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<journal-title>Estudos Ibero-Americanos</journal-title>
<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Estud. Ibero-Am. (Online)</abbrev-journal-title></journal-title-group>
<issn pub-type="ppub">0101-4064</issn>
<issn pub-type="epub">1980-864X</issn>
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<publisher-name>Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul</publisher-name></publisher>
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<article-id pub-id-type="doi">10.15448/1980-864X.2017.3.26162</article-id>
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<subject>Resenha</subject></subj-group></article-categories>
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<article-title>As narrativas entre o dito e o feito: Alberto Tavares Silva e sua inscri&#xE7;&#xE3;o na mem&#xF3;ria e na hist&#xF3;ria do Piau&#xED;</article-title>
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<trans-title>Narratives between the said and the done: Alberto Tavares Silva and his inscription in memory and history of Piau&#xED;</trans-title></trans-title-group>
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<trans-title>Narrativas entre dicho y hecho: Alberto Tavares Silva y su aplicaci&#xF3;n en la memoria y la historia de Piau&#xED;</trans-title></trans-title-group>
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<name><surname>Fontineles</surname><given-names>Pedro Pio</given-names><suffix>Filho</suffix></name> <xref ref-type="aff" rid="aff1">*</xref>
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<p>P<sc>edro</sc> P<sc>io</sc> F<sc>ontineles</sc> F<sc>ilho</sc> <email>ppio26@hotmail.com</email></p>
<p>&#x2022; Doutor em Hist&#xF3;ria Social pela Universidade Federal do Cear&#xE1; (UFC). Mestre e Especialista em Hist&#xF3;ria do Brasil pela Universidade Federal do Piau&#xED; (UFPI). Professor Adjunto do Curso de Hist&#xF3;ria, da Universidade Estadual do Piau&#xED; (UESPI), Campus Cl&#xF3;vis Moura. Coautor do livro <italic>Nos Dom&#xED;nios de Arthur: pol&#xED;tica e sociedade no governo de Raymundo Arthur de Vasconcelos</italic> (2010). Membro do N&#xFA;cleo de Pesquisa em Hist&#xF3;ria e Educa&#xE7;&#xE3;o (NUPEHED), desenvolvendo pesquisas nas &#xE1;reas de Hist&#xF3;ria e Cidade, Hist&#xF3;ria e Literatura, Hist&#xF3;ria e Movimentos Sociais, Hist&#xF3;ria e G&#xEA;nero, Hist&#xF3;ria e Educa&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>&#x25E6; PhD in Social History by the Federal University of Cear&#xE1;. Specialization and Master&#x27;s Degree in Brazilian History by the Federal University of Piau&#xED;. Adjunct Professor of the History course at the State University of Piaui, Clovis Moura Campus. Coauthorofthe book <italic>Nos Dom&#xED;nios de Arthur: pol&#xED;tica e sociedade no governo de Raymundo Arthur de Vasconcelos</italic> (2010). Member of the Research Center of History and Education (NUPEHED), developing researches in the areas of History and City, History and Literature, History and Social Movements, History and Gender, History and Education.</p></bio></contrib>
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<institution content-type="original">Doutor em Hist&#xF3;ria Social pela Universidade Federal do Cear&#xE1; (UFC). Mestre e Especialista em Hist&#xF3;ria do Brasil pela Universidade Federal do Piau&#xED; (UFPI)</institution><country country="BR">Brasil</country></aff></contrib-group>
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<name><surname>FONTINELES</surname><given-names>Cl&#xE1;udia Cristina da Silva</given-names></name></person-group>
<source xml:lang="pt"><italic>O Recinto do elogio e da cr&#xED;tica</italic>: maneiras de durar de Alberto Silva na mem&#xF3;ria e na hist&#xF3;ria do Piau&#xED;</source>
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<year>2015</year> <size units="pages">543 p.</size></product>
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<p>Cl&#xE1;udia Cristina da Silva Fontineles &#xE9;, sem d&#xFA;vidas, uma das mais contundentes e influentes historiadoras piauienses &#x2013; levando-se em considera&#xE7;&#xE3;o a classifica&#xE7;&#xE3;o da historiografia local proposta por Teresinha Queiroz (2007) &#x2013;, que se prop&#xF5;e a discutir a pol&#xED;tica, a hist&#xF3;ria e a mem&#xF3;ria, dando destaque ao espa&#xE7;o do estado do Piau&#xED;, sem perder de vista suas inter-rela&#xE7;&#xF5;es com o restante do pa&#xED;s. &#xC9; professora do Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Hist&#xF3;ria do Brasil, da Universidade Federal do Piau&#xED; &#x2013; UFPI, desenvolvendo pesquisas voltadas para as tem&#xE1;ticas da pol&#xED;tica, cidade e mem&#xF3;ria, que se apresentam, tamb&#xE9;m, em suas pesquisas voltadas ao ensino de hist&#xF3;ria. No seio desse leque tem&#xE1;tico, o seu estudo de maior reverbera&#xE7;&#xE3;o &#xE9;, indubitavelmente, <italic>O Recinto do Elogio e da Cr&#xED;tica</italic>. Trata-se do resultado de suas pesquisas de Doutorado, realizado no Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Hist&#xF3;ria, da Universidade Federal de Pernambuco &#x2013; UFPE, e conclu&#xED;do no ano de 2009. A historiadora enfatiza que as pesquisas iniciais, que engendraram a problem&#xE1;tica da tese de Doutorado, j&#xE1; se realizavam desde o ano de 2001, quando come&#xE7;ou seus estudos de Mestrado, na UFPI. Desde ent&#xE3;o, ela notou que havia, em boa medida, uma rela&#xE7;&#xE3;o indel&#xE9;vel entre as pr&#xE1;ticas e a&#xE7;&#xF5;es de Alberto Tavares da Silva com a hist&#xF3;ria e a mem&#xF3;ria dos momentos em que ele foi governador em duas oportunidades, em 1971-1975 e 1987-1991. A qualidade do livro pode ser atestada pelos coment&#xE1;rios do Pref&#xE1;cio, de orelha e de quarta-capa, escritos por historiadores renomados como Ant&#xF4;nio Paulo Resende, Teresinha Queiroz, Francisco Alcides Nascimento e Pedro Vilarinho Castelo Branco. O livro possui, al&#xE9;m de tudo, uma boa estrutura, visto que est&#xE1; dividido em tr&#xEA;s partes: a primeira cont&#xE9;m dois cap&#xED;tulos; a segunda apresenta tr&#xEA;s cap&#xED;tulos; e a terceira traz outros dois cap&#xED;tulos. Assim, s&#xE3;o sete cap&#xED;tulos que transitam entre os dois governos de Alberto Silva, permeando, de forma n&#xE3;o linear, os aspectos biogr&#xE1;ficos do ent&#xE3;o governador, de forma em que a biografia do sujeito estudado &#xE9; utilizada como um pretexto, ou melhor, o fio condutor para compreender sua atua&#xE7;&#xE3;o como pol&#xED;tico e como engenheiro, visto que s&#xE3;o esses os principais adjetivos destacados no &#xE2;mbito &#x201C;do elogio&#x201D; e &#x201C;da cr&#xED;tica&#x201D;, que ora se complementam e se confundem. Isso, inclusive, d&#xE1; ind&#xED;cios de como &#x201C;os pal&#xE1;cios da mem&#xF3;ria&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 29), como a autora destaca, &#x201C;repercutem at&#xE9; os dias atuais na mem&#xF3;ria da sociedade piauiense&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 37). &#xC9; importante frisar que a autora n&#xE3;o faz uma narrativa da biografia do sujeito Alberto Silva, pois seu objeto primeiro s&#xE3;o as mem&#xF3;rias (re)constru&#xED;das a partir de sua atua&#xE7;&#xE3;o como governador em duas oportunidades. Cl&#xE1;udia Fontineles esclarece que n&#xE3;o pretende realizar comparativos entre suas duas gest&#xF5;es e a de outros governadores, pois sua meta &#xE9; &#x201C;analisar quais elementos contribu&#xED;ram para que essas administra&#xE7;&#xF5;es permanecessem presentes na mem&#xF3;ria coletiva&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 31). N&#xE3;o significa dizer que tra&#xE7;os biogr&#xE1;ficos n&#xE3;o sejam mencionados, ao passo em que aparecem dilu&#xED;dos ao longo do livro, ancorados nos muitos momentos em que a historiadora recorre &#xE0;s fontes orais e faz suas an&#xE1;lises sobre a mem&#xF3;ria. Os cap&#xED;tulos fazem bom uso da variedade de fontes, que v&#xE3;o desde bibliogr&#xE1;ficas, hemerogr&#xE1;ficas a fontes orais. A escritora fez isso no intuito de contemplar a pluralidade de olhares das diferentes fontes, tentando localizar os discursos em suas matrizes sociais e institucionais, destacando as subjetividades e interesses que movem cada fonte.</p>
<p>Na primeira parte do livro, intitulada <italic>Mem&#xF3;rias (re)citadas</italic>, a historiadora retoma o termo <italic>athanal&#xED;dzein</italic> proposto por <xref ref-type="bibr" rid="B1">Arist&#xF3;teles (2002)</xref>, para enfatizar a cren&#xE7;a na imortalidade, ou, no caso de Alberto Silva, os desejos e disputas da perman&#xEA;ncia na hist&#xF3;ria por meio da cria&#xE7;&#xE3;o e manuten&#xE7;&#xE3;o de mem&#xF3;rias. Por esse vi&#xE9;s, &#x201C;as maneiras de durar que fizeram da imagem de Alberto Silva um elemento presente na mem&#xF3;ria e na hist&#xF3;ria da sociedade piauiense, que o fizeram resistir &#xE0; eros&#xE3;o gerada pelo transcurso do tempo&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 49) s&#xE3;o o objetivo do primeiro cap&#xED;tulo, &#x201C;assim como os mecanismos usados tanto por seus aliados quanto por seus advers&#xE1;rios para a constru&#xE7;&#xE3;o de tal imagem&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 49). No processo dessa constru&#xE7;&#xE3;o da imagem de Alberto Silva, a historiadora pontua que &#x201C;uns o consideravam o maior empreendedor que o Estado j&#xE1; conhecera; outros o veem como um vision&#xE1;rio que teve sua trajet&#xF3;ria administrativa marcada por excessos ou por desvios nas prioridades assumidas&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 54). E aponta que, em meio &#xE0;s diverg&#xEA;ncias, os discursos convergem, ao indicar que &#x201C;as marcas deixadas pelas administra&#xE7;&#xF5;es albertistas repercutem de forma significativa na mem&#xF3;ria piauiense, emitindo suas resson&#xE2;ncias no presente, de forma intensa, indicando sua for&#xE7;a&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 54). Por meio da contempla&#xE7;&#xE3;o feita pelos aliados do ent&#xE3;o governador do Piau&#xED;, &#x201C;pretendia-se, assim, que o primeiro governo de Alberto Silva na d&#xE9;cada de 1970 tornasse-se aquilo que Paul <xref ref-type="bibr" rid="B4">Ricoeur (2007</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="B5">1994</xref>) denominou de &#x2018;recinto do elogio&#x2019;&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 57). Segundo a autora, &#xE9; nesse recinto do elogio que Alberto Silva fez uso do &#x201C;ato de recitar&#x201D; proposto por <xref ref-type="bibr" rid="B4">Ricoeur (2007)</xref>, visto que o pol&#xED;tico n&#xE3;o esperava outros agentes para ele mesmo recitar e recordar os seus feitos. Cl&#xE1;udia Fontineles faz an&#xE1;lises, tamb&#xE9;m, dos discursos de opositores de Alberto Silva, que tamb&#xE9;m disputaram elei&#xE7;&#xF5;es contra ele. Mesmo como oposi&#xE7;&#xE3;o, os advers&#xE1;rios aumentam &#x201C;o coro dos que reconheciam os feitos desse governo na d&#xE9;cada de 1970&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 59). Nas tramas pol&#xED;ticas, por meio de elei&#xE7;&#xF5;es, a historiadora tra&#xE7;a a participa&#xE7;&#xE3;o de Alberto Silva nos rearranjos dos partidos pol&#xED;ticos no pa&#xED;s e no Estado, sobretudo suas conex&#xF5;es com as pol&#xED;ticas e a&#xE7;&#xF5;es do regime militar. Nesse sentido, &#x201C;o pr&#xF3;prio Alberto Silva afirma que sua indica&#xE7;&#xE3;o pelos militares ao governo do Piau&#xED; no in&#xED;cio da d&#xE9;cada de 1970 teria gerado uma s&#xE9;rie de rea&#xE7;&#xF5;es contr&#xE1;rias nos grupos dirigentes que governavam o Piau&#xED; at&#xE9; ent&#xE3;o&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 79). Al&#xE9;m disso, sua trajet&#xF3;ria profissional possibilitou &#x201C;construir uma rede de aliados, sobretudo no Cear&#xE1;, que o apoiou bastante em sua trajet&#xF3;ria pol&#xED;tica&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 79). A partir disso, &#x201C;Alberto Silva n&#xE3;o s&#xF3; &#xE9; tratado como o construtor da autoestima do piauiense, mas tamb&#xE9;m como o respons&#xE1;vel pelo conhecimento nacional de sua exist&#xEA;ncia&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 95). Cl&#xE1;udia Fontineles considera que &#x201C;Alberto Silva transformou a luta pelo registro e pela manuten&#xE7;&#xE3;o de sua imagem na mem&#xF3;ria e na hist&#xF3;ria locais o principal s&#xED;mbolo de sua luta contra o perecimento&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 153). Nessa luta, as in&#xFA;meras obras, sobretudo na capital, Teresina, deram-lhe a imagem de o engenheiro na e da pol&#xED;tica. Dentre suas mais emblem&#xE1;ticas interven&#xE7;&#xF5;es no espa&#xE7;o p&#xFA;blico est&#xE1; o est&#xE1;dio de futebol &#x201C;Albert&#xE3;o&#x201D;, que despertou lutas de significado, visto que tais lutas &#x201C;surgiram antes mesmo de sua constru&#xE7;&#xE3;o, sendo considerada pelos correligion&#xE1;rios do governador a marca da introdu&#xE7;&#xE3;o do Piau&#xED; em um outro tempo, um tempo de conquistas e de realiza&#xE7;&#xF5;es modernas&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 167).</p>
<p>A segunda parte, intitulada <italic>O Fasc&#xED;nio e as Provoca&#xE7;&#xF5;es do Moderno</italic>, traz tr&#xEA;s cap&#xED;tulos que, em larga medida, s&#xE3;o as discuss&#xF5;es que a historiadora faz acerca da notoriedade que a cidade de Teresina alcan&#xE7;ou, no que concerne aos benef&#xED;cios de obras durante os governos de Alberto Silva. Para tanto, a historiadora faz uso das met&#xE1;foras da mitologia grega, chamando de Alberto-Zeus como o respons&#xE1;vel para a exist&#xEA;ncia da Teresina-Atenas, visto que muitos de seus entrevistados afirmavam que, se retirassem o que Alberto Silva construiu, a cidade deixaria de existir. Cl&#xE1;udia Fontineles chama a aten&#xE7;&#xE3;o para o fato de que, desde o s&#xE9;culo XIX, a cidade de Teresina &#x201C;tem sua hist&#xF3;ria marcada pela ideia do futuro antecipado&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 200) e, dessa forma, ela &#x201C;tornou-se o palco privilegiado dos sonhos e desejos, mas tamb&#xE9;m dos embates em rela&#xE7;&#xE3;o aos caminhos trilhados pelo Piau&#xED;&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 201). As a&#xE7;&#xF5;es de infraestrutura realizadas nos governos de Alberto Silva, na cidade de Teresina, possuem &#x201C;relev&#xE2;ncia atribu&#xED;da &#xE0; ideia de progresso em oposi&#xE7;&#xE3;o ao que seria considerado com a decad&#xEA;ncia vivida em Teresina em outras administra&#xE7;&#xF5;es&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 211). Alberto Silva pretende-se como o que conduz o Estado e a cidade para o novo, pois &#x201C;ele faz quest&#xE3;o de apresentar-se como s&#xED;mbolo do novo na pol&#xED;tica piauiense em oposi&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s oligarquias lideradas pelos Portella, apresentando seus governos como o emblema do novo, os atos de suas administra&#xE7;&#xF5;es s&#xE3;o proclamados como uma alternativa ao antigo&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 212). A capital piauiense, ent&#xE3;o, seria a vitrine dessa pretens&#xE3;o de &#xED;cone do novo e da modernidade, muito embora, como adverte a historiadora, ele tenha sua trajet&#xF3;ria pol&#xED;tica atrelada a grupos e pessoas ligadas a for&#xE7;as tradicionais da pol&#xED;tica nacional e local. &#xC9; no seio dessa intencionalidade de novo que &#x201C;a condi&#xE7;&#xE3;o de condutor da locomotiva do progresso seria assumida pelo governador do Estado de ent&#xE3;o. Atribu&#xED;a-se a ele o papel n&#xE3;o s&#xF3; de guardi&#xE3;o, como tamb&#xE9;m de construtor e de condutor dessa locomotiva&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 217), tendo que enfrentar os &#x201C;desafios a um Engenheiro-Maquinista&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 219). Isso estava ligado &#xE0;s suas a&#xE7;&#xF5;es de incentivo e implanta&#xE7;&#xE3;o de servi&#xE7;os no setor ferrovi&#xE1;rio em suas administra&#xE7;&#xF5;es, visto que &#x201C;a luta pela implanta&#xE7;&#xE3;o do metr&#xF4; em Teresina &#xE9; uma pauta que acompanha toda a trajet&#xF3;ria pol&#xED;tica de Alberto Silva&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 227), mas foi implantado apenas em seu segundo mandato, tornando-se &#x201C;instrumento de propaganda entre seus correligion&#xE1;rios e de cr&#xED;tica entre seus oponentes&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 327). Nesse sentido, a historiadora assevera que &#x201C;os governos de Alberto Silva s&#xE3;o atravessados por essa ideia constantemente, ora simbolizando o progresso, ora sendo associados ao atraso que amea&#xE7;ava engolir o Estado&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 317-318). Ela tra&#xE7;a os conflitos que povoaram, principalmente, a segunda gest&#xE3;o do governo de Alberto Silva, sobretudo o descontentamento de funcion&#xE1;rios p&#xFA;blicos, como professores. Para isso, ela faz uso da interpreta&#xE7;&#xE3;o das fontes orais e de charges de jornais da &#xE9;poca. Assim, a Teresina das d&#xE9;cadas de 1970 e 1980, que presenciou os fios do prest&#xED;gio de Alberto Silva, &#x201C;viu nas d&#xE9;cadas seguintes esses fios desgastarem-se&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 376).</p>
<p>Na terceira parte do livro, <italic>&#x201C;Dobras&#x201D; que se tocam no &#x201C;Len&#xE7;o&#x201D; da Hist&#xF3;ria</italic>, al&#xE9;m de ampliar e aprofundar as discuss&#xF5;es sobre as concep&#xE7;&#xF5;es de tempo e da pesquisa hist&#xF3;rica, feitas desde a primeira parte do livro, a historiadora recorre a tais reflex&#xF5;es para &#x201C;analisar como as duas gest&#xF5;es do Estado do Piau&#xED; assumidas por Alberto Tavares Silva ficaram registradas na mem&#xF3;ria da popula&#xE7;&#xE3;o e repercutiram em sua hist&#xF3;ria&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 382). De maneira mais enf&#xE1;tica, Fontineles &#x201C;analisa as diferentes faces da rela&#xE7;&#xE3;o estabelecida entre esse administrador e os servidores p&#xFA;blicos estaduais e os desdobramentos disso na hist&#xF3;ria local&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 44). Para isso, ela analisa as leituras e interpreta&#xE7;&#xF5;es sobre as duas gest&#xF5;es do ent&#xE3;o governador, bem como ele conseguia reverter, na medida do poss&#xED;vel, as cr&#xED;ticas em elogios, valendo-se, segundo a historiadora, da estrat&#xE9;gia da &#x201C;trampolinagem&#x201D;, conforme denominou Michel de <xref ref-type="bibr" rid="B2">Certeau (2000)</xref>. Esse poder de articula&#xE7;&#xE3;o do administrador deu-se, tamb&#xE9;m, em momentos em que ele n&#xE3;o estava no cargo de governador. Isso se justifica, em larga medida, ao fato de que, &#x201C;mesmo fora do governo, Alberto Silva continuava influ&#xEA;ncia entre o funcionalismo p&#xFA;blico estadual&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 389). Ao mostrar as tens&#xF5;es em torno das imagens do administrador em seus dois governos, o livro salienta que a glorifica&#xE7;&#xE3;o e a representa&#xE7;&#xE3;o &#x201C;heroica&#x201D; atribu&#xED;das a ele escondiam as rela&#xE7;&#xF5;es de poder pol&#xED;tica que o levaram ao poder em sua primeira gest&#xE3;o. Assim, Fontineles aponta para as &#x201C;discord&#xE2;ncias existentes dentro do mesmo partido pol&#xED;tico &#x2013; a ARENA &#x2013; que muitos acreditavam n&#xE3;o existir dadas as conjunturas pol&#xED;ticas do pa&#xED;s&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 395). No entanto, ela salienta que tais rela&#xE7;&#xF5;es &#x201C;se mostraram bastante intensas ao ponto de terem marcado o cen&#xE1;rio pol&#xED;tico piauiense nas tr&#xEA;s &#xFA;ltimas d&#xE9;cadas do s&#xE9;culo XX&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 395). De seu primeiro mandato Alberto Silva &#x201C;herdou&#x201D; o bom relacionamento com setores do funcionalismo p&#xFA;blico, em especial os professores. Isso criou grande identifica&#xE7;&#xE3;o entre o administrador e os professores, de tal maneira que &#x201C;&#xE9; considerada t&#xE3;o expressiva que esse grupo &#xE9; tratado pelas fontes escritas e orais consultadas como seu principal &#x2018;cabo eleitoral&#x2019; nas elei&#xE7;&#xF5;es a que ele concorrera desde que se encerra o seu primeiro governo&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 426). Contudo, em seu segundo governo, essa boa rela&#xE7;&#xE3;o com o funcionalismo p&#xFA;blico, principalmente com os professores, ser&#xE1; rompida, pois &#x201C;a expectativa e a ansiedade com a reedi&#xE7;&#xE3;o do sucesso do primeiro governo em rela&#xE7;&#xE3;o aos benef&#xED;cios que se esperava para os professores cederam lugar ao sentimento de frustra&#xE7;&#xE3;o&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 430). E tal frustra&#xE7;&#xE3;o reverberou nos setores econ&#xF4;micos, alcan&#xE7;ando outros grupos do funcionalismo, que realizaram uma sequ&#xEA;ncia de paralisa&#xE7;&#xF5;es e greves.</p>
<p>Como salienta Cl&#xE1;udia Fontineles, sua pesquisa mostrou a &#x201C;possibilidade de tornar perene o perec&#xED;vel por meio da narrativa hist&#xF3;rica, e com ela, os sujeitos envolvidos em sua trama&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 45), relacionando, assim, hist&#xF3;ria e biografia. &#xC9; no recinto do elogio e da cr&#xED;tica que a historiadora imprime suas reflex&#xF5;es e an&#xE1;lises sobre as nuances da hist&#xF3;ria e da mem&#xF3;ria, marcadas pelas ranhuras e disputas da mem&#xF3;ria. Nesse sentido, &#x201C;as reminisc&#xEA;ncias deixadas na mem&#xF3;ria piauiense pelo pr&#xF3;prio governo albertista tamb&#xE9;m foram reivindicadas por seus cr&#xED;ticos para acentuar ainda mais o que chamaram de descaminho ocorrido nas d&#xE9;cadas seguintes&#x201D; (FONTINELES, 2015, p. 478). Ao transitar pelas disputas das mem&#xF3;rias nos dois governos de Alberto Silva, a historiadora apresenta as imagens do administrador em diferentes dimens&#xF5;es da vida p&#xFA;blica. Os (re)arranjos pol&#xED;ticos e partid&#xE1;rios, entre as d&#xE9;cadas de 1970 e 1990, s&#xE3;o pensados e analisados em uma intera&#xE7;&#xE3;o entre o local e o nacional &#x2013; nas ranhuras e enlaces da pol&#xED;tica partid&#xE1;ria, de regimes de governo &#x2013;, destacando aspectos, tamb&#xE9;m, socioculturais, na esteira do que se pode chamar de nova hist&#xF3;ria pol&#xED;tica. Suas a&#xE7;&#xF5;es na vida urbana, por meio de projetos de moderniza&#xE7;&#xE3;o e urbaniza&#xE7;&#xE3;o, d&#xE3;o norteamentos para pesquisas voltadas para as discuss&#xF5;es acerca da cidade. Seu livro, em linhas gerais, lan&#xE7;a possibilidades para debates voltados para pol&#xED;tica, cidade, biografias, mem&#xF3;ria, narrativa, representa&#xE7;&#xF5;es, imagens e discursos. &#xC9; um trabalho que n&#xE3;o se prende a limites e/ou fronteiras, visto que o Piau&#xED; &#xE9; pensado em sua liga&#xE7;&#xE3;o indissoci&#xE1;vel &#xE0; vida pol&#xED;tica, econ&#xF4;mica e social nacional. Assim, constitui-se como salutar trabalho de constru&#xE7;&#xE3;o hist&#xF3;rica e historiogr&#xE1;fica.</p></body>
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<title>Refer&#xEA;ncias</title>
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