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Red de Revistas Científicas de América Latina y el Caribe, España y Portugal
Submetido: 01/10/2014; Aceito: 02/02/2015.
Rev Rene. 2015 jan-fev; 16(1):90-6.
DOI: 10.15253/2175-6783.2015000100012
www.revistarene.ufc.br
Artigo Original
90
Ambiente da prática profissional e
burnout
em enFermeiros
Professional practice environment and burnout among nurses
Ambiente de la práctica profesional y
burnout
en enfermeros
Renata Cristina Gasparino
1
, Edinêis de Brito Guirardello
2
Objetivo:
avaliar o ambiente da prática profissional do enFermeiro, sua relação com a síndrome de
burnout
e
diFerenças
entre três instituições.
Método:
estudo transversal, desenvolvido em hospitais (dois terciários e um de nível secundário),
com 278 enfermeiros que responderam os instrumentos
Nursing Work Index Revised
– Versão Brasileira e o Inventário de
Burnout
de Maslach.
Resultados:
das instituições
,
a maioria dos enFermeiros demonstraram satisFação com o trabalho, boa
qualidade da assistência e a minoria tinha intenção de deixar o emprego. Na comparação entre as instituições, a de nível
secundário, apresentou uma prática de enFermagem com mais autonomia, maior controle sobre o ambiente e boas relações
com a equipe médica e menores níveis de exaustão emocional.
Conclusão:
os achados contribuem na implementação
de mudanças que Favoreçam a prática profissional do enFermeiro, possibilitando alcançar a satisFação dos envolvidos no
processo, como pacientes, profissionais e instituição.
Descritores:
Ambiente de Trabalho; Esgotamento Profissional; SatisFação no Emprego.
Objective:
to
evaluate the professional practice environment of nurses, their relationship with burnout syndrome and the
diFFerences among three institutions.
Methods:
a cross-sectional study developed at one secondary and two tertiary hospitals,
with 278 nurses, who filled the Nursing Work Index Revised – Brazilian Version and the Maslach Burnout Inventory.
Results:
most of these nurses showed job satisfaction and good quality of health care, while few informed intentions to leave their
jobs. When comparing the institutions, the secondary level one had more autonomy in nursing practice, more control over
the work environment, better relationship with physicians, and lower levels oF emotional exhaustion.
Conclusion:
these
findings contribute For the implementation oF changes to improve the nursing proFessional practice, enabling to achieve the
satisFaction oF those involved in the process, such as patients, proFessionals, and institutions.
Descriptors
: Working Environment; Burnout, ProFessional; Job SatisFaction.
Objetivo:
evaluar el ambiente de la práctica profesional del enfermero, su relación con
burnout
y diferencias entre tres
instituciones.
Método:
estudio transversal, desarrollado en hospitales (dos de tercer nivel y un secundario), con 278
enfermeros que respondieron a los instrumentos
Nursing Work Index Revised
– Versión Brasileña e Inventario de
Burnout
de
Maslach.
Resultados:
de las instituciones, la mayoría de los enFermeros demostró satisFacción con el trabajo, buena calidad
de la atención y, la minoría, intención de abandonar el trabajo. Comparándose las instituciones, la de nivel secundario
presentó práctica de enFermería con más autonomía, control sobre el ambiente y buenas relaciones con el equipo médico y
menores niveles de
burnout
.
Conclusión:
estos hallazgos podrán contribuir en la implementación de cambios que Favorezcan
la práctica profesional del enfermero, lo que permite lograr la satisfacción de implicados en el proceso, como pacientes,
enFermeros e instituciones.
Descriptores
:
Ambiente de Trabajo; Agotamiento ProFesional; SatisFacción en el Trabajo.
1
±aculdade de Medicina de Jundiaí. Jundiaí, SP, Brasil.
2
Universidade Estadual de Campinas. Campinas, SP, Brasil.
Autor correspondente: Renata Cristina Gasparino
Rua Saldanha Marinho, 387. Vila Rio Branco. CEP: 13.215.290. Jundiaí
,
SP. Brasil.
E-mail:
regasparino@yahoo.com.br
Rev Rene. 2015 jan-fev; 16(1):90-6.
Ambiente da prática profissional e burnout em enFermeiros
91
Introdução
O modelo da prática profissional da enFermagem
deve estar embasado em uma estrutura que permita
aos enfermeiros aplicar os seus conhecimentos na
realização das atividades assistenciais e gerenciais,
tornando-os
mais
integrados
nas
relações
com
os pacientes, com os outros profissionais e com a
instituição
(1)
.
As pesquisas envolvendo as características do
ambiente que Favorecem a prática profissional da en
-
Fermagem surgiram no início da década de 70, e desde
então, inúmeros estudos tem relacionado a presença
dessas características com resultados positivos, como
menor taxa de mortalidade
(2)
, menor taxa de rotativi
-
dade da equipe
(3-6)
e menores índices de
burnout
com
consequente satisFação profissional
(4-6)
.
Burnout
é
uma
síndrome
psicológica
que
se desenvolve em indivíduos expostos às Fontes
crônicas de estresse presentes no local de trabalho
e acomete mais os que se relacionam intensamente
com
outras
pessoas.
É
caracterizada
por
três
componentes
relacionados,
mas
independentes:
exaustão emocional, despersonalização e diminuição
da realização pessoal
(7)
.
A exaustão emocional é o componente Funda
-
mental para se definir a síndrome. É a primeira rea
-
ção causada em resposta à sobrecarga de trabalho,
conflito social e estresse decorrentes das constantes
exigências, o que pode acarretar, como estratégia de
enfrentamento, o distanciamento emocional e cogniti-
vo do profissional em relação ao seu trabalho
(7)
.
A despersonalização ocorre como tentativa de
se proteger da exaustão e o indivíduo começa a se
distanciar do trabalho e das outras pessoas e a dimi-
nuição da realização leva a pessoa a desenvolver um
sentimento de inadequação pessoal e profissional ao
trabalho. Os profissionais perdem a confiança em si
mesmos e na capacidade de se destacarem
(7)
.
A síndrome de
burnout
associada à ambientes
de trabalho que, dificultam o exercício profissional do
enFermeiro poderão contribuir para resultados nega
-
tivos e significativos para os indivíduos, para as insti
-
tuições e para a sociedade
(2,5,7)
.
A enFermagem, que pela própria característica
da profissão, depara-se no dia-a-dia com situações
complexas relacionadas à gestão do cuidado
, requer
do enfermeiro a busca constante de conhecimen-
tos, exercício da autonomia e suporte organizacional
para assegurar a qualidade da assistência. Entretanto,
nem sempre essas características estão presentes no
ambiente de trabalho, o que pode repercutir negati-
vamente para o cuidado dos pacientes, para o
profis
-
sional e
para a instituição
(2,3)
.
Diante do exposto, o presente estudo teve como
objetivos avaliar e comparar o ambiente da prática
profissional do enFermeiro e a sua relação com a sín
-
drome de burnout entre três instituições de ensino.
Método
Trata-se de um estudo descritivo, transversal,
desenvolvido em três instituições de ensino do inte
-
rior do estado de São Paulo, no ano de 2007, deno
-
minadas de instituições A, B e C. Essas instituições
têm por objetivos prestar assistência aos usuários do
Serviço Único de Saúde, desenvolver a pesquisa e o
ensino de alunos de uma universidade pública esta
-
dual. As instituições A e B são consideradas hospitais
terciários e que prestam uma assistência complexa. A
instituição C é certificada e considerada de nível se
-
cundário.
A amostra foi composta por 278 enfermeiros
que atenderam aos seguintes critérios de inclusão: a)
prestar assistência direta aos pacientes; b) possuir um
período de experiência na unidade igual ou superior a
três meses e c) estar presente no período da coleta, ou
seja, não estar de Férias ou licença. Como critérios de
exclusão Foram considerados os enFermeiros em car
-
gos de gestão.
Para a coleta de dados, Foram utilizados: ficha
de caracterização pessoal e profissional que contém
três questões para avaliar os resultados relacionados
com o trabalho, o
Nursing Work Index Revised
– Versão
Gasparino RC, Guirardello EB
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Brasileira (NWI – R – Versão Brasileira)
(8-9)
e o Inven
-
tário de
Burnout
de Maslach (IBM), validado para a
cultura brasileira
(10)
.
A ficha de caracterização contém variáveis pes
-
soais (idade, sexo, estado civil), profissionais (tempo
de experiência, tempo de trabalho na instituição e na
unidade, carga horária de trabalho semanal) e três
perguntas para avaliar a percepção do enFermeiro com
relação aos resultados do trabalho. As duas primeiras
perguntas avaliaram a satisFação profissional e a per
-
cepção do enFermeiro sobre a qualidade da assistência
prestada ao paciente, por meio de uma escala Likert,
com quatro pontos, onde maiores pontuações repre
-
sentaram, respectivamente, maior satisFação profis
-
sional e melhor percepção da qualidade do cuidado.
A terceira pergunta, avaliou a intenção do profissional
em deixar seu emprego no próximo ano, por meio de
uma escala analógica visual com dois extremos onde
zero representava nenhuma intenção e dez, muita in
-
tenção em deixar o emprego no próximo ano.
O instrumento NWI – R – Versão Brasileira
(8-9)
,
tem por objetivo mensurar a presença de determina
-
das características do ambiente de trabalho que Fa
-
vorecem a prática profissional do enFermeiro. Para a
coleta de dados Foram considerados os 15 itens que
compõem as quatro subescalas: autonomia (cinco
itens), controle sobre o ambiente (sete itens), relações
entre médicos e enFermeiros (três itens) e suporte or
-
ganizacional (dez itens derivados das três primeiras
subescalas)
(9)
. A escala de medida utilizada é a do tipo
Likert que varia entre um e quatro pontos. O partici
-
pante responde se concorda ou não com a afirmativa
“esse fator está presente no meu trabalho diário” com
as opções: concordo totalmente (um ponto); concor
-
do parcialmente (dois pontos); discordo parcialmente
(três pontos) e discordo totalmente (quatro pontos).
Os escores, para as subescalas, são obtidos por meio
da média dos escores das respostas dos sujeitos. Quan
-
to menor a pontuação, maior a presença de atributos
Favoráveis à prática profissional do enFermeiro
(9)
.
O Inventário de “
Burnout
de Maslach (IBM),
mensura o desgaste físico e emocional do profissional
por meio da avaliação do seu sentimento em relação
ao seu trabalho
(10)
. Possui 22 itens distribuídos em
três dimensões: exaustão emocional (nove itens), di
-
minuição da realização pessoal (oito itens) e desper
-
sonalização (cinco itens) em que a pessoa é solicitada
a responder com que freqüência vivencia determina-
das situações no seu ambiente de trabalho.
Os itens são avaliados por uma escala tipo Li
-
kert com cinco pontos: um (nunca); dois (raramente);
três (algumas vezes); quatro (Freqüentemente) e cin
-
co (sempre). Nas subescalas exaustão e despersonali
-
zação, quanto maior a pontuação, maior o sentimento
de exaustão emocional e despersonalização percebida
pelo enFermeiro. Na subescala diminuição da realiza
-
ção pessoal, que possui escore inverso às outras su
-
bescalas, maiores pontuações retratam uma alta reali
-
zação pessoal
(10)
.
Para classificar os níveis de
burnout
em alto,
moderado e baixo, devem-se obter os escores mínimos
e máximos para cada domínio e em seguida, determi
-
nar os percentis 33 e 67 da curva. Um baixo nível de
burnout
é representado por baixos escores nas subes
-
calas exaustão emocional e despersonalização e altos
escores na subescala diminuição da realização pesso
-
al. Um nível moderado de
burnout
é representado por
escores médios nas três subescalas e um alto nível de
burnout
é representado por altos escores nas subesca-
las exaustão e despersonalização e baixos escores na
subescala diminuição da realização pessoal
(10)
.
A coleta de dados Foi realizada de Forma indi
-
vidual, nas unidades de trabalho. Os participantes re
-
ceberam um envelope contendo os instrumentos da
pesquisa e após o preenchimento Foram devolvidos à
pesquisadora em datas previamente estabelecidas.
Os dados Foram tabulados no programa Excel
– Windows/XP e analisados por um profissional de
estatística por meio do programa
Statistical Analysis
System
, versão 9.1.3 – 2002/2003.
Para descrever o perfil da amostra, utilizou-se
análise descritiva das variáveis categóricas e medidas
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Ambiente da prática profissional e burnout em enFermeiros
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de posição das variáveis contínuas. Para as subescalas
do NWI – R – Versão Brasileira e do IBM, os escores
Foram obtidos pela média das respostas dos sujeitos.
Para comparação de proporções Foi utilizado o teste
Qui-quadrado ou teste Exato de ±isher, quando ne
-
cessário. Para comparação de medidas contínuas ou
ordenáveis entre dois grupos Foi utilizado o teste de
Mann-Whitney e entre três ou mais grupos Foi utiliza
-
da ANOVA com transFormação por postos.
A confiabilidade dos instrumentos Foi verifi
-
cada por meio da consistência interna com o cálculo
do coeficiente alFa de Cronbach. O nível de significân
-
cia adotado para os testes estatísticos Foi de 5%.
O estudo obteve aprovação do Comitê de Ética
em Pesquisa (Protocolo nº 796/2006).
Resultados
Participaram 278 enfermeiros, sendo 181
(65%) da instituição A, 53 (19%) da instituição B e 44
(16%) da C, com uma média de idade de 37,9 anos (dp
² 8,8), tempo médio de experiência na profissão de 12
anos (dp ² 7,9); tempo médio de trabalho na institui
-
ção de 11 anos (dp ² 7,9) e na unidade de 7,5 anos
(dp ² 6,3). A maioria havia sido admitida por concurso
público (73,4%), era do sexo Feminino (87,8%) e pos
-
suía apenas um vínculo empregatício (70,1%). No que
se reFere à carga horária de trabalho, exerciam uma
média de 37,6 horas (dp ² 15,2) semanais. As demais
características dos enFermeiros das três instituições
estão apresentadas na Tabela 1.
Com relação à intenção de deixar o emprego no
próximo ano, a média das respostas na instituição A
Foi de 3,0 (dp²3,3), na instituição B Foi de 2,8 (dp²3,4)
e na instituição C Foi de 2,9 (dp²3,5). Em relação à per
-
cepção da qualidade do cuidado e satisFação no traba
-
lho, as respostas estão representadas na Tabela 2.
Tabela 1
-
Distribuição das variáveis pessoais e pro
-
fissionais dos 278 enFermeiros de três instituições
hospitalares (A, B, e C)
Variáveis
A (n=181)
B (n=53) C (n=44)
Total
n (%)
n (%)
n (%)
n (%)
Estado Civil
Casado
86(47,5)
33(62,3)
15(34,1) 134(48,2)
Solteiro
67(37,0)
13(24,5)
22(50,0) 102(36,7)
Separado/Divorciado
17(9,4)
6(11,3)
5(11,3)
28(10,0)
Viúvo
2(1,1)
1(1,9)
1(2,3)
4(1,4)
União estável
9(5,0)
0(0,0)
1(2,3)
10(3,6)
±ormação Profissional
Graduação
78(43,1)
17(32,1)
19(43,2) 114(41,0)
Especialização
87 (48,1)
31(58,5)
19(43,2) 137(49,3)
Aprimoramento/
Residência
6(3,3)
1(1,9)
5(11,3)
12(4,3)
Mestrado
10(5,5)
4(7,5)
1(2,3)
15(5,4)
Setor de Trabalho
Clínica Médica/Cirúrgica
62(34,2)
19(35,9)
16(36,4)
97(34,9)
Unidade
de
Terapia
Intensiva Adulto
43(23,8)
6(11,3)
5(11,3)
54(19,4)
Unidade
de
Terapia
Intensiva
Pediátrica
e
Neonatal
9(5,0)
13(24,5)
11(25,0)
33(11,9)
Emergência
23(12,7)
5(9,4)
4(9,1)
32(11,5)
Centro Cirúrgico
18(9,9)
4(7,6)
4(9,1)
26(9,4)
Ambulatório/Leito Dia
11(6,1)
6(11,3)
0(0,0)
17(6,1)
Pediatria
11(6,1)
0(0,0)
4(9,1)
15(5,4)
Psiquiatria
4(2,2)
0(0,0)
0(0,0)
4(1,4)
Tabela 2
-
Distribuição dos quesitos relacionados à
satisFação profissional e percepção da qualidade do
cuidado dos 278 enFermeiros de três instituições hos
-
pitalares (A, B, e C)
Variáveis
A (n=181) B (n=53) C (n=44)
Total
n (%)
n (%)
n (%)
n (%)
SatisFação profissional
Muito insatisfeito
6(3,3)
0(0,0)
1(2,3)
7(2,5)
InsatisFeito
54(29,9)
9(17,3)
3(6,8)
66(23,8)
SatisFeito
111(61,3)
41(78,9)
32(72,7) 184(66,4)
Muito satisfeito
10(5,5)
2(3,8)
8(18,2)
20(7,2)
Qualidade do cuidado
Muito ruim
4(2,2)
0(0,0)
0(0,0)
4(1,4)
Ruim
22(12,1)
2(3,8)
2(4,5)
26(9,4)
Boa
142(78,5)
37(69,8)
34(77,3) 213(76,6)
Muito boa
13(7,2)
14(26,4)
8(18,2)
35(12,6)
Gasparino RC, Guirardello EB
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No que se refere à percepção dos enfermeiros
sobre o ambiente da prática e níveis de
burnout
, as
médias encontradas nas subescalas do NWI – R – Ver
-
são Brasileira e nas subescalas do IBM, nas diferentes
instituições, estão representadas na Tabela 3.
Tabela 3
-
Média e desvio padrão das subescalas do
NWI - R - Versão Brasileira e do IBM, nas três institui
-
ções (A, B, e C)
Subescalas
A (n=181) B (n=53) C (n=44)
p-valor**
Média
(DP*)
Média
(DP*)
Média
(DP*)
Nursing Work Index Revised
Autonomia
2,4(0,5)
2,1(0,5)
1,8(0,4)
<0,001
Controle sobre o ambiente
2,7(0,6)
2,5(0,6)
2,1(0,5)
<0,001
Suporte organizacional
2,5(0,5)
2,3(0,5)
2,0(0,4)
<0,001
Relações com médicos
2,3(0,6)
2,2(0,8)
1,9(1,0)
0,0030
Inventário de
Burnout
de Maslach
Exaustão emocional
24,3(6,5)
23,3(5,0) 20,4(6,0)
0,0007
Despersonalização
8,8(2,9)
8,4(2,5)
7,4(2,4)
0,0082
Realização pessoal
29,3(4,6)
29,9(3,6) 31,5(3,6)
0,0190
* Desvio Padrão
**
ANOVA
Ao comparar as médias das subescalas do NWI
– R – Versão Brasileira e do IBM, entre as diferentes
instituições, a instituição C apresenta médias signiFi
-
cativamente menores do que os hospitais A e B nas
subescalas do NWI-R e menores médias nas subesca
-
las do IBM, com exceção da subescala diminuição da
realização pessoal que possui escore inverso.
A conFiabilidade resultou em um alfa de Cron
-
bach de 0,94 para o NWI – R – Versão Brasileira e 0,88
para o IBM.
Discussão
O tempo de experiência e a idade relatada pelos
enfermeiros foram superiores aos achados de estudos
nacionais
(5,11)
e internacionais
(12-13)
demonstrando que
os enfermeiros desta pesquisa são mais experientes
em relação aos enfermeiros dos países asiáticos
(12-13)
,
mas apresentam experiência inferior aos enfermeiros
da Europa e América do Norte
(6,12-13)
.
A maturidade pessoal e proFissional demons
-
tram maior estabilidade e segurança pessoal, eviden
-
ciada pelo fato da maioria já ter constituído família,
ser contratada por concurso público e permanecer no
mesmo trabalho ou instituição por aproximadamente
o mesmo tempo de experiência.
A predominância do sexo feminino na enfer
-
magem, na amostra, pode ser explicada pela questão
de gênero com a maioria mulheres, o que também é
demonstrado pelos estudos nacionais
(5,10-11)
e interna-
cionais
(12-13)
.
A maioria dos enfermeiros informou possuir
apenas um vínculo empregatício, assim como em ou
-
tros estudos nacionais
(5,10-11)
. Por outro lado, exerciam
uma carga horária semanal superior ao contrato de
trabalho de 36 horas o que pode reFletir um déFicit
no quadro de pessoal da instituição e necessidade de
complementação salarial por parte dos mesmos. Estu
-
do destaca que a enfermagem brasileira é mal remu-
nerada e os ganhos salariais provenientes das horas
extras, tem sido um dos meios encontrados pelos pro
-
Fissionais para complementar sua renda mensal
(7)
.
No que se refere ao nível de formação, a maioria
possuía algum tipo de pós-graduação, assim como
encontrado em outras pesquisas
(5,11)
. Esta necessidade
de busca por algum tipo de especialização repercute
em mudanças nas diretrizes curriculares nacionais
dos cursos de graduação em enfermagem que visam
adequar a formação do enfermeiro à diversidade,
complexidade
e
competitividade
do
mundo
moderno
(14)
.
Com relação aos setores de trabalho, nota-se
que a maior porcentagem dos enfermeiros está lotada
nas clínicas médica e cirúrgica, seguida das unidades
de terapia intensiva. Esses dados se assemelham aos
de outra pesquisa
(11)
, pois como, nestas unidades, o
número de leitos e a complexidade dos pacientes são
maiores, maior também deve ser o número de proFis
-
sionais para atender às legislações sobre dimensiona
-
mento de pessoal.
Dentre as instituições do estudo, os enfermei
-
ros da instituição B possuíam melhores percepções da
qualidade da assistência de enfermagem e menor in-
Rev Rene. 2015 jan-fev; 16(1):90-6.
Ambiente da prática profissional e burnout em enFermeiros
95
tenção de deixar o emprego, seguido dos enFermeiros
da instituição C. Estas duas instituições também apre
-
sentaram menores níveis de
burnout
, quando compa-
radas com a instituição A, demonstrando mais uma
vez que a presença da síndrome pode comprometer
negativamente a qualidade da assistência
(15)
, indepen-
dente da complexidade de assistência do serviço.
Na avaliação do ambiente da prática e nível de
burnout
, Foram encontradas diFerenças significantes
entre os hospitais, indicando que os enfermeiros da
instituição C relataram exercer uma prática com mais
autonomia, maior controle sobre o ambiente e boas
relações com a equipe médica e apresentaram meno
-
res níveis de exaustão emocional, despersonalização e
diminuição da realização pessoal quando comparados
aos participantes dos hospitais A e B. Esses achados
corroboram com os descritos na literatura, ao afirma
-
rem que em ambientes onde os enfermeiros percebem
a presença de características Favoráveis à sua prática
profissional, menores são os níveis de
burnout
(4,6)
.
Os enfermeiros do hospital C também se en-
contram mais satisFeitos com o trabalho e isto reForça
ainda mais um diFerencial desta instituição, princi
-
palmente por ser a única do estudo que possui reco
-
nhecimento de excelência na prestação de serviços de
saúde por meio da Organização Nacional de Acredita
-
ção, que busca reconhecer melhorias no que se reFere
à qualidade do cuidado, envolvimento e responsabili
-
dade dos profissionais na integração dos processos de
trabalho
(16)
.
Conclusão
Os resultados encontrados permitiram concluir
que os enfermeiros do hospital C reconhecem a pre-
sença de características Favoráveis à prática profissio
-
nal e apresentam menores níveis de
burnout
. Esses
achados podem também estar relacionados ao fato da
instituição C ser de nível secundário e por isso, devido
a sua menor complexidade, ser mais Fácil o gerencia
-
mento do ambiente de trabalho e consequentemente,
da manutenção de características que Favorecem a
prática profissional do enFermeiro.
Destaca-se a importância do desenvolvimento
de outros estudos, comparando instituições do mes
-
mo porte, para que se possa realmente concluir que
ambientes desFavoráveis à prática profissional do en
-
Fermeiro podem resultar no desenvolvimento da sín
-
drome de
burnout
, independente da complexidade do
cuidado prestado ao paciente. Esses achados podem
ser utilizados pelos gerentes de enFermagem na im
-
plementação de mudanças no ambiente que assegu
-
rem aos enFermeiros o exercício de uma prática com
autonomia, controle sobre o ambiente e boas relações
com médicos, contribuindo para se alcançar resulta
-
dos positivos para os pacientes, profissionais e insti
-
tuições.
Colaborações
Gasparino RC participou desde a concepção do
trabalho, coleta, análise e interpretação dos dados, até
a redação final do trabalho. Guirardello EB participou
desde a concepção do trabalho, análise e interpreta
-
ção dos dados e redação final do artigo.
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