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<journal-title specific-use="original" xml:lang="pt">Gestão &amp; Regionalidade</journal-title>
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<subject>Artigos</subject>
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<article-title xml:lang="pt">Conhecimento versusEstereótipo: uma análise sobre a relevância do “Efeito País de Origem”</article-title>
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<title>Resumo</title>
<p>A economia dos países depende, em grande parte, de seu comércio internacional. Estudos do chamado “efeito país de origem” ajudam a explicar a influência da imagem de um país na  avaliação  de  seus  produtos  pelos  consumidores  internacionais.  Mas  até  que  ponto  o  estereótipo de um país supera a avaliação racional baseada no conhecimento. Este estudo teve como objetivo identificar a relevância dessas influências. A pesquisa foi realizada por meio de questionário aplicado pessoalmente a uma amostra de 1.120 habitantes da região do ABC Paulista. A margem de erro estimada é de 4,0%, com confiabilidade de 95,5%. Os dados  foram  analisados  por  meio  de  estatística  descritiva  e  testes  de  correlação.  Os  resultados  mostraram  a  dificuldade  em  reverter  a  influência  da  imagem  negativa  de  um  país. A pesquisa cobre uma lacuna ao abordar a influência do conhecimento prévio sobre um determinado produto frente ao estereótipo de seu país de origem.</p>
</abstract>
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<title>Abstract</title>
<p>The economies of countries depend, in large part, on their international trade. Studies of the so-called 'country of origin effect' help to explain the influence of a country's image on the  evaluation  of  its  products  by  international  consumers.  But  to  what  extent  does  a  country's  stereotype  surpass  rational  knowledge-based  assessment.  This  study  aimed  to  identify  the  relevance  of  these  influences.  The  survey  has  been  conducted  through  a  questionnaire  applied  personally  to  a  sample  of  1,120  inhabitants  of  the  ABC  Paulista  region.  The  estimated  margin  of  error  is  4.0%,  with  95.5%  reliability.  The  data  were  analyzed using descriptive statistics and correlation tests. The results showed the difficulty in  reversing  the  influence  of  a  country's  negative  image.  The  research  covers  a  gap  in  addressing the influence of prior knowledge about a given product against the stereotype of its country of origin.</p>
</trans-abstract>
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<title>Palavras-chave</title>
<kwd>país  de  origem</kwd>
<kwd>imagem  do  país  de  origem</kwd>
<kwd>estereótipos</kwd>
<kwd>nível  de  conhecimento</kwd>
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<title>Keywords</title>
<kwd>- country of origin</kwd>
<kwd>country of origin image</kwd>
<kwd>stereotypes</kwd>
<kwd>knowledge level</kwd>
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<title>INTRODUÇÃO</title>
<p>No   ano   de   2017,   segundo   dados   oficiais do  MDIC,  Ministério  da  Indústria,  Comércio Exterior  e  Serviços  do  Brasil(http://www.mdic.gov.br/comercio-exterior/estatisticas-de-comercio-exterior/comex-vis/frame-brasil), a balança comercial   brasileira   registrou   o   melhor   resultado  dos  últimos  29  anos,  com  saldo  positivo de US$67 bilhões.</p>
<p>Enquanto  as  exportações  cresceram  18,5%   atingindo   US$217,74   bilhões,   as importações  apresentaram  crescimento  de  10,5% para US$150,74 bilhões.</p>
<p>Esses    números    apontam    para    a    relevância     do     comércio     exterior     e, associados    à    grande    volatilidade    dos    mercados     internacionais, suscitam     a     necessidade  de  um  maior  conhecimento acerca   dos   aspectos   que   impactam   as   relações de troca entre diferentes países.</p>
<p>Como   afirmam   Kotler   e   Gertner   (2002),  muitos e complexos fatores ajudam a dar vida à imagem de um país. Entre eles, a mídia se destaca por ter forte influência na formação da imagem que as pessoas têm de uma nação, na medida em que as ideologias das  redações,  sejam  quais  forem,  acabam  por   formular   estereótipos,   a   partir   das   notícias e opiniões divulgadas. Como dizem esses autores, a imagem de um produto, de uma  personalidade  ou  de  um  determinado  país é a simplificação de uma realidade nem sempre condizente com a verdade. Assim, a imagem     de     uma     nação,     ou     mais     precisamente a marca de um país, deve ser cuidada tal qual procede o fabricante de um produto     qualquer     disponibilizado     no     mercado de consumo de massa.</p>
<p>Embora  não  tenha  sido  objeto  deste  estudo, é  notório, em  matérias  divulgadas  na grande imprensa,  que, no momento atual, a imagem internacional do Brasil não é boa. Sem   entrar   no   mérito   da   validade   da   estratégia,   o   fato   é   que   se   propagou   intencionalmente a ideia de que somos um País  inseguro,  cuja  democracia  está  em  xeque,  com  as  liberdades  sendo  cerceadas,  com  a  corrupção  correndo  solta, apesar  de  um esforço que se faz para contê-la, embora já    se    tente    colocar    sub    judiceos procedimentos  legais  adotados  para  esse  fim.    Enfim,    vistos    de    fora    não    nos    apresentamos   como   confiáveis   para   a   produção de bens e serviços, com a honrosa exceção    da    agroindústria    e    algumas    commodities.</p>
<p>Para  Prado  e  Giraldi  (2015),  assim  como acontece com as empresas, os países também   competem   com   o   objetivo   de   ampliar       suas       exportações,       atrair       investimentos e criar uma imagem positiva internacionalmente.   Os   autores   apontam que, entre os aspectos que influenciam essecomércio  internacional,  figura  a  percepção  de qualidade dos consumidores com relação a determinados países e aos produtos neles originados.</p>
<p>Trabalhos   na   Área   de   Marketing   como   os   de   Sutter,   Polo   e   Maclennan(2014), Meirelleset al. (2016), e Borgeset al.(2017)  têm  buscado  estudar  o  impacto  que o país de origem dos produtos provoca na   tomada   de   decisões   relacionadas   ao   processo de compra dos consumidores.</p>
<p>Conforme afirma Giraldi (2006), esse impacto  recebe  o  nome  de  “Efeito  País  de  Origem”  e  refere-se,  de  maneira geral,  aos  estereótipos  desenvolvidos  pelas  pessoas  em relação aos países e, por consequência, aos    produtos    deles    advindos.    Ainda    segundo a autora, tal efeito pode influenciar significativamente  as  decisões  de  compra  dos consumidores.</p>
<p>Enquanto   o   estereótipo   de   baixa   qualidade  atribuído  a  determinados  países  afeta    negativamente    a    propensão    de    compras    dos    consumidores    frente    a    produtos neles originados, o oposto também ocorre, com uma maior   propensão   de   compras de produtos cujos países de origem tenham estereótipo de elevada qualidade.</p>
<p>Apesar   dos   avanços   nos   estudos   referentes  ao  Efeito País de Origem e seus impactos, ainda se faz necessária uma maior compreensão   acerca   da   variação   desses   impactos e cabe questionar se os mesmos se dão de maneira similar, independentemente das   categorias   de   produtos,   níveis   de   conhecimento  efetivos  desses  produtos  e  seus     processos     produtivos,     variáveis     demográficas    dos    consumidores,    entre    outras.</p>
<p>Diante    dessa    demanda,    surge    o    objetivo  central  desse  trabalho,  que  busca  identificar se  o  conhecimento  efetivo  do  consumidor,    acerca   de   um   produto   de   determinado  país  é  capaz  de  influenciar  a  imagem que esse consumidor tem de outros produtos  do  país,   dos  quais  não  se  tem conhecimento.</p>
<p>Questiona-se   a   hipótese   de   que   a   experiência  do  consumidor  com  um  único  produto,  seja  ela  positiva  ou  negativa,  seja  capaz   de   influenciar   a   imagem   que   o   consumidor  irá  formar  de  outros  produtos, dos  quais  não  tenha  um  nível  significativo de conhecimento.</p>
<p>Como  recorte  desse  estudo,   foram selecionados   os   dois   países dos   quais provêm  o  maior  volume  de  importaçõesbrasileiras: Estados Unidos e China.  Foram eleitos ainda determinados     produtos     também    em    função    do    volume    de    importações. Dentre       os       produtos       manufaturados  voltados  aos  consumidores  finais, os  dados  do  MDIC  apontam  que  tiveram     maior     valor     importado     os automóveis  de  passageiros,  com  2,3%  das  importações  brasileiras  em  2017,  os  pneus  com    0,73%,    aparelhos    celulares    com    0,43%, produtos de perfumaria com 0,41%e brinquedos com 0,38%.</p>
<p>Para a validação do questionário, realizou-se um pré-teste, anterior à pesquisa de campo, com estudantes universitários de duas universidades da região da Grande São Paulo. Além de ajustes no questionário, a análise dos resultados do pré-teste apontou alguns aspectos que foram posteriormente aprofundados, como no caso da baixa relevância dos critérios demográficos na avaliação dos produtos analisados.</p>
<sec>
<title>O Efeito País de Origem e os estereótipos</title>
<p>Ao  serem  analisadas  as  etapas  que  compõem o processo de tomada de decisão de  compra  do  consumidor,  identifica-se, conforme  modelo  proposto  por  Blackwell,  Miniard    e    Engel    (2005),    sete    etapas    distintas  que  vão  desde  o  reconhecimento  da  necessidade,  a  busca  de  informações,  a  avaliação  de  alternativas  na  pré-compra,  a  compra  propriamente  dita,  o  consumo,  a  avaliação   pós-consumo,   até   chegar   na   última etapa de descarte.</p>
<p>Dentre   essas   etapas,   a   busca   de   informações  e  a  avaliação  das  alternativas  têm grande relevância ao considerarmos os esforços   do   marketing   na   conquista   de   novos  clientes,  particularmente  no  caso  de  produtos     e     serviços     comprados     em situações     de     alto     envolvimento     do     consumidor.</p>
<p>Já    em    1972,    Olson    e    Jacoby    afirmavam que, ao serem confrontados com uma  determinada  marca,  os  consumidores  eram    expostos    a    diversas    “pistas    de    informação” sobre  as  quais  construiriam  suas opiniões e avaliações. Para os autores, essas  variáveis  poderiam  ser  classificadas  como    intrínsecas    ou    extrínsecas.    As    variáveis intrínsecas referiam-se a aspectos mais tangíveis  como  aparência,  paladar  ou  olfato,        enquanto        as        extrínsecas consideravam   aspectos   mais   subjetivos   como marca ou preço.</p>
<p>Em       concordância       com       essa       classificação, Garcia et al. (2018) definem, como características   intrínsecas   de   um   produto,    seus    componentes    físicos    e    funcionais, tais como sabor, design e cor. Já com  relação  às  características  extrínsecas,  esses   mesmos   autores   afirmam   que   se referem a aspectos relacionados ao produto, mas que não fazem parte da sua composição física,  como  no  caso  do  preço,  da  marca  e  da embalagem.</p>
<p>Analisando esses  dois  grupos  de  variáveis,  Bredahl  (2004)  e  Magnusson, Westjohn  e  Zdravkovic  (2011)  apontam  que, se  as  pistas  intrínsecas  não  estão  ao  alcance  do  consumidor,  seja  por  não  ter  realizado    nenhuma    compra    prévia    ou    mesmo  por  não  ter  experiências  efetivas  com dado produto, esse consumidor tenderá a  ser  mais  fortemente  influenciado  pelas  características  extrínsecas. Dessa  maneira,  os     autores     defendem     que     variáveis     extrínsecas   influenciam   a   avaliação   dos   consumidores   de   maneira   mais   intensa   quando   variáveis   intrínsecas   não   estão   disponíveis ou são difíceis de encontrar.</p>
<p>Dentre    as    inúmeras    variáveis extrínsecas que podem influenciar a tomada de decisão do consumidor, se insere o país de origem do produto.</p>
<p>A     partir     dessa     constatação,     passam a surgir estudos que buscam avaliar a  influência  que  o  país  de  origem  exerce  sobre a tomada de decisão do consumidor e em   que   circunstâncias   esse   fenômeno   ocorre.</p>
<p>Em  um  estudo  realizado  no  ano  de  1989, Han   nomeou   de   Efeito Halo o fenômeno que ocorre quando o consumidor generaliza  uma  avaliação  em  função  de  apenas  uma  característica.  Sendo  assim,  o  conhecimento  acerca  do  país  de  origem  provocaria um Efeito Halo na avaliação de produtos  com  os  quais  o  consumidor  não  tivesse  grande  familiaridade  por  meio  dos estereótipos acerca desse país.</p>
<p>Nessa  mesma  linha,  Giraldi  (2006)  defendeu   que   o   efeito   país   de   origem   consiste justamente nos estereótipos que as pessoas    desenvolvem    com    relação    a    determinados países e que influenciam a sua intenção de compra, bem como a avaliação que fazem de produtos deles advindos.</p>
<p>Em    2007, Mohd,    Nassere Mohamad pesquisaram até que ponto o país de   origem   seria capaz   de   influenciar   a   percepção  de  valor  dos  consumidores  e concluíram  que,  nos  casos  em  que  não  existia    grande    familiaridade    com    os    produtos, a  imagem  do  país  de  origem  surgia     como     importante     critério     de     avaliação.  Os  autores  afirmaram  que  os  produtos  seriam  mais  facilmente  aceitos  pelos  consumidores  nos  casos  em  que  a imagem do país de origem fosse positiva.</p>
<p>No   mesmo   ano,   Yu,   Park   e   Cho   corroboraram     com     esses     argumentos     defendendo a ideia de que os consumidores constroem  uma  imagem  estereotipada  dos  países  e,  consequentemente,  dos  produtos  neles fabricados.</p>
<p>Cabe   apontar   que   o conceito   de   estereótipos vem sendo estudado há muitos anos.  Já  em  1995,  Greenwald  e  Banaji  definiram    os    estereótipos    como    um    conjunto   socialmente   compartilhado   de   crenças. Verlegh   e   Steenkamp   (1999) adaptaram  essa  visão  para  o  estudo  das  nações, advogando que os estereótipos dos países  são  formados  por  meio  do  acesso  a  informações    sobre    eles    em    processos    educativos  ou por  meio  da  exposição  na mídia.    Os    autores    afirmam    que    tais    estereótipos    são    capazes    de    provocar    reações tanto de ordem cognitiva quanto de ordem afetiva.</p>
<p>Alinhados    com    essas    definições,    Chattalas et   al.   (2008)   afirmam   que   a   estereotipagem  se  trata  de  um  processo  de  natureza cognitiva pelo qual é simplificada a relação do indivíduo com seu “complexo meio ambiente”. Por meio dos estereótipos dos  países,  os  consumidores  podem  inferir  acerca  da  qualidade  de  produtos  sobre  os  quais não tenham informações.</p>
<p>Em   seus   estudos,   Dinnie   (2008)   destaca   o   importante   papel   do   país   de   origem    como    elemento    diferenciador    avaliado   pelos   consumidores   e   aponta   exemplos  de  como  a  percepção  entre  dado  país e os produtos dele advindos podem se combinar    numa    imagem    estereotipada,    influenciando        a        percepção        dos        consumidores.   É   o   caso   dos   perfumes franceses, café colombiano, relógios suíços ou uísques escoceses.</p>
<p>Se os estereótipos de alta qualidade de determinados países afetam positivamente a imagem   e   avaliação   dos   consumidores   acerca   de   produtos   deles   advindos,   a   situação oposta também se mostra presente.</p>
<p>Em estudo realizado no ano de 2016, Krummenawer    pesquisou    o    efeito    da    etiqueta “Made in China” na avaliação dos consumidores. A autora cita os trabalhos de Chinoy  em  2009  e  Bapuji  em  2012  para  relembrar os casos de recall de 20 milhões de brinquedos  da  marca  Mattel  fabricados  na   China   e   da   presença   da   substância   melamina   encontrados   em   laticínios   de   fabricação     chinesa,     que     levaram     à     hospitalização  300  mil  bebês,  dos  quais,  seis vieram a óbito.</p>
<p>A  autora  cita  pesquisas  de  mercado  realizadas  na  oportunidade  que  apontaram  uma    indisposição    bastante    grande    a    produtos  chineses  e  conclui  que  os  fatos relatados  resultaram  numa  visão  negativa  generalizada    para    todos    os    produtos    originados no país.</p>
<p>Bassani et   al.   (2018)   reafirmaram   essa  percepção  num  estudo  experimental  realizado com cervejas artesanais. O mesmo produto  foi  oferecido  a  quatro  diferentes grupos de consumidores, que receberam as mesmas  informações  de  características  da  cerveja,  exceto  no  quesito  país  de  origem.  Um  grupo  foi  informado  de  que  a  cerveja  tinha origem alemã, outro que a origem era brasileira,   um   terceiro   grupo   de   que   a   cerveja  era  chinesa  e  um  quarto  grupo  de  controle  não  recebeu  informação  quanto  à  origem. O estudo mostrou que, para o grupo com  a  informação  da  origem  alemã,  não  apenas   a   percepção   de   qualidade   foi   superior,   mas   também   a   disposição   em   pagar  um  preço  maior  e  a  intenção  de  compra.  No  outro  extremo  ficou  o  grupo  cuja  informação  apontava  para  a  origem  chinesa da cerveja, reforçando, na visão dos autores, a imagem negativa proveniente do estereótipo do país.</p>
<p>Enfim, o que se pode observar é que “as  percepções  do  país  de  origem  são  as  associações  mentais  e  as  crenças  ativadas  por   um   país”   (KOTLER   E   KELLER, 2.012).  Eis  por  que  podemos  inferir  que  a  imagem  ou  marca  de  um  país  funciona  como efeito priming nas ocasiões em que o nome de um determinado país é associado a um   produto,   lugar   ou   serviço,   podendo   resultar   em   uma   influência   positiva   ou   negativa no processo de decisão de compra levado a efeito por um consumidor.</p>
<p>A  partir  dessas  considerações,  outro constructo  ganha  relevância,  a  Imagem  do  País de Origem.</p>
<p>Imagem  do  País  de  Origem  e  a  “marca  país”</p>
<p>Sabe-se  que  marca  é  a  representação  simbólica   usualmente   composta   por   um   nome  e  por  imagens,  conceitos  ou,  até  mesmo,  sentimentos  que  a  distinguem.  No  caso  de  um  país,  o  nome  já  está  dado  e  é  imutável,  o  mesmo  acontecendo  com  as  cores. Porém, as imagens, os conceitos e os sentimentos   se   formam   a   partir   de   um   processo     mais     complexo,     conforme     comentado           acima,           impactando           diferenciadamente  cada  um  dos  diversos  públicos-alvo.   Essa   circunstância   impõe   que haja uma preocupação dos governantes na       organização,       planejamento       e       implementação      desse      processo      de      relacionamento  com  os  demais  povos  e  países,  classicamente  estudado  no  âmbito  do Marketing de Cidades, Regiões e Países.</p>
<p>Na  realidade,  mais  especificamente,  está se  falando  de  um  conjunto  de  ações  estabelecidas  para  a  construção  de  uma  percepção  positiva  quanto  à  marca  de  um  país  junto  aos  seus  diversos  públicos-alvo. Isso   é,   está se   falando   de   Branding. (KAVARATZIS, 2004).</p>
<p>Já    em    2002,    Kotler    e    Gertner    afirmavam  que  a  imagem  que  as  pessoas  têm  de  um  dado  país  é  resultante  de  seu conhecimento  acerca  de  aspectos  como  a  história, a arte e os cidadãos famosos desse mesmo   país.   Aspectos   esses   fortemente   influenciados pela mídia e pela indústria do entretenimento.  Os  autores  defendem  que  essa imagem é, na verdade, a simplificação de  uma  realidade  nem  sempre  condizente  com a verdade, um estereótipo.</p>
<p>Ainda nessa linha, os mesmos autores afirmam  que  as  pessoas  formam  imagens  acerca   dos   países   mesmo   quando   esses   países não gerenciam seu nome como uma marca. E mais ainda, que a simples menção do  nome  desses  países  é  suficiente  para  a  ativação dessas imagens.</p>
<p>Os  autores  Roth  e  Diamantopoulos  aprofundaram essa ideia e, em seus estudos realizados no ano de 2009, concluíram que havia  uma  evolução  no  foco  das  pesquisas  sobre o Efeito País de Origem, passando da simples   avaliação   acerca   da   noção   de   origem  do  produto  para  um  conceito  mais  amplo  e  complexo,  que  levava  em  conta toda a imagem que o país tivesse na mente das pessoas.</p>
<p>Os  autores  advogam  que  “o  país  de  origem”  e  “a  imagem  do  país  de  origem” são  construções  relacionadas,  porém  com  diferentes     contribuições.     Enquanto     a     pesquisa do Efeito País de Origem avalia a preferência  dos  consumidores,  a  pesquisa  sobre a Imagem do País de Origem é capaz de explicar os porquês dessa preferência.</p>
<p>Roth  e  Diamantopoulos  (2009), ainda apontam que o “país de origem e sua imagem” não trazem apenas uma indicação cognitiva     de     qualidade,     mas     uma abordagem    mais    ampla    relacionada    a emoções, identidade, orgulho e memórias.</p>
<p>O  estudo  dos  seus  efeitos  deve  considerar     três     dimensões     distintas:     cognitiva - relacionada a crenças sobre dado paíscomo,    por    exemplo,    grau    de    desenvolvimento      econômico,      avanço      tecnológico,  maturidade  política  e  social,  entre    outras;    afetiva    - relacionada    a    sentimentos e emoções para com esse país; e   conativa   - relacionada   a   intenções   e   comportamentos frente a esse mesmo país.</p>
<p>Em    2010,    Fan    apresentou    uma    conceituação  acerca  do  que  chamou  de  “Marca País”, definindo que ela é resultado da soma de percepções que os públicos têm de   uma   nação,   considerando   elementos   como   cultura,   linguagem,   gastronomia,   moda e celebridades.</p>
<p>Em  linha  com  essa  ideia,  Herz  e  Diamantopoulos  (2013)  desafiaram  a  ideia  de  que  a  influência  do  país  de  origem  pudesse  ser  um  processo  exclusivamente  explícito e consciente, baseado no profundo conhecimento das características produtivas ou  tecnológicas  de  um  determinado  país, demonstrando que bastava uma sugestão do país    de    origem    para    o    disparo    de    estereótipos   armazenados   na   mente   dos   consumidores,  alterando  suas  avaliações  e comportamentos.</p>
<p>Na    mesma    direção, Zdravkovic (2013)   afirma que   a   imagem   do   país   funciona como um quadro, por meio do qual os    consumidores    atribuem    valor aos produtos    por    conta    de    características nacionais    e    do contexto    econômico,    político,  histórico  e  cultural  desse  país. Dessa maneira, a influência do atributo país de      origem      vem das      avaliações      estereotipadas  que  os  indivíduos  formam  sobre os países e se estendem aos produtos deles oriundos.</p>
<p>No  ano  de  2015,  Prado  e  Giraldi  refletiram  acerca  da  contribuição  que  a  análise  mais  aprofundada  sobre  o  Country Branding,  ou  a  construção  da  imagem  da  marca do país, traria aos estudos na área. Os autores advogam que ela poderia explicar o porquê das escolhas de um consumidor por produtos advindos de dado país, superando a mera observação da existência ou não de preferência por determinado país de origem.</p>
<p>Como  um  clássico  exemplo  da  força  da  imagem  de  um  País,  com  repercussão  positiva   sobre   tudo   o   que   ele   produz,   encontramos   o   Japão.   Esse   país   saiu   derrotado  de  uma  guerra  mundial  e  como  alternativa para sua economia, inicialmente, passou  a  copiar  produtos  já  existentes  no  mercado,  produzindo  algo  parecido  e  bem  mais  barato.  Durante  um  longo  período,  a imagem  de  seus  produtos  não  era  boa,  vitimada    pelo    que    mais    recentemente    passou-se   a   chamar   de   Efeito   País   de   Origem.  Com  muita  planificação  e  com  a  cumplicidade  de  seu  povo,  o  país  alterou  sua imagem perante o mundo todo e hoje o Japão  pode  ser  considerado  uma  marca  forte,  que  agrega  valores  a  tudo  que  está  vinculado   a   ele,   particularmente   a   suas   empresas,  seus  produtos  e  serviços.  No  início deste século, as marcas das empresas japonesas  ocupavam  o  segundo  lugar  no  ranking das maiores marcas mundiais, com 6%   das   citações   e   em   igualdade   de   condições com a Alemanha, perdendo para os  Estados  Unidos  que,  como  esperado,  detinham   73%   das   marcas   mais   bem   avaliadas   (AMBLER,   2001).   Para   essa   transformação,     falaram     alto     aspectos     culturais muito peculiares a esse país, vitais para o êxito alcançado. Isso pode ser notado quando  floresceu  no  mundo  ocidental,  o  modismo de adoção de técnicas e modelos de   gestão   japoneses;   as   empresas   não   logravam  alcançar  o  mesmo  sucesso  das  empresas orientais, simplesmente porque os padrões   culturais   reinantes   eram   muito   diferentes dos existentes naquele país.</p>
<p>Pela  complexidade  dos  fatores  que  a  compõem,  a  formação  da  imagem  de  um  país     pede     muito     tempo     para     sua     consolidação,   porém,   pode   deteriorar-se muito  rapidamente  por  falhas,  acidentes,  descuidos     ou     desinformação.     Como     exemplo disso pode ser citado o que ocorreu com os vinhos franceses detentores de uma reputação    internacional    consagrada,    os    quais,      entretanto      foram      fortemente      rejeitados   no   mercado   norte-americano, quando a França negou seu apoio à invasão liderada, em 2003, pelos Estados Unidos da América    ao    Iraque.    Aqui    se    nota    a    sensibilidade  dos  mercados  a  fatores  de  diferentes  origens  e  natureza,  muitos  dos  quais   fogem   ao   controle   das   empresas   atuantes no mercado internacional.</p>
<p>Apesar    de    bastante    discutido    e    validado     por     diversas     pesquisas,     a     relevância da Imagem do País de Origem ou do    Efeito    País    de    Origem    encontra opositores. É o caso de Usunier (2006), que critica o grande volume de pesquisas sobre o  tema,  afirmando  que,  apesar  do  valor  acadêmico,    tais    pesquisas    não    sejam    relevantes para o mundo dos negócios. Para o  autor,  os  estudos  na  área  são  motivadosapenas    pela    facilidade em    se    obter    informações sobre o tema a partir de estudos empíricos.</p>
<p>Em      oposição      a      essa      ideia,      Diamantopoulos et         al.(2011) empreenderam  estudos  a  fim  de  investigarse     as     intenções     de     compra     eram impulsionadas apenas pela   imagem   da   marca, sem sofrerem influências da imagem do país de origem. A conclusão foi de que essas críticas ao construto “país de origem” eram  infundadas, uma  vez  que  o efeito permanece       relevante,       influenciando       significativamente  a  percepção  das  marcas e as práticas do marketing internacional.</p>
<p>Influência  do  nível  de  conhecimento  do  consumidor  acerca  do  país  de  origem  e variação por categorias de produtos</p>
<p>produtosRetomando a ideia de que a influência da Imagem do País de Origem compreende dimensões   que   superam   a   mera visão cognitiva  acerca  do  país,  faz-se  necessário  uma  reflexão  acerca  do  grau  de  influência  de  cada  uma  dessas  dimensões:  cognitiva, aquela    relacionada    ao    conhecimento; afetiva, relacionada   aos   sentimentos;   e conativa,  aquela  relacionada  às  ações,  na avaliação final dos consumidores.</p>
<p>Na  visão  de  Schaefer  (1997),  duas  visões diferentes são apresentadas acerca do impacto  do  conhecimento  do  consumidor  sobre os efeitos do país de origem. Segundo a   autora,   uma   análise   é   de   que   os   consumidores,   ao   contarem   com   pouco   conhecimento sobre a qualidade do produto, tenderão a usar o país de origem para inferir essa  qualidade.  Em  oposição,  outra  visão defende que um maior conhecimento acerca da classe do produto em questão facilitaria a  avaliação  e  aumentaria  o  uso  de  pistas extrínsecas  como  o  país  de  origem.  Em ambos os casos, o resultado é de que existe a  influência  do  efeito  país  de  origem  na  avaliação do consumidor, mas como ela se dá     frente     a     diferentes     níveis     de     conhecimento objetivo do produto?</p>
<p>Desde  1987,  Alba  e  Hutchinson, em seus estudos, defendem que diferentes tipos de  experiências  relacionadas  a  um  produto levam     a     diferentes     dimensões     do     conhecimento, o    que,    por    sua    vez,    provocam efeitos  diferentes  nas  avaliações  e     comportamento     de     escolha dos consumidores.</p>
<p>A   familiaridade   com   determinada   marca,  seja  ela  de  um  produto,  seja  ela  de  um  país,  tende  a  acelerar,  na  visão  dos  autores,   o   processo   de   avaliação   dos   consumidores,    sem    que    os    mesmos precisem  empreender  maiores  esforços  na  busca por mais informações.</p>
<p>Os autores avaliam que, se a marca é familiar,  o  nível  de  conhecimento  objetivo  de um produto pode não ter grande impacto na sua avaliação. Por outro lado, se a marca não é familiar, o conhecimento do produto provavelmente  influencie   mais o  processo  de  avaliação.  Isso  equivale  a  dizer  que, quando    a    informação    de    atributo    é    acessível, pode-se        esperar        que        consumidores     com     altos     níveis     de     conhecimento   objetivo   de   dado   produto baseiem avaliações em aspectos intrínsecos ao  invés  de  pistas  extrínsecas.  Por  outro  lado, nas situações em que tais informações estejam  ausentes  ou  tenham  difícil  acesso,  os consumidores tendem a confiar em pistas extrínsecas,  como  o país  de  origem,  por exemplo.</p>
<p>Outra     variável     considerada     na     pesquisa do Efeito País de Origem refere-se à homogeneidade ou não da sua influência por diferentes categorias de produtos.</p>
<p>Costa, Carneiro e Goldszmidt (2016) analisaram,  em  seus  estudos,  se  o  Efeito País   de   Origem   dependeria   da   classe   específica  de  produto  avaliado.  Para  tanto,  usaram   como   base   do   estudo   produtos associados a diferentes categorias, a saber: produtos    hedônicos    (roupas),    produtos industrializados      (eletrodomésticos)      e      produtos naturais (frutas).</p>
<p>A conclusão  a  que  chegaram  é  que  existem     impactos     diferenciados     em     diferentes classes de produtos, porém essas diferenças    não    foram    estatisticamente    significativas  na  amostra  avaliada,  o  que  torna o resultado ainda inconclusivo.</p>
</sec>
<sec>
<title>Procedimentos Metodológicos</title>
<p>Apesar  de  bastante  trabalhado  pela  academia,  o  “Efeito  País  de  Origem” é muito   amplo,   com   diferentes   faces   e   possibilidades  de  abordagem.  Tal  situação  abre ainda muito espaço para a discussão do tema   e,   especialmente,   de   determinados   aspectos de sua influência.</p>
<p>Na   pesquisa   realizada, se buscou identificar  a  relação  entre  o  Efeito  País  de  Origem  e  o  nível  de  conhecimento  prévio que     os     consumidores     têm     de     um     determinado   produto   desse   país.   Se   o   conhecimento desse determinado produto e sua  consequente  avaliação  são  capazes  de  influenciar  a  avaliação  de  outros  produtos  desse mesmo país,  dos  quais  não  se  tenha  conhecimento efetivo. Para tanto, partiu-se de uma análise quantitativa.</p>
<p>Optou-se, como tipo de pesquisa, peloLevantamento, uma  vez  que,  como  apontaGil  (2002),  as  pesquisas  desse  tipo  têm  como  característica  a  interrogação  direta  das pessoas sobre o objeto pesquisado para, na    sequência,    por    meio    de    análise    quantitativa, se chegar às conclusões sobre os dados coletados.</p>
<p>Foi utilizada a técnica de amostragem por  conglomerados  (sorteio  de  clusters). Como critério de seleção, os entrevistados, 1120   no   total, precisavam   residir   em   domicílios      localizados      nos      clusterssorteados  e  ter  no  mínimo  18  anos.  Todos  foram  moradores  da  região  conhecida  por  Grande  ABC,  composta  pelos  municípios  de Santo  André,  São  Bernardo  do  Campo,  São   Caetano   do   Sul,   Diadema,   Mauá,   Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra.</p>
<p>Os       dados       foram       coletadospessoalmente,     mediante     aplicação     de   questionário     estruturado,     no     segundo     semestre de 2018.</p>
<p>A margem de erro estimada em cada levantamento  para  os  resultados  obtidos  a  partir  do  total  de  casos  é  de  4,0%  para  95,5%  de  confiança.  Os  dados  coletados foram    analisados    estatisticamente    com apoio do Software SPSS.</p>
<p>Na  pesquisa  se buscou identificar  a  imagem  que  os  pesquisados  têm  de  alguns  produtos  originados  em  determinado  país.  Na   sequência,   buscou-se   identificar   seu   nível efetivo de conhecimento acerca desses produtos.</p>
<p>A hipótese testada foi: ao ter contato com  um  determinado  produto  de  um  país,  essa  experiência,  positiva  ou  negativa,  irá  influenciar  a  avaliação  que  o  consumidor  faz de outros produtos dessa mesma origem.</p>
<p>Para  a  avaliação  dos  produtos,  usou-se uma escala de 0 a 10, onde 0 corresponde a  uma  imagem  muito  negativa  e  10  a  uma  imagem muito positiva. Já,  para o nível de conhecimento, definiu-se a seguinte escala:Elevado  nível  de  conhecimento ou Baixo nível de conhecimento. A opção pelo uso deuma   escala   binária   teve   o   objetivo   de   diferenciar,   da   maneira   mais   evidente   possível,  a  diferença  entre  os  níveis  de  conhecimento   do   produto.   A   ideia   era   efetuar   um   filtro   bastante   efetivo   da   experiência  que  o  pesquisado  tinha  com  o  produto  de  determinado  país  de  origem, evitando      que      experiências      parciais      pudessem     contaminar     os     resultados,     trazendo  outros  fatores  que  não  apenas  a  experiência  efetiva  com  um  dado  produto  do país.</p>
<p>Para       escolha       dos       produtos       pesquisados, foi realizado um levantamento preliminardos     itens     industrializados     estrangeiros     mais     consumidos     pelos     brasileiros.</p>
<p>Não foi  objetivo  do  trabalho  estudar de  maneira  mais  aprofundada  a relação entre   a   avaliação   dos   dois   países,   mas   optou-se   por   realizar   duas   rodadas   de   avaliação, uma    com    cada    país, para validação dos dados encontrados.</p>
<p>A primeira análise buscou verificar a existência  dos  estereótipos  de  cada  país.  Para   tanto,   foram   analisados   apenas   os   casos  em  que  os  entrevistados  não  tinham  conhecimento  de  nenhum  dos  produtos  de  ambos os países e se comparou as médias da avaliação de cada produto.</p>
<p>Na    sequência,    compararam-se    as médias dos dois países para os casos em quenenhum  produto  era  conhecido  versus  as  médias de quando ao menos um produto era conhecido.</p>
<p>Por  fim,  foi  testada  a  existência  ou  não de correlação entre as variáveis nível de conhecimento e avaliação dos produtos.</p>
<p>Antes    da    pesquisa    de    campo,    realizou-se um pré-teste com o objetivo de validação do questionário. Foi aplicado um questionário    para    uma    amostra    não    probabilística  definida  por  conveniência,  que pesquisou 100 estudantes universitários de duas diferentes instituições de ensino da Grande São Paulo. Destes, 51% são do sexo masculino   e   a   maioria   estudantes   da   Universidade Municipal de São Caetano do Sul,  com  65%  da  amostra.  Os  outros  35%  são        estudantes        da        Universidade        Presbiteriana Mackenzie. Para o pré-teste, o questionário  foi  disponibilizado  de  forma  on-line.</p>
<p>Além      de      contribuir      para      o      aperfeiçoamento     do     questionário,     a     tabulação  dos  resultados  apontou  aspectos  relevantes   que   foram   aprofundados   na   pesquisa  de  campo.  Os  resultados  obtidos  apontaram  que,  em  todas  as  situações  de  análise,     os     produtos     estadunidenses obtiveram avaliação superior.</p>
<p>Quando  a  análise  considerou  apenas  pessoas  com  baixo  nível  de  conhecimento  declarado sobre os produtos, a performance dos chineses foi, em média, 20% inferior à dos    estadunidenses,    o    que    sugeriu    a    influência      do      estereótipo      negativo      associado  aos  produtos  advindos  do  país  asiático.</p>
<p>Outro  aspecto  identificado  no  pré-teste e que veio ao encontro do referencial teórico   foi   a   ocorrência   de   influências   diferentes  do  efeito  país  de  origem  para  diferentes categorias de produtos.</p>
</sec>
<sec>
<title>Apresentação e discussão dos resultados</title>
<p>A  pesquisa  de  campo  contou  com  1120 respondentes. Destes, 47,8% do sexo masculino e 52,2 % do sexo feminino.</p>
<p>Cabe  destacar  que,  para  efeito  dessa  pesquisa,   eventuais   diferenças   no   perfil   psicográfico  não  são  relevantes  para  as  análises,   uma   vez   que   os   dados   foram   avaliados   apenas   segundo   o   grau   de conhecimento       que       o       entrevistado       demonstrou        sobre        os        produtos        apresentados.</p>
<p>A  primeira  análise  realizada  buscou  identificar   a   existência   de   estereótipos   quanto  aos  países.  Foram  então  separados  os casos em que não se conheciam nenhum dos   produtos   de   ambos   os   países   e   comparadas as suas médias (Tabela 1).</p>
<p>
<table-wrap id="gt1">
<alternatives>
<graphic xlink:href="133475550007_gt2.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
<table id="gt2-526564616c7963">
<tbody>
<tr>
<td/>
<td>Avaliação EUA</td>
<td>Desvio padrão EUA</td>
<td>Avaliação China</td>
<td>Desvio padrão China</td>
<td>Significância Teste T</td>
</tr>
<tr>
<td>Automóvel de Passeio</td>
<td>7,95</td>
<td>2,312</td>
<td>6,3</td>
<td>2,817</td>
<td>,000</td>
</tr>
<tr>
<td>Pneus</td>
<td>7,5</td>
<td>2,454</td>
<td>6,02</td>
<td>2,731</td>
<td>,000</td>
</tr>
<tr>
<td>Aparelhos Celulares</td>
<td>7,74</td>
<td>2,622</td>
<td>6,04</td>
<td>3,02</td>
<td>,000</td>
</tr>
<tr>
<td>Perfumaria</td>
<td>7,4</td>
<td>2,587</td>
<td>5,55</td>
<td>2,758</td>
<td>,000</td>
</tr>
<tr>
<td>Brinquedos</td>
<td>7,1</td>
<td>2,794</td>
<td>5,6</td>
<td>3,14</td>
<td>,000</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</alternatives>
</table-wrap>
</p>
<p>Os  dados  acima  mostram  que,  na  ausência de conhecimento, os entrevistados atribuíram  melhor  avaliação  aos  produtos  americanos.  A  imagem  deles  mostrou-se superior  à  imagem  dos  produtos  chineses,  sem  que  haja  qualquer  vivência  com o produto.  Tal  constatação  vem  ao  encontro dos estudos     de     Bredahl     (2004)     e     Magnusson, Westjohn e Zdravkovic (2011) que  reforçam  que,  na  ausência  de  pistas  intrínsecas, o consumidor tenderá a ser mais fortemente            influenciado            pelas            características  extrínsecas  como  o  país  de  origem por exemplo. Os resultados também corroboram as pesquisas de Yu, Park e Cho (2007),      quando      afirmam      que      os consumidores tendem   a   construir   uma imagem    estereotipada    dos    países    e,    consequentemente,    dos    produtos    neles    fabricados.</p>
<p>Na       sequência,       buscou-se       a       comparação das médias de cada produto de cada    país,    em    função    do    nível    de    conhecimento (Tabela 2). A primeira parte da   tabela   mostra   as   avaliações   numa   condição de desconhecimento dos produtos de cada país e a segunda numa condição de conhecimento de um ou mais produtos.</p>
<p>Os dados mostram que os pesquisados que conhecem os produtos americanos têm uma  imagem  ainda  melhor  dos  mesmos  frente   àqueles   que   não   conhecem.   Na   comparação  entre  os  produtos  chineses,  o  conhecimento não promoveu uma melhoria significativa na avaliação, exceto nos casos de  aparelhos  celulares  e  brinquedos.  No caso    dos    produtos    de    perfumaria,    a    avaliação ainda foi menor para aqueles que conheciam um ou mais produtos.</p>
<p>Após  as  análises  iniciais,  buscou-se verificar  o  coeficiente  de  correlação  de  Pearson    entre    as    variáveis    nível    de    conhecimento  e  avaliação  dos  produtos,  para cada um dos produtos e países alvo do estudo (tabela 3).</p>
<p>Pode-se  notar  a  existência  de  uma correlação  positiva,  ainda  que  fraca,  nos produtos  americanos. Já  para  os  produtos  chineses  não  é  possível  se  estabelecer  a  correlação,  ou  seja,  no  caso  dos  produtos  americanos, o maior conhecimento impacta positivamente  na  avaliação  que  se  faz  dos  mesmos  e  de  outros  produtos  da  mesma  origem. Já,  no  caso  dos  produtos  chineses,  o  estereótipo  negativo  se  mantém  mesmo  com   o   conhecimento   de   um   ou   mais   produtos   em   linha   com   os   estudos   de   Krummenawer (2016).</p>
<p>Os  dados  analisados  nos  permitem  inferir que o estereótipo permanece bastante presente    nas    avaliações    de    produtos    oriundos de diferentes países.</p>
<p>Para   os   produtos   com   avaliação   superior,  vindo  de  países  com  estereótipo  positivo,  o  maior  conhecimento,  ainda  que  de  um  único  produto,  é  capaz  de  elevar  a  avaliação     dos     demais     reforçando     a     percepção de alta qualidade. Como afirmam Roth   e   Diamanopoulos   (2009),   a   boa   imagem  do  país  de  origem  traz,  além  da  indicação  cognitiva  de  qualidade,  aspectos  favoráveis     relacionados     a     emoções,     identidade, orgulho e memórias.</p>
<p>Já  para  produtos  oriundos  de  países  com   estereótipo   negativo,   o   fato   de   oconsumidor  conhecer  um  produto  não  é  capaz  de  influenciar  significativamente  a  avaliação    que    ele    tem    dos    demais,    mantendo a relevância do estereótipo.</p>
<p>Em  linhas  gerais,  o  estudo  mostrou  que  quanto  mais  negativo  o  estereótipo  de um  dado  país,  maior  sua  influência.  Nessa situação,   nem   mesmo   o   conhecimento   elevado acerca de um dado produto é capaz de mudar a percepção estereotipada do país. Por  mais  positiva  que  seja  a  experiência  com  dado  produto  daquele  país,  a  imagem  negativa     permanece     contaminando     a     avaliação  dos  demais  itens.  Todavia, no caso  do estereótipo  positivo acerca  dos  países,   de   seus   produtos   e   processos   produtivos, o conhecimento de um produto tem  poder  de  transferência  da  avaliação  positiva dos  produtos  conhecidos  para  osdemais, ainda desconhecidos.</p>
</sec>
<sec>
<title>Considerações Finais</title>
<p>O      presente      estudo      objetivou      identificar a ocorrência do chamado “Efeito País   de   Origem”   sob   uma   nova   ótica,   incluindo na análise a influência do nível de conhecimento que os consumidores têm dos produtos de um determinado país.</p>
<p>A  pesquisa  junto  aos  entrevistados  que  não  conheciam  os  produtos  revelou  a  força    do    estereótipo,    confirmando    os    estudos anteriores. Porém, ao adicionarmos a   variável   conhecimento   dos   produtos,   enxergamos     comportamentos     distintos     entre os países, o que nos permite dizer que o conhecimento tem pouca influência sobre um  estereótipo  negativo  e  uma  influência  mais    significativa    no    reforço    de    um    estereótipo  positivo.  A  correlação  positiva  entre conhecimento e avaliação é relevante no caso em que o estereótipo já é positivo, porém não identificada no caso de um forte estereótipo negativo.</p>
<p>Além  das  contribuições  acadêmicas,  destacadamente na evolução de uma teoria ainda não totalmente explorada na Área de Marketing,   o   estudo   traz   significativas   contribuições    de    ordem    prática.    Os    resultados permitem inferir que os esforços de  comunicação  dos  países  acerca  de  suas  características,    processos    produtivos    e    produtos  têm  impacto  fundamental  na  sua  capacidade  de  comércio  internacional.  A criação de um estereótipo negativo mostra-se de difícil superação, mesmo nos casos em que haja experiências   positivas   com   os   produtos     daquele     país     numa     outra     oportunidade.  Já  um  estereótipo  positivo  abre    caminho    para    melhorias    futuras    advindas   de   experiências   positivas   com   produtos de dada origem.</p>
<p>É importante destacar que a pesquisa foi      realizadacom      uma      amostra      probabilística,    porém    de    uma    região    específica e  com  apenas  cinco  produtos  advindos  de  dois  países.  Dessa  maneira,  outros estudos mais abrangentes serão bem-vindos para ampliar    o    escopo    das conclusões aqui encontradas.</p>
<p>Os     estudos     realizados     também     permitem    apontar    uma    tendência    nos estudos acerca do Efeito País de Origem. À medida que se consolida a aceitação de sua influência,   cresce   a   necessidade   de   um   maior      aprofundamento      acerca      das      condições  sob  as  quais  essas  influências  ocorrem. Com o Big Data e o consequente crescimento  no  acesso  aos  mais  diversos  tipos de informação, dois caminhos podem ser  visualizados.  Numa  primeira  visão,  o  acesso    facilitado    a    informações    pode    diminuir o impacto de estereótipos, uma vez que os consumidores são empoderados por um maior nível de conhecimento. Por outro lado,  a  massificação  da  comunicação  pode  abrir  espaço  para  que  as  marcas,  inclusive  marcas de países, construam imagens mais fortes     e     presentes     na     mente     dos     consumidores, impactando de maneira mais efetiva a avaliação que fazem dos produtos.</p>
<p>Outra   tendência   nesse   campo   de   estudo    decorre    do    fortalecimento    das    marcas   de   grandes   empresas   e   de   sua   presença  cada  vez  mais  globalizada.  Já  é  possível  visualizar  um  direcionamento  dos  estudos   para   uma   maior   compreensão acerca da associação de grandes marcas de empresas com os países onde se originaram e    com  os  países  nos  quais  efetivamente  concentram sua produção.</p>
<p>Agora     que     pudemos     notar     a     complexidade dos fatores que influenciam a formação da imagem de um país, fica mais evidente   a   importância   da   academia   se   envolver   na   busca   de   alternativas   para   melhoria     da     percepção     dos     valores     agregados à marca de um país, com o intuito de  promover  um  Efeito  País  de  Origem  positivo.</p>
<p>No  caso  específico  do  Brasil,  cujo  desenvolvimento      econômico      depende      drasticamente   de   seu   mercado   externo,   teremos muita dificuldade de prosperar com a    imagem    negativa    pela    qual    somos    identificados.  Na  pesquisa  realizada  neste  estudo   pudemos   observar   quanto   mais   difícil  é  reverter  a  influência  da  imagem negativa de um país sobre os produtos dele originados.  À  Academia  cabe  ocupar  o  importante espaço de estudar o tema Efeito do   País   de   Origem   com   o   intuito   de   subsidiar   o   processo   de   planejamento,   elaboração  e  implementação  de  políticas  públicas que organizem ações para associar um   Efeito   Pais   de   Origem   positivo   à   imagem do Brasil.</p>
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