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			<journal-title>Estudos Ibero-Americanos</journal-title>
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		<article-id pub-id-type="doi">10.15448/1980-864X.2019.1.33360</article-id>
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			<article-title>Revista Estudos Ibero-Americanos-v. 45, n. 1, 2019</article-title>
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        	<label>⁎</label>
         Tatyana de Amaral Maria, &#x2022; Editora da Revista Estudos Ibero-Americanos. Professora da Escola de Humanidades e do PPGH/PUCRS. P&#xF3;s-Doutorado em Hist&#xF3;ria pela Universidade do Porto. Doutorado em Hist&#xF3;ria/UERJ.<email>tatyana.maia@pucrs.br</email>
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        <label>⁎⁎</label>
         Murari Luciana, &#x2022; Editora executiva da Revista Estudos Ibero-Americanos. Professora da Escola de Humanidades e do PPGH/PUCRS. P&#xF3;s-Doutorado em Hist&#xF3;ria pela Pontif&#xED;cia Universidade Cat&#xF3;lica do Rio Grande do Sul. Doutorado em Hist&#xF3;ria Social USP, 2002. <email>luciana.murari@pucrs.br</email>
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	<p>Este primeiro n&#xFA;mero de 2019 traz o dossi&#xEA; &#x201C;Direitos Humanos, Mem&#xF3;ria e Hist&#xF3;ria (1968-2018)&#x201D;, organizado pelos professores Bruno Groppo (Centre d&#x2019;Histoire Sociale du XXe Si&#xE9;cle Universit&#xE9; Paris I, Fran&#xE7;a) e Tatyana de Amaral Maia (PUCRS). Os materiais nele reunidos revelam a multiplicidade de temas referentes aos direitos humanos e, sobretudo, a sua import&#xE2;ncia para o exerc&#xED;cio da cidadania em regimes democr&#xE1;ticos. A pr&#xF3;pria ideia de direitos humanos surge em associa&#xE7;&#xE3;o &#xE0; compreens&#xE3;o da democracia como regime que garante ao indiv&#xED;duo plena participa&#xE7;&#xE3;o na vida pol&#xED;tica, reconhecendo o pluralismo de ideias e os direitos de associa&#xE7;&#xE3;o e de organiza&#xE7;&#xE3;o. O dossi&#xEA; &#xE9; composto por nove artigos e uma entrevista. Este n&#xFA;mero tamb&#xE9;m publica na sua Se&#xE7;&#xE3;o Livre tr&#xEA;s artigos e duas resenhas. Todos os artigos foram submetidos &#xE0; avalia&#xE7;&#xE3;o no sistema duplo cego.</p>
	<p>Os artigos publicados no dossi&#xEA; trazem as recentes experi&#xEA;ncias de viola&#xE7;&#xE3;o aos direitos humanos, especialmente, durante as ditaduras do Cone Sul, al&#xE9;m de discutir as formas com que os Estados democr&#xE1;ticos t&#xEA;m lidado com esse passado sens&#xED;vel. N&#xE3;o obstante, tamb&#xE9;m prop&#xF5;em uma reflex&#xE3;o cr&#xED;tica sobre os limites desses mesmos Estados em garantir plenamente o cumprimento dos direitos humanos, tal como definido em suas respectivas Constitui&#xE7;&#xF5;es.</p>
	<p>A emerg&#xEA;ncia dos regimes democr&#xE1;ticos no Cone Sul, a partir dos anos de 1980, n&#xE3;o garantiu automaticamente a ado&#xE7;&#xE3;o de uma agenda pol&#xED;tica voltada para os direitos humanos. Ao contr&#xE1;rio, tais pa&#xED;ses ainda s&#xE3;o marcados por graves viola&#xE7;&#xF5;es de direitos humanos. A democracia e os direitos subjacentes a ela dependem de uma cont&#xED;nua a&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica. Afinal, como prop&#xF5;e Lyan Hunt,</p>
	<disp-quote>
		<p>Os direitos humanos s&#xF3; se tornam significativos quando ganham conte&#xFA;do pol&#xED;tico. N&#xE3;o s&#xE3;o os direitos de humanos num estado de natureza: s&#xE3;o os direitos de humanos em sociedade. N&#xE3;o s&#xE3;o apenas direitos humanos em oposi&#xE7;&#xE3;o aos direitos divinos, ou direitos humanos em oposi&#xE7;&#xE3;o aos direitos animais: s&#xE3;o os direitos de humanos vis-&#xE0;-vis uns aos outros. S&#xE3;o, portanto, direitos garantidos no mundo pol&#xED;tico secular (mesmo que sejam chamados &#x201C;sagrados&#x201D;), e s&#xE3;o direitos que requerem uma participa&#xE7;&#xE3;o ativa daqueles que os det&#xEA;m (
			<xref ref-type="bibr" rid="B1">HUNT, 2009</xref>, p. 19).
		</p>
	</disp-quote>
	<p>O artigo que abre o dossi&#xEA;, &#x201C;M&#xE1;s all&#xE1; de organizaciones hist&#xF3;ricas, las figuras emblem&#xE1;ticas y las pr&#xE1;cticas reconocidas. Elementos para repensar al movimiento de derechos humanos en la Argentina&#x201D;, de Em&#xED;lio Crenzel, traz uma instigante e in&#xE9;dita quest&#xE3;o ao debate acerca dos direitos humanos na Argentina, qual seja, a a&#xE7;&#xE3;o de m&#xFA;ltiplos atores na constru&#xE7;&#xE3;o de uma cultura pol&#xED;tica de defesa de direitos humanos no pa&#xED;s p&#xF3;s-redemocratiza&#xE7;&#xE3;o. Crenzel demonstra como &#xE9; fundamental considerarmos o papel dos pequenos grupos organizados, das associa&#xE7;&#xF5;es de bairro e dos sindicatos na conforma&#xE7;&#xE3;o de uma a&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica em busca de justi&#xE7;a e mem&#xF3;ria acerca das graves viola&#xE7;&#xF5;es de direitos humanos cometidas pela &#xFA;ltima ditadura argentina (1976-1983). A ampla rede que se formou em busca de informa&#xE7;&#xF5;es sobre os desaparecimentos for&#xE7;ados tamb&#xE9;m exigiu a puni&#xE7;&#xE3;o dos respons&#xE1;veis pelas viola&#xE7;&#xF5;es cometidas, fomentando o engajamento de v&#xE1;rios segmentos da sociedade em torno dos direitos humanos. Neste sentido, a constru&#xE7;&#xE3;o de uma cultura pol&#xED;tica positiva em defesa dos direitos humanos dependeu sobremaneira do papel ativo da sociedade organizada em prol desses direitos.</p>
	<p>Em seguida, &#x201C;Uma hist&#xF3;ria social da 
		<italic>expertise</italic> em direitos humanos: trajet&#xF3;rias transnacionais dos profissionais do direito na Argentina&#x201D;, de Virg&#xED;nia Vecchioli, demonstra a import&#xE2;ncia das redes transnacionais na consolida&#xE7;&#xE3;o de uma 
		<italic>expertise</italic> acerca dos direitos humanos, que envolveu a intensa participa&#xE7;&#xE3;o de advogados e agentes do Estado na configura&#xE7;&#xE3;o de um campo jur&#xED;dico dedicado ao tema, tornando-se refer&#xEA;ncia nas a&#xE7;&#xF5;es de Justi&#xE7;a de Transi&#xE7;&#xE3;o de v&#xE1;rios outros pa&#xED;ses. A a&#xE7;&#xE3;o engajada de advogados e movimentos de direitos humanos promoveu o desenvolvimento de um conhecimento espec&#xED;fico sobre o tema, tornando-se fundamentais para a consolida&#xE7;&#xE3;o da cultural pol&#xED;tica em defesa dos direitos humanos, tal como se observa hoje na Argentina.
	</p>
	<p>O terceiro artigo, &#x201C;Hist&#xF3;ria de viola&#xE7;&#xF5;es dos direitos humanos na era Pinochet: sequestros, desaparecimentos for&#xE7;ados e autoritarismo&#x201D;, das autoras Anna Flavia Arruda Lanna Barreto e Nat&#xE1;lia Silva Teixeira Rodrigues de Oliveira, analisa o caso de desaparecimento de mulheres e crian&#xE7;as durante a ditadura de Pinochet, no Chile, a partir de dois acervos: o Fundo Clamor e o Arquivos do Terror. A partir desses acervos, as autoras demonstram a participa&#xE7;&#xE3;o do Brasil em casos de viola&#xE7;&#xE3;o dos direitos humanos praticados pelo regime ditatorial chileno, assim como refor&#xE7;am as pesquisas sobre as conex&#xF5;es repressivas existentes entre os pa&#xED;ses do Cone Sul.</p>
	<p>O quarto artigo, &#x201C;Defensa de DDHH en Chile en el contexto transnacional del movimiento de defensa de los derechos humanos, 1973-1990&#x201D;, de Nancy Nicholls, prop&#xF5;e compreender a constru&#xE7;&#xE3;o de uma cultura de direitos humanos alicer&#xE7;ada nas redes de defesa das v&#xED;timas do regime Pinochet criada logo ap&#xF3;s o golpe que destituiu o governo de Allende e que estabeleceu diversas estrat&#xE9;gias de a&#xE7;&#xE3;o para proteger as v&#xED;timas da ditadura chilena. Tais redes atravessaram as fronteiras nacionais e se constitu&#xED;ram atrav&#xE9;s de um aprendizado pr&#xE1;tico sobre como atuar diante das a&#xE7;&#xF5;es repressivas empreendidas pelo governo de Pinochet. Para Nicholls, essas redes forjaram um legado para as novas gera&#xE7;&#xF5;es sobre como se organizarem e a relev&#xE2;ncia das conex&#xF5;es internacionais, tornando-se um importante elemento na configura&#xE7;&#xE3;o de uma cultura de direitos humanos no Chile.</p>
	<p>O quinto artigo, &#x201C;No cap&#xED;tulo dos direitos humanos: Direito, Pol&#xED;tica e Hist&#xF3;ria na Coluna do Castelo (1969-1973)&#x201D;, de L&#xFA;cia Grinberg, se prop&#xF5;e a investigar a atua&#xE7;&#xE3;o engajada do jornalista Carlos Castello Branco na den&#xFA;ncia de viola&#xE7;&#xF5;es de direitos humanos cometidas pelo regime ditatorial brasileiro entre os anos de 1969 e 1973. A autora demonstra as estrat&#xE9;gias do jornalista atrav&#xE9;s da an&#xE1;lise da sua coluna no Jornal do Brasil, sugerindo que o tema dos direitos humanos atravessava diversas matrizes pol&#xED;ticas, favorecendo a constru&#xE7;&#xE3;o de la&#xE7;os de solidariedade entre jornalistas, intelectuais e pol&#xED;ticos com diferentes posicionamentos ideol&#xF3;gicos, por&#xE9;m, engajados na resist&#xEA;ncia &#xE0; ditadura.</p>
	<p>O sexto artigo, &#x201C;A democracia em quest&#xE3;o: com a fala, as mulheres militantes de esquerda durante a ditadura militar nos anos de 1964 a 1985&#x201D;, de autoria de Mateus Gamba Torres e Elo&#xED;sa Pereira Barroso, busca atrav&#xE9;s da hist&#xF3;ria oral compreender o papel das mulheres na resist&#xEA;ncia &#xE0; ditadura civil-militar brasileira, considerando &#xE0;s quest&#xF5;es de g&#xEA;nero referentes ao engajamento feminino na luta armada. Os autores t&#xEA;m o cuidado de analisar a ressignifica&#xE7;&#xE3;o da participa&#xE7;&#xE3;o dessas mulheres na milit&#xE2;ncia ao longo do tempo, investigando como a constru&#xE7;&#xE3;o das mem&#xF3;rias acerca dessa participa&#xE7;&#xE3;o tamb&#xE9;m responde &#xE0;s demandas do tempo presente sobre o passado vivido.</p>
	<p>O s&#xE9;timo artigo, de Caroline Bauer, &#x201C;Presen&#xE7;as da ditadura e esperan&#xE7;as na Constitui&#xE7;&#xE3;o: as demandas da popula&#xE7;&#xE3;o sobre a pr&#xE1;tica da tortura&#x201D;, busca compreender atrav&#xE9;s do projeto &#x201C;Diga Gente&#x201D;, como a popula&#xE7;&#xE3;o, &#xE0;s v&#xE9;speras da vota&#xE7;&#xE3;o da Constitui&#xE7;&#xE3;o de 1988, se posicionou diante da tortura. O artigo estabelece, portanto, um di&#xE1;logo, com a experi&#xEA;ncia trazida por Crenzel. Se Crenzel demonstra o papel fundamental de diversos grupos na constru&#xE7;&#xE3;o de uma cultura pol&#xED;tica em torno dos direitos humanos atrav&#xE9;s da busca por justi&#xE7;a e pelo direito &#xE0; mem&#xF3;ria, Bauer, por sua vez, analisa como no Brasil, a constru&#xE7;&#xE3;o da cidadania atrav&#xE9;s da participa&#xE7;&#xE3;o popular ocorreu a partir de vis&#xF5;es m&#xFA;ltiplas sobre o tema. Neste sentido, ao dar voz a esses an&#xF4;nimos, Bauer demonstra a exist&#xEA;ncia de narrativas concorrentes acerca de como lidar com os legados do regime autorit&#xE1;rio.</p>
	<p>Os dois &#xFA;ltimos artigos tratam de temas recentes e de viola&#xE7;&#xF5;es de direitos humanos cometidos durante o regime democr&#xE1;tico brasileiro. Em &#x201C;Percep&#xE7;&#xF5;es sobre a viol&#xEA;ncia no processo de estrutura&#xE7;&#xE3;o do MST no Nordeste brasileiro (1985-1995)&#x201D;, Rose Elke Debiasi se dedica ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no per&#xED;odo imediato &#xE0; redemocratiza&#xE7;&#xE3;o no Nordeste, considerando as especificidades que marcam aquela regi&#xE3;o. A presen&#xE7;a de lideran&#xE7;as sulistas do MST no Nordeste, na tentativa de manter a organicidade do movimento, foi marcado pela inexperi&#xEA;ncia dos primeiros imigrantes que passaram a conviver com regras de funcionamento distintas das experimentadas no Sul. Para a autora, a viol&#xEA;ncia estrutural que marca a vida campesina no Nordeste, onde a presen&#xE7;a de pistoleiros e jagun&#xE7;os faz parte do cotidiano do campon&#xEA;s, amplia os desafios de organiza&#xE7;&#xE3;o de um movimento social no campo.</p>
	<p>O nono e &#xFA;ltimo artigo deste dossi&#xEA;, retrata um caso recente de viol&#xEA;ncia pol&#xED;tica que chocou o Pa&#xED;s e mobilizou diversos organismos de direitos humanos nacionais e internacionais: o assassinato da vereadora Marielle Franco, em mar&#xE7;o de 2018, que foi amplamente coberto pela imprensa nacional e estrangeira. Em &#x201C;O corpo que se manifesta na imagem&#x201D;, D&#xFA;nya Pinto Azevedo prop&#xF5;e analisar as imagens produzidas pela imprensa alternativa, atrav&#xE9;s da an&#xE1;lise das fotografias produzidas pela M&#xED;dia Ninja, que circularam amplamente pela internet. As imagens retratam os protestos ocorridos contra o assassinato da vereadora e que exigiam a identifica&#xE7;&#xE3;o dos respons&#xE1;veis pelo crime e a promo&#xE7;&#xE3;o da justi&#xE7;a. O caso, que at&#xE9; o in&#xED;cio deste ano de 2019 continua sem solu&#xE7;&#xE3;o, se tornou paradigm&#xE1;tico da perman&#xEA;ncia da impunidade e das viola&#xE7;&#xF5;es de direitos humanos que ocorrem diariamente no Brasil.</p>
	<p>Para finalizar o dossi&#xEA;, publicamos a entrevista realizada com o professor Carlos Artur Gallo sobre o seu livro rec&#xE9;m-publicado: 
		<italic>Um acerto de contas com o passado: crimes da ditadura, leis de impunidade e decis&#xF5;es das Supremas Cortes no Brasil e na Argentina</italic>.
	</p>
	<p>Ainda inclu&#xED;mos neste n&#xFA;mero, tr&#xEA;s artigos na Se&#xE7;&#xE3;o Livre e duas resenhas. O primeiro da Se&#xE7;&#xE3;o Livre, &#x201C;La Calidad de la democracia em Honduras, 2014-2018: sistema pol&#xED;tico, sociedade civil e institui&#xE7;&#xF5;es em perspectiva&#x201D;, de Carlos Federico &#xC1;vila e Carlos Ugo Joo, &#xE9; dedicado &#xE0; an&#xE1;lise da qualidade do regime democr&#xE1;tico, compreendendo as crises pol&#xED;ticas recentes e as limita&#xE7;&#xF5;es da democracia hondurenha, incluindo os desgastes no campo pol&#xED;tico que levam o descr&#xE9;dito da popula&#xE7;&#xE3;o acerca das formas de exerc&#xED;cio da democracia representativa.</p>
	<p>O segundo artigo, &#x201C;&#xBF;Pertenece a Chile?&#x201D;. Civilizaci&#xF3;n y desierto, rentismo y subordinaci&#xF3;n: la formaci&#xF3;n del territ&#xF3;rio nacional em el extremo sur del Per&#xFA; (Tarapac&#xE1;, 1827-1877)&#x201D; de Luis Castro Castro e Inmaculada Sim&#xF3;n Ruiz, dedicado &#xE0; constru&#xE7;&#xE3;o do territ&#xF3;rio nacional e as m&#xFA;ltiplas a&#xE7;&#xF5;es e estrat&#xE9;gias na conquista e coloniza&#xE7;&#xE3;o do extremo Sul do pa&#xED;s. A integra&#xE7;&#xE3;o do territ&#xF3;rio nacional peruano, conforme prop&#xF5;e os autores, foi realiza&#xE7;&#xE3;o de forma assim&#xE9;trica, estabelecendo uma rela&#xE7;&#xE3;o de subordina&#xE7;&#xE3;o da regi&#xE3;o ao governo Central.</p>
	<p>O &#xFA;ltimo artigo publicado neste n&#xFA;mero &#xE9; &#x201C;Administra&#xE7;&#xE3;o de diret&#xF3;rios partid&#xE1;rios e a&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica de elites provinciais no Brasil do Segundo Reinado: a implanta&#xE7;&#xE3;o do Centro Liberal e suas implica&#xE7;&#xF5;es no funcionamento do Partido Liberal na Prov&#xED;ncia do Paran&#xE1; (1868-1889)&#x201D;, de Sandro Gomes, que prop&#xF5;e analisar as rela&#xE7;&#xF5;es entre o Partido Liberal na prov&#xED;ncia do Paran&#xE1; e o diret&#xF3;rio nacional, revelando a manuten&#xE7;&#xE3;o da sua relativa autonomia frente ao diret&#xF3;rio nacional.</p>
	<p>Ao final do n&#xFA;mero, duas resenhas fecham a edi&#xE7;&#xE3;o. A primeira, de Rodolpho Gauthier Cardoso dos Santos, sobre o livro de Jorge N&#xE1;llim dedicado ao antiperonismo. E a segunda, de Cl&#xE1;udia Castello, sobre o recente livro publicado por Alexandre Valentim acerca da crise do Imp&#xE9;rio portugu&#xEA;s.</p>
	<p>Tal como j&#xE1; &#xE9; usual na revista, reunimos pesquisadores de diferentes IES nacionais e estrangeiras no intuito de divulgar pesquisas in&#xE9;ditas e de elevado n&#xED;vel acad&#xEA;mico acerca do mundo ibero-americano. Esperamos que tais artigos contribuam com os diversos campos das Ci&#xEA;ncias Humanas dedicados &#xE0; Ibero-Am&#xE9;rica e instiguem novas pesquisas.</p>
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				<bold>A inven&#xE7;&#xE3;o dos direitos humanos</bold>. Uma Hist&#xF3;ria. Trad. Rosaura Eichenberg. S&#xE3;o Paulo: Companhia das Letras, 2009.
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