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Recepción: 05 Junio 2020
Aprobación: 24 Marzo 2021
Resumo: Os Negócios de Impacto Social (NIS) têm surgido objetivando solucionar algum problema social gerando impacto positivo na sociedade, com visão de mercado e sustentabilidade financeira. Considerando a crescente relevância da pauta socioambiental nos negócios tecnológicos, este estudo teve como objetivo mapear os papéis dos atores institucionais no ecossistema de negócios tecnológicos de impacto social em Campina Grande – PB. A base teórica discute acerca do ecossistema de inovação e do ecossistema dos NIS. Trata-se de um estudo de caso qualitativo descritivo, cuja coleta de dados ocorreu por meio de análise documental, entrevistas não estruturadas e observação participante. Os resultados apontaram um mapeamento dos atores institucionais e seus papéis no ecossistema de inovação analisado. O estudo traz uma contribuição descritiva valiosa aos NIS atuais e futuros, assim como aos atores institucionais e públicos envolvidos.
Palavras-chave: ecossistema de inovação, negócios de impacto social, atores institucionais.
Abstract: Social Businesses (SB) are companies that aim to solve social problems generating a positive impact on society, with a vision of the market and financial sustainability. Considering the increasing relevance of the socio-environmental agenda in technological businesses, this study aimed to map institutional actors' roles in the social technological business ecosystem in Campina Grande - PB. The theoretical basis discusses the innovation ecosystem and the SB. This is a qualitative descriptive case study whose data collection occurred through document analysis, unstructured interviews and participant observation. The results showed a mapping of the institutional actors and their roles in the analyzed innovation ecosystem. This is considered one of the most significant contributions of the research, solving part of the problem of the lack of information, valuable to current and future SB, and institutional and public actors involved. Furthermore, this study's results may complement a collaborative platform of business players with an impact on development in the city, the I-Balaio.
Keywords: innovation ecosystem, social business, institutional actors.
1 INTRODUÇÃO
Ecossistemas de Inovação são um conjunto de atores locais interdependentes e com processos dinâmicos (Russel et al., 2011; Ikenami, Garnica & Ringer, 2016) de modo que dão condições para o desenvolvimento de inovações (Audy & Piqué, 2017), contribuindo para o desenvolvimento regional em pequena e grande escala.
Diante dos estudos sobre ecossistemas de inovação, surge a Quádrupla Hélice proposta por Caraynnis & Campbell (2009) e Carayannis & Rakhmatullin (2014), que reconhecem a sociedade como parte importante para o ecossistema de inovação, na qual ela se encontra no centro, vista como impulsionadora dos processos de inovação sendo codesenvolvedores e cocriadores da inovação, corroborando com o sentido dos Negócios de Impacto Social que visa interferir nos âmbitos socioeconômicos, integrando os diferentes atores, sejam eles os impactados ou os impactantes, sempre em busca da inovação, do desempenho financeiro e da transformação social (ICE; FTFS, 2015). Essas mudanças em torno do desenvolvimento econômico e social estão demandando cada vez mais reorganização dos atores envolvidos para manter a competitividade das regiões e a criação de valor – econômica e social.
Os Negócios de Impacto Social(NIS), são vistos como uma inovação que surge a fim de minimizar e/ou solucionar problemas sociais e ambientais existentes em determinada localização, possuindo uma visão mercadológica e sustentabilidade financeira (Dees, 1998; Comini, 2016; Petrini, Scherer, & Back, 2016), atuando em mercados competitivos (PNUD, 2015). Tem sido observado que há avanços nas pesquisas sobre os NIS, mas observa-se que ainda há poucos estudos sobre o ecossistema no qual estes negócios estão inseridos, a exemplo do desenvolvido por Silva & Iizuka (2018), em que fazem um mapeamento desse tipo de negócio a nível Brasil, incluindo negócios congêneres. Ainda existem as pesquisas realizadas por instituições que atuam diretamente com esse tipo de negócio, como a Pipe.Social, Instituto de Cidadania Empresarial (ICE), Força Tarefa de Finanças Sociais, porém seus estudos têm focos diferentes e são mais abrangentes.
Por meio de uma pesquisa realizada pela Iniciativa Incluir (Brasil, 2015) com empreendedores e gestores públicos foi visto que os principais desafios para o desenvolvimento dos negócios de impacto social no Brasil giram em torno da falta de informação sobre o mercado, dos mecanismos de apoio existentes, das regulações ineficientes, infraestrutura falha e do acesso aos instrumentos financeiros (PNUD, 2015).
Entendendo que o ecossistema de negócios tecnológicos de impacto social está em construção e partindo da premissa de que os atores institucionais tem papel importante no desenvolvimento desse ecossistema e consequentemente no contexto do desenvolvimento regional, além da lacuna observada nesse ecossistema relacionada à falta de informação, vê-se a importância de identificar quem são estes atores e como estes podem trabalhar em conjunto para gerar o desenvolvimento necessário na região em que estão situados.
Campina Grande tem ganhado destaque no âmbito do desenvolvimento regional sendo reconhecida como um polo de desenvolvimento tecnológico, científico e educacional, possuindo grandes indústrias, laboratórios, centros de pesquisa, parque tecnológico, com destaque à Incubadora Tecnológica de Empreendimentos Criativos e Inovadores de Campina Grande – ITCG, que foi recentemente reconhecida como uma das referência, a nível nacional, no apoio à Negócios de Impacto Social pelo Instituto de Cidadania Empresarial (ICE), um dos principais players nacionais no fomento aos negócios de impacto social.
Identificadas as lacunas presentes nas pesquisas sobre negócios de impacto social, a escassez de estudos a respeito do seu ecossistema e a relevância prática para a região, este trabalho teve como objetivo mapear os papéis dos atores institucionais no ecossistema de negócios tecnológicos de impacto social em Campina Grande – PB. Para isto, foi realizado um estudo de caso qualitativo descritivo, cujas fontes de coleta foram observações participantes, entrevistas não estruturadas e análise documental. Os dados foram compilados e tratados por meio da análise de conteúdo. O estudo segue com a discussão teórica.
2 ECOSSISTEMA DE INOVAÇÃO E DE NEGÓCIOS DE IMPACTO SOCIAL
O conceito de “ecossistemas” tem recebido muita procura nos últimos anos, sendo observado como uma nova forma de delinear os ambientes de competição (Jacobides, Cennamo & Gawer, 2018), que a empresa deve monitorar para desenvolver suas capacidades dinâmicas e construir vantagem competitiva sustentável (Teece, 2007)
De acordo com Ikenami, Garnica e Ringer (2016, p.4) “ecossistema é um constructo, que evidencia a interdependência de atores que buscam um objetivo comum, criar ou capturar valor a partir de uma oportunidade percebida”. Estesdão condições para que haja florescimento da inovação, gerando cada vez mais mudanças na sociedade e em seus estilos de vida; os ecossistemas costumam estar em crescimento, adaptação e evolução contínuos, da mesma forma que acontece com os organismos vivos (Audy & Piqué, 2017). As relações existentes dentro do ecossistema contribuem com o engajamento dos membros, ganhos adicionais para as partes envolvidas, atratividade de novos atores (Russel et al., 2011; Jacobides, Cennamo & Gawer, 2018).
Avançando nos estudos sobre os ecossistemas de inovação, surgea Quádrupla Hélice proposta por Caraynnis & Campbell (2009) que reconhece a sociedade como parte importante para o ecossistema de inovação, estando no centro, sendo vista como impulsionadora dos processos de inovação, em que novos serviços, produtos e processos passam a ser desenvolvidos a partir de suas demandas e do seuenvolvimento, não apenas usuária da inovação, mas também como codesenvolvedora e cocriadora dela. Assim, as três outrashélices – empresas, universidades e governo (Etzkowitz & Leydesdorff, 2000) – devem contribuir com fomento, investimento, informações e suporte para desenvolver inovações.
A Quádrupla Hélice objetiva contribuir com o fortalecimento e conexão dos que criam valor (Carayannis & Rakhmatullin, 2014), relacionando assimcom o propósito dos Negócios de Impacto Social, que integra os diversos atores do ecossistema, quer sejam impactados ou impactantes, buscando a inovação, o desempenho econômico e a transformação social voltando o olhar para a sociedade(ICE; FTFS, 2015; Arnkil et al.,2010; Nordberg, 2015). Para que o Modelo das Hélices seja ainda mais efetivo, autores como Johnson (2008) e Steiber & Alange (2013) apresentam que os intermediários de Inovação são um caminho para auxiliar no desenvolvimento das interações e conexão entre as hélices, bem como entre o ecossistema e seu ambiente externo, formando pontes entre estes.
De modo geral é esperado que um ecossistema gere empreendedorismo e inovações, que são essenciais para lidar com a competitividade do ambiente e com a economia, pois o conhecimento acumulado através do relacionamento cooperativo entre os atores contribui parao desenvolvimento de plataformas colaborativas, estabelecimento de alianças estratégicas, novas tecnologias, produtos, serviços e atração de negócios, com impactos no desenvolvimento regional e aumento do seu potencial econômico (Spinosa, Schlemm & Reis, 2015).
Nesse sentido, os Negócios de Impacto Social – também chamados de negócios sociais, empresas sociais, híbridas e/ou negócios inclusivos –, podem ser identificados como uma inovação que surge a fim de minimizar e/ou solucionar problemas sociais e ambientais existentes em determinada localização, possuindo uma visão mercadológica e sustentabilidade financeira (Dees, 1994; 1998; Marquez et. al, 2009; Thompson & MacMillan, 2010; Teodósio & Comini, 2012; Nascimento et. al, 2012; Rahman & Hussain, 2012; Wilson & Post, 2013; Kyama, Comini & D’Amario, 2014; Barki, 2015; Comini, 2016; Petrini, Scherer & Back, 2016), atuando em mercados competitivos (PNUD, 2015). Edwards-Schachter e Wallace (2017) entendem que as inovações socais envolvem a participação da sociedade civil na produção de mudança social orientadas para a resolução de necessidades sociais não atendidas e de problemas complexos. Assim, entende-se que esse tipo de negócio – mais que os negócios tradicionais – deve trabalhar de maneira inclusiva com seus stakeholders a fim de que o mercado funcione da mesma maneira.
O ecossistema de NIS envolve uma rede de atores que são interdependentes e interconectados de modo que essas relações favoreçam o sucesso dos negócios e gerem impactos maiores (PNUD, 2015). Existeuma variedade de atores presentes no ecossistema (Teixeira et al., 2016) de negócios de impacto social (PNUD, 2015)que atua a seu favor.
O ator institucional recebe nesse estudo maior enfoque perante os demais, sendo entendido como as regras do jogo em uma sociedade, ou ainda como restrições de origem humana que moldam as interações dentro da sociedade relacionada diretamente ao comportamento dos indivíduos, podendo as instituições influenciarem de forma positiva ou negativa o curso das atividades sociais e econômicas do país (North,1990). Assim, os atores institucionais são classificados em quatro categorias conforme apresentado na Tabela 1, descritos de forma mais clara quais são e as suas caraterísticas.

Reconhecendo a classificação dos atores descritos na Tabela 1, por meio do Diamante do Ecossistema de Negócios de Impacto Social (PNUD, 2015), são apresentados os quatro papéis que os atores possuem dentro deste: papel de informação, de incentivo, de investimento e de implementação. Os atores podem ainda atuar em mais de um papel. A Tabela 2 caracteriza os papéis dos atores do ecossistema de negócios de impacto social.

De acordo com a pesquisa realizada com empreendedores e gestores públicos pela Iniciativa Incluir (Brasil, 2015), viu-se que os principais desafios para o desenvolvimento desse tipo de negócio no Brasil, são em relação à falta de informações sobre o mercado, mecanismos de apoio, regulações ineficientes, infraestrutura falha e acesso escasso a instrumentos financeiros (PNUD, 2015). O próximo tópico se dedica a apresentar a metodologia da pesquisa.
3 METODOLOGIA
Trata-se de um estudo de caso qualitativo descritivo, em que, segundo Merriam (1998) e Patton (2002), são geradas descrições ricas do fenômeno analisado por meio da observação dos padrões dos dados e da criação de categorias capazes de ilustrar os aspectos teóricos confirmando ou se opondo a estes. O casoem análise é o ecossistema de negócios tecnológicos de impacto social de Campina Grande, tendo como ponto de partida a Incubadora Tecnológica de Empreendimentos Criativos e Inovadores de Campina Grande (ITCG), dado o reconhecimento de ator-chave no ecossistema de NIS na cidade. Em 2017, a ITCG foi reconhecida como incubadora de referência nacional no apoio a negócios de impacto, uma premiação assegurada pelo Instituto de Cidadania Empresarial (ICE) em conjunto com o Sebrae Nacional e a Anprotec.
Foram utilizadas múltiplas fontes de dados, incluindo análise documental, entrevistas e observações participantes. As observações participantes decorrem do envolvimento profissional dos autores deste trabalho, que exerceram cargos de direção e assessoria na área técnica da ITCG e Fundação PaqTcPB nos anos de 2017 e 2018, o que facilitou o acesso aos dados e aos atores envolvidos. Embora a coleta dos dados dessa pesquisa tenha ocorrido em 2019, foram consultadas notas de campodecorrentes da atuação profissional dos autores, que subsidiaram o entendimento do fenômeno. Sobre as entrevistas realizadas, foram do tipo não estruturada, buscando complementar o entendimento dos autores sobre o fenômeno e envolveram a gestora da incubadora, um diretor e um assessor técnico. Essas entrevistas tiveram duração curta, menos de 20 minutos. Segundo Eisenhardt e Graebner (2007) e Yin (2016), múltiplas fontes de dados contribuem para o desenvolvimento de boas pesquisasqualitativas. A Tabela 3 ilustra o desenho metodológico do estudo, envolvendo tipo, escopo, unidade de análise, procedimentos de coleta de dados e análise de dados.

Como indicado na Tabela 3, a análise de documentos privilegiou informações públicas, sendo complementadas por documentos internos da ITCG ou de outros parceiros. Para facilitar o acompanhamento do papel dos atores envolvidos nessa pesquisa, a Tabela 4 sinaliza as principais fontes documentais utilizadas.

A análise dos dados foi feita por meio da análise de conteúdo (Bardin, 1995), sendo explorados, categorizados e depois combinados a fim de identificar as evidências. A classificação dos papéis dos atores mapeados foi feita com base nos papéis dos atores do ecossistema de negócios de impacto social proposto pelo PNUD (2015), que compreende os papéisde Informação, Incentivo, Investimento e Implementação.
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
A partir da classificação de papéisexercidos pelos atores institucionais dentro do ecossistema de inovação social apontado pelo PNUD (2015), procedeu-se uma categorização das instituições presentes no ecossistema de NIS de Campina Grande, nos papéis de: informação, incentivo, implementação e investimento.
Com isso, o mapeamento realizado na cidade resultou em vinte e um atores institucionais presentes e atuantes dentro do ecossistema de impacto social. Estes atores foram então classificados de acordo com os papéis identificados. A Tabela 5 apresenta os atores mapeados relacionados ao papel que exercem no ecossistema de NIS.

O estudo segue com a descrição dos papéis de cada agrupamento de atores atuantes no ecossistema de negócios de impacto da cidade de Campina Grande.
4.1 Papel de Informação
Os atores que possuem papel de informação são aqueles que fornecem aos NIS o conhecimento, a consciência, a tecnologia e o know-how necessários para que os negócios possam atuar em seus mercados (PNUD, 2015). Campina Grande é reconhecida como cidade universitária pela grande quantidade de instituições de ensino superior públicas e privadas, bem como por ser um polo tecnológico e digital de referência no país. A seguir sãoapresentados os atores pertencentes a esta categoria, suas características e atuação.
Campina Grande conta com campus sede da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), campus do Instituto Federal da Paraíba (IFPB), algumas universidades privadas, escolas técnicas e profissionalizantes. Além do ensino de graduação e pós-graduação, laboratórios, pesquisas e atividades de extensão acabam sendo naturalmente canalizadas ao ecossistema de inovação da cidade, sendo parte delas mais fortemente relacionadas a temática de impacto social.
A atmosfera do ecossistema de inovação na cidade já tem boas repercussões no ensino médio, a exemplo do Desafio Lourdinas de Empreendedorismo e Inovação (DLEI), projeto que busca o desenvolvimento de atitudes empreendedoras dos alunos do ensino médio, os quais são divididos em times e motivados a associar a inovação ao exercício da responsabilidade social. Foi o vencedor nacional do Prêmio Sebrae de Educação Empreendedora 2019, na categoria Ensino Médio (EVL). Os projetos eram associados aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
A Incubadora Tecnológica de Empreendimentos Criativos de Inovadores de Campina Grande (ITCG) e a Incubadora de Agronegócios das Cooperativas, Organizações Comunitárias, Associações e Assentamentos Rurais do Semiárido da Paraíba (IACOC), no papel de informação fornecem para o NIS mentorias no processo de incubação, assessorias internas e externas para desenvolvimento de estratégias, orientações financeiras, jurídicas, tecnológicas, conteúdo digital, além de acesso a parceiros nacionais e internacionais. O Instituto Nacional do Semiárido (INSA) compõe os atores que possuem papel de informação, fornecendo suporte à pesquisa, articulação com parceiros, formação, difusão e popularização do conhecimento.
Uma perspectiva interessante a ser considerada é que as conexões não se encerram na localidade. A rede de relacionamentos e impulsionamento presente no ecossistema de inovação também repercute quando se analisa a esfera social. Exemplo disso são as conexões entre o Instituto de Cidadania Empresarial (ICE) e a ITCG, incubadora agraciada com prêmio de destaque nacional no suporte aos NIS. Os ganhos advindos dessa parceria possibilitam ações de relevante impacto local. O ICE, como grande player nacional no suporte aos NIS, tem promovido na cidade ações que trazem fluxos de informações, mentorias e outros caminhos de impulsionamento de instituições e negócios sociais. Exemplo disso é a ação junto aos parceiros locais para promoção do Fórum de Finanças e Negócios de Impacto Social, que é um evento que percorre todo o Brasil.
Esse evento tem se mostrado muito rico de informações específicas para os negócios de impacto social. Nele são reunidos os mais diversos atores locais e nacionais que trabalham diretamente com o fomento, promoção e desenvolvimento desse tipo de negócio, contribuindo tanto com quem quer empreender na área, quanto para quem já empreende e para quem dá suporte a estes. Ainda ocorrem rodadas de negócios, conversas com investidores e mentorias específicas. Outro ponto muito interessante nesse evento é o alto nível de conexão entre atores do ecossistema de NIS e o fácil acesso para todos os interessados (Nota de observação participante)
Por fim, tem-se o Sebrae que no papel de Informação contribui para o desenvolvimento dos negócios oferecendo apoio, conexões, além de inúmeros cursos e workshops mensais não especificamente para NIS, mas que envolvem temas relevantes para qualquer tipo de negócio.
O PNUD (2015) afirma que um dos principais gaps existentes no ecossistema dos negócios de impacto social é a falta de informação. Dessa forma, a primeira análise que se faz aqui é que no ecossistema de NIS de Campina Grande há inúmeros atores quefornecem diversos tipos de informação para os negócios, porém, o que foi percebido é que há poucos atores com know-how e expertisepara contribuir com o desenvolvimento dos NIS especificamente,e ainda que, poucos empreendedores sabem quais são esses atores e como estes podem lhes dar suporte.
Um problema que temos observado é que as pessoas, os empreendedores, não sabem o que tem na cidade para ajudá-los a desenvolver seus negócios. Seria muito interessante que existisse um mapa, um estudo, algo que pudesse nortear esses empreendedores para onde ir, qual a instituição certa que oferece o que ele precisa no momento. (Gestora da ITCG).
Essa constatação é consistente com o PNUD (2015) ao retratar a necessidade de evidenciar redes de suporte para os negócios de impacto social.
4.2 Papel de Incentivo
Os atores que possuem o papel de incentivo dentro do ecossistema de NIS são aqueles que disponibilizam o impulso para que as empresas consigam maior envolvimento com seu mercado, que promovem momentos a fim de suscitar o interesse por empreender ou apoiar esse tipo de negócio (PNUD, 2015).
Relatos de observações participantes sinalizam a importância do Sebrae no papel de incentivador, o que foi constatado por meio da realização deeventos em conjunto com outros atores institucionais do ecossistema, como por exemplo o Inovação de Cabo a Rabo, que teve sua primeira edição em 2019, com intuito de promover a interação entre atores do ecossistema de inovação da cidade. O evento buscouincentivar o empreendedorismo inovador com painéis, palestras e outras atrações para discussão de temáticas inovadoras em diversas áreas, incluindo muitas de interesse dos NIS. No evento também foi lançada a plataforma I-Balaio, que tem como finalidade conectar investidores, empresas, mentores, universidades, startups e os mais variados atores onde se poderá encontrar informações sobre estes.
Esses resultados confirmam a afirmação de Spinosa, Schlemm & Reis (2015), que é esperado que um ecossistema gere empreendedorismo e inovação e que o relacionamento colaborativo entre os atores contribua com o desenvolvimento de plataformas colaborativas e novas tecnologias impactando no desenvolvimento regional e aumento do potencial econômico.
A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (SCTI) da cidade também faz parte desse grupo e promove o Workshop para Startups, que já está em sua sétima edição. Conforme é possível analisar em material de divulgação institucional e em relatos de observação participante, trata-se de um evento que tem como finalidade o incentivo ao empreendedorismo, networkingentre investidores e startups, bem como a discussão de temas voltados ao ecossistema de inovação.
A ITCG no papel de Incentivo, junto com demais atores parceiros do ecossistema, realiza ações como o evento Startup Weekend Campina Grande Social Impact, que juntamente com os Meetupsque antecedem o evento, objetivam incentivar o empreendedorismo social inovador na cidade. De acordo com documentos internos institucionais, a ITCG, que sempre foi forte no apoio a negócios tecnológicos, buscou o caminho de apoio aos NIS influenciado pelo lançamento crescente de novos editais de fomento a nível nacional. Com isso, esta foi se especializando e buscando aprimoramento nas ações e capacitações a fim de trazer melhor suporte para esse tipo de negócio e a incentivar o ecossistema da cidade em torno da pauta do social.
4.3 Papel de Investimento
Os atores que possuem o papel de investimento dentro do ecossistema de NIS são aqueles que fornecem apoio financeiro para que os negócios possam desenvolver seus produtos e serviços (PNUD, 2015).
A Fundação de Apoio à Pesquisa do estado da Paraíba (FAPESQ-PB) atua diretamente com projetos de pesquisa e desenvolvimento vinculados à universidade, além de editais de fomento como o Centelha e o programa Tecnova, que objetivam apoiar o desenvolvimento de processos e/ou produtos de projetos inovadores contribuindo com subvenção econômica.
A Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), contribui através de editais de subvenção econômica, fomenta o desenvolvimento científico e tecnológico tanto para empresas como para universidades e institutos para desenvolver seus projetos tecnológicos e de inovação. Esse acesso acontece através da intermediação de outras instituições, a exemplo da Fundação PaqTcPB e da FAPESQ-PB.
O Sebrae, no papel de investimento faz parte via editais do Sebrae Inovação, que tem o objetivo de fomentar e desenvolver negócios criativos e inovadores, e do SebraeTec, que oferece aos micro e pequenos empreendedores serviços voltados à inovação nas mais diversas áreas, subsidiando uma parte do valor dos projetos, tendo um banco de consultores especializados para atender aos serviços tecnológicos, melhoria de processos, entre outros. A Fundação PaqTcPB intermedia esses acessos. Ainda pertencem a essa categoria o Banco do Nordeste e o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), que fornecem linhas de crédito, microcrédito e financiamento com benefícios específicos para o desenvolvimento de micro e pequenos negócios.
Os resultados dessa seção reforçam as afirmações de Steiber & Alange (2013), sobre a importância dos intermediários de inovação no ecossistema de inovação como auxílio ao desenvolvimento das conexões entre os atores. Neste caso, possibilitando aos NIS o acesso aos programas e editais promovidos por esses outros atores, muitas vezes com ações nacionais. Esses achados corroboram com o PNUD (2015) em relação a essencialidade de existir uma articulação entre os atores para potencializar o desenvolvimento do ecossistema.
Foi visto ainda que, embora tenham sido identificados quatro atores que têm o papel de investimento dentro do ecossistema, nenhum deles possui programas de suporte específicos para NIS, mas que pela sua natureza, é possível que os NIS consigam se encaixar nos editais e ter chance de conseguir algum investimento.
4.4 Papel de Implementação
Os atores que possuem o papel de implementação dentro do ecossistema de NIS são aqueles que fornecem todo suporte para que os negócios sejam capazes de atuar em seus ambientes dinâmicos, como serviços de apoio, infraestrutura, entre outros.
Com o papel de implementação, a ITCG e a IACOC têm por sua natureza o Programa de Incubação, dando suporte técnico e gerencial para os incubados e demais interessados por meio de assessorias jurídica e financeira, estratégia para o negócio, suporte na elaboração de projetos para editais, além da realização de eventos junto aos parceiros como os Coffee Techs, Feira de Tecnologia de Campina Grande (FETECh) e os Hackathons. Ambas as incubadoras fazem parte da Fundação Parque Tecnológico da Paraíba (Fundação PaqTcPB), que promove o avanço científico e tecnológico e possui parceria com todos os atores institucionais identificados nesse estudo. Há que se destacar ainda o papel do Centro de Inovação Tecnológica Telmo Araújo (CITTA), como um centro mais focado nas entregas tecnológicas e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), que contribui com o ecossistema por meio de projetos tecnológicos e inovadores voltados para o setor agrícola, promovendo ainda cursos, eventos, workshops desafios e programas.
Além dos atores locais, a rede se estende a atores nacionais que tem atuação importante no ecossistema de NIS. A Artemisia não possui fins lucrativos e é pioneira no fomento e disseminação dos negócios de impacto social no país, fornece em seu site institucional diversos conteúdos sobre esse tipo de negócio, os cases de sucesso, estudos que dão suporte ao desenvolvimento destes, bem como o programa de aceleração para NIS em diversas áreas. A Artemisia ainda oferece mentorias e assessorias pelo Brasil, participando com frequência em eventos promovidos pela ITCG/PaqTcPB. A Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (ANPROTEC) aparece no cenário contribuindo diretamente com os demais atores desse grupo principalmente nas ações e eventos, estreitando laços entre atores do ecossistema nacional e com os NIS. Em parceria com a Fundação PaqTcPB, a ITCG, o Sebrae e o ICE, promovem o Programa de Incubação e Aceleração de Impacto que contribui de forma significativa para o fomento e desenvolvimento dos Negócios de Impacto Social na região.
Apresentados os papéis dos atores centrais do ecossistema de negócios de impacto social de Campina Grande a partir da classificação do PNUD (2015), percebe-se a importância de tê-los em uma rede articulada e impulsionadora desses novos modelos de negócios (Petrini, Scherer & Back, 2016), ao tempo em que se tornam capazes de promover mudanças sociais de impacto (Edwards-Schachter & Wallace, 2017).
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
O mapeamento de atores tem representado uma necessidade e um desafio constante aos ecossistemas de inovação, pois muitos participantes não conhecem o seu papel.. Nesse estudo optou-se pelo mapeamento dos atores institucionais, acreditando-se que a descrição desses papéis poderão ampliar a capacidade absortiva dos demais que com eles possam interagir.
Pela falta de uma metodologia de mapeamento, os autores desde estudo criaram um caminho próprio, partindo do elo mais forte do ecossistema de negócios de impacto social da cidade, no caso, pelas relações promovidas pela Incubadora de Negócios Criativos e Inovadores da cidade de Campina Grande (ITCG). Com essa opção, acredita-se que as informações apresentadas nesse estudo retrataram melhor a realidade do ecossistema tecnológico de negócios impacto social de Campina Grande, Paraíba.
Associado aos argumentos de Spinosa, Schlemm & Reis (2015) e PNUD (2015), observou-se que o ecossistema de Campina Grande possui uma variedade de atores institucionais com papéisimportantes e distintos para o desenvolvimento da região e com uma forte rede de parceria entre si, trabalhando de forma conjunta em diversas ações. Os resultados deixaram evidente, tal qual percebido por Steiber & Alange (2013), a importância dos intermediários de inovação para o desenvolvimento das conexões entre os atores presente no ecossistema.
A opção pelos papéis traçados pelo PNUD (2015) possibilitou um agrupamento dos atores. Não foi feita análise acerca da relevância, acredita-se que essa questão possa ser secundária e ter diferentes pontos de partida.
Uma crítica que esse estudo traz, podendo estar associada a prematuridade no ciclo de vida do ecossistema analisado, é que muitos dos negócios sociais tecnológicos atuantes na cidade de Campina Grande canalizaram para a opção social em função da existência de editais específicos, não por vontade primária de atuar no setor. Talvez o tempo e estruturação do ecossistema possa colaborar com essa mudança.
Finalizando, uma das maiores contribuições da pesquisa é solucionar parte do problema da falta de informação, apresentando os atores institucionais presentes no ecossistema e no que cada um deles pode contribuir, por meio de seus papéis, com o desenvolvimento dos Negócios de Impacto Social. Outrossim, os resultados desse estudo poderão complementar uma plataforma colaborativa de atores de negócios de impacto em desenvolvimento, o I-Balaio.
Como sugestão de estudos futuros, e considerando a importância do tema para o desenvolvimento de regiões mais carentes, recomenda-se o desenvolvimento de novas pesquisasque envolvam negócios tecnológicos de impacto social e seu ecossistema, em outras regiões brasileiras e/ou países com características semelhantes. Novos estudos poderão ajudar na construção de padrões, além de ampliar o entendimento acerca da dinâmica no fluxo de conhecimento no ecossistema. Esses estudos poderão ainda tomar por base a construção metodológica e teórica utilizada neste trabalho, ampliando ou refutando em partes a estrutura lógica apresentada, o que representaria avanços para a ciência. Estetrabalho possui um viés descritivo e contém informações valiosas aos negócios de impacto social presentes na cidade ou para os empreendedores sociais que pretendem ingressar. Eles poderão reconhecer quais atores institucionais buscar para melhor atendê-los em suas necessidades específicas. Por fim, traz ganhos também para os demais interessados institucionais e organizacionais, público e privados, para que, ao se reconhecerem, possam seguir atuando de forma complementar em busca do fortalecimento do ecossistema.
AGRADECIMENTOS
Gostaríamos de agradecer ao CNPq, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, Chamada Universal 01/2016 (Processo 431471/2016-9), pelo fomento para realização da pesquisa.
REFERÊNCIAS
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