Debate
Patrimônio da migração nordestina: A literatura de cordel no Rio de Janeiro e São Paulo, Brasil
Patrimony of Nordestine Migration: Cordel Literature in Rio de Janeiro and São Paulo, Brazil
Patrimônio da migração nordestina: A literatura de cordel no Rio de Janeiro e São Paulo, Brasil
Revista del CESLA, núm. 22, pp. 347-366, 2018
Uniwersytet Warszawski

Recepção: 30 Julho 2018
Aprovação: 14 Novembro 2018
Resumo: As migrações do povo nordestino formam no Brasil novos territórios culturais e reinventam seu patrimônio, levando alegorias e símbolos, ao congregarem diversos sentidos dados ao longo do tempo por inúmeras questões de “(re)invenção”. Os novos territórios culturais formados a partir da inserção dos sujeitos sociais em cidades metropolitanas como São Paulo e Rio de Janeiro vão escrevendo suas marcas e trajetórias, seja nos bairros, seja nos espaços por eles adaptados às suas representações e expressões culturais. Nesses processos migratórios percebem-se sentidos, significados e demais aspectos produzidos por uma “imagem” do nordestino alegoricamente representado em conceitos e preconceitos ao longo das gerações ligadas a essas migrações. Assim, podem-se compreender, a partir dos mecanismos dessa criação e representação, as diversificadas identificações que contribuem para o entendimento do que é o território cultural e das identidades especialmente permeado pela ideia de regionalização, criticada pela condensação já posta na história do Nordeste e pelo que ele representa. Como metodologia, buscam-se nos discursos produzidos pelos sujeitos históricos, por meio da história oral, as diversas experiências que possam delimitar e definir as reinvenções e ressignificações da literatura de cordel relacionadas a seu pleito enquanto patrimônio imaterial nacional. Dos territórios e suas imagens nas cidades tenta-se apreender a sua legitimidade e a manutenção tanto referente ao imaginário popular como aos recantos nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro protagonistas desses sentidos do patrimônio migrante do cordel.
Palavras-chave: São Paulo, Rio de Janeiro, patrimônio, literatura de cordel, migrações.
Abstract: The migrations of Northeastern people form new cultural territories in Brazil and reinvent their heritage, using allegories and symbols, and combining their various meanings given over time by innumerable “(re)invention” questions. The new cultural territories formed from the insertion of social subjects in metropolitan cities such as São Paulo and Rio de Janeiro are making their marks and trajectories, whether in the neighborhoods or in the territories they adapt to their representations and cultural expressions. In these migratory processes, we perceive meanings and other aspects produced by an "image" of the Northeastern, allegorically represented in concepts and preconceptions throughout the generations of these migrants. Thus, it is possible to understand, from the mechanisms of this creation and representation, the diversified identifications that corroborate the understanding of what is the cultural territory and identities, especially permeated by the idea of regionalization, criticized by the condensation already posed in the history of the Northeast and what it represents. As a methodology, the paper utilizes discourses produced by historical subjects, through Oral History, the various experiences that can delimit and define the reinventions and re-significances of cordel literature together with their suit as a national intangible heritage. From the territories and their images in the cities, the paper tries to apprehend their legitimacy and maintenance, both with reference to popular imagination, and in the nooks and crannies of the cities of São Paulo and Rio de Janeiro, protagonists of these meanings of the migrant cordel heritage.
Keywords: São Paulo, Rio de Janeiro, heritage, cordel literature, migrations.
Introdução
As representações culturais de referência nordestina, por vezes condicionadas a conceitos predefinidos pela relação com a regionalização, efetivada no que Albuquerque Jr. chama de “nordestinidade”, redimensionam muitas das referências reais e pejorativas sobre o universo desses símbolos e sentidos dados ao longo do tempo, seja pelos inúmeros imaginários de “invenção”, seja pela criação dos conceitos acerca da regionalidade. (Angelo, Barros, 2018) Esse processo de regionalização representa, grosso modo, a ideia de comunidade imaginada, pois se apresenta como uma formulação de estereótipos “a partir de vetores sociais, entre os quais a fome, a miséria e a segregação social aludem a invenção literária da segunda década do século XXI, assolada pelo imaginário da sociedade como um todo” (Albuquerque Jr., 1999: 25-26).
Em razão dessas representações culturais remetidas ao condicionamento nordestino, os territórios passam também a ser imaginados, entre eles os recriados a partir dos processos migratórios, cujas referências caminham, acabam se (re)inventando em formatos distintos, como as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, consideradas maiores expoentes das migrações nordestinas.
Na formação de novos contextos socioculturais, percebem-se relações estreitamente ligadas aos processos de (re)invenção, pois esses “novos” territórios, formados por referências e representações que configuram os sentidos, significados e signos dos diversos grupos do Nordeste, “corroboram na unificação da textura identitária, considerada pela gama de elementos criados e imaginados por cidade/estado, que se afinam pela ‘imagem’ produzida do nordestino alegoricamente[2] representado” (Albuquerque Jr., 1999: 25-26).
Esses territórios, formados por sujeitos históricos que trazem das regiões, estados e cidades nordestinas uma multiplicidade de referências e acabam formando vínculos, ganham uma imagem coletiva mantenedora de “identidades do povo nordestino”. Recriam-se essas representações no novo lugar de memória, como no caso dos centros culturais e demais instituições que ratificam essa perspectiva, mesmo que identifiquem ali uma diferenciação significativa dos variados Nordestes, já que muitos lugares são formas de invenção de processos mercantilizados desse Nordeste. (Angelo, Barros, 2018)
Nesta investigação, busca-se compreender as diversificadas formações dos territórios nordestinos do cordel tanto na cidade do Rio de Janeiro quanto em São Paulo, pois, além do reconhecimento pela multiplicidade de expressões caracterizando sentidos do Nordeste, são territórios criados a partir do próprio fenômeno migratório. Como território cultural privilegia-se em São Paulo, o Centro de Tradições Nordestinas, além da ideia de criação de espaços volantes, como a República do Cordel[3]; e no Rio de Janeiro, a Feira de São Cristóvão e a Academia Brasileira de Literatura de Cordel, especialmente buscando nesses locais as relações entre os cordelistas, repentistas, poetas e a prática poética de reivindicação dessa representação de si nos territórios.
Nessa proposta, compreendem-se as relações que vão sendo tecidas pelos visitantes nos territórios culturais[4], ao exercerem aproximações afetivas nos diversos recantos, como formas de ligação de si e de seus antepassados, parentes e amigos, e verifica-se como observam esse acolhimento dos sentidos das expressões culturais, a exemplo da literatura de cordel.
Por meio da História Oral[5], este artigo busca compreender os significados de formação dos territórios e as reivindicações acerca do cordel, seja como um interlocutor para as artes populares, seja como protagonista das diversas formas de interação do cordel com a cidade, os sujeitos, os sentidos dados ao longo do tempo e mesmo a própria trajetória confirmada nos anseios de manutenção dessa representação cultural.
Ao passo que os territórios se condensam sobre experiências sociais vividas, as representações vão também emergindo como formas de ligação entre os diversos sujeitos da sociedade, que juntos transformam os sentidos do seu legado, herança e patrimônio do grupo. Assim, o patrimônio da migração torna-se a ressignificação das diversas representações trazidas e reorganizadas nos territórios tanto do Rio de Janeiro quanto de São Paulo, tendo similaridades e diferenças na união de esforços na relação com o pertencer, ser e significar desses territórios, especialmente no momento do pleito da literatura de cordel ao título de patrimônio imaterial nacional. Essa definição, conquistada no ano de 2018, aproxima os interlocutores dos processos de reinvenção e ressignificação ao longo da trajetória da literatura de cordel no Brasil como símbolo da cultura popular.
Rio de Janeiro: ABLC, Feira de São Cristóvão e os territórios de cordel
Na cidade do Rio de Janeiro, alguns territórios[6] culturais, como a Feira de São Cristóvão e a Academia Brasileira de Literatura de Cordel, foram criados a partir de necessidades dos processos migratórios, seja em função de identidades, seja da afirmação dos sujeitos no espaço. Esses territórios, por sinal, favorecem a compreensão de que são palcos privilegiados de processos simbólico-territoriais de sentidos dos grupos, a partir de práticas culturais e devocionais que viajaram pelo Brasil e se alocaram na cidade, no bairro e no seu “novo lugar”, pois se compreendem esses lugares enquanto demandas de sujeitos históricos nordestinos, referenciando novos sentidos a partir do universo coletivo.
Os processos identitários são formados pelos sujeitos que se reconhecem – de feições, jeitos e traços culturais a pertencimentos diversificados – e corroboram a formação das características que os inserem nos seus lugares de produção de sentidos, ou seja, a maneira como se produz coletiva e individualmente o sujeito nordestino no Rio de Janeiro, ou o nordestino carioca, fluminense, e mesmo nos estados de onde vieram, com caracterizações e semelhanças capazes de identificar e afirmar os “lugares”. No Rio de Janeiro, os paus de arara chegaram por São Cristóvão, onde encontraram terreno fértil e assentaram suas vidas, iniciando a formação de um território cultural nordestino. Esse, por sinal, foi sendo transformado, em seus aspectos cotidianos, hábitos, costumes e formas de interação e sentidos, que conferiram ao território seus critérios, tradições e jeitos, definindo com isso o cenário do lugar.
Esses grupos sociais[7], constituídos a partir da (re)territorialização de espaços, como é o caso da feira de rua formada antes da concepção do Pavilhão de São Cristóvão, nasceram da chegada e assentamento dos nordestinos na cidade, desse momento em que estabelecem vínculos de trabalho, de lazer e mesmo de tempo livre com novos grupos, sujeitos e com as próprias identidades e identificações entre si. Assim, a feira passa a ser um lugar de memória, um território e um espaço (re)territorializado.
[...] a Feira representava uma iniciativa de resistência e de sobrevivência dos migrantes, que tentavam ultrapassar as dificuldades do desenraizamento a partir da produção de um espaço informal. A Feira teria se formado pelo uso do Campo de São Cristóvão, na Zona Norte da cidade, como ponto de chegada e de partida de migrantes nordestinos. O transporte irregular era realizado em caminhões (os paus-de-arara)[8] que se caracterizavam em alternativas baratas ao transporte formal (Chaves, 1999: 15).
Nessa produção de sentidos, os sujeitos alinham seus interesses e necessidades aos do grupo, pelo menos no território da Feira de São Cristóvão, atrelado à ideia de “lugar do nordestino” na cidade, com a produção de músicas e sonoridades relacionadas às tradições do seu Estado, ao lugar de produção de seus gostos, combinados a uma série de atributos, em consonância com o que Ennes e Marcon (2014) salientam: os atores sociais de algum modo articulados a grupos; as formas de integração do pertencimento; os elementos morais que os unem; e os contextos na produção de sentidos. Aqui, o território passa a ser um espaço de sociabilidade, de luta e de identificação.
Segundo a concepção de Nemer (2012: 31), a formação da feira se liga com as expressões nordestinas no que tange ao território de memórias, de comida, de cores, sabores e histórias, entre as quais o cordel se sobressai enquanto forma de interação.
Era o Nordeste que ressurgia no cheiro do sarapatel, nos objetos coloridos vendidos em esteiras estendidas pelo chão, nos acordes da viola, nos falares típicos e, acima de tudo, nas vozes dos poetas que traziam de volta as histórias que, desde a infância, o público ali reunido se acostumara a ouvir nas feiras e mercados de sua terra natal. Essas histórias e essas memórias, que têm como corolário o drama das secas e o fenômeno da migração, constituem, na visão do retirante, o primeiro capítulo da história da Feira de São Cristóvão (Nemer, 2012: 31).
Refere ainda que o cordel era na feira uma forma de representar a saga da migração, a história e a memória do povo e a sua mudança para o Rio de Janeiro. Poetas como José João dos Santos (Mestre Azulão), Raimundo Santa Helena, Gonçalo Ferreira da Silva, estes considerados cordelistas da primeira geração, e Sepalo Campelo, Chico Sales, Marcus Lucenna, da segunda geração, formaram a memória do cordel na cidade, nos territórios culturais e na memória da sociedade.
Espaço privilegiado para a venda de folhetos, apresentação de cantadores e duelos de repentistas, o “Cantinho da poesia” era uma espécie de microcosmo da cultura nordestina praticada na Feira de São Cristóvão que, por sua vez, atuava como um ponto no mapa da cidade do Rio de Janeiro reservado à música, à literatura, aos produtos da culinária e do artesanato do Nordeste, reservado, enfim, à preservação da identidade e da memória dos migrantes nordestinos no novo destino (Nemer, 2012: 61).
Segundo Nemer (2012: 295), “a memória das lutas que o cordel e os cordelistas tentam preservar, o poder público busca, sistematicamente, apagar [...]”. A autora se refere às memórias tematizadas nos folhetos dos cordéis, contando a saga das lutas pelo espaço, pelo lugar e pelo território compreendido no atual pavilhão. Nessa referência, exalta os folhetos de cordel como memória da luta pela feira, como uma literatura de resistência, invocada em “depoimentos e representada nos acervos dos cordelistas que como homens-memória reproduzem no presente as lutas do passado, fazendo com que estas permaneçam vivas a despeito dos mecanismos de silenciamento que foram e continuam sendo impostos” (Nemer, 2012: 295).
Além desses homens-memória, as mulheres cordelistas no Rio de Janeiro também despontam na formação desses territórios, mesmo após a feira e a própria ABLC. Dona Mena (Maria do Livramento Lima), esposa do Mestre Gonçalo Ferreira da Silva, considerada madrinha dos cordelistas, narra um pouco da inserção do gênero feminino ao cordel no Rio de Janeiro:
Quando nós começamos a feira do livro na Feira de São Cristóvão, não tinha nenhuma mulher, aí depois chegou a Dalinha, Redondilha, aqui no Rio de Janeiro, que é poeta. E outra, eu não sou poeta, mas eu amo o cordel, eu acompanho o baião de viola, mas o meu Gonçalo. E é bom ter mais mulher, pra escrever mais, pra não ficar só os homens, escrevendo só, e cadê as mulheres dos homens? Que não faz nada? Porque mais cordel que tem, é melhor pra todo mundo. Aí eu digo mais, as mulheres estão escrevendo bem, e é melhor ter mais mulher, é melhor pra todo mundo. Agora, no Ceará, tem muita mulher que escreve muito bem, aquela mulher Alba Helena Corrêa mora aqui no Rio de Janeiro, a Redondilha mora aqui no Rio, que é poeta também, e a Dalinha também mora aqui no Rio, e de mulher, só essas. Quando nós comecemos o cordel, não tinha mulher, não existia nenhuma, essas que estão fazendo agora apareceram depois que nós fundamos a academia de cordel. E outra, pode ver que nasce mais mulher, porque quanto mais mulher é melhor... (Lima, 2018).
A Academia Brasileira de Literatura de Cordel (Figura 1), fundada no dia 7 de setembro de 1988 com membros como os cordelistas Gonçalo Ferreira da Silva (presidente), Apolônio Alves dos Santos (vice-presidente) e Hélio Dutra (diretor cultural), tornou-se um dos símbolos do cordel na cidade. Ao longo dos anos ampliou-se e disseminou um acervo significativo de cordéis, contando na atualidade com o corpo acadêmico de 40 cadeiras de membros efetivos.

Fora esses redutos, o cordel também possui alguns lugares de referência, por exemplo, a Casa Rui Barbosa, que se tornou um dos ícones do cordel, pois, além de deter um acervo significativo de folhetos, doados por diversos colecionadores, como Manoel Cavalcanti Proença, Manuel Diegues Junior, Sebastião Nunes Batista e Orígenes Lessa, “se destacava, na época em que Gonçalo iniciou suas atividades como cordelista e estudioso de cordel, como um dos mais importantes centros de pesquisa do Brasil sobre Literatura Popular em Versos” (Nemer, 2012: 115).

Outros territórios formam a saga nordestina na cidade do Rio de Janeiro, mas alguns são símbolos e ícones de expressões como a literatura de cordel, entre eles a Feira de São Cristóvão (Figura 2) e a Academia Brasileira de Literatura de Cordel.
São Paulo e os territórios culturais do Cordel
A história do povo nordestino na cidade de São Paulo é muitas vezes vinculada a alguns lugares específicos de assentamento e apropriação, com uma concentração em bairros como Santo Amaro na zona sul, ou, conforme aponta registro de migrantes efetuado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2012), em bairros das regiões centrais e da zona leste da cidade. Em especial estão elencados os bairros de maior concentração desses grupos: Barra Funda, Bela Vista, Brás, Brasilândia, Cambuci, Campo Limpo, Capelinha, Colônia, Glicério, Grajaú, Heliópolis, Freguesia do Ó, Interlagos, Itaquera, Jaçanã, Jardim João XXIII, Jardim Ângela, Jardim Bonfiglioli, Jardim Colombo, Jardim Londrina, Jardim Peri, Jardim Rebouças, Jardim Taboão, Limão, Mooca, Vila Alpina, Vila Carioca, Vila Industrial, Vila Nova Cachoerinha, Vila Sônia, Pirituba, Santo Amaro, São Miguel Paulista e Socorro.
Nessa mistura de bairros e zonas da cidade incorpora-se o sujeito histórico migrante, que, ao vir para São Paulo, carrega representações de outros territórios cujos sentidos são referência de sua vida e história. Apesar de o Nordeste do país ter um histórico de repulsão calcado na pobreza, também a seca e outras motivações o transformaram num dos polos de maior deslocamento do país, haja vista seus quantitativos de saídas. Esses sujeitos concentraram-se em sua maioria na região Sudeste, uma vez que se trata de um dos polos de atração com maior esforço de desenvolvimento.
A organização espacial teve êxito em Santo Amaro, zona sul da cidade, especialmente em razão do comércio de produtos nordestinos no Largo Treze de Maio, que, nas proximidades do terminal rodoviário, conserva uma composição com características do Nordeste em São Paulo, pois a mão de obra direcionava-se para onde o capital indicava interesse. “A força de atração constituía em traição, isto é, já partiam atraídos como mão-de-obra barata nas ardiduras do capitalismo” (Galhardo, 2007: 03).
Conforme pesquisas desenvolvidas pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada em 2011, cerca de 45% da população paulistana é composta de nordestinos e seus descendentes. Em Santo Amaro, o comércio popularizado merece atenção, pois traz elementos que configuram um território nordestino, seja nas cores, nos sabores ou nos sentidos dados a esses objetos. No entorno do Terminal Santo Amaro se concentram lojas com diversidade de produtos oriundos dos nove estados, estando os itens do Ceará entre os mais procurados pelo gosto do consumidor local (IPEA, 2011). O bairro já faz parte do imaginário dos nordestinos da cidade, destacando-se na história da mobilidade e transformação dos espaços pelos migrantes.
Além desse reconhecido reduto de comércio, encontram-se movimentos culturais populares que se atêm à cultura popular nordestina. No ano de 2003, foi inaugurado o Núcleo de Cultura Popular e Repente de Viola, na Biblioteca Belmonte, situada no mesmo bairro. Criado pelos próprios artistas da comunidade, formou-se a partir do encontro de “poetas cordelistas, repentistas, compositores, apreciadores da cultura popular, além da importantíssima participação da coordenadora da biblioteca, que incentivou a criação do núcleo, cedendo espaço e organizando recursos humanos e estrutura para o projeto” (Santos, 2017)[9].
Entre as atividades desenvolvidas nos espaços da biblioteca temática, discutem-se âmbitos entre o popular, a tradição, a devoção e a diversão, além dos encontros envolvendo a culinária, das feiras e muitos outros atrativos que carregam não somente os signos do nordestino, mas as representações do povo. O acervo possui uma diversidade de objetos, cordéis, quadros, livros, periódicos, jornais, arte popular em cerâmica, artesanato popular, entre muitas representações populares dos nove estados que compõem o Nordeste brasileiro.

Dos territórios culturais compostos pelos nordestinos em São Paulo, tanto o Centro de Tradições Nordestinas - CTN quanto a Biblioteca Belmonte (Figura 3) se sobressaem pela quantidade de atrações, pelo público alcançado e pela diversidade de elos com a terra natal. A biblioteca, além da concepção e organização do acervo, conta com participantes do entorno a fim de disseminar e manter a cultura popular como pano de fundo, promovendo oficinas, concursos, cursos, atividades de sociabilidade e interação com a comunidade de coparticipantes e de produtores de saberes da cultura nordestina, como repentistas, cordelistas, mestres de bonecos mamulengos, entre outros.
Por sua vez, o CTN, outro símbolo do nordestino na cidade, vem oferecer uma relação singular enquanto território de lazer, cultura e entretenimento para os nordestinos e seus descendentes, além de ser um dos atrativos de São Paulo. Sua história está ligada a um empresário paulistano, José de Abreu, que fundou em 1990 a primeira rádio, a Rádio Atual (AM 1370 kHz), com o intuito de trazer música nordestina para a cidade. Em maio de 1991, foi inaugurado o Centro de Tradições Nordestinas - CTN tendo como princípio a mesma intenção da rádio, ou seja, “reconhecer a cultura nordestina e homenagear esse povo tão sofrido e discriminado que ajudou a construir São Paulo, hoje a sétima maior cidade do mundo em população”, segundo Cristina Abreu (2016: 18).
Com o intuito de trazer um pouco do Nordeste para a grande cidade, algumas instituições foram ao longo dos anos configurando elos com o popular e as expressões vivas do sujeito histórico entendido como partícipe da constituição desse importante espaço geográfico do país. Apesar da ideia de migrações culturais, abordada por Bhaba (1998: 241), como forma de circulação de símbolos e signos acerca de locais e contextos em sistemas de valorização específicos, a tradição oral dessa forma literária, a literatura de cordel, acaba por transmutar-se para a imagética na contemporaneidade, quando se vê sua estética condensada na televisão e no cinema (Nemer, 2007).
A República do Cordel, a paulistanidade e o patrimônio da migração
A literatura de cordel, após o processo de reconhecimento pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN/MinC), recebeu no dia 19 de setembro de 2018 o título de patrimônio imaterial[10] do Brasil[11]. Como expressão literária dos nordestinos, ela se utiliza de versos para alcançar o maior público possível, em meio à forma, ao conteúdo e à disponibilização pela oralidade, historicamente foi concebida para ser memorizada, cantada e fruída coletivamente.
A tradição oral medieval no Brasil surgiu com os primeiros colonizadores portugueses, e foi introduzida na região do Nordeste pela similaridade de sua concepção geográfica. Assim, a oralidade disseminada pela literatura de cordel em forma de rima e por meio de poemas foi passando de geração para geração na região, sendo uma das mais significativas características populares. Na figura do cordelista cearense Patativa do Assaré, reconhecidamente musicado por Luiz Gonzaga, na leitura das relações difíceis da população com o lugar, essa representação da cultura oral resguardada pela rima de temas do cotidiano, da história e das mazelas do povo promovida por feiras, ruas e lugares populares em forma de folhetos de cordel[12] vem sobrevivendo nas grandes cidades.
A literatura de cordel tem sua história fundamentada nos meios populares. O folheto de cordel era distribuído principalmente por aqueles que não sabiam ler e escrever, que tinham na oralidade a possibilidade de compreensão, constituindo um meio de informação para as camadas mais pobres. Em Triste partida, a saga do migrante arrebatado pelo imaginário de conseguir melhores condições de sobrevivência permeia os discursos produzidos em torno do processo.
Na concepção dos signos e símbolos do Nordeste, encontra-se uma vasta discussão sobre o que é “nordestinidade”. Nessa configuração de elementos simbólicos do “nordestino” enquanto sujeito único está a leitura de composições e recomposições dos discursos produzidos sobre o “ser nordestino”, ou seja, o pobre, o humilde, na saga por uma vida melhor, representando, portanto, a ficção e a cultura inculcada pela relativização dos sentidos sobre o migrante e o que ele representa. Dessa forma, percebe-se ainda que a representação do Nordeste é uma referência geograficamente construída de estereotipadas imagens acerca de nordestinos, como afirma Albuquerque Jr. (2006).
Muitas críticas e tentativas teóricas de reversão dessa imagem vêm sendo examinadas em políticas culturais reivindicatórias que propõem repensar essa estereotipação dos sujeitos e o que representam, revisando, dessa forma, o conceito dessa “nordestinidade” que, como menciona Albuquerque Jr. (2006: 24), acaba “reforçando e reafirmando mitologias em torno do espaço nordestino e de seus habitantes”. E, ao mesmo tempo, procuram repensar essa “repetição regular de determinados enunciados que são tidos como definidores do caráter da região e de seu povo, que falam de sua verdade mais interior”.
Muitos discursos contrários a esse estereótipo negativo têm buscado desmontar o caráter simplificador, homogeneizante, cristalizador e voraz de determinismos sobre o Nordeste e suas representações. Apesar disso, outras pesquisas revelam afirmativamente essa nordestinidade como uma forma de identidade do povo enquanto enaltecimento, mas esse pensamento relativizado pelo discurso interno não tem representatividade em todos os ambientes e sociedades.
Na contramão dessa vertente encontram-se discursos preocupados com o patrimônio, a representação e conservação do passado e a afirmação identitária que corroboram a memória e a ideia de revitalização, muitas vezes polarizada na dimensão dos usos e abusos da patrimonialização como modo de mercantilizar esse passado. No entanto, algumas ações e políticas vêm de encontro a essa tentativa de manutenção cultural pelos discursos de identidade.
Para compreender o uso e a tradição do cordel faz-se necessário perceber que seu espaço de atuação é constitutivamente próprio, com seus símbolos e concepções temporais, elaborando formas de interação únicas em que o popular surge de maneira compreensível e acessível, pois é compreendido enquanto um grande nicho de diversidade. Os sujeitos históricos do cordel também formam seus próprios símbolos, sentidos e significados na literatura, compõem suas histórias e as histórias que “descrevem” seus folhetos e suas provocações.
Na sua história, era nas praças e nos lugares mais simples visitados e utilizados pela população pobre que circulava o cordel, sempre comercializado em bancas verticais, onde a escolha do povo refletia a demanda por novos temas. Foi ao longo dos anos repercutindo e se afirmando em outros territórios, mesmo que de forma incipiente, mas sobreviveu às mudanças da sociedade contemporânea.
Em São Paulo, além dos lugares mais comuns onde se vive ainda o cordel, como o CTN e a Biblioteca Belmonte, em bares, restaurantes, lojas e demais espaço de comercialização de produtos nordestinos, como o Largo Treze de Maio, em Santo Amaro, e o próprio centro da cidade, a literatura ainda representa a história e a memória dos nordestinos e sua inserção nessa nova realidade. Nessa perspectiva, foi criado em 2017 um projeto de representação da literatura de cordel nas praças, a “República do Cordel” (Figura 4). Sobre esse projeto, que ora já se tornou realidade, o jornalista Marcelo Fraga, um dos seus protagonistas e mentores, menciona:
A República do Cordel é um movimento que nasceu em São Paulo com a chegada do Marcelo Fraga [risos] com o cordel em São Paulo, onde a gente viu a necessidade de trazê-los de volta às praças, porque os paulistas têm uma característica muito, né, de ficar sozinho, isolado, aquela história... E depois, como o cordel saiu de todo o Brasil, praticamente, pelo menos aqui no Sudeste, na época da ditadura das praças, o que nós fizemos, nós voltamos, nós voltamos às praças, agora nós já estamos em duas feiras, oficialmente já, de artesanato, da Praça da República e do Ibirapuera, e já com convite até da própria prefeitura pra que a gente tome conta das outras praças. Por exemplo, também, e de outros espaços, como a avenida Paulista aos domingos, né, onde existe a promoção. Então, são cordelistas, eu, os cordelistas daqui é que estão fazendo esse movimento. E agora nós estamos inclusive num grupo, né, fizemos um grupo, a República do Cordel, e já estamos contatando cordelistas de outros estados pra criar essa rede. Inclusive tem cordelistas chamando pra que esse movimento se torne um movimento nacional: República Nacional do Cordel, que seria o Brasil, entendeu? (Fraga, 2017)
Essas redes constituem formas de interação e de renovação das identificações com a memória do grupo. Tendo na oralidade seu expoente, o patrimônio poético nordestino e o cordel apoiam-se tanto na produção escrita como na oral, pois, além de serem fontes de trabalho, trazem informações e cultura, e também se formam como “[...] protesto, resistência, informação e lazer, são textos que conferem vida às feiras nordestinas, seja animando-as com as cantorias dos cordelistas, seja garantindo-lhes o ganha-pão” (Brasileiro, Silveira, 2013: 05).
Para Poulot (2009), o patrimônio está inscrito nas relações entre história e memória e, ao evocar seus valores advindos do enraizamento nas dimensões entre o, “sensível” das identidades pessoais e sociais, as afinidades religiosas, as culturas populares e até mesmo as mitologias, transforma-se em elemento significativo para a sociedade. Nesse sentido, o patrimônio vai sendo enraizado nesses novos territórios pelas sensibilidades e identidades de sujeitos e coletividades dos processos migratórios, trazendo seus bens culturais e símbolos de pertencimento à terra natal.
O patrimônio imaterial aqui representado é produzido por interlocutores que, obviamente, creditam a ele uma missão, como chama Alivizatou (2012: 139), possibilitar “agir num mundo cada vez mais global e interconectado de modo a manter um sentimento de identidade e de continuidade”, especialmente por considerar a autenticidade revelada e cristalizada pelos valores dos atores sociais militantes da salvaguarda e do registro.
As migrações carregam expressões e as mantêm à medida que essas representam as lutas dos sujeitos pelo espaço, pelo território, pela história e mesmo pela memória de seus antepassados, além de construir o sentido do seu apelo às imagens que figuram esforços de pertencimento e de diversidade. Ao passo que pertencem no espaço criado, também divergem pelos seus signos. Esses, por sinal, vão reinscrevendo as relações de poder exercidas nesses novos territórios culturais.

Por meio da República do Cordel (Figura 5), os cordelistas da cidade têm o intuito de agrupar seus trabalhos e promover a literatura. Desde a comercialização até o saber-fazer vão sendo tratados e renovados na proposta de voltar à praça, onde começaram as ideias. Esse retorno simboliza a rua, o popular e a acessibilidade a todos os grupos da sociedade, especialmente os desprivilegiados. O acesso e o reconhecimento da literatura de cordel na praça figuram uma retomada da cultura popular, assinalando novos desafios da comunidade partícipe desse processo, ou seja, os próprios cordelistas e suas vozes numa cidade como São Paulo, onde o conceito é de paulistanidade[14].
No campo da educação, muitas são as ações que corroboram a permanência dessa cultura popular, pois projetos de educação patrimonial e inclusiva tendem a levar à sala de aula, conteúdos ludicamente oferecidos pela rima. As iniciativas que buscam salvaguardar a memória do cordel revelam-se ações de garantia da produção, comercialização e história desse povo, que encontrou em tal forma de concepção literária um meio de manutenção cultural.
Há também ações depredatórias de mercantilização e patrimonialização de objetos, histórias e memórias, que, grosso modo, vão diluindo na esfera do consumo as relações humanas e suas histórias, que, ora barbarizadas pela sociedade, não emergem pela necessidade de manter a tradição oral, mas de se alcançar diferenciação pelo valor a ela atribuído. Da concepção de nordestinidade fica a preocupação em manter as identidades de maneira singular, como luta pela essência, pelos saberes e sua importância, não pela unificação de sujeitos e territórios baseados em discursos da diferença.
Além de relacionar os territórios e seus sentidos como laços de pertencimento e identidade e suas formas de diálogo, o cordel está assentado enquanto patrimônio cultural imaterial, fortalecendo os modos de manutenção e ressignificação das mais variadas identidades individuais e coletivas, ao despertar e assegurar de maneira afirmativa o sentimento de pertencimento e de especificidade, conforme menciona Albagli (2004). Assim, como pilar das políticas de patrimonialização, determina a valorização dos sentidos, das emoções e das vivências, no caso, das relações de reinvenção do cordel nas grandes cidades da migração nordestina no país.
Algumas considerações
Os migrantes e a migração fazem parte do olhar sobre as cidades, das cidades em si, da sua essência e sua transformação ao longo dos anos. Do início até o período abordado, abrangendo a formação da Feira de São Cristóvão e do Cento de Tradições Nordestinas, muitas são as interpretações e os estudos sobre os contextos de formação do território. Esse território, constituído a partir das relações sociais vividas, entremeia os sentidos e significados do que é “ser nordestino” tanto na cidade de São Paulo quanto no Rio de Janeiro. Tal relação se estabelece em meio a preconceitos e estereótipos advindos da elitização de lugares, especulação imobiliária, favelização e outros meios de separação de pessoas pela classe, pelo gênero e pelo lugar.
Como ponto de partida, o conceito de cidade em que se amalgamam os sujeitos e tudo que produzem como sensibilidades e formas de criar identificações orienta a definição e conceituação dos territórios enquanto reorganizações da vida cotidiana com sentidos e sentimentos do passado. As mudanças e as permanências se constituem a partir dos sentidos dados nesse novo lugar, onde se concentram as relações dinamizadas pela formação desse território, local em que se mantém de certa forma uma relação mais estreita com a terra natal, com o Nordeste dos antepassados, configurando uma imagem criada pela mídia, pelas narrativas do passado ou ainda pelos anseios relacionados ao passado. A referência de “ser nordestino” em cidades metropolitanas como Rio de Janeiro e São Paulo delineia novos sujeitos que divergem e convergem em momentos distintos para a conformação das identidades, muitas vezes forjadas pela necessidade de afirmação do passado e negadas pelas relações do presente.
O nordestino se (re)configura nesses territórios, muitos são os contrastes, mas as vozes tentam definir o passado como ponto de partida de si, de seus anseios e de suas angústias. O que parece certo é a direção de manter viva a memória dos sujeitos que trouxeram para a cidade e para o bairro esse ar de “diferente”, de “singular” e de “plural”. Os sujeitos e os lugares transformados em memórias carregam as identificações da terra natal, do imaginário das pessoas e mesmo dos que vieram em busca de uma nova vida. Os estereótipos existem, cabe a cada um redesenhar os conceitos de si e do lugar para que este seja efetivamente um lugar de saudade, de identificação e de relação onde cada indivíduo colabore para a formação e desmistificação da memória, de forma coletiva.
Como resultado, além de o cordel ser apresentado na perspectiva de manutenção e valorização das identidades, acolhem-se outras expressões que demonstram os lugares de onde vieram os nordestinos. São Paulo tem, em projetos como a República do Cordel, a Biblioteca Belmonte e o próprio CTN, uma (re)invenção, buscando não somente ressignificar o cordel, mas trazê-lo para o ambiente das praças e para os sujeitos que buscam manter viva essa expressão do povo brasileiro. Já o Rio de Janeiro promove a articulação dos cordelistas pela Academia Brasileira de Literatura de Cordel, além de disseminar os folhetos na Feira de São Cristóvão, considerada um dos redutos do povo nordestino e de todos que apreciam a cultura popular do Brasil.
A literatura de cordel é patrimônio imaterial, carregada de sentidos e memórias do passado, dos seus usos no presente e para o futuro da sua simbologia regional. Ao mesmo tempo a salvaguarda do cordel está intrinsecamente ligada aos atores sociais que detêm e criam os valores de autenticidade. Como patrimônio imaterial nacional, assenta-se na necessidade de manutenção da memória e da trajetória conquistada pelos grupos de cordelistas ao longo das gerações tanto nordestinas quanto de seus descendentes, que formaram no Sudeste novos territórios de expressões populares como o “cordel”.
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Notas
Autor notes