Editorial
O cotidiano autoritário sob o prisma historiográfico
The authoritarian daily life under the historiographic prism
El cotidiano autoritario sobre el prisma historiográfico
Os estudos sobre os regimes autoritários do século XX estão na ordem do dia. Abalos institucionais, radicalização política e novas formas de participação levam acadêmicos e intelectuais a se perguntarem sobre as permanências e rupturas entre o passado recente e o tempo presente. Essas indagações suscitam não apenas em relação às crises políticas na América Latina, mas também aos abalos sociais, culturais e políticos que ultrapassam a mundividência do mundo ocidental.
Além disso, o métier historiográfico altera a nossa forma de ver e interagir com o mundo. Seguindo os desdobramentos das inovações de diversas perspectivas historiográficas, os estudos sobre os cotidianos nos auxiliam a compreender a dimensão do impacto (e também da construção) dos regimes autoritários sobre o cotidiano das pessoas, dos sujeitos da vida comum, das políticas de Estado, das disputas entre elites e “povo”, assim como das dinâmicas de controle social.
O emaranhar dos fios que traçam a experiência humana consolida um campo fértil e fortuito para as pesquisas, que vão além das dimensões institucionais do campo político, auxiliando, assim, o entendimento das rupturas e continuidades dos processos históricos. É nesse sentido, com reflexões sobre o cotidiano, em suas múltiplas possibilidades, através da vida cotidiana de segmentos sociais e com elementos historiográficos pautados em uma referência latino-americana, que foi composto este número organizado pelas professoras doutoras do Instituto de História da Universidade Federal Fluminense (UFF), Janaina Martins Cordeiro e Lívia Gonçalves Magalhães.
A chamada pública para o dossiê História, cotidiano e memória social: a vida comum sob as ditaduras no século XX apresentou um número significativo de submissões e textos de qualidade, aprovados por dois ou três avaliadores. Dessa forma, a equipe editorial indicou, para a atual edição, a supressão da Seção Livre, com isso apresentamos quinze artigos e três resenhas temáticas, escritas por autores de alta qualificação das mais variadas instituições (Universidade de Colônia, Universidade do Porto, Universidad de Buenos Aires, Universidad Nacional de General Sarmiento, Universidade de São Paulo, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade Federal de Juiz de Fora, Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Universidade Estadual de Montes Claros, Universidade Federal Fluminense, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Universidade Federal de Pernambuco e Universidade Federal do Piauí). Além dos textos, as organizadoras apresentam uma entrevista com Pilar Calveiro, investigadora da Universidad Nacional de México, e com Antonio Cazorla Sánchez, catedrático de História Contemporânea na Trent University (Canadá).
Agradecemos às organizadoras que acompanharam o processo editorial e que auxiliaram a equipe editorial em busca da qualidade dos textos que aqui oferecemos. Aproveitamos para agradecer todo o apoio institucional que, através da EDIPUCRS, possibilita a completa estrutura necessária para oferecermos ao público acadêmico uma revista de qualidade. Nosso reconhecimento ao apoio concedido pelo decanato da Escola de Humanidades e pela coordenação do Programa de Pós-Graduação em História da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Um especial agradecimento aos membros da equipe, formada por bolsistas de doutorado, mestrado e graduação, que possibilitam com seriedade o desenvolvimento da revista.
Com submissões encerradas e em fase de revisão e diagramação, anunciamos a próxima edição, que será publicada até o fim do ano com o tema Amor mundi – atualidade e recepção de Hannah Arendt, e convidamos os interessados a enviar suas contribuições para os dossiês: Fotografia, cultura visual e história: perspectivas teóricas e metodológicas; 30 anos da “constituição cidadã”: perspectivas da história e da ciência política; Cores, classificações e categorias sociais: os africanos nos impérios ibéricos, séculos XVI a XIX; e Direitos humanos, história e memória (1968-2018), que serão publicados nas edições subsequentes. Lembramos que a Seção Livre e Resenhas possuem fluxo contínuo.1
Fundada em 1975, com publicação semestral e na versão impressa, a Estudos Ibero-Americanos passou a ser produzida em duas mídias desde o segundo número de 2004, sendo possível acessar na versão eletrônica. Em 2016, o periódico passou a ser quadrimestral e apenas na versão digital, dessa forma, realiza-se um trabalho intenso com o propósito de disponibilizar aos leitores todas as edições em nosso site. Destacamos que não é um trabalho rápido, pois demanda paciência e atenção, para o qual contamos com a qualidade dos nossos bolsistas, que disponibilizaram aos leitores as edições até 1998. Todos os artigos tiveram os metadados atualizados nos três idiomas da revista e possuem DOI. Há outros artigos em processo de digitalização, e no decorrer do ano, mais edições estarão disponibilizadas, com o propósito de completarmos a nossa coleção desde 1975 e beneficiar o leitor da tradicional revista Estudos Ibero-Americanos.