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Caminhos e intercâmbios na pesquisa em comunicação: Uma trajetória luso-brasileira
Paths and exchanges in communication research: A Luso-Brazilian trajectory
Matrizes, vol. 16, núm. 3, Esp., pp. 71-86, 2022
Universidade de São Paulo

DOSSIÊ


Recepción: 20 Octubre 2022

Aprobación: 16 Noviembre 2022

DOI: https://doi.org/10.11606/issn.1982-8160.v16i3p71-86

Resumo: Neste texto, procuro traçar e analisar cerca de 30 anos de uma trajetória pessoal de pesquisa, balizada por contextos geográficos, políticos e sociais no espaço da lusofonia e no âmbito das Ciências da Comunicação. O caminho fez-se de encontros e desencontros pessoais, profissionais e institucionais, onde a Escola de Comunicações e Artes e o Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade de São Paulo adquiriram grande centralidade. Muitas das referências são memórias pautadas por marcos temporais e, como tal, apresentam, à partida, uma reconfiguração do real, onde o viés do tempo, da espacialidade e da nostalgia geracional adquirem relevância significante. O texto configura-se como um ensaio e adota-se uma ordem cronológia na exposição, com vista a explicitar muitas das opções temáticas, teórico-conceituais e metodológicas, que foram tomadas ao longo destas três décadas de pesquisa.

Palavras-chave: Ciências da comunicação, pesquisa, metodologias, análise dos media, espaço da lusofonia.

Abstract: This paper outlines and analyzes nearly 30 years of a personal research trajectory, based on geographic, political, and social contexts in the Portuguese speaking world and in the field of Communication Sciences. My path was made up of personal, professional, and institutional encounters and misunderstandings, where the School of Communication and Arts and the Graduate Program in Communication Sciences, University of São Paulo, acquired major centrality. Memories presented by time frames function as references and, as such, proposes a reconfiguration of the real in which time, spatiality, and generational nostalgia acquire significant relevance. Written as an essay, the text adopts a chronological order in the exposition to explain many of the thematic, theoretical-conceptual, and methodological choices undertaken over these three decades of research.

Keywords: Communication sciences, research methodologies, media analysis, Portuguese speaking world.

NO PRINCÍPIO ERA a determinação de fazer pós-graduação na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Era o início da década de 1980, Portugal ainda não oferecia uma formação nesta área e a oportunidade de ir para São Paulo surgiu após uma estadia no Brasil. A ECA-USP tornou-se um objetivo imediato devido às suas credenciais internacionais e à sua proposta trans e multidisciplinar na área da Comunicação e da Informação. No início da década de 1980, com cerca de 30 anos, eu tinha completado uma licenciatura em História, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com duração de cinco anos – terminada em 1974 – e um curso de especialização em Biblioteconomia/Arquivística, realizado entre 1976 e 1977, em Coimbra. Entretanto, acumulei experiências como bibliotecária na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa, de 1973 a 1977, como professora cooperante em Angola, Luanda, em 1975/1976, e na recém-independente República de São Tomé e Príncipe, de 1977 a 1979.

Apoiada por amigos brasileiros, muitos deles ex-exilados da ditadura que conheci em diferentes lugares após a Revolução de 25 de Abril de 1974 e que estavam de regresso ao Brasil após a promulgação da Lei da Anistia – Lei nº 6.683/1979 –, candidatei-me à pós-graduação da ECA. Nos anos seguintes, fiz o mestrado – concluído em 1984 – e o doutorado – concluído em 1988 –, este último na especialidade de Biblioteconomia e Ciências da Informação, e em seguida comecei a lecionar e a participar em grupos de pesquisa (1984-1990).

Recuperando esse período, observo como foram importantes os anos curriculares da pós-graduação na ECA, tanto do mestrado como do doutorado. Primeiramente, saliento a diversidade teórica e conceitual expressa nos seminários oferecidos e nas dinâmicas conferidas pelos professores, incluindo os visitantes de nacionalidades e escolas teóricas diversas que os ministravam. Em seguida, noto como foi instigante cursar seminários em outras faculdades, como na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH-USP), oportunidade que expandiu meus horizontes em relação à Sociologia, Antropologia, Filosofia, Literatura e História comparadas e permitiu que eu tivesse contato com docentes com visões de mundo, compreensões teóricas e metodológicas académicas distintas, em que dominava a matriz marxista e estruturalista. A esse percurso acadêmico substantivo, juntaram-se as experiências advindas da convivência e partilha de ideias com colegas originários de todos os estados brasileiros e de países da América Latina, com leituras e backgrounds múltiplos que constituíram uma rede de companheirismo profissional e intelectual ao longo desses mais de 30 anos.

Tendo cursado a licenciatura de História na Faculdade de Letras de Lisboa, durante o período da ditadura salazarista, entre 1969 e 1974, o ingresso na pós-graduação da ECA me apresentou um leque de conhecimentos e leituras interditas à época em Portugal, nomeadamente de autores marxistas, estruturalistas e funcionalistas nas Ciências Sociais. Saliento como profundamente impactante as leituras de autores da Escola de Frankfurt, tais como Adorno, Benjamin e Horkheimer, bem como os escritos de Roland Barthes, Bakhtin, Lévi-Strauss, Foucault, Bourdieu e Umberto Eco, que constituíram os alicerces teóricos de um percurso acadêmico e de pesquisa. A esses autores juntam-se os brasileiros Raymundo Faoro, Sérgio Buarque de Holanda, Florestan Fernandes, Celso Furtado, Milton Santos e Antonio Candido, cujas leituras foram obrigatórias em disciplinas de pós-graduação e contribuíram para aprofundar o conhecimento sobre o Brasil, limitado até então aos ensinamentos e mundividências adquiridos na licenciatura em História em Portugal. A aquisição desses conhecimentos esteve sempre associada a discussões acaloradas e dinâmicas em salas de aula e em encontros informais com colegas e professores, tendo como pano de fundo o fim da ditadura brasileira, o movimento das Diretas Já (1983-1984) e o processo de afirmação democrática no Brasil.

A liberdade intelectual que experienciei nos seminários, nas leituras propostas e nos trabalhos finais permitiu a abordagem e adoção de temáticas e metodologias inovadoras, treinou o meu olhar para a disciplina e observação de fenômenos e instaurou em mim a dúvida e a crítica metódica, características que tentei aprofundar nas pesquisas que fui desenvolvendo ao longo da minha vida profissional. Num ambiente acadêmico em que era explícito o apoio à interdisciplinaridade dos trabalhos, foi possível aliar, na dissertação de mestrado e na tese de doutoramento, a formação inicial em História ao interesse pela história da África, aos conhecimentos adquiridos na pós-graduação – especialmente de análise do discurso e de sociologia da linguagem – e às experiências vividas em dois países recém-independentes: Angola e São Tomé e Príncipe.

Data, ainda, da década de 1980, algumas colaborações que realizei na pós-graduação da ECA como docente, das quais saliento o seminário dedicado a aprofundar o conhecimento dos estudantes de pós-graduação sobre a África e o legado africano no Brasil. Já como docente do Departamento de Biblioteconomia e Documentação, após o doutorado, colaborei nos seminários de Análise Documentária inspirados no arqueólogo e filósofo francês Jean Claude Gardin, que constituíram um acrescido aprendizado docente e um estímulo ao aprofundamento da análise do discurso e da sociolinguística. Esse percurso influenciou a aquisição de competências no tratamento informático de dados, reforçadas pela realização de um pós-doutorado no Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), em Paris, entre 1990 e 1991.

ESPAÇOS DE PESQUISA E CONHECIMENTO

Questões de âmbito pessoal trouxeram-me de novo a Portugal. A estadia de um ano no CNRS, onde tive contato com professores envolvidos em projetos centrados na História e na Arqueologia que utilizavam metodologias de análise de conteúdo assistidas por softwares específicos, influenciou, definitivamente, a minha decisão de seguir para o campo da Comunicação.

Em Portugal, estava-se no início dos anos 1990 e começava-se a falar em Ciências da Comunicação, por vezes em simultâneo e em sobreposição ambígua com Jornalismo. As ofertas de formação acadêmica eram restritas a algumas universidades e departamentos e poucos professores tinham formação específica no campo (Mesquita & Ponte, 1997; Rodrigues, 2002).

Datam desse período, e em cooperação com colegas da ECA e do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação da USP (PPGCOM USP) – nomeadamente com Marques de Melo, Immacolata Vassalo de Lopes e Margarida Kunch –, as movimentações em que participei, com vista à organização da assossiação de pesquisadores em Ciências da Comunicação. Desse modo, o primeiro encontro, com vista à fundação da Sociedade Portuguesa de Ciências da Comunicação (SOPCOM), aconteceu na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, em 1997, seguindo-se outros encontros para organização de associações que agrupassem países de língua oficial portuguesa (LUSOCOM) e países Ibero-Americanos (IBERCOM). No país, o panorama mediático tinha se alterado substancialmente no início da década com a privatização de meios de comunicação e a emergência de grupos privados de televisão (Pinto et al., 2000). Para trás ficaram as nacionalizações de jornais e rádios, bem como a governamentalização da televisão pública, situações que caracterizaram o período pós-Revolução de 25 de Abril de 1974. Essas alterações, no seguimento da entrada de Portugal na União Europeia, em 1986, constituíram um desafio tanto para a área da docência e investigação em Comunicação quanto do Jornalismo, uma vez que a ditadura salazarista (1933-1974) não permitia formações acadêmicas nessas áreas (Correia, 1999).

Ingressei como docente na Universidade Católica de Lisboa em 1992, quando foi criada a Faculdade de Ciências Humanas e a licenciatura em Comunicação Social e Cultural. Na instituição, tive o privilégio de iniciar um projeto acadêmico original que exigiu o aprofundamento de novas competências teóricas e metodológicas no campo da Comunicação e das Ciências Sociais, em que as componentes da pesquisa e o envolvimento dos discentes eram fatores inovadores e determinantes. Nesse cenário, e estimulada pelo contexto vivido, coordenei a apresentação, a instâncias europeias, de projetos que visavam apreender como os meios de comunicação portugueses, especificamente os jornais de âmbito nacional, abordavam o fenômeno da imigração em Portugal. O objetivo, à época, era criar bases de dados sobre a cobertura jornalística das migrações, adotando uma matriz comum a todas as instituições de pesquisa europeias participantes do projeto e utilizando metodologias de análise de conteúdo (quantitativa) – fundada na análise do discurso (qualitativa) – que vieram a moldar um campo de pesquisa designado Análise dos Media. A vivência dos seminários da pós-graduação da ECA inspirou não só a coordenação das atividades realizadas em conjunto com alunos de mestrado e doutorado, mas também os trabalhos que deram início à linha de pesquisa Media e Migrações.

Estava em curso uma fase de crescimento econômico em Portugal, proporcionada pela adesão do país à União Europeia, com grandes obras públicas importadoras de mão de obra, como a ponte Vasco da Gama, sobre o Rio Tejo, o Parque da Nações e as autoestradas nacionais (Viegas & Costa, 1998). Entre os migrantes que chegavam salientam-se os brasileiros que em conjunto com os cidadãos oriundos de países da ex-URSS, e de países africanos de língua oficial portuguesa, encontraram ocupação, preferencialmente nas obras públicas e nos serviços.

Os estudos acadêmicos desenvolvidos, majoritariamente exploratórios, objetivaram analisar as imagens/representações desses migrantes, nos jornais e nas televisões, por meio do registro da caracterização desses atores: atributos conferidos, enquadramentos mais frequentes ou áreas geográficas de localização (Cunha et al., 1996)1. Ao mesmo tempo, esses trabalhos procuraram entender como as rotinas dos profissionais de comunicação, jornalistas e pivots sedimentavam e renovavam determinados estereótipos coloniais, criando hierarquias, definindo perfis e associando atributos às diferentes origens nacionais dos migrantes. Esses trabalhos empíricos, inicialmente, pretenderam obter resultados para fornecê-los a agências de financiamento, que, por sua vez, os utilizaram nas suas políticas públicas. Posteriormente, essas pesquisas estimularam e exigiram de parte dos pesquisadores a aquisição de um crescente aparato metodológico/teórico/conceptual, capaz de enquadrar a sua interpretação.

Desse modo, essas pesquisas levaram à recuperação e ao aprofundamento da bibliografia sociolinguística francesa de autores como Bronckart e Charaudeau, bem como de elementos teóricos e conceituais, de tendências críticas, no plano da análise do discurso – Chomsky, Van Dijk e Fairclough. O percurso metodológico que conjugou métodos quantitativos e qualitativos e adquiriu novos contornos, em função dos fenômenos e contextos observados, designou-se Análise dos Media. A partir dessa proposta metodológica, a Análise dos Media foi evoluindo para uma área de investigação que pressupõe o domínio prévio de um conjunto de saberes relativos tanto ao funcionamento dos media e, evidentemente, às tecnologias de informação e comunicação quanto às temáticas implicadas nos objetos de pesquisa.

Apreender a complexidade das representações e as imagens veiculadas pelos meios de comunicação, principalmente pela televisão, levou à extensão do entendimento daqueles conceitos em outras disciplinas. Salienta-se as incursões na teoria da representação de Moscovici e, igualmente, no interacionismo simbólico, em que se destacam as propostas de enquadramento de Goffman e as discussões sobre a construção da realidade de Berger e Luckman. Por outro lado, e sob a influência dos estudos sobre os media e jornalismo, nomeadamente de matriz anglo-saxônica, em fase de consolidação em Portugal pela mão de Nelson Traquina (1993), recorreu-se a autores como Denis McQuail, Gaye Tuchman, Gurevitch e Blumler, Horace Newcomb e Michael Schudson para analisar o impacto dos media, sobretudo da televisão, na sociedade portuguesa.

Em simultâneo, tendo em conta a necessidade de explicar contextos complexos em que os fenómenos de comunicação adquirem múltiplas matizes, perscutaram-se teorias e conceitos advindos dos Estudos Culturais, não só anglo-saxónicos, com Raymond Williams, Richard Hoggart e Stuart Hall, mas também latino-americanos, com a introdução de leituras de Canclini e Martín-Barbero (Ferin, 2002).

Num primeiro momento, a diversidade de correntes teóricas e conceituais que se abriram dificultaram a assunção de uma única linha teórica interpretativa. Por vezes, nesse percurso de descoberta, surgia a analogia de “ida ao supermercado de ideias”, situação que se configurava da seguinte forma: em função dos objetivos de cada estudo, das características de cada fenômeno e das suas interpretações possíveis, selecionava-se a teoria ou o conceito que melhor o poderia clarificar, independentemente da ortodoxia teórica e conceitual. Dessa forma, tentava-se o seu enquadramento aos objetivos da pesquisa. Na base de sustentação dessa atitude, perante o conhecimento e a pesquisa, confluíram autores que se debruçaram sobre a epistemologia do conhecimento, como Thomas Kuhn, Paul Feyerabend e Boaventura de Sousa Santos. Kuhn fundamentou um conjunto de procedimentos que se articulou em torno do princípio de contexto de descoberta, paradigma e crise do paradigma; Feyerabend inspirou a convicção de que os objetos determinam as metodologias e os métodos e que o conhecimento avança sustentado pela curiosidade metódica; Santos tornou claro que o conhecimento deve ser socialmente partilhado e se tornar vetor de cidadania e bem-estar social.

O percurso empreendido resultou, simultaneamente, numa considerável capacidade de interpretação à luz de diferentes cenários teóricos e em críticas da parte de pares receosos não só de uma desinstalação da pureza teórica, como também da instauração de uma anarquia teórica e conceitual que quebrasse o compromisso com uma linha interpretativa dominante. A abordagem multidisciplinar veio contribuir para que os estudos e pesquisas de comunicação e jornalismo em Portugal diversificassem a matriz filosófica e linguística primordial, bem como para que consolidassem os estudos empíricos em paralelo à tradição ensaística existente.

Os estudos empíricos sobre os media e as migrações se cruzaram de imediato com outros dois temas: as imagens televisivas de discriminação das mulheres brasileiras e o papel das telenovelas brasileiras em Portugal. Observa-se que, desde o final dos anos 1970, mais precisamente desde 1977, com a exibição na RTP1 – canal televisivo público português – da telenovela Gabriela, da TV Globo, as telenovelas brasileiras mantiveram presença constante e dominante nas grades televisivas até ao início do milênio (Cunha, 2011). O impacto desse fenômeno na sociedade portuguesa, muito desvalorizado pelos estudos acadêmicos portugueses, revelou-se determinante quando imigrantes brasileiros chegaram a Portugal durante a década de 1990. Naquele momento, sem estudos de recepção no terreno sobre as telenovelas brasileiras, os indicadores disponíveis em Portugal se limitavam a índices de share e rating ou às crônicas jornalísticas. Enquanto as primeiras expressavam a adesão da população portuguesa ao produto telenovela, as crônicas jornalísticas tendiam, com raras exceções, a conclamar contra a influência perniciosa das telenovelas no português falado e na aquisição de usos e costumes estranhos. Alguns comentadores falaram mesmo em vingança simbólica pós-colonial brasileira.

Sendo um fenômeno sem muitos estudos acadêmicos – concretamente, havia dois estudos publicados (Moreira, 1980; Viegas, 1987) –, o tema atraiu estudantes de mestrado e doutorado portugueses e brasileiros para Portugal, momento em que foram captados apoios institucionais, e permitiu uma colaboração mais estreita com a ECA e o Núcleo de Pesquisa de Telenovela (NPTN) e suas/seus investigadores. Ressalto, nessa colaboração que se estendeu ao Centro de Estudos de Telenovela (CETVN), ao Obitel Internacional e à participação de seminários do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação (PPGCOM) da ECA, a dinâmica interação entre colegas, tais como Anamaria Fadul, Maria Aparecida Baccega, Immacolata Vassalo de Lopes, Maria Lourdes Motter e Solange Couceiro. Noto, ainda, a influência que teve nos estudos de recepção, em Portugal, a publicação, em 2002, da pesquisa Vivendo com a telenovela: mediações, recepção e teleficcionalidade (Lopes et al., 2002), que deu origem a dissertações e teses e a uma linha de pesquisa consolidada na Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), agência de financiamento à pesquisa portuguesa.

A originalidade e a interdisciplinaridade da abordagem das colegas brasileiras à temática das telenovelas constituíram a base teórica de trabalho das pesquisas que coordenei e impulsionaram a ampliação teórica e empírica em função do contexto social e acadêmico português, pautado pela inserção nas redes de pesquisa europeias, com relevância para a matriz anglo-saxônica. Duas perspetivas de estudo surgiram em função dos trabalhos empíricos: uma direcionada para o aprofundamento da ficção televisiva e das telenovelas em sociedades ocidentais e outra objetivando discutir as questões de identidade nos conteúdos e na recepção da ficção televisiva.

A primeira perspetiva levou à realização de estudos centrados, preferencialmente, nos produtos ficcionais, suas características de produção, avaliação de shares e ratings e qualidade dos roteiros. São exemplos desses trabalhos as colaborações, em parceria com o Obitel Internacional, que demandaram a formação de uma equipe nacional e constituíram um desafio à organização multidisciplinar e interuniversitária, treinando uma nova geração de pesquisadores aptos a participar em pesquisas cooperativas e comparativas. A segunda linha de estudos levou à exploração dos conteúdos e ao seu cotejamento com as percepções no momento da recepção, tendo como foco as questões identitárias das audiências. Linha de pesquisa que fez emergir, por exemplo, estudos sobre mulheres imigrantes brasileiras e questões simultaneamente coloniais, feministas e de gênero. Esse último percurso resultou em diferentes projetos financiados por agências nacionais portuguesas2, bem como num seminário oferecido no PPGCOM da USP, em 2006 e 2007, sobre identidade e reconhecimento nos media.

Em ambos os percursos, observa-se a inspiração em autores/as clássicos/as dos anos 1980 sobre a ficção seriada e a sua recepção, como Brunsdon, Ang, Cantor, Cassata, Morley, Modleski e López Pumarejo, mas também de outros/as dos anos 1990, como Geraghty, Gripsrud, Kilborn, Mattelart, Livingstone, Liebs e Katz. São também objetos de leitura autores que apontam para cenários globalizados de mediação e recepção, numa primeira reflexão sobre o papel dos media e das tecnologias da informação e comunicação num mundo globalizado, por exemplo, Benedict Anderson, Arjun Appadurai, Chris Barker, Katherine Woodward, Alain Touraine e Joseph Straubhaar.

Nessa conjuntura, as metodologias experimentadas colhem orientação quer em princípios desenvolvidos nos trabalhos do NPTN, do CETVN ou do Obitel e nos manuais brasileiros sobre pesquisa em Comunicação, quer nas propostas apresentadas em manuais especializados de pesquisa em Comunicação, como Researching communication (Deacon et al., 1999).

DESAFIOS EM CONTEXTOS DE PESQUISA VOLÁTEIS

O início do milénio coincidiu com um novo desafio na licenciatura em Jornalismo e Comunicação, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Essa licenciatura, preferencialmente vocacionada para o jornalismo, que tinha tido como um dos seus promotores o jornalista e professor Mário Mesquita (2003), exigiu uma maior concentração nos estudos do jornalismo e direcionou as pesquisas e projetos para esse campo da comunicação. Sem abandonar por completo os temas de pesquisa anteriores, que, inicialmente, procuraram se acomodar com as novas temáticas, tornou-se claro que era necessário redefinir prioridades. Assim, e paulatinamente, afastei-me das temáticas de ficção e migrações e me concentrei em projetos da área do Jornalismo e da Comunicação e Política.

Sublinho que o fio condutor desses trabalhos foi a análise dos media, que, ao longo do percurso anteriormente descrito, absorveu tanto os quadros teóricos das teorias sociais quanto metodologias quantitativas e qualitativas experimentadas, nomeadamente as presentes em pesquisas de estudos culturais, em que a questão da percepção e da emoção adquirem valoração como indicadores de análise (Pickering, 2008; Ragin, 1994). Pela amplitude e complexidade dos objetos a pesquisar, a análise dos media expandiu os quadros teóricos, vinculando-se às circunstâncias históricas, sociais e tecnológicas em que se inserem os fenômenos analisados. Trata-se de um exercício teórico/empírico que recorre a metodologias mistas com vista a dissecar fenômenos presentes nos media, pressupondo que a escolha do objeto de pesquisa e do tipo de pesquisa a ser realizada determinarão as escolhas de modelos, métodos e instrumentos (Cunha & Peixinho, 2020). Sublinho que a análise dos media foi, ao longo deste percurso acadêmico, adquirindo uma dimensão que visou contribuir não só para o desenho de políticas públicas sobre determinados fenômenos, como também para a formação cívica e cidadã que acompanha as literacias midiáticas.

Com aquela perspetiva, desenvolveram-se projetos que objetivaram analisar a cobertura jornalística, na imprensa e na televisão, de atos políticos em Portugal, tais como as eleições para os diferentes órgãos de soberania. Num ecossistema mediático em que se repercutiam as transformações causadas por uma acelerada mudança tecnológica e econômica, com a emergência de novos operadores mediáticos e a interferência de capitais estrangeiros, essas análises visavam compreender o papel dos media, sobretudo das televisões, por meio das notícias veiculadas nos jornais televisivos, na construção das imagens dos políticos e da política (Cunha, 2007)3. Os resultados reforçaram as teorias que apontavam os meios de comunicação como atores políticos, bem como demonstraram: a tendência dos meios de comunicação de privilegiarem notícias de fait-divers em detrimento da substância; o fascínio da informação formatada em entretenimento; a confusão entre linguagem popular, a simplificação do sound/image byte; a atratividade de um ideário crítico às instituições democráticas e ao papel do Estado nas sociedades liberais.

Nesses projetos, contou-se sempre com a colaboração de pesquisadores brasileiros de várias instituições e estados, com ênfase para as parcerias realizadas com a coordenação, por meio de Cristina Costa, do Arquivo Miroel Silveira, posteriormente designado Núcleo de Pesquisa Comunicação e Censura, que envolveu o PPGCOM-USP.

Observa-se que o período de 2010 a 2012 foi particularmente exigente no que toca ao financiamento à pesquisa em Portugal, na sequência da bancarrota e resgate, em 2011, provocado pela queda do Lehman Brothers, em 2008, e da crise das dívidas públicas da Zona Euro. As circunstâncias e as opções políticas europeias e nacionais geraram um período de austeridade – que não foi revertido até hoje – nos seus múltiplos impactos econômicos, sociais e políticos. As consequências dessa opção pelo capital, em detrimento dos cidadãos, na resolução da crise dos subprime na Europa, levou à emergência de uma vaga de governos populistas e extremistas no continente, acentuando tendências antidemocráticas na maioria desses países e pondo em causa a independência de instituições e a liberdade de expressão (Aalberg et al., 2016).

A conjuntura portuguesa, desfavorável ao financiamento da pesquisa, não impediu a continuação de parcerias, potenciadas por anteriores projetos envolvendo pesquisadores e instituições, tal como o que foi desenvolvido entre 2018 e 2019 e intitulado Liberdade de expressão e de imprensa: uma análise comparativa dos processos eleitorais em Portugal e Brasil4. Organizaram-se eventos conjuntos, alguns deles pela primeira vez por videoconferência, que envolveram pesquisadores portugueses do então Centro de Investigação Media e Jornalismo (CIMJ), chefiado por Nelson Traquina, hoje Centro de Investigação em Comunicação da Universidade Nova (Icnova), e da ECA – Arquivo Miroel Silveira e PPGCOM. Os eventos que tiveram lugar nas duas instituições privilegiaram as diversas faces da censura, numa perspetiva histórico-política associada às ditaduras portuguesa e brasileira, mas também exploraram o crescimento de novas formas de censura associadas às ameaças à democracia, aos processos de globalização, aos media tradicionais e às tecnologias de informação e comunicação (Costa, 2014).

O foco no processo de globalização e nas ameaças à democracia na Europa – tendo como pano de fundo o domínio crescente das tecnologias da informação e da comunicação e a instalação de um capitalismo de vigilância – levaram ao aprofundamento de estudos com essa temática. O trauma da crise da dívida pública europeia e da adoção de medidas centradas no capital, em detrimento dos cidadãos, abriu novos focos de pesquisa em comunicação e política e no papel dos media no espaço público mediatizado. Em paralelo, a divulgação de indicadores mundiais, apresentados por instituições internacionais, que monitoram a qualidade da democracia, das suas instituições e da liberdade de expressão, confirmando o declínio das democracias face às autocracias e sublinhando, nesse processo, o papel das redes sociais e o impacto no espaço público das patologias de informação, suscitou crescente interesse pela temática. Em discussão estava – e ainda está – o processo de transformação do conceito de democracia, focado nos cidadãos para uma outra concepção de democracia, centrada nos interesses do mercado globalizado. Trata-se de uma mudança que tende a transformar a democracia num conjunto de regras – ou procedimentos necessários – para a legitimação de governos que gerem os interesses públicos nacionais em proveito dos grandes interesses econômicos e financeiros globalizados. Nesse contexto, a democracia funciona como um método para a constituição de governos e gestão de interesses, não oferecendo conotações ideológicas nas suas práticas, mas sim disponibilizando-se como ferramenta utilitária do sistema político, econômico e financeiro (Cunha, 2015).

No rescaldo da crise da dívida da Zona Euro (2014-2017), esteve em curso a execução do projeto Corrupção política nos media, uma perspetiva comparada5, que visou a comparação de sistemas mediáticos, políticos e sociais em três países que têm o português como língua oficial. A participação e cooperação de pesquisadores advindos de conjunturas e cenários muito diferentes permitiram cotejar fenômenos políticos eleitorais e práticas de governação, bem como aferir e confrontar teorias e conceitos, tais como os associados à concepção de democracia e ao entendimento do fenômeno de corrupção. O trabalho envolveu procedimentos teóricos, como: a partilha de bibliografia, com vista a explicitação de conceitos e enquadramentos teóricos; o desenho dos contextos objetivos de cada espaço geográfico e dos contextos interpretativos inerentes a cada grupo de pesquisa; a discussão de potenciais abordagens metodológicas, com o objetivo de se adotar procedimentos comuns; a identificação de categorias comparativas, tendo como critério o reconhecimento de componentes comparáveis, da sua compatibilidade, com a finalidade de identificar equivalentes funcionais e justificar possíveis adequações.

Os resultados obtidos, neste trajeto, apontaram para a identificação de padrões comuns aos três países participantes, por exemplo, a visibilidade alcançada pelos atores políticos nos fenômenos de corrupção, a opacidade dos corruptores, sejam eles indivíduos singulares, instituições ou interesses organizados, e a constante descredibilização das instituições democráticas, mesmo quando as prevaricadoras são privadas. A execução do projeto também demonstrou a dificuldade de se comparar o fenômeno da corrupção em três espaços geográficos com percursos políticos, históricos e sociais díspares, aos quais se juntavam réplicas coloniais e pós-coloniais, determinando que o entendimento do conceito tende a adquirir concepções diferenciadas e uma gravidade cívica distinta.

Foram múltiplos os desdobramentos deste projeto e ocorreram não só durante a execução, como também após ele ter sido terminado. No âmbito da colaboração com o Núcleo de Pesquisa Comunicação e Censura da ECA e com o Instituto de Comunicação da Nova (ICNOVA), discutiram-se tendências nacionais e internacionais associadas às ameaças à democracia, bem como aos crescentes indícios de uma desestabilização da ordem internacional implantada pelos Estados Unidos, interpretada como imposta pelo ocidente no final da Segunda Guerra Mundial. Se os indicadores sobre a desdemocratização podem ser aferidos universalmente, a partir de indicadores como os divulgados pela Freedom House6, é mais difícil discutir o que está em jogo, quem são os atores, quais seus interesses e que futuro promete o processo de desglobalização e desocidentalização em curso (Costa & Blanco, 2019).

Sublinha-se que a globalização assenta no desenvolvimento das tecnologias da informação e comunicação na velocidade conferida por esses dispositivos às trocas financeiras e comerciais e à expansão de um imaginário simbólico de consumo global que foi apropriado em função dos locais, regiões, continentes e culturas. No entanto, enquanto a expansão da globalização, no século passado, esteve associada principalmente à imprensa escrita, ao rádio, ao telégrafo e aos múltiplos écrans/telas de conteúdos produzidos por empresas de cinema e televisão, a desglobalização e o processo de desocidentalização estão, iminentemente, vinculados às redes sociais, à comercialização dos big data e ao que se chama capitalismo digital (Meier, 2019) e/ou vigilância (Zuboff, 2019).

Neste momento, o percurso traçado neste texto sofre de novo uma inflexão teórica e metodológica, que passa a centrar-se nos fenômenos de fragmentação do mundo ocidental, na polarização dos regimes democráticos – com a ascensão dos populismos e dos autoritarismos – e nas ameaças da má informação, produzidas industrialmente e utilizadas como armas. A todos esses elementos de mudança e de desestabilização se soma o apagão global provocado pela pandemia de covid-19 e o início de uma guerra no coração da Europa.

“NO MEIO DO CAMINHO TINHA UMA PEDRA…”

A pandemia de covid-19, que eclodiu no final de 2019 em Wuhan, na China, e se espalhou pelo mundo, tendeu a seguir a rota da globalização. Autores consideram que o coronavírus adquiriu um padrão de transmissão, designado por 3C, que se expandia, preferencialmente, com base em lugares populosos, contatos de proximidade e espaços confinados e fechados (Fujita & Hamaguchi, 2020). Esse padrão impactou de forma transversal grandes áreas urbanas e industriais, mas foi principalmente suportado por populações que vivem, muitas vezes, sob condições insalubres de habitação, têm trabalhos precários e mal pagos e escasso acesso a cuidados de saúde e proteção social. A pandemia demonstrou, igualmente, as fragilidades da globalização, expondo a dependência, principalmente do ocidente, das cadeias de valor globais e fornecedores asiáticos, nomeadamente a China. Em simultâneo, a covid-19 reforçou o poder das Big Tec, com o refúgio do mundo laboral em regime de teletrabalho e o recurso às redes sociais como forma aconselhada e segura de comunicação interpessoal e social.

O contexto da globalização, tal como foi vivido até 2019 pela perspectiva tanto ocidental quanto oriental, começou a ser reinterpretado por meio da acentuação de clivagens entre blocos geoestratégicos, indicadores que já vinham sendo observados desde o início do milénio (Stiglitz, 2020). Em fevereiro de 2022, a invasão da Ucrânia pela Federação Russa efetivou, de forma aparentemente irreversível, a reorganização do espaço da globalização e o reordenamento de blocos geográficos e políticos das grandes potências e dos seus interesses (Roubini, 2022).

O contexto internacional polarizado foi anunciado em muitos países com regimes democráticos formais por uma extremização dos sistemas partidário e político, aos quais não é estranha a atuação/utilização das redes sociais. Exemplos mais conhecidos e estudados são o Brexit, iniciado em 2016 no Reino Unido, e as eleições que levaram Trump à presidência dos Estados Unidos, em 2016, e Bolsonaro à presidência do Brasil, em 2018. Esses acontecimentos, fundados na manipulação de algoritmos e na apropriação indevida de big data – por empresas especializadas e piratas contratadas para esses serviços –, tendem a se complexificar exponencialmente no momento em que a sua atuação se estende à segurança de infraestruturas, à guerra e à luta pela supremacia tecnológica. A polêmica que envolve a empresa chinesa Huawei, na Europa e nos Estados Unidos, acusada de incluir na sua tecnologia um dispositivo de transferência e análise de dados, indica essa mudança.

Contudo, a polarização, associada aos movimentos populistas e neonazis/neofascistas, já tinha adquirido grande visibilidade no pós-crise da Zona Euro, sobretudo no centro e no norte da Europa. O ideário daqueles partidos sublinhava determinados valores como fundadores da sociedade ocidental e, com base neles, defendiam psicionamentos nacionalistas, xenófobos e homofóbicos que se traduziram em programas com vista a limitar os direitos individuais, sobretudo no que toca às questões de gênero e das migrações, principalmente as de origem islâmica. A liberdade de imprensa e expressão e o policiamento das redes sociais constituíram, também, um alvo desses partidos populistas, que têm vindo a obter posições significativas nos parlamentos nacionais e internacionais.

A polarização e fragmentação não são um fenômeno exclusivamente político, mas afetam, num movimento com características políticas contrárias, o pensamento e o conhecimento acadêmicos. Avolumaram-se nas sociedades ocidentalizadas, mas sobretudo nas universidades, principalmente anglo-saxônicas, um conjunto de movimentos que, tendo uma fundamentação democrática e igualitária, tendem a extremar-se aprofundando fraturas nos regimes democráticos, são eles, por exemplo, os movimentos woke, as designadas guerras culturais, as manifestações da cultura de cancelamento e as decisões fundadas no princípio do politicamente correto. Esse cenário, impulsionado principalmente nas universidades e organizações não governamentais, tem fragmentado e ameaçado as democracias, desviado as atenções das ameaças autocráticas, populistas e neofascistas, impondo agendas que, sendo importantes, impedem a convergência democrática e a luta concertada contra o neoliberalismo. Ao mesmo tempo, esses posicionamentos, ao confinarem a produção e o ativismo ao meio intelectual e às universidades, afastando-os das aspirações da generalidade da sociedade cívil, tendem a contribuir para as guerras anticiência, para a propagação da má informação e para a incapacidade de compreender muitos dos fenômenos sociais, políticos, econômicos e tecnológicos que embasam a emergência dos populismos e das autocracias atuais.

As ciências sociais e humanas, em que se incluem as ciências da comunicação, parecem vacilar perante esses desafios não só na sua dimensão teórica e analítica, como também na perspetiva metodológica. Os dados, que fundamentariam a compreensão e a interpretação dos fenômenos associados ao uso e impacto das redes sociais, encontram-se, muitas vezes, inacessíveis aos pesquisadores por serem propriedade das Big Tec. Por outro lado, o volume e os aparatos necessários para o seu processamento – hardwares e softwares – estão fora do alcance do trabalho de pesquisadores individuais e de grande parte dos centros de pesquisa. Vale acrescentar que os desdobramentos das tecnologias digitais, da inteligência artificial, da plataformização da vida, bem como suas ferramentas matemáticas, estatísticas e princípios de racionalidade, constituem campos desconhecidos para a maioria dos pesquisadores dessas áreas do conhecimento.

Com esses limites, as pesquisas tendem a se concentrar na espuma dos dias e na alimentação da indústria acadêmica. Mais uma vez, as redes sociais cooperam para esse panorama, privilegiando o conflito, insuflando temas fracturantes, promovendo fã-clubes e, no fechamento em bolhas temáticas, favorecendo a demonização de opositores e a destruição de mediações no espaço público.

Esse cenário não augura nada de bom e apenas adia as escolhas que temos pela frente como humanidade e como indivíduos. Mas a história também é feita de esperanças…

REFERÊNCIAS

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Notas

2 Por exemplo, o Projecto FCT A televisão e imagens da diferença, realizado entre 2002 e 2005. Mais informações estão disponíveis em: http://cicdigitalpolo.fcsh.unl.pt/pt/televisao-as-imagens-da-diferenca/. É de justiça nomear os pesquisadores que acompanharam este percurso, integrados em projetos ou em fase de formação, tais como Teresa Líbano Monteiro, Verónica Policarpo, Catarina Burnay, Catarina Valdigem, Josefina Tranquilim da Silva, Fernanda Castilho Santana e Ana Paula Guedes.
3 O livro Jornalismo e democracia é derivado do projeto Jornalismo e Atos de Democracia, que pode ser acessado em: https://bit.ly/3twRoVT. Participaram desse projeto Estrela Serrano, Rita Figueiras e Vanda Calado. Foram convidados a publicar em conjunto os pesquisadores brasileiros Antonio Albino Canelas Rubim e Leandro Colling.
4 Nesse projeto, ressalto a participação dos investigadores portugueses Ana Cabrera e Francisco Rui Cádima e dos brasileiros Cristina Costa, Walter Sousa Jr. e Jacqueline Pithan.
5 Mais informações sobre o projeto estão disponíveis em https://bit.ly/3g8T84r. Participaram desse projeto: Estrela Serrano, Ana Cabrera, Rita Figueiras, João Figueiras, Bruno Araújo, Nuno Coimbra Mesquita, Fernando Felgueiras e Álvaro Moisés.

Notas de autor

a Mestre e Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP). Licenciada em História pela Faculdade de Letras de Lisboa. Orcid: https://orcid.org/0000-0001-8701-527X. E-mail: barone.ferin@gmail.com


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