Dossiê

Teoria intermediária na comunicação: elementos necessários para uma abordagem da comunicação como cultura

Middle range theory in communication: Constitutive elements for a communication approach as culture

GUSTAVO ADOLFO LEÓN-DUARTE a
Universidad de Sonora, México

Teoria intermediária na comunicação: elementos necessários para uma abordagem da comunicação como cultura

Matrizes, vol. 15, núm. 2, pp. 95-118, 2021

Universidade de São Paulo

Recepción: 17 Noviembre 2020

Aprobación: 23 Mayo 2021

Resumo: Este artigo examina e discute os pressupostos metateóricos que devem ser levados em consideração no ensino de uma teoria de médio alcance (TMA) em comunicação. Primeiro, ele examina as abordagens teóricas e modelos mais amplos para destacar a funcionalidade dos pressupostos metateóricos de caráter ontológico e epistemológico. Num segundo momento, discute criticamente as implicações da construção de uma TMA em comunicação com foco na integração descritiva da abordagem da comunicação como cultura (ACC). Conclui-se que o modelo ritual de comunicação como cultura é consistente com as sensibilidades epistemológicas contemporâneas que clamam por um campo de estudo inerentemente interdisciplinar e inovador como a comunicação.

Palavras-chave: Comunicação, pesquisa aplicada, teoria, modelos, ensino.

Abstract: This article examines and discusses the meta-theoretical assumptions that must be taken into account when teaching a Middle Range Theory (MRT) in communication. First, it examines the broader theoretical approaches and models to highlight the functionality of ontological and epistemological meta-theoretical assumptions. In a second moment, it critically discusses the implications of the construction of a MRT in communication to focus on the descriptive integration of the Approach to Communication as Culture (ACC). It is concluded that the model is in accordance with contemporary epistemological sensitivities that call for an inherently interdisciplinary and innovative field of study such as communication.

Keywords: Communication, applied research, theory, models, teaching.

INTRODUÇÃO

NO CONTEXTO DA pandemia causada pelo coronavírus (SARS-CoV-2), revisei vários textos escritos antes do surgimento da doença. Isso me permitiu encontrar novas percepções, mais claras do que anos atrás, a respeito de certos elementos e questões teóricas básicas que devem ser levadas em consideração quando as teorias da comunicação são ensinadas em cursos de graduação e pós-graduação. O mesmo aconteceu no decorrer de algumas investigações anteriores. Embora as dificuldades não tenham desaparecido no todo ou sido eliminadas integralmente por esse pensamento posterior, fica a certeza de que devemos continuar a dedicar mais tempo ao trabalho com os clássicos da teoria da comunicação para aumentar nossa familiaridade ontológica e epistemológica a respeito da disciplina.

Considero que uma boa motivação é ser capaz de diferenciar entre as características simbólicas representativas da história da teoria da comunicação e o desenvolvimento sistemático prospectivo que se manifesta de forma potencial a partir da fragmentação produtiva do campo dos estudos da comunicação em nível global (Craig, 2013). Assim, o conhecimento e o reencontro com os clássicos ofereceriam uma variedade de circunstâncias teóricas potenciais para o docente de comunicação. Destacaria aqui a versão analítica mais convincente de não se abstrair em ideias próprias bem como a satisfação, portanto, da confirmação independente para a geração de novas ideias e o desenvolvimento de padrões analíticos elevados para (re)pensar o campo da teoria e da pesquisa da comunicação.

TEORIAS DE COMUNICAÇÃO: MOVIMENTOS, ABORDAGENS, INFLUÊNCIAS (INTER) DISCIPLINARES

É evidente que o papel da comunicação como disciplina social foi historicamente forjado de forma muito vigorosa e mutável a partir do início do século passado (León-Duarte, 2010). Da mesma maneira que ocorreu com outras disciplinas das ciências sociais, a comunicação, como um campo de estudo intrinsecamente interdisciplinar, foi fortemente influenciada desde a Segunda Guerra Mundial por três movimentos e abordagens que, segundo Calhoun (2017), vêm lhe dando forma e oferecendo o exemplo de trabalho intelectual inovador e interdisciplinar nas ciências sociais: os estudos específicos da área e sua integração com outros núcleos (inter)disciplinares; os métodos quantitativos; e a pesquisa empírica voltada para a resolução de problemas. Nessa perspectiva, as três tendências foram influenciadas pelo financiamento, pela mudança social e pelo desejo de tornar o conhecimento disciplinar socialmente útil (pp. 117-130). Tudo parece indicar que esse espírito de interdisciplinaridade referido por Calhoun ainda nos acompanha e merece ser cultivado como uma das qualidades mais meritórias do campo, apesar do grande número de diferentes teorias e abordagens disciplinares que o fomentam. Nesse sentido, o professor Robert T. Craig (2018) indica que a comunicação como disciplina social tem se configurado como uma espécie de “câmara de compressão interdisciplinar” para todas as abordagens sociais disciplinares. Assim, a comunicação é hoje, ao mesmo tempo, um campo disciplinar e interdisciplinar. A fragmentação intelectual da disciplina é um problema, mas também sua principal fonte potencial de adaptação (pp. 289-297).

O próprio professor Craig (1999) destacou que os cursos universitários em teoria da comunicação na América do Norte estão sendo oferecidos cada vez mais em todos os níveis de graduação e pós-graduação. Uma consequência disso foi o grande volume de livros especializados em teorias da comunicação. No entanto, diz Craig, embora existam muitas teorias de comunicação para se ensinar de maneira efetiva em qualquer curso, não há consenso sobre uma teoria da comunicação como campo disciplinar. De fato, Craig indica o estudo de Anderson (1996, citado por Craig, 1999, p. 120), que analisou o conteúdo de sete livros de teorias da comunicação e identificou 249 teorias diferentes, das quais 195 apareceram em apenas um dos sete livros em análise. Apenas dezoito das 249 teorias (7%) foram incluídas em mais de três livros. Ou seja, os textos introdutórios de teoria da comunicação concordariam em pouco mais de 7% dos conteúdos teóricos essenciais ao campo.

Portanto, considero que é válido para qualquer professor universitário, de qualquer país, questionar as consequências do ato formativo quando inicia um curso de teoria da comunicação. Independentemente da atualização dos dados oferecidos por Anderson (1996) há duas décadas, fica claro que, dependendo de como são concebidas pelo professor, tanto as teorias quanto as abordagens da comunicação podem ter mais ou menos sucesso no processo de ensino-aprendizagem. Parto da reflexão, mas também do princípio intelectual, para destacar a análise didática nas estruturas dos pressupostos e explicações que utilizamos na interpretação das nossas experiências. Trata-se de expor os valores e critérios teóricos, funções, abordagens e quadros de referência das teorias da comunicação para perceber e prever certas realidades e, em geral, produzir sentido e significado a respeito de nossa própria realidade comunicativa.

OBJETIVOS DO ESTUDO

É necessário um primeiro autoquestionamento: em que termos uma teoria da pesquisa científica deveria ser exposta, ensinada e desenvolvida no campo dos estudos da comunicação? Que função explicativa a teoria possuiria e como o fenômeno em estudo seria representado? A teoria deve incluir alguma abordagem, perspectiva ou modelo de representação? A teoria teria, portanto, uma forma conceitual que pudesse ser modelada? Em caso afirmativo, o modelo teórico de comunicação é fielmente representado por uma pergunta e/ou hipótese de pesquisa? Por que a abordagem interpretativa acentua a função heurística da teoria e por que facilita a interpretação empírica? Por que a organização teórica por meio de um esquema conceitual progressivo por categorias de análise, dimensões, propriedades e indicadores caracteriza e define melhor o ordenamento conceitual do fenômeno social estudado? Existe alguma vantagem em tornar a teoria operacional? O modelo aumentaria a compreensão teórica das causas do fenômeno? Se o objetivo da função é expressar teoricamente a regularidade do fenômeno empírico estudado, que variações e singularidades de aplicabilidade encontramos entre os dados e os resultados com a teoria inicial? O que garante que tanto o acadêmico quanto o estudante da área de comunicação podem realizar testes empíricos para ordenar teoricamente alguma proposição conceitual de certa abordagem teórica discutida em aula?

Evidentemente, as questões são entendidas aqui como delineamentos de apoio às dimensões de conteúdo do presente estudo. São linhas gerais que sintetizam os nós e as matrizes de conhecimento que o ensino da comunicação destaca quando trata de determinada teoria da comunicação: a percepção e a análise dos objetos; a especificidade dos objetivos e das estratégias, os procedimentos e as técnicas metodológicas utilizadas; as desconstruções realizadas e o exame ou análise detalhada dos padrões; os recursos; e o desenvolvimento de relações semânticas entre a teoria e os fenômenos ou objetos em estudo. Em qualquer caso, o conhecimento comunicativo é aqui visto como um meio que produz e reproduz um sentido que reinterpreta interpretando, explicando e considerando que um fenômeno social e sua compreensão aproximada são, na maioria dos casos, indissociáveis (León-Duarte, 2002, 2015a, 2019). O objetivo deste texto é examinar e discutir os pressupostos metateóricos básicos de uma teoria de médio alcance (TMA) em comunicação, particularmente para guiar a prática docente no ensino superior. Nesse marco, objetiva-se expor e debater criticamente as implicações ontológicas e epistêmicas da construção de uma TMA para enfocar, como contraste e teste de postulados, a proposta teórica do professor estadunidense James W. Carey (2009): a abordagem da comunicação como cultura (ACC).

ESTRATÉGIA METODOLÓGICA: TÉCNICAS, PROCEDIMENTOS, CONTRASTES EPISTEMOLÓGICOS

É provável que, para muitos leitores deste texto, a abordagem ritual da comunicação como cultura de Carey (2009) não seja considerada, estritamente falando, uma TMA nos termos expressos por Merton (1968). Porém, dado que as TMA são descritas como produtos finais, como será visto adiante, o professor especialista em teorias da comunicação tende, em geral, a reconhecer uma negociação de adaptação mais ativa e situada no processo de ensino; no reconhecimento das tensões potenciais entre relatos teóricos adequados nas quais ele pode se apoiar; na intervenção no debate; e na forma como certos relatos retratam o compromisso ou não com os dados fiéis à experiência vivida.

Por essas razões, o procedimento metodológico utilizado aqui se relaciona em muito com o espírito das propostas de Merton, discutidas a seguir. Por exemplo, a metodologia da teoria prática fundamentada (Craig & Tracy, 1995; Corbin & Strauss, 2014), bem como a etnografia multissituada de Marcus (1998), personifica tradições metodológicas abertas à autocrítica e, acima de tudo, comprometidas em fundamentar a construção de um nível adequado de teorização média com base em evidências empíricas, conforme a aspiração e o compromisso expressos por Merton (1968). Considerando ambas as tradições epistemológicas, minha posição é que, ao invés de aspirar a considerá-la (ou não) uma TMA, a ACC está mais alinhada com as sensibilidades epistemológicas contemporâneas quanto à adoção de uma metodologia que abrace as tensões das TMA, mantendo viva a questão de saber se o estudo da comunicação como um ato ritual da cultura é adequado para abordar determinados problemas comunicacionais, públicos diversos e objetos culturais contemporâneos.

Num primeiro momento, este estudo exigiu uma profunda revisão bibliográfica e documental. Uma vez selecionados os materiais da revisão, foi utilizado o método de comparação constante, sugerido pela teoria fundamentada de Corbin e Strauss (2014) para desenvolver duas ações intelectuais básicas. Por um lado, formulou-se um conjunto de autoquestionamentos para contrastar e expandir a dúvida sistemática quanto à compreensão teórica sobre o tema. O objetivo central foi alcançar uma proximidade indutiva com a evidência histórica coletada para estabelecer um guia de relacionamento e orientação teórica em torno do ensino de uma TMA na área da comunicação. Por outro lado, comparou-se a própria experiência acadêmica e de pesquisa com as experiências e contextos históricos de outros teóricos clássicos e não tão clássicos, para conseguir uma generalização na descrição e explicação das ideias teóricas e para efetuar o tratamento dos conteúdos temáticos com fins pedagógicos, além da própria prova de uma TMA em comunicação.

As técnicas e procedimentos permitiram estabelecer novas relações e conexões conceituais para organizar um esquema explicativo que expressa o ordenamento conceitual da ACC de Carey (2009). Tanto a teoria como a análise e integração de determinado número de variáveis que representam as dimensões e propriedades formuladas pela ACC, discutidas a seguir, envolveram uma interpretação intensa e complexa. Metodologicamente, foram executadas duas operações instrumentais específicas para examinar semelhanças epistemológicas e diferenças de aplicação entre uma TMA na comunicação e a integração da ACC.

Em primeiro lugar, com base na recomendação específica exposta por Belgrave e Seide (2019), que afirmam que a utilização do método de comparação é útil para as seguintes situações relacionadas com a análise de abordagens e modelos teóricos, particularmente quando se tenta analisar uma TMA: 1) a metodologia é útil para analisar propostas teóricas decorrentes da preocupação contemporânea em produzir relatos que sejam ao mesmo tempo fiéis ao mundo da vida analisado e às experiências vividas por acadêmicos e pesquisadores; 2) é adequada para examinar, explicar e intervir nos problemas do dia a dia, “preocupação expressa por Merton como uma necessidade sine qua non para ativar uma TMA” (p. 304).

Por outro lado, foi observada e aplicada a sugestão de Jørgensen (2001), na medida de nossos limites, que argumenta que o potencial da teoria fundamentada está na possibilidade de articular: 1) as etapas lógicas para lidar com a coleta e análise de dados; 2) a correção de erros e omissões para apoiar as ideias analíticas; 3) a implementação de ferramentas para estudar os processos psicológicos e sociais básicos em contextos naturais; e 4) a definição de estratégias para compreender, explicar e criar uma TMA. Por fim, seguindo Argyris (1995), foi realizada uma busca para identificar possíveis construtos, fatores, propriedades e indicadores que pudessem ser incorporados em proposições que permitissem testes empíricos e que adviessem da ACC de James Carey (2009).

Assim, elaborou-se um esquema conceitual progressivo (Tabela 1), que se inicia com uma categoria teórica de primeira ordem que pode derivar hipóteses, pois o significado da ACC pode ser associado a uma série de problemas de comunicação sociocultural e da vida cotidiana. Seguindo León-Duarte (2015b; 2019), o procedimento metodológico consistiu na identificação pontual de um conceito que compartilhava características de ação prática no conjunto do núcleo teórico disciplinar revisado (ACC) para atribuir-lhe um código de identificação e classificação. Posteriormente, foi obtida uma base para avaliar e comparar um conjunto seleto e específico de propriedades teóricas conceituais por meio de uma lista inicial geral. A partir dessa ordem, começaram a ser contrastados os postulados epistemológicos segundo os quais, de acordo com Merton (1968, pp. 51-69), uma TMA deve ter para avançar significativamente em dois planos interconectados: 1) desenvolvendo categorias teóricas especiais que permitem derivar hipóteses que possam ser investigadas empiricamente; e 2) desenvolvendo um esquema conceitual progressivo mais geral que seja adequado para consolidar grupos de teorias especiais.

Tabela 1
Abordagem da comunicação como cultura
Categoria de primeira ordemDimensões de segunda ordemPropriedades de terceira ordem
1. Abordagem da comunicação como cultura2.1. A comunicação como sistema de informação e controle 2.2. A comunicação como cultura 2.3. Sentido, significado e direção da comunicação 2.4. Orientação e tomada de posição ante os problemas da vida cotidiana 2.5. Fundamentos da produção de sentido 2.6. Produção simbólica da realidade comunicativa 3.1. Critérios relacionados com o sistema de envio de informação, transmissão e distribuição para o controle de outros. 3.2. Critérios do sistema de relações relacionados com experiência, interação, ressignificação, emoções e ideias, intenção consciente de participar e compartilhar. 3.3. Definir o sentido da comunhão: definida para manter crenças compartilhadas. 3.4. Identificar e definir a visão particular do indivíduo ou grupo: objetivos, aspirações, conhecimento, entendimento comum. 3.5. Descrever e explicar a representação de forças e as ações dramáticas do indivíduo ou grupo em um tempo histórico preciso. 3.6. Identificar a aceitação de ações mútuas realizado pelo indivíduo ou grupo. 3.7. Identificar o papel social do indivíduo ou grupo. 3.8. Identificar os critérios simbólicos de constituição de sentido: o que produz, o que mantém, o que repara e o que transforma a comunicação? 3.9. Identificar evidências do processo produtor que define o comportamento simbólico da comunicação. 3.10. Identificar o sentido e significado das experiências do indivíduo ou grupo, enfatizando as que se têm em comum. 3.11. Identificar o conjunto de objetivos, crenças, aspirações, conhecimentos, compreensões e posições que compartilham. 3.12. Identificar o critério exigido para a realização: como se constrói e como se preserva o consenso comunicativo no indivíduo ou grupo social. 3.13. Identificar as características das conversações, instruções, ideias significativas e busca de informação. 3.14. Identificar a problemática. Problematizar e documentar o conjunto de percepções sobre essa realidade. 3.15. Representar simbolicamente a problemática comunicativa. Criação de mapas, modelos, plantas. Representação de e para a realidade. 3.16. Pensar e reexaminar o processo comunicativo para identificar onde se cria, onde se ensina e como são ativadas as formas simbólicas da comunicação. 3.17. Reexaminar as criações, expressões e transmissões de conhecimento, assim como a atitude do indivíduo ou grupo na realidade. 3.18. Identificar e reexaminar o comportamento simbólico da comunicação: o que evidencia e o que produz o comportamento simbólico da comunicação? 3.19. Identificar o conjunto de experiências que caracterizam a realidade comunicativa: em termos de produção, manutenção, reparação e transformação da comunicação.
Nota. Elaboração própria com base em dados de: León-Duarte (2015b, pp. 363-38; 2019, pp. 41-59); Craig (2013, pp. 39-57) e Carey (2009, pp. 7-234).

Por fim, o procedimento metodológico se encerra com uma apresentação analítica descritiva da ACC (Tabela 1), que visa integrar tanto os postulados de uma teoria fundamentada quanto os de uma teoria de médio alcance, mencionados anteriormente: ao contrário das abordagens dedutivas para a construção e teste de teorias, a metodologia fundamentada constrói a teoria a partir do compreensão empírica de uma maneira abdutiva, ou seja, instruindo o aluno a postular um raciocínio a partir da descrição de um fato para propor a elaboração de uma hipótese que visa explicar possíveis motivos do fato a partir das premissas obtidas.

Por essas razões, o procedimento de classificação e comparação de uma TMA em comunicação aplicada à proposta de Carey por meio da ACC expressa relações argumentativas constituintes de um quadro conceitual integrado que pode ser usado para explicar ou prever situações, práticas e fenômenos hoje presentes no campo do ensino e da pesquisa em comunicação. A Tabela 1 sintetiza uma categoria de análise que expressa o ordenamento teórico para determinar e medir conceitos e variáveis que a influenciam: 1) a categoria de análise de primeira ordem é intitulada abordagem da comunicação como cultura; 2) as seis dimensões teóricas de segunda ordem permitem observar, descrever e explicar a comunicação como um modelo de transmissão de informação; a comunicação como cultura; os significados e sentidos do movimento que a comunicação produz; a comunicação e sua relação experiencial com os problemas da vida cotidiana; a comunicação como processo restaurador da cultura comum; a produção simbólica da realidade comunicativa; 3) as dezenove propriedades descritivas de terceira ordem objetivariam medir de forma abrangente a ACC e poderiam ser ampliadas ou diminuídas, dependendo dos objetivos, objetos, sujeitos e problemas de comunicação e da cultura em estudo.

ESTADO ONTOLÓGICO E EPISTEMOLÓGICO DA TEORIA DA COMUNICAÇÃO

A teoria científica da comunicação pode ser entendida como o conjunto de enunciados abstratos logicamente conectados a partir dos quais podem ser derivadas hipóteses e explicações empiricamente verificáveis do ato e/ou fenômeno comunicativo (Craig, 2013). Para os objetivos traçados neste artigo, desejamos distinguir e enfatizar a diferença ontológica entre teorias e modelos teóricos de comunicação. A distinção oscila fundamentalmente entre dois polos: 1) a teoria exposta como modelo para a transmissão de informação e comunicação; 2) a teoria exposta como modelo constitutivo de comunicação.

No primeiro caso, o principal papel da teoria é explicar as causas e efeitos da troca de mensagens, com frequência em referência a mecanismos psicológicos que influenciam o comportamento. De acordo com Craig (2013, pp. 39-57), em uma visão constitutiva, o papel da teoria é conceituar e ordenar teoricamente modelos simbólicos que não apenas descrevam o processo de comunicação, mas também atuam dentro do processo de comunicação para produzir a realidade da própria comunicação. Assim, a comunicação existe em várias formas socioculturais constituídas por modelos de comunicação que as próprias teorias da comunicação podem explicar, desenvolver, criticar e potencialmente transformar.

Os pressupostos metateóricos que sustentam qualquer abordagem teórica distinguem-se fundamentalmente por suas contribuições da configuração 1) epistemológica (isto é, a base das afirmações sobre a verdade ou validade de uma teoria); 2) ontológica (características fundamentais dos objetos teorizados); 3) axiológico (sobre os valores que determinam o valor de uma teoria); e 4) praxeológica (práticas normativas para gerar, apresentar e usar teorias). Nesse sentido, Craig (2013) afirma que essa configuração é central na definição dos pressupostos metateóricos no âmbito específico do ensino e da pesquisa em comunicação, pois permitem diferenciar sua funcionalidade e ser integrados de forma mais clara para destacar os problemas que articulam e avaliam os pressupostos subjacentes às teorias específicas.

Desse modo, para atender aos objetivos já traçados neste estudo, dois pressupostos metateóricos específicos são enfatizados: 1) por um lado, aquele que se refere ao estado ontológico da comunicação, ou seja, aos pressupostos que caracterizam os objetos teorizados, como “um processo de transmissão de informação ou como a constituição social de sentido” (Craig, 2013, p. 40); 2) por outro lado, a questão se refere diretamente ao estatuto epistemológico das teorias da comunicação, ou seja, à base das reivindicações de validade teórica no sentido de poder expressar princípios universais de aplicação ou, ao contrário, teorias específicas de aplicação a determinada cultura. Com relação ao primeiro pressuposto, considero que o professor Robert T. Craig (2013, p. 41) procura localizar diretamente a principal distinção que define o estatuto do estudo da comunicação em si e, consequentemente, a definição particular da abordagem e tratamento do fenômeno comunicativo.

Isso é assim, avalio, porque Craig (2013, pp. 41-42) defende que a diferença ontológica entre a transmissão de informações e os modelos constitutivos de produção de sentido comunicativo é transcendental para definir o papel desempenhado pela construção da teoria. Coincidindo com essa posição, para o professor estadunidense James Carey (2009), os modelos de comunicação não são simples representações da comunicação, mas representações para a comunicação: modelos que orientam, inutilmente ou não, processos concretos de interação humana, massiva e interpessoal. Nessa perspectiva, estudar a comunicação implicaria examinar a construção, apreensão e uso dos modelos de comunicação em si, de modo que existiriam neles modelos de contato e interação humana, fora e dentro do processo: a construção do senso comum, arte e ciência, e a criação historicamente específica de seu uso cotidiano.

Haveria aqui, segundo Carey (2009), uma boa motivação para realizarmos o estudo dos encontros entre pais e filhos, anunciantes e consumidores, assistentes sociais e necessitados, professores e alunos. Portanto, de acordo com Carey, “os modelos de comunicação criam o que falsamente afirmam descrever: um espaço particular da cultura: cultura que determina, em parte, o tipo de mundo comunicativo que habitamos” (pp. 25-26). Por exemplo, ao construir o metamodelo constitutivo da comunicação, Craig (2015, pp. 356-374), aponta que uma teoria deve sobretudo acionar um corpo substancial de pensamento caracterizado pelo desenvolvimento histórico e pela complexidade interna, e deve concentrar-se em uma concepção fundamental da comunicação claramente diferente das outras tradições teóricas. Segundo Craig (2019), o metamodelo constitutivo tem sido utilizado como símbolo da existência do campo, como representação do campo e para ensinar no campo da comunicação.

A PRÁTICA SOCIAL DA COMUNICAÇÃO: ORDENAMENTOS TEÓRICOS E PROBLEMAS PRÁTICOS

A contribuição do metamodelo constitutivo desenvolvido por Craig (1999) considera o campo da comunicação principalmente como uma instância do construcionismo social e um metadiscurso voltado para a resolução de problemas de comunicação, do qual participam as sete tradições da comunicação. Assim, Craig (1999, 2015, 2016, 2018, 2019) ordena a teoria com base em dois princípios: o modelo constitutivo da comunicação como metamodelo e a teoria da comunicação como prática metadiscursiva. Em relação ao metamodelo constitutivo da comunicação, Craig (2016) tem argumentado, por mais de duas décadas, que ele é explicitamente pensado para conceituar o campo da teoria da comunicação e conceber a comunicação fundamentalmente como uma disciplina prática (p. 120). Em outras palavras, Craig defende que, para cultivar a prática social da comunicação a partir da organização dos recursos teóricos do campo, é necessário abordar os problemas práticos da comunicação no mundo da vida e no cotidiano. Esse é precisamente o propósito pedagógico ao qual este texto aspira, como um exemplo, pela abordagem ritual da comunicação como cultura.

Não muito distante dessa posição está James W. Carey. Para Carey (2009), a comunicação, assim como a vida social, é mais do que poder e comércio. Afirma, em primeiro lugar, que a comunicação não é um fenômeno puro que podemos desvelar, já que está sempre presente; entende a comunicação na medida em que modelos ou representações desse processo podem ser construídos. Mas os modelos de comunicação, destaca, como todos os modelos, têm esse duplo aspecto: um aspecto de e um para. De certa forma, argumenta, os modelos de comunicação nos dizem o que é o processo; em seu segundo plano, por que produzem o comportamento que têm descrito no modelo. Ao diferenciar o sentido do modelo de comunicação dessa forma, Carey (2009) acredita que é sempre possível modelar empiricamente a comunicação, e de várias maneiras, com suas consequentes implicações éticas, uma vez que possibilitam a produção de diferentes formas de construção de significados e relações sociais:

Os modelos de comunicação não são simples representações da comunicação, mas representações da comunicação e da cultura. O objetivo, então, é reformular nossos estudos de comunicação em termos de um modelo constitutivo, não apenas para compreender mais firmemente a essência desse processo “maravilhoso”, mas dar forma e sentido à reconfiguração de um modelo de comunicação que contém ou produz algum valor restaurador na remodelação de nossa cultura comum. (Carey, 2009, pp. 26-27)

Por sua vez, Craig (2015) argumentou que o metamodelo não assimila todas as teorias do campo da comunicação e reconhece, em vez disso, a existência de outras tradições teóricas com diferentes pontos de vista sobre problemas práticos que podem ter algo útil a contribuir. Da mesma forma, Craig exige o que chamou de “cosmopolitismo teórico”, a atitude, a habilidade e a disposição de todo especialista no campo para se envolver em mais de um debate teórico. Por outro lado, ele argumenta que a utilização de certos critérios, discutidos posteriormente, para avaliar o estado de determinada tradição teórica se institui com o propósito heurístico de refletir sobre como desenvolver um corpo de pensamento relacionado a outras abordagens em todo o campo, e as consequências que isso poderia ter para a prática da comunicação concebida em outras tradições teóricas (pp. 367-369).

TMA NA COMUNICAÇÃO: MODELOS, FUNÇÕES E CRITÉRIOS

Outro elemento fundamental a considerar no ensino de uma teoria da comunicação são as funções da teoria científica e as formas de aplicação no campo de estudos da comunicação: a função de descrição, previsão, explicação e controle. Considerando que as teorias científicas não são descritivas, mas explicativas, a função descritiva implica a definição e compreensão do fenômeno, bem como. Além disso, acarreta a definição de suas características e componentes, assim como as condições e formas em que se manifesta. A função de previsão está associada à possibilidade de prever eventos ou fatos sociais que ainda não ocorreram, mas que poderiam ser explicados antes que ocorressem.

Essa capacidade múltipla de descrição e previsão é o que constitui o verdadeiro poder de uma das funções mais importantes de que os acadêmicos, pesquisadores e teóricos da comunicação fazem uso: a explicação. Essa função significaria aumentar a compreensão teórica das causas do fenômeno e/ou fato social para realizar o teste empírico das proposições que a sustentam. Segundo Craig (2013), o objetivo da função explicativa da teoria da comunicação é expressar teoricamente a regularidade do fenômeno empírico estudado, especialmente quando se delimitam os processos funcionais ou causais que os produzem. Assim, para Craig, uma explicação teórico-científica é bem-sucedida quando ocorrem dois cenários: 1) os conceitos e afirmações abstratas da teoria são explicados com suficiente clareza operacional, na medida em que permitem o teste empírico das hipóteses derivadas; 2) o pesquisador compreende, prevê estatisticamente e chega a controlar potencialmente a ocorrência dos eventos empíricos que estuda (p. 45). É importante notar que, para o caso do presente estudo, talvez o primeiro cenário de explicação teórica seria o seu limite no sentido didático.

Consequentemente, Craig (2013) defende que o pesquisador da área de estudos da comunicação deve assumir uma postura cautelosa ao explicar os conceitos teóricos, pois é uma etapa fundamental na construção da teoria científica e espera-se que tal conhecimento cresça conforme a pesquisa revele lacunas e erros, estimulando, assim, a invenção de novas e melhores ideias. Em geral, a função da explicação teórica apoia-se no que Pavitt (2010, citado por Craig, 2013, p. 46) denomina de enfoque realista para a explicação científica. Como foi mencionado, em uma boa explicação científica, fundamentalmente, os padrões teóricos dos eventos compreensíveis são definidos e seria esperado que se mostrasse que esses eventos estão em conformidade com um princípio geral que explicaria potencialmente uma ampla gama de eventos adicionais. Assim, segundo Craig (2013), a explicação realista vai além da descrição e análise das variáveis do processo real que produzem os eventos estudados. Por essa razão, aponta, a explicação realista reconhece dois tipos principais de explicações: a causal, pois define como os eventos são produzidos por microestruturas e processos subjacentes; e, por outro lado, a funcional, na medida em que permite definir quais eventos e padrões se realizam, e em quais eventos e contextos ocorrem (p. 46).

Uma vez que tenhamos introduzido o papel das funções da teoria, um segundo autoquestionamento é necessário: em que medida uma hipótese preditiva derivada da teoria foi confirmada por pesquisa empírica e metodologicamente sólida? Segundo Craig (2013), é possível adotar diversos critérios para avaliar a qualidade de uma teoria empírico-científica. Embora o suporte empírico seja essencial, esse deve ser apoiado por critérios adicionais, como o escopo, ou seja, a gama de fenômenos que a teoria aspira explicar e, por outro lado, a precisão ou exatidão da previsão da teoria (p. 46). Um critério fundamental que é particularmente interessante enfatizar aqui é o valor heurístico da teoria empírico-científica da comunicação. Seguindo Craig (2013), esse critério indica que os modelos teóricos conceituais no campo dos estudos da comunicação muitas vezes são construídos nas primeiras fases da pesquisa como uma estratégia heurística, pois permitem uma representação aproximada dos componentes (categorias, fatores, propriedades), suas relações e processos de estudo. Na medida em que uma teoria deve representar o fenômeno de interesse, pode-se dizer que cada teoria inclui um modelo ou, pelo menos, tem uma forma conceitual que pode ser modelada (p. 47).

Conforme destacado em León-Duarte (2015b; 2019), o valor heurístico corresponde essencialmente à produção do significado pragmático geralmente representado por um conjunto abrangente de categorias, fatores e indicadores específicos para identificar e caracterizar, por exemplo, estratégias, práticas e, portanto, posicionamentos que os acadêmicos e profissionais do jornalismo e da comunicação utilizam para gerar sentido e significado em determinada arena acadêmica e profissional (León‑Duarte, 2019, pp. 41-59). Assim, o valor heurístico geralmente busca estratégias, posicionamentos, modelos, métodos e critérios que permitem a resolução de problemas comunicacionais por meio da análise aprofundada dos problemas, da criatividade e do pensamento integrativo, como vem funcionando, por exemplo, com a teoria fundamentada (Belgrave & Seide, 2019) e o imaginário multimetodológico para desenvolver indutivamente uma TMA a fim de dar sentido às ações e experiências das pessoas no mundo social (Hine, 2007).

Esses interesses e capacidades reflexivas, sem dúvida, vão além da típica preocupação administrativa com a criatividade, o nível e a realização do cumprimento de metas e objetivos e, também, dos recursos utilizados e das conquistas alcançadas no planejamento e na operacionalização dos programas educativos no âmbito do ensino superior (León-Duarte, 2015b, pp. 363-381). Orientar a teoria da comunicação para a pesquisa empírica e resolução de problemas é particularmente importante, porque toda abordagem e modelo teórico de comunicação devem sempre aspirar a possuir uma representação de determinado fenômeno social e de comunicação. Assim, uma teoria empírico-científica teria o potencial de aspirar a fornecer uma explicação detalhada do fenômeno, na medida em que define e exige que os padrões de comportamento dos eventos que incorpora sejam sempre compreensíveis, demonstrando que estão em conformidade com um princípio geral que também explica uma ampla gama de eventos (Craig, 2013, p. 47).

A partir daqui, pode-se afirmar que no âmbito da teoria da comunicação todos os modelos são teóricos? Não em minha análise, ou pelo menos não necessariamente, pois nem todos os modelos fornecem uma explicação de princípios para sua estrutura ou para o processo representado. Ou seja, nem todos os modelos descrevem e explicam o diagrama da trajetória estrutural que modela as relações entre um conjunto e determinado número de variáveis que representam as etapas e os componentes do processo. Por exemplo, um modelo conceitual clássico que se desenvolveu no campo da comunicação na década de 1940 foi o modelo teórico ou paradigma de Lasswell.

Como se deve lembrar, o professor Harold Lasswell é considerado um dos fundadores da mass communication research, ao lado de Paul Lazarsfeld, Kurt Lewin e Carl Hovland. Lasswell foi fortemente influenciado pelo pragmatismo de dois de seus orientadores acadêmicos, John Dewey e George Herbert Mead. Mais de 80 anos após a evolução do paradigma, não há dúvida de que este ainda está provando sua utilidade, pois representa um modelo de comunicação unidirecional sobre “quem disse o quê, em que canal, para quem e com que efeito”. A partir disso, Lasswell estabeleceu não apenas uma série de fatores empiricamente mensuráveis do ato de comunicação, mas também definiu todo um cenário de mídia significativo e mutável para os estudiosos da comunicação, apesar dos vários equívocos em torno de seu modelo (Sapienza et al., 2015, pp. 599-622).

FRAGMENTAÇÃO PRODUTIVA E TMA EM COMUNICAÇÃO

Por mais de duas décadas, o professor Robert T. Craig tem apontado que acadêmicos e cientistas da área de estudos da comunicação parecem ter abandonado a ideia de modelos e paradigmas, isto é, de estruturas de pesquisa padrão que incluem um conjunto de conceitos, métodos e procedimentos de natureza disciplinar única (Craig, 1999, p. 231). No seu entendimento, os teóricos da comunicação optaram pelo que ele mesmo chama de “fragmentação produtiva” (Craig, 2013, p. 49). Lembremos aqui que Craig tem sido, historicamente, um defensor do sentido prático da disciplina na medida em que a entende e representa como um campo de prática social que vem se desenvolvendo socioculturalmente (Craig, 2007, pp. 125-145, 2018, pp. 289-297; Craig & Tracy, 1995, pp. 248-272; Cushman & Craig, 1976, pp. 35-58). Concebe por fragmentação produtiva o conjunto de paradigmas, teorias e metodologias plurais de médio alcance – que vêm do próprio campo ou de fora dele – orientado fundamentalmente pela pesquisa empírica e pelo compromisso compartilhado com o método científico. Segundo Craig (2013), Robert K. Merton é o primeiro grande teórico a definir e projetar uma TMA no campo das ciências sociais, em geral, e na comunicação, em particular. A TMA seria idealmente projetada para orientar a pesquisa empírica, visto que fornece um conjunto de explicações abstratas o suficiente para cobrir uma ampla gama de fenômenos comunicativos e, no entanto, claros o suficiente para estruturar logicamente uma variedade de hipóteses empíricas que qualquer outro pesquisador pode testar (Craig, 2013, p. 45).

Do ponto de vista de Robert K. Merton (1968, p. 449), o termo teoria social refere-se a um conjunto de proposições logicamente interconectadas a partir das quais podem ser derivadas uniformidades empíricas. Em particular, ele se concentrou no que chamou de TMA: teorias que estão entre as hipóteses de trabalho que evoluem com uma variedade de evidências durante a pesquisa do dia a dia e os esforços sistemáticos abrangentes para desenvolver uma teoria unificada capaz de explicar todas as uniformidades observadas no comportamento social, a organização e a mudança social.

Para Merton (1968), uma hipótese de trabalho pode ser concebida como pouco mais do que o senso comum usado por qualquer pesquisador todos os dias: “Ao encontrar certos fatos, certas explicações alternativas me ocorrem e passamos a testá-las” (pp. 449-450). Por essas razões, Merton assinala que uma TAM envolveria abstrações, é claro, mas seriam abstrações próximas o suficiente dos dados observados para serem incorporadas em proposições que permitissem testes empíricos. Assim, Merton (1968) reconhece que há na teoria sociológica muitos conceitos, mas poucas teorias confirmadas, muitos pontos de vista, mas muito poucos teoremas, muitas “aproximações”, mas “poucos pontos finais”. Suas opções teóricas parecem, na busca de teorias de médio alcance, confirmadas ou de esquemas conceituais particulares “que incluam o todo” (pp. 444-459).

Nesse sentido, Merton (1968) considera que a teoria sociológica, em geral, e as TMA, em particular, sempre poderiam avançar significativamente nos planos epistêmico e ontológico: 1) desenvolvendo teorias particulares que podem derivar hipóteses capazes de ser investigadas empiricamente; e 2) evoluindo, não repentinamente, mas por meio de um esquema conceitual progressivo geral que, por sua vez, é uma estrutura de ordenamento adequada para consolidar conjuntos de teorias particulares (p. 457). Por essa razão, Merton (1968) sentenciou:

Creio – e as crenças estão, naturalmente, sujeitas a erros – que as teorias de médio alcance têm a maior das promessas, sempre que sua busca seja acompanhada por uma preocupação geral em consolidar teorias especiais em conjuntos de conceitos mais gerais e mutuamente consistentes com essas proposições. (p. 458)

ABORDAGEM DE COMUNICAÇÃO COMO CULTURA

Até aqui está claro que compreender o papel das abordagens interpretativas é fundamental na construção de uma teoria, pois as funções heurísticas das teorias foram enfatizadas. Como se pode lembrar, segundo Max Weber (1949, citado por Craig, 2013, p. 50), a ação humana não pode ser explicada se for reduzida a mecanismos causais simples, como reações químicas; os seres humanos são seres que se autointerpretam (interpretam-interpretando), que agem com base em certa compreensão do que estão fazendo ou mesmo farão. Mais ainda, esses entendimentos variam entre indivíduos e grupos e mudam com o tempo, mas definitivamente não são aleatórios: uma ação particular pode ser interpretada vendo como certa pessoa age em um todo modelado, como um plano de ação específico, dentro de uma cultura particular, um gênero artístico ou um movimento histórico (Weber, 1949, citado por Craig, 2013, p. 50).

Assim, pode-se afirmar que as ciências sociais e humanas são extensões formais das práticas interpretativas cotidianas por meio das quais os seres humanos dão sentido às palavras e ações uns dos outros para coordenar suas atividades. Desse modo, as teorias nas ciências sociais e, em particular, no campo da comunicação nem sempre podem fornecer explicações generalizáveis e absolutas, mas quadros conceituais que ajudam a interpretar situações específicas úteis para caracterizar as formas de singularidades com as quais o sistema opera o objeto e/ou o sujeito em estudo. Por essas razões, para alguns teóricos, como Durham & Kellner (2012, p. XI), as abordagens interpretativas tendem a ver o valor de uma teoria como “perspectivas ou formas de ver que focalizam os fenômenos e suas conexões com a sociedade. Em geral e em uma ampla gama de instituições, discursos e práticas” (p. XI). Consequentemente, seu argumento é “multiplicar as teorias e métodos à sua disposição para ajudar a apreender várias dimensões de um objeto, estabelecer mais e melhores conexões e fornecer uma compreensão mais rica e abrangente das práticas culturais sob escrutínio” (p. XI).

Do mesmo modo que Robert T. Craig, o professor James W. Carey (1934-2006) entenderia a comunicação a partir de uma perspectiva pragmática, intimamente ligada à teoria do conhecimento e à experiência do ser humano. James W. Carey continua sendo um teórico da comunicação respeitado hoje. Ele completou seu mestrado e seu doutorado em comunicação entre 1959 e 1963, na University of Illinois. Nessa mesma universidade ingressou como professor e conseguiu ser reitor da Faculdade de Comunicação entre 1979 e 1992. Posteriormente, ingressou como professor titular na Escola de Jornalismo da Columbia University. Ele começou seus estudos em teoria da comunicação por meio do fundador do pragmatismo, John Dewey. Lembremos que Dewey obteve seu doutorado em filosofia em 1884 com uma tese sobre o pensamento de Kant, sendo fortemente influenciado por ideias evolucionistas derivadas de Darwin. Assim, Dewey entenderia a comunicação a partir de uma perspectiva pragmática relacionada à teoria do conhecimento:

A experiência ocorre continuamente porque a interação da criatura vivente e as condições que a rodeiam estão implicadas no próprio processo da vida. Em condições de resistência e conflito, certos aspectos e elementos de eu e do mundo implicados nesta interação, requalificam a experiência com emoções e ideias, de tal maneira que surge a intenção consciente. (Dewey, 1934, p. 43)

A partir desse significado, não é surpreendente que o próprio Carey (2009, p. 11), cite diretamente a primeira impressão conceitual (e, como ele indica, um tanto enigmática) sobre como Dewey dá sentido e significado ao fundamento da comunicação: “A sociedade existe não apenas por transmissão, mas pode-se dizer que existe na transmissão, pela própria comunicação” (Dewey, 1916, p. 5, citado por Carey, 2009, p. 11).

CATEGORIA DE PRIMEIRA ORDEM: COMUNICAÇÃO COMO CULTURA

É possível que, por meio dessa afirmação, Carey (2009, p. 12) considerasse, com caráter essencial e permanente em sua obra, duas concepções alternativas de comunicação que coexistem nos Estados Unidos desde o século XIX e derivam da obra e do posicionamento ético-político de John Dewey: por um lado, uma perspectiva baseada na transmissão de informação e comunicação; e, por outro, uma baseada no próprio ritual gerado pelo ato de comunicação. Na primeira perspectiva, Carey destaca a visão e a função da transmissão da comunicação, visto que é a mais comum em nossa cultura passada e presente:

É definida por termos como transmitir, enviar, transmitir ou dar informações a outros . . . é a ideia de transmissão: a comunicação como um processo pelo qual as mensagens são transmitidas e distribuídas no espaço para controlar a distância e as pessoas. (Carey, 2009, p. 13)

Na perspectiva da visão ritualística, Carey (2009) afirma que a comunicação é tão antiga que os dicionários atuais podem classificá-la como arcaica: “Numa definição ritualística (constitutiva), a comunicação está ligada a termos como o compartilhamento, participação, associação, comunhão e posse de uma fé comum” (p. 15). Assim, para James Carey, a própria definição de comunicação a partir de uma visão ritual está direcionada “não para a extensão das mensagens no espaço, mas para a manutenção da sociedade no tempo; não para o ato de transmitir informações, mas para a representação de crenças compartilhadas” (p. 15).

DIMENSÃO DE SEGUNDA ORDEM: A COMUNICAÇÃO COMO CULTURA

De acordo com Carey (2009), os especialistas em comunicação estadunidenses não exploraram a visão ritual da comunicação porque o pensamento social do país tem uma noção muito fraca e evanescente sobre o conceito de cultura. O conceito se dissolve, afirma, em uma categoria residual útil apenas quando os dados psicológicos e sociológicos se esgotam (p. 16). Portanto, pode-se afirmar que, para Carey, essa visão ritual da comunicação enfoca uma gama diferente de problemas da vida cotidiana, que se mostram evidentes quando se folheia e examina o escrito cotidiano de um jornal. Assim, indica Carey, verificar-se-á que o escrito cotidiano é menos um envio e recepção de informações e mais uma comunhão, uma situação em que nada de novo se aprende, mas em que se retrata e se confirma uma visão particular do mundo. Em outras palavras, para Carey, ler e escrever notícias é um ritual e um ato dramático: ele o observa como uma apresentação da realidade que dá à vida uma forma, uma ordem e um tom mais amplos: “retrata uma arena de forças e ações dramáticas; existe apenas no tempo histórico; e convida nossa participação com base em nosso consentimento, muitas vezes inconscientemente, por meio de papéis sociais dentro dele” (p. 17). O professor Carey resume esclarecendo que nenhuma dessas visões contrapostas de comunicação nega necessariamente o que a outra afirma. Uma perspectiva ritual não exclui os processos de transmissão de informação ou vice-versa. No entanto, o problema da comunicação determina em grande parte o caminho que a abordagem e a análise podem tomar. Retoma Dewey, para confirmar seu sentido e significado do fundamento constitutivo da comunicação:

Existe mais do que um vínculo verbal entre as palavras comum, comunidade e comunicação. Os homens vivem em comunidade em virtude das coisas que têm em comum; e a comunicação é o meio pelo qual passam a ter coisas em comum. O que eles devem ter em comum . . . são objetivos, crenças, aspirações, conhecimento, uma compreensão comum, uma mentalidade semelhante, como dizem os sociólogos. Essas coisas não podem passar fisicamente de um para o outro como tijolos; não podem ser compartilhados como as pessoas dividiriam um bolo dividindo-o em pedaços físicos. O consenso exige comunicação. (Dewey, 1916, pp. 5-6, citado por Carey, 2009, p. 17)

PROPRIEDADES DE TERCEIRA ORDEM: A COMUNICAÇÃO COMO CULTURA

Assim, para Carey (2009), a pergunta de fundo é: ao que recorrer, ainda que provisoriamente, para conseguir os recursos com os quais possamos obter uma nova perspectiva sobre a comunicação? Os recursos para identificar o verdadeiro sentido e significado da comunicação na obra de Carey vêm basicamente da tradição social mais viável do pensamento comunicacional do início do século passado. Particularmente, vêm daquelas fontes de capital científico adicionais à própria obra de Dewey, que, em geral, se localizam dentro da escola de Chicago: a partir de George H. Mead, Charles Cooley, Robert Park e Erving Goffman (p. 17).

Seguindo essas fontes, Carey consegue elaborar uma definição de comunicação que desarma toda simplicidade com certo poder intelectual e alcance: a comunicação é um processo simbólico por meio do qual a realidade é produzida, mantida, reparada e transformada. Consequentemente, Carey destacaria o simbólico da produção da realidade porque representa um dos principais problemas que encontramos quando se fala em comunicação, ou seja, o substantivo remete diretamente a uma experiência humana das mais comuns e mundanas: “As atividades coletivas de comunicação e seus significados: conversar, dar instruções, transmitir conhecimentos, compartilhar ideias significativas, buscar informações, entreter e se divertir, são tão comuns e mundanas que é difícil que chamem a nossa atenção” (p. 19).

Do mesmo modo, Carey (2009) afirma que uma forma de mostrar o quão acostumados estamos com o misterioso, mas ao mesmo tempo espantoso processo de comunicação, é quando o visitamos intelectualmente: sempre focamos o trivial e não o problemático do ato e do processo. Argumenta que geralmente, nas ciências sociais, os fatos mais óbvios da vida social podem ser encarados e vistos sob um prisma de espanto. “Quando diz que a comunicação é a mais maravilhosa de todas as coisas, talvez Dewey esteja sugerindo precisamente isso: induzindo em nós a capacidade de nos espantarmos e nos maravilharmos com isso” (p. 19). Ou seja, para Carey, Dewey sabia que o conhecimento efetivamente cresce à medida que as coisas ou situações se tornam mais problemáticas.

De acordo com Carey (2009, p. 20), tanto nosso bom senso quanto nosso realismo científico atestam o fato de que existe: 1) um mundo real de objetos, eventos e processos que observamos; 2) consequentemente, há também uma linguagem ou símbolos que nomeiam esses eventos no mundo real e criam descrições mais ou menos adequadas deles. Ou seja, para Carey (2009, pp. 19-20), existe uma realidade e, depois, um conjunto de percepções sobre ela. Enfatiza que há uma distinção implícita entre realidade e fantasia e que nossos termos se relacionam a esse mundo como sombra e substância. Geralmente, afirma, “camadas semânticas de termos e significados são removidas para descobrir esse domínio mais substancial da existência” (p. 20). Com esta primeira cláusula teórica, Carey (2009) introduz na abordagem da comunicação (ACC) a reflexão sobre a construção e utilização do pensamento e a sua representação simbólica por meio de mapas, modelos, guias para (re)apresentar a natureza da comunicação:

Este milagre particular que realizamos diariamente e a cada hora, o milagre de produzir realidade e então viver em e sob as nossas próprias produções, baseia-se em uma qualidade particular dos símbolos: sua capacidade de ser ao mesmo tempo representações “da” e “para” a realidade. (p. 23)

A título de exemplo, aponta a relação entre a planta arquitetônica e a construção de uma casa. Uma planta de uma casa é um modo de representação para a realidade: sob sua orientação e controle se produz uma realidade – uma casa – que expressa as relações de conteúdo na forma reduzida e simplificada da planta. No entanto, há um segundo uso da planta. Se alguém pedir uma descrição de uma casa particular, pode-se simplesmente apontar para a planta e dizer: “Essa é a casa”. Aqui, o projeto se estabelece como uma representação ou símbolo da realidade: expressa ou representa, em um meio alternativo, uma formulação sinótica da natureza de uma realidade particular. Embora essas sejam apenas duas faces da mesma moeda, apontam para a dupla capacidade das formas simbólicas: como símbolos que apresentam uma realidade; como símbolos para criar a própria realidade que apresentam (Carey, 2009, p. 23).

Assim, Carey (2009, pp. 23-24) conclui discutindo duas questões centrais. Por um lado, aponta algumas características da comunicação como processo sociocultural e, por outro, descreve o que poderiam ser algumas das questões básicas a serem feitas no campo dos estudos da comunicação. Sobre o primeiro ponto, Carey (2009, pp. 25-26) argumenta que estudar a comunicação é examinar o processo social real em que formas simbólicas significativas são criadas, apreendidas e utilizadas. Quando descrito dessa forma, argumenta, alguns estudiosos o descartariam como um campo insuficientemente empírico, o que leva, portanto, a um autoquestionamento crítico: como fazemos isso? Quais são as diferenças entre essas formas? Quais são as variações históricas e comparativas entre elas? Como as mudanças na tecnologia de comunicação influenciam o que podemos criar e apreender concretamente? Como os grupos da sociedade lutam pela definição do que é real? Na opinião de Carey (2009), seria o contrário, pois afirma que se trata de uma mera tentativa de eliminar nossas noções sobre comunicação, que servem apenas para desvitalizar nossos dados e nossa percepção sobre a comunicação:

Nossas tentativas de construir, manter, reparar e transformar a realidade são atividades observáveis publicamente que ocorrem no tempo histórico. . . . Para isso, nosso conhecimento e atitude em relação à realidade devem ser criados, expressos e transmitidos por meio da construção de uma variedade de sistemas de símbolos: Nossas tentativas de construir, manter, reparar e transformar a realidade são atividades observáveis publicamente que ocorrem no tempo histórico. . . . Para isso, nosso conhecimento e atitude em relação à realidade devem ser criados, expressos e transmitidos por meio da construção de uma variedade de sistemas de símbolos: arte, ciência, jornalismo, religião, bom senso, mitologia. (p. 25)

CONCLUSÕES

Ao relacionar, integrar e definir os pressupostos metateóricos básicos de uma TMA na comunicação, procurou-se determinar um percurso metodológico de teor pedagógico para definir, em primeiro lugar, o sentido prático do papel que o(a) acadêmico(a) desempenha para orientar sua prática em um curso de teoria da comunicação no âmbito do ensino superior. Nesse quadro, ao expor e debater criticamente as implicações ontológicas, epistemológicas e praxeológicas da construção de uma TMA, procurou-se mostrar de forma enfática e de maneira prática a integração operacional de uma ACC. Colocar a teoria em prática é um elemento essencial para fortalecer o conhecimento da disciplina, tanto para potencializar as próprias competências (inter)disciplinares da área, como para destacar autocriticamente as próprias práticas de explicação do fenômeno comunicativo.

O desenvolvimento teórico é uma das tarefas mais importantes que o profissional de comunicação e informação enfrenta nessa área de estudos. Além disso, contribui para a legitimidade e autonomia do campo ao fornecer bases científicas para implementar a pesquisa empírica e orientá-la para a resolução de problemas sociais simples e complexos. Ao desenvolver a ACC, pretendemos identificar um corpo teórico conceptual que descreva e explique o fenômeno da comunicação como cultura e sua potencial orientação para uma linha de identidade disciplinar específica do processo formativo. Assim, o estudo conclui que uma TMA enfoca fenômenos específicos e surge das necessidades observáveis da prática e da vida diária. A utilização da derivação conceitual-teórico-empírica é um método prático para propor TMA, as quais são integradas por conceitos e proposições operacionais de forma simples e clara, permitindo a aplicação na prática real do especialista em comunicação.

Para sua utilização em ambientes pedagógicos, recomenda-se o uso de metodologias plurais de médio alcance, como, por exemplo, a da teoria prática fundamentada (Craig & Tracy, 1995, pp. 248-277), aplicada e testada em instituições educativas. Da mesma forma, conclui-se que mais do que uma TMA na comunicação, a ACC pode ser entendida como um modelo teórico afinado com as sensibilidades epistemológicas contemporâneas que clamam por um campo inerentemente interdisciplinar e inovador como a comunicação e a cultura. Como a ACC provém do campo dos estudos da comunicação e se pauta pela investigação empírica e pelo compromisso partilhado com o método científico, conclui-se também que ela pode ser entendida como uma evidente expressão da fragmentação produtiva do campo de estudos da comunicação.

Para a sua implementação nas aulas, deve-se considerar um conjunto de elementos epistemológicos do modelo em relação ao problema de explicação e abordagem do fenômeno a ser considerado. Sugere-se começar com aqueles aspectos teóricos que têm maior capacidade de generalização ou de resolução de problemas com alto grau de interesse comunicativo e maior sentido abdutivo. Mas também podem ser tomados os de maior parcimônia, ou seja, nos quais a explicação teórica conceitual mais simples e fácil de entender tenha maior primazia. Igualmente, servem os que almejam desenvolver níveis mais elevados de conexão com os problemas do cotidiano e aqueles que, ao mesmo tempo, fazem mais sentido e estimulam o aluno.

No caso da ACC, seria aconselhável, adicionalmente, diferenciar a sua funcionalidade e integrar tantos fatores quanto propriedades possíveis de acordo com os problemas que articulam e valorizam os pressupostos subjacentes ao quotidiano, à comunicação e à cultura, uma vez que são expressões didáticas muito produtivas para “manter viva a preocupação geral de consolidar teorias especiais por meio de conjuntos mais gerais de conceitos e proposições empíricas mutuamente consistentes” (Merton, 1968, p. 53).

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Notas de autor

a Licenciado em Comunicação pela Universidad de Sonora. Mestre e doutor em Jornalismo e Comunicação pela Universidad Autónoma de Barcelona. Membro do Sistema Nacional de Investigadores do México (L-II). Orcid: http://orcid.org/0000-0001-5230-9462. E-mail: gustavoadolfoleon@gmail.com
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