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<journal-title>Estudos Ibero-Americanos</journal-title>
<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Estud. Ibero-Am. (Online)</abbrev-journal-title></journal-title-group>
<issn pub-type="ppub">0101-4064</issn>
<issn pub-type="epub">1980-864X</issn>
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<publisher-name>Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul</publisher-name></publisher>
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<article-id pub-id-type="publisher-id">1980-864X.2018.3.29237</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.15448/1980-864X.2018.3.29237</article-id>
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<subj-group subj-group-type="heading">
<subject>Se&#xE7;&#xE3;o Livre</subject></subj-group></article-categories>
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<article-title>O pre&#xE7;o dos escravos e suas &#x201C;cores&#x201D; nas escravarias dos inconfidentes mineiros da comarca do Rio das Mortes, nas Minas Gerais de 1789 a 1791</article-title>
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<trans-title>The Price of the Slaves and Their &#x201C;Colors&#x201D; in the Slaveholdings of the Participants in the Inconfid&#xEA;ncia Mineira from Rio das Mortes District, in Minas Gerais from 1789 to 1791</trans-title></trans-title-group>
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<trans-title>El precio de los esclavos y sus &#x201C;colores&#x201D; en las posesiones de los participantes da Inconfid&#xEA;ncia Mineira de la comarca del R&#xED;o das Mortes, en las Minas Gerais de 1789 a 1791</trans-title></trans-title-group>
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<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0001-9286-089X</contrib-id>
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	<surname>Rodrigues</surname>
	<given-names>Andr&#xE9; Figueiredo</given-names>
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	<xref ref-type="aff" rid="aff1"><sup>1</sup></xref>
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<contrib-id contrib-id-type="orcid">0000-0002-2200-9319</contrib-id>
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	<surname>Freire</surname>
	<given-names>Jonis</given-names>
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	<xref ref-type="aff" rid="aff2"><sup>2</sup></xref>
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<label>1</label>
<institution content-type="normalized">Universidade Estadual Paulista</institution>
<institution content-type="orgname">Universidade Estadual de S&#xE3;o Paulo</institution>
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<named-content content-type="city">Campus de Assis</named-content>
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<country country="BR">Brasil</country>
<email>andrefr@assis.unesp.br</email>
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Doutor em Hist&#xF3;ria Social pela Universidade de S&#xE3;o Paulo (USP). Professor do Departamento de Hist&#xF3;ria e do Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Hist&#xF3;ria da Universidade Estadual Paulista (UNESP), campus de Assis. Autor de A fortuna dos inconfidentes: caminhos e descaminhos dos bens de conjurados mineiros (1760-1850) (Globo, 2010) e do artigo Sequestros de bens dos participantes da Inconfid&#xEA;ncia Mineira como fonte de pesquisa para a hist&#xF3;ria do livro e das bibliotecas (1789) (Hist&#xF3;ria, Scielo, 2017).</institution>
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<label>2</label>
<institution content-type="normalized">Universidade Federal Fluminense</institution>
<institution content-type="orgname">Universidade Federal Fluminense</institution>
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<named-content content-type="city">Rio de Janeiro</named-content>
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<country country="BR">Brasil</country>
<email>jonisfreire@gmail.com</email>
<institution content-type="original">
Doutor em Hist&#xF3;ria pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Professor do Departamento de Hist&#xF3;ria e do Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Hist&#xF3;ria da Universidade Federal Fluminense (UFF). Autor de Escravid&#xE3;o e fam&#xED;lia escrava na Zona da Mata Mineira oitocentista (Alameda, 2014).</institution>
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<pub-date pub-type="epub-ppub">
<season>Sep-Dec</season>
<year>2018</year></pub-date>
<volume>44</volume>
<issue>3</issue>
<fpage>548</fpage>
<lpage>562</lpage>
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<date date-type="received">
<day>22</day>
<month>11</month>
<year>2017</year></date>
<date date-type="accepted">
<day>13</day>
<month>07</month>
<year>2018</year></date>
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<license-p>Except where otherwise noted, the material published in this journal is licensed in the form of a Creative Commons Attribution 4.0 International license.</license-p></license></permissions>
<abstract>
<title>Resumo:</title>
<p>Este artigo analisa, com base nos sequestros de bens listados nos Autos da Devassa da Inconfid&#xEA;ncia Mineira, informa&#xE7;&#xF5;es sobre os escravos, seus pre&#xE7;os e &#x201C;cores&#x201D; nas escravarias de sete moradores presos da comarca do Rio das Mortes, em Minas Gerais, entre 1789 e 1791, envolvidos na Inconfid&#xEA;ncia Mineira.</p></abstract>
<trans-abstract xml:lang="en">
<title>Abstract:</title>
<p>Based on the accounting for chattel confiscated from seven residents of the Rio das Mortes region of Minas Gerais arrested for their involvement in Inconfid&#xEA;ncia Mineira, this article analyzes the prices and &#x201C;colors&#x201D; of the slaves comprising the respective holdings from 1789 to 1791.</p></trans-abstract>
<trans-abstract xml:lang="es">
<title>Resumen:</title>
<p>Este art&#xED;culo analiza, con base en secuestros de bienes listados en el Autos da Devassa da Inconfid&#xEA;ncia Mineira, informaciones sobre los esclavos, sus precios y &#x201C;colores&#x201D; en las posesiones de siete participantes prendidos de la comarca del R&#xED;o das Mortes, en las Minas Gerais, de 1789 a 1791, envueltos en la Inconfid&#xEA;ncia Mineira.</p></trans-abstract>
<kwd-group xml:lang="pt">
<title>Palavras-chave:</title>
<kwd>inconfidentes &#x2013; escravos</kwd>
<kwd>pre&#xE7;o dos escravos</kwd>
<kwd>sequestros</kwd>
<kwd>Inconfid&#xEA;ncia Mineira</kwd></kwd-group>
<kwd-group xml:lang="en">
<title>Keywords:</title>
<kwd>participants of the Inconfid&#xEA;ncia Mineira &#x2013; slaves</kwd>
<kwd>slaves prices</kwd>
<kwd>confiscations</kwd>
<kwd>Inconfid&#xEA;ncia Mineira</kwd></kwd-group>
<kwd-group xml:lang="es">
<title>Palabras clave:</title>
<kwd>inconfidentes &#x2013; esclavos</kwd>
<kwd>precio de los esclavos</kwd>
<kwd>secuestros</kwd>
<kwd>Inconfid&#xEA;ncia Mineira</kwd></kwd-group>
<counts>
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<table-count count="9"/>
<equation-count count="0"/>
<ref-count count="23"/>
<page-count count="15"/></counts></article-meta></front>
<body>
<p>Os 24 rebeldes julgados e condenados por participarem de uma sedi&#xE7;&#xE3;o que se pretendia organizar em Minas Gerais no ano de 1789, denominada Inconfid&#xEA;ncia Mineira, tiveram seus bens apreendidos pela Coroa portuguesa, em um processo denominado Sequestro. Dentre os patrim&#xF4;nios, os escravos destacavam-se pela quantidade e diversidade &#xE9;tnica.</p>
<p>Como processos &#xE0; parte da devassa, os Autos de Sequestro poucas vezes foram analisados e nunca foram publicados integralmente. O que se conhece e o que se encontra editado no sexto volume dos Autos de Devassa da Inconfid&#xEA;ncia Mineira (ADIM) s&#xE3;o apenas traslados parciais dos bens pertencentes aos envolvidos no movimento insurreto mineiro, exigidos pelos ju&#xED;zes da devassa para se ter uma ideia do patrim&#xF4;nio de cada uma daquelas pessoas (<xref ref-type="bibr" rid="B18">RODRIGUES, 2010</xref>, p. 19-20).</p>
<p>Embora os sequestros n&#xE3;o sejam a fonte mais apropriada para se abordar o pre&#xE7;o dos escravos, j&#xE1; que os valores dos cativos ali anotados, por motivos diversos, eram inferiores aos apresentados por outras fontes, como, por exemplo, os registros de compra e venda de escravos, os montantes informados servem como indicativo das tend&#xEA;ncias mais gerais dos pre&#xE7;os praticados naquela sociedade.<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref></p>
<p>Assim, o que pretendemos aqui &#xE9; recuperar, junto aos bens apreendidos aos sediciosos mineiros de 1789, dados sobre os valores atribu&#xED;dos aos escravos pertencentes as escravarias daquele grupo &#x201C;singular&#x201D; da sociedade mineira setecentista. Os sete personagens &#x201C;inconfidentes&#x201D; apresentados neste artigo s&#xE3;o todos moradores da comarca do Rio das Mortes, grandes propriet&#xE1;rios de terras e de escravos e membros das mais importantes fam&#xED;lias da regi&#xE3;o.<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref></p>
<p>Os conjurados a terem os seus escravos analisados ser&#xE3;o:</p>
<list list-type="bullet">
<list-item>
<p>Carlos Correia de Toledo: nascido em 1736, em Taubat&#xE9;, na capitania de S&#xE3;o Paulo. Na &#xE9;poca da Inconfid&#xEA;ncia era o vig&#xE1;rio da par&#xF3;quia de Santo Ant&#xF4;nio, na vila de S&#xE3;o Jos&#xE9; del-Rei, atual cidade de Tiradentes, em Minas Gerais;</p></list-item>
<list-item>
<p>Lu&#xED;s Vaz de Toledo Piza: irm&#xE3;o do padre Toledo, nasceu em Taubat&#xE9;, na capitania de S&#xE3;o Paulo, em agosto de 1739. Casado com Gertrudes Maria de Camargo, mulher sem instru&#xE7;&#xE3;o, e tinha sete filhos. Quando foi preso em 1789, exercia o of&#xED;cio de juiz dos &#xF3;rf&#xE3;os da vila de S&#xE3;o Jos&#xE9; e era sargento-mor do Regimento de Cavalaria Auxiliar de S&#xE3;o Jo&#xE3;o del-Rei;</p></list-item>
<list-item>
<p>Francisco Ant&#xF4;nio de Oliveira Lopes: nasceu em 1750, na Borda do Campo, atual cidade de Barbacena, em Minas Gerais. Casado com Hip&#xF3;lita Jacinto Teixeira de Melo, mulher de fam&#xED;lia abastada, com quem n&#xE3;o teve filhos. Residia na fazenda da Ponta do Morro, localizada entre a vila de S&#xE3;o Jos&#xE9; e o arraial de Prados;</p></list-item>
<list-item>
<p>Jos&#xE9; Aires Gomes: nasceu em 1734, na freguesia de Nossa Senhora da Assun&#xE7;&#xE3;o do Engenho do Mato, atual distrito de Paula Lima, em Barbacena, Minas Gerais. Casado com Maria In&#xE1;cia de Oliveira. Propriet&#xE1;rio de grandes extens&#xF5;es de terra na regi&#xE3;o do caminho entre o Rio de Janeiro e Vila Rica, na &#xE1;rea da serra da Mantiqueira, como a fazenda da Borda do Campo, uma das maiores propriedades agr&#xED;colas e pastoris do sul da capitania mineira na segunda metade do s&#xE9;culo XVIII;</p></list-item>
<list-item>
<p>Manuel Rodrigues da Costa: nascido em 1754, em Concei&#xE7;&#xE3;o de Ibitipoca, freguesia do arraial de Nossa Senhora do Campo Alegre de Carij&#xF3;s, distrito do atual munic&#xED;pio de Lima Duarte, em Minas Gerais. Ordenou-se padre e exercia of&#xED;cios religiosos nas capelas e igrejas na regi&#xE3;o da Borda do Campo;</p></list-item>
<list-item>
<p>In&#xE1;cio Jos&#xE9; Alvarenga Peixoto: nascido em 1742, no Rio de Janeiro, exerceu o of&#xED;cio de ouvidor da comarca do Rio das Mortes, quando se envolveu amorosamente com B&#xE1;rbara Eliodora Guilhermina da Silveira, com quem teve quatro filhos. Destacava-se na regi&#xE3;o sul de Minas Gerais como um dos mais importantes propriet&#xE1;rios de terras de agricultura e de extra&#xE7;&#xE3;o mineral do local;</p></list-item>
<list-item>
<p>Jos&#xE9; de Resende Costa: nasceu em 1730, no arraial de Prados, em Minas Gerais. Casado com Ana Alves Preto, tendo dois filhos, sendo um deles Jos&#xE9; de Resende Costa (nome hom&#xF4;nimo ao do pai) e tamb&#xE9;m implicado na Inconfid&#xEA;ncia Mineira. Na &#xE9;poca de sua pris&#xE3;o, residia em sua fazenda chamada Boa Vista dos Campos Gerais da Lage, no arraial da Aplica&#xE7;&#xE3;o de Nossa Senhora da Penha de Fran&#xE7;a da Laje, em Minas Gerais. Era capit&#xE3;o do Regimento de Cavalaria Auxiliar da vila de S&#xE3;o Jos&#xE9;, com jurisdi&#xE7;&#xE3;o sobre o arraial da Laje (<xref ref-type="bibr" rid="B18">RODRIGUES, 2010</xref>, p. 22-28).</p></list-item></list>
<p>Em geral, os sequestros vislumbram informa&#xE7;&#xF5;es sobre os bens pertencentes a uma pessoa presa, como suas d&#xED;vidas ativas e passivas, dinheiro em moedas, terras de cultura, sesmarias, ouro e prata armazenados, lavras minerais, objetos de casa, utens&#xED;lios agr&#xED;colas e de minera&#xE7;&#xE3;o, livros, vestu&#xE1;rio e escravaria.</p>
<p>No contexto dos estudos dos bens sequestrados aos sediciosos mineiros, n&#xE3;o se conhece em detalhes os pre&#xE7;os dos escravos ali apreendidos, nem se debru&#xE7;ou sobre as suas formas de identifica&#xE7;&#xE3;o e qualifica&#xE7;&#xE3;o, muito em virtude do desconhecimento da documenta&#xE7;&#xE3;o dos Autos de Sequestros aqui analisados e apresentados.</p>
<p>De acordo com K&#xE1;tia de Queir&#xF3;s Mattoso,</p> <disp-quote>
<p>O pre&#xE7;o do escravo &#xE9; um jogo de vari&#xE1;veis, algumas das quais totalmente alheias ao pr&#xF3;prio escravo e outras, ao contr&#xE1;rio, intimamente ligadas &#xE0; sua pessoa. O pre&#xE7;o do escravo depende da concorr&#xEA;ncia, da dist&#xE2;ncia entre o porto de embarque e o ponto de venda, da especula&#xE7;&#xE3;o, da conjuntura econ&#xF4;mica, depende ainda de sua idade, sexo, sa&#xFA;de, de sua qualifica&#xE7;&#xE3;o profissional (<xref ref-type="bibr" rid="B15">MATTOSO, 1990</xref>, p. 77-78).</p></disp-quote>
<p>No caso dos cativos apreendidos aos sete inconfidentes da comarca do Rio das Mortes, de todas as vari&#xE1;veis citadas por K&#xE1;tia Mattoso, tr&#xEA;s tornaram-se preferencialmente importantes na avalia&#xE7;&#xE3;o de seus pre&#xE7;os: seu estado de sa&#xFA;de, sua capacidade para exercer e dominar of&#xED;cios mec&#xE2;nicos, como os de alfaiataria, carpintaria, ferraria, tropeiragem, entre outros, e as rela&#xE7;&#xF5;es mantidas entre o avaliador e o dono da escravaria sequestrada. Claro que esses atributos variaram de acordo com as escravarias analisadas.</p>
<sec>
<title>As escravarias dos inconfidentes</title>
<p>Os sete conjurados da comarca do Rio das Mortes tiveram 442 cativos apreendidos pela Coroa portuguesa, sendo 361 escravos do sexo masculino (81,67%) e 81 do sexo feminino (18,33%).<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref></p>
<p>Os n&#xFA;meros apresentados na <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref> evidenciam que, com exce&#xE7;&#xE3;o do padre Manuel Rodrigues da Costa, todos os demais inconfidentes daquela regi&#xE3;o possu&#xED;am escravarias superiores a 30 cativos. Este &#xE9; um dado importante, pois os colocava em um patamar disforme em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; maioria dos propriet&#xE1;rios mineiros, j&#xE1; que os dados populacionais para Minas Gerais nos s&#xE9;culos XVIII e in&#xED;cio do XIX comprovam o predom&#xED;nio de propriet&#xE1;rios com reduzido n&#xFA;mero de manc&#xED;pios, de, no m&#xE1;ximo, cinco escravos (<xref ref-type="bibr" rid="B12">LUNA, 1981</xref>, p. 63-159; <xref ref-type="bibr" rid="B13">LUNA; COSTA, 1982</xref>, p. 37-40; <xref ref-type="bibr" rid="B10">LIBBY, 1988</xref>, p. 98; <xref ref-type="bibr" rid="B4">BERGAD, 2004</xref>, p. 30; 300; <xref ref-type="bibr" rid="B17">PAIVA, 1996</xref>, p. 212-214; <xref ref-type="bibr" rid="B11">LIBBY; PAIVA, 2000</xref>, p. 29; <xref ref-type="bibr" rid="B9">LIBBY, 2007</xref>, p. 434).</p>
<table-wrap id="t1">
<label>Tabela 1</label>
<caption>
<title>Escravos sequestrados aos inconfidentes da comarca do Rio das Mortes, 1789-1791</title></caption>
<graphic xlink:href="tb1.png"/>
<table frame="hsides" rules="groups">
<colgroup width="16%">
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/></colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000; background-color: #CCE3F1">
<tr>
<th align="center"/>
<th align="center">Homens</th>
<th align="center">%</th>
<th align="center">Mulheres</th>
<th align="center">%</th>
<th align="center">Total</th></tr></thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="left">Carlos Correia de Toledo (1789)</td>
<td align="center">28</td>
<td align="center">90,32</td>
<td align="center">3</td>
<td align="center">9,68</td>
<td align="center"><bold>31</bold></td></tr>
<tr>
<td align="left">Lu&#xED;s Vaz de Toledo Piza (1789)</td>
<td align="center">33</td>
<td align="center">89,19</td>
<td align="center">4</td>
<td align="center">10,81</td>
<td align="center">37</td></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="left">Francisco Ant&#xF4;nio de Oliveira Lopes (1789)</td>
<td align="center">57</td>
<td align="center">77,03</td>
<td align="center">17</td>
<td align="center">22,97</td>
<td align="center"><bold>74</bold></td></tr>
<tr>
<td align="left">Jos&#xE9; Aires Gomes (1791)</td>
<td align="center">105</td>
<td align="center">78,95</td>
<td align="center">28</td>
<td align="center">21,05</td>
<td align="center"><bold>133</bold></td></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="left">Manuel Rodrigues da Costa (1791)</td>
<td align="center">2</td>
<td align="center">100,00</td>
<td align="center">0</td>
<td align="center">0</td>
<td align="center"><bold>2</bold></td></tr>
<tr>
<td align="left">In&#xE1;cio Jos&#xE9; de Alvarenga Peixoto (1789)</td>
<td align="center">112</td>
<td align="center">85,58</td>
<td align="center">22</td>
<td align="center">16,42</td>
<td align="center"><bold>134</bold></td></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="left">Jos&#xE9; de Resende Costa (1791)</td>
<td align="center">24</td>
<td align="center">77,42</td>
<td align="center">7</td>
<td align="center">22,58</td>
<td align="center"><bold>31</bold></td></tr>
<tr>
<td align="left">Total</td>
<td align="center">361</td>
<td align="center">81,67</td>
<td align="center">81</td>
<td align="center">18,33</td>
<td align="center">442</td></tr></tbody></table>
<table-wrap-foot>
<attrib>Fonte: ANRJ/ADIM-C5, v. 7 &#x2013; sequestros diversos.</attrib></table-wrap-foot></table-wrap>
<p>As raz&#xF5;es de sexo/masculinidade<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref> entre as escravarias destes sete inconfidentes (<xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>) demonstram o seu &#x201C;apego&#x201D; a escravid&#xE3;o e ao tr&#xE1;fico de escravos africanos (como pode ser visto na <xref ref-type="table" rid="t2">Tabela 2</xref>, na sequ&#xEA;ncia). Nas unidades produtoras desses conjurados observam-se que as raz&#xF5;es entre os sexos foram expressivas. Com exce&#xE7;&#xE3;o da escravaria do padre Manuel Rodrigues da Costa, consegue-se verificar a raz&#xE3;o de masculinidade das demais posses que demonstram a concentra&#xE7;&#xE3;o de escravos. A raz&#xE3;o de sexo na escravaria do tamb&#xE9;m padre Carlos Correia de Toledo foi de 933,33; na do sargento-mor Luiz Vaz de Toledo Piza 825; na do coronel e fazendeiro Francisco Ant&#xF4;nio de Oliveira Lopes, 335,29; na do coronel e fazendeiro Jos&#xE9; Aires Gomes, 375; na do poeta e ouvidor In&#xE1;cio Jos&#xE9; de Alvarenga Peixoto, 509,09 e na do capit&#xE3;o Jos&#xE9; de Resende Costa, 342,85.</p>
<table-wrap id="t2">
<label>Tabela 2</label>
<caption>
<title>&#x201C;Cores/qualidades&#x201D; e proced&#xEA;ncias dos escravos apreendidos pela devassa aos inconfidentes da comarca do Rio das Mortes, 1789-1791</title></caption>
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<table frame="hsides" rules="groups">
<colgroup width="11%">
<col width="1%"/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/></colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000; background-color: #CCE3F1">
<tr>
<th align="center" colspan="2"/>
<th align="center">CCT</th>
<th align="center">LVTP</th>
<th align="center">FAOL</th>
<th align="center">JAG</th>
<th align="center">MRC</th>
<th align="center">IJAP</th>
<th align="center">JRC</th>
<th align="center">Total</th></tr></thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="left" colspan="2"><italic>Brasil</italic></td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="left"/>
<td align="left">Crioulo</td>
<td align="center">15</td>
<td align="center">12</td>
<td align="center">30</td>
<td align="center">23</td>
<td align="center"/>
<td align="center">22</td>
<td align="center">8</td>
<td align="center"><bold>110</bold></td></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="left"/>
<td align="left">Mulato</td>
<td align="center">1</td>
<td align="center"/>
<td align="center">3</td>
<td align="center">17</td>
<td align="center"/>
<td align="center">10</td>
<td align="center">1</td>
<td align="center"><bold>32</bold></td></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="left"/>
<td align="left">Cabra</td>
<td align="center">1</td>
<td align="center"/>
<td align="center">6</td>
<td align="center">3</td>
<td align="center"/>
<td align="center">1</td>
<td align="center"/>
<td align="center"><bold>11</bold></td></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="left"/>
<td align="left">Pardo</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">3</td>
<td align="center"/>
<td align="center">3</td>
<td align="center"/>
<td align="center"><bold>6</bold></td></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="left"/>
<td align="left"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"><bold>159</bold></td></tr>
<tr>
<td align="left" colspan="2"><italic>&#xC1;frica ocidental</italic></td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="left">Cabo Verde</td>
<td align="center"/>
<td align="center">1</td>
<td align="center"/>
<td align="center">1</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"><bold>2</bold></td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="left">Cobu</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">2</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">2</td>
<td align="center"/>
<td align="center"><bold>4</bold></td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="left">Mina</td>
<td align="center">3</td>
<td align="center">3</td>
<td align="center">2</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">10</td>
<td align="center">1</td>
<td align="center"><bold>19</bold></td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="left">Sabaru</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">3</td>
<td align="center"/>
<td align="center"><bold>3</bold></td></tr>
<tr>
<td align="left" colspan="2"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"><bold>28</bold></td></tr>
<tr>
<td align="left" colspan="2"><italic>&#xC1;frica centro-ocidental</italic></td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="left"/>
<td align="left">Angola</td>
<td align="center">7</td>
<td align="center">21</td>
<td align="center">21</td>
<td align="center">24</td>
<td align="center">2</td>
<td align="center">17</td>
<td align="center">2</td>
<td align="center"><bold>94</bold></td></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="left"/>
<td align="left">Benguela</td>
<td align="center">3</td>
<td align="center"/>
<td align="center">7</td>
<td align="center">36</td>
<td align="center"/>
<td align="center">31</td>
<td align="center">15</td>
<td align="center"><bold>92</bold></td></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="left"/>
<td align="left">Congo</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">2</td>
<td align="center">8</td>
<td align="center"/>
<td align="center">7</td>
<td align="center">1</td>
<td align="center"><bold>18</bold></td></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="left"/>
<td align="left">Cabinda</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">4</td>
<td align="center"/>
<td align="center">6</td>
<td align="center">1</td>
<td align="center"><bold>11</bold></td></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="left"/>
<td align="left">Cassange</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">1</td>
<td align="center"/>
<td align="center">1</td>
<td align="center"/>
<td align="center"><bold>2</bold></td></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="left"/>
<td align="left">Ganguela</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">2</td>
<td align="center"/>
<td align="center"><bold>2</bold></td></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="left"/>
<td align="left">Mefumbe</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">1</td>
<td align="center"/>
<td align="center">3</td>
<td align="center"/>
<td align="center"><bold>4</bold></td></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="left"/>
<td align="left">Monjolo</td>
<td align="center">1</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">1</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">1</td>
<td align="center"><bold>3</bold></td></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="left"/>
<td align="left">Mosonso</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">1</td>
<td align="center"><bold>1</bold></td></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="left"/>
<td align="left">Quissam&#xE3;</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">1</td>
<td align="center"/>
<td align="center">2</td>
<td align="center"/>
<td align="center"><bold>3</bold></td></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="left"/>
<td align="left">Rebolo</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">9</td>
<td align="center"/>
<td align="center">8</td>
<td align="center"/>
<td align="center"><bold>17</bold></td></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="left"/>
<td align="left">Xamb&#xE1;</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">2</td>
<td align="center"/>
<td align="center"><bold>2</bold></td></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="left"/>
<td align="left"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"><bold>249</bold></td></tr>
<tr>
<td align="left" colspan="2"><italic>Indefinidos (&#xC1;frica)</italic></td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">1</td>
<td align="center"/>
<td align="center">1</td>
<td align="center"/>
<td align="center"><bold>2</bold></td></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="left" colspan="2"><italic>N&#xE3;o consta</italic></td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">1</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">3</td>
<td align="center"/>
<td align="center"><bold>4</bold></td></tr>
<tr>
<td align="left" colspan="2"><bold>Total</bold></td>
<td align="center"><bold>31</bold></td>
<td align="center"><bold>37</bold></td>
<td align="center"><bold>74</bold></td>
<td align="center"><bold>133</bold></td>
<td align="center"><bold>2</bold></td>
<td align="center"><bold>134</bold></td>
<td align="center"><bold>31</bold></td>
<td align="center"><bold>442</bold></td></tr></tbody></table>
<table-wrap-foot>
<fn id="TFN1">
<p>CCT: Carlos Correia de Toledo; LVTP: Lu&#xED;s Vaz de Toledo Piza; FAOL: Francisco Ant&#xF4;nio de Oliveira Lopes; JAG: Jos&#xE9; Aires Gomes; MRC: Manuel Rodrigues da Costa; IJAP: In&#xE1;cio Jos&#xE9; de Alvarenga Peixoto; JRC: Jos&#xE9; de Resende Costa.</p></fn>
<attrib>Fonte: ANRJ/ADIM-C5, v. 7 &#x2013; sequestros diversos.</attrib></table-wrap-foot></table-wrap>
<p>Dos 442 escravos apreendidos e listados pela devassa, 35,98% (159) eram nascidos no Brasil, 63,12% (279) eram origin&#xE1;rios da &#xC1;frica e 0,9% (4) n&#xE3;o tiveram as origens descritas (<xref ref-type="table" rid="t2">Tabela 2</xref>). Esses n&#xFA;meros apontam que seus senhores estavam conectados ao com&#xE9;rcio negreiro, uma vez que a maioria dos cativos presentes em suas escravarias originava-se do continente africano.<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref></p>
<p>Com rela&#xE7;&#xE3;o aos 438 escravos com origem descrita (crioulos ou africanos), notamos que entre os &#x201C;brasileiros&#x201D; (159) havia uma maioria de crioulos (69,18%), seguidos pelos mulatos (20,12%), cabras (6,91%) e, por &#xFA;ltimo, pardos (3,77%). Esses crioulos, mulatos, cabras e pardos refletiam, al&#xE9;m das mesti&#xE7;agens, percep&#xE7;&#xF5;es daquela sociedade com rela&#xE7;&#xE3;o aos indiv&#xED;duos envolvidos e da maneira como foram representados no correr do tempo, sobretudo com rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; &#x201C;cor/qualidade&#x201D;, categorias de distin&#xE7;&#xE3;o diferentes, mas, ao mesmo tempo, complementares.</p>
<p>O mosaico de &#x201C;cores/qualidades&#x201D; &#x2013; pretos, pardos, caboclos, crioulos, mulatos, cabras, mesti&#xE7;o, etc. &#x2013; ou a aus&#xEA;ncia delas parecem estar imbricados com a condi&#xE7;&#xE3;o social e jur&#xED;dica daqueles sujeitos. Caracterizavam-se como categorias de classifica&#xE7;&#xE3;o, nas quais se pretendia determinar, por meio dessas designa&#xE7;&#xF5;es, os lugares estabelecidos naquela sociedade para cada um daqueles indiv&#xED;duos.</p> <disp-quote>
<p>&#x2018;Negros&#x2019;, &#x2018;pretos&#x2019; e &#x2018;crioulos&#x2019; foram as &#x2018;qualidades&#x2019; mais usualmente atribu&#xED;das aos homens e mulheres nascidos na &#xC1;frica ou aos seus descendentes diretos, cujos nascimentos ocorreram nas Am&#xE9;ricas. Mas houve muitas misturas biol&#xF3;gicas entre esses grupos e os demais (incluindo os j&#xE1; mesclados), desde o s&#xE9;culo XVI, o que gerou dezenas de categorias de mesti&#xE7;os, umas mais evocadas que outras na documenta&#xE7;&#xE3;o (PAIVA, 2015, p. 224-225).</p></disp-quote>
<p>Essa multiplicidade de designa&#xE7;&#xF5;es mesti&#xE7;as utilizada pelas sociedades escravistas, inclusive nos seus documentos oficiais, demonstra a sua complexidade. Ao mesmo tempo aponta que categorias como as de &#x201C;cor/qualidade&#x201D; n&#xE3;o eram estanques no tempo, ou seja, seus &#x201C;significados&#x201D; foram variando/circulando ao longo dos s&#xE9;culos, sendo utilizados tanto pelos grupos de elite quanto por aqueles sobre os quais recaiam mais fortemente as mesti&#xE7;agens. A categoria &#x201C;cor&#x201D;, &#xE0;s vezes, podia ser relativa e muito imprecisa e a sua defini&#xE7;&#xE3;o podia variar no tempo e no espa&#xE7;o. Ela era utilizada para demarcar/identificar/distinguir/classificar lugares sociais e, portanto, insidia sobre o cotidiano das pessoas. A grande categoria &#x201C;qualidade&#x201D; compartilhava esses aspectos, mas se lastreava na origem dos indiv&#xED;duos, na ascend&#xEA;ncia familiar, por vezes, na cor de pele e at&#xE9; mesmo em cren&#xE7;as religiosas. &#x201C;Ambas se confundiam e se complementavam e nomeavam os &#x2018;tipos&#x2019; humanos produzidos no mundo ibero-americano&#x201D; (PAIVA, 2015).</p>
<p>Da popula&#xE7;&#xE3;o escrava definida como africana, notamos a supremacia de duas grandes regi&#xF5;es que se sobressa&#xED;ram nas posses estudadas. &#xC1;frica ocidental (atualmente de Camar&#xF5;es e da Nig&#xE9;ria ao oeste e ao norte at&#xE9; Senegal) possu&#xED;a 6,39% e &#xC1;frica centro-ocidental (hoje, de Angola, no sul, at&#xE9; Gab&#xE3;o, ao norte, e incluindo o vasto Congo) 56,84.<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref></p>
<p>Embora ocorra precis&#xE3;o na indica&#xE7;&#xE3;o dos cativos nascidos no Brasil e na &#xC1;frica, a an&#xE1;lise dos Autos de Sequestro merece cautela. Quanto ao requisito da proced&#xEA;ncia na &#xC1;frica, &#xE9; dif&#xED;cil saber ao certo se a terminologia utilizada na identifica&#xE7;&#xE3;o se referia t&#xE3;o somente aos portos de embarque, &#xE0;s regi&#xF5;es geogr&#xE1;ficas ou aos grupos &#xE9;tnicos, religiosos, lingu&#xED;sticos ou territoriais de exist&#xEA;ncia ef&#xEA;mera que, hoje, n&#xE3;o podemos identificar. Os not&#xE1;rios da devassa, para designar a origem dos africanos, utilizaram termos que se referem ao local de embarque do tr&#xE1;fico, como Mina, que faz refer&#xEA;ncia ao castelo de S&#xE3;o Jorge da Mina, de onde sa&#xED;ram os escravos da regi&#xE3;o do Golfo do Benim (em Minas Gerais, no final do s&#xE9;culo XVIII, esse voc&#xE1;bulo, de maneira gen&#xE9;rica, designava pessoas oriundas de todas as partes da &#xC1;frica ocidental), bem como &#xE0;s tradu&#xE7;&#xF5;es fon&#xE9;ticas de termos africanos, tais como Cobu, &#x201C;adapta&#xE7;&#xE3;o portuguesa para <italic>kov&#x454;n&#xFA;</italic>, que se refere ao natural de Cov&#xE9;, regi&#xE3;o de antiga fala mahi&#x201D;; ou at&#xE9; sua localidade espec&#xED;fica e grupo lingu&#xED;stico, como o caso de Cabo Verde.<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref></p>
<p>Mesmo com tais dificuldades e conhecendo-se os limites que essas representa&#xE7;&#xF5;es europeias impuseram aos grupos africanos, uniformizando-os como na&#xE7;&#xF5;es geogr&#xE1;ficas imagin&#xE1;rias, opta-se, aqui, por quantificar e tecer considera&#xE7;&#xF5;es sobre esses cativos segundo a determina&#xE7;&#xE3;o da &#x201C;origem&#x201D;/&#x201C;grupo de proced&#xEA;ncia&#x201D; indicada no documento.</p>
<p>Em vista disto, a popula&#xE7;&#xE3;o escrava foi dividida em dois grandes grupos: os cativos nascidos no Brasil e os africanos. Do primeiro grupo fazem parte os Crioulos, Mulatos, Cabras e Pardos. O segundo se define por crit&#xE9;rios de proced&#xEA;ncia como Angola, Mina, Benguela, Cabo Verde, Congo, entre outros.</p>
<p>Dentre os africanos, dividindo-se por regi&#xF5;es, temos cativos provenientes da &#xC1;frica ocidental e da &#xC1;frica centro-ocidental. Do primeiro grupo havia escravos Cabo Verde (0.71%); Cobu (1,43%); Mina (6,81%) e Sabaru (1,07%).<xref ref-type="fn" rid="fn8"><sup>8</sup></xref> J&#xE1; entre os centro-africanos, estavam os Angola, 33,69%; Benguela, 32,97%%; Congo 6,45%; Cabinda, 3,94%; Cassange, Ganguela e Xamb&#xE1;, 0,71% cada;<xref ref-type="fn" rid="fn9"><sup>9</sup></xref> Mefumbe, 1,43%; Monjolo e Quissam&#xE3;, 1,07 cada um; Mosonso, 0,35% e Rebolo, 06,09%. Dois africanos, 0,71%, n&#xE3;o tiveram suas proced&#xEA;ncias descritas. Estes dois grupos respondiam a 62,66% (279) dos 442 manc&#xED;pios apreendidos aos inconfidentes.</p>
<p>Os escravos de proced&#xEA;ncia Angola foram os &#xFA;nicos presentes em todos os sequestros.<xref ref-type="fn" rid="fn10"><sup>10</sup></xref> A &#x201C;na&#xE7;&#xE3;o&#x201D; Angola tem sua origem no porto e feitoria de S&#xE3;o Paulo da Assun&#xE7;&#xE3;o de Luanda, capital do reino de Angola, onde eram embarcados escravos procedentes das diferentes etnias e estados cont&#xED;guos.</p>
<p>Os Benguelas foram encontrados nas escravarias do padre Toledo, de Francisco Ant&#xF4;nio, Aires Gomes, Alvarenga Peixoto e Resende Costa. Os manc&#xED;pios do coronel Resende Costa eram origin&#xE1;rios, em sua maioria, da &#xC1;frica. As propriedades de Lu&#xED;s Vaz se abasteciam, predominantemente, de escravos provenientes do tr&#xE1;fico negreiro.<xref ref-type="fn" rid="fn11"><sup>11</sup></xref></p>
<p>Na posse de Francisco Ant&#xF4;nio havia uma rela&#xE7;&#xE3;o mais equilibrada entre homens e mulheres. Em suas propriedades, os cativos nascidos na Am&#xE9;rica portuguesa superavam os origin&#xE1;rios da &#xC1;frica por cinco pessoas: 34 negros africanos (45,95%) e 39 coloniais (52,70%), sendo o restante, 1,35%, referente a um cativo sem qualquer informa&#xE7;&#xE3;o de seu local de origem. Do grupo de seus escravos, 23 negros ficaram-lhe por heran&#xE7;a e do total observa-se a exist&#xEA;ncia de sete casais, sendo que apenas duas destas fam&#xED;lias tinham filhos (28,57%) e o restante, em n&#xFA;mero de cinco fam&#xED;lias, n&#xE3;o geraram crian&#xE7;as no cativeiro (71,43%). J&#xE1; o grupo com maior propor&#xE7;&#xE3;o de escravos coloniais em rela&#xE7;&#xE3;o ao africano foi o do padre Toledo: 54,84% contra 45,16% de estrangeiros (<xref ref-type="bibr" rid="B18">RODRIGUES, 2010</xref>, p. 171).</p>
<p>A menor propor&#xE7;&#xE3;o entre &#x201C;brasileiros&#x201D; e africanos verificou-se no sequestro de Alvarenga Peixoto: 26,87% dos cativos eram oriundos do Brasil, enquanto 70,90% vieram da &#xC1;frica e 2,23% eram de proced&#xEA;ncia desconhecida (<xref ref-type="bibr" rid="B18">RODRIGUES, 2010</xref>, p. 171).</p>
<p>Entre os escravos nascidos no Brasil, os Crioulos formavam o grupo com o maior percentual (69,18%) dos manc&#xED;pios naturais da col&#xF4;nia ou 24,88% de todos os cativos sequestrados. Os 110 Crioulos listados pela devassa, identificados na <xref ref-type="table" rid="t2">Tabela 2</xref>, dividiam-se em 48 mulheres e 62 homens. Destes n&#xFA;meros, 19 mulheres e quatro homens eram casados, sendo estes mesmos quatro homens consorciados com mulheres de seu mesmo grupo de proced&#xEA;ncia (Crioulas) &#x2013; tr&#xEA;s casais na posse de Francisco Ant&#xF4;nio e um na de Alvarenga Peixoto. N&#xE3;o &#xE9; poss&#xED;vel saber, com base nas fontes utilizadas, se estes casais deixaram descend&#xEA;ncia. Com rela&#xE7;&#xE3;o aos Mulatos, 22 eram homens e dez eram mulheres. Ainda sobre os manc&#xED;pios naturais da col&#xF4;nia, no grupo dos Cabras existem sete homens e quatro mulheres e, no dos Pardos, quatro pessoas eram do sexo masculino e duas do feminino (<xref ref-type="bibr" rid="B18">RODRIGUES, 2010</xref>, p. 171).</p>
<p>A devassa apreendeu ao padre Manuel Rodrigues da Costa dois escravos: ambos de proced&#xEA;ncia Angola. Estes negros acompanhavam o dito eclesi&#xE1;stico em suas visitas pastorais nas freguesias de Sim&#xE3;o Pereira e Engenho do Mato, para ministrar o sacramento da Crisma (<xref ref-type="bibr" rid="B18">RODRIGUES, 2010</xref>, p. 171).</p>
<p>A prefer&#xEA;ncia dos senhores Aires Gomes, Alvarenga Peixoto, Resende Costa e Lu&#xED;s Vaz, como a de v&#xE1;rios propriet&#xE1;rios do per&#xED;odo, era por manc&#xED;pios africanos do sexo masculino e jovens capazes de desenvolver atividades miner&#xE1;rias e agr&#xED;colas voltadas ao abastecimento dos mercados interno e/ou externo da capitania de Minas Gerais (<xref ref-type="bibr" rid="B18">RODRIGUES, 2010</xref>, p. 172).</p>
<p>Dados extra&#xED;dos dos Autos de Sequestro dos sete sediciosos at&#xE9; aqui informados comprovam que manc&#xED;pios do sexo feminino eram expressivos entre os escravos nascidos no Brasil. Isto pode ser explicado por duas raz&#xF5;es: a prefer&#xEA;ncia/oferta de cativos do sexo masculino, principalmente os africanos, e pela impossibilidade de o senhor influir na determina&#xE7;&#xE3;o do sexo dos negros nascidos no cativeiro. Das 48 Crioulas listadas pela devassa, 14 inseriam-se na faixa que ia de rec&#xE9;m-nascidos aos 10 anos de idade. Nesta faixa, o n&#xFA;mero de mulheres foi superior ao n&#xFA;mero de homens, pois nasceram mais cativos do sexo feminino do que do sexo masculino naquele circunscrito espa&#xE7;o de tempo (<xref ref-type="bibr" rid="B18">RODRIGUES, 2010</xref>, p. 175).</p>
</sec>
<sec>
<title>Os pre&#xE7;os dos escravos dos inconfidentes<xref ref-type="fn" rid="fn12"><sup>12</sup></xref></title>
<p>O estado de sa&#xFA;de dos cativos n&#xE3;o pesou tanto na avalia&#xE7;&#xE3;o de seus pre&#xE7;os. Os cativos doentes ou estropiados representavam pouco nas escravarias sequestradas. A exce&#xE7;&#xE3;o foi a do Auto de Sequestro de Jos&#xE9; de Resende Costa &#x2013; dos seus 31 escravos sequestrados, sete tinham problemas de sa&#xFA;de. Estes manc&#xED;pios, ao serem avaliados, diminu&#xED;ram o valor m&#xE9;dio do grupo (<xref ref-type="table" rid="t3">Tabela 3</xref>).</p>
<table-wrap id="t3">
<label>Tabela 3</label>
<caption>
<title>Valores m&#xE9;dios dos escravos sequestrados ao inconfidente Jos&#xE9; de Resende Costa (em r&#xE9;is), 1791</title></caption>
<graphic xlink:href="tb3.png"/>
<table frame="hsides" rules="groups">
<colgroup width="14%">
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/></colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000; background-color: #CCE3F1">
<tr>
<th align="center" rowspan="2" valign="middle">Idades</th>
<th align="center" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Brasil</th>
<th align="center" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">&#xC1;frica ocidental</th>
<th align="center" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">&#xC1;frica centro-ocidental</th></tr>
<tr>
<th align="center">Homens</th>
<th align="center">Mulheres</th>
<th align="center">Homens</th>
<th align="center">Mulheres</th>
<th align="center">Homens</th>
<th align="center">Mulheres</th></tr></thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">R.N.-10</td>
<td align="center">66$666 (3)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center">11-20</td>
<td align="center">100$000 (1)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">21-30</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">110$000 (1)</td>
<td align="center">50$000 (1)</td></tr>
<tr>
<td align="center">31-40</td>
<td align="center">40$000 (1)</td>
<td align="center">100$000 (1)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">96$000 (5)</td>
<td align="center">52$500 (2)</td></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">41-50</td>
<td align="center">50$000 (1)</td>
<td align="center">50$000 (1)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">35$000 (3)</td>
<td align="center">30$000 (1)</td></tr>
<tr>
<td align="center">51-60</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">63$333 (3)</td>
<td align="center">30$000 (1)</td></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">61-70</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center">71-&#x2026;</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">5$000 (1)</td>
<td align="center"/></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">Ignorada</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center" rowspan="2">Valores</td>
<td align="center">390$000</td>
<td align="center">150$000</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">890$000</td>
<td align="center">215$000</td></tr>
<tr>
<td align="center" style="border-left: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-right: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/></tr>
<tr>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center" style="border-left: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="right" colspan="3">Total</td>
<td align="center" colspan="2"><bold>1:645$000 (26)</bold></td>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr></tbody></table>
<table-wrap-foot>
<fn id="TFN2">
<p>Notas: 1 - R.N. rec&#xE9;m-nascido; 2 - entre par&#xEA;nteses consta o n&#xFA;mero total de escravos avaliados pela devassa; 3 - n&#xE3;o se considerou na m&#xE9;dia os escravos sem valor anunciado; 4 - escravos indicados como &#x201C;sem valor&#x201D; n&#xE3;o foram quantificados.</p></fn>
<attrib>Fonte: ADIM, v. 6 / IHGB. Sequestros diversos.</attrib></table-wrap-foot></table-wrap>
<p>Dos 40 escravos originalmente pertencentes a escravaria de Resende Costa, foram sequestrados pela devassa da Inconfid&#xEA;ncia Mineira apenas 31 deles (<xref ref-type="table" rid="t1">Tabelas 1</xref> e <xref ref-type="table" rid="t2">2</xref>). Destes, em 1796, atribu&#xED;ram-se pre&#xE7;os a 26 deles, com valores m&#xE9;dios de 63$269 r&#xE9;is. Do restante, um escravo recebeu o indicativo de &#x201C;sem valor&#x201D; (o Angola, Jos&#xE9; Catimba, de 30 anos), tr&#xEA;s morreram (um Congo, um Benguela e um Monjolo) e o cativo Marcelino, de 60 anos, Angola, n&#xE3;o foi avaliado, pois, no momento de sua avalia&#xE7;&#xE3;o, a sua posse estava em discuss&#xE3;o jur&#xED;dica sobre sua reintegra&#xE7;&#xE3;o ou n&#xE3;o &#xE0; escravaria da fam&#xED;lia.</p>
<p>Junto aos 26 escravos avaliados e sequestrados pela devassa admitiram-se sete doentes (26,92%), sendo cinco homens e duas mulheres. Das pessoas do sexo feminino, Isabel Benguela, casada e com 40 anos de idade, apareceu citada no documento como &#x201C;doente&#x201D; e &#x201C;com papo&#x201D;, sendo avaliada em 35$000 r&#xE9;is. A t&#xED;tulo de compara&#xE7;&#xE3;o, nessa mesma posse, Teresa, tamb&#xE9;m Benguela, casada e com os seus 40 anos, foi avaliada em 70$000 r&#xE9;is &#x2013; o dobro. A Benguela Joana, casada e de 50 anos, por ser classificada como &#x201C;doente da barriga&#x201D;, recebeu o valor de 30$000 r&#xE9;is. Dos homens, tr&#xEA;s deles tinham problemas na perna &#x2013; Ant&#xF4;nio, 80 anos e de proced&#xEA;ncia Mosonso, valia 5$000 r&#xE9;is, certamente sua idade contribuiu para o seu pre&#xE7;o; &#xC2;ngelo, Crioulo e de 35 anos, valia 40$000 r&#xE9;is; e o Mulato Hil&#xE1;rio, de 19 anos, que apesar de ter &#x201C;pernas inchadas&#x201D;, como o anterior, foi avaliado em 100$000 r&#xE9;is.</p>
<p>Apesar de imprecisos na descri&#xE7;&#xE3;o das enfermidades que acometiam os cativos, os avaliadores da devassa registraram, de um ponto de vista do mercado, o necess&#xE1;rio para se saber se o avaliado estava apto ao trabalho. O Mulato Hil&#xE1;rio, mesmo com defici&#xEA;ncia nas pernas, incluiu-se no rol dos seis cativos de Jos&#xE9; de Resende Costa com avalia&#xE7;&#xE3;o igual ou superior a cem mil r&#xE9;is, pois, mesmo com problemas f&#xED;sicos, estava habilitado ao trabalho manual. Os seus 19 anos n&#xE3;o devem ter sido desconsiderados na avalia&#xE7;&#xE3;o. Al&#xE9;m dele, a Crioula Francisca e o Benguela Domingos Fula, ambos com 36 anos de idade, foram quantificados em 100$000 r&#xE9;is cada um. As tr&#xEA;s maiores avalia&#xE7;&#xF5;es couberam aos cativos de origem Benguela &#x2013; Manuel, de 36 anos, e Domingos, de 30 anos e sapateiro, a 110$000 r&#xE9;is cada; e Cosme, de 36 anos, avaliado em 120$000 r&#xE9;is, sem qualquer indica&#xE7;&#xE3;o de ocupa&#xE7;&#xE3;o qualificada.<xref ref-type="fn" rid="fn13"><sup>13</sup></xref></p>
<p>Os pre&#xE7;os mais altos foram atribu&#xED;dos aos manc&#xED;pios de boa sa&#xFA;de, independente de sua idade, capazes de exercer of&#xED;cios ou desenvolver m&#xFA;ltiplas atividades coloniais. Na escravaria de Jos&#xE9; de Resende Costa, por exemplo, o Mina Jos&#xE9;, de 60 anos, foi avaliado em 90$000 r&#xE9;is e a Crioula Maria, de 50 anos, o Benguela Caetano, de 36 anos, e o infante Crioulo Mateus, de apenas 8 anos, receberam cada um o pre&#xE7;o de 80$000 r&#xE9;is, confirmando-se que a idade n&#xE3;o foi uma vari&#xE1;vel t&#xE3;o importante no processo de avalia&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>J&#xE1; na posse de In&#xE1;cio Jos&#xE9; de Alvarenga Peixoto a vari&#xE1;vel idade mostrou-se importante (<xref ref-type="table" rid="t4">Tabela 4</xref>).</p>
<table-wrap id="t4">
<label>Tabela 4</label>
<caption>
<title>Valores m&#xE9;dios dos escravos sequestrados ao inconfidente In&#xE1;cio Jos&#xE9; de Alvarenga Peixoto (em r&#xE9;is), 1789</title></caption>
<graphic xlink:href="tb4.png"/>
<table frame="hsides" rules="groups">
<colgroup width="14%">
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/></colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000; background-color: #CCE3F1">
<tr>
<th align="center" rowspan="2" valign="middle">Idades</th>
<th align="center" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Brasil</th>
<th align="center" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">&#xC1;frica ocidental</th>
<th align="center" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">&#xC1;frica centro-ocidental</th></tr>
<tr>
<th align="center">Homens</th>
<th align="center">Mulheres</th>
<th align="center">Homens</th>
<th align="center">Mulheres</th>
<th align="center">Homens</th>
<th align="center">Mulheres</th></tr></thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">R.N.-10</td>
<td align="center">44$000 (4)</td>
<td align="center">37$600 (5)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center">11-20</td>
<td align="center">90$000 (2)</td>
<td align="center">76$666 (3)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">101$250 (4)</td>
<td align="center"/></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">21-30</td>
<td align="center">156$666 (3)</td>
<td align="center">100$000 (4)</td>
<td align="center">122$500 (2)</td>
<td align="center"/>
<td align="center">120$125 (40)</td>
<td align="center">80$000 (1)</td></tr>
<tr>
<td align="center">31-40</td>
<td align="center">130$000 (3)</td>
<td align="center">41$250 (4)</td>
<td align="center">63$333 (3)</td>
<td align="center"/>
<td align="center">105$000 (18)</td>
<td align="center">105$000 (2)</td></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">41-50</td>
<td align="center">190$000 (2)</td>
<td align="center">40$000 (1)</td>
<td align="center">56$250 (4)</td>
<td align="center"/>
<td align="center">50$857 (7)</td>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center">51-60</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">45$000 (2)</td>
<td align="center"/>
<td align="center">42$500(4)</td>
<td align="center"/></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">61-70</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">17$333 (3)</td>
<td align="center"/>
<td align="center">20$000 (1)</td>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center">71-&#x2026;</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">Ignorada</td>
<td align="center">49$250 (4)</td>
<td align="center"/>
<td align="center">150$000 (1)</td>
<td align="center"/>
<td align="center">180$000 (1)</td>
<td align="center">100$000 (1)</td></tr>
<tr>
<td align="center" rowspan="4">Valores</td>
<td align="center" style="border-left: thin solid; border-color: #000000">1:793$000</td>
<td align="center">1:023$000</td>
<td align="center">952$000</td>
<td align="center"/>
<td align="center">7:826$000</td>
<td align="center" style="border-right: thin solid; border-color: #000000">390$000</td></tr>
<tr>
<td align="center" style="border-left: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-right: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/></tr>
<tr>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center" style="border-left: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center" colspan="2">11:984$000 (129)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center" colspan="2">+</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="right" colspan="3">Escravos avaliados <xref ref-type="table-fn" rid="TFN4">*</xref></td>
<td align="center" colspan="2">400$000 (4)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center" colspan="3"/>
<td align="center" colspan="2">- - -</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="right" colspan="3">Total</td>
<td align="center" colspan="2"><bold>12:384$000 (133)</bold></td>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr></tbody></table>
<table-wrap-foot>
<fn id="TFN3">
<p>Notas: 1 - R.N. (rec&#xE9;m-nascido); 2 - entre par&#xEA;nteses consta o n&#xFA;mero total de escravos avaliados pela devassa; 3 - n&#xE3;o se considerou na m&#xE9;dia os escravos sem valor anunciado.</p></fn>
<fn id="TFN4">
<label>*</label>
<p>Neste item indicam-se os valores dos escravos avaliados que n&#xE3;o apresentaram informa&#xE7;&#xF5;es de sua faixa et&#xE1;ria e/ou proced&#xEA;ncia.</p></fn>
<attrib>Fonte: ADIM, v. 6 / IHGB. Sequestros diversos.</attrib></table-wrap-foot></table-wrap>
<p>O ex-ouvidor da comarca do Rio das Mortes teve avaliado 99,25% de seus escravos, por 12:384$000 r&#xE9;is. Os valores de seus cativos, em idade produtiva (dos 11 aos 50 anos), foram significativamente os mais elevados, em compara&#xE7;&#xE3;o aos pre&#xE7;os atribu&#xED;dos aos demais inconfidentes escravistas, excetuando-se o padre Rodrigues da Costa, que n&#xE3;o teve seu patrim&#xF4;nio avaliado pela devassa.</p>
<p>Dos seus 134 manc&#xED;pios sequestrados pela devassa, um n&#xE3;o recebeu avalia&#xE7;&#xE3;o (0,74%); 69 ou 51,50% receberam pre&#xE7;os iguais ou superiores a 100$000 r&#xE9;is; 39 ou 29,10% receberam valores entre cinquenta e noventa e nove mil r&#xE9;is; e 25 ou 18,66% ficaram abaixo do pre&#xE7;o de quarenta e nove mil r&#xE9;is.</p>
<p>Dos cativos avaliados igual e/ou superior a 100$000 r&#xE9;is, 16 tinham ocupa&#xE7;&#xF5;es regularmente determinadas na escravaria: um alfaiate, dois carpinteiros, tr&#xEA;s carreiros, um cavador, dois cozinheiros, um ferrador, dois ferreiros, um leiteiro, um pedreiro e um sapateiro. Abaixo desse valor, encontramos, ainda, um barbeiro, dois carpinteiros e um carreiro. Estes 20 homens representaram 14,92% de todos os escravos apreendidos ao inconfidente. &#xC9; interessante salientar que o pre&#xE7;o mais elevado coube ao pardo sapateiro de nome Carlos, de 35 anos de idade, em 210$000 r&#xE9;is. Os ferreiros Pedro, Cassange, de 30 anos, e Cipriano Cabra, de 25 anos, valiam, respectivamente, 200$000 e 180$000 r&#xE9;is cada um. O Crioulo Jos&#xE9;, aprendiz de ferreiro, de 16 anos de idade, foi avaliado em 120$000 r&#xE9;is.</p>
<p>Na &#xF3;rbita da vila de Sabar&#xE1;, de acordo com apontamentos de Jos&#xE9; Newton Coelho de Meneses, o homem de of&#xED;cio Arc&#xE2;ngelo Ribeiro de Queiroz oferecia servi&#xE7;os e produtos de ferreiro. Sua esposa morava com os seus dois filhos leg&#xED;timos menores e as suas duas escravas no s&#xED;tio dos Papudos, na freguesia do Rio das Pedras. Na vila, Arc&#xE2;ngelo tinha amante, uma preta forra, de nome Maria Ribeiro, sua ex-escrava, que lhe deu e cuidava de seis filhos mulatos, sendo tr&#xEA;s homens e tr&#xEA;s mulheres. Dos seus seis escravos, soube-se o nome de apenas um: era Jo&#xE3;o, negro Angola de 29 anos, avaliado em 200$000 r&#xE9;is e que tinha princ&#xED;pios de ferreiro e era, provavelmente, seu auxiliar de utilidade vital em sua ocupa&#xE7;&#xE3;o (<xref ref-type="bibr" rid="B16">MENESES, 2007</xref>, v. 1, p. 377-378).</p>
<p>As pr&#xE1;ticas de ferraria e carpintaria s&#xE3;o fundamentais para a confec&#xE7;&#xE3;o de ferraduras dobradi&#xE7;as, pregos, cravos, foices, enxadas, cavadeiras, alavancas e almocafres, por exemplo, que eram instrumentos do universo produtivo de Alvarenga Peixoto. A produ&#xE7;&#xE3;o artesanal barateava os custos da produ&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>Em seu amplo levantamento de pre&#xE7;os de escravos saud&#xE1;veis, em Minas Gerais, nos s&#xE9;culos XVIII e XIX, Laird Bergad informou que o valor m&#xE9;dio de um cativo crioulo do sexo masculino, de 15 a 40 anos de idade, em 1789, era de 105$000 r&#xE9;is. Nesta mesma faixa et&#xE1;ria e sendo do sexo feminino valia 88$000 r&#xE9;is. Um escravo de origem africana, do sexo masculino, com essas mesmas caracter&#xED;sticas et&#xE1;rias, era or&#xE7;ado em 110$000 r&#xE9;is e do sexo feminino em 85$000 r&#xE9;is. No conjunto da capitania, naquele ano, um escravo valia, em m&#xE9;dia, 82$000 se fosse homem e 67$000 se fosse mulher (<xref ref-type="bibr" rid="B4">BERGAD, 2004</xref>, p. 357). Comparando-se essa m&#xE9;dia aritm&#xE9;tica com a da posse de Alvarenga &#x2013; 93$112 r&#xE9;is &#x2013; evidencia-se que seu grupo de manc&#xED;pios, mesmo com escravos adoentados e alguns &#x201C;sem valor&#x201D; descrito, foi avaliado acima dos pre&#xE7;os praticados na capitania, gra&#xE7;as aos escravos com ocupa&#xE7;&#xE3;o especializada contida em seu grupo escravista. J&#xE1; os escravos de Jos&#xE9; de Resende Costa, tiveram valores m&#xE9;dios bem inferiores aos dos encontrados por Laird Bergad.</p>
<p>Marcio de Sousa Soares, em estudo sobre as alforrias em Campos dos Goitacases, Rio de Janeiro, empreendeu uma &#x201C;imagem aproximada&#x201D; dos pre&#xE7;os dos cativos em dois per&#xED;odos &#x2013; 1750-1800 e 1801-1830. O pesquisador percebeu pela an&#xE1;lise de invent&#xE1;rios <italic>post mortem,</italic> algumas tend&#xEA;ncias nos valores dos cativos e cativas avaliados. Vari&#xE1;veis como o sexo e a proced&#xEA;ncia foram importantes para as avalia&#xE7;&#xF5;es dos cativos que buscavam sua alforria. No recorte abordado, Campos se constitu&#xED;a como uma &#xE1;rea rural e com poucos escravos especializados, apesar da regi&#xE3;o voltar-se para a produ&#xE7;&#xE3;o a&#xE7;ucareira e os engenhos ali instalados contarem com um contingente relativamente substancial de escravos qualificados, j&#xE1; que o refinamento da cana exigia m&#xE3;o de obra especializada. Para a an&#xE1;lise dos pre&#xE7;os m&#xE9;dios de mercado dos escravos, tomou como refer&#xEA;ncia os cativos adultos, sem qualifica&#xE7;&#xE3;o e sem doen&#xE7;as que &#x201C;representavam a maior parte dos cativos que viviam nos Campos de Goitacases&#x201D;. No per&#xED;odo entre 1750-1800, os valores m&#xE9;dios dos escravos nascidos na &#xC1;frica eram 96$700 r&#xE9;is (calculados sob a quantia de 541 escravos) e das escravas 82$909 (295 pessoas), uma diferen&#xE7;a de 14,2%. J&#xE1; entre os nascidos no Brasil, o valor para os homens era de 96$720 (correspondentes a 165 indiv&#xED;duos) e o das mulheres 90$960 (193 escravas), uma diferen&#xE7;a de 5,9%.<xref ref-type="fn" rid="fn14"><sup>14</sup></xref> Podemos notar que, no per&#xED;odo que aqui nos interessa, os valores de cativos africanos e &#x201C;brasileiros&#x201D; eram praticamente os mesmos, j&#xE1; entre as mulheres notamos que os pre&#xE7;os m&#xE9;dios das origin&#xE1;rias do Brasil eram superiores aos das nascidas na &#xC1;frica (<xref ref-type="bibr" rid="B19">SOARES, 2009</xref>, p. 117).</p>
<p>Similaridade tamb&#xE9;m ocorrida na escravaria de Jos&#xE9; Aires Gomes (<xref ref-type="table" rid="t5">Tabela 5</xref>), que, para o ano de 1791, apresentou m&#xE9;dia de 84$767 r&#xE9;is, superior aos praticados na capitania (<xref ref-type="bibr" rid="B4">BERGAD, 2004</xref>, p. 357). Essa diferen&#xE7;a na avalia&#xE7;&#xE3;o m&#xE9;dia deveu-se, tamb&#xE9;m, &#xE0; somat&#xF3;ria de escravos de valor significativo no grupo. Aires Gomes teve, por exemplo, dois escravos ferreiros &#x2013; o Rebolo Jo&#xE3;o Batista, de 30 anos, e o Mulato Baltasar, de 20 anos &#x2013; avaliados em 200$000 e 165$000 r&#xE9;is, respectivamente. Ali&#xE1;s, valores que n&#xE3;o fugiram &#xE0; regra de mercado. O &#x201C;vigiador de &#xE9;guas&#x201D; Jo&#xE3;o Grande, Crioulo de 50 anos, recebeu o pre&#xE7;o de 70$000 r&#xE9;is e os escravos doentes, em m&#xE9;dia, custavam 22$500 r&#xE9;is.</p>
<table-wrap id="t5">
<label>Tabela 5</label>
<caption>
<title>Valores m&#xE9;dios dos escravos sequestrados ao inconfidente Jos&#xE9; Aires Gomes (em r&#xE9;is), 1791</title></caption>
<graphic xlink:href="tb5.png"/>
<table frame="hsides" rules="groups">
<colgroup width="14%">
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/></colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000; background-color: #CCE3F1">
<tr>
<th align="center" rowspan="2" valign="middle">Idades</th>
<th align="center" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Brasil</th>
<th align="center" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">&#xC1;frica ocidental</th>
<th align="center" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">&#xC1;frica centro-ocidental</th></tr>
<tr>
<th align="center">Homens</th>
<th align="center">Mulheres</th>
<th align="center">Homens</th>
<th align="center">Mulheres</th>
<th align="center">Homens</th>
<th align="center">Mulheres</th></tr></thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">R.N.-10</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center">11-20</td>
<td align="center">150$000 (3)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">86$666 (3)</td>
<td align="center"/></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">21-30</td>
<td align="center">105$000 (1)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">135$625 (8)</td>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center">31-40</td>
<td align="center"/>
<td align="center">60$000 (2)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">80$909 (11)</td>
<td align="center">55$000 (1)</td></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">41-50</td>
<td align="center">70$000 (1)</td>
<td align="center">33$750 (4)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">63$750 (4)</td>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center">51-60</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">51$250 (4)</td>
<td align="center"/></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">61-70</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">15$000 (1)</td>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center">71-&#x2026;</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">Ignorada</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center" rowspan="2">Valores</td>
<td align="center">625$000</td>
<td align="center">255$000</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">2:710$000</td>
<td align="center">55$000</td></tr>
<tr>
<td align="center" style="border-left: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-right: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/></tr>
<tr>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center" style="border-left: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="right" colspan="3">Total</td>
<td align="center" colspan="2"><bold>3:645$000 (43)</bold></td>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr></tbody></table>
<table-wrap-foot>
<fn id="TFN5">
<p>Notas: 1 - R.N. (rec&#xE9;m-nascido); 2 - entre par&#xEA;nteses consta o n&#xFA;mero total de escravos avaliados pela devassa; 3 - n&#xE3;o se considerou na m&#xE9;dia os escravos sem valor anunciado; 4 - escravos indicados como &#x201C;sem valor&#x201D; n&#xE3;o foram quantificados.</p></fn>
<attrib>Fonte: ADIM, v. 6 / IHGB. Sequestros diversos.</attrib></table-wrap-foot></table-wrap>
<p>Na escravaria de Aires Gomes avaliaram-se apenas 43 escravos, ou 32,57% do total de 133 cativos. Dos escravos n&#xE3;o avaliados, sabemos que existiam 14 profissionais com of&#xED;cios determinados: carpinteiros (4), carreiros (7), ferreiro (1), pedreiro (1) e tropeiro (1). Deve-se lembrar de que os cativos desse inconfidente se inseriram no horizonte agr&#xE1;rio mineiro com a produ&#xE7;&#xE3;o de gr&#xE3;os para abastecimento local e regional. Os condutores de carros de boi e o tropeiro testemunhavam as pr&#xE1;ticas agr&#xED;colas desenvolvidas nas suas propriedades e a comercializa&#xE7;&#xE3;o dos produtos que delas saiam.</p>
<p>Gra&#xE7;as ao Libelo C&#xED;vel movido por Ant&#xF4;nio Francisco Fernandes contra os bens sequestrados a Jos&#xE9; Aires Gomes, em 6 de agosto de 1794, foi-nos poss&#xED;vel saber que em 1791 o conjurado comprou &#x201C;tr&#xEA;s negros novos [Benguelas] pelo pre&#xE7;o de quatrocentos e oitenta mil r&#xE9;is, cujos nomes s&#xE3;o Ventura, Manuel e Louren&#xE7;o&#x201D;, de 20, 30 e 20 anos de idade, respectivamente. Por terem sido escondidos dos escriv&#xE3;es da devassa, estes tr&#xEA;s cativos n&#xE3;o foram avaliados (cf. <xref ref-type="bibr" rid="B18">RODRIGUES, 2010</xref>). Entretanto, sabe-se que estes escravos foram comprados em 28 de fevereiro de 1788, sendo pagos parcialmente em 9 de setembro de 1789, por uma barra de ouro quintado (n&#xFA;mero 2.159), no valor de 52$478 r&#xE9;is, e pela entrega de uma besta.<xref ref-type="fn" rid="fn15"><sup>15</sup></xref></p>
<p>Ao quantificar estes manc&#xED;pios pela m&#xE9;dia aritm&#xE9;tica, cada um custou 160$000 r&#xE9;is. Para a capitania de Minas, em 1788, ano da compra, homens africanos de 15 a 40 anos valiam, em m&#xE9;dia, 110$000 r&#xE9;is (<xref ref-type="bibr" rid="B4">BERGAD, 2004</xref>, p. 361). Portanto, no m&#xED;nimo, se deve somar mais 300$000 r&#xE9;is aos valores que at&#xE9; agora se conhecem da escravaria de Jos&#xE9; Aires Gomes.</p>
<p>O grupo escravista dos irm&#xE3;os Toledo, ambos sequestrados em 1789, receberam avalia&#xE7;&#xE3;o abaixo da m&#xE9;dia atribu&#xED;da &#xE0; capitania. Os escravos do padre Carlos Correia de Toledo (<xref ref-type="table" rid="t6">Tabela 6</xref>) tiveram pre&#xE7;o m&#xE9;dio de 65$962 r&#xE9;is quando, no mesmo per&#xED;odo, a m&#xE9;dia da capitania era de 75$000 r&#xE9;is.</p>
<table-wrap id="t6">
<label>Tabela 6</label>
<caption>
<title>Valores m&#xE9;dios dos escravos sequestrados ao inconfidente Carlos Correia de Toledo (em r&#xE9;is), 1789</title></caption>
<graphic xlink:href="tb6.png"/>
<table frame="hsides" rules="groups">
<colgroup width="14%">
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/></colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000; background-color: #CCE3F1">
<tr>
<th align="center" rowspan="2" valign="middle">Idades</th>
<th align="center" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Brasil</th>
<th align="center" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">&#xC1;frica ocidental</th>
<th align="center" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">&#xC1;frica centro-ocidental</th></tr>
<tr>
<th align="center">Homens</th>
<th align="center">Mulheres</th>
<th align="center">Homens</th>
<th align="center">Mulheres</th>
<th align="center">Homens</th>
<th align="center">Mulheres</th></tr></thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">R.N.-10</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center">11-20</td>
<td align="center">76$666 (3)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">21-30</td>
<td align="center">112$857 (7)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center">31-40</td>
<td align="center"/>
<td align="center">60$000 (1)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">40$000 (1)</td>
<td align="center"/></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">41-50</td>
<td align="center"/>
<td align="center">50$000 (1)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">70$000 (1)</td>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center">51-60</td>
<td align="center"/>
<td align="center">4$000 (1)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">61-70</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">35$000 (1)</td>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center">71-&#x2026;</td>
<td align="center">25$000 (1)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">50$000 (1)</td>
<td align="center"/></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">Ignorada</td>
<td align="center">45$000 (1)</td>
<td align="center"/>
<td align="center">57$500 (2)</td>
<td align="center"/>
<td align="center">44$500 (6)</td>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center" rowspan="2">Valores</td>
<td align="center">1:090$000</td>
<td align="center">114$000</td>
<td align="center">115$000</td>
<td align="center"/>
<td align="center">462$000</td>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center" style="border-left: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-right: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/></tr>
<tr>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center" style="border-left: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="right" colspan="3">Total</td>
<td align="center" colspan="2"><bold>1:781$000 (27)</bold></td>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr></tbody></table>
<table-wrap-foot>
<fn id="TFN6">
<p>Notas: 1 - R.N. (rec&#xE9;m-nascido); 2 - entre par&#xEA;nteses consta o n&#xFA;mero total de escravos avaliados pela devassa; 3 - n&#xE3;o se considerou na m&#xE9;dia os escravos sem valor anunciado; 4 - escravos indicados como &#x201C;sem valor&#x201D; n&#xE3;o foram quantificados.</p></fn>
<attrib>Fonte: ADIM, v. 6 / IHGB. Sequestros diversos.</attrib></table-wrap-foot></table-wrap>
<p>Dos 31 manc&#xED;pios pertencentes ao padre Toledo, em 1789, sabe-se que seis exerciam qualifica&#xE7;&#xF5;es espec&#xED;ficas nas &#xE1;reas da m&#xFA;sica (2), alfaiataria (1), prendas dom&#xE9;sticas &#x2013; cozinha (1) e transporte e cuidado de animais (2). Destes, apenas quatro foram avaliados pela devassa &#x2013; o alfaiate Mulato Alexandre, de 18 anos, e o carreiro Crioulo Jos&#xE9; Manuel, de 21 anos, receberam o pre&#xE7;o de 110$000 r&#xE9;is cada um. O m&#xFA;sico de trompa Jos&#xE9;, de origem Mina e sem idade definida, foi avaliado em 90$000 r&#xE9;is. O cozinheiro Leandro, Angola e com 53 anos de idade, valia 50$000 r&#xE9;is. O negro Angola Ant&#xF4;nio, que tocava rabec&#xE3;o na casa que o padre Toledo tinha na vila de S&#xE3;o Jos&#xE9;, n&#xE3;o apareceu quantificado monetariamente pela devassa porque, na &#xE9;poca da avalia&#xE7;&#xE3;o, achava-se preso na cadeia de Vila Rica.</p>
<p>Os demais escravos de sua escravaria receberam avalia&#xE7;&#xF5;es disformes. Dois Crioulos, de 25 e 30 anos, chamados, respectivamente, Louren&#xE7;o e Jos&#xE9; Ant&#xF4;nio, valiam 140$000 r&#xE9;is cada. Com exce&#xE7;&#xE3;o dos escravos citados acima, cujos valores s&#xE3;o superiores e iguais a cem mil r&#xE9;is, temos, ainda, outros tr&#xEA;s cativos Crioulos indicados: Alberto, de 21 anos, no valor de 120$000 r&#xE9;is; Francisco, de 30 anos, a 110$000 r&#xE9;is; e Apolin&#xE1;rio, de 23 anos, a 100$000 r&#xE9;is. Na documenta&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o consta que estes escravos exercessem quaisquer of&#xED;cios mec&#xE2;nicos.</p>
<p>Ainda, com rela&#xE7;&#xE3;o a esta escravaria, sete manc&#xED;pios apareceram indicados como doentes ou velhos (22,58%), que ajudaram a diminuir o valor monet&#xE1;rio m&#xE9;dio do grupo. A Crioula Maria, de 60 anos, por exemplo, valia 4$000 r&#xE9;is, e os escravos de origem africana Tom&#xE1;s Angola, &#x201C;falso de vista&#x201D;, Jo&#xE3;o Mina e Manuel Monjolo, ambos com a indica&#xE7;&#xE3;o de &#x201C;quebrados da perna&#x201D; receberam, respectivamente, os valores de 27$000, 25$000 e 30$000 r&#xE9;is. Eles estavam alocados nas lavras de S&#xE3;o Tiago. O Crioulo Cust&#xF3;dio, um ano ap&#xF3;s o seu sequestro, faleceu no cativeiro, em 2 de junho de 1790.<xref ref-type="fn" rid="fn16"><sup>16</sup></xref></p>
<p>J&#xE1; entre os cativos pertencentes a Lu&#xED;s Vaz de Toledo Piza encontramos os resultados apresentados na <xref ref-type="table" rid="t7">Tabela 7</xref>.</p>
<table-wrap id="t7">
<label>Tabela 7</label>
<caption>
<title>Valores m&#xE9;dios dos escravos sequestrados ao inconfidente Lu&#xED;s Vaz de Toledo Piza (em r&#xE9;is), 1789</title></caption>
<graphic xlink:href="tb7.png"/>
<table frame="hsides" rules="groups">
<colgroup width="14%">
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/></colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000; background-color: #CCE3F1">
<tr>
<th align="center" rowspan="2" valign="middle">Idades</th>
<th align="center" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Brasil</th>
<th align="center" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">&#xC1;frica ocidental</th>
<th align="center" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">&#xC1;frica centro-ocidental</th></tr>
<tr>
<th align="center">Homens</th>
<th align="center">Mulheres</th>
<th align="center">Homens</th>
<th align="center">Mulheres</th>
<th align="center">Homens</th>
<th align="center">Mulheres</th></tr></thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">R.N.-10</td>
<td align="center">40$000 (1)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center">11-20</td>
<td align="center">90$000 (1)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">21-30</td>
<td align="center">70$833 (6)</td>
<td align="center">80$000 (2)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center">31-40</td>
<td align="center">95$000 (1)</td>
<td align="center"/>
<td align="center">76$500 (2)</td>
<td align="center"/>
<td align="center">64$285 (7)</td>
<td align="center"/></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">41-50</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">47$500 (2)</td>
<td align="center"/>
<td align="center">54$000 (5)</td>
<td align="center">25$000 (1)</td></tr>
<tr>
<td align="center">51-60</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">32$000 (5)</td>
<td align="center"/></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">61-70</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">35$000 (2)</td>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center">71-&#x2026;</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">Ignorada</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center" rowspan="2">Valores</td>
<td align="center">650$000</td>
<td align="center">160$000</td>
<td align="center">248$000</td>
<td align="center"/>
<td align="center">950$000</td>
<td align="center">25$000</td></tr>
<tr>
<td align="center" style="border-left: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-right: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/></tr>
<tr>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center" style="border-left: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="right" colspan="3">Total</td>
<td align="center" colspan="2"><bold>2:033$000 (35)</bold></td>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr></tbody></table>
<table-wrap-foot>
<fn id="TFN7">
<p>Notas: 1 - R.N. (rec&#xE9;m-nascido); 2 - entre par&#xEA;nteses consta o n&#xFA;mero total de escravos avaliados pela devassa; 3 - n&#xE3;o se considerou na m&#xE9;dia os escravos sem valor anunciado; 4 - escravos indicados como &#x201C;sem valor&#x201D; n&#xE3;o foram quantificados.</p></fn>
<attrib>Fonte: ADIM, v. 6 / IHGB. Sequestros diversos.</attrib></table-wrap-foot></table-wrap>
<p>Dos seus 37 escravos, dois deles n&#xE3;o receberam avalia&#xE7;&#xE3;o alguma: a Crioula Geralda, de 42 anos, &#x201C;leprosa&#x201D;, e o Angola Joaquim, de 56 anos, &#x201C;achacado e impossibilitado de trabalhar&#x201D;. Do restante (94,59%), os cativos de origem nacional receberam as mais destacadas avalia&#xE7;&#xF5;es, como, por exemplo, os quatro casos de manc&#xED;pios de uma mesma faixa et&#xE1;ria (26 anos) e origem Crioula: In&#xE1;cio (95$000 r&#xE9;is &#x2013; maior avalia&#xE7;&#xE3;o), Vitorino (85$000 r&#xE9;is), Ac&#xE1;cio (75$000 r&#xE9;is) e Joaquim (35$000 r&#xE9;is). Isto confirma o que se disse: a idade pouco ajudou no pre&#xE7;o do escravo. O Crioulo Mateus, nos seus 36 anos, valia 95$000 r&#xE9;is e os africanos, Joaquim Mina, de 32 anos, e Pedro Angola, de 31 anos, valiam, respectivamente, 93$000 e 90$000 r&#xE9;is. O escravo Joaquim Mina recebeu a segunda maior avalia&#xE7;&#xE3;o da escravaria. Das observa&#xE7;&#xF5;es que ficaram desse grupo escravista nenhuma informa&#xE7;&#xE3;o foi-nos transmitida acerca de qualifica&#xE7;&#xF5;es profissionais desses cativos.</p>
<p>O patrim&#xF4;nio escravista de Francisco Ant&#xF4;nio de Oliveira Lopes pode ser dividido em duas partes para an&#xE1;lise: os 74 escravos oficialmente sequestrados e os outros 74 cativos omitidos da devassa, que habitavam, com seus irm&#xE3;os de cativeiro, as propriedades agr&#xED;colas e minerais do inconfidente em sua fazenda da Ponta do Morro.</p>
<p>Para efeitos explicativos, dividimos em duas tabelas os valores m&#xE9;dios dos escravos de sua escravaria. A <xref ref-type="table" rid="t8">Tabela 8</xref> cont&#xE9;m, apenas, os manc&#xED;pios listados pela devassa da Inconfid&#xEA;ncia Mineira, em 1789. A <xref ref-type="table" rid="t9">Tabela 9</xref> cont&#xE9;m a somat&#xF3;ria dos escravos omitidos da devassa no ano de 1789.</p>
<table-wrap id="t8">
<label>Tabela 8</label>
<caption>
<title>Valores m&#xE9;dios dos escravos sequestrados ao inconfidente Francisco Ant&#xF4;nio de Oliveira Lopes (em r&#xE9;is), 1789</title></caption>
<graphic xlink:href="tb8.png"/>
<table frame="hsides" rules="groups">
<colgroup width="14%">
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/></colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000; background-color: #CCE3F1">
<tr>
<th align="center" rowspan="2" valign="middle">Idades</th>
<th align="center" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Brasil</th>
<th align="center" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">&#xC1;frica ocidental</th>
<th align="center" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">&#xC1;frica centro-ocidental</th></tr>
<tr>
<th align="center">Homens</th>
<th align="center">Mulheres</th>
<th align="center">Homens</th>
<th align="center">Mulheres</th>
<th align="center">Homens</th>
<th align="center">Mulheres</th></tr></thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">R.N.-10</td>
<td align="center">90$000 (1)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center">11-20</td>
<td align="center"/>
<td align="center">57$500 (2)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">21-30</td>
<td align="center">60$000 (1)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">60$000 (1)</td>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center">31-40</td>
<td align="center">80$666 (3)</td>
<td align="center">76$666 (3)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">63$333 (3)</td>
<td align="center"/></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">41-50</td>
<td align="center">85$000 (2)</td>
<td align="center">40$000 (1)</td>
<td align="center"/>
<td align="center">15$000 (1)</td>
<td align="center">41$250 (4)</td>
<td align="center">30$000 (1)</td></tr>
<tr>
<td align="center">51-60</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">25$000 (2)</td>
<td align="center"/></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">61-70</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">3$200 (1)</td>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center">71-&#x2026;</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">Ignorada</td>
<td align="center">60$000 (1)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center" rowspan="4">Valores</td>
<td align="center">622$000</td>
<td align="center">385$000</td>
<td align="center"/>
<td align="center">15$000</td>
<td align="center">468$200</td>
<td align="center">30$000</td></tr>
<tr>
<td align="center" style="border-left: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-right: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/></tr>
<tr>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center" style="border-left: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center" colspan="2">1:520$200 (27)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center" colspan="2">+</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="right" colspan="3">Escravos avaliados <xref ref-type="table-fn" rid="TFN9">*</xref></td>
<td align="center" colspan="2">70$000 (1)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="right" colspan="3"/>
<td align="center" colspan="2">- - -</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="right" colspan="3">Total</td>
<td align="center" colspan="2"><bold>1:590$200 (28)</bold></td>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr></tbody></table>
<table-wrap-foot>
<fn id="TFN8">
<p>Notas: 1 - R.N. (rec&#xE9;m-nascido); 2 - entre par&#xEA;nteses consta o n&#xFA;mero total de escravos avaliados pela devassa; 3 - n&#xE3;o se considerou na m&#xE9;dia os escravos sem valor anunciado; 4 - escravos indicados como &#x201C;sem valor&#x201D; n&#xE3;o foram quantificados.</p></fn>
<fn id="TFN9">
<label>*</label>
<p>Neste item indicam-se os valores dos escravos avaliados que n&#xE3;o apresentaram informa&#xE7;&#xF5;es de sua faixa et&#xE1;ria e/ou proced&#xEA;ncia.</p></fn>
<attrib>Fonte: ADIM, v. 6 / IHGB. Sequestros diversos.</attrib></table-wrap-foot></table-wrap>
<table-wrap id="t9">
<label>Tabela 9</label>
<caption>
<title>Valores m&#xE9;dios dos escravos da escravaria do inconfidente Francisco Ant&#xF4;nio de Oliveira Lopes (1789) (em r&#xE9;is), 1789</title></caption>
<graphic xlink:href="tb9.png"/>
<table frame="hsides" rules="groups">
<colgroup width="14%">
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/></colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000; background-color: #CCE3F1">
<tr>
<th align="center" rowspan="2" valign="middle">Idades</th>
<th align="center" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Brasil</th>
<th align="center" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">&#xC1;frica ocidental</th>
<th align="center" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">&#xC1;frica centro-ocidental</th></tr>
<tr>
<th align="center">Homens</th>
<th align="center">Mulheres</th>
<th align="center">Homens</th>
<th align="center">Mulheres</th>
<th align="center">Homens</th>
<th align="center">Mulheres</th></tr></thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">R.N.-10</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center">11-20</td>
<td align="center">90$000 (1)</td>
<td align="center">80$000 (1)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">21-30</td>
<td align="center">115$000 (2)</td>
<td align="center">52$500 (2)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">60$000 (1)</td>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center">31-40</td>
<td align="center">85$500 (4)</td>
<td align="center">75$000 (4)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">63$333 (3)</td>
<td align="center"/></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">41-50</td>
<td align="center">85$000 (2)</td>
<td align="center">40$000 (1)</td>
<td align="center"/>
<td align="center">15$000 (1)</td>
<td align="center">41$250 (4)</td>
<td align="center">22$500 (2)</td></tr>
<tr>
<td align="center">51-60</td>
<td align="center">10$000 (1)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">25$000 (2)</td>
<td align="center"/></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">61-70</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">3$200 (1)</td>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center">71-&#x2026;</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr style="background-color: #EBF4FA">
<td align="center">Ignorada</td>
<td align="center">33$750 (4)</td>
<td align="center">30$000 (3)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center">73$333 (3)</td>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center" rowspan="4">Valores</td>
<td align="center">977$000</td>
<td align="center">615$000</td>
<td align="center"/>
<td align="center">15$000</td>
<td align="center">688$200</td>
<td align="center">45$000</td></tr>
<tr>
<td align="center" style="border-left: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center" style="border-right: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000"/></tr>
<tr>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center" style="border-left: thin solid; border-color: #000000"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center" colspan="2">2:340$200 (42)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center"/>
<td align="center" colspan="2">+</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="right" colspan="3">Escravos avaliados <xref ref-type="table-fn" rid="TFN11">*</xref></td>
<td align="center" colspan="2">196$600 (3)</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="center" colspan="3"/>
<td align="center" colspan="2">- - -</td>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr>
<tr>
<td align="right" colspan="3">Total</td>
<td align="center" colspan="2"><bold>2:536$800 (45)</bold></td>
<td align="center"/>
<td align="center"/></tr></tbody></table>
<table-wrap-foot>
<fn id="TFN10">
<p>Notas: 1 - R.N. (rec&#xE9;m-nascido); 2 - entre par&#xEA;nteses consta o n&#xFA;mero total de escravos avaliados pela devassa; 3 - n&#xE3;o se considerou na m&#xE9;dia os escravos sem valor anunciado; 4 - escravos indicados como &#x201C;sem valor&#x201D; n&#xE3;o foram quantificados.</p></fn>
<fn id="TFN11">
<label>*</label>
<p>Neste item indicam-se os valores dos escravos avaliados que n&#xE3;o apresentaram informa&#xE7;&#xF5;es de sua faixa et&#xE1;ria e/ou proced&#xEA;ncia.</p></fn>
<attrib>Fonte: ADIM, v. 6 / IHGB. Sequestros diversos.</attrib></table-wrap-foot></table-wrap>
<p>Dos cativos apreendidos pela devassa, &#xE9;-nos permitido saber o valor de apenas 28 deles &#x2013; 1:590$200 r&#xE9;is.</p>
<p>Na <xref ref-type="table" rid="t9">Tabela 9</xref> encontramos o pre&#xE7;o de outros 17 escravos de Francisco Ant&#xF4;nio que, somados, atingiram a quantia patrimonial de 2:536$800 r&#xE9;is.</p>
<p>Na vasta escravaria de Francisco Ant&#xF4;nio encontramos apenas quatro pessoas indicadas por suas &#xE1;reas de atividade: dois ferreiros, um barbeiro e um cativo com pr&#xE1;ticas de &#x201C;minera&#xE7;&#xE3;o&#x201D;. Somente receberam avalia&#xE7;&#xE3;o o ferreiro Lu&#xED;s Vieira, Pardo, de 30 anos, em 170$000 r&#xE9;is (a maior quantia registrada a um escravo desse grupo escravista), e Manuel, Crioulo, da minera&#xE7;&#xE3;o, sem idade especificada, em 60$000 r&#xE9;is. Al&#xE9;m deles, encontramos o ferreiro Angola Domingos, de 60 anos, falecido em 2 de janeiro de 1803, e o Benguela Joaquim, de 35 anos, que exercia o of&#xED;cio de barbeiro.<xref ref-type="fn" rid="fn17"><sup>17</sup></xref></p>
<p>Somente nove cativos receberam avalia&#xE7;&#xE3;o igual ou superior a 100$000 r&#xE9;is. Lu&#xED;s Vieira, citado no par&#xE1;grafo anterior; o Mulato Serafim, de 40 anos, avaliado em 130$000 r&#xE9;is e que se encontrava alocado na fazenda da Laje; Teod&#xF3;sio, Crioulo, sem indica&#xE7;&#xE3;o de idade, a 120$000 r&#xE9;is e Manuel Jorge, &#x201C;o capit&#xE3;o&#x201D;, em 100$000 r&#xE9;is; todos ocultados da devassa. Al&#xE9;m deles, o casal Clemente, Crioulo, de 40 anos, sequestrado, e sua esposa Feliciana, tamb&#xE9;m Crioula, de 35 anos, omitida da listagem oficial, foram avaliados cada um em 100$000 r&#xE9;is. Esse casal teve quatro filhos: um menino de nome Manuel, de 10 anos, e tr&#xEA;s mulheres: Felisberta, falecida na inf&#xE2;ncia, Francisca e Lauriana.</p>
<p>Tr&#xEA;s cativos sequestrados pela devassa receberam avalia&#xE7;&#xE3;o de 100$000 r&#xE9;is cada: o Benguela Roque, de 40 anos, falecido em 28 de novembro de 1792; o Crioulo Ant&#xF4;nio, de 45 anos, que morreu em 22 de abril de 1803; e o Crioulo Domingos Pereira, de 40 anos, falecido em 9 de abril de 1792.<xref ref-type="fn" rid="fn18"><sup>18</sup></xref></p>
<p>Com exce&#xE7;&#xE3;o de Feliciana, avaliada em 100$000 r&#xE9;is, nenhuma das outras 13 mulheres citadas nos documentos recebeu avalia&#xE7;&#xE3;o acima e/ou superior a esse valor. Damiana Crioula, de 22 anos, e In&#xEA;s Parda, de 20 anos, valiam 80$000 r&#xE9;is cada. A Crioula Perp&#xE9;tua, 35 anos e casada com Jo&#xE3;o da Vila, sequestrada pela devassa, foi avaliada em 70$000 r&#xE9;is; a Crioula, que tamb&#xE9;m era casada, de nome Br&#xED;gida, de 25 anos, recebeu o pre&#xE7;o de 35$000 r&#xE9;is. Na m&#xE9;dia, em 1789, ano do sequestro, uma escrava Crioula valia, na capitania, aproximadamente 100$000 r&#xE9;is. Em 1796, ano do Auto de Arremata&#xE7;&#xE3;o, em m&#xE9;dia, uma cativa Crioula valia 101$000 r&#xE9;is em Minas Gerais. (<xref ref-type="bibr" rid="B4">BERGAD, 2004</xref>, p. 347-348) Somando-se os valores atribu&#xED;dos &#xE0;s 12 mulheres referenciadas com pre&#xE7;o no documento, chegou-se ao valor de 600$000 r&#xE9;is, sendo a m&#xE9;dia calculada em 50$000 r&#xE9;is.</p>
<p>Os exemplos dos pre&#xE7;os ajudaram-nos a exemplificar a falta de homogeneidade nas avalia&#xE7;&#xF5;es da devassa.</p>
</sec>
<sec sec-type="conclusions">
<title>Conclus&#xE3;o</title>
<p>Embora, n&#xE3;o seja a fonte &#x201C;ideal&#x201D; para o estudo dos pre&#xE7;os dos escravos nas Minas setecentistas, o Auto de Sequestro dos bens dos sete inconfidentes que aqui foram analisados, permitem perceber algumas tend&#xEA;ncias sobre este e outros aspectos de suas escravarias. Tratamos aqui de senhores que se encontravam, do ponto de vista de seus contingentes escravos, em um patamar superior em termos de tamanho de posses a de senhores escravistas do final do s&#xE9;culo XVIII em Minas Gerais.</p>
<p>Notamos a predomin&#xE2;ncia dos escravos do sexo masculino entre a popula&#xE7;&#xE3;o de origem africana, o que demonstra que os acusados por participarem da Inconfid&#xEA;ncia Mineira de 1789, como a maioria dos propriet&#xE1;rios mineiros de escravos daquele momento, dependiam do tr&#xE1;fico de escravos para a manuten&#xE7;&#xE3;o/amplia&#xE7;&#xE3;o de suas posses. Os dados da composi&#xE7;&#xE3;o das escravarias dos sete propriet&#xE1;rios referenciados refor&#xE7;am as evid&#xEA;ncias descritas pela historiografia mineira e do tr&#xE1;fico negreiro de que a regi&#xE3;o da comarca do Rio das Mortes participou intensivamente do tr&#xE1;fico internacional, uma vez que a popula&#xE7;&#xE3;o escrava de origem africana atingia elevados percentuais. Estes manc&#xED;pios procederam, em sua maioria, da &#xC1;frica central. Contudo, cabe ressaltar que tr&#xE1;fico e reprodu&#xE7;&#xE3;o natural n&#xE3;o eram, naquele per&#xED;odo, excludentes.</p>
<p>Embora houvesse um n&#xFA;mero importante de escravos nascidos no Brasil (com predom&#xED;nio das mulheres), os africanos compunham a maioria dos cativos naquelas posses. As raz&#xF5;es de sexo/masculinidade demonstram o perfil das escravarias desses sediciosos e que tamb&#xE9;m n&#xE3;o se diferenciava da maior parte dos escravistas mineiros da comarca do Rio das Mortes no s&#xE9;culo XVIII. Sem d&#xFA;vida, esses dois aspectos (maioria de africanos e homens) motivaram os pre&#xE7;os dos cativos.</p>
<p>Os principais fatores que influenciaram no valor dos escravos foram a sa&#xFA;de, a idade e, sobretudo, as ocupa&#xE7;&#xF5;es/of&#xED;cios nos quais foram empregados. Nota-se que, a partir das an&#xE1;lises de Bergad, grande parte dos cativos pertencentes a esses inconfidentes superou os pre&#xE7;os m&#xE9;dios dos escravos mineiros. As &#x201C;cores/qualidades&#x201D;, bem como o fato de terem sido cativos pertencentes a sediciosos, n&#xE3;o tiveram peso significativo nas suas avalia&#xE7;&#xF5;es. As an&#xE1;lises/tend&#xEA;ncias dos cativos, destes sete rebeldes, parecem indicar que as vari&#xE1;veis econ&#xF4;micas foram as mais importantes na avalia&#xE7;&#xE3;o de seus pre&#xE7;os. Contudo, &#xE9; importante ressaltar que fatores extra econ&#xF4;micos (pol&#xED;ticos, sociais, culturais e religiosos) podem ter seus efeitos nessa correla&#xE7;&#xE3;o de vari&#xE1;veis.</p>
</sec></body>
<back>
<fn-group>
<fn fn-type="other" id="fn1">
<label>1</label>
<p>Semelhante aos sequestros, os invent&#xE1;rios post mortem tamb&#xE9;m identificam avalia&#xE7;&#xF5;es mais baixas que os pre&#xE7;os praticados e anotados em documentos cartor&#xE1;rios, como os aferidos dos registros de compra e venda, pois as avalia&#xE7;&#xF5;es feitas em invent&#xE1;rios s&#xE3;o consideradas inferiores quando comparadas aos valores praticados no mercado ou mesmo quando um cativo era hipotecado com dado prop&#xF3;sito. Em ambas as fontes &#x2013; sequestros e invent&#xE1;rios &#x2013; os inventariantes delegavam pre&#xE7;os a menor, em virtude talvez dos desgastes sofridos pelo cativo ao longo dos anos, mesmo que ele n&#xE3;o apresentasse maiores agravos corporais ou mentais (<xref ref-type="bibr" rid="B14">MATHIAS, 2012</xref>, p. 254-255). Para uma hist&#xF3;ria dos pre&#xE7;os, conferir: <xref ref-type="bibr" rid="B5">CARRARA, 2008</xref>. J&#xE1; para uma discuss&#xE3;o sobre o pre&#xE7;o dos escravos no Brasil, ver: <xref ref-type="bibr" rid="B4">BERGAD, 2004</xref>.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn2">
<label>2</label>
<p>A comarca era uma subdivis&#xE3;o administrativa das capitanias durante o per&#xED;odo colonial. Na segunda metade do s&#xE9;culo XVIII, a capitania de Minas Gerais dividia-se em quatro comarcas: a do Rio das Mortes, a do Serro Frio, a do Rio das Velhas e a de Vila Rica. A comarca do Rio das Mortes localizava-se na regi&#xE3;o sul de Minas, desde as fronteiras com S&#xE3;o Paulo e o Rio de Janeiro, e tinha como sede pol&#xED;tico-administrativa a vila de S&#xE3;o Jo&#xE3;o del-Rei.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn3">
<label>3</label>
<p>Os demais inconfidentes presos tiveram 54 escravos apreendidos: Cl&#xE1;udio Manuel da Costa (31), Jos&#xE9; da Silva e Oliveira Rolim (7), Tiradentes (5), Francisco de Paula Freire de Andrada (5), Domingos de Abreu Vieira (4), Lu&#xED;s Vieira da Silva (1) e Vicente Vieira da Mota (1). Os cativos desses propriet&#xE1;rios corresponderam a 12,22% do total dos escravos dos sediciosos mineiros, enquanto os cativos aqui analisados representaram 87,78% de todos os manc&#xED;pios sequestrados pela devassa. Os demais presos &#x2013; Tom&#xE1;s Ant&#xF4;nio Gonzaga, Jos&#xE9; &#xC1;lvares Maciel, Jos&#xE9; de Resende Costa Filho, Jos&#xE9; de Oliveira Lopes, Salvador Carvalho do Amaral Gurgel, Domingos Vidal de Barbosa Lage, Jo&#xE3;o da Costa Rodrigues, Jo&#xE3;o Dias da Mota e Vitoriano Gon&#xE7;alves Veloso &#x2013; n&#xE3;o tiveram nenhum escravo apreendido em seus patrim&#xF4;nios (Cf. ANRJ/ADIM-C5, v. 7 &#x2013; sequestros diversos).</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn4">
<label>4</label>
<p>A raz&#xE3;o de sexo ou de masculinidade expressa &#xE0; rela&#xE7;&#xE3;o quantitativa entre os sexos e &#xE9; calculada da seguinte maneira: <bold>n</bold>&#xBA; <bold>homens dividido pelo n</bold>&#xBA; <bold>de mulheres vezes 100</bold> (= n&#xBA; homens &#xF7; n&#xBA; mulheres &#xD7; 100). Uma raz&#xE3;o de 100 indica igual n&#xFA;mero de homens e mulheres. Acima de 100, predomin&#xE2;ncia de homens, e, abaixo, superioridade de mulheres.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn5">
<label>5</label>
<p>Semelhante a esse per&#xED;odo e local, essas raz&#xF5;es de sexo e africanidade s&#xE3;o muito pr&#xF3;ximas das encontradas, por exemplo, para a freguesia de S&#xE3;o Jos&#xE9; del-Rei, em 1795, por <xref ref-type="bibr" rid="B11">Douglas Libby e Clotilde Paiva (2000</xref>).</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn6">
<label>6</label>
<p>Esta divis&#xE3;o geogr&#xE1;fica baseia-se em: (<xref ref-type="bibr" rid="B9">LIBBY, 2007</xref>, p. 431).</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn7">
<label>7</label>
<p>Para os limites quanto &#xE0;s origens dos africanos em Minas Gerais, baseamo-nos em: <xref ref-type="bibr" rid="B7">FURTADO, 2006</xref>, p. 246-248. Para os escravos oriundos do Golfo do Benim, denominados comumente por negros Mina (mas cujas na&#xE7;&#xF5;es ou grupos de proced&#xEA;ncia podem ser de origem variada no interior do grupo de proced&#xEA;ncia Mina, como Mina, Angola, Cabinda, Mo&#xE7;ambique, entre outras), conferir: <xref ref-type="bibr" rid="B20">SOARES, 2011</xref>, p. 67-72. Mariza Soares explica que os Mahis s&#xE3;o um povo localizado ao norte do Daom&#xE9;, no atual Benim, resultado da &#x201C;fus&#xE3;o de grupos que falavam l&#xED;nguas gbe com outros que falavam iorub&#xE1; que migraram para a mesma regi&#xE3;o&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B20">SOARES, 2011</xref>, p. 70).</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn8">
<label>8</label>
<p>A designa&#xE7;&#xE3;o Cobu refere-se aos escravos provenientes de uma localidade no interior do atual Benim. J&#xE1; os Sabarus s&#xE3;o origin&#xE1;rios de Savalu, &#x201C;localidade situada no interior do territ&#xF3;rio Mahi&#x201D;, e aparecem na documenta&#xE7;&#xE3;o africana pela primeira vez como &#x201C;sabalours&#x201D;, no ano de 1733. Mariza Soares apenas indica sua presen&#xE7;a em Minas Gerais na d&#xE9;cada de 1750, entre os confrades do Ros&#xE1;rio de Mariana (<xref ref-type="bibr" rid="B20">SOARES, 2011</xref>, p. 94, 70).</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn9">
<label>9</label>
<p>Os Xamb&#xE1;, ou Chambas, s&#xE3;o membros de um grupo &#x201C;situado a noroeste do Daom&#xE9;, mas o termo &#xE9; tamb&#xE9;m usado de modo mais amplo para todos os falantes da l&#xED;ngua gur&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B20">SOARES, 2011</xref>, p. 70).</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn10">
<label>10</label>
<p>Estudos t&#xEA;m apontado que desde a segunda metade do s&#xE9;culo XVIII houve a importa&#xE7;&#xE3;o predominante de escravos oriundos da &#xC1;frica centro-ocidental para Minas Gerais, em especial os Angolas e os Benguelas. Conferir: <xref ref-type="bibr" rid="B8">LARA, 1999</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B1">ANDRADE, 2008</xref>, p. 282-286.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn11">
<label>11</label>
<p>Sobre as origens dos cativos informadas nos invent&#xE1;rios dos termos (o mesmo que todo o territ&#xF3;rio de uma vila fora da sua sede) das vilas de S&#xE3;o Jo&#xE3;o del-Rei, S&#xE3;o Jos&#xE9; del-Rei, Vila Rica (atual Ouro Preto) e Mariana (1715-1888) e Diamantina (1790-1888), Laird Bergad apresenta n&#xFA;meros que aqui se mostram semelhantes. Dos escravos africanos que tiveram sua origem mencionada, os que aparecem nas primeiras posi&#xE7;&#xF5;es eram os Benguelas (28,3%), os Angolas (23,9%) e os Congos (10,7%), procedentes da &#xC1;frica centro-ocidental, e os Mina (10,5%) que s&#xE3;o descritos pelo pesquisador como &#x201C;embarcados da Costa da Mina ou de regi&#xF5;es do Sudoeste africano&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B4">BERGAD, 2004</xref>, p. 228-229).</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn12">
<label>12</label>
<p>No in&#xED;cio do s&#xE9;culo XVIII, de acordo com o jesu&#xED;ta Andr&#xE9; Jo&#xE3;o Antonil, pseud&#xF4;nimo de Jo&#xE3;o Ant&#xF4;nio Andreoni, em sua obra Cultura e opul&#xEA;ncia do Brasil, publicada em 1711, o valor m&#xE9;dio de um escravo era de 200$000 r&#xE9;is. Na metade do s&#xE9;culo, segundo Laird Bergad, no momento em que j&#xE1; se vivenciava a retra&#xE7;&#xE3;o da economia aur&#xED;fera e o empobrecimento das camadas mais baixas da popula&#xE7;&#xE3;o, o pre&#xE7;o do cativo caiu e se estabilizou aproximadamente em 80$000 r&#xE9;is, voltando a crescer apenas na virada do s&#xE9;culo XIX (<xref ref-type="bibr" rid="B2">ANTONIL, 1966</xref>, p. 269; <xref ref-type="bibr" rid="B4">BERGAD, 2004</xref>). Especificamente para a Vila do Carmo, atual cidade de Mariana, Carlos Kelmer Mathias indicou que entre 1713 e 1730 um escravizado adulto costumava ser avaliado em 195$273 r&#xE9;is; e entre 1741 e 1756 em 140$719 r&#xE9;is (<xref ref-type="bibr" rid="B14">MATHIAS, 2012</xref>, p. 259). Para uma compara&#xE7;&#xE3;o entre pre&#xE7;os dos cativos e de g&#xEA;neros aliment&#xED;cios (sal, farinha de mandioca, toucinho, etc.) nas Minas Gerais setecentista, conferir: <xref ref-type="bibr" rid="B6">CARRARA, 2007</xref>. A t&#xED;tulo de exemplo de pre&#xE7;os praticados entre os bens de inconfidentes, nos Autos de Sequestro de Jos&#xE9; de Resende Costa, de 1789, encontramos um &#x201C;espelho grande com sua moldura dourada&#x201D; avaliado em 10$000 r&#xE9;is; uma &#x201C;bigorna grande&#x201D; por 10$800 r&#xE9;is; um &#x201C;tear de tecer algod&#xE3;o&#x201D; por 4$000 r&#xE9;is; um &#x201C;cavalo baio&#x201D; por 40$000 r&#xE9;is; uma &#x201C;morada de casas assobradadas, cobertas de telha, e assoalhadas, com quintal murado de pedra&#x201D; no arraial da Laje, por 80$000 r&#xE9;is (<xref ref-type="bibr" rid="B3">ADIM, 1982</xref>, v. 6, p. 340-343). Em 11 de novembro de 1789, o rel&#xF3;gio de bolso banhado a prata que pertenceu ao alferes Joaquim Jos&#xE9; da Silva Xavier, o Tiradentes, atualmente exposto no Museu da Inconfid&#xEA;ncia, em Ouro Preto, foi arrematado em leil&#xE3;o pelo valor de 13$400 r&#xE9;is, por Jos&#xE9; Mariano de Azeredo Coutinho (<xref ref-type="bibr" rid="B3">ADIM, 1982</xref>, v. 6, p. 254-255). Entre os bens de Jos&#xE9; Aires Gomes, a sua fazenda Pinheiros, de &#x201C;tr&#xEA;s l&#xE9;guas de terra de cultura de comprido, e l&#xE9;gua e meia de longo, tituladas com uma sesmaria, cujas terras s&#xE3;o de matos virgens capoeiras, campos e logradouros, (&#x2026;) com s&#xED;tio de casas de engenho, e de paiol grande e moinho, tudo coberto de telha, e senzala, coberta de capim, e no dito engenho, dois alambiques de cobre, um que leva dezesseis barris de aguardente, e outro dezessete, uma caldeira tamb&#xE9;m de cobre, que leva dezoito barris, tr&#xEA;s toneis, que levam duzentos, e cinquenta barris, cada um deles, duas pipas, que levam setenta barris cada uma&#x201D;, entre outros bens e terras de minera&#xE7;&#xE3;o ali existentes, foi avaliada em 70$000 r&#xE9;is (<xref ref-type="bibr" rid="B3">ADIM, 1982</xref>, v. 6, p. 205-208).</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn13">
<label>13</label>
<p>Sobre os of&#xED;cios mec&#xE2;nicos em Minas Gerais, ver: <xref ref-type="bibr" rid="B16">MENESES, 2007</xref>, v. 1, p. 377-399; <xref ref-type="bibr" rid="B7">LIBBY, 2006</xref>, p. 57-73.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn14">
<label>14</label>
<p>&#x201C;Nas primeiras d&#xE9;cadas do XIX verifica-se uma ligeira eleva&#xE7;&#xE3;o tanto entre os africanos (19,6%) quanto entre os nascidos no Brasil (menos de 7,4%)&#x201D; (<xref ref-type="bibr" rid="B19">SOARES, 2009</xref>, p. 117).</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn15">
<label>15</label>
<p>ANRJ. Libelo C&#xED;vel entre Ant&#xF4;nio Francisco Fernandes &#x2013; autor &#x2013; e o inconfidente Jos&#xE9; Aires Gomes &#x2013; r&#xE9;u. Ouro Preto, 06/08/1804. Cole&#xE7;&#xE3;o: Inconfid&#xEA;ncia Mineira, Fundo: 3A, Caixa 1004, Pacotilha 32, fls. 4-5v.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn16">
<label>16</label>
<p>IHGB. &#x201C;Traslado do seq&#xFC;estro feito ao vig&#xE1;rio Carlos Correia de Toledo&#x201D;. S&#xE3;o Jos&#xE9; do Rio das Mortes. 25/05/1789, fl. 28v.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn17">
<label>17</label>
<p>A data de morte do escravo Domingos Angola encontra-se registrada em: IHGB. DL 3.4. Autos de dep&#xF3;sito/Presta&#xE7;&#xE3;o de contas do capit&#xE3;o Pedro Joaquim de Melo &#x2013; deposit&#xE1;rio dos bens do inconfidente Francisco Ant&#xF4;nio de Oliveira Lopes, fl. 161.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn18">
<label>18</label>
<p>IHGB. DL 3.4. Autos de dep&#xF3;sito / Presta&#xE7;&#xE3;o de contas do capit&#xE3;o Pedro Joaquim de Melo &#x2013; deposit&#xE1;rio dos bens do inconfidente Francisco Ant&#xF4;nio de Oliveira Lopes, fls. 158v.; 164; 158v.</p></fn></fn-group>
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<title>Refer&#xEA;ncias</title>
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<name><surname>ANDRADE</surname><given-names>Marcos Ferreira de</given-names></name></person-group>
<source><italic>Elites regionais e a forma&#xE7;&#xE3;o do Estado imperial brasileiro:</italic> Minas Gerais &#x2013; Campanha da Princesa (1799-1850)</source>
<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
<publisher-name>Arquivo Nacional</publisher-name>
<year>2008</year></element-citation>
<mixed-citation>ANDRADE, Marcos Ferreira de. <italic>Elites regionais e a forma&#xE7;&#xE3;o do Estado imperial brasileiro:</italic> Minas Gerais &#x2013; Campanha da Princesa (1799-1850). Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 2008.</mixed-citation></ref>
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<name><surname>ANTONIL</surname><given-names>Andr&#xE9; Jo&#xE3;o</given-names></name></person-group>
<source><italic>Cultura e opul&#xEA;ncia do Brasil</italic></source>
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<year>1966</year></element-citation>
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<collab>ADIM</collab></person-group>
<source><italic>Autos de Devassa da Inconfid&#xEA;ncia Mineira</italic></source>
<edition>2. ed.</edition>
<publisher-loc>Bras&#xED;lia</publisher-loc>
<publisher-name>C&#xE2;mara dos Deputados; Belo Horizonte: Imprensa Oficial do Governo do Estado de Minas Gerais</publisher-name>
<year>1982</year>
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<name><surname>BERGAD</surname><given-names>Laird W.</given-names></name></person-group>
<source><italic>Escravid&#xE3;o e hist&#xF3;ria econ&#xF4;mica:</italic> demografia de Minas Gerais, 1720-1888</source>
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<publisher-name>EDUSC</publisher-name>
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<name><surname>CARRARA.</surname><given-names>Angelo Alves</given-names></name></person-group>
<chapter-title>Para uma hist&#xF3;ria dos pre&#xE7;os do per&#xED;odo colonial: quest&#xF5;es de m&#xE9;todo</chapter-title>
<source><italic>Locus &#x2013; Revista de Hist&#xF3;ria</italic></source>
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<name><surname>CARRARA.</surname><given-names>Angelo Alves</given-names></name></person-group>
<source><italic>Minas e currais:</italic> produ&#xE7;&#xE3;o rural e mercado interno de Minas Gerais, 1674-1807</source>
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<mixed-citation>CARRARA. Angelo Alves. <italic>Minas e currais:</italic> produ&#xE7;&#xE3;o rural e mercado interno de Minas Gerais, 1674-1807. Juiz de Fora: Editora da UFJF, 2007.</mixed-citation></ref>
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<name><surname>FURTADO</surname><given-names>J&#xFA;nia Ferreira</given-names></name></person-group>
<chapter-title>Quem nasce, quem chega: o mundo dos escravos no Distrito Diamantino e no Arraial do Tejuco</chapter-title>
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<name><surname>FURTADO</surname><given-names>J&#xFA;nia Ferreira</given-names></name></person-group>
<source><italic>Trabalho livre, trabalho escravo:</italic> Brasil e Europa, s&#xE9;culos XVIII e XIX</source>
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<name><surname>LARA</surname><given-names>Silvia Hunold</given-names></name></person-group>
<chapter-title>Os mina em Minas Gerais: linguagem, dom&#xED;nio senhorial e etnicidade</chapter-title>
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<chapter-title>As popula&#xE7;&#xF5;es escravas das Minas setecentistas: um balan&#xE7;o preliminar</chapter-title>
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<chapter-title>Alforrias e forros em uma freguesia mineira: S&#xE3;o Jos&#xE9; d&#x2019;El Rey em 1795</chapter-title>
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<name><surname>SOARES</surname><given-names>Marcio de Sousa</given-names></name></person-group>
<source><italic>A remiss&#xE3;o do cativeiro:</italic> a d&#xE1;diva da alforria e o governo dos escravos nos Campos dos Goitacases, c.1750-c.1830</source>
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<year>2009</year></element-citation>
<mixed-citation>SOARES, Marcio de Sousa. <italic>A remiss&#xE3;o do cativeiro:</italic> a d&#xE1;diva da alforria e o governo dos escravos nos Campos dos Goitacases, c.1750-c.1830. Rio de Janeiro: Apicuri, 2009.</mixed-citation></ref>
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<name><surname>SOARES</surname><given-names>Mariza de Carvalho</given-names></name></person-group>
<chapter-title>Ind&#xED;cios para o tra&#xE7;ado das rotas terrestres de escravos na Ba&#xED;a do Benim, s&#xE9;culo XVIII</chapter-title>
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<name><surname>SOARES</surname><given-names>Mariza de Carvalho</given-names></name></person-group>
<source><italic>Rotas atl&#xE2;nticas da di&#xE1;spora africana:</italic> da Ba&#xED;a do Benim ao Rio de Janeiro</source>
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<publisher-name>Editora da UFF</publisher-name>
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<lpage>99</lpage></element-citation>
<mixed-citation>SOARES, Mariza de Carvalho. Ind&#xED;cios para o tra&#xE7;ado das rotas terrestres de escravos na Ba&#xED;a do Benim, s&#xE9;culo XVIII. In: SOARES, Mariza de Carvalho (Org.). <italic>Rotas atl&#xE2;nticas da di&#xE1;spora africana:</italic> da Ba&#xED;a do Benim ao Rio de Janeiro. Niter&#xF3;i: Editora da UFF, 2011, p. 65-99.</mixed-citation></ref></ref-list>
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<title>Fontes</title>
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<collab>Arquivo Nacional do Rio de Janeiro (ANRJ)</collab></person-group>
<source>C&#xF3;dice 5 &#x2013; Autos de Devassa da Inconfid&#xEA;ncia Mineira &#x2013; Levante de Tiradentes</source>
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<comment>sequestros diversos</comment></element-citation>
<mixed-citation>Arquivo Nacional do Rio de Janeiro (ANRJ). C&#xF3;dice 5 &#x2013; Autos de Devassa da Inconfid&#xEA;ncia Mineira &#x2013; Levante de Tiradentes. v. 7 &#x2013; sequestros diversos.</mixed-citation></ref>
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<collab>Arquivo Nacional do Rio de Janeiro (ANRJ)</collab></person-group>
<source>Libelo C&#xED;vel entre Ant&#xF4;nio Francisco Fernandes &#x2013; autor &#x2013; e o inconfidente Jos&#xE9; Aires Gomes &#x2013; r&#xE9;u</source>
<comment>Ouro Preto, 06/08/1804. Cole&#xE7;&#xE3;o: Inconfid&#xEA;ncia Mineira, Fundo: 3A, Caixa 1004, Pacotilha 32.</comment></element-citation>
<mixed-citation>Arquivo Nacional do Rio de Janeiro (ANRJ). Libelo C&#xED;vel entre Ant&#xF4;nio Francisco Fernandes &#x2013; autor &#x2013; e o inconfidente Jos&#xE9; Aires Gomes &#x2013; r&#xE9;u. Ouro Preto, 06/08/1804. Cole&#xE7;&#xE3;o: Inconfid&#xEA;ncia Mineira, Fundo: 3A, Caixa 1004, Pacotilha 32.</mixed-citation></ref>
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<collab>Instituto Hist&#xF3;rico e Geogr&#xE1;fico Brasileiro (IHGB)</collab></person-group>
<source>Autos de sequestro/Traslados de sequestro [em bens dos inconfidentes mineiros: Francisco Ant&#xF4;nio de Oliveira Lopes, In&#xE1;cio Jos&#xE9; de Alvarenga Peixoto, Manuel Rodrigues da Costa, Carlos Correia de Toledo e Melo, Lu&#xED;s Vaz de Toledo Piza, Jos&#xE9; de Resende Costa, Jos&#xE9; Aires Gomes]</source>
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<mixed-citation>Instituto Hist&#xF3;rico e Geogr&#xE1;fico Brasileiro (IHGB). Autos de sequestro/Traslados de sequestro [em bens dos inconfidentes mineiros: Francisco Ant&#xF4;nio de Oliveira Lopes, In&#xE1;cio Jos&#xE9; de Alvarenga Peixoto, Manuel Rodrigues da Costa, Carlos Correia de Toledo e Melo, Lu&#xED;s Vaz de Toledo Piza, Jos&#xE9; de Resende Costa, Jos&#xE9; Aires Gomes]. 7 v.</mixed-citation></ref></ref-list>
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