Artigos originais
Integração comunitária: Red Tusoco como um modelo de gestão participativa na organização do turismo local
Community integration: Red Tusoco as a participatory management model in the local tourism organization
Integración comunitaria: Red Tusoco como un modelo de gestión participativa en la organización del turismo local
Integração comunitária: Red Tusoco como um modelo de gestão participativa na organização do turismo local
Caderno Virtual de Turismo, vol. 16, núm. 2, pp. 111-125, 2016
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Recepção: 31 Outubro 2015
Aprovação: 20 Junho 2016
Resumo: A pesquisa tem como objetivo analisar o arranjo socioprodutivo de turismo de base comunitária desenvolvido pela Red Boliviana de Turismo Solidário e Comunitário – Tusoco, de modo a sistematizar informações descritivas acerca do formato de gestão do turismo pelas comunidades locais. Levou-se em consideração o fato de existirem iniciativas com dificuldades de autogestão, como a encontrada no município de Colombo/PR, na Região do Sul do Brasil, servindo de base para uma mediação entre o problema e uma possível solução. Com metodologia de pesquisa exploratória e descritiva, essa iniciativa boliviana foi escolhida como norteadora para análise e formulação de propostas a serem desenvolvidas no planejamento da atividade turística em pequenas comunidades, levando em consideração as especificidades locais. Assim, o trabalho resultou em propostas como uma gestão orgânica circular para a autonomia comunitária, planejamento de microrroteiros para a valorização da microespacialidade e laços entre pares, bem como a institucionalização de um mecanismo de turismo receptivo para superar as dificuldades da comercialização.
Palavras-chave: Turismo de Base Comunitária, Gestão Integrada, Planejamento Participativo, Comercialização.
Abstract: The research aims to analyze the community-based tourism socio-productive arrangement developed by Red Bolivian Solidarity and Community Tourism – TUSOCO in order to systematize descriptive information about tourism management format by local communities. It took into account the fact that there are initiatives difficulties of self-management, like that found in the city of Colombo / PR, in southern Brazil, providing the basis for a mediation between the problem and a possible solution. With exploratory and descriptive research methodology, this Bolivian initiative was chosen as the guideline for analysis and formulation of proposals to be developed in the planning of tourism in small communities, taking into account local specificities. Thus, the work resulted in proposals such as a circular organic management for community autonomy, micro-itineraries planning for the development of ties between microspatiality and peers as well as the institutionalization of a receptive tourism mechanism to overcome the difficulties of commercialization.
Keywords: Community-based tourism, Integrated management, Participatory Planning, Commercialization.
Resumen: La investigación tiene como objetivo analizar el acuerdo socio-productiva turismo comunitario desarrollado por Red Boliviana de Solidaridad y Turismo de la Comunidad – Tusoco con el fin de sistematizar la información descriptiva sobre el formato de la gestión del turismo por las comunidades locales. Se tuvo en cuenta el hecho de que hay iniciativas dificultades de la autogestión, como la que se encuentra en la ciudad de Colombo / PR, en el sur de Brasil, proporcionando la base para una mediación entre el problema y una posible solución. Con la metodología de investigación exploratoria y descriptiva, esta iniciativa boliviana fue elegida como la pauta para el análisis y la formulación de propuestas que se desarrollarán en la planificación del turismo en las comunidades pequeñas, teniendo en cuenta las especificidades locales. Así, el trabajo dio lugar a propuestas tales como un manejo orgánico circular por la autonomía de la comunidad, micro-itinerarios planificación para el desarrollo de las relaciones entre microespacilidade y compañeros, así como la institucionalización de un mecanismo de turismo receptivo para superar las dificultades de la comercialización.
Palabras clave: Turismo Basado en la Comunidad, Gestión Integrada, Planificación Participativa, Comercialización.
INTRODUÇÃO
A gestão do turismo principalmente em espaços não urbanos passa por desafios quando verificada a questão dos instrumentos operativos, podendo ser mencionada a fala dos atores locais que geram uma expectativa em apoio externo, como agência emissora ou ações promocionais por parte do poder público, para a dinamização do fluxo de visitantes. Das inúmeras opções para transpor os obstáculos, a formação de um tecido composto por diversos atores que participem dos benefícios da atividade turística pode se mostrar benéfica.
Nesse sentido, um modelo de rede com organização integrada e comprometida na gestão participativa, operação na base local e comunitária pode se apresentar como alternativa viabilizadora de um turismo responsável e essencialmente potencial ao desenvolvimento local. Considera-se, aqui, o turismo como parte de processos endógenos, nos quais o cerne das decisões ocorre com reflexões sobre os impactos (positivos ou negativos) no coletivo e no território local.
O presente estudo é desdobramento de uma pesquisa, na qual as autoras se propuseram a identificar e analisar modelos operativos em itinerários turísticos na Região Metropolitana de Curitiba/PR, Brasil, mais especificamente na área rural do município de Colombo, dando complementaridade a estudos anteriores de Nitsche et al. (2010), acerca de itinerários no entorno da capital paranaense.
O estudo citado apresentou recomendações à continuidade de investigações, uma vez que o itinerário vem apresentando “problemas com a ordenação turística do seu território”, perpassando pelas “dificuldades organizacionais tanto dos empreendimentos entre si como na sua relação com o poder público” (NITSCHE et al., 2010, p. 109).
Assim, em 2015, a presente pesquisa realizou observações de campo ao Circuito Italiano de Turismo Rural em Colombo/PR e entrevistas com gestores públicos e privados. Foram identificados problemas, como: ausência de interlocução efetiva entre os empreendedores participantes do circuito, lacunas no plano de comercialização, saturação no fluxo de visitação e, ainda, dificuldades de acesso do visitante aos atrativos que compõem o formato operativo vigente, evidenciando a carência de novas proposições para o itinerário.
Foi detectado que a falta de integração entre os participantes do circuito prejudica a realização de ações de interesse coletivo e sobrecarrega o poder público que acaba, com isso, se tornando o principal gestor do projeto. Observou-se que os proprietários dos empreendimentos turísticos rurais tendem a agir de forma individualizada e se sentem insatisfeitos em relação à comercialização, ao fluxo de visitantes e a aspectos gerais da organização do itinerário e das condições de infraestrutura.
Ainda, dentro das potencialidades e oportunidades, foi possível identificar que o turismo de massa não parece ser o mais adequado às características do lugar baseadas no modo de vida rural de uma colônia de imigrantes italianos, motivação das autoras em se debruçar em estudos procurando identificar e propor alternativas inovadoras àquele roteiro.
Sob a intenção de identificar na América Latina iniciativas turísticas exitosas, operadas a partir das lógicas de “arranjos socioprodutivos”, em formato de “rede”, abordados por Coriolano e Barbosa (2012) e Sampaio (2014), iniciou-se pesquisa bibliográfica, na qual se identificou a Red Boliviana de Turismo Solidário Comunitário (Red Tusoco), associação composta por grupos de organizações comunitárias campesinas e indígenas. No escopo de gestão da Red Tusoco foi encontrada, ainda, equação para os desafios de comercialização, desenvolvendo viagens comercializadas via Tusoco Viagem, agência instituída pela própria associação.
Nesse contexto, a pesquisa procurou responder se a Red Tusoco, dentro da sua atual conjuntura, poderia ser considerada um modelo demonstrativo de gestão a ponto de ser utilizada como referência em possível processo de (re)vitalização do turismo para outras iniciativas.
Para a resolução do problema de pesquisa definiu-se como objetivo central: analisar o arranjo socioprodutivo do turismo de base comunitária desenvolvido pela Red Boliviana de Turismo Solidário e Comunitário – Tusoco. E como objetivos específicos: identificar as características basilares inerentes ao Turismo Comunitário ou Turismo de Base Comunitária – TBC; realizar análise descritiva acerca do formato de gestão da Red Tusoco; e propor alternativas com foco nas dificuldades do Circuito Italiano de Turismo Rural de Colombo/PR, Brasil.
METODOLOGIA
Esta pesquisa caracteriza-se como exploratória e descritiva, uma vez que compreende discussões sobre os aspectos da participação comunitária no turismo visando uma aproximação com o TBC e descreve a Red Boliviana de Turismo Solidário e Comunitário – Red Tusoco, buscando exemplos de organização comunitária a serem aplicados em outros projetos, tal como o de Colombo/PR, Brasil.
Na interlocução com o poder público e proprietários rurais envolvidos com o Circuito Italiano de Turismo Rural, por meio de entrevistas e visitas in loco, foram identificados problemas a superar, com destaque para a ruptura no associativismo sendo que não há ajuda mútua, ausência de esforços integrados entre os próprios associados e pouca autonomia na tomada de decisões, havendo uma expectativa de apoio público.
Uma vez verificados os problemas enfrentados em Colombo, a pesquisa se encaminhou para a discussão de referencial teórico sobre TBC e nele também se buscou experiências exitosas que pudessem servir como exemplos demonstrativos, como foi o caso da iniciativa da Red Tusoco, na Bolívia, citada por Coriolano (2011).
A Red Tusoco é uma associação que desenvolve o turismo de forma a valorizar as especificidades de cada comunidade local. Assim, na expectativa de alcançar os objetivos propostos para a pesquisa, foi estabelecido contato com essa iniciativa, sendo que um dos responsáveis pela coordenação respondeu por escrito a um questionário semiestruturado e concedeu uma entrevista oral.
A técnica utilizada para o questionário consistiu em perguntas sistematicamente articuladas para a compreensão da organização estrutural sobre a Red Tusoco. Foi possível identificar em que modalidades organizacionais ela está enquadrada, bem como quantos empreendimentos fazem parte da associação, os objetivos propostos pelos associados para o desenvolvimento ordenado do turismo, as características ambientais, culturais e sociais encontradas em cada região e demais questões relacionadas com o planejamento associativista para a qualidade e a conservação dos aspectos comunitários.
Em outro momento foi realizada a entrevista oral com roteiro de perguntas semiestruturadas por meio de comunicação virtual em tempo real (através do recurso Skype), de maneira a estabelecer um diálogo para esclarecer dúvidas e coletar informações detalhadas sobre o desenvolvimento comunitário/associativista e a interatividade dos associados na tomada de decisões da Red Tusoco, assim como estratégias adotadas para a comercialização dos produtos e serviços.
Por fim, tendo como base fundamental as pesquisas literárias acerca do TBC, o levantamento dos problemas enfrentados pela associação comunitária de Colombo e a análise da iniciativa boliviana, o presente artigo teve como resultado algumas técnicas possíveis de serem desenvolvidas de forma a estimular o fortalecimento e a autonomia associativista para o desenvolvimento do TBC no Circuito Italiano.
Turismo de base comunitária
Diversos autores elencam princípios basilares na modalidade de Turismo Comunitário ou Turismo de Base Comunitária (TBC), considerando-o como prática alternativa ao turismo tradicional de massa, a saber: Turismo Rural, Ecoturismo, Turismo Étnico ou ainda, Turismo Cultural e de Experiência (SANSOLO; BURSZTYN, 2009; ZAOUAL, 2009; CORIOLANO; SAMPAIO, 2013).
Para compreender o TBC é necessário, a priori, inferir que este acontece nos moldes de um desenvolvimento endógeno, no qual a comunidade é sua própria gestora, pressupondo-se uma emancipação político-social e protagonismo. É uma modalidade que se desenvolve no interior de espaços comunais, cujas comunidades se unem em cooperação, gerindo todos os procedimentos necessários para a consecução do fenômeno turístico.
O TBC possibilita a valorização do espaço histórico e culturalmente construído, como “lugar” de encontro; lugar esse onde se converge a existência, coexistência, copresença, solidariedade, acontecer solidário, do singular e do subjetivo (SANTOS, 2006).
Para Zaoual (2009), a essência dessa experiência se expressa na territorialidade – enquanto o turismo convencional (de massa) produz espaços regulados para o turista e para os moradores, confluindo-se à argumentação de que é:
[...] desenvolvido pelos próprios moradores de um lugar que passam a ser os articuladores e os construtores na cadeia produtiva, onde a renda e o lucro ficam na comunidade e contribuem para a melhoria da qualidade de vida (CORIOLANO; LIMA, 2003, p. 41).
As abordagens de Silva (2014) ainda explicitam o TBC como um turismo mais simples e ao mesmo tempo qualificado, de forma a valorizar os bens naturais e as culturas locais, desenvolvido pela própria comunidade que passa a ser ativa nas decisões tomadas desde a fase de planejamento, ou seja, tem como principal característica “[...] a elaboração de planejamentos descentralizados e associativos buscando garantir a participação de todos” (SILVA, 2014. p. 187).
Além disso, no TBC considera-se o “compartilhamento do cotidiano” onde os espaços sociais da comunidade são os mesmos utilizados no desenvolvimento do turismo, permitindo a troca de experiências e as relações interpessoais, “buscam-se estratégias de desenvolvimento para comunidades, esse desenvolvimento não é aquele voltado apenas à dimensão econômica” (LOBATO, 2013, p. 651).
O turismo comunitário não ocorre por intermédio de grandes agências de viagens com pacotes fragmentados. Não existem grandes cadeias hoteleiras nos destinos comunitários, consequentemente, com ausência das práticas do capitalismo no viés da acumulação, no qual o bem-estar comunitário é colocado em primeiro plano, havendo ainda a melhora da integração do social, com o ambiental e econômico. Conforme Sampaio e Coriolano (2009, p. 7):
O turismo comunitário potencializa modos de vida tradicionais, arranjos socioprodutivos e políticos, de base comunitária, e mobiliza postos de trabalho pela produção artesanal. As ideias de comércio justo, solidário e sustentável animam modos de vida tradicionais e de capacitação para a produção artesanal, agregando valores solidários, a troca de bens, serviços e saberes produzidos por comunidades, que sofrem consequências de dívida social herdada de desvantagens históricas.
Nesse aspecto, pode inferir-se que o turismo massivo, que ocorre pela busca do lazer durante o não trabalho (SANTOS FILHO, 2005), está também atrelado aos impactos causadores da degradação de inúmeras culturas. Podendo, inclusive, dificultar em determinadas localidades a organização coletiva para a atividade turística, por apresentarem modelos formatados na competitividade produtivo/mercadológica de conformação individualista, exigindo altos valores de investimento financeiro, desestimulando ou até inviabilizando microempreendimentos.
Sob outra lógica de atuação estão assentados os princípios da ecossocioeconomia que pressupõe um desenvolvimento planejado equitativo (SAMPAIO, 2014).
O conceito de ecossocioeconomia privilegia as experiências e complexidades do cotidiano; “se dá no mundo da vida, nos domicílios, nas organizações, nas comunidades” (FELSKI; SAMPAIO; DALABRIDA, 2010, p. 86) levando em consideração a recuperação à desigualdade social e os problemas derivantes do baixo IDH, ainda com as problemáticas ambientais enfrentadas e também a desvalorização cultural (IDEM, 2010).
Conforme Felski, Sampaio, Dalabrida (2010), a ecossocioeconomia possui desdobramentos sobre cinco iniciativas fundamentais: Agenda 21 Local, Turismo Comunitário, Responsabilidade Social Empresarial, Economia de Comunhão e Economia Solidária, caracterizando-se ainda pelo conjunto de princípios democráticos fundamentados nos preceitos de solidariedade, igualdade e autogestão. Considerando-se as cooperativas e grupos associativistas para o desenvolvimento sustentável, uma vez que é nessas organizações que todos exercem uma função operativa para o bem coletivo.
Destarte, pode-se dizer que a ecossocioeconomia perpassa por um repensar da economia, dos valores sociais e do meio ambiente, com isso, dar sustentação, no contexto de desenvolvimento do TBC, de forma a proporcionar valorização socioambiental e ainda fortalecimento da economia e dos laços culturais.
No contexto da América Latina, e até brasileiro, algumas regiões foram fortemente influenciadas pelo turismo, desencadeando o crescimento econômico e capacidade de investimento em infraestrutura, o que contribui na melhoria no padrão de vida, enquanto outras ficaram “à mercê” de uma economia estagnada, sem perspectivas de melhorias e desenvolvimento.
Muito embora haja um consenso acerca da potencialidade do turismo como instrumento para desenvolvimento local, quando manejado de forma ordenada, como proposta para valorização de territórios menos favorecidos.
Sob essa perspectiva, Coriolano e Sampaio (2013) apontam que na América Latina há forte destaque para o turismo alternativo em pequenas cidades, bairros, comunidades rurais e étnicas, vila de pescadores, tribos indígenas, quilombos e outros possíveis, atividade pautada no desenvolvimento humano, participativo e comunicativo.
Coriolano (2011) ainda destacou algumas iniciativas de organização em rede, como:
Rede de Turismo Comunitário da América Latina – Redturs; Rede de Turismo Comunitário da Costa Rica – Cooprena; Rede de Turismo Campesino dos Vales Calchaquíes, Salta-Argentina; Rede Boliviana de Turismo Solidário e Comunitário – Tusoco; Rede Brasileira de Turismo Solidário – Turisol e a Rede Cearense de Turismo Comunitário – Rede Tucum (CORIOLANO, 2011, p. 10).
Visto os aspectos relevantes do TBC, pode ser levado em consideração que na atividade há uma interação maior entre visitantes e visitados e, nessa interação, os prismas culturais são mais evidenciados e interpretados, perpassando por uma dimensão deveras diversificada e valoração dos laços comunais.
Salienta-se, ainda, algumas colocações em relação ao conceito de comunidade. Compreende-se que a vida em comunidade refere-se a um pequeno grupo coeso de pessoas unidas por relações de confiança mútua, no qual cada membro se considere responsável e solidário (CLAVAL, 2001).
O conceito de comunidade também está atrelado a uma vida social que depende da interação das pessoas dentro ainda do seu contexto territorial, conforme afirma Bourdin (2001):
Grupo de indivíduos e famílias que compartilham os mesmos valores e convivem juntos em um território em que se desenvolve um conjunto de atividades coletivas e individuais, sendo que depois há o compartilhamento do mesmo território por vários grupos comunitários. (BOURDIN, 2001, p. 199).
Para Sampaio e Coriolano (2009, p. 8) a capacidade desencadeada do processo de interpretação de identidade com o local, converte “grupos sociais, em pequenos espaços geográficos, cuja integração de pessoas entre si e com o lugar, cria identidade forte de habitantes e territórios, entendido como comunidade”.
Seria possível inferir que a comunidade aparece no escopo das relações sociais de indivíduos com capacidade para interagirem e compartilharem um mesmo ideal, voltado para o coletivo. Comprometendo-se com o desenvolvimento de planejamento e ações ordenadas, para a minimização dos impactos possíveis desse mesmo território.
Há que se levar em consideração, também, que a comunidade possui identidade própria, existindo várias relações sociais voltadas para a ação coletiva e para a capacidade de auto-organização, algo capaz de desencadear ainda o desenvolvimento da atividade turística (BALDELLI, 2014).
Cada indivíduo origina uma rede social por intermédio de suas relações que, por consequência, oportuniza uma estruturação sistêmica de desenvolvimento (daí se presume o desenvolvimento do turismo em comunidades solidárias).
Considera-se ainda que, conforme Lomnitz (2009, p. 18-19):
Cada pessoa é o centro de uma rede de solidariedade e, ao mesmo tempo, é parte de outras redes. A solidariedade implica em um sistema de intercâmbio de bens, serviços e informações que ocorre dentro da sociabilidade. Esse intercâmbio pode ser horizontal, quando a troca se dá entre iguais mediante um sistema de reciprocidade, ou pode ser vertical, quando se dá uma assimetria de recursos.
Nesse contexto, a pesquisa entende comunidade como indivíduos que unidos formam uma rede de relacionamentos em comum, sociabilizando sentimentos que oportunizam a sensação de pertencimento sociocultural.
A comunidade se principia nos contextos de solidariedade, interatividade, valores e relações sociais, identidade e coletividade participativa, isso amparados pela cultura e sua valorização, não deixando de lado as questões ambientais, visto que o indivíduo usufrui do mesmo espaço e território que os demais, além do fato de as decisões tomadas pela comunidade direcionarem-se de forma autônoma também à utilização dos espaços de convivência – algo que pode desencadear o processo de desenvolvimento da atividade turística.
Red Boliviana de Turismo Solidário e Comunitário – Red Tusoco
O referencial teórico apresentado evidenciou uma reflexão sobre o TBC no contexto de desenvolvimento participativo. Sendo assim, nesta seção será apresentada de forma descritiva a Red Boliviana de Turismo Solidário e Comunitário – Red Tusoco e como é trabalhada a questão participativa da comunidade na tomada de decisões.
Com o intuito de valorizar a cultura encontrada na Bolívia, o Ministério da Cultura e Turismo objetiva promover o desenvolvimento turístico com ênfase no turismo cultural e comunitário; desenvolver a atividade e impulsionar a produção artística; otimizar a gestão do patrimônio material e imaterial, individual e coletivo; entre outros que compõem as questões culturais de desenvolvimento (PALACIOS, 2013; SARAVIA, 2015).
Tusoco é uma rede boliviana de solidariedade comunitária do turismo, criada em 2004 como desdobramento do Plano Nacional de Turismo na Bolívia, tendo início com oito projetos, sendo que atualmente são 22 em todo o país. Em suma, as comunidades participantes são rurais e indígenas que recorrem ao turismo comunitário como alternativa de complementação de renda, de forma a valorizar e proteger as culturas e tradições locais (RED TUSOCO, 2015).
O escopo fundamental proposto pela Red é a participação dos turistas em um intercâmbio cultural por meio de vivências e experiências, contribuindo de forma cultural e econômica para a melhoria da qualidade de vida local. É uma associação sem fins lucrativos criada como instrumento institucional para inserção e participação aos programas de governo, oferecendo treinamentos e apoio às comunidades, qualificando-as para o atendimento turístico (RED TUSOCO, 2015).
Além dessas questões, em 2008 foi fundada a agência Tusoco Viagens SRL com a finalidade de comercialização dos produtos das comunidades, de forma a beneficiar todas as iniciativas integrantes da associação (RED TUSOCO, 2015; SARAVIA, 2015).
Tal iniciativa teve origem devido ao fato de o turismo no país ter sido desenvolvido em demasia por médias e grandes empresas urbanas, isso até cerca de 15 anos atrás, sendo que existiam algumas pequenas iniciativas no país em relação aos territórios indígenas e de áreas protegidas, mas que estavam isoladas, não tendo uma “conversação” entre tais (SARAVIA, 2015).
A Red Tusoco trabalha o turismo comunitário, solidário e sustentável, tendo a economia solidária como base para suas ações que abrangem 22 empreendimentos comunitários associados localizados em 17 municípios da Bolívia (SARAVIA, 2015)
A autogestão ocorre de forma que os próprios associados definem e elegem o Diretório Nacional da Red, contudo, contam com uma equipe técnica para o planejamento e execução dos trabalhos e também da organização da Tusoco Viajes SRL (PALACIOS, 2013).
No âmbito dos objetivos como pilares sustentáveis das iniciativas adotadas pela associação Red Tusoco destacam-se: o organizativo, o econômico, o cultural, o social, o ambiental e a qualidade, isso de modo a possibilitar o empoderamento da comunidade e o fortalecimento dos laços sociais participativos (PALACIOS, 2013; SARAVIA, 2015).
Ao menos uma vez ao ano é realizada uma assembleia geral para os associados que em conjunto elaboram as decisões estratégicas e a planificação das atividades a serem desenvolvidas pela Red Tusoco, sendo que a organização da equipe se dá conforme a Figura 1.

Por tratar-se de um projeto que abrange o país todo, as ações de produção/mídia adotadas pela Red Tusoco compreendem: elaboração de cartilhas de capacitação, código de conduta e padrão de qualidade para os empreendimentos associados; vídeos de capacitação para os serviços de alimentação; vídeos promocionais e reportagens de foto e vídeo; bem como apresentações de software específico para a exposição das experiências obtidas (SARAVIA, 2015).
Entre as contribuições já percebidas pela rede de associados envolvidos, pode-se mencionar, conforme Saravia (2015):
a) o posicionamento do país em um novo modelo de gestão turística;
b) a diversificação e o fomento da fonte de renda das comunidades campesinas distantes dos centros turísticos;
c) melhor distribuição dos benefícios econômicos oriundos da atividade turística no país;
d) fortalecimento da valorização cultural e das identidades das comunidades campesinas;
e) reconhecimento e valorização do trabalho feminino, levando a uma visibilidade mais ampla das mulheres campesinas.
Além disso, com a valorização da cultura campesina e da diversidade econômica, há uma diminuição do êxodo rural, evidenciando uma inclusão dos jovens; há também uma valorização e preservação do meio ambiente e da biodiversidade local; por fim, a sensibilização da população urbana e dos visitantes estrangeiros no que diz respeito à importância dos patrimônios por intermédio das vivências locais (SARAVIA, 2015).
Na premissa verificada pela abordagem acerca da Red Tusoco, compreende-se que seria possível criar mecanismos que possibilitem um diálogo e um modelo a ser utilizado por outras associações comunitárias no que diz respeito ao TBC. Assim, o próximo tópico contextualizará algumas possibilidades de desenvolvimento a partir do planejamento associativista no TBC.
RESULTADOS E DISCUSSÃO ACERCA DAS POSSIBILIDADES DE DESENVOLVIMENTO DO TBC
Conforme foi apresentado, o TBC é uma oportunidade para aperfeiçoar a organização comunitária, o desenvolvimento local e a cogestão para conservar/preservar o patrimônio natural, cultural e social de comunidades em seus territórios.
Toda forma de organização empresarial sustentada na propriedade do território e da autogestão dos recursos comunitários e particulares com práticas democráticas e solidárias no trabalho e na distribuição dos benefícios gerados por meio da prestação de serviços pode ser considerada relevante quando visa o encontro cultural da comunidade receptora e visitantes.
A partir dos conceitos literários verificados no início deste trabalho e tendo como base o questionário e entrevista concedidos pelo coordenador da Red Tusoco (SARAVIA, 2015), possibilitando uma análise do modelo autogestionado, a seguir serão apresentadas possibilidades de desenvolvimento relacionadas à operação do turismo para associações comunitárias.
O plano de gestão, assim como outras decisões de ordem coletiva, poderia ser tomado de forma participativa. Em função do entendimento que se trata de paradigma emergente, no que concernem formas de gestão, em vez da estrutura piramidal optou-se aqui para proposição em formato orgânico de um sistema circular e rotativo (Figura 2).
A proposta essencial da formação em rede oportuniza “construir alternativas econômicas e desenvolver serviços turísticos de qualidade, fortalecer empreendimentos e dar apoio à comercialização de produtos e serviços” (RED TUSOCO, 2010).
Nessa linha de reflexão, Maldonado (2009) explana que comunidades articuladas em rede “superam debilidades por meio de troca de experiência e trabalho em conjunto” entre os pares, e fortalecimento das relações, autonomia, “solidariedade”, “protagonismo” (CORIOLANO, 2012), ampliação da capacidade de articulação interinstitucional e estima a “Microespacialidade” (SAMPAIO; HENRIQUEZ; MANSUR, 2011, p. 27).
As iniciativas compartilhadas e articuladas, no que se supera a individualidade competitiva (um ganha e outro perde), se privilegiam ações no âmbito de rede horizontal de cooperação que revela complexidade da economia real, incluindo organizações de autoprodução e comunitárias (associações e cooperativas).
O desafio é criar e manter gestão participativa sob um signo de identidade (individual) que gere sentimento de pertencimento e facilite a intercooperação e se expanda à identidade cooperativa (coletiva) no plano político institucional e na gestão em rede.
Tendo pressuposto então que há uma associação sistêmica, a primeira possibilidade está focada na organização da comunidade local com finalidade de instituir uma agência própria de receptivo, gerida a partir de um corpo diretivo rotativo, composto por integrantes das próprias iniciativas já existentes, mas que eleja dois ou três responsáveis pela gestão e formulação de microrroteiros da agência.
Uma vez instituída com foco na comercialização, a agência poderia ficar responsável (tendo um departamento de comercialização para produção associada) pela distribuição dos bens e produtos para fornecimento local: o produtor de queijo poderia (ou deveria) passar a ser o produtor “oficial” para panificadoras, mercearias, pousadas, como um “fornecedor base”, para fins de fortalecimento da microeconomia local e, tendo esse exemplo, os demais produtores da agricultura familiar poderiam seguir o modelo proposto. Em Colombo, poderiam ser divididos em produtores de vinhos e sucos de uva, produtores de hortaliças orgânicas, produtores de geleias e conservas, produtores de flores e produtores do ramo de panificação.
A segunda possibilidade (Figuras 3, 4 e 5), desta vez focada na otimização a curtas visitações, é outra viabilidade sugerida na autogestão do planejamento turístico de forma associativista. Um exemplo para se visualizar a aplicação desta última proposta, consistiria em, no caso observado do Circuito Italiano de Colombo em que há uma grande quantidade de propriedades rurais dispersas no território e muito distantes entre si, criar microrroteiros dentro do circuito oficial consolidado, de modo a viabilizar visitação em curto espaço de tempo, manejados pela comunidade, com o intuito de alcançar o desenvolvimento sustentável e integrado.
Conforme já argumentado anteriormente por Sampaio e Coriolano (2012), as práticas cotidianas de compartilhamento, comércio justo, gestão e decisões partindo do local, integração entre pessoas e com o lugar contribuem para o fortalecimento de laços entre pares no mesmo território, potencializando a emancipação político-social, contribuindo ainda para o desenvolvimento local.

![Figura 4 – Microrroteiro[S1] 2](../115448575008_gf5.png)

No exemplo que poderia ser aplicado em Colombo, o Microrroteiro 1 possibilitaria experiências em áreas naturais, bem como oportunizaria o contato com a comunidade local e a cultura das pessoas. O almoço típico oportunizaria essa troca de vivências e aprendizado acerca de novas manifestações histórico-culturais, além do fato de gerar renda pela comercialização de produtos locais.
Já o Microrroteiro 2 poderia oportunizar que o turista visitasse vinícolas e aprendesse mais sobre a cultura italiana, a fabricação do vinho, a história de Colombo e outros aspectos derivantes. Sugere-se também o lazer em propriedades pesqueiras como forma de descanso e, por fim, a visitação em loja de artesanato que poderia estar concentrada em um centro que dispusesse de todas as formas artesanais desenvolvidas no município.
Por fim, o Microrroteiro 3 foi sugerido para quando da realização de um evento cultural em Colombo, visto que possibilitaria a pernoite em pousadas no local e ainda o café da manhã que poderia ser típico com produtos da própria comunidade, tendo por consequência a comercialização dos produtos disponíveis, reafirmando a sugestão anterior de fortalecimento do comércio local.
Os três Microrroteiros sugeridos são apenas algumas das possibilidades existentes de desenvolvimento. É imperativo que seja realizado um planejamento com todos os associados para que exista uma equidade na formulação dos Microrroteiros de forma a beneficiar todos os agentes envolvidos comunitariamente, fortalecendo assim a participação e o comprometimento dos envolvidos.
Dentro desse contexto, sugere-se a criação de uma agenda espontânea para encontros de discussão de temas de interesses coletivos para a tomada de decisões e encaminhamentos. Esse pressuposto ancora-se na necessidade de diálogo entre os associados, oportunizando momentos de convivência para o relato de problemas enfrentados e proposições para a resolução destes, estruturando as pautas de interesse a todos os envolvidos com a associação, de forma a fortalecer os laços de territorialidade.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os problemas detectados no Circuito Italiano de Colombo, no Brasil, motivaram a busca pela experiência exitosa internacional da Red Tusoco, na Bolívia, revelando resultados pertinentes que não se limitam ao caso de Colombo, mas, principalmente discussões que podem servir de referência para outras comunidades com perfil para o Turismo de Base Comunitária.
Com base nas abordagens elucidadas nesta pesquisa, pôde-se verificar que as instituições e associações comunitárias procuram formas de organização do trabalho, conjugando utilidade e solidariedade de forma a promover o desenvolvimento local, corrigindo desequilíbrios do mercado turístico.
Para além da dependência de fatores externos, outro contributo importante é o de revalorização da microespacialidade, como identidade incorporada ao contexto territorial e também o de fomento a entreajuda social, o mutualismo e o fortalecimento de laços de relação.
Um projeto sistêmico de turismo em rede articula-se com a promoção de atividades econômicas coletivas na autogestão, valorização cultural (identidade), tolerância e respeito aos modos de vida tradicionais e diversos, preservação/conservação do ecossistema, desenvolvimento comunitário local para a ecossocioeconomia, interlocução entre pares, organização integrada e participativa com possibilidades de desenvolvimento, especialmente nos serviços de proximidade e à comunidade.
Caberia ressaltar que é importante o papel do desenvolvimento local, da cidadania, de novos paradigmas de intervenção social e territorial como meio alternativo de fortalecimento social.
Poderia ser referido o fato de as pequenas comunidades, além das rurais, (ribeirinhas, quilombolas, vila de pescadores e tantas outras possíveis) serem valorizadas pelas características histórico-culturais, componentes fundamentais das peculiaridades comunitárias.
Colocado um problema inicial para esta pesquisa, pôde ser referido o modelo da Red Tusoco como um exemplo às organizações associativistas comunitárias, uma vez que desenvolve mecanismos para fomentar o sentimento de pertencimento da comunidade boliviana, sendo os pequenos proprietários os tomadores de decisões acerca do TBC.
Os aspectos relevantes apontados nesta pesquisa caracterizam-se pelo aporte ao desenvolvimento ordenado das pequenas comunidades, valorizando-as cultural, social e ambientalmente, contribuindo também para a compreensão da valorização das formas de organização integrada e das citadas microespacialidades, com vistas ao desenvolvimento endógeno.
Com a pesquisa realizada foi constatado ainda que os microrroteiros podem ser mecanismos de desenvolvimento possíveis de ser aplicados tanto em Colombo quanto em outros projetos, evidenciando a rotatividade e fomento à microeconomia e à valorização cultural, no aspecto peculiar de cada empreendimento e propriedade visitada.
REFERÊNCIAS
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