Resumo: Introdução: o tempo é um dos bens mais valiosos do ser humano, portanto, deve ser utilizado de forma adequada. É impossível ditar o quanto o tempo durará, mas é possível gerenciar o tempo. Para algumas profissões, como a enfermagem, o gerenciamento do tempo pode ser decisivo, pois, cuidar demanda competência, dedicação e tempo. Objetivo: analisar a literatura científica a respeito do gerenciamento do tempo entre estudantes de graduação em enfermagem. Método: revisão integrativa com base em referencial que estipula cinco etapas. Foram recuperados artigos de pesquisa primária através de buscas nas bases de dados Medline, Lilacs, BDENF, Ibecs, PubMed, Scopus e Ulakbim a partir da questão norteadora: O que foi produzido na literatura científica a respeito do gerenciamento do tempo entre estudantes de enfermagem? Resultados: quinze artigos foram incluídos. Determinou-se que apesar de o gerenciamento do tempo ser fundamental para a enfermagem, o mesmo não é ensinado como deveria ser. Estudos identificaram que estudantes de enfermagem que gerenciam bem o tempo são mais motivados e menos ansiosos e estressados. O uso excessivo da Internet é prejudicial para o discente tanto pelo desperdício de tempo como devido ao surgimento de problemas sociais. Conclusão: ao utilizar corretamente o tempo os estudantes aumentam a qualidade de sua vida acadêmica e pessoal.
Palavras-chave: Enfermagem, enfermeiras e enfermeiros, estudantes de enfermagem, gerenciamento do tempo.
Abstract: Introduction: Time is one of the most valuable assets of human beings, therefore, must be used properly. It is impossible to dictate how long the time will last, but it is possible to manage time. For some professions, such as nursing, time management can be decisive, as caring demands competence, dedication, and time. Aim: Analyze the available scientific literature on time management among undergraduate nursing students. Methods: Integrative review based on a framework that stipulates five steps. Original primary research articles were retrieved through searches in the Medline, Lilacs, BDENF, Ibecs, PubMed, Scopus, and Ulakbim databases based on the guiding question: What has been produced in the scientific literature about time management among nursing students? Results: Fifteen articles were included. It was determined that, although time management is essential for nursing, it is not taught as it should be. Studies have identified that nursing students who manage their time well are more motivated and less anxious and stressed. Excessive use of the Internet is harmful to the student, both because of wasting time and because of the emergence of social problems. Conclusion: By using time correctly, students increase the quality of their academic and personal life.
Keywords: Nursing, nurses, students nursing, time management.
Resumen: Introducción: el tiempo es uno de los bienes más valiosos del ser humano, por tanto, debe ser utilizado adecuadamente. Es imposible dictar cuánto durará el tiempo, pero es posible administrar el tiempo. Para algunas profesiones, como la enfermería, la gestión del tiempo puede ser decisiva, ya que cuidar exige competencia, dedicación y tiempo. Objetivo: analizar la literatura científica disponible sobre la administración del tiempo entre estudiantes de graduación en enfermería. Método: revisión integradora basada en un marco que estipula cinco pasos. Se recuperaron artículos originales de investigación primaria a través de búsquedas en las bases de datos Medline, Lilacs, BDENF, Ibecs, PubMed, Scopus y Ulakbim a partir de la pregunta orientadora: ¿qué se ha producido en la literatura científica sobre la administración del tiempo entre estudiantes de enfermería? Resultados: se incluyeron 15 artículos. Se determinó que, si bien la administración del tiempo es fundamental para enfermería, no se enseña como se debe. Los estudios han identificado que los estudiantes de enfermería que administran bien su tiempo están más motivados y menos ansiosos y estresados. El uso excesivo de internet es perjudicial para el alumno, tanto por la pérdida de tiempo como por la aparición de problemas sociales. Conclusión: al utilizar correctamente el tiempo, los estudiantes aumentan la calidad de su vida académica y personal.
Palabras clave: Enfermería, enfermeras y enfermeros, estudiantes de enfermería, administración del tempo.
Artículos
Gerenciamento do tempo entre estudantes de enfermagem: uma revisão integrativa*
Time Management Among Nursing Students: An Integrative Review
Administración del tiempo entre estudiantes de enfermería: una revisión integradora
Recepção: 26 Março 2022
Aprovação: 15 Julho 2022
Publicado: 30 Setembro 2022
O tempo é inflexível, incomparável e insubstituível, sendo, portanto, um dos recursos mais importantes para o ser humano (1). Não é fácil definir o tempo. Enquanto conceito subjetivo, o tempo refuta a uma criação mágica, a movimentos multiformes, a uma realidade cosmológica (2). Numa definição mais objetiva, o tempo é a duração dos fatos, é o determinante dos momentos, das épocas (3). Seja o tempo a criação mágica ou a duração de eventos reais, o fato é que todo ser humano precisa se adaptar ao tempo e utilizá-lo apropriadamente. Dessa forma, apesar de não ser possível ditar o quanto o tempo durará, o indivíduo pode e deve administrar o tempo (1, 4).
O gerenciamento do tempo é um processo sistemático que auxilia os profissionais a atingirem o sucesso, através de análise e planejamento (4) um processo sistemático, que os profissionais a atingirem o sucesso, através de análise e planejamento (4).
Especialmente para determinadas profissões o tempo pode ser visto como um aliado ou um poderoso inimigo. Na área da saúde, por exemplo, não há tempo para erros ou para longas análises das situações frente a crises, ou emergências (5-6). Além disso, profissionais de saúde estão sujeitos a diversos estressores e acredita-se que os membros da equipe de enfermagem estão entre os profissionais que mais sofrem devido à pressão do tempo (5-7). Enfermeiros desempenham diversas funções assistenciais, administrativas e educativas num ambiente de risco, no qual muitas vezes enfrentam também a falta de material médico e de pessoal, o que evidencia ainda mais o tempo enquanto recurso valioso, que deve ser utilizado de forma adequada (5-8).
Cuidar, não é uma tarefa fácil, podendo ser considerada até mesmo um desafio, pois, prestar um cuidado holístico e humanizado além de competência profissional, demanda tempo e dedicação (9). Principalmente profissionais de enfermagem recém-formados podem se sentirem pressionados pela quantidade de tarefas que devem ser realizadas num curto espaço de tempo para a prestação de um cuidado qualificado e eficiente (5). Treinamentos em gerenciamento do tempo podem auxiliar o profissional de enfermagem a completar todas as suas atividades com sucesso enquanto cuida também de seu bem-estar (6,8,10).
Estudos realizados com estudantes universitários de cursos de enfermagem apontam para a falta de tempo como um causador de estresse (11-12). Discentes de enfermagem são pressionados pela grande quantidade de tarefas curriculares e extracurriculares exigidas pelo curso, além de terem que conciliá-las aos afazeres pessoais (13). Identificou-se, portanto, a relevância de discussões referentes ao gerenciamento do tempo entre os estudantes de enfermagem, visando prepará-los para um mercado de trabalho onde estarão constantemente sob a pressão do tempo. Diante do exposto, o objetivo desta revisão integrativa foi analisar a literatura científica disponível a respeito do gerenciamento do tempo entre estudantes de graduação em enfermagem.
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, que foi elaborada de acordo com as cinco etapas do método de Whittemore e Knafl (14). As etapas são as seguintes: elaboração do problema, busca de dados, avaliação dos dados, análise dos dados e apresentação do resultado final.
Na primeira etapa foi identificado o problema de pesquisa; através da formulação da seguinte pergunta: O que foi produzido na literatura científica a respeito do gerenciamento do tempo entre estudantes de enfermagem? Para a elaboração de tal pergunta foi utilizado o acrônimo PICo (15), no qual “P” se refere à população: estudantes de enfermagem, “I” corresponde a interesse: gerenciamento do tempo, e “Co” diz respeito ao contexto: cursos de graduação em enfermagem.
Na segunda etapa foi conduzida a pesquisa na literatura. A busca por estudos ocorreu no mês de março de 2022, nas seguintes bases de dados: Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (Medline), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (Lilacs), Índice Bibliográfico Espanhol de Ciências da Saúde (Ibecs), Base de Dados de Enfermagem (BDENF), Public/Publisher Medline-NLM journal articles database (Pubmed), Elsevier’s abstract and citation database (Scopus), e Rede Acadêmica e Centro de Informações da Turquia (Ulakbim). Os descritores Medical Subject Heading (Mesh): “time management” . “nursing”, que correspondem aos descritores “gerenciamento do tempo” e “enfermagem” juntamente com o booleando “AND” foram utilizados nas buscas por títulos de estudos originais de pesquisa primária cujos textos completos estivessem disponíveis na Internet. Visando alcançar o maior número possível de artigos, a pesquisa não foi limitada por data ou idioma de publicação.
Numa posterior análise dos artigos encontrados planejou-se excluir aqueles que não tivessem sido publicados nos idiomas inglês, português, espanhol ou turco. Porém, todos os artigos encontrados foram publicados em inglês ou em turco. Assim, foram incluídos artigos originais de pesquisa primária sobre o gerenciamento do tempo, publicados em inglês ou turco e conduzidos com estudantes de graduação em enfermagem.
A avaliação dos dados foi realizada na terceira etapa. Para tanto foi realizada uma compilação das informações sobre os artigos com referências, país, idioma, desenho, participantes, principais resultados e limitações, que se encontra na tabela 1. Na quarta etapa os dados coletados foram interpretados através de constantes comparações, o que permitiu identificar semelhanças e diferenças entre as informações encontradas, os dados foram então organizados segundo seus temas. Na quinta etapa foi realizada a apresentação dos resultados, implicações e limitações desta revisão de literatura.
Quanto às questões éticas, foi assegurada a legitimidade das informações e da autoria dos estudos incluídos, citando-os e referenciando-os conforme às normas requeridas. A aprovação de um Comitê de Ética em Pesquisa não foi necessária por se tratar de uma revisão integrativa da literatura.
Um total de 131 artigos foi identificado, destes, 49 foram excluídos por serem duplicados, diminuindo assim para 82 o número de artigos. Foi feita então a leitura de títulos e resumos, após a qual mais 67 artigos foram excluídos por não corresponderem à questão da pesquisa. Os 15 artigos restantes foram lidos repetidas vezes e todos eles foram submetidos à avaliação de qualidade metodológica por meio do Instrumento de avaliação crítica do Instituto Joanna Briggs – JBI (16). Apesar de nenhum artigo ter sido excluído após a avaliação metodológica, somente em um estudo não foram identificados pontos fracos devido à limitação geográfica. Além disso, em todas as pesquisas quantitativas os dados foram coletados através de questionários de preenchimento próprio. Outra limitação frequente entre as pesquisas quantitativas foi a falta de informações sobre a existência de padrão na coleta de dados. O fluxo de seleção dos artigos é demonstrado na figura 1. As limitações metodológicas dos artigos encontram-se na tabela 1.



Dos quinze artigos incluídos nesta revisão, nove (60 %) foram publicados em inglês e seis (40 %) em turco. Os anos de publicação variaram entre 2008 e 2021; quatro (26,6 %) artigos foram publicados em 2017. Os artigos foram conduzidos na Turquia (n= 9), China (n= 2), Iran (n= 2), Índia (n= 1) e, Austrália (n= 1). O número de participantes variou entre 21 e 593 estudantes de graduação em enfermagem. Em 12 (80 %) estudos a maioria dos participantes era do sexo feminino, em duas (13,3 %) pesquisas todas as participantes eram mulheres, e em um (6,7 %) estudo o sexo dos participantes não foi mencionado. No que diz respeito à metodologia; são 14 (93,3 %) estudos quantitativos, e somente um (6,7 %) estudo qualitativo.
O gerenciamento do tempo foi discutido de formas variadas nos diversos estudos incluídos nesta revisão. Foram abordados o treinamento em gerenciamento do tempo (17-18,31); habilidades para gerenciar o tempo (20,24,27,30); a relação com o sucesso acadêmico (19,24); o envolvimento com o estudo, a aprendizagem e a adaptabilidade (26); a relação com a aprendizagem autodirigida (21); a relação com a ansiedade (22,25,31), a motivação (22) e o estresse (28); além da relação com o uso da Internet (23,29).
A literatura científica identificou que apesar da importância do tema, os estudantes de graduação em enfermagem não recebem ensino suficiente sobre o gerenciamento do tempo (18,23,30). A relevância do tópico foi comprovada através dos estudos incluídos nesta revisão, pois estudantes que recebem treinamento conseguem administrar melhor o tempo (32). Além disso, a integração entre o gerenciamento do tempo e estratégias que priorizem atividades voltadas para a aprendizagem de habilidades clínicas podem melhorar a competência dos estudantes de enfermagem e deixá-los mais seguros para administrar medicamentos durante as práticas clínicas (17). Desenvolver conhecimentos sobre o gerenciamento do tempo pode auxiliar os estudantes de enfermagem na melhor identificação de seus objetivos, além de aumentar a auto-confiança e proporcionar a realização pessoal enquanto acadêmico (26). A adaptabilidade à aprendizagem e a disposição para o gerenciamento do tempo influenciam no engajamento ao estudo (26).
Estudos apontaram as dificuldades dos estudantes de enfermagem para gerenciar o tempo. Discentes de enfermagem podem apresentar problemas com relação ao senso de tempo, o que talvez leve ao desperdício de tempo, uma vez que eles não conseguem se organizar devidamente (26). Estudantes de enfermagem precisam de apoio para planejar o tempo adequadamente (20). É importante atentar para o fato de que estudantes de enfermagem irão desenvolver suas funções em ambientes onde surgem situações emergenciais frequentemente, por isso precisam estar preparados para alocar o tempo corretamente (28).
Apesar dos resultados de alguns estudos mostrarem que a medida que o estudante de enfermagem amadurece, sua competência para administrar o tempo aumenta (19-20), foi determinado também que quanto maior a idade do estudante mais ele faz um uso problemático da Internet (29). Além disso, em um outro estudo foi relatado um melhor gerenciamento do tempo entre estudantes mais jovens (24). Situação semelhante foi identificada com relação ao sexo dos estudantes; segundo alguns estudos incluídos nesta revisão, estudantes do sexo feminino desperdiçam mais o tempo (20,31), no entanto, em outros estudos, foi reportada uma melhor administração do tempo por parte dos discentes do sexo feminino (25,30).
Em alguns estudos identificou-se que estudantes que têm mais habilidades para aprender de forma autônoma (21) e que têm melhores resultados acadêmicos são aqueles que melhor gerenciam o tempo (18-19,21). Entretanto, em um estudo não foi comprovada uma relação entre o gerenciamento do tempo e o desempenho acadêmico dos estudantes de enfermagem (24). Estudantes que melhor administram o tempo são mais motivados (22) e menos ansiosos (22,25,31). Procrastinação e falta de habilidades para gerenciar o tempo podem resultar em estresse acadêmico, que pode desencadear deficiências físicas e mentais, levando a perda de autoconfiança e resultando em erros (28). Estudantes de enfermagem procuram utilizar o tempo de modo a diminuir o estresse e aumentar a satisfação com a vida acadêmica (27). Além disso, estudantes de enfermagem procuram aproveitar o tempo realizando tarefas acadêmicas, evitando gastar tempo em atividades domésticas e integrando responsabilidades irrevogáveis à vida acadêmica (27).
No que se refere ao uso de Internet e o gerenciamento do tempo por parte dos estudantes de enfermagem, verificou-se que estudantes que fazem um uso problemático da Internet têm menos capacidade para gerenciar o tempo (18,29), e que quanto maior o tempo utilizado na Internet maior o impacto negativo na vida social do estudante de enfermagem (18). Entretanto, em um dos estudos, verificou-se uma relação positiva fracamente significativa entre as pontuações de habilidades de gerenciamento de tempo dos estudantes e suas pontuações de dependência em mídia social (23).
Estudos apontaram para a necessidade de melhorar o ensino de enfermagem com relação ao envolvimento com o estudo, a adaptabilidade à aprendizagem e à disposição para o gerenciamento do tempo (26). Muitos estudantes não estão preparados para o ritmo acadêmico, e não conseguem atender aos requisitos da vida universitária (26). Estudantes de enfermagem têm muitas tarefas acadêmicas, atividades extracurriculares, responsabilidades além da vida universitária, e por isso, podem concluir que não têm tempo suficiente para estudar, o que resulta em estresse (27). Estudantes de enfermagem precisam ser ajudados para melhor gerenciar o tempo visando um melhor desempenho acadêmico e uma eficiente gestão das demandas na prática da enfermagem (28).
Disciplinas que orientem os estudantes quanto ao gerenciamento do tempo deveriam ser incluídas ao conteúdo dos currículos das escolas de enfermagem (17,19-20,29-30), e docentes de enfermagem deveriam orientar os discentes a respeito do gerenciamento do tempo (20). Atividades variadas como cursos, treinamentos e conferências que abordem o tema deveriam ser desenvolvidas nos cursos de graduação em enfermagem (21,23-25). Além disso, deveriam ser feitas pesquisas para avaliar a influência do gerenciamento do tempo dos estudantes para a prática da enfermagem (20,24), e para identificar fatores que levam ao desperdício do tempo (24), além de pesquisas que utilizem intervenções para aumentar a habilidade de alocar o tempo (22). Ademais, estudantes de enfermagem deveriam ganhar competência em gerenciamento do tempo a medida que diminuem a dependência de mídia social (23).
O objetivo desta revisão integrativa foi analisar a literatura científica disponível a respeito do gerenciamento do tempo entre estudantes de graduação em enfermagem. Determinou-se que mesmo o gerenciamento do tempo sendo importante para a enfermagem, o mesmo não é ensinado como deveria ser. Estudos mostram que existe uma relação entre o estresse, a ansiedade, e a motivação, e o gerenciamento do tempo entre estudantes de enfermagem. O uso excessivo da Internet é prejudicial para o discente tanto pelo desperdício de tempo como devido ao surgimento de problemas sociais. O ensino do gerenciamento do tempo deveria ser incluído aos currículos das escolas de enfermagem.
Instituições de saúde são organizações complexas onde os profissionais correm contra o tempo para adquirirem novas competências e atenderem às variadas necessidades de um número cada vez maior de pacientes (32-33). Profissionais de saúde realizam várias funções, devendo, muitas vezes, tomar decisões rápidas, que são fundamentais para a saúde dos pacientes; por isso a administração do tempo deve ser considerada um importante aliado do trabalhador da área da saúde (34). Neste contexto, os enfermeiros além de exercerem atividades assistenciais e administrativas também orientam estagiários de enfermagem (35), que devido à diversidade do ensino recebido e também às características e experiências pessoais têm formas diferentes de lidar com o tempo (36). Para que o cuidado de enfermagem seja conduzido de forma eficaz e eficiente o tempo deve ser utilizado adequadamente; pois, o cuidado de qualidade é resultado de um processo complexo que demanda tempo, conhecimento e habilidades (37). Enfermeiros devem alocar o tempo apropriadamente para interagir com o paciente e a população em geral, a fim de coletar dados, planejar e prestar o cuidado. Apesar da importância da alocação do tempo para o profissional de enfermagem, os estudos incluídos nesta revisão apontam para o fato do estudante não receber ensino necessário para administrar o tempo.
Um estudo realizado com gerentes de enfermagem determinou que habilidades para administrar o tempo ajudam o profissional a resolver problemas e transpor obstáculos que surgem durante a prática da enfermagem (38) resultando assim, no aumento da produtividade (39). O mesmo acontece com o estudante de enfermagem que aprende a alocar melhor o tempo, pois sua experiência clínica é positivamente afetada (36). Por outro lado, a falta de habilidades adequadas para gerenciar o tempo pode fazer com que o estudante de enfermagem se sinta estressado, cansado e insatisfeito (36). Profissionais desmotivados não serão capazes de prestar um cuidado eficaz e eficiente ao paciente. Portanto, estudantes precisam ser auxiliados para planejar suas tarefas e administrar as diversificadas demandas de pacientes cada vez mais bem informados e exigentes (32). Além disso, estudantes de enfermagem precisam estar preparados para gerenciar o tempo na ocorrência de situações emergenciais, evitando possíveis distrações e erros (13,36). É fundamental que o estudante de enfermagem aprenda métodos e estratégicas que mais tarde irão auxiliá-lo na prestação de cuidados, na orientação, no ensino e no gerenciamento da equipe de enfermagem. Atividades estas, que muitas vezes serão desenvolvidas sob a pressão do tempo. Os estudos analisados demonstraram que treinamentos em administração do tempo tem resultados positivos para estudantes de enfermagem.
Estudos determinaram que estudantes de enfermagem apresentam dificuldades em administrar o tempo. Estudantes de enfermagem estão envolvidos em várias atividades extracurriculares, pesquisas, avaliações teórico-práticas, além de tarefas pessoais (13,40). Ademais, estudantes podem desperdiçar o tempo devido a fatores variados. Os estudos incluídos nessa revisão identificaram também o uso inadequado da Internet por parte de estudantes de enfermagem. Estudos realizados com acadêmicos de diferentes cursos indicam que o uso da Internet exerce influências positivas e negativas na vida do discente (41). A Internet pode ser uma aliada para a aprendizagem, mas seu uso excessivo pode levar ao gasto indevido do tempo (41). A falta de controle do tempo utilizado na Internet pode resultar em prejuízos na rotina do estudante (42). A atual geração de estudantes muitas vezes se mostra dependente da mídia social e deve ser corretamente orientada quanto ao uso da Internet, pois a mesma pode ser utilizada como meio de distração, mas também oferece inúmeros recursos para enriquecer o conhecimento através de meios alternativos de aprendizagem teórico-prática da profissão.
O gerenciamento do tempo é fundamental para que os enfermeiros consigam realizar todas as suas tarefas (43), apesar disso, observa-se que não são feitos esforços suficientes para utilizar o tempo apropriadamente na área da enfermagem (44). Atividades que envolvem os valores dos pacientes, resoluções de problemas e tomadas de decisões para garantir a qualidade do cuidado, além da supervisão dos outros membros da equipe são responsáveis pela pressão do tempo sobre os enfermeiros gestores (45). Além disso, estudos realizados com enfermeiros apontam para a relação entre o gerenciamento do tempo e a satisfação com o trabalho (46) e o estresse (47). Resultados semelhantes foram encontrados entre estudantes de enfermagem nos estudos analisados nesta revisão integrativa.
Quanto melhor o tempo for administrado, maior será a qualidade do cuidado (37), a motivação e a satisfação do profissional de enfermagem (48). O adequado gerenciamento do tempo diminui os níveis de estresse, protegendo assim a saúde mental dos enfermeiros (10). Assim, o enfermeiro deve ser capaz de gerenciar seu tempo, sabendo pensar de maneira crítica e delegar quando necessário (49). Estratégias e conhecimentos que envolvem a arte de administrar o tempo devem, portanto, ser adquiridos pelo discente de enfermagem ainda durante sua formação acadêmica, sendo desenvolvidos à medida que o profissional adquire mais experiência.
Dada a importância da administração do tempo para o bem-estar do profissional, para a qualidade do cuidado e, consequentemente, para a produtividade das organizações de saúde, o ensino do gerenciamento do tempo deveria ser melhor abordado nas escolas de enfermagem e também durante os programas de educação continuada nas instituições de saúde, especialmente para facilitar a adaptação de enfermeiros recém formados (32). Além disso, o gerenciamento do tempo trata-se de um processo comportamental, portanto, o estudante precisa estar ciente da importância de alocar corretamente o tempo (50). Estudantes que utilizam apropriadamente o tempo serão beneficiados tanto na vida acadêmica quanto mais tarde quando profissionais.
A pesquisa pelos descritores foi feita somente pelos títulos dos artigos, o que pode ter feito com que estudos relevantes cujos títulos não possuem os descritores pesquisados não tenham sido incluídos na presente revisão de literatura. Além disso, o fato de usar somente um operador excludente durante a pesquisa por artigos também pode ser considerada uma limitação. Apesar de ter sido seguida uma minuciosa estratégia de busca e análise, alguns artigos podem não ter sido incluídos. Outra limitação está no fato de mais da metade dos estudos terem sido conduzidos num mesmo país.
Através da presente revisão integrativa foi possível analisar a literatura científica disponível com relação ao gerenciamento do tempo entre os estudantes de enfermagem. Observou-se que o gerenciamento do tempo por parte de estudantes de enfermagem é um assunto amplamente abordado. O treinamento para administração do tempo e suas possíveis influências na vida acadêmica e pessoal dos estudantes foi discutida, identificando a importância do ensino do gerenciamento do tempo na área de enfermagem. Apesar de o tópico ter sido debatido através de várias dimensões, observou-se que o ensino do tema não é devidamente fornecido nos cursos de enfermagem. O gerenciamento do tempo traz benefícios para o estudante, que ao utilizar corretamente o tempo vivenciará um aumento na qualidade de sua vida acadêmica, profissional e pessoal.
Os resultados dessa revisão atentam, portanto, para a importância da inclusão do gerenciamento do tempo ao currículo das instituições de ensino para melhor capacitar o estudante de enfermagem com relação à adequada alocação do tempo. Além disso, o ensino da administração do tempo deveria ser abordado também em instituições de saúde para aperfeiçoar enfermeiros. Espera-se ainda que sejam realizadas pesquisas que utilizem desenhos metodológicos variados procurando descrever mais as experiências dos estudantes de enfermagem com relação ao gerenciamento do tempo.
a Autor da correspondência. Correio eletrônico: luizafl@gmail.com e ana.luiza@istun.edu.tr


