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<journal-title specific-use="original" xml:lang="pt">Gestão &amp; Regionalidade</journal-title>
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<subject>Artigos</subject>
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<article-title xml:lang="pt">Diferenças salariais por ocupações entre homens e mulheres no Brasil</article-title>
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<title>Resumo</title>
<p>A desigualdade de rendimentos entre profissionais que exercem a mesma função é marcante no   Brasil.   Indivíduos   que   estão   alocados   nos   mesmos   grupos   ocupacionais   possuem   produtividade  similar,  dessa  forma,  não  devria  haver  grande  diferença  entre  os  salários  de  homens e mulheres. Nesse contexto, o objetivo desta pesquisa é analisar as diferenças salariais por gênero entre trabalhadores alocados nas mesmas ocupações entre 2005 e 2015. Para isso, foram utilizados a decomposição de Oaxaca (1973) e o banco de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD. Os principais resultados mostraram que o componente atribuído à discriminação aumentou no período de 2005 a 2015. Foram encontradas evidências de teto de vidro (glass ceiling) para as categorias de ocupações de gerência e diretoria do setor privado  e  de  diretoria  do  poder  público,  e  também  evidências  de  piso  pegajoso  (stick  floor)para as ocupações de serviços.</p>
</abstract>
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<title>Abstract</title>
<p>The  income  inequality  among  professionals  performing  the  same  function  is  remarkable  in  Brazil.   Individuals   who   are   allocated   to   the   same   occupational   groups   have   similar   productivity,  therefore,  there  should  be  no  great  difference  between  the  salaries  of  men and women. In this context, the objective of this research is to analyze the gender wage differences among workers allocated to the same occupations between 2005 and 2015. For this purpose, we  used  the  Oaxaca  decomposition  (1973)  and  the  database  of  the Pesquisa  Nacional  por  Amostra  de  Domicílios  –  PNAD (National Survey by Household Sample). The  main  results  showed  the  component  attributed  to  discrimination  increased  in  the  period  from  2005  to  2015.Evidence  of  glass  ceiling  was  found  for  occupations  categories  of  management  and  board, of the Private Sector, as well as for occupations categories of board, of the Public Sector. Evidence of stick floor was found for service occupations.</p>
</trans-abstract>
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<title>Palavras-chave</title>
<kwd>desigualdade</kwd>
<kwd>discriminação ocupacional</kwd>
<kwd>mercado de trabalho</kwd>
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<title>Keywords</title>
<kwd>inequality</kwd>
<kwd>occupational discrimination</kwd>
<kwd>labor market</kwd>
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<title>1 INTRODUÇÃO</title>
<p>Em  países  desenvolvidos  como  os  Estados    Unidos,    evidenciaram-se    nos    últimos 25 anos uma nova transformação da estrutura  salarial  com  a  intensificação  da polarização  do  mercado  de  trabalho,  pois  houve   crescimento   das   ocupações   dos   salários   mais   altos   e   dos   salários   mais   baixos           que,           consequentemente,           correspondem aos postos de trabalhos com maiores   e   menores   qualificações   (skill), respectivamente, por outro lado, reduziu as ocupações       de       média       qualificação       (DWYER,   2013;   SMITH,   2013). Nessa polarização   foi   observado   aumento   na   desigualdade no topo da cauda superior da distribuição salarial. Na parte inferior houve expansão  seguida  por  uma  compressão  na  distribuição     salarial.     Além     disso,     a     dispersão  no  topo  salarial  também  cresceu  entre     os     gêneros,     aprofundando     adesigualdade  das  mulheres  em  relação  aos  homens   e   ampliando   potencialmente   a   discriminação por gênero (DAVID, KATZ; KEARNEY, 2006).</p>
<p>Em   termo   mundial,   o   setor   de   serviços  superou  a  agricultura  como  o  que  mais  empregava  mulheres  e  homens.  Em  2015,  pouco  mais  da  metade  da  população  global   trabalhava   em   serviços   (50,1%).   Contudo,   em   2015,   42,6%   dos   homens   trabalhavam  em  serviços,  por  outro  lado,  desde 1995 mais da metade das mulheres do mundo  estava  empregada  nesse  setor.  A  segregação setorial e profissional contribui expressivamente  para  as  disparidades  de  gênero, tanto em termos de número como de qualidade     de     empregos     (RUBERY; KOUKIADAKI, 2016).</p>
<p>A    importância    do    gênerodo trabalhador        está        relacionada        à        discriminação salarial, como é amplamente examinado na literatura (KASSOUF, 1998). A    diferença    salarial    entre    homens    e    mulheres  é  um  importante  desajuste  no  mercado  de  trabalho  encontrado  em  países com   baixo   desenvolvimento   bem   como   desenvolvidos. Ruijter,  Doorne-Huiskes  e  Schippers  (2003)  analisaram  a  diferença  salarial  entre  ocupações  para  a  Holanda,Chevalier (2007) entre graduados do Reino Unido, Barón e Cobb-Clark (2008) entre o setor público e privado para Austrália.</p>
<p>Nas investigações sobre as causas da desigualdade salarial, tornou-se frequente o diagnóstico  da  desvalorização  do  trabalho  feminino, principalmente, devido ao tipo de inserção  ocupacional  que  os  homens  e  as  mulheres estão sujeitos. As mulheres estão recebendo  remunerações  menores  porque  usualmente se dedicam a atividades ligadas aos  cuidados  e  à  reprodução  da  força  de  trabalho   (serviços,   domésticos,   saúde   e   educação) e a funções de apoio e execução. A  população  masculina  está  se  ocupando,  com    maior    frequência,    na    produção,    construção,         no         ramo         terciário         especializados   no   suporte   à   geração   de   riqueza      (crédito,      logística      etc.)      e      desempenham    funções    de    direção    e    planejamento.     Assim, as     ocupações     masculinas   seriam   mais   prestigiadas   e   valorizadas   (MELO,  1998;  KON,  2002;  PED, 2014; BRUSCHINI, 2017).</p>
<p>A  elaboração  de  políticas  públicas  que       combatam eficientemente       as       desigualdades   salariais   por   gênero   deve distinguir o que é discriminação salarial do que  é  segregação  ocupacional,  e  qual  dos  dois está prejudicando mais as mulheres no mercado de trabalho. Independente de qual desses   vetores   estão   mais   presente   na   dispersão salarial entre homens e mulheres, em     estudo     recente     para     o     Brasil,     Paschoalino,   Plassa,   Dos   Santos   (2017)mostram  que  a  educação  ainda  tem  sido  o  grande     responsável     para     mitigar     a     discriminação,  enquanto  que  a  experiência  agiu     no     sentido     de     aumentar     adiscriminação.  Fiuza-Moura et  al.  (2018)também        revelam        a        persistente        discriminação no setor industrial brasileiro, apesar  da  redução  entre  2003  a  2013.  Eles  também  constataram  uma  relação  negativa  entre  discriminação  e o  segmento  de  alta  intensidade tecnológica.</p>
<p>No    Brasil    a    participação    das    mulheres     no     mercado     de     trabalho     apresentou  expressivo  crescimento  a  partir  dos    anos    1970,    devido    ao    processo    industrialização e urbanização, e continuou apresentando       taxas       crescentesde participação  até  os  dias  atuais.  A  entrada  das   mulheres   no   mercado   de   trabalho   ocorreu,    principalmente,    no    setor    de    serviços,    em    atividades    de    escritório    (funções burocráticas) e em outros serviços, e  pode-se  se  destacar  o  serviço  doméstico.  As    características    do    desenvolvimento    econômico brasileiro foram importantes na determinação     dos     espaços     a     serem ocupados  pelas  mulheres  no  mercado  de  trabalho.  Assim,  a  expansão  dos  serviços  públicos  no  processo  de  industrialização  brasileiro foi importante para o crescimento do  emprego  feminino  nas  áreas  de  saúde,  educação   e   na   administração   púbica,   e   indiretamente nas atividades de comércio e dos   serviços   pessoais   (CACCIAMALI, TATEI;   ROSALINO,   2009;   QUIRINO,   2012; BRUSCHINI, 2017).</p>
<p>Vários      estudos      mostram      a persistente  diferença  salarial  por  gênerosendo uma    das    características    mais    marcantes     do     mercado     de     trabalho     brasileiro,  gerada  pela discriminação  entre homens e mulheres, apesar de reduções do hiato  salarial  nas  últimas  décadas  (LEME; WAJNMAN,  2000;  LAVINAS;  NICOLL, 2005;    BRUSCHINI,    2007;    QUIRINO, 2012;  FREISLEBEN;  BEZERRA,  2012;  MATTEI;    BAÇO,    2017;    FAUSTINO,    ARAÚJO;  MAIA,  2017).  Nesse  sentido,  Hoffmann     e     Leone     (2005,     p.     37)argumentam       “A       consolidação       da       participação   da   mulher   no   mercado   de   trabalho    não    sereflete    somente    na    aproximação    por    sexo    das    taxas    de    participação, mas também na diminuição do hiato salarial entre homens e mulheres.”</p>
<p>Os estudos sobre discriminação são abundantes,  contudo  há  poucos  trabalhos  analisando  a  discriminação  por  ocupações,tais  como  o  estudo  de  Cambota  e  Pontes  (2006) que analisou a descriminação por cor e gênero para somente o ano de 2004; mais recentemente   os   estudos   de Mantovani, Souza    e    Gomes    (2020;    2021),    que    analisaramtrês grandes grupos ocupacionais somente  para o  ano  2015, respectivamente      para      o      Brasil;      e      comparativamente   entre   os   estados   da   Bahia e Paraná.</p>
<p>Esta  pesquisa  pretende  preencher  a  lacuna de analisar a evolução no tempo da discriminação em grupos ocupacionais commaior nível de desagregação desses grupos, bem   como   identificar   a   presença   dos fenômenos   do   “teto   de   vidro”   e “piso pegajoso” no mercado e trabalho brasileiro. A  pesquisa  tem  como  objetivo  principal analisar  as  diferenças  salariais  por  gêneroentre  trabalhadores  alocados  nas  mesmas  ocupações   em   2005   e   2015   no   Brasil.   Portanto,     a     pesquisa     contribui     para     identificar    em    quais    ocupações    esse    fenômeno  econômico  indesejável  é  mais  intenso ao  longo do  tempo;  nesse  período analisado        aeconomia        nacional        experimentou  altas  taxas  de  crescimento  e  baixo desemprego.</p>
<p>A  pesquisa  foi  dividida  em  quatro  seções,  além  da  presente  introdução.  Na  seção   2   é   apresentada   uma   revisão   da   literatura  sobre  a  situação  da  mulher  no mercado de trabalho. A seção 3, por sua vez, foi destinada à apresentação da metodologia utilizada.A  seção  4  foi  destinada  para  a  apresentação  dos  resultados  e  discussões  e  por   fim,   na   seção   5   apresentam-se   as   considerações finais.</p>
<p>2 A   MULHER   NO   MERCADO   DE   TRABALHO</p>
<p>O  conceito  de  gênero  tem  a  função  de  fazer  a ruptura  da  naturalização  das  diferenças entre homens e mulheres. Essas diferenças  são  de  fato  consequências  de interações  sociais  construídas  e  moldadasconstantemente, nas diferentes sociedades e diferentes   períodos históricos.   Portanto,   “(1) o gênero é um elemento constitutivo de relações  sociais  baseadas  nas  diferenças  percebidas  entre  os  sexos  e  (2)  o  gênero  é  uma  forma  primária  de  dar  significado  às  relações de poder (SCOTT, 1995, p. 86)”. O conceito  gênero  é  uma  construção  social  e  cultural   das   diferenças   sexuais.   Juidth Butler  resignificou o  conceito  de  gênero, substituindo as noções unitárias de mulher e uma identidade genérica  por  conceitos  de  identidade sociais plurais e de constituição complexa,    sendo    que    o    gênero    seria    somente  um  traço  relevante  entre  outros(RODRIGUES,     2005). Dessa     forma,     acarreta  numa  ruptura  com  o  binarismo  homem/mulher,  tem  como  premissa  não  compreender  o  gênero  como  algo  fixado  e  sustentado num      discurso      universal, transcende   a   questão   homem   e   mulher(BUTLER, 2003).</p>
<p>Os  marcadores  sociais da  diferença  de     gênero,     tais     como,     sexualidade, idade/geração, “raça ou cor”, classe social e corporalidades  que  interagem  contextual  e  conjunturalmente revelam que as mulheressão  heteronêgeneas  (PISCITELLI,  2008; HANKIVSKY; CHRISTOFFERSEN, 2008).     O     conceito     fundamental, as diferenças    como    conceito    central    das    análises   de   gênero   (BRAH,   2006). As articulações    entre    a    discriminação    de    gênero,   a   homofobia,   o   racismo   e   a   exploração  de  classe,  bem  como  outros  marcadores       sociais,       ou       seja,       a       interseccionalidade,    mostram    que    são sistemas múltiplos e interseção de opressão e             privilégio(HANKIVSKY; CHRISTOFFERSEN,  2008;  TAQUETTE,  2010).</p>
<p>As    contradições    expostas    pela    desigualdade    das    relações    de    gênero    revelam   conflitos   de   poder   em   várias   esferas da vida social, econômica e política. De  acordo  Hirata  e  Kergoat  (2007,  p.  5)  “[...]  divisão  social  do  trabalho  tem  dois  princípios  organizadores:  o  princípio  de  separação  (existem  trabalhos  de  homens  e  trabalhos   de   mulheres)   e   o   princípio   hierárquico (um trabalho de homem “vale” mais  que  um  trabalho  de  mulher)”. Nos mercados de trabalho a desigualdade social e  econômica  entre  homens  e  mulheres  é  revelada  com  mais  clareza.  A  diferença  salarial  entre  homens  e  mulheres  é  um  fenômeno encontrado em países com vários níveis  de  desenvolvimento  (CHEVALIER, 2007; BARÓN; COBB-CLARK, 2008).</p>
<p>Adesigualdade    de    salários    no    mercado     de     trabalho     possui     duas     explicações: a) diferenças de produtividade; e   b)   discriminação   ou   segmentação   na   remuneração      de      trabalhadores      com      produtividades  iguais.  No  primeiro  caso  é  natural  que  os  trabalhadores  com  maior  nível  de  escolaridade  e  experiência  sejam  mais    produtivos    e    recebam    maiores    remunerações.  Nesse  caso,  o  mercado  de  trabalho     age     como     revelador     das desigualdades   educacionais   preexistentes   na    sociedade.    No    segundo    caso,    a    desigualdade de remuneração é produto do processo        de        discriminação        e/ou        segmentação.    O    mercado    de    trabalho    discrimina   quando   remunera   de   forma   diferenciada homens e mulheres ou brancos e negros com a mesma produtividade; isso é,  quando  remunera  de  forma  diferenciada  trabalhadores     que     são     perfeitamente     substituíveis   no   processo   de   produção.   Neste caso, o mercado de trabalho age como geradordas  desigualdades  de  rendimentos  (SILVA; KASSOUF,  2000;  LOUREIRO,  2003; BARROS et al.,2007; MEERKERK, 2010). Entre os marcadores sociais,  além do gênero  tem  a  cor,  ou  seja,  não  branca,  se  sobrepõem,   delineiam   e   aprofundam   o   processo    de    descriminação    contra    as    mulheres.</p>
<p>O aumento da taxa de atividade das mulheres levou a uma maior diversificação do  mercado  de  trabalho,  infelizmente  esta  diversificação      não      significou      uma      desconcentração  do  trabalho  feminino  das  atividades  tradicionalmente  exercidas  por  elas,  geralmente  no  setor  de  serviços  e  em  ocupações    que    seriam    extensões    das    atividades    domésticas    (MELO,    1998). Ocupações  dominadas  por  mulheres,   em média,  apresentam salários mais baixos do que  ocupações  dominadas  por  homens  e  o  componente  residual  ou  de  discriminação  das diferenças salariais de gênero tendem a ser  maior  em  ocupações  dominadas  por  homens   em   comparação   às   ocupações dominadas     por     mulheres     (RUIJTER, DOORNE-HUISKES;            SCHIPPERS,            2003). Os diferenciais de salário no mundo de 1960 a 1990 caíram substancialmente de 65%  para  30%.  A  maior  parte  do  declínio  foi  atribuída  a  aumento  da  escolaridade  feminina,       treinamento       e       vínculo       empregatício(WEICHSELBAUMER; WINTER-EBMER, 2003).</p>
<p>A   discriminação   no   mercado   de   trabalho  ocorre  quando  trabalhadores  com  características   produtivas   similares,   tais   como: formação educacional, experiência e habilidade, recebem salários ou tratamento diferenciado, por pertencerem a grupos que possuem   certas   características   pessoais,   como gênero,  raça,  condição  econômica,  sem   que   estas   tenham   efeito   sobre   a   produtividade  do  trabalhador  (BECKER, 1957). A     discriminação     pode     ser     classificada      em      quatro      tipos:      I) discriminação  salarial  quando  mulheres  e  negros  recebem  salários  menores  do  que  homens    brancos,    fazendo    o    mesmo    trabalho; II)   discriminação   de   empregoquando     mulheres     e     negros     ficam     predominantemente   em   desvantagem   no   que  se  refere  à  baixa  oferta  de  empregos,  sendo,  portanto,  os  mais  atingidos  pelo  desemprego; III) discriminação de trabalho ou  ocupacional  quando  mulheres  e  negros  têm  sido  arbitrariamente  restringidas  ou  proibidas   de   ocupar   certas   ocupações, mesmo  que  sejam  tão  capazes  quanto  os  homens     brancos     de     executar     esses     trabalhos;  e  IV)  discriminação  do  capital  humanoquando  mulheres  e  negros  têm  menores  oportunidades  de  aumentar  sua  produtividade,  tais  como  educação  formal  ou  treinamento  no  trabalho (KON,  2002;  LOUREIRO,    2003;    THORAT,    2008;    LOVÁSZ; TELEGDY, 2010).</p>
<p>A  segregação  ocupacional  refere-se à  separação  de  ocupações  masculinas  e  femininas    e    envolve    fatores    como    a    internalização  de  estereótipos  culturais  de  gênero pelas próprias mulheres que afetam as escolhas individuais delas (FRESNEDA, 2007).A  segregação  vertical  é  a  tendência  de  homens  e  mulheres  serem  empregados  em diferentes níveis da hierarquia, portanto, elas  tendem  a  se  concentrar  em  cargos  de  baixa  qualidade  laboral;  possuem  menores  remunerações;   requerem   baixo   nível   de   instrução;     e     oferecem     pouquíssimas     perspectivas     de     desenvolvimento     de     carreira.     As     barreiras     de     ascensão     profissional    para    as    mulheres    terem    progressão  são  denominadas  de  “teto  de vidro”  (glass  ceiling),  elas  bloqueiam  o  acesso  das  mulheres  à  posição  gerencial.  Dentre  as  barreiras  pode-se  mencionar  as  longas  jornadas  de  trabalho  e  a  cultura  masculina             de             gerenciamento             (FERNANDEZ,   2009;   POGGIO,   2010;   HIROMI, 2016).</p>
<p>A baixa mobilidade ocupacional não se limita ao topo da hierarquia da firma, as barreiras invisíveis também existem para as posições      inferiores,      asquais sãodenominadas    de    piso    pegajoso    (stick    floors). Há um grande número de mulheres em  empregos  com  baixa  remuneração  e  baixa   mobilidade,   que   também   enfrenta   barreiras.  Além  daquelas  barreiras  que  são  mais presentes para teto de vidro, também, existem  as  que  estão  associadas  à  baixa  renda e à baixa disponibilidade e qualidade de    serviços    públicos,    tais    como,    as    necessidades de  as  mulheres  terem  acesso  aos cuidados aos membros mais vulneráveis da família, crianças, idosos e desabilitados, assim como, de oportunidades de aumentar o   capital   humano,   por   meio   de   cursos   técnicos,  treinamento  ou  mesmo  de  ensino  superior  que  se  adequem  ao  cotidiano  das  mulheres (FERNANDEZ, 2009; POGGIO, 2010; HIROMI, 2016).</p>
<p>O teto de vidro é caracterizado pela menor  velocidade  com  que  as  mulheres  ascendem na carreira, o que resulta em sua sub-representação  nos  cargos  de  comando  das organizações e, consequentemente, nas altas  esferas  do  poder,  do  prestígio  e  das  remunerações. É observado mesmo quando as  mulheres  são  dotadas  de  características  produtivas  idênticas  ou  superiores  às  de  seus congêneres do sexo masculino (VAZ, 2013).</p>
<p>É  possível  distinguir  duas  grandes  abordagens ou modelos de interpretação da sub-representação     das     mulheres     nas     posições de poder (segregação vertical) e de sua   manutenção   em   segmentos   menos   visíveis   e   reconhecidos,   tais   como   as   funções      administrativas      laboralmente monótonas    e    invisíveis.    A    primeira    abordagem      foca      nas      mulheres      e,      particularmente,             nas             práticas             discriminatórias, manifestas ou veladas, que visam  excluir  as  mulheres  das  posições  de  poder, enquanto a segunda enfatiza a menor predisposição feminina a assumir cargos de comando (MARRY, 2008).</p>
<p>A  primeira  abordagem  iniciada  por  historiadores,   filósofos   e   retomada   por   sociólogos,     examina     as     causas     dos     bloqueios das carreiras das mulheres a partir do    ponto    de    vista    histórico    e    do    funcionamento      das      instituições      ou      profissões,  ressaltando  os  mecanismos  de  exclusão    feminina,    como    as    barreiras    historicamente  enfrentadas  pelas  mulheres  para  ingressarem  no  ensino  superior,  em  particular em instituições de prestígio. Essa exclusão ao longo do tempo as impediu de se  qualificarem  para  disputar  as  posições  mais  prestigiadas  no  mercado  de  trabalho(KON,      2002;      BRUSCHINI,      2007; MARRY, 2008).</p>
<p>A  segunda  abordagem,  analisada  a partir  da  menor  ambição  profissional  das  mulheres,  estaria relacionada à socialização primária  e  a  interiorização  das  normas  e  valores  que  convém  ao  seu  gênero.  Os  hábitos  de  modéstia,  autodepreciação  e  de  atenção ao outro, as afastariam das disputas acadêmicas  e  das  lutas  de  poder.  Esses  hábitos as conduziriam a investir mais que os   homens   no   ensino   e   em   funções   administrativas      pouco      visíveis,      em      detrimento  da  pesquisa  ou  da  coordenação  de   grandes   equipes.   Adicionalmente,   as   mulheres  desejam  evitar  os  obstáculos  e  conflitos     para     conciliar     suas     vidas     profissionais      e      familiares,      e      que      normalmente    são    potencializados    nas    posições  de  comando  e  nas  carreiras  de  maior   prestígio   (MARRY,   2008;   VAZ,   2013).</p>
<p>De acordo com Chevalier (2007), as mulheres  seguem  as  expectativas  sociais  e  escolhem     carreiras     que     reduzem     a     probabilidade      de      discriminação      ou      permitem    que    elas    cumpram    outros    compromissos, como o cuidado infantil. As características  que  afetam  essas  escolhas  geralmente    não    são    observáveis    pelo    pesquisador. O estudo afirma que 28% das mulheres  do  Reino  Unido  concordam  em  fazer  uma  pausa  na  carreira  por  razões  familiares, mas entre os homens apenas 2%. Além  disso,  a  maternidade  gera  uma  pena  salarial  para  mães  em  comparação  com  as  mulheres     sem     filhos.     Por     exemplo,     Anderson et  al.  (2002)  encontraram  uma  penalidade salarial de 10% para a primeira criança  entre  os  graduados  universitários  dos EUA.</p>
<p>Barros et  al.  (1997)  encontraram para o Brasil, no início da década de 90, que 80%   das   mulheres   encontravam-se   em   ocupações  com  salários  abaixo  da  média,  enquanto   que   apenas   40%   dos   homens   encontravam-se  nessa  situação.  Os  autores  mostraram  que  se  o  diferencial  de  salário  por gênero intraocupacional não existisse, o hiato   salarial   por gênero poderia   ser   reduzido  em  um  terço.  Cambota  e  Pontes  (2006) afirmam que o mercado de trabalho pode estar impedindo a entrada de mulheres em  cargos  de  maior  remuneração,  o  que  contribui  para  o  grau  de  feminização  da  pobreza.    Barón    e    Cobb-Clark (2008)argumentam que na presença do fenômeno teto de vidro o hiato salarial entre homens e mulheres  é  maior  para  trabalhadores  que ganham     salários     relativamente     altos,     enquanto a existência de piso pegajoso pode sugerir    o    contrário.    Os    estudos    de    Arulampalam,   Booth,   Bryan   (2007)   e Christofides,       Polycarpou,       Vrachimis       (2013),realizados    para    os    países    da    comunidade        europeia, encontraram diferenças salariais maiores entre homens e mulheres   no   topo   da   distribuição   de   rendimento,  que  são  consistentes  com  a  abordagem do teto de vidro.</p>
</sec>
<sec>
<title>3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS</title>
<p>O  propósito  deste  estudo  é  analisar  as      diferenças      salariais      entre      os      trabalhadores     alocados     nas     mesmas     ocupações em 2005 e 2015. Para isso, foram utilizados    os    microdados    da    Pesquisa    Nacional    por    Amostra    de    Domicílio    (PNAD)  realizada  pelo  Instituto  Brasileiro  de Geografia e Estatísticas (IBGE) de 2005 e 2015. O ano 2015 foi o último em que a PNAD anual foi realizada, portanto, optou-se  por  utilizar  o  último  ano  disponível  da  pesquisa   e   comparar   com   2005. Dessa forma,  a  pesquisa  analisou  a  evolução  da  diferença salarial de uma década. Os dados foram       agrupados       por       categorias       ocupacionais, nas quais foram considerados trabalhadores      dentro      das      estruturas hierárquicas.  Foi  selecionada  a  população  ocupada do Brasil, com idade entre de 18 a 75 anos.</p>
<p>Para  aplicar  os  procedimentos  de  decomposição   de   Oaxaca   (1973)   foram estimadas  duas  equações  mincerianas  pelo  método dos mínimos quadrados ordinários. Uma  para  determinação  de  salários  por gênero,  e  a  segunda  para  determinação  de  salário por gênero em  cada  ocupação.  O  modelo  funcional  da  primeira  equação  é  o  seguinte:</p>
<p>
<fig id="gf1">
<graphic xlink:href="133475550002_gf2.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
</fig>
</p>
<p>As variáveis Educ (anos de estudo), Exp  e  Exp²  (experiência  e  experiência  ao  quadrado)   são   as   variáveis   de   capital   humano,  a  experiência  foi  calculada  pela  idade   do   indivíduo   menos   a   idade   que   começou  a  trabalhar.  A  variável  B  é  uma  binária para o grupo de vantagem branco. A variável  binária  Urb  corresponde  à  área  urbana,   essa   variável   mede   os   ganhos   salariais  dos  trabalhadores  residentes  no  meio  urbano  sobre  os  trabalhadores  que  residem no meio rural. Foram utilizadas as seguintes  categorias  de  ocupações:  Dirig  Publ  (dirigentes  do  poder  público),  Diret  (diretores),        Gerent        (gerentes        e        supervisores),    Cienc    (Profissionais    das    ciências      e      artes),      Serv      (serviços      administrativos),  Agric  (trabalhadores  de  atividade   agrícola),   Milit   (militares).   A   ocupação “técnicos” foi excluída do modelo para  evitar  colinearidade.  Também,  foram  excluídos     da     amostra     os     amarelos,     indígenas e sem declaração devido à baixa representatividade  na  amostra.  Assim,  a  equação  (1)  foi  estimada  para  homens  e  mulheres.</p>
<p>A       segunda       equação       para       determinação de salário por gênero em cada ocupação é apresentada a seguir:</p>
<p>
<fig id="gf2">
<graphic xlink:href="133475550002_gf3.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
</fig>
</p>
<p>Na equação (2) foram suprimidas da equação  (1)  as  categorias  de  ocupações.  Assim,  aplicou-se  a  equação  (2)  para  cada  ocupação  com  o  intuito  de  verificar  as diferenças    entre    coeficientes    de    cada    ocupação por gênero.</p>
<p>Nas   regressões   de   equações   de   salário  existe  a  possibilidade  de  viés  de  seleção  amostral  devido  a  não  observação  de oferta de mão de obra de indivíduos cujo salário reserva se encontra acima do salário oferecido  pelo  mercado.  O  procedimento  para corrigir esse viés foi desenvolvido por James Heckman4, e esse procedimento leva o   seu   sobrenome,   no   qual   consiste   em   calcular  uma  equação  de  participação  no  mercado  de  trabalho  (do  tipo  probit),  essa equação  gera  a  razão  entre  a  função  de  densidade    amostral    e    a    função    de    distribuição   amostral   subtraída   de   uma   unidade. Tal razão é conhecida como razão inversa de Mills e deve ser adicionada como regressor  da  equação  de  determinação  de  salário     (KASSOUF,     1994; FIUZA-MOURA et   al.,2018).   Esta   pesquisa   aplicou  o  procedimento  de  Heckman  nas  equações de determinação de salário.</p>
<p>A  decomposição  de  Oaxaca  (1973)é utilizada para avaliar quanto da diferença de   rendimentos   pode   ser   explicada   por   diferenças    de    produtividade    entre    os    gêneros   e   quanto   se   deve   ao   fato   das   mulheres  receberem  menos,  apenas,  por  serem     mulheres.     Essa     decomposição     consiste,  segundo Leme e Wajnman (2000)em:</p>
<p>
<fig id="gf3">
<graphic xlink:href="133475550002_gf4.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
</fig>
</p>
<p>Onde <bold>𝐰</bold> é  o  logaritmo  do  salário;  . o intercepto da regressão; . é o vetor das variáveis de capital humano (que determina o    rendimento    do    trabalho    individual    conforme  a  produtividade  do);  <bold>𝛃</bold> é  o  vetor  dos  coeficientes;  e  <bold>𝛍</bold> é  o  erro  ou  termo  estocástico.    Os    subscritos  . e 𝐟𝐟representam    as    variáveis    masculina    e    feminina.   E   o   subscrito   . representa   o   número   de   indivíduos   participantes   da   amostra.</p>
<p>
<fig id="gf4">
<graphic xlink:href="133475550002_gf5.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
</fig>
</p>
<p>Onde 𝐰𝐰�𝐦𝐦−𝐰𝐰�𝐟𝐟   é  a  diferença  do  logaritmo  dos  salários  médios.  O  último  termo ∑𝛃𝛃𝐢𝐢𝐦𝐦(𝐱𝐱�𝐢𝐢𝐦𝐦−𝐱𝐱�𝐢𝐢𝐟𝐟) corresponde à parte da diferença de salários que se deve às diferenças   de   características   ponderadas   pelo valor que se dá a essas características para o homem, ou seja, mede as diferenças de  rendimentos  devido  às  diferenças  de  atributos produtivos entre os trabalhadores. Essa  parte  do  diferencial  ocorreria  se  o  mercado  de  trabalho  fosse  cego  quanto  ao  gênero dos indivíduos.</p>
<p>No primeiro   termo, 𝛂𝛂𝐦𝐦−𝛂𝛂𝐟𝐟,   a   diferença  de  interceptos  indica  a  diferença  residual  nos  rendimentos.  Uma  diferença positiva mostra quando os homens são mais bem   pagos   do   que   as   mulheres   para   qualquer  nível  das  variáveis  explicativas. Portanto,  este  e  o  segundo  termo  são  parte  da   diferença   de   rendimento   que   não   é   explicada pela diferença de atributos.</p>
</sec>
<sec>
<title>4 RESULTADOS E DISCUSSÕES</title>
<p>O mercado de trabalho no ocidente é predominantemente   masculino,   uma   vez   que  eles  eram  considerados  os  provedores da  família  e,  por  outro  lado,  às  mulheres  cabia o papel de cuidar da casa, dos filhos e demais   membros   da   família   que   são   vulneráveis.  Contudo,  nos  últimos  anos  a  taxa de atividade feminina vem crescendo, o que reflete uma mudança no papel social da  mulher  e  nas  relações  de gênero.  No  Brasil,  de  acordo  a  Tabela  1,   a  taxa  de  atividade  feminina  passou  de  42,63%  para  43,01%,       de       2005       para       2015,       respectivamente.  A  desigualdade  de  taxas  de  atividade  por  gênero  ainda  persistia  em  2015,       com       uma       diferença       deaproximadamente  14  p.p.  Apesar  de que  a  grande maioria das mulheres ainda enfrenta uma  dupla  jornada  de  trabalho,  além  do  trabalho remunerado, as mulheres dedicam mais horas do que os homens às atividadesdomésticas, as  quais  incluem  cuidar  dosdemais vulneráveis   do   núcleo   familiar   como   crianças   e   idosos   (CHEVALIER,2007 FERNANDEZ,    2009;    POGGIO,    2010; HIROMI, 2016). Entretanto de forma lenta  surgem  outros  arranjos  familiares  os  quais liberam mais tempo para as mulheres reduzirem  o  tempo  gasto  nas  atividades domésticas e dedicarem mais tempo para a vida     profissional.     No     geral,     ainda     predomina  na  sociedade  brasileira  a  dupla  jornada.</p>
<p>
<table-wrap id="gt1">
<alternatives>
<graphic xlink:href="133475550002_gt2.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
<table id="gt2-526564616c7963">
<tbody>
<tr/>
<tr>
<td>Mulheres</td>
<td>38.665.583</td>
<td>43.01</td>
</tr>
<tr>
<td>Homens</td>
<td>51.231.990</td>
<td>56.99</td>
</tr>
<tr>
<td>Total</td>
<td>89.897.573</td>
<td>100</td>
</tr>
<tr/>
<tr>
<td>Mulheres</td>
<td>34.245.715</td>
<td>42,61</td>
</tr>
<tr>
<td>Homens</td>
<td>46.119.101</td>
<td>57,39</td>
</tr>
<tr>
<td>Total</td>
<td>80.364.816</td>
<td>100</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</alternatives>
</table-wrap>
</p>
<p>Na    Tabela    2    é    possível    verificar    a    distribuição   da   população   ocupada   por   ocupações  selecionadas.  Observa-se  que  a  grande   maioria   da   população   brasileira   estava    trabalhando    nos    Serviços    com61,21% em 2005 e aumentou para 63,80% em  2015;  a  segunda  ocupação  com  maior  percentual  é  a  atividade  Agrícola  e  teve  importante  redução  de  18,92%  e  13,13%  para    o    período    de    2005    e    2015,    respectivamente,  refletindo  a  redução  dos  postos  de  trabalhos  nesse  setor  que  foi  liderado  pelo  intenso  uso  de  tecnologia  poupadora de mão de obra.</p>
<p>
<table-wrap id="gt2">
<alternatives>
<graphic xlink:href="133475550002_gt3.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
<table id="gt3-526564616c7963">
<tbody>
<tr/>
<tr/>
<tr>
<td>3,47%</td>
<td>0,28%</td>
<td>1,23%</td>
<td>7,28%</td>
<td>0,92%</td>
<td>9,90%</td>
<td>63,80%</td>
<td>13,13%</td>
<td>100%</td>
</tr>
<tr/>
<tr/>
<tr>
<td>3,83%</td>
<td>0,32%</td>
<td>1,15%</td>
<td>7,44%</td>
<td>0,77%</td>
<td>6,36%</td>
<td>61,21%</td>
<td>18,92%</td>
<td>100%</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</alternatives>
</table-wrap>
</p>
<p>Tabela  3  mostra  que  os  homens  eram  maioria   em   quase   todas   as   ocupações,   exceto  nas  Ciências  e  Letras,  em  que  as  mulheres  representavam  62,39%  em  2015,  revelando   forte   segregação   ocupacional. Esses  resultados  estão  de  acordo  com  as  pesquisas  recentes  (MANTOVANI, et  al., 2020,  2021)  e  refletem  em  grande  parte  a  segregação ocupacional que envolve fatores como   a   internalização   de   estereótipos   culturais de gênero pelas próprias mulheres, que  afetam  as  escolhas  individuais  delas  (FRESNEDA,  2007).  Além  disso,  também reflete a  demanda  do  mercado  de  trabalho  por    mulheres    para    um    conjunto    deocupações  relacionadas  a  serviços  (KON,  2002).</p>
<p>A ocupação Militares é tipicamente masculina e apresenta um percentual muito elevado  91,01%  de  homens  em  2015.  Já, nas  ocupações  dos  Serviços  e  Técnicos,  as  taxas  de  atividade  masculinas  e  femininas  são próximas às taxas de atividade para cada gênero.  Assim,  os  homens  apresentaram  taxas  de  atividades  acima  da  média  em  ocupações      de      maior      prestígio      e      remuneração  que  as  mulheres,  tais  como,  nas  ocupações  de  Diretores,  Dirigentes  do  Poder   Público,   Gerentes.   Destaca-se   a   ocupação  de  Dirigentes  do  Poder  Público  que      apresentou      uma      redução      de      aproximadamente 10% do total de mulheres ocupadas  no  período  analisado.  O  período  analisado   foi   de   grande   expansão   da economia nacional, no entanto, as mulheres foram  fracamente  preteridas  tanto  no  setor  público como no privado nas ocupações nos níveis hierárquicos mais altos das empresas. Esses  dados  revelam  fortes  evidências  de segregação vertical, isto é, existem barreiras de  ascensão  profissional  para  as  mulheres  terem progressão, as quais são denominadas de   “teto   de   vidro”   (glass   ceiling),   elas   bloqueiam o acesso das mulheres à posição gerencial.</p>
<p>
<table-wrap id="gt3">
<alternatives>
<graphic xlink:href="133475550002_gt4.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
<table id="gt4-526564616c7963">
<tbody>
<tr/>
<tr/>
<tr>
<td>Homens</td>
<td>62,24</td>
<td>63,14</td>
<td>64,17</td>
<td>56,04</td>
<td>91,01</td>
<td>37,61</td>
<td>56,48</td>
<td>70,04</td>
</tr>
<tr>
<td>Mulheres</td>
<td>37,76</td>
<td>36,86</td>
<td>35,83</td>
<td>43,96</td>
<td>8,99</td>
<td>62,39</td>
<td>43,52</td>
<td>29,96</td>
</tr>
<tr>
<td>Total</td>
<td>100%</td>
<td>100%</td>
<td>100%</td>
<td>100%</td>
<td>100%</td>
<td>100%</td>
<td>100%</td>
<td>100%</td>
</tr>
<tr/>
<tr/>
<tr>
<td>Homens</td>
<td>65,86</td>
<td>53,42</td>
<td>63,35</td>
<td>53,17</td>
<td>95,00</td>
<td>39,78</td>
<td>56,05</td>
<td>65,76</td>
</tr>
<tr>
<td>Mulheres</td>
<td>34,14</td>
<td>46,58</td>
<td>36,65</td>
<td>46,83</td>
<td>5,00</td>
<td>60,22</td>
<td>43,95</td>
<td>34,24</td>
</tr>
<tr>
<td>Total</td>
<td>100 %</td>
<td>100 %</td>
<td>100 %</td>
<td>100 %</td>
<td>100 %</td>
<td>100 %</td>
<td>100 %</td>
<td>100 %</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</alternatives>
</table-wrap>
</p>
<p>Uma  das  abordagens  mais  usadas  para  avaliar  a  magnitude  das  diferenças  salariais     consiste     em     comparar     os     rendimentos médios por hora trabalhada. A Tabela 4 mostra que os rendimentos médios por hora trabalhada das mulheres em 2015 eram  inferiores  em  todas  as  ocupações,  principalmente    na    ocupação    Agrícola,    Ciências  e  Letras  e  Dirigentes  do  Poder  Público,   nessas   ocupações   as   mulheres   recebiam    65,39%,    40,78%    e    31,73%,    respectivamente,   a   menos   do   que   os   homens.   Sendo   que   as   ocupações   de   Ciências  e  Letras  e  Dirigentes  do  Poder  Público   foram   as   que   apresentaram   os   maiores  rendimentos  por  hora  trabalhada.  Ao   longo   do   período   2005   a   2015   as   ocupações de Gerentes, Dirigentes do Poder Público,   Militares   e   Ciências   e   Letras   apresentaram aumento da diferença salarial. Para  as  ocupações  de  Diretores,  Técnicos,  Serviços  e  Agrícola  a  diferença  salarial  diminuiu.   No   caso   dos   Serviços   é   a   categoria que mais emprega e tem o menor salário médio, exceto a ocupação Agrícola.</p>
<p>De  acordo  com  Freeman  (1996)  e Levin-Waldman (2002)  constaram  que  o  salário   mínimo   tem   efeito   distributivo   positivo  na  estrutura  salarial  na  economia  dos  Estados  Unidos.  No  Brasil  o  salário  mínimo tem também impacto positivo, mas é   mais   intenso   nas   remunerações   mais   baixas   e   reduz   no   topo   da   distribuição   salarial, esse comportamento é denominado efeito  farol  (SOUZA;  BALTAR,  1980),  o  que   é   consistente   para   países   que   têm   grande  desigualdade  salarial.  A  legislação  do  salário  mínimo  brasileiro  é  um  piso  importante, para muitos postos de trabalhos menos   qualificados.   Por   exemplo,   essa   legislação   se   estende   para   o   trabalho   doméstico, que em 2015 representava 5,5% dos  trabalhadores,  sendo  que  as  mulheres  correspondiam   a   92%   nesta   ocupação,   portanto,  qualquer  alteração  no  valor  do  salário    mínimo    tem    impactos    sociais    importantes,   porque   afeta   a   renda   da   população.    A    estrutura    salarial    mais    comprimida   na   base   salarial   e   menos   desigual converge para o fenômeno do piso pegajoso.</p>
<p>
<table-wrap id="gt4">
<alternatives>
<graphic xlink:href="133475550002_gt5.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
<table id="gt5-526564616c7963">
<tbody>
<tr/>
<tr/>
<tr>
<td>Homens</td>
<td>33,18</td>
<td>47,93</td>
<td>45,03</td>
<td>25,18</td>
<td>32,30</td>
<td>53,66</td>
<td>12,16</td>
<td>6,53</td>
</tr>
<tr>
<td>Mulheres</td>
<td>25,55</td>
<td>32,77</td>
<td>36,82</td>
<td>22,09</td>
<td>27,78</td>
<td>31,78</td>
<td>9,81</td>
<td>2,26</td>
</tr>
<tr>
<td>Diferença</td>
<td>-23,00</td>
<td>-31,63</td>
<td>-18,23</td>
<td>-12,27</td>
<td>-13,99</td>
<td>-40,78</td>
<td>-19,33</td>
<td>-65,39</td>
</tr>
<tr/>
<tr/>
<tr>
<td>Homens</td>
<td>12,44</td>
<td>18,15</td>
<td>25,18</td>
<td>8,91</td>
<td>8,76</td>
<td>18,11</td>
<td>3,82</td>
<td>12,44</td>
</tr>
<tr>
<td>Mulheres</td>
<td>10,31</td>
<td>14,31</td>
<td>15,46</td>
<td>6,20</td>
<td>10,64</td>
<td>11,40</td>
<td>3,00</td>
<td>10,31</td>
</tr>
<tr>
<td>Diferença</td>
<td>-17,12</td>
<td>-21,16</td>
<td>-38,60</td>
<td>-30,42</td>
<td>21,46</td>
<td>-37,05</td>
<td>-21,47</td>
<td>-77,53</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</alternatives>
</table-wrap>
</p>
<p>A  Tabela  5  apresenta  as  estimativas  das  funções  de  salário  para  trabalhadores  do  gênero  feminino  e  masculino  em  2005  e  2015.    Os    resultados    mostraram    sinal    positivo  para  a  Educação  e Experiência, portanto,  quando  ocorre  aumento  nessas  variáveis,  tanto  para  homens  como  para  mulheres,   os   salários   aumentam.   Esses resultados  condizem  com  os  postulados  da  teoria do capital humano.</p>
<p>Todas   as   variáveis   selecionadas   foram   significativas   para   os   níveis   de   significância de 1% e 5%, o que indica que as variáveis escolhidas explicam a variação do  logaritmo  do  salário  hora.  O  valor  do  coeficiente   de   determinação   R²   indica   quanto  as  variáveis  explicativas  escolhidas  para  a  análise  elucidam  as  mudanças  da  variável   dependente;   todos   os   modelos   apresentaram R² superior a 30%. A variável <bold>Lambda</bold> foi estatisticamente significativa e corresponde à   correção   do   viés   pelo   procedimento de Heckman (1979), ou seja, a necessidade de corrigir a seleção adversa provocada   pelos   trabalhadores   que   não   participam    no    mercado    de    trabalho,    considerando   que   muitos   trabalhadores podem  ter,  por  exemplo,  salário  reserva  maior ao salário praticado no mercado.</p>
<p>
<table-wrap id="gt5">
<alternatives>
<graphic xlink:href="133475550002_gt6.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
<table id="gt6-526564616c7963">
<tbody>
<tr/>
<tr/>
<tr>
<td rowspan="2">Educação</td>
<td>0,074***</td>
<td>0,074***</td>
<td>0,058***</td>
<td>0,060***</td>
</tr>
<tr>
<td>(0,001)</td>
<td>(0,001)</td>
<td>(0,001)</td>
<td>(0,001)</td>
</tr>
<tr>
<td rowspan="2">Experiência</td>
<td>0,017***</td>
<td>0,018***</td>
<td>0,026***</td>
<td>0,022***</td>
</tr>
<tr>
<td>(0,000)</td>
<td>(0,001)</td>
<td>(0,001)</td>
<td>(0,001)</td>
</tr>
<tr>
<td rowspan="2">Experiência²</td>
<td>0,000***</td>
<td>0,000***</td>
<td>0,000***</td>
<td>0,000***</td>
</tr>
<tr>
<td>(0,000)</td>
<td>(0,000)</td>
<td>(0,000)</td>
<td>(0,000)</td>
</tr>
<tr>
<td rowspan="2">Branco</td>
<td>0,187***</td>
<td>0,184***</td>
<td>0,179***</td>
<td>0,183***</td>
</tr>
<tr>
<td>(0,005)</td>
<td>(0,006)</td>
<td>(0,005)</td>
<td>(0,006)</td>
</tr>
<tr>
<td rowspan="2">Urbano</td>
<td>-0,021**</td>
<td>0,225***</td>
<td>0,103***</td>
<td>0,327***</td>
</tr>
<tr>
<td>(0,009)</td>
<td>(0,021)</td>
<td>(0,013)</td>
<td>(0,023)</td>
</tr>
<tr>
<td rowspan="2">Formal</td>
<td>0,275***</td>
<td>0,252***</td>
<td>0,180***</td>
<td>0,178***</td>
</tr>
<tr>
<td>(0,005)</td>
<td>(0,006)</td>
<td>(0,005)</td>
<td>(0,006)</td>
</tr>
<tr>
<td rowspan="2">Poder Público</td>
<td>0,604***</td>
<td>0,582***</td>
<td>0,502***</td>
<td>0,592***</td>
</tr>
<tr>
<td>(0,038)</td>
<td>(0,040)</td>
<td>(0,043)</td>
<td>(0,054)</td>
</tr>
<tr>
<td rowspan="2">Diretores</td>
<td>0,604***</td>
<td>0,536***</td>
<td>0,376***</td>
<td>0,352***</td>
</tr>
<tr>
<td>(0,022)</td>
<td>(0,029)</td>
<td>(0,023)</td>
<td>(0,030)</td>
</tr>
<tr>
<td rowspan="2">Gerentes</td>
<td>0,139***</td>
<td>0,265***</td>
<td>0,162***</td>
<td>0,189***</td>
</tr>
<tr>
<td>(0,014)</td>
<td>(0,018)</td>
<td>(0,016)</td>
<td>(0,019)</td>
</tr>
<tr>
<td rowspan="2">Ciências</td>
<td>0,412***</td>
<td>0,332***</td>
<td>0,418***</td>
<td>0,298***</td>
</tr>
<tr>
<td>(0,014)</td>
<td>(0,013)</td>
<td>(0,013)</td>
<td>(0,013)</td>
</tr>
<tr>
<td rowspan="2">Serviços</td>
<td>-0,430***</td>
<td>-0,386***</td>
<td>-0,336***</td>
<td>-0,339***</td>
</tr>
<tr>
<td>(0,009)</td>
<td>(0,010)</td>
<td>(0,010)</td>
<td>(0,011)</td>
</tr>
<tr>
<td rowspan="2">Militar</td>
<td>0,063***</td>
<td>0,638***</td>
<td>0,357***</td>
<td>0,724***</td>
</tr>
<tr>
<td>(0,020)</td>
<td>(0,080)</td>
<td>(0,021)</td>
<td>(0,060)</td>
</tr>
<tr>
<td rowspan="2">Agrícola</td>
<td>-0,640***</td>
<td>-0,508***</td>
<td>-0,543***</td>
<td>-0,602***</td>
</tr>
<tr>
<td>(0,012)</td>
<td>(0,020)</td>
<td>(0,013)</td>
<td>(0,023)</td>
</tr>
<tr>
<td rowspan="2">Lambda</td>
<td>-0,760***</td>
<td>0,055***</td>
<td>-0,435***</td>
<td>0,189***</td>
</tr>
<tr>
<td>(0,030)</td>
<td>(0,029)</td>
<td>(0,053)</td>
<td>(0,041)</td>
</tr>
<tr>
<td rowspan="2">Constante</td>
<td>0,440***</td>
<td>-0,092***</td>
<td>1,210***</td>
<td>0,822***</td>
</tr>
<tr>
<td>(0,017)</td>
<td>(0,031)</td>
<td>(0,024)</td>
<td>(0,035)</td>
</tr>
<tr>
<td>R2</td>
<td>0,458</td>
<td>0,415</td>
<td>0,357</td>
<td>0,327</td>
</tr>
<tr>
<td>Teste F</td>
<td>5752,6***</td>
<td>3248,47***</td>
<td>34040,94***</td>
<td>2141,76***</td>
</tr>
<tr>
<td>N° de Observações</td>
<td>95435</td>
<td>64055</td>
<td>86007</td>
<td>61873</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</alternatives>
</table-wrap>
</p>
<p>A      Tabela      6      apresenta      a      decomposição    de    Oaxaca    para    cada    ocupação selecionada para os anos de 2005 e   2015.   A   parte   “Explicada”   reflete   o   aumento médio dos salários das mulheres se elas tivessem as mesmas características que os  homens,  assim  se  refere  à  diferença  salarial   que   é   explicada   por   diferenças   produtivas  dos  trabalhadores,  tais  como,  anos  de  estudo  e  experiência.  Já, a  parte  “Não-Explicada”  quantifica  a  mudança  no  salário    das    mulheres    ao    aplicar    os    coeficientes  dos  homens  às  características  das mulheres, portanto, refere-se à parte não explicada  por  atributos  produtivos,  que  os pesquisadores,    em    geral,    associam à discriminação.</p>
<p>Na primeira parte da Tabela 6 pode se  observar  que  quase  todos  os  grupos  ocupacionais  selecionados  apresentaram  a  totalidade  da  diferença  salarial  como  parte  do    componente    “Não-Explicada”.    Na    segunda parte da Tabela 6 foram calculadasas  variações  percentuais  dos  componentes  “Explicada”     e     “Não-Explicada”.     No     componente  associado  à  discriminação  a  ocupação  de  Dirigentes  do  Poder  Público  em    2005    estava    na    segunda    posição    (120,93%) e passou para primeira em 2015 (167,94%).   As   ocupações   de   Gerentes, Diretores  e  Serviços  também  ampliaram  esse   componente   de   2005   para   2015:   118,31%, 63,80% e 83,87% para 123,10%, 115,76%, 108,58%, respectivamente. Essas ocupações   são   consideradas   de   maior   prestígio e status, portanto, considerando a maior  discriminação  do  topo  da  hierarquia  das  firmas,  esse  comportamento  salarial  está convergindo para as análises de outros países que encontraram o fenômeno de teto de vidro.</p>
<p>Para a ocupação Dirigentes do Poder Público     não     se     esperava     encontrar     discriminação, uma vez que os salários são determinados  nos  editais  dos  concursos.  Contudo,     os     resultados     apontam     a     existência  de  discriminação  nas  estruturas  hierárquicas    dos    órgãos    públicos    que    ocupam  as  mulheres,  ou  seja,  os  homens  nesta ocupação5 em média estão em cargos que  remuneram  melhor,  e  como  o  sinal  da  diferença    explicada    foi    negativo, isso significa   que   eles   têm   menos   atributos   produtivos  que  elas.  Dessa  forma,  se  o  trabalho  fosse  remunerado  por  atributos  produtivos,   as  mulheres  deveriam  receber  remunerações maiores que os homens.</p>
<p>O   componente   de   discriminação   salarial  ao  longo  do  tempo,  2005  a  2015,  apresentou        aumento        médio        de aproximadamente      14%.      Exceto      as      ocupações   de   Ciências   e   Militares   que   apresentaram  reduções  nesse  componente.  No Brasil, de acordo com Cacciamali, Tateie   Rosalino   (2009), o   componente   de   discriminação   aumentou   no   período   de   2002  a  2006.  Weichselbaumer  e  Winter-Ebmer (2003)  realizaram  uma  revisão  da  literatura  empírica  internacional  sobre  as  diferenças     salariais     por     gêneroem diferentes   países6 e   constataram   que   o   componente       de       discriminação       ou       inexplicável   não   apresentou   declínio   ao   logo do tempo.</p>
<p>Destaca-se   o   comportamento   da   ocupação  de  Militares,  em  2005  tinha  o  maior percentual (123,15%) do componente associado à discriminação (Não-Explicado) e   apresentou   grande   redução   em   2015   (76,31%). Nesse caso, a diferença salarial é favorável às mulheres. Em 2005, em média, as   mulheres   na   ocupação   de   militares   recebiam aproximadamente 2% a mais que os  homens  na  mesma  ocupação.  Já,   em 2015, elas recebiam em média 4% a menos que  os  homens  na  ocupação  de  militares.  Contudo,   quando   adicionado   às   demais   variáveis     de     controle,     as     mulheres apresentaram    vantagem    salarial    nesta    ocupação para 2015. O contingente militar das  forças  armadas  de  mulheres  no  Brasil  expandiu-se  fortemente  a  partir  de  2004,  apesar do pequeno percentual, cerca de 7%, entretanto,        essas        militares        são        majoritariamente    graduadas    e    oficiais    subalternos,  cujos  salários  são  superiores  aos  dos  praças.  O  serviço  militar  para  os  homens é obrigatório, o que contribui para grande   contingente   masculino   de   baixa   patente. De acordo com Resende (2017),  a participação   nas   patentes   superiores   é   pouquíssima      expressiva      mantendo-se constante desde 2004, mas, potencialmente, pode aumentar ao longo do tempo.</p>
<p>No  geral  o  aumento  da  renda  entre  2005  e  2015  no  Brasil  refletiu  em  salários  mais  altos  para  homens  e  mulheres,  o  que  também contribuiu para reduzir a diferença salarial entre ambos. Entretanto, renda mais alta,  assim  como  nos  países  europeus  e  os  Estados     Unidos     não     elimina,     mas,     sobretudo,   amplia   as   diferenças   salarias   para as categorias ocupacionais no topo da distribuição,   os   quais   têm   também   em   média altos níveis educacionais. Apesar das conquistas  femininas  nas  últimas  décadas  no  âmbito  do  mercado  de  trabalho  bem  como  no  espaço  doméstico,  os  atributos  produtivos   das   mulheres   ainda   não   são   valorizados na mesma proporção do que os dos homens.</p>
<p>
<table-wrap id="gt6">
<alternatives>
<graphic xlink:href="133475550002_gt7.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
<table id="gt7-526564616c7963">
<tbody>
<tr/>
<tr/>
<tr>
<td>Gerentes</td>
<td>-0,031</td>
<td>0,200</td>
<td>0,169</td>
<td>Gerentes</td>
<td>-0,048</td>
<td>0,257</td>
<td>0,209</td>
</tr>
<tr>
<td>Dirigentes do Poder Público</td>
<td>-0,057</td>
<td>0,330</td>
<td>0,273</td>
<td>Dirigentes do Poder Público</td>
<td>-0,073</td>
<td>0,180</td>
<td>0,107</td>
</tr>
<tr>
<td>Diretores</td>
<td>0,141</td>
<td>0,248</td>
<td>0,388</td>
<td>Diretores</td>
<td>-0,041</td>
<td>0,304</td>
<td>0,263</td>
</tr>
<tr>
<td>Técnicos</td>
<td>0,000</td>
<td>0,268</td>
<td>0,267</td>
<td>Técnicos</td>
<td>-0,014</td>
<td>0,234</td>
<td>0,220</td>
</tr>
<tr>
<td>Ciências</td>
<td>0,012</td>
<td>0,354</td>
<td>0,366</td>
<td>Ciências</td>
<td>0,027</td>
<td>0,333</td>
<td>0,361</td>
</tr>
<tr>
<td>Serviços</td>
<td>0,039</td>
<td>0,204</td>
<td>0,243</td>
<td>Serviços</td>
<td>-0,018</td>
<td>0,222</td>
<td>0,204</td>
</tr>
<tr>
<td>Agrícola</td>
<td>0,048</td>
<td>0,156</td>
<td>0,204</td>
<td>Agrícola</td>
<td>-0,007</td>
<td>0,285</td>
<td>0,278</td>
</tr>
<tr>
<td>Militares</td>
<td>0,085</td>
<td>-0,453</td>
<td>-0,368</td>
<td>Militares</td>
<td>-0,046</td>
<td>-0,147</td>
<td>-0,193</td>
</tr>
<tr/>
<tr/>
<tr>
<td>Gerentes</td>
<td>-18,31</td>
<td>118,31</td>
<td>Gerentes</td>
<td>-23,10</td>
<td>123,10</td>
</tr>
<tr>
<td>Dirigentes do Poder Público</td>
<td>-20,93</td>
<td>120,93</td>
<td>Dirigentes do Poder Público</td>
<td>-67,94</td>
<td>167,94</td>
</tr>
<tr>
<td>Diretores</td>
<td>36,20</td>
<td>63,80</td>
<td>Diretores</td>
<td>-15,76</td>
<td>115,76</td>
</tr>
<tr>
<td>Técnicos</td>
<td>-0,08</td>
<td>100,08</td>
<td>Técnicos</td>
<td>-6,44</td>
<td>106,44</td>
</tr>
<tr>
<td>Ciências</td>
<td>3,27</td>
<td>96,73</td>
<td>Ciências</td>
<td>7,60</td>
<td>92,40</td>
</tr>
<tr>
<td>Serviços</td>
<td>16,13</td>
<td>83,87</td>
<td>Serviços</td>
<td>-8,58</td>
<td>108,58</td>
</tr>
<tr>
<td>Agrícola</td>
<td>23,45</td>
<td>76,55</td>
<td>Agrícola</td>
<td>-2,67</td>
<td>102,67</td>
</tr>
<tr>
<td>Militares</td>
<td>-23,15</td>
<td>123,15</td>
<td>Militares</td>
<td>23,69</td>
<td>76,31</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</alternatives>
</table-wrap>
</p>
</sec>
<sec>
<title>5 CONSIDERAÇÕES FINAIS</title>
<p>O    objetivo    desta    pesquisa    foi    analisar  as  diferenças  salariais  por  gêneroentre  trabalhadores  alocados  nas  mesmas  ocupações  em  2005  e  2015  no  Brasil.  A desigualdade  de  renda  é  uma  característica  marcante do mercado de trabalho brasileiro, tornando-se  um  problema,  à  medida  que  trabalhadores         com         características         produtivas similares recebem remunerações diferenciadas    com    base    em    atributos    pessoais, tais como cor ou gênero, isso é, os marcadores   sociais   podem   aprofundar   a   discriminação     salarial. Portanto,     esta     pesquisa contribui para a literatura ao trazer o  recorte  ocupacional  para  a  análise  das  diferenças  salariais,  já  que  a  maioria  dos  estudos  utiliza  as  categorias  ocupacionais  como variáveis de controle, mas de fato não analisa  a  diferença  salarial  por  gênero   que existe nas ocupações.</p>
<p>O     principal resultado     foi o componente  atribuído  à  discriminação queexplica  a  totalidade  do  diferencial  salarial  por gênero na maioria das ocupações, além disso,    esse    componente    aumentou    no    período  de  2005  a  2015.  As  ocupações  de  Dirigentes  do  Poder  Público,  Gerentes  e  Dirigentes   foram   as   que   apresentaram   maior  grau  de  discriminação.  Essas  três  ocupações  são  dominadas  por  homens  e  apresentam maior prestígio e remuneração. Já para as mulheres,  até mesmo na ocupação que elas predominam (Ciências),  o grau de discriminação encontrado foi extremamente elevado,   revelando  a  existência  de  teto  de  vidro  (glass  ceiling).  Por  outro  lado,  a  ocupação    de    Serviços    tem    a    menor    diferença    salarial,    bem    como    salários    evidenciando o piso pegajoso (stick floors).</p>
<p>A pesquisa evidência a existência de discriminação  ocupacional  no  mercado  de  trabalho  brasileiro.  Entretanto,  os  grupos  ocupacionais analisados são compostos por algumas ocupações similares que não foram desagregadas    num    maior    número    de    categorias    ocupacionais,    isso    é    uma    limitação  do  estudo  e  ao  mesmo  tempo  sugestão para pesquisas futuras, levando em conta que elas estão disponíveis no banco de dados da PNAD. Além disso, novos estudos também   poderão   analisar   a   partir   da abordagem    da    interseccionalidade na diferença salarial por ocupações.</p>
<p>Por   fim,   apesar   de a   literatura   evidenciar  que  o  Brasil  tem  avançado  em  direção a uma maior igualdade de gênero no aspecto salarial, ainda são necessárias ações do  poder  público  que  visem  proporcionar  melhores condições no acesso à educação e à  igualdade  no  mercado  de  trabalho  entre  mulheres e homens, bem como políticas que visem    à    redução    da    pobreza,    pois    indiretamente  contribui  para  redução  da  pobreza   das   mulheres.   Além   disso,   é   necessário  que  a  população  como  um  todo  se conscientize de que a desvalorização da mão   de   obra   feminina   compromete   o   equilíbrio   no   mercado   de   trabalho   e   a   produtividade   do   trabalho,   além   de   ser   socialmente injusta.</p>
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<article-title>O teto de vidro nas organizações públicas: evidências para o Brasil</article-title>
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