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<journal-title>Estudos Ibero-Americanos</journal-title>
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<subject>Resenha</subject></subj-group></article-categories>
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<article-title>Notas sobre uma hist&#xF3;ria da fotografia na Am&#xE9;rica Latina</article-title>
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<trans-title>Notes on a history of photography in the Latin America</trans-title></trans-title-group>
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<trans-title>Notas sobre una historia de la fotograf&#xED;a en Am&#xE9;rica Latina</trans-title></trans-title-group>
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<p>C<sc>arolina</sc> M<sc>artins</sc> E<sc>tcheverry</sc> <email>etchev@gmail.com</email></p>
<p>&#x2022; Doutora em Hist&#xF3;ria. P&#xF3;s-Doutoranda junto ao Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Hist&#xF3;ria da Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul. Bolsista PNPD/Capes.</p>
<p>&#x2218; PhD of History. Post-Doctorate at the Postgraduate Program in History of the Pontifical Catholic University of Rio Grande do Sul. PNPD/Capes scholarship.</p>
<p>&#x2218; Doctora en Historia. Post-Doctoranda junto al Programa de Postgrado en Historia de la Pontificia Universidad Cat&#xF3;lica de Rio Grande do Sul. Becaria PNPD/Capes.</p></bio></contrib>
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<institution content-type="original">Doutora em Hist&#xF3;ria. P&#xF3;s-Doutoranda junto ao Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Hist&#xF3;ria da Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul</institution><country country="BR">Brasil</country></aff></contrib-group>
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<name><surname>MAUAD</surname><given-names>Ana Maria</given-names></name></person-group>
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<p>A hist&#xF3;ria da fotografia na Am&#xE9;rica Latina vem sendo escrita regionalmente desde meados dos anos 1970, pelo menos, com trabalhos de Boris Kossoy, Pedro Karp Vasquez e Gilberto Ferrez, entre outros (<xref ref-type="bibr" rid="B5">MONTEIRO, 2006</xref>). No Brasil, temos escritas sobre per&#xED;odos, escolas e fot&#xF3;grafos importantes, que juntos conformam uma hist&#xF3;ria da fotografia brasileira. Nos anos 2000, algumas iniciativas no sentido de escrever uma hist&#xF3;ria geral da fotografia foram desenvolvidas, culminando em livros como &#x201C;<italic>Fotografia no Brasil: um olhar contempor&#xE2;neo</italic>&#x201D;, de Nadja Peregrino e &#xC2;ngela Magalh&#xE3;es (2005) e &#x201C;<italic>Imagens da Na&#xE7;&#xE3;o</italic>&#x201D;, de <xref ref-type="bibr" rid="B3">Maria Beatriz Coelho (2012</xref>). Entretanto, a hist&#xF3;ria da fotografia na Am&#xE9;rica Latina dispon&#xED;vel aos leitores brasileiros muitas vezes aparece de modo fragmentado em monografias, como a de Carlos Alberto Sampaio Barbosa, sobre a fotografia no M&#xE9;xico, ou em grandes compila&#xE7;&#xF5;es sobre hist&#xF3;ria da fotografia, em geral importadas.</p>
<p>O livro &#x201C;<italic>Fotograf&#xED;a e Historia en Am&#xE9;rica Latina</italic>&#x201D;, organizado pelo historiador mexicano John Mraz e pela historiadora brasileira Ana Maria Mauad, &#xE9; importante no sentido de reunir artigos que procuram dar sentido a uma hist&#xF3;ria da fotografia latino-americana, contemplando pa&#xED;ses como Brasil, Argentina, Uruguai, M&#xE9;xico, Peru e Col&#xF4;mbia. Para esses autores, a fotografia opera como uma ferramenta para melhor entender a situa&#xE7;&#xE3;o social do mundo contempor&#xE2;neo (<xref ref-type="bibr" rid="B6">MRAZ, MAUAD, 2015</xref>, p. 7). As reflex&#xF5;es te&#xF3;ricas acerca da fotografia, tanto as que aparecem na introdu&#xE7;&#xE3;o do livro quanto as que s&#xE3;o oferecidas pelos autores nos diferentes artigos, contribuem para que se estabele&#xE7;a uma forma de entender a fotografia a partir daquilo que ela pode oferecer ao historiador, para al&#xE9;m de simples ilustra&#xE7;&#xE3;o, funcionando como gatilho para debates posteriores sobre os temas analisados. Assim, temos que &#x201C;en suma, esta obra se enfoca en demonstrar c&#xF3;mo puede la historia verse en fotograf&#xED;as, y c&#xF3;mo las fotograf&#xED;as pueden hacer historia&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B6">MRAZ, MAUAD, 2015</xref>, p. 8).</p>
<p>O primeiro cap&#xED;tulo, de autoria de John Mraz, intitula-se &#x201C;<italic>Ver fotograf&#xED;as hist&#xF3;ricamente. Una mirada mexicana</italic>&#x201D;, e se prop&#xF5;e a refletir sobre as possibilidades oferecidas ao historiador a partir das fotografias. O autor coloca a distin&#xE7;&#xE3;o fundamental entre o fazer hist&#xF3;ria <italic>com</italic> fotografias e fazer hist&#xF3;ria <italic>das</italic> fotografias. No primeiro caso o historiador procurar analisar aspectos da sociedade do passado a partir de elementos que a fotografia pode mostrar, uma vez que ela &#xE9;, antes de qualquer problematiza&#xE7;&#xE3;o, um &#xED;ndice do real, do &#x201C;isso foi&#x201D; preconizado por <xref ref-type="bibr" rid="B2">Roland Barthes (1984</xref>). Seria, assim, relacionada &#xE0; hist&#xF3;ria social. No segundo caso temos a possibilidade de conhecer a fotografia enquanto objeto portador de hist&#xF3;ria, e, em sua historicidade, procurando entender quem fotografou e com qual inten&#xE7;&#xE3;o (ou, como nos explica <xref ref-type="bibr" rid="B4">Kossoy (2001</xref>), o assunto, o fot&#xF3;grafo e a tecnologia), aproxima-se da hist&#xF3;ria cultural. Para o autor, &#xE9; na jun&#xE7;&#xE3;o dessas duas perspectivas que se d&#xE1; maior profundidade &#xE0; an&#xE1;lise. Assim, Mraz passa a apresentar diversos modos atrav&#xE9;s dos quais, no M&#xE9;xico, pode-se pensar o papel da fotografia na historiografia, desde as diversas hist&#xF3;rias gr&#xE1;ficas sobre o pa&#xED;s ou sobre a Revolu&#xE7;&#xE3;o Mexicana, at&#xE9; a documenta&#xE7;&#xE3;o visual de lutas pol&#xED;ticas, protestos, rela&#xE7;&#xF5;es de g&#xEA;nero etc. &#xC9; um modo de dar a ver a hist&#xF3;ria do M&#xE9;xico a partir da fotografia, o que leva o autor, j&#xE1; no final do artigo, a refletir sobre o papel da fotografia dentro das Humanidades, e, porque n&#xE3;o, pensar a cultural visual de nossa &#xE9;poca, permeada pelos diversos usos da fotografia.</p>
<p>O segundo cap&#xED;tulo, intitulado &#x201C;<italic>El &#x2018;cat&#xE1;logo&#x2019; mexicano de la firma Gove y North, 1883-1885</italic>&#x201D;, de Fernando Aguayo, procura pensar sobre os problemas envolvidos na cataloga&#xE7;&#xE3;o das fotografias realizadas por essa empresa de fot&#xF3;grafos norte-americanos. O publico brasileiro pode perfeitamente identificar-se com os problemas aqui colocados, uma vez que nos arquivos brasileiros as fotografias, especialmente aquelas do s&#xE9;culo XIX, quando trazem algum tipo de informa&#xE7;&#xE3;o quanto &#xE0; autoria, lugar, data ou t&#xE9;cnica, n&#xE3;o s&#xE3;o de modo algum confi&#xE1;veis. O autor procura pensar um hipot&#xE9;tico cat&#xE1;logo de fotografias do M&#xE9;xico feitas por Gove e North, sistematizando informa&#xE7;&#xF5;es a partir de ind&#xED;cios e do cotejamento com outras imagens cuja identifica&#xE7;&#xE3;o seja inquestion&#xE1;vel. Aguayo tem como objetivo recuperar as pr&#xE1;ticas profissionais da empresa e contextualizar os documentos fotogr&#xE1;ficos para que possam ser utilizados de modo confi&#xE1;vel pelos pesquisadores, provocando novos problemas.</p>
<p>&#x201C;<italic>Pr&#xE1;cticas fotogr&#xE1;ficas en el Brasil moderno: siglos XIX y XX</italic>&#x201D;, dos pesquisadores brasileiros Ana Maria Mauad, Mariana Muaze e Marcos Felipe de Brum Lopes, procura inserir a pr&#xE1;tica fotogr&#xE1;fica na cultura visual brasileira, de modo que a abund&#xE2;ncia de fotografias que existe sobre diversos aspectos do pa&#xED;s conformam uma poss&#xED;vel hist&#xF3;ria visual do Brasil. Em um primeiro momento os autores trabalham com o retrato como indicador de distin&#xE7;&#xE3;o social na sociedade escravocrata oitocentista e a paisagem como promotora da imagem do pa&#xED;s nos circuitos internacionais da cultura ocidental. Propondo-se a ser uma revis&#xE3;o da literatura historiogr&#xE1;fica sobre o debate acerca da fotografia no Brasil moderno, o artigo, al&#xE9;m de fazer um apanhado sobre a fotografia brasileira no s&#xE9;culo XIX (com seus viajantes produtores de retratos e de vistas) tamb&#xE9;m pensa a fotografia do s&#xE9;culo XX, entrando na modernidade dos fotoclubes (espa&#xE7;o de pr&#xE1;tica amadora, que funcionam como atualizadores da fotografia brasileira) e do fotojornalismo, j&#xE1; nos anos 1940, tanto das revistas ilustradas (como as revistas Cruzeiro, Veja, Isto &#xE9;, Cl&#xE1;udia) quanto dos jornais (&#xDA;ltima Hora, Jornal do Brasil e Folha da Manh&#xE3;) e das ag&#xEA;ncias de fot&#xF3;grafos (F4). Seguindo a proposta de trazer ao leitor um panorama da fotografia brasileira, os autores tamb&#xE9;m analisam as imagens feitas por fot&#xF3;grafos estrangeiros, como Mario Baldi (pioneiro no fotojornalismo brasileiro), Jean Mazon e Genevi&#xE8;ve Naylor, que trouxeram mudan&#xE7;as e melhoramentos t&#xE9;cnicos &#xE0; fotografia feita no pa&#xED;s, introduzindo o problema de desenvolvimento t&#xE9;cnico na fotografia brasileira. Por fim, temos uma se&#xE7;&#xE3;o dedicada &#xE0; fotografia e o mundo da arte, na qual os autores dedicam-se a pensar a fotografia feita pelos fotoclubes, como o Foto Cine Clube Bandeirante, mas tamb&#xE9;m a institucionaliza&#xE7;&#xE3;o da fotografia, com a cria&#xE7;&#xE3;o do N&#xFA;cleo de Fotografia da FUNARTE, em 1979, e a cria&#xE7;&#xE3;o da Cole&#xE7;&#xE3;o Pirelli/Masp, em 1990. Permeando todo esse panorama, os autores apresentam uma abund&#xE2;ncia de referenciais te&#xF3;ricos dos assuntos elencados, permitindo que o leitor aprofunde-se nos temas que lhe pare&#xE7;am mais interessantes.</p>
<p>O quarto cap&#xED;tulo, &#x201C;<italic>Desarollos ins&#xF3;litos de la fotograf&#xED;a en el norte de Per&#xFA; en la primera mitad del siglo XX</italic>&#x201D;, de Andr&#xE9;s Garay Alb&#xFA;jar, procura apresentar um outro lado da hist&#xF3;ria da fotografia peruana, que n&#xE3;o a do sul, com as imagens j&#xE1; bastante estudadas de Mart&#xED;n Chamb&#xED;. O autor analisa, ent&#xE3;o, fot&#xF3;grafos atuantes na cidade de Piura, no norte do Peru, entre eles Pedro Montero, os Irm&#xE3;os Gismondi, Rub&#xE9;n Quevedo, Sixto Zapata e Ma San Lin. Os tr&#xEA;s primeiros s&#xE3;o profissionais, com est&#xFA;dios fotogr&#xE1;ficos, sendo o pioneiro e mais importante deles Pedro Montero. Os &#xFA;ltimos dois s&#xE3;o amadores, cujas fotografias retratam o cotidiano de suas comunidades e de suas vidas. Alb&#xFA;jar procura, portanto, realizar uma reflex&#xE3;o sobre as formas com que se praticou a fotografia no norte do Peru e sua import&#xE2;ncia social, bem como aspectos da profissionaliza&#xE7;&#xE3;o da pr&#xE1;tica fotogr&#xE1;fica e suas formas de produ&#xE7;&#xE3;o e circula&#xE7;&#xE3;o. S&#xE3;o fot&#xF3;grafos que, al&#xE9;m de retratos, registram a vida tanto da cidade quanto da regi&#xE3;o rural (como &#xE9; o caso dos murais e das fotopinturas dos irm&#xE3;os Gismondi). &#xC9; uma hist&#xF3;ria que complementa a j&#xE1; consolidada hist&#xF3;ria da fotografia no Peru.</p>
<p>O artigo de Kevin Coleman, &#x201C;<italic>Las fotos que no alcan&#xE7;amos a ver. Soberan&#xED;as, archivos y la masacre de trabajadores bananeros de 1928 en Colombia</italic>&#x201D;, &#xE9; um interessante exemplo de uma hist&#xF3;ria <italic>com</italic> fotografia e <italic>sobre</italic> uma fotografia, conforme a ideia de Mraz. Trata-se de uma narrativa acerca da greve de 1928 dos trabalhadores das planta&#xE7;&#xF5;es de banana da empresa norte-americana United Fruit Company (UFC) em territ&#xF3;rio Colombiano, cuja reivindica&#xE7;&#xE3;o era, entre outras, que as leis trabalhistas colombianas valessem tamb&#xE9;m para os trabalhadores do territ&#xF3;rio da UFC. Coleman conta a hist&#xF3;ria dessa greve hist&#xF3;rica a partir de uma fotografia dos cinco l&#xED;deres dessa greve, feita em est&#xFA;dio, em que esses homens trabalhadores est&#xE3;o bem vestidos e posando, como era costume. A primeira imagem que vemos est&#xE1; com n&#xFA;meros em cima de cada personagem, indicando ter servido para identific&#xE1;-los. De fato, essa fotografia fazia parte de um relat&#xF3;rio feito pela UFC a respeito desses trabalhadores, cuja hist&#xF3;ria o autor nos conta. Esse relat&#xF3;rio foi encontrado por outro pesquisador, e acabou fazendo parte das indaga&#xE7;&#xF5;es de Coleman sobre as diferentes faces do imperialismo americano representado pela empresa UFC e como, a partir dessa imagem, &#xE9; poss&#xED;vel dar a ver aquilo que ficou escondido de 1928 at&#xE9; 1980, quando o arquivo come&#xE7;ou a ser pesquisado. Havia nele outras fotografias da greve, que mostravam os espa&#xE7;os destru&#xED;dos, mas a dos trabalhadores estava inacess&#xED;vel at&#xE9; a descoberta do relat&#xF3;rio. O autor prop&#xF5;e, ent&#xE3;o, a partir dessa imagem refletir sobre a greve e &#x201C;escuchar lo que la compa&#xF1;ia trat&#xF3; de silenciar, ver lo que la intent&#xF3; mantener invisible. Reclamar esta foto nos permite relatar una historia del forjamiento de s&#xED; y el forjamiento nacional, impulsado por los trabajadores, que el progreso bananero busc&#xF3; anular&#x201D; (COLEMAN, 2016, p. 173). Ainda que n&#xE3;o seja seu objetivo, Coleman tra&#xE7;a uma trajet&#xF3;ria das imagens, tratando-as como artefatos presentes em arquivos com origens variadas, o que traz, por si s&#xF3;, uma s&#xE9;rie de problemas a serem pensados pelo historiador.</p>
<p>Magdalena Broquetas, em &#x201C;<italic>De &#xED;conos a documentos. Las fotograf&#xED;as de la huelga general de Uruguay en 1973</italic>&#x201D;, nos traz uma outra greve, a que se seguiu ao golpe militar uruguaio, e que reuniu os trabalhadores em seus espa&#xE7;os de trabalho por duas semanas. O artigo traz a hist&#xF3;ria das fotografias feitas por Aurelio Gonzalez para o jornal comunista <italic>El Popular</italic>, que foram escondidas dias depois do golpe e somente recuperadas em 2006. As fotografias foram feitas logo ap&#xF3;s Gonz&#xE1;lez assistir a &#xFA;ltima sess&#xE3;o das c&#xE2;maras legislativas, na madrugada de 27 de junho de 1973. O fot&#xF3;grafo decide, ent&#xE3;o, sair pela cidade fotografando sistematicamente as f&#xE1;bricas ocupadas por trabalhadores, servindo tamb&#xE9;m, por ser personagem conhecido pelos trabalhadores, como informante sobre a situa&#xE7;&#xE3;o nacional. A autora procura analisar a import&#xE2;ncia dessas fotografias para a mem&#xF3;ria da ditadura uruguaia tendo em vista que sua circula&#xE7;&#xE3;o &#xE0; &#xE9;poca foi restrita, sendo hoje documentos hist&#xF3;ricos do per&#xED;odo, uma vez que d&#xE3;o a ver fatos at&#xE9; ent&#xE3;o invis&#xED;veis, por conta da estrita censura importa pelos militares.</p>
<p>Em &#x201C;<italic>Entre el abrazo y el enfrentamiento. Un di&#xE1;logo entre dos im&#xE1;genes ic&#xF4;nicas de fin de siglo en Am&#xE9;rica Latina</italic>&#x201D;, o mexicano Alberto del Castillo Troncoso procurar realizar um estudo de caso sobre o fotojornalismo latino-americano, a fim de compreender aspectos da constru&#xE7;&#xE3;o da mem&#xF3;ria na hist&#xF3;ria recente da Am&#xE9;rica Latina. Para isso, ele vai analisar duas fotografias que se tornaram ic&#xF4;nicas na Argentina e no M&#xE9;xico, desempenhando papel importante na opini&#xE3;o p&#xFA;blica de cada pa&#xED;s. A primeira &#xE9; a fotografia do argentino Eduardo Longoni, sobre a repress&#xE3;o &#xE0;s M&#xE3;es da Pra&#xE7;a de Maio, em que vemos um policial montado em seu cavalo, avan&#xE7;ando em dire&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s m&#xE3;es, que est&#xE3;o curvadas no canto esquerdo da fotografia, enquanto vemos mais policiais ao fundo. &#xC9; uma fotografia que remete &#xE0; ditadura, convertendo-se em uma imagem emblem&#xE1;tica na mem&#xF3;ria recente argentina. A segunda fotografia remete, por sua vez, &#xE0; luta pela terra dos ind&#xED;genas mexicanos. Pedro Valtierra fotografa as mulheres do vilarejo de X&#x2019;Oyep, na regi&#xE3;o dos Chiapas, resistindo &#xE0; invas&#xE3;o de soldados mexicanos, logo ap&#xF3;s um massacre de ind&#xED;genas em uma regi&#xE3;o pr&#xF3;xima. Troncoso analisa essas duas fotografias do ponto de vista de sua circula&#xE7;&#xE3;o, tanto na imprensa, em um primeiro momento, quanto de v&#xE1;rias formas a partir de seu reconhecimento como representativas de momentos a serem lembrados. S&#xE3;o fotografias que ganharam pr&#xEA;mios internacionais e que foram reproduzidas in&#xFA;meras vezes de diversas formas, mostrando sua pot&#xEA;ncia simb&#xF3;lica e import&#xE2;ncia no imagin&#xE1;rio social.</p>
<p>Por fim, Cora Gamarnik trata do fotojornalismo na Guerra das Malvinas, em artigo intitulado &#x201C;<italic>El fotoperiodismo y la Guerra de Malvinas: una batalla simb&#xF3;lica</italic>&#x201D;, no qual procura analisar a fotografia de imprensa durante o conflito e tamb&#xE9;m o uso posterior das imagens como parte de uma batalha simb&#xF3;lica entre a Argentina e a Gr&#xE3; Bretanha, em 1982, tratando o caso como uma disputa midi&#xE1;tica. Na Argentina, a fotografia cumpre um papel protagonista na narrativa dos acontecimentos que apareciam nos jornais, sendo entendidas como instrumentos privilegiados de constru&#xE7;&#xE3;o de sentido e an&#xE1;lise hist&#xF3;rica. A autora faz uma an&#xE1;lise das fotografias do dia 2 de abril de 1982, dia da invas&#xE3;o das ilhas pelos argentinos, feitas pelo fot&#xF3;grafo Rafael Wollmann, que trabalhava na ag&#xEA;ncia independente <italic>Imagen Latinoamericana</italic> e que estava nas Malvinas em mar&#xE7;o de 1982, a fim de fazer uma reportagem para a ag&#xEA;ncia francesa <italic>Gamma</italic>. Wollmann permanece l&#xE1; at&#xE9; o 2 de abril, sendo o &#xFA;nico fot&#xF3;grafo nas ilhas no momento da invas&#xE3;o, o que possibilitou que suas fotografias &#xFA;nicas de todo o in&#xED;cio da guerra ficassem famosas, sendo publicadas em diversos jornais. Duas de suas fotografias, analisadas por Gamarnik, transformaram-se em s&#xED;mbolo da humilha&#xE7;&#xE3;o inglesa na imprensa internacional: em uma delas veem-se os ingleses caminhando com as m&#xE3;os para o alto, conduzidos por um militar argentino, e na segunda fotografia os ingleses est&#xE3;o deitados no ch&#xE3;o com os militares ao redor com suas armas. A autora, ap&#xF3;s analisar uma s&#xE9;rie de imagens do conflito, afirma, por fim, que &#x201C;la guerra se perdi&#xF3;, las fotos quedaram&#x201D; (GAMARNIK, 2016, p. 254), no sentido de que, na disputa simb&#xF3;lica pelo relato dos acontecimentos, essas imagens permanecem na mem&#xF3;ria dos acontecimentos, como agentes da hist&#xF3;ria.</p>
<p>&#xC9; um livro, sem d&#xFA;vida, importante para aqueles interessados na hist&#xF3;ria da fotografia latino-americana, principalmente pela diversidade das abordagens apresentadas pelos autores. Desde a vis&#xE3;o diacr&#xF4;nica da hist&#xF3;ria da fotografia, a partir de panoramas alargados no tempo, como a de Mraz sobre a fotografia mexicana, quanto a an&#xE1;lise das fotografias tiradas em apenas um dia na invas&#xE3;o da Argentina nas ilhas Malvinas, &#xE9; poss&#xED;vel perceber como o estudo da hist&#xF3;ria da fotografia permite ao pesquisador um leque de possibilidades tem&#xE1;ticas e metodol&#xF3;gicas. Certamente muito ainda precisa ser pesquisado no que tange a fotografia latino-americana, servindo esse livro de est&#xED;mulo para que novos pesquisadores se aventurem no campo da hist&#xF3;ria da fotografia e que velhos pesquisadores sigam inovando em suas pesquisas.</p></body>
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	<mixed-citation>PEREGRINO, Nadja; MAGALHÃES, Angela. Fotografia no
Brasil: um olhar das origens ao contemporâneo. Rio de Janeiro:
Funarte, 2005.</mixed-citation>
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