Editorial
Revista Estudos Ibero-Americanos: avaliação e transição
Estudos Ibero-Americanos (Ibero-American Studies) review: evaluation and transition
Revista Estudos Ibero-Americanos (Estudios Iberoamericanos): evaluación y transición
Ao receber o convite para assumir a editoria da revista Estudos Ibero-Americanos (EIA), em 2015, com muita satisfação e orgulho aceitei o desafio, afinal, não são todos os periódicos que possuem uma tradição historiográfica desde 1975 e com edições ininterruptas. Fui contratado e credenciado como professor do Programa de Pós-Graduação em História em 2014, e após 1 ano fui convidado pelo então coordenador prof. dr. Marçal Paredes para assumir a coordenação da revista, com a missão de dinamizar e inserir a EIA nos principais meios acadêmicos e internacionais. Não foi difícil, visto que um longo trabalho de internacionalização e indexação já havia sido feito pelos editores anteriores, notadamente, os meus antecessores, prof. dr. René Gertz (1997-2008) e profa. dra. Maria Cristina dos Santos (2009-2014), que seguiram as diretrizes do fundador do periódico, prof. dr. Braz Brancato.1
O filósofo francês Jean-Paul Sartre afirmou certa vez que “viver é isso: ficar se equilibrando o tempo todo, entre escolhas e consequências”. A partir de escolhas, mudanças estão sendo organizadas, marcando o encerramento do meu ciclo na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e, consequentemente, o volume apresentado trata-se da minha última edição como editor da revista EIA. Com isso, passo o bastão para a profa. dra. Tatyana de Amaral Maia, que receberá uma revista moderna, dinâmica e com ampla circulação.
Aos novos membros da equipe editorial, desejo muita sorte, pois não há dúvidas que a revista possui hoje qualidade e reconhecimento internacional e cumpre todos os pré-requisitos para alcançar conceito máximo nas avaliações. Entendo que um dos principais legados estão na modernização e no dinamismo da revista. Um novo layout foi elaborado com um logotipo, inserindo a revista nas novas tendências visuais. Além disso, foi criada uma página no Facebook2 e Twitter3, para divulgar as edições e os artigos, respondendo a uma demanda que busca uma maior aproximação da academia com todos os públicos.
No período em que estive à frente da revista EIA, uma das preocupações foi a manutenção e ampliação dos indexadores, e hoje estamos nos principais portais mundiais: Web of Science – Master Journals List (Clarivate Analytics), SSCI – Social Sciences Citation Index (Clarivate Analytics), AHCI – Arts and Humanities Citation Index (Clarivate Analytics), Scopus (Elsevier), SJR – ScIMAGO Journal & Country Rank (Elsevier), Historical Abstracts with Full Text (EBSCO), Academic Search Premier (EBSCO), Fonte Acadêmica (EBSCO), Fuente Academica (EBSCO), CLASE – Citas Latinoamericanas en Ciencias Sociales y Humanidades, DOAJ – Directory of Open Access Journals, LATINDEX – Sistema Regional de Información en Línea para Revistas Científicas de América Latina, el Caribe, España y Portugal, REDALYC – Red de Revistas Científicas de América Latina y el Caribe, España y Portugal e Portal CAPES.
A revista, desde 1975, adotou a periodicidade semestral e circulou de forma ininterrupta nos 40 anos que completou em 2015. Ao longo dos anos, houve modificações na estrutura interna, com seções novas sendo criadas e outras sendo extintas. Mas a preocupação central sempre foi – e continua sendo – a de publicar textos com contribuições inéditas. Desde o segundo número de 2004, os artigos passaram a ser acessados on-line, com isso, a revista passou a ter duas mídias, o que permaneceu até 2015. Em 2016, uma ampla modificação foi implementada, buscando adequar a EIA às novas realidades e conjunturas acadêmicas. As transformações não foram apenas visuais, uma vez que se ampliou para três edições anuais e se extinguiu a versão impressa, consequentemente, aumentando a possibilidade de publicação. Isso foi importante porque a nossa demanda sempre foi muito elevada, com recebimento de propostas editoriais de investigadores de vários países. Dessa forma, de 18 artigos anuais, passamos a publicar 30 a 40 artigos anuais em três edições, sendo todos avaliados por, no mínimo, dois pareceristas e pelo Turnitin.
Desde a primeira edição, em 1975, até o segundo número de 2004, as edições foram publicadas apenas nas versões impressas, dessa forma, buscando maior circulação dos textos e, ao mesmo tempo, valorizando o material que temos, foi iniciado um longo trabalho que está nos últimos estágios, a digitalização e publicação de todas as edições. Para esse trabalho, faço um agradecimento à Pró-Reitoria de Pesquisa, Inovação e Desenvolvimento (PROPESQ), por oferecer anualmente uma bolsa de Iniciação Científica à revista EIA. Devido ao reconhecimento da revista, conseguimos nos últimos três anos a aprovação de projetos de órgãos de fomento como CNPq e CAPES, o que foi essencial para o estabelecimento de projetos editoriais, dentre eles, o processo de publicação das antigas edições, pois traduções de todos os resumos para os atuais idiomas (além do português, espanhol e inglês) da revista estão sendo realizados, visando maior impacto acadêmico com metadados atualizados, além de todos possuírem DOI. O processo de publicação ocorre em ordem decrescente, e assim entregamos com a publicação até 1990. O processo de digitalização das edições dos anos 1970 e 1980 já foi realizado, restando apenas a publicação.
Hoje em dia, a EIA está consolidada como uma das poucas revistas brasileiras dedicadas à história da Península Ibérica e à América Ibérica. Em resposta à demanda da área de História da CAPES, que visa uma constante internacionalização, autores submeteram não apenas artigos para a revista, mas também propostas de dossiês temáticos, sendo esse outro segmento aperfeiçoado a partir de 2015, com uma agenda ampla e capaz de receber textos inovadores, além de resenhas e entrevistas com intelectuais e/ou acadêmicos reconhecidos nas respectivas áreas de atuação.
Estar à frente de uma revista acadêmica não é fácil, mas por existir uma sólida e competente equipe, foi possível desenvolver diversas atividades, implementar e consolidar as mudanças e vislumbrar cada vez mais a qualidade. Com isso, agradeço a todos os bolsistas que passaram pela equipe editorial nesses três anos. Aos doutorandos, mestrandos e graduandos, o meu sincero obrigado! Entretanto, destaco a fundamental participação da profa. dra. Luciana da Costa de Oliveira e da doutoranda Paula Rafaela da Silva no processo de organização e administração interno da revista. Agradeço ainda ao apoio dos meus bolsistas de pós-doutoramento no período, prof. dr. Vinícius Liebel (2015-2016) e prof. dr. Odilon Caldeira Neto (2017-atual), que foram de extrema importância para a revista EIA, assim como o colega prof. dr. Charles Monteiro, que esteve ao meu lado em toda a gestão como editor executivo. O mesmo agradecimento faço aos membros do Conselho Editorial e do Conselho Consultivo, que demonstram apoio acadêmico e científico.
Um agradecimento especial para o setor de periódicos da EDIPUCRS, através da prof. dra. Eleonor Gastal Lago e da eficiente Adila Cunha de Castro, além dos bolsistas e estagiários. Ao prof. dr. Marçal Paredes, agradeço a confiança pelo convite, e ao atual coordenador do PPGH, prof. dr. Luciano Aronne de Abreu, pelo constante apoio, assim como da direção da Escola de Humanidades.
Como forma de organização acadêmica, uma ampla agenda foi criada com o objetivo de divulgar previamente os dossiês que serão publicados pela revista EIA. Entre 2018 e 2019, com a organização de especialistas e de nomes reconhecidos na área, a revista publicará os seguintes dossiês: Fotografia, cultura visual e história: perspectivas teóricas e metodológicas; 30 anos da “Constituição cidadã”: perspectivas da história e da ciência política; Cores, classificações e categorias sociais: os africanos nos impérios ibéricos, séculos XVI a XIX; Direitos humanos, história e memória (1968-2018); Memórias da violência colonial: reconhecimentos do passado e lutas pelo futuro; Justiça pós-transnacional, experiências autoritárias e democracias.4 Além dos dossiês, em todas as edições, há espaço para artigos da Seção Livre, importante segmento para a divulgação de inovações em temáticas variadas na perspectiva ibérica.
Seguindo a linha editorial, o atual número é composto pelo dossiê Amor mundi – atualidade e recepção de Hannah Arendt, com oito textos de especialistas de várias instituições mundiais, além de uma resenha e uma ótima entrevista com Jerome Kohn, aluno e assistente pessoal de Arendt. O dossiê busca atingir reflexões necessárias sobre a sociedade contemporânea. Completam o número sete artigos da Seção Livre e duas Resenhas.
Deixo a revista após a publicação de 108 artigos internacionais e nacionais, havendo textos em inglês, espanhol e português, 16 resenhas e 9 entrevistas acadêmicas. Vejo que o dinamismo e a modernização foram alcançados, inserindo a EIA no rol das principais e mais acessadas revistas brasileiras de História.
Aqui deixo meu principal agradecimento: aos leitores e usuários, que valorizam a qualidade da revista Estudos Ibero-Americanos. Muito obrigado!
À prof. Tatyana, desejo um bom trabalho e sucesso! Boa leitura a todos e até uma próxima!