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<journal-title>Estudos Ibero-Americanos</journal-title>
<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Estud. Ibero-Am. (Online)</abbrev-journal-title></journal-title-group>
<issn pub-type="ppub">0101-4064</issn>
<issn pub-type="epub">1980-864X</issn>
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<publisher-name>Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul</publisher-name></publisher>
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<article-id pub-id-type="publisher-id">00021</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.15448/1980-864X.2017.2.27336</article-id>
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<subject>Entrevista</subject></subj-group></article-categories>
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<article-title>Entre autoritarismos e resist&#xEA;ncias: uma entrevista com Pilar Calveiro</article-title>
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<trans-title>Entre autoritarismo y resistencias: una entrevista con Pilar Calveiro</trans-title></trans-title-group>
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<trans-title>Between authoritarianism and resistance: an interview with Pilar Calveiro</trans-title></trans-title-group>
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<name><surname>Magalh&#xE3;es</surname><given-names>L&#xED;via Gon&#xE7;alves</given-names></name><xref ref-type="aff" rid="aff1">*</xref>
<xref ref-type="fn" rid="fn8"><sup>8</sup></xref>
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<label>*</label>
<institution content-type="original">Professora Adjunta de Hist&#xF3;ria do Brasil Republicano do Departamento e do Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Hist&#xF3;ria da Universidade Federal Fluminense (UFF). Doutora em Hist&#xF3;ria pela Universidade Federal Fluminense (UFF).</institution>
<institution content-type="normalized">Universidade Federal Fluminense</institution>
<institution content-type="orgname">Universidade Federal Fluminense</institution>
<institution content-type="orgdiv1">Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Hist&#xF3;ria</institution>
<country country="BR">Brasil</country>
<email>livinhagm@gmail.com</email>
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<pub-date pub-type="epub-ppub">
<season>May-Aug</season>
<year>2017</year></pub-date>
<volume>43</volume>
<issue>2</issue>
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<license-p>Except where otherwise noted, the material published in this journal is licensed in the form of a Creative Commons Attribution 4.0 International license.</license-p></license></permissions>
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<title>Apresenta&#xE7;&#xE3;o da Entrevista</title> <disp-quote>
<p>&#x201C;&#x2026; Creo que lo m&#xE1;s importante que pudimos sostener es una reflexion com&#xFA;n, que pudimos seguir pensando juntos. Pensando en t&#xE9;rminos acad&#xE9;micos y en t&#xE9;rminos pol&#xED;ticos. M&#xE1;s bien dicho: en t&#xE9;rminos acad&#xE9;micos que son t&#xE9;rminos pol&#xED;ticos. Porque cuando reflexionamos te&#xF3;ricamente, cuando reflexionamos sobre la memoria, en realidad estamos haciendo pol&#xED;tica.&#x201D;</p>
<attrib>(PILAR CALVEIRO, abr. 2017).</attrib></disp-quote>
<p>No dia 21 de abril de 2017, na Universidade Nacional de La Plata, na Argentina, Pilar Calveiro recebeu o t&#xED;tulo de H&#xF3;spede de Honra Extraordin&#xE1;ria em uma cerim&#xF4;nia emocionante, na qual a homenageada destacou a import&#xE2;ncia do trabalho coletivo. Trabalhar e refletir sobre as situa&#xE7;&#xF5;es traum&#xE1;ticas vividas em nossas sociedades s&#xF3; &#xE9; poss&#xED;vel, segundo Calveiro, pela amizade e pela reflex&#xE3;o coletiva: &#x201C;&#x2026; creo que esto es fundamental en el espacio acad&#xE9;mico: entender que no pensamos solos, que no constru&#xED;mos solos; que solo podemos enfrentar estos per&#xED;odos de dificultad porque estamos juntos&#x201D;.</p>
<p>Pilar Calveiro &#xE9; argentina, doutora em Ci&#xEA;ncias Pol&#xED;ticas pela Universidad Aut&#xF3;noma do M&#xE9;xico e atualmente professora da Benem&#xE9;rita Universidad Aut&#xF3;noma de Puebla. Ex militante do grupo de guerrilha Montoneros, foi sequestrada em 7 de maio de 1977 por um comando da Aeron&#xE1;utica em Buenos Aires. Durante um ano e meio esteve desaparecida e passou por diversos centros clandestinos de deten&#xE7;&#xE3;o na Argentina, primeiro na Mans&#xE3;o Ser&#xE9; e finalmente na ex Escola de Mec&#xE2;nica da Armada (ESMA), at&#xE9; ser libertada em 1978, quando se exilou primeiro na Espanha e posteriormente no M&#xE9;xico, onde reside at&#xE9; os dias atuais. Seu marido, Horacio Domingo Campilgia, foi sequestrado em 1980 no Brasil, no marco da opera&#xE7;&#xE3;o Condor, e permanece desaparecido.<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref> Em abril de 2014, testemunhou sua experi&#xEA;ncia no Julgamento conhecido como <italic>Megacausa ESMA</italic>:</p> <disp-quote>
<p>Esos hechos significaron una ruptura total en mi vida. Cuando sal&#xED;, yo dec&#xED;a: &#x201C;Ahora habr&#xED;a que barajar y volver a dar&#x201D;. Todo lo que era mi vida anterior se modific&#xF3; radicalmente. Pude volver a rearmar mi vida, criar a mis hijas, estudiar, trabajar y salir de esa ruptura terrible que signific&#xF3; mi secuestro, lo que signific&#xF3; para mi familia, y el secuestro de mi marido. Sin embargo, no me impidi&#xF3; volver a vivir.<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref></p></disp-quote>
<p>Pensamos em Pilar para ser uma das entrevistadas nessa edi&#xE7;&#xE3;o por esse &#x201C;duplo&#x201D; perfil: sobrevivente do maior centro repressivo da &#xFA;ltima ditadura-civil militar argentina, a ESMA, e por sua trajet&#xF3;ria de destaque no campo das ci&#xEA;ncias pol&#xED;ticas com suas importantes contribui&#xE7;&#xF5;es aos estudos sobre o autoritarismo latino-americano. Apesar de sobrevivente de centros clandestinos de deten&#xE7;&#xE3;o, Pilar n&#xE3;o focou suas obras no relato e traum&#xE1;tica experi&#xEA;ncia pessoal a partir do testemunho de ex desaparecida, mas partiu dela para desenvolver uma an&#xE1;lise sociol&#xF3;gica, em terceira pessoa, de tais centros em <italic>Poder y Desaparici&#xF3;n: los campos de concentraci&#xF3;n em Argentina</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B1">CALVEIRO, 1998</xref>; traduzido no Brasil pela editora Boitempo em 2013), ou para a cr&#xED;tica &#xE0;s c&#xFA;pulas guerrilheiras em <italic>Pol&#xED;tica y/o Violencia: Una aproximaci&#xF3;n a la guerrilla de los a&#xF1;os setenta</italic> (Argentina, 2005). Sua abordagem n&#xE3;o se enquadra no tipo relato memorial&#xED;stico, talvez a forma mais usual de mem&#xF3;ria dos sobreviventes, mas nem por isso deixa de ser uma an&#xE1;lise de testemunhos, entre eles, o seu pr&#xF3;prio.</p>
<p>A quest&#xE3;o do testemunho &#xE9; crucial para pensar a produ&#xE7;&#xE3;o sobre a &#xFA;ltima ditadura civil-militar argentina. Segundo Beatriz Sarlo: &#x201C;A mem&#xF3;ria foi o dever da Argentina posterior &#xE0; ditadura militar e o &#xE9; na maioria dos pa&#xED;ses da Am&#xE9;rica Latina&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B6">SARLO, 2007</xref>, p. 20).<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref> No sentido jur&#xED;dico do termo, os <italic>testemunhos</italic> cumprem um papel subjetivo como prova, e torna-se importante, de maneira geral, resgatar a individualidade de quem relata. Por&#xE9;m, al&#xE9;m de uma interessante abordagem de ensaios e an&#xE1;lises na terceira pessoa, Calveiro enfatiza a import&#xE2;ncia de trabalhar de outra forma testemunhos e mem&#xF3;rias dentro de um contexto coletivo, buscando uma an&#xE1;lise que seja hist&#xF3;rica e sociol&#xF3;gica:</p> <disp-quote>
<p>Cuando la memoria de un pasado cuyo sentido fue eminentemente pol&#xED;tico se construye como memoria individual y privada, recupera este aspecto, pero de alguna manera traiciona por lo menos en parte el sentido de lo que fue. (&#x2026;) Desde este punto de vista, la memoria individualizante y privada perde los sentidos pol&#xED;ticos de la acci&#xF3;n. Por eso resulta ajena para los protagonistas m&#xE1;s directos (<xref ref-type="bibr" rid="B2">CALVEIRO, 2013</xref>, p. 15).</p></disp-quote>
<p>Mem&#xF3;ria, repress&#xE3;o estatal e milit&#xE2;ncia revolucion&#xE1;ria foram os principais temas de trabalho de Calveiro. Em <italic>Poder y Desaparici&#xF3;n</italic> (1998), sua primeira obra que parte de sua tese de doutorado, a autora faz uma an&#xE1;lise sociol&#xF3;gica do que foi a pol&#xED;tica de viol&#xEA;ncia desses espa&#xE7;os repressivos na Argentina recente e das formas que a repress&#xE3;o e o poder adquiriram durante a &#xFA;ltima ditadura civil-militar. Ao mesmo tempo, tamb&#xE9;m traz para a reflex&#xE3;o a rela&#xE7;&#xE3;o entre essa esfera repressiva e a sociedade:</p> <disp-quote>
<p>Yes precisamente en los per&#xED;odos de &#x201C;excepci&#xF3;n&#x201D;, en esos momentos molestos y desagradables que las sociedades pretenden olvidar, colocar entre par&#xE9;ntesis, donde aparecen sin mediaciones ni atenuantes, los secretos y las verg&#xFC;enzas del poder cotidiano. El an&#xE1;lisis del campo de concentraci&#xF3;n, como modalidad represiva, puede ser una de las claves para comprender las caracter&#xED;sticas de un poder que circul&#xF3; en todo el tejido social y que no puede haber desaparecido. (&#x2026;) Hay muchos poderes asesinos, casi se podr&#xED;a afirmar que todos lo son en alg&#xFA;n sentido. Pero <italic>no todos los poderes son concentracionarios</italic>. Explorar sus caracter&#xED;sticas, su modalidad especifica de control y represi&#xF3;n es una manera de hablar de la sociedad misma y de las caracter&#xED;sticas del poder que entonces se instaur&#xF3; y que se <italic>ramifica</italic> y <italic>reaparece</italic>, a veces <italic>id&#xE9;ntico</italic> y a veces <italic>mutado</italic>, en el poder que hoy circula y se reproduce (<xref ref-type="bibr" rid="B1">CALVEIRO, 1998</xref>, p. 28)<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref>.</p></disp-quote>
<p>De maneira geral, o que marca as obras de Pilar &#xE9; a rela&#xE7;&#xE3;o entre viol&#xEA;ncia e Estado: &#x201C;Yo creo que la relaci&#xF3;n entre pol&#xED;tica y violencia es inseparable&#x201D;.<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref> Mas o que tamb&#xE9;m chama a aten&#xE7;&#xE3;o &#xE9; como a autora renuncia a l&#xF3;gicas bin&#xE1;rias como her&#xF3;is/traidores; torturadores/v&#xED;timas. Esta caracter&#xED;stica aparece de maneira mais clara em <italic>Pol&#xED;tica y/oViolencia &#x2013; una aproximaci&#xF3;n a la guerrilla de los a&#xF1;os setenta</italic>, obra em que ela parte novamente de sua experi&#xEA;ncia pessoal sem &#x201C;falar&#x201D; em primeira pessoa. Tendo como foco a organiza&#xE7;&#xE3;o guerrilheira Montoneros, da qual foi militante, mais especificamente a partir de seu principal l&#xED;der, Mario Firmenich, Pilar Calveiro levanta uma quest&#xE3;o pol&#xEA;mica: a responsabilidade das organiza&#xE7;&#xF5;es armadas na viol&#xEA;ncia pol&#xED;tica nos anos 1970, que desembocou no golpe de 1976 e na consequente ditadura. Segundo a autora, em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s responsabilidades dessa viol&#xEA;ncia:</p> <disp-quote>
<p>(&#x2026;) tampoco es posible pensar lo autoritario como uma responsabilidade difusa que todos comparten por igual. Si bien es cierto que nadie resulta completamente ajeno, existen actores con una participaci&#xF3;n m&#xE1;s o menos comprometida. (&#x2026;) Me refiero a la responsabilidad de los actores pol&#xED;ticos nacionales: partidos, sindicatos y organizaciones (<xref ref-type="bibr" rid="B3">CALVEIRO, 2013</xref>, p. 12).</p></disp-quote>
<p>Assim como <italic>Poder y Desaparaci&#xF3;n</italic>, a obra chegou ao p&#xFA;blico permeada por pol&#xEA;micas, em um momento de intensas disputas de mem&#xF3;ria na sociedade argentina (<xref ref-type="bibr" rid="B4">JELIN, 2008</xref>, p. 321-360). No final da d&#xE9;cada de 1990, a quest&#xE3;o dos julgamentos e das responsabilidades sobre a viol&#xEA;ncia dos anos 1970 e 1980 n&#xE3;o estava no centro do debate nacional, apesar de ter ocorrido uma repolitiza&#xE7;&#xE3;o da mem&#xF3;ria das v&#xED;timas, principalmente com o surgimento da organiza&#xE7;&#xE3;o H.I.J.O.S em 1996. Enquanto em 2005 vivia-se um momento de possibilidade de reabertura dos julgamentos interrompidos na d&#xE9;cada de 1980 e a abertura de diversos novos casos, quando, entre outros, os indultos concedidos pelo ent&#xE3;o presidente Carlos Menem no final dos anos 1980 foram considerados inconstitucionais.<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref></p>
<p>Ao longo dos anos, Pilar dedicou-se a refletir como a viol&#xEA;ncia estatal n&#xE3;o se limitou ao per&#xED;odo ditatorial: &#x201C;Lo que yo me propongo mostrar es, justamente, que esto no es cierto y que las violaciones cl&#xE1;sicas, que tienen que ver con los encierros m&#xE1;s brutales y la desaparici&#xF3;n forzada, no son algo que termin&#xF3; con las democracias actuales, sino que sigue presente&#x201D;.<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref> Atualmente, a autora reflete sobre a guerra contra o terrorismo e a guerra contra as drogas num contexto de neoliberalismo global, sem se distanciar das rela&#xE7;&#xF5;es entre estas &#x201C;novas&#x201D; formas de repress&#xE3;o e a discuss&#xE3;o de mem&#xF3;ria social. Como a autora afirma na entrevista que nos concedeu, seus trabalhos est&#xE3;o relacionados entre si, como parte de um projeto maior: uma an&#xE1;lise hist&#xF3;rica da crescente autonomia do poder militar na Argentina, outra da organiza&#xE7;&#xE3;o e posterior desenvolvimento das organiza&#xE7;&#xF5;es armadas no pa&#xED;s e, finalmente, a configura&#xE7;&#xE3;o do atual sistema concentracion&#xE1;rio como encadeamento de ambos.</p>
<p>Em seus trabalhos Calveiro trabalha o cotidiano sob experi&#xEA;ncias autorit&#xE1;rias de distintas formas. Por um lado, em sua an&#xE1;lise mais ampla da viol&#xEA;ncia pol&#xED;tica a partir das rela&#xE7;&#xF5;es entre sociedade e Estado; por outro, o cotidiano de viol&#xEA;ncia nos centros clandestinos, da tortura, da realidade do desaparecido pol&#xED;tico. Podemos pensar, tamb&#xE9;m, em uma terceira abordagem, se consideramos o cotidiano das organiza&#xE7;&#xF5;es armadas. Essas diferentes perspectivas nos interessam, neste dossi&#xEA;, pela complexidade da an&#xE1;lise do cotidiano que a autora prop&#xF5;e.</p>
<p>Agradecemos &#xE0; Pilar n&#xE3;o apenas por sua disponibilidade, mas principalmente pelas importantes reflex&#xF5;es que nos dedicou. Como veremos, sua experi&#xEA;ncia pessoal tamb&#xE9;m aparece como parte de an&#xE1;lises mais amplas, e a autora nos oferece respostas instigantes e l&#xFA;cidas sobre temas ainda delicados no espa&#xE7;o acad&#xEA;mico.</p>
</sec>
<sec>
<title>Entrevista com Pilar Calveiro</title>
<p>&#x25A0; En 2013 ha sido traducida en Brasil su obra <italic>Pode y Desaparici&#xF3;n</italic>. Para importante parte del p&#xFA;blico brasile&#xF1;o, ha sido un primer contacto m&#xE1;s profundo con la experiencia represiva de la &#xFA;ltima dictadura argentina. Las diferentes experiencias del Terrorismo de Estado en Sudam&#xE9;rica entre los a&#xF1;os 1960-1980 suelen ser temas de investigaci&#xF3;n cada vez m&#xE1;s frecuentes. En este sentido, llama la atenci&#xF3;n el caso argentino dos experiencias: los centros <italic>clandestinos de detenci&#xF3;n</italic> y la <italic>desaparici&#xF3;n forzada</italic>. &#xBF;C&#xF3;mo usted entiende dichas experiencias, pens&#xE1;ndolas desde una l&#xF3;gica &#x201C;interna&#x201D; y en la comparaci&#xF3;n regional?</p>
<p>&#x25A1; <italic>La desaparici&#xF3;n forzada ha sido una de las herramientas de los dispositivos represivos latinoamericanos en el contexto de la llamada Guerra Fr&#xED;a. Pr&#xE1;cticamente todos los pa&#xED;ses de la regi&#xF3;n recurrieron a ella aunque con diferente intensidad, y esta extensi&#xF3;n de la pr&#xE1;ctica no fue casual. Obedeci&#xF3; a una pol&#xED;tica continental &#x2013;propiciada por Estados Unidos&#x2013; de exterminar las disidencias pol&#xED;ticas, especialmente las armadas. La desaparici&#xF3;n forzada es una modalidad de lo represivo que implica ciertas &#x201C;ventajas&#x201D; para ese objetivo. Una de ella es la posibilidad de aplicar la tortura de manera ilimitada, con el objeto de obtener informaci&#xF3;n &#xFA;til para la destrucci&#xF3;n de las redes de militancia clandestina que, con el objeto de propiciar cambios de car&#xE1;cter revolucionario, operaban en distintos pa&#xED;ses del continente. Sin embargo, el caso de Argentina tiene algunas peculiaridades importantes. All&#xED; no se utiliz&#xF3; como una m&#xE1;s de las formas de lo represivo sino como la forma, pr&#xE1;cticamente exclusiva, de tratamiento de la militancia, especialmente de la vinculada con las organizaciones guerrilleras y sus entornos. Desde luego abarc&#xF3; tambi&#xE9;n, aunque de manera mucho m&#xE1;s lateral, a las organizaciones de derechos humanos que denunciaban esta pr&#xE1;ctica y a otras expresiones pol&#xED;ticas, por ejemplo sindicales, que enfrentaban al gobierno militar. Por lo tanto, la cantidad de desaparecidos en Argentina fue mayor, tanto en t&#xE9;rminos absolutos como relativos, con respecto a los otros pa&#xED;ses de la regi&#xF3;n. Esto hizo que el Estado requiriera de un dispositivo muy importante de centros clandestinos de detenci&#xF3;n que operaron bajo los principios de lo concentracionario, para administrar un importante volumen de miles de prisioneros. Este dispositivo abarc&#xF3; todo el territorio nacional y estuvo a cargo de los diferentes organismos de seguridad (Fuerzas Armadas y polic&#xED;as)</italic>.</p>
<p>&#x25A0; El propio concepto de Terrorismo de Estado a&#xFA;n es tema de discusiones entre investigadores del Cono Sur. &#xBF;Usted cree que es el m&#xE1;s adecuado para dichas experiencias? &#xBF;Por qu&#xE9;?</p>
<p>&#x25A1; <italic>Creo que el concepto de terrorismo de Estado, como cualquier otro, no se debe aplicar de manera generalizada sino que es preciso analizar en cada circunstancia nacional c&#xF3;mo oper&#xF3; la represi&#xF3;n y en qu&#xE9; sentido las formas de organizaci&#xF3;n del Estado ameritan este calificativo. No lo digo por restringir su uso solo a circunstancias excepcionales sino porque lo vital en cada caso es caracterizar al Estado lo m&#xE1;s adecuadamente posible, m&#xE1;s que calificarlo de tal o cual manera. Desde mi punto de vista podemos hablar de terrorismo de Estado cuando estamos frente a un aparato estatal que se asienta principalmente en una violencia abierta e ilegal, fuertemente indiscriminada, durante un periodo prolongado, con el objeto de exterminar a grupos enteros de la poblaci&#xF3;n y amedrentar al conjunto. Por lo mismo, en el terrorismo de Estado se rompe con el Estado de Derecho, cesan las garant&#xED;as constitucionales y se entra en un abierto Estado de excepci&#xF3;n. La violencia estatal se exhibe, justamente para poder amedrentar e inmovilizar a la sociedad. Aunque el Estado niega sus pr&#xE1;cticas ilegales, como la desaparici&#xF3;n forzada, al mismo tiempo &#x201C;hace saber&#x201D; de distintas maneras que son parte de su pol&#xED;tica, que mantendr&#xE1; la impunidad y, b&#xE1;sicamente, que nadie est&#xE1; a salvo si desobedece. Se genera un clima generalizado de miedo e inseguridad para disciplinar y reorganizar a la sociedad eliminando los grupos disidentes y forzando a la poblaci&#xF3;n a aceptar un orden que no permite la discusi&#xF3;n ni el disenso y que, por lo mismo, es incompatible con la vida pol&#xED;tica. Donde hay terrorismo de Estado hay &#xF3;rdenes, decretos, disposiciones, no hay pol&#xED;tica</italic>.</p>
<p>&#x25A0; A&#xFA;n acerca de su obra <italic>Poder y Desaparici&#xF3;n</italic>, su trabajo fue en gran parte hecho a partir de los testimonios de desaparecidos y de su propia experiencia personal. &#xBF;Cu&#xE1;l es el papel de testimonio en el an&#xE1;lisis del pasado reciente?</p>
<p>&#x25A1; <italic>El testimonio es un instrumento clave para abordar los problemas negados o desconocidos por el Estado y sus instituciones. En las sociedades que han vivido el terrorismo de Estado y, en general, en todo gobierno autoritario, existe un f&#xE9;rreo control de los medios de comunicaci&#xF3;n que son parte activa en la negaci&#xF3;n, el encubrimiento, la atenuaci&#xF3;n o incluso la justificaci&#xF3;n del Estado en la comisi&#xF3;n de delitos y la violaci&#xF3;n de derechos. Estas posturas se filtran en amplios sectores de la poblaci&#xF3;n como &#x201C;verdades&#x201D; aceptadas. En ese contexto, el testimonio de las v&#xED;ctimas permite romper ese relato, visibilizar los atropellos e ilegalidades cometidas en su contra e interpretar lo sucedido desde perspectivas diferentes o incluso inversas a las que se construyen desde las instituciones. Por lo mismo, restituye lo negado y obturado por el discurso oficial no solo en cuanto a lo acontecido. En todo testimonio hay una interpretaci&#xF3;n de lo vivido, expl&#xED;cita o impl&#xED;citamente. Y esto es algo fundamental porque no solo transmite unos &#x201C;hechos&#x201D;, cierta informaci&#xF3;n (que es lo que privilegia el derecho) sino que les asigna un sentido. Creo que ambos elementos son fundamentales: el conocimiento de los hechos a los que asistieron las v&#xED;ctimas y el sentido que ellas les asignan. No puedo pensar en un an&#xE1;lisis del pasado que prescinda de cualquiera de ellos. Y esto es as&#xED; porque la informaci&#xF3;n oficial, su narraci&#xF3;n de los hechos y los sentidos que les asignan son p&#xFA;blicos, se repiten incansablemente. Por lo mismo, hace falta el contradiscurso de las v&#xED;ctimas para iniciar cualquier an&#xE1;lisis que vaya m&#xE1;s all&#xE1; de la mirada hegem&#xF3;nica</italic>.</p>
<p>&#x25A0; &#xBF;Usted cree que podemos hablar en un <italic>exceso</italic> de subjetividad, o sea, de que el testimonio ha adquirido en las &#xFA;ltimas d&#xE9;cadas un peso excesivo en la investigaci&#xF3;n cient&#xED;fica?</p>
<p>&#x25A1; <italic>No podr&#xED;a decir eso porque en mi trabajo el testimonio ha tenido, y sigue teniendo, un papel principal. Considero que para analizar los fen&#xF3;menos del presente es fundamental escuchar c&#xF3;mo los viven y los piensan quienes est&#xE1;n directamente involucrados en ellos porque los actores no son actores ciegos; son actores pensantes. Esta reivindicaci&#xF3;n del actor, sea v&#xED;ctima de alguna violaci&#xF3;n de derechos o no, parte de ciertas convicciones epistemol&#xF3;gicas: la primera es que el conocimiento deviene de la experiencia, esto es, que el hecho de vivir algo no me inhabilita para pensarlo sino todo lo contrario; segundo, que el conocimiento cient&#xED;fico tiene unas formas espec&#xED;ficas de proceder pero que puede nutrirse enormemente al articularse con saberes que provienen de otros campos, y tercero, que raz&#xF3;n y sentimiento no se oponen sino que se pueden y deben conjugar en la generaci&#xF3;n de conocimiento</italic>.</p>
<p>&#x25A0; En Brasil, la obra apareci&#xF3; muchas veces comparada de forma muy positiva, por su estructura de testimonio personal, con los relatos de Primo Levi. &#xBF;Qu&#xE9; le parece esta comparaci&#xF3;n?</p>
<p>&#x25A1; <italic>Bueno esa es una comparaci&#xF3;n que me halaga pero que me parece excesiva. La obra de Levi ha sido decisiva para comprender el funcionamiento concentracionario y mi trabajo se ha nutrido de ella. Yo aprend&#xED; mucho leyendo a Levi y lo hice antes de escribir mi propio texto. Por otra parte, su contribuci&#xF3;n es mucho m&#xE1;s vasta y con m&#xE9;ritos que exceden en mucho a Poder y desaparici&#xF3;n. Tambi&#xE9;n hay que decir que Levi estructura sus libros como relato testimonial, lo cual no ocurre en mi caso. Yo opt&#xE9; por una modalidad de ensayo, que se asienta en diferentes testimonios. Cuando me preguntan d&#xF3;nde est&#xE1; mi testimonio digo que, de alguna manera, en cada una de las p&#xE1;ginas, en el sentido de que hablo siempre desde la experiencia vivida pero mi experiencia individual, relatada como tal, no aparece en el texto</italic>.</p>
<p>&#x25A0; En esta ocasi&#xF3;n la Revista Estudios Iberoamericanos dedica un volumen especial al dossier &#x201C;Historia, cotidiano y memoria social: la vida com&#xFA;n bajo las dictaduras en el siglo XX&#x201D;, lo que representa un inter&#xE9;s a cada d&#xED;a mayor por parte de los investigadores de las ciencias pol&#xED;ticas y sociales en general con el tema. Pero son diversas las maneras de trabajar dicho cotidiano. En su caso, se refiere al cotidiano de los espacios de represi&#xF3;n, de la experiencia de las v&#xED;ctimas directas del Terrorismo de Estado. &#xBF;C&#xF3;mo es trabajar con este tipo de cotidiano, con la violencia pol&#xED;tica <italic>directa</italic>, si as&#xED; se puede decir, como principal marca?</p>
<p>&#x25A1; <italic>Bueno, a m&#xED; me parece que para entender las relaciones de poder, sus caracter&#xED;sticas, su vigencia, es necesario ver c&#xF3;mo act&#xFA;an de manera concreta sobre el cuerpo y las mentes de las personas. Para ello, es necesario entrar en ese ejercicio cotidiano del poder donde quiera que se lo pretenda analizar. En otras palabras, para entender lo concentracionario hay que acercarse a la vida cotidiana del campo de concentraci&#xF3;n; para entender lo comunitario, hay que adentrarse en la vida cotidiana de las comunidades. Lo mismo sucede con la violencia. Es necesario salir de la idea gen&#xE9;rica de violencia para precisarla, ponerle nombres y apellidos. Violencia estatal, violencia policial, violencia mafiosa, violencia revolucionaria, por mencionar algunas; todas ellas son violencias diferentes y se&#xF1;alarlo indica una primera cosa: de d&#xF3;nde provienen. Igualmente importante es especificar hacia d&#xF3;nde se dirigen, sobre qui&#xE9;nes recaen: contra delincuentes (&#xBF;cu&#xE1;les?), contra guerrilleros, contra disidentes (&#xBF;todos, de igual manera, o sobre qui&#xE9;nes recae especialmente?), contra las mujeres (&#xBF;todas o algunas?), contra los ni&#xF1;os (&#xBF;todos o algunos?). Tambi&#xE9;n c&#xF3;mo operan, cu&#xE1;les son sus modos, qu&#xE9; hacen sobre los cuerpos y qu&#xE9; sobre las mentes. Esto es lo que intent&#xE9; trabajar en Poder y desaparici&#xF3;n, qui&#xE9;nes ejercieron las distintas violencias, contra qui&#xE9;nes y c&#xF3;mo lo hicieron, sus modos, para, desde all&#xED;, tratar de identificar qu&#xE9; tipo de poder est&#xE1; detr&#xE1;s de cada una de ellas</italic>.</p>
<p>&#x25A0; Otro tema que aparece un sus trabajos es la cuesti&#xF3;n de la <italic>memoria</italic>. &#xBF;C&#xF3;mo es trabajar la memoria en relaci&#xF3;n con experiencias autoritarias traum&#xE1;ticas, como en el caso de la &#xFA;ltima dictadura argentina y la experiencia del cotidiano en los centros clandestinos de detenci&#xF3;n?</p>
<p>&#x25A1; <italic>La memoria est&#xE1; presente en las v&#xED;ctimas, en los victimarios y en la sociedad. Sin embargo, son memorias distintas. Los victimarios se escudan en un discurso construido institucionalmente pero eso no implica que no guarden memoria de lo que han hecho, aunque sean memorias obturadas de distinta manera. Desde luego que un torturador (como fueron todos los involucrados en la represi&#xF3;n clandestina en Argentina) guarda memoria de ello. Nadie permanece inmune despu&#xE9;s de atormentar a un ser humano o de arrojarlo vivo al mar; eso queda de alguna manera en la memoria y seguramente se tramita de distintas formas, entre ellas la negaci&#xF3;n. Lo mismo sucede con las v&#xED;ctimas; ellas no pueden olvidar el tormento, el miedo, las lastimaduras de su cuerpo. Pero en ambos casos lo vivido no fue una experiencia solitaria sino compartida; por eso se significa colectivamente. A m&#xED; me interesa la memoria de las v&#xED;ctimas, que es una construcci&#xF3;n personal y social, en el sentido de que la experiencia es a la vez individual y compartida, y lo mismo ocurre con las formas de significarla. &#xBF;Por qu&#xE9; me interesa esta memoria en particular? No solo por mi historia personal y familiar sino, sobre todo, por mi posici&#xF3;n pol&#xED;tica de entonces y de ahora, que no se identifica ni valida al Estado que perpetr&#xF3; estos cr&#xED;menes, que impuso un modelo econ&#xF3;mico excluyente, que desapareci&#xF3; a miles de personas. &#xBF;Es una memoria completa? No, es una memoria situada, como todas las memorias, y que ha tenido que construirse a contracorriente del relato oficial que neg&#xF3; los hechos o los justific&#xF3;. La memoria de los perpetradores es la que registr&#xF3; durante a&#xF1;os la historia oficial y la que sigue difundi&#xE9;ndose en los medios de comunicaci&#xF3;n hegem&#xF3;nicos; de manera que no necesita de mi defensa. La otra memoria, la de las v&#xED;ctimas, es la que ha tenido que abrirse paso entre el silencio y la mentira y yo he tratado de contribuir con mi trabajo para esa construcci&#xF3;n</italic>.</p>
<p>&#x25A0; Tambi&#xE9;n se habla de un exceso de investigaciones acerca del tema memoria. &#xBF;Usted est&#xE1; de acuerdo con esta cr&#xED;tica? En otras palabras: &#xBF;Se puede hablar del cotidiano y m&#xE1;s espec&#xED;ficamente del pasado reciente afuera de los an&#xE1;lisis de la memoria?</p>
<p>&#x25A1; <italic>Yo creo que no hay temas obligados. Se puede hablar del cotidiano y del pasado reciente desde muy diferentes &#xE1;ngulos y desde todos los que se quiera. Sin embargo, como sea que lo hagamos, estar&#xE1;n presentes ciertas memorias. No pienso en la memoria como un tema de reflexi&#xF3;n acad&#xE9;mica sino m&#xE1;s bien como una pr&#xE1;ctica social que est&#xE1; presente en las interpretaciones del mundo que manejamos y, por lo tanto, en el trabajo de investigaci&#xF3;n. Yo no hago una discusi&#xF3;n sobre la memoria en mis trabajos; no es lo m&#xED;o. Puedo hacer alguna referencia a ello pero lo que hago principalmente es construir el an&#xE1;lisis de las cuestiones que quiero entender utilizando el testimonio, es decir, las memorias de los actores concretos</italic>.</p>
<p>&#x25A0; Como mencionado, su obra de mayor destaque en Brasil es <italic>Poder y Desaparici&#xF3;n</italic>. &#xBF;Nos podr&#xED;a comentar un poco m&#xE1;s de sus otros proyectos?</p>
<p>&#x25A1; <italic>Bueno, en realidad Poder y desaparici&#xF3;n fue solo una parte de un trabajo mayor que se compon&#xED;a de tres apartados: un desarrollo hist&#xF3;rico sobre la autonom&#xED;a creciente del poder militar en Argentina, un an&#xE1;lisis de la conformaci&#xF3;n y desarrollo de las organizaciones guerrilleras en el pa&#xED;s y la configuraci&#xF3;n del sistema concentracionario como corolario de ambas. El an&#xE1;lisis de las guerrillas se public&#xF3; posteriormente bajo el t&#xED;tulo Pol&#xED;tica y/o violencia pero la obra completa nunca vio la luz. A fines de los noventa realic&#xE9; un proyecto sobre las formas de la resistencia, mismo que situ&#xE9; en el espacio familiar. De all&#xED; salieron dos libros Familia y poder y Relaciones familiares de sumisi&#xF3;n y resistencia. M&#xE1;s recientemente trabaj&#xE9; sobre los escenarios de la guerra antiterrorista y la lucha contra el crimen organizado como dispositivos de control en la fase global del capitalismo. Esa investigaci&#xF3;n se public&#xF3; en 2012 bajo el nombre Violencias de Estado, y recibi&#xF3; el Premio Nacional de Ensayo Pol&#xED;tico. Ahora estoy trabajando sobre las resistencias locales en el orden global, en especial las comunitarias</italic>.</p>
<p>&#x25A0; A diferencia de Argentina y de otros pa&#xED;ses del Cono Sur, en Brasil no hemos llevado a juicio los responsables, o por lo menos parte de ellos, por los cr&#xED;menes de la &#xFA;ltima dictadura. La Amnist&#xED;a de 1979, hecha a&#xFA;n por la dictadura, sigue vigente y para muchos legisladores significa un pacto social que no se debe cuestionar, aunque organizaciones de derechos humanos e investigadores se manifiestan por su revisi&#xF3;n. A partir de su experiencia, &#xBF;qu&#xE9; le parece el caso brasile&#xF1;o?</p>
<p>&#x25A1; <italic>No me gusta opinar sobre circunstancias nacionales que no conozco a profundidad. Sin embargo yo dir&#xED;a que, en t&#xE9;rminos generales, el hecho de no juzgar a los responsables de delitos de lesa humanidad funciona en la pr&#xE1;ctica como una autorizaci&#xF3;n para su continuidad. Creo que siempre se maneja el hecho de que romper con los pactos o acuerdos firmados por los propios perpetradores podr&#xED;a acarrear la desestabilizaci&#xF3;n de las democracias pero habr&#xED;a que preguntarse exactamente lo opuesto: &#xBF;no es la impunidad un factor de mucho mayor riesgo para la desestabilizaci&#xF3;n democr&#xE1;tica? &#xBF;No permite que se mantengan intocados justamente aquellos sectores que tienen mayor tendencia a desestabilizar y pervertir las democracias? Algunas de las experiencias latinoamericanas m&#xE1;s cercanas as&#xED; lo sugieren</italic>.</p>
<p>&#x25A0; A&#xFA;n acerca de los juicios, &#xBF;cu&#xE1;l es la importancia de los mismos para la sociedad y su relaci&#xF3;n entre el presente y los traumas del pasado reciente?</p>
<p>&#x25A1; <italic>Los juicios han sido fundamentales en el caso argentino. Han permitido establecer una &#x201C;verdad&#x201D; hist&#xF3;rica, sustentada jur&#xED;dicamente, que reconoce la existencia de un plan sistem&#xE1;tico de exterminio organizado y ejecutado desde el Estado, de car&#xE1;cter ileg&#xED;timo e ilegal. Han permitido demostrar y mostrar la existencia del mismo, el funcionamiento de cientos de centros clandestinos de detenci&#xF3;n administrados por las fuerzas de seguridad y la identidad de los responsables directos e indirectos de tales cr&#xED;menes. La condena de los involucrados implica, antes que nada, una sanci&#xF3;n social; es se&#xF1;al de una sociedad que pone l&#xED;mites al Estado indicando con toda claridad que este tipo de pr&#xE1;cticas son inadmisibles. Por otra parte, la sanci&#xF3;n penal de los responsables nada tiene que ver con un acto de venganza sino justamente con la aplicaci&#xF3;n de la ley, que es lo que las sociedades esgrimen para impedir la venganza como acto de retribuci&#xF3;n personal. Asimismo, ha representado una reparaci&#xF3;n para las v&#xED;ctimas en tanto existe un reconocimiento de su condici&#xF3;n de tales y las provee de una reivindicaci&#xF3;n social negada por d&#xE9;cadas. Ser o tener un desaparecido deja de ser indicio de que &#x201C;en algo (malo) habr&#xE1; andado&#x201D; para pasar a ser alguien que ha sufrido un da&#xF1;o inadmisible y merece una reparaci&#xF3;n p&#xFA;blica por ello</italic>.</p>
<p>&#x25A0; Hoy vivimos un momento de importantes avances conservadores en el mundo. En Argentina y en Estados Unidos las &#xFA;ltimas elecciones llevaron al poder dos l&#xED;deres que hace pocas d&#xE9;cadas &#x2013;incluso meses en el caso de EEUU&#x2013;, no eran considerados en el escenario pol&#xED;tico. En Brasil, la presidente electa democr&#xE1;ticamente ha sido depuesta por un golpe a&#xFA;n en curso, que no sabemos bien a que se direcciona. &#xBF;C&#xF3;mo usted interpreta este actual contexto mundial, especialmente en Am&#xE9;rica Latina?</p>
<p>&#x25A1; <italic>Desde fines de los ochenta vivimos una reorGAnizaci&#xF3;n hegem&#xF3;nica global que llevar&#xE1; muchas d&#xE9;cadas. Aparentemente en este momento, con el ascenso de Donald Trump en Estados Unidos, estamos frente a un nuevo giro que todav&#xED;a no podemos identificar. Habr&#xE1; que esperar un poco para hacer los diagn&#xF3;sticos y entender los reacomodos que se anuncian. Pero en realidad, el triunfo de las derechas en Am&#xE9;rica Latina y el mundo me parece que es parte del mismo proceso neoliberal previo, que se ha venido agudizando, y cuya intolerancia le impide convivir aun con las experiencias democr&#xE1;ticas m&#xE1;s tibias. Ni hablar de aquellas que avanzaron de manera m&#xE1;s decidida. Por otra parte, es importante analizar no solo el avance de las derechas y la instrumentaci&#xF3;n de los monopolios medi&#xE1;ticos como su brazo ideol&#xF3;gico, sino tambi&#xE9;n las restricciones de los propios procesos populares ocurridos en Am&#xE9;rica del Sur. Si no se observa esto y las nuevas formas de la pol&#xED;tica que reclaman nuestras sociedad es poco lo que podremos avanzar</italic>.</p>
<p>&#x25A0; Por fin, &#xBF;cu&#xE1;les los impactos de nuestras redemocratizaciones en el escenario actual, en que muchos incluso reivindican las &#xFA;ltimas dictaduras y reg&#xED;menes autoritarios?</p>
<p>&#x25A1; <italic>Nuestras sociedades son sociedades autoritarias; no solo nuestros gobiernos. Sin embargo, tambi&#xE9;n son sociedades resistentes que han aprendido a luchar por sus derechos y a defenderlos. Creo que ambas cosas est&#xE1;n en juego en este momento. Tenemos memorias del miedo y la represi&#xF3;n pero tambi&#xE9;n tenemos memoria de la desobediencia, la revuelta y el triunfo. Estas memorias, estos aprendizajes est&#xE1;n en tensi&#xF3;n. Los poderes constituidos nos recuerdan solo nuestra peor parte porque ello es funcional para sus pol&#xED;ticas de miedo y sumisi&#xF3;n. Pero los pueblos saben, saben que han podido y saben que, de alguna manera, volver&#xE1;n a poder</italic>.</p>
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<label>1</label>
<p><ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://cemdp.sdh.gov.br/modules/desaparecidos/acervo/ficha/cid/229">http://cemdp.sdh.gov.br/modules/desaparecidos/acervo/ficha/cid/229</ext-link>, consultada em: 20 mar. 2017. dados biogr&#xE1;f&#xEC;cos biographic data</p></fn>
<fn id="fn2" fn-type="other">
<label>2</label>
<p>Testemunho de Pilar Calveiro em 03/04/2014 na Magacausa ESMA, dispon&#xED;vel em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.espaciomemoria.ar/megacausaiuicio.php?ju_ID=164&#x26;cabezal=megacausa&#x26;barra=megacausa&#x26;titulo=megacausa">http://www.espaciomemoria.ar/megacausaiuicio.php?ju_ID=164&#x26;cabezal=megacausa&#x26;barra=megacausa&#x26;titulo=megacausa</ext-link>, consultada em: 25 mar. 2017. Em outubro de 2007, iniciou-se na Argentina o julgamento que ficou conhecido como Megacausa ESMA: 12 investiga&#xE7;&#xF5;es diferentes, que divididas em 4 partes envolvem mais de 60 acusados pelos casos de 879 v&#xED;timas naquele que foi o maior centro clandestino de repress&#xE3;o na &#xFA;ltima ditadura civil-militar argentina (1976-1983), a Escola Mec&#xE2;nica da Armada, ESMA. Pilar Calveiro foi testemunha no segundo julgamento e est&#xE1; entre as v&#xED;timas do terceiro.</p></fn>
<fn id="fn3" fn-type="other">
<label>3</label>
<p>Na continua&#xE7;&#xE3;o, Sarlo afirma que: &#x201C;O testemunho possibilitou a condena&#xE7;&#xE3;o do terrorismo de estado; a ideia do &#x201C;nunca mais&#x201D; se sustenta no fato de que sabemos a que nos referimos quando desejamos que isso n&#xE3;o se repita. Como instrumento jur&#xED;dico e como modo de reconstru&#xE7;&#xE3;o do passado, ali onde outras fontes foram destru&#xED;das pelos respons&#xE1;veis, os atos de mem&#xF3;ria foram uma pe&#xE7;a central da transi&#xE7;&#xE3;o democr&#xE1;tica, apoiados &#xE0;s vezes pelo Estado e, de forma permanente, pelas organiza&#xE7;&#xF5;es da sociedade. Nenhuma condena&#xE7;&#xE3;o teria sido poss&#xED;vel se esses atos de mem&#xF3;ria, manifestados nos relatos de testemunhas e v&#xED;timas, n&#xE3;o tivessem existido.&#x201D;</p></fn>
<fn id="fn4" fn-type="other">
<label>4</label>
<p>Grifos no original.</p></fn>
<fn id="fn5" fn-type="other">
<label>5</label>
<p><ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.pagina12.com.ar/diario/suplementos/radar/9-2543-2005-10-05.html">https://www.pagina12.com.ar/diario/suplementos/radar/9-2543-2005-10-05.html</ext-link>, consultada em: 20 mar. 2017.</p></fn>
<fn id="fn6" fn-type="other">
<label>6</label>
<p>&#x201C;Em 2001, o juiz federal Gabriel Cavallo declarou as leis de Ponto Final e de Obedi&#xEA;ncia Devida inconstitucionais e inv&#xE1;lidas em um caso particular. A senten&#xE7;a &#xE9; confirmada pela Corte Suprema em 2005, o que significou a reabertura de centenas de processos. Em 2006, foram considerados inconstitucionais os indultos de Menem&#x201D;. <xref ref-type="bibr" rid="B5">MAGALH&#xC3;ES, 2011</xref>, p. 193.</p></fn>
<fn id="fn7" fn-type="other">
<label>7</label>
<p><ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.lanacion.com.ar/1506317-pilar-calveiro-la-vision-heroica-de-los-anos-70-es-contraproducente-porque-obtura-la-discusi">http://www.lanacion.com.ar/1506317-pilar-calveiro-la-vision-heroica-de-los-anos-70-es-contraproducente-porque-obtura-la-discusi</ext-link>, consultada em: 01 abr. 2017.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn8">
	<label>8</label>
	<p>&#x2022; Professora Adjunta de Hist&#xF3;ria do Brasil Republicano do Departamento e do Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Hist&#xF3;ria da Universidade Federal Fluminense (UFF). Doutora em Hist&#xF3;ria pela mesma institui&#xE7;&#xE3;o e Mestra em Estudos Latino-Americanos pela Universidad Nacional de San Mart&#xED;n (UNSAM, Argentina). Possui P&#xF3;s-Doutorado em Hist&#xF3;ria pela Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES, CAPES, 2014-2016). &#xC9; autora de <italic>Com a ta&#xE7;a nas m&#xE3;os</italic>. sociedade, Copa do Mundo e ditadura no Brasil e na Argentina (Lamparina, 2014) e <italic>Hist&#xF3;rias do Futebol</italic> (APESP, 2010).</p>
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<title>Refer&#xEA;ncias</title>
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	<mixed-citation>CALVEIRO, Pilar. Poder y Desaparición: los campos de concentración en Argentina. Buenos Aires: Colihue, 1998.</mixed-citation>
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<name><surname>CALVEIRO</surname> <given-names>Pilar</given-names></name></person-group>
<source xml:lang="es"><italic>Poder y Desaparici&#xF3;n</italic>: los campos de concentraci&#xF3;n en Argentina</source>
<publisher-loc>Buenos Aires</publisher-loc>
<publisher-name>Colihue</publisher-name>
<year>1998</year></element-citation></ref>
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	<mixed-citation>______. Poder e desaparecimento: os campos de concentração na Argentina. Tradução de Fernando Correra Prado. São Paulo: Boitempo, 2013.</mixed-citation>
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<name><surname>CALVEIRO</surname> <given-names>Pilar</given-names></name></person-group>
<source xml:lang="es">Poder e desaparecimento: os campos de concentra&#xE7;&#xE3;o na Argentina</source>
<comment>Tradu&#xE7;&#xE3;o de Fernando Correra Prado</comment>
<publisher-loc>S&#xE3;o Paulo</publisher-loc>
<publisher-name>Boitempo</publisher-name>
<year>2013</year></element-citation></ref>
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	<mixed-citation>______. Política y/o Violencia: una aproximación a la guerrilla de los años setenta. Buenos Aires: Siglo Veintiuno Editores, 2013 (1ª ed. Buenos Aires: Editorial Norma, 2005).</mixed-citation>
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<name><surname>CALVEIRO</surname> <given-names>Pilar</given-names></name></person-group>
<source xml:lang="es"><italic>Pol&#xED;tica y/o Violencia</italic>: una aproximaci&#xF3;n a la guerrilla de los a&#xF1;os setenta</source>
<publisher-loc>Buenos Aires</publisher-loc>
<publisher-name>Siglo Veintiuno Editores</publisher-name>
<year>2013</year>
<edition>1&#xAA; ed.</edition>
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<publisher-name>Editorial Norma</publisher-name>
<comment>2005</comment></element-citation></ref>
<ref id="B4">
	<mixed-citation>JELIN, Elizabeth, La justicia después del juicio: legados y desafíos en la Argentina postdictatorial. In: FICO, Carlos et al. Ditadura e Democracia na América Latina. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2008. p. 341-360.</mixed-citation>
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<name><surname>JELIN</surname> <given-names>Elizabeth</given-names></name></person-group>
<chapter-title xml:lang="es">La justicia despu&#xE9;s del juicio: legados y desaf&#xED;os en la Argentina postdictatorial</chapter-title>
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<name><surname>FICO</surname> <given-names>Carlos</given-names></name>
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<source xml:lang="pt">Ditadura e Democracia na Am&#xE9;rica Latina</source>
<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
<publisher-name>FGV Editora</publisher-name>
<year>2008</year>
<fpage>341</fpage>
<lpage>360</lpage></element-citation></ref>
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	<mixed-citation>MAGALHÃES, Lívia G. Instituições de Memória: O Caso do Argentino Memoria Abierta. Revisa Contemporânea, ano 1, n. 1, 2011.</mixed-citation>
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<name><surname>MAGALH&#xC3;ES</surname> <given-names>L&#xED;via G</given-names></name></person-group>
<article-title>Institui&#xE7;&#xF5;es de Mem&#xF3;ria: O Caso do Argentino Memoria Abierta</article-title>
<source xml:lang="pt">Revisa Contempor&#xE2;nea</source>
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<issue>1</issue>
<year>2011</year></element-citation></ref>
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<name><surname>SARLO</surname> <given-names>Beatriz</given-names></name></person-group>
<source xml:lang="pt">Tempo passado. Cultura da mem&#xF3;ria e guinada subjetiva</source>
<comment>Tradu&#xE7;&#xE3;o de Rosa Freire d&#x2019;Aguiar</comment>
<publisher-loc>S&#xE3;o Paulo</publisher-loc>
<publisher-name>Companhia das Letras</publisher-name>
<comment>Belo Horizonte: UFMG</comment>
<year>2007</year></element-citation></ref></ref-list>
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