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FOLKCOMUNICAÇÃO E DESENVOLVIMENTO: UMA ABORDAGEM DOS
ESTUDOS FOLKMIDIÁTICOS NA MODERNIDADE.
1
Betania Maciel
2
Resumo
A partir da teoria seminal da folkcomunicação proposta por Luiz Beltrão na década de
1960, apresentamos desdobramentos teóricos e metodológicos da confluência entre os
fluxos da cultura popular e da comunicação de massa. Apoiando-se no conceito de
multiculturalidade e hibridização cultural, investigamos o novo papel dos ativistas
folkmidiáticos, a perspectiva da metodologia etnográfica, a relação entre festejos
populares e o sistema de folkmídia e folmarketing, o documentário cinematográfico
como forma de conhecimento e outros temas dentro da relação global-local que
contribuem para a compreensão do conceito "Brasil" na modernidade
Palavras-chave
Folkcomunicação; desenvolvimento local; modernidade, Folkmidia; cultura regional.
RAZÓN Y PALABRA
Primera Revista Electrónica en América Latina Especializada en Comunicación
www.razonypalabra.org.mx
Folkcomunicación
NÚMERO 77
AGOSTO - OCTUBRE 2011
O desafio de pensar sobre as dinâmicas culturais presentes na confluência entre a mídia
popular e as massivas fazem com que os estudos folkcomunicacionais seja uma
tendência na contemporaneidade.
O
legado
de
Luiz
Beltrão
tem
sido
constantemente
estudado
e
renovado
por
pesquisadores
e
tem
suscitado
interesse
na
contemporaneidade,
seja
no
mundo
acadêmico ou na periferia, em um momento em que as expressões culturais dos grupos
marginalizados configuram práticas de resistência e cidadania em meio à sociedade
globalizada. Afinal, conforme observa Marques de Melo (2008, p. 57), “as tradições
comunicacionais das populações marginalizadas sobrevivem às inovações tecnológicas,
demonstrando capacidade de resistência cultural, no tempo e no espaço”.
Os estudos da folkcomunicação estimulam o regionalismo, mas a cultura hegemônica
desconhece as expressões populares. Parece que só existe o que está na mídia e a mídia
é urbana. Algumas manifestações têm tendência em virar produto, outras não, daí a
visibilidade dada pela mídia ao que vai se transformar em produto cultural.
A preocupação dos estudos da folkcomunicação é registrar a visão daquelas pessoas
sobre o que elas estavam fazendo e a receptividade delas contribui muito para isso,
porque o fato de estarmos analisando suas
manifestações é
uma forma de eternizar a
origem e a história de grupos marginalizados socialmente e culturalmente. Muitos
estudos
etnográficos
são
realizados
com
a
participação
ativa
dos
agentes
comunicacionais.
Como denomina Trigueiro (2005,p.6), “o ativista midiático”, ou seja,
(...)
este
é
um
bom
contador
de
histórias
tradicionais
e
contemporâneas, é detentor de um amplo repertório de culturas locais.
É nessa “militância cultural” que ganha mais espaço como articulador
das interações face a face, mesmo contaminadas pelas interações
midiáticas. Os processos de apropriação e uso dos produtos midiáticos
legitimam o prazer de posse e de reprodução de sentido modificado
para os seus propósitos. É nesse campo de confronto pelo “bem-estar”
dos sujeitos ou dos grupos de audiência que o ativista midiático
dispara dispositivos de encaixe nos lugares onde as lógicas de
negociação possibilitam apropriação e conversão de uso dos bens
culturais midiáticos e bens culturais folkmidiáticos na vida cotidiana
de uma comunidade e até mesmo de uma cidade rurbana.
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As
expressões
das
classes
alijadas
do
processo
de
modernidade
possuem
as
manifestações e muitas vezes estes folguedos, têm cunho religioso. Acontecem quase
sempre na mesma data. É o cumprimento de uma devoção. As pessoas vivem a sua
crença, têm prazer em estar ali. Podemos observar e apresentar diversos registros onde o
fato da comemoração está intrinsecamente ligado as suas crenças. Na maioria das vezes
estas festas são exemplos de apropriações da mídia massiva. A intolerância religiosa é
também um entrave para a prática da cultura popular. A folkcomunicação é uma forma
de mídia alternativa, que dialoga com a mídia hegemônica, mediando a fronteira cultura
globalizada-cultura popular. Não deixar que folkcomunicação seja confundida com
estudo de folclore.
Afinal popular é o maracatu, a congada, a umbanda? Ou também o
imaginário erótico atual, estimulado pela mídia e resignificado pelos
consumidores? O popular é um vestígio de outras épocas ou uma
construção permanente? Deve-se diferenciar o popular folclórico de
massa? (MACHADO, 2001, p.29)
Entendemos que o folclore são expressões e manifestações populares, formas de sentir,
pensar e agir de um povo enquanto que
a
folkcomunicação caracteriza-se pela
expressão simbólica veiculada pelo povo como forma de demonstrar estas mesmas
formas de sentir, pensar e agir. É um
processo de comunicação que busca intermediar a
comunicação entre culturas. E assim entendemos a Folkcomunicação como:
(...) processo de intermediação entre a cultura das elites (erudita ou
massiva) e a cultura das classes trabalhadoras (rurais ou urbanas).
Trata-se da “segunda etapa” do processo de difusão massiva, tal qual
descrito por Lazarsfeld e seus discípulos (MARQUES DE MELO,
2006b).
Como exemplo podemos ilustrar como
a mídia tem registrado o carnaval por todo o
país, as festas juninas, etc.
.. Mas questiono, ate que ponto e de que forma é realizado
este trabalho?
A transformação em espetáculo é um problema enfrentado pela cultura popular: a
canibalização, ou seja, ser contada, praticada por quem não a conhece. A classe
hegemônica é a principal responsável por esse processo.
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Oprimido ou não pela modernidade, o folclore continua a reunir a
sabedoria do povo, e a comunicação trata-o com especial dedicação,
por meio de outra ciência que serve de apoio para a sua divulgação e
permanência: a folkcomunicação, “ciência que estuda o processo de
intercâmbio de informações e manifestações de opinião, idéias e
atitudes do povo, através de agentes e meios ligados ao folclore”
(BELTRÃO, 1980, p.24).
Ainda de acordo com Beltrão (2004, p.72) trata-se dos processos comunicacionais dos
grupos populares:
O discurso folclórico, em toda a sua complexidade , não abrange
apenas a palavra, mas também meios comportamentais e expressões
não-verbais e ate mitos e ritos que, vindos de um passado longínquo,
assumem
significados
novos
e
atuais,
graças
a
dinâmica
da
Folkcomunicação.
Para entender mais de perto a cultura brasileira, diversos programas.
A mídia tem apresentado avanços em mostrar a diversidade da cultura brasileira e
especificamente de culturas que não sejam as hegemônicas, vide exemplo as estratégias
de marketing como a etnografia no processo de compreensão da cultura.
No atual cenário de alta competição, é
notória a relevância do consumo das classes
populares para a economia do País. A base da pirâmide social passa a ser foco
estratégico para sustentação do crescimento e da liderança de mercado no Brasil. Dentro
desta perspectiva, a mídia massiva se apropria da cultura popular especificamente no
campo da publicidade e propaganda,
recriando formas de aproximação à este público
consumidor
utilizando as manifestações próprias de uma cultura especifica com vistas à
aproximação às particularidades do segmento, para este tipo de atuação no mercado.
Pesquisadores da comunicação têm desenvolvimento trabalhos científicos que são
utilizados como forma de entender o mercado. Pesquisas estas, realizadas muitas vezes,
através do método da observação
in loco
, obtendo dados e informações que dificilmente
se captaria pelos métodos convencionais de pesquisa. O uso do
método de pesquisa de
observação
(etnografia)
é
um
complemento
fundamental
para
a
pesquisa
folkcomunicacional. Construindo
uma base sólida de conhecimento e compreensão
sobre a realidade regional, que permite apoiar estudiosos da mídia a tratar o tema
relacionado ao dia a dia das classes subalternas, avaliando dentro de uma perspectiva
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mais aproximada do real. Não temos dúvida em afirmar que a informação gerada por
estes métodos de pesquisa tem sido determinante para o esclarecimento diante da
sociedade sobre as classes excluídas da modernidade. “Isto significa em primeiro lugar,
que toda cultura se produz em íntima relação com as estruturas sociais, por isto mesmo
a cultura está em toda parte e atua em todos os níveis sociais”. (GONZÁLES, 1990,
p.13).
Os conceitos da Indústria Cultural, onde a transmissão massiva de cultura massifica um
povo e o faz pensar e agir de forma que interessa aos dominantes, à elite. Vale ressaltar
que
nem todo conteúdo produzido pelos meios de comunicação de massa contemplam
os interesses da classe hegemônica, deixando os grupos marginalizados em último
plano. Segundo Marques de Melo (2007, p.22):
(...) os discípulos de Luiz Beltrão ampliaram o seu raio de observação
dos fenômenos folkcomunicacionais, não
se limitando a analisar os
processos de recodificação popular de mensagens da cultura massiva,
mas
também
rastreando
os
processos
inversos,
de
natureza
folkmidiática. O seja, pesquisando a apropriação de bens da cultura
popular pela indústria cultural (.
..).
Como a cultura pode ajudar a entender a relação das pessoas com os bens de consumo.
O
fato é que consumo é uma prática cultural e só quando entendido sob este ângulo,
tais atitudes assumem contornos mais claros e inteligíveis.
Com o crescimento do poder
aquisitivo das classes mais baixas, essa categoria de produto e serviço tem ampliado seu
target
às classes menos favorecidas. De televisão e quadros apresentados em canal de
TV aberta são apresentados, trazendo consigo uma maior divulgação e valorização da
cultura.
Podemos até mesmo questionar se a mídia conhece a variedade da cultura brasileira e
quando a divulga muitas vezes
transforma-a em um espetáculo, um produto comercial.
É importante que os profissionais da mídia
saibam lidar com as expressões populares
para que não modifiquem o real significado das culturas. Para muitos, a mídia precisa
ouvir e aprender com os mestres detentores da cultura popular. Podemos falar de
turismo também, onde a cultura não-material, principalmente festas, danças, rituais, têm
sido modificados para se adequar ao gosto/calendário dos turistas.
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No Brasil, as tradições populares são importantes no processo de
criação cultural brasileira e identidade nacional. [.
..] Hoje, o grande
problema é a perda de identidade com a sociedade globalizada. Pois,
com a influência dos meios de comunicação, o predomínio da cultura
de
massa,
a
intensificação
do
avanço
industrial
com
novas
tecnologias, e o turismo como fenômeno de lazer das multidões, novos
desafios
foram
lançados
às
manifestações
folclóricas.
Conseqüentemente,
abriram
novas
perspectivas
ao
estudo
dos
processos de transformação, aculturação e até mesmo de destruição. É
por isso que temos que compreender estas
mudanças para nos
defendermos dos efeitos da globalização (BREGUEZ, 2002, on-line).
Daí
a proposta e necessidade dos estudos da folkcomunicação, no caso o da folkmídia.
Esclarece Benjamin (2000),
o termo
folk mídia
(ou
folk media
) surgiu em Londres no
ano de 1972, durante encontro realizado pela Federação Internacional de Planejamento
Familiar, com a finalidade de discutir o uso integrado de
Folk media
e
mass media,
em
campanhas de planejamento familiar e de
folk media
nos programas de educação de
formação de extensionistas. Dois anos depois, em Nova Dheli, Índia, em encontro
similar, discutiu-se novamente o uso do termo, dessa vez, de maneira ampla,
integrados
ou não aos
mass media
para obter o impacto desejado, na implementação de programas
de desenvolvimento
social.
Estas ferramentas folkcomunicacionais, hoje são utilizadas nos projetos desenvolvidos
nas zonas rurais e rurbanas
A serviço do desenvolvimento nacional, os veículos de massa são
agentes da transformação social. O tipo específico de transformação
que se pretende que eles condicionem é a passagem a novos costumes
e novas práticas e, em alguns casos, a novas relações sociais. Por trás
dessas modificações comportamentais deve necessariamente haver
transformações
substanciais
em
concepções,
crenças,
técnicas
e
normas sociais. (SCHRAMM apud GUSHIKEN, 2005).
A universidade Federal Rural de Pernambuco desenvolve os trabalhos de extensão rural
de forma significativa.
A teoria da folkcomunicação interpreta a comunicação popular a partir
da
percepção
das
manifestações
culturais,
negando
a
Teoria
Difusionista onde esta comunicação partiria do ponto de vista do
emissor. Como podemos conferir, no modelo difusionista, o consumo
de informações seria um indicador do desenvolvimento sociocultural
de
um
país.
Ou
seja,
considerava
“positivas”
as
possibilidades
educativas e informacionais dos meios de comunicação de massa, na
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condução
dos
países
subdesenvolvidos
a
outros
patamares
de
desenvolvimento econômico e social. (MACIEL, et al, 2009)
No Brasil a diversidade cultural é muito grande. Mas já existe um padrão do que os
espectadores gostariam de ver. Dessa maneira, ela não dialoga e reforça ainda mais
os
estereótipos, produzindo desta forma a alienação e exclusão social. A importância de se
preparar culturalmente para
que se promovam apresentar programas que possam
revelar
os “Brasis” na modernidade.
A mídia muito raramente tem produzido documentários e este é um ponto negativo
considerando que a realização de documentário desenvolve o empoderamento da
comunidade. A modernidade, o contato dessas pessoas com outros elementos culturais
através
da
própria
mídia
têm
trazido
algum
tipo
de
interferência
para
essas
manifestações, mas este é um processo lento. Não podemos negar que ele acontece, mas
pode levar dezenas de anos ou mais para que algo possa ser adicionado ou subtraído.
Diversos olhares distintos observam a sociedade, o que diversifica a compreensão da
mesma.
Dentro
da
perspectiva
da
Folkcomunicação
podemos
observar
as
características, fundamentadas em fatos históricos vividos pelos grupos rurais e urbanos
desde a invasão portuguesa e tantas lendas advindas dos povos que habitaram
inicialmente esta terra.
Podemos citar algumas referências de documentaristas que apresentam a cultura popular
de forma valorativa na
apresentação de sua identidade:
Por exemplo: Eduardo Coutinho e João Moreira Salles. Cabra Marcado para Morrer.
Este é
um divisor de águas na produção de documentários no país.
Seu trabalho caracteriza-se pela sensibilidade e pela capacidade de ouvir o outro,
registrando sem sentimentalismos as emoções e aspirações das pessoas comuns, sejam
camponeses diante de processos históricos.
Edifício Máster. A vida de moradores de um enorme condomínio de baixa classe média
no Rio de Janeiro.
Peões. Metalúrgicos que conviveram com o então sindicalista Luis Inácio Lula da Silva,
etc.
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Sem esquecer os documentários produzidos por Thomaz Farkas projeto pioneiro (1968
à 1972) tinha como proposta documentar como vivia o homem brasileiro de norte a sul,
suas manifestações culturais, mostrando suas diferenças e semelhanças.
O filme Jornal do Sertão, dirigido por Geraldo Sarno nos remete ao objeto da
folkcomunicação, quando apresenta no improviso dos cantadores repentistas e da
literatura de cordel a manifestação da cultura popular que se tornou verdadeiramente um
jornal do sertão.
O folclore é tema recorrente e tem sido apresentado na música, no cinema e na TV, na
literatura através do registro dos mitos e lendas,
misturando
fatos reais e históricos
com a fantasia procuraram dar explicação aos fatos da vida social. país tem uma
tradição No Brasil as manifestações folclóricas são variadas. Em cada região, o folclore
apresenta semelhanças e diferenças. A obra de Câmara Cascudo é de fundamental
importância
para
ser
pesquisada,
até
mesmo
porque
muitas
expressões
foram
abandonadas e lá ele desenvolve um registro muito forte da cultura passada.
O intercâmbio com
pesquisadores Latino-americanos é uma tendência atual, quando
cruzamos a teoria da folkcomunicação com os estudos culturais desenvolvidos por
autores como, Néstor García Canclini e Jesus Martín-Barbero, definindo o objeto da
folkcomunicação dentro da perspectiva de
Luis Beltrão. E assim interpretamos a idéia
seminal de Beltrão em conexão com os teóricos dos estudos culturais de forma a pensar
que a folkcomunicação tem como objeto
(...) analisar os fenômenos da recodificação popular de mensagens da
cultura massiva, mas também rastreando os processos inversos, ou
seja, a incorporação de bens da cultura popular pela indústria cultural
(os
meios
de
comunicação
e
os
aparatos
do
lazer
massivo,
principalmente o turismo. (MARQUES DE MELO, 1997, p.5).
A abordagem das formas de expressão popular aponta questionamentos entre valores
culturais promovendo o debate entre a existência de um padrão aceito pela classe
hegemônica em detrimento das classes ditas “alijadas da modernidade”. A perspectiva
de nós pesquisadores da folkcomunicação é realizar estudos etnográficos, registrar
história
de
vida,
formas
de
expressões,
descrevendo
o
processo
metodológico,
reforçando a
construção da teoria da folkcomunicação.
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Porém o campo dos estudos da Folkcomunicação é novo, mas promissor. Diversos
estudos vem sendo realizados nestes últimos 20 anos, com o foco em resgatar a
importância
da
cultura
popular
na
comunicação
midiatizada
recuperando
e
recodificando as manifestações populares, seus códigos, seus símbolos, sua iconografia.
No prefácio da obra, José Marques de Melo revela que sua intenção é ampliar a difusão
do legado beltraniano, de modo a incentivar futuras gerações:
José Marques de Melo (2008, p. 15), difusor
do legado beltraniano,
grande
incentivador dos estudos da folkcomunicação e incentivador de novas gerações afirma:
Dou-me por satisfeito se, pelo menos, contribuir para sensibilizar as
vanguardas
da
nossa
comunidade
acadêmica
em
relação
à
originalidade, vitalidade e atualidade da pesquisa sobre os caminhos
cruzados
entre
a
cultura
popular
e
os
fluxos
midiáticos,
neste
momento em que transitamos para a sociedade do conhecimento.
Porém, não é sem dificuldades que este campo busca abrir novas fronteiras, teóricas e
metodológicas na compreensão dos fluxos de comunicação e das trocas culturais entre a
cultura global e a cultura local. Como toda novo campo do saber científico, a
Folkcomunicação. Não somente a dificuldade de consolidar seu objeto de pesquisa e
seus métodos, mas também de obter aceitação dentro do paradigma da ciência normal,
utilizando o termo de Kuhn. Talvez por seu aspecto inovador e libertário inclusive em
relação a seu objeto, talvez pelo simples conservadorismo acadêmico, a comunidade
acadêmica
da
comunicação
estaria
hoje
em
prejuízo
se
ignorasse
os
aportes
folkcomunicacionais.
Referências Bibliográficas
Beltrão, Luís. Folkcomunicação: a comunicação dos marginalizados. São
Paulo: Cortez, 1980.
Beltrão, Luiz. Folkcomunicação um estudo dos agentes e dos meios populares de
informação de fatos e expressão de idéias. Porto Alegre: Edipucrs, 2001.
Breguez,
Sebastião
Geraldo.
Comunicação,folclore
e
globalização:
os
meios
de
comunicação de massa estão destruindo o folclore ou a sociedade está sendo formada
poruma
cultura?
Disponível
Acesso em: 14 set. 2003.
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Breguez,
Sebastião
Geraldo.
Folclore
na
Era
da
Globalização.
Disponível
Canclini, Néstor Garcia. Consumidores e Cidadãos – Conflitos Multiculturais da
Globalização
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Rio de Janeiro: UFRJ, 1995.
Canclini, Nestor, Garcia – Consumidores e cidadãos – conflitos multiculturais da
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Díaz Bordenave, Juan E. Além dos meios e mensagens
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Rio de Janeiro: Vozes, 1983.
Freire, Paulo. Extensão ou comunicação? Rio de janeiro: Paz e Terra, 1980.
Gonzales,A.Jorge.Sociologias de las Culturas subalternas. México: Universidade
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Machado,Juremir , Ainda existe o popular? Porto Alegre: Edipucrs, 2001.
Marques de Melo, José Marques de
.
Mídia e Cultura popular: história, taxionomia e
metodologia da Folkcomunicação. São Paulo: Paulus, 2008.
Marques de Melo, J. (org.). 2006b.
Regionalização midiática
. Taubaté, UNITAU.
1
Trabalho apresentado no GT – Folkcomunicação do
XI Congresso Lusocom, realizado de 4 a 6 de
agosto de 2011.
2
Professora do Programa de Mestrado em Extensão Rural e Desenvolvimento Local –POSMEX /
Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE. <betaniamaciel@gmail.com>
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