<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><?xml-model type="application/xml-dtd" href="http://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1d3/JATS-journalpublishing1.dtd"?>
<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.1d3 20150301//EN" "http://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.1d3/JATS-journalpublishing1.dtd">
<article xmlns:ali="http://www.niso.org/schemas/ali/1.0" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance" xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" dtd-version="1.1d3" specific-use="Marcalyc 1.2" article-type="research-article" xml:lang="pt">
<front>
<journal-meta>
<journal-id journal-id-type="redalyc">1334</journal-id>
<journal-title-group>
<journal-title specific-use="original" xml:lang="pt">Gestão &amp; Regionalidade</journal-title>
</journal-title-group>
<issn pub-type="ppub">1808-5792</issn>
<issn pub-type="epub">2176-5308</issn>
<publisher>
<publisher-name>Universidade Municipal de São Caetano do Sul</publisher-name>
<publisher-loc>
<country>Brasil</country>
<email>editoria_gr@online.uscs.edu.br</email>
</publisher-loc>
</publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id pub-id-type="art-access-id" specific-use="redalyc">133475550015</article-id>
<article-categories>
<subj-group subj-group-type="heading">
<subject>Artigos</subject>
</subj-group>
</article-categories>
<title-group>
<article-title xml:lang="pt">Canais de distribuição de produtos orgânicos na cidade de Porto Alegre/RS</article-title>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author" corresp="no">
<name name-style="western">
<surname>Mazzardo Marques Viana</surname>
<given-names>Hildebrando</given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="aff1"/>
<email>hmmviana@gmail.com</email>
</contrib>
<contrib contrib-type="author" corresp="no">
<name name-style="western">
<surname>Nunes da Silva</surname>
<given-names>Tania</given-names>
</name>
<xref ref-type="aff" rid="aff2"/>
<email>tnsilva@ea.ufrgs.br</email>
</contrib>
</contrib-group>
<aff id="aff1">
<institution content-type="original">Universidade Federal do Rio Grande do Sul -Brasil</institution>
<institution content-type="orgname">Universidade Federal do Rio Grande do Sul</institution>
<country country="BR">Brasil</country>
</aff>
<aff id="aff2">
<institution content-type="original">Universidade Federal do Rio Grande do Sul -Brasil</institution>
<institution content-type="orgname">Universidade Federal do Rio Grande do Sul</institution>
<country country="BR">Brasil</country>
</aff>
<pub-date pub-type="epub-ppub">
<year>2022</year>
</pub-date>
<volume>38</volume>
<issue>114</issue>
<fpage>231</fpage>
<lpage>347</lpage>
<history>
<date date-type="received" publication-format="dd mes yyyy">
<day>16</day>
<month>06</month>
<year>2020</year>
</date>
<date date-type="accepted" publication-format="dd mes yyyy">
<day>12</day>
<month>04</month>
<year>2021</year>
</date>
</history>
<permissions>
<copyright-year>2022</copyright-year>
<copyright-holder>Autor</copyright-holder>
<ali:free_to_read/>
</permissions>
<abstract xml:lang="pt">
<title>Resumo</title>
<p>A   agricultura   orgânica   e   agroecológica   demonstra   uma   forte   ligação   com   o   tema sustentabilidade, e tendo isso como pressuposto, o estudo busca identificar de que forma isso influencia a decisão de   produtores e comercializadores na escolha do canal de distribuição de seus produtos. Além das dificuldades inerentes à produção agroecológica e orgânica, fazer esses  alimentos  chegarem  ao  consumidor  em  condições  adequadas  é  um  dos  principais  desafios  encontrados  pelo  produtor.  A  pesquisa,  do  tipo  exploratória  e  qualitativa,  teve  a  coleta  de  dados  feita  através  de  entrevistas  semiestruturadas  com  produtores  de  alimentos  orgânicos, proprietários de sites, coordenadores de feiras orgânicas e servidores públicos – analisando  como  decidem  por  determinado  canal  quando  o  tema  é  sustentabilidade.  Verificou-se uma grande preferência, e dependência, de canais tradicionais, especialmente as feiras de produtores. Isso se dá principalmente pelo senso de comunidade formado em torno da produção orgânica, que engloba produtores, consumidores e demais atores envolvidos no processo.</p>
</abstract>
<trans-abstract xml:lang="en">
<title>Abstract</title>
<p>Organic and agroecological agriculture demonstrates a strong connection with the theme of sustainability,  and  taking  this  as  an  assumption,  the  study  seeks  to  identify  how  this influences the decision of producers and traders when choosing the distribution channel for their  products.  In  addition  to  the  difficulties  inherent  in  agroecological  and  organic  production, making these foods reach the consumer in adequate conditions is one of the main challenges  faced  by  the  producer.  The  research  was  exploratory  and  qualitative,  and  the  collection  of  information  through  semi-structured  interviews  with  organic  food  producers,  website owners, organic fair coordinators and public servants -   analyzing the perception of existing distribution channels and how they decide for determined channel when the topic is sustainability.  There  was  a  great  preference,  and  dependence,  on  traditional  channels,  especially producer fairs. This is mainly due to a strong sense of community formed around organic  production,  which  includes  producers,  consumers  and  other  actors  involved  in  the  process.</p>
</trans-abstract>
<kwd-group xml:lang="pt">
<title>Palavras-chave</title>
<kwd>alimentos orgânicos</kwd>
<kwd>cadeias curtas</kwd>
<kwd>sustentabilidade</kwd>
</kwd-group>
<kwd-group xml:lang="en">
<title>Keywords</title>
<kwd>sustainability</kwd>
<kwd>short agri-food chains</kwd>
<kwd>organic food</kwd>
</kwd-group>
<counts>
<fig-count count="0"/>
<table-count count="2"/>
<equation-count count="0"/>
<ref-count count="31"/>
</counts>
</article-meta>
</front>
<body>
<sec>
<title>INTRODUÇÃO</title>
<p>Um    dos    reflexos    da    crescente    preocupação  com  a  saúde,  conscientização  ambiental e sustentabilidade do planeta, se dá  no  aumento  da  busca  e  consumo  de  alimentos  que  tragam  mais  benefícios  à  saúde dos consumidores, produzidos com a menor agressão ao ambiente, representados normalmente   pelos   alimentos   orgânicos.   Muitos  produtores  têm  se  dedicado  a  esse  tipo de produção; e supermercados, lojas e outros pontos de venda têm incluído em seu portfólio   esses   produtos.   Essa   pesquisa   busca, então, compreender como o conceito de sustentabilidade influencia a escolha dos canais    de    distribuição    por    parte    dos    produtores.</p>
<p>Conforme   o   Relatório   Anual   da   IFOAM  (2019),  que  tabula  dados  de  186países,   o   mundo   tem   71,5 milhões   de   hectares  dedicados  cultivo  de  agricultura  orgânica,  e  mais  35,7 milhões  de  hectares  onde   é   realizada   somente   coleta   dos   alimentos   diretamente   da   natureza,   sem   manejo. Em números absolutos de hectares e   percentual   de   participação   no   total   mundial destinados à produção de produtos orgânicos,   tem-se   a   Oceania,   com   36,0milhões (51,0%), seguido pela Europa com 15,6 milhões  (23,4%),  América  Latina  8,0milhões (12,3%), Ásia 6,5 milhões, (8,5%), América  do  Norte  3,34 milhões  (5,4%)  e  África 2,0 milhões   (3,1%)   (WILLER   e   JULIA,  2019).  Entre  os  países,  o  Brasil  ocupa   a   décima   posição   em   área   de   produção (1,1   milhão).   Em   número   de   produtores, em   2019   foram   registrados   aproximadamente   2,9 milhões   em   todo   mundo, um crescimento de 7% sobre 2016 (2,7 milhões),  sendo a  Índia  o  país  que  concentra  o  maior  número  de  produtores  (835 mil).</p>
<p>O     número     de     produtores     de     alimentos  orgânicos  certificados  no  Brasil  pelo  Ministério  da  Agricultura  Pecuária  e  Abastecimento (MAPA) era de 20.995, em janeiro de 2020, representando crescimento de  253%  sobre  2012,  quando  se  iniciou  o  levantamento,    sendo    esse    contingente    liderado pelo Estado do Paraná (3.871), em seguida  Rio  Grande  do  Sul  (3.199),  São  Paulo (2.372) e Santa Catarina (1.646), que juntos  representam  52,81%  dos  produtores  nacionais (BRASIL, 2020).</p>
<p>Delimitação  do  problema  e  definição  do  tema</p>
<p>Em    Porto    Alegre    os    produtos    orgânicos podem ser encontrados em vinte e duas feiras semanais dedicadas para estes produtos,   além   da   presença   nos   canais   tradicionais         como         supermercados, mercados       e       minimercados,       lojas       especializadas  e  plataformas  baseadas  na  internetque    comercializam    cestas    de    produtos,  em  compra  única  ou  através  do  sistema  de  assinaturas,  onde  essas  cestas  são   entregues   com   frequência   regular   determinada  entre  comprador  e  vendedor.  Essa  diversidade  de  canais,  que  reflete  um  maior consumo de alimentos orgânicos, é o que   motiva   a   seguinte   inquietação   do   estudo: como os envolvidos com a produção e  comercialização  de  produtos  orgânicos  definem os canais de distribuição?</p>
<sec>
<title>OBJETIVOS DO ESTUDO</title>
<p>A    pesquisa    teve    os    seguintes    objetivos:</p>
<p>Objetivo Geral •Analisar   a   escolha   pelos   produtores e    comercializadores    dos diferentes   canais   de   distribuição   de   produtos orgânicos, presentes na grande Porto Alegre.</p>
<p>Objetivos específicos: •Identificar    quais    são    os    canais    de    distribuição    de    produtos    orgânicos  disponíveis  e  utilizados  em  Porto Alegre; •Investigar  a  influência  da  preocupação  com  a  sustentabilidade  na  escolha  dos canais   de   distribuição   de   alimentos   orgânicos; •Identificar quais os motivos para preferir ou     deferir     determinado     canal     de     distribuição,  entre  os  utilizados  pelos  produtores e    comercializadores    de alimentos orgânicos, em Porto Alegre.</p>
</sec>
<sec>
<title>REVISÃO DA LITERATURA</title>
<p>Sustentabilidade</p>
<p>O desenvolvimento     econômico     sempre  foi  o  alicerce  do  desenvolvimento  social,  muitas  vezes  associado  a  um  custo  ambiental    e    que    não    necessariamente    buscava um equilíbrio entre os mesmos. O termo   sustentabilidade   está   logicamente   relacionado   com   a   capacidade   de   se   sustentar,   e   tanto   do   ponto   de   vista   ambiental    quanto    econômico,    quando    falamos do uso de recursos naturais, o termo aplica-se  a  uma  forma  de  explorar  esse  recurso sem que o mesmo se esgote.</p>
<p>Antes de abordar a sustentabilidade, é    importante    caracterizar    o    consumo.    Segundo   Canclini   (1995,   p.53),   “é   o   conjunto  de  processos  socioculturais  em  que se realizam a apropriação e os usos dos produtos”.    As    maneiras    de    consumir    alteram  as  possibilidades  estruturais  e  as  formas de exercer cidadania. Além disso, “o ato  de  consumir  modifica  não  apenas  os  aspectos  materiais  da  vida  em  sociedade,  mas a essência do próprio ser.</p>
<p>Nesse   sentido,   o   consumo   desde   então pautou a organização da sociedade e a maneira como agimos e interagimos com os  demais.  Bauman  (2008)  cita  o  conceito de  “revolução  consumista”,  no  momento  que    passamos    do    consumo    para    o    consumismo, quando queremos, desejamos e   adquirimos   algo   de   forma   intensa   e   contínua.  Temos,  então,  um  incentivo  ao  consumo  e  uma  exploração  de  recursos  naturais em escalas cada vez maiores e em níveis  que  serão  insustentáveis  em  poucos  anos (FAO, 2014).</p>
<p>A   definição   de   sustentabilidade,   associado ao ato de consumir, é complexa, e  essa  dificuldade  em  conceituar  contribui  na dificuldade em operacionalizar qualquer conceito   decorrente.   Scott   (2002),   por   exemplo, conta mais de trezentas definições diferentes para o termo, o que justifica, em parte,   a   tendência   que   existe   em   não   acreditar  na  viabilidade  de  aplicação  da  mesma.</p>
<p>De  acordo  com  Sachs  (1993),  o  termo   sustentabilidade   se   constitui   num   conceito      dinâmico,      que      considera      necessidades   crescentes   das   populações   num  contexto  internacional  em  constante  expansão.  O  autor  define  oito  dimensões  como     base     para     a     sustentabilidade:     sustentabilidade        social,        econômica,        ecológica,  territorial,  cultural,  ambiental,  política nacional e política internacional.</p>
<p>Quanto        ao        conceito        de        desenvolvimento  sustentável,  um  dos  mais  amplamente  aceitos  é  o  produzido  pela  Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento   em   1987   -   Comissão Brundtland(ELKINGTON,   2001)   –   no Relatório  Brundtland.  Nele  se  afirma  pela  primeira      vez      que      desenvolvimento      sustentável    é    aquele    que    satisfaz    as    necessidades    da    geração    atual,    sem    comprometer  a  capacidade  das  gerações  futuras     em     satisfazer     suas     próprias     necessidades. A Comissão estabeleceu dois conceitos  importantes  na  mudança  sobre  o  entendimento     da     sustentabilidade.     O     primeiro,  é  que  as  necessidades  básicas,  especialmente    aquelas    relacionadas    à    pobreza,    devem    ser    prioritárias;    e    o    segundo, o de que recursos naturais podem, e   se   nada   for   feito,   esgotar-se-ão.   Isso   representou  uma  mudança  da  perspectiva  com   a   qual   eram   tratados   os   recursos   naturais e ambientais, antes um recurso a ser precificado,       utilizado       e       reposto,       praticamente infinito. Dá a eles um caráter de  finitude  e  de  que  devem  ser  otimizados  para o bem estar social, ou equidade social, da    geração    atual,    mas    mantendo    a    perspectiva    de    continuidade    para    as    próximas gerações, ou seja, não se esgotem.</p>
<p>Elkington (2001), um dos principais autores  sobre  o  tema  e  que  participou  da  Comissão Brundtland, diz que a revolução ambiental      permeou      dois      momentos      importantes: na década de 1960, quando um grupo de pesquisadores ambientalistas, tais como  Paul  Ehrlich,  Teddy  Goldsmith  e  Barry  Commoner  passaram  a  alertar  que  a  combinaçãoentre       o       crescimento       populacional,      poluição      industrial      e      destruição  do  ecossistema  comprometia  as  futuras gerações e o planeta. E, no final da década  de  1980,  quando  veio  à  tona  uma  segunda  onda  ambiental,  catalisada  pelos  meios      de      comunicação,      onde      a      agressividade industrial ficou mais evidente em   função   do   ingresso   das   economias   emergentes em uma nova fase de expansão de  suas  indústrias.  Logo  em  seguida,  em  1997,    John    Elkington    estabeleceu    o        conceito de sustentabilidade atrelado a três pilares, onde cunhou o termo Triple Bottom Line (TBL),  ou  tripé  de  sustentabilidade,  também  referenciado  como  3Ps:  pessoas  (people),  referentes  aos  problemas  sociais;  planeta   (planet),   referente   às   questões   ambientais;  e,  lucro  (profit),  relativo  aos  aspectos   econômicos.   Esse   conceito   é   amplamente utilizado até agora.</p>
<p>Nesse   sentido,   a   sustentabilidade   engloba: a dimensão econômica (a), que diz respeito   aos   resultados   financeiros   da   empresa;  a  dimensão  social  (b),  focada  no  bem   estar   das   pessoas,   sejam   recursos   internos   ou   externos,   contribuindo   na   diminuição    das    desigualdades    sociais,    envolvendo e respeitando os interesses das comunidades que participam do negócio; e a  dimensão  ambiental  (c),  onde  o  foco  é  a  ecoeficiência,  através  do  fornecimento  de  bens e serviços a preços competitivos, que satisfaçam     as     necessidades     humanas,     trazendo   qualidade   de   vida,   mas   em   contrapartida     reduzindo     os     impactos     ecológicos  e  o  uso  dos  recursos  naturais  a  um   patamar   suportável   pelo   planeta.   A   sustentabilidade é definida, portanto, como o equilíbrio da prosperidade econômica, da qualidade   ambiental   e   da   justiça   social   (ELIKINGTON, 2001).</p>
<p>No final dos anos 1990, a discussão sobre crescimento econômico e preservação ambiental  ganhou  mais  força,  e  surgiram  três  correntes  de  pensamento  distintas.  A  primeira surgiu no século passado e defende que   o   caminho   mais   adequado   para   a   sustentabilidade      é      a      melhoria      do      desempenho  econômico  (GROSSMAN  e  KRUEGER,  1995).  A  segunda,  a  Tese  da  Condição    Estacionária    (DALY,    2008),    afirma    que    o    crescimento    econômico    contínuo      não      seria      obtido      sem      consequências  ambientais  catastróficas,  e  num   futuro   próximo,   o   que   entra   em   conflito     direto     com     o     modelo     de     crescimento      dos      ditos      países      em      desenvolvimento,  justamente  por  estarem  em um período industrial que demanda uma grande exploração    de    seus    recursos    naturais. Daly (2008) foi um dos primeiros autores    que    defendeu    que    os    custos    ambientais  deveriam  estar  refletidos  nos  custos   dos   produtos,   ainda   em   1968. Conforme explica Veiga (2010), surge uma terceira  corrente,  que  afirma  ser  possível  atingir   crescimento   econômico   sem   o   esgotamento  dos  recursos  naturais  através  da  reconfiguração  do  processo  produtivo,  utilizando  energia  e  recursos  em  menor  escala  e  de  forma  mais  eficiente.  Segundo Hickel   e   Kallis   (2019),   essa   teoria   de   crescimento   verde   emergiu   como   uma   resposta  política  dominante  às  mudanças  climáticas  e  ao  colapso  ecológico,  onde  mudanças    tecnológicas    e    substituições    permitiriam  desacoplar  o  crescimento  do  PIB  ao  uso  de  recursos  e  das  emissões  de carbono.    Mesmo    sendo    assumida    na    política  nacional  e  internacional,  inclusive  nos     Objetivos     de     Desenvolvimento     Sustentável,    as    evidências    empíricas,    segundo os autores, sobre o uso de recursos e as emissões de carbono não apoia a teoria. Esta corrente de pensamento é a que mais se adéqua      ao      conceito      político      de      desenvolvimento                         sustentável                         contemporâneo,   e   por   isso   também   se   tornou  o  mais  propagado  na  sociedade,  justamente  por  supor  que  se  pode  crescer  economicamente   desde   que   respeitados certos limites,  ou, por outra ótica, restringir as  consequências  da  ação  humana  sobre  o  meio ambiente de maneira controlada.</p>
<p>Esse    conceito    foi    disseminado    através  da  publicação  em  1972  do  livro  Limits    to    Growth[Os    Limites    do    Crescimento,   na   tradução   brasileira   de   1973],  ano  da  primeira  Conferência  das  Nações  Unidas  sobre  o  Meio  Ambiente  Humano,  em  Estocolmo.  Nesta  obra,  um  grupo  de  cientistas  do  Clube  de  Roma,  usando um modelo computacional, avaliou as      consequências      das      taxas      de      desenvolvimento econômico e populacionale  seus  impactos  na  poluição  e  uso  dos  recursos  naturais.  Na  época,  mesmo  sendo  acusada  de  alarmista  por  não  considerar  avanços    tecnológicos,    de    produção    e    sociais,  provocou  o  debate  da  questão  da  sustentabilidade    internacionalmente.    As    principais   críticas   ao   modelo   partiram   especialmente  dos  países  do  Hemisfério  Sul, fundamentalmente por esse estudo não diferenciar a parcela de menor contribuição desses  países  no  esgotamento  dos  recursos  naturais, nem  reconhecer  seu  direito  de  crescerem   economicamente,   já   que,   na   época,    representavam    os    países    mais    pobres.    Segundo    Nobre    e    Amazonas    (2002),  o  projeto  de  institucionalização  do  modelo de desenvolvimento sustentável foi elaborado entre 1982 até 1992, uma década, marcada  pela  realização  de  três  eventos  internacionais  relacionados  à  questão.  O  primeiro, em 1982, foi a Sessão Especial do Programa  Ambiental  das  Nações  Unidas  (UNEP);   o   segundo,   a   instituição   da   Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, em 1983; e, em 1992, a realização da Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento no Rio  de  Janeiro,  a  Rio  92.  Posteriormente,  em   2002,   ocorreu   em   Joanesburgo,   na   África do Sul, conferência mundial sobre o tema Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável,  denominada  Rio+10,  onde  foi  elaborado  o  documento  conhecido  como  Protocolo  de  Kioto,  onde  os  países  com  maior  nível  de  desenvolvimento  industrial  firmam  um  compromisso,  com  destaque para  uma  meta  de  redução  de  gases  que  agravem   o   efeito   estufa.   Nessa   mesma   conferência  reforça-se  que  o  caminho  para  um  desenvolvimento  sustentável  deve  ter  por base os três pilares - econômico, social e ambiental - do Triple Bottom Line. E, por fim,   em   2011,   ocorre   em   Bonn,   na   Alemanha,   a   Conferência   das   Nações   Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20). Assim, instaurou-se o conceito e permitiu    a    transição    da    questão    do    crescimento econômico como contraditório às  questões  ambientais  para  um  modelo  sustentável     de     desenvolvimento,     que     demonstra  o  atingimento  de  um  consenso  mínimo.</p>
<p>Essa   noção   de   desenvolvimento sustentável     não     advém     somente     da     politização, mas logicamente é afetada por mudanças   nos   processos   produtivos   e   organizacionais. Hopwood,     Mellor     e     O'brien (2005) afirmam que se torna ainda mais urgente a discussão sobre o tema, pois há o entendimento por parte de uma grande parcela  da  sociedade  de  que  não  se  pode  sustentar o modo de produção e de consumo vigentes, somado ao aumento populacional, que   consome   a   natureza   e   os   recursos   naturais. Entretanto, os autores afirmam que preocupações    crescentes    com    o    meio    ambiente  podem  ser  combinadas  com  as  questões socioeconômicas.</p>
<p>Para         Morin         (2013),         o         desenvolvimento     sustentável     comporta     múltiplas dimensões, que contém, sempre, a possibilidade  do  esgotamento  dos  recursos  naturais, ou mesmo, instabilidades sociais e econômicas  que  por  sua  vez  também  tem  relação   com   a   perspectiva   da   escassez.   Segundo  o  autor,  a  crença  convicta  no  crescimento   econômico   sustentado   pela   visão  positivista  enfrente  a  oposição  dos  limites  planetários,  cadeias  de  complexas  interfaces  e  nos  desafios  apresentados  na  redução das desigualdades sociais e globais.</p>
<p>Atualmente,             o             termo             sustentabilidade   relaciona-se   muito   mais   com   a   busca   por   um   desenvolvimento   sustentável, e que encontre equilíbrio entre os     objetivos     econômicos,     sociais     e ambientais.  O  conceito  contemporâneo  de  desenvolvimento  sustentável  acaba,  então,  sendo    o    resultado    de    uma    série    de    discussões  que  ganharam  força  nos  anos  1960,  que  se  baseava  na  ecologia  e  na  preservação       ambiental,       mas       que       naturalmente   evolui   englobando   outros aspectos.</p>
<p>Mooz e Silva (2014) afirmam que o consumo de alimentos orgânicos cresce em consonância com os movimentos em prol de um    desenvolvimento    mais    sustentável,    sendo     diretamente     relacionado,     e     é          interessante notar que, conforme os autores, não     há     diferenças     nos     perfis     dos     consumidores  de  alimentos  orgânicos  de  países pobres e ricos. E, por fim, conforme Guzzatti et    al.    (2014,    p.365)    “nesta perspectiva,    o    consumidor    deve    ser    estimulado  para  que  seu  ato  de  consumo  seja também ato de cidadania”.</p>
<p>Cadeias agroalimentares curtas</p>
<p>A   cadeia   de   suprimentos,   assim   como a sustentabilidade, é um conceito que perpassa  o  ambiente  organizacional,  indo  além da simples compra de insumos e venda de  produtos  ou  serviços,  especialmente  no  que tange às suas potencialidades, seja com impactos     econômicos,     ambientais     ou     sociais. Como  afirmam  Seuring  e  Müller  (2008),    a    cadeia    de    suprimentos    é    comumente   definida   como   um   caminho   linear, que integra as atividades associadas ao fluxo e à transformação de bens, desde a extração   de   suas   matérias-primas   até   o   usuário   final,   e   ainda,   algumas   cadeias   incluem  a  etapa  pós-consumo,  para  que  o  resíduo  gerado  pelo  consumo  tenha  uma  destinação adequada. Ao definir as cadeias agroalimentares curtas, Schneider e Gazolla (2017), trazem o seguinte conceito:</p>
<p>as  cadeias  agroalimentares  curtas  de    abastecimento    podem    ser    entendidas   como   expressão   da   vontade dos atores envolvidos em uma  cadeia  de  valor  em  construir  novas  formas  de  interação  entre produção  e  consumo,  mediante  o  resgate    da    procedência    e    da    identidade dos produtos, assentada não  apenas  em  critérios  de  preço,  mas  também  em  valores  sociais,  princípios         e         significados         simbólicos,    culturais,    éticos    e    ambientais.     Neste     sentido,     a     definição de cadeias curtas resgata uma      dimensão      central      das economias  de  proximidade  e  de  escopo   que   refere   ao   papel   da   geografia   e   da   interação   entre   espaço    e    atividade    econômica    (SCHNEIDER; GAZOLLA; 2017; p.12).</p>
<p>Conforme    DelGrossi    e    Thomé    (2018),  as  cadeias  curtas  de  abastecimento  de alimentos,  cumprem o papel das cadeias de   abastecimento   convencionais,   porém com  a  vantagem,   no  caso  específico  dos  alimentos  orgânicos,  dos  seus  alimentos  refletirem     características     de     “local”,     “natural”,   “saudável”   e   “confiável”.   Os   autores   também   afirmam   que,   para   o   agricultor     familiar,     as     redes     curtas     constituem    uma    excelente    forma    de    diversificar  sua  produção,  ganhando  maior  valor   agregado   e,   com   isso,   garantindo   receita mais estável.</p>
<p>Segundo Renting, Marsden e Banks (2003), definem as cadeias agroalimentares curtas em três categorias: as de agricultura orgânica; as que atendem o mercado de alta qualidade;   e,   as   de   venda   direta.   Em   comum, todas apresentam uma diminuição de    níveis,    etapas    ou    elos,    quando comparadas às cadeias     de     varejo     tradicionais, visto que uma cadeia para ser considerada  curta  deve  ter  no  máximo  um  intermediário    entre    o    produtor    e    o    consumidor   final,   mesmo   que   existam   vários  processos  envolvidos,  onde,  nesse  caso,   o   produtor   cumpre   mais   de   uma   função,  como  o  processamento.  Conforme Schneider  e  Ferrari  (2015),  essa  é  uma  característica  dos  modelos  de  distribuição realizados  pela  agricultura  familiar,  que buscou   novas   formas   de   inserção   de   agricultores   em   mercados   de   produtos locais, onde  comercializam  produtos  que  até pouco  tempo  eram  utilizados  apenas  para  autoconsumo das famílias e faziam parte do repertório   gastronômico   e   culinário   das   culturas alimentares destes agricultores.</p>
<p>Como  Renting,  Marsden  e  Banks  (2003)         afirmam,os         mercados         agroalimentares      vêm      passando      por      transformações    e    também    apresentam    novas  dinâmicas.  Tal  situação  se  deve  a  uma   mudança   do   padrão   de   consumo   agroalimentar,  onde  a  sociedade  dá  mais  peso    às    questões    ambientais,    sociais,    ecológicas  e  estéticas  em  detrimento  ao  padrão de produção em massa, e que essas cadeias   são   originadas   na   busca   pelo   estabelecimento  de  relações  mais  diretas  entre produtores e consumidores. Soma-se a isso, uma crescente desconfiança por parte dos  consumidores  e  sociedade  em  geral  sobre      a      qualidade      dos      alimentos      industrializados.    Sublinha-se    que    “os    mercados de alimentos estão cada vez mais diferenciados,  com  base  em  uma  série  de  critérios – socialmente  construídos  – de qualidade   dos   alimentos”   (MARSDEN,   1998, p.107).</p>
<p>Renting,  Marsden  e  Banks  (2003)  dividem  os  tipos  de  cadeias  em  três,  de  forma  a  estender  as  cadeias  no  tempo  e  espaço: face-to-face,     de     proximidade     espacial  e  espacialmente  estendida.  Essas  cadeias       conseguem       criar       espaços       econômicos   que   transpõem   a   força   da   globalização,      relações      de      trabalho      complexas    e    o    poder    crescente    das    corporações, enquanto, conforme Schneider e       Gazolla       (2017),       as       cadeias       agroalimentares longas tendem a romper os elos  diretos  entre  produção  e  consumo,  entre o agente que produz e o indivíduo que consume.  As  cadeias  do  tipo  face-to-face sãonormalmente  o  primeiro  contato  do  público   consumidor,   pois   os   produtores   vendem  diretamente  ao  consumidor,  por  vários  mecanismos  de  venda  direta,  como  nas  feiras,  na  beira  de  estradas  próximas  à  propriedade      rural,      diretamente      na      propriedade   e   outros   meios   quando   o  produto     é     entregue     diretamente     ao     consumidor,   como   em   rotas   turísticas,   combinada  com  a  venda  de  serviços  como  hospedagem ou participação na colheita por parte do consumidor. Pelo fato de permitir a    interação    direta    entre    produtor    e    consumidor,  a  cadeia  do  tipo  face-to-face cria   um   sentimento   de   autenticidade   e   confiança na relação.</p>
<p>O   segundo   tipo, de   proximidade   espacial, cria uma forte vinculação entre os produtos ofertados e o seu local de origem. Normalmente    atrelado    à    agroindústria    familiar,   a   venda   ocorre   na   região   de   produção  ou  muito  próxima  a  ela.  Sua  distribuição        ocorre        através        de        estabelecimentos de alimentação, varejistas locais,      feiras      regionais      e      vendas      institucionais     (merenda     escolar,     por     exemplo),   sempre   circunscritos   a   uma   região  específica.  É  comum  a  presença  atuante de cooperativas, tanto por parte dos produtores      quanto      cooperativas      de      consumidores,  que  se  organizam  na  forma  de cadeias curtas.</p>
<p>E, por fim, o terceiro tipo, a cadeia espacialmente   estendida,   onde   a   venda   ocorre para consumidores fora da região de produção,   e   praticamente   sem   interação   entre  produtor  e  consumidor.  Apesar  da  dificuldade  em  se  estabelecer,  esse  tipo  de  cadeia  apresenta  uma  presença  crescente,  com histórico na Europa , e que está ligada à  certificação  de  origem  do  produto  ou  reputação.</p>
</sec>
<sec>
<title>MÉTODO</title>
<p>Neste  estudo  foi  realizada  uma  pesquisa  bibliográfica  baseada  na  análise  de  dados  secundários, que, conforme Gil (2010, p.64) “é  desenvolvida  a  partir  de  material  já  elaborado,  constituído  principalmente  de  livros  e  artigos  científicos”.  A  entrevista,  conforme  Klein  et  al.  (2015)  definem,  é  uma   técnica      em queo   investigador   se   coloca em   frente   ao   investigado   e   lhe   formula  perguntas,  objetivando  a  obtenção  de dados que interessem à investigação.</p>
<p>Num  segundo  momento  foi  feito  o  levantamento  de  produtores  de  alimentos  orgânicos  e  outros  participantes  da  cadeia,  situados  na  grande  Porto  Alegre,  para  a  realização    de    uma    coleta    de    dados    primários,       através       de       entrevistas       semiestruturadas.</p>
<p>Foram treze entrevistas, totalizando 7h20min,  média  de  40  minutos  cada.    As  entrevistas   foram   realizadas   em   quatro etapas, no período entre 27 de junho e 04 de agosto    de    2017:a)    na    primeira,    exploratória,  com  três  coordenadores  das  feiras  de  produtores,  sendo  um  também  produtor,  realizadas  em  Porto  Alegre,  que  indicaram    os    produtores    adequados    à    amostra;      b)   na   segunda,   com   cinco   produtores   participantes   de   feiras   para   produtores  orgânicos  e  ecológicos,  e  que  também     utilizem     outros     canais     de     distribuição     como     supermercados     ou     plataformas  baseadas  na  internet;  c)  na  terceira,  proprietários  das  plataformas  que  comercializam produtos em Porto Alegre e região; e por fim, d) com três servidores da SMIC     que     são     responsáveis     pela     fiscalização,  criação  ou  encerramento  das  feiras    ecológicas    realizadas    em    Porto    Alegre.</p>
<p>Porto Alegre conta, atualmente, com oito feiras orgânicas regulares reconhecidas pela  SMIC,  e  mais  quatorze  pontos  de  venda, que não operam em via pública nem são   controlados   pelo   órgão,   totalizando   vinte e dois locais com oferta regular. Como referência  ao  recente  aumento  da  oferta  e  procura,  oito  dessas  feiras  iniciaram  suas  atividades   há   menos   de   cinco   anos   e   quatorze há menos de dois anos.</p>
<p>As  informações  levantadas  foram  analisadas  sem  utilização  de  medidas  ou  inferências    estatísticas,    e    baseado    na    revisão   da   literatura   foram   buscadas   as   respostas  da  questão  inicial  e  objetivos  a  qual se propõe essa pesquisa.</p>
<p>Após  buscou-se  o  entendimento  e  captura  da  perspectiva  dos  respondentes  versus a revisão da literatura. Para auxiliar nas     considerações     finais,     os     dados     apresentados  foram  organizados  em  forma  de textos narrativos, identificando padrões e possíveis explicações de causas e efeitos.</p>
</sec>
<sec>
<title>RESULTADOS</title>
<p>Para  organizar  as  expectativas  e  os  resultados   esperados,   foi   construído   um   resumo  da  metodologia  que  estabelece  a  relação com os objetivos do trabalho, que se apresenta no quadro 1.</p>
<p>
<table-wrap id="gt1">
<alternatives>
<graphic xlink:href="133475550015_gt2.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
<table id="gt2-526564616c7963">
<tbody>
<tr/>
<tr>
<td>Identificar quais são os canais de distribuição de produtos orgânicos disponíveis e utilizados em Porto Alegre</td>
<td>Identificar quais são os canais disponíveis em Porto Alegre, de conhecimento por parte dos produtores</td>
<td>Os canais utilizados em Porto Alegre e Região são: feiras orgânicas, distribuidores e supermercados, venda direta na propriedade através de turismo rural, Programa de Aquisição de Alimentos do Governo Federal (PAA), fornecimento para plataformas de internet, fornecimento para o programa Comunidade que Sustenta a Agricultura (CSA), site e aplicativo para smartphones JuntaPedido, e restaurantes e outros estabelecimentos de varejo.</td>
</tr>
<tr>
<td>Investigar a influência da preocupação com a sustentabilidade na escolha dos canais de distribuição de alimentos orgânicos</td>
<td>Identificar se a sustentabilidade influência na decisão do produtor pela escolha de determinado canal</td>
<td>Sim, a sustentabilidade influencia, porém dentro do limite da capacidade de produção. Produtores que já excederam o canal das feiras orgânicas são praticamente obrigados a utilizar canais que consideram menos sustentáveis.</td>
</tr>
<tr>
<td>Identificar      quais      os      motivos  para  preferir  ou  deferir          determinado          canal    de    distribuição,    entre  os  utilizados  pelos  produtores  de  alimentos  orgânicos,     em     Porto     Alegre e região.</td>
<td>Identificar quais os fatores que levam os produtores a utilizar ou deixar de utilizar determinado canal, e as vantagens e desvantagens percebidas em cada um deles</td>
<td>As principais motivações para a escolha, principalmente das feiras, são princípios de uma comunidade em torno da cultura orgânica, melhores margens captadas na venda direta, capacidade de atendimento do produtor, baixa representatividade de novos canais, como as plataformas, e preferência por canais que proporcionem na visão dos produtores mais sustentabilidade.</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</alternatives>
</table-wrap>
</p>
<p>Em primeiro lugar foi questionado o entendimento por parte dos entrevistados do que  significa  sustentabilidade,  a  fim  de  verificar   se   a   literatura   corresponde   ao   senso comum entre os mesmos.</p>
<p>Sustentabilidade: entendimento       e       influência</p>
<p>Há  uma  variação  do  entendimento  entre  os  participantes,  mas  o  mais  comum  refere-se   à   questão   ambiental.   Para   a   maioria, a sustentabilidade está ligada a um processo que não degrada o meio ambiente, e quando possível ainda o torna melhor.</p>
<p>O   segundo   ponto   levantado   com   maior  frequência  é  a  questão  social.  Para  muitos,  a  sustentabilidade  está  ligada  à  manutenção da família no campo, e manter o   ciclo   de   transações   o   mais   próximo   possível,  seja  dentro  de  sua  comunidade,  seja com produtores ou pessoas e entidades mais   próximas,   geograficamente   ou   por   afinidades. Conforme alguns entrevistados, o   entendimento   dessa   implicação   social   ocorre da seguinte forma:</p>
<p>É       a       gente       poder       ser       autossuficiente.   Aqui   mesmo   a   gente  tem  um  exemplo,  eu  tenhouma parceria com as nozes, e fecha um circuito. A gente trabalha com um    problema,    que    é    muita    distância de fornecimento, a gente sempre      procura      desenvolver      parcerias locais, é uma construção. (Entrevistado 7).</p>
<p>O       componente       socialda sustentabilidade  defendido  por  Elkington (2001)  confirma  essas  perspectivas,  pois  está focado no bem estar das pessoas, tanto recursos  internos  ou  externos,  e  que  de  alguma  forma  contribua  para  a  diminuição  das  desigualdades  sociais,  envolvendo  e  respeitando  os  interesses  das  comunidades que  participem  do  negócio.  Guzzatti  et  al. (2014), também defendem que nas relações estabelecidas   entre   os   produtores   locais   existem objetivos sociais.</p>
<p>A      sustentabilidade      econômicatambém   apareceu   nas   respostas,   porém   como  uma  ligação  indireta  com  questões  relacionadas    ao    custo.    As    respostas    relacionando  a  sustentabilidade  econômica  e financeira com o processo de produção e comercialização   de   produtos   orgânicos   vieram,  na  maior  parte,  dos  proprietários  dos sites e dos servidores da SMIC. Apesar disso,   os   autores   sobre   o   tema,   como   Elkington  (2001)  e  Guzzatti  et  al.  (2014) não   dissociam   a   questão   econômica   da   questão ambiental e social</p>
<p>Na  sequência,  foi  questionado  se  a  sustentabilidade    afeta    na    decisão    por    determinado  canal.  A  maioria  afirma  que  sim,  especialmente  quando  é  levado  em  consideração  o  aspecto  ambiental.  Nesse  questionamento    a    questão    econômica    aparece  com  mais  frequência,  porém  com  um   viés   pelo   resultado   financeiro   do   empreendimento. A questão social é citada por   alguns,   porém   relacionada   com   o   alinhamento        de        princípios,        não        necessariamente     de     inclusão     social.     Somente   o   Entrevistado   11   citou   como   vantagem a feira possibilitar a manutenção de  novas  gerações  de  agricultores,  filhos  dos  atuais,  no  campo,  e  também  conseguir  melhores margens de comercialização.</p>
<p>A    questão    econômica    também    surge,  primeiro,  quando  os  entrevistados  citam       a       dificuldade       em       obter       financiamentos  para  suas  atividades,  ou,  quando os obtém, dificuldade em saldar os mesmos.  Com  relação  ao  preço,  surge  na  perspectiva  que os  mesmos  têm  sobre  a  dificuldade  que  o  consumidor  em  geral  demonstra   em   entender   que   o   produto   orgânico,  dadas  as  características  de  baixa  escala de produção, dificuldade no controle de  pragas,  tenha  um  preço  eventualmente  maior  que  o  dos  produtos  da  agricultura industrializada.  Apesar  disso,  não  aceitam  que um distribuidor pratique um sobrepreço exagerado  ao  consumidor,  pois  entendem que   é   sua   responsabilidade   fazer   seu   produto  chegar  ao  consumidor  com  um  preço justo, comparando ao preço praticado na    feira,    mesmo    que    passe    por    um    atravessador.</p>
<p>Dois  entrevistados  citaram  que  em  alguns momentos as feiras estão deixando a questão da sustentabilidade de lado. Foram citados  dois  exemplos,  o  primeiro  citando  quão orgânico é trazer para o Rio Grande do Sul um produto da Bahia, visto a quantidade de combustível e emissão de poluentes para o  transporte.  O  segundo  com  relação  a  logística    de    uma    feira,    que    afeta    a    sustentabilidade    econômica    local.    No    exemplo,  o  produtor  cita  que  Porto  Alegre  conta com oito feiras ecológicas –   de rua - e Caxias  do  Sul,  no  Rio  Grande  do  Sul,  somente  uma,  e  proporcionalmente  a  suas  populações o número é desproporcional. Os produtores  afirmam  estar  percebendo  uma  diluição  da  clientela  entre  as  feiras,  e  não  um aumento da demanda.</p>
<p>Canais</p>
<p>Sobre   os   canais   utilizados,   para   muitos  produtores  a  cadeia  de  distribuição  está    restrita    as    feiras    de    produtos    orgânicos.  Segundo  três  entrevistados,  a  feira representa entre 95% e 100% de suas vendas. Um entrevistado, afirma que muitos estabelecimentos,  entre  eles  proprietários de sites, restaurantes, bistrôs e pequenas lojas,   compram   nas   feiras   ao   invés   de diretamente   do   produtor,   o   que   acaba   distorcendo   a   percepção   dos   produtores   sobre  a  cadeia  da  qual  participam,  pois  o  que  no  entendimento  do  produtor  é  uma  venda  na  feira,  na  prática  será  em  outro  canal,  mesmo  sem  um  esforço  para  esse  atendimento.</p>
<p>Outra opção de canal foi informada pelo  Entrevistado  4,  que  a  exceção  dos  demais,   participa   do   projeto   Caminhos Rurais,  implementado  pela  Prefeitura  de  Porto Alegre em 1995. Para o mesmo, este canal representa uma parte significativa do faturamento,  parte  pela  venda  de  produtos  diretamente  na  propriedade,  e  parte  pela  visitação e outros serviços de turismo.</p>
<p>O   Entrevistado   5   está   em   uma   situação   diversa   aos   demais,   pois   sua   produção  é  na  maior  parte  processada,  já  que  participa  de  uma  cooperativa  bastante  consolidada           com           agroindústria estabelecida,  e  tem  uma  participação  bem  inferior  da  venda  destinada  às  feiras,  é  o  único  que  vende  para  supermercados,  e um  dos  dois  que  atende  distribuidoresentre  os  entrevistados,  e  tem  nesses  canais  sua  maior  participação.  O  outro  produtor,  Entrevistado  1,  que  atende  distribuidores  destina  em  torno  de  10%  de  suas  vendas  para esse canal.</p>
<p>A  representatividade  dos  sites  de  comércio   eletrônico   como   canal,   para   esses   produtores,   é   muito   baixa,   não   alcançando  5%.  Foi  questionado,  também,  se    os    produtores    também    faziam    a    comercialização   diretamente   através   de   sites próprios, porém nenhum deles mantém esse canal.</p>
<p>Somente  o  Entrevistado  4  participa  do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), do município de Canoas/RS, e esse canal  representa,  somado  a  um  ou  dois  restaurantes,    cerca    de    10%    do    seu    faturamento.</p>
<p>O Entrevistado 3, também citou sua participação em dois outros canais que estão disponíveis recentemente em Porto Alegre, e que não são usados pelos quatro demais. O    primeiro    canal    citado    é    o    CSA (Comunidade        que        Sustenta        a   Agricultura),   que   apesar   de   não   ter   representatividade   em   suas   vendas,   nas   palavras  do  entrevistado  é  uma  iniciativa  que  merece  atenção  pela  diferenciação  em  relação  aos  demais,  sendo  o  assunto  que  tomou  mais  tempo  na  sua  entrevista.  Foi evidente  na  resposta  do  entrevistado  que  a  iniciativa do CSA tem a sua aprovação, por apresentar  um  modelo  de  parceria  que  vai  além da relação tradicional entre produtor e consumidor.  E,  logicamente  guardadas  as  diferenças  de  operação  entre  uma  feira  e  a entrega  via  CSA,  é  o  modelo  que  mais  se  aproxima  da  relação  estabelecida  entre  o  produtor e o consumidor nas feiras.</p>
<p>Além    do    CSA,    esse    mesmo    produtor,  também,  tem  vendas  através  de  um   aplicativo   chamado   Junta   Pedido, sendo  entre  os  entrevistados  o  único que conhecia  e  utilizava  o  mesmo,  no  período  das  entrevistas.  Apesar  de  ainda  não  ter  representatividade   nas   suas   vendas,   o   aplicativo foi mencionado pelo entrevistado ao   ser   questionado   por   novos   canais   presentes,  em  Porto  Alegre,  sendo  que  seu  lançamento  se  deu  em  junho  de  2017.  Sua  divulgação  e  incentivo  à  adesão  junto  aos  assentamentos  do  MST  se  deu  através  do  Instituto    Nacional    de    Colonização    e    Reforma  Agrária  (INCRA),  o  que  acabou  induzindo  o  entrevistado  a  um  erro  no  entendimento     quanto     a     origem     do     desenvolvedor do aplicativo.</p>
<p>Restaurantes,  bistrôs  ou  mesmo  lojas especializadas, não têm praticamente nenhuma     representatividade     para     os     produtores  entrevistados.  Mesmo  que  em  algum   momento   de   seu   histórico   esses   canais já tenham sido atendidos por algum dos entrevistados, hoje ou não são mais, ou representam  no  máximo  dois  dos  clientes  regulares  de  cada  um  deles,  e  ainda  assim  sem venda expressiva.</p>
<p>O  quadro  2  traz  a  participação  por  canal no volume de venda de cada um dos produtores entrevistados.</p>
<p>
<table-wrap id="gt2">
<alternatives>
<graphic xlink:href="133475550015_gt3.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
<table id="gt3-526564616c7963">
<tbody>
<tr/>
<tr>
<td>P1</td>
<td>Feiras Venda direta Distribuidores Restaurantes Sites</td>
<td>75% 10% 10% 3% 5%</td>
</tr>
<tr>
<td>P2</td>
<td>Feiras Restaurantes e sites</td>
<td>97% 3%</td>
</tr>
<tr>
<td>P3</td>
<td>Feiras Sites, CSA, Junta Pedido</td>
<td>95% 5%</td>
</tr>
<tr>
<td>P4</td>
<td>Feiras Caminhos Rurais PAA e restaurantes</td>
<td>45% 45% 10%</td>
</tr>
<tr>
<td>P5</td>
<td>Feiras Distribuidores e Supermercados Sites e restaurantes</td>
<td>35% 60% 5%</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</alternatives>
</table-wrap>
</p>
</sec>
<sec>
<title>DISCUSSÃO</title>
<p>As     informações     colhidas     nas     entrevistas,  confirmando  o  que  Kotler  e  Keller (2012) afirmam, são de que o canal permanece  com  uma  das  decisões  críticas  que os produtores precisam tomar.</p>
<p>Conforme    explicam    Niederle    e    Wesz    (2018),  mesmo  que  o  objetivo  principal  pareça,  ainda,  ser  a  subsistência,  é  natural  que  a  agricultura  familiar  e  agroecológica  também  envolva  relações  comerciais.  Para a  maioria  dos  produtores,  a  feira  continua  sendo  o  principal  canal.  Mesmo  com  a  literatura        demonstrando,        conforme        pesquisas  de  Dalmoro  e  Ladeira  (2016), Willer      e      Julia      (2017)      e      outros      pesquisadores,    de    que    os    mercados,    supermercados e hipermercados respondem por  60%  ou  mais  das  vendas  de  produtos  orgânicos no mercado em geral, essa não é a realidade dos entrevistados.</p>
<p>A  sustentabilidade  tem  uma  grande relevância   na   escolha   dos   canais.   Essa   relevância  corrobora  Bazzani  e  Canavari  (2013), que afirmam serem dois dos fatores que mais influenciam a definição do tipo de cadeia   alternativa,   o   enraizamento   e   a   localização.   No   caso   do   enraizamento   dentro de  um  contexto  mais  amplo,  que  engloba   o   caráter   social,   ecológico   e   cultural  que  aquele  alimento  carrega,  e  na  localização, como destaca a FAO (2019), a agricultura   familiar   pode   contribuir   no   fortalecimento       do       desenvolvimento       sustentável regional.</p>
<p>Conforme Guzzatti et al. (2014), há uma   tendência   na   reaproximação   entre   produtores  e  consumidores  como  resposta  da  sociedade  ao  processo  de  globalização.  Segundo   os   autores,   isso   explica   outro   motivo  que  faz  a  sustentabilidade  ter  um  peso maior, e que ficou claro nas respostas, que é o sentimento de pertencimento a uma comunidade  que  compartilha  dos  mesmos  valores.</p>
<p>No entendimento dos entrevistados, principalmente os produtores, o pilar social da  sustentabilidade  se  manifesta  quando  a  sua   atividade,   seja   a   produção   ou   a   comercialização,   permite   viabilizar   seu   modo   de   vida,   que   é   a   manutenção   econômica da família, e que o mesmo possa permanecer  no  campo.  O  aspecto  social  também  se  manifesta  nas  respostas  dos  entrevistados,  inclusive  os  proprietários  de  sites,  que  citam  o  pertencimento  a  uma  comunidade   formada   por   aqueles   que   partilham  os  mesmos  valores  e  princípios  ligados à preocupação com o meio ambiente e a um estilo de vida mais saudável.</p>
<p>Sobre quais são os canais utilizados, a feira é o canal de uso mais comum para a maioria dos produtores. Dentre os motivos que mais se destacaram para que esse seja o canal  preferido,  um  dos  primeiros  motivos citados, e enfatizado pelos produtores como sendo o principal, foi o contato direto com o  consumidor.  Nesse  ponto,  dois  aspectos  se   sobressaem:   o   primeiro,   relativo   às questões de sociabilidade e convivência, e o segundo     motivo     relativo     à     questão     financeira.   Além   desses   dois   pontos,   o   terceiro  motivo  também  citado,  relativo  à  feira, ao afirmar que a mesma se apresenta como   um   canal   que   proporciona   maior   sustentabilidade.</p>
<p>Sampaio et al. (2013), explicam essa relação  em  sua  pesquisa,  onde  observaram  o estabelecimento de cultura que envolve as pessoas   que   consomem   e   produzem   o   alimento     orgânico,     que     passam     a     estabelecer,  inclusive,  laços  de  amizade.  Portilho (2009, p.65), também explica essa relação    quando    afirma    que    as    feiras    orgânicas se prestam como “um palco para a  construção,  compartilhamento,  reforço  e materialização  de  valores,  insatisfações  e  ansiedades.    Portanto    um    espaço    de    sociabilidade, trocas e reciprocidades”.</p>
<p>Na    perspectiva    dos    produtores,    participar   das   feiras   possibilita   praticar   melhores  preços,  quando  comparado  aos  demais  canais,  advém  da  eliminação  dos  atravessadores,     e     dessa     forma     na     possibilidade  de  capturar  a  diferença  de  preço  que  existiria  quando  o  consumidor  compra de um distribuidor ou varejista, ao invés de diretamente dele.</p>
<p>O   que   ficou   evidenciado   é   que,   mesmo não aplicada uma escala de valores na  pesquisa,  os  produtores  colocam  em  extremos      opostos      a      feira      e      os      supermercados.      Essa      distância      de      perspectiva  poderia  diminuir  se  o  varejo,  especialmente         os         supermercados,         adotassem  práticas  de  aproximação  com  esses produtores, participando efetivamente das  comunidades  em  que  os  mesmos  se  encontram,    através,    por    exemplo,    de    iniciativas         como         cursos,         que         proporcionassem  formação  específica  para  operar  com  esses  canais,  capacitando  os  produtores      desde      o      momento      do      planejamento  da  produção,  e  não  somente  interagindo   no   momento   da   negociação</p>
<p>comercial,     ou,     ainda,     desenvolvendo     espaços  específicos  dentro  das  lojas,  que  dessem  aos  produtores  um  ambiente  mais  próximo ao o que eles estão habituados, que é   a   feira.   As   plataformas   de   comércio   eletrônico,   mesmo   sendo   caracterizadas   como  varejos,  são  percebidas  de  forma  diferenciada,      pois      os      entrevistados      percebem    vantagens    nesse    canal    com    relação  à  sustentabilidade,  seja  pelo  uso  menor de embalagens, seja pela garantia de não  ocorrerem  sobras,  a  conveniência  e  segurança, e  representar  uma  divulgaçãodos   produtos   mais   abrangente,   mesmo   quando não ocorre a venda.</p>
<p>O  componente  social  demonstrou  estar  sempre  presente,  sendo  um  fator  que  contribui     com     a     lógica     do     atual     funcionamento de determinado canal. Com grande frequência, era relatado o prazer de participar da feira, como uma comunidade, reforçando  a  identidade  do  produtor  na  relação  com  os  consumidores,  e  também  a  troca     de     experiências     com     outros     produtores.  Segundo  os  entrevistados,  ao  participar de uma feira, o produtor já ganha credibilidade em função do ambiente que se encontra,    e    também    proporciona    ao    consumidor      complementaridade,      pois      podem  oferecer  ao  consumidor  uma  maior  diversidade de produtos, ao congregar todos os    produtores    em    um    espaço.    Esse    sentimento   é   reforçado,   por   exemplo,   quando da resposta de um dos proprietários de site que também faz vendas em pontos de venda,   que   se   tivesse   que   optar   pela   permanência  em  somente  um  dos  canais,  ficaria com a feira.</p>
<p>Ainda  com  relação  às  plataformas,  não  se  observou  uma  resistência  nem  uma  preferência  por  parte  dos  produtores,  mas  sim  uma  falta  de  capacidade  de  absorção  por parte deste canal. Das três organizações que   participaram   das   entrevistas,   todas   eram praticamente empresas de uma pessoa só,  essencialmente  o  proprietário.  As  três  têm  por  volta  de  sessenta  clientes  ativos  cada,   trabalham   em   boa   parte   com   os   mesmos fornecedores, e oferecem serviços similares do ponto de vista do consumidor.</p>
<p>Para  essas  empresas,  há  o  risco  de  uma  industrialização   do   serviço,   onde   redes   multinacionais  ou  grandes  redes  nacionais  passem   a   concorrer   diretamente   nesse   segmento.    Os    grandes    operadores    de    plataformas na internet já vendem produtos orgânicos,  porém,   após processá-los.  No  entanto, nada impede que esses operadores passem          a          oferecer          produtos          hortifrutigranjeiros in  natura,que  são  os  produtos  mais  trabalhados  por  essas  três  empresas  de  Porto  Alegre,  ou  mesmo  a  oferta desse serviço diretamente pelas feiras ou    supermercados.    Além    disso,    eles    concorrem   diretamente   com   iniciativas   mais recentes como CSA ou o JuntaPedido. Algumas       alternativas       para       essesproprietários seriam trabalhar em nichos de produtos   com   maior   proximidade   aos   produtores,    além    de    ofertarem    outros    serviços como    o    turismo    rural    ou    experiências  nas  propriedades,  cursos,  ou  até mesmo associarem-se entre si, fazendo, por exemplo, uma divisão territorial.</p>
</sec>
<sec>
<title>CONSIDERAÇÕES FINAIS</title>
<p>Historicamente,   a   definição   dos   canais de distribuição sempre se apresentou como  um  desafio  aos  produtores,  além  do  esforço na produção, que se configura nesse caso um desafio maior por estarem voltados à   produção   orgânica.   No   momento   da   decisão   pelo   canal,   o   produtor   torna-se ainda  mais  empresário,  e  uma  série  de  decisões  econômicas  precisa  ser  tomada.  Nesse  cenário,  soma-se  uma  preocupação  adicional  com  a  sustentabilidade,  além  de  um ambiente cada vez mais competitivo, e a  presença  de  ferramentas  que  há  alguns anos não existiam, como a internet.</p>
<p>É    importante    salientar    diversas    particularidades   advindas,   sobretudo   de   essa  atividade  estar  baseada  em  núcleos  familiares,  onde  a  família  e  o  negócio  são  praticamente  a  mesma  coisa  e,  ampliando  esse  círculo,  sob  a  ótica  dos  produtores,  muitos  de  seus  consumidores  tornam-se seus   amigos   e   compõem   sua   rede   de   relacionamento,         propiciando         uma coletivização    do    mercado    como    uma    comunidade.</p>
<p>De acordo com o primeiro objetivo específico: Identificar quais são os canais de distribuição      de      produtos      orgânicos      disponíveis  e  utilizados  na  grande  Porto  Alegre   e   região,   uma   observação   com   relação às feiras sugere um limite para esse modelo,  alguns  produtores  afirmam  que  o  número     de     feiras     está     exagerado,     especialmente  por  restrições  logísticas.  No  entanto,  uma  das  observações  feita  pelos  servidores   da   SMIC,   refere-se   que   a   principal  dificuldade  é  levar  o  alimento  orgânico para as periferias, e que a maneira mais    usual    seria    através    das    feiras    ecológicas.   Porém   o   que   ocorre   é   que   quando  abrem  uma  seleção  de  produtores  para bairros não centrais ou de classe mais baixa, a concorrência é menor. Apesar de as plataformas   de   e-commerce   não   terem   representatividade   nas   vendas,   entre   as   respostas dos produtores entrevistados, pelo menos  dois  comentaram  a  vontade  de  eles  mesmos,         ou         suas         associações         desenvolverem e manterem uma plataforma de  venda  pela  internet.  Os  motivos  para  o  não desenvolvimento, segundo os mesmos, foi a falta de consenso entre os associados, o  baixo  nível  de  instrução,  principalmente tecnológico,   e   a   falta   de   infraestrutura   básica, como por exemplo, acesso à internet nas  zonas  rurais,  o  que  limitaria  o  sucesso  dessa prática.</p>
<p>No   segundo   objetivo   específico,   Investigar a influência da preocupação com a sustentabilidade na escolha dos canais de distribuição   de   alimentos   orgânicos,   a   pesquisa  apontou  que  a  sustentabilidade  é  um  fator  importante  na  seleção  dos  canais  utilizados,   e   que   sempre   é   levado   em   consideração.  Isso  explica,  em  parte,  certa  falta   de   interesse   desses   produtores   em   desenvolver  canais  mais  amplos,  como  as  redes  de  supermercado.  Há  questões  de  regularização envolvidas, porém, há espaço para  que  as  redes  se  aproximem  desses  produtores.    No    aspecto    ambiental,    a    preocupação   está   mais   relacionada   ao   negócio       que       conduzem       e       seu  relacionamento  com  os  produtores,  que  se  expressa  na  exigência  da  certificação  de  produtores  orgânicos  para  manterem  uma  parceria,  porém  essa  preocupação  também  conta  com  um  apelo  comercial,  a  fim  de  vincular  sua  empresa  a  um  produto  e  a  produtores reconhecidos oficialmente, e, ao mesmo  tempo,  dirimir  eventuais  dúvidas  sobre  a  procedência  dos  alimentos,  já  que  sua     relação     de     confiança     com     os     consumidores   não   é   presencial,   como   ocorre nas feiras.</p>
<p>Por    fim,    no    terceiro    objetivo    específico, Identificar quais os motivos para preferir  ou  deferir  determinado  canal  de  distribuição,    entre    os    utilizados    pelos    produtores   de   alimentos   orgânicos,   em   Porto  Alegre  e  região,  a  feira  é  o  canal  preferido.  Os  principais  motivos  alegados  pelos produtores foram a sustentabilidade, a possibilidade     de     praticarem     margens     melhores, receberem seu pagamento à vista e  em  espécie,  e  uma  cultura  enraizada  de  sociabilidade. O que se percebe, entretanto, é  que  na  maior  parte  dos  casos,  a  feira  consome   praticamente   toda   a   produção,   então    não    existe    um    excedente    que    justifique  uma  diversificação.  Além  disso,  todo    o    processo    produtivo,    desde    o    planejamento até a venda final, está baseado no  modelo  da  feira.  Da  mesma  forma,  a  feira  atinge  um  público  determinado,  de  quem  gosta  de  ir  à  feira,  transitar  entre  os  produtores,  conversar  e  viver  uma  cultura  do  acesso  direto  ao  agricultor.  Mas,  isso  limita o universo de potenciais compradores ao  definir  que  determinado  grupo,  como  a  geração   mais   jovem   e   que   está   mais   preocupada    com    a    conveniência,    não    frequente esse espaço de comercialização.</p>
<p>Vale  salientar  que  para  todos  os  canais haverá sempre o desafio de transpor o   sentimento   de   pertencimento   a   uma   comunidade que a feira proporciona.</p>
</sec>
<sec>
<title>LIMITAÇÕES</title>
<p>O não aprofundamento por parte do produtor    de    todas    as    dimensões    da    sustentabilidade previstas no tripple botton line,  ficando  este  trabalho  direcionado  de  forma  mais  específica  ao  tripé  ambiental,  tangenciando  as  dimensões  econômicas  e  sociais.</p>
<p>Durante    as    entrevistas    com    os    produtores,  houve  também  uma  repetição  intensa de comentários sobre componentes de sociabilidade e de senso de comunidade como  fatores  que  influenciam  na  decisão  pela  escolha  de  determinado  canal,  mas  o  tema    sociabilidade    é    tangenciado    no trabalho, não sendo um dos seus objetivos. Outro  fator  que  merece  atenção  refere-se aos    canais    que    são    relacionados    nas    entrevistas,    pois    eles    limitam-se    ao    conhecimento    do    próprio    entrevistado.    Portanto,   foram   desconsideradas   outras   opções  que  se  apresentam  no  mercado  de  Porto  Alegre  e  região,  mas  que  não  são  utilizadas  ou  citadas  pelos  entrevistados,  como   por   exemplo,   fornecimento   para   indústria     farmacêutica,     indústria     de     cosméticos,    alimentação    animal,    entre    outros.</p>
<p>Por   fim,   a   técnica   de   pesquisa   realizada, de ordem qualitativa, não permite a generalização dos resultados, o que pode ser explorado em projetos posteriores.</p>
<p>CONTRIBUIÇÕES     E     SUGESTÕES     PARA   O   DESENVOLVIMENTO   DE   FUTURAS PESQUISAS</p>
<p>O  estudo  contribui  para  aprofundar  o  entendimento  dos  canais  de  distribuição  usados    pelos    produtores    de    produtos    orgânicos  na  grande  Porto  Alegre,  bem  como os motivos que levam os produtores a preferirem ou deferirem determinado canal. Além  disso,  aproxima  a  área  de  ciências  sociais  aplicadas,  especialmente  a  gestão,  de    uma    área    da    atividade    comercial    relevante na região de Porto Alegre, que é o abastecimento  de  produtos  orgânicos,  área  que  é  normalmente  estudada  por  outras  áreas  de  conhecimento  como  agronomia, nutrição e sociologia, mas que ainda carece de  estudos  na  área  de  administração,  pois  pode    colaborar    não    só    nas    técnicas    produtivas,    mas    também    na    gestão,    comercialização  e  distribuição,  bem  como  no   entendimento   e   direcionamento   de   políticas públicas adequadas.</p>
<p>Com   base   nos   temas   que   foram   levantados  pelos  entrevistados  sublinha-se questões  que  poderão  ser  exploradas  em  temas  de  futuras  pesquisas,  com  ênfase  da  sociabilidade  como  um  fator  motivacional  para   a   participação   dos   produtores   nos   ambientes   de feira   como   escolha   ou   preferência    de    canal.    O    valor    desse    relacionamento com o consumidor pode ser ampliado  em  debates  futuros,  ampliando  o  senso de comunidade como um dos fatores que influenciam na decisão pela escolha de determinado canal.</p>
<p>E  por  fim,  o desenvolvimento  de  novos  canais.  Nesse  aspecto  várias  opções  podem     ser     consideradas,     tanto     por     iniciativas   dos   consumidores,   como   a   associação  de  consumidores,  cooperativas  de  consumidores,  supermercados  criados  e  mantidos por essas cooperativas, e da parte dos  produtores,  iniciativas  já  presentes  em  outros  estados  ou  países,  como  redes  de  varejo,   sejam   supermercados   ou   lojas,   mantidas de maneira cooperativada.</p>
</sec>
</sec>
</body>
<back>
<ref-list>
<title>REFERÊNCIAS</title>
<ref id="redalyc_133475550015_ref1">
<mixed-citation>BAZZANI, C.; CANAVARI, M. Alternative Agri-Food Networks and Short Food Supply Chains: a review of the literature.Economia agro-alimentare, 2013.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<article-title>Alternative Agri-Food Networks and Short Food Supply Chains: a review of the literature</article-title>
<source>Economia agro-alimentare</source>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_133475550015_ref2">
<mixed-citation>BAUMAN, Zygmunt. Vida para o consumo: a transformação das pessoas em mercadoria. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<article-title>Vida para o consumo: a transformação das pessoas em mercadoria</article-title>
<source>Rio de Janeiro: Zahar</source>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_133475550015_ref3">
<mixed-citation>BRASIL, Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), disponível em www.agricultura.gov.br, 2020</mixed-citation>
<element-citation publication-type="webpage">
<source>BRASIL, Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA)</source>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_133475550015_ref4">
<mixed-citation>CANCLINI, Néstor García. Consumidores e cidadãos:conflitos multiculturais da globalização. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1995.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<article-title>Consumidores e cidadãos:conflitos multiculturais da globalização</article-title>
<source>Rio de Janeiro: Editora UFRJ</source>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_133475550015_ref5">
<mixed-citation>CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede: a era da informação. Economia, Sociedade e Cultura. v.1. 8. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1999.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<article-title>A sociedade em rede: a era da informação</article-title>
<source>Economia, Sociedade e Cultura</source>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_133475550015_ref6">
<mixed-citation>DALY, H. A Big Ideia. A State-Steady Economy. Economics. Towards a Steady-State Economy, IN: UK Sustainable Development Commision, abril de 2008.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="confproc">
<article-title>A State-Steady Economy. Economics. Towards a Steady-State Economy</article-title>
<source>IN: UK Sustainable Development Commision</source>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_133475550015_ref7">
<mixed-citation>DALMORO, Marlon; LADEIRA, Wagner J. (organizadores). Barômetro dos Orgânicos, 2016. <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.univates.br/noticias/20241-gauchos-procuram-cada-vez-mais-por-alimentos-organicos">https://www.univates.br/noticias/20241-gauchos-procuram-cada-vez-mais-por-alimentos-organicos</ext-link> - acesso em 16/01/2020</mixed-citation>
<element-citation publication-type="webpage">
<source>Barômetro dos Orgânicos</source>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_133475550015_ref8">
<mixed-citation>ELKINGTON, John. Beyond Greening: Strategies for a Sustainable World. Harvard Business Review, v. 75, n.1, p. 66-76, 1997</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<article-title>Beyond Greening: Strategies for a Sustainable World.</article-title>
<source>Harvard Business Review</source>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_133475550015_ref9">
<mixed-citation>ELKINGTON, John. Cannibals with Forks: The Triple Bottom Line of 21st Century Businnes. New Society Publishers, 2001.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<article-title>Cannibals with Forks: The Triple Bottom Line of 21st Century Businnes</article-title>
<source>New Society Publishers</source>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_133475550015_ref10">
<mixed-citation>FAO, The Water–Energy–Food Nexus: A New Approach in Support of Food Security and Sustainable Agriculture. Food and Agriculture Organization of the United Nations, Rome, 2014. FAO, Putting family farmers at the centreto achieve the SDG. UN Decade of Family Farming. 2019. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.fao.org/3/ca4532en/ca4532en.pdf">http://www.fao.org/3/ca4532en/ca4532en.pdf</ext-link> - Acesso em: 10 nov. 2020.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<article-title>The Water–Energy–Food Nexus: A New Approach in Support of Food Security and Sustainable Agriculture. Putting family farmers at the centreto achieve the SDG. UN Decade of Family Farming</article-title>
<source>Food and Agriculture Organization of the United Nations</source>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_133475550015_ref11">
<mixed-citation>GROSSMAN, Gene. M.; KRUEGER, Alan B. Economic Growth and the Environment. In: The Quarterly Journal of Economics, v..110, n.2, Cambridge, maio de 1995.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<article-title>Economic Growth and the Environment</article-title>
<source>In: The Quarterly Journal of Economics</source>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_133475550015_ref12">
<mixed-citation>GUZZATTI, T. C., et al. Novas Relações entre Agricultores Familiares e Consumidores: Perspectivas Recentes no Brasil e Na França.Organizações Rurais &amp; Agroindustriais. v.16, n. 3, 2014.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<article-title>Novas Relações entre Agricultores Familiares e Consumidores: Perspectivas Recentes no Brasil e Na França</article-title>
<source>Organizações Rurais &amp; Agroindustriais</source>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_133475550015_ref13">
<mixed-citation>HICKELS, Jason; KALLIS, Giorgios. Is green growth possible?. New Political Economy, 2019.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<article-title>Is green growth possible?</article-title>
<source>New Political Economy</source>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_133475550015_ref14">
<mixed-citation>HOPWOOD, B.; MELLOR, M. and O’BRIEN, G. Sustainable Development: mapping different approaches. Sustainable Development, v. 13, p. 38-52, 2005.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<article-title>. Sustainable Development: mapping different approaches</article-title>
<source>Sustainable Development</source>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_133475550015_ref15">
<mixed-citation>KLEIN, Amarolinda Z.; DA SILVA, Lisiane V.; MACHADO, Lisiane; AZEVEDO, Débora. Metodologia de pesquisa em administração: Uma abordagem prática. São Paulo: Atlas, 2015.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<article-title>Metodologia de pesquisa em administração: Uma abordagem prática</article-title>
<source>São Paulo: Atlas</source>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_133475550015_ref16">
<mixed-citation>KOTLER, Philip; KELLER, Kevin L. Administração de Marketing, 12 ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2012.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<article-title>Administração de Marketing</article-title>
<source>São Paulo: Pearson Prentice Hall</source>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_133475550015_ref17">
<mixed-citation>MARSDEN, T. New rural territories: regulating the differentiated rural spaces. Journal of Rural Studies, v.14, n.1, p.107-117, 1998</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<article-title>New rural territories: regulating the differentiated rural spaces</article-title>
<source>Journal of Rural Studies</source>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_133475550015_ref18">
<mixed-citation>MOOZ, E. D. e SILVA, M. V. d. Cenário mundial e nacional da produção de alimentos orgânicos. Nutrire Rev. Soc. Bras. Aliment. Nutr.39(1), 2014.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<article-title>Cenário mundial e nacional da produção de alimentos orgânicos</article-title>
<source>Nutrire Rev. Soc. Bras. Aliment. Nutr.</source>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_133475550015_ref19">
<mixed-citation>MORIN, Edgar. A Via para o futuro da humanidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2013.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<article-title>A Via para o futuro da humanidade</article-title>
<source>Rio de Janeiro: Bertrand Brasil</source>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_133475550015_ref20">
<mixed-citation>NIERDERLE. Paulo A.; WESZ, Valdemar J. As novas ordens alimentares. Porto Alegre, Editora da UFRGS. 2018.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<article-title>As novas ordens alimentares</article-title>
<source>Porto Alegre, Editora da UFRGS</source>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_133475550015_ref21">
<mixed-citation>NOBRE, Marcos; AMAZONAS, Maurício (orgs.). Desenvolvimento sustentável: a institucionalização de um conceito. Brasília: IBAMA, 2002.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="confproc">
<article-title>Desenvolvimento sustentável: a institucionalização de um conceito</article-title>
<source>Brasília: IBAMA</source>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_133475550015_ref22">
<mixed-citation>PORTILHO, F. Sociabilidade, confiança e consumo na feira de produtos orgânicos. In: BARBOSA, Lívia; PORTILHO, Fátima; VELOSO, Letícia. Consumo: cosmologias e sociabilidades. Rio de Janeiro: Mauad X; Seropédica: EDUR, 2009.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<article-title>Sociabilidade, confiança e consumo na feira de produtos orgânicos. Consumo: cosmologias e sociabilidades.</article-title>
<source>Rio de Janeiro: Mauad X; Seropédica: EDUR</source>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_133475550015_ref23">
<mixed-citation>RENTING, H.; MARSDEN, T.; BANKS, J. Understanding alternative food networks: exploring the role of short food supply chains in rural development. Environment and Planning, v.35, 2003, p.393-411.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<article-title>Understanding alternative food networks: exploring the role of short food supply chains in rural development.</article-title>
<source>Environment and Planning</source>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_133475550015_ref24">
<mixed-citation>SACHS, I.Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável. Rio de Janeiro: Garamond, 2002.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<article-title>Caminhos para o Desenvolvimento Sustentável</article-title>
<source>Rio de Janeiro: Garamond</source>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_133475550015_ref25">
<mixed-citation>SAMPAIO, D. O.; GOSLING, M.; FAGUNDES, A. F. A.; SOUZA, C. V. Consumo de alimentos orgânicos: um estudo exploratório, RAD (Revista Administração em Diálogo), v.15, n.1, São Paulo, Jan/Fev/Mar/Abr 2013, p.01-22</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<article-title>Consumo de alimentos orgânicos: um estudo exploratório</article-title>
<source>RAD (Revista Administração em Diálogo)</source>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_133475550015_ref26">
<mixed-citation>SCOTT, W. Education and sustainable development: challenges, responsibilities, and frames of mind. The Trumpeter, v. 18, n. 1, p. 22-34, 2002.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<article-title>Education and sustainable development: challenges, responsibilities, and frames of mind</article-title>
<source>The Trumpeter</source>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_133475550015_ref27">
<mixed-citation>SCHNEIDER, Sérgio; FERRARI, Dilvan Luiz. Cadeias curtas, cooperação e produtos de qualidade na agricultura familiar – o processo de relocalização da produção agroalimentar em Santa Catarina. Organizações Rurais &amp; Agroindustriais, vol. 17, núm. 1, jan-mar, 2015, pp. 56-71. 2015.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<article-title>Cadeias curtas, cooperação e produtos de qualidade na agricultura familiar – o processo de relocalização da produção agroalimentar em Santa Catarina</article-title>
<source>Organizações Rurais &amp; Agroindustriais</source>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_133475550015_ref28">
<mixed-citation>SCHNEIDER, Sérgio; GAZOLLA, Márcio. Cadeias curtas e redes agroalimentares alternativas: negócios e mercados da agricultura familiar. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2017.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<article-title>Cadeias curtas e redes agroalimentares alternativas: negócios e mercados da agricultura familiar</article-title>
<source>Porto Alegre: Editora da UFRGS</source>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_133475550015_ref29">
<mixed-citation>SEURING, S.; MÜLLER, M. From a literature review to a conceptual framework for sustainable supply chain management. Journal of Cleaner Production, v.16, 2008, p.1699-1710.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<article-title>From a literature review to a conceptual framework for sustainable supply chain management</article-title>
<source>Journal of Cleaner Production</source>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_133475550015_ref30">
<mixed-citation>VEIGA, José Eli da. Economia socioambiental. São Paulo: SENAC, 2010.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="confproc">
<article-title>Economia socioambiental</article-title>
<source>São Paulo: SENAC</source>
</element-citation>
</ref>
<ref id="redalyc_133475550015_ref31">
<mixed-citation>WILLER, Helga e JULIA, Lernoud (Eds.): The World of Organic Agriculture. Statistics and Emergind Trends 2019. ResearchInstitute of Organic Agriculture (FiBL), Frick, and IFOAM – Organics International, Bonn (Alemanha), 2019.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<article-title>The World of Organic Agriculture. Statistics and Emergind Trends 2019</article-title>
<source>ResearchInstitute of Organic Agriculture (FiBL), Frick, and IFOAM – Organics International</source>
</element-citation>
</ref>
</ref-list>
</back>
</article>