O PACÍFICO COLOMBIANO, DE REGIÃO A PAISAGEM: UMA LEITURA DESDE O SIMBÓLICO E CULTURAL

THE COLOMBIAN PACIFIC, FROM REGION TO LANDSCAPE: A READING FROM THE SYMBOLIC AND CULTURAL

PACIFICO COLOMBIANO, DE REGIÓN A PAISAJE: UNA LECTURA DESDE LO SIMBÓLICO E CULTURAL

http://orcid.org/0000-0003-1658-842X JESICA WENDY BELTRÁN CHASQUI
Pós-graduação em Geografia da Universidade Federal de Ceará, Brasil
http://orcid.org/0000-0001-8025-2045 CHRISTIAN DENNYS MONTEIRO DE OLIVEIRA
Professor do Programa de Pós-graduação em Geografia da Universidade Federal do Ceará., Brasil

O PACÍFICO COLOMBIANO, DE REGIÃO A PAISAGEM: UMA LEITURA DESDE O SIMBÓLICO E CULTURAL

GEOSABERES: Revista de Estudos Geoeducacionais, vol. 9, núm. 19, 2018

Universidade Federal do Ceará

Recepção: 20 Agosto 2018

Aprovação: 30 Agosto 2018

Resumo: Este artigo pretende fazer uma leitura do Pacífico colombiano, desde os elementos que constituem a paisagem cultural, na medida, em que se desenvolve uma crítica ao conceito frequentemente utilizado de região, o qual, não responde ou não dá resposta às dinâmicas culturais e simbólicas que aí se tecem. Pois o Pacifico quando restrito a um recorte reduzido como região natural, empobrece seus elementos ecossistêmicos e culturais. Portanto, se propõe nesse estudo apresentar exemplos que embasam a paisagem cultural como categoria de analise, permitido a ampliação do estudo das relações e processos de transformação decisivos na composição simbólica intra-regional. Especialmente entre as comunidades negras e floresta úmida tropical.

Palavras-chave: Paisagem cultural, Pacífico Colombino, Comunidades negras.

Abstract: This article proposes a reading of the Colombia´s Pacific, from the elements that make up the concept of cultural landscape, as it is making a criticism to the concept of Region usually used, which does not respond to the cultural and symbolic dynamics that are woven there. Since the Pacific is restricted to a conception of natural region and it impoverishes their ecosystemic and cultural elements. Therefore, is proposed in this study to present examples that support the cultural landscape as a category of analysis, it is allowing the expansion of the study of relations and processes of transformation decisive in the intra-regional symbolic composition. Especially among black communities and tropical rainforest.

Keywords: Cultural landscape, Colombia’s pacific, Black communities.

Resumen: Este articulo pretende realizar una lectura del Pacifico colombiano, desde los elementos que constituyen el paisaje cultural, en la medida que se desarrolla una crítica al concepto frecuentemente usado de Región, el cual, no responde o no da respuesta a las dinámicas culturales y simbólicas que ahí se tejen. Ya que el Pacifico restricto a un recorte reducido a región natural, empobrece sus elementos ecosistémicos y culturales. Por lo tanto, se propone en este estudio presentar ejemplos sobre el paisaje cultural como categoría de análisis, permitiendo así la ampliación del estudio y las relaciones y procesos de transformación decisivos en la composición simbólica intra-regional. Especialmente entre las comunidades negras que habitan la selva húmeda tropical.

Palabras clave: Paisaje cultural, Pacifico colombiano, Comunidades negras.

INTRODUÇÃO

Os conceitos de Região e Paisagem serão discutidos no decorrer deste texto na medida em que se retratam no Pacifico colombiano, considerada como região por suas caraterísticas naturais próprias de floresta úmida tropical. Descrita comumente como uma região pobre, esquecida pelo Estado-Nação, habitada por grupos indígenas e negros, com inumeráveis rios e basta em recursos hídricos (ESCOBAR, 2010). Esta basta região se localiza ao sul oeste do país (ver Figura 1), contem uma historia de escravidão-exploração baseada na mineração de ouro, assim como de colonização, sendo o Pacífico em tempos coloniais o refúgio dos cimarrones [1], os quais se adaptaram as condições ambientais da floresta úmida tropical, adaptação que segundo Robert West em sua obra pioneira “Las Tierras bajas del Pacifico Colombiano” se deve à relação de convivência e intercambio cultural que existiu entre indígenas e negros, o qual permitiu um aprendizado por parte dos negros, sobre as forma de cultivo, de pesca, e até das formas de povoamento sobre o cursos dos rios (WEST, 2000).

Figura 1 - Localização
da Região Pacífica na Colômbia
Figura 1 - Localização da Região Pacífica na Colômbia
Fonte: Sistemas de Informação Geográfica para o Ordenamento Territorial-SIGOT.

Hoje a região Pacifica, se caracteriza não só por sua exuberante floresta, senão também, por albergar a maioria de população de ascendência negra com uma cosmoterritorialidade própria (PRIMERA, 2005), a qual se enfrenta às continuas tentativas do capital para se estabelecer na região, gerando conflitos e exercendo violência tanto material como simbólica. De forma que as comunidades negras reconhecidas oficialmente pela Lei 70 de 1993 como tais, “assume a coordenação da defesa de seus territórios; o qual permite que seus conhecimentos tradicionais fundamentados em sua relação com a natureza e sua identidade, sejam reconhecidos” (ESCOBAR, 2010, p. 20). Por tanto o pacifico como elemento material é o sustento de toda a complexidade dos elementos imateriais e simbólicos, e o cenário para o continua reafirmação da cultural negra. De maneira que se pode considerar a paisagem cultural como uma leitura que se ajusta as explicações da dinâmica sociocultural do Pacifico? Pudendo ser compreendida desde a cosmoterritorialidade negra e desde uma leitura de imagem e representação?

Com estes interrogantes, se pretende realizar uma leitura do Pacifico negro desde os conceitos de paisagem cultural e simbólica, não com o intuo de chegar a suas respostas, e sim de gerar uma discussão sobre o uso tradicional do conceito de região desde a geografia para descrever dito território na atualidade.

O CONCEITO DE REGIÃO ATRELADA AO PACIFICO COLOMBIANO

A Região como conceito tem sido ligada inicialmente aos elementos ambientais, obedecendo ao “conceito de região natural, nasce, pois, desta ideia de que o ambiente tem um certo domínio sobre a orientação do desenvolvimento da sociedade” (GOMES, 2010) ainda limitada aos elementos naturais e humanos, como meio estabilizador e diferenciador, assim o Pacifico por sua caraterística de floresta úmida tropical foi delimitada na Colômbia como região natural, junto com outras regiões naturais como a região Amazônica, Caribe, Andina, Orinoquia e Insular, cada uma caraterizada por seus elementos ambientais ecossistêmicos de vales, montanhas e florestas (ver Figura 2). Assim a Colômbia se tornou um país de Regiões, como afirma Fals Borda:

Si hay alguna cosa que le han enseñado a uno en la escuela es que Colombia es un país de regiones. En efecto, en el siglo pasado se determinó que había alrededor de ocho regiones autónomas entre las cuales no había comunicación [...] cada región era muy independiente y por eso se desarrolló en cada región su propia cultura, su propia manera de hablar, su manera de comer y sus creencias. Los paisas son muy distintos de los costeños y de los santandereanos, etc. Desde entonces la región ha adquirido una personalidad y una fuerza que caracteriza a Colombia como país. (apud SERJE, 2011, p. 183).

Figura 2 - Regiões Naturais da Colômbia.
Figura 2 - Regiões Naturais da Colômbia.
Fonte: http://www.mapadecolombia.org (Error 1: El enlace externo mapadecolombia.org. debe ser una url) (Error 2: La url mapadecolombia.org no esta bien escrita)

Mas esta divisão por de Regiões, cada uma com suas características naturais e culturais próprias, em vez de ser um componente articulador, pelo contrario, promove uma fragmentação do país; pois neste cenário de regiões, o Pacifico como região ambiental, se apresentava como um lugar inóspito, de terras baldias, não atas para a agricultura, por tanto esquecida pelo Estado, seu caratê de floresta lhe outorgo desde tempos coloniais e republicanos o caráter de selvagem e incivilizado, e só nas partes altas de montanha, na região Adina se podia gerar a civilização, pois era segundo Humboldt “aparentemente la región más favorable para el progreso de la razón, la moderación de las costumbres y la consolidación de la libertad pública” (SERJE, 2011, p. 98). Permanecendo esta concepção até os dias de hoje, na qual a nação apresenta um grande potencial de recursos naturais, que ao mesmo tempo da uma noção de isolamento que implica na diversidade de línguas e culturas (SERJE, 2011).

Neste contexto, pode ser vislumbrar o Pacifico como uma Região refugio, caraterizada por albergar população negra de descendência africana cimarrona, que encontraram nesta basta região o lugar propicio para se estabilizarem, adaptando-se as condições hostil da floresta tropical, e que nesse processo de adaptação, domesticaram as plantas e animais, introduziram novas espécies e se assentaram de forma permanente nas ribeiras dos rios, transformando assim a paisagem, e fixando limites ambientais e culturais bem definidos para sua diferençarão.

Por outra parte, esta característica de região exuberante, rica em recursos naturais e oferta ambiental, se visibiliza ante o capital e o mercado internacional para a exploração dos recursos naturais, sendo esta a forma na qual o Estado colombiano tenta integra-a ao geo-corpo estado-nação (SERJE, 2011). Porem, a exploração dos recursos naturais e a implantação de um modelo agrário direcionado a monocultura do óleo de palma; vem causando conflitos pela terra e pelo território. Como resultado daquilo, nos anos noventa se presenciam deslocamentos forçados massivos, por parte de grupos de guerrilheiros e paramilitares (hoje BACRIM-Bandas Criminais) (ESCOBAR, 2004), acompanhados de ações violentas contra a população civil, que muitas vezes são causadas por empresários vinculados a grupos paramilitares, que exploram o óleo de palma e buscam, por meio do deslocamento forcado da população negra, ampliar os limites das plantações e incrementar sua produção para os mercados mundiais (ESCOBAR, 2004). De maneira que o Pacifico se converteu em ponto estratégico para a exploração de recursos naturais, especificamente de madeira, de camarões, de minerais como ouro, e de plantação extensiva; e ao mesmo tempo é a zona de plantações e produção de psicotrópicos, de tráfico de armas, entre outros, configurando-a num lugar de conflitos, onde confluem e se sobrepõem os interesses do capital, dos ex-guerrilheiros-BACRIM, dos narcotraficantes e das comunidades negras que se resistem a deixar suas terras, terras que tem sido concedida pelo Estado através da Lei 70 de 1993.

Essa mesma terra que em tempos coloniais representava as zonas selvagem, incivilizadas, de solos inférteis, baldias etc., hoje por suas características biofísicas e a oferta ambiental se visibiliza, mas isto, não necessariamente implica uma articulação real com o Estado-central, pelo contrario, mostra que estas zonas fogem do controle estatal e do projeto nacional hegemônico, por serem espaços que “ainda” não foram incorporados à sua ordem (SERJE, 2011). Sendo esta a relação que o Estado colombiano mantém com o Pacifico na atualidade.

Neste cenário, o Pacifico moldado como uma região ambiental e cultural se torna insuficiente para sua compressão e articulação ao Estado-Nação. De forma que se propõe o conceito de Paisagem, desde um enfoque cultural e simbólico, já que à medida que vão se tecendo outros elementos que a configuram, possibilitam outras leituras, entrelaçado as formas matérias, históricas, e simbólicas que ai coexistem.

A PAISAGEM CULTURAL DA COSTA PACIFICA

A paisagem cultural, como leitura do Pacifico, parte do ponto de encontrar desde as formas materiais e imateriais, manifestada através dos simbolismos marcados pela cosmoterritorialidade das comunidades negras, os elementos que configuram o Pacifico como paisagem.

Robert West (2000), em seu trabalho pioneiro sobre o Pacifico, no qual realiza a reconstrução da paisagem cultural, elabora uma descrição sobre elementos físico-geográficos e biológicos que a conformam.

No Pacífico se distinguem dois tipos de costa ao longo da margem do Oceano, ao sul, nos departamentos do Valle do Cauca, Cauca e Nariño, com uma costa deltaica baixa, sendo estas, zonas de navegação, com uma presença importante dos manguezais. Ao norte, no departamento do Chocó há uma costa montanhosa escarpada, área de difícil aceso, devido à vegetação e ao relevo, que fizeram parte de todos os processos geológicos da formação da cordilheira ocidental.

Outra caraterística é a floresta úmida tropical e a alta pluviosidade, sendo as particularidades que mais chamaram a atenção do autor, ao afirmar que:

La característica más llamativa del área es el bosque húmedo tropical, visto desde el aire, el dosel, formado por arboles gigantes, parece un mar de sombrillas verdes que se superponen interrumpido apenas por las corrientes de agua y algunas rozas ocasionales. Cientos de ríos, frecuentemente desbordadas, corren por las faldas de las montañas y colinas por entre bosques hacia el mar (WEST, 2000, p. 8).

A Vegetação no Pacífico, chamada por West (2000) de Floresta úmida tropical verdadeira, se caracteriza por ter uma grande variedade de espécies vegetais em áreas pequenas. Já o menciona Osorio (2012), que se tem a presença de 400 espécies diferentes de árvores por hectare, o que dá uma dimensão da grande biodiversidade do Pacífico.

Por outro lado, o autor reconstruiu a paisagem do Pacifico, destacando as formas de povoamento através dos cursos dos rios e as praticas na agricultura de “tumba e pudre” técnica única de cultivo para floresta tropical:

Para la mayoría de los trópicos del mundo la agricultura de tumba y quema, lo que implica el uso del fuego para la limpieza de los terrenos. Sin embargo en la mayoría de las tierras bajas del Pacifico la alta pluviosidad y la falta de una temporada verdaderamente seca impide el uso efectivo de fuego. En su lugar se utiliza un sistema peculiar, que podríamos llamar de tumba y pudre, cuyo origen es probablemente indígena. Las semillas se riegan al voleo y los rizomas e esquejes se siembran en un terreno que aún no ha sido limpiado. Luego se tumba el monte y el rápido pudrimiento de la vegetación forma una capa de “mulch” a través de la cual se ven aparecer los brotes de las semillas y de los esquejes en espacio de una semana a diez días (WEST, 2000, p. 65-66).

West (2000) também descreve a população negra do Pacifico, como populações rurais com uma forma comum de vida, baseada na agricultura de subsistência, como a pesca e a mineração manual, ainda presente em alguns municípios. Com tudo, e em meio à complexidade da natureza que os rodeia, esta população tem se adaptado com sucesso à floresta úmida tropical, tendo encontrado nesta região o lugar propicio para reproduzir e conservar os aspectos culturais trazidos pelos ancestrais, aprendendo a navegar os rios, sendo estes as vias de transporte, e as ribeiras os lugares de moradia (WEST, 2000, p. 8), aprendendo a conhecer a floresta, e organizando seu território de acordo com suas próprias lógicas e conhecimentos. Dita adaptação se deve segundo o autor as relações que os negros tinham com os indígenas que já moram no Pacifico, e de quem eles aprenderam:

Parece que los negros aprendieron las técnicas agrícolas de los indios, así como también aprendieron de ellos sus métodos de construcción. En tiempos coloniales, los mineros españoles de las tierras bajas dependían del trabajo forzado de indígenas para alimentar las cuadrillas de esclavos. Los indios debían entregar una cierta cantidad de maíz y plátanos cultivados en sus propias tierras, o de lo contrario tenían que ir a trabajar en los terrenos pertenecientes al dueño de la mina. En tiempos de escasez de comida, a veces las mismas cuadrillas de esclavos cultivaban su comida, probablemente bajo las ordenes de un agricultor indígena (…) los negros han heredado las tradición de pesca indígena, incluyendo sus variadas técnicas (WEST, 2000, p. 66-78).

A paisagem cultural do Pacifico, descrita por West, é imprescindível para entender como foi se constituindo a cultura negra na floresta úmida tropical; processo que possibilitou o surgimento das comunidades negras, como um grupo com bases de identidade coletiva, reconhecidos como tal por meio da Lei 70 de 1993, que reconhece seus territórios coletivos e lhe dá o caráter étnico territorial e de afro colombianos.

Porem, o processo de reconstrução da paisagem cultural, baseado “nas qualidades físicas da área que são importantes para o homem e nas formas de seu uso da área, em fatos de base física e fatos de base cultural humano” (SAUER, 2012, p. 191), como se evidencia na obra de Robert West ao descrever o Pacifico e as marcas dos negros sobre a floresta úmida tropical, como as formas de povoamento ao longo dos rios, cria uma ideia de uma paisagem constituída pelas formas visíveis sobre a superfície da terra e sua composição, como uma unidade visual (COSGROVE, 2012), a qual forma parte da coerência e ordem desde uma concepção racional; na outra parte da paisagem cabe o simbólico e intangível, pois “todas as paisagens possuem significados simbólicos, porque são produto da apropriação e da transformação do meio ambiente pelo homem” (COSGREVE, 2012, p. 228). De forma que “a paisagem esta carregada de sentido, investida de afetividade por aqueles que vivem nela ou que a descobrem” (CLAVAL, 2012, p. 265) e esse fato, possibilita outra leitura à paisagem cultural das comunidades negras.

Assim uns dos fundamentos que permite entender a paisagem cultural do Pacifico, é o espaço aquático de Oslender (2008), o qual mostra como as comunidades negras em particular tem criado uma sociedade paralela ao Estado, sendo o Pacifico o meio objetivo de organização do espaço e ao mesmo tempo o meio subjetivo, fonte de memórias que vão narrando histórias sobre a Costa Pacifica (OSLENDER, 2008).

Segundo Oslender o espaço aquático se define como:

Los modos en que los elementos acuáticos como la constante presencia física o simbólica del mar, las intricadas redes fluviales, las quebradas, las cascadas, los manglares, los elevados niveles de precipitación, las importantes variaciones en las mareas y frecuentes inundaciones a gran escala- han influenciado y dado forma de manera sustancial a los patrones de vida cotidiana en la región y la manera como se han desarrollado en la series especificas a las cuencas de los ríos del Pacifico(…) El espacio acuático, entendido como localidad, enmarca los escenarios formales e informales y las relaciones sociales que las comunidades negras han construido con el tempo en sus respuestas adaptativas al entorno acuático y la manera como han tomado forma en el espacio, según una lógica acuática, por ejemplo, en los patrones de poblamiento a lo largo de los ríos [2] (OSLENDER, 2008, p.133).

Essa relação entre os elementos aquáticos e as comunidades negras, gera um sentido de apropriação e identidade especialmente pelo rio, entendido este como “os laços afetivos dos seres humanos com o meio ambiente material” (TUAN, 2015, p. 136). Aqui o rio e a floresta como lugar são “o veiculo de acontecimentos emocionalmente fortes ou é percebido como um símbolo” (TUAN, 2015, p. 136). É a partir dos rios onde se gera a mobilidade, pois é o meio de transporte, é o lugar de lazer, onde se realizam as festas religiosas, e onde cabem os mitos e as lendas. Estes elementos simbólicos que os afrodescendentes têm criado a partir de sua cosmovisão para ordenar o espaço e lhe dar sentido à paisagem, lhes permite ser parte do rio, sentir como próprio este entorno e significa-lo (PRIMERA, 2005). É dizer os negros no Pacifico habitam a floresta ao nível físico e simbólico, elevando-a como seu patrimônio natural mais importante, porque este é seu referente de identidade (PRIMERA, 2005) e fonte de vida.

Isto da ideia de que natureza é vista como um principio vital sujeita ao domínio cultural, ou a uma reintegração com “uma segunda natureza – efetivamente cultural - desabrocha da natureza primal (o grande ambiente)” (OLIVEIRA, 2018, p.16). Por tanto, distinção home-natureza, não é mais que a interpretação natureza-cultura, a qual “marca do vinculo midiático da fusão Ambipatrimonial” (OLIVEIRA, 2018, p. 20), considerando o ambipatrimonial, como a conexão da naturezas à condição humana, que configura o exercício cerimonial de vivencia, refletido nas comunidades negras do Pacifico e interpretado por meio do espaço aquático, assim o ambipatrimonio nos diz como a natureza humanizada em todo seu sentido “transmuta-se em uma forma simbólica de oikos, ou dos meios de assegurar a vida terrestre. Sejam ecumênica, econômica ou ecológica, tais casas ou templos das coletividades humanas representam a ultrapassagem da mediação geográfica sobre as imposições entrópicas do meio natural.” (OLIVEIRA, 2018, p.18).

Com tudo, o espaço aquático, evoca pensar no ambipatrimonial, por ser este resultante de uma fecunda relação do Patrimonial com o Ambiental, (OLIVEIRA, 2018), visível em todas as formas de vida humana, e espelhado especificamente na realidade objetiva do entorno aquático (natureza) do Pacifico, como são as altas precipitações, a presencia dos rios, do mar, do manguezal, próprios do ecossistema de floresta úmida tropical, no qual a cultura negra tem deixado uma marca que lhe é própria (BERQUE, 2012), como resultado das relações sociais e cotidianas que se vão tecendo com seu entorno aquático particular e os esquemas de percepção, concepção e ação, é dizer a cultura (BERQUE, 2012), lhes tem permitido apropriar-se da floresta úmida tropical (considera seu maior patrimônio ambiental), dota-la de significado e dar-lhe a esta um sentido de identidade, pertença, distinguindo-se hoje como Pacifico, como um todo.

PATRIMÔNIO AMBIENTAL: UMA PROPOSTA HOLÍSTICA DA PAISAGEM

A apropriação simbólica das comunidades negras com a floresta alude, “ao acesso, o controle, e o uso, tanto das realidades visíveis, quanto dos poderes invisíveis que os compõem, e que parecem partilhar o domínio das condições de reprodução da vida dos homens, tanto a deles próprias, quanto a dos recursos dos quais eles dependem” (GODELIER, apud HAESBAERT, 2014, p. 69). De forma, que os elementos que constituem a paisagem do Pacifico ao ser considerados patrimônio, garantem a preservação e manutenção da cultura negra.

A floresta considerada como o maior patrimônio é a base para criação e recriação de diferentes formas culturais, estas traduzidas em monumentos, imagens, pinturas, musica, instrumentos, textos, entre outras. Tornando-se um “poderoso meio através do qual sentimentos, ideias e valores são expressos” (COSGROVE, 2011, p. 8). Por exemplo, a musicalidade transmitida através da marimba de chonta [3], instrumento criado pelas comunidades negras, “constituída por lamelas de palma de chonta ou chontaduro, árvores que só existem nesse lugar”(GUTIÉRREZ, 2015, p. 4) e hoje considerado patrimônio imaterial da humanidade pela UNESCO, é uma das formas simbólicas que os negros usam para reafirmar sua cultura, vinculando amplamente as sonoridades únicas da marimba aos elementos da paisagem da floresta úmida tropical, assim como as formas sobrenaturais pois a marimba “está ligada ao espíritos e eles podem se manifestar através dela” (GUTIÉRREZ, 2015, p. 17). Segundo Birenbaum (2009, apud GUTIÉRREZ, 2015), as praticas sonoras, se vinculam amplamente as caraterísticas espaciais, como os rios, as selvas, os mangues, como também aos elementos sobrenaturais, que inspiram e compõem tais praticas, estabelecendo assim uma “sonoridade dentro do espaço físico, metafísico e social” (BIRENBAUM apud GUTIÉRREZ, 2015, p. 10).

Neste sentido a paisagem pode ser tratada como representação espacialmente delimitada (COSGROVE, 2011, p. 15). As traves dos instrumentos e sua musicalidade. De forma que a paisagem pode ser abordada desde o que Cosgrove, define como iconografia da paisagem (apud CORRÊA, 2011), ao qual se refere como “textos codificados a serem decifrados por aqueles que conhecem a cultura do lugar onde a obra de arte foi produzida” (CORRÊA, 2011, p. 14). Da mesma forma o carnaval, ritos e festejos cabem dentro desta leitura da paisagem, já que apesar do festejo ser “efêmero e transitório, perdurando por algumas horas, dias ou semanas” (MAIA, 1999, p. 204), implica uma transformação do espaço, lhe dando funções permanentes para sua realização.

Por tanto, festejos religiosos como as “balsadas” próprias das comunidades negras do Pacífico, a qual é uma romaria à virgem da nossa senhora da conceição, padroeira do município de Guapi/departamento do Cauca, que consiste em leva a santa numa balsa iluminada pelo rio Guapi, onde a festa “está compuesta de música, desfile, comidas, alumbramiento al santo patrón y la actuación verbal” (GONZÁLES, 2003, p. 28). Dando uma conotação sacra e profana, a qual é expressa por meio das atividades de caráter artístico (GONZÁLES, 2003), onde o espaço aquático, expresso através do rio, torna-se o cenário físico e simbólico para a recriação da historia negra, pois esta festa reflete a substituição das divindades africanas por cristãs, introduzidas no período de colonização; assim, “festividades como las de San Juan o las de Navidad influyeron en el canto religioso de estos grupos, quienes sustituyeron gradualmente divinidades y ritos africanos por salves a la madre de Dios, arrullos a los santos, balsadas fluviales, entre otros” (GONZÁLES, 2003, p. 6).

Porém, os rituais e musicais da cultura negra evidenciam uma ligação profunda com o espaço aquático que por elementos externos (cristão), tornando-se a base para a construção do imaginário negro, sendo a agua em suas múltiplas formas e a floresta no Pacifico a temática central das coplas [4], arrullos, alabaos [5] e outras formas poéticas (OSLENDER, 1998, p. 279), que na atualidade (arrullos e alabaos) são considerados patrimônio imaterial da Nação, como a da professora María Onoris Arboleda, habitante do município de Lopez de Micay/departamento do Cauca:

SELVA

Que hermosas selvas

Se mira desde el rio

Árboles frondosos

Que dan mucho sombrío

Se encuentran sombríos

Y muchas llanuras

También brincan sapos

Con gran frescura

La selva es bella

Con múltiples aves

Donde unas se comen

Otras no se sabe

Selvas selvitas

Selvas selvotas

Se encuentran unidas

Parecen mascotas

María Onoris Arboleda (Professora do município de Lopez de Micay, e compositora de arruyos e alabaos).

De maneira que “o imaginário não consegue manifestar-se a não ser sob formas simbólicas” (BARTOLOMÉ, 2003, p. 109), assim o imaginário negro sujeito a esse sem fundo humano do Bartolomé (2003), é o que pauta as diferentes formas nas quais a comunidades negras expressam sua relação com a natureza, com a floresta, com o rio e o mar. Evidenciando assim, uma paisagem aquática, dado que os elementos patrimoniais visualizados através da paisagem cultural possibilita visibilizar a marcante conotação simbólica que os habitantes do Pacifico atribuem-lhe à floresta, pleno de significações, de mitos e de histórias locais.

Nessa perspectiva, é possível reconhecer que a paisagem cultural como categoria espacial, se torna a interface entre natureza e cultura (CLAVAL, 2012), ou ambipatrimonial (OLIVEIRA, 2018). A qual visibiliza como o homem se relaciona com a natureza como a significa, recria e humaniza. Deste modo convém aludir ao carnaval, especificamente o carnaval de Negros e Brancos realizado em San Juan de Pasto-Nariño, sul da Colômbia, considerado patrimônio cultural imaterial da humanidade pela UNESCO, no qual a patrimonialização ao igual que na marimba de chonta e os cânticos (alabaos e arrullos), lhe da o caráter de preservação das tradições andinas e hispânicas, e reafirmação da cultura andina colombiana, onde o carnaval “adquirem um significado simbólico e econômico que extrapolam o momento de sua ocorrência, passando a exigir formas permanentes” (MAIA, 1999, p. 205), como o museu do carnaval, as oficinas dos artesãos, as casa de costura para a fabricação das roupas carnavalescas, os espaços de ensaio permanente das escolas andinas, entre outros. Segundo Maia (1999), os espaços de ensaio e formas associadas à produção cênica e culinária dos eventos são as formas permanentes para se preparar para as festividades durante o ano, estando presente no carnaval de negros e brancos, aludindo a uma espacialidade carnavalesca.

Por outra parte o Carnaval de negros e brancos possibilita a recriação de um evento histórico carregado de significados e simbolismos, no qual durante os seis dias de carnaval [6] se realiza uma brincadeira de se pintar de negro e branco os uns aos outros para “simbolizar así la igualdad y unir a todos los ciudadanos en una celebración común de la diferencia étnica y cultural.” (UNESCO, 2009, sp.) Outro elemento simbólico de destaque de dito carnaval são as grandes figuras que desfilam no ultimo dia do carnaval, as quais contam as mais diversas historias, entre mitos, lendas, acontecimentos da vida social, politica e religiosa da sociedade pastusa, permitindo aos artista “se posicionar desde seu lugar no carnaval para poder se destacar no meio artístico local” (HIDALGO, 2012 p. 40) mas também permitindo expressar ideais, posições politicas e crenças nessa relação natureza-cultura, que se tece numa sociedade andina. Evidenciando assim, uma paisagem carnavalesca que visibiliza a “variedade das formas associada à atividade humana” (CLAVAL, 2012, p. 259), tanto no âmbito politico, econômico e espiritual, em que as pessoas de todas as classes sócias se encontram para expressar sua visão de vida (UNESCO, 2009).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

No decorre do texto se realizou uma critica ao conceito de região, conceito vinculado amplamente ao Pacifico colombiano, para delimita e diferenciá-lo em termos naturais (por apresentar um ecossistema de floresta úmida tropical) e culturais (por albergar populações em sua maioria de ascendência africana). Termo que ainda é usado como analise dos aspetos culturais, territoriais, sociais e econômicos, mas que não possibilita um entendimento sobre os elementos culturais e simbólicos. E como unidade de planejamento e ordenamento territorial no país tem sido insuficiente para a sua articulação com o Estado- Nação tanto em termos socioculturais como socioeconômicos. O qual lhe tem dado à condição de “periferia da periferia” (OSLENDER, 2008) ou “tierras de nadie” (SERJE, 2011). Onde tal conotação reflete o grau de desarticulação com o território nacional.

De maneira que propor a paisagem cultural como categoria de análise, possibilita realizar outras leituras, que abrangem esse processo e relações tanto materiais como simbólicas entre as comunidades negras e o entorno local do Pacifico, onde o lugar, a identidade negra, a luta e movimentos sociais, a cosmoterritorialidade e os saberes ancestrais, forma parte da engrenagem que movimenta o Pacifico, que lhe dão forma e significado. Desde essa perspectiva a selva úmida tropical considerada como o maior patrimônio para estas comunidades, se torna o cenário perfeito para os estudos sobre o cultural e simbólico. Possibilitando assim trazer noções novas para as pesquisas sobre as negritudes, como iconografias da paisagem de Denis Cosgrove, buscando nas formas patrimoniais, na imagem, nos textos, na musica e no discurso uma compreensão entre essa relação natureza-cultura-homem, e a constituição da paisagem cultural do Pacifico.

Referências

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CORRÊA, R. L. Denis Cosgrove - A paisagem e as imagens. Espaço e Cultura, UERJ, RJ, N.29, P.7 -21, jan./jun. de 2011.

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Notas

[1] Denomina-se cimarron aos negros “rebeldes” fugitivos, que conseguiram levar uma vida em liberdade nos palenques ou quilombos, povoando assim toda a bacia do Pacifico.
[2] As formas em que os elementos aquáticos, como a constante presença física o simbólica do mar, as redes fluviais, os rios, as cachoeiras, os manguezais, o levados níveis de precipitações, as importantes variações nas mares, e frequentes inundações a grande escala- tem influenciado e dado forma substancial aos pratões de vida cotidiana da região e a forma como se tem desenvolvido na series especificas as bacias dos rios do Pacifico (...)o espaço aquático , entendido como localidade, , marca cenários formais e informais e as relações sociais que as comunidades negras tem construído com o tempo em suas respostas adaptativas ao entorno aquático e maneira se tem tornado o espaço, segundo uma lógica aquática, por exemplo, nos patrões de povoamento ao longo dos rios.
[3] A marimba da Costa Pacífica e Equatoriana, é um xilofone constituído por uma série de barras (de 18 a 24) de palma de “Chonta” (Guilielma gasipaes) ou de “Chontaduro” (Homiria procera). Os ressoadores consistem em canos de bambu (Bambusa americana) e o instrumento é percutido com baquetas, cujos extremos são formados por bolas de borracha crua que fazem contato com as lamelas para produzir o som. (GUTIÉRREZ, 2015, pg. 10).
[4] Forma poética que serve para as letras de canções populares na Colômbia.
[5] São cânticos fúnebres entonados pelas mulheres negras do Pacifico, declarados como patrimônio imaterial da nação em 2014.
[6] O carnaval de brancos e negros se realiza cada ano, começando desde o 28 de dezembro até o 6 de janeiro.
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