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<journal-title>Estudos Ibero-Americanos</journal-title>
<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Estud. Ibero-Am. (Online)</abbrev-journal-title></journal-title-group>
<issn pub-type="ppub">0101-4064</issn>
<issn pub-type="epub">1980-864X</issn>
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<publisher-name>Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul</publisher-name></publisher>
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<article-id pub-id-type="publisher-id">00002</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.15448/1980-864X.2018.2.28701</article-id>
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<subject>Dossi&#xEA;: Trinta anos da &#x201C;Constitui&#xE7;&#xE3;o cidad&#xE3;&#x201D;: contribui&#xE7;&#xF5;es da Hist&#xF3;ria e da Ci&#xEA;ncia Pol&#xED;tica</subject>
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<subject>Apresenta&#xE7;&#xE3;o</subject></subj-group></subj-group></article-categories>
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<article-title>Trinta anos da &#x201C;Constitui&#xE7;&#xE3;o cidad&#xE3;&#x201D;: contribui&#xE7;&#xF5;es da Hist&#xF3;ria e da Ci&#xEA;ncia Pol&#xED;tica</article-title>
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<trans-title>Thirty years of the &#x201C;citizens&#x27; Constitution&#x201D;: contributions of History and Political Science</trans-title></trans-title-group>
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<trans-title>Treinta a&#xF1;os de la &#x201C;Constituci&#xF3;n ciudadana&#x201D;: contribuciones de la Historia y de la Ciencia Pol&#xED;tica</trans-title></trans-title-group>
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<name><surname>Marques</surname><given-names>Teresa Cristina Schneider</given-names></name> <xref ref-type="aff" rid="aff1"><sup>*</sup></xref>
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<p>T<sc>eresa</sc> C<sc>ristina</sc> S<sc>chneider</sc> M<sc>arques</sc> <email>teresa.marques@pucrs.br</email></p>
<p>&#x2022; Doutora em Ci&#xEA;ncia Pol&#xED;tica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), professora adjunta do Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Ci&#xEA;ncias Sociais da Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Pesquisadora do Centro Brasileiro de Pesquisa em Democracia (CBPD).</p>
<p>&#x2218; PhD in Political Science from Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Associate Professor of the Graduate Program in Social Sciences at Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Researcher of the Centro Brasileiro de Pesquisa em Democracia (CBPD).</p></bio></contrib>
<contrib contrib-type="author">
<name><surname>Louault</surname><given-names>Fred&#xE9;ric</given-names></name> <xref ref-type="aff" rid="aff2"><sup>**</sup></xref> <bio id="b2">
<p>F<sc>red&#xE9;ric</sc> L<sc>ouault</sc> <email>flouault@ulb.ac.be</email></p>
<p>&#x2022; Doutor em Ci&#xEA;ncia Pol&#xED;tica pelo Institut d&#x27;&#xC9;tudes Politiques de Paris (Sciences Po &#x2013; Paris), professor de Ci&#xEA;ncia pol&#xED;tica na Universit&#xE9; Libre de Bruxelles (ULB). Pesquisador do Centre d&#x27;&#xC9;tudes de la Vie Politique (CEVIPOL).</p>
<p>&#x2218; PhD in Political Science from Institut d&#x27;&#xC9;tudes Politiques de Paris (Sciences Po, Paris), Political Science Professor at the Universit&#xE9; Libre de Bruxelles (ULB). Researcher of the Centre d&#x27;&#xC9;tudes de la Vie Politique (CEVIPOL).</p></bio>
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<country country="BR">Brasil</country>
<institution content-type="original">Doutora em Ci&#xEA;ncia Pol&#xED;tica pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)</institution>
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<label>**</label>
<institution content-type="original">Doutor em Ciência Política pelo Institut d’Études Politiques de Paris (Sciences Po – Paris).</institution>
<country country="FR">France</country>
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<pub-date pub-type="epub-ppub">
<season>May-Aug</season>
<year>2018</year></pub-date>
<volume>44</volume>
<issue>2</issue>
<fpage>230</fpage>
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<license-p>Except where otherwise noted, the material published in this journal is licensed in the form of a Creative Commons Attribution 4.0 International license.</license-p></license></permissions>
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<p>As constitui&#xE7;&#xF5;es, de uma forma geral, possuem o importante papel de submeter o poder pol&#xED;tico ao direito, definindo &#x201C;as regras do jogo&#x201D; e subordinando o Estado &#xE0; coletividade. Segundo Schmidt, elas garantem rigidez &#xE0; estrutura de governo, delimitando as suas fun&#xE7;&#xF5;es e, ao mesmo tempo, definindo os direitos e deveres dos cidad&#xE3;os (<xref ref-type="bibr" rid="B14">SCHMIDT, 1982</xref>). Dessa maneira, o estudo dos textos constitucionais &#xE9; passo importante para a compreens&#xE3;o de regimes pol&#xED;ticos.</p>
<p>Entre os estudiosos da democracia, nas mais diferentes disciplinas, h&#xE1; um consenso sobre a import&#xE2;ncia da Carta Constitucional de 1988 para a compreens&#xE3;o do atual sistema pol&#xED;tico brasileiro. A carta magna ficou conhecida como &#x201C;constitui&#xE7;&#xE3;o cidad&#xE3;&#x201D; em virtude da amplia&#xE7;&#xE3;o dos direitos civis, pol&#xED;ticos e sociais, n&#xE3;o apenas em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; constitui&#xE7;&#xE3;o que ela substituiu &#x2013; a constitui&#xE7;&#xE3;o de 1967 &#x2013;, mas tamb&#xE9;m em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s demais constitui&#xE7;&#xF5;es brasileiras.</p>
<p>A Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal promulgada em 1988 (CF 88) &#xE9; o s&#xE9;timo documento constitucional do Brasil independente. A primeira foi promulgada ainda no Imp&#xE9;rio, em 1824, logo ap&#xF3;s a independ&#xEA;ncia de Portugal. Essa constitui&#xE7;&#xE3;o ficou marcada pela restri&#xE7;&#xE3;o dos direitos pol&#xED;ticos a uma pequena parcela da popula&#xE7;&#xE3;o privilegiada economicamente e pela concentra&#xE7;&#xE3;o de poder nas m&#xE3;os do imperador por meio do estabelecimento do poder moderador, entre outras caracter&#xED;sticas. Era, portanto, uma constitui&#xE7;&#xE3;o mon&#xE1;rquica e autorit&#xE1;ria.</p>
<p>A primeira constitui&#xE7;&#xE3;o republicana do Brasil foi promulgada em 1891, e ela marca a institucionaliza&#xE7;&#xE3;o do Estado brasileiro como Rep&#xFA;blica Federativa presidencialista. Todavia, ainda apresentava profundas limita&#xE7;&#xF5;es &#xE0; plena cidadania. Como exemplo, podemos destacar o fato de que os direitos pol&#xED;ticos foram destinados apenas a homens e ainda que excluiu alguns setores da popula&#xE7;&#xE3;o numericamente relevantes no per&#xED;odo, como a popula&#xE7;&#xE3;o analfabeta (<xref ref-type="bibr" rid="B4">BONAVIDES, ANDRADE, 2002</xref>). Al&#xE9;m disso, o voto n&#xE3;o era secreto, permitindo que poderes locais coagissem eleitores a votar de acordo com seus interesses, criando o chamado fen&#xF4;meno do coronelismo (<xref ref-type="bibr" rid="B10">LEAL, 1975</xref>). Diante disso, tornou-se um consenso entre os estudiosos da tem&#xE1;tica que a primeira constitui&#xE7;&#xE3;o republicana n&#xE3;o representou uma garantia de cidadania e falhou na tarefa de submeter o poder pol&#xED;tico ao direito.</p>
<p>A terceira constitui&#xE7;&#xE3;o &#x2013; a segunda constitui&#xE7;&#xE3;o republicana &#x2013; foi promulgada durante o governo de Get&#xFA;lio Vargas em 1934 e representou um avan&#xE7;o se comparada &#xE0; sua antecessora. Entre os avan&#xE7;os registrados nessa constitui&#xE7;&#xE3;o, conv&#xE9;m destacar a amplia&#xE7;&#xE3;o do acesso aos direitos pol&#xED;ticos, uma vez que estabeleceu elei&#xE7;&#xF5;es diretas, voto secreto e permitiu o voto feminino. O voto feminino, todavia, estava condicionado &#xE0; autoriza&#xE7;&#xE3;o do marido quando a mulher fosse casada, entre outras restri&#xE7;&#xF5;es. Destaca-se ainda que a popula&#xE7;&#xE3;o analfabeta continuava exclu&#xED;da do sistema pol&#xED;tico. Por outro lado, alguns avan&#xE7;os foram registrados no &#xE2;mbito dos direitos civis e sociais, em virtude da positiva&#xE7;&#xE3;o dos direitos trabalhistas.</p>
<p>No entanto, apesar dos avan&#xE7;os registrados, essa constitui&#xE7;&#xE3;o ficou vigente por pouco tempo: tr&#xEA;s anos depois, em 1937, Vargas outorgou uma nova constitui&#xE7;&#xE3;o que ficou marcada pela concentra&#xE7;&#xE3;o dos poderes nas m&#xE3;os do chefe do poder executivo, forjando assim um car&#xE1;ter legal a um Estado autorit&#xE1;rio que limitava os direitos civis e pol&#xED;ticos. O estabelecimento de elei&#xE7;&#xF5;es indiretas para a presid&#xEA;ncia, a retirada do direito &#xE0; greve, entre outras medidas, s&#xE3;o exemplos de como a constitui&#xE7;&#xE3;o de 1937 suprimiu v&#xE1;rias liberdades previstas na sua antecessora (<xref ref-type="bibr" rid="B4">BONAVIDES, ANDRADE, 2002</xref>).</p>
<p>Com o fim do Estado Novo, em 1946, &#xE9; instalada uma nova constituinte. A constitui&#xE7;&#xE3;o que resultou desse processo marca o in&#xED;cio de uma experi&#xEA;ncia democr&#xE1;tica no Brasil, de acordo com Jorge Ferreira (<xref ref-type="bibr" rid="B7">FERREIRA, 2006</xref>). Com efeito, a constitui&#xE7;&#xE3;o reestabeleceu a divis&#xE3;o de poderes e outros direitos sociais e pol&#xED;ticos que haviam sido suprimidos pela constitui&#xE7;&#xE3;o de 1937. Contudo, ela manteve a exclus&#xE3;o dos analfabetos.</p>
<p>Os avan&#xE7;os do per&#xED;odo democr&#xE1;tico que teve in&#xED;cio em 1945 foram interrompidos pelo golpe de 1964, que procurou conquistar legitimidade pol&#xED;tica por meio da promulga&#xE7;&#xE3;o de uma nova constitui&#xE7;&#xE3;o em 1967, a sexta constitui&#xE7;&#xE3;o brasileira. O interesse dos militares em criar um arranjo pol&#xED;tico que combinasse caracter&#xED;sticas tradicionais de um regime democr&#xE1;tico com a concentra&#xE7;&#xE3;o de poderes nas m&#xE3;os da c&#xFA;pula militar e limita&#xE7;&#xF5;es &#xE0; participa&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica, incentivou o governo a tentar manter a constitui&#xE7;&#xE3;o democr&#xE1;tica de 1946 nos primeiros anos ap&#xF3;s o golpe. Contudo, o car&#xE1;ter arbitr&#xE1;rio dos atos institucionais se tornou ainda mais evidente com a multiplica&#xE7;&#xE3;o dos atos complementares, for&#xE7;ando os militares a promulgar uma nova constitui&#xE7;&#xE3;o (ALVES, 2005, p. 65-123). Assim, a constitui&#xE7;&#xE3;o de 1967 reuniu o aparato jur&#xED;dico que pretendia justificar o Estado de direito mesmo diante de grandes impedimentos ao exerc&#xED;cio da cidadania. Ao mesmo tempo, foram registrados avan&#xE7;os sociais (<xref ref-type="bibr" rid="B15">ROCHA, 2013</xref>, p. 33). Essa caracter&#xED;stica particular do regime militar brasileiro incentivou estudiosos a denomin&#xE1;-lo &#x201C;regime burocr&#xE1;tico-autorit&#xE1;rio&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B9">O&#x2019;DONNELL, 1996</xref>), entre outras denomina&#xE7;&#xF5;es.</p>
<p>Percebe-se que, ainda que teoricamente haja uma rela&#xE7;&#xE3;o entre as constitui&#xE7;&#xF5;es e a subordina&#xE7;&#xE3;o do Estado &#xE0; coletividade (Cf. <xref ref-type="bibr" rid="B14">SCHMIDT, 1982</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B13">NASCIMENTO; MORAIS, 2007</xref>), no caso brasileiro, muitas vezes as constitui&#xE7;&#xF5;es foram utilizadas para legitimar o arb&#xED;trio e os privil&#xE9;gios. Assim, no Brasil, o papel das constitui&#xE7;&#xF5;es para a afirma&#xE7;&#xE3;o, o fortalecimento e a amplia&#xE7;&#xE3;o da cidadania nem sempre foi ativo, muito embora avan&#xE7;os tenham sido registrados entre os recuos e perman&#xEA;ncias da hist&#xF3;ria constitucional brasileira. De qualquer maneira, constata-se que as constitui&#xE7;&#xF5;es que representaram avan&#xE7;os tiveram pouco tempo de vig&#xEA;ncia e foram atingidas por golpes de estado que estabeleceram regimes autorit&#xE1;rios que as substitu&#xED;ram.</p>
<p>Diante dessa trajet&#xF3;ria hist&#xF3;rica, &#xE9; natural que a CF 88, que completa trinta anos em 2018, tenha se tornado um marco na hist&#xF3;ria pol&#xED;tica nacional. O car&#xE1;ter &#x201C;cidad&#xE3;o&#x201D; atribu&#xED;do &#xE0; CF 88 refere-se &#xE0; in&#xE9;dita ado&#xE7;&#xE3;o pelo Brasil de uma no&#xE7;&#xE3;o ampla de cidadania no texto constitucional. Para <xref ref-type="bibr" rid="B6">Jos&#xE9; Murilo de Carvalho (2015)</xref>, partindo da defini&#xE7;&#xE3;o proposta por Thomas <xref ref-type="bibr" rid="B11">MARSHALL (1967)</xref>, a cidadania plena re&#xFA;ne a garantia de direitos pol&#xED;ticos, civis e sociais, combinando &#x201C;liberdade, participa&#xE7;&#xE3;o e igualdade para todos&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B6">CARVALHO, 2015</xref>, p. 14-15). Dessa forma, a sua exist&#xEA;ncia est&#xE1; condicionada &#xE0; a&#xE7;&#xE3;o do Estado em favor da garantia dos direitos ligados &#xE0; participa&#xE7;&#xE3;o do cidad&#xE3;o na vida pol&#xED;tica, os direitos fundamentais &#x2013; tais como o direito &#xE0; liberdade, &#xE0; propriedade, &#xE0; vida e &#xE0; igualdade diante da lei &#x2013; e os direitos sociais &#x2013; relativos &#xE0; distribui&#xE7;&#xE3;o justa das riquezas pela administra&#xE7;&#xE3;o p&#xFA;blica.</p>
<p>Os caminhos para se alcan&#xE7;ar a cidadania plena se mostraram mais diversos do que a trajet&#xF3;ria apontada por Marshall ao analisar a sequ&#xEA;ncia de aquisi&#xE7;&#xE3;o de direitos na Europa. O caso do Brasil, para Carvalho, evidencia a exist&#xEA;ncia de trajet&#xF3;rias distintas, uma vez que, no Brasil, muitas vezes os direitos sociais antecederam os demais (<xref ref-type="bibr" rid="B6">CARVALHO, 2015</xref>). De qualquer maneira, pode-se afirmar que, no s&#xE9;culo XXI, a defini&#xE7;&#xE3;o de cidadania plena relaciona democracia, liberdades individuais e justi&#xE7;a social.</p>
<p>A CF 88 afirma esses valores em seu texto. Em 1987, em um cen&#xE1;rio marcado pela revitaliza&#xE7;&#xE3;o da participa&#xE7;&#xE3;o popular, ap&#xF3;s d&#xE9;cadas de &#x201C;constitucionaliza&#xE7;&#xE3;o das normas antidemocr&#xE1;ticas e das medidas de exce&#xE7;&#xE3;o por parte dos militares e dos seus aliados civis&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B15">ROCHA, 2013</xref>, p. 29), a Assembleia Nacional Constituinte (ANC) foi instalada com a tarefa de destruir os resqu&#xED;cios autorit&#xE1;rios, colocar fim ao lento processo de transi&#xE7;&#xE3;o democr&#xE1;tica e estabelecer uma rela&#xE7;&#xE3;o entre democracia e cidadania no Brasil. Em seu discurso na promulga&#xE7;&#xE3;o da Constitui&#xE7;&#xE3;o de 1988, Ulysses Guimar&#xE3;es, presidente da ANC refletiu sobre o papel da CF nesse processo:</p> <disp-quote>
<p>&#x201C;<italic>Ecoam nesta sala as reivindica&#xE7;&#xF5;es das ruas. A Na&#xE7;&#xE3;o quer mudar, a Na&#xE7;&#xE3;o deve mudar, a Na&#xE7;&#xE3;o vai mudar</italic>&#x201D;. S&#xE3;o palavras constantes do discurso de posse como Presidente da Assembleia Nacional Constituinte. Hoje, 5 de outubro de 1988, no que tange &#xE0; Constitui&#xE7;&#xE3;o, a Na&#xE7;&#xE3;o mudou. A Constitui&#xE7;&#xE3;o mudou na sua elabora&#xE7;&#xE3;o, mudou na defini&#xE7;&#xE3;o dos poderes, mudou restaurando a Federa&#xE7;&#xE3;o, mudou quando quer mudar o homem em cidad&#xE3;o, e s&#xF3; &#xE9; cidad&#xE3;o quem ganha justo e suficiente sal&#xE1;rio, l&#xEA; e escreve, mora, tem hospital e rem&#xE9;dio, lazer quando descansa. Num pa&#xED;s de 30.401.000 analfabetos, afrontosos 25% da popula&#xE7;&#xE3;o, cabe advertir: a cidadania come&#xE7;a com o alfabeto. Chegamos! Esperamos a Constitui&#xE7;&#xE3;o como o vigia espera a aurora. Bem-aventurados os que chegam (<xref ref-type="bibr" rid="B5">C&#xC2;MARA DOS DEPUTADOS&#x2026;, 1988</xref>, p. 14380).</p></disp-quote>
<p>O hist&#xF3;rico discurso de Ulysses Guimar&#xE3;es aborda a rela&#xE7;&#xE3;o entre direitos sociais, direitos civis e direitos pol&#xED;ticos, destacando a dimens&#xE3;o participativa do processo constituinte. Assim, a CF 88 marca uma etapa importante do processo de democratiza&#xE7;&#xE3;o no Brasil e ficou caracterizada pelo seu car&#xE1;ter &#x201C;cidad&#xE3;o&#x201D;, por afirmar a legitimidade da cidadania plena e o papel do Estado em garanti-la.</p>
<p>Ao longo dos &#xFA;ltimos trinta anos, diversos estudos procuraram se debru&#xE7;ar sobre a constitui&#xE7;&#xE3;o, no intuito de analisar o seu papel para a compreens&#xE3;o das mais variadas dimens&#xF5;es do regime e da sociedade brasileira. As mais diversas disciplinas procuraram trazer contribui&#xE7;&#xF5;es para a compreens&#xE3;o da Carta Magna, seus efeitos e limites, dentre as quais merecem destaque o Direito, a Sociologia, a Hist&#xF3;ria e a Ci&#xEA;ncia Pol&#xED;tica. &#xC9; poss&#xED;vel citar abordagens variadas: a an&#xE1;lise do texto constitucional; o papel do judici&#xE1;rio ap&#xF3;s 1988; as implica&#xE7;&#xF5;es da carta nos planos social e cultural; a rela&#xE7;&#xE3;o entre os tr&#xEA;s poderes; as reformas constitucionais; e, mais recentemente, a din&#xE2;mica do processo constituinte, entre outras.</p>
<p>Na Ci&#xEA;ncia Pol&#xED;tica, merecem destaque as contribui&#xE7;&#xF5;es que procuraram conectar a rela&#xE7;&#xE3;o entre o autoritarismo dos militares, o car&#xE1;ter negociado do processo de transi&#xE7;&#xE3;o e a din&#xE2;mica interna da Assembleia Nacional Constituinte (ANC) para a compreens&#xE3;o do documento promulgado em 1988 e o presidencialismo de coaliz&#xE3;o p&#xF3;s-constituinte. A Hist&#xF3;ria, por sua vez, trouxe importantes contribui&#xE7;&#xF5;es sobre a mobiliza&#xE7;&#xE3;o popular que antecedeu a ANC e que trouxe a unifica&#xE7;&#xE3;o da oposi&#xE7;&#xE3;o em torno de alguns temas como direitos humanos, democracia, anistia pol&#xED;tica e constituinte. Assim, o di&#xE1;logo entre as duas disciplinas parece apontar caminhos interessantes para a an&#xE1;lise da CF 88<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref>.</p>
<p>Em comemora&#xE7;&#xE3;o aos trinta da promulga&#xE7;&#xE3;o da constitui&#xE7;&#xE3;o, o Centro Brasileiro de Pesquisa em Democracia (CBPD) da Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul (PUCRS) &#x2013; em parceria com o Centre d&#x27;&#xC9;tudes de la Vie Politique (CEVIPOL), vinculado &#xE0; Universit&#xE9; Libre de Bruxelas (ULB) &#x2013;, se prop&#xF4;s a receber e reunir contribui&#xE7;&#xF5;es da Hist&#xF3;ria e da Ci&#xEA;ncia Pol&#xED;tica para a compreens&#xE3;o das m&#xFA;ltiplas dimens&#xF5;es da CF 88, se beneficiando da dist&#xE2;ncia propiciada pelo passar do tempo. Em um momento de intenso debate pol&#xED;tico, interessa, sobretudo, lan&#xE7;ar um olhar sobre o cen&#xE1;rio pol&#xED;tico atual que estabele&#xE7;a a sua rela&#xE7;&#xE3;o com o passado, para ent&#xE3;o refletir sobre os diferentes usos da constitui&#xE7;&#xE3;o feitos atualmente. O resultado dessa proposta &#xE9; apresentado neste dossi&#xEA; que re&#xFA;ne cinco artigos de pesquisadores brasileiros e estrangeiros, revelando diferentes olhares sobre a chamada constitui&#xE7;&#xE3;o cidad&#xE3;.</p>
<p>O primeiro artigo apresentado pelo dossi&#xEA; intitulado &#x201C;Do escravo ao escravizado: o longo caminho para a constru&#xE7;&#xE3;o dos Direitos Humanos no Brasil&#x201D;, de autoria de Vitale Joanoni Neto, busca estabelecer essa rela&#xE7;&#xE3;o entre o passado e o presente proposta pelos organizadores do dossi&#xEA;. A partir de uma an&#xE1;lise de longa dura&#xE7;&#xE3;o, o autor se prop&#xF5;e a compreender as diferentes formas assumidas pela escravid&#xE3;o no Brasil desde o per&#xED;odo colonial, lan&#xE7;ando luzes para a compreens&#xE3;o da persist&#xEA;ncia dessa grave viola&#xE7;&#xE3;o dos direitos humanos mesmo em tempos de constitui&#xE7;&#xE3;o cidad&#xE3;. Para o autor, a persist&#xEA;ncia de desigualdades sociais com profundas ra&#xED;zes hist&#xF3;ricas n&#xE3;o impediu que a CF 88 desempenhasse um importante papel no combate a essa pr&#xE1;tica, uma vez que, ao afirmar a import&#xE2;ncia da cidadania plena, deslocou o sentido da express&#xE3;o &#x201C;condi&#xE7;&#xE3;o an&#xE1;loga &#xE0; de escravo&#x201D;. Dessa forma, fortaleceu os discursos que combatem a pr&#xE1;tica, sejam eles provenientes da sociedade civil, sejam provenientes do pr&#xF3;prio poder judici&#xE1;rio.</p>
<p>O artigo &#x201C;A participa&#xE7;&#xE3;o em conflito na Assembleia Constituinte: confrontos discursivos e racionalidade dos atores&#x201D; de Marie-H&#xE9;l&#xE8;ne S&#xE1; Vilas-Boas busca analisar o papel da Constitui&#xE7;&#xE3;o de 1988 para a compreens&#xE3;o da dimens&#xE3;o participativa na din&#xE2;mica da pr&#xF3;pria constituinte. Para tanto, a autora se volta para o estudo dos debates em torno dos direitos pol&#xED;ticos e da sa&#xFA;de, a partir da an&#xE1;lise dos trabalhos de duas subcomiss&#xF5;es distintas relativas a esses temas. Para Vilas-Boas a mobiliza&#xE7;&#xE3;o social que marcou o per&#xED;odo contribuiu para que a dimens&#xE3;o participativa fosse destacada ao longo da ANC por meio das emendas populares, audi&#xEA;ncias p&#xFA;blicas e outras ferramentas que permitiram que setores sociais influenciassem o texto final. Por outro lado, ainda que as elites tenham concordado com a participa&#xE7;&#xE3;o desses setores, o texto final destaca o car&#xE1;ter representativo da participa&#xE7;&#xE3;o e o relega &#xE0; esfera coletiva por meio de grupos organizados e comunidades. Apenas na d&#xE9;cada de 1990 o conceito de &#x201C;participa&#xE7;&#xE3;o cidad&#xE3;&#x201D; passa a se fortalecer, em detrimento do conceito de &#x201C;participa&#xE7;&#xE3;o coletiva&#x201D;.</p>
<p>Fran&#xE7;oise Montambeault tamb&#xE9;m aborda a quest&#xE3;o da participa&#xE7;&#xE3;o no artigo intitulado &#x201C;Uma Constitui&#xE7;&#xE3;o cidad&#xE3;? Sucessos e limites da institucionaliza&#xE7;&#xE3;o de um sistema de participa&#xE7;&#xE3;o cidad&#xE3; no Brasil democr&#xE1;tico&#x201D;. Focando-se nos efeitos da carta nessa dimens&#xE3;o ao longo dos trinta anos que se seguiram ap&#xF3;s 88, a autora buscar analisar o papel da Constitui&#xE7;&#xE3;o para a abertura de canais institucionais da participa&#xE7;&#xE3;o cidad&#xE3; no Brasil. Para a autora, ainda que a carta tenha o m&#xE9;rito de ter inscrito o princ&#xED;pio participativo no documento final, conectando-o com o modelo de democracia adotado, a efetiva&#xE7;&#xE3;o desse princ&#xED;pio esteve condicionada &#xE0; combina&#xE7;&#xE3;o da vontade social com o compromisso pol&#xED;tico. Para a autora, essa combina&#xE7;&#xE3;o se concretizou apenas durante os anos de governo do Partido dos Trabalhadores (PT).</p>
<p>Em &#x201C;Constitui&#xE7;&#xE3;o de 1988: o avan&#xE7;o dos Direitos Humanos Fundamentais&#x201D;, Maria Cec&#xED;lia Barreto Amorim Pilla e Am&#xE9;lia do Carmo Sampaio Rossi buscam compreender os avan&#xE7;os no &#xE2;mbito dos direitos humanos fundamentais a partir da carta magna por meio da aplica&#xE7;&#xE3;o do m&#xE9;todo hist&#xF3;rico-dial&#xE9;tico. Para as autoras, a CF 88 reconheceu os direitos humanos fundamentais a partir de uma perspectiva ampla, por&#xE9;m o cen&#xE1;rio global marcado pelo liberalismo impediu a plena implementa&#xE7;&#xE3;o dos direitos sociais. Por outro lado, nesse cen&#xE1;rio globalizado, a rela&#xE7;&#xE3;o entre a constitui&#xE7;&#xE3;o e os sistemas internacionais protetivos de direitos humanos contribu&#xED;ram para o fortalecimento dos direitos fundamentais.</p>
<p>A sess&#xE3;o &#xE9; conclu&#xED;da por Gustavo M&#xFC;ller, que contribui com o artigo ensa&#xED;stico intitulado &#x201C;<italic>Trinta anos nesta tarde</italic>: problemas end&#xF3;genos e ex&#xF3;genos da trajet&#xF3;ria democr&#xE1;tica no Brasil p&#xF3;s-Constitui&#xE7;&#xE3;o de 1988&#x201D;. &#xC0; luz dos preceitos constitucionais de 1988, o autor busca refletir sobre a atual crise vivida pelo sistema pol&#xED;tico brasileiro. Para M&#xFC;ller, fatores end&#xF3;genos e ex&#xF3;genos explicam a atual crise e dificultam que os atributos da Carta Magna sejam capazes de impedir que o Brasil viva um processo de &#x201C;des-democratiza&#xE7;&#xE3;o&#x201D;.</p>
<p>Finalmente, o dossi&#xEA; completa-se com a entrevista com Olivier Dab&#xE8;ne, cientista pol&#xED;tico especialista em democracias na Am&#xE9;rica Latina. A partir de um olhar comparado, o estudioso reflete sobre os trinta anos de democracia no Brasil, enfatizando os diferentes usos da chamada &#x201C;constitui&#xE7;&#xE3;o cidad&#xE3;&#x201D; em tempos de crise pol&#xED;tica.</p>
<p>Desejamos a todos uma excelente leitura!</p></body>
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<p>H&#xE1; uma farta produ&#xE7;&#xE3;o tanto na Ci&#xEA;ncia Pol&#xED;tica, quanto na Hist&#xF3;ria sobre as diversas dimens&#xF5;es da constituinte e o seu papel para a compreens&#xE3;o do regime pol&#xED;tico. Entre elas, destacamos as seguintes: <xref ref-type="bibr" rid="B1">ARA&#xDA;JO, 2010</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B2">ARA&#xDA;JO, 2013a</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B3">ARA&#xDA;JO, 2013b</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B12">MONCLAIRE, BARROS FILHO, 1988</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B8">FIGUEIREDO, LIMONGI, 1999</xref>.</p></fn></fn-group>
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<title>Refer&#xEA;ncias</title>
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