Artículo en PDF
Como citar este artigo
Número completo
Mais artigos
Home da revista no Redalyc
Sistema de Información Científica
Red de Revistas Científicas de América Latina y el Caribe, España y Portugal
78
Passagens.
Revista Internacional de História Política e Cultura Jurídica,
Rio de Janeiro: vol. 2 no.4, maio-agosto 2010, p. 78-93.
HISTÓRIA E TELEOLOGIA EM DARWIN E MARX PARA ENTENDER UM DEBATE
HISTORIA Y TELEOLOGÍA EN DARWIN Y MARX. PARA ENTENDER UN DEBATE
HISTORY AND TELEOLOGY IN DARWIN AND MARX. TO UNDERSTAND A DEBATE
HISTOIRE ET TÉLÉOLOGIE CHEZ DARWIN ET MARX
POUR L’ENTENDEMENT DU DÉBAT
DOI:
10.5533/1984-2503-20102404
Maurício Vieira Martins
RESUMO
O artigo discute até que ponto uma concepção de mundo teleológica está presente no
pensamento de dois autores tão distintos como Darwin e Marx. Entendendo tal concepção
como aquela que afirma que o curso da história natural e social ruma em direção a uma
finalidade determinada, realizou-se aqui um movimento duplo. Num primeiro momento,
comentamos aquelas passagens que parecem de fato confirmar a presença de uma visão
de mundo finalista na obra dos dois autores. Não obstante isso, num segundo momento
do artigo – e também a partir de uma investigação textual – sustentamos que ambos
autores elaboraram, cada qual a seu modo, conceitos que permitem superar os limites da
referida visão finalista. Desta forma, ficam esboçadas as bases para o entendimento da
História como um processo simultaneamente determinado e em aberto se fazendo.
Entendemos ser tal entendimento o veio mais fecundo das distintas obras, a ser resgatado
e aprofundado em nossa contemporaneidade.
Palavras-chave: História, teleologia, darwinismo, marxismo.
79
RESUMEN
El artículo analiza hasta qué punto una concepción de mundo teleológica está presente en
el pensamiento de dos autores tan distintos como Darwin y Marx. Entendiendo tal
concepción como aquella que afirma que el curso de la historia natural y social se dirige
hacia un fin determinado, se realizó aquí un doble movimiento. En un primer momento,
comentamos aquellos pasajes que parecen confirmar la presencia de una visión de mundo
finalista en la obra de los dos autores. Sin embargo, en un segundo momento del artículo
– y también a partir de una investigación textual – sustentamos que ambos autores
elaboraron, cada uno a su manera, conceptos que permiten superar los límites de la
referida visión finalista. Así, quedan esbozadas las bases para la comprensión de la
Historia como un proceso simultáneamente determinado y en abierto que está siendo
hecho. Comprendemos que este entendimiento es el fundamento más fecundo de las
distintas obras, a ser rescatado y profundizado en la contemporaneidad.
Palabras-clave: Historia, teleología, darwinismo, marxismo.
ABSTRACT
This paper discusses to what extent a teleological conception of the world is present in the
thought of such distinct authors as Darwin and Marx. Since we understand this conception
as asserting that the course of natural and social history makes its way to a determined
goal, we perform a double movement here. First, we comment on the excerpts that actually
seem to confirm the presence of a finalist vision of the world in the works of these two
authors. Yet, in a second step – still based on text investigations –, we sustain that both,
each in his own way, designed concepts allowing to overcome the limits of this finalist
vision. We thus outline the bases to understand history as a process both determined and
open, in progress. We consider such understanding as the most fruitful approach to their
works. It should be rescued and deepened in the present days.
Key words: History, teleology, Darwinism, Marxism.
RÉSUMÉ
L’article discute à quel point une conception téléologique du monde peut avoir sa place au
sein de la pensée de deux auteurs aussi distincts que Darwin et Marx. En comprenant une
telle conception comme celle qui établit le cours de l’histoire naturelle et sociale suivant un
80
axe dirigé vers des fins déterminées, l’on a opéré ici un double mouvement. Tout d’abord,
nous avons fait des remarques sur les seuls extraits qui semblaient effectivement
confirmer
l’existence
d’une
vision
finaliste
dans
les
ouvrages
des
deux
auteurs.
Nonobstant, dans un second moment de l’article et également à partir d’une investigation
textuelle, nous soutenons que les deux auteurs ont élaboré, chacun à leur façon, des
concepts qui permettent de dépasser les limites de cette vision finaliste. C’est ainsi qu’ont
été jetées les bases de la compréhension de l’Histoire en tant que processus en cours, à la
fois déterminé et ouvert. Nous concevons qu’un tel entendement est la voie la plus féconde
d’envisager les œuvres de ces deux auteurs, suggérant une reprise en compte et un
approfondissement de leurs œuvres à la lumière de la contemporanéité.
Mots-clés : Histoire, téléologie, darwinisme, marxisme.
“A teleologia, tal como usualmente entendida, havia recebido um golpe mortal
pelas mãos do senhor Darwin”
1
; assim se pronunciou Thomas Huxley, ao ler pela primeira
vez
A origem das espécies
, texto publicado em 1859. Quando reconstituímos a ambiência
intelectual de meados do século XIX, torna-se mais claro o sentido deste comentário.
Com efeito, era então predominante uma concepção que visualizava o transcurso
da história no mundo natural e social como sendo presidido por uma finalidade, um
telos
.
Não obstante as diferenças existentes entre cada perspectiva teleológica, pode-se afirmar
que era recorrente a suposição de que a finalidade a ser alcançada relacionava-se com o
aprimoramento das diferentes espécies vivas, inclusive e sobretudo a nossa espécie
humana. Ao investigar os pressupostos filosóficos das perspectivas teleológicas, vemos
que eles se enraízam, afinal, numa certa concepção religiosa do cosmos: a imagem de um
Deus ou demiurgo voluntarioso que imprime sua finalidade numa matéria inicialmente
amorfa é recorrente em diferentes cosmologias. Desde o
Timeu
de Platão, até o Espírito
Absoluto de Hegel, a busca por uma finalidade era concebida como força motora
incontornável que exerce seus efeitos nos mais diferentes domínios da experiência.
Mas por que, poderíamos nos indagar, chamou a atenção em especial de T.
Huxley o conteúdo antiteleológico do texto de Darwin de 1859? Por que razão também F.
Engels durante sua leitura de
A origem.
..
, escreveu uma carta para K. Marx afirmando que
1
Apud
Mayr, Ernst (2005).
Biologia, ciência autônoma
, São Paulo: Companhia das Letras. p. 57.
81
“havia ainda um aspecto da teleologia a ser demolido, e agora ele foi”
2
? Merece análise o
fato de que, entre as inúmeras questões presentes no extenso texto darwiniano de 1859,
alguns leitores ilustres destacaram especialmente o que entenderam ser uma crítica a
uma concepção finalista da natureza que ali se manifestava.
Levando-se
em
conta
tais
aspectos
aqui
apenas
inicialmente
aflorados,
esclarecemos que o artigo que se segue tem um objetivo pelo menos duplo. O primeiro
deles é tornar mais transparentes as razões pelas quais a concepção de Darwin sobre as
espécies foi recebida como sendo uma crítica à teleologia natural. O segundo é evidenciar
que também K. Marx, certamente percorrendo um trajeto bem distinto do de Darwin, vai se
ver envolvido ao longo de sua obra num debate com as concepções teleológicas de sua
época (a de Hegel à frente), mas tendo como objeto a própria história humana. Talvez não
seja excessivo, aliás, lembrar que, durante a leitura do próprio Marx (em dezembro de
1860) de
A origem das espécies
, ele escreveu a Engels que
“neste livro se encontra o
fundamento histórico-natural de nossa concepção”
. Observação forte – tendo em vista que
um
fundamento
é algo essencial na obra de um pensador –, que sugere existir aqui um
núcleo temático que demanda investigação.
Por
outro
lado, dificulta nossa
tarefa
saber que o
ponto sob
exame
é
particularmente controvertido. Pois há autores importantes que entendem (diferentemente
dos já citados T. Huxley e F. Engels) que o darwinismo seria, afinal, uma forma mais
sofisticada de teleologia, a ponto de James Lennox – um biólogo contemporâneo bastante
conceituado – ter escrito um artigo intitulado: “Darwin
was
a Teleologist”
3
. E também no
que diz respeito à recepção dos textos de Marx, são incontáveis as leituras que afirmam
que, no fundo, a aposta marxiana numa futura sociedade socialista seria a reedição de
uma escatologia secularizada (basta lembrar a vertente interpretativa sustentada, dentre
outros por Leszek Kolakowski).
Como vemos, o teor do relacionamento dos dois autores
ilustres aqui em foco com uma certa visão finalista da história, longe de ter gerado um
consenso
mínimo
entre
os
comentaristas provocou,
na
verdade,
as
mais
ásperas
divergências no debate posterior.
Mas antes de enfrentarmos este núcleo temático – com todas as ambivalências
que, reconhecemos desde já, de fato o caracterizam –, um último comentário introdutório
2
Engels to Marx (11/12/1859). Sítio da Internet:
. Consulta em 10/03/2010.
3
Lennox, James (1993). “Darwin was a Teleologist”, In
Biology and Philosophy
vol. 8, p. 408-421.
82
se faz necessário. Pois a aproximação que fizemos pouco atrás entre as concepções de
Darwin e Marx certamente não significa a inexistência de divergências entre estes dois
pensadores. Longe disso: as diferenças existem e são consideráveis. Além do fato,
bastante óbvio, de que Darwin se ocupa daqueles fenômenos do chamado mundo natural,
ao passo que Marx elege um objeto bem distinto (as sociedades humanas já constituídas),
existem tensões reais entre as duas visões de mundo.
É bem conhecido, por exemplo, o registro de que, para além de seu entusiasmo
inicial, Marx afirmou também que Darwin teria transposto acriticamente a realidade
competitiva de uma sociedade capitalista para o domínio dos fenômenos naturais
4
.
Darwin, por sua vez, educadamente recusou a oferta que E. Aveling – genro de Marx – lhe
fez. Tal oferta consistia numa dedicatória formal ao próprio Darwin do livro sobre religião
que Aveling havia escrito (não se tratava de
O capital
de Marx, como durante muito tempo
erroneamente se supôs). E o naturalista inglês manifestou sua recusa deixando por escrito
um pronunciamento que, embora respeitoso, sugere que ele tinha algumas reservas à
visão de mundo assumida por Aveling
5
.
Isso posto, não deixa de ser verdade que uma articulação entre a visão de mundo
darwiniana e a marxista é certamente possível, e vem sendo explorada por diferentes
autores, a rigor já desde o século XIX. O presente artigo se inscreve portanto nesta
tradição,
buscando sua originalidade não só no exame de um aspecto conceitual
determinado, como também na tentativa de atualizar um debate.
*
*
*
Comecemos então por Darwin. Para entender sua polêmica com a teleologia
naturalista, é necessário ter em mente que a tomada de posição darwiniana se inscreve
numa concepção mais geral, que afirma a existência de sucessivas transformações no
âmbito das diferentes espécies de seres vivos, sejam eles animais ou plantas. Conforme é
sabido, foi na recusa da aceitação do relato bíblico sobre a origem das espécies, presente
no livro do Gênesis, que a singularidade da posição de Darwin se manifestou com mais
4
Marx to Engels (18/06/1862). Sítio da Internet:
. Consulta em 10/03/2010.
5
A reconstituição correta deste episódio pode ser encontrada em: Fay, Margaret A. (1978). “Did Marx Offer
to Dedicate Capital to Darwin?: A Reassessment of the Evidence”, In
Journal of the History of Ideas
, Vol. 39,
No. 1, p. 133-146.
83
força. Tal relato influenciava mesmo os mais eminentes cientistas do século XIX, que
assumiam o pressuposto de que as diferentes espécies vivas haviam sido criadas
diretamente por Deus, não cabendo dizer que elas sofreram modificações, já que se
manteriam estáveis ao longo do tempo. Para explicar as então recentes descobertas de
fósseis que mostravam claramente que a Terra fora povoada por outros entes, bem
distintos dos atuais, a alternativa existente era afirmar que Deus havia criado e destruído
sucessivamente diferentes espécies, mas que a Bíblia relatava apenas o último episódio
da criação.
Em contrapartida, ao afirmar a existência de um ancestral comum para as
diferentes
espécies
e,
consequentemente,
sustentar
que
elas
se
transformaram
profundamente ao longo do tempo, Darwin dá uma história para o mundo natural. Ele nos
mostra que mesmo aquelas formas de vida que nos parecem mais estabilizadas são na
verdade o produto de um devir. Daí nosso autor afirmar ter chegado à
“cabal convicção de
que
as
espécies
se
modificaram
e
estão
se
modificando
lentamente,
através
da
preservação e acumulação de variações favoráveis sucessivas e ligeiras”
6
.
Certamente
Darwin não foi o primeiro a afirmar estas modificações: ele próprio, já nas páginas iniciais
de
A origem
, enumera judiciosamente autores como Lamarck, Geoffroy Saint-Hilaire e H.
C. Wells (entre outros) como precursores de sua teoria. Porém, o fato é que Darwin foi o
responsável pela maior sistematização e análise da enorme quantidade de processos e
fenômenos naturais que comprovavam, para usar a sua expressão, a “descendência com
modificações” (o termo “evolução” só se estabilizará posteriormente) e, mais do que isso,
pela formulação de um conceito explicativo do mecanismo pelo qual isso ocorre.
Ultrapassado o limite das concepções fixistas de origem bíblica, e aceito finalmente
o transformismo do mundo natural, havia porém uma questão crucial a ser enfrentada:
como transcorria este devir histórico? Seria correto afirmar, por exemplo, que ele é
comandado por uma finalidade? Chegamos então ao nosso tema central. Não sendo a
ocasião de analisar aqui os diferentes matizes de evolucionismo presentes no século XIX,
mencionaremos apenas um deles, que ficou conhecido como ortogênese. Resumidamente
falando, a ortogênese supunha que a mudança nos organismos se devia a uma tendência
interna existente no interior de cada um deles: era o desejo (
besoin
) de mudança a que se
referia um Lamarck. Ainda que rompendo com o modelo fixista mais ortodoxo, as
6
Darwin, Charles (2002).
Origem das espécies,
Belo Horizonte: Itatiaia. p. 375.
84
concepções ortogenéticas eram teleológicas: supunham que as transformações nos
organismos transcorriam sob a égide de uma finalidade neles internamente inscrita. Já o
mecanismo de mudança das espécies afirmado por Darwin é inteiramente diverso, ele o
nomeia como
seleção natural
, e é disso que nos ocuparemos a seguir.
Convém desde agora lembrar que, ao analisar o conceito de seleção natural, o
pesquisador contemporâneo se vê diante de um desafio singular: sustentamos a hipótese
de que, em sua gênese, o conceito apresentava ainda uma matriz teleológica (que
explicitaremos a seguir). Não obstante isso, seus desdobramentos posteriores apontam
numa direção muito distinta da moldura inicial na qual foi produzido.
Recordemos que o conceito de seleção natural foi originalmente formulado por
Darwin a partir de uma comparação com os criadores de animais e com os melhoristas de
plantas. Pois o que eles faziam era uma seleção, no interior da prole de uma determinada
espécie,
daqueles
exemplares
que
desejavam
reproduzir
de
acordo
com
critérios
valorativos humanos (os mais “belos”, ou os mais “vigorosos”, etc.). Quando Darwin
compara a ação da natureza com a destes agentes humanos, ele visava sobretudo tornar
mais claro o entendimento das enormes modificações históricas pelas quais passaram as
espécies atuais: a ideia era evidenciar que apenas o contato com o exemplar vivo atual é
insuficiente para atestar a imensa distância entre ele e seu ancestral mais remoto. Porém,
notemos que a analogia entre os processos naturais e a ação humana desenvolvida pelos
criadores de animais traz para o argumento darwiniano um complicador que gerou
imensas polêmicas posteriores. É que o passo seguinte do argumento será afirmar que a
própria natureza – e não apenas os homens – tem condições de operar uma seleção
análoga. Daí a pergunta formulada pelo próprio Darwin:
“Por que, se o homem é capaz de selecionar pacientemente as variações que lhe
são mais proveitosas, não seria capaz a natureza de selecionar as variações que,
sob determinadas condições novas de existência, não se mostrassem mais úteis
para seus possuidores? (.
..) De minha parte, não vejo limites para este poder
(..).”
.
7
Ora, o risco aqui é evidente: atribuir à natureza o papel de um sujeito volitivo, que
age – consciente ou inconscientemente – seguindo a meta implícita de produzir formas de
vida “mais úteis”. Se, no caso dos criadores de animais e plantas que planejam quais as
características que neles desejam tornar mais acentuadas, existe de fato um sujeito
consciente que se põe finalidades (e a inteira atividade transcorre sob a égide da
7
Ibidem, p. 366.
85
finalidade posta como objetivo), já no que toca à natureza, se admitirmos a existência de
um processo análogo, no fundo arriscamo-nos a reabilitar a antiga teleologia que estava
precisamente sendo questionada. Se esta é apenas uma possibilidade de interpretação ao
início de
A origem das espécies
, ela ganha força nas páginas finais do texto, quando
Darwin afirma textualmente que
“assim, é da batalha natural, é da fome e da morte que
advém o mais elevado objetivo que somos capazes de conceber: a produção dos animais
superiores. Existe efetiva grandiosidade neste modo de encarar a Vida (.
..)”.
8
Vê-se aqui com clareza que alguns supostos de uma peculiar concepção de mundo
finalista ainda se infiltram no texto darwiniano de 1859. Com efeito, ele comporta uma
certa concepção de natureza como um sujeito volitivo, que age rumo ao seu progressivo
aperfeiçoamento.
Formulada esta concepção mais geral, na qual inicialmente se inscreve o conceito
de seleção natural, cabe agora destacar que, no seu interior, ela abriga conteúdos
bastante distintos de seus pressupostos filosóficos. Se não, vejamos: num primeiro
momento, nosso autor enfatiza que no interior da prole de uma espécie existem pequenas
variações que acabam por interferir na maior ou menor capacidade de sobrevivência de
seus portadores (apenas como exemplo, o formato do bico de uma mesma espécie de
pombos nunca é exatamente idêntico). Como o ambiente natural paulatinamente se
transforma, e os recursos disponíveis no mais das vezes são escassos para prover a
subsistência de toda a biota, aquelas variações interferem no maior sucesso reprodutivo
de seus portadores. Ao longo de sucessivas gerações, teremos uma amplificação das
diferenças originais, em estreita correlação com o devir do meio natural. Pedimos a
atenção do leitor para o fato de que,
quando deixamos de lado aquela referida moldura
mais geral do conceito (que supunha ser a inteira natureza um sujeito volitivo) e
examinamos seus conteúdos peculiares, o mecanismo de seleção natural, assim
formulado, já não envolve nenhuma finalidade embutida
.
Tomemos um exemplo do próprio Darwin, referente ao mimetismo presente em
algumas espécies:
“Ao observarmos a cor verde dos insetos que se alimentam de folhas, ou o pardo-
mosqueado dos que comem as cascas das árvores.
.., temos de admitir que estas
colorações são úteis para essas aves e insetos, uma vez que os mantêm fora de
muitos perigos”
9
.
8
Ibidem, p. 381.
9
Ibidem, p.98.
86
Mas ora, enquanto uma aproximação teleológica a esta questão diria que uma certa
cor foi adquirida com “a finalidade” de uma espécie escapar de seus predadores, já a
explicação por seleção natural afirma algo bem distinto disso. Ela apenas põe em
evidência o fato de que, digamos, numa prole de insetos da mesma espécie, com
pequenas variações no que se refere à coloração, têm maior chance de sobreviver
aqueles que apresentam semelhança com a folhagem do ambiente onde vivem. Ao longo
de
muitas
gerações, o
maior
sucesso
reprodutivo
caberá
precisamente
àqueles
descendentes mais adaptados a esta nova realidade.
Assim, o fenômeno do mimetismo, que nos aparecia inicialmente como uma
modificação teleológica – este persistente raciocínio finalista que reincide em nosso olhar
humano nas mais diferentes ocasiões.
.. – é na verdade o resultado de uma concatenação
de causas eficientes, que operam sem finalidade prévia. Conforme o comentário mais
geral de E. Mayr, um dos maiores evolucionistas do século XX:
“Darwin nos ensinou que mudanças evolutivas aparentemente teleológicas e a
produção de características adaptativas são apenas o resultado de evolução
variacional, que consiste na produção de grande quantidade de variação a cada
geração e na sobrevivência probabilística daqueles indivíduos que restam após a
eliminação dos fenótipos menos aptos. A adaptação, assim, é um resultado a
posteriori, e não a busca a priori de uma meta. Por essa razão, a palavra
“teleológico” é enganadora quando aplicada a características adaptativas”.
10
Volt
ando ao próprio Darwin, cabe agora dizer que, anos depois da publicação de
A
origem
, ele retornará à questão da teleologia em sua
Autobiografia
(redigida em 1876).
Este
último
texto
é
um
documento
particularmente
instrutivo,
pois
nele
podemos
presenciar a retrospectiva feita pelo próprio Darwin de seu trajeto. E é com certa surpresa
que o leitor contemporâneo se depara com o explícito reconhecimento, por parte do autor,
do fato de que à época da redação de
A origem
, ele ainda possuía efetivas convicções
religiosas – mesmo que bem distintas do criacionismo tradicional – que foram retificadas
ao
longo
de
seu
trajeto posterior. Confirmando
a
hipótese
de
leitura
que
aqui
apresentamos, se no texto de 1859 ainda é possível encontrar passagens problemáticas,
que
podem
sugerir
um
comprometimento
do
autor
com supostos
finalistas, já na
Autobiografia
Darwin se diferencia de modo mais radical daqueles que acreditavam existir
na natureza um desígnio:
10
Mayr, Ernst (2005).
Biologia, ciência única,
São Paulo: Companhia das Letras, p. 76-77.
87
“O antigo argumento do plano [design] da natureza, tal como exposto por Paley, e
que antes me parecia tão conclusivo, cai por terra, agora que a lei da seleção
natural foi descoberta. Já não podemos argumentar, por exemplo, que a bela
charneira [hinge] de uma concha bivalve deve ter sido feita por um ser inteligente,
como a charneira de uma porta foi feita pelo homem. Parece haver tão pouco
planejamento na variabilidade dos seres orgânicos e na ação da seleção natural
quanto na direção em que sopra o vento. Tudo na natureza é resultado de leis
fixas”
.
11
A passagem é fundamental. Nela, Darwin consuma sua ruptura com a cosmovisão
teleológica – ruptura que sem dúvida já se iniciara em
A origem
– e distingue pelo menos
dois níveis distintos de organização do ser. Se da charneira de uma porta pode-se
legitimamente
afirmar
que foi
desenhada
por
um
homem
para
atender
uma certa
finalidade, o mesmo não se pode dizer da articulação que une as duas peças de uma
concha bivalve. Esta última é o resultado de um processo de seleção natural, onde não
houve nenhum tipo de finalidade comandando seu transcurso, mas apenas sucessivas
transformações que beneficiaram os organismos portadores de certas características.
Aqui, vemos um Darwin interessado em distinguir duas dimensões do ser: enquanto no ser
natural – na concha bivalve – não cabe falar em planejamento, já no mundo formado pela
ação humana (neste mundo onde se presentifica a elaboração da “charneira de uma
porta”), aí sim cabe falar em planejamento, em ação orientada para um fim.
*
*
*
A referência ao exemplo darwiniano da charneira de uma porta, produto do trabalho
humano, nos oferece a ocasião adequada para ingressarmos agora no pensamento de
Marx. Sem dúvida, o filósofo alemão foi um dos pensadores que mais se ocupou desta
experiência básica de nossa espécie que é a transformação da natureza pelo trabalho. E
quando estudamos os escritos de Marx nos quais ele conceitua com mais vagar os
elementos presentes num processo de trabalho, vemos que,
nesta precisa esfera do ser
, é
inegável a existência de uma dimensão teleológica. É o que nos esclarece uma conhecida
passagem de
O capital
:
“Uma aranha executa operações semelhantes às do tecelão, e a abelha supera
mais de um arquiteto ao construir sua colméia. Mas o que distingue o pior arquiteto
da melhor abelha é que ele figura na mente sua construção antes de transformá-la
em realidade. No fim do processo do trabalho aparece um resultado que já existia
11
Darwin, Charles (2000).
Autobiografia,
Rio de Janeiro: Contraponto, p. 75 (corrigido de acordo com o
original em inglês).
88
antes idealmente na imaginação do trabalhador. Ele não transforma apenas o
material sobre o qual opera; ele imprime ao material o projeto que tinha
conscientemente em mira, o qual constitui a lei determinante do seu modo de
operar e ao qual tem de subordinar sua vontade”.
12
Temos aqui registrada a descontinuidade entre a nossa espécie e as demais: ao
invés da ação apenas instintiva, emerge nos humanos a capacidade de figurar idealmente
sua própria atividade. Mas, atenção, esta descontinuidade não precisa ser interpretada
como ruptura absoluta: assim como Darwin, e diferentemente dos criacionistas de sua
época (interessados em afirmar a irredutível centelha divina do homem, portador de uma
alma e coroa da criação), Marx não constrói uma muralha separando nossa espécie das
demais. Já em seus
Manuscritos Econômico-filosóficos
, ele escreve que
“o homem é
imediatamente ser natural”
13
(ser enraizado na natureza, portanto), para pouco depois
adendar que o homem é capaz de objetivações conscientes. Diferença que se revelará
decisiva ao longo da progressiva exteriorização do trabalho humano: assim é que, se o
leitor deste artigo se dispuser agora a examinar o que existe à sua volta, não verá uma
natureza originária, mas sim um gigantesco conjunto de edificações, de artefatos, etc.,
produtos da objetivação do trabalho humano.
O que nos cabe agora indagar é se, tal como ocorre na experiência laboral, também
o decurso histórico mais geral seria orientado, na concepção de Marx, por uma finalidade.
Tal como em Darwin, a aproximação a esta pergunta necessita ser feita com cuidado.
Num primeiro contato com a obra marxiana, deparamo-nos com passagens que parecem
se encaminhar para uma resposta afirmativa à questão.
Tomemos, a título de exemplo, os já citados
Manuscritos Econômico-filosóficos.
Neles, ao referir-se a uma futura sociedade comunista, Marx afirma que
“é [o comunismo]
o enigma resolvido da história, e se sabe como esta solução”
14
.
Ora, é fato que um
enunciado que afirma existirem enigmas na história, que encontrarão sua solução apenas
no momento da meta realizada, caminha bem próximo a uma concepção finalista da
história. E para que não se diga que esta é uma passagem localizável apenas na
juventude de Marx, podemos citar também o capítulo 24 de
O capital
, onde após fazer
uma análise da violência presente no processo de transição da sociedade feudal para a
12
Marx, K. (1980).
O capital
(Livro 1, volume I), Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, p. 202.
13
Marx, K. (2004).
Manuscritos Econômico-filosóficos
, São Paulo: Boitempo Editorial, p. 127.
14
Ibidem, p. 105.
89
sociedade capitalista, nosso autor apresenta nestes termos o futuro advento de uma
sociedade socialista, que entende estar bem próximo:
“Soa a hora final da propriedade particular capitalista. Os expropriadores são
expropriados. (.
..) A propriedade privada capitalista é a primeira negação da
propriedade individual baseada no trabalho próprio. Mas, a produção capitalista
gera sua própria negação, com a fatalidade de um processo natural. É a negação
da negação”.
15
Ao invocar a “fatalidade de um processo natural”, Marx torna-se vulnerável àquela
mencionada crítica que entende ser sua concepção uma versão materialista da filosofia da
história de Hegel (esta sim, reconhecidamente teleológica). Possibilidade de leitura que se
vê reforçada pelo uso do conceito hegeliano de negação da negação.
Feito este registro, analisemos agora a vertente que nos parece mais fecunda no
interior do pensamento de Marx. Pois de modo algo paradoxal, eis que o próprio filósofo
nos oferece os meios para se desconstruir a matriz teleológica anterior, rumo a uma
concepção mais aberta do processo histórico. E não é preciso recorrer-se apenas à obra
da maturidade de Marx para comprovar isso: mesmo num texto como
A ideologia alemã
,
na polêmica com os filósofos neo-hegelianos, encontramos uma excelente passagem a
este respeito (como que a nos mostrar que a partição excludente entre jovem Marx e velho
Marx não é, afinal, uma boa chave de leitura). Nela, nosso autor se pronuncia com muita
clareza contra o idealismo teleológico que caracterizava a formulação dos neo-hegelianos,
onde a história surgia como um sujeito dotado de vontade. Diferenciando-se de tal
concepção, o texto afirma o caráter mundano da experiência humana histórica:
“A história não é senão a sucessão das diversas gerações, cada uma das quais
explora os materiais, capitais, forças de produção que lhe são legados por todas as
que
a
precederam,
e
que
por
isso
continua,
portanto,
por
um
lado,
em
circunstâncias completamente mudadas, a actividade transmitida, e por outro lado
modifica as velhas circunstâncias, o que permite a distorção especulativa de fazer
da história posterior o objectivo da anterior, por exemplo, colocar como subjacente
ao descobrimento da América o objectivo de proporcionar a eclosão da revolução
francesa”.
16
E
vitando, pois, a visão antropomórfica de história, Marx a devolve a seu solo
fundante: concatenação temporal das diferentes gerações de seres humanos, que se
relacionam entre si e com a natureza. Quanto à existência de uma teleologia neste
15
Marx, K. (1980).
O capital
(Livro 1, volume II), RJ: Civilização Brasileira. p. 881.
16
Marx, K. e Engels, F. (1981).
A ideologia alemã
, Lisboa: Edições Avante. p. 47-48.
90
processo, o nítido exemplo referente à relação entre o descobrimento
17
da América e a
Revolução Francesa nos mostra que o que estava ali presente era tão somente uma
relação causal, mas não teleológica. Sendo mais explícitos: ao fazer a análise dos
processos históricos que levaram à eclosão da Revolução Francesa, é legítimo incluir-se o
descobrimento da América como um deles. Mas uma perspectiva teleológica não se
satisfaz com este sóbrio registro: ela vai bem mais além, e afirma que havia uma
finalidade – consciente ou inconsciente – no fenômeno de 1492, que seria propiciar a
eclosão, séculos depois, da própria Revolução Francesa. É precisamente contra este erro
teleológico que se endereça o alerta de Marx.
Voltando agora à questão que apresentamos mais atrás, referente à possibilidade
de se expandir a teleologia existente num processo de trabalho para o transcurso histórico
mais geral, vemos com nitidez que a resposta que se impõe é negativa. Ou seja:
é um
erro transpor-se as categorias explicativas do processo de trabalho para o âmbito
macro-histórico
. Pois se no primeiro caso a atividade transcorre sob a égide de uma
causalidade de fato marcada por uma teleologia, o mesmo não ocorre no âmbito do
processo histórico como um todo.
Mas não seria uma contradição afirmar – como faz Marx – que os homens agem
perseguindo finalidades e que mesmo assim a história humana não é teleológica? De
forma alguma. Basta lembrar que, na concepção marxiana, a partir da atividade humana
emerge uma realidade distinta daquela intentada pelos seus agentes. Seja na formação de
um ente singular, o capital (que adquire uma lógica própria de expansão), seja nos
cotidianos conflitos entre as classes sociais, vale aqui lembrar uma passagem de F.
Engels que ressalta com clareza a imprevisibilidade do curso histórico assim formado:
“o
que um deseja tropeça com a resistência oposta por outro, e o resultado de tudo isto é
algo que ninguém desejava”
18
. Formulação que nos deixa diante do caráter em aberto da
experiência humana se fazendo: experiência determinada, sem dúvida, mas ainda assim
imprevisível.
É bem sabido que as advertências quanto ao cuidado necessário para se analisar
os diferentes momentos constitutivos de um processo histórico nem sempre foram
17
Seguindo a terminologia do texto marxiano, falamos aqui em
descobrimento
da América. Sabe-se que a
historiografia contemporânea questiona tal expressão, ressalva que não afeta o cerne do presente
argumento.
18
“Engels a Bloch (carta de 21/22 de setembro de 1890)”. In: Marx, K., e Engels, F. (s/data).
Obras
Escolhidas, vol 3,
São Paulo: Editora Alfa-Omega, p. 285.
91
observadas pelos seguidores de Marx e Engels. Com efeito, já enquanto os autores
estavam vivos, passou a circular uma versão de seu pensamento que interpretava as
hipóteses marxianas sobre a importância das condições objetivas da vida humana no devir
histórico como sendo imperativos a serem seguidos igualmente por todas as sociedades
(procedimento que, ao fim e ao cabo, caracterizaria um estreito finalismo histórico). Entre
as passagens nas quais Marx protesta contra esta vulgarização de seu pensamento – ele
que já havia afirmado que “tudo que eu sei é que não sou marxista”
19
... –, merece
destaque a carta de 1877 endereçada ao editor do periódico russo
Otecestvenniye
Zapisky
.
Nela, Marx diverge frontalmente da interpretação dada à sua abordagem do
processo de transição de uma sociedade feudal para a sociedade capitalista:
“Isso é tudo. Mas não é o bastante para o meu crítico. Ele se sente obrigado a
metamorfosear meu esboço histórico da gênese do capitalismo na Europa
Ocidental numa teoria histórico-filosófica da marcha geral imposta pelo destino a
cada povo, quaisquer que sejam as circunstâncias históricas em que ele se
encontra, de modo que se possa finalmente chegar à forma de economia que
assegura, com a maior expansão das forças produtivas do trabalho social, o
desenvolvimento mais completo do homem. Mas eu lhe peço desculpas. Isso é me
prestar demasiada homenagem e me envergonhar bastante”.
20
O que era então, na pena de Marx, o esboço de uma pesquisa histórica a ser
testado em cada caso concreto passou a ser erroneamente interpretado como uma
espécie de dogma a ser seguido de modo universal por todas as sociedades, daí o
protesto marxiano contra a trivialização de sua teoria.
*
*
*
Buscamos demonstrar neste breve artigo que, percorrendo trajetos distintos, tanto
Marx como Darwin deram uma contribuição singular para o entendimento dos processos
históricos de longa duração. Ao recusar as teses dos fixistas de sua época, Darwin nos
mostra a natureza como um processo histórico se fazendo, que passa agora a demandar
uma preocupação genealógica para o entendimento das diferentes espécies.
“Nossas
classificações hão de se transformar em genealogias”
, nosso autor afirma de modo muito
sugestivo ao final de
A origem das espécies
.
19
Apud “Engels a Schmidt (carta de 05 de agosto de 1890)” In: Ibidem, p. 283.
20
Letter
from
Marx
to
Editor
of
the
Otecestvenniye
Zapisky
(11/1877
),
Sítio
da
Internet:
. Consulta em 03/2010.
92
Já em Marx encontramos uma recusa das polaridades que então disputavam a
primazia no entendimento dos fenômenos sociais: nem Hegel, com sua teodiceia do
Espírito, nem os empiristas, que apresentavam uma mera
“coleção de fatos mortos”
21
. Vai
então para um primeiro plano a afirmação de um processo histórico singular, que emerge
da própria atividade dos grupos humanos em seu intercâmbio com a natureza. Muito
brevemente, deixemos aqui anotado que é em função desta emergência de categorias
especificamente sociais que o basilar conceito darwiniano de seleção natural – tão
pertinente, como vimos, para a compreensão do devir das espécies na natureza – não
deve ser transposto de modo acrítico para o âmbito das relações sociais (por mais que
assim proceda a volumosa bibliografia produzida pelos defensores da sociobiologia
contemporânea.
..)
22
.
Enfim, ao longo do percurso destes dois autores clássicos, vimos também que
ambos se defrontaram com uma antiga e persistente concepção que afirma existir uma
finalidade
oculta
comandando
o
transcurso
dos
processos
naturais
e
históricos.
Essencialmente equivocada, tal concepção dilata categorias que são válidas num âmbito
determinado da experiência humana, expandindo-as para processos que a rigor, não são
teleológicos.
Procuramos também tornar manifesto, ainda que isso possa soar inicialmente
paradoxal, que em certas passagens dos dois autores examinados, é possível localizar
marcas da concepção que está sob crítica. Sendo assim, aquele comentarista que se
propuser a apresentar aos seus leitores um Marx finalista, ou um Darwin teleólogo,
conseguirá em parte fazer isso, pois existem momentos nos dois pensadores que
permitem esta interpretação. Porém, esta leitura, longe de ser, no nosso entendimento, a
mais produtiva de seus textos, finda por desconsiderar o fundamental: o enorme esforço
empreendido por ambos na crítica às visões de mundo então predominantes, que
projetavam categorias humanas finalistas em processos não intencionais.
Enfim, partindo de uma teleologia, matriz de pensamento fortemente enraizada no
século XIX (e que deixou marcas na obra deles mesmos), Marx e Darwin nos ofereceram
21
Marx, K e Engels, F. (1981). Op. Cit, p. 30.
22
Abordamos este ponto com mais vagar em nosso artigo: Martins, Maurício Vieira (2006). “Marx com
Espinosa: em busca de uma teoria da emergência”, In
Crítica Marxista
, n. 22, Rio de Janeiro: Revan, p. 32-
54. Vale lembrar que a crítica ao teleologismo encontra em B. Espinosa um de seus antecessores mais
contundentes.
93
as condições de operar a sua ultrapassagem e visualizar uma história em aberto se
fazendo. Para tal visualização, avulta em importância um trabalho de interpretação que,
acompanhando a letra destes textos clássicos, desdobre-a para deles extrair aquilo que é
mais fecundo e passível de diálogo com a nossa contemporaneidade.
Referências Bibliográficas
Darwin, Charles (2000).
Autobiografia,
Rio de Janeiro: Contraponto.
______ (2002).
Origem das espécies,
Belo Horizonte: Itatiaia.
Fay, Margaret A. (1978). “Did Marx Offer to Dedicate Capital to Darwin?: A Reassessment
of the Evidence”, In
Journal of the History of Ideas
, Vol. 39, No. 1, p. 133-146.
Lennox, James (1993). “Darwin was a Teleologist”, In
Biology and Philosophy
vol. 8, p.
408-421.
Martins, Maurício Vieira (2006). “Marx com Espinosa: em busca de uma teoria da
emergência”, In
Crítica Marxista
, n. 22, Rio de Janeiro: Revan, p. 32-54.
Marx, K. (1980).
O capital
(Livro 1, volume I), Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.
______. (1980).
O capital
(Livro 1, volume II), Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.
______. (2004).
Manuscritos Econômico-filosóficos
, São Paulo: Boitempo Editorial.
Marx, K. e Engels, F. (1981).
A ideologia alemã
, Lisboa: Edições Avante.
______. (s/data).
Obras Escolhidas,
vol 3, São Paulo: Editora Alfa-Omega.
Mayr, Ernst (2005).
Biologia, ciência autônoma
, São Paulo: Companhia das Letras.
______ (2005).
Biologia, ciência única,
São Paulo: Companhia das Letras.
logo_pie_uaemex.mx