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<journal-title>Estudos Ibero-Americanos</journal-title>
<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Estud. Ibero-Am. (Online)</abbrev-journal-title></journal-title-group>
<issn pub-type="ppub">0101-4064</issn>
<issn pub-type="epub">1980-864X</issn>
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<publisher-name>Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul</publisher-name></publisher>
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<article-id pub-id-type="publisher-id">00022</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.15448/1980-864X.2017.2.27339</article-id>
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<subject>Entrevista</subject></subj-group></article-categories>
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<article-title>A experi&#xEA;ncia hist&#xF3;rica das gentes &#x2013; uma entrevista sobre o franquismo, com Antonio Cazorla S&#xE1;nchez<xref ref-type="fn" rid="fn1">*</xref></article-title>
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<trans-title>La experiencia historica de las gentes &#x2013; una entrevista sobre el franquismo, con Ant&#xF3;nio Cazorlza S&#xE1;nchez</trans-title></trans-title-group>
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<trans-title>The historical experience of people &#x2013; an interview about Francoist Spain, with Antonio Cazorla S&#xE1;nchez</trans-title></trans-title-group>
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<name><surname>Cordeiro</surname><given-names>Janaina Martins</given-names></name><xref ref-type="aff" rid="aff1">**</xref>
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<institution content-type="original">Professora Adjunta de Hist&#xF3;ria Contempor&#xE2;nea do Departamento e do Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Hist&#xF3;ria da Universidade Federal Fluminense (UFF). Doutora em Hist&#xF3;ria pela Universidade Federal Fluminense (UFF).</institution>
<institution content-type="orgdiv1">Departamento e do Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Hist&#xF3;ria</institution>
<institution content-type="normalized">Universidade Federal Fluminense</institution>
<institution content-type="orgname">Universidade Federal Fluminense</institution>
<country country="BR">Brasil</country>
<email>janainamcordeiro@gmail.com</email>
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<pub-date pub-type="epub-ppub">
<season>May-Aug</season>
<year>2017</year></pub-date>
<volume>43</volume>
<issue>2</issue>
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<license-p>Except where otherwise noted, the material published in this journal is licensed in the form of a Creative Commons Attribution 4.0 International license.</license-p></license></permissions>
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<p>Nac&#xED; en 1963 en Almer&#xED;a, en el barrio medio obrero y medio marginal de La Chanca [&#x2026;] Soy un producto del sistema p&#xFA;blico de educaci&#xF3;n tardo y posfranquista. Mis padres pasaron hambre en la posguerra y algunos de mis familiares fueron represaliados por el r&#xE9;gimen. Uno de ellos fue ejecutado. Sin embargo, cuando Franco muri&#xF3; me sent&#xED; muy triste, a pesar de que no hubo escuela aquella ma&#xF1;ana del 20 de noviembre de 1975. La tristeza de aquel ni&#xF1;o de doce a&#xF1;os era compartida en ese momento por millones de espa&#xF1;oles que cre&#xED;an que el hombre que acabara de fallecer hab&#xED;a sido la mejor soluci&#xF3;n posible para un pa&#xED;s dif&#xED;cil de gobernar (<xref ref-type="bibr" rid="B3">CAZORLA, 2015</xref>, p. 17).</p></disp-quote>
<p>&#xC9; assim que Antonio Cazorla S&#xE1;nchez, catedr&#xE1;tico de Hist&#xF3;ria Contempor&#xE2;nea da Europa na Universidade de Trent (Canad&#xE1;), se apresenta aos leitores de <italic>Franco. Biografia del mito</italic>, livro que publicou em 2013, em l&#xED;ngua inglesa e em 2015, na Espanha. Antes, no entanto, esclarece que n&#xE3;o tem a menor simpatia por Franco, sobre quem se diz convencido de que foi um homem &#x201C;cruel, ego&#xED;sta e um tirano, que fez muito mal a milh&#xF5;es de pessoas&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B3">CAZORLA, 2015</xref>, p. 17). Mais que indicar o lugar de fala do autor, como &#xE9; sua inten&#xE7;&#xE3;o fazer, o trecho nos d&#xE1; importantes elementos para refletirmos sobre a pluralidade dos comportamentos diante de regimes autorit&#xE1;rios e sobre as rela&#xE7;&#xF5;es complexas estabelecidas entre sociedades e <italic>seus</italic> tiranos. Particularmente, nos prop&#xF5;e considerar sobre os processos de <italic>acomoda&#xE7;&#xE3;o a</italic> e o <italic>conv&#xED;vio com</italic> um regime marcado pelo uso sistem&#xE1;tico da viol&#xEA;ncia pol&#xED;tica e social.</p>
<p>Cazorla &#xE9; um dos mais importantes estudiosos do primeiro franquismo na atualidade. Presen&#xE7;a importante e recorrente na bibliografia em l&#xED;ngua espanhola e inglesa sobre a hist&#xF3;ria recente da Espanha, seu trabalho, no entanto, ainda &#xE9; pouco conhecido no Brasil. Al&#xE9;m da biografia de Franco citada anteriormente, &#xE9; autor tamb&#xE9;m de <italic>Miedo y progresso: los espa&#xF1;oles de a pie bajo el franquismo, 1939-1975</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Madri: Alianza, 2016</xref>) e <italic>Las cartas a Franco de los espa&#xF1;oles de a pie</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Barcelona: RBA, 2014</xref>), bem como de outros tantos livros e uma s&#xE9;rie de artigos sobre o tema. Suas reflex&#xF5;es s&#xE3;o de extremo significado para os pesquisadores interessados em compreender as formas a partir das quais podemos tomar como objeto de estudos a vida cotidiana em sociedades que passaram por experi&#xEA;ncias ditatoriais ou autorit&#xE1;rias.</p>
<p>A historiografia espanhola sobre o franquismo, acompanhando um movimento mais amplo da historiografia europeia sobre os regimes autorit&#xE1;rios que o continente experimentou no per&#xED;odo entre os anos de 1920 e 1940<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>1</sup></xref>, vem passando, desde algumas d&#xE9;cadas, por uma expressiva renova&#xE7;&#xE3;o. Assim, se durante muito tempo os estudos sobre a ditadura de Franco dedicaram-se a compreender estes anos (1939-1975) sob o vi&#xE9;s das lutas de classes ou esteve concentrada em discuss&#xF5;es de fundo te&#xF3;rico, como aquelas que buscavam debater o car&#xE1;ter fascista &#x2013; ou n&#xE3;o &#x2013; do regime, mais recentemente as pesquisas voltam-se para outros tipos de questionamentos. Nesse sentido, ganham o centro do debate as perspectivas de uma Hist&#xF3;ria social &#x201C;vista de baixo&#x201D;, interessada nas atitudes sociais das &#x201C;pessoas comuns&#x201D; e nas rela&#xE7;&#xF5;es por elas estabelecidas com o regime ditatorial e com processos de viol&#xEA;ncia pol&#xED;tica. Buscando ultrapassar o bin&#xF4;mio <italic>resist&#xEA;ncia/colabora&#xE7;&#xE3;o</italic>, as propostas tratam de delimitar aspectos como as opini&#xF5;es, as percep&#xE7;&#xF5;es e motiva&#xE7;&#xF5;es que informaram a vida social ao longo de mais de tr&#xEA;s d&#xE9;cadas de ditadura (<xref ref-type="bibr" rid="B1">BURGOS, 2014</xref>). Enfatizam, de modo especial, aspectos culturais da sociedade espanhola, suas tradi&#xE7;&#xF5;es e experi&#xEA;ncias hist&#xF3;ricas espec&#xED;ficas, verificando como tais aspectos ajudaram a moldar as atitudes sociais ao longo da ditadura.</p>
<p>No Brasil, apenas muito recentemente as discuss&#xF5;es em torno dos comportamentos sociais sob a ditadura civil-militar p&#xF3;s-1964 v&#xEA;m ocupando lugar expressivo no debate acad&#xEA;mico. Tribut&#xE1;rias, em certa medida, do processo de renova&#xE7;&#xE3;o que marcou a historiografia sobre a ditadura do Estado Novo (1937-1945) a partir das d&#xE9;cadas de 1980 e 1990, tamb&#xE9;m aqui o interesse pela compreens&#xE3;o da ditadura como produto social ou os processos de acomoda&#xE7;&#xE3;o e conv&#xED;vio com a viol&#xEA;ncia instaurada pelo regime v&#xEA;m se tornando objeto de interesse dos pesquisadores<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>2</sup></xref>. S&#xE3;o ainda escassos, no entanto, os estudos que adotam uma perspectiva da Hist&#xF3;ria do Cotidiano e que buscam tomar como objeto a vida comum e as demandas por normaliza&#xE7;&#xE3;o no quadro de um dia-a-dia marcado pela viol&#xEA;ncia, pela ditadura e, como nos explica Cazorla para o caso da Espanha, tamb&#xE9;m pela fome, pela mis&#xE9;ria e pelo tr&#xE1;gico legado da Guerra Civil.</p>
<p>Este &#xE9; um dos aspectos pelo qual nos interessa olhar com aten&#xE7;&#xE3;o para a obra de Cazorla. Para al&#xE9;m, evidentemente, da import&#xE2;ncia central dos acontecimentos que tiveram lugar na Espanha a partir da Guerra Civil (1936-1939) para a compreens&#xE3;o do s&#xE9;culo XX, suas an&#xE1;lises sobre a ditadura de Franco nos coloca diante de quest&#xF5;es de suma import&#xE2;ncia, do ponto de vista te&#xF3;rico e metodol&#xF3;gico para pensarmos as atitudes sociais sob regimes autorit&#xE1;rios.</p>
<p>Nesta entrevista, realizada por e-mail, conversei com o professor sobre o processo de renova&#xE7;&#xE3;o da historiografia sobre o franquismo, sobre as pol&#xED;ticas de mem&#xF3;ria &#x2013; seus avan&#xE7;os e seus limites &#x2013; e o processo de transi&#xE7;&#xE3;o democr&#xE1;tica na Espanha, bem como sobre projetos futuros. Cazorla nos conta rapidamente, por exemplo, sobre o projeto de criar um museu on-line da Guerra Civil. Para ele, tal iniciativa promoveria a conex&#xE3;o entre as &#x201C;diferentes ilhas de Hist&#xF3;ria P&#xFA;blica, agora dispersas, que existem na Espanha e no mundo, sobre a Guerra Civil e o franquismo&#x201D;.</p>
<p>Era especialmente caro para mim conversar com o historiador sobre seu interesse por uma Hist&#xF3;ria Social da ditadura de Franco, as possibilidades de escrever a hist&#xF3;ria &#x201C;de la gente sin historia&#x201D;, como ele pr&#xF3;prio diz e, neste sentido, colocar o debate sobre algumas quest&#xF5;es de fundo te&#xF3;rico e metodol&#xF3;gico. Por exemplo, quem s&#xE3;o os <italic>espa&#xF1;oles de a pie</italic> cuja hist&#xF3;ria Cazorla prop&#xF5;e contar? Quais problemas &#x2013; metodol&#xF3;gicos &#x2013; express&#xF5;es como <italic>homens comuns</italic> colocam ao historiador? A quem o autor se refere quando as utiliza? Como definir quem ou o qu&#xEA; &#xE9; <italic>comum?</italic> Qual a validade de seu uso?</p>
<p>Dessa forma, embora a entrevista proponha uma vis&#xE3;o panor&#xE2;mica em torno das quest&#xF5;es acima referidas, ela se concentra principalmente em dois de seus livros, os mais recentemente publicados na Espanha: <italic>Miedo y Progreso: los espa&#xF1;oles de a pie bajo el franquismo, 1939-1975</italic> e <italic>Franco: biografia del mito</italic>.</p>
<p>Ambos constituem interessant&#xED;ssimos esfor&#xE7;os de pesquisa no sentido de trazer &#xE0; tona as formas a partir das quais a sociedade espanhola relacionou-se com a ditadura e seu ditador em um contexto extremamente dif&#xED;cil, que envolvia as priva&#xE7;&#xF5;es, mis&#xE9;rias e dilaceramentos &#x2013; pol&#xED;ticos, sociais, familiares, afetivos &#x2013; que o processo da Guerra Civil e os primeiros anos da ditadura colocavam. Os livros tratam, portanto e de maneira geral, de tentar captar as formas a partir das quais a Espanha vivenciou, de modo plural, uma longa ditadura, tentando deixar para tr&#xE1;s traumas profundos, acomodando-se, no entanto, ao sentimento cotidiano de medo e ao fato de que Franco era a op&#xE7;&#xE3;o poss&#xED;vel e vi&#xE1;vel para um pa&#xED;s de tradi&#xE7;&#xF5;es muito espec&#xED;ficas, cuja identidade com a Europa parecia cada vez mais distante.</p>
<p>Em <italic>Miedo y progreso</italic>, por exemplo, Cazorla nos prop&#xF5;e refletir sobre as formas a partir das quais se constr&#xF3;i, cotidianamente, as rela&#xE7;&#xF5;es sociais com o medo e com a viol&#xEA;ncia ditatoriais. Al&#xE9;m disso, considerando a especificidade do caso espanhol, o historiador elabora instigante estudo sobre como cidad&#xE3;os tiveram que acomodar suas ideias, vocabul&#xE1;rio, expectativas para o futuro e antigas lealdades &#xE0;s circunst&#xE2;ncias da ditadura. O que se esbo&#xE7;a, a partir da pesquisa empreendida pelo autor &#x2013; fartamente documentada em fontes de tipos diversos &#x2013; &#xE9; um extraordin&#xE1;rio trabalho de Hist&#xF3;ria Social, dedicado a tentar compreender a experi&#xEA;ncia de espanh&#xF3;is comuns que viveram entre 1939 e 1975.</p>
<p>Acompanhando a tend&#xEA;ncia mais geral e atualmente em voga de pensar o franquismo a partir das idiossincrasias do processo hist&#xF3;rico e da cultura espanhola, ao inv&#xE9;s de reduzi-lo a &#x201C;uma forma de fascismo&#x201D;, Cazorla, n&#xE3;o obstante, n&#xE3;o isola o pa&#xED;s do contexto europeu. N&#xE3;o seria mesmo poss&#xED;vel faz&#xEA;-lo e nem o caso. Assim, na medida em que o historiador nos apresenta a articula&#xE7;&#xE3;o entre as ideias de <italic>medo</italic> e <italic>progresso</italic> como um dos aspectos fundamentais de seu estudo, prop&#xF5;e uma an&#xE1;lise sobre o franquismo no contexto mais amplo do p&#xF3;s-guerra europeu: como e de que lugar os espanh&#xF3;is viram &#x2013; se &#xE9; que viram &#x2013; os Trinta Gloriosos da Europa Ocidental? Como viviam os espanh&#xF3;is em um contexto em que, no ocidente da Europa, se constitu&#xED;a o que ficou conhecido como o pacto entre capital, trabalho e Estado? Um pacto, diga-se de passagem, constitu&#xED;do fortemente em torno das ideias de <italic>democracia</italic> e <italic>progresso</italic>. Nesse sentido, que pactos foram poss&#xED;veis, sob a ditadura para a constru&#xE7;&#xE3;o do progresso naquele pa&#xED;s? Ou antes, que tipo de progresso era poss&#xED;vel sob uma ditadura?</p>
<p>Sob este aspecto, o autor contesta a tese de que o franquismo teria sido fundamental no processo de transi&#xE7;&#xE3;o e transforma&#xE7;&#xE3;o da Espanha em uma na&#xE7;&#xE3;o moderna. Chama aten&#xE7;&#xE3;o, antes, para as fomes e mis&#xE9;ria em que a sociedade viveu durante as d&#xE9;cadas de 1940 e 1950 e apresenta os custos e os limites do &#x201C;milagre econ&#xF4;mico&#x201D; dos anos 1960. Demonstra que a vida comum na Espanha de Franco constituiu-se &#xE0; partir da necessidade de se adaptar a tais circunst&#xE2;ncias, malgrado o discurso oficial, que falava do pa&#xED;s como uma ilha de paz e progresso, em meio a uma Europa recentemente sa&#xED;da da guerra e devastada pelo conflito.</p>
<p>Sobre a biografia de Franco, em um primeiro momento, podemos nos perguntar por que a trajet&#xF3;ria de vida do <italic>Caudillo</italic> interessaria a um historiador dedicado aos estudos sobre a experi&#xEA;ncia hist&#xF3;rica do homem comum. N&#xE3;o obstante, &#xE9; preciso atentar para o fato de que n&#xE3;o se trata de uma biografia tradicional. Sobre isso, Cazorla explica: &#x201C;Hay excelentes biograf&#xED;as de Franco, lo que no hay, o mejor hab&#xED;a, es una explicaci&#xF3;n de qui&#xE9;n fue Franco para los espa&#xF1;oles&#x201D;. Assim, n&#xE3;o &#xE9; a vida de Francisco Franco Bahamonde (1892-1975) que interessa ao historiador, mas sim, a biografia do <italic>mito</italic>, que come&#xE7;ou a forjar-se ainda no processo da Guerra Civil, mas que sobreviveu &#xE0; sua morte, transcendendo-o e transmutando-se em aguerridas batalhas de mem&#xF3;ria, que subsistem ainda.</p>
<p>Portanto, &#xE9; a esta miss&#xE3;o &#x2013; a de contar como a sociedade espanhola se relacionou com a imagem de Franco e tamb&#xE9;m como esta se transformou ao longo dos anos &#x2013; a que se dedica o historiador em <italic>Franco. Biograf&#xED;a del mito</italic>. Assim, ao longo do livro, Cazorla vai nos mostrando como se forjou no imagin&#xE1;rio coletivo espanhol as representa&#xE7;&#xF5;es em torno de Francisco Franco, um general que, nos primeiros dias da Guerra Civil, n&#xE3;o era considerado pela imprensa como uma lideran&#xE7;a importante. Nesse sentido, Cazorla est&#xE1; preocupado em demonstrar as formas a partir das quais o general transformou-se em <italic>General&#xED;ssimo</italic>. Aponta tamb&#xE9;m para o fato de que a imagem do ditador foi modificada de acordo com as demandas sociais e com as diferentes conjunturas que a ditadura atravessou. O <italic>mito</italic> constru&#xED;do e reconstru&#xED;do, moldando aquela sociedade, mas tamb&#xE9;m sendo moldado por ela.</p>
<p>Enfim, a seguir o leitor encontrar&#xE1; elementos interessantes para refletir sobre o of&#xED;cio do historiador, mas tamb&#xE9;m a respeito de quest&#xF5;es espec&#xED;ficas que as pesquisas sobre o cotidiano em regimes autorit&#xE1;rios podem suscitar.</p>
<p>***</p>
<p>&#x25A0; En Brasil y en Sudam&#xE9;rica, la historiografia acerca de las &#xFA;ltimas dictaduras hace muy poco tiempo se ha direccionado para la problem&#xE1;tica de los sostienes u de los comportamientos sociales bajo dichos reg&#xED;menes. En contrapartida, en Espa&#xF1;a este proceso, aunque reciente si comparado a las historiograf&#xED;as alemana e italiana, ocupa hace algunas d&#xE9;cadas determinados segmentos de la historiograf&#xED;a. Algunos de sus trabajos han sido muy importantes en dicho proceso. &#xBF;Usted podr&#xED;a hablar un poco m&#xE1;s acerca de las formas a partir de las cuales la historiografia espa&#xF1;ola ha pasado a enfrentar las cuestiones de los sostienes y de los comportamientos bajo el franquismo?</p>
<p>&#x25A1; <italic>Hasta hace aproximadamente unos veinte a&#xF1;os, la visi&#xF3;n que se ten&#xED;a en Espa&#xF1;a de las actitudes sociales bajo el dictadura de Franco ten&#xED;a dos problemas de rigidez te&#xF3;rica graves: 1) En parte por influencia de las te&#xF3;ricas del totalitarismo y la obsesi&#xF3;n por discernir si el franquismo era fascismo o no, la historiograf&#xED;a espa&#xF1;ola estaba dominada por la creencia de que solo la represi&#xF3;n, la propaganda y la incultura de la gente explicaban el aparente silencio de las masa bajo la dictadura. El estudio de las instituciones franquistas, los partidos y sindicatos clandestinos, y las ideas dominaban el inter&#xE9;s de los historiadores. En suma, la Historia Pol&#xED;tica y la Intelectual proporcionaban el marco y los l&#xED;mites de los an&#xE1;lisis. 2) El segundo problema, en parte derivado de los trabajos desarrollados en Italia por, entre otros Renzo de Felice y sus cr&#xED;ticos, era que el marco te&#xF3;rico se mov&#xED;a entre dos polos opuestos (resistencia y consenso) sin tener mucho que decir sobre lo que pudiese haber en medio. Este panorama cambi&#xF3; bastante s&#xFA;bitamente alrededor del a&#xF1;o 2000. Por entonces los historiadores pusimos m&#xE1;s &#xE9;nfasis en 1) el papel de los valores socioculturales (catolicismo, por ejemplo) y las experiencias hist&#xF3;ricas de la gente (rechazo de la violencia y miedo a que estallase otra vez una guerra civil); y 2) comenzamos a explorar las &#x201C;zonas grises&#x201D; de la actitudes sociales y pol&#xED;ticas mientras que, al mismo tiempo, empezamos a rechazar la palabra &#x201C;consenso&#x201D; aplicado a dictaduras: consenso implica acuerdo sobre algo, y no hay acuerdo libre sin libertad. A estos dos cambios se uni&#xF3; el deseo de entender por qu&#xE9; la gente, incluso los pobres y las v&#xED;ctimas de la dictadura, se ajustaron y hasta aceptaron muchos de los valores de esta, lo que era evidente en historias orales y en los escasos estudios sociol&#xF3;gicos hechos durante la dictadura. Digamos, en suma, que los historiadores nos volvimos m&#xE1;s esc&#xE9;pticos con los mitos de nuestro propio antifascismo, menos militantes pol&#xED;ticos, y abrimos los ojos a la complejidad, a veces contradictora, de las historias de la gente</italic>.</p>
<p>&#x25A0; Otra problem&#xE1;tica abordada en sus trabajos &#x2013; y acerca la cual solamente empezamos a trabajar en Brasil &#x2013; es la relativa a la vida de los &#x201C;espa&#xF1;oles de a pie&#x201D; &#x2013; &#x201C;ordinary lives&#x201D;, en el original en ingl&#xE9;s &#x2013; bajo la dictadura de Franco. Desde el punto de vista te&#xF3;rico e historiogr&#xE1;fico, &#xBF;no hay complicaciones en definir que son los &#x201C;hombres y mujeres de a pie&#x201D; o estas &#x201C;vidas comunes&#x201D;?</p>
<p>&#x25A1; <italic>Es una pregunta con muchas ramificaciones. En primer lugar, creo que los historiadores de las dictaduras debemos estamos acomplejados antes las categorizaciones sociales y culturales provenientes de otras disciplinas. Olvidarnos un poco que la Ciencia Pol&#xED;tica es menos ciencia de lo que pretende, y lo mismo vale para la Sociolog&#xED;a, pues metida entre muchas categor&#xED;as, que se presenta como as&#xE9;pticas, lo que tenemos son valores y construcciones culturales nada objetivos. En el caso de Espa&#xF1;a, se ha prestado demasiada atenci&#xF3;n al papel de la clases sociales (sean lo que sean estas, y c&#xF3;mo las separamos) y a la dicotom&#xED;a de si el franquismo era fascista o no, y no tanta, por lo menos hasta hace poco, a c&#xF3;mo la gente experimentaba y pensaba las diariamente a la dictadura, eso que llamamos ahora Nueva Historia Cultural o Historia de la Sociedad. Yo creo que a la mayor&#xED;a de la gente le daba entonces y le da ahora igual c&#xF3;mo los definimos en t&#xE9;rminos anal&#xED;ticos socio-pol&#xED;ticos o si el franquismo era fascista o no, lo importante es cu&#xE1;l era su relaci&#xF3;n diaria con el r&#xE9;gimen, que le daba o le quitaba este, en suma, c&#xF3;mo era su vida y c&#xF3;mo se ve&#xED;an a s&#xED; mismos. A los historiadores, como animales pol&#xED;ticos, nos gusta creer que la gente tiene nuestros mismos intereses y formas de an&#xE1;lisis. No es cierto, de la misma manera que los historiadores no ven lo mismo al observar una calle que, por ejemplo, los psic&#xF3;logos</italic>.</p>
<p><italic>Como digo en al introducci&#xF3;n de &#x201C;Miedo y Progreso&#x201D;, la &#x201C;gente com&#xFA;n&#x201D; y las &#x201C;vidas comunes&#x201D; son las propias de la gente de la que no reconocemos su nombre, ni siquiera los especialistas. Este uso vago, poco preciso, de los t&#xE9;rminos parte de mi convicci&#xF3;n de que todas nuestras categorizaciones sociales son ambiguas, sin corte claro: &#xBF;qu&#xE9; es ser pobre, culto, burgu&#xE9;s, religioso, etc? Y esta ambig&#xFC;edad est&#xE1; detr&#xE1;s de los an&#xE1;lisis de los grandes te&#xF3;ricos. Por ejemplo, llevamos m&#xE1;s de un siglo hablando de proletarios y no sabemos exactamente qu&#xE9; son, salvo que Marx los necesitaba de una determinada manera y con un determinado comportamiento ideal para redimir a la Historia. Tenemos muchos ejemplos de c&#xF3;mo las categor&#xED;as sociales son flexibles, pol&#xED;ticas, y a menudo son meros productos de la necesidad m&#xE1;s coyuntural. Otra cosa es que sus consecuencias sean muy reales. Por ejemplo, los bolcheviques se inventaron el contenido de la palabra Kulak (campesino rico) cuando quer&#xED;an socializar a la fuerza al campesinado sovi&#xE9;tico, y justificar la liquidaci&#xF3;n econ&#xF3;mica y f&#xED;sica de los campesinos que se opon&#xED;an a sus planes. Muchos kulaks se enteraron de que lo eran el d&#xED;a en que un comisario pol&#xED;tico les se&#xF1;al&#xF3; con el dedo que iba a ser deportados. &#xA1;D&#xED;game qu&#xE9; diferencia un kulak o un proletario de una &#x201C;persona com&#xFA;n&#x201D; aparte de su uso pol&#xED;tico? Al menos yo &#x201C;s&#xE9;&#x201D; que la &#x201C;gente ordinaria&#x201D; solo va a aparecer en los peri&#xF3;dicos, para su desgracia, en la secci&#xF3;n de sucesos, o que ser&#xE1;n los equivalentes de un kulak o un comisario sovi&#xE9;ticos, pero ciertamente esa gente no ser&#xE1; Stalin, ni Franco, ni sus ministros. &#xBF;Es esto preciso? No, pero a&#xFA;n no encontrado el laboratorio donde meter para analizar los t&#xE9;rminos y categor&#xED;as sociales en una m&#xE1;quina y que me diga si son 100% puros y c&#xF3;mo usarlos de acuerdo a las instrucciones. Sospecho que no va a existir, y si &#x201C;existe &#x201D; es mentira. En suma, las &#x201C;vidas comunes&#x201D; no es tanto una categor&#xED;a como el producto del deseo de dejar hablar a los que casi nunca han interesado al poder (y a los historiadores). Y esta intenci&#xF3;n, &#xBF;no es m&#xE1;s valida, en lo moral y hasta m&#xE1;s productiva en lo narrativo que toda la esterilidad te&#xF3;rica de las categor&#xED;as anal&#xED;ticas que ser&#xE1;n elegantes y en apariencia precisas pero tienen poco que ver con lo que la gente vive y piensa cada d&#xED;a?</italic></p>
<p>&#x25A0; &#xBF;Cu&#xE1;les las fuentes para la historia de &#x201C;hombres y mujeres de a pie&#x201D; bajo dictaduras y reg&#xED;menes autoritarios?</p>
<p>&#x25A1; <italic>Eso depende del grado de cultura de la poblaci&#xF3;n y del periodo hist&#xF3;rico. Una poblaci&#xF3;n relativamente culta dejar&#xE1; m&#xE1;s documentos escritos, como diarios o memorias, que otra analfabeta. Si la dictadura es reciente, todav&#xED;a se podr&#xE1; entrevistar a la gente y hacer buenas historias orales. Tambi&#xE9;n es m&#xE1;s f&#xE1;cil procesar datos sociol&#xF3;gicos para las &#xFA;ltimas d&#xE9;cadas que cuando estos no exist&#xED;an las modernas t&#xE9;cnicas de recogida de datos. Por &#xFA;ltimo, hay un factor clave que es la actitud del historiador: que le interese de verdad saber qu&#xE9; fue la vida de esta gente de a pie y que, en vez de imponer en su an&#xE1;lisis sus propios prejuicios y preferencias ideol&#xF3;gicas, escuche lo que las voces del pasado dicen, y las reproduzca lo m&#xE1;s fielmente posible. Si uno va a al pasado a demostrar una teor&#xED;a seguro que lo consigue, otra cosa es que uno haya ido realmente al pasado y no &#x2013; en un viaje m&#xE1;s corto, f&#xE1;cil y previsible &#x2013; hasta el final de sus propia expectativas</italic>.</p>
<p>&#x25A0; Es especialmente interesante el abordaje que usted hace acerca del impacto del r&#xE9;gimen franquista bajo estas &#x201C;vidas comunes&#x201D; en su libro porque se trata de una dictadura de larga duraci&#xF3;n. Estas vidas, en este sentido, han sido afectadas de diferentes maneras acorde al contexto del r&#xE9;gimen y tambi&#xE9;n del contexto internacional m&#xE1;s amplio&#x2026;</p>
<p>&#x25A1; <italic>S&#xED;, a lo largo de casi cuarenta a&#xF1;os de dictadura, los efectos de esta en la vida de la gente fueron m&#xFA;ltiples. Pero quiero hacer incidencia en dos aspectos por diferentes razones: 1) el hambre y la miseria de la Espa&#xF1;a de posguerra y 2) el papel del trauma de la Guerra Civil</italic>.</p>
<p><italic>Uno de los episodios m&#xE1;s dram&#xE1;ticos y desconocidos fuera del pa&#xED;s (y, desgraciadamente, por las nuevas generaciones) unas 200,000 personas murieron de hambre en Espa&#xF1;a en los a&#xF1;os 40. Millones m&#xE1;s pasaron mucha hambre y vivieron en condiciones de miseria hasta los a&#xF1;os 60. Esto lo he explicado en detalle en mis libros, pero quiero se&#xF1;alar que este fen&#xF3;meno terrible no fue un accidente sino el producto de, por un lado, la pol&#xED;tica de autarqu&#xED;a que Franco impuso en Espa&#xF1;a hasta 1959, y por otro la corrupci&#xF3;n y la revancha social que practicaron los vencedores de la Guerra Civil a partir de 1939, hundiendo los salarios y desposeyendo a los pobres de su derechos sociales. Espa&#xF1;a fue un pa&#xED;s de ladrones amparados por la ley</italic>.</p>
<p><italic>El otro aspecto que quiero se&#xF1;alar fue el impacto del gran trauma de la Guerra Civil donde murieron al menos unas 400,000 personas (a menudo asesinadas a sangre fr&#xED;a), y otras 300,000 partieron hacia el exilio, y en general, los primeros a&#xF1;os de dur&#xED;sima represi&#xF3;n del r&#xE9;gimen, que quiz&#xE1;s fusil&#xF3; a unas 50,000 personas. Este trauma se transform&#xF3; en el valor pol&#xED;tico m&#xE1;s importante de los espa&#xF1;oles durante las d&#xE9;cadas siguientes: &#x201C;Nunca m&#xE1;s&#x201D; una guerra civil. La combinaci&#xF3;n de la preocupaci&#xF3;n por la supervivencia material y el miedo a la violencia favorecieron al r&#xE9;gimen. La gente ni quer&#xED;a ni conceb&#xED;a forzar el cambio pol&#xED;tico&#x2026; ya hab&#xED;a perdido demasiado y el futuro amenazaba lo mismo. La Paz de Franco fue la paz del miedo y lleg&#xF3; hasta el &#xFA;ltimo d&#xED;a de su dictadura en 1975; su progreso econ&#xF3;mico solo lleg&#xF3; en los a&#xF1;os 60. Estos dos par&#xE1;metros fueron los que m&#xE1;s marcaron la vida de la gente, y sin los que no se entienden los movimientos sociales en Espa&#xF1;a durante y despu&#xE9;s de la dictadura</italic>.</p>
<p>&#x25A0; En su trabajo, es fundamental lidiar con la dicotom&#xED;a que da nombre al libro &#x2013; si es que podemos llamarla &#x201C;dicotom&#xED;a&#x201D; &#x2013; entre <italic>miedo</italic> y <italic>progreso</italic>. Pero, tambi&#xE9;n, lidiar con ambivalencias entre represi&#xF3;n y acomodaci&#xF3;n o consentimiento, &#xBF;cierto? &#xBF;Cu&#xE1;l es la importancia de estos binomios para una mejor comprensi&#xF3;n del franquismo?</p>
<p>&#x25A1; <italic>En buena medida he respondido esto en al pregunta anterior, pero d&#xE9;jeme que le explique el significado del t&#xED;tulo del libro. Mi intenci&#xF3;n era insertar la experiencia espa&#xF1;ola en la Europa occidental de posguerra. La idea b&#xE1;sica fue que en la Europa capitalista (con la exclusi&#xF3;n de Espa&#xF1;a, Portugal y Grecia) se produjo el llamado &#x201C;Pacto Social&#x201D; entre capital, trabajo y el Estado para repartir los frutos del gran desarrollo socioecon&#xF3;mico del continente a partir de 1947. Este era un pacto en esencia de &#x201C;libertad y progreso&#x201D;. En Espa&#xF1;a este pacto no existi&#xF3;. En vez de democracia los espa&#xF1;oles vivieron en miedo y por eso no pudieron negociar con el capital ni con el Estado la redistribuci&#xF3;n del progreso material. El resultado fue el hambre primero en los a&#xF1;os 40, la miseria de los a&#xF1;os 50, y solo el muy tard&#xED;o y desigual desarrollo econ&#xF3;mico de los a&#xF1;os 60, cuando, a base de la explotaci&#xF3;n del trabajo, el pa&#xED;s sali&#xF3; adelante. Mientras tanto, el capital espa&#xF1;ol apenas si estuvo limitado por el Estado y desde luego pag&#xF3; muy pocos impuestos, lo que se tradujo en escasos servicios sociales. Los ricos viv&#xED;an bien pero los pobres, por ejemplo, no ten&#xED;an escuelas, casas dignas o ten&#xED;an que ponerse a trabajar en plena infancia. Fue un sistema creado para favorecer el capital, que dio lugar a un progreso muy distinto del resto de Europa. Sin el miedo no habr&#xED;a funcionado, y por eso el estado del bienestar espa&#xF1;ol hubo de esperar a la llagada de la democracia para aproximarse al europeo. Sin embargo, los efectos sociales del miedo y del peculiar progreso franquista duraron mucho tiempo despu&#xE9;s. Espa&#xF1;a, por ejemplo, perdi&#xF3; mucho terreno en comparaci&#xF3;n a Italia, un pa&#xED;s hist&#xF3;ricamente muy cercano en los par&#xE1;metros econ&#xF3;micos, sociales y culturales. Cuando yo era un ni&#xF1;o, la dictadura nos consolaba comparando los datos sociales y culturales de Espa&#xF1;a con otra dictadura similar, tambi&#xE9;n longeva y al servicio del capital: Portugal</italic>.</p>
<p>&#x25A0; En su libro, recientemente publicado en espa&#xF1;ol, <italic>Franco. Biograf&#xED;a del mito</italic><xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>3</sup></xref>, usted ha optado por contar la historia de la construcci&#xF3;n del &#x201C;mito, en lugar de lo que podr&#xED;amos comprender como una &#x201C;biograf&#xED;a tradicional&#x201D; del General Franco. &#xBF;Usted podr&#xED;a explicarnos las razones de dicha elecci&#xF3;n y las implicaciones te&#xF3;ricos-metodol&#xF3;gicas?</p>
<p>&#x25A1; <italic>Hay excelentes biograf&#xED;as de Franco, lo que no hay, o mejor hab&#xED;a, es una explicaci&#xF3;n de qui&#xE9;n fue Franco para los espa&#xF1;oles, por qu&#xE9; y c&#xF3;mo ese significado, y su imagen cambiaron durante las cuatro d&#xE9;cadas de dictadura. La biograf&#xED;a cl&#xE1;sica de los personajes hist&#xF3;ricos es muy importante, y a veces interesante y hasta ilustrativa, pero yo encuentro m&#xE1;s fascinante la biograf&#xED;a sociocultural de los personajes porque nos ayuda a entender la vida de la gente que normalmente no es merecedora de biograf&#xED;as, esa &#x201C;gente ordinaria, que solo aparece en la historia como &#x201C;masas&#x201D; pasivas o activas pero siempre por sorpresa. Franco, en realidad, fue un tipo personalmente poco atractivo, y su carrera militar y pol&#xED;tica no fue tan excepcional como luego se represent&#xF3;, y solo se entiende en el contexto de una Espa&#xF1;a pobre y con serios problemas pol&#xED;ticos. Lo interesante para m&#xED; fue c&#xF3;mo esta ordinariez de Franco se convirti&#xF3;, en la propaganda y en la imaginaci&#xF3;n de millones espa&#xF1;oles, en algo extraordinario, m&#xED;tico y hasta divino. La implicaci&#xF3;n te&#xF3;rica y metodol&#xF3;gica de esta forma de escribir biograf&#xED;a es simple: la biograf&#xED;a tradicional se centra en el sujeto, convirti&#xE9;ndolo en extraordinario, y en sus relaciones de poder, esto es, a&#xED;sla al sujeto de la sociedad, o hace pasiva a esta. La biograf&#xED;a cultural en cambio explica al sujeto a trav&#xE9;s de la sociedad. A m&#xED; me interesa m&#xE1;s la sociedad. Al final hacer un tipo u otro de biograf&#xED;a es una decisi&#xF3;n moral y pol&#xED;tica, y de imaginaci&#xF3;n, no lo olvidemos</italic>.</p>
<p>&#x25A0; En su monumental biograf&#xED;a de Adolf Hitler, Ian Kershaw llama la atenci&#xF3;n para los problemas alrededor de la escrita biogr&#xE1;fica de l&#xED;deres autoritarios, al mismo tiempo en que nos se&#xF1;ala el hecho de la biograf&#xED;a de un personaje como Hitler nos debe permitir comprender, en primer lugar, la sociedad que ha producido aqu&#xE9;l tipo de poder. &#xBF;Usted est&#xE1; de acuerdo? &#xBF;Usted podr&#xED;a hablarnos un poco sobre las dificultades/especificidades de dedicarse a un trabajo como este?</p>
<p>&#x25A1; <italic>Como queda claro en mi respuesta anterior, estoy completamente de acuerdo con Kershaw. Una biograf&#xED;a de este tipo tiene dos dificultades. La primero es que es muy dificil saber lo que la gente realmente piensa en una dictadura. &#xBF;Qui&#xE9;n se atreve a responder con honestidad a una encuesta p&#xFA;blica? La segunda, derivada de la primera, es no confundir lo que dice la propaganda con lo que la gente percibe y decide, esto es, no creer que los discursos p&#xFA;blicos se corresponden autom&#xE1;ticamente con las mentalidades sociales. Repito, este tipo de biografia es dificil y m&#xE1;s incierta que la cl&#xE1;sica, por eso el historiador tiene que tener un cierto escepticismo hacia la veracidad de su propio discurso&#x2026; aunque, a diferencia del bi&#xF3;grafo cl&#xE1;sico, al menos corre menos riesgo de enamorarse del excepcionalidad de su sujeto de estudio</italic>.</p>
<p>&#x25A0; En el &#xFA;ltimo cap&#xED;tulo de <italic>Franco. B&#xED;ografia del mito</italic>, usted realiza un an&#xE1;lisis interesante acerca de la memoria del franquismo en la sociedad espa&#xF1;ola desde su muerte. &#xBF;Qu&#xE9; la memoria construida alrededor de su figura, desde entonces, nos puede decir acerca de la democracia espa&#xF1;ola?</p>
<p>&#x25A1; <italic>Sabemos que los valores pol&#xED;ticos de los espa&#xF1;oles de hoy son abrumadoramente democr&#xE1;ticos y humanistas. No tienen nada que ver con los de la dictadura de Franco. Otra cosa es lo que los partidos pol&#xED;ticos, el Gobierno central y los de las autonom&#xED;a hagan para ense&#xF1;ar el pasado y reforzar los valores c&#xED;vicos. En este sentido, el balance tiene muchos altibajos. Se ha avanzado mucho en cuanto al conocimiento del pasado y compensaci&#xF3;n a las v&#xED;ctimas, pero Espa&#xF1;a tiene un gran d&#xE9;ficit de Historia P&#xFA;blica de la Guerra Civil y el franquismo. Este d&#xE9;ficit es producto tanto dela falta de imaginaci&#xF3;n de las autoridades como del inter&#xE9;s, rentable entre muchos electores, del Partido Popular (conservador, actualmente en el Gobierno) de olvidar el pasado argumentando que no interesa. El caso es que s&#xED; interesa. Cuando se abren centros de informaci&#xF3;n, se establecen rutas hist&#xF3;ricas, o incluso peque&#xF1;os museos, el p&#xFA;blico acude en gran n&#xFA;mero. La democracia espa&#xF1;ola no es perfecta, y uno de sus lagunas m&#xE1;s importantes es la ense&#xF1;anza hist&#xF3;rica. Pero esto no es excepcional: los Estados Unidos no han tenido un museo de la esclavitud hasta hace poco; el Reino Unido, Francia y Holanda todav&#xED;a tienen que explicar a sus ciudadanos su historia imperial, etc. La gran excepci&#xF3;n mundial de un proyecto de memoria historia cr&#xED;tico a escala nacional es el de Alemania frente al pasado nazi, y este es m&#xE1;s bien reciente. Lo curioso es que la Historia P&#xFA;blica tiene el futuro de su parte: genera turismo y actividad econ&#xF3;mica. El peligro est&#xE1; en la trivializaci&#xF3;n del pasado, que se convierta en un mero producto de consumo exento de una base &#xE9;tica e did&#xE1;ctica, como a veces ocurre con visitantes de los campos de concentraci&#xF3;n y exterminio nazi</italic>.</p>
<p>&#x25A0; &#xBF;Usted nos puede hablar un poco acerca de sus intereses e investigaciones m&#xE1;s recientes? &#xBF;Con lo que est&#xE1; trabajando actualmente?</p>
<p>&#x25A1; <italic>Actualmente trabajo en crear un museo online de la Guerra Civil espa&#xF1;ola. Lo hago porque no creo que el Gobierno espa&#xF1;ol tenga pensado crear nunca un museo f&#xED;sico, incluso si el Valle de los Ca&#xED;dos, situado cerca de Madrid, ser&#xED;a un lugar ideal para ello. Este museo online ayudar&#xED;a a conectar a las diferentes islas de Historia P&#xFA;blica, ahora dispersas, que existen en Espa&#xF1;a y en el mundo, sobre la Guerra Civil y el franquismo, haciendo posible educar, entretener y hacer posible la investigaci&#xF3;n a millones de personas de todo el mundo. Adem&#xE1;s, estoy investigando para escribir una historia sociocultural de los pueblos de colonizaci&#xF3;n agraria creados por Franco, y otra historia social de los pescadores espa&#xF1;oles, sobre los que, a diferencia de la pesca, sabemos muy poco. Los pescadores son un ejemplo de la gente &#x201C;sin historia&#x201D; que me interesan</italic>.</p></body>
<back>
<fn-group>
<fn fn-type="other" id="fn1">
<label>*</label>
<p>Agrade&#xE7;o &#xE0; L&#xED;via Magalh&#xE3;es a tradu&#xE7;&#xE3;o para o espanhol das perguntas.</p></fn>
<fn id="fn2" fn-type="other">
<label>1</label>
<p>Sobre a historiografia europeia dos regimes autorit&#xE1;rios do s&#xE9;culo XX, cf.: ROLLEMBERG; QUADRAT, 2010, v.1.</p></fn>
<fn id="fn3" fn-type="other">
<label>2</label>
<p>Cf., principalmente, <xref ref-type="bibr" rid="B7">GOMES, 1988</xref>.</p></fn>
<fn id="fn4" fn-type="other">
<label>3</label>
<p>CAZORLA, Antonio. <italic>Franco. Biograf&#xED;a del mito</italic>. Madrid: Alianza Editorial, 2015.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn5">
	<label>4</label>
	<p><bold>Autor/Author:</bold></p><p>&#x2022; Professora Adjunta de Hist&#xF3;ria Contempor&#xE2;nea do Departamento e do Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Hist&#xF3;ria da Universidade Federal Fluminense (UFF). Doutora em Hist&#xF3;ria pela mesma institui&#xE7;&#xE3;o, &#xE9; Jovem Cientista do Nosso Estado (FAPERJ, 2015-2018) e autora de <italic>A ditadura em tempos de Milagre</italic>: comemora&#xE7;&#xF5;es, orgulho e consentimento (FGV, 2015) e <italic>Direitas em movimento:</italic> a Campanha da Mulher pela Democracia e a ditadura no Brasil (FGV, 2009).</p>
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<title>Refer&#xEA;ncias</title>
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	<mixed-citation>BURGOS, Claudio Hernández. Más allá del consenso y la oposición: las actitudes de la “gente corriente” en regímenes dictatoriales. Una propuesta de análisis desde el régimen franquista. In: Revista de Estudios Sociales, Bogotá, n. 50, sept.-dic. 2014.</mixed-citation>
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<name><surname>BURGOS</surname> <given-names>Claudio Hern&#xE1;ndez</given-names></name></person-group>
<article-title>M&#xE1;s all&#xE1; del consenso y la oposici&#xF3;n: las actitudes de la &#x201C;gente corriente&#x201D; en reg&#xED;menes dictatoriales. Una propuesta de an&#xE1;lisis desde el r&#xE9;gimen franquista</article-title>
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<comment>Bogot&#xE1;</comment>
<issue>50</issue>
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	<mixed-citation>CAZORLA, Antonio. Miedo y Progreso: los españoles de a pie bajo el franquismo, 1939-1975. Madrid: Alianza, 2016.</mixed-citation>
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	<mixed-citation>______. Franco. Biografía del mito. Madrid: Alianza Editorial, 2015.</mixed-citation>
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	<mixed-citation>______. (Ed.). Las cartas a Franco de los españoles de a pié. Barcelona: RBA, 2014.</mixed-citation>
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	<mixed-citation>______. Franco: The Biography of the Myth. Oxon/New York: Routledge, 2013.</mixed-citation>
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	<mixed-citation>______. Fear and Progress: Ordinary Lives in Franco’s Spain (1936-1975). Oxford: Blackwell-Wiley, 2009.</mixed-citation>
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	<mixed-citation>GOMES, Ângela de Castro. A invenção do trabalhismo. São Paulo: Vértice, 1988.</mixed-citation>
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<year>1988</year></element-citation></ref>
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	<mixed-citation>ROLLEMBERG, Denise; QUADRAT, Samantha Viz (Org.). A construção social dos regimes autoritários. Legitimidade, consenso e consentimento no Século XX. Vol. 1.</mixed-citation>
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<comment>Legitimidade, consenso e consentimento no S&#xE9;culo XX</comment>
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