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<journal-title specific-use="original" xml:lang="pt">Gestão &amp; Regionalidade</journal-title>
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<publisher-name>Universidade Municipal de São Caetano do Sul</publisher-name>
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<subject>Artigos</subject>
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<article-title xml:lang="pt">Crescimento econômico paranaense: uma abordagem com o modelo GWR</article-title>
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<year>2022</year>
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<title>Resumo</title>
<p>O  crescimento  econômico  regional  é  um  tema  que  desperta  a  atenção  entre  diversos pesquisadores, pois compreender o modo com este ocorre, a forma como se dá o processo de interação entre as variáveis, dadas as características de cada região, é fundamental para que o mesmo  possa  ser  alcançado.  Assim,  objetivando  analisar  qual  o  comportamento  local  das  variáveis de crescimento econômico, o presente estudo aborda o tema a partir de uma revisão ampla, utilizando variáveis recorrentemente destacadas  nas teorias de crescimento econômico regional  e  assim  poder  verificar,  por  meio  do  modelo Geographically  Weighted  Regression(GWR), o que de fato afetou o crescimento dos municípios paranaenses. Os resultados indicam que   os   efeitos   das   variáveis mudaram   no   período,   tanto   em   termos   de   valor   como   regionalmente. Destaca-se que as variáveis de educação, estrutura municipal e valor adicionado agrícola tiveram expressiva importância para o crescimento econômico regional do Paraná.</p>
</abstract>
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<title>Abstract</title>
<p>Regional economic growth is a topic that arouses the attention of several researchers, because understanding the way in which it occurs, the way in which the process of interaction between variables  occurs,  given  the  characteristics  of  each  region,  is  essential  for  it  to  be  possible.  Reached. Thus, aiming to analyze what the local behavior of the economic growth variables is, the  present  study  addresses  the  theme  from  a  broad  review,  using  variables  recurrently  highlighted in the regional economic growth theories and thus being able to verify, through the Geographically  Weighted  Regression  model  (GWR),  which  in  fact  affected  the  growth  of  municipalities  in  Paraná.  The  results  indicate  that the effects of the variables changed in the period, both in terms of value and regionally. It is noteworthy that the variables of education, municipal structure and agricultural added value played an important role in Paraná's regional economic growth.</p>
</trans-abstract>
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<title>Palavras-chave</title>
<kwd>crescimento econômico regional</kwd>
<kwd>regressão espacial</kwd>
<kwd>modelo GWR</kwd>
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<title>Keywords</title>
<kwd>regional economic growth</kwd>
<kwd>spatial regression</kwd>
<kwd>model GWR</kwd>
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<sec>
<title>INTRODUÇÃO</title>
<p>O      debate      sobre      crescimento      econômico   regional   é   um   tema   bem   presente  no  campo  da  ciência  econômica dado que a partir do momento em que  essas teorias começaram   a   inserir   em   seus   modelos a  variável  espaço,  incorporando  dessa forma não somente a importância das características do  território,  mas  também  como  elas  se  relacionam  com  os  demais  fatores, influenciando e sendo influenciadas por eles, o crescimento econômico passou a ser  compreendido  como  sendo  dependente  das    especificidades    locais    onde    tais    modelos eram aplicados.</p>
<p>Na   ciência   econômica   o   debate   sobre  crescimento  remonta  as  ideias  de  Adam    Smith,    no    século    XVIII.    Não    obstante, as primeiras contribuições sobre a influência  da  dinâmica  espacial  sobre  o crescimento econômico ocorrem a partir doséculo  XIX,  com  autores  que  procuravam analisar       quais       os       critérios       que       determinavam  o  modo  como  determinadas  atividades   produtivas   se   distribuíam   em   uma     região.     Esses     pensadores,     que     posteriormente  ficaram  conhecidos  como  teóricos  da  localização,  representaram  o  primeiro   esforço   de   se   provar   que   não   somente        certas        variáveis        como        investimento,   educação,   capital   humano,   depreciação,    tecnologia,    entre    outras,    afetam  o  crescimento  de  uma  região,  mas  que     suas     características     geográficas,     espaciais, também fazem parte do processo dinâmico     de     crescimento     econômico     (VIEIRA; SANTOS, 2012).</p>
<p>Já     entre     os     pensadores     do crescimento  regional,  alguns  se  destacam,  como  François  Perroux,  Gunnar  Myrdal,  Albert Hirschman e Douglass Cecil North.Por meio das contribuições desses autores o debate  sobre  tema  crescimento  econômico  passou  a  incorporar  as  relações  espaciais  como  uma  variável  que  exerce  influência  sobre o crescimento em uma região. Tendo ciência  de  que  o  crescimento  econômico não   ocorre   nem   se   distribui   de   forma   homogênea em    um    território,    como apontam  Portugal  e  Souza  (1999),  Cima  e  Amorim  (2007)  e  Vieira  e  Santos  (2012)compreender quais são os determinantes do crescimento  regional,  que  são  diversos  e  distintos  entre  regiões  é  uma  forma  eficaz  de  direcionamento  de  políticas  públicas  de  desenvolvimento local e regional.</p>
<p>A  partir  desse  contexto,  o  objetivo  do  presente  artigo  foi  verificar  quais  os efeitos  locais  das  variáveis  de  crescimento  econômico    regional,    bem    como    seu    comportamento entre os anos de 2006, 2010 e  2016  para  os  municípios  paranaenses, empregando o     modelo     econométrico     espacial Geographically        Weighted        Regression   (GWR).   O   presente artigo possui    mais    4    seções,    além    dessa    introdução.      Na      seção      seguinte      é      apresentando   o   levantamento   teórico   e   empírico   sobre   teorias   e   variáveis   de   crescimento  econômico  regional,  seguido  da metodologia e base de dados utilizadas. A  quarta  seção  foi  dedicada à  análise  dos  resultados   e,   por   fim,   as   considerações   finais.</p>
<sec>
<title>REFERENCIAL TEÓRICO</title>
<p>Os   estudos   sobre   os   fatores que afetam o crescimento econômico de um país bem  como  o  modo  com  estes  interagem, acompanham    a    formação    da    Ciência Econômica.  Desde  Adam  Smith,  com  sua  obra “Uma Investigação Sobre a Natureza e as  Causas  das  Riquezas  das  Nações”,  de  1776, o     debate     sobre     crescimento     econômico   sempre   esteve   presente nos debates acadêmicos.</p>
<p>No     entanto,     em     termos     de     contribuição      teórica,      os      primeiros pesquisadores  que incorporaram  o  espaço  nos     modelos     econômicos     e     assim     analisaram sua  influência  na  dinâmica  de crescimento    ficaram    conhecidos    comoclássicos  nas  teorias  de  localização.  Esses pensadores    iniciam    suas    contribuições    levantando   uma   crítica   ao   pensamento   clássico por considerarem um erro construirmodelos de acumulação de riqueza a partir de um critério estático por meio de ajustes instantâneo    de    preços    e    quantidades(SOUZA, 1981; CAVALCANTE, 2007).</p>
<p>Dentre esses autores de localização, Heinrich   Von   Thunen   (1783-1850),   éconsiderado pioneiro da economia espacial, por  ser  o  primeiro  a  estabelecer  critérios matemáticos de  maximização  de renda  da terra   em   diferentes   territórios,   definidospela  distância  do  mercado  consumidor.  A  ordenação    territorial    da    produção    se comportaria  a  partir  de  um  conjunto  decírculos concêntricos (chamados de “Anéis de   Von   Thunen”),   em   que   aos locais próximos  ao  mercado  de  consumo  seriam destinados os  itens  altamente  perecíveis,enquanto  que  aos  mais  distantes,  os  que  tivessemresistência      ao      transporte      WRIGHT,       1982;       THISSE,       2011,       MONASTERIO;  CAVALCANTE,  2011).  Já no pensamento de Alfred Weber (1868-1958) além  dos  custos  de  transporte  havia  também o  custo  de  mão  de  obra  e  algum  fator   local,   consequência   de   forças   de   aglomeração preexistentes. De acordo com Monasterio e Cavalcante (2011) a teoria de Weber tem por objetivo analisar como se dá a  localização  das  indústrias,  observando  custos com transporte, mão de obra e fatores locais,  considerados  aglomerativos.  Dentre as   diversas   conclusões   obtidas,   o   autor   defendia que a   localização   ótima   seriainfluenciada por minimização dos custos de produção,  função  direta  da  disponibilidade  de  matérias-primas, da mão  de  obra  e  pela  distância     em     relação     ao     mercado     consumidor (MONASTERIO; CAVALCANTE,  2011;  CAVALCANTE,  2007)</p>
<p>Outro autor considerado clássico da localização  foi  Walter  Christaller  (1893  -1969), que se dedicou a compreender quais os   determinantes   que   influenciavam   as   aglomerações  em  algumas  regiões  e  assim  entender  como  se  formam  hierarquias,  ou  seja, o que afeta tanto o número, tamanho e a  distribuição  de  cidades  em  uma  região.  Seu  modelo  mostra  que  redes  urbanas  se  formam a     partir     de     grupos     comcaracterísticas bem definidas, dando forma assim  a  algum  tipo hierarquia.  Assim,  em  Christaller  há  um  padrão  de  concentração  nas    relações    comerciais,    com    centros    menores  sendo  dependentes  dos  maiores  (central) e sua aglomeração formando uma região    para    as    atividades    dos    polos (ALVES,         2016;         MONASTERIO;         CAVALCANTE, 2011; THISSE, 2011). Já para August     Losch     (1906-1945)     alocalização  é  determinada  pela  busca  da  maximização   do   lucro,   em   oposição   a   Weber que defendia o custo de transporte e a  mão  de  obra.  Seu  modelo  então  propõe  que empresas do mesmo setor tendem a seconcentrar para    minimizar    custos    de    produção   e   se   aproximar   do   mercado   consumidor             (ALVES,             2016;             DALLABRIDA, 2011).</p>
<p>Para finalizar com a abordagem em pensadores   de   localização,   Walter   Isard   (1912-    2010),  considerado  o  fundador  da  Ciência   Regional,   em   seus   estudos   se   dedicou    a    compreender    cinco    pontos    considerados  essenciais  para  a  economia  regional, quais    sejam    i)    crescimento regional por     meio     deimplantação estratégica  da  indústria;  ii)  elevação  darenda e do emprego regional; iii) interação e    diversificação    do    parque    industrial    regional;  iv)  alocação  dos  recursos  com  planejamento    nacional    com    vistas    às regiões e divisão espacial ótima da mão de obra,   e;  v)  atividade  econômica  (SOUZA,  1981; ALVES,    2016;    DALLABRIDA,    2011; SOUZA, 2011, THISSE, 2011).</p>
<p>Os autores acima citados não tinham uma   proposição   teórica   voltada   para   o   crescimento  econômico  em  si,  mas  para  o  que     influenciava     a     distribuição     das     empresas  e  dos  recursos  em  um  território.  Na esteira de suas contribuições, no século XX,  começam  a  surgir  trabalhos  voltados  especificamente  para  a  relação  do  espaço  com    o    crescimento    econômico,    esses    autores   são   considerados   clássicos   nocrescimento          econômico          regional          (MADUREIRA,        2015;        CORREA,        SILVEIRA, KIST, 2019).</p>
<p>Dentre  eles,  pode  se  citar  François Perroux  (1903–1987)  que  apontava que  o crescimento econômico não é nem temporal nem  localmente  homogêneo,  uma  vez  que  para o mesmo ocorrer deve preexistir algum grau   de   concentração   local,   fenômenobatizado    futuramente    como    polos    de    crescimento. Por esse motivo, os efeitos do rescimento    não    são    homogêneos    na    economia. Esses polos   de   crescimentosurgem  de  forma  natural  e  dinamizam  a  região  por  meio  de  uma  empresa  motriz, que pode ser uma indústria de grande porte, e por possuir elevada capacidade produtivaatrai outras empresas menores, as empresas movidas(LIMA;      SIMÕES,      2009;      PERROUX, 1978).</p>
<p>Gunnar  Myrdal  (1898  –  1987),  por entender  que  a  dinâmica  econômica  não pode   se   resumir   em   uma   relação   de   equilíbrio  estável,  propôs  a  existência  de  uma      causação      circular      de      efeito      acumulativo na economia, ou seja, um fator negativo tende a ser, pela própria dinâmica do sistema, cada vez mais negativo, e esse movimento  circular  não  conduz  a  nenhum equilíbrio estável, dado que a mudança em qualquer direção conduz todo o sistema na mesma  direção.  Tais  causações  circulares  possuem   duas   direções,   resultantes   das características     locais,     que     são     elas     propulsoras,   que   produz   externalidades positivas, e     regressiva,     que     produz     externalidades      negativas      (MYRDAL,      1968).</p>
<p>Em  Albert Otto  Hirschman  (1915–2012) o crescimento econômico  conduzinevitavelmentea     uma     situação     de     desequilíbrio. Da mesma forma que Myrdal (1968),  Hirschmann (1958)  entendia  que  a  escassez de recursos de capital prejudicariaa  capacidade  de  crescimento e  que  esse ocorreria  quando  houvesse  investimentos em   setores   considerados   essenciais,   que podem impactar o resultado de outros, tanto a montante como a jusante. Essa influência do setorial/industrial formam o conceito deencadeamentos     para     trás(backward linkages) e para frente (forward linkages), e são   exatamente   tais   encadeamentos   que   geram   diferenças   regionais   dado   a   não   homogeneidade nas relações e potencial de encadeamento   entre regiões   (BIANCHI, 2007;   NIEDERLE   et   al.,   2016).    Para Douglass   Cecil   North   (1920   -   2015), defendia  que crescimento  regional  ocorre mediante a existência de setor voltado para o    mercado    externo,    combase emcaracterísticas  territoriais,  de  modo  que  as atividades  desse  setor  formavam  a  base exportadora. Para     North     (1977)as atividades econômicas    estimulariam    o surgimento  de  certos  canais  de  alocação  e de  novas  cidades  que  teriam  sua  produção destinadas,  de  forma  direta  ou  de  forma  indireta, à   exportação.   Dessa   forma,   a diversificação dos setores seria resultado do desempenho da base exportadora (NORTH, 1977; ALVES, 2016).</p>
<p>De   forma   geral,   o   que   se   pode   verificar  nas  teorias,  tanto  de  localização  como de crescimento regional,  é que existe um  conjunto  de  fatores  tanto econômicos (investimentos,    lucros,    juros, mercado externo,  renda,  participação  dos  setores), como      sociais      (demografia,      cultura, educação)       e       regionais       (governo,       instituições,      histórico      e      condições      geográficas), que afetam o modo como ele ocorre,      possibilitando      uma      grande      quantidade  de  variáveis  que  são  utilizadas para estudá-lo em determinada região. Indo ao encontro dessa multiplicidade de fatores, na  Tabela  1 é  apresentado  um  resumo  dos  trabalhos  empíricos  que,  partindo  de  um  referencial        tanto        teórico        como        metodológico,    analisam    o    crescimento    econômico regional.</p>
<p>
<table-wrap id="gt1">
<alternatives>
<graphic xlink:href="133475550017_gt2.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
<table id="gt2-526564616c7963">
<tbody>
<tr/>
<tr>
<td>Montenegro et al. (2014)</td>
<td>Painel espacial</td>
<td>PIB per capita</td>
<td>Escol da população acima de 25 anos; PIB per capita defasado; tx de fecundidade média; Formação Bruta de Capital Fixo</td>
</tr>
<tr>
<td>Raiher et al. (2018)</td>
<td>Painel de dados</td>
<td>Crescimento PIB per capita; ICH</td>
<td>Profs. com graduação; nota ENEM; Estoque C.H; Escolaridade média; Aluno por sala; treinamento/rotatividade; variáveis demográficas; força de trabalho; Estoque de capital físico;</td>
</tr>
<tr>
<td>Ribeiro et al. (2017)</td>
<td>Modelos econométricos espaciais em cross sections</td>
<td>PIB per capita</td>
<td>Variáveis institucionais; gastos do governo</td>
</tr>
<tr>
<td>Lazarroto e Lima (2008)</td>
<td>Modelos econométricos espaciais em cross sections</td>
<td>PIB per capita</td>
<td>Escolaridade média; tx.alfabetização; PIB industrial; emprego nossetores; transferências do governo; receita tributária</td>
</tr>
<tr>
<td>Carneiro e Silva (2018)</td>
<td>Dados em painel; modelos econométricos espaciais em cross sections</td>
<td>PIB/PIB per capita</td>
<td>Escolaridade média; tx.de crescimento do PIB; porte das firmas; variáveis demográficas;</td>
</tr>
<tr>
<td>Medei*ros e Neto (2011)</td>
<td>Painel espacial</td>
<td>Tx.de pobreza</td>
<td>Tx. analfabetismo; tx.de dependência; emprego formal; estrutura familiar;</td>
</tr>
<tr>
<td>Meiners et al. (2013)</td>
<td>Modelos econométricos espaciais em cross sections</td>
<td>IDMPE</td>
<td>Porte das firmas; variáveis institucionais</td>
</tr>
<tr>
<td>Ferrario et al. (2009)</td>
<td>Modelos econométricos espaciais em cross sections</td>
<td>PIB</td>
<td>Matrículas no ensino médio; população; matrículas no ensino superior; consumo de energia</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</alternatives>
</table-wrap>
</p>
</sec>
<sec>
<title>METODOLOGIA E BASE DE DADOS</title>
<p>Como visto na seção acima, tanto do ponto de  vista  teórico  como  empírico  há uma diversidade de variáveis elencadas que exercem,  direta  ou  indiretamente,  efeito  sobre  o  crescimento  econômico  de  uma  região,  seja  pela  distribuição  de  firmas  oupelo  seu  poder  de  afetar  sua  dinâmica  de  crescimento.  A  partir  desse  pressuposto  e  do   objetivo   da   pesquisa,   a   abordagem   metodológica  adotada  deve  ser  capaz  de captar  o  impacto  de  uma  variável  sobre  o  território    analisado,    que    na    presente    pesquisa  são  os  municípios  paranaenses,  a  partir  da  utilização  das  variáveis  presentes  na literatura teórica e empírica sobre o tema, dado a disponibilidade de dados.</p>
<p>Dessa  forma,  para analisar  o  efeito  local    de    determinadas    variáveis    nos    municípios  paranaenses,  o  artigo  adotou o modelo Geographically         Weighted         Regression (GWR). Esse modelo é definido mediante o  Modelo  de  Regressão  Linear  Clássico, usando se a expressão:</p>
<p>
<fig id="gf1">
<graphic xlink:href="133475550017_gf2.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
</fig>
</p>
<p>Em que:</p>
<p>
<fig id="gf2">
<graphic xlink:href="133475550017_gf3.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
</fig>
</p>
<p>No  modelo  GWR  os  coeficientes  não  são  estimados  de  forma  global,  mas para   cada   localidade   de   cada   unidade geográfica i, que no  presente  artigo  são  representadas pelos municípios do  Paraná.O  GWR,  ao  realizar  uma  estimação  local,  tem como resultado regressões lineares para cada  município  que  compõem  a  região,  o  Paraná,   por   meio   de   subamostras   de   observações  que  receberam  um  peso  e  são  dessa   forma   ponderadas   pela   distância   geográfica. Para     a     realização     dessa ponderação torna-se necessário a utilização de uma função Kernel espacial que se utiliza da distância    (𝑑𝑑𝑖𝑖𝑖𝑖)    entre    dois    pontos    geográficos e um parâmetro que define qual será a largura da banda e assim estabelecer qual o  peso  das  duas  regiões,  que  será  inversamente     relacionado     à     distância     geografia           (𝑤𝑤𝑖𝑖𝑖𝑖) (BRUNSDON;FOTHERINGHAM;  CHARLTON,  1996;  ALMEIDA, 2012).</p>
<p>De  acordo  com  Almeida  (2012)  alargura da banda a ser empregada pode ser de   dois   tipos:   fixa   ou   adaptativa.   A   vantagem da adaptativa em relação a fixa é que   ela   ajusta   melhor   os   dados   para   considerar  a  mesma  quantia  de  unidades  geográficas      de      uma      região.      Essapropriedade da banda adaptativa da função Kernel faz com que ela se expanda quando há poucas observações e se contraia quando há  muitas.  Ao  se  utilizar  o  modelo  GWR  deve se esperar uma melhora nos resultados mensurados   por   meio   da   ausência   de   dependência  espacial  nos  resíduos,  menor critério de informação de Akaike e Schwarz em      relação      aos      modelos      globais      (FOTHERINGHAM,            BRUNSDON,            CHARLTON, 2002).</p>
<p>Para   definir   quais   variáveis   são   passíveis de efeitos espaciais locais, ou seja, que apresentam variabilidade geográfica, é utilizado a      diferença      de      critério,      interpretado  da  seguinte  forma:  variáveis  que em módulo são maiores do que dois, e negativas,     possuem     variabilidade,     as     variáveis   que   não   se   enquadrem   nesse   critério   são   descartadas   (GWR   USER   MANUAL,  2016).  Para Almeida  (2012)  dado a    possibilidade    da    dependência    espacial ocorrer  tanto  no  resíduo  como  navariável explicada,  o  modelo  GWR  pode  incorporar     tais     dependências.Assim, considerando dados  em  cross  section  para os anos de 2006, 2010 e 2016, este modelo foi empregado para verificar quais foram as variáveis   que   tiveram   efeito   sobre   o   crescimento   econômico   dos   municípios   paranaenses nesses três anos, e como foi o comportamento  de  tais  fatores  nesses  três  anos.</p>
<p>Como   o   propósito   do   artigo   foi   avaliar    o    crescimento    econômico    dos    municípios  paranaenses,  a  proxie utilizada para crescimento foi o logaritmo natural do PIB per  capita.As  variáveis  explicativas  foram  divididas  em  7  grandes  grupos,  a  saber:    i)    educação:    Índice    Firjan    de    Desenvolvimento      Municipal      (IFDM) dimensão educação    e    percentual    da    população  com  ensino  médio;  ii)  saúde:  Índice      Firjan      de      Desenvolvimento      Municipal     (IFDM)     dimensão     saúde, densidade veicular e número de internações no  SUS  per  capita;  iii)  econômicas:  Valor  Adicionado  Bruto  da  indústria,  agrícola, comércio  e  serviços;  iv)  estruturais:  Índice Firjan    de    Desenvolvimento    Municipal    (IFDM)    dimensão    emprego,    densidade    demográfica,         energia         residencial,         abastecimento   de   água   e   altitude;   v) financeira:  Número  de  agências  bancárias:  vi)   capital   fixo:   energia   industrial;   vii)   Gestão    pública:    relação    investimento    receitas  públicas,  Fundo  de  Participação  Municipal  e  Valor  Adicionado  Bruto  do  setor.   A   base   de   dados   utilizada   foi   o Instituto  Paranaense  de  Desenvolvimento  Econômico e Social (IPARDES)</p>
</sec>
<sec>
<title>RESULTADOS</title>
<p>Para se começar a análise do modelo GWR,   como   visto   na   metodologia,   o   primeiro   passo   é   avaliar   se   o   mesmo   apresenta  melhor  ajuste  do  que  o  modelo global. Para isso, na Tabela 2 é apresentado os resultados para estimação do GWR com e sem a dependência espacial das variáveis dependente  e  independentes,  comparando com  as  estimações  em  nível  global  entre  todos  os  anos.   Para  se  avaliar  o  melhorajuste, Almeida  (2012)  indica  verificar  o  menor critério  de  informação  de  Akaike  (AIC), maior coeficiente de determinação e a  não  dependência espacial  no  resíduo,  obtido pelo I de Moran (ALMEIDA, 2012).</p>
<p>
<table-wrap id="gt2">
<alternatives>
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<table id="gt3-526564616c7963">
<tbody>
<tr/>
<tr>
<td>Especificação do modelo</td>
<td>Regressão</td>
<td>AIC</td>
<td>R2</td>
<td>Teste F</td>
<td>I de Moran</td>
</tr>
<tr>
<td>GWR sem componente espacial</td>
<td>Global</td>
<td>136.9856</td>
<td>0.5123</td>
<td/>
<td/>
</tr>
<tr>
<td/>
<td>Local</td>
<td>57.7680</td>
<td>0.6958</td>
<td>3,2551**</td>
<td>-0,0434*</td>
</tr>
<tr>
<td>GWR SAR</td>
<td>Global</td>
<td>127.7399</td>
<td>0.5261</td>
<td/>
<td/>
</tr>
<tr>
<td/>
<td>Local</td>
<td>55.2782</td>
<td>0.7039</td>
<td>3,0721***</td>
<td>-0.3840</td>
</tr>
<tr>
<td>GWR SDM</td>
<td>Global</td>
<td>136.1672</td>
<td>0.5646</td>
<td/>
<td/>
</tr>
<tr>
<td/>
<td>Local</td>
<td>87.9991</td>
<td>0.7074</td>
<td>2,5863***</td>
<td>-0.0357</td>
</tr>
<tr/>
<tr>
<td>GWR sem componente espacial</td>
<td>Global</td>
<td>194.7778</td>
<td>0.4769</td>
<td/>
<td/>
</tr>
<tr>
<td/>
<td>Local</td>
<td>38.7503</td>
<td>0.7422</td>
<td>4,8154***</td>
<td>-0,0424*</td>
</tr>
<tr>
<td>GWR SAR</td>
<td>Global</td>
<td>191.3129</td>
<td>0.4843</td>
<td/>
<td/>
</tr>
<tr>
<td/>
<td>Local</td>
<td>40.0207</td>
<td>0.7484</td>
<td>4,5934***</td>
<td>0,0453*</td>
</tr>
<tr>
<td>GWR SDM</td>
<td>Global</td>
<td>208.2942</td>
<td>0.5159</td>
<td/>
<td/>
</tr>
<tr>
<td/>
<td>Local</td>
<td>74.1423</td>
<td>0.7787</td>
<td>4,0227***</td>
<td>-0.0196</td>
</tr>
<tr/>
<tr>
<td>GWR sem componente espacial</td>
<td>Global</td>
<td>156.5853</td>
<td>0.4951</td>
<td/>
<td/>
</tr>
<tr>
<td/>
<td>Local</td>
<td>67.4155</td>
<td>0.7109</td>
<td>3,2977***</td>
<td>-0.0251</td>
</tr>
<tr>
<td>GWR SAR</td>
<td>Global</td>
<td>147.7850</td>
<td>0.5088</td>
<td/>
<td/>
</tr>
<tr>
<td/>
<td>Local</td>
<td>67.2550</td>
<td>0.7188</td>
<td>3,0964***</td>
<td>-0.0208</td>
</tr>
<tr>
<td>GWR SDM</td>
<td>Global</td>
<td>167.7877</td>
<td>0.5355</td>
<td/>
<td/>
</tr>
<tr>
<td/>
<td>Local</td>
<td>141.8778</td>
<td>0.6861</td>
<td>2,1646***</td>
<td>-0.0102</td>
</tr>
</tbody>
</table>
</alternatives>
</table-wrap>
</p>
<p>Como pode se constatar, para todo o período   os   modelos   obtidos   por   GWR   foram  os  que  tiveram  melhor  ajuste,  dado  que  tiveram  menor  critério  de  informação  AIC,  ausência  de  dependência  espacial  no  resíduo  além  de  também  terem  o  maior  coeficiente      de      determinação.      Tais      resultados mostram que de fato, a estimação local tem melhor qualidade do que a global (ALMEIDA,   2012).   Entre   os   modelos   GWR testados, o escolhido para análise dos resultados foi o que considerou a existência de    uma    relação    espacial    na    variável    dependente,    ou    seja,    o    modelo    de    Defasagem      Autorregressivo      Espacial      (SAR),  uma  vez  que  o  mesmo  apresentou  melhor ajuste nos anos de 2006 e 2010 em termos  de  critério  de  Akaike,  mesmo  não  sendo o melhor em 2016. Na Tabela A1 do Apêndice são apresentadas a descrição das variáveis utilizadas     no     modelo,     oscoeficientes locais, a média e a diferença de critério, método esse utilizado para se obter as variáveis com variabilidade geográfica e assim captar o efeito dos coeficientes locais municipais.   Da   Figura   1   em   diante é apresentado como as variáveis utilizadas nomodelo GWR afetam    o    crescimento    econômico  do  Paraná.  Os  municípios  em  branco    são    aqueles    quenão    foram    significativos a 5%, e quanto mais escuro o tom   do   marrom,   maior   é   o   valor   do   coeficiente estimado  e  com  os  intervalos  apresentando  os  mesmos  valores  para  os  três  anos,  exceto  para  os  que  não  eram  possíveis   dado   a   incompatibilidade   dos   parâmetros  obtidos  entre  um  ano  e  outro. Salienta-se que o propósito maior da análise é verificar o comportamento da variável no período,  não  objetivando  um  estudo  mais  pormenorizado sobre as particularidades de cada município.</p>
<p>
<fig id="gf3">
<graphic xlink:href="133475550017_gf4.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
</fig>
</p>
<p>Ao se verificar o impacto da variável IFDM educação no ano de 2006 percebe-se que  a  mesma não  apresentou  significância estatística. Já para o ano de 2010 esse fato muda,  pois  em  algumas  regiões  do  estado,  principalmente  nas  porções  Norte  Central,  Centro Oriental, Metropolitana de Curitiba e Oeste Paranaense, houve impacto elevado do IFDM dimensão educação, uma vez que nessas  regiões  o  parâmetro  obtido  estava  nos    dois    últimos    quartis.    Como    os    intervalos  de  valor  das  estimativas  são  os  mesmos para todos os anos, se verifica que, no  ano  de  2016,  aumentou  o  número  de  municípios  que  tiveram  o  PIB  per  capita  influenciado   positivamente   pelo   IFDM   educação,  mantendo  a  tendência  em  torno  das regiões já mencionadas, mas com maior alcance   regional.   Esse   resultado   vai   aoencontro,  ainda  que  de  forma  geral,   da abordagem    metodológica    utilizada    de  Medeiros  e  Neto  (2011),  Fontenelle  et  al.(2011), Pereira et al. (2012), Montenegro et al.(2014), Firme e Filho (2014), Irffi et al.(2016), Meyer  e  Shera  (2016),  Loures  e  Figueiredo  (2017),  Raiher et  al.  (2018)  e  Carneiro e Silva (2018).</p>
<p>Já  o  percentual  da  população  com  ensino   médio,   também   uma   proxy   de educação,       não       teve       o       mesmo comportamento     local     que     o     IFDM     dimensão educação. No ano de 2006 pouco mais   da   metade   dos   municípios   eram   afetados,      com      efeito      positivo      no      crescimento   econômico   do   estado.   Não   obstante,   nos   anos   de   2010   e   2016,   a   maioria  dos  municípios  não  apresentaram  significância  estatística  a  5%,  e  dos  que  tiveram, o seu efeito foi negativo, ainda que muito pequeno.</p>
<p>Das  variáveis  do  bloco  de  saúde,  o  IFDM    dimensão    saúde    só    apresentou    significância  estatística  de  5%  em  2006  e  com     impacto     positivo     para     poucos     municípios,   não   se   verificando   algum   padrão  regional  no  modo  que  a  variável  afetava   o   crescimento   do   estado.   Já   a   densidade veicular, como apontam Ribeiro et  al.  (2019)  está  diretamente  relacionada  com a qualidade do ar, uma vez que grandes centros   urbanos,   por   possuírem   elevado   grau de poluição devido ao tráfego, impacta de  forma  expressiva  a  saúde  da  população  exposta a tal problema.</p>
<p>No entanto, como se pode verificar, o  efeito  da  variável  foi  positivo  em  todo  o  período, ainda que, no ano de 2010, houve uma redução no número de municípios que foram  afetados  por  essa  variável,  redução  essa   revertida   em   2016,   onde   além   de   aumentar o número de municípios que eram influenciados,    o    impacto    se    elevou,    principalmente na região Central do estado.</p>
<p>Tal  fato  pode  ser  explicado,  como  apontam Cacciamali et al. (2009) e Portillo (2019),  visto  que  o  setor  automotivo  tem  grande influência na geração de emprego e renda   no   Brasil,   por   demandar   grande   quantidade   de   mão   de   obra,   direta   e   indiretamente, tanto na produção, como na comercialização e outros serviços prestados que são vinculados a ele. Para o número de internações  do  SUS  per  capita  o  aumento  no   número   de   internação   aumentam   o   crescimento econômico, esse fato pode ser explicado pois a internação no SUS não se limita apenas ao município demandante do serviço, pois a tendência regional é que haja migração  de  pacientes  que  se  utilizam  dos  serviços  do  SUS  e,  para  isso,  se  deslocam  para   outras   regiões,   mais   desenvolvidas   economicamente,    e    dessa    forma    com    melhores recursos.</p>
<p>
<fig id="gf4">
<graphic xlink:href="133475550017_gf5.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
</fig>
</p>
<p>Analisando  na  Figura  3,  como  os  setores  impactam  o  crescimento  do  estado,  dado  que o setor agrícola exerceu forte influência na   própria   formação   do   Paraná,   sendo   responsável por explicar grande parte de sua atual  configuração  setorial,   era  esperado  que  fosse  influente  sobre  seu crescimento econômico (SCHMIDT, FILIZOLA, 1998; CANCIAN,  1981).   Pode  se  verificar  que  municípios  da  região  Sul,  Centro  Oriental,  Oeste e Norte Paranaense eram fortemente impactados pelo VAB agrícola. Já no ano de 2016, o efeito da variável diminuiu de modo expressivo,  mas  as  regiões  mais  afetadas  mantiveram   a   tendência   dos   dois   anos   anteriores.</p>
<p>O      comportamento      do      VAB      industrial  foi  diferente  do  agrícola.  Nos  anos  de  2006  e  2010,  grande  parte  dos  municípios   não   eram   afetados   por   tal   variável,  mas  em  2010  há  homogeneidade  no  efeito  do  VAB  desse  setor.  Em  2016  o  seu  efeito  influenciou  todos  os  municípios  do  estado,  ainda  que  com  um  baixo  valor  para o parâmetro.</p>
<p>Para      o      setor      terciário      o      comportamento  do  VAB  do  comércio  e  serviços   a   variável   teve   efeito   sobre   o   crescimento em todos os municípios, ainda que com sinal negativo para alguns no ano de 2006 (representado pelos municípios em vermelho). Por sua vez, o efeito do VAB da administração    pública    foi    negativo    e    significativo   para   todos   os   períodos   e   municípios.  O  que  também  fica  evidentenos  mapas  é  que  não  houve  expressiva  variação  regional  em  como  ela  afetava  o  PIB per capita municipal</p>
<p>
<fig id="gf5">
<graphic xlink:href="133475550017_gf6.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
</fig>
</p>
<p>Ao     se     analisar     características     relacionadas   a   estrutura   dos   municípios   paranaense,  e  pelo  fato  da  variável  IFDM  dimensão     emprego     e     renda     estão     diretamente ligadas à geração de renda e de empregos  formais,  ainda  que  não  tenha apresentado variabilidade geográfica no ano de 2016, em 2006 e 2010 grande parte dos municípios    foram    afetados    por    essa    variável. O efeito da densidade demográfica foi  significativo  nos  três  anos  e  com  sinal  negativo. No ano de 2006, grande parte dos municípios   respondiam   negativamente   à   densidade   demográfica   e   com   impacto   expressivo  na  redução  do  PIB  per  capita. Não obstante, sua influência reduziu no ano de  2016,  em  relação  a  2006,  visto  que  poucos   municípios   ficaram   no   último   quartil  no  valor  obtido  no parâmetro.  De  acordo    com    McNicoll    (1984),    Kelley (1988) e Paiva e Wajnman (2005) não existe uma   relação   óbvia   no   modo   como   a   densidade    demográfica    pode    afetar    o    crescimento    econômico,    podendo    ser    positivo    ou    negativo,    dependendo    do    contexto   socioeconômico da   região,   ou   podendo  ser  negativo  no  curto  prazo  e  positivo no longo.</p>
<p>
<fig id="gf6">
<graphic xlink:href="133475550017_gf7.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
</fig>
</p>
<p>O abastecimento   de   águas   das   famílias      apresentou      sinal      negativo, resultado  esse  não  esperado,  uma  vez  que,  como  apontam  os  trabalhos  de  Ottonelliet al.(2013)  e  Firme  e  Filho  (2014)  o  sinal  apresentando foi positivo. Percebe-se que o impacto da variável foi menor no estado no ano de 2010 no que em 2006 e, em alguns municípios  no  ano  de  2010,  seu  efeito  foi  positivo  (indicado  pelos  em  tom  cinza),  enquanto que no ano de 2016 a variável não apresentou  variabilidade  geográfica.  Já o consumo    de    energia    das    famílias    só apresentou variabilidade geográfica no ano de  2006,  e  poucos  municípios possuíamsignificância  estatística  e  sinal  positivo. A variável    altitude    foi    utilizada com    o    propósito de   captar   se   algum   atributo   geográfico poderia       influenciar       o       crescimento  econômico  do  estado,  como  fizeram Loures e Figueiredo (2017) em sua pesquisae    os    autores    clássicos    da    localização. O   que   se   verificou   para   o   estado foi que no ano de 2016 a variável não apresentou       variabilidade       geográfica,       enquanto   que   nos   demais   anos,   poucos   munícipios eram afetados pela altitude.</p>
<p>
<fig id="gf7">
<graphic xlink:href="133475550017_gf8.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
</fig>
</p>
<p>A   variável   número   de   agências   bancárias     apresentou     sinal     positivo,     indicando  que  o  aumento  dessa  variável  teve  efeito  positivo,  nos  anos  de  2006  e  2010,  sobre  o  PIB  per  capitamunicipal paranaense,      ainda      que      não      tenha      apresentado   variabilidade   geográfica   em   2016.  No ano de 2006, na maior parte dos municípios,   a   variável   não   apresentava   significância  estatística,  mas  nos  poucos que  tinha,  seu  efeito  era  expressivo.  Ao  se  considerar,  no  entanto,  o  ano  de  2010,  houve  redução  no  número  de  municípios  influenciados    por    essa    variável,    mas mantiveram   o sinal   positivo,   resultados similares  aos  de  Meiners et  al.  (2013)  e  Carneiro e Silva (2018)</p>
<p>
<fig id="gf8">
<graphic xlink:href="133475550017_gf9.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
</fig>
</p>
<p>O   efeito   local   do   consumo   de   energia  industrial  por  100  mil  habitantes,  proxy para  capital  fixo  foi  controverso,  visto   que,   tanto   em   termos   de   sinal   esperado,   como   no   efeito   nas   regiões, inicialmente,  o  que  se  constata  é  que,  nos  três  anos,  poucos  municípios  tiveram  seu  PIB per   capitainfluenciado   por   essa   variável. Destaca-se também que no ano de 2006, dos municípios em que o consumo de energia industrial tenha sido significativo a 5%,   a   maior   parte   era   positivamente   influenciada por ele, enquanto uma pequena parte  deles,  negativamente.  Já  no  ano  de  2010 esse cenário mudou, visto que dos que eram  significativos,  o  maior  impacto  era  negativo  sobre  o  crescimento  com  uma  pequena minoria afetando  positivamente. No  ano  de  2016  foi  predominante  o  efeito  negativo da variável. Resultados que vão de encontro  aos  de  Montenegro et  al.  (2014),  Raiher et   al.   (2018)   e   principalmente   Ferrario et   al.   (2009)   que   usaram   essa mesma    variável,    contudo    com    uma    abordagem metodológica distinta.</p>
<p>
<fig id="gf9">
<graphic xlink:href="133475550017_gf10.png" position="anchor" orientation="portrait"/>
</fig>
</p>
<p>Por  fim,  na  Figura  7 é  apresentado  comoo PIB per     capita     defasado espacialmente    afetava    a    dinâmica    de    crescimento.    Como    já    apontado    nos    trabalhos   empíricos   de   Ferrario et   al.(2009),   Montenegro   et   al.   (2014),   Reis   (2014), Dias e Porsse (2016), Carmo et al.(2017) e Carneiro e Silva (2018) esperava-se    que  o  crescimento  econômico  fosseinfluenciado por diversas variáveis e, dentre elas,  a  própria  dinâmica  regional.   Para  o  Paraná, em todos os anos o PIB per capita defasado  exerceu  influência  positiva  sobre  alguns municípios, ainda que não em todos.</p>
<p>A  partir  da  análise  para  os  anos  de  2006, 2010 e 2016 pode se verificar que, das variáveis   utilizadas   na   pesquisa   como   fatores    determinantes    do    crescimento    econômicoregionaldos     municípios     paranaenses, que representavam, na medida do   possível,   as   variáveis   presentes   nas   teorias  econômicas  que  abordavam  esse  tema,   boa   parte   delas   tiveram   o   efeito   esperado,   ainda   que   com   algumas   sem   significância   estatística   ou   com   efeito   contrário  ao  esperado  (especificamente  o  consumo   de   energia   da   indústria).   Se   percebe  também  que  ao  longo  do  período determinadas variáveis foram importantes e coerentes  com  a  teoria,  como  é  o  caso  do  VAB do setor agrícola, o IFDM educação, enquanto  outras  tiveram  mudanças,  sendo  significativas  em  apenas  um  período  ou  a  perdendo no decorrer do período, como foi o caso das variáveis número de internações do   SUS,   IFDM   emprego,   consumo   de   energia   e   abastecimento   de   água   das   famílias. Dessa forma, o modelo GWR pode mostrar em  nível  local  o  impacto  de  cada  variável  sobre  o  município,  indicando  em  quais  regiões  o  efeito  era  maior,  quais  ganharam  (ou  perderam)  poder  explicativo  sobre o crescimento econômico do estado.</p>
</sec>
<sec>
<title>CONSIDERAÇÕES FINAIS</title>
<p>De forma geral, tendo em vista que o  objetivo  da  pesquisa  foi  analisar  quais  foram     os     fatores     determinantes     do     crescimento   econômico   dos   municípios paranaenses entre 2006, 2010 e 2016, foram obtidos resultados diversos. A vantagem da utilização   do   modelo   GWR   é   que   ele   permitiu verificar como uma variável afeta,em  nível  local,  o  crescimento  em  cada  unidade geográfica em análise, que foi para essa  pesquisa,  os  municípios  do  estado  do  Paraná. Dentre       os       determinantes       selecionados, pode se observar a existência de    um    certo    padrão,    pois    variáveis relacionadas à educação, à estrutura municipal     eàs     econômicas     foram     responsáveis pelo   aumento   do   PIB   per capita municipal do  estado.  Os  resultados  mostraram que as variáveis utilizadas com a intenção   de   avaliar   a   importância   do   território, como  defendiam  os  clássicos  da  teoria da localização, bem como os autores do   crescimento   econômico   regional,   se   observou  que  no  Paraná,  o  PIB  per  capita  defasado           espacialmente           afetou           positivamente o crescimento econômico, do mesmo  modo  que  nos  trabalhos  de  Pereira  et al. (2012) e Firme e Filho (2014).</p>
<p>Como    visto,    asvariáveis    de    educação,       estrutura       municipal       e       econômicas,   principalmente   o   VAB   do   setor  agrícola  foram  fundamentais  para  o  crescimento   econômico   dos   municípios   paranaenses.   O   modelo   GWR   permitiu verificar que o efeito de algumas variáveis mudaram  ao  longo  do  período,  seja  pelo  mudança  no  sinal  do  parâmetro,  caso  do  VAB  do  setor  de  comércio  e  serviços  e  consumo  de  energia  da  indústria,  como  o  efeito    ganhando    ou    perdendo    poder    explicativo nos municípios, destaque para o IFDM  educação,  IFDM  saúde,   densidade demográfica e VAB da indústria, dado que a  primeira  ganhou poder  explicativo  entre  os anos enquanto que a segunda perdeu, já a   densidade   demográfica   foi   limitada   a   poucos   municípios   em   2010   e   o   VAB   industrial      ganhou      cada      vez      mais      abrangência, afetando um número cada vez maior de municípios do estado.</p>
<p>Destaca-se  que  educação,  medido  pelo  IFDM  educação,  ainda  que  não  tenha  apresentado   variabilidade   geográfica   em   2010, ganhou cada vez maiores proporções tanto  em  valor  do  parâmetro  obtido  como  capacidade de  influenciar  uma  quantidade  cada  vez  maior  de  municípios,  mostrando  assim que os  investimentos  nessa  área  são os que possuem maior potencial para elevar o  nível  econômico  do  Paraná. Da  mesma  forma,  o  VAB  agrícola  mostrou  elevado  poder    explicativo    para    o    crescimento    econômico    paranaense,    resultado    esse    esperado   pois   a produção   agrícola   tem   acompanhado e influenciado   a   própria   formação    histórica,    política,    social    e    econômica do estado, como aponta Trintin (2006).</p>
<p>Dessa    forma,    mesmo    com    as    limitações   do   artigo   por   não   levar   em   consideração  outras  teorias  de  crescimento  regionais, ou pelo não detalhamento de cada umas das que foram apresentadas ou mesmo pela  limitação  de  variáveis  empregadas,  visto que diversas outras proxies poderiam ser   utilizadas,   de forma   geral,   o   artigo mostrou que certas variáveis, principalmente  IFDM  dimensão educação, VAB  dos  setores  agrícola  e  industrial  e  densidade  demográfica  e  IFDM  dimensãoemprego foram relevantes para aumentar o nível       econômico       dos       municípios       paranaenses entre  os  anos  em  estudo.  O  artigo    contribui    à temática    pois    aoconsiderar uma não desprezível quantidade de  variáveis  e  teorias,  evidenciou  quais fatores de fato impactaram o PIB municipal do  Paraná,  de  forma  que  tais  resultados podem  ser  úteis  para  os  gestores  públicos  melhor    compreender    a    dinâmica    do    processo     de     crescimento     econômicomunicipal do  estado,  servindo  como  um  meio de orientação para tomada de decisão em    relação    à alocação    dos    recursos    públicos.</p>
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<article-title>O Programa Paraná Competitivo e seu efeito na dinâmica econômica dos municípios paranaenses: uma análise espacial</article-title>
<source>REDES: Revista do Desenvolvimento Regional</source>
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<article-title>Arranjos Institucionais e Desenvolvimento: uma Análise Multivariada e Espacial para Municípios de Minas Gerais</article-title>
<source>Análise Econômica</source>
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<article-title>Influência da densidade de tráfego veicular na internação por câncer do aparelho respiratório no Município de São Paulo, Brasil</article-title>
<source>Cadernos de Saúde Pública</source>
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<article-title>Desenvolvimento econômico regional–uma revisão histórica e teórica</article-title>
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<article-title>Método econométrico: algumas reflexões sobre a obra pioneira de Von Thünen</article-title>
<source>Brazilian Review of Econometrics</source>
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