Dossiê
Teorias intermediárias: uma estratégia para o conhecimento comunicacional1
Middle range theories: a strategy for communicational knowledge
Teorias intermediárias: uma estratégia para o conhecimento comunicacional1
Matrizes, vol. 14, núm. 2, pp. 101-117, 2020
Universidade de São Paulo
Recepção: 18 Julho 2020
Aprovação: 14 Setembro 2020
Resumo: O artigo apresenta uma percepção a respeito do perfil do conhecimento comunicacional, entre uma preocupação com teorias gerais e a posição interdisciplinarista, assinalando limites das duas possibilidades. Propõe, como alternativa, uma analítica voltada para a descoberta de características do complexo fenômeno comunicacional. Reconhece o risco, nessa posição, de manter a atual dispersão de abordagens. A proposta para superar essa dispersão é o desenvolvimento, a partir da visada analítica, de teorias intermediárias da comunicação. Discute os cuidados necessários para a eficácia epistemológica dessa produção. Em conclusão, sistematiza aspectos da estratégia através de quatro movimentos em uma dinâmica integrada.
Palavras-chave: Teorias intermediárias, conhecimento comunicacional, analítica, desentranhamento.
Abstract: The article presents a perception about the profile of communicational knowledge between a concern with general theories and the interdisciplinary position, pointing out obstacles to both possibilities. Proposes as alternative an analytical approach, aimed at the discovery of characteristics of the complex communicational phenomenon. The article recognizes the risk of comforting the current dispersion of perspectives. To overcome that dispersion, proposes activating middle range theories of communication. It brings forward the needed precautions for the epistemological efficacy of this production. In conclusion, systematizes some aspects of the strategy by means of four movements of a comprehensive dynamic.
Keywords: Middle range theories, communicational knowledge, analytics, unraveling.
INTRODUÇÃO
O CONHECIMENTO COMUNICACIONAL mostra-se, hoje, a meio caminho entre o estatuto de disciplina acadêmica e o de um campo agregado de ocorrências, percepções e proposições diversas, relacionadas sem sistematicidade à noção de comunicação. Há certo reconhecimento acadêmico da especificidade, mas também uma constatação de sua baixa consistência, assim como uma permeação em conhecimentos sociais de diversas origens, sem percepções minimamente acordadas sobre o que define o fenômeno comunicacional.
O que podemos reunir sob a abrangente denominação fenômeno comunicacional começa a despontar sobretudo a partir do final do século XIX, com perguntas diversas, surgidas e formuladas no corpo de diferentes âmbitos de conhecimento – questões como opinião pública, conversação, retórica, informação de atualidade, produção de sentido entre participantes sociais, interação como processo psicossocial, indústria cultural, propaganda, entretenimento, divulgação de conhecimentos, processos narrativos, experiência estética, processos agonísticos e novas tecnologias.
Em cada campo de conhecimento ou de prática, as preocupações surgiram como questões integradas ao âmbito da percepção ou da ação de seu interesse. As primeiras hipóteses e perguntas de um conhecimento ainda não constituído surgem assim, nas questões práticas da realidade social ou natural; ou então, conforme Alain (1939/1947, referindo Auguste Comte), no âmbito de uma disciplina estabelecida que as inscreve como parte de suas preocupações.
O século XX foi rico na produção de teorias assim elaboradas que – dentro das diversas ciências humanas e sociais – se propunham a fornecer uma visão abrangente sobre o que aí se apresentava como a questão comunicacional. A palavra “comunicação”, de uso generalizado no senso comum, parecia ser referência adequada. Mas cada teoria (sobre comunicação e não de comunicação, como mostra Martino, 2007), na verdade, só pode se propor abrangente (geral) no que se refere às preocupações específicas da disciplina de conhecimento que a desenvolve.
Para uma sociologia da comunicação, as perguntas relevantes são apenas aquelas que se mostram inscritas no horizonte da disciplina. Nesse sentido estrito, e só nesse sentido, é uma teoria geral – o que sugere uma contradição. Tão logo nos deslocamos do enfoque sociológico estrito, em busca de uma perspectiva propriamente comunicacional, a pretensão de teoria geral se evidencia não atingida. No espaço vizinho, dos estudos de linguagens e letras, encontramos preocupações centradas nas linguagens – que se expandem da oralidade e da escrita para os processos audiovisuais; da literatura para narrativas de âmbito social elaboradas nos mais diversos contextos, gerais ou especializados. E assim é para cada ciência humana e social que se preocupa com questões postas pela emergência expressa do comunicacional em seus campos respectivos. Em cada um desses campos são propostas teorias gerais da Comunicação, segundo suas perspectivas disciplinares – a questão comunicacional é diversa conforme a disciplina.
Se recuarmos um passo para observar o conjunto de propostas teóricas oferecidas pelas diversas ciências humanas e sociais, é inevitável perceber a insuficiência de qualquer delas para abranger o conjunto de questões que se manifestam nesse quadro composto. É o que terá levado à caracterização de nosso campo de conhecimento como sendo interdisciplinar. A categorização, entretanto, não é adequada, pois o conhecimento interdisciplinar envolveria um trabalho conjunto e articulado entre as diferentes disciplinas, o que não ocorre. O que vemos é um agregado disperso de questões relacionadas a diferentes perspectivas.
Não por acaso, desde os anos 1990 não surgem mais teorias com pretensão de abrangência. Tornou-se claro que o conjunto de questões comunicacionais é tão complexo e diversificado que extrapola o âmbito de qualquer das disciplinas sociais estabelecidas. O acervo de teorias gerais do século XX se agrega em um conjunto informe. Em cada uma das grandes proposições, as questões comunicacionais estão imbricadas com questões e lógicas próprias da disciplina em que a teoria foi elaborada. Certamente fazem sentido em seus espaços especificados; mas não compõem um conjunto articulado. Não que sejam contraditórias entre si – são antes mutuamente indiferentes2. A rigor, nunca tivemos uma verdadeira teoria geral da comunicação.
Essa situação favorece uma adesão conformadora à perspectiva interdisciplinarista: um campo misto, composto por mera acumulação e/ou aplicação de ofertas das disciplinas humanas e sociais. Mas essa opção não permite fazer sentido no conjunto de questões e teorias dispersas que, entretanto, reconhecemos como atinentes à comunicação humana e social. Como distinguir, em uma situação, o que é nosso e o que é pertinente às proposições teóricas de qualquer das disciplinas estabelecidas?
Luiz Signates (2017) propõe que “a diversidade . . . dos estudos comunicacionais” relacionados “aos mais diferentes contextos sociais proporciona a suspeita de que a comunicação emerge como uma nova ciência básica, tardia e promissora, embora ainda teoricamente inconsistente[ênfase adicionada]” (p. 13). Não podemos nos eximir (como área de trabalho e de conhecimento, composto que seja) de buscar sentidos desse “agregado”. Porque, senão, como justificar uma reunião de processos e de reflexões que não teriam sentido reunidos? A referência principal à comunicação teria que ser descartada – mas o bom senso se rebelaria contra esse descarte, de tal modo se evidencia, em todas essas questões, a presença do comunicacional. Um desafio relevante para o conhecimento comunicacional é o de obter consistência teórica.
POR UMA ANALÍTICA
Encontramos, para o desafio da consistência, duas alternativas recorrentes. Podemos tentar produzir sentido pela elaboração de uma teoria geral, abrangente, da comunicação, não dependente das demais disciplinas. Tal teoria se constituiria como paradigma abrangente, competente para direcionar o conjunto de pesquisas, questões e abordagens de interesse da área de conhecimento. Mas sem uma percepção minuciosa da enorme diversidade de processos, arrisca se apressar em essências restritivas, excluindo do horizonte da percepção tudo o que não se conforma à visão adotada.
Ou, segunda alternativa, seria o caso de realizar a pretensão interdisciplinar: desenvolver um efetivo trabalho de encontro entre todas as Ciências Humanas e Socais (CHS) para, em conjunto, construir uma consistência do conhecimento compartilhado3. Mas essa hipótese, além de pouco prática pelas dimensões exigidas, dependeria menos de decisões de nossa área e mais de um interesse das demais disciplinas – que parece não existir.
Considero, assim, mais produtiva, no estágio atual de nosso campo de conhecimento, uma terceira alternativa, que corresponde a apostar em uma analítica do fenômeno comunicacional. Essa alternativa parece solicitar e abrir a possibilidade de composições e debates produtivos entre muitos pesquisadores que, em suas áreas de interesse específicas, efetivamente já estudam características setoriais do fenômeno comunicacional.
O que se pode criticar nos estudos voltados para a diversidade de características do fenômeno comunicacional é a multiplicação de ângulos e abordagens, em tentativas que efetivamente arriscam a dispersão. Nossa alternativa exige, então, uma preocupação expressa com o enfrentamento desse risco. Trata-se do levantamento continuado de características do fenômeno comunicacional, procurando desentranhar essas características de sua dependência de outros fenômenos – até conseguirmos dar sentidos conjuntos a tais características, destacadas de seus primeiros espaços de oferta (Braga, 2018).
É importante, também, sublinhar que uma analítica não dispensa o recurso a teorias – apenas se contrapõe a uma teoria geral da qual decorram, dedutivamente, explicações sobre os mais diversos aspectos do fenômeno “teorizado”. É nesse quadro que se evidencia a relevância de um trabalho com teorias de nível intermediário, em vez de uma busca de macroteorias.
Além disso, se estamos interessados na elaboração de conhecimentos propriamente comunicacionais, é preciso esquadrinhar, nas teorias de outras disciplinas, os ângulos que, dando uma atenção aos aspectos mais pertinentes para nossos objetivos, favoreçam o desentranhamento da comunicação de sua posição subsumida a outros fenômenos.
Assinalamos, assim, três ângulos que exigem atenção no acionamento da analítica proposta: o risco de dispersão de visadas; as relações entre postura analítica e acionamento teórico; e o objetivo de desentranhamento.
Relacionada a tais questões, vemos a importância de um trabalho de tensionamento de teorias de campos vizinhos. Vamos ilustrar este ponto referindo a proposta de Stig Hjarvard (2014a) em sua teoria de médio alcance sobre midiatização. Pesquisando a incidência das instituições midiáticas, Hjarvard caracteriza midiatização como uma influência generalizada das lógicas da mídia sobre todas as instituições sociais.
Sua questão é a passagem, após um período de ruptura, de um regime institucional a outro (em qualquer campo social), sob influência de processos midiáticos. Trata-se, então, das variações nos princípios de organização em campos sociais, o que permite cotejar estruturas estabelecidas em diferentes momentos.
O período de ruptura aparece apenas como transição entre duas “configurações de lógicas institucionais”. Nas situações em que ocorre “ruptura de um regime existente sem que um novo regime decorra depois”, a perspectiva de Hjarvard (2014b) vê “um período de instabilidade e incerteza quanto às normas e aos valores das práticas” – período que não merece, no texto do autor, maiores observações (pp. 37-38).
Como um bom exemplo de teoria de médio alcance, a proposta oferece aportes sociológicos interessantes para o conhecimento midiático no que se refere a questões institucionais. Mas pode receber, em nossa perspectiva comunicacional, três tensionamentos:
- o foco preferencial no institucional como organizador da sociedade faz a comunicação aparecer apenas como epifenômeno, como variável dependente da categoria instituição;
- a proposição não faz entrar em seu horizonte de relevância os processos experimentais não instituídos de ordem diretamente comunicacional que surgem nas instituições e em suas fronteiras, decorrentes de questões delicadas nas interpenetrações mútuas;
- mas, em perspectiva comunicacional, encontra-se aí, justamente, um objeto de relevância, no qual podemos perceber, com maior clareza, as tentativas interacionais para o enfrentamento do inusitado – em que podemos encontrar o processo comunicacional em ação específica, voltada para o gesto instituinte tentativo.
Este rápido exemplo (que aparece em maior detalhe em Braga, 2015) ilustra o que diremos adiante sobre a produtividade do tensionamento teórico entre teorias de médio alcance. Ao acionar teorias intermediárias para nossas questões, estas devem ser reelaboradas em função do que – de nossa parte – seja assumido como problema de conhecimento. Como assinala Popper (2001, pp. 30-31), é a partir do problema que surge a elaboração teórica.
Em uma analítica, o que queremos é levantar características de processos relativos ao comunicacional – a partir de uma perspectiva que assume este fenômeno como principal, não como epifenômeno de outras questões ou categorias elaboradas em outras áreas de conhecimento.
Ao observar as práticas sociais, o relevante é perceber as estratégias e os objetivos específicos que, em seus encaminhamentos, acionam e desenvolvem processos comunicacionais. Ao observar teorias, em vez de buscar o que elas dizem ser a comunicação, nossa curiosidade será: qual é a questão comunicacional, o problema aí presente?
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Observaremos a seguir, como aspectos relacionados à proposta de uma analítica, alguns cuidados de encaminhamento necessários para sua eficácia: atenção para o risco de dispersão; escolha de acionamento teórico compatível com a visada analítica; adoção de uma meta de desentranhamento do fenômeno comunicacional; e tensionamento metodológico das teorias acolhidas. O próximo item, na discussão de características das teorias intermediárias, dará especificidade e direcionamento a estas questões.
TEORIAS INTERMEDIÁRIAS COMO ESTRATÉGIA PARA O CONHECIMENTO COMUNICACIONAL
Em meados do século XX, Robert Merton elaborou uma detalhada reflexão sobre o interesse das teorias de médio alcance para o avanço do conhecimento sociológico. Em sua obra Social Theory and Social Structure (1949/1968), estabelece essa condição intermediária básica do seguinte modo:
se situam entre as pequenas mas necessárias hipóteses de trabalho que aparecem de modo abundante nas pesquisas cotidianas; e o sistemático esforço inclusivo de desenvolvimento de uma teoria que deve explicar todas as uniformidades observadas do comportamento social, da organização social e da mudança social4. (p. 39)
Todos os campos científicos têm se beneficiado de teorias intermediárias como processo de consolidação da própria disciplina. Apenas um exemplo: o desenvolvimento da neurologia, na segunda metade do século XX, a partir de duas teorias de natureza intermediária sobre o processo de sinapses entre neurônios – como sendo de natureza química ou elétrica. Em decorrência das pesquisas acionadas com base nessas duas teorias e das elaborações consequentes a seu mútuo tensionamento, a disciplina não apenas encontrou respostas finas e complexas, superadoras das posições iniciais, como consolidou e fez avançar a própria consistência de conhecimentos da área5.
No presente texto, proponho redirecionamentos e complementações à perspectiva de Merton, para que as lógicas deste tipo de exercício teórico sejam ajustadas aos propósitos de desenvolvimento do campo da comunicação, proporcionando, assim, seu desentranhamento do âmbito das demais CHS, enfrentando a dispersão.
Para caracterizar esta defesa da produção de teorias intermediárias específicas como estratégia para o conhecimento comunicacional, assinalamos a seguir alguns aspectos relevantes entre os inerentes à lógica do médio alcance e aqueles cuidados que consideramos como condição necessária de eficácia direcionada para nossa questão. Nesse conjunto de ângulos, o trabalho metodológico se relaciona de perto com objetivos epistemológicos da área comunicacional.
Evitar a pretensão de abrangência universal
Esta é uma característica intrínseca das teorias intermediárias: se desenvolvem perto dos fenômenos específicos de seu interesse, por meio da observação de ocorrências dos processos a investigar em contexto. Devem ter, então, uma abrangência focada, sem pretensão de universalidade em suas proposições e sem objetivo de capturar a essencialidade de um fenômeno complexo; mas sim características e aspectos processuais deste, evidenciados na realidade social observada.
Não há, portanto, o objetivo de fundamentar o campo de conhecimento, mas de elaborar perguntas e hipóteses decorrentes de conjuntos especificados de observações empíricas, buscando perceber e compreender os processos em exame, além de organizar reflexivamente as características levantadas – é a lógica mesmo de uma analítica.
Merton (1949/1968) propõe que uma teoria de médio alcance “é usada principalmente para guiar a inquirição empírica” (p. 39) e que “trata de aspectos delimitados do fenômeno social” (p. 40).
Com as teorias intermediárias, evitam-se também as tendências excessivamente explicativas do objeto investigado que apenas o tomariam como elemento a ser categorizado em processos universais, preestabelecidos por macroteorias paradigmáticas (como já observado em (como já observado em Braga, 2018, p. 131).
Explicitar seu âmbito de abrangência
A investigação de ocorrências em estudos de casos e de situações singulares pode gerar percepções finas a respeito de características dos processos aí evidenciados. Desenvolvidas diretamente no contexto de sua produção, estas percepções têm a vantagem da coerência contextual.
Uma questão que surge para as declarações teóricas resultantes de tais pesquisas é a necessidade de testar o alcance das declarações obtidas por inferências de observação. O processo de desenvolvimento de teorias de médio alcance a partir do trabalho de pesquisa exige, portanto, que seja investigada a variedade de situações para as quais possam fazer ou não sentido. Uma vez que um dos objetivos do conhecimento científico é o de obter afirmações com algum grau de abrangência, isso corresponde a direcionar a reflexão para processos da realidade nos quais aquelas proposições possam ser consideradas pertinentes.
Tratando-se de um objeto complexo como o fenômeno comunicacional (de conhecimento ainda pouco sistematizado), é relevante perceber a viabilidade das inferências feitas sobre um caso específico como base para o exame de outros casos6. É preciso, portanto, desenvolver uma apreensão clara de sua abrangência.
Temos já um início de teoria intermediária quando esta organiza perguntas e hipóteses em torno de determinadas características derivadas de um conjunto de pesquisas empíricas diversas. O passo seguinte, na própria elaboração e desenvolvimento da teoria, será o de seu exercício metodológico como heurística para outras pesquisas – permitindo incluir em sua própria formalização os ângulos de validade e pertinência que avoca.
Além do teste de abrangência e alcance resultante do acionamento para diferentes situações em pesquisa, a extensão efetiva de tais teorias resultará de tensionamentos com outras teorias de médio alcance. Voltaremos a este tópico adiante.
Produzir proposições heurísticas
Caracterizadas por um objetivo de abertura de caminhos e de descoberta, as teorias na área da comunicação serão inevitavelmente conjecturais – e não dedutivamente elaboradas a partir de fundamentos inclusivos. Partindo de características observadas, devem buscar abdutivamente relações entre elas, assim como sentidos compreensivos no âmbito de seu alcance. Não são explicativas nem propositoras de fundamentos – são antes teorizações heurísticas, assumidas como conjecturas voltadas para descobertas estimuladas por suas propostas.
Uma teoria intermediária não se fundamenta, portanto, como expressão de verdades normatizadas. Lastreada em evidências lacunares, justifica-se por sua probabilidade de produzir novas evidências. Paralelamente, abre-se para a inclusão das descobertas obtidas em seu movimento heurístico, buscando seu próprio desenvolvimento qualitativo por ajustes continuamente integrados.
As ciências sociais estabelecidas dispõem de teorias fundadoras, de um corpo teórico abrangente e bem sistematizado. Mesmo quando grandes teorias de origem sejam contestadas ou modalizadas por novas questões, são ainda referência para o distanciamento proposto. Nessa situação, as referências de fundamentação são metodologicamente produtivas.
Na área da comunicação, em contraste, um zelo excessivo pela fundamentação arriscaria a manutenção do conhecimento comunicacional no âmbito estrito de outra ciência já constituída. Isso não significa que defendemos uma espécie de vale tudo na produção de conhecimentos não fundamentados. Apenas que uma parte do conhecimento produzido pela pesquisa não pode mesmo oferecer garantias baseadas em pertinência dedutiva a quadros teóricos dados – exatamente porque pretende ir além dos fundamentos atualmente estabelecidos nas ciências vizinhas. Exemplificamos este ponto no item “Por uma Analítica” deste artigo, referindo bases teóricas da sociologia.
Na ausência de garantias dedutivas, as conjecturas apresentam a característica de serem tentativas, devendo se sustentar menos na fundamentação e mais na produtividade heurística das proposições feitas. Aqui, o que permite testar uma afirmação, hipótese ou conjectura não é o rigor dedutivo que essas apresentem a partir de fundamentos alegados. Não é também a verificação empírica imediata, com seu suporte indutivo. O teste da heurística é sua potencialidade para produzir descobertas e novas investigações. Merton (1949/1968) faz uma proposta que se relaciona bem com a questão heurística:
A orientação para o médio alcance envolve a especificação da ignorância. Em vez de pretender dispor de um conhecimento que está de fato ausente, a teoria expressamente reconhece o que resta ainda a aprender para estabelecer bases para outros conhecimentos7. (p. 68)
Voltar-se para o desentranhamento do comunicacional
Teorias de nível intermediário, próximas como são da investigação empírica, mostram potencialidade para a futura constituição de uma disciplina da Comunicação, desde que se adote um objetivo de desentranhamento.
As declarações teóricas sobre comunicação no âmbito das disciplinas CHS estabelecidas se inscrevem nas macroperspectivas destas. O desenvolvimento de uma visada propriamente comunicacional pede a geração de outras questões, liberadas desta restrição.
A possibilidade de gerar perguntas e hipóteses que não serão feitas no âmbito das ciências estabelecidas pode ser efetivada em dois níveis de ação, ambos relacionados a uma reflexão teorizante de médio alcance:
- desentranhar o comunicacional de proposições das teorias vizinhas por um tensionamento do que estas dizem sobre comunicação, indo além delas na busca de outras questões;
- desentranhar o comunicacional diretamente das situações observadas em pesquisa, buscando distinguir aí o que é explicitado pelas teorias vizinhas e o que resta descobrir.
Assim, uma elaboração teórica de nível intermediário para a área da comunicação deve acionar o potencial de teorização para articular produtivamente proposições abstratas e problemas empíricos pensados em perspectiva comunicacional.
Partir de características percebidas e superar sua dispersão
Tenho enfatizado, em artigos desenvolvidos nos últimos anos, o interesse dos estudos de caso e de situações singulares, nos quais podemos observar, a partir de diferentes abordagens, características e aspectos do fenômeno comunicacional. Essa diversidade de ângulos investigativos favorece abarcar a complexidade do fenômeno. Ao mesmo tempo, entretanto, ocorre o risco de uma dispersão indiferenciadora de propostas.
Essas duas observações pareceriam contraditórias: defender o estudo de situações singulares, contextualizadas, em que a ocorrência do comunicacional evidencia características observáveis e permite inferências indiciais; e lastimar a dispersão que parece decorrer daí8. Mas justamente as teorias intermediárias fornecem o remédio articulador entre os dois termos. Por um lado, se desenvolvem perto da ocorrência material dos processos de interesse; por outro, buscam nível mais abstrato, no qual é possível a articulação de características relativamente próximas ou a composição articuladora de características diferenciadas.
Assim, essas teorias procuram relacionar episódios e aspectos em uma reflexão que, além de dar consistência ao conjunto dos processos observados, oferece perguntas e hipóteses decorrentes de um agregado específico, mas diversificado, de observações empíricas, voltadas para um desenho integrado de características.
Merton (1949/1968) assinala essa ida e volta entre o empírico e o trabalho mais abstrato: “Teorias de médio alcance envolvem abstrações, certamente, mas estas são suficientemente próximas dos dados observados para serem incorporadas em proposições que permitem o teste empírico”9 (p. 39).
Essa característica, associada ao tópico “Explicitar seu âmbito de abrangência”, reduz o risco de dispersão, produzindo articulação de questões e de abordagens. Com isso, o trabalho de geração de consistência do conhecimento comunicacional se faz de modo concreto e baseado na realidade diferenciada – em vez de pretender que a consistência seja resultante de um gesto ontológico, conceitual, abstrato, voltado para o estabelecimento de uma abrangência total.
Disponibilidade para tensionamentos mútuos com o empírico e com outras teorias
As teorias intermediárias, como organizadoras de zonas específicas de investigação, viabilizam um tensionamento mútuo, em processo de hipóteses concorrentes (Campbell, 2005). A ideia de uma epistemologia evolutiva implica esse processo agonístico tensionador, como tática conjunta de teste e aperfeiçoamento, em que as hipóteses melhores ou mais abrangentes se desenvolvem, e as mais fracas ou restritas são superadas.
A abertura para um trabalho de tensionamento mútuo com outras teorias intermediárias se mostra como estratégia de acuidade sobre os fatos, de ajustes finos no desenho de sua abrangência, de revisões decorrentes de objeções e da observação empírica, além de viabilizar desdobramentos qualificadores como resposta a tais objeções e aos desafios empíricos relacionados.
A potencialidade de tensionamento teórico mútuo será favorecida por uma postura de evitar respostas explicativas baseadas em fundamentos pétreos. A própria caracterização heurística apontada antes favorece um enfrentamento aberto para o empírico, uma vez que não se trata de enquadrar ocorrências em categorias teóricas estabelecidas, mas sim de descobrir especificidades a partir de observação da realidade.
Isso oferece uma particular plasticidade para a teoria de médio alcance – pronta a reajustar suas perspectivas diante de novos indícios e inferências na pesquisa, na medida em que o próprio objeto a tensiona e aperfeiçoa. Essa é, aliás, a própria lógica da abdução como principal modo inferencial nesta linha investigativa. Sendo a abdução a hipótese pela melhor apreensão das coisas nas condições da informação disponível, a observação de novos indícios implica a revisão da hipótese.
No que se refere ao tensionamento entre teorias, isso depende, naturalmente de um ambiente de pesquisa valorizador da agonística como processo produtivo. Mas a abertura heurística das teorias de médio alcance estimula o trabalho de auscultação de afirmações próximas e de objeções trazidas por teorias vizinhas de mesmo padrão – o que tende a gerar condições propícias ao trabalho agonístico. Inversamente, as pretendidas teorias gerais sobre comunicação, geradas no século XX por diferentes ciências humanas e sociais, estimulam escolhas em bloco direcionadas por seus fundamentos – determinando aquela indiferença mútua a que nos referimos antes.
Talvez não seja sempre possível pretender, como Merton (1949/1968), articulações entre diferentes teorias: “Estas teorias não permanecem separadas, mas se consolidam em redes mais amplas de teoria”10 (p. 68). As teorias de médio alcance podem, também, se extinguir diante de outras, mais produtivas ou mais abrangentes. Entretanto, na dimensão entre o diálogo articulador e a possibilidade de extinção no encontro com outras teorias mais produtivas em descoberta e abrangência, o tensionamento mútuo será favorecedor, seja do aperfeiçoamento possível de cada teoria, seja – no resultado geral – do conhecimento da área.
No que se refere à midiatização, não tomar o objeto tecnologias como determinista
A perspectiva principal, aqui, é que esse tipo de objeto e seus processos na sociedade, de relevante ocorrência histórica, não correspondem, porém, a um primeiro em perspectiva comunicacional. Os próprios processos tecnológicos decorrem de objetivos e encaminhamentos comunicacionais da sociedade, que os dinamizam.Além disso, passado o tempo em que fazia sentido interpretar as dinâmicas surgentes como se fossem decorrentes estritamente das funcionalidades tecnológicas, torna-se claro que as interações sociais mais diversas oferecem também sua dinâmica, acionando diversificadamente as affordances (Gibson, 1977) da tecnologia. É essa dinâmica, mesmo, que faz convergirem as diferentes invenções tecnológicas, as processualidades institucionais e os campos profissionais da área.
Assim como a ocorrência tecnológica interessa fortemente à sociologia, à economia, à política e às demais CHS, interessa também à busca de conhecimento comunicacional, oferecendo-se, ainda, como especial campo de provas para experimentação e para a geração teórico-metodológica de comunicação (Braga, 2007).
Assim, o que deve nos interessar, no âmbito de teorias intermediárias sobre midiatização, são aquelas que – intrigadas por processualidades ou circuitos de incidência tecnológica – busquem apreender as complexas relações entre as affordances das tecnologias digitais e as lógicas interacionais em exercício, acionadas ou em experimentação, que fazem mover os participantes e o processo social.
EM CONCLUSÃO
Discutimos, no artigo, o que se propõe como uma estratégia para desenvolvimento de consistência de conhecimentos em perspectiva comunicacional. Demos ênfase a alguns ângulos: a preferência por uma analítica, mais que por uma visada ontológica; a produção e o acionamento de teorias de médio alcance; um trabalho de desentranhamento de processos comunicacionais; procedimentos heurísticos; e uma tática de tensionamento e transferências.
Esses quatro ângulos mostram-se articulados por suas incidências mútuas, explicitadas no item “Teorias Intermediárias como Estratégia para o Conhecimento Comunicacional” deste artigo. Além desse nível conceitual de articulação, um segundo patamar, metodológico, em que podem se integrar, é o das pesquisas empíricas. Proponho, com este objetivo, uma percepção dinâmica conjunta dos quatro encaminhamentos. Entendemos que todos estes componentes estão já presentes nos trabalhos de pesquisa da área, no país e particularmente no âmbito da Associação Nacional de Programas em Comunicação (Compós) – embora não necessariamente articulados. Não é preciso exatamente propor tais ações – é na observação de nossa realidade acadêmica que as encontro, e certamente os leitores as reconhecem em seu entorno e em suas próprias atividades correntes. O aspecto estratégico se coloca, então, por sua explicitação com esse objetivo articulador e, em consequência, por sua ação assumida como dinâmica produtiva.
Para a percepção das dinâmicas de conjunto, pensaremos no trabalho diversificado da área de comunicação no país, na processualidade conjunta, nas ações de pesquisa-e-teorização – como um modelo teórico para as ações.
Nos objetivos de pesquisa
Não se trata, aqui, de propor esta analítica como eixo principal de pesquisas singulares. Os objetivos das pesquisas da área são diversos, assim como as questões específicas investigadas. Ou seja, o artigo não sugere um modelo de pesquisa para assegurar consistência: seria contraditório com nossa defesa da diversidade necessária ao campo.
Minha tese é que – para qualquer objetivo ou problema de pesquisa da área – uma ênfase analítica e apoiada em teorias de médio alcance se presta bem aos debates de uma epistemologia evolutiva e facilita o desentranhamento de características do fenômeno comunicacional. Seu acionamento complementar com outros eixos de pesquisa implica sobretudo: a) dar ênfase a uma perspectiva propriamente comunicacional; b) acionar autores de outras áreas, tensionando suas propostas por nossos objetos; e c) tratar macroteorias estabelecidas como de médio alcance – dado que na origem não se preocupam com objetos comunicacionais senão como referidos e problemas de sua área de conhecimento.
A proposta, não excludente da diversidade, contrasta apenas com o acionamento de teorias abrangentes para inferências estritamente dependentes de uma abordagem dedutiva. Resistindo a paradigmas abrangentes (elaborados em outras disciplinas), a proposta complementa objetivos de pesquisa, liberando-a de categorizações apriorísticas e sugerindo aproximações mais experimentais, voltadas para descobertas e, eventualmente, desenvolvimentos teóricos comunicacionais.
Na importação de teorias (transferências)
Em dois espaços encontramos teorias intermediárias que podem ser produtivas para o desenvolvimento do campo comunicacional: no conjunto das ofertas já disponíveis, produzidas pelas demais ciências humanas e sociais; e na produção ad hoc pela própria área. Neste segundo espaço de produção, as teorias em desenvolvimento são já de médio alcance: não há efetiva oferta de macroteorias abrangentes e integradas, geradas pelo próprio campo.
Na importação de produção teórica sobre comunicação de disciplinas vizinhas, o ponto aqui defendido é que devemos expressamente tratar cada teoria importada pelo ângulo do médio alcance. Isso decorre da perspectiva, aqui defendida, de que uma teoria da comunicação só é geral na disciplina de origem (que não tem a obrigação de alcançar a totalidade de nossos objetos e questões). Mesmo uma macroteoria viabiliza uma adoção de médio alcance, desde que não seja acionada apenas dedutivamente, para explicar e categorizar. Pode ser produtiva por suas questões, potencialidade heurística e pelo tensionamento a partir de problemas comunicacionais de outras ordens. Isso pede, preliminarmente, esquadrinhar os problemas geradores de tais teorias; os tipos de objetos a que se aplicam; e o que é, aí, tomado como questão comunicacional. Em seguida, os resultados de tais esquadrinhamentos poderão ser redirecionados às especificidades da pesquisa para a qual serão transferidos.
É preciso, também, examinar as proposições das teorias importadas com base em uma crítica direcionada pelos objetivos específicos de nossa pesquisa, na busca de questões pressentidas como mais especificamente comunicacionais. Um modo de desentranhar tais questões é atribuir relevância principal aos aspectos comunicacionais observados, tornando-os independentes das lógicas do paradigma da disciplina de origem.
É possível, então, derivar – das próprias questões de horizonte implícitas nas teorias referidas – outras questões e hipóteses de trabalho, ainda que tentativas, com a disposição de realizar transferências de suas proposições, para ajuste a nossos objetos específicos em suas próprias perspectivas de observação. É esse ajuste ao específico que, por sua vez, se oferece como contribuição à área.
Na ida e volta pesquisa-e-teoria
Ao buscar características específicas da ocorrência comunicacional, uma analítica estabelece bases empíricas para originar proposições teóricas. Temos aí uma produtividade mútua entre ações de pesquisa e ações teóricas: a teoria alimenta a pesquisa e a pesquisa gera teoria. O trabalho com teorias intermediárias, funcionando na proximidade do empírico, favorece essa conjunção. O acionamento de teorias macro em padrão explicativo e categorizador não mostra igual retorno do processo investigativo para a elaboração teórica, pois as teorias iniciais acionadas, distantes em sua posição elevada, são pouco sensíveis ao tensionamento pelo objeto.
O aspecto heurístico das teorias de médio alcance – estimulando por definição a descoberta – é estruturalmente sujeito ao objeto e seus contextos, aberto à revisão e ao aperfeiçoamento. Tais teorias fazem ressaltar, portanto, a potencialidade da pesquisa empírica que, além dos resultados imediatos, de esclarecimento do objeto singular, viabiliza a modelização teórica. Prefere-se, aqui, referir-se a esse processo de finalização da pesquisa como fazer a teoria do objeto.
A produtividade mútua entre pesquisa empírica e teorias intermediárias só pode ser obtida em um ambiente de tensionamento entre teorias – assumidas como intermediárias para efeito de caracterização de aspectos do fenômeno comunicacional. É nesse processo de ida-e-volta entre pesquisa empírica e elaboração teórica que se constrói a base para a geração e para o acionamento consequente de teorias.
Na diversidade das pesquisas da área
A variedade de questões, objetos, teorias e abordagens – já constatada e habitual na área da Comunicação – não precisa ser reduzida: todas as disciplinas científicas mostram diversidade similar. O que produz consistência é o trabalho de compor semelhanças e diferenças em conjuntos diversos, mas conectados, conforme variam as realidades a abordar.
Esse trabalho transversal entre teorias e pesquisa exige um processo plural – de tensionamentos entre propostas diversas, objeções, réplicas, composição entre descobertas diferenciadas, heurísticas revisitadas, cotejo entre analíticas múltiplas, transferências tentativas – em que a própria área se desenvolve pelo teste das ideias, pelas verificações e reajustes e por teorizações em níveis possivelmente ampliados de abrangência e alcance. Uma área de conhecimento se desenvolve por uma analítica comparativa de proposições e conjecturas voltadas para seu aperfeiçoamento.
A área da Comunicação, no Brasil, a partir dos anos 1990, deu um primeiro passo de grande relevância na direção do debate produtivo, por discussões organizadas sobre o campo de conhecimento e pelo debate articulado no interior de áreas de interesse específicas.
Um segundo desafio para a área, hoje, no país, será a de inventar processos de debate transversais às áreas de interesse estabelecidas. Acredito que, nesse ambiente de debate, passaremos a produzir, com maior intensidade e pertinência, teorias intermediárias próprias ao campo da comunicação, a partir de suas áreas de interesse – diretamente geradas e acionadas com um foco comum no desenvolvimento do conhecimento comunicacional.
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A partir de analíticas diversas, podemos chegar a sínteses geradoras de perspectivas comunicacionais cada vez mais consistentes – ao mesmo tempo, ancoradas em referências empíricas e questões de realidade. Não é uma teoria abrangente que oferecerá consistência ao campo de conhecimento; mas sim uma percepção complexa da diversidade de problemas comunicacionais – em uma topografia de conjunto, ainda que lacunar, de teorias diversas que se defendam pertinentes para seus âmbitos e seu alcance, mostrando nesse desentranhamento de características a perspectiva comunicacional que se oferece para o conjunto. Como se percebe, esta não é tarefa de um pesquisador isolado, nem mesmo de um grupo de pesquisa, mas atividade constante e diversificada de uma área de conhecimento em constituição – aproveitando todas as ocasiões para o debate de ideias e abordagens.
REFERÊNCIAS
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Notas
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