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<journal-title specific-use="original" xml:lang="pt">Gestão &amp; Regionalidade</journal-title>
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<article-title xml:lang="pt">As organizações da sociedade civil  e suas relações interinstitucionais nas inovações sociais</article-title>
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<title>1 INTRODUÇÃO</title>
<p>Iniciativas    de    inovação    social    decorrem  a  partir  da  consciência  de  um  determinado  território  como  um  espaço  marcado   por   necessidades   econômicas,   culturais  e  ambientais  não  satisfeitas  pelo  modelo   de   desenvolvimento   com   viés   economicista(ARAÚJO;     OLIVEIRA;     CORREIA,  2021).  Emerge,  assim,  uma  mudança    paradigmática    a    partir    das    relações  sociais  construídas  entre  atores  que  permitem  que  o  território  seja  um  espaço  de  potencialidades,  articulações  e  mobilizações   para   moldar   respostas   em   relação    àquelas    realidades    e    desafios    sociais   e   desempenhar   papéis   decisivos   para        o        desenvolvimento        local        (LUBELCOVÁ,   2012;   MACCALLUM,   2009;    MOULAERT,    2013;    SOUZA;    LESSA;       SILVA       FILHO,       2019), incorporados    nos    setores-chave como saúde, educação e assistência social.</p>
<p>Os atores envolvidos nesse processo devem  focar  em  iniciativas  que  propiciem  uma  transformação  da  sociedade,  atuando  como   sujeitos   participativos   ao   propor   políticas  específicas  dirigidas  à  mudança  dos desequilíbrios   sociais,   econômicos,   institucionais,  ecológicos  e  culturais  que  enfrentam    e    que    possibilitem    novas    oportunidades de desenvolvimento humano (KLEIN et  al.,  2012).    Através  de  sua  participação,   as   iniciativas   de   inovação   social    se    associam    ao    conceito    de    transformação  social,  da  criação  de  novos  objetivos         econômicos         e         sua         regulamentação,   da   proteção   ao   meio   ambiente,  de  um  novo  papel  representado  na esfera política, da descentralização e da cooperação  entre  os  atores  sociais  e  os  demais  atores  (AVELINO et  al.,  2019;  KLEIN;  TREMBLAY,  2013;  PEL  et  al., 2019).</p>
<p>Dentro      desse      contexto,      as organizações da sociedade civil (OSC) têm uma  função  destacada  dentro  do  processo  de  inovação  social,  desenvolvendo  papéis  que   podem   ajudar   na   identificação   das   necessidades  sociais,  no  desenvolvimento  do processo de implementação da inovação social  até  a  sua  consolidação  (CORREIA; OLIVEIRA; GOMEZ, 2016).  Dessa forma,  a  inovação  social  concentra-se  em  práticas que promovem o desenvolvimento de capacidade  criativa  dos  indivíduos,  da ação       coletiva       e       da       dinâmica macroestrutural (CAJAIBA-SANTANA, 2014;     LEHTOLA;     STÅHLE,     2014;     SGARAGLI,    2014), provocando nas organizações    da    sociedade    civilum envolvimento no        processo        de        transformação     social,     por     meio     da     cooperação entre os atores envolvidos e na formalização de redes ou parcerias sociais, bem  como  contribuir  com  o  governo  e  coproduzir  ou  cocriar  políticas  públicas,  promovendo  melhorias  e  reduzindo  custos  nos      serviços      públicos(ANDION; MORAES; GONSALVES, 2017).</p>
<p>Diante do que foi apresentado, este artigo  tem  como  objetivo  analisar  o  papel  das organizações da sociedade civil e suas relações  interinstitucionais  nas  iniciativas  de  inovação  social.  Este  trabalho  revela  resultados  da  análise  da  Articulação  do  Semiárido (ASA), que atua nos Estados do Nordeste        brasileiro,        como        uma        “emblemática”  organização  da  sociedade  civil  brasileira  que  promove  iniciativas  de  inovação social que expressam a ação ativa e pró-positiva da sociedade em um contexto político  em  protesto  contra  a  permanência  de  graves  problemas  socioeconômicos  e  ambientais.</p>
<p>Apesar  do  aumento  do  número  de  estudos  sobre  inovação social  nos  últimos  anos(ADRO;     FERNANDES,     2020;     EDWARDS-SCHACHTER;   WALLACE,   2017), ainda existe uma lacuna nos estudos sobre o potencial de iniciativas de inovação social    para    ajudar    a    promover seus ecossistemas    em    contextos    específicos(PEL et al., 2019, 2019; SOUZA; LESSA; SILVA  FILHO,  2019).   Faz-se  necessário,  então, compreender  o  papel  das  OSC  em seus   respectivos   contextos   culturais   e   socioeconômicos, por meio da identificação de  elementos  que  podem  operacionalizar  novas  formas  de  organização,  produtos, serviços e práticas sociais.</p>
<p>Este   artigo   pretende   avançar   no entendimento  das  relações  existentes  entre os  atores  que  se  envolvem  diretamente  no  desenvolvimento de iniciativas de inovação social.  Inclusive,   no  papel  potencial  de  estimular a promoção de políticas públicas para  promoção  da  mudança  social.  Dessa forma,     contribui     como     instrumento     norteador   para   tomada   de   decisões   de   gestores,    ajudando-os    a    uma    melhor    compreensão     das     especificidades     do contexto social que vivenciam.</p>
<p>Em  termos  estruturais,  além  desta introdução,  é  apresentada  na  seção  dois  a  perspectiva  teórica  da  inovação  social.  Na  terceira  seção,   descreve-se a  metodologiaadotada para a realização deste estudo. Na sequência,  os  resultados  são  apresentados, e  ao  final,  são  discutidas  as  considerações  finais dos autores.</p>
<sec>
<title>2 INOVAÇÃO SOCIAL E SUAS ARTICULAÇÕES INTERINSTITUCIONAIS</title>
<p>A  inovação  social  se  posiciona  nas  últimas  décadas  dentro  de  uma  agenda  e  programas que  obedecem  à  capacidade  de  resolver   problemas   sociais,   econômicos,   ambientais  e  institucionais  por  meio  da  transformação da sociedade através de seusdiferentes setores  (público, privado, social, educacional,  entre  outros)  (PORTALES, 2019). Essa    capacidade    pode    gerar mudanças sociais de maneira sustentável e aumenta  a  necessidade  da  sociedade  de  abordar  os  problemas  que  a  humanidade  enfrenta  no  nível  global  e  que  tem  suas  consequências  mais  claras  nos  países  em  desenvolvimento.</p>
<p>Dessa     forma,     oconceito     de     inovação  social  surge  em  convergência  à busca  por novas  formas  de  coordenar  e  mobilizar   problemas   globais   e   locais,   refletidos          nos          Objetivos          de          Desenvolvimento         Sustentável         daOrganização       das       Nações       Unidas(PORTALES,   2019).   Logo,   a   inovação social se refere à cooperação entre os atores sociais envolvidos para a criação, produção e   difusão   da   inovação,   sendo   assim,   o surgimento     de     inovações     sociais     éresultante      da      criação      de      equipes      multidisciplinares,   de   seu   processo   de   aprendizagem       para       aquisição       de       conhecimentos,             mudança             de             representações,  de  novos  aprendizados  e  colaboração(CLOUTIER,         2003;         SGARAGLI, 2014).</p>
<p>A   criação   dessas   novas   relações   sociais dá suporte na mediação individual e coletivizada,    concebida    não    só    para    resolver  problemas  sociais,  mas  também  para responder a um ideal social. À medida que  acontece  a  reestruturação  da  rede  de  atores sociais, é provocada uma redefinição de  orientações  culturais  que  formaliza  a  adoção da nova gestão das relações sociais (LALLEMAND,   2001)   e   redireciona   o   estabelecimento  de  novas  formas  de  fazer  as coisas, seja através do desenvolvimento de  novos  serviços,  processos,  produtos  ou  novas  formas  de  organização  das  relações  sociais (PEL et al., 2018).</p>
<p>É    preciso    considerar    que    as    condições  para  o  surgimento  da  inovação  social  estão  na  combinação  de  fatores  que  possibilitam o surgimento de uma sinergia entre  diversos  atores  que  estão  envolvidos  nos    projetos    inovadores.    Portanto,    a    característica  fundamental  das  inovações  sociais é a presença de atores dos diversos setores   da   sociedade   e,   em   diferentes   escalas    (DOMANSKI,    2018;    SOUZA;    LESSA; SILVA FILHO, 2019).</p>
<p>A      inovação      social      situa-se, principalmente, no âmbito do terceiro setor, contudo,  também  pode  estar  presente  nas  políticas     públicas     e     nas     ações     de     responsabilidade  social  das  empresas  de  caráter privado  (ANDRÉ; ABREU, 2006). Porém,     pela     perspectiva     da     Nova     Sociologia Econômica e sua ruptura com o paradigma economicista, a tendência é que a inovação    social    emerja    fora    das    instituições,    sendo    resultado    de    uma    mobilização   em   torno   de   um   objetivo,   protagonizada      pela      sociedade      civil(ARAÚJO; OLIVEIRA; CORREIA, 2021; CORREIA; OLIVEIRA; GOMEZ, 2016).</p>
<p>A capacidade de inovação das OSCconsiste em interligar objetivos sociais com abordagens   econômicas   e   de   negócios,   podendo       promover       iniciativas       de       empreendedorismo  social,  na  ajuda  para  identificar  produtos  e  serviços,  na  análise  de  mercado  para  identificação  de  clientes  potenciais,      e      na      capacidade      de      gerenciamento  e  criação  de  uma  rede  de  cooperação (GABRIELA, 2012). Portanto, as  OSC  exercem  o  papel  de  vislumbrar como      as      inovações      sociais      são      desenvolvidas,          implementadas          e          difundidas.  Um  dos  principais  aspectos  a  ser   observado   é   que   as   iniciativas   de   inovação  social  preveem  como  centrais  a  adoção  de  estratégias  de  mobilização  e  de  envolvimento de comunidades no processo de       mudança,       pressupondo       ampla       participação   social   das   OCS   desde   a   elaboração  de  um  diagnóstico  local  até  a  formulação,            implementação            e            monitoramento    das    ações    (CORREIA; MELO;   OLIVEIRA,   2019;   MORAES;   ANDION, 2017).</p>
<p>A  inovação  social  envolve  novas  soluções  que  atendam  a  uma  necessidade  social  através  da  articulação  de  atores  que  permitam o alcance de um resultado social. Desse  modo,  pensar  em  envolvimento  dasociedade   civil,   dentro   do   conceito   de   inovação  social  é  compreender  as  formas  como  esses  atores  se  articulam  e  como  podem    se    envolver    no    processo    de    desenvolvimento de novas soluções para os desafios    sociais(CORREIA;    MELO;    OLIVEIRA,  2019;  MAGLIOCCA  et  al.,  2016).</p>
<p>Dentro das relações apresentadas, o envolvimento    dos    atores    sociais    vai    depender  da  sua  relação  com  a  satisfação  das   necessidades   não   atendidas,   com   o   envolvimento      dos      mecanismos      de      governança  existentes,  com  o  seu  nível  de  articulação,             aprendizagem             e             empoderamento  (AVELINO et  al.,  2019;  BEPA,  2010),  bem  como  a  realidade  do  contexto social.</p>
<p>Isso   remete   diretamente   para   a   atuação  estratégica  da  sociedade  civil  na  busca    pela    efetivação    da    democracia    participativa que se expressa na criação de espaços   públicos   e   no   engajamento   da   própria  sociedade  civil  nos  processos  de  discussão    e    de    tomada    de    decisões    relacionados  com  as  questões  sociais  e  políticaspúblicas(TEIXEIRA; DAGNINO;     SILVA,     2002;     YANG;     HOLGAARD,  2012).  Logo,  a  sociedade  civil desempenha um papel fundamental em qualquer  sociedade,  que  detém  todos  os  responsáveis por suas ações, impulsionado pela  busca  da  transformação  social,  que  prossegue a equidade e a justiça, os direitos humanos  para  todos,  preservação  do  meio  ambiente e dos recursos naturais, ela reflete e  defende  a  dignidade  de  todas  as  pessoas(SOMMERFELDT, 2013).</p>
<p>Esse        enfoque        resulta        dacompreensão abrangente e integrada de que essas   iniciativas   contemplam   todos   os   setores  da  sociedade  e  seus  atores,  em  diferentes  áreas  de  pesquisa  e  campos  de  aplicação,   demonstrando   assim,   que   a   ampliação  da  perspectiva  é  crucial  para  a  compreensão da inovação social (BJÖRK et al.,  2014;  POLESE  et  al.,  2018;  REY-GARCIA;   CALVO;   MATO-SANTISO, 2019).</p>
<p>Os  criadores  ou  promotores  desse  tipo  de  inovação  são  inovadores  sociais  e  podem  vir  dos  setores  privado,  público  e  social (BAKKER et al., 2013; PORTALES, 2019).  Essas  fontes  são  classificadas  de  acordo com o nível do ator ou setor que as implementa, não atuam de forma isolada e podem    ser    complementadas    por    seus    recursos e mandatos, bem como articuladas entre  si  com  o  interesse  de  alcançar  o  objetivo          social                    (ANDION; ALPERSTEDT;         GRAEFF,         2020;         PORTALES, 2019).</p>
<p>Dessa  forma,  para  se  fomentar  a  inovação  social,  sugere-se  a  identificação dos  principais  atores,  suas  relações  e  as  relações    causais    que    permitem    novas    práticas  sociais  ao  ponto  de  emergir  e  se  difundir   para   se   estabelecer   uma   nova   prática   regular   (TSAKANIKA,   2017)   a partir de parcerias. Isso porque considera-se que    o    objetivo    central    das    parcerias    intersetoriais      é      resolver      problemas      econômicos, sociais e ambientais por meio da combinação das capacidades e recursos dos  atores  organizacionais  em  diferentes  setores (VAN   TULDER   et   al.,   2016; VOLTAN; DE FUENTES, 2016).</p>
<p>É  nesse  contexto  que  a  abordagem  dos ecossistemas de inovação social emerge para  refletir  as  estruturas  da  dinâmica  de  colaboração     e     agilidade     dos     atores     envolvidos  com  o  objetivo  compartilhado  da transformação social.</p>
<p>Eles  são  definidos  a  partir  de  uma  infinidade  de  atores  e  organizações  que  formam, em conjunto, as iniciativas sociais (Pel et  al.,  2018),  com  normas  legais  e  culturais, infraestruturas de apoio e muitos outros             elementos             (CHUERI; VASCONCELOS;  DOS  SANTOS,  2019)que     permitem     um     movimento     de     metagovernança (SCHUBERT, 2018).</p>
<p>Dessa    forma,    o    terceiro    setorencontra a sua forma de articulação coletiva como    ator    legitimado    na    defesa    dos    interesses     e     que     se     configura     em     organizações  da  sociedade  civil,  situado  entre o mercado e Estado, agindo de forma coletiva.</p>
<p>Além  disso,  as  OSC  se  articulam  entre si para estabelecerem novas formas de cooperação adequadas aos objetivos sociais almejados.  A  colaboração  emerge  a  partir  da   participação   entre   organizações   do   mesmo   setor   que   querem   atender   às   necessidades  de  determinada  comunidade  na busca da melhoria das condições de vida, formando assim, um conjunto direcionador por  processos  cocriativos  com  bases  em  redes de colaboração que servem para criar novos   conhecimentos   através   de   uma   perspectiva  da  aprendizagem  (ZIEGLER, 2017).</p>
<p>Portanto,  a  sociedade  civil  engloba  uma    gama    de    atividades    associativas    operacionais  e  humanas  na  esfera  pública  fora  do  Estado,  voltadas  a  aspirações  dos  cidadãos     organizados     e     unidos     por     interesses  comuns,  objetivos,  valores  ou  tradições, mobilizados para a ação coletiva, quer como beneficiário ou como atores no processo de desenvolvimento.</p>
<p>As  OSC  têm  buscado  desenvolver  soluções   participativas   para   as   questões   sociais,  provocando  uma  resposta  proativa  no papel desempenhado pelo setor público, por   meio   da   implementação   de   novos   processos    participativos    internos    que    mudam   a   maneira   pela   qual   os   atores interagem,  e  no  fornecimento  de  marcos  regulatórios  e  financeiros  necessários  para  a  difusão  das  inovações  sociais  (BEPA, 2010;        HOWALDT;        DOMANSKI;        KALETKA, 2016).</p>
<p>Destarte, a inovação social na esfera pública  oferece  espaços  para  que  vários  atores  e  instâncias  intervenham  sobre  o  mesmo   problema   público,   exigindo   dos   atores  novas  respostas  e  soluções  e  novas  formas     de     executá-la,     através     da     comunicação   e   cooperação   (GORDON; BECERRA; FRESSOLI, 2017; MORAES; ANDION, 2017).</p>
<p>Iniciativas    de    inovação    social, muitas  vezes,   mantêm  um  relacionamento  instável   com   os   atores   públicos   e   as   dificuldades   em   se envolver   com   as   estruturas   institucionais   de   governança   surgem,  por  estarem  baseados  em  arranjos  precários   e   temporários   de   cooperação.   Como        também        iniciativas        são        caracterizadas  por  laços  fortes  e  formais  entre  os  atores  (sociais,  privados,  públicos  e  do  terceiro  setor)  e  entre  as  diferentes  escalas     da     estrutura     de     governança     (MOULAERT et  al.,  2010).  Esses atores são   envolvidos   como   coprodutores   de   políticas   públicas,   contribuindo   para   o   sucesso   de   iniciativas,   através   da   sua   capacidade     de     participar     de     redes     complexas de diferentes atores.</p>
<p>A     inovação     social     vem     da     criatividade  estimulada  por  uma  interação provocada pelas diferenças, a exemplo das diversas  formas  de  cultura,  de  diferentes  disciplinas   sociais   e   diferentes   setores   sociais  (privados,  públicos  e  cívicos).  Um  ato  criativo,  gerado  pelos  atores  sociais, pode  resultar  em  inovação  de  uma  nova  forma    de    integração    a    depender    do    elemento  que  está  sendo  incorporado  e  do  contexto    em    que    vai    ser    utilizado    (GABRIELA, 2012; VAN TULDER et al., 2016).</p>
<p>A   construção   de   parcerias   entre   esses   atores   é   apontada   por   Teodósio (2011)      como   uma   perspectiva   para   a   modernização da gestão de políticas sociais decorrente  da  crise  de  legitimidade  das  instituições políticas tradicionais, das novas relações  entre  as  esferas  do  mercado  e  da  sociedade e da noção de risco e urgência no equacionamento dos problemas de interesse social.</p>
<p>Deve-se ressaltar que uma mudança efetiva só acontece quando novas formas de perceber o mundo e agir são compartilhadas e   estabelecidas   pelos   atores   através   de   estratégias  de  engajamento  e  capacitação  para transformar a informação adquirida em ação,  e,  em  seguida,  gerar  e  compartilhar  mais   informações   entre   o   grupo   social   (ARNIANI et al., 2014).</p>
<p>A inovação social requer uma maior participação dos atores, partilha de recursos e   a   difusão   da   inovação   através   de   educação, formação e conhecimento, com a finalidade   de   gerar   as   transformações   sociais através de novas formas de relações ou laços sociais, realizados por um período de tempo (LI; SUN; LIN, 2012; ROLLIN; VINCENT, 2007).</p>
<p>Com base no exposto, os papeis de articulação     interinstitucional     propostos neste artigo incorporam uma     nova     combinação,  em  modelos  de  negócios  em  contextos sociais, através da parceria entre mercado,  Estado  e  sociedade  civil.  Essas parcerias    chamam    a    atenção    para    a    necessidade   permanente   de   tomada   de   decisões  dos  atores  envolvidos,  através  de  escolhas  que  se  voltem  para  a  ação  sujeita  ao contexto específico de mudança.</p>
</sec>
<sec>
<title>3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS</title>
<p>Para o alcance do objetivo, adotou-se uma    abordagem    pragmática,    que    enquanto concepção surge mais das ações, das  situações  e  das  consequências  do  que  das    condições    antecedentes,    buscando    compreender            a            complexidade            (CRESWELL;   CRESWELL,   2017)   dos aspectos envolvidos no desenvolvimento e implementação  de  iniciativas  de  inovação  social.  A    pesquisa    classifica-se    como    descritiva  e  exploratória, adotando-se  uma  abordagem  qualitativa  para  aprofundar  o  estudo de caso.</p>
<p>A    seleção    da    Articulação    do    Semiárido  (ASA)  como  estudo  de  caso  desta pesquisa ocorreu por ser considerada uma iniciativa que acompanha a prática do desenvolvimento local; por ser baseada em padrões de mudanças de comportamento e estruturas   organizacionais;   tendo   como   objetivo  a  criação  de  meios  de  inclusão  social;  introduz  algo  novo  para  sua  região  que seja considerado uma inovação social; e  tem  a  participação  ativa  da  sociedade  civil.</p>
<p>Para  responder  ao  objetivo  deste estudo   no   que   tange   aos   papéis   das organizações  da  sociedade e  suas  relações interinstitucionais,foram     consideradas     como  potenciais  unidades  de  análise  todas  as     organizações     da     sociedade     civil     credenciadas  às coordenações estaduais da ASA  e  que  atuam  nos  estados  da  Paraíba  (PB),   Rio   Grande   do   Norte   (RN)   e   Pernambuco      (PE),      totalizando      49representações. Isso posto, foram enviados e-mails    para    todos    os    representantes, solicitando uma entrevista, de acordo com a disponibilidade  dos  mesmos.  A  princípio,  obteve-se  resposta  de  12  OSC,  nas  quais  foram  realizadas  as  entrevistas.  No  ato  da  entrevista,  foi  solicitada  ao  coordenador a indicação   de   outras   organizações   para compor   a   pesquisa.   A    quantidade   de   entrevistados foi definida quando os papéis identificados  no  estudo  atingiram  o  ponto  de  saturação  adequado  para  responder  aos  objetivos  da  pesquisa  (FONTANELLA et al., 2011; MINAYO, 2017), totalizando em 18 (dezoito) sujeitos sociais, representados pelos coordenadores das OCS.</p>
<p>A  OCS  cadastradas  à  ASA  tem,  como fundamento comum, o compromisso com   as   necessidades,   potencialidades   e   interesses  das  populações  locais  daquele  território, em especial os/as agricultores/as familiares,    o    que    inclui    as    questões    relacionadas    à    conservação,    ao    uso    sustentável e à recomposição ambiental dos seus  recursos  naturais  bem  como  à  quebra  do monopólio de acesso à terra, à água e a outros meios de produção.</p>
<p>Como estratégia de coleta de dados, utilizaram-se    dados    e    evidências    de    diferentes       naturezas:       a       pesquisa       bibliográfica,    como    forma    de    obter    embasamento teórico para a construção das dimensões  de  análise  e  seus  papéis  nas  iniciativas  de  inovação  social;  a  pesquisa  documental     para     levantar     dados     e     informações necessárias sobre os objetos de estudo, a exemplo de regimentos, normas e procedimentos,    informativos    e    livros    publicados  pelas  organizações;  a  pesquisa  de   campo   consolidada   pelas   entrevistas   semiestruturadas   com   os   sujeitos;   e   a   observação   não   participante   através   das   visitas e da vivência junto às organizações durante o período da pesquisa.</p>
<p>O     roteiro     semiestruturado     da     entrevista  foi  construído  de  acordo  com  a  revisão    da    literatura,    e levou-se    em    consideração               os               seguintes               questionamentos: Quem são os interessados nas iniciativas de inovação social? Quais os mecanismos  utilizados  pela  OSC  para  o  envolvimento  dos  demais  atores?  Como  acontece a articulação entre a OSC com os demais atores?</p>
<p>Nesse    sentido,    foi    realizada    a    triangulação entre os instrumentos de coleta de  dados  com  o  objetivo  de  aumentar  a  confiabilidade  da  pesquisa  (YIN,  2015), utilizando multimeios de coleta de dados.</p>
<p>A   análise   dos   dados   tem   como   objetivo organizar e interpretar os dados de tal forma que possibilite o cumprimento dos objetivos    propostos.    Dessa    forma,    o tratamento dos dados foi a partir da análise de    conteúdo    (BARDIN,    2011)para identificar  as  relações  entre  as  categorias  identificadas na literatura e nas entrevistas realizadas com os atores.</p>
<p>Para     proceder     à     análise     das     entrevistas, utilizou-se, como ferramenta de apoio,  o  software  de  pesquisa  qualitativa  ATLAS.ti,  que  objetiva  facilitar  a  análise  qualitativa  e  por  apresentar  flexibilidade  para geração de dados.</p>
<p>4  ANÁLISE  DO  PAPEL  DAS  OSC’S  E  SUAS                                     RELAÇÕES                                     INTERINSTITUCIONAIS               NAS               INICIATIVAS        DE        INOVAÇÃO        SOCIAL</p>
<p>A ASA se destaca por seus esforços na  promoção  do  desenvolvimento  rural  no  semiárido brasileiro. São reconhecidos pela conquista   do   Programa   de   Formação   e   Mobilização   Social   para   a   Convivência   com   o   Semiárido   que   compreende   um   conjunto de ações de formação processual e mobilização   de   famílias   e   organizações   associativas   para   a   convivência   com   o   semiárido.</p>
<p>Seu  objetivo  central  é  desencadear  processos   de   discussão   e   envolver   as   famílias   no   fomento   à   construção   de   cisternas   e   de   pequenas   infraestruturas   hídricas  para  produção  de  alimentos,  para  captação   e   armazenamento   de   água   de   chuva; água que será usada para o consumo doméstico   e   produção,   no   período   de   estiagem,        garantindo,        de        forma        complementar,   a   segurança   e   soberania   alimentar das famílias do meio rural.</p>
<p>Seu  objetivo  central  é  desencadear  processos   de   discussão   e   envolver   as   famílias   no   fomento   à   construção   de   cisternas   e   de   pequenas   infraestruturas   hídricas  para  produção  de  alimentos,  para  captação   e   armazenamento   de   água   de   chuva; água que será usada para o consumo doméstico   e   produção,   no   período   de   estiagem,        garantindo,        de        forma        complementar,   a   segurança   e   soberania   alimentar das famílias do meio rural.</p>
<p>Portanto, promove  e  difunde  essas  inovações     sociais     voltadas     para     o     semiárido, discutindo e organizando novas opções  de  política  pública  voltadas  para  ampliar o acesso à água às famílias de baixa renda   da   região,   como   também   ações   voltadas para a produção de alimentos para o  autoconsumo,  com  vistas  à  garantia  da  segurança e soberania alimentar.</p>
<p>Atualmente, a ASA representa mais de  700  organizações  da  sociedade  civilsituadas   no   semiárido   brasileiro. Dessa forma,   a   inovação   social   provoca   as organizações       da       sociedade       civilcadastradas,     a     se     concentraremem melhorias  de  determinadas  localidades  a  partir do seu envolvimento no processo de transformação     social,     por     meio     da     cooperação entre os atores envolvidos e na formalização de redes ou parcerias sociais.</p>
<p>A     ASA     é     reconhecida     pela     conquista   do   Programa   de   Formação   e   Mobilização   Social   para   a   Convivência com   o   semiárido   brasileiro.   O   objetivo   central   desse   programa   é   desencadear processos   de   discussão   e   envolver   as   famílias   no   fomento   à   construção   de   cisternas   e   de   pequenas   infraestruturas   hí  dricas  para  produção  de  alimentos,  para  captação  e  armazenamento  de  águas  de  chuva  que  são  usadas  para  o  consumo  doméstico  e  para  produção  agrícola,  no  período  de  estiagem,  garantindo,  de  forma  complementar,  a  segurança  e  a  soberania  alimentar das famílias do meio rural. Nesse intuito,    o    programa    desenvolve    dois    projetos,   o   Programa   Um   Milhão   de   Cisternas  (P1MC),  que  prevê  a  construção de     um     milhão     de     cisternas     para     armazenamento  de  água  de  chuva  para  consumo   humano,   e   o   Programa   Uma   Terra,  Duas  Águas  (P1+2),  que  fomenta  a  implementação    de    tecnologias    sociais    voltadas  ao  aproveitamento  hídrico  para  a  produção de alimentos – cisternas calçadão, tanques  de  pedra,  infraestruturas  que  dão suporte  para  o  fortalecimento  da  estrutura  hí  drica    e    de    segurança    alimentar    e    nutricional  das  famílias  e  comunidades  de  agricultores    familiares.    A    metodologia    adotada  pelos  dois  programas  parte  de  umprocesso  de  capacitação,  intercâmbios  de  experiências  da  construção  das  cisternas  e  das  pequenas  infraestruturas  hídricas  para  produção de alimentos e da implantação de equipamentos  para  subtração  da  água  de  subsolo em poços rasos para dessedentação animal.</p>
<p>Quanto     aos     interessados     nas     iniciativas           sociais           investigadas,           denominados  neste  artigo  de  "atores"  e  a  articulação   que   ocorre   entre   eles   para   emergência do processo de inovação social, verificou-se que ela se baseia, de um lado, no     engajamento     dos     atores     sociais     envolvidos no contexto de convivência com a  seca,  mobilizando-se,  através  de  ações coletivas,  na  busca  por  novas  práticas  de  interação  com  o  setor  público;  e  de  outro,  no   reconhecimento   e   financiamento   do   Estado  nas  esferas  Federais,  Estaduais  e  Municipais.  Assim,  para  a  execução  dos  programas  de  inovação  social  promovidos  pela       ASA,       contou-se       com       a       operacionalização     e     mobilização     de     diversos  atores,  a  saber:  os  agricultores  familiares,   beneficiários   dos   programas   (atores    sociais);    as    organizações    da    sociedade     civil     vinculadas     a     ASA,     executoras      dos      programas      (atores      organizacionais);  e  o  Estado,  em  suas  três  esferas,    que    geram    recursos    para    a    viabilização    dos    referidos    programas    (atores institucionais).</p>
<p>Constatou-se    que    a    ASA    está    estrategicamente          posicionada          no          ecossistema    de    inovação    social.    Isso porque, em    virtude    da    ausência    da    participação  do  Estado,  novas  formas  de  ação   coletivas   foram   desenvolvidas   nas   pequenas     comunidades     rurais.     Dessa     maneira,   promoveu-se   a   formação   de   associações ou cooperativas de agricultores familiares   com   o   objetivo   de   gerar   o   reconhecimento  do  Estado  para  enxergar  suas    necessidades    sociais,    e    assim,    promover  uma  autonomia  em  relação  aos  partidos políticos e aos políticos locais.</p>
<p>Os  dados  coletados  pela  pesquisa  fornecem subsídios para a representação da dinâmica do papel da OSC e sua atuação de envolvimento em relação aos demais atores envolvidos  com  a  ASA.  As  análises  se  voltam    para    as    seguintes    seções:    o    envolvimento   com   os   atores   sociais;   o   envolvimento com os atores institucionais; cooperação   entre   todos   os   envolvidos,   incluindo,  nessa  última,  o  envolvimento com outros atores organizacionais.</p>
<p>Além             das             entrevistas semiestruturadas    pautadas    no    escopo    teórico  a  ser  explorado,  foi  realizada  uma  pesquisa    documental, a    exemplo    dosdocumentos do site oficial da referida rede, apresentações  de  multimídia  e  legislação pertinente.   Nesse   intento,   levantaram-se dados   suficientes   para   a   discussão   dos   processos  de  cada  categoria  de  análise,  imersas     nas     discussões.     Ambos     os     elementos estão descritos a partir das redes de     códigos     geradas     pelo     software     ATLAS.ti.</p>
<p>Desse modo, as falas dos sujeitos e as  informações  dos  documentos  auxiliares  compõem  a  análise  apresentada  a  seguir.  Nas    redes    de    citações, os    números    mostrados correspondem, respectivamente,à    quantidade    de    menções    ao    código    referido, e à sua densidade, e não implica na análise.</p>
</sec>
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<title>REFERÊNCIAS</title>
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