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<journal-title>Estudos Ibero-Americanos</journal-title>
<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Estud. Ibero-Am. (Online)</abbrev-journal-title></journal-title-group>
<issn pub-type="ppub">0101-4064</issn>
<issn pub-type="epub">1980-864X</issn>
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<publisher-name>Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul</publisher-name></publisher>
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<article-id pub-id-type="doi">10.15448/1980-864X.2018.1.30075</article-id>
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<subject>Apresenta&#xE7;&#xE3;o</subject>
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<article-title>Fotografia, cultura visual e hist&#xF3;ria: perspectivas te&#xF3;ricas e metodol&#xF3;gicas</article-title>
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<trans-title>Photography, visual culture and history: theoretical and methodological perspectives</trans-title>
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<trans-title>Fotograf&#xED;a, cultura visual y historia: perspectivas te&#xF3;ricas y metodol&#xF3;gicas</trans-title>
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<p>A<sc>na</sc> M<sc>aria</sc> M<sc>auad</sc> <email>anamauad@id.uff.br</email></p>
<p>&#x2022; Professora titular do Departamento de Hist&#xF3;ria e pesquisadora do Laborat&#xF3;rio de Hist&#xF3;ria Oral e Imagem da Universidade Federal Fluminense (UFF)..</p>
<p>&#x2218; Full Professor of the History Department of the Universidade Federal Fluminense and researcher of the Laborat&#xF3;rio de Hist&#xF3;ria Oral e Imagem da Universidade Federal Fluminense (UFF).</p>
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<p>C<sc>harles</sc> M<sc>onteiro</sc> <email>monteiro@pucrs.br</email></p>
<p>&#x2022; Professor adjunto do Departamento de Hist&#xF3;ria da Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul (PUCRS).</p>
<p>&#x2218; Professor of the History Department of the Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul (PUCRS).</p>
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<season>Jan-Apr</season>
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<license-p>Except where otherwise noted, the material published in this journal is licensed in the form of a Creative Commons Attribution 4.0 International license.</license-p>
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<p>Nos &#xFA;ltimos 25 anos a fotografia consolidou-se, no campo dos estudos hist&#xF3;ricos, como fonte de pesquisa e objeto de an&#xE1;lise. Ultrapassamos uma hist&#xF3;ria da fotografia, tradicionalmente, concebida como hist&#xF3;ria da t&#xE9;cnica ou do g&#xEA;nero fotogr&#xE1;fico, para incorporar as dimens&#xF5;es de pr&#xE1;tica social e de experi&#xEA;ncia hist&#xF3;rica associadas aos modos de ver, dar a ver e representar fotograficamente o mundo social. Os dispositivos &#xF3;ticos associados &#xE0; vis&#xE3;o, os espa&#xE7;os de sociabilidade em que se desenvolveu uma cultura visual cada vez mais complexa, contemplando p&#xFA;blicos e observadores com objetivos e prop&#xF3;sitos diferentes, passaram a integrar as problem&#xE1;ticas de pesquisa hist&#xF3;ria. As no&#xE7;&#xF5;es de visualidade, a ideia de observador, de p&#xFA;blico, de pr&#xE1;tica fotogr&#xE1;fica, de experi&#xEA;ncia visual se tornaram familiares &#xE0; oficina da Hist&#xF3;ria, embora o mundo das imagens n&#xE3;o seja desprovido de conflitos, ganhamos muito com a ades&#xE3;o das imagens &#xE0; causa historiogr&#xE1;fica.</p>
<p>Os artigos reunidos nesse dossi&#xEA; se debru&#xE7;am sobre a rela&#xE7;&#xE3;o entre fotografia e hist&#xF3;ria em diferentes chaves de abordagem. Um primeiro conjunto de artigos aborda quest&#xF5;es associadas aos debates te&#xF3;ricos, metodol&#xF3;gicos, filos&#xF3;ficos e est&#xE9;ticos. A esse primeiro grupo de quest&#xF5;es fundadoras se desdobram abordagens que se dedicam a compreender os percursos de algumas fotografias em seus deslocamentos no mundo das imagens, nos levando para os universos onde as imagens habitam e ganham materialidade, <italic>fotolivros</italic>, revistas ilustradas, s&#xE9;ries fotogr&#xE1;ficas e exposi&#xE7;&#xF5;es. Ressalta-se, entretanto, que na riqueza das diferentes abordagens que comp&#xF5;em o dossi&#xEA; reside a sua melhor qualidade.</p>
<p>Os estudos sobre os g&#xEA;neros fotogr&#xE1;ficos ganham especial aten&#xE7;&#xE3;o no artigo de John Mraz, &#x201C;Analysing Historical Photographs: Genres, Functions, and Mehodologies&#x201D;. Na proposta de Mraz, a an&#xE1;lise hist&#xF3;rica desempenha papel fundamental na defini&#xE7;&#xE3;o dos g&#xEA;neros fotogr&#xE1;ficos por meio da diferencia&#xE7;&#xE3;o das situa&#xE7;&#xF5;es em que as fotografias foram produzidas. Na perspectiva do autor, trata-se de compreender que o fotojornalismo como um g&#xEA;nero se apresenta em diferentes fun&#xE7;&#xF5;es: fotografia de imprensa, fotojornalismo, documentalismo e foto-ensaio, impondo a an&#xE1;lise hist&#xF3;rica como condi&#xE7;&#xE3;o para que n&#xE3;o se confunda g&#xEA;nero fotogr&#xE1;fico com a sua fun&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>Em &#x201C;Fotografia e Antropogenese: o melhor amigo do homem&#x201D;, Mauricio Lissovsky nos proporciona uma reflex&#xE3;o singular sobre homens e c&#xE3;es. Escreve no ritmo das analogias visuais e vai buscando para cada um dos sintomas da imagem que permite a compara&#xE7;&#xE3;o, uma hist&#xF3;ria, uma narrativa que afasta a semelhan&#xE7;a entre os duplos nos remetendo para novas imagens. O resultado disso &#xE9; uma fabula&#xE7;&#xE3;o em que a imagem se torna sujeito de uma aventura, em que humanos e caninos se duplicam e transmutam-se, revelando situa&#xE7;&#xF5;es extraordin&#xE1;rias. Em suas reflex&#xF5;es a c&#xE2;mera fotogr&#xE1;fica como m&#xE1;quina antropol&#xF3;gica, segundo Agamben, desvelaria a humanidade de cada sujeito fotografado.</p>
<p>No potencial te&#xF3;rico-metodol&#xF3;gico da fotografia de moda assenta-se a base de argumenta&#xE7;&#xE3;o de Maria do Carmo Rainho em &#x201C;Imagens encenadas? Atos performativos e constru&#xE7;&#xE3;o de sujeitos nas fotografias de moda&#x201D;. Sua reflex&#xE3;o apoia-se em uma larga trajet&#xF3;ria com pesquisas sobre vestu&#xE1;rio, circuitos de moda e representa&#xE7;&#xE3;o do corpo tendo a fotografia como fonte e objeto de an&#xE1;lise, o que a possibilita tra&#xE7;ar percursos poss&#xED;veis para pesquisas em que a fotografia de moda ilumine quest&#xF5;es sobre a sociedade que a produz e a consome. O valor epistemol&#xF3;gico dos estudos sobre imagem da moda, na concep&#xE7;&#xE3;o de Rainho, reside em tomar sua dimens&#xE3;o est&#xE9;tica como agente de representa&#xE7;&#xF5;es sociais, o que permite transcender o valor utilit&#xE1;rio da moda como mercadoria, e da fotografia de moda como ilustra&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>Nos deslocamos das quest&#xF5;es te&#xF3;ricas e metodol&#xF3;gicas operadas em marcos mais amplos, para a an&#xE1;lise de trajet&#xF3;rias de imagens particulares e individualizadas. No artigo, &#x201C;Circuitos e potencial ic&#xF4;nico da fotografia: o caso Aylan Kurdi&#x201D;, as pesquisadoras Solange Ferraz de Lima e Vania Carneiro de Carvalho tomam a fotografia de Aylan Kurdi, produzida pelo fot&#xF3;grafo Nilf&#xFC;fer Demir, como ponto de partida para refletir sobre a materialidade da imagem na era digital, seu potencial ic&#xF4;nico e sua capacidade de guardar marcas do acontecimento registrado. O exerc&#xED;cio de an&#xE1;lise apoia-se na consagrada abordagem de Ulpiano Bezerra de Meneses, em uma das suas brilhantes refer&#xEA;ncias para o estudo da imagem, em especial, da imagem fotogr&#xE1;fica. Entretanto, mais do que fazer valer uma metodologia de an&#xE1;lise fotogr&#xE1;fica, as autoras nos proporcionam uma profunda reflex&#xE3;o sobre o papel da imagem na cultura contempor&#xE2;nea das m&#xED;dias digitais em rede.</p>
<p>Os estudos visuais sobre fotografia, em chave interdisciplinar, se fazem presentes na abordagem de Cleopatra Barrios e Mariana Giordano, em &#x201C;Violencia, memoria y mito. Espectacularizaci&#xF3;n de la muerte en la fotograf&#xED;a de Isidro Vel&#xE1;zquez (Argentina)&#x201D;. Em sua an&#xE1;lise, a espetaculariza&#xE7;&#xE3;o da morte e da viol&#xEA;ncia s&#xE3;o operados por meio do estudo da rela&#xE7;&#xE3;o entre fotografia p&#xFA;blica, representa&#xE7;&#xF5;es iconogr&#xE1;ficas do corpo morto e a cultura visual Latino-Americana. Avalia-se os circuitos e os percursos das fotografias de Isidro Vel&#xE1;zquez de registro policial &#xE0; santifica&#xE7;&#xE3;o popular.</p>
<p>Ainda na linha das trajet&#xF3;rias das imagens se insere a abordagem de Marcos Felipe de Brum Lopes, no artigo &#x201C;Migrantes e fantasmas: imagens e figuras de Benjamin Constant&#x201D;. A imagem heroica do fundador da Rep&#xFA;blica Benjamin Constant &#xE9; analisada pelo autor atrav&#xE9;s do mapeamento das trajet&#xF3;rias das figuras de diferentes tamanhos e formatos em que essa imagem foi materializada. Ao analisar os significados hist&#xF3;ricos das imagens em tr&#xE2;nsito por diferentes suportes, Lopes, defende a ideia de que o movimento positivista buscou configurar, no final do s&#xE9;culo XIX, um observador-cidad&#xE3;o, que acreditava no poder das imagens seculares e heroicas. Ponderar sobre o poder de mobiliza&#xE7;&#xE3;o das imagens em situa&#xE7;&#xE3;o de crise pol&#xED;tica &#xE9; o desafio que o artigo nos coloca ao final.</p>
<p>Das imagens dotadas de corpo para as imagens-meio, os artigos que se somam ao dossi&#xEA; abordam um conjunto de quest&#xF5;es que envolvem: os objetos-meios em que as fotografias circulam; o papel da imprensa na consolida&#xE7;&#xE3;o dos espa&#xE7;os p&#xFA;blicos visuais; da fotografia como mensagem de amplo alcance; os circuitos sociais das fotografias e seus usos p&#xFA;blicos. Em &#x201C;Cornuc&#xF3;pia visual mexicana: as fotografias do livro <italic>M&#xE9;xico seus recursos naturais, sua situa&#xE7;&#xE3;o atual</italic>, 1922&#x201D;, Carlos Alberto Sampaio Barbosa, analisa o discurso visual criado pelo corpo diplom&#xE1;tico mexicano como forma de propaganda da cultura e da pol&#xED;tica do M&#xE9;xico no Brasil. A publica&#xE7;&#xE3;o em formato de livro, amplamente ilustrado com fotografias, foi elaborada como parte dos preparativos da comitiva mexicana na Exposi&#xE7;&#xE3;o do Centen&#xE1;rio da Independ&#xEA;ncia do Brasil em 1922, constituindo-se uma narrativa visual sobre o M&#xE9;xico que se complementava com outros aspectos da participa&#xE7;&#xE3;o mexicana no evento.</p>
<p>Em &#x201C;Imagens da desigualdade em fotolivros do Rio de Janeiro: a visualidade na hist&#xF3;ria de um conceito&#x201D;, Maria Inez Turazzi reune a abordagem da hist&#xF3;ria dos conceitos &#xE0; da hist&#xF3;ria visual para problematizar a natureza complexa das narrativas visuais e textuais que comp&#xF5;em os fotolivros. No caso em estudo, a cidade do Rio de Janeiro torna-se palco em que se encenam representa&#xE7;&#xF5;es de desigualdade, o meio de circula&#xE7;&#xE3;o da mise-en-sc&#xE8;ne s&#xE3;o livros-objetos, fotolivros, sobretudo um especialmente produzido sobre o Rio de Janeiro (<italic>Zauberhaftes Rio/Strolling through Rio</italic>, 1958) pelo fot&#xF3;grafo alem&#xE3;o Hans Mann, como parte de seu trabalho sobre a Am&#xE9;rica do Sul realizado entre as d&#xE9;cadas de 1940 e 1950. Em sua an&#xE1;lise, Turazzi busca problematizar a visualidade da pobreza na representa&#xE7;&#xE3;o da &#x201C;paisagem carioca&#x201D;, compreendida nas dimens&#xF5;es de constru&#xE7;&#xE3;o simb&#xF3;lica e patrimonial.</p>
<p>As revistas ilustradas merecem destaque no artigo de Cora Gamarnik, &#x201C;La fotograf&#xED;a en la revista Caras y Caretas en Argentina (1898-1939): innovaciones t&#xE9;cnicas, profesionalizaci&#xF3;n e im&#xE1;genes de actualidad&#x201D;. A revista <italic>Caras y Caretas</italic>, publica&#xE7;&#xE3;o argentina, atua como plataforma para Gamarnik avaliar as profundas transforma&#xE7;&#xF5;es que a imprensa passou com a introdu&#xE7;&#xE3;o massiva de fotografias como forma de registrar as not&#xED;cias, eventos sociais, pol&#xED;ticos e acontecimentos em geral, atraindo novos leitores e ampliando seus p&#xFA;blicos por meio da imagem. Paralelamente, a autora avalia as mudan&#xE7;as operadas na din&#xE2;mica da imprensa com a valoriza&#xE7;&#xE3;o da fotografia tanto como atrativo e estrat&#xE9;gia de venda, como meio de figurar a moderniza&#xE7;&#xE3;o nacional e os conflitos pol&#xED;ticos que esse processo envolveu. Apoiada em minuciosa an&#xE1;lise das fontes, o estudo revela aspectos importantes sobre a consolida&#xE7;&#xE3;o sul-americana de um espa&#xE7;o p&#xFA;blico visual nos primeiros trinta anos do s&#xE9;culo XX.</p>
<p>O potencial indici&#xE1;rio da fotografia &#xE9; explorado no artigo de Marco Antonio Le&#xF3;n Le&#xF3;n, &#x201C;Pesquisas visuales &#x2013; Representaci&#xF3;n e identificaci&#xF3;n criminal a trav&#xE9;s de revistas policiales chilenas (1934-1961)&#x201D;, que tem como objeto tr&#xEA;s revistas publicadas pela Pol&#xED;cia de Investiga&#xE7;&#xE3;o chilena entre 1934 e 1961. Em sua an&#xE1;lise, Le&#xF3;n centra-se na se&#xE7;&#xE3;o &#x201C;galeria de delicuentes&#x201D; para descortinar os sentidos atribu&#xED;dos visualmente aos criminosos e delinquentes para que o p&#xFA;blico pudesse identificar, em registro lombrosiano, os inimigos sociais. Em di&#xE1;logo com as tradi&#xE7;&#xF5;es francesas de identifica&#xE7;&#xE3;o criminal, o autor avalia o papel da fotografia de registro criminal para a conforma&#xE7;&#xE3;o de um discurso de controle social no Chile.</p>
<p>A fotografia humanista no p&#xF3;s-Segunda Guerra &#xE9; o tema do artigo &#x201C;As fam&#xED;lias dos homens. Os tr&#xE2;nsitos do humanismo na fotografia internacional e brasileira&#x201D;, de Erika Zerwes. Parte-se de uma das primeiras s&#xE9;ries fotogr&#xE1;ficas realizada por Claudia Andujar, sobre fam&#xED;lias brasileiras (1960-62), para em registro comparativo com a s&#xE9;rie de fotorreportagens intitulada <italic>People are people the world over</italic> (1948-49) e a exposi&#xE7;&#xE3;o <italic>Family of Man</italic> (1955), avaliar os percursos da fotografia humanista. As imagens em tr&#xE2;nsito, movidas por impulsos diferentes, mas com o mesmo prop&#xF3;sito: documentar a experi&#xEA;ncia humana fotograficamente. Da busca de compreender o outro por meio da linguagem universal da fotografia, no caso de Claudia Andujar, passando pelo registro de como viviam as pessoas mundo a fora, no caso da fotorreportagem publicada no <italic>Ladies &#x2019; Home Journal</italic>, e chegando ao apelo universalista da exposi&#xE7;&#xE3;o do MOMA, afirma-se uma pr&#xE1;tica fotogr&#xE1;fica de vi&#xE9;s humanista, que nos leva a indagar sobre o destino das imagens em um mundo de contrastes e desigualdades em dimens&#xF5;es globais.</p>
<p>Nosso dossi&#xEA; completa-se com uma entrevista com a historiadora da arte e professora Annateresa Fabris, enfatizando as rela&#xE7;&#xF5;es entre fotografia, artes e estudos da imagem como parte da trajet&#xF3;ria de uma das mais importantes autoras sobre o tema em &#xE2;mbito nacional e, n&#xE3;o seria exagero dizer, internacional. Concluindo-se com duas resenhas de livros voltados para a problem&#xE1;tica da fotografia na pesquisa hist&#xF3;rica e em arquivos &#x2013; &#x201C;M&#xE1;s all&#xE1; de la simple imagen: fotograf&#xED;a e investigaci&#xF3;n&#x201D; &#x2013; e para a os itiner&#xE1;rios hist&#xF3;ricos da fotografia na Am&#xE9;rica Latina &#x2013; &#x201C;Notas sobre uma hist&#xF3;ria da fotografia na Am&#xE9;rica Latina&#x201D;, escritos respectivamente por duas especialistas em estudos sobre a fotografia, N&#xFA;ria Rius e Carolina Etcheverry.</p>
<p>Boa leitura!</p>
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