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<journal-title specific-use="original" xml:lang="pt">Gestão &amp; Regionalidade</journal-title>
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<article-title xml:lang="pt">Desenvolvimento Econômico do Estado do Ceará: análise fatorial e de cluster</article-title>
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<title>Resumo</title>
<p>O objetivo deste trabalho foi verificar a dinâmica de desenvolvimento econômico dos municípios do Estado do Ceará a partir de um conjunto de 14 (quatorze) variáveis referentes ao ano de 2010. Utilizou-se a técnica de análise fatorial para a definição dos fatores e análise de clusters para a formação dos grupos homogêneos. A evidência empírica apontou uma extração de quatro fatores que   explicam   aproximadamente   80%   da   variância   total   do   modelo   de   dinâmica   de   desenvolvimento  dos  municípios.  Notou-se  que  sete  municípios  da  Região  Metropolitana  de  Fortaleza (RMF) se destacaram na dimensão econômica e que somente o município de Fortaleza se  destacou  na  dimensão  humana.  Os  resultados  mostraram  que  as  regiões  Noroeste  e  Sul  Cearense  apresentaram  dinâmica  de  desenvolvimento  econômico  inferior  às  demais. Por  fim,  constatou-se  a  existência  de  desequilíbrios  na  dinâmica  de  desenvolvimento  entre  as  regiões  cearenses.</p>
</abstract>
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<title>Abstract</title>
<p>The  objective  of  this  work  was  to  verify  the  dynamics  of  economic  development  of  the  municipalities of the state of Ceará from a set of 14 (fourteen) variables related to the year 2010. The methodological approach used was the factor analysis technique for the definition of factors, and  the  cluster  analysis  for  the  formation  of  homogeneous  groups.  The  empirical  evidence  pointed to an extraction of four factors that explain approximately 80% of the total variance of the development dynamics model of the municipalities. We observed that seven municipalities of the Metropolitan Region of Fortaleza (MRF) stood out in the economic dimension and that only the municipality of Fortaleza stood out in the human dimension. The results showed that the  Northwest  and  South  regions  presented  lower  economic  development  dynamics  than  the  others. Finally, we found the existence of imbalances in the development dynamics between the regions of Ceará.</p>
</trans-abstract>
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<title>Palavras-chave</title>
<kwd>Análise de multivariada</kwd>
<kwd>Municípios cearenses</kwd>
<kwd>Desenvolvimento econômico</kwd>
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<title>Keywords</title>
<kwd>Multivariate analysis</kwd>
<kwd>Ceará municipalities</kwd>
<kwd>Economic development</kwd>
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<title>1 INTRODUÇÃO</title>
<p>O Estado do Ceará,  a partir dos anos de  1990, passou  por  mudanças  de  ordem  política e institucional que se refletiram na dimensão  econômica,  momento  em  que  se  viu    a    modernização    das    instituições    cearenses.  No  campo  social,  constatou-se que,  no  mesmo  período,  a  educação  e  a  saúde    são    apontadas    como    elementos importantes    para    o    crescimento    e    o    desenvolvimento     econômico     e     social     cearense. A educação, em especial, vem se mantendo  na  agenda  das  políticas  públicas  cearenses  com  objetivo  de  melhorar  sua  qualidade,   o   que   a   fez   apresentar   uma   confortável situação em relação aos demais estados   nordestinos,   com   redução,   por   exemplo,   da   taxa   de   analfabetismo   de   26,5%   para   18,8%   entre   2000   e   2010   (SOUZA;   TABOSA,   2016;   MARIANO;   ARRAES; BARBOSA, 2016).</p>
<p>Em  termos  de  divisão  territorial,  o  Estado  do  Ceará  está  dividido  em  sete  mesorregiões            geográficas            com            características        econômicas,        sociais,        demográficas  e  físicas  diferenciadas.  No  que diz respeito aos aspectos físicos, pode-se   ressaltar   mesorregiões   que   convivem   com  período  de  secas  intensas,  enquanto  outras  se  destacam  pela  presença  de  maior  disponibilidade    de    água.    Em    termos    econômicos,   nota-se   que   a   mesorregião   Região      Metropolitana      de      Fortaleza      responde por 64% do PIB cearense seguida pela  mesorregião  Noroeste  Cearense  com  participação    de    10%.    A    mesorregião    Centro-Sul Cearense, por sua vez, obteve a menor  participação  no  PIB  do  Estado  em  2010  (2,52%).  Em  relação  ao  Índice  de  Desenvolvimento      Humano      Municipal      (2010)  das  regiões,  ficou  em  0,62  (em  média),  com  destaque  para  a  mesorregião  Região   Metropolitana,   que   registrou   o   maior  valor  com  0,67.  Segundo  a  Brasil(2019),      as      regiões      com      maiores      participações   nas   unidades   agrícolas   do   Estado   foram   Região   Metropolitana   de   Fortaleza,  Noroeste  Cearense  e  Jaguaribe. Já,  as unidades industriais concentram-se na Região Metropolitana (75%) e Sul Cearense (9,4%).</p>
<p>Assim,  visando  reforçar  os  debates  em        torno        das        estratégias        de        desenvolvimento      socioeconômico      no      Estado do Ceará e que vem tornando-se um desafio    diante    da    multiplicidade    de    evidências,         surge         o         seguinte         questionamento:     quefatores     podem     explicar  a  dinâmica  do  desenvolvimento  econômico no Estado do Ceará? A hipótese levantada   neste   trabalho   é   de   que   as   variáveis  econômicas,  frente  às  variáveis  sociais,    solidificam-se    como    principal    grupo  que  explica  o  desenvolvimento  dos  municípios      cearenses.      Tal      hipótese      fundamenta-se no fato de que, na dimensão econômica, existem   variáveis   das   três   grandes           atividades           econômicas           (agropecuária,   indústria   e   serviços)   que   podem  fazer  com  que  aqueles  municípios  que não possuam atividade industrial dentro de   sua   estrutura   produtiva,   possam   ser   influenciados pelas atividades de comércio e serviços.</p>
<p>Isso  posto,  este  trabalho  teve  como  objetivo      verificar      a      dinâmica      de      desenvolvimento          econômico          dos          municípios  do  Estado  do  Ceará  a  partir  de  um  conjunto  de  quatorze  (14)  variáveis  econômicas  e  sociais  referentes  ao  ano  de  2010. Pretendeu-se, em seguida, estabelecer uma  hierarquia  entre  os  municípios  por  mesorregiões    que    detêm    maiores    ou    menores  potenciais  de  desenvolvimento  e  identificar     os     possíveis     clustersde desenvolvimento  no  Estado.  Ao  final,  o  trabalho  fornecerá  elementos  para  tomada  de decisão na área de promoção e alocação de investimentos regionais.</p>
<p>Este  artigo  apresenta  mais  quatro  seções  além  desta  introdução.  A  primeira  traz  uma  abordagem  sobre  os  debates  de  desenvolvimento e crescimento econômico. A   seção   seguinte   explana   os   aspectos metodológicos       utilizados,       com       a       apresentação  das  fontes  utilizadas  para  a  base de dados e o método de análise fatorial e análise de agrupamento. Os resultados são apresentados  na  quarta  seção  juntamente  com    a    hierarquização    dos    municípios    cearenses.  E  por  fim,  na  seção  cinco  são  realizadas as considerações finais.</p>
<sec>
<title>2 REFERENCIAL TEÓRICO</title>
<p>2.1 As    nuances    do    Desenvolvimento    Econômico Regional</p>
<p>As              discussões              sobre              desenvolvimento mostram-se antigas e, por muitas  vezes,  complexas  e  passaram  por diversas   alterações   ao   longo   dos   anos   (SANTOS et  al.,  2017).  O  próprio  Adam  Smith  já  comentava  que  a  riqueza  de  uma  nação   seria   resultado   de   seu   trabalho   produtivo, da especialização da mão de obra e   da   divisão   do   trabalho.   Para   Joseph   Schumpeter       em       “A       Teoria       do       Desenvolvimento                     Econômico”                     (SCHUMPETER,              1982),              o              desenvolvimento    não    se    explica    pelo    crescimento   econômico,   mas   sim   pelo   processo    de    mudança    espontânea    e    descontínua,  momento  em  que  apresenta  a  inovação   como   consequência   de   novas   combinações.</p>
<p>Assim, dentro desse escopo teórico, emerge a necessidade de debater a questão do    desenvolvimento    regional,    o    qual    apresentou  transformações  ao  longo  das  décadas   do   século   XX.   Os   trabalhos   oriundos   dos   estudos   de   economistas   e   geógrafos   da   década   de   1950,   após   a   Segunda     Grande     Guerra,     permitiram     avanços na compreensão de três conceitos e estratégias   de   desenvolvimento   regional   considerados  de  fundamental  importância  para   a   compreensão   das   desigualdades   regionais existentes. Dessa forma, passados mais   de   cinquenta   anos,   os   estudos   de   economia    regional    abrangem    diversas abordagens,   teorias   e   modelos   para   se   entender  as  trajetórias  de  desenvolvimento  regional (CAPELLO, 2009).</p>
<p>O primeiro conceito desenvolvido e trazido  para  debate  foi  o  elaborado  por François Perroux em 1955, denominado de "polo de crescimento”, o qual fundamenta a ideia de que o desenvolvimento econômico regional acontece via polos de crescimento e  desenvolvimento  com  fortes  conexões  com  as  regiões  de  influência  (PERROUX,  1961). Esses   polos   são   caracterizados,   assim,     por     uma     taxa     elevada     de     desenvolvimento   econômico   e   inúmeras   conexões   cooperativas   (SZAJNOWSKA-WYSOCKA,   2009).   Contudo,   segundo   Szajnowska-Wysocka       (2009),       áreas       fortalecidas   ou   criadas   como   polos   de   crescimento   acabam   dominando   regiões   relativamente   mais   fracas   e   tornam-se competitivas em detrimento das demais. De acordo    com    Capello    (2009),    a    ideia    defendida por Perroux é que a existência de polos   de   desenvolvimento   se   concentra   decorrente da sinergia e forças cumulativas geradas   por   relações   locais   estáveis   e   duradouras,   em   que   o   espaço   físico   é   concebido como diversificado e relacional.</p>
<p>A    segunda    teoria    refere-se    à    “causação    circular    cumulativa”    (CCC)    elaborada  por  Myrdal  (1957)  e  expõe  a  instabilidade   e   desequilíbrio   do   sistema   econômico. A    terceira    foi    a    teoria    desenvolvida por Hirschman (1958) que se valeu   das   teorias   dos   primeiros   para   o   detalhamento  dos  efeitos  para  trás  e  para  frente. Nessa linha, o autor considera que as indústrias-chave,  ou  indústrias  motrizes  de  Perroux,    são    estímulos    ao    potencial    crescimento  do  produto  por  indução  em  uma              determinada              economia              subdesenvolvida.</p>
<p>Para Haddad (2009), nesse contexto teórico    explanado,    o    desenvolvimento    envolve  o  bem-estar  da  sociedade  e,  por  esse motivo, o autor leva em consideração a variável produto per capita como elemento importante     para     a     mensuração     da     produtividade  de  uma  determinada  região  econômica.   No   entanto,   Haddad   (2009)   aponta dois aspectos inerentes à temática: i) primeiro      adiciona      outros      aspectos      relevantes para alcançar o desenvolvimento econômico,       são       eles:       capacidade associativa,         empreendedorismo         e distribuição de renda; ii) Haddad confirma, no caso, o que foi apresentado por Pelinski (2007),  ao  afirmar  que  o  desenvolvimento  não  é  algo  que  ocorre  espontaneamente,  o  que      exige,      portanto,      planejamento      associado  aos  propósitos  governamentais,  ou   seja,   deixa   claro   a   necessidade   de   intervenção estatal na economia regional.</p>
<p>O     desenvolvimento     econômico,     dessa forma, principalmente quando se trata da questão regional, envolve a consideração de  um  conjunto  de  aspectos  amplos,  que  envolve,     por     sua     vez,     informações     econômicas  e  sociais,  pois  são  eles  que  causam    as    disparidades    regionais.    As    variáveis econômicas, por um lado, tendem a refletir o nível de crescimento econômico alcançado por uma região, mas sozinhas são insuficientes  para  afirmar  se  uma  região  é  ou  não  desenvolvida,  por  esse  motivo  ser  necessário  a  inclusão  de  outras  variáveis  referentes as  outras  dimensões,  entre  elas,  as    variáveis    sociais    (EBERTHARDT;    LIMA, 2012).</p>
<p>Neste        aspecto,Szajnowska-Wysocka  (2009)  atesta a  importância  da necessidade  de  observar  continuamente  e  registrar  a  realidade  socioeconômica  em  âmbito regional ou local de modo a prever o  desenvolvimento  futuro,  principalmente  no  panorama  europeu  de  desenvolvimento  endógeno.</p>
<p>Portanto, tecido esse breve pano de fundo  teórico,  começa-se  a  apresentar  os  trabalhos  empíricos  no  que  diz  respeito  à  questão  do  desenvolvimento  econômico  e  regional.      Por   esse   motivo,   os   autores   colocam que o desenvolvimento econômico deve  conduzir  as  pessoas  à  obtenção  de  melhoria  de  renda,  além  de  melhorar  as  condições sociais.</p>
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<title>REFERÊNCIAS</title>
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<article-title>Elementos para pensar territorialidades e desenvolvimento sustentável na mesorregião sul cearense</article-title>
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<article-title>Análise longitudinal para avaliação do ensino profissionalizante</article-title>
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<article-title>Padrão de desenvolvimento econômico dos municípios do Paraná: disparidade, dispersão, e fatores exógenos</article-title>
<source>Dissertação (Mestrado em Desenvolvimento Regional e Agronegócio) – Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional e Agronegócio - Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste)</source>
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<article-title>Utilização da análise fatorial para determinar o potencial de crescimento econômico em uma região do sudeste do Brasil</article-title>
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<article-title>Desenvolvimento e crescimento econômico das macrorregiões de MatoGrosso nos anos 2005 e 2013</article-title>
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<article-title>Análise espacial do desempenho escolar da educação básica dos municípios do estado do Ceará</article-title>
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