<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.0 20120330//EN" "http://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.0/JATS-journalpublishing1.dtd">
<article xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" dtd-version="1.0" specific-use="sps-1.7" article-type="research-article" xml:lang="pt">
<front>
<journal-meta>
<journal-id journal-id-type="publisher-id">ibero</journal-id>
<journal-title-group>
<journal-title>Estudos Ibero-Americanos</journal-title>
<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Estud. Ibero-Am. (Online)</abbrev-journal-title></journal-title-group>
<issn pub-type="ppub">0101-4064</issn>
<issn pub-type="epub">1980-864X</issn>
<publisher>
<publisher-name>Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul</publisher-name></publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id pub-id-type="publisher-id">00011</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.15448/1980-864X.2018.1.26642</article-id>
<article-categories>
<subj-group subj-group-type="heading">
<subject>Dossi&#xEA;: Fotografia, Cultura Visual e Hist&#xF3;ria: Perspectivas Te&#xF3;ricas e Metodol&#xF3;gicas</subject></subj-group></article-categories>
<title-group>
<article-title>As fam&#xED;lias dos homens. Os tr&#xE2;nsitos do humanismo na fotografia internacional e brasileira</article-title>
<trans-title-group xml:lang="en">
<trans-title>The families of men. Traffics of humanism in international and Brazilian photography</trans-title></trans-title-group>
<trans-title-group xml:lang="es">
<trans-title>Las familias de los hombres. Los tr&#xE1;nsitos del humanismo en la fotograf&#xED;a internacional y brasile&#xF1;a</trans-title></trans-title-group>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name><surname>Zerwes</surname><given-names>Erika</given-names></name><xref ref-type="aff" rid="aff1">*</xref>
<bio>
<p>E<sc>rika</sc> Z<sc>erwes</sc> <email>erikazerwes@gmail.com</email></p>
<p>&#x2022; P&#xF3;s-Doutoranda no MAC-USP, bolsista FAPESP. Doutora em Hist&#xF3;ria pelo IFCH-UNICAMP. Autora da Tese de Doutorado <italic>Tempo de guerra &#x2013; cultura visual e cultura pol&#xED;tica nas fotografias de guerra dos fundadores da ag&#xEA;ncia Magnum, 1936-1947</italic> e de diversos artigos e cap&#xED;tulos de livro nas &#xE1;reas de Hist&#xF3;ria Contempor&#xE2;nea e Hist&#xF3;ria da Arte, e hist&#xF3;ria da fotografia, cultura visual e cultura pol&#xED;tica.</p>
<p>&#x2218; Post-Doctorate at MAC-USP, FAPESP scholarship. PhD in History from IFCH-UNICAMP. Author of the Doctoral Thesis <italic>Tempo de guerra &#x2013; cultura visual e cultura pol&#xED;tica nas fotografias de guerra dos fundadores da ag&#xEA;ncia Magnum, 1936-1947</italic> and of several articles and book chapters in the areas of Contemporary History and Art History, and history of photography, visual culture and political culture.</p>
<p>&#x2218; Post-doctoranda en el MAC-USP, becaria FAPESP. Doctora en Historia por el IFCH-UNICAMP. Autora de la Tesis de Doctorado, <italic>Tempo de guerra &#x2013; cultura visual e cultura pol&#xED;tica nas fotografias de guerra dos fundadores da ag&#xEA;ncia Magnum, 1936-1947</italic> y de diversos art&#xED;culos y cap&#xED;tulos de libro en las &#xE1;reas de Historia Contempor&#xE1;nea e Historia del Arte, e historia de la fotograf&#xED;a, cultura visual y cultura pol&#xED;tica.</p></bio></contrib>
<aff id="aff1">
<label>*</label>
<institution content-type="original">P&#xF3;s-Doutoranda no MAC-USP, bolsista FAPESP. Doutora em Hist&#xF3;ria pelo IFCH-UNICAMP.</institution><country country="BR">Brasil</country></aff>
</contrib-group>
<pub-date pub-type="epub-ppub">
<season>Jan-Apr</season>
<year>2018</year></pub-date>
<volume>44</volume>
<issue>1</issue>
<fpage>149</fpage>
<lpage>161</lpage>
<permissions>
<license xml:lang="en" license-type="open-access" xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/">
<license-p>Except where otherwise noted, the material published in this journal is licensed in the form of a Creative Commons Attribution 4.0 International license.</license-p></license></permissions>
<abstract>
<title>Resumo:</title>
<p>Este artigo analisa tr&#xEA;s iniciativas fotogr&#xE1;ficas com o objetivo de discutir algumas das manifesta&#xE7;&#xF5;es da fotografia humanista no p&#xF3;s Segunda Guerra Mundial, e suas rela&#xE7;&#xF5;es com o conflito. Partindo de uma das primeiras s&#xE9;ries fotogr&#xE1;ficas realizada por Claudia Andujar, sobre fam&#xED;lias brasileiras (1960-62), busca-se identificar rela&#xE7;&#xF5;es poss&#xED;veis com a s&#xE9;rie de reportagens <italic>People are people the world over</italic> (1948-49), e com a exposi&#xE7;&#xE3;o <italic>Family of Man</italic> (1955), e assim estabelecer um di&#xE1;logo entre a trajet&#xF3;ria da fot&#xF3;grafa radicada no Brasil e o movimento da fotografia humanista, especificamente em sua vertente desenvolvida nos EUA.</p></abstract>
<trans-abstract xml:lang="en">
<title>Abstract:</title>
<p>This article analyses three photographic initiatives with the objective of discussing some of humanist photography&#x27;s manifestations after the Second World War, and its relations with the conflict. Starting from one of the first photographic series made by Claudia Andujar, on Brazilian families (1960-62), some possible relations with the photographic reportage People are people the world over (1948-49) and the exhibition Family of Man (1955) are identified, and therefore a dialog is established between the mentioned photographer and the humanist photography movement, especially in its American strand.</p></trans-abstract>
<trans-abstract xml:lang="es">
<title>Resumen:</title>
<p>Este art&#xED;culo analiza tres iniciativas fotogr&#xE1;ficos con el fin de discutir algunas de las manifestaciones de la fotograf&#xED;a humanista en el posterior a la Segunda Guerra Mundial, y sus relaciones con el conflicto. A partir de una de las primeras series fotogr&#xE1;ficas realizadas por Claudia Andujar, sobre familias brasile&#xF1;as (1960-62), se busca identificar posibles relaciones con la serie de reportajes fotogr&#xE1;ficos People are people the world over (1948-49), y la exposici&#xF3;n Family of Man (1955), y as&#xED; establecer un di&#xE1;logo entre la trayectoria de la fot&#xF3;grafa arraigada en Brasil y el movimiento de la fotograf&#xED;a humanista, espec&#xED;ficamente en su marco desarrollado en los EE.UU.</p></trans-abstract>
<kwd-group xml:lang="pt">
<title>Palavras-chave:</title>
<kwd>fotografia humanista</kwd>
<kwd>Claudia Andujar</kwd>
<kwd>ag&#xEA;ncia Magnum</kwd>
<kwd>Family of Man</kwd></kwd-group>
<kwd-group xml:lang="en">
<title>Keywords:</title>
<kwd>humanist photography</kwd>
<kwd>Claudia Andujar</kwd>
<kwd>Magnum agency</kwd>
<kwd>Family of Man</kwd></kwd-group>
<kwd-group xml:lang="es">
<title>Palabras clave:</title>
<kwd>fotograf&#xED;a humanista</kwd>
<kwd>Claudia Andujar</kwd>
<kwd>agencia Magnum</kwd>
<kwd>Family of Man</kwd></kwd-group>
<counts>
<fig-count count="8"/>
<table-count count="0"/>
<equation-count count="0"/>
<ref-count count="26"/>
<page-count count="13"/></counts></article-meta></front>
<body>
<sec>
<title>As fam&#xED;lias dos homens brasileiros</title>
<p>A chegada de Claudia Andujar no Brasil, em 1955, coincidiu com o desenvolvimento de seu interesse mais concreto pela fotografia. Nascida em 1931 na cidade su&#xED;&#xE7;a de Neuch&#xE2;tel, terra de sua m&#xE3;e, ela foi logo em seguida viver na cidade de seu pai, localizada em territ&#xF3;rio disputado entre Rom&#xEA;nia e Hungria<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref>. Com a escalada antissemita que levou seu pai e boa parte da fam&#xED;lia paterna &#xE0; morte nos campos de concentra&#xE7;&#xE3;o nazistas, ela fugiu com sua m&#xE3;e de volta para a Su&#xED;&#xE7;a em 1944, e em 1946 deixou a Europa para viver com um tio em Nova York. Como &#xE9; poss&#xED;vel ver, desde sua inf&#xE2;ncia, e levada pelas pr&#xF3;prias circunst&#xE2;ncias tanto pessoais quanto pol&#xED;ticas, a futura fot&#xF3;grafa teve uma forma&#xE7;&#xE3;o poliglota e internacional. Nesse sentido, parece bastante adequado que um de seus primeiros empregos tenha sido como guia na sede da ONU, localizada naquela cidade estadunidense. Da mesma forma, &#xE9; tamb&#xE9;m bastante significativo que pouco tempo depois, rec&#xE9;m chegada ao Brasil, um dos modos encontrados pela jovem para conhecer o novo pa&#xED;s, e para se comunicar quando ainda n&#xE3;o dominava a l&#xED;ngua portuguesa, tenha sido a fotografia.</p>
<p>Com efeito, considerada por alguns como uma linguagem universal, e de qualquer modo prescindindo da escrita, a fotografia j&#xE1; era h&#xE1; d&#xE9;cadas a profiss&#xE3;o para a qual se voltaram muitas das pessoas afetadas pelos conflitos da primeira metade do s&#xE9;culo XX, que foram obrigadas a abandonar seus pa&#xED;ses e a recome&#xE7;ar a vida em outro lugar<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref>. Segundo as pr&#xF3;prias palavras de Andujar, a fotografia foi ent&#xE3;o uma forma de adapta&#xE7;&#xE3;o ao novo pa&#xED;s, foi uma possibilidade de conhecer melhor o que para ela ainda era um mundo diferente e desconhecido<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref>. Dentro deste esfor&#xE7;o de conhecimento do novo pa&#xED;s, e, podemos imaginar, tamb&#xE9;m de busca de inser&#xE7;&#xE3;o profissional, ela desenvolveu um de seus primeiros ensaios de mais vulto, convivendo com quatro fam&#xED;lias de regi&#xF5;es e grupos sociais diferentes. Realizado durante dois anos, entre 1962 e 1964, este ensaio ficou mais tarde conhecido como a s&#xE9;rie &#x201C;Fam&#xED;lias brasileiras&#x201D;<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref>.</p>
<p>Em mar&#xE7;o de 1962, Claudia Andujar conviveu por alguns dias com uma fam&#xED;lia do Rec&#xF4;ncavo Baiano. Esta fam&#xED;lia era dona de uma fazenda, o Engenho D&#x27;&#xC1;gua, e a fot&#xF3;grafa registrou diversos aspectos do cotidiano tanto da vida &#xED;ntima da fam&#xED;lia, quanto do trabalho na fazenda. &#xC9; poss&#xED;vel perceber um enfoque grande nas crian&#xE7;as, tanto as brancas, filhas da fam&#xED;lia, que s&#xE3;o retratadas em seu quarto, ou brincando, quanto as negras, filhas dos empregados, retratadas na cozinha, tratando dos animais, ou estudando. A situa&#xE7;&#xE3;o privilegiada da fam&#xED;lia tamb&#xE9;m &#xE9; ressaltada, muitas vezes por meio de um contraste com os empregados. Em especial, na fotografia que mostra a fam&#xED;lia sentada &#xE0; frente da televis&#xE3;o e as pessoas que inferimos serem os empregados da casa, pois s&#xF3; os vemos de costas, de p&#xE9; atr&#xE1;s, vendo a mesma televis&#xE3;o a partir da soleira da porta (<xref ref-type="fig" rid="f1"><bold>Imagem 1</bold></xref>). Tamb&#xE9;m foi fotografado o trabalho do corte da cana e da colheita do cacau.</p>
<fig id="f1">
<label>Imagem 1</label>
<caption>
<title>Fotografias da s&#xE9;rie sobre a fam&#xED;lia baiana.</title></caption>
<graphic xlink:href="ibero-44-0149-gf01.jpg"/>
<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B18">NOGUEIRA, 2015</xref>.</attrib></fig>
<p>Mais de um ano depois, em maio de 1963, Andujar acompanhou uma fam&#xED;lia de classe m&#xE9;dia paulistana. As imagens desta fam&#xED;lia mostram a grande casa em que vivem, tanto de dentro, com v&#xE1;rios c&#xF4;modos diferentes, quanto de fora, onde podemos ver parte do tamb&#xE9;m grande terreno onde ela se encontra. Mostra-se a fam&#xED;lia reunida na sala de estar, na sala de jantar, na cozinha, na sala de televis&#xE3;o. Tamb&#xE9;m o pai da fam&#xED;lia em seu trabalho, bem como a m&#xE3;e em seu trabalho, e depois fazendo compras de mantimentos. A filha &#xE9; mostrada no sal&#xE3;o de beleza, e se arrumando para uma festa. Vemos, enfim, uma festa de aniversario do pai da fam&#xED;lia. Assim como na s&#xE9;rie baiana, nesta existe uma marcada presen&#xE7;a de crian&#xE7;as. No entanto, o que mais salta aos olhos nestas imagens &#xE9; a presen&#xE7;a de pessoas com tra&#xE7;os asi&#xE1;ticos. O bairro do Jabaquara, onde a fam&#xED;lia vivia, &#xE9; um dos redutos da grande comunidade japonesa na cidade de S&#xE3;o Paulo, e ela se faz presente na pr&#xF3;pria fam&#xED;lia e em seu cotidiano. No retrato que Andujar fez da fam&#xED;lia reunida, uma jovem e o beb&#xEA; em seu colo t&#xEA;m tra&#xE7;os japoneses. Quando a m&#xE3;e da fam&#xED;lia faz compras na feira livre, embaixo da mesa e fora de seu campo de vis&#xE3;o, a fotografia mostra uma criancinha tamb&#xE9;m com fei&#xE7;&#xF5;es orientais dentro de uma caixa, provavelmente o filho de um feirante (<xref ref-type="fig" rid="f2"><bold>Imagem 2</bold></xref>). Da mesma forma, quando a filha da fam&#xED;lia est&#xE1; se preparando para a festa, a jovem que arruma seu cabelo tamb&#xE9;m tem tra&#xE7;os que demonstram origem japonesa.</p>
<fig id="f2">
<label>Imagem 2</label>
<caption>
<title>Fotografias da s&#xE9;rie sobre a fam&#xED;lia paulistana.</title></caption>
<graphic xlink:href="ibero-44-0149-gf02.jpg"/>
<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B18">NOGUEIRA, 2015</xref>.</attrib></fig>
<p>Em novembro daquele mesmo ano de 1963, Claudia Andujar esteve com a fam&#xED;lia de um pescador da vila de Picinguaba, no litoral norte do estado de S&#xE3;o Paulo. Esta vila, parte do munic&#xED;pio de Ubatuba, era na &#xE9;poca isolada, acess&#xED;vel por barco, e as imagens mostram a rela&#xE7;&#xE3;o bastante pr&#xF3;xima destas pessoas com o mar. Vemos o trabalho do pai da fam&#xED;lia remendando uma rede de pescar,o interior de um barco, o mar, a praia onde a fam&#xED;lia se re&#xFA;ne, olhando para os barcos que se aproximam. Assim como na s&#xE9;rie anterior, a fot&#xF3;grafa mostra a casa da fam&#xED;lia de fora, mas esta &#xE9; pequena e de constru&#xE7;&#xE3;o rudimentar. Mostra tamb&#xE9;m seu interior, povoado por algumas panelas velhas, e majoritariamente por crian&#xE7;as, que predominam neste interior. Como em todas as s&#xE9;ries, existe um retrato da fam&#xED;lia, e como em muitas das imagens, este retrato &#xE9; feito no espa&#xE7;o da cozinha (<xref ref-type="fig" rid="f3"><bold>Imagem 3</bold></xref>). As imagens mostram, al&#xE9;m do trabalho, um outro aspecto da vida da fam&#xED;lia fora de casa, um culto da igreja que frequentam.</p>
<fig id="f3">
<label>Imagem 3</label>
<caption>
<title>Fotografias da s&#xE9;rie sobre a fam&#xED;lia cai&#xE7;ara.</title></caption>
<graphic xlink:href="ibero-44-0149-gf03.jpg"/>
<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B18">NOGUEIRA, 2015</xref>.</attrib></fig>
<p>No ano de 1964, Andujar deu continuidade ao projeto acompanhando por duas semanas uma fam&#xED;lia da cidade de Diamantina, no estado de Minas Gerais. As imagens mostram, por um lado, a atua&#xE7;&#xE3;o profissional do pai da fam&#xED;lia como m&#xE9;dico em um hospital, e por outro, a grande religiosidade da fam&#xED;lia no espa&#xE7;o privado da casa, comandada pela m&#xE3;e, que aparece rezando em um retrato. A fotografia do exterior da casa, um sobrado amplo, mostra tamb&#xE9;m o carro da fam&#xED;lia, e indica que eles t&#xEA;m posses. A fam&#xED;lia &#xE9; bastante numerosa, e o retrato de seus membros &#xE9; feito em um p&#xE1;tio. A presen&#xE7;a de crian&#xE7;as em grande n&#xFA;mero &#xE9; tamb&#xE9;m neste caso marcante. Andujar se demorou fotografando tanto as crian&#xE7;as da fam&#xED;lia, que aparecem jogando cartas, subindo em arvores, brincando, rezando e participando de uma primeira comunh&#xE3;o (<xref ref-type="fig" rid="f4"><bold>Imagem 4</bold></xref>), quanto as que eram pacientes do pai da fam&#xED;lia no hospital.</p>
<fig id="f4">
<label>Imagem 4</label>
<caption>
<title>Fotografias da s&#xE9;rie sobre a fam&#xED;lia mineira.</title></caption>
<graphic xlink:href="ibero-44-0149-gf04.jpg"/>
<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B18">NOGUEIRA, 2015</xref>.</attrib></fig>
<p>Segundo o que afirma a fot&#xF3;grafa, a ideia por tr&#xE1;s desta s&#xE9;rie que retratou estas quatro fam&#xED;lias era a de melhor conhecer o Brasil e os seus habitantes. Nesse sentido, ela esclarece que procurou retratar fam&#xED;lias de diferentes classes sociais, diferentes lugares e formas de viver<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref>. A s&#xE9;rie nos leva para dentro da vida privada de pessoas bastante simples, e de donos de fazenda; de pescadores e de m&#xE9;dicos; de casas grandes e repletas de empregados e de casas de ch&#xE3;o de terra; de cat&#xF3;licos bastante tradicionais e de adventistas do S&#xE9;timo Dia; de pessoas brancas, negras e de origem japonesa. No entanto, apesar de tantas disparidades, a fot&#xF3;grafa engendrou rela&#xE7;&#xF5;es de proximidade entre todas as fam&#xED;lias, tais como o trabalho e a profiss&#xE3;o dos homens, as formas de religiosidade, as cozinhas como cen&#xE1;rio para imagens de conv&#xED;vio, e a const&#xE2;ncia de crian&#xE7;as em todas as inst&#xE2;ncias fotografadas, mas principalmente as crian&#xE7;as das fam&#xED;lias selecionadas, cuja presen&#xE7;a, poder&#xED;amos afirmar, funciona como um elemento de caracteriza&#xE7;&#xE3;o do que seria uma fam&#xED;lia.</p>
</sec>
<sec>
<title>As fam&#xED;lias dos homens dos quatro continentes</title>
<p>V&#xE1;rios anos antes de Andujar dar in&#xED;cio &#xE0; sua s&#xE9;rie das fam&#xED;lias brasileiras, e apenas dois anos ap&#xF3;s sua chegada aos EUA, a revista norte-americana <italic>Ladies&#x2019; Home Journal</italic> publicou, a partir de maio de 1948, uma s&#xE9;rie sobre fam&#xED;lias de diversas partes do mundo. Intitulada <italic>People are people the world over</italic> [As pessoas s&#xE3;o pessoas no mundo todo], a s&#xE9;rie foi dividida em doze reportagens fotogr&#xE1;ficas sobre doze fam&#xED;lias provenientes de pa&#xED;ses diferentes. A ideia nasceu de conversas entre o editor da revista na &#xE9;poca, o norte-americano John G. Morris (1916), e o fot&#xF3;grafo h&#xFA;ngaro, naturalizado norte-americano, Robert Capa (1913-1954). Ambos se conheciam desde a Segunda Guerra Mundial, quando trabalhavam para a revista <italic>Life</italic> &#x2013; Morris como editor de fotografia, e Capa como parte do time de seis fot&#xF3;grafos que cobriram a invas&#xE3;o da Normandia em 1944<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref>.</p>
<p>Para a feitura das imagens de <italic>People are people the world over</italic>, Morris contratou, al&#xE9;m de Capa, mais seis fot&#xF3;grafos, cinco dos quais faziam parte de uma nova ag&#xEA;ncia que Capa estava naquele mesmo momento se esfor&#xE7;ando para viabilizar. A ag&#xEA;ncia era uma cooperativa de fot&#xF3;grafos que ele havia reunido, a partir da capitaliza&#xE7;&#xE3;o de seus trabalhos durante a Segunda Guerra Mundial, e se chamava Magnum<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref>. Esta s&#xE9;rie de reportagens viria a ser o primeiro grande trabalho da nova ag&#xEA;ncia. Em sua autobiografia, John Morris se lembra de ter finalizado as negocia&#xE7;&#xF5;es com Capa em 1947, contratando George Rodgerpara fotografar fam&#xED;lias no Egito, Paquist&#xE3;o e &#xC1;frica Equatorial e David Seymour &#x201C;Chim&#x201D; para fotografar fam&#xED;lias na Fran&#xE7;a e Alemanha. Ambos os fot&#xF3;grafos eram co-fundadores da Magnum. Larry Burrows fotografou uma fam&#xED;lia na Inglaterra, Marie Hansenuma na It&#xE1;lia, e Phil Schultz uma no M&#xE9;xico, todos os tr&#xEA;s na &#xE9;poca atuando como <italic>stringers</italic> (membros associados, n&#xE3;o plenos) da Magnum. O &#xFA;nico fot&#xF3;grafo que n&#xE3;o pertencia &#xE0; nova ag&#xEA;ncia foi Horace Bristol, que fotografou fam&#xED;lias na China e no Jap&#xE3;o, e a quem Morris tamb&#xE9;m conhecia de seus tempos na revista <italic>Life</italic>. No entanto, ao contr&#xE1;rio de Capa, Bristol havia deixado a revista durante a Segunda Guerra, para se juntar &#xE0; unidade da marinha norte-americana comandada pelo fot&#xF3;grafo Edward Steichen (1879-1973), e desde ent&#xE3;o se estabeleceu em T&#xF3;quio. Finalmente, o pr&#xF3;prio Capa, que havia fotografado uma fam&#xED;lia norte-americana, como uma esp&#xE9;cie de &#x201C;piloto&#x201D; para a s&#xE9;rie, tamb&#xE9;m deveria fotografar uma fam&#xED;lia russa. Por&#xE9;m, durante sua viagem para a Uni&#xE3;o Sovi&#xE9;tica os guias que o acompanhavam n&#xE3;o deixaram ele andar livremente, e ele teve que se contentar em enviar fotos de uma fam&#xED;lia da Eslov&#xE1;quia, que ao menos tamb&#xE9;m se encontrava atr&#xE1;s da rec&#xE9;m-erguida &#x201C;cortina de ferro&#x201D;<xref ref-type="fn" rid="fn8"><sup>8</sup></xref>. Segundo Morris, ele passou a todos estes fot&#xF3;grafos as mesmas instru&#xE7;&#xF5;es:eleger apenas fam&#xED;lias de agricultores, o que traria um denominador comum entre elas, fazer um retrato de cada fam&#xED;lia, e fotografar situa&#xE7;&#xF5;es envolvendo o trabalho na lavoura, na cozinha, comendo, envolvendo h&#xE1;bitos de higiene, brincando, estudando, fazendo compras, situa&#xE7;&#xF5;es ligadas as diferentes religi&#xF5;es, as formas de relaxar em casa, de viajar e dormindo (<xref ref-type="bibr" rid="B17">MORRIS, 2002</xref>, p. 116).</p>
<p>No processo de edi&#xE7;&#xE3;o, no entanto, Morris optou por organizar a s&#xE9;rie a partir de temas, e n&#xE3;o por fam&#xED;lia. Assim, a cada m&#xEA;s a revista mostrava uma imagem de cada fam&#xED;lia realizando a mesma tarefa ou a&#xE7;&#xE3;o. Um &#xFA;nico <italic>layout</italic> foi mantido nas doze edi&#xE7;&#xF5;es consecutivas da <italic>Ladies&#x2019; Home Journal</italic><xref ref-type="fn" rid="fn9"><sup>9</sup></xref>. Os objetivos por tr&#xE1;s dessa op&#xE7;&#xE3;o s&#xE3;o explicitados na edi&#xE7;&#xE3;o de maio de 1948, que apresenta as fam&#xED;lias e seus retratos, e anuncia a s&#xE9;rie, afirmando em editorial que</p> <disp-quote>
<p>A conclus&#xE3;o de nosso levantamento ir&#xE1; surpreender apenas aqueles que escrevem manchetes de jornais. &#xC9; simplesmente que as pessoas s&#xE3;o basicamente pessoas, n&#xE3;o importa onde elas estejam (<italic>Ladies&#x2019; Home Journal</italic>, v. LXV, n. 5, maio de 1948) (<xref ref-type="fig" rid="f5"><bold>Imagem 5</bold></xref>).</p></disp-quote>
<fig id="f5">
<label>Imagem 5</label>
<caption>
<title>P&#xE1;gina dupla da revista <italic>Ladies&#x2019; Home Journal</italic>, maio de 1948.</title></caption>
<graphic xlink:href="ibero-44-0149-gf05.jpg"/></fig>
<p>Na p&#xE1;gina seguinte, esta edi&#xE7;&#xE3;o da revista j&#xE1; traz a primeira reportagem, dedicada &#xE0; cozinha, sua estrutura e utens&#xED;lios e, ao tratar destes assuntos, se foca nas mulheres e nas crian&#xE7;as. Seu t&#xED;tulo &#xE9; &#x201C;<italic>O mundo da mulher gira em torno da cozinha</italic>&#x201D;. As doze fotografias mostram cada uma das m&#xE3;es das fam&#xED;lias, algumas com os filhos, em suas cozinhas, as quais t&#xEA;m as mais variadas conforma&#xE7;&#xF5;es. Entre outras coisas, o texto da reportagem salienta a escassez de leite para as crian&#xE7;as paquistanesas, e a abund&#xE2;ncia para as inglesas; relata que a m&#xE3;e alem&#xE3; &#xE9; visitada por pessoas famintas da cidade, e que continua a tradi&#xE7;&#xE3;o iniciada durante a guerra de dar uma batata a cada um; afirma que cinco das cozinhas t&#xEA;m ch&#xE3;o de terra, e no Paquist&#xE3;o e na &#xC1;frica Equatorial a maior parte da comida &#xE9; feita ao ar livre; diz tamb&#xE9;m que a m&#xE3;e chinesa nunca teve contato com um enlatado ou uma garrafa. Al&#xE9;m deste texto geral, h&#xE1; uma legenda para cada imagem. A legenda relativa &#xE0; fam&#xED;lia norte-americana afirma que esta &#xE9; a &#xFA;nica com geladeira el&#xE9;trica, e que ela tem fog&#xE3;o a g&#xE1;s e &#xE1;gua encanada, mas que a m&#xE3;e quer ainda assim reformar sua cozinha (<italic>Ladies&#x2019; Home Journal</italic>, v. LXV, n. 5, maio de 1948) (<xref ref-type="fig" rid="f6"><bold>Imagem 6</bold></xref>).</p>
<fig id="f6">
<label>Imagem 6</label>
<caption>
<title>P&#xE1;gina dupla da revista <italic>Ladies&#x2019; Home Journal</italic>, maio de 1948.</title></caption>
<graphic xlink:href="ibero-44-0149-gf06.jpg"/></fig>
<p>A s&#xE9;rie continua nos meses seguintes, trazendo imagens de como as doze fam&#xED;lias fazem suas refei&#xE7;&#xF5;es, como elas se locomovem, como tomam banho, como trabalham a terra, como as crian&#xE7;as v&#xE3;o para a escola e estudam, como as m&#xE3;es fazem compra de alimentos nos mercados, como praticam suas diferentes religi&#xF5;es (<xref ref-type="fig" rid="f7"><bold>Imagem 7</bold></xref>). O tema da &#xFA;ltima reportagem, de abril de 1949, &#xE9; como estas fam&#xED;lias dormem. Ela &#xE9; intitulada &#x201C;<italic>Este &#xE9; o mundo na hora de dormir</italic>&#x201D; e as imagens mostram retratos em sua maioria dos filhos, de pijamas e em suas camas. O texto que acompanha as imagens &#xE9; o &#xFA;nico nas doze edi&#xE7;&#xF5;es que se permite um tom mais floreado, e n&#xE3;o informativo, &#xE0; guisa de encerramento:</p> <disp-quote>
<p>Uma a uma, em firme ordem de idade, as crian&#xE7;as do mundo s&#xE3;o colocadas na cama para dormir. H&#xE1; um momento de paz, uma hora para o homem e a esposa renovarem calmamente seu amor. A chama do anoitecer queima fraca, e logo apaga. Um hemisf&#xE9;rio j&#xE1; est&#xE1; dormindo (<italic>Ladies&#x2019; Home Journal</italic>, v. LXVI, n. 4, abril de 1949).</p></disp-quote>
<fig id="f7">
<label>Imagem 7</label>
<caption>
<title>P&#xE1;gina dupla da revista <italic>Ladies&#x2019; Home Journal</italic>, dezembro de 1948.</title></caption>
<graphic xlink:href="ibero-44-0149-gf07.jpg"/></fig>
<p>No conjunto, as imagens das reportagens se unem em uma grande narrativa, quase como uma fotonovela. J&#xE1; as legendas e os textos de autoria de John Morris, com a exce&#xE7;&#xE3;o deste pequeno encerramento, s&#xE3;o sempre descritivos e diretos. Por exemplo, na reportagem sobre o trabalho na agricultura s&#xE3;o levantadas as maiores dificuldades de cada lugar, como a seca no M&#xE9;xico, o calor no Paquist&#xE3;o, as pragas no algod&#xE3;o do Egito e a geada na Eslov&#xE1;quia. Em seguida, o texto informa que o pai da fam&#xED;lia do Jap&#xE3;o se levanta &#xE0;s 5hs, o norte-americano as 6hs e o italiano trabalha muitas vezes at&#xE9; as 22hs (<italic>Ladies&#x2019; Home Journal</italic>, v. LXV, n. 7, 1948). Assim como no texto que acompanhou a primeira reportagem, sobre a cozinha, em todas elas existe um tom de compara&#xE7;&#xE3;o com a vida e os costumes dos EUA: a fam&#xED;lia norte-americana se apresentava como medida ou par&#xE2;metro, ao mesmo tempo em que &#xE9; ressaltada sua condi&#xE7;&#xE3;o privilegiada frente &#xE0; pobreza da &#xC1;sia e &#xC1;frica, e, em especial, dos efeitos da Segunda Guerra Mundial, ainda fortemente sentidos na Europa<xref ref-type="fn" rid="fn10"><sup>10</sup></xref>.</p>
<p>Como &#xE9; poss&#xED;vel ver, muitos dos temas e das quest&#xF5;es exploradas por Andujar na s&#xE9;rie sobre fam&#xED;lias brasileiras j&#xE1; estariam presentes nas orienta&#xE7;&#xF5;es que John Morris passou para os fot&#xF3;grafos que trabalharam em <italic>People are people the word over</italic>. A busca por uma unidade ou proximidade entre diferentes classes sociais ou entre culturas distanciadas geograficamente &#xE9; vis&#xED;vel nos dois projetos. Tamb&#xE9;m o p&#xFA;blico das s&#xE9;ries seria semelhante. <italic>Ladies&#x2019; Home Journal</italic> era uma tradicional revista feminina que encerrou sua publica&#xE7;&#xE3;o apenas recentemente, e a s&#xE9;rie de Andujar era destinada &#xE0; <italic>Revista Claudia</italic>, que no entanto n&#xE3;o se interessou em public&#xE1;-la.</p>
<p>Tamb&#xE9;m a experi&#xEA;ncia da Segunda Guerra Mundial pode ser vista como um ponto de converg&#xEA;ncia. Apesar da pouca idade, Andujar foi testemunha ao mesmo tempo que v&#xED;tima do conflito, assim como a grande maioria dos fot&#xF3;grafos envolvidos no ambicioso projeto de 1948, e o pr&#xF3;prio Morris. Eles conheceram em primeira m&#xE3;o a destrui&#xE7;&#xE3;o, a escassez e o trauma que permaneceram ap&#xF3;s o armist&#xED;cio. Alguns aspectos de <italic>People are people the world over</italic> parecem querer dar a conhecer esta realidade para os norte-americanos que n&#xE3;o a experienciaram. Por outro lado, a mensagem que a reportagem declarou querer passar para os seus leitores, de fraternidade e uni&#xE3;o, estava em perfeita sintonia com a cultura pol&#xED;tica do p&#xF3;s-guerra que estava sendo trabalhada pelos EUA, voltada para um ide&#xE1;rio pol&#xED;tico n&#xE3;o apenas de reconstru&#xE7;&#xE3;o, mas tamb&#xE9;m de reconcilia&#xE7;&#xE3;o de certos pa&#xED;ses e povos que faria um papel importante durante a Guerra Fria e os processos de neocolonialismo, como ser&#xE1; tratado mais adiante<xref ref-type="fn" rid="fn11"><sup>11</sup></xref>. Fotograficamente, como se ver&#xE1;, esta cultura pol&#xED;tica se assentaria na centralidade da fam&#xED;lia burguesa e na no&#xE7;&#xE3;o de fotografia como uma linguagem universal. Sendo assim, <italic>People are people the world over</italic> estaria localizada em um momento inicial da vertente fotogr&#xE1;fica do humanismo, que viveu seu auge durante a d&#xE9;cada de 1950 e 1960. Na outra ponta estaria a s&#xE9;rie das fam&#xED;lias brasileiras.</p>
</sec>
<sec>
<title>A fam&#xED;lia dos homens</title>
<p>Relacionada a esta cultura pol&#xED;tica de reconstru&#xE7;&#xE3;o e reconcilia&#xE7;&#xE3;o &#x2013; que apontava para um novo rearranjo geopol&#xED;tico &#x2013; &#xE9; marcante a cria&#xE7;&#xE3;o de institui&#xE7;&#xF5;es internacionais relevantes no imediato p&#xF3;s-guerra. A Organiza&#xE7;&#xE3;o das Na&#xE7;&#xF5;es Unidas (ONU) e a UNESCO &#x2013; esta um bra&#xE7;o da ONU para o patrim&#xF4;nio cultural da humanidade &#x2013; foram fundadas em 1945. No ano seguinte, foram criadas a OMS, Organiza&#xE7;&#xE3;o Mundial da Sa&#xFA;de, e a UNICEF, cuja miss&#xE3;o seria zelar pelas condi&#xE7;&#xF5;es de vida das crian&#xE7;as de todo o mundo. Segundo os mesmos princ&#xED;pios, a Declara&#xE7;&#xE3;o Internacional dos Direitos Humanos foi promulgada pela ONU em 1948 (<xref ref-type="bibr" rid="B3">BEAUMONT-MAILLET, DENOYELLE, 2006</xref>, p. 14).</p>
<p>A fotografia, e uma cultura visual baseada no fotogr&#xE1;fico, foram tamb&#xE9;m protagonistas neste processo. Fot&#xF3;grafos ligados &#xE0; fotografia humanista<xref ref-type="fn" rid="fn12"><sup>12</sup></xref> estiveram envolvidos com estas institui&#xE7;&#xF5;es internacionais desde o in&#xED;cio. J&#xE1; em agosto de 1947, o franc&#xEA;s Henri Cartier-Bresson (1908-2004), tamb&#xE9;m membro da Magnum, foi nomeado especialista em fotografia junto ao departamento de informa&#xE7;&#xE3;o da ONU, para o qual fotografou o processo de descoloniza&#xE7;&#xE3;o de pa&#xED;ses orientais (<xref ref-type="bibr" rid="B1">ASSOULINE, 2008</xref>, p. 185). Chim foi contratado pela UNESCO em 1948 para fotografar os efeitos da Segunda Guerra Mundial nas crian&#xE7;as europeias (<xref ref-type="bibr" rid="B24">YOUNG, 2013</xref>, p. 43). Como comentado anteriormente, o fot&#xF3;grafo Edward Steichen havia combatido na Segunda Guerra, comandando um destacamento respons&#xE1;vel pela fotografia a&#xE9;rea da Marinha norte-americana. Em seu retorno para os EUA, ao final da guerra, ele passou a ocupar o cargo de diretor de fotografia no Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMA e, naquele mesmo ano de 1948, montou uma vitrine fotogr&#xE1;fica no museu, em comemora&#xE7;&#xE3;o ao anivers&#xE1;rio da ONU (BERLIER in: <xref ref-type="bibr" rid="B5">BRENNEN, HARDT, 1999</xref>, p. 210-211). Para realiz&#xE1;-la, Steichen buscou imagens na imprensa ilustrada,entrando em contato com John Morris para solicitar fotografias da s&#xE9;rie <italic>People are people the world over</italic>. Segundo Morris, foi ent&#xE3;o que Steichen come&#xE7;ou a gestar o projeto do que viria a ser a grande exposi&#xE7;&#xE3;o fotogr&#xE1;fica <italic>Family of Man</italic>, realizada no MoMA em 1955<xref ref-type="fn" rid="fn13"><sup>13</sup></xref>.</p>
<p>Tanto o processo de constru&#xE7;&#xE3;o narrativa quanto parte significativa das tem&#xE1;ticas presentes em <italic>Family of Man</italic> t&#xEA;m correspond&#xEA;ncia com a s&#xE9;rie de reportagens <italic>People are people the world over</italic>. Com efeito, pelas caracter&#xED;sticas de sua expografia bem como por seu conte&#xFA;do, a mostra foi descrita como &#x201C;uma vers&#xE3;o tridimensional de uma revista ilustrada&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B17">MORRIS, 2002</xref>, p. 126). Ao mesmo tempo, pode-se considerar que a atua&#xE7;&#xE3;o de Steichen esteve mais pr&#xF3;xima dos editores de fotografia das grandes revistas ilustradas do que dos curadores de fotografia que o antecederam no Museu, nomeadamente Beaumont Newhall. N&#xE3;o por acaso, os dois maiores arquivos fotogr&#xE1;ficos aos quais Steichen recorreu para montar a exposi&#xE7;&#xE3;o foram os da revista <italic>Life</italic> e da ag&#xEA;ncia Magnum, nesta ordem<xref ref-type="fn" rid="fn14"><sup>14</sup></xref>.</p>
<p>O fot&#xF3;grafo norte-americano Wayne Miller (1918-1913) trabalhou junto com Steichen como curador assistente da exposi&#xE7;&#xE3;o <italic>Family of Man</italic>. Miller, que no ano de 1948 se uniria &#xE0; Magnum, havia lutado na Segunda Guerra Mundial no destacamento comandado por Steichen. Em depoimento sobre os processos de elabora&#xE7;&#xE3;o da exposi&#xE7;&#xE3;o do MoMA, ele a relaciona com as experi&#xEA;ncias vividas durante a guerra. Segundo ele, os temas abordados na exposi&#xE7;&#xE3;o j&#xE1; haviam sido suscitados nos &#xFA;ltimos momentos da guerra, quando esteve em Hiroshima devastada pelo bombardeio at&#xF4;mico, em uma conversa com seus colegas da marinha sobre a futilidade da guerra.</p> <disp-quote>
<p>Muitos de n&#xF3;s sentimos que est&#xE1;vamos lutando no escuro, contra inimigos que n&#xE3;o conhec&#xED;amos, e que n&#xE3;o nos conheciam. Armas e bombas podem ganhar a guerra, mas ignor&#xE2;ncia certamente causaria a perda da paz. Eu nunca esqueci aquela conversa. Ajudou a me convencer a documentar as coisas que fazem a ra&#xE7;a humana uma fam&#xED;lia. N&#xF3;s podemos ter diferen&#xE7;as de ra&#xE7;a, religi&#xE3;o, l&#xED;ngua, riqueza e pol&#xED;tica, mas veja o que temos em comum &#x2013; sonhos, os confortos de uma casa, a fome de amor. Com fotografias, eu pensei que poderia ajudar alguns de n&#xF3;s a entender melhor o desconhecido que mora do outro lado do mundo &#x2013; e do outro lado da cidade. (MILLER in: <xref ref-type="bibr" rid="B14">LIGHT, 2000</xref>, p. 47)</p></disp-quote>
<p>Esta vis&#xE3;o encontra eco no resultado final da exposi&#xE7;&#xE3;o, que desde o princ&#xED;pio foi pensada como um projeto transnacional. Os n&#xFA;meros da exposi&#xE7;&#xE3;o deixam claro que Steichen n&#xE3;o poupou meios para encontrar imagens que coadunassem com suas propostas. <italic>Family of Man</italic> foi resultado de tr&#xEA;s anos de preparo, durante os quais ele viajou por onze pa&#xED;ses e vinte e nove cidades, procurando fotografias. Dois milh&#xF5;es de imagens foram avaliadas, dez mil selecionadas e classificadas por tema, 503 efetivamente exibidas, realizadas por 273 fot&#xF3;grafos de variadas nacionalidades. Da mesma forma, sua circula&#xE7;&#xE3;o tamb&#xE9;m foi pensada para ser internacional. Em Nova York, e depois pelos sessenta e nove pa&#xED;ses pelos quais viajou, estima-se que tenha sido assistida por mais de dez milh&#xF5;es de expectadores<xref ref-type="fn" rid="fn15"><sup>15</sup></xref>.</p>
<p>O discurso universalista &#xE9; aprofundado na nota para a imprensa sobre a exposi&#xE7;&#xE3;o, divulgada em 1954, onde Steichen afirma que</p> <disp-quote>
<p>&#xC9; essencial termos em mente os elementos e aspectos universais das rela&#xE7;&#xF5;es e experi&#xEA;ncias humanas comuns a toda humanidade, em lugar de situa&#xE7;&#xF5;es que representam condi&#xE7;&#xF5;es exclusivamente relacionadas ou peculiares &#xE0; uma ra&#xE7;a, um evento, um tempo ou lugar (apud BERLIER in: <xref ref-type="bibr" rid="B5">BRENNEN, HARDT, 1999</xref>, p. 213).</p></disp-quote>
<p>Esta mesma ideia esteve presente nas paredes da pr&#xF3;pria exposi&#xE7;&#xE3;o, onde eram vis&#xED;veis pequenas cita&#xE7;&#xF5;es de textos culturalmente significativos de varias regi&#xF5;es, como trechos da B&#xED;blia, de Lao-Ts&#xE9;, do Bagavad-Gita, de frases de &#xED;ndios norte-americanos, e de v&#xE1;rios autores da literatura mundial. Um dos trechos reproduzidos &#xE9; da Carta das Na&#xE7;&#xF5;es Unidas, relacionando claramente as fotografias expostas &#xE0; cultura pol&#xED;tica de unifica&#xE7;&#xE3;o e reconstru&#xE7;&#xE3;o<xref ref-type="fn" rid="fn16"><sup>16</sup></xref>. A fotografia que acompanha este trecho, uma das &#xFA;ltimas imagens da exposi&#xE7;&#xE3;o, e do cat&#xE1;logo, mostra a Assembl&#xE9;ia Geral na sede da ONU em Nova York totalmente ocupada pelos delegados e representantes dos pa&#xED;ses membros (<xref ref-type="fig" rid="f8"><bold>Imagem 8</bold></xref>).</p>
<fig id="f8">
<label>Imagem 8</label>
<caption>
<title>P&#xE1;gina dupla do livro <italic>Family of Man</italic>.</title></caption>
<graphic xlink:href="ibero-44-0149-gf08.jpg"/>
<attrib>Fonte: <xref ref-type="bibr" rid="B22">Steichen, 2010</xref>.</attrib></fig>
<p>A exposi&#xE7;&#xE3;o e o cat&#xE1;logo de <italic>Family of Man</italic> foram organizados por subdivis&#xF5;es tem&#xE1;ticas, formadas a partir do encadeamento de imagens. A sucess&#xE3;o de blocos tem&#xE1;ticos, por sua vez, estabelece uma narrativa visual bastante eficaz. Algumas das tem&#xE1;ticas identificadas a partir da sucess&#xE3;o de imagens podem ser destacadas: o amor entre homem e mulher, o casamento, a gravidez da mulher, o nascimento e o cuidado com rec&#xE9;m-nascidos, a grande presen&#xE7;a de crian&#xE7;as e da tem&#xE1;tica da inf&#xE2;ncia, retratos de fam&#xED;lias, o trabalho na agricultura ou na f&#xE1;brica, os h&#xE1;bitos alimentares e as refei&#xE7;&#xF5;es, o lazer e o estudo, o sofrimento e os rituais funer&#xE1;rios, assim como as diferentes pr&#xE1;ticas religiosas. No pr&#xF3;logo do cat&#xE1;logo, o escritor norte-americano Carl Sandburg se remete a tais tem&#xE1;ticas como a forma de estabelecer uma igualdade entre os diversos povos. Segundo ele,</p> <disp-quote>
<p>Iguais e sempre iguais n&#xF3;s temos em todos os continentes a necessidade de amor, comida, trabalho, fala, religiosidade, sono, jogos, dan&#xE7;a, divers&#xE3;o. Dos tr&#xF3;picos ao &#xE1;rtico, a humanidade vive com estas necessidades t&#xE3;o iguais, t&#xE3;o inexoravelmente iguais (SANDBURG in: <xref ref-type="bibr" rid="B22">STEICHEN, 2010</xref>, p. 4).</p></disp-quote>
<p>A pretens&#xE3;o universalista de <italic>Family of Man</italic>, e seu direcionamento inquestion&#xE1;vel ao ser humano, ao mesmo tempo enquanto indiv&#xED;duo e enquanto pessoa an&#xF4;nima, de quem o observador n&#xE3;o sabe quase nada, mas com quem pode facilmente se identificar, conferiram &#xE0; exposi&#xE7;&#xE3;o uma posi&#xE7;&#xE3;o central dentro da chamada fotografia humanista. Com efeito, apesar da cr&#xED;tica ter dificuldade em definir o que seria esta vertente fotogr&#xE1;fica, ela &#xE9; praticamente un&#xE2;nime em associ&#xE1;-la &#xE0; exposi&#xE7;&#xE3;o de Steichen<xref ref-type="fn" rid="fn17"><sup>17</sup></xref>. No entanto, a exposi&#xE7;&#xE3;o tamb&#xE9;m suscitou um debate em torno desta fotografia, que gerou &#x2013; e continua alimentando &#x2013; uma fortuna cr&#xED;tica t&#xE3;o ampla quanto o pr&#xF3;prio impacto de <italic>Family of Man</italic>. Boa parte desta fortuna cr&#xED;ticas e dedica justamente a desconstruir o discurso universalista tanto da fam&#xED;lia burguesa quanto da linguagem fotogr&#xE1;fica, propagados pela exposi&#xE7;&#xE3;o, e foi iniciada pelo cr&#xED;tico franc&#xEA;s Roland Barthes quase que imediatamente ao seu aparecimento, ainda em 1956<xref ref-type="fn" rid="fn18"><sup>18</sup></xref>. Mas foi tamb&#xE9;m retomada e ampliada por intelectuais como Susan Sontag, na d&#xE9;cada de 1970 (<xref ref-type="bibr" rid="B21">SONTAG, 2004</xref>, p. 44-46), e Allan Sekula em 1980 (<xref ref-type="bibr" rid="B20">SEKULA, 1981</xref>, p. 15-25), entre outros, em um constante debate que tem desdobramentos na hist&#xF3;ria da fotografia at&#xE9; os dias de hoje<xref ref-type="fn" rid="fn19"><sup>19</sup></xref>.</p>
<p>Segundo Sekula, a exposi&#xE7;&#xE3;o <italic>Family of Man</italic> poderia ser entendida como o &#xE1;pice da liberalismo norte-americano na Guerra Fria, promovendo uma vis&#xE3;o ben&#xE9;fica dos EUA internacionalmente, e em especial em regi&#xF5;es de interesse geopol&#xED;tico. Para o autor, esta intensa exibi&#xE7;&#xE3;o internacional, patrocinada n&#xE3;o apenas pelo MoMA, mas tamb&#xE9;m pelo governo norte-americano e por grandes companhias como a Coca-Cola, seria uma tentativa de alinhar ideologicamente as periferias neocoloniais e de &#x201C;humanizar&#x201D; o outro e o diferente, no contexto da Guerra Fria. Para tanto, se teria lan&#xE7;ado m&#xE3;o, com sucesso, da no&#xE7;&#xE3;o da fotografia como um discurso universal (<xref ref-type="bibr" rid="B20">SEKULA, 1981</xref>, p. 15-25).</p>
<p>A despeito das consistentes cr&#xED;ticas, toda a bibliografia que se formou a partir da exposi&#xE7;&#xE3;o comprova sua import&#xE2;ncia para a hist&#xF3;ria da fotografia. Por meio de <italic>The Family of Man</italic> Steichen foi capaz de estabelecer uma vers&#xE3;o particular do que seria a fotografia humanista, baseada nesta concep&#xE7;&#xE3;o universalista, exibida em um local legitimador como &#xE9; o museu de arte. Da mesma forma, sob dire&#xE7;&#xE3;o de Steichen, este museu contribuiu para consolidar internacionalmente esta vers&#xE3;o da fotografia humanista, cujo impacto seria sentido tamb&#xE9;m no Brasil.</p>
</sec>
<sec sec-type="conclusions">
<title>A esp&#xE9;cie humana, e algumas considera&#xE7;&#xF5;es finais</title>
<p>A constru&#xE7;&#xE3;o narrativa a partir de m&#xFA;ltiplas fotografias documentais, bem como a no&#xE7;&#xE3;o de que o ser humano partilha de uma natureza comum, balizada por aspectos que se repetem em diferentes localidades e origens, tais como o cuidado com a inf&#xE2;ncia, a alimenta&#xE7;&#xE3;o e a religiosidade, e que esta natureza comum pode ser mostrada por meio da fotografia, considerada como uma linguagem universal que fala &#xE0; todos de forma igual, s&#xE3;o pressupostos partilhados n&#xE3;o apenas por John Morris e Robert Capa em <italic>People are people the world over</italic> e Edward Steichen em <italic>Family of Man</italic>, mas tamb&#xE9;m por Claudia Andujar em sua s&#xE9;rie sobre as fam&#xED;lias brasileiras.</p>
<p>Claudia Andujar chegou em Nova York em 1946, dois anos antes de <italic>People are people the world over</italic> come&#xE7;ar a ser publicada na <italic>Ladies&#x2019; Home Journal</italic>, o que viria a acontecer entre 1948-49. <italic>Family of Man</italic> ficou aberta no MoMA entre janeiro e maio de 1955; um m&#xEA;s depois, no dia 9 de junho Claudia Andujar aportou em Santos. As quatro fam&#xED;lias brasileiras foram fotografadas por ela entre mar&#xE7;o de 1962 at&#xE9; 1964. Morris, Capa, Steichen e Andujar, de formas diversas, tiveram uma experi&#xEA;ncia direta com os horrores da Segunda Guerra Mundial. Tiveram tamb&#xE9;m uma viv&#xEA;ncia nova-iorquina da cultura pol&#xED;tica de reconstru&#xE7;&#xE3;o capitaneada pelos EUA no imediato p&#xF3;s guerra, cujo maior s&#xED;mbolo era a ONU, e cujo impacto na cultura visual daquele momento se faz ver por meio da fotografia humanista. Este tempo de conviv&#xEA;ncia &#xE9; significativo para a carreira deAndujar.</p>
<p>Ela ainda n&#xE3;o fotografava quando deixou os EUA e veio para o Brasil, mas, quando iniciou sua carreira como fot&#xF3;grafa, foi l&#xE1; que encontrou interlocu&#xE7;&#xE3;o. Em 1958 ela realizou uma s&#xE9;rie de fotografias sobre os &#xED;ndios Karaj&#xE1;, que n&#xE3;o ganhou interesse por aqui, mas foi publicada pela revista <italic>Life</italic> em 1960, e teve algumas das imagens compradas para a cole&#xE7;&#xE3;o do MoMA por seu diretor de fotografia, Edward Steichen<xref ref-type="fn" rid="fn20"><sup>20</sup></xref>. Ela teceria a partir de ent&#xE3;o um c&#xED;rculo de interlocu&#xE7;&#xE3;o e amizade com diversos fot&#xF3;grafos ligados ao humanismo nos EUA, entre eles o respons&#xE1;vel pela exposi&#xE7;&#xE3;o <italic>Family of Man</italic>.</p>
<p>A s&#xE9;rie sobre as fam&#xED;lias brasileiras encontrou igual recep&#xE7;&#xE3;o no Brasil. Oferecida para a revista <italic>Claudia</italic>, foi recusada, segundo a fot&#xF3;grafa, por n&#xE3;o ser considerada compat&#xED;vel com o estilo da revista<xref ref-type="fn" rid="fn21"><sup>21</sup></xref>. Assim, a s&#xE9;rie continuou in&#xE9;dita por muitas d&#xE9;cadas, sendo publicada na imprensa somente em 2003, depois fazendo parte de uma exposi&#xE7;&#xE3;o retrospectiva, e em seu livro cat&#xE1;logo, em 2015 (<xref ref-type="bibr" rid="B18">NOGUEIRA, 2015</xref>, p. 5-76). No entanto, a aproxima&#xE7;&#xE3;o da fot&#xF3;grafa com o humanismo, como demonstrada por esta s&#xE9;rie, deitou ra&#xED;zes e se manteve em seu olhar e sua pr&#xE1;tica fotogr&#xE1;fica.</p>
<p>A atua&#xE7;&#xE3;o de Andujar durante a d&#xE9;cada de 1960 em um circuito internacional que adotou como est&#xE9;tica privilegiada do documental a fotografia humanista em sua vertente norte-americana fica clara n&#xE3;o apenas por sua contribui&#xE7;&#xE3;o para as revistas ilustradas que encamparam esta fotografia, tais como a <italic>Life</italic> e a <italic>Look</italic>, e a tentativa de vender sua vers&#xE3;o brasileira de <italic>People are people the world over</italic>, mas tamb&#xE9;m por sua participa&#xE7;&#xE3;o em exposi&#xE7;&#xF5;es cujos temas s&#xE3;o muito pr&#xF3;ximos de <italic>Family of Man</italic>. &#xC2;ngelo Manjabosco e Thyago Nogueira nos informam, em uma cronologia da vida da fot&#xF3;grafa, que ela participou em 1964 de uma exposi&#xE7;&#xE3;o coletiva cujo tema era <italic>O homem e seu mundo</italic>, organizada pelo fot&#xF3;grafo alem&#xE3;o Karl Pawek e exibida em museus europeus e, em 1965, de uma exposi&#xE7;&#xE3;o coletiva intitulada <italic>O mundo e seu povo</italic>, que foi realizada no pavilh&#xE3;o da Kodak na Feira Mundial de Nova York (MANJABOSCO, NOGUEIRA in: <xref ref-type="bibr" rid="B18">NOGUEIRA, 2015</xref>, p. 246).</p>
<p>A partir do in&#xED;cio da d&#xE9;cada de 1970, no entanto, sua vis&#xE3;o humanista da fotografia sofreria um impacto durante o desenvolvimento de seu trabalho com os povos ind&#xED;genas, e em especial com os Yanomami, a partir de 1971. Desde que deu in&#xED;cio a este trabalho, ela vem repetindo para quem a questiona sobre sua motiva&#xE7;&#xE3;o em fotografar os &#xED;ndios que ela n&#xE3;o &#xE9; uma antrop&#xF3;loga. Naquele mesmo ano de 1971 ela j&#xE1; declarava em uma entrevista que &#x201C;Minha preocupa&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o &#xE9; fazer etnologia, &#xE9; registrar o aspecto humano&#x201D;<xref ref-type="fn" rid="fn22"><sup>22</sup></xref>. Trinta anos depois, ela continua afirmando,</p> <disp-quote>
<p>N&#xE3;o sou antrop&#xF3;loga, meu trabalho nunca pretendeu ter um vi&#xE9;s antropol&#xF3;gico. &#xC9; fruto de uma curiosidade intr&#xED;nseca, de desejo de compreens&#xE3;o do outro e de mim mesma. Foi o que propiciou o meu envolvimento, minha dedica&#xE7;&#xE3;o &#xE0; causa ind&#xED;gena. &#xC9; um trabalho cheio de emo&#xE7;&#xE3;o. (&#x2026;) <italic>Considero os yanomami meus parentes</italic>&#x2026; (in: <xref ref-type="bibr" rid="B4">BONI, 2010</xref>, p. 267. Grifo nosso)</p></disp-quote>
<p>A no&#xE7;&#xE3;o de fam&#xED;lia ainda aparece, de forma significativa, nesta cita&#xE7;&#xE3;o. No entanto, o trabalho que a fot&#xF3;grafa viria a realizar durante as d&#xE9;cadas de 1970 e 1980 junto aos Yanomami marca uma mudan&#xE7;a ao ultrapassar a documenta&#xE7;&#xE3;o e se transformar em a&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica. Nesse sentido, Claudia Andujar toca um outro aspecto associado na hist&#xF3;ria da fotografia ao humanismo, a milit&#xE2;ncia<xref ref-type="fn" rid="fn23"><sup>23</sup></xref>.</p>
<p>Segundo o fot&#xF3;grafo e editor norte-americano Bill Jay, o fot&#xF3;grafo &#x201C;human&#xED;stico&#x201D; teria uma vis&#xE3;o e uma atitude frente ao mundo, se inserindo naquilo que registra, e nesse sentido s&#xF3; poderia ser reconhecido como tal atrav&#xE9;s do seu trabalho como um todo, e n&#xE3;o por meio de imagens individuais<xref ref-type="fn" rid="fn24"><sup>24</sup></xref>. Desenvolvendo esse argumento sobre a coloca&#xE7;&#xE3;o pessoal do fot&#xF3;grafo em suas imagens, Jay afirma que, em certo sentido, &#x201C;o humanismo na fotografia &#xE9; <italic>sempre</italic> um ato pol&#xED;tico, uma vez que ele perturba o <italic>status quo</italic>&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B11">JAY, 1978</xref>, p. 657). &#xC9; justamente esta perturba&#xE7;&#xE3;o do <italic>status quo</italic> que chamamos aqui de milit&#xE2;ncia. Como conjunto, o trabalho fotogr&#xE1;fico de Andujar mostra a partir da d&#xE9;cada de 1970 uma preocupa&#xE7;&#xE3;o coesa com o registro e a divulga&#xE7;&#xE3;o dos modos de vida e dos sofrimentos dos Yanomami. Da mesma forma, sua atua&#xE7;&#xE3;o fotogr&#xE1;fica e sua atua&#xE7;&#xE3;o junto a institui&#xE7;&#xF5;es n&#xE3;o governamentais perturbaram o <italic>status quo</italic> da pol&#xED;tica indigenista brasileira.</p>
<p>Outro aspecto que salta aos olhos no texto de Jay, que escreveu ao final da d&#xE9;cada de 1970, &#xE9; um descolamento entre a vertente chamada <italic>fotografia humanista</italic>, vis&#xED;vel em <italic>Family of Man</italic>, e a presen&#xE7;a de um posicionamento humanista no fazer fotogr&#xE1;fico, o que o autor caracterizou como atributo do fot&#xF3;grafo &#x201C;human&#xED;stico&#x201D;. Ao mesmo tempo em que suas proposi&#xE7;&#xF5;es geram um ru&#xED;do e prop&#xF5;em uma reorganiza&#xE7;&#xE3;o da no&#xE7;&#xE3;o tradicional de fotografia humanista como foi discutida aqui, elas propiciam um alargamento da no&#xE7;&#xE3;o mesma de fotografia humanista. Em um texto de 2014, o franc&#xEA;s Georges Didi-Huberman faz uma opera&#xE7;&#xE3;o semelhante, abordando, no entanto, o campo da literatura em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; presen&#xE7;a de uma tradi&#xE7;&#xE3;o humanista na hist&#xF3;ria da arte.</p>
<p>O autor afirma que com frequ&#xEA;ncia as interpreta&#xE7;&#xF5;es da no&#xE7;&#xE3;o de humanismo caem em dois equ&#xED;vocos opostos, uma que a enaltece, apenas enxergando o humanismo como um garantidor do bem moral, e outra que o recha&#xE7;a a partir de um determinismo cientificista. No entanto, Didi-Huberman afirma que este dilema te&#xF3;rico n&#xE3;o sobrevive &#xE0; uma leitura da &#x201C;esp&#xE9;cie humana&#x201D; conforme a fazem Primo Levi, Robert Antelme, Georges Bataille e Maurice Blanchot. Da mesma forma, ele afirma em seguida que o pensamento de Hannah Arendt &#x2013; que defendia a necessidade de uma vis&#xE3;o ligada &#xE0; <italic>humanitas</italic> em tempos de terror pol&#xED;tico &#x2013; &#xE9; suficiente para evitar este duplo equ&#xED;voco do encantamento ing&#xEA;nuo, ou do desencantamento radical, referente &#xE0;s interpreta&#xE7;&#xF5;es da no&#xE7;&#xE3;o de humanismo (<xref ref-type="bibr" rid="B8">DIDI-HUBERMAN, 2014</xref>, p. 54-55). No que se pode ent&#xE3;o decorrer que, para o autor, a categoria capaz de implodir as interpreta&#xE7;&#xF5;es equivocadas de humanismo, ou seja, capaz de perturbar este<italic>status quo</italic>, seriaa do <italic>testemunho</italic> humano, conforme o erigido por Levi, Antelme, etc. O testemunho seria ent&#xE3;o a a&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica do humanismo por excel&#xEA;ncia.</p>
<p>A guerra aparece, portanto, como um ponto de inflex&#xE3;o. Tanto a guerra de Hannah Arendt, Primo Levi, Robert Antelme, Georges Bataille, Maurice Blanchot, quanto a de Robert Capa, John G. Morris, Edward Steichen, Wayne Miller e Claudia Andujar. Assim como a guerra teria trazido um forte impacto para as palavras e escritos daqueles, teria tamb&#xE9;m impactado definitivamente o trabalho imag&#xE9;tico destes.</p>
<p>Sem jamais pender para o desencantamento radical, o trabalho de Claudia Andujar parece ter conseguido escapar de um discurso universalista e moralista &#x2013; da fal&#xE1;cia apontada por Didi-Huberman que seria a cren&#xE7;a no humanismo como um garantidor do bem moral. Ela evita de cair em um encantamento ing&#xEA;nuo com os povos brasileiros justamente por meio de sua milit&#xE2;ncia, direcionada &#xE0; causa da demarca&#xE7;&#xE3;o das terras ind&#xED;genas. A partir do trabalho com os Yanomami, Andujar deslocou seu lugar de vis&#xE3;o. Ela deixou de ser uma observadora, com um olhar de fora para fam&#xED;lias brasileiras, enaltecendo suas semelhan&#xE7;as enquanto esp&#xE9;cie, e se colocou como testemunha, como parte da fam&#xED;lia dos seus fotografados, compreendendo sua alteridade a partir de suas particularidades e necessidades sociais e pol&#xED;ticas.</p>
</sec></body>
<back>
<fn-group>
<fn fn-type="other" id="fn1">
<label>1</label>
<p>Quando Claudia Andujar chegou, Oradea era uma cidade romena desde o final da Primeira Guerra Mundial, no entanto, ap&#xF3;s 1940, ela voltou a ser h&#xFA;ngara, e a se chamar Nagyv&#xE1;rad. Esta situa&#xE7;&#xE3;o fez com que ela fosse alfabetizada nas duas l&#xED;nguas, h&#xFA;ngaro e romeno, al&#xE9;m do alem&#xE3;o falado na casa da fam&#xED;lia paterna, e o franc&#xEA;s com a m&#xE3;e.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn2">
<label>2</label>
<p>N&#xE3;o apenas as imigra&#xE7;&#xF5;es for&#xE7;adas e as fugas &#x2013; como no caso de Claudia Andujar &#x2013; durante a Segunda Guerra Mundial, mas tamb&#xE9;m anteriormente as persegui&#xE7;&#xF5;es pol&#xED;ticas e o antissemitismo do per&#xED;odo entre-guerras, fizeram com que um grande n&#xFA;mero de pessoas optassem pelo of&#xED;cio da fotografia como possibilidade de sustento. Sobre isso, ver <xref ref-type="bibr" rid="B25">ZERWES, 2013</xref>.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn3">
<label>3</label>
<p>Em entrevista concedida &#xE0; autora e Eduardo Costa, em S&#xE3;o Paulo, no dia 5/4/2016.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn4">
<label>4</label>
<p>Esta s&#xE9;rie e alguma informa&#xE7;&#xE3;o sobre as imagens est&#xE3;o publicadas em <xref ref-type="bibr" rid="B18">NOGUEIRA, 2015</xref>.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn5">
<label>5</label>
<p>Em entrevista concedida &#xE0; autora e Eduardo Costa, em S&#xE3;o Paulo, no dia 5/4/2016. Para coment&#xE1;rios da fot&#xF3;grafa sobre esta s&#xE9;rie, ver tamb&#xE9;m <xref ref-type="bibr" rid="B18">NOGUEIRA, 2015</xref>, p. 241-242.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn6">
<label>6</label>
<p>Ver <xref ref-type="bibr" rid="B17">MORRIS, 2002</xref>, p. 113-121. Todas as tradu&#xE7;&#xF5;es s&#xE3;o tradu&#xE7;&#xF5;es livres feitas pela autora.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn7">
<label>7</label>
<p>Sobre a Magnum e sua funda&#xE7;&#xE3;o, ver <xref ref-type="bibr" rid="B25">ZERWES, 2013</xref>.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn8">
<label>8</label>
<p>Sobre a visita de Capa &#xE0; Uni&#xE3;o Sovi&#xE9;tica, ver <xref ref-type="bibr" rid="B23">STEINBECK, CAPA, 2003</xref>.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn9">
<label>9</label>
<p>A revista norte-americana <italic>Ladies&#x2019; Home Journal</italic> foi publicada nos EUA de 1883 a 2014, voltada para o p&#xFA;blico feminino, trazendo conte&#xFA;do associado tradicionalmente com este p&#xFA;blico ao passar do tempo. Na segunda metade da d&#xE9;cada de 1940, este conte&#xFA;do girava em torno de quest&#xF5;es de beleza, moda, comportamento e est&#xF3;rias de fic&#xE7;&#xE3;o. A primeira p&#xE1;gina com o editorial que anunciou o in&#xED;cio da publica&#xE7;&#xE3;o da s&#xE9;rie afirmava: &#x201C;Announcing the JOURNAL&#x2019;S international picture survey of family life. The editors of the JOURNAL are happy to announce a special editorial project: People are People the World Over. With the co-operation of twelve families in as many countries throughout the world, we will present each month a picture spread on one important phase of family life around the world. The JOURNAL thus continues its policy of nonpolitical reporting on the world and its peoples, begun in February with the article Women and Children in Soviet Russia&#x201D; (<italic>Ladies&#x2019; Home Journal</italic>, v. LXV, n. 5, maio de 1948).</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn10">
<label>10</label>
<p>Os efeitos da guerra aparecem ainda presentes nas fam&#xED;lias europ&#xE9;ias, especialmente por meio da falta de comida e de bens de consumo. Al&#xE9;m, da primeira reportagem, cujo texto, como foi visto, informa que por vezes pessoas famintas batem &#xE0; porta da casa da fam&#xED;lia alem&#xE3;, e a m&#xE3;e lhes d&#xE1; uma batata, tamb&#xE9;m esta reportagem sobre o cultivo da terra levanta o assunto. Ao final, o texto diz: &#x201C;With the world hungry for food these twelve farmers bear more than family responsibility. But they find it often perplexing. There are landlords and taxes, crazy prices and sudden shortages. And since the war, a German official has paid a monthly visit to the barn of Heinrich Stieglitz at milking time, to set a quota for his cows&#x201D;. <italic>Ladies&#x2019; Home Journal</italic>, v. LXV, n. 7, julho de 1948.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn11">
<label>11</label>
<p>Russel Miller, ao tratar da funda&#xE7;&#xE3;o da ag&#xEA;ncia Magnum, tamb&#xE9;m a situa neste momento de reconstru&#xE7;&#xE3;o do p&#xF3;s-guerra, quando floresceram muitos grupos comunit&#xE1;rios e cooperativos, que haviam de certo modo herdado uma utopia anticapitalista, liberal ou de esquerda. Segundo o autor, &#x201C;Humanism, and a philosophy which elevated the individual, was the dominant big idea in a world that had so recently experienced the horrors of totalitarianism&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B16">MILLER, 1997</xref>, p. 50).</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn12">
<label>12</label>
<p>A chamada fotografia humanista &#xE9; uma vertente fotogr&#xE1;fica que se iniciou na Fran&#xE7;a durante a d&#xE9;cada de 1930, em um primeiro momento ligada &#xE0; cultura pol&#xED;tica de esquerda do entre-guerras. Sua tem&#xE1;tica gira em torno dos habitantes urbanos an&#xF4;nimos das classes populares, os amantes, as crian&#xE7;as, os trabalhadores. Sua est&#xE9;tica &#xE9; a da fotografia documental e direta, com tra&#xE7;os de humor ou ironia e foi difundida globalmente pela grande abrang&#xEA;ncia das revistas ilustradas. Ap&#xF3;s a Segunda Guerra Mundial, ela se voltou, na Fran&#xE7;a, para a constru&#xE7;&#xE3;o de uma identidade nacional francesa e, nos EUA, para um discurso remetendo &#xE0; irmandade dos povos e dos indiv&#xED;duos. Embora este seja um movimento complexo e dif&#xED;cil de delimitar conceitualmente, pode-se ler uma an&#xE1;lise mais demorada da bibliografia sobre o movimento da fotografia humanista na Europa e a sua vertente internacional posta em perspectiva em <xref ref-type="bibr" rid="B26">ZERWES, 2016</xref>.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn13">
<label>13</label>
<p>Segundo Morris, &#x201C;The series [People are People The World Over] made little stir at the time, but it made me a lasting friend. Edward Steichen took notice. He was then director of photography at the Museum of Modern Art, and he borrowed the pictures to create Fifth Avenue window displays honoring the United Nations on its 1949 birthday. Steichen began to dream, sharing his hopes with me, of an exhibition he would eventually call &#x2018;The Family of Man&#x2019;&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B17">MORRIS, 2002</xref>, p. 121).</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn14">
<label>14</label>
<p>Segundo Wayne Miller, &#x201C;This was not an exhibit of fine photographs. This was an exhibit of photographs that expressed this common theme of oneness of man. Most of the photographs had a relationship to another photograph. So that the photograph itself was not necessarily complete in itself. It depended on the other member of the family to give it meaning. The idea of joining different photographers&#x2019; work was unique. It was hard for some photographers to want to be involved in something like this because in the past it always had been the individual on the wall&#x201D; (MILLER in: LIGHT, 2010, p. 51).</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn15">
<label>15</label>
<p>Sobre estes e outros n&#xFA;meros da exposi&#xE7;&#xE3;o, ver GAUTRAND in: <xref ref-type="bibr" rid="B9">FRIZOT, 1998</xref>, p. 628. Ver tamb&#xE9;m <xref ref-type="bibr" rid="B22">STEICHEN, 2010</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B19">SANDEEN, 1995</xref>.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn16">
<label>16</label>
<p>O trecho &#xE9;: &#x201C;We, the peoples of United Nations / Determined to save succeeding generations from the scourge of war, which twice in our lifetime has brought untold sorrow to mankind, and / To reaffirm faith in fundamental human rights, in the dignity and worth of the human person, in the equal rights of men and women and of nations large and small&#x2026;&#x201D; (in: <xref ref-type="bibr" rid="B22">STEICHEN, 2010</xref>, p. 184).</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn17">
<label>17</label>
<p>A associa&#xE7;&#xE3;o entre a fotografia humanista e a exposi&#xE7;&#xE3;o <italic>The Family of Man</italic> parece ser incontorn&#xE1;vel. Ela &#xE9; amplamente presente na historiografia da fotografia. A express&#xE3;o &#x201C;cl&#xED;max&#x201D; &#xE9; recorrente para caracterizar esta associa&#xE7;&#xE3;o. Jean-Claude Gautrand afirma que &#x201C;Without a doubt, the climax of this great idealistic trend [a fotografia humanista] was the huge exhibition which Edward Steichen organized at the Museum of Modern Art, New York, in 1955, entitled <italic>The Family of Man</italic>&#x201D;. E, mais a frente, reitera: &#x201C;The idealism displayed by <italic>The Family of Man</italic>, coming, as it did, a few years after the Marshall Plan, marks the culmination of humanist photo-reportage&#x201D;. GAUTRAND, 1998, p. 627-628. Colin Osman relaciona este cl&#xED;max tamb&#xE9;m ao in&#xED;cio da perda de visibilidade desta vertente: &#x201C;The climax of the great humanist and idealist current of photography came with the &#x2018;Family of Man&#x2019; exhibition organized by Edward Steichen in 1955. (&#x2026;) But, as often happens, the climax also turned out to be the limit; and it is fair to say that the later reaction against &#x2018;Family of Man&#x2019; ushered in the period of truly contemporary photography&#x201D;. OSMAN in: <xref ref-type="bibr" rid="B13">LEMAGNY, ROUILLE, 1998</xref>, p. 184. J&#xE1; a curadora francesa Marie de Th&#xE9;zy afirma que os fot&#xF3;grafos humanistas tinham &#x201C;ce besoin chaleureux de retrouver l&#x27;homme en sa dignit&#xE9; profonde est un ph&#xE9;nom&#xE8;ne international. Il trouvera sa pleine expression dans la grande exposition qui se tiendra en Am&#xE9;rique en 1955 sous le titre: &#x2018;<italic>La Grande Famille des Hommes</italic>&#x2019;&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B7">DE TH&#xC9;ZY, 1983</xref>, p. 42).</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn18">
<label>18</label>
<p>Em <italic>A grande fam&#xED;lia dos homens</italic>, Barthes fez duras cr&#xED;ticas &#xE0; exposi&#xE7;&#xE3;o de Steichen, acima de tudo denunciando o modo com que a no&#xE7;&#xE3;o de humanismo teria sido utilizada na constru&#xE7;&#xE3;o de uma narrativa universalista, que deslocaria quest&#xF5;es hist&#xF3;ricas em prol de uma natureza humana comum a todos. Segundo ele, ao observar a exposi&#xE7;&#xE3;o, &#x201C;Eis-nos imediatamente remetidos ao amb&#xED;guo mito da &#x2018;comunidade&#x2019; humana, cujo &#xE1;libi alimenta toda <italic>uma parte</italic> do nosso humanismo&#x201D;. Esta narrativa n&#xE3;o seria mais do que um &#x201C;mito&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B2">BARTHES, 2003</xref>, p. 175. Grifo nosso).</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn19">
<label>19</label>
<p>Em 2005, quando a exposi&#xE7;&#xE3;o original completou 50 anos, ela gerou amplo debate. Ver, por exemplo, o n&#xFA;mero especial sobre <italic>The Family of Man</italic> da revista <italic>History of Photography</italic>, n. 29, 2005.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn20">
<label>20</label>
<p>Ver o depoimento de Claudia Andujar para Ana Maria Mauad em MAUAD, s/d, p. 129.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn21">
<label>21</label>
<p>Em entrevista concedida em 2010, Claudia Andujar afirma: &#x201C;Apesar de haver trabalhado muito com fotografia no final dos anos 50 e in&#xED;cio dos anos 60, n&#xE3;o foi f&#xE1;cil ser reconhecida como fot&#xF3;grafa no Brasil. Circunstancialmente, era mais f&#xE1;cil fora do pa&#xED;s. Comecei a ser reconhecida como profissional no in&#xED;cio dos anos 60, na Editora Abril, mais especificamente na revista Realidade. Antes, tentei fazer algumas coisas para a revista Claudia. Propus mostrar o Brasil que havia por tr&#xE1;s das fam&#xED;lias brasileiras. Neste sentido, fiz uma reportagem em Diamantina (Minas Gerais) com uma fam&#xED;lia tradicional e muito religiosa, fiz outra com uma fam&#xED;lia de classe m&#xE9;dia paulista, outra com uma fam&#xED;lia de cai&#xE7;aras do litoral paulista, e assim sucessivamente. Bom, quando eu mostrei o trabalho para o editor da Claudia, ele disse que poderia aproveitar alguma coisa, apesar de esse tipo de reportagem n&#xE3;o ser o estilo da revista&#x2026; Ent&#xE3;o, esse foi o meu in&#xED;cio como fotojornalista no Brasil&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B4">BONI, 2010</xref>, p. 255).</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn22">
<label>22</label>
<p><italic>Folha de S&#xE3;o Paulo</italic>, 05/07/1971, &#x2018;Ilustrada&#x2019;, p. 16, citado em MAUAD, s/d, p. 132. Claudia Andujar fez esta mesma afirma&#xE7;&#xE3;o, 45 anos depois, em entrevista para a autora e Eduardo Costa, realizada em S&#xE3;o Paulo em 5/4/2016.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn23">
<label>23</label>
<p>Acreditamos que o termo milit&#xE2;ncia melhor circunscreve esta vontade de a&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica por meio da fotografia, que pode ou n&#xE3;o estar relacionada com um posicionamento partid&#xE1;rio, e que &#xE9; vis&#xED;vel durante os diferentes momentos hist&#xF3;ricos em que a fotografia humanista se desenvolveu. Antes da Segunda Guerra Mundial, muitos destes fot&#xF3;grafos, especialmente na Fran&#xE7;a, eram partid&#xE1;rios do programa pol&#xED;tico da Frente Popular e apoiaram movimentos sindicais (ver <xref ref-type="bibr" rid="B25">ZERWES, 2013</xref>). J&#xE1; em um momento posterior, Cornel Capa, o irm&#xE3;o de Robert Capa, tamb&#xE9;m fot&#xF3;grafo da revista <italic>Life</italic> e depois membro da Magnum, associou a tradi&#xE7;&#xE3;o visual ligada &#xE0; fotografia humanista &#xE0; um posicionamento engajado mas um pouco afastado do fazer pol&#xED;tico, definindo a pr&#xE1;tica destes fot&#xF3;grafos a partir da bem ampla e pouco espec&#xED;fica no&#xE7;&#xE3;o de <italic>concerned photography</italic>, em uma exposi&#xE7;&#xE3;o e livro cat&#xE1;logo lan&#xE7;ados em 1968 (ver <xref ref-type="bibr" rid="B6">CAPA, 1968</xref>). Por sua vez, em anos mais recentes, o trabalho de fot&#xF3;grafos como Sebasti&#xE3;o Salgado mostram um comprometimento com quest&#xF5;es sociais e ecol&#xF3;gicas que tamb&#xE9;m podem ser associadas &#xE0; esta milit&#xE2;ncia.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn24">
<label>24</label>
<p>O autor afirma que &#x201C;The humanistic photographer is less concerned, no matter how much he lies, with the specific event or object, but more with his own value system, integrating and incorporating personal volition, value judgements and the <italic>generalized</italic> relationship of himself as a human being with the real world. It is this two-way, infinitely complex process that defines humanism, not a single picture of a specific event&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B11">JAY, 1978</xref>, p. 655-656).</p></fn></fn-group>
<ref-list>
<title>Refer&#xEA;ncias</title>
<ref id="B1">
	<mixed-citation>ASSOULINE, Pierre. Cartier-Bresson, o olhar do século. São
Paulo: LyPM, 2008.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>ASSOULINE</surname><given-names>Pierre</given-names></name></person-group>
<source xml:lang="pt">Cartier-Bresson, o olhar do s&#xE9;culo</source>
<publisher-loc>S&#xE3;o Paulo</publisher-loc>
<publisher-name>L&#x26;PM</publisher-name>
<year>2008</year></element-citation></ref>
<ref id="B2">
	<mixed-citation>BARTHES, Roland. Mitologias. Rio de Janeiro: Difel, 2003.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>BARTHES</surname><given-names>Roland</given-names></name></person-group>
<source xml:lang="pt">Mitologias</source>
<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
<publisher-name>Difel</publisher-name>
<year>2003</year></element-citation></ref>
<ref id="B3">
	<mixed-citation>BEAUMONT-MAILLET, Laure; DENOYELLE, Françoise (Eds.).
La Photographie Humaniste, 1945-1968. Autour d’Izis, Boubat,
Brassaï, Doisneau, Ronis... Éditions de la BNF, 2006.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="editor">
<name><surname>BEAUMONT-MAILLET</surname><given-names>Laure</given-names></name>
<name><surname>DENOYELLE</surname><given-names>Fran&#xE7;oise</given-names></name></person-group>
<source xml:lang="es">La Photographie Humaniste, 1945-1968. Autour d&#x2019;Izis, Boubat, Brassa&#xEF;, Doisneau, Ronis&#x2026;</source>
<publisher-name>&#xC9;ditions de la BNF</publisher-name>
<year>2006</year></element-citation></ref>
<ref id="B4">
	<mixed-citation>BONI, Paulo César. Entrevista: Claudia Andujar. Discursos
fotográficos, Londrina, v. 6, n. 9, p. 249-273, jul.-dez. 2010.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>BONI</surname><given-names>Paulo C&#xE9;sar</given-names></name></person-group>
<chapter-title xml:lang="pt">Entrevista: Claudia Andujar</chapter-title>
<source xml:lang="pt">Discursos fotogr&#xE1;ficos</source>
<publisher-loc>Londrina</publisher-loc>
<volume>6</volume>
<issue>9</issue>
<fpage>249</fpage>
<lpage>273</lpage>
<season>jul.-dez.</season>
<year>2010</year></element-citation></ref>
<ref id="B5">
	<mixed-citation>BRENNEN, Bonnie; HARDT, Hanno (Eds.). Picturing the Past.
Media, history and photography. Chicago: University of Illinois
Press, 1999.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="editor">
<name><surname>BRENNEN</surname><given-names>Bonnie</given-names></name>
<name><surname>HARDT</surname><given-names>Hanno</given-names></name></person-group>
<source xml:lang="en">Picturing the Past. Media, history and photography</source>
<publisher-loc>Chicago</publisher-loc>
<publisher-name>University of Illinois Press</publisher-name>
<year>1999</year></element-citation></ref>
<ref id="B6">
	<mixed-citation>CAPA, Cornell (Ed.). The Concerned Photographer. The photographs
of Werner Bischof, Robert Capa, David Seymour, Andre
Kertesz, Leonard Freed, Dan Weiner. New York: Grossman, 1968.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="editor">
<name><surname>CAPA</surname><given-names>Cornell</given-names></name></person-group>
<source xml:lang="en">The Concerned Photographer. The photographs of Werner Bischof, Robert Capa, David Seymour, Andre Kertesz, Leonard Freed, Dan Weiner</source>
<publisher-loc>New York</publisher-loc>
<publisher-name>Grossman</publisher-name>
<year>1968</year></element-citation></ref>
<ref id="B7">
	<mixed-citation>DE THÉZY, Marie. Le Groupe des XV: Un moment de la
photographie française. Les Cahiers de la Photographie, n. 9, 1983.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>DE TH&#xC9;ZY</surname><given-names>Marie</given-names></name></person-group>
<article-title>Le Groupe des XV: Un moment de la photographie fran&#xE7;aise</article-title>
<source xml:lang="es">Les Cahiers de la Photographie</source>
<issue>9</issue>
<year>1983</year></element-citation></ref>
<ref id="B8">
	<mixed-citation>DIDI-HUBERMAN, Georges. Pueblos expuestos, pueblos
figurantes. Buenos Aires: Manantial, 2014.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>DIDI-HUBERMAN</surname><given-names>Georges</given-names></name></person-group>
<source xml:lang="pt">Pueblos expuestos, pueblos figurantes</source>
<publisher-loc>Buenos Aires</publisher-loc>
<publisher-name>Manantial</publisher-name>
<year>2014</year></element-citation></ref>
<ref id="B9">
	<mixed-citation>FRIZOT Michel (Ed.). The New History of Photography. Köln:
Köneman, 1998.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="editor">
<name><surname>FRIZOT</surname><given-names>Michel</given-names></name></person-group>
<source xml:lang="en">The New History of Photography.</source>
<publisher-loc>K&#xF6;ln</publisher-loc>
<publisher-name>K&#xF6;neman</publisher-name>
<year>1998</year></element-citation></ref>
<ref id="B10">
	<mixed-citation>History of Photography, n. 29, 2005.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="other">
<source xml:lang="en">History of Photography</source>
<issue>29</issue>
<year>2005</year></element-citation></ref>
<ref id="B11">
	<mixed-citation>JAY, Bill. The Romantic Machine: Towards a Definition of
Humanism in Photography. The Massachusetts Review, v. 19,
n. 4, winter 1978, p. 647-662.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>JAY</surname><given-names>Bill</given-names></name></person-group>
<article-title>The Romantic Machine: Towards a Definition of Humanism in Photography</article-title>
<source xml:lang="en">The Massachusetts Review</source>
<volume>19</volume>
<issue>4</issue>
<season>winter</season>
<year>1978</year>
<fpage>647</fpage>
<lpage>662</lpage></element-citation></ref>
<ref id="B12">
	<mixed-citation>Ladies’ Home Journal, v. LXV, n. 5, maio 1948; v. LXV, n. 7, jul.
1948; v. LXV, n. 12, dez. 1948; v. LXVI, n. 4, abr. 1949.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="other">
<source xml:lang="en">Ladies&#x2019; Home Journal</source>
<volume>LXV</volume>
<issue>5</issue>
<month>05</month>
<year>1948</year>
<comment>v. LXV, n. 7, jul. 1948; v. LXV, n. 12, dez. 1948; v. LXVI, n. 4, abr. 1949</comment></element-citation></ref>
<ref id="B13">
	<mixed-citation>LEMAGNY, Jean-Claude, ROUILLE, André (Eds.). Histoire de la
Photographie. Paris: Larousse, 1998.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="editor">
<name><surname>LEMAGNY</surname><given-names>Jean-Claude</given-names></name>
<name><surname>ROUILLE</surname><given-names>Andr&#xE9;</given-names></name></person-group>
<source xml:lang="es">Histoire de la Photographie</source>
<publisher-loc>Paris</publisher-loc>
<publisher-name>Larousse</publisher-name>
<year>1998</year></element-citation></ref>
<ref id="B14">
	<mixed-citation>LIGHT, Ken (Ed.). Witness in our Time, Working lives of
documentary photographers. Washington, New York: Smithsonian
Book, 2000.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="editor">
<name><surname>LIGHT</surname><given-names>Ken</given-names></name></person-group>
<source xml:lang="en">Witness in our Time, Working lives of documentary photographers</source>
<publisher-loc>Washington, New York</publisher-loc>
<publisher-name>Smithsonian Book</publisher-name>
<year>2000</year></element-citation></ref>
<ref id="B15">
	<mixed-citation>MAUAD, Ana Maria. Imagens possíveis – Fotografia e memória
em Claudia Andujar. Revista EcoPos, v. 15, n. 1, p. 124-145.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>MAUAD</surname><given-names>Ana Maria</given-names></name></person-group>
<article-title>Imagens poss&#xED;veis &#x2013; Fotografia e mem&#xF3;ria em Claudia Andujar</article-title>
<source xml:lang="pt">Revista EcoPos</source>
<volume>15</volume>
<issue>1</issue>
<fpage>124</fpage>
<lpage>145</lpage></element-citation></ref>
<ref id="B16">
	<mixed-citation>MILLER, Russel. Magnum, Fifty Years at the Front Line of History.
New York: Grove Press, 1997.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>MILLER</surname><given-names>Russel</given-names></name></person-group>
<source xml:lang="en">Magnum, Fifty Years at the Front Line of History</source>
<publisher-loc>New York</publisher-loc>
<publisher-name>Grove Press</publisher-name>
<year>1997</year></element-citation></ref>
<ref id="B17">
	<mixed-citation>MORRIS, John G. Get The Picture, A personal history of
photojournalism. Chicago and London: University of Chicago
Press, 2002.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>MORRIS</surname><given-names>John G.</given-names></name></person-group>
<source xml:lang="en">Get The Picture, A personal history of photojournalism</source>
<publisher-loc>Chicago and London</publisher-loc>
<publisher-name>University of Chicago Press</publisher-name>
<year>2002</year></element-citation></ref>
<ref id="B18">
	<mixed-citation>NOGUEIRA, Thyago (Org.). Claudia Andujar. No lugar do outro.
São Paulo: IMS, 2015.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>NOGUEIRA</surname><given-names>Thyago</given-names></name></person-group>
<comment>(Org.)</comment>
<source xml:lang="pt">Claudia Andujar. No lugar do outro</source>
<publisher-loc>S&#xE3;o Paulo</publisher-loc>
<publisher-name>IMS</publisher-name>
<year>2015</year></element-citation></ref>
<ref id="B19">
	<mixed-citation>SANDEEN, Eric J. Picturing An Exhibition: The Family of Man
and 1950s America. Albuquerque: University of New Mexico
Press, 1995.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>SANDEEN</surname><given-names>Eric J.</given-names></name></person-group>
<source xml:lang="en">Picturing An Exhibition: The Family of Man and 1950s America</source>
<publisher-loc>Albuquerque</publisher-loc>
<publisher-name>University of New Mexico Press</publisher-name>
<year>1995</year></element-citation></ref>
<ref id="B20">
	<mixed-citation>SEKULA, Allan. The Traffic in Photographs. Art Journal, v. 41,
n. 1, spring 1981.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>SEKULA</surname><given-names>Allan</given-names></name></person-group>
<article-title>The Traffic in Photographs</article-title>
<source xml:lang="en">Art Journal</source>
<volume>41</volume>
<issue>1</issue>
<season>spring</season>
<year>1981</year></element-citation></ref>
<ref id="B21">
	<mixed-citation>SONTAG, Susan. Sobre Fotografia. São Paulo: Cia das Letras,
2004.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>SONTAG</surname><given-names>Susan</given-names></name></person-group>
<source xml:lang="pt">Sobre Fotografia</source>
<publisher-loc>S&#xE3;o Paulo</publisher-loc>
<publisher-name>Cia das Letras</publisher-name>
<year>2004</year></element-citation></ref>
<ref id="B22">
	<mixed-citation>STEICHEN, Edward (Ed.). The Family of Man. New York: The
Museum of Modern Art, 2010.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="editor">
<name><surname>STEICHEN</surname><given-names>Edward</given-names></name></person-group>
<source xml:lang="en">The Family of Man</source>
<publisher-loc>New York</publisher-loc>
<publisher-name>The Museum of Modern Art</publisher-name>
<year>2010</year></element-citation></ref>
<ref id="B23">
	<mixed-citation>STEINBECK, John; CAPA, Robert. Um diário russo. São Paulo:
Cosac Naify, 2003.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>STEINBECK</surname><given-names>John</given-names></name>
<name><surname>CAPA</surname><given-names>Robert</given-names></name></person-group>
<source xml:lang="pt">Um di&#xE1;rio russo</source>
<publisher-loc>S&#xE3;o Paulo</publisher-loc>
<publisher-name>Cosac Naify</publisher-name>
<year>2003</year></element-citation></ref>
<ref id="B24">
	<mixed-citation>YOUNG, Cynthia (Ed.). We Went Back. Photographs from Europe
1933-1956 by Chim. New York: ICP/Prestel, 2013.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="editor">
<name><surname>YOUNG</surname><given-names>Cynthia</given-names></name></person-group>
<source xml:lang="en">We Went Back. Photographs from Europe 1933-1956 by Chim</source>
<publisher-loc>New York</publisher-loc>
<publisher-name>ICP/Prestel</publisher-name>
<year>2013</year></element-citation></ref>
<ref id="B25">
	<mixed-citation>ZERWES, Erika. Tempo de Guerra. Cultura visual e cultura
política nas fotografias de guerra dos fundadores da Magnum.
Tese de Doutorado. IFCH-UNICAMP, 2013. 2 v.</mixed-citation>
<element-citation publication-type="thesis">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>ZERWES</surname><given-names>Erika</given-names></name></person-group>
<source xml:lang="pt">Tempo de Guerra. Cultura visual e cultura pol&#xED;tica nas fotografias de guerra dos fundadores da Magnum</source>
<comment>Tese de Doutorado</comment>
<publisher-name>IFCH-UNICAMP</publisher-name>
<year>2013</year>
<volume>2</volume></element-citation></ref>
<ref id="B26">
	<mixed-citation>ZERWES, Erika. A fotografia humanista e a construção de uma
historiografia sobre a fotografia latino-americana. História:
Debates e Tendências, v. 02, 2016. (no prelo).</mixed-citation>
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>ZERWES</surname><given-names>Erika</given-names></name></person-group>
<article-title>A fotografia humanista e a constru&#xE7;&#xE3;o de uma historiografia sobre a fotografia latino-americana</article-title>
<source xml:lang="pt">Hist&#xF3;ria: Debates e Tend&#xEA;ncias</source>
<volume>02</volume>
<year>2016</year>
<comment>(no prelo)</comment></element-citation></ref></ref-list>
</back>
</article>
