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Redes sociais dos empreendedores para a inovação: estudo de casos múltiplos em micro e pequenas empresas
Gustavo Passos Fortes; Rivanda Meira Teixeira
Gustavo Passos Fortes; Rivanda Meira Teixeira
Redes sociais dos empreendedores para a inovação: estudo de casos múltiplos em micro e pequenas empresas
Gestão & Regionalidade, vol. 38, núm. 114, pp. 363-379, 2022
Universidade Municipal de São Caetano do Sul
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Resumo: Os empreendedores são agentes imersos em suas relações sociais, que são compostas por uma rede de diversos tipos de atores. Considerando que a inovação é fator determinante para a sobrevivência da pequena empresa, o empreendedor deve contar com os recursos obtidos nosseus relacionamentos sociais para que seja possível ações inovadoras. O objetivo deste estudo é verificar como as redes sociais dos empreendedores favorecem a implementação de inovações por meio da obtenção de recursos. Foi utilizado o método de estudo de casos múltiplos, que permite obter uma maior compreensão do contexto do fenômeno estudado. Foram selecionados seis casos de empresas de sucesso do Programa Agentes Locais de Inovação-ALI e coletadas evidências de entrevistas semiestruturadas com nove empreendedores e cinco agentes locais de inovação. Os resultados apontam que as empresas analisadas inovam com a adoção de novas tecnologias e que foram percebidas semelhanças entre elas devido à padronização da intervenção do programa ALI.

Palavras-chave: redes sociais empreendedoras, inovação, inovação na pequena empresa.

Abstract: Entrepreneurs are agents immersed in their social relations, composed of a network of diverse types of actors. Considering that innovation is a determining factor for the survival of a small company, entrepreneurs must rely on the resources obtained from the social relationships so that innovative actions are possible. The objective of this study is to verify how the social networks of the entrepreneurs favor the implementation of innovations. The multiple case study method was used to obtain a better understanding of the context of the phenomenon studied. Six cases of successful companies from the Local Innovation Agents-ALI Program were selected and evidence of semi-structured interviews with nine entrepreneurs and five local innovation agents was collected. The results show that the companies analyzed innovate with the adoption of new technologies and that similarities were perceived among them due to the standardization of the intervention of the ALI program.

Keywords: entrepreneurial social networks, innovation, innovation in small business.

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Artigos

Redes sociais dos empreendedores para a inovação: estudo de casos múltiplos em micro e pequenas empresas

Gustavo Passos Fortes
Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará - UNIFESSPA / Universidade Federal de Goiás – UFG, Brasil
Rivanda Meira Teixeira
Universidade Federal do Paraná – UFPR, Brasil
Gestão & Regionalidade, vol. 38, núm. 114, pp. 363-379, 2022
Universidade Municipal de São Caetano do Sul

Recepción: 26 Junio 2020

Aprobación: 12 Septiembre 2021

1 INTRODUÇÃO

A pequena empresa encontra dificuldades para a geração e implementação de inovações, prejudicando suacompetitividade e sobrevivência (VRANDE et al., 2009). O desenvolvimento de inovações no contexto da pequena empresa auxilia o empreendedor na exploração das mudanças, enxergando oportunidades para a diferenciação de um negócio (PAREDES et al., 2015). Sendo assim, a sobrevivência e competitividade da pequena empresa estão diretamente relacionadas à capacidade do empreendedor de buscar e explorar oportunidades de inovação (UKKO; SAUNILA, 2013).

Granovetter (2007), argumenta que diferentes aspectos da vida humana são diretamente influenciados pelas relações sociais, que, se exploradas de forma eficaz, podem contribuir para o sucesso de qualquer tipo de atividade. Para esse autor, os empreendedores passam a ser vistos como agentes imersos em suas relações sociais, compostas por uma rede ampla de diversos tipos de atores. Nesse sentido, o empreendedor deve utilizar uma rede social estabelecida para que possa aproveitar as oportunidadese obter recursospara implementar suas ações(ALDRICH; ZIMMER, 1986).

Considerando que a inovação é um fator determinante para a sobrevivência da pequena empresa, o empreendedor deve contar com os recursos obtidos em seus relacionamentos sociais para que seja possível a adoção de ações inovadoras (VALE; AMÂNCIO; WILKINSON, 2008). Birley (1985) destaca que o empreendedor não depende apenas de recursos físicos e financeiros para a condução do seu negócio, mas também de conselhos, informações, opiniões, confiança e contatos de negócios. Da mesma forma, no contexto da inovação na pequena empresa, o empreendedor deve articular sua rede de contatos de diferentes níveis e tipos, para que seja possível conceber a inovação (PARTANEN; CHETTY; RAJALA, 2014).

No entanto, Huggins e Thompson (2015) destacam que apesar do crescente reconhecimento que o empreendedorismo e a inovação recebemno âmbito do desenvolvimento econômico, o papel das redes sociais ainda é pouco explorado. Em geral, os estudos abordam alianças entre empresas para a inovação (PITTAWAY et al. 2004), redes sociais empreendedoras na internacionalização (FILATOTCHEV et al. 2009) ou relacionadas com a compreensão acerca da criação e evolução de novos negócios (LARSON; STARR, 1993).

Este estudo foi realizado com empresas participantes do Programa ALI – Agentes Locais de Inovação, promovido pelo Serviço de Apoio à Pequenas e MédiasEmpresas (SEBRAE), e que obtiveram sucesso em suas ações de inovação. O Programa ALI tem como principal objetivo o aumento da competitividade das micro e pequenas empresas, difusão de informações sobre inovação, tecnologia e aplicação de soluções, adaptadas às características de cada negócio, gerando impacto direto na gestão empresarial, na melhoria de produtos e processos e na identificação de novos nichos de mercado para os seus produtos e serviços.

Pretende especificamente descrever as ações e os tipos de inovação adotados pelos empreendedores estudados, caracterizar os tipos de redes sociais utilizadas e os recursos acessados em cada uma delas. Pretende contribuir teoricamente ao analisar a utilização das redes sociais empreendedoras para favorecer as ações de inovação nas empresas de pequeno porte e destacar a compreensão do papel dessas redes no acesso aos recursos necessários para a implantação da inovação. De forma prática, este estudo pretende contribuir com os diversos órgãos de apoio às pequenas empresas para incentivar ações que promovam o desenvolvimento e a ampliação dessas redes sociais no contexto dessas pequenas empresas.

2 REDES SOCIAIS EMPREENDEDORAS

A tese central da nova sociologia econômica desdobra reflexões sobre o papel das vinculações sociais no mundo econômico, com o conceito de embeddedness (GRANOVETTER, 2007). Tal termo denota que ações e transações econômicas estão enraizadas nos relacionamentos e não é possível analisar tais ações econômicas sem considerar as relações sociais e o contexto social do indivíduo (VALE, 2015). Assim, as redes sociais se referem aos objetos, pessoas ou grupos de pessoas que podem fornecer recursos tais como capital e informação (OSTGAARD; BIRLEY, 1994), bem como apoio para as ideias em áreas nas quais o indivíduo não possui conhecimento especial (ALDRICH; ZIMMER, 1986).

Para Granovetter (2007), as redes são formadas por dois tipos de laços: laços fracos, constituídos por contatos eventuais e esporádicose laços fortes, que se caracterizam por contatos intensos e frequentes. Assim, Newbert, Tornikoski e Quigley (2013) afirmam que os empresários devem adquirir recursos a partir de um conjunto cada vez mais diversificado de laços fortes e um número ainda maior de laços fracos. Por conectarem o indivíduo com mundos distantes do seu próprio, os laços fracos permitem uma maior absorção de diferentes tipos de informações e oportunidades (VALE, 2015). Já os laços fortes tendem a prover de relacionamentos baseados em contato afetivo e frequente (ELFRING; HULSINK, 2003), portanto, a ajuda e o apoio dos indivíduos do laço forte são mais evidentes, servindo para o acesso a recursos com mais facilidade, por causa do senso deobrigação mútua e reciprocidade (NEWBERT; TORNIKOSKI;QUIGLEY, 2013), sobretudo no contexto de empresas familiares (STAMM; LUBINSKI, 2011).

Por sua vez, Dubini e Aldrich (1991), destacam e classificam as redes como pessoais e de negócios. As redes pessoais são caracterizadas por todas as pessoas com as quais o empreendedor mantém contato direto e que podem trazer benefícios, tais como conselhos, apoio empresarial oumesmo servindo como uma carteira de opções de relações pessoais como família e amigos (DUBINI; ALDRICH, 1991). Já as redes de negócios são as que surgem dentro das organizações, caracterizadas por todos os relacionamentos entre proprietário, gerentes, colaboradores e como eles são estruturados pelos padrões de coordenação e procedimentos. Essa rede de negócio (ou rede estendida) é em parte moldada pela rede pessoal do empreendedor, visto que os contatos pessoais intermedeiam e auxiliam o contato com outras empresas e diferentes recursos (HUANG; LAI; LO, 2012; JENSEN; SCHOTT, 2014)

É natural que o empreendedor recorra e envolva sua rede de contato pessoal nas atividades diárias de uma empresa nascente e à medida que seus processos vão se desenvolvendo se consolidando no mercado, surge a necessidade de se recorrer mais a redes de negócios. (STAM; ARZLANIAN; ELFRING; 2014). Assim, na concepção de Dubini e Aldrich (1991), a rede de negóciosé formada por fornecedores, clientes e concorrentes ououtros contatos profissionais que o empreendedor estabeleça, que forneçam informações e recursos necessários.

Schott e Sedaghat (2014) adicionam outra distinção das redes sociais dos empreendedores, que podem ser classificadas como redes da esfera privada (família e amigos) e redes na esfera pública (local de trabalho, profissional, mercado e relações internacionais). Essa nomenclatura está associada ao inter-relacionamento das redes pessoais e de negócios proposto por Dublin e Aldrich (1991). Os relacionamentos na esfera privada têm um impacto bastante positivo no que se refere às redes de negócios em empresas já estabelecidas. Por outro lado, os contatos da esfera pública possibilitam o acesso a recursos que são úteis para empresas iniciantes ou em fase de desenvolvimento (GREEVE; SALAFF, 2003; SCHOTT; SEDAGHAT, 2014).

Dificilmente o empreendedor dispõe de todos os recursos necessários para a condução de seu negócio e, portanto, depende das interações sociais para a obtenção de tais recursos (OSTGAARD; BIRLEY, 1994; LE e NGUYEN 2009). De acordo com as necessidades do empreendedor é que são formadas as redes sociais que possibilitarão a articulação de recursos, sejam eles sociais, financeiros ou físicos (BRUSH; GREENE; HART, 2001). Portanto, os recursos acessados pelos empreendedores nos seus relacionamentos podem ser de diversos tipos e favorecem acapacidade do empreendedor mobilizar recursos (FERGUSON; SCHATTKE; PAULIN, 2016).

Por sua vez, Brush, Greene e Hart (2001) classificam esses recursos em cincotipos: 1) físicos, que são as matérias-primas e insumos, máquinas e equipamentos, veículos, imóveis e localização física; 2) os tecnológicos e financeiros, que são as patentes, licenças e tecnologias aplicadas ao processo de produção, capital próprio e de terceiros, 3) os sociais, que se relacionam à legitimação, reputação, ao relacionamento com clientes/fornecedores, relacionamentos informais e formais com outras instituições, à confiança e ao apoio e suporte emocional e moral, 4) o humano, que se refere à educação formal e informal, experiência profissional, aos conhecimentos/habilidades e, por último, 5)os recursos organizacionais, que tratam, entre outros, dos sistemas formais e informais de informação, controle e gestão, estrutura e cultura organizacionais.

3 REDES SOCIAIS EMPREENDEDORAS E A INOVAÇÃO NA PEQUENA EMPRESA

As tipologias de inovação aplicadas nas pequenas empresas devem ser analisadas tendo em vista as características peculiares das MPE (MALDONADO; DIAS; VARVAKIS, 2009). Naturalmente, a pequena empresa é reflexo do empreendedor, que nem sempre se organiza como um gestor para a inovação (TAVARES, FERREIRA; LIMA, 2009). Para Berends et al. (2014), muitas vezes o tipo de inovação é difuso na pequena empresa, sem um plano formal ou entendimento claro do que seja inovação. Sendo assim, o Manual de OSLO (2005) afirma que são 4 os tipos de inovação nas pequenas empresas: 1) Produtos/Serviços; 2) Processos; 3) Organizacionais e 4)Marketing. Uma outra tipologia, decorrente dessas principais, pode ser destacada pela perspectiva sustentável, na qual uma inovação de qualquer tipo acontece com a criação de valor sem agredir o meio ambiente (FREEMAN, 1996).

Para estabelecer a ligação entre as redes sociais empreendedoras e a inovação na pequena empresa, é importante conceber o empreendedor sob duas perspectivas diferentes: a do empreendedor como articulador de redes e a do empreendedor como agente de inovação (VALLE; WILKINSON; AMÂNCIO, 2008). Tais abordagens podem parecer distintas, mas se unem na proposição do empreendedor como criador de redes submetidas a graus variados de inovação. Assim, o empreendedor é o sujeito capaz de articular, unir e conectar diferentes atores e recursos a fim de agregar valor à atividade produtiva (HUGGINS, 2010).

Para Feldens, Maccari e Garcez (2012), diversas são as barreiras para a inovação na pequena empresa, incluindo a estrutura física, capacidade organizacional e até legislações específicas. De forma complementar, de acordo com Partanen, Chetty e Rajala (2014), as pequenas empresas contam com poucos recursos em termos financeiros, tecnológicos (P&D), físicos e de recursos intangíveis, tais como informações de mercado e invenções. Essa realidade faz com que o empreendedor tenha que complementar seus recursos por meio do envolvimento de diferentes tipos de redes de relacionamento (DUBINI; ALDRICH, 1991; PARTANEN; CHETTY; RAJALA, 2014). A pequena empresa tem dificuldades de promoverinovações oriundas do ambiente interno e conta cominovações pautadas em conhecimentos externos, de relacionamentos com agentes externos, tais como instituições de pesquisa, órgãos governamentais, fornecedores,clientes e parceiros, caracterizando a inovação aberta (VRANDE et al., 2009; LEENDERS; DOLFSMA, 2016). Tais agentes constituem a rede de relacionamento do empreendedor e são uma das principais fontes de recursos para a inovação (PARTANEN; CHETTY; RAJALA, 2014).

De forma similar, vários autores destacam que no processo de inovação, o empreendedor deve recorrer a relacionamentos com universidades ou institutos de pesquisa (LEENDERS; DOLFSMA, 2016), parceiros do mesmo segmento (ROTHAERMEL; DEEDS, 2006), clientes e fornecedores (DEPROPRIS, 2002).As inovações incrementais parecem exigir relações especialmente com fornecedores, já as inovações radicais estão associadas à colaboração com fornecedores e clientes(AHSTROM, 2010; PARTANEN; CHETTY; RAJALA, 2014). Elfring e Hulsink (2007) analisaram as combinações de laços fracos e fortes na rede social do empreendedor, com a capacidade de reconhecimento de oportunidades e inovação. Esses autores categorizam os empreendedores em dois subgrupos (inovadores radicais e incrementais) de acordo com a força dos laços. Os inovadores incrementais, que usam principalmente laços fracos, são mais propensos a encontrar uma nova oportunidade. Já os inovadores radicais exigem uma combinação mais balanceada dos laços fortes e fracos.

Já o estudo de Partanen, Chetty e Rajala (2014) analisa as diferentes relações de redes de contato com os tipos de inovação e identificaram que para cada tipo de inovação utilizada, certos tipos de relacionamentos são exigidos. Por sua vez, Jensen e Schott (2014) utilizam dados de 8918 pequenas empresas em 40 países, identificando a dinâmica de utilização das redes de relacionamento por parte dessas empresas. Os resultados sugerem que as inovações são mais influenciadas pelos relacionamentos dos laços fracos, referenciados pelos autores como rede da esfera pública.

Huang, Lai e Lo (2012) utilizam um modelo para investigar o potencial de influência dos laços sociais dos fundadores das pequenas empresas na inovação e o desempenho organizacional. Os resultados demonstram o papel mediador da rede de negócios para a inovação. Outro estudo realizado por Vasconcelos et al. (2007) analisa a mobilização de relacionamentos do empreendedor para acessar os recursos simples e complexos para a criação e desenvolvimento de negócios inovadores. O estudo foi focado em empresas de alta tecnologia que participaram de incubadora,analisando os recursos e os relacionamentos utilizados em cada uma das fases do processo de incubação.

4 ASPECTOS METODOLÓGICOS

Buscando atender os objetivos propostos, este estudo se caracteriza como qualitativo e descritivo. Tal abordagem favorece a interação do pesquisador garantindo maior profundidade dos dados, bem como a exploração de múltiplos fatores envolvidos e retrata as características do contexto estudado (CRESWELL, 2009). Foi utilizada como estratégia de pesquisa o estudo de caso múltiplo que permite a análise do fenômeno com profundidade, dentro do seu contexto de vida real, especialmente quando os limites entre o fenômeno e o contexto não estão claramente definidos (SAUNDERS; LEWIS; THORNHILL, 2009; YIN, 2014). Tal escolha se reflete em um estudo mais robusto, permitindo que sejam estabelecidas comparações entre os achados possibilitando uma quantidade maior de evidências e provas mais robustas ou convincentes (YIN, 2014). Neste estudo, a unidades de análise são as redes de relacionamento utilizadas pelos empreendedores nas ações de inovação.

Foram analisados seis casos escolhidos com base nos seguintes critérios: (1) empresas de pequeno porte (SEBRAE, 2014); (2) mínimo de 2 anos de atuação, (3) atuação em uma das cadeias produtivas atendidas pelo programa e (4) empresas consideradas casos de sucesso de inovação no Programa ALI. O caso de sucesso estabelecido para este estudo se refere àsempresas participantes do programa ALI por mais de 1 ano e meio, que tenham executado no mínimo seis ações de inovação, obtido melhoria no radar da inovação avaliado em pelo menos dois momentos distintos e, por fim, que tenham apresentado uma melhora significativa no grau de inovação medido no diagnóstico do radar da inovação.

A fonte de evidência utilizada no estudo foi a entrevista semiestruturada, na qual o pesquisador conta com uma lista de temas e questões a serem abordados, mas são modificados no decorrer da entrevista a depender do contexto, possibilitando outras constatações além das previstas (SAUNDERS; LEWIS; THORNHILL, 2009). Foram realizadas nove entrevistas, com duração média de 1 hora e meia cada, com empreendedores que representamcasos de sucesso do Programa ALI que implementaram ações de inovação em suas empresas e também com cinco agentes locais de inovação que atuaram nas empresas selecionadas. Cada entrevista foi gravada utilizando-se gravador de áudio, transcritas e, posteriormente, analisadas na descrição de cada caso. O quadro 1 mostra os entrevistados nas empresas selecionadas.




O quadro 2 apresenta as categorias de análise que foram consideradas e os elementos de análise que foram baseados na revisão da literatura.




Neste estudo, de forma simplificada, foram seguidos os seguintes passos: identificação das empresas que são casos de sucesso do Programa ALI; levantamento dos documentos; elaboração do roteiro de entrevista; realização do caso piloto; análise e descrição do caso piloto; ajustes e correções do roteiro; contato com empreendedores das empresas identificadas; agendamento das entrevistas; coleta de evidênciasnas empresas; transcrição; descrição e análise das evidências; descrição de cada caso, análise comparativa e elaboração do relatório final do estudo de multicasos.

A análise das evidências coletadas foi realizada de acordo com as técnicas de análise de conteúdo, que, de acordo com Bardin (1977), define o que é um conjunto de técnicas e procedimentos sistemáticos com o objetivo de desvendar o que está por trás das palavras, buscando que os entrevistados forneçam informações de forma entrelaçada nas mensagens. A análise de conteúdo se justifica e ganha importância pela utilização da entrevista semiestruturada, uma vez que nesse tipo de entrevista, o pesquisador tem a liberdade de buscar informações além daquelas previstas nas perguntas e respostas. O presente estudo seguiu as fases de análise de conteúdo propostas por Bardin (1977).

4 ANÁLISE COMPARATIVA DOS CASOS

Após a descrição individual de cada caso, foi realizada a análise comparativa com base nas categorias analíticas do estudo, procurando destacar as semelhanças e diferenças e, quando possível, a comparação com a teoria. Inicialmente são descritas as características das empresas e dos empreendedores e depois as inovações em produtos/ serviços, processos, organizacionais, marketinge as redes sociais empreendedoras e recursos acessados.

Material suplementario
REFERÊNCIAS
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