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Impacto clínico da topologia borromeana no estruturalismo lacaniano

Andréa Máris Campos Guerra
Universidade Federal de Minas Gerais, Brazil

Impacto clínico da topologia borromeana no estruturalismo lacaniano

Ágora: Estudos em Teoria Psicanalítica, vol. 20, núm. 1, 2017

Programa de Pós-graduação em Teoria Psicanalítica do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ

Recepção: 20 Abril 2014

Aprovação: 27 Setembro 2014

Resumo: Após discutir três modalizações da relação entre real e linguagem ao longo da obra de Jacques Lacan, buscamos extrair suas consequências para a clínica psicanalítica. Em seguida, destacamos a incidência da teoria dos nós no final do ensino lacaniano. Tomamos o caso Joyce como paradigma dessa leitura. E, finalmente, analisamos em que ponto a teoria dos nós incide sobre a doutrina estruturalista e quais suas consequências para a prática do psicanalista.

Palavras-chave: Estruturalismo, nó borromeano, clínica, diagnóstico, Joyce..

Abstract: Clinical impact of the Borromean topology on Lacanian structuralism. After discussing three modalizations of the relationship between the real and language throughout the work of Jacques Lacan, we extract its consequences for clinical psychoanalysis. Then we highlight the incidence of knot theory at the end of the Lacanian transmission. We consider the case of Joyce as a paradigm of this reading. And finally, we look at the point at which the knot theory intersects the structuralist doctrine and also discuss its consequences for practicing psychoanalysis.

Keywords: Structuralism, Borromean knot, Clinic, Diagnosis, Joyce..

Introdução

Tanto Milner (1996) quanto Miller (2009) são peremptórios ao afirmar que a obra de Lacan se encontra aberta, inacabada. De certa forma, Lacan realiza a impossibilidade e a desnecessidade de que a psicanálise constituísse uma Welthanschuung, como Freud (1933-32/1976) já previra desde sua época. De toda forma, não restam sem consequências os avanços da teoria no interior da obra de Lacan. Aqui, pretendemos discutir uma delas, qual seja, a entrada da teoria dos nós no Seminário XX (Lacan, 1972-73/1982), desenvolvida no Seminário XXII (Lacan, 1974-75) e aplicada ao caso Joyce no seminário XXIII (Lacan, 1975-76/2006). A questão que norteia nosso trabalho é orientada pela clínica e consiste em nos perguntarmos em que ponto a teoria dos nós incide sobre a doutrina estruturalista e quais suas consequências para a prática do psicanalista.

Algumas aporias do ensino lacaniano

Ao iniciar seus escritos no campo psicanalítico, Lacan, psiquiatra ingressando na psicanálise, ensaia alguns artigos nos primórdios desse encontro, nos quais a dualidade imaginária se faz muito presente. Tal é o caso do artigo enciplopédico "Os complexos familiares na formação do indivíduo" (1938/2003) e também de "O estágio do espelho como formador da função do eu" (1949/1998). Ele já destacava, ao lado de Freud, o que há de estrutural no Imaginário, enquanto registro do corpo que acolhe as tensões fundamentais da libido. Logo em seguida, porém, tomado pelos ventos renovados do estruturalismo straussiano, busca ler o inconsciente com a lente que auxiliou Saussure a fundar sua disciplina, a linguística estrutural. E o avanço do estruturalismo no campo psicanalítico o conduz a se perguntar exatamente pelo aleatório que antecede e determina a razão estrutural, a se perguntar pelo que faz trauma ao escrever a estrutura.

Freud não tinha idéia do Simbólico, do Imaginário e do Real. Mas tinha todavia uma desconfiança. Fato é que pude extrair isso para vocês, com tempo sem dúvida e com paciência. Que eu tenha começado pelo Imaginário e, em seguida, precisado um bocado mastigar essa história de Simbólico com toda essa referência linguística sobre a qual efetivamente não encontrei tudo aquilo que me teria facilitado. E depois, esse famoso Real, que acabei por lhes apresentar sob a forma mesma do nó. (LACAN, 1974-75, aula de 14/01/1975)

Lacan ainda é freudiano, mesmo ao estabelecer seus conceitos, hoje ditos lacanianos, dos três registros da realidade psíquica. E exatamente ali, onde ele localiza o que ata, o que enlaça e estrutura os registros, ele se depara com o quarto termo, ou "quarta consistência", que Freud denominou de "realidade psíquica" e que Lacan localizou como sendo o "complexo de Édipo".

O que ele chama de realidade psíquica tem precisamente um nome. É o que se chama complexo de Édipo. Sem o complexo de Édipo, nada da maneira como ele se atém à corda do Simbólico, do Imaginário e do Real se sustenta. (LACAN, 1974-75, aula de 14/01/1975).

Não se trata, pois, de se rejeitar o complexo de Édipo, mas antes de abordar o que ele tem de estrutural, "implícito". Trata-se antes de verificar como ele enlaça os registros. É essa a "realidade operatória" dos nós que Lacan insiste em mostrar com os nós borromeus, ao invés de demonstrar com as letrinhas matêmicas ou com a linguagem significante. O enlaçamento no nó indica que os registros não se relacionam por predominância ou por ordem de importância ou mesmo de plano.

Atar-se de uma forma ou de outra é o que faz o essencial para o sujeito, verificado no complexo de Édipo. E, segundo Lacan, "é no que, muito precisamente, opera a própria análise" (LACAN, 1974-75, aula de 14/01/1975). Trabalhando com seres falantes, possuídores de um corpo de gozo afetado pela linguagem, é preciso tomar em sua especificidade a experiência do humano para com ele fazer a psicanálise operar.

Gozo e linguagem na clínica lacaniana

Assim, ao partir da realidade articulada pelos três registros (Real, Simbólico e Imaginário), Lacan recorreu, na década de 50, à lingüística estrutural para estabelecer uma estratégia de domesticação do gozo, do vivo, pela linguagem através do significante. É a época dos aforismos do "inconsciente estruturado como linguagem" (LACAN, 1957/1998) e do "a palavra (ou o símbolo) mata a coisa" (LACAN, 1956-57/1995). Neste período, Lacan luta contra os desvios operados na psicanálise pela psicologia do ego e, por conseqüência, período em que estabelece uma primazia do Simbólico sobre o Imaginário.

Daí a importância da metáfora, que tenta abrir, no campo lingüístico, o espaço a um nível de experiência subjetiva para além do Imaginário. Ela seria a negação de uma construção imaginária naturalizada pelo signo linguístico. Simbolizar por metáforas significaria simbolizar por significantes puros (e não por signos) que são a negação do empírico. Eles seriam a formalização da inadequação da linguagem às coisas sensíveis, destacando o arbitrário e a convenção em sua adoção (SAFATLE, 2006, p. 105-106).

Lacan trabalha os desvios imaginários que, na psicologia do ego, aparecem como um desejo de adequação do sujeito à realidade, enquanto a psicanálise visaria ao desejo articulado à lei simbólica, como sua condição. Assim, "desde que a intenção imaginária que o analista descobre ali {no manejo clínico} não seja por ele desvinculada da relação simbólica em que ela se exprime" (LACAN, 1953/1998, p. 252), estamos pisando no território de uma clínica orientada pelos princípios freudianos então recuperados.

Nessa perspectiva, a interpretação visaria ao sentido, produzido pelo deslizamento da cadeia significante. A clínica se orientaria pela produção significante no que ela alcança o que, do inconsciente, pode ser tratado, decifrado. "A interpretação, para decifrar a diacronia das repetições inconscientes, deve introduzir na sincronia dos significantes que nela se compõem algo que, de repente, possibilite a tradução" (LACAN, 1958/1998, p. 599) daquilo que aparece como falta do Outro. Poderíamos pensar esse período assim:


Com a introdução do conceito de objeto a, em 1960 (LACAN, 1960/2003; desenvolvido nos seminários subsequentes), veremos uma articulação mais fina sobre esse "resto metonímico" se delinear. A partir de então, linguagem e gozo passam a possuir uma relação intrínseca, sem preponderância de uma dimensão sobre a outra. O que se destaca, nesse período, é antes uma relação de sobredeterminação e limite entre os termos. "Esse a se apresenta justamente, no campo da mensagem da função narcísica do desejo, como objeto indeglutível, se assim podemos dizer, que resta atravessado na garganta do significante. É nesse ponto de falta que o sujeito tem que se reconhecer" (LACAN, 1964/1998, p. 255).

Nesse período, Lacan responde à crítica que sofre quanto ao estruturalismo linguístico e à teoria da representação no aparelho psíquico dele derivada. Ele busca retomar os conceitos fundamentais da psicanálise, destacando a pulsão e o vivo no sujeito desejante e recolocando em novos termos a dimensão significante. O Outro é, então, tomado como "o lugar em que se situa a cadeia do significante que comanda tudo que vai poder presentificar-se do sujeito" e também "o campo desse vivo onde o sujeito tem que aparecer" (LACAN, 1964/1998, p. 193-194).

A falta do sujeito também aparece desdobrada numa dimensão significante enquanto falta-a-ser, afânise, na medida em que os significantes do sujeito se encontram no campo do Outro, e falta real, referente ao fato de que o gozo é sempre parcial, ele é o que o vivo perde. Se tudo ainda surge do significante nesse período, Lacan, porém, já aponta para a estrutura de corte com a banda de Moebius, que faz borda ao significante, instalando uma dimensão para além dele.

Tal qual o real, a banda de Moebius se reduz ao corte, não havendo nada de mensurável a ser retido em sua estrutura. Essa faixa dobrada revela, assim, a formalização lógica do objeto a e seu efeito de corte na divisão subjetiva. Enquanto o campo da realidade barra o objeto a, a tela da fantasia, ao obturar esse campo, se torna condição de possibilidade de sua existência. Dessa maneira, a realidade é sempre realidade psíquica, constituída a partir de um ponto de perda que se localiza fora do plano projetivo no qual ela se estrutura.

Nesse ponto, o sujeito, sob as operações de alienação-separação1, se instalará no campo do Outro enquanto falta-a-ser, condição de sua posição como sujeito desejante. (Lacan destaca aí o irredutível na análise.) E o tratamento clínico passa a visar justamente reconhecer esse irredutível e atravessar seu recobrimento fantasístico. Ainda que significante e gozo se localizem em dois pólos antinômicos, entre eles se estabelece uma relação (ou "todas as relações possíveis"): S <> a.


Parece-nos que Lacan recorre à topologia borromeana ao se deparar com o que, do inconsciente, não se decifra, pois, para além do deciframento operado pelo significante, há o gozo e o que dele faz cifra. Para justificar o que encontra na clínica, Lacan passa a trabalhar com a idéia de que o significante é signo2 do sujeito (LACAN, 1972-73/1982, p. 195). Diferentemente do significante que produz uma significação somente ao reenviar a outro significante, o signo representa, de maneira fechada, algo. Lacan o define, com Peirce, como o que pode substituir um outro signo.

No Seminário 20, ao introduzir a noção de lalíngua na definição do ser falante, propõe uma articulação nova entre significante e signo. Na perspectiva saussuriana, o signo linguístico compõe-se de significante mais significado. Lacan propõe a prevalência do significante sobre o significado, localizando o sujeito no intervalo entre dois significantes. Na década de 70, por seu turno, sugere que "o significante pode ser chamado a fazer sinal, a constituir signo. {...} O significante é signo de um sujeito" (LACAN, 1972-73/1982, p. 195).

Ora, o aforismo lacaniano de que "um significante representa o sujeito para outro significante" implica a introdução do valor diferencial do significante. Por outro lado, o significante como signo do sujeito implica uma relação de identidade, trazendo uma série de dificuldades para integração dessa ideia na teorização lacaniana estruturalista.

A solução a essa aporia nos parece surgir com o conceito retomado e ressignificado de letra, como litoral entre saber e gozo, posto que separa dois domínios que não têm nada em comum, nem uma relação recíproca. Não se trata de fazer fronteira entre dois, nos adverte ainda Lacan (1971/1986), pois a fronteira, ao separar dois territórios, indicaria que eles são da mesma natureza, posto que representável na linha demarcatória. A letra escreve a radicalidade da diferença de consistências entre saber, elucubração em torno da verdade, e gozo, desfrute do que essa verdade tem de inacessível.

Por outro lado, o signo só tem alcance por ter que ser decifrado (LACAN, 1973/2003, p. 550). Entretanto, a dimensão da fala, ou a dit-mension, não revela a estrutura ao chegar ao término da seqüência a que conduz a decifração. A inscrição do sexual resta como o que faz cifra e aponta o único real que não pode se escrever, a relação sexual. "Falamos do valor que tem o estalão do sentido. Chegar a ele não o impede de fazer furo. Uma mensagem decifrada pode continuar a ser um enigma. {...} O analista se define a partir dessa experiência" (LACAN, 1973/2003, p. 550).

Deciframento e ciframento são operações que mantêm, portanto, seu relevo na clínica. É no nível da lalíngua que o traumatismo deixa seu traço de inscrição do real no mundo do ser falante (interessante verificar a inversão que Lacan apresenta aqui: é o real que, ao entrar, faz trauma). A linguagem seria o esforço débil para tentar dar conta desse encontro. "Tudo os conduz, no entanto, à solidez do apoio que eles {falantes} encontram no signo - não fosse pelo sintoma com que têm que lidar, e que faz do signo um grande nó..." (LACAN, 1973/2003, p. 552). Esse período poderia ser assim pensado:


A linguagem aparece aqui como efeito da incidência traumática da letra em lalíngua e suas repercussões sobre a forma de composição e distribuição do gozo.

O real isolado na suplência borromeana

Com a proposição de mostrar o real determinante na prática clínica, Lacan se valerá, então, dos nós borromeanos como uma realidade operatória na década de 70, partindo da amarração edípica freudiana da realidade psíquica. Ele isola os três registros (Real, Simbólico e Imaginário) enodados de tal forma que, soltando-se um, os outros dois se destacam.

Nó borromeano de três elementos (GUERRA, 2007, p. 91).
Figura 1
Nó borromeano de três elementos (GUERRA, 2007, p. 91).

Essa forma de amarração revela um efeito real: dois a dois, se observarmos na figura, os nós estão sempre livres, sendo atados por um terceiro. Lacan isola esse efeito real de amarração como sendo um quarto elemento - que, em Freud, tratar-se-ia do Édipo. Este quarto elemento se torna o responsável pelo que mantém atado o nó.

Nó borromeano de quatro elementos com reforço no Real (Édipo) (SKRIABINE, 2006, p. 60).
Figura 2
Nó borromeano de quatro elementos com reforço no Real (Édipo) (SKRIABINE, 2006, p. 60).

Tal qual na década de 50, Lacan se valeu do estruturalismo - e, em especial, da linguística estruturalista - para isolar o trabalho com o inconsciente, estruturado como uma linguagem; vemos na década de 70 um novo movimento epistêmico-clínico brotar em sua transmissão. O uso dos nós dá corpo a este avanço. Certamente, ele reflete um compromisso com a pulsão e o gozo, determinantes no uso do significante e proeminentes em sua última clínica.

Assim, diante dessa novidade lacaniana, perguntamo-nos em que medida a clínica se transforma com o uso dos nós. Além disso, interrogamo-nos também acerca da posição que o estruturalismo vai ganhar no ensinamento e no desenvolvimento teórico-clínico de Lacan a partir de então, e sob o impacto das novas conceitualizações que veiculam o Real neste período, a saber, as conceitualizações de lalíngua, letra e suplência.

Como a topologia dos nós se articula com a dimensão da estrutura? O que a lógica dos nós produziu em relação ao uso da estrutura na clínica lacaniana? Qual a relação possível de ser pensada entre a topologia dos nós e as estruturas clínicas?

O impacto dos nós na clínica psicanalítica

Toda essa reviravolta no ensino lacaniano abriu uma série de possibilidades para se pensar especialmente as suplências nas psicoses. Elas passam a ser concebidas a partir do processo em jogo na foraclusão que acarretará, por consequência, uma forma de amarração dos três registros, seja ela borromeana ou não. A suplência se infere do trabalho psíquico a ela vinculado.

Nesta perspectiva, Skriabine (2006) extraiu de Lacan uma clínica diferencial das psicoses a partir da topologia dos nós - sobreposta à clínica diferencial - apresentada no Seminário 3, As Psicoses. Partindo da perspectiva de que a experiência humana se estrutura em referência aos três registros, o sujeito teria que encontrar uma maneira de manter esses três registros heterogêneos atados. O sujeito faria assim consistir uma "realidade" que não teria nenhuma existência intrínseca, pois ela não seria senão um véu tecido do Imaginário e do Simbólico que serve para recobrir a dimensão insuportável do Real.

Essa proteção - que permite a um discurso se desenvolver e fazer laço - implica, em contrapartida, numa limitação de gozo, procedente da função do pai, operadora da castração sobre o Outro materno. O Nome-do-Pai realizaria assim, enquanto Bejahung, a realidade da castração, o acesso do ser falante ao universo dos discursos e à proteção do Real que permite a instauração do laço social. Assim, a função do Nome-do-Pai seria a de manter juntos, para cada sujeito, um por um, Real, Simbólico e Imaginário, fazendo consistir uma realidade sem existência, mas capaz de produzir o laço social.

O Outro, por seu turno, é sempre falho. Não há uma referência última e absoluta que o sustente, pois o significante é diferencial; só se realiza a partir de outro significante. Assim, o significante que garantiria o Outro falta ao Outro. Não há Nome-do-Pai senão sob a condição de que cada sujeito o coloque em jogo, faça-o operar por ser (sujeito) faltoso.

Pressupostos lacanianos que levam Skriabine (2006, p. 58) a concluir que:

  1. 1. 1. Há estruturalmente foraclusão do Nome-do-Pai, no sentido de uma medida comum "inata", "normalidade" mítica, que ataria Real, Simbólico e Imaginário, reunidos graças a um nó borromeano bem sucedido. Nada os ligaria a priori, não haveria essa medida comum. Todos seriam débeis, diria Lacan (1976-77), para além da referência asseguradora do mito freudiano, do pai inventado para dissimular a dissociação dos três registros;

  2. 2. 2. A estrutura da experiência humana é para ser pensada fora de uma referência ao Outro, a partir das três únicas categorias da experiência: o Real, o Simbólico e o Imaginário. Lacan avança em seu ensino para mostrar que essa estrutura se funda sobre um furo original topológico. Ele seria a estrutura mesma dos nós para além de uma metáfora. O real dessa estrutura é o real topológico dos nós.

O Nome-do-Pai, para Lacan na década de 70, seria o efeito real advindo da amarração borromeana do nó de três. Como já explicitamos, no nó de três há sempre dois registros disjuntos e sobrepostos, soltos um em relação ao outro. O terceiro, ao enlaçá-los, provoca o efeito de amarração de tal sorte que, soltando-se um, todos os três se desatam. "É do fato de que dois sejam livres um do outro - é esta a definição mesma do nó borromeano - que eu suporto a ex-sistência do terceiro, e especialmente aquela do real em relação à liberdade do imaginário e do simbólico" (LACAN, 1975-76/2005, p. 50). O real é da ordem da limitação. A partir do momento em que ele é atado borromeanamente aos outros dois, eles lhe resistem. Isto quer dizer que o Real só tem ex-sistência se encontra no simbólico e no imaginário a parada. Eis o efeito real, efeito a mais produzido pelo nó e equivalente ao Nome-do-Pai ou ao sinthoma na neurose.

Nesse sentido, no nó de três, solução matemática perfeita, figura a falta, figura o que não há. E isso seria o Nome-do-Pai, se ele existisse. Respondendo a uma questão no Seminário 23, Lacan verifica essa ausência: "Desde que você passe do nó borromeano de três para o nó borromeano de quatro, no qual se introduz o sintoma, o nó borromeano a três desaparece enquanto tal. {...} É exatamente isso. Ele não é mais um nó. Ele não é senão sustentado pelo sinthoma" (LACAN, 1975-76/2005, p. 41).

Em outros termos, Skriabine nos permite a compreensão dessa passagem realizada no interior da própria transmissão lacaniana:

Há foraclusão do nó borromeano como Nome-do-Pai. É por isso que ele nos interessa. É preciso três elementos, R, S e I, dois a dois disjuntos, topologicamente equivalentes, para fazer o nó borromeano. Portanto, eles são quatro, porque há o nó borromeano ele próprio. Cada um dos três, R, S ou I, enoda os dois outros e faz consistir o nó: cada um, como quarto implícito, porta a eficiência do nó borromeano. A ruptura de qualquer um desata o conjunto. (SKRIABINE, 2006, p. 59)

É essa a novidade pós-estruturalista - se assim podemos nomeá-la - que aporta Lacan ao real irredutível no final de seu ensino, recolocando suas relações com a clínica e com a ciência de seu tempo.

Suplências: detalhes da estrutura

Dessa maneira, inferimos que existem várias maneiras do nó falhar, assim como há várias maneiras de suplenciar essa falha para manter o conjunto atado. Há, portanto, vários nomes do pai. Para Skriabine (2006), Lacan demonstra com a topologia a necessária pluralização do Nome-do-Pai, pois, se o Nome-do-Pai falha sempre, os nomes do pai para suplenciá-lo são numerosos. Aqui, fica evidente a disjunção entre o significante do Nome-do-Pai e os nomes do pai como versões, suplências.

No Seminário RSI, Lacan dispõe três suplências ao nó borromeano de quatro que seriam os verdadeiros nomes do pai. Ele apresenta o sintoma como uma das modalidades desse quarto elemento, neste caso acrescentado ao simbólico. O simbólico é então substituído por um binário, desdobrado em (simbólico + sintoma), que Lacan designará no seminário sobre Joyce como (inconsciente + sinthoma).

Revendo a figura 2, podemos nela localizar a cadeia significante no Simbólico, enquanto inconsciente interpretável ou o que do sintoma se analisa, e o sinthoma figurado como Σ, enquanto o inconsciente inanalisável, gozo opaco. Valendo-se desse recurso, Skriabine (2006, p. 59) faz uma aproximação entre a função que a metáfora delirante realizaria para o psicótico e o Nome-do-Pai para o neurótico - redutível ao final do trabalho analítico a esse resto inanalisável, puro nome, lugar no qual se refugia o gozo que escapa ao significante. A metáfora, na psicose, condensaria o gozo para o qual o Simbólico não faria mais barreira. Nesse sentido, a metáfora delirante seria um Nome-do-Pai que, diferente da metáfora paterna, não é socialmente partilhada. Aqui, o quarto elemento aparece como simbólico em sua função primeira de nominação.

Nó borromeano de quatro elementos com reforço no Simbólico (Σ) (LACAN, 1975-76/2005, p. 20).
Figura 3
Nó borromeano de quatro elementos com reforço no Simbólico (Σ) (LACAN, 1975-76/2005, p. 20).

À nominação simbólica como sintoma acrescenta-se a nominação do imaginário como inibição e a nominacão do real como angústia. Eis, finalmente, os três nomes do pai dispostos por Lacan no Seminário RSI. Lembrando que, na primeira lição deste seminário, Lacan figura a suplência ao Real por sua nominação, o Édipo.

Nó borromeano de quatro elementos com reforço no Real (Édipo) (SKRIABINE, 2006, p. 60).
Figura 4
Nó borromeano de quatro elementos com reforço no Real (Édipo) (SKRIABINE, 2006, p. 60).

O efeito Joyce e o diagnóstico intra-psicoses

No seminário sobre Joyce, Lacan (1975-76/2005) apresenta uma forma totalmente diferente de erro e de reparação do nó de quatro, que nos permite realizar uma aproximação do nó à clínica na experiência analítica. Ele nos mostra como o sinthoma vem reparar um erro, um lapso do nó entre Real, Simbólico e Imaginário, no ponto mesmo em que ele se produz. Lacan parte do relato de Joyce acerca de um episódio no qual ele é surrado pelos colegas e tem o sentimento de que seu corpo se solta como uma casca, sem ter experimentado nenhum sentimento de raiva ou revolta em relação ao acontecido. Nesse deixar-se cair, Lacan nos convida a reconhecer um deslizamento do Imaginário que não se ata devido a um erro no nó. Nesse ponto em que o erro se produz, Lacan aponta o ego como sinthoma, como "raboutage correcteur" (LACAN, 1975-76/2005, p. 148).

Erro e suplência em James Joyce no nó borromeano (LACAN, 1975-76/2005).
Figura 5
Erro e suplência em James Joyce no nó borromeano (LACAN, 1975-76/2005).

Lacan identifica nas epifanias o efeito de uma escrita que sustenta o ego, o sinthoma joyceano, o resto, o resíduo dessa operação de reparação (tal qual o sinthoma resta ao final de uma análise na neurose). Assim, o ego, a escrita, a obra de Joyce são o nome do pai do qual ele se sustenta para existir e se fazer um nome.

O ego designa aqui o que se constitui do artifício, da arte de Joyce, que produziu uma escrita enigmática que desfaz a língua. Constituída a partir da pura materialidade do significante enquanto ela porta e veicula um gozo inefável, o ego joyceano, sintoma puro, fora de sentido, puro gozo, se revela como puro sinthoma. (SKRIABINE, 2006, p. 60-61)

Com base nessa argumentação, Skriabine nos propõe, a partir dessa revisão do Nome-do-Pai no ensino de Lacan, uma clínica diferencial intra-psicoses. Respeitada a lógica estrutural abaixo apresentada, os nós confeririam um refinamento diagnóstico para pensar os tipos clínicos na psicose.

Duas modalidades da clínica diferencial (SKRIABINE, 2006, p. 61).
Figura 6
Duas modalidades da clínica diferencial (SKRIABINE, 2006, p. 61).

Onde se lê psicose ordinária no quadro, propomos localizar o tempo 1 de um diagnóstico ainda não definido. E, na continuidade dos três registros, a esquizofrenia. Como se vê na comparação dos dois desenhos, a Verwerfung, no primeiro caso, é o divisor de águas para se pensar as estruturas clínicas e seu diagnóstico diferencial entre neurose, psicose e perversão. Partindo dessa perspectiva, a ideia de suplência ainda se assentaria sobre o significante do Nome-do-Pai, que agenciaria a entrada do sujeito na linguagem, dividido como desejante. Nessa ótica, podemos pensar que o psicótico se valerá de diferentes recursos para realizar uma mesma operação de reparação, qual seja, a reparação da ausência do Nome-do-Pai. As psicoses se estruturam sobre um mesmo eixo, seu solo comum sendo a Die Verwerfung.

No segundo quadro, é a forma de amarração do nó que instala o campo diferencial das suplências e, consequentemente, do diagnóstico e da estabilização. A falta estrutural para todos do significante-índice no campo do Outro traz como efeito a pluralização dos nomes do pai como estilos de suplência, de reparação, de solução. Busca-se aqui a solução que o sujeito constrói a essa falta estrutural, ou seja, a operação que a realiza. Interessa distinguir ser a arte ou o delírio o recurso do qual o sujeito se vale nesse trabalho, desde que também precisemos, na direção do tratamento, a via e o estilo de operação, de amarração, que inclui esses recursos na construção de sua suplência.

Há como concluir, nessa perspectiva clínica, a via aberta por Lacan?

Segundo Milner (1996), a obra de Lacan permanece inacabada. Com o Seminário XX, o uso da matemática por Lacan se modifica, ficando absorvido pela teoria do nó borromeano. "Embora exista uma abordagem matematizante dos nós, não é isso que Lacan dela retém. {...} Tudo se passa como se Lacan se interessasse pelo nó apenas pelo que ele tem de refratário a uma matematização integral" (MILNER, 1996, p. 131). Após a antilinguística pela doutrina da homofonia, desconstruindo o primeiro classicismo lacaniano, e a antipolítica pela doutrina dos discursos, Milner aponta a teoria dos nós como a antimatemática no interior da obra de Lacan, anunciando a desconstrução de seu segundo classicismo. Donde resta uma obra inacabada.

Assim, podemos nos perguntar, a título de conclusão, em quê a teoria dos nós afeta a doutrina do estruturalismo em Lacan, estendendo a questão para a clínica, aqui onde ela nos interessa. A questão assim se coloca como sendo, antes, a de localizar no estilo de resposta que o sujeito constrói a forma de amarração que ele realiza e nesta, então, pensar como esse estilo assinala seu diagnóstico e, como corolário, como sua solução pode ser construída. Interessa, pois, nesse refinamento clínico, a habilidade no uso operatório dessa arte de saber-fazer com o Real e com o gozo derivado de seu tratamento. Com Lacan:

Todo o problema está aqui - como uma arte pode visar de maneira divinatória a substancializar o sinthoma na sua consistência, mas também na sua ex-sistência e em seu furo? Esse quarto termo {...} essencial ao nó borromeano, como alguém pôde visar com sua arte produzi-lo como tal, a ponto de aproximá-lo de tão perto quanto possível? (LACAN, 1975-76/2005, p. 38)

Ora, Lacan insiste sobre a importância desse quarto termo em Joyce, pois a maneira como ele se escreve, o efeito real de amarração que provoca, suplanta (ou melhor suplencia) um desarranjo na articulação dos três registros. Se, por algum motivo, estrutural ou contingencial, essa amarração vacila, o quarto elemento pode suplenciar esse ponto, inventando um outro caminho para o sujeito. É daí que nossos recursos clínicos com a psicose podem ser aplicados à clínica psicanalítica em sua extensão.

Encontramos em Joyce uma arte de "saber fazer com" o inconsciente que nos fornece uma via para articular a clínica borromeana. Com sua escrita, ele cria uma série de solilóquios, o pensamento que flutua, que vai à deriva, que associa, que não cessa, nem produz sentido. O sujeito pensa todo o tempo; é um monólogo interior. Ele pensa para ele, de um modo solipsista, levado pelas sensações, pelas imagens, pelos sons. Ele divaga a seu bel-prazer e, de tempos em tempos, isso eclode sobre o real {ça bute sur du réel}. Essa mesma melodia se aproxima do que o analista escuta de seus pacientes, a melodia da música do inconsciente.

De um modo absolutamente particular, cada um fala da mesma questão: a marca que porta do Real, do modo com o qual isso guarnece seu gozo, do inconsciente que isso faz para ele. Misturando monólogo e endereçamento ao Outro, palavra que escapa e construção laboriosa, pensamento solto e encontro com a vida (SKRIABINE, 2006). O gozo do Outro, impossível, fora do simbólico, acusa essa impossibilidade de se fazer um, de se produzir o sentido de um elemento, mantendo-se disjuntas as peças para um sujeito. Assim, não é porque o inconsciente é estruturado como linguagem, que ele não depende estreitamente de alíngua, daquilo que faz de alíngua língua morta, mesmo se ainda em uso, explica Lacan (1975/1986, p. 41). Não é senão a partir do momento em que algo se desencapa que se pode encontrar um princípio de identidade de si para si. E essa redução de sentido é algo que se produz no nível da lógica, não do Outro, na medida que, ao se reduzir todo o sentido, chegamos a X = X (LACAN, 1975/1986, p. 41).

A radicalidade desse último ensino lacaniano traz, assim, uma novidade com a ideia do fora-do-sentido. Mas trata-se de um fora-do-sentido que produz efeitos em relação ao Simbólico, ao Imaginário e ao Real. O quarto nó que permite a amarração entre os três registros evidencia uma saída singular, uma solução inventada por cada sujeito para se haver com o impossível de enunciar. Parece-nos que, se a via dessa operação se dá na relação entre Simbólico e Real (pelo menos em Joyce), seus efeitos se dão em relação a todos os três registros. Na verdade, em relação à sua maneira de atar-se uns aos outros, trazendo como consequência experiências e inscrições subjetivas distintas.

O que Lacan subverte com a teoria dos nós é a proposição de uma solução para todos, normatizada pelo Nome-do-Pai e seu corolário, o Falo. Nesse sentido, podemos compreender a pregnância do Real. Cada sujeito, a partir do real em jogo com seu gozo, irá operar uma forma de suplência ao impossível de nomear.

Em Joyce, essa solução implicou numa amarração entre simbólico e sinthoma - aqui tomado como o real - de forma a que o imaginário não se despregasse do nó. Para Lacan, as epifanias, na escrita joyceana, "estão sempre caracterizadas pela mesma coisa, que é bem precisamente a consequência resultante do erro no nó, a saber, que o inconsciente está atado ao real" (LACAN, 1975-76/2005, p. 154). Esse erro advém do fato de dois registros, o Simbólico e o Real, estarem entrecruzados, onde deveriam estar os três sobrepostos e atados borromeanamente por um quarto elemento. Com sua escrita como quarto termo, Joyce corrige o erro, atando Real, Simbólico e Imaginário de maneira borromeana. E aí se mostrando sua solução singular de atar os registros, evitando a dispersão do Imaginário ao suplenciar o erro. Força, dessa maneira, o objeto a que se escreve no nó.

Amarrando...

Assim, podemos concluir, quanto à incidência da clínica borromeana sobre a clínica estruturalista, que:

  1. 1. Não há Outro do Outro, pelo menos não há gozo desse Outro do Outro;

  2. 2. É preciso, portanto, que se faça uma sutura, uma costura, a partir do ponto em que essa ausência se escreveria no nó, ou seja, do campo de ex-sistência em relação ao Simbólico e ao Imaginário;

  3. 3. É preciso que, em algum ponto, haja um enlaçamento entre o nó do Imaginário e o do saber inconsciente (Simbólico);

  4. 4. Tudo isso para obter um sentido-gozo, que é o objeto da resposta do analista ao exposto pelo analisante ao longo de seu sintoma;

  5. 5. Quando fazemos esse movimento, esse enlaçamento, ao mesmo tempo fazemos outro, entre o que é sinthoma (Σ) (rodela vermelha da esquerda) e o real (rodela vermelha da direita);

Nó borromeano a quatro, evidenciando a costura do sinthoma com o Real (LACAN, 1975-76/2005, p. 54).
Figura 7
Nó borromeano a quatro, evidenciando a costura do sinthoma com o Real (LACAN, 1975-76/2005, p. 54).

  1. 6. Nesse conjunto, podemos destacar duas duplas; os registros se atariam dois a dois disjuntos, amarrados pela outra dupla que lhe é exterior, a partir do enlaçamento central entre I e S;

  2. 7. "É enquanto que o sintoma se religa ao inconsciente e que o imaginário se liga ao real que nós temos negócio com alguma coisa da qual surgiu o sinthoma" (LACAN, 1975-76/2005, p. 55);

  3. 8. O analista trabalha com o analisante como enlaçar seu sintoma e o real parasita de gozo;

  4. 9. Tornar esse gozo possível é a mesma coisa que ouvir um sentido/gozar do sentido (j'öuis-sens);

  5. 10. É, portanto, de cortes, suturas e enlaçamentos que se trata numa análise;

  6. 11. Devemos considerar os registros separadamente; Real, Simbólico e Imaginário não se confundem;

  7. 12. Encontrar um sentido implica em saber qual é o nó e em cosê-lo corretamente graças a um artifício.

Parece-nos, portanto, ser possível dizer que:

  1. 1. 1. Desfazer a referência unívoca ao Nome-do-Pai como elemento discriminatório entre as estruturas foi um passo dado por Lacan em seu último ensino, pluralizando os Nomes-do-Pai e sofisticando a noção de sintoma com a introdução do sinthoma;

  2. 2. 2. É possível pressupor que não é somente pelo viés do simbólico ou de uma norma edípica universal que se podem produzir soluções ao furo constituído pela ausência do significante do gozo do Outro;

  3. 3. 3. É importante pôr em questão a relevância das construções singulares que podem ser construídas pelos sujeitos, ainda que elas se deem a partir das diferenças estruturais entre neurose, psicose e perversão, que não apareceram destituídas de valor ao longo do ensino lacaniano;

  4. 4. 4. E, enfim, é fundamental avançar no campo de investigação desse efeito do real, como campo do fora-de-sentido, junto aos enodamentos que podem advir do nó borromeano nas soluções subjetivas e na direção do tratamento junto à clínica psicanalítica.

Referências

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MILNER, J. C. A obra clara: Lacan, a ciência, a filosofia. Rio de Janeiro: J. Zahar , 1996.

SAFATLE, V. A paixão do negativo: Lacan e a dialética. São Paulo: Unesp, 2006.

SKRIABINE, P. La clinique différentielle du sinthome. Quarto-Revue de psychanalyse. n. 86, Bruxelles: ECF-ACF en Belgique, 2006.

Notas

1 A alienação ao significante do Outro com o qual o sujeito se identifica, implica em seu desaparecimento como sujeito do inconsciente no campo do sentido e como sujeito desejante no campo do ser. Enquanto na alienação, surgida do recobrimento dessas duas faltas, o sujeito encontra no intervalo significante uma via para retornar da alienação enquanto sujeito desejante (LACAN, 1964/1998, p. 191-217).

2 O signo, como conceito ampliado em Peirce, implica numa relação triádica. Ele é uma coisa que representa uma outra coisa: seu objeto. Ele só pode funcionar como signo se carregar esse poder de representar, substituir uma outra coisa diferente dele. Toda relação sígnica implica na relação entre o signo em si mesmo, o objeto e o interpretante (relação que o signo mantém com o objeto). A partir dessa relação, introduz-se na mente interpretadora um outro signo que traduz o significado do primeiro, sendo seu interpretante. Dessa maneira, o significado de um signo é sempre um outro signo.

Autor notes

Andréa Máris Campos Guerra - andreamcguerra@gmail.com

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