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HQs de humor no Brasil
Ana Paula Rodrigues Ferro
Ana Paula Rodrigues Ferro
HQs de humor no Brasil
Estudios sobre las Culturas Contemporáneas, vol. XXIII, supl. 3, 2017
Universidad de Colima
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Reseñas

HQs de humor no Brasil

Ana Paula Rodrigues Ferro*
Universidade Municipal de São Caetano do Sul , Brasil
Estudios sobre las Culturas Contemporáneas, vol. XXIII, supl. 3, 2017
Universidad de Colima
HQs de humor no Brasil

A leitura, discussão e reflexão sobre o livro, que leva o título dessa resenha, será uma agradável surpresa para muitos leitores, que imaginam encontrar nas linhas do texto apenas conteúdos relacionados ao humor e sua transição ao longo do tempo, pois já no primeiro capítulo, é possível perceber que o material traz referências históricas e marcantes que justificam a estética e o propósito que levaram os artistas a recorrerem a arte sequencial com o objetivo de denunciar diversos problemas sociais, culturais e políticos, desde da monarquia até a contemporaneidade. Nese sentido, a leitura da obra em questão é indicada tanto para a comunidade científica, quanto para os amantes e interessados pelo produto HQs (História em Quadrinhos). 1 A excelente elaboração textual executada pelo professor Roberto Elísio dos Santos, por meio de análise de um extenso levantamento documental e referências bibliográficas, permite ao leitor, ao longo de 121 páginas, um fácil entendimento e a observação clara das mudanças ocorridas no perfil da sociedade brasileira do período que envolve 1864 a 2014.



HQs de Humor no Brasil

Após de ler o livro, certamente, o leitor lerá HQs com uma visão bastante diferenciada, do ponto de vista histórico-crítico, o que torna o livro, uma excelente ferramenta académica para a área da educação, comunicação, sociologia e das ciências humanas no general.

Como o próprio autor menciona, na introdução, seu objetivo é apresentar um panorama do humor nas HQs produzidas no Brasil e sua relação com o contexto histórico no qual foram criados, procurando entender como representam o país e os brasileiros.

Organizado em quatro capítulos, Santos inicia a narrativa tratando do surgimento e do desenvolvimento do humor gráfico no Brasil, principalmente na obra de Angelo Agostini e de J. Carlos, artistas e críticos políticos, que contribuíram com diversos títulos de destaque da empresa brasileira. No que se refere as publicações dedicadas às histórias em quadrinhos, são discutidas, as contribuições de O Tico-Tico y A Gazetinha. Também é feita uma análise das histórias publicadas pelo “Circo Editorial”, importante editora alternativa de São Paulo que, de 1984 até 1995, produziu revistas como Circo, Chiclete com Banana, Striptiras e Geraldão, que reuniam tiras e narrativas feitas por artistas do porte de Luiz Gê, Angeli, Laerte, Glauco, entre outros, que centravam o humor gráfico de suas publicações na situação política e económica de Brasil nos anos que seguiram a redemocratização após duas décadas de ditadura militar e de censura.

Nessa obra, Santos não tem intenção de apresentar todas as HQs cómicas realizadas no Brasil, mas colocar em destaque aquelas de maior relevância para um determinado momento histórico, o que foram realizadas por artistas com extensa produção e talento reconhecido por seus pares, pelos leitores e/o por pesquisadores da área.

No primeiro capítulo, “A charge – normalmente uma sátira ou crítica política” –, o autor nos informa que o ítalo-brasileiro Angelo Agostini, foi um dos artistas de maiores destaque, por empregar o humor gráfico como forma de discurso político e crítico. Suas produções realizadas na segunda metade do século XIX demostram insatisfação com o governo de Don Pedro II. Esse artista iniciou a carreira em 1864, com a publicação de ilustrações na revista Diabo Coxo, em São Paulo. Não obra: As Aventuras de Nhô Quim, ele recorreu as desventuras de um camponês rico e bobo exilado na Corte, para fazer sucessivas críticas referentes aos problemas urbanos, modismos, costumes sociais e políticos da época.

Sempre crítico, Agostini satirizou a vida no Rio de Janeiro, defendendo o fim da escravidão e do regime monarquista – fez charges e caricaturas de Don Pedro II, mostrando a decadência do regime.

Santos recorda também, nomes como o do desenhista Rafael Bordalo, Pinheiro e J. Carlos, Belmonte que retratara a través de ilustrações, sua visão satírica sobre os feitos que impactarão no Brasil e no mundo, como a ditadura Vargas, a Primeira Guerra Mundial e as mudanças sociais e comportamental.

No segundo capítulo, o autor ressalta que, no período da ditadura militar (1964-1985), a pesar das caricaturas, charges e tiras tivessem sido banidas dos jornais e revistas convencionais, que sofriam com a censura previa ou simplesmente apoiavam o regime de execução, estas formas de humor gráfico encontraram espaço nas páginas da clamada imprensa alternativa. A obra ressalta, em especial, o crescimento da produção regional, exemplos: Pindorama – a outra história do Brasil, idealizado por Lailson de Holanda Cavalcanti, e o morador das serras gaúchas Radicci, do quadrinista Iotti.

No terceiro capítulo, se discute o desenvolvimento e fomento às produções culturais e de históricas, mesmo diante da grande censura (1969 e 1979). Em tal período, os jornais alternativos, deram espaços as charges e caricaturas que expuseram a indignação da parcela mais culta da sociedade (intelectuais e jornalistas da oposição) contra as imposições do regime autoritário. Artistas como Henfil, Jaguar, Ziraldo, Angeli, Laerte, Luiz Gê, Glauco entre outros, recorreram ao humor crítico para denunciar a repressão política da qual o país estava submetido.

No âmbito da música, o teatro Lira Paulistana, foi o espaço que músicos e compositores novos, como Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção, encontraram para expressarem sua arte. Já os grupos Línguas de Trapo e Premeditando o Breque associavam o humor as letras urbanas e irreverentes de suas composições, que utilizavam ritmos diferentes (do samba de breque à música clássica). A cena teatral das cidades assistia a reabertura do Teatro Oficina e, em 1984, a criação do Grupo do Teatro Ornitorrinco, que apresentou Brecht, Molière, Alfred Jarry, entre outros autores – alguns integrantes participaram de fotonovelas publicadas na revista Chiclete com Banana, da editora Circo Editorial.

No último capítulo, que discute as HQs no século XXI, o autor discute o espaço que as HQs ganharam nas diversas mídias, e apresenta alguns nomes de artistas contemporâneos, como Angeli, Laerte, Fernando Gonsales e Adão Iturrusgarai, Caco Galhardo, André Dahmer e Allan Sieber, que dão sequência a tradução de publicar tiras em periódicos, e despois reuni-las em álbum ou livros. Santos discorre, ainda, sobre as tiras poética-filosóficas, que envolvem temas pouco usuais, rompendo com a necessidade de se fazer engraçada e obedecerem a estrutura tradicionais dos quadrinhos humorísticos.

Tratando dos recursos tecnológicos como webcomics, Santos afirma que internet se converteu em um espaço para divulgação do trabalho de quadrinhistas, principalmente dos iniciantes, em especial despois da criação da web 2.0, momento no qual os blogs e sites são usados para reunir trabalhos de artistas e manter contato direto e imediato com os leitores, que apresentam suas opiniões e críticas. O autor destaca ainda que as redes sócias contribuem para a circulação dos quadrinhos.

Nas considerações finais, o investigador afirma que, no que discute o ponto de vista estético, as HQs de humor feitas no Brasil apresentam desenhos realistas (como os de Angelo Agostini) o caricaturais (a maioria), e a presencia/ausência de cenário, ficam a cargo do estilo do autor, assim como o uso de linhas finas ou grossas e hachuras (linhas paralelas que dão sombra ao desenho).

Diante das informações apresentadas, fica explícita a alta indicação da leitura para diversos públicos e âmbitos, una vez que a sociedade contemporânea vem tornando-se cada vez más crítica. A presente obra é também um excelente instrumento de desenvolvimento desta habilidade.

Material suplementar
HQs de humor no Brasil: variações da visão cômica dos quadrinhos brasileiros (1864-2014)
1. Roberto Elísio dos Santos. HQs de humor no Brasil: variações da visão cômica dos quadrinhos brasileiros (1864-2014). Porto Alegre:EDIPUCRS, 2014.
Notas
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* Ana Paula Rodrigues Ferro. Universidade Municipal de São Caetano do Sul; paula_verani@hotmail.com


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