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<journal-title>Estudos Ibero-Americanos</journal-title>
<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Estud. Ibero-Am. (Online)</abbrev-journal-title></journal-title-group>
<issn pub-type="ppub">0101-4064</issn>
<issn pub-type="epub">1980-864X</issn>
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<publisher-name>Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul</publisher-name></publisher>
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<article-id pub-id-type="publisher-id">00013</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.15448/1980-864X.2017.3.27397</article-id>
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<subject>Se&#xE7;&#xE3;o Livre</subject></subj-group></article-categories>
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<article-title>Karl Marx: um balan&#xE7;o biogr&#xE1;fico</article-title>
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<trans-title>Karl Marx: an overview of his biographies</trans-title></trans-title-group>
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<trans-title>Karl Marx: un panorama de sus biografias</trans-title></trans-title-group>
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<name><surname>Segrillo</surname><given-names>Angelo</given-names></name><xref ref-type="aff" rid="aff1">*</xref>
<bio>
<p>A<sc>ngelo</sc> S<sc>egrillo</sc> <email>angelosegrillo@usp.br</email></p>
<p>&#x2022; Professor Associado de Hist&#xF3;ria da Universidade de S&#xE3;o Paulo. Doutor em Hist&#xF3;ria Social pela Universidade Federal Fluminense. Autor de diversos livros, entre os quais, <italic>Os Russos</italic> (Contexto, 2011); <italic>R&#xFA;ssia: Europa ou &#xC1;sia?</italic> (Prismas, 2016); e <italic>Karl Marx: uma biografia dial&#xE9;tica</italic> (Prismas, 2018, no prelo).</p>
<p>&#x25E6; Associate Professor of History at the University of S&#xE3;o Paulo. PhD in Social History from Universidade Federal Fluminense. Author of several books, including <italic>Os Russos</italic> (Contexto, 2011); <italic>R&#xFA;ssia: Europa ou &#xC1;sia?</italic> (Prismas, 2016); e <italic>Karl Marx: uma biografia dial&#xE9;tica</italic> (Prismas, 2018, forthcoming).</p></bio></contrib>
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<institution content-type="original">Professor Associado de Hist&#xF3;ria da Universidade de S&#xE3;o Paulo</institution><country country="BR">Brasil</country></aff></contrib-group>
<pub-date pub-type="epub-ppub">
<season>Sep-Dec</season>
<year>2017</year></pub-date>
<volume>43</volume>
<issue>3</issue>
<fpage>601</fpage>
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<day>09</day>
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<year>2017</year></date>
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<license-p>Except where otherwise noted, the material published in this journal is licensed in the form of a Creative Commons Attribution 4.0 International license.</license-p></license></permissions>
<abstract>
<title>Resumo:</title>
<p>Muitos balan&#xE7;os bibliogr&#xE1;ficos/te&#xF3;ricos foram feitos sobre o pensamento e obras de Marx, entretanto, nunca foi realizado um balan&#xE7;o <italic>biogr&#xE1;fico</italic> sobre o pensador alem&#xE3;o, no sentido de um balan&#xE7;o das biografias que foram escritas sobre sua <italic>vida</italic>, independentemente de sua obra te&#xF3;rica. &#xC9; este balan&#xE7;o in&#xE9;dito que &#xE9; oferecido aqui. Ser&#xE3;o examinadas as principais biografias de Marx, desde a primeira (surgida dois anos ap&#xF3;s sua morte) at&#xE9; as lan&#xE7;adas no s&#xE9;culo XXI. Procurar-se-&#xE1; mostrar a evolu&#xE7;&#xE3;o na qualidade deste tipo de trabalho, tanto no aspecto metodol&#xF3;gico-formal como no aspecto de novas facetas factuais da vida de Marx sendo descobertas ao longo do tempo.</p></abstract>
<trans-abstract xml:lang="en">
<title>Abstract:</title>
<p>Many books and articles were written about the thought of Karl Marx, but much fewer were written about Marx&#xB4;s life per se. This article aims at providing an overview of the biographies of Marx written so far, covering from the first ones in the nineteenth-century to the ones in the twenty-first century. We will analyze the evolution of these biographies both in terms of formal-methodological quality and in terms of new factual evidence provided by them about Marx&#xB4;s life.</p></trans-abstract>
<trans-abstract xml:lang="es">
<title>Resumen:</title>
<p>Muchos libros y art&#xED;culos fueron escritos sobre el pensamiento de Karl Marx, pero menos se escribieron sobre la vida de Marx en s&#xED;. Este art&#xED;culo pretende ofrecer una visi&#xF3;n general de las biograf&#xED;as de Marx escritas hasta el momento, desde las primeras del siglo XIX hasta las del siglo XXI. Analizaremos la evoluci&#xF3;n de estas biograf&#xED;as tanto en t&#xE9;rminos de calidad formal-metodol&#xF3;gica como en t&#xE9;rminos de nuevas pruebas f&#xE1;cticas proporcionadas por ellas sobre la vida de Marx.</p></trans-abstract>
<kwd-group xml:lang="pt">
<title>Palavras-chave:</title>
<kwd>Karl Marx</kwd>
<kwd>Marxismo</kwd>
<kwd>Biografia</kwd></kwd-group>
<kwd-group xml:lang="en">
<title>Keywords:</title>
<kwd>Karl Marx</kwd>
<kwd>Marxism</kwd>
<kwd>Biography</kwd></kwd-group>
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<title>Palabras clave:</title>
<kwd>Karl Marx</kwd>
<kwd>Marxismo</kwd>
<kwd>Biograf&#xED;a</kwd></kwd-group>
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<body>
<p>2017 marca o anivers&#xE1;rio de 150 anos de publica&#xE7;&#xE3;o do livro <italic>O Capital</italic> e 100 anos da Revolu&#xE7;&#xE3;o Russa de 1917. Em virtude da efem&#xE9;ride, surgiram v&#xE1;rios artigos de balan&#xE7;o bibliogr&#xE1;fico sobre a obra de Karl Marx e seus efeitos no mundo. Eles se ajuntam aos muitos balan&#xE7;os bibliogr&#xE1;ficos j&#xE1; existentes. Mas existe um tipo de balan&#xE7;o que ainda n&#xE3;o foi feito: um balan&#xE7;o <italic>biogr&#xE1;fico</italic> de Marx. Biogr&#xE1;fico n&#xE3;o no sentido de um balan&#xE7;o da <italic>vida</italic> de Marx e sim um balan&#xE7;o das <italic>biografias</italic> de Marx j&#xE1; publicadas. A maioria dos trabalhos acad&#xEA;micos &#xE9; sobre a obra de Marx, mas j&#xE1; existe uma literatura suficientemente encorpada sobre a vida do pensador alem&#xE3;o. E esta literatura ainda n&#xE3;o sofreu nenhum balan&#xE7;o (livro ou artigo acad&#xEA;mico) mais profundo analisando seus pontos fortes e fracos. &#xC9; esse balan&#xE7;o pioneiro que propomos fazer aqui.<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref></p>
<p>N&#xE3;o s&#xF3; 2017, mas a &#xE9;poca atual do s&#xE9;culo XXI que vivemos como um todo &#xE9; um per&#xED;odo interessante para fazer esse balan&#xE7;o. Afinal, temos agora um recuo hist&#xF3;rico longo para tal empreitada. N&#xE3;o s&#xF3; possu&#xED;mos uma vis&#xE3;o retrospectiva do s&#xE9;culo XIX, em que o socialismo marxista era apenas uma vis&#xE3;o te&#xF3;rica, como passamos pela experi&#xEA;ncia pr&#xE1;tica do chamado <italic>socialismo real</italic> no s&#xE9;culo XX, pelo seu (parcial, mas profundo) desmoronamento no final do s&#xE9;culo e agora vivemos um admir&#xE1;vel e ir&#xF4;nico novo mundo &#x201C;p&#xF3;s-Muro de Berlim&#x201D; em que &#x201C;o socialismo acabou&#x201D;, mas o cerne mais din&#xE2;mico da economia mundial (com possibilidade de ter em breve o maior PNB do mundo) &#xE9; um pa&#xED;s&#x2026; socialista (a China). &#xC9; interessante ver como as biografias de Marx, e a vis&#xE3;o que projetavam desse pensador, eram afetadas pelo clima da &#xE9;poca em que viviam os bi&#xF3;grafos ao longo de todas essas diferentes experi&#xEA;ncias hist&#xF3;ricas.</p>
<p>Uma pergunta que se p&#xF5;e logo de in&#xED;cio: h&#xE1; muitas biografias de Marx? Acredito que a maioria das pessoas (mesmo as que t&#xEA;m familiaridade com o marxismo) se atrapalharia inicialmente, em d&#xFA;vida sobre essa pergunta. E a resposta &#xE9;: depende da defini&#xE7;&#xE3;o que usarmos para &#x201C;biografia&#x201D;. Karl Marx &#xE9; um dos pensadores mais estudados e h&#xE1; uma mir&#xED;ade de livros sobre ele e sua obra. Mas &#x201C;biografia&#x201D; &#xE9; estudo sobre a &#x201C;vida&#x201D; de um autor, n&#xE3;o necessariamente sobre sua obra. &#xC9; claro que, especialmente com Marx, fica dif&#xED;cil separar a vida e a obra do autor. Mas essa diferencia&#xE7;&#xE3;o &#xE9; importante para podermos diferenciar o que &#xE9; uma biografia <italic>stricto sensu</italic> desse personagem da enorme quantidade de livros que existem sobre sua teoria e obras.</p>
<p>A tarefa se torna ainda mais complexa pela exist&#xEA;ncia das chamadas <italic>biografias intelectuais</italic>. Ou seja, s&#xE3;o livros que at&#xE9; narram, de forma geralmente resumida, aspectos biogr&#xE1;ficos da vida de Marx, mas se concentram primariamente na forma&#xE7;&#xE3;o e desenvolvimento de seu pensamento e suas obras. A mais famosa dessas biografias intelectuais foi a escrita pelo fil&#xF3;sofo Isaiah Berlin em 1939: <italic>Karl Marx: his life and environment</italic>.<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref> Algumas biografias intelectuais nem chegam a se importar com a parte factual da vida de Marx, dedicando-se quase que unicamente &#xE0; an&#xE1;lise (da evolu&#xE7;&#xE3;o) de seu pensamento. Assim, por exemplo, &#xE9; o livro <italic>Karl Marx</italic>, escrito pelo te&#xF3;rico alem&#xE3;o <xref ref-type="bibr" rid="B16">Karl Korsch em 1938</xref>.</p>
<p>Ou seja, se contarmos as chamadas biografias intelectuais, h&#xE1; sim um n&#xFA;mero relativamente grande de biografias de Marx. Isso para n&#xE3;o falarmos de diversos outros tipos de trabalhos &#x201C;de fronteira&#x201D;, como textos pol&#xED;ticos comemorativos em que se descrevem ou discutem aspectos da vida de Marx (um exemplo seria <italic>Karl Marx und Sein Lebenswerk</italic> da l&#xED;der comunista alem&#xE3; <xref ref-type="bibr" rid="B43">Klara Zetkin em 1913</xref>). Mas, se adotarmos uma exigente defini&#xE7;&#xE3;o de biografia <italic>stricto sensu</italic> como sendo um trabalho que se dedica primariamente &#xE0; <italic>vida</italic> de Marx e, mais ainda, cumpra as exig&#xEA;ncias acad&#xEA;micas de uma referencia&#xE7;&#xE3;o rigorosa &#xE0;s fontes prim&#xE1;rias e documentos originais que validem o que &#xE9; narrado sobre os epis&#xF3;dios ocorridos, ent&#xE3;o o n&#xFA;mero &#xE9; bem limitado. Com algumas exce&#xE7;&#xF5;es, poder&#xED;amos mesmo dizer que esse tipo de biografia com rigorosa referencia&#xE7;&#xE3;o a fontes prim&#xE1;rias para acontecimentos da vida de Marx &#xE9; um fen&#xF4;meno relativamente novo, da segunda metade ou final do s&#xE9;culo XX em diante. As primeiras biografias de Marx, no final do s&#xE9;culo XIX ou in&#xED;cio do s&#xE9;culo XX, referenciavam mais a sua parte te&#xF3;rica, indicando os textos em que apareciam as cita&#xE7;&#xF5;es, mas eram bem menos rigorosos na descri&#xE7;&#xE3;o dos acontecimentos da <italic>vida</italic> de Marx, muitas vezes se valendo de conhecimento atrav&#xE9;s de relatos orais de contempor&#xE2;neos ou assumindo que certas vers&#xF5;es do ocorrido eram realmente verdadeiras. Na segunda metade do s&#xE9;culo XX apareceram biografias como as de <xref ref-type="bibr" rid="B23">David McLellan (de 1973</xref>, considerada por muitos a melhor e mais completa at&#xE9; hoje), de Francis <xref ref-type="bibr" rid="B41">Wheen (1999)</xref> e Jonathan <xref ref-type="bibr" rid="B38">Sperber (2013)</xref> que preenchem perfeitamente as mais estritas exig&#xEA;ncias acad&#xEA;micas para um trabalho biogr&#xE1;fico.</p>
<p>Neste artigo procuraremos dar um panorama geral como foi surgindo esse mosaico diferenciado de livros que se assumem como biografias de Marx, procurando denotar caracter&#xED;sticas peculiares adotadas por alguns dos bi&#xF3;grafos mais importantes quando de sua descri&#xE7;&#xE3;o do Mouro (&#x201C;Mouro&#x201D; era o apelido de Marx, entre sua fam&#xED;lia e amigos, devido &#xE0; cor da sua pele e cabelos).</p>
<p>Marx morreu em 14 de mar&#xE7;o de 1883. Em 1885 j&#xE1; aparecia, publicada por uma editora de Leipzig, o primeiro livro que se assumia como uma biografia (descri&#xE7;&#xE3;o da vida) daquele pensador. Era <italic>Karl Marx: Eine Studie</italic> do professor de economia pol&#xED;tica da universidade de Viena, Gustav Gross. Essa primeira tentativa j&#xE1; prenunciava as dificuldades de separar a vida do Mouro de sua obra. Como o pr&#xF3;prio t&#xED;tulo denota (&#x201C;Karl Marx: um estudo&#x201D;), o livro, apesar de narrar aspectos da vida de Marx, inclusive em ordem cronol&#xF3;gica, se ocupa majoritariamente em comentar suas obras. O pr&#xF3;prio autor j&#xE1; anunciava, no pref&#xE1;cio, que a vida do pensador alem&#xE3;o n&#xE3;o era conhecida em detalhes e que ele n&#xE3;o era a pessoa mais indicada para narr&#xE1;-la em profundidade, e sim os executores do testamento liter&#xE1;rio de Marx: Engels e a filha de Marx, Eleanor. Mas que, na falta de obras destes, o seu trabalho talvez pudesse ser &#xFA;til. Anunciava que seu objetivo era mais comentar e elucidar aspectos n&#xE3;o t&#xE3;o conhecidos da obra de Marx. Importante notar que esta primeira biografia (mesmo sendo mais uma biografia intelectual que um trabalho de investiga&#xE7;&#xE3;o da vida de Marx propriamente dito) n&#xE3;o foi escrita por um marxista, e sim por um liberal: Gustav Gross teve ativa carreira pol&#xED;tica como deputado nesse campo. No pref&#xE1;cio da obra, Gross prometia suas &#x201C;prefer&#xEA;ncias subjetivas reprimir e manter as cr&#xED;ticas ao m&#xED;nimo&#x201D;. (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Gross, 1885</xref>, p. VI) Realmente, ao longo do livro, Gross tenta descrever as a&#xE7;&#xF5;es e ideias de Marx do jeito mais &#x201C;objetivo&#x201D; poss&#xED;vel inicialmente, ou seja, da maneira como o pr&#xF3;prio Marx as expunha e somente ap&#xF3;s, e ocasionalmente, fazia as cr&#xED;ticas das mesmas de um ponto de vista liberal.</p>
<p>Essa primeira biografia j&#xE1; prenunciava a dificuldade dos futuros bi&#xF3;grafos de se aterem &#xE0; descri&#xE7;&#xE3;o da vida de Marx, sem quase automaticamente pularem para o lado da biografia &#x201C;intelectual&#x201D;, isto &#xE9;, fazerem uma obra de discuss&#xE3;o das <italic>ideias</italic> de Marx. O car&#xE1;ter controverso e combativo do pensamento marxiano tornava dif&#xED;cil uma descri&#xE7;&#xE3;o indiferente, &#x201C;neutra&#x201D; de suas ideias.</p>
<p>Outra caracter&#xED;stica que essa primeira obra j&#xE1; denotava era a tend&#xEA;ncia de a vida de Marx ser descrita mais baseada em testemunhos e no&#xE7;&#xF5;es passadas oralmente ao longo do tempo (principalmente nos meios da esquerda pol&#xED;tica) do que em uma real pesquisa de fontes prim&#xE1;rias e documentos escritos. As primeiras biografias de Marx (digamos, at&#xE9; meados do s&#xE9;culo XX) seguem esse padr&#xE3;o geral. Biografias <italic>stricto sensu</italic> centradas na <italic>vida</italic> de Marx (n&#xE3;o em sua obra) e utilizando minuciosa pesquisa hist&#xF3;rica de fontes prim&#xE1;rias para a investiga&#xE7;&#xE3;o s&#xE3;o caracter&#xED;sticas da segunda metade do s&#xE9;culo XX, em que apareceram trabalhos como os de David Mclellan, Francis Wheen, Jonathan Sperber e outros.</p>
<p>Como afirmamos, a primeira &#x201C;biografia&#x201D; de Marx foi escrita por um n&#xE3;o marxista. Essa situa&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o poderia perdurar por muito tempo sen&#xE3;o o marxismo arriscaria perder a corrida pela &#x201C;mem&#xF3;ria&#x201D; de Marx. Assim, logo um peso pesado do campo marxista se disp&#xF4;s a escrever uma obra nesse sentido. Em 1896, Wilhelm Liebknecht lan&#xE7;ou o seu <italic>Karl Marx zum Ged&#xE4;chtnis: ein Lebensabri&#xDF; und Erinnerungen</italic> (na vers&#xE3;o inglesa traduzido como <italic>Karl Marx: Biographical Memoirs</italic>). Liebknecht foi um dos principais l&#xED;deres do partido social-democrata na Alemanha, era muito ligado a Marx, com cuja fam&#xED;lia conviveu intimamente por longo tempo durante o ex&#xED;lio em Londres. No pref&#xE1;cio, Liebknecht avisa que, devido &#xE0; ocupa&#xE7;&#xE3;o de quase todo seu tempo por atividades pol&#xED;ticas pr&#xE1;ticas na Alemanha, sobrava-lhe pouco tempo para o trabalho te&#xF3;rico e, quando lhe solicitaram que escrevesse algo biogr&#xE1;fico sobre Marx, o compromisso que conseguiu fazer foi de escrever n&#xE3;o propriamente uma biografia de Marx, mas sim um livro autobiogr&#xE1;fico seu em que descreveria os muitos acontecimentos comuns que teve com Marx e sua fam&#xED;lia, de modo que o p&#xFA;blico pudesse ter uma ideia melhor da vida &#xED;ntima daquele grande pensador. Essas palavras iniciais s&#xE3;o importantes para se entender o real objetivo do livro, que tem sido frequentemente mal compreendido. Ao contr&#xE1;rio da obra j&#xE1; citada de Gustav Gross, o livro de Liebknecht quase n&#xE3;o se aventura em explicar a obra ou o pensamento de Marx: ap&#xF3;s um breve in&#xED;cio com um curto resumo cronol&#xF3;gico da vida de Marx, o livro descreve passagens da vida do Mouro que Liebknecht compartilhou. Apesar do not&#xE1;vel interesse da obra para historiadores, muitos observadores (em especial de esquerda) criticam o car&#xE1;ter algo mundano (formado de epis&#xF3;dios do dia a dia, sem consequ&#xEA;ncias pol&#xED;ticas maiores) de v&#xE1;rias das passagens descritas. Como o objetivo de Liebknecht era descrever Marx sob uma luz simp&#xE1;tica, muitos n&#xE3;o entenderam por que colocou passagens em que o Mouro aparecia de maneira at&#xE9; algo pueril. Por exemplo, descreveu um epis&#xF3;dio em que ele, Marx e Edgar Bauer ouviram, em Londres, cr&#xED;ticas de alguns ingleses &#xE0; Alemanha e, tomados de s&#xFA;bito patriotismo, resolveram responder &#xE0; altura defendendo as fa&#xE7;anhas dos artistas e pensadores alem&#xE3;es contra a aliena&#xE7;&#xE3;o filos&#xF3;fico-pol&#xED;tica dos ingleses. Mais ainda, por terem tomado algumas cervejas, comportaram-se posteriormente como adolescentes e, seguindo o exemplo sard&#xF4;nico de Bauer, arrancaram pedras do pavimento da rua e quebraram postes de luz, antes de fugirem da pol&#xED;cia. Muitos cr&#xED;ticos se perguntaram por que Liebknecht perderia tempo em descrever epis&#xF3;dios infantis como esse, que poderiam inclusive colocar Marx sob uma luz ruim. Gostar&#xED;amos aqui de avan&#xE7;ar uma hip&#xF3;tese para explicar este tipo de descri&#xE7;&#xE3;o de Liebknecht. Tem a ver com o ambiente pol&#xED;tico da &#xE9;poca em que o livro foi escrito. Na d&#xE9;cada de 1890 o partido social-democrata alem&#xE3;o tinha sido tirado da ilegalidade como partido &#x201C;subversivo&#x201D; e iniciava sua ascens&#xE3;o como organiza&#xE7;&#xE3;o &#x201C;respeit&#xE1;vel&#x201D; e leg&#xED;tima na competi&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica. Liebknecht, ao redigir um livro em que descrevia Marx em seu dia a dia, como um amoroso pai, e como uma pessoa normal, &#x201C;como todas as outras&#x201D; (apesar de seu brilhantismo intelectual acima da m&#xE9;dia), tentava fazer com a imagem de Marx o que estava se passando com o partido social-democrata: tornando-se normal e respeit&#xE1;vel. Ao contr&#xE1;rio do Marx subversivo, carrancudo, conspirador, &#x201C;fora da lei&#x201D;, como tinha sido descrito at&#xE9; aqui pelos governos conservadores, os epis&#xF3;dios prosaicos do livro de Liebknecht passavam a ideia de um Marx mais &#x201C;humano&#x201D;, &#x201C;brincalh&#xE3;o&#x201D; e, portanto, mais aceit&#xE1;vel no jogo pol&#xED;tico legal em que agora tomavam parte.</p>
<p>Para bem da justi&#xE7;a com o bi&#xF3;grafo, &#xE9; preciso dizer que, apesar do livro ser amplamente favor&#xE1;vel a Marx, Liebknecht n&#xE3;o deixou de apontar os momentos em que teve diferen&#xE7;as com o Mouro, como quando comentou que Marx n&#xE3;o era um bom orador ou que Marx tinha errado ao prever a data de certas crises capitalistas vindouras. Dentro do esp&#xED;rito em que foi constru&#xED;da (uma biografia &#x201C;indireta&#x201D; atrav&#xE9;s da autobiografia do outro autor, ambos personagens pol&#xED;ticos importantes), a obra certamente tem alta relev&#xE2;ncia hist&#xF3;rica.</p>
<p>O pr&#xF3;ximo grande passo (para muitos, o <italic>primeiro</italic> passo) no campo das biografias do Mouro viria dos Estados Unidos. Foi o livro <italic>Karl Marx: his life and work</italic>, de John <xref ref-type="bibr" rid="B36">Spargo (1910)</xref>, um intelectual do Partido Socialista da Am&#xE9;rica. A men&#xE7;&#xE3;o <italic>supra</italic> ao &#x201C;primeiro passo&#x201D; se refere ao fato de que muitos consideram que os primeiros trabalhos descritos acima n&#xE3;o constituem uma biografia <italic>stricto sensu</italic> de Marx (o de Liebknecht seria um livro de recorda&#xE7;&#xF5;es e o de Gustav Gross, em sua maior parte, uma biografia intelectual). Spargo pesquisou durante 13 anos (em meio a suas atividades jornal&#xED;sticas e pol&#xED;ticas) para escrever a obra e, realmente, se concentrou majoritariamente na vida de Marx e n&#xE3;o apenas em suas obras ou ideias. Foi um grande salto qualitativo para a &#xE9;poca em termos de biografia <italic>stricto sensu</italic>, mas tinha limita&#xE7;&#xF5;es por n&#xE3;o ser escrita por um historiador profissional ou acad&#xEA;mico. Como a maioria das biografias de Marx at&#xE9; a primeira metade do s&#xE9;culo XX, a cita&#xE7;&#xE3;o de fontes prim&#xE1;rias &#xE9; err&#xE1;tica, na maioria das vezes com os fatos sendo narrados sem cita&#xE7;&#xE3;o de fontes, baseados em est&#xF3;rias correntes no meio da esquerda, aceitas no valor de face. De qualquer jeito pode ser considerado o primeiro grande passo nos sentido das biografias <italic>stricto sensu</italic> de Marx. &#xC9; interessante que Spargo (assim como Gustav Gross em sua obra original) foi modesto e dizia que n&#xE3;o se achava o mais indicado para escrever a biografia definitiva de Marx e indicava, como potencial candidato para isso, o grande historiador da social democracia alem&#xE3;, Franz Mehring (uma profecia que se realizou, pois Mehring depois escreveria uma biografia de Marx que seria considerada o trabalho padr&#xE3;o por muitas d&#xE9;cadas, pelo menos at&#xE9; que chegasse a de David McLellan nos anos 1970). Interessante notar o percurso ideol&#xF3;gico da obra de Spargo. John Spargo era um socialista moderado. A despeito disso, descreveu em cores bem simp&#xE1;ticas o desenvolvimento intelectual de Marx e seu papel no movimento socialista mundial. Apesar de mostrar o radicalismo de Marx ao longo da narrativa, na conclus&#xE3;o do livro, de car&#xE1;ter te&#xF3;rico, faz uma leitura do pensamento marxiano quase como se fosse mais evolucionista (seguindo as tend&#xEA;ncias da hist&#xF3;ria) que revolucion&#xE1;rio. Ilustrou isso na passagem em que descrevia a previs&#xE3;o errada que Marx fizera uma vez de que o capitalismo n&#xE3;o resistiria ao impacto da eletricidade (ou seja, das transforma&#xE7;&#xF5;es tecnol&#xF3;gicas trazidas pela eletricidade, que revolucionaria o mundo). Spargo comenta:</p> <disp-quote>
<p>[&#x2026;] Marx pertence ao grupo dos grandes evolucionistas do s&#xE9;culo XIX [&#x2026;] Que a eletricidade est&#xE1; revolucionando o mundo &#xE9; um fato corriqueiro h&#xE1; mais de uma gera&#xE7;&#xE3;o. Marx estava correto em observar esse fato como um &#x201C;revolucionista&#x201D;, mas errado na rapidez e dura&#xE7;&#xE3;o da revolu&#xE7;&#xE3;o. A eletricidade exemplifica admiravelmente a &#x201C;evolu&#xE7;&#xE3;o revolucion&#xE1;ria&#x201D; que estava na base mais profunda do pensamento de Marx (<xref ref-type="bibr" rid="B37">SPARGO, 1912</xref>, p. 329-330).</p></disp-quote>
<p>Ao contr&#xE1;rio de Gustav Gross, outro pol&#xED;tico moderado, que, apesar da descri&#xE7;&#xE3;o relativamente simp&#xE1;tica de Marx, explicitava quando discordava de seu pensamento, Spargo, na verdade, faz uma leitura algo contorcida da filosofia de Marx de modo a aproximar o pensamento do te&#xF3;rico alem&#xE3;o de sua pr&#xF3;pria filosofia pol&#xED;tica.</p>
<p>Como previu Spargo, o pol&#xED;tico e historiador da social-democracia alem&#xE3;, Franz Mehring, em 1918 lan&#xE7;aria uma biografia de Marx (<italic>Karl Marx: Geschichte seines Lebens</italic>) que viria a ser, por d&#xE9;cadas, considerada a melhor. Essa reputa&#xE7;&#xE3;o alcan&#xE7;ada talvez tenha a ver com o perfil intelectual/pol&#xED;tico do autor. Franz Mehring foi um importante intelectual e pol&#xED;tico alem&#xE3;o que, iniciando sua carreira no campo liberal, derivou para se tornar um dos grandes nomes do partido social-democrata alem&#xE3;o at&#xE9; a Primeira Guerra Mundial. Discordando do apoio do partido social-democrata ao esfor&#xE7;o de guerra, participou da funda&#xE7;&#xE3;o da Liga Espartaquista, juntamente com Rosa Luxemburgo, Karl Liebknecht e sua grande amiga Klara Zetkin. Ou seja, em sua fase final, pertencia &#xE0; ala esquerda da social-democracia, aquela mais pr&#xF3;xima do marxismo. Isso, juntamente com sua condi&#xE7;&#xE3;o de intelectual extremamente lido e culto, dava-lhe um conhecimento profundo do marxismo te&#xF3;rico, o que permitia contextualizar os fatos cotidianos da vida de Marx e relacion&#xE1;-los ao seu desenvolvimento intelectual. Ou seja, eventuais dificuldades te&#xF3;ricas dos primeiros bi&#xF3;grafos em entender a (complicada) teoria de Marx foram superadas aqui. Por outro lado, o fato de Mehring ter provindo originalmente de outra tradi&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica (o liberalismo) e nunca ter sido um marxista &#x201C;ortodoxo&#x201D; (no sentido daqueles que seguiam o marxismo quase como se fosse uma cartilha religiosa) dava-lhe certa latitude de pensamento cr&#xED;tico em rela&#xE7;&#xE3;o ao pr&#xF3;prio Marx. Ou seja, seu livro n&#xE3;o seria uma mera hagiografia do Mouro.</p>
<p>E realmente esse foi o perfil do livro. Al&#xE9;m de enfatizar os fatos da vida de Marx, na an&#xE1;lise de seu pensamento (que tamb&#xE9;m ocupa uma boa parte do livro) sua vis&#xE3;o, apesar de simp&#xE1;tica no geral, n&#xE3;o deixa de apresentar o contradit&#xF3;rio, por vezes apoiando o contradit&#xF3;rio contra Marx. Um grande exemplo seria o relacionamento entre Marx e o l&#xED;der trabalhista alem&#xE3;o Ferdinand Lassalle. Mehring v&#xE1;rias vezes defender&#xE1; Lassalle contra Marx.</p>
<p>Al&#xE9;m de todos os motivos mencionados acima, a outra raz&#xE3;o para explicar o prest&#xED;gio da biografia de Mehring &#xE9; que ele tinha uma larga experi&#xEA;ncia como historiador j&#xE1; que escreveu uma reputada <italic>Hist&#xF3;ria da Social-Democracia Alem&#xE3;</italic>. O trabalho com as fontes da hist&#xF3;ria partid&#xE1;ria em geral lhe deu uma base pr&#xE1;tica e te&#xF3;rica forte para realizar a futura obra biogr&#xE1;fica sobre Marx.</p>
<p>O resultado de tudo isso foi sua biografia ter ficado como padr&#xE3;o por longo tempo.</p>
<p>Ap&#xF3;s Franz Mehring ter elevado o n&#xED;vel do trabalho biogr&#xE1;fico sobre Marx, a d&#xE9;cada de 1920 viu o aparecimento de outros trabalhos em tal n&#xED;vel mais elevado. Muito semelhante &#xE0; biografia de Mehring foi a escrita por Otto <xref ref-type="bibr" rid="B33">R&#xFC;hle em 1926</xref>, <italic>Karl Marx: Leben und Werk</italic>. Semelhante at&#xE9; por um perfil parecido dos autores: ambos da ala esquerda do partido social-democrata alem&#xE3;o e que, durante a Primeira Guerra Mundial, participaram da funda&#xE7;&#xE3;o da Liga Espartaquista. A parte formal da biografia de R&#xFC;hle era muito semelhante &#xE0; de Mehring: realmente descrevendo a vida de Marx, mas tamb&#xE9;m analisando bastante a parte te&#xF3;rica das suas obras. Entretanto, refletindo talvez as diferen&#xE7;as de perfil entre os dois autores (Mehring morreu pouco depois da Primeira Guerra Mundial enquanto que R&#xFC;hle viveu at&#xE9; 1943 e desenvolveu uma posi&#xE7;&#xE3;o semelhante &#xE0; de um &#x201C;conselhista de esquerda&#x201D; com cr&#xED;ticas ao autoritarismo centralista da experi&#xEA;ncia sovi&#xE9;tica leninista), R&#xFC;hle, apesar de tamb&#xE9;m aceitar a grandeza do pensamento e a&#xE7;&#xE3;o de Marx, expunha mais cr&#xED;ticas ao Mouro no livro. Inclusive, sua conclus&#xE3;o final &#xE9; que a extrema &#xE2;nsia de Marx em superar o capitalismo e os v&#xED;cios capitalistas era uma forma de compensa&#xE7;&#xE3;o ao senso de inferioridade em virtude de sua condi&#xE7;&#xE3;o inicial de vida como judeu com problemas de sa&#xFA;de em meio estranho.</p> <disp-quote>
<p>Podemos dizer que tr&#xEA;s caracter&#xED;sticas da individualidade de Marx (m&#xE1; sa&#xFA;de, origem judia, o fato de ser o filho mais velho) interagiram e combinaram para produzir um senso de inferioridade. A compensa&#xE7;&#xE3;o resultante come&#xE7;ou com a formula&#xE7;&#xE3;o de um objetivo. Quanto mais baixa a autoestima, maior ser&#xE1; o objetivo [&#x2026;] Inferioridade busca compensa&#xE7;&#xE3;o [&#x2026;] Marx buscou compensa&#xE7;&#xE3;o espiritual no reino das ideias. Seu esfor&#xE7;o compensat&#xF3;rio o tornou fundador de uma teoria econ&#xF4;mica, o criador de um novo sistema econ&#xF4;mico [&#x2026;] Inquestionavelmente, Marx era neur&#xF3;tico [&#x2026;] Tivesse Marx, como neur&#xF3;tico, se contentado com a apar&#xEA;ncia de ter realizado algo, seu trabalho teria ca&#xED;do no vazio e ele mesmo teria sido uma figura tr&#xE1;gica em sua futilidade. Como as coisas se desenrolaram, entretanto, ele realizou uma tarefa suprema [&#x2026;] (<xref ref-type="bibr" rid="B32">R&#xDC;HLE, 1929</xref>, p. 187-196).</p></disp-quote>
<p>Nos anos 1920 uma realidade nova surgiu. A Uni&#xE3;o Sovi&#xE9;tica, um pa&#xED;s fundado na base do marxismo, ap&#xF3;s as destrui&#xE7;&#xF5;es do per&#xED;odo inicial da guerra civil de 1918-1921, se reconstruiu e apareceu para o mundo como um novo centro de estudos da obra (e vida) de Marx. N&#xE3;o apareceu uma biografia de porte espec&#xED;fica de Marx, mas foi escrito em 1927 o livro <italic>Karl Marx e Frederick Engels: uma introdu&#xE7;&#xE3;o a suas vidas e trabalho</italic> de David Riazanov, uma esp&#xE9;cie de biografia mista de Marx e Engels. O importante a&#xED; n&#xE3;o &#xE9; tanto a forma do livro, mas a maneira como ele seria trabalhado. David Riazanov fundou em Moscou (em 1921) o Instituto Marx-Engels e foi seu diretor ao longo dos anos 1920. O Instituto Marx-Engels foi encarregado de publicar as obras completas de Marx e Engels, um projeto que viria, cheio de vicissitudes pol&#xED;ticas, paradas e rein&#xED;cios, ao longo das d&#xE9;cadas at&#xE9; hoje (atualmente &#xE9; a chamada MEGA, <italic>Marx-Engels-Gesamtausgabe</italic>, um projeto gigantesco em andamento para publicar tudo de Marx e Engels em 114 volumes). A biografia escrita por Riazanov contou exatamente com a ajuda de todo esse trabalho coletivo de base. Al&#xE9;m disso, esse esfor&#xE7;o coletivo seria a base do que, no p&#xF3;s-Segunda Guerra Mundial, seria a biografia padr&#xE3;o de Marx na Uni&#xE3;o Sovi&#xE9;tica, o livro <italic>Karl Marks: Biografiya</italic> [&#x201C;Karl Marx: uma biografia&#x201D;] publicado como obra coletiva do <italic>Institut Marksisma-Leninisma pri TsK KPSS</italic> [&#x201C;Instituto de Marxismo-Leninismo do Comit&#xEA; Central do PCUS&#x201D;, o novo nome do antigo Instituto Marx-Engels]. Esse &#xE9; um dos livros mais subestimados no Ocidente. Apesar de ter sido amplamente consultado e possivelmente sido a base factual de muitos trabalhos de autores ocidentais, &#xE9; frequentemente qualificado por estes como uma obra dogm&#xE1;tica, t&#xED;pica do marxismo ortodoxo sovi&#xE9;tico. Realmente, &#xE9; um livro com a linguagem algo estereotipada sovi&#xE9;tica, mas &#xE9; fruto de um profundo trabalho de pesquisa de muitos especialistas, contando com uma base bibliogr&#xE1;fica maior que a dispon&#xED;vel aos autores ocidentais. Se as conclus&#xF5;es do livro podem ser algo estereotipadas e controversas, a parte factual dele (dados da vida de Marx, quando certos conceitos primeiramente aparecem em que textos de Marx, etc.) &#xE9; extremamente forte e embasada. Tem a for&#xE7;a de um trabalho coletivo, com muitos especialistas trabalhando juntos para aprofundar pesquisas em uma base de fontes prim&#xE1;rias poderosa. E muito dessa poderosa base de fontes prim&#xE1;rias (incluindo a pr&#xF3;pria MEGA) tem suas origens no pioneirismo de Riazanov e seu Instituto Marx-Engels.</p>
<p>Na d&#xE9;cada de 1930 come&#xE7;am a se multiplicar trabalhos biogr&#xE1;ficos (ou, pelo menos, parcialmente biogr&#xE1;ficos, como no caso das &#x201C;biografias intelectuais&#x201D;) sobre Marx. Tr&#xEA;s obras podem ser especialmente destacadas: 1) <italic>Karl Marx: Man and Fighter</italic>, de Boris <xref ref-type="bibr" rid="B27">Nicolaevsky (1936)</xref>; 2) <italic>Karl Marx: His Life and Environment</italic>, de Isaiah <xref ref-type="bibr" rid="B2">Berlin (1939)</xref>; 3) <italic>Karl Marx: A Study in Fanaticism</italic>, de E.H. <xref ref-type="bibr" rid="B4">Carr (1934)</xref>.</p>
<p>Boris Nicolaevsky estava numa posi&#xE7;&#xE3;o favor&#xE1;vel a esse tipo de trabalho. Foi menchevique russo que, ap&#xF3;s a Revolu&#xE7;&#xE3;o de 1917, chegou a participar da dire&#xE7;&#xE3;o no Instituto Marx-Engels de Moscou, como David Riazanov. Deportado da R&#xFA;ssia sovi&#xE9;tica em 1922, mudar-se-ia para Berlim onde trabalharia como historiador e arquivista no Instituto Marx-Engels de l&#xE1;, tornando-se depois diretor do Instituto Internacional de Hist&#xF3;ria Social de Amsterdam, que era o reposit&#xF3;rio dos arquivos da Internacional Socialista. Com essa profunda experi&#xEA;ncia nos arquivos socialistas, tinha um enorme material de fontes prim&#xE1;rias dispon&#xED;vel ao escrever sua biografia de Marx. &#xC9; um livro que tem caracter&#xED;sticas parecidas com o de David Riazanov: uma biografia de Marx embasada em uma pesquisa de arquivo e documentos (alguns in&#xE9;ditos) em n&#xED;vel bem acima dos primeiros escritos do g&#xEA;nero. Inclusive, o mero fato de Nicolaevsky estar escrevendo na d&#xE9;cada de 1930, e tendo tido acesso &#xE0;s &#xFA;ltimas pesquisas mais avan&#xE7;adas, fazia que em sua biografia fossem mencionados textos importantes de Marx que nunca tinham sido publicados durante sua vida. Por exemplo, o crucial livro <italic>A Ideologia Alem&#xE3;</italic> foi publicado pela primeira vez por David Riazanov em 1932 em Moscou. Nicolaevsky p&#xF4;de incorporar esses textos, antes in&#xE9;ditos, em sua biografia, o que representava um pulo de qualidade em rela&#xE7;&#xE3;o ao que era descrito at&#xE9; ent&#xE3;o. A biografia de Nicolaevsky, assim como a de Riazanov nos anos 1920, era um passo adiante no sentido de uma biografia <italic>stricto sensu</italic>, pois, apesar de contextualizarem e comentarem a obra de Marx, enfatizavam, na maior parte, sua <italic>vida</italic>. Nesse sentido, ultrapassavam as biografias anteriores (mesmo, talvez, a de Mehring) que geralmente pendiam para o lado da biografia intelectual, no sentido em que a vida de Marx era descrita mais como um apoio para a contextualiza&#xE7;&#xE3;o das <italic>obras</italic> de Marx do que um fim em si. A de Nicolaevsky (e a &#x201C;mista&#x201D; de Riazanov) enfatizavam a vida de Marx e dentro dela encaixavam suas obras. Finalmente, &#xE9; interessante notar que a biografia de Nicolaevsky &#xE9; muito simp&#xE1;tica &#xE0; Marx, que &#xE9; descrito como o maior te&#xF3;rico socialista. Isso poderia surpreender n&#xE3;o s&#xF3; por Nicolaevsky ter sido um menchevique, mas &#xE0; luz de sua posterior trajet&#xF3;ria para posi&#xE7;&#xF5;es mais conservadoras no p&#xF3;s-Segunda Guerra Mundial, quando emigrou para os EUA e se tornou um dos fundadores do campo da kremlinologia. Nessa biografia da d&#xE9;cada de 1930, Nicoloaevsky parecia manter ainda o seu &#xED;mpeto fortemente socialista da d&#xE9;cada de 1920 quando tinha uma afinidade intelectual forte e uma liga&#xE7;&#xE3;o org&#xE2;nica com o movimento socialista.</p>
<p>O destino do livro de E.H. (Edward Hallett) Carr, <italic>Karl Marx: A Study in Fanaticism</italic> (1934), &#xE9; paradoxal. E.H. Carr viria a ser um dos maiores historiadores sobre a URSS, com sua monumental <italic>A History of Soviet Russia</italic> (14 volumes). E, posteriormente, evoluiria politicamente para a esquerda aproximando-se do socialismo. Mas na &#xE9;poca do lan&#xE7;amento de sua biografia de Marx, tinha posi&#xE7;&#xF5;es bem mais &#xE0; direita e seu livro tra&#xE7;ava um perfil algo desfavor&#xE1;vel do Mouro (vis&#xED;vel pelo subt&#xED;tulo!). Era um livro bem elaborado (apesar de ainda n&#xE3;o no alt&#xED;ssimo n&#xED;vel da fase madura de Carr em que escreveria obras hist&#xF3;ricas com pleno dom&#xED;nio da linguagem e das fontes originais), mas Carr o renegaria posteriormente e inclusive proibiria sua republica&#xE7;&#xE3;o quando a primeira edi&#xE7;&#xE3;o se esgotou. &#xC9; um caso semelhante (apenas em polos opostos) &#xE0; rela&#xE7;&#xE3;o de Jorge Amado com seu livro <italic>O Mundo da Paz</italic> (1951), em que tecia elogios &#xE0; Stalin: ambos os autores renegaram, em termos ideol&#xF3;gicos, as obras posteriormente e, inclusive, proibiram novas edi&#xE7;&#xF5;es.</p>
<p>Finalmente, na d&#xE9;cada de 1930, foi marcante o livro <italic>Karl Marx: His Life and Environment</italic>, de Isaiah Berlin (de 1939). Considerada por muitos o melhor exemplo de biografia intelectual de Marx, representou um trabalho interessante para o fil&#xF3;sofo Isaiah Berlin. Berlin &#xE9; reconhecidamente um dos maiores nomes da hist&#xF3;ria das ideias. Judeu, nascido em 1909 em Riga, capital da atual Let&#xF4;nia, na &#xE9;poca parte do imp&#xE9;rio russo, viveu <italic>in loco</italic> a Revolu&#xE7;&#xE3;o Russa antes de emigrar para o Ocidente e se tornar um dos grandes intelectuais da universidade de Oxford, na Inglaterra. Autor de v&#xE1;rios trabalhos de hist&#xF3;ria das ideias relacionadas &#xE0; R&#xFA;ssia, a biografia de Marx encomendada por uma editora, foi, para ele, um desafio intelectual. Como n&#xE3;o era marxista e at&#xE9; ali n&#xE3;o tinha interesse especial nesta teoria, escrever o livro foi para ele fazer um encontro pessoal, de aprofundamento, com o marxismo, especialmente porque, como dissemos, o livro (apesar de descrever cronologicamente a vida de Marx) era basicamente uma biografia intelectual centrada na an&#xE1;lise e discuss&#xE3;o das obras e da evolu&#xE7;&#xE3;o do pensamento do Mouro. O resultado foi um <italic>tour de force</italic> intelectual em que, apesar de n&#xE3;o concordar (inteiramente, ou mesmo basicamente) com as ideias de Marx, consegue descrev&#xEA;-las de maneira relativamente isenta e at&#xE9; simp&#xE1;tica, sem perder a capacidade de tecer coment&#xE1;rios cr&#xED;ticos abalizados. No p&#xF3;s-Segunda Guerra Mundial, Berlin, (2013, p. XXV; 288) comentando sobre sua biografia escrita em 1939, a considerou basicamente v&#xE1;lida, mas faria a autocr&#xED;tica de que, por ser daquela &#xE9;poca em que v&#xE1;rios escritos at&#xE9; ent&#xE3;o in&#xE9;ditos do &#x201C;jovem Marx&#x201D; (o Marx de sua fase inicial, mais preocupado com temas filos&#xF3;ficos, como aliena&#xE7;&#xE3;o, do que o Marx maduro, voltado principalmente para a economia) estavam acabando de vir &#xE0; luz e ainda n&#xE3;o tinham tido a grande influ&#xEA;ncia que teriam posteriormente, a imagem do Mouro projetada era a do Marx &#x201C;oficial&#x201D; sovi&#xE9;tico, imagem criada muito em cima dos &#xFA;ltimos textos algo ortodoxos e simplistas de Engels. Berlin especialmente lamentou n&#xE3;o ter repercutido mais o peso dos <italic>Manuscritos Econ&#xF4;mico-Filos&#xF3;ficos de 1844</italic>, ent&#xE3;o rec&#xE9;m-publicados, pois acreditava que mostravam a face humanista de Marx mais claramente (de forma curiosa, Berlin subestimava um pouco <italic>A Ideologia Alem&#xE3;</italic>, tamb&#xE9;m pela primeira vez publicada na d&#xE9;cada de 1930, em sua capacidade de real&#xE7;ar esta face mais &#x201C;humanista&#x201D; do pensador alem&#xE3;o).</p>
<p>Finalmente, &#xE9; interessante notar a ironia de uma das conclus&#xF5;es finais de Berlin (um fil&#xF3;sofo que valorizava a hist&#xF3;ria das ideias, reino que Marx relegava &#xE0; superestrutura dominada pela infraestrutura econ&#xF4;mica): &#x201C;[Marx&#x2026;] partiu da posi&#xE7;&#xE3;o de refutar a proposi&#xE7;&#xE3;o de que as ideias determinam decisivamente o curso da hist&#xF3;ria, mas a sua pr&#xF3;pria influ&#xEA;ncia nos assuntos humanos fragilizou a for&#xE7;a dessa tese&#x201D;(<xref ref-type="bibr" rid="B3">BERLIN, 2013</xref>, p. 265).</p>
<p>As biografias mencionadas acima foram as mais importantes at&#xE9; a Segunda Guerra Mundial. Na segunda metade do s&#xE9;culo XX, as exig&#xEA;ncias metodol&#xF3;gicas para tais trabalhos seriam elevadas e apareceriam biografias da vida de Marx que cumpririam integralmente todos os requisitos para trabalhos biogr&#xE1;ficos hist&#xF3;ricos profissionais. O grande nome dentro desse novo quadro foi <italic>Karl Marx: His Life and Thought</italic> de David McLellan, lan&#xE7;ado em 1973. Por muitos considerada a melhor biografia de Marx at&#xE9; hoje (sofreu revis&#xF5;es em sucessivas edi&#xE7;&#xF5;es), foi um marco. O que a diferencia &#xE9; que McLellan conseguiu um raro equil&#xED;brio em ter tanto uma descri&#xE7;&#xE3;o altamente documentada da vida de Marx (biografia <italic>stricto sensu</italic>) como tamb&#xE9;m foi de alta qualidade no aspecto de biografia intelectual, ao descrever a evolu&#xE7;&#xE3;o das ideias de Marx dentro do contexto de sua vida. Esse &#xE9; um equil&#xED;brio dif&#xED;cil de alcan&#xE7;ar. Por um lado, temos hoje biografias altamente documentadas da vida de Marx, mas que no aspecto do acompanhamento da evolu&#xE7;&#xE3;o de suas ideias ficam em n&#xED;vel mais baixo que as melhores biografias intelectuais (como <xref ref-type="bibr" rid="B41">Wheen, 1999</xref>, por exemplo) e, por outro, temos biografias intelectuais de alto n&#xED;vel (como <xref ref-type="bibr" rid="B2">Berlin, 1939</xref>), mas que no aspecto da documenta&#xE7;&#xE3;o da vida e dia a dia de Marx n&#xE3;o s&#xE3;o t&#xE3;o fortes. O que McLellan conseguiu foi ser de alto n&#xED;vel nos dois lados da equa&#xE7;&#xE3;o. N&#xE3;o apenas pesquisou, de maneira metodol&#xF3;gica precisa, aspectos da vida do Mouro (alguns nem t&#xE3;o estudados antes), como conseguiu fazer o leitor acompanhar a evolu&#xE7;&#xE3;o do pensamento de Marx em seus diversos ziguezagues. Al&#xE9;m disso, fez um trabalho bastante equilibrado, sem cair na hagiografia ou na demonologia. Na verdade, o professor de Ci&#xEA;ncia Pol&#xED;tica McLellan, um disc&#xED;pulo do fil&#xF3;sofo Isaiah Berlin, supriu, em sua biografia, a defici&#xEA;ncia que Berlin apontou em seu pr&#xF3;prio trabalho (ter, nos anos 1930, feito uma descri&#xE7;&#xE3;o de Marx muito mais baseada na vers&#xE3;o can&#xF4;nica sovi&#xE9;tica-engelsiana sem ter podido explorar a vers&#xE3;o mais humanista do jovem Marx a partir dos textos in&#xE9;ditos do Mouro que estavam sendo publicados pela primeira vez naquela d&#xE9;cada). McLellan explora em profundidade o trabalho de Marx a partir desses textos n&#xE3;o publicados em sua vida, o que leva sua biografia a ter um equil&#xED;brio maior entre a vis&#xE3;o humanista do jovem Marx e sua maior &#xEA;nfase na economia na parte posterior de sua vida. Recha&#xE7;ando a ideia de Althusser do &#x201C;corte epistemol&#xF3;gico&#x201D; entre o jovem Marx e o Marx maduro, McLellan tra&#xE7;a a evolu&#xE7;&#xE3;o do pensamento do Mouro de forma cont&#xED;nua, cheia de ziguezagues e contradi&#xE7;&#xF5;es, mas ininterrupta e com coer&#xEA;ncia interna. O que a biografia de Mehring tinha sido para a primeira metade do s&#xE9;culo XX (o padr&#xE3;o, at&#xE9; ent&#xE3;o), a de McLellan foi para a segunda metade (e provavelmente at&#xE9; hoje). McLellan elevou a barra das exig&#xEA;ncias metodol&#xF3;gicas para trabalhos biogr&#xE1;ficos sobre Marx e, a partir dali, v&#xE1;rios surgiram que ficaram &#xE0; altura desse novo desafio, pelo menos em termos do que se exige em padr&#xE3;o de qualidade de documenta&#xE7;&#xE3;o e utiliza&#xE7;&#xE3;o de fontes prim&#xE1;rias adequadas para tal tipo de trabalho (obras como as de <xref ref-type="bibr" rid="B41">Wheen, 1999</xref>, e <xref ref-type="bibr" rid="B38">Sperber, 2013</xref> trouxeram diferentes novas luzes sobre a vida daquele pensador alem&#xE3;o), apesar de que, discutivelmente, se possa dizer que o raro equil&#xED;brio conseguido por McLellan em ser excelente tanto como biografia <italic>stricto sensu</italic> quanto como biografia intelectual n&#xE3;o foi novamente alcan&#xE7;ado desde ent&#xE3;o<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref></p>
<p>Para a descri&#xE7;&#xE3;o das biografias de Marx a partir da segunda metade do s&#xE9;culo XX, talvez o melhor m&#xE9;todo seja utilizar o crit&#xE9;rio de relev&#xE2;ncia (as mais importantes ou seminais primeiro) em vez de seguir a ordem cronol&#xF3;gica, como fizemos at&#xE9; a primeira metade.</p>
<p>Em termos de avan&#xE7;o na pesquisa da vida de Marx (biografia <italic>stricto sensu</italic>) deve ser mencionada <italic>Karl Marx: A Life</italic>, do jornalista Francis <xref ref-type="bibr" rid="B41">Wheen (1999)</xref>. Sendo a primeira grande biografia de Marx ap&#xF3;s o final da Guerra Fria, o trabalho reflete a &#xE9;poca em que foi escrito. Deixando de lado a &#xEA;nfase quase que exclusiva no pensamento de Marx da maioria das obras sobre ele (apesar de tecer coment&#xE1;rios informados sobre esse assunto tamb&#xE9;m), Wheen vai extremamente fundo na pesquisa sobre a vida do Mouro, trazendo novos elementos e novos &#xE2;ngulos para sua compreens&#xE3;o. Al&#xE9;m disso, refletindo provavelmente o fato de Francis W. ser jornalista, o livro &#xE9; de uma leitura tremendamente fluida e agrad&#xE1;vel, com um humor (n&#xE3;o superficial) que lhe d&#xE1; um charme especial: o presente autor quase morreu de rir, por exemplo, nas p&#xE1;ginas 84-85 do livro de <xref ref-type="bibr" rid="B42">Wheen (2001</xref>, edi&#xE7;&#xE3;o <italic>paperback</italic>), quando este descrevia as idiossincrasias da rela&#xE7;&#xE3;o de Marx com Engels! &#xC9; claro que a maneira sard&#xF4;nica como descreveu aspectos da vida de Marx (inclusive real&#xE7;ando aspectos do humor do pr&#xF3;prio Mouro!) valeu-lhe cr&#xED;ticas de certos setores, especialmente dos marxistas mais sisudos, zelosos por uma imagem &#x201C;s&#xE9;ria&#x201D; do grande pensador alem&#xE3;o. Para a descri&#xE7;&#xE3;o da vida de Marx, o livro de Wheen &#xE9; um dos mais bem pesquisados.</p>
<p>Outra obra de ponta, que chegou perto do equil&#xED;brio de McLellan em ser boa tanto no aspecto de biografia <italic>stricto sensu</italic> e de biografia intelectual, &#xE9; <italic>Karl Marx: A Nineteenth-Century Life</italic> de Jonathan <xref ref-type="bibr" rid="B38">Sperber (2013)</xref>. Sperber, professor de hist&#xF3;ria da Universidade de Missouri, especialista em Alemanha do s&#xE9;culo XIX, tra&#xE7;a a outra grande biografia de Marx da &#xE9;poca p&#xF3;s-Guerra Fria. Inclusive utilizando a maior riqueza de fontes abertas com o fim dos regimes sovi&#xE9;ticos no Leste europeu, n&#xE3;o s&#xF3; explora, em riqueza de detalhes, a vida de Marx como investiga profundamente o pensamento de Marx para lan&#xE7;ar uma tese controversa no final: como o subt&#xED;tulo do livro indica, o grande Marx deve ser visto como uma figura t&#xED;pica do s&#xE9;culo XIX e seu pensamento tamb&#xE9;m deve ser visto nesse contexto. Isso significa, por um lado, que Marx n&#xE3;o deve ser colocado como o &#x201C;culpado&#x201D; do que seus seguidores sovi&#xE9;ticos fizeram no s&#xE9;culo XX, mas tamb&#xE9;m significa que seu pensamento teve validade para o s&#xE9;culo XIX, mas n&#xE3;o &#xE9; o mais apropriado para iluminar as realidades muito diferentes dos s&#xE9;culos XX e XXI, que t&#xEA;m caracter&#xED;sticas pr&#xF3;prias.</p> <disp-quote>
<p>As ideias e pr&#xE1;ticas pol&#xED;ticas reais de Marx &#x2014; desenvolvidas na matriz do in&#xED;cio do s&#xE9;culo XIX, a era do p&#xF3;s-Revolu&#xE7;&#xE3;o Francesa, da filosofia de Hegel e dos <italic>jovens hegelianos</italic> cr&#xED;ticos, da era inicial da industrializa&#xE7;&#xE3;o da Gr&#xE3;-Bretanha e das teorias de economia pol&#xED;tica que dali advieram &#x2014; tiveram, no m&#xE1;ximo, apenas conex&#xF5;es parciais com o que seus posteriores defensores e inimigos viram em seus escritos [&#x2026;] A vida de Marx, seus sistemas de pensamento, suas tentativas e aspira&#xE7;&#xF5;es pol&#xED;ticas, pertencem primariamente ao s&#xE9;culo XIX, um per&#xED;odo na hist&#xF3;ria humana que ocupa um lugar estranho em rela&#xE7;&#xE3;o ao presente: nem evidentemente distante e alien&#xED;gena, como a Idade M&#xE9;dia, nem um per&#xED;odo cujas mem&#xF3;rias de viv&#xEA;ncia ainda guardamos, como o mundo da era da guerra total, ou dos regimes comunistas do Leste Europeu [&#x2026; Cr&#xED;ticos] veem Marx como proponente do terrorismo totalit&#xE1;rio do s&#xE9;culo XIX [&#x2026;] Defensores das ideias de Marx rejeitam tais asser&#xE7;&#xF5;es, frequentemente interpretando Marx como um democrata e proponente de mudan&#xE7;a pol&#xED;tica emancipat&#xF3;ria. Ambas as posi&#xE7;&#xF5;es projetam retroativamente ao s&#xE9;culo XIX controv&#xE9;rsias de per&#xED;odos posteriores. Marx foi proponente de revolu&#xE7;&#xE3;o violenta, talvez at&#xE9; terrorista, mas uma que teria mais similaridades com as a&#xE7;&#xF5;es de Robespierre que com as de Stalin. De maneira an&#xE1;loga, os adeptos da ortodoxia econ&#xF4;mica contempor&#xE2;nea, os chamados te&#xF3;ricos econ&#xF4;micos neocl&#xE1;ssicos, descartam a teoria econ&#xF4;mica de Marx como ultrapassada ou n&#xE3;o cient&#xED;fica enquanto que seus defensores sugerem que Marx compreendeu caracter&#xED;sticas cruciais do capitalismo, tais como as crises econ&#xF4;micas regularmente recorrentes, que economistas ortodoxos n&#xE3;o podem explicar. Marx certamente entendia caracter&#xED;sticas cruciais do capitalismo, mas era do capitalismo que existia nas primeiras d&#xE9;cadas do s&#xE9;culo XIX, que, tanto em seus elementos centrais quanto nos debates entre os economistas pol&#xED;ticos que tentam entend&#xEA;-lo, &#xE9; bem distinto das circunst&#xE2;ncias atuais (<xref ref-type="bibr" rid="B38">SPERBER, 2013</xref>, p. XVIII-XIX; 560).</p></disp-quote>
<p>Certamente uma tese controversa, mas o livro foi escrito e documentado de maneira primorosa.</p>
<p>As obras citadas acima s&#xE3;o as que podemos considerar as principais biografias de Karl Marx, ou aquelas mais seminais que, de alguma forma, marcaram uma nova dire&#xE7;&#xE3;o ou um aprofundamento na qualidade do trabalho biogr&#xE1;fico propriamente dito. Existem outras obras biogr&#xE1;ficas que n&#xE3;o marcaram tanto o campo, mas que trouxeram tamb&#xE9;m contribui&#xE7;&#xF5;es ao conhecimento da vida de Karl Marx, cada uma de sua maneira. H&#xE1; aquelas biografias mais ortodoxas escritas no campo dos pa&#xED;ses socialistas (do tipo de <xref ref-type="bibr" rid="B39">Stepanova, 1956</xref>, ou <xref ref-type="bibr" rid="B8">Genkow et al., 1968</xref>). H&#xE1; as biografias (mais ou menos <italic>stricto sensu</italic>) escritas por ativistas pol&#xED;ticos (variando a&#xED; o grau de conhecimento te&#xF3;rico do marxismo) como <xref ref-type="bibr" rid="B18">Lewis, 1965</xref>. Existem tamb&#xE9;m trabalhos biogr&#xE1;ficos que cobrem um per&#xED;odo de vida espec&#xED;fico ou tema especial de Marx, como <xref ref-type="bibr" rid="B5">Cornu (1934)</xref> ou <xref ref-type="bibr" rid="B26">Monz (1964)</xref>. <italic>Marx</italic>, de Vincent <xref ref-type="bibr" rid="B1">Barnett (2009)</xref>, se aproxima desse grupo (e das biografias intelectuais) ao dar &#xEA;nfase muito grande no aspecto econ&#xF4;mico da teoria de Marx. O fato de n&#xE3;o terem sido mencionadas junto com as mais importantes no in&#xED;cio deste texto n&#xE3;o significa que algumas dessas outras biografias n&#xE3;o tenham trazido contribui&#xE7;&#xE3;o especial, pelo menos em certos campos ou setores espec&#xED;ficos. Por exemplo, <italic>Karl Marx. Eine Psychographie</italic>, de <xref ref-type="bibr" rid="B17">Arnold K&#xFC;nzli (1966)</xref> &#xE9; uma interessante biografia <italic>psicol&#xF3;gica</italic> de Marx, enfatizando seus processos mentais a partir de <italic>insights</italic> do campo da psicologia e psiquiatria. <xref ref-type="bibr" rid="B29">Robert Payne, autor de <italic>Marx</italic> (lan&#xE7;ado em 1968)</xref>, era quase que um &#x201C;bi&#xF3;grafo profissional&#x201D;, tal o n&#xFA;mero de biografias de diferentes personagens que redigiu. O que poderia ser visto com desconfian&#xE7;a (s&#xE3;o proverbiais os &#x201C;escorreg&#xF5;es&#x201D; de autores n&#xE3;o especializados em teoria marxista ao tentar descrever o complicado pensamento de Marx) pode ter ajudado a tornar o livro mais valioso em rela&#xE7;&#xE3;o aos aspectos factuais da vida de Marx. Al&#xE9;m da salutar (do ponto de vista das biografias) virada para os acontecimentos da <italic>vida</italic> de Marx, Payne realizou uma tarefa de pesquisa que trouxe conhecimentos in&#xE9;ditos at&#xE9; ent&#xE3;o (por exemplo, conseguiu melhor identificar e, pela primeira vez, apresentar detalhes e documentos, como certid&#xE3;o de nascimento e &#xF3;bito, do filho bastardo de Marx, Frederick Demuth). Igualmente, obras como as de <xref ref-type="bibr" rid="B34">Schwarzschild (1954)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B28">Padover (1980)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B15">K&#xF6;rner (2008)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B12">Hosfeld (2009)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="B40">Thomas (2012)</xref>, apesar de n&#xE3;o trazerem algo de absolutamente novo em termos de conhecimentos factuais da vida de Marx, propiciaram relevantes discuss&#xF5;es de pontos de vista idiossincr&#xE1;ticos que contribuem para uma discuss&#xE3;o mais aprofundada do complexo pensamento e controversa vida de Marx.</p>
<sec sec-type="conclusions">
<title>Conclus&#xE3;o</title>
<p>Apesar da exist&#xEA;ncia de in&#xFA;meros balan&#xE7;os bibliogr&#xE1;ficos/te&#xF3;ricos do pensamento e obra de Marx, chegamos ao s&#xE9;culo XXI sem um balan&#xE7;o <italic>biogr&#xE1;fico</italic> do Mouro, no sentido de balan&#xE7;o das biografias escritas sobre sua vida em si. Um fator que complica a realiza&#xE7;&#xE3;o de tal tarefa &#xE9; a exist&#xEA;ncia das chamadas biografias intelectuais, livros que, apesar de frequentemente fornecerem dados sobre a vida de Marx, concentram-se, na verdade, na evolu&#xE7;&#xE3;o do seu pensamento e na discuss&#xE3;o de suas teorias. Devido &#xE0; interliga&#xE7;&#xE3;o da vida de Marx com sua obra/teoria, fica dif&#xED;cil estabelecer tamb&#xE9;m a fronteira entre os livros que basicamente tratam de seu pensamento (mencionando adicionalmente sua vida) e aqueles que poderiam ser considerados uma biografia <italic>stricto sensu</italic> do personagem. No presente texto, tentamos mostrar os trabalhos que mais se aproximam de uma biografia <italic>stricto sensu</italic>. Notamos que foi dif&#xED;cil cortar o &#x201C;cord&#xE3;o umbilical&#x201D; do &#xFA;tero das &#x201C;biografias intelectuais&#x201D;: as primeiras biografias eram, na verdade, deste tipo. Na primeira metade do s&#xE9;culo XX, mesmo quando passamos a ter trabalhos que poder&#xED;amos chamar de essencialmente biogr&#xE1;ficos (como os de Riazanov e Nicolaevsky, j&#xE1; que mesmo Mehring, o primeiro grande bi&#xF3;grafo, se concentrava muito na an&#xE1;lise do pensamento de Marx), estes trabalhos (talvez por quest&#xE3;o de economia de espa&#xE7;o no livro) faziam referencia&#xE7;&#xF5;es bibliogr&#xE1;ficas mais rigorosas para o pensamento de Marx (citando obras e p&#xE1;ginas das cita&#xE7;&#xF5;es, etc.) do que para sua vida, que era descrita como se aqueles epis&#xF3;dios fossem de conhecimento geral. Era como se a &#x201C;vida&#x201D; de Marx fosse algo menor e necessitasse de menos rigor metodol&#xF3;gico do que seu pensamento e teoria. Parafraseando o que Marx disse sobre o capital, podemos dizer que o m&#xE9;todo de estudo (pesquisa) foi diferente do m&#xE9;todo da exposi&#xE7;&#xE3;o. Certamente, autores como Riazanov e Nicolaevsky pesquisaram nos diversos arquivos e documentos a eles dispon&#xED;veis para narrar os epis&#xF3;dios factuais da vida de Marx, mas mesmo eles (e, muito mais, os outros da &#xE9;poca) tendiam a tomar como n&#xE3;o necess&#xE1;rios de documenta&#xE7;&#xE3;o no livro as passagens da vida de Marx, consideradas como conhecidas nos meios da esquerda marxista. Essa defici&#xEA;ncia metodol&#xF3;gica seria dirimida na segunda metade do s&#xE9;culo XX com o aparecimento de biografias que cumprem as exig&#xEA;ncias acad&#xEA;micas para trabalhos biogr&#xE1;ficos hist&#xF3;ricos.</p>
<p>E que resultado final temos, no s&#xE9;culo XXI, desse balan&#xE7;o das biografias de Marx? Certamente o conhecimento factual da vida do Mouro foi aprofundado com as constantes pesquisas e a eleva&#xE7;&#xE3;o do n&#xED;vel metodol&#xF3;gico das biografias. Como seria de se esperar em rela&#xE7;&#xE3;o a um personagem t&#xE3;o controverso, nenhum consenso foi alcan&#xE7;ado. Desconfio que a raz&#xE3;o n&#xE3;o &#xE9; apenas o car&#xE1;ter controverso da vida e obra de Marx. Cada nova &#xE9;poca l&#xEA; as anteriores com seus pr&#xF3;prios olhos. O Marx de carne e osso foi um s&#xF3;, mas as interpreta&#xE7;&#xF5;es que se faziam dele em sua &#xE9;poca, nos anos imediatamente ap&#xF3;s a Revolu&#xE7;&#xE3;o Russa, nos anos ap&#xF3;s o XX Congresso do Partido Comunista da Uni&#xE3;o Sovi&#xE9;tica (quando ocorreu a cr&#xED;tica do culto &#xE0; personalidade de Stalin), ap&#xF3;s a queda do Muro de Berlim e hoje variaram muito. E isso n&#xE3;o tanto porque o Mouro se tenha modificado dentro do t&#xFA;mulo, mas porque os olhos exteriores o examinavam a partir de circunst&#xE2;ncias muito diferentes&#x2026;</p>
</sec></body>
<back>
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<fn id="fn1" fn-type="other">
<label>1</label>
<p>Uma (boa) tentativa de resenha das biografias de Marx pode ser vista em <xref ref-type="bibr" rid="B10">Goller (2007)</xref>, mas ela cobre apenas as obras publicadas at&#xE9; 1938. Outra ressalva que deve ser feita &#xE9; que, na presente resenha, focaremos as biografias espec&#xED;ficas da vida de Marx individualmente. H&#xE1; uma s&#xE9;rie de outras biografias interessantes de Marx com pessoas relacionadas, mas, por quest&#xF5;es de espa&#xE7;o, n&#xE3;o ser&#xE3;o analisadas aqui como, por exemplo, a biografia do casal Karl e Jenny Marx em <xref ref-type="bibr" rid="B7">Gabriel (2011)</xref> e a biografia conjunta de Marx e Engels em <xref ref-type="bibr" rid="B6">Cornu (1955-1970)</xref>. Al&#xE9;m disso, h&#xE1; biografias colaterais de/sobre pessoas pr&#xF3;ximas a Marx que tamb&#xE9;m ajudam a iluminar a vida do pensador alem&#xE3;o, como a biografia de Jenny Marx por F. <xref ref-type="bibr" rid="B9">Giroud (1992)</xref> ou os escritos do bisneto de Marx sobre ele em Longuet (1997). Apesar de fugirem ao escopo do presente texto, podem ser de interesse dos leitores e pesquisadores.</p></fn>
<fn id="fn2" fn-type="other">
<label>2</label>
<p>Os livros mencionados encontram-se arrolados nas REFER&#xCA;NCIAS no final do texto.</p></fn>
<fn id="fn3" fn-type="other">
<label>3</label>
<p>Pouco depois do livro de McLellan, foi lan&#xE7;ada, em 1975, <italic>Karl Marx. Eine politische Biographie</italic>, de Fritz J. Raddatz. Trata-se de uma biografia que enfatiza o lado pol&#xED;tico da atividade de Marx de uma maneira extremamente provocativa, mas bem documentada. Na opini&#xE3;o do presente escritor, Raddatz se perde um pouco em algumas discuss&#xF5;es algo est&#xE9;reis sobre aspectos da atividade de Marx a partir de sua pr&#xF3;pria posi&#xE7;&#xE3;o pessoal, mas, tendo-se em vista que Raddatz tinha um prop&#xF3;sito claramente polemista (com o marxismo ortodoxo) na obra, trata-se de uma biografia que atende o n&#xED;vel mais elevado deste tipo de trabalho na segunda metade do s&#xE9;culo XX.</p></fn></fn-group>
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<title>Refer&#xEA;ncias</title>
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