático, baseado
na armazenagem.
Repete uma
arquitetura que já
está estabelecida,
em
formatos
consagrados
Trabalha
adequando o
conteúdo
em um
sentido linear
próprio das
técnicas de
apresentação de
um texto
Vem inserido nos
moldes de
publicações
tipificadas
para
conteúdos
específicos
Classifica as
publicações
obedecendo a
uma ordem de
discurso
tradicional que
atende a uma
necessidade
linear de
compreensão
própria do
suporte
Fase 2
- híbrida
Altera o
formato
em função das
necessidades de
comunicação. Há
uma mudança
gradativa na
arquitetura
Apresenta o
conteúdo
de
forma interativa,
hipertextual e
multidimensional,
descontruíndo a
concepção
tradicional
(vigente)
Constrói o
conhecimento de
forma mais
dinâmica saindo
de uma seqüência
linear de
percepção,
determinando a
feitura de novos
tipos
de
documentos
Apresenta novas
classificações
para os
documentos em
suportes
que
atendem de forma
mais completa as
necessidades de
comunicação
Fase 3
– modelo
extensivo,
baseado na
acessibilidade.
Arquitetura
estabelecida
Modelo
extensivo de
comunicação
Distribuído numa
rede de conexões
Os suportes
conectando redes
de especialistas
(criadores de
conteúdos)
Este cenário, ao contrário do que possa parecer, não é uma situação nova.
Chartier (1998) detecta essas mudanças já no século XVIII, quando as bibliotecas,
além de acumularem e conservarem documentos, passaram a preocupar-se
principalmente com a leitura. Os catálogos deixaram assim de ser inventários e
tornaram-se instrumentos de consulta para acesso às obras. "A biblioteca sai da
solidão do monastério ou do limitado espaço que lhes destinavam os bispos nas
catedrais românicas, para se tornar urbana e ampla" (Idem, 1998:23). A integração
dos documentos ao espaço de civilidade [9] transforma a massa documental em um
instrumento de trabalho, uma ferramenta com propriedades físicas específicas e uma
funcionalidade.
Notas
[1] A propósito ler MIRANDA, Antonio. A Ciência da Informação e teoria do
Conhecimento Objetivo: um relacionamento necessário. In: Campo da Ciência da
Informação: gênese, conexões e especificidades. João Pessoa: Editora da UFPb,
2002. (No prelo).
[2] A diferença entre virtual e físico não faz muito sentido se atentarmos para a
mediaticidade dos fenômenos em que tudo que é virtual tem sua base física
necessária e sem esta não é possível o acesso e uso das informações. Pode-se traçar
BIBLIOS. Año 4, No.15, Abril - Junio 2003
85
o paralelo entre os termos (aparentemente opostos) disponível e acessível, para
afirmar que tudo que é acessível é, antes, disponível em algum ponto do sistema (ex.
os documentos acessíveis da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos estão
disponíveis também, embora a recíproca não seja verdadeira, pois nem tudo que está
disponível naquela biblioteca está necessariamente acessível). Pode-se inferir que o
virtual estará sempre baseado em alguma estrutura física.
[3] Segundo Edson Nery da Fonseca, a bibliometria foi grafada pela primeira vez em
1900 por Paul Otlet e a confusão quanto à sua origem corre por conta do
desconhecimento dos autores anglo-saxões das obras pioneiras dos ensaístas das
línguas neolatinas.
[4] Esta concepção ultraísta de ciência pode ser questionável, mas é prática e
administrável. No caso do documento, ele passa a ser toda e qualquer forma de
registro do conhecimento, ou seja, todo e qualquer tipo de documento, desde os
registros convencionais até aqueles do domínio da multimídia e mesmo, sem nenhuma
inibição, todo e qualquer objeto colocado na condição de documento. Por exemplo,
objetos coletados na natureza (plantas, fósseis, etc) e objetos construídos pelo
engenho humano (equipamentos, obras de arte, etc.) conservados em museus e
coleções científicas e culturais constituem uma documentação reconhecível como tal
no processo. De fato, a eleição de um determinado modelo de máquina de escrever ou
de arado numa coleção tecnológica inegavelmente transforma-a em um documento.
Os ingleses chamam a esse tipo de documentação de realia em contraposição à
documentação literária.
[5] Convencionais no sentido de normas ou modelos negociados e aceitos pelos
pares.
[6] Parafraseando McLuhan, autor de "Os meios de comunicação como extensões do
homem", que utiliza a expressão o meio é a mensagem para explicar que um novo
ambiente tecnológico trabalha por algum tempo com conteúdos de um ambiente
anterior.
[7] Aldo Barreto prefere denominar a massa documental como "estoques de
informação", o que pressupõe, no entanto, uma idéia de coleção ou acervamento.
[8] Quando, na concepção popperiana, o conhecimento registrado transfere-se para o
universo real dos especialistas (seus estados mentais, inteligência, pensamentos), ou
seja, o Mundo 2 de Popper.
[9] Chartier afirma que a civilidade introduz as instituições no espaço público.
BIBLIOGRAFÍA
BARRETO, Aldo
. http//www.dgzero.org/ago01/Art_01.htm
CHARTIER,
Roger
.
Navegar
é
preciso.
Entrevista
disponível
em
http://babel.no.com.br (acessada em 11 de maio de 2001) e também no Observatório
da Imprensa http://observatoriodaimprensa.com.br/artigos (acessada em 11 de maio
de 2001).
CHARTIER, R., CAVALLO, Guglielmo
(Org). História da leitura no mundo ocidental
,
vol. 1. Coleção Múltiplas Escolhas. Editora Ática, 1998. Tradução do original Histoire
da la lecture dans le monde occidental, Editora Laterza du Seuil, 1997.
Miranda y Simeão - Uma proposta conceitual para a massa documental
86
FONSECA, Edson Nery
. (Org.) Bibliometria: teoria e prática
. Textos de Paul Otlet et
alli. São Paulo: Cultrix, Editora da Universidade de São Paulo, 1986. 141p.
MEADOWS, A.J
. A Comunicação Científica. Tradução de Antonio Briquet de Lemos.
Brasília, DF: Briquet de Lemos Livros, 1999. Título original: Communicating research.
McGARRY, K
. Da documentação à informação - um contexto em evolução
. Editorial
Presença. Tradução do original The Changing context of information - an introductory
analysis.
McLUHAN, M
. Os meios de comunicação como extensões do homem
(understanding
media). Tradução de Décio Pignatari. Editora Cultrix, São Paulo. Publicado nos
Estados Unidos por Mcgraw-hill Book Company (lançado em Nova Iorque, Toronto e
Londres) em 1964.
MIRANDA, A
. A profissionalização da Ciência da Informação no marco da
globalização: paradigmas e propostas
. Informação e Informática. In: Nídia M. Lubisco,
Lídia Brandão.(Org.). EDUFBA, 2000. 307p.
POPPER, Karl Raymond
. Conjecturas e Refutações
. Trad. de Sergio Bath. 3ed.
Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1994. 449p.
POPPER, Karl Raymond
. Conhecimento objetivo: uma abordagem revolucionária.
Belo Horizonte: Editora Itatiaia; São Paulo. Ed. da Universidade de São Paulo, 1975.
394p. (Espírito de Nosso Tempo, V.13).
SOBRE LOS AUTORES
Antonio MIRANDA
Professor Dr do Depto de Ciência da Informação, Universidade de Brasília, Brasil.
Correo electrónico:
cmiranda@unb.br
Elmira SIMEÃO
Doutoranda do Depto. de Ciência da Informação, Universidade de Brasília.
Professora Universidade Federal do Piauí
Correo electrónico:
elmira@unb.br
logo_pie_uaemex.mx