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Jornalismo Cultural no Século 21
Estudios sobre las Culturas Contemporáneas, vol.. XXIII, supl. 3, 2017
Universidad de Colima

Jornalismo Cultural no Século 21

A obra Jornalismo Cultural no Século 21 1 é do tipo “livro de consulta” e dirige-se aos professores, estudantes, profissionais e interessados no tema de jornalismo cultural. O tema é de muita relevância e atual, por isso decidi analisá-lo. O livro retrata a atuação do Jornalismo Cultural na contemporaneidade e, para isso, o autor delineia cada campo do desse gênero desde sua origem até a atualidade. Além de utilizar referências em outros autores e livros, o diferencial dessa obra são as entrevistas: para cada tópico foram realizadas entrevistas com jornalistas e críticos atuantes, ou que atuaram por muito tempo, em determinada área. Dessa forma, a redação é de fácil entendimento, mas caracteriza uma escrita formal, voltada para estudantes e professores da área de comunicação. Com uma pesquisa (entrevista e outros livros) profunda e atual sobre o tema, o objetivo de dissertar sobre o jornalismo cultural atual foi alcançado, consagrando, assim, o autor no campo acadêmico. Livros sobre mídias sociais podem contribuir para que os leitores dessa obra se aperfeiçoem, principalmente para descobrir novas ferramentas de divulgação das artes visuais, para isso recomenda-se o livro Artemídia e cultura digital de Artur Matuck, Jorge Luiz Antonio (2008, FAPESP). O livro Jornalismo Cultural no século 21 possui informações imprescindíveis, pois apresenta a história desse gênero do jornalismo, embasada por grandes autores pesquisados, e apresenta, na prática, por meio de profissionais da área, a narrativa real e os possíveis rumos que esse ramo seguirá na era da informação.

Inicialmente, é traçado um breve histórico mundial desse ramo do jornalismo, indicando a prensa de Gutenberg (1450) como um marco indireto para essa área, no período denominado como Renascença. Da publicação de livros, poemas e textos, consequência imediata às impressões, originou-se a crítica, que surgiu para regularizar a classe burguesa contra o Estado absolutista. O autor também lembra de duas datas importantes: 1711, quando os ingleses Joseph Addison e Richard Steele lançam a revista “The Spectator”, que objetivava induzir a filosofia das faculdades e gabinetes nos clubes e casas de chá. Outro marco para o Jornalismo Cultural foi a divisão do Jornalismo por gêneros pelo editor inglês Samuel Buckley, no início do século 18. O jornalismo cultural do século 19 estabeleceu-se como gênero pelo folhetim, incialmente chamado de “pequeno caderno”.



Jornalismo Cultural No Século 21

Na perspectiva nacional, antes de 1808, isto é, antes da vinda da Família Real portuguesa ao Brasil, há pouco registro de amostras do jornalismo cultural. A imprensa foi lenta em se desenvolver, visto que não havia leitores, já que no século 17 éramos uma nação escravocrata. O primeiro jornal brasileiro, Correio Brasiliense, foi publicado no exterior (Londres), em 1808. Oficialmente, o jornalismo cultural surgiu no século 19, no jornal supracitado, com a seção “Armazém Literário”. Mas, efetivamente, foi o jornal “As Variedades ou Ensaios de Literatura” que discorreu sobre cultura no país. A partir de 1822 surgiram muitos veículos em formato de revista que tentavam implantar o jornalismo cultural no país, mas esse gênero era caracterizado por uma divisão notória nos jornais, em que a parte de cima era reservada para política e economia e no rodapé era publicado os textos de caráter cultural, o que mudou a partir do século 19, com a propagação de, principalmente, periódicos literários. Foi nesse período, início do Romantismo, que Machado de Assis elaborou a crítica literária de “Iracema”, de José de Alencar, que lhe apresentou Castro Alves. O final do século 19 é um momento ainda inconstante para o jornalismo cultural no Brasil, várias revistas literárias duram um período pequeno. É nessa ocasião nasce “O Estado de S. Paulo” (ainda nomeado de “A Província de São Paulo”), com uma atitude vanguardista: envia o correspondente Euclides da Cunha para noticiar a Guerra dos Canudos.

A guinada do século 20 levanta a questão sobre a baixa qualidade da produção, o que tem ocorrido atualmente. Nessa época, as máquinas se modernizam e passam a imprimir milhares de exemplares. O jornalismo brasileiro fracionou-se em duas práticas: norte-americanos (profissionalização do jornalismo por meio de universidade) e europeus (rejeição da técnica, ideal humanista e opinativo). O Brasil optou pelo estilo americano. As revistas literárias que se originavam, auxiliavam na divisão entre literatura e imprensa cultural.

O jornalismo cultural impresso, no decorrer do século 20, agrega ao seu conteúdo, antes apenas literário, matérias a respeito das novas mídias. Em 1909, “O Estado de S. Paulo” publicava a programação de sete salas de cinema, que passou para 31 em 1911. Essas matérias informativas se estendem para estreias de peças, filmes e exposições de arte. Durante o Modernismo, esse gênero jornalístico ganha força: as revistas literárias alcançam o apogeu, a sonorização do cinema e a popularização do rádio estimulam a indústria fonográfica e o surgimento da indústria cultural brasileira. Entretanto, com a instauração do Estado Novo (1937), todos esses meios difusos são censurados, mas, apesar desse período obscuro, é nesse momento que inicia a difusão dos cursos de jornalismo no Brasil.

A partir de 1964 (Regime Militar), os cadernos culturais diários passaram a apresentar uma produção com intenso teor político: cinema, teatro, literatura e poesia politizavam o público para encaminhar seus pensamentos aos problemas sociais vividos nesse período. A partir dos anos 1970, a grande crítica perde espaço aos poucos para as críticas de “guia de consulta rápida”, com pequenas resenhas e categorizações taxativas. É nesse período que a opinião começa a perder força para a notícia, o espaço de veiculação da crítica passa a ser mero divulgador editorial.

Nos anos 1980 e 1990 os nomes do jornalismo cultural eram a “Ilustrada” (Folha S. Paulo) e o “Caderno 2” (Estadão) e em 1997 surgiu a revista “Bravo!”, já extinta, que tinha um projeto editorial voltado para a agenda cultural e temas culturais mais aprofundados. Nesse período a agenda cultural passou a sobressair-se no lugar da crítica de opinião. No final do século 20 esse gênero passou a sofrer forte influência de novos suportes, mas, é importante lembrar que, de acordo com Dines (1986), a imprensa em seus quase 600 anos (desde Gutenberg) não foi apontado a supressão de nenhum suporte, pelo contrário, a história do jornalismo apresenta que o novo sempre agregará, sem excluir.

No segundo capítulo Ballerini discorre sobre as definições de cultura apresentadas por diversos autores e todas as ramificações a que esse termo remete, como a crítica e a cultura de massa. Essas definições se completam: desde “um recorte recolhido destinado a uma minoria das produções mais refinadas do espírito humano” ao pragmatismo “de um corpo de normas, símbolos, mitos que penetram na intimidade”. Mas imprescindível, apesar de tantas interpretações, é ter o conhecimento desses conceitos para impedir manipulações do mercado e para saber sobre as decorrências culturais e artísticas dos produtos que serão os objetos de cobertura dos jornalistas. Assim, percebe-se que o desconhecimento da história esclarece, de certa forma, a incompetência do jornalismo cultural analisar o momento atual.

No capítulo subsequente, a respeito do jornalismo cultural propriamente dito, o autor descreve que nem o surgimento da TV desconsertou a comunicação em escala global como a internet, mas esse gênero aqui estudado é uma editoria pulsante, que se altera de acordo com as transformações estruturais e pontuais. É certo que a divulgação é um dos atributos do jornalismo cultural, contudo, nas últimas décadas, a estrutura jornalística é regulada pela antecipação. O autor também desvela a importância do crítico, que seria o profissional que expõe os estilos e as obscuridades que permanecem intrínsecos a uma época e nas obras produzidas. Oscar Wilde (1986), citado pelo autor, chega a descrever que “[...] uma época sem crítica é uma época em que a arte não existe”. Há, ainda, uma eterna e saudável tensão entre a indústria cultural que insiste em um discurso predominante e os discursos críticos que pretendem não apresentar a cultura no quadrado, apenas na programação, mas prefere discorrer profundamente sobre o tema. Ambos são necessários e fazem desse campo tão diverso.

O próximo capítulo é composto pelas entrevistas que o autor realizou com diversos profissionais da área, cujas principais ideias serão discorridas nos capítulos subsequentes, que apresentam a soma do resultado das entrevistas e das pesquisas bibliográficas do autor a respeito dos diversos campos que são cobertos pelo jornalismo cultural.

Sobre a literatura, o autor aponta que atualmente ela passa um colapso de tempo, formato e espaço, o que remete à impressão de que não se perde mais tempo com livros, que o próprio jornalista cultural não consegue acompanhar a intensidade de lançamentos, sendo mísero o espaço para crítica.

Já as artes visuais acabam sendo excluídas ante ao entretenimento oferecido nesse século. O jornalista, que possui pouco conhecimento da área e tem uma formação escassa, acaba não oferecendo conteúdo de qualidade ao leitor, isso somado à precária exploração das novas plataformas, que têm a potencialidade de vincular texto, imagem e som.

A efemeridade do teatro é a chave para o jornalismo cultural, que precisa registrar e eternizar os momentos únicos que ocorrem no palco. Atualmente, o percalço que o jornalista enfrenta é o prazo dos veículos impressos e on-line, que exigem do profissional um texto assim que a peça termina, não permitindo que seja amadurecido, oferecendo, por vezes, uma informação superficial ao público de algo que poderia se destacar perante tantas estreias que ocorrem semanalmente.

Mesmo com espaço distinto, o cinema sofre impasses pela supervalorização ao entretenimento de Hollywood, que, por vezes, não oferece ao seu público o direito de refletir, ofuscando a oportunidade de filmes elaborados por artistas que em vez de pensar no faturamento, antes está interessado na arte pela arte. Outro dilema está relacionado às críticas, já que há muitos sites que oferecem tal conteúdo, como diferenciar a boa crítica do texto de um fã?

Possivelmente, a música foi o sistema mais alterado no quesito de cobertura jornalística, já que as novas tecnologias mudaram o curso dos lançamentos com entrevistas coletivas, disco que chegava antes às redações etc. Não há mais essa lógica: a música é lançada na plataforma digital para todos. Há ainda uma parcialidade excessiva dos editores e críticos que gostam de determinados ritmos e rejeitam outros, mais populares, e acabam por não oferecer argumentos fundamentados em harmonia, arranjo, etc.

A respeito do ensino do jornalismo em universidades e cursos de especialização o autor afirma que é necessário formar profissionais que consigam seduzir o leitor não para as histórias de super-heróis da franquia hollywoodiana, mas para o curta-metragem independente que trata de questões sociais e culturais, ou, ainda, sendo um crítico das produções caríssimas de Hollywood, indagando o público sobre tal arte vazia.

O autor finaliza o texto de forma otimista, apresentando que é necessário considerar toda a ferramenta oferecida pela tecnologia para cobrir todo produto cultural, antes de bajular o bom é necessário pensar sobre os motivos do ruim objetivando colaborar, como intermediário entre público e arte (e consumo), para o progresso da cultura de um país ou região.

Referencias

Franthiesco Ballerini. (2015). Jornalismo Cultural no Século 21: literatura, artes visuais, teatro, cinema e música: a história, as novas plataformas, o ensino e as tendências na prática. São Paulo:Summus.

Notas de autor

* Marialda de Jesus Almeida. Universidade de São Caetano do Sul; marialda.almeida@outlook.com


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