Mecanismos Intuitivo e Racional: Validação de Escala para Tomada De Decisão

Intuitive and Rational Mechanisms: Validation of Scale for Decision-Making

Anna Cecília Chaves Gomes
Instituto Federal da Paraíba – Brasil, Brasil
Anderson Luiz Rezende Mól
Universidade Federal do Rio Grande do Norte – Brasil, Brasil
Mayara Carla Marques
Universidade Federal do Rio Grande do Norte – Brasil, Brasil

Mecanismos Intuitivo e Racional: Validação de Escala para Tomada De Decisão

Revista de Administração FACES Journal, vol. 18, núm. 4, pp. 102-117, 2019

Universidade FUMEC

Recepção: 13 Fevereiro 2019

Aprovação: 30 Dezembro 2019

Resumo: Embora exista significativa aceitação da estrutura tripla por estudos da inteligência artificial, a literatura atual converge para um processamento duplo. Dessa forma, necessita-se ainda de discussões acerca dos componentes da mente. Sendo assim, o presente trabalho propõe validar uma escala para mensuração dos Sistemas Cognitivos, aprofundando o entendimento sobre suas divisões. Para isso, baseou-se na Rational Experimental Inventory (REI) para mensurar as diferenças individuais nos estilos de pensar, com um total de 2.843 observações. Como resultados, a escala pôde, então, ser validada com 3 fatores de significativa confiabilidade. Percebeu-se que, embora a intuição tenha se agrupado em um fator único, a racionalidade se dividiu em dois fatores. A amostra parece perceber a racionalidade como procedente de dois diferentes mecanismos: um lógico, e um mais profundo e exigente. A REI foi reconhecida estatisticamente encontrando-se 3 fatores, dois relativos à racionalidade e um à intuição, havendo um relacionamento entre as duas racionalidades.

Palavras-chave: Validação de escalas, Sistemas cognitivos, Sistema intuitivo, Sistema racional, Análise fatorial.

Abstract: Although there is significant acceptance of triple structure by artificial intelligence studies, current literature converges to dual processing. In this way, discussions are still needed about the components of the mind. Therefore, the present work proposes to validate a scale for the measurement of Cognitive Systems, deepening the understanding about its divisions. To do so, it relied on the "Rational Experimental Inventory (REI)" to measure individual differences in thinking styles, with a total of 2,843 observations. As results, the scale could then be validated with 3 factors of significant reliability. It was realized that, although intuition has been grouped into a single factor, rationality has been divided into two factors. The sample seems to perceive rationality as coming from two different mechanisms: a logical, and a deeper and more demanding. The REI was statistically recognized by finding three factors, two related to rationality and one to intuition, with a relationship between the two rationalities.

Keywords: Scale validation, Cognitive systems, Intuitive system, Rational system, Factor analysis.

1 Introdução

A proposição de que os processos cognitivos são oriundos dos Sistemas Intuitivo e Racional encontra referências a partir das teorias do processamento duplo (HAMMOND, 1996; SLOMAN, 1996; KAHNEMAN; FREDERICK, 2002; BASEL; BRUHL, 2013). Diferentes autores têm trabalhado com existência de dois sistemas, esses abordados sob diferentes terminologias, a exemplo de Evans (1984), Reber (1989), Epstein (1994) Levinson (1995), Sloman (1996), Evans e Over (1996), Hammond (1996) e Stanovich e West (2000).

O Sistema Intuitivo seria automático, de baixa capacidade computacional e relativa inconsciência, tratando de processos mais espontâneos e heurísticos, enquanto o Racional conjuga um processamento controlado abordando aspectos relativos à inteligência analítica (STANOVICH; WEST, 2000; KAHNEMAN; FREDERICK, 2002; FRANKISH, 2010). Durante o período de crescimento da popularidade das teorias dos dois sistemas, muitas críticas se tornaram presentes (EVANS; STANOVICH, 2013).

Estudos como Evans (2008; 2010) e Stanovich (2004; 2011) trazem reflexões contra a visão do Sistema Intuitivo como único, de forma que propõe que esse deva ser denominado processamento do Tipo 1, pois a terminologia permitiria que fosse constituído por múltiplos sistemas neurais e cognitivos. Este sistema seria então composto por um múltiplo de sistemas heterogêneos, tratados como o Conjunto de Sistemas Autônomos (The Autonomous Set of Systems - TASS) (STANOVICH, 2004; CARRUTHERS, 2006; STANOVICH, 2009).

Stanovich (2004) critica a forma como a literatura aborda o Sistema Racional, afirmando que existiria uma acentuada distinção. Algumas pessoas apresentariam elevada capacidade cerebral (altos resultados em testes de inteligência) e competência de passar de uma tarefa para outra de forma rápida e eficiente. Contudo, isso não as tornam imunes aos vieses, havendo, para esta teoria, outra capacidade envolvida denominada racionalidade (KAHNEMAN, 2012). Assim, o Sistema Racional (Tipo 2) apresentaria, em sua composição, uma mentalidade algorítmica e uma reflexiva, abrangendo dois níveis de controle em um mesmo sistema (STANOVICH, 2009; STANOVICH; WEST; TOPLAK 2011; EVANS; STANOVICH, 2013; VAUGHAN et al., 2016; PALKOVICS; TAKAC, 2016). Kahneman (2012) afirma que é preciso mais estudos para verificar se a distinção entre inteligência e racionalidade pode conduzir às novas descobertas.

Embora a teoria do processamento triplo ganhe destaque recentemente, estudos da inteligência artificial já tratam dos sistemas cognitivos como uma estrutura tripla (SAMUELS, 2005; STANOVICH, 2009; VAUGHAN, et al., 2016). Apesar da aceitação na referida área, a maioria da literatura atual ainda converge para um processamento duplo, de forma que seguem em andamento as discussões a respeito dos componentes da mente (KEREN; SCHUL, 2009; BASEL; BRUHL, 2013).

Dado que tais formas distintas de processamento são distinguíveis por sua velocidade, controlabilidade e conteúdo que operam os trabalhos da área procuram ainda trazer uma representação latente à estrutura da decisão humana (KAHNEMAN; FREDERICK, 2002). Partindo do princípio que o conhecimento dessa estrutura auxilia na tomada de decisão ótima, seriam, assim, necessárias mais pesquisas que se aprofundem não apenas em sua composição, mas também na influência dos sistemas cognitivos no processo decisório. Desse modo, o presente trabalho se propôs a validar uma escala para mensuração dos Sistemas Cognitivos, aprofundando assim o entendimento de como estes se apresentam.

2 Referencial Teórico

Os termos Sistema 1 e Sistema 2 foram cunhados por Stanovich e West (2000) sendo adotados em diversos estudos em seguida (KAHNEMAN; FREDERICK, 2002). Entretanto, anterior a Stanovich e West (2000) diferentes terminologias eram usadas para tratar as teorias de raciocínio baseadas em dois processos (EVANS, 1984; EPSTEIN, 1994; LEVINSON, 1995; SLOMAN, 1996). O Quadro 1 traz uma síntese das diferentes representações dos sistemas de lógica baseada em dois processos:

Quadro 1
Autores que trabalharam com uma lógica de dois processos e suas representações.
AutorSistema 1Sistema 2
Sloman (1996)Associative systemRule-based system
Evans (1984;1989)Heuristc processingAnalytic processing
Evans e Over (1996)Tacit thought processesExplict thought processes
Reber (1993)Implicit cognitionExplicit learning
Levinson (1995)Interactional intelligenceAnalytic intelligence
Epstein (1994)Experimential systemRational system
Pollock (1996)Quick and inflexible modulesIntellection
Hammond (1996)Intuitive cognitionAnalytical cogniition
Klein (1998)Recognition-primed decisionsRational choice strategy
Johnson-Laird (1983)Implicit inferencesExplicit inferences
Shiffrin e Schneider (1977)Automatic processingControlled processing
Posner e Snyder (1975)Automatic activationConscious processing system
Adaptado de Stanovich e West (2000)

Neste aspecto, o Sistema Intuitivo conjuga propriedades de automaticidade e processamentos heurísticos, podendo ser caracterizado como automático, relativamente inconsciente e pouco exigente da capacidade computacional; enquanto o Sistema Racional conjugaria as várias características típicas de um processamento controlado, englobando, assim, processos de inteligência analítica (STANOVICH; WEST, 2000; KAHNEMAN; FREDERICK, 2002; FRANKISH, 2010). As principais características comumente associadas a cada um dos dois sistemas estão descritas no Quadro 2 e utilizadas para fim de representação dos sistemas no presente estudo.

Quadro 2
Características dos sistemas Intuitivo e Racional
Sistema IntuitivoSistema Racional
ProcessosRápidoLento
AutomáticoControlado
Inconsciente ou quase inconscienteConsciente
Baixo esforço, alta capacidadeAlto esforço, baixa capacidade
HeurísticoAnalítico
AssociativoBaseado em regras
AtitudesImplícitoExplícito
Estereótipos culturaisCrenças pessoais
Aquisição e mudanças lentasAquisição e mudanças rápidas
Acesso rápidoLento acesso
ConteúdoAtualHipotético
ConcretoAbstrato
ContextualizadoDescontextualizado
Domínio específicoDomínio geral
ArquiteturaUm conjunto de sistemas, modularUm sistema único
ParaleloSerial
Não utiliza a memória de trabalhoUsa memória de trabalho
EvoluçãoEvolutivamente antigoEvolutivamente recente
Compartilhado com os animaisÚnico aos humanos
Não verbalEnvolve linguagem
Serve objetivos genéticosServe objetivos individuais
VariaçãoIndependente da inteligência geralRelacionado à inteligência geral
Pequenas variações entre culturas e indivíduosVaria entre culturas e indivíduos
Relativamente não responsável pela introdução verbalResponsável pela introdução verbal
Frankish (2010)

Evans e Stanovich (2013) informam que, embora seja conveniente passar a impressão que todas as teorias de duplo processo recorram aos mesmos dois processos, a afirmativa não seria verdadeira. Uma corrente significativa representada pelos psicólogos evolucionistas, por exemplo, acredita que a maioria das respostas do Sistema Intuitivo é adaptável evolutivamente, o que não implica na afirmação (fornecida por muitos pesquisadores de heurísticas e vieses) de que a alternativa é racional ao nível do indivíduo (STANOVICH, 2009). Tal corrente segue em consonância com Stanovich (2009), Stanovich, West e Toplak (2011), Evans e Stanovich (2013), que vieram sugerir uma estrutura tripla. De fato, pesquisadores da inteligência artificial já tratam, de forma robusta, de uma estrutura tripla (SLOMAN; CHRISLEY, 2003; SAMUELS, 2005; STANOVICH, 2009; VAUGHAN, et al., 2016).

Para os pesquisadores da área, o Sistema Intuitivo seria formado por um conjunto de sistemas neurais e cognitivos. Esses seriam heterogêneos e deveriam ser tratados como Conjunto de Sistemas Autônomos (STANOVICH, 2004; CARRUTHERS, 2006 STANOVICH, 2009; EVANS; STANOVICH, 2013).

Ao se questionar o que faz uma pessoa mais suscetível a vieses que outras, Stanovich (2009) traça ainda uma distinção entre duas partes do Sistema Racional, diferenciando a racionalidade da inteligência. Para o autor, a mente algorítmica seria aquela que trabalha com pensamentos lentos e cálculos exigentes, essa seria ligada à capacidade cerebral e aos testes de inteligência. Já a reflexiva estaria relacionada à racionalidade e abrangeria a tendência com a qual o indivíduo se empenha em parar de pensar; pessoas racionais seriam mais ativas intelectualmente e menos propensas a se satisfazerem com respostas superficialmente atraentes (intuições) (KAHNEMAN, 2012). A mente algorítmica trata de sustentar representações dissociadas da intuição, enquanto a mente reflexiva opera na detecção da necessidade de encontrar uma alternativa à solução “menos exigente” (STANOVICH, WEST; TOPLAK, 2011). Para Evans e Stanovich (2013, p. 230), a mente reflexiva trabalha com:

[...] a tendência para coletar informações antes de fazer-se uma ideia, a tendência para procurar vários pontos de vista antes de chegar a uma conclusão, a disposição para pensar muito sobre o problema antes de responder, a tendência para calibrar o grau de força de sua opinião com o grau de evidência disponível, a tendência para pensar sobre as consequências futuras antes de agir, e a tendência para pesar explicitamente prós e contras de situações antes de tomar uma decisão.

Para Kahneman (2012, p. 65), “só o tempo dirá se a distinção entre inteligência e racionalidade pode conduzir a novas descobertas”.

Para fins do presente estudo, adotou-se a divisão dos Sistemas conforme tratado por Stanovich e West (2000) e Kahneman e Frederick (2002) sob as denominações de Sistema Intuitivo (Sistema 1) e Sistema Racional (Sistema 2), sem pressupor a existência de nenhuma outra subdivisão.

3 Metodologia

Epstein (1994) propõe a Cognitive Experimential Self Theory (CEST) integrando o cognitivo com a psicodinâmica inconsciente, que é uma teoria acerca do processamento de informações humanas que sugerem a existência de dois sistemas de processamento: o racional e o experimental. Para Sinclair (2014), as divisões correspondem aos Sistemas Intuitivo e Racional propostos pelos teóricos do processamento duplo.

Tomando como base o CEST, desenvolveu-se o Rational Experimential Inventory (REI) para mensurar as diferenças individuais nos estilos de pensar intuitivo-experimental e racional-analítico (EPSTEIN et al., 1996). Este é concebido com 31 itens. A escala de pensamento racional foi desenvolvida a partir da escala Need for Cognition (NFC) de Cacioppo e Petty (1982). Já a escala de pensamento intuitivo foi desenvolvida pelos próprios autores e denominada Faith in Intuition (FI), originalmente concebida com 12 questões, visando capturar o quão os indivíduos estão confiantes em utilizar seus sentimentos e impressões imediatas como base na tomada de decisão.

Uma escala de 40 itens da REI foi, subsequentemente, desenvolvida por Pacini e Epstein (1999) subdividindo os sistemas, racional e intuitivo, em subescalas de habilidade e engajamento com uma mistura de itens positivos e negativos.

Hodgkinson et al. (2009) utilizou estudantes australianos e descobriu que a REI seria consistente com a divisão em apenas dois fatores: racional e intuitivos, não conseguindo replicar a estrutura de quatro fatores de Pacini e Epstein (1999). Em outros estudos com estudantes espanhóis e holandês, Witteman et al. (2009) também falhou em observar os quatro fatores, igualmente observando a existência de apenas dois fatores. Por fim, Akinci e Sadler-Smith (2013), em um estudo com profissionais, foram identicamente incapazes de replicar a estrutura habilidade/engajamento, observando apenas as duas dimensões básicas com altos níveis de consistência e baixa correlação interescalas. Neste trabalho, a REI foi utilizada em sua versão de 40 itens. As questões foram codificadas e pontuadas de acordo com o Quadro 3.

Quadro 3
Construção da score do Sistema 1 e Sistema 2
CÓDIGODESCRIÇÃOVALORES
REI_R1Eu tento evitar situações que requerem pensamentos muito profundos sobre algoValores entre 1 e 9
REI_R2Eu não sou tão bom em entender problemas complicadosValores entre 1 e 9
REI_R3Eu gosto de desafiar meu intelectoValores entre 1 e 9
REI_R4Eu não sou muito bom em resolver problemas que requerem análises lógicas cuidadosasValores entre 1 e 9
REI_R5Eu não gosto de ter que pensar muitoValores entre 1 e 9
REI_R6Eu gosto de resolver problemas que requerem que eu pense arduamenteValores entre 1 e 9
REI_R7Pensar não é minha ideia de uma atividade agradávelValores entre 1 e 9
REI_R8Eu não sou um pensador muito analíticoValores entre 1 e 9
REI_R9Racionalizar cuidadosamente não é um de meus pontos fortesValores entre 1 e 9
REI_R10Eu prefiro problemas complexos a problemas simplesValores entre 1 e 9
REI_R11Pensar arduamente e por um longo tempo sobre algo me dá pouca satisfaçãoValores entre 1 e 9
REI_R12Eu não pondero bem sobre pressãoValores entre 1 e 9
REI_R13Eu sou muito melhor em entender coisas logicamente do que a maioria das pessoasValores entre 1 e 9
REI_R14Eu tenho uma mentalidade lógicaValores entre 1 e 9
REI_R15Eu gosto de pensar em termos abstratosValores entre 1 e 9
REI_R16Eu não tenho problemas em analisar as coisas cuidadosamenteValores entre 1 e 9
REI_R17Utilizar a lógica normalmente funciona bem para que eu resolva problemas em minha vidaValores entre 1 e 9
REI_R18Saber a resposta sem ter de entender a razão por traz dela é bom o suficiente para mimValores entre 1 e 9
REI_R19Eu geralmente tenho razões explicáveis e claras para as minhas decisõesValores entre 1 e 9
REI_R20Aprender novos modos de pensar seria muito atraente para mimValores entre 1 e 9
REI_I1Eu gosto de confiar em minhas impressões intuitivasValores entre 1 e 9
REI_I2Eu não tenho um senso muito bom de intuiçãoValores entre 1 e 9
REI_I3Utilizar meus sentimentos instintivos normalmente funciona bem para eu resolver problemas em minha vidaValores entre 1 e 9
REI_I4Eu confio em minhas impressõesValores entre 1 e 9
REI_I5A intuição pode ser um modo muito útil de resolver problemasValores entre 1 e 9
REI_I6Eu geralmente sigo meus instintos quando decido um curso de açãoValores entre 1 e 9
REI_I7Eu confio em minhas primeiras impressões sobre as pessoasValores entre 1 e 9
REI_I8Quando se trata de confiar em pessoas, eu geralmente posso confiar em minhas intuiçõesValores entre 1 e 9
REI_I9Se eu fosse confiar em minhas intuições, eu frequentemente cometeria errosValores entre 1 e 9
REI_I10Eu não gosto de situações nas quais eu tenha que confiar em minha intuiçãoValores entre 1 e 9
REI_I11Eu acho que existem momentos nos quais se deve confiar em sua intuiçãoValores entre 1 e 9
REI_I12Eu penso que é bobagem tomar decisões importantes baseadas em impressõesValores entre 1 e 9
REI_I13Eu não acho que seja uma boa ideia confiar em sua intuição para importantes decisõesValores entre 1 e 9
REI_I14Eu geralmente não dependo de meus sentimentos para me auxiliar a tomar decisõesValores entre 1 e 9
REI_I15Eu raramente erro quando eu escuto minhas intuições mais profundas para encontrar uma respostaValores entre 1 e 9
REI_I16Eu não quereria depender de alguém que se descreve como intuitivoValores entre 1 e 9
REI_I17Meus julgamentos instintivos provavelmente não são tão bons como o da maioria das pessoasValores entre 1 e 9
REI_I18Eu tendo a utilizar meu coração como guia para minhas açõesValores entre 1 e 9
REI_I19Eu normalmente sinto quando uma pessoa está certa ou errada mesmo não podendo explicar como eu seiValores entre 1 e 9
REI_I20Eu suspeito que meus palpites estão imprecisos na mesma medida em que eles são precisosValores entre 1 e 9
Adaptado de Pacini e Epstein (1999)

A escala foi analisada a partir de validação fatorial e o score calculado como a soma dos valores individuais de cada fator oriundo da validação.

Ao todo foram coletadas 2.958 observações, no entanto, após a exclusão de questionários com dados ausentes (os entrevistados não responderam mais de 10% das perguntas ou que possuíam apenas ensino médio), a amostra reduziu para 2.843 observações.

Para fins da presente pesquisa, utilizou-se de uma amostragem não probabilística realizada no segundo semestre de 2015. Contatou-se todas as universidades federais e estaduais, por e-mail e telefone, através das pró-reitorias de graduação e pós-graduação.

As universidades que se comprometeram a divulgar o questionário foram: Universidade do Estado do Pará (UEPA), Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (UNIFESSPA), Universidade Federal do Tocantins (UFT), Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Universidade Federal da Bahia (UFBA), Universidade Federal do Ceará (UFC), Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Universidade Federal de Sergipe (UFS), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN), Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Universidade Federal Fluminense (UFF), Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

A amostra é composta, assim, predominantemente, por respondentes do sexo feminino (57,1%). No que concerne às áreas de atuação, a maioria (41,6%) dos respondentes são de artes, humanas e sociais, e em segundo lugar está Biociências (32,9%). As respostas foram concentradas em três principais estados: Rio Grande do Norte (30,3%), Espírito Santo (25,9%) e Minas Gerais (10,7%). A Tabela 1 demonstra a concentração da amostra por região.

Tabela 1
Amostra obtida por região
REGIÃOPERCENTUAL
Norte1,3%
Nordeste48,9%
Centro-oeste1,1%
Sudeste37,7%
Sul11,1%
Elaboração própria

Os dados foram tratados através de Estatísticas Descritivas, Análises Fatoriais Exploratórias (AFE), Análises Fatoriais Confirmatórias (AFC). As Análises Fatoriais Exploratórias foram utilizadas para fins de validação dos instrumentos adotados (REI; TOV-R). Essas foram tratadas, posteriormente, a partir da Análise Fatorial Confirmatória. Todos os procedimentos foram realizados no Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 22.

Para a implementação da AFE, considerou-se os testes/medidas de ajustamentos descritos no Quadro 4.

Quadro 4
Critérios e coeficientes exigidos para fim da AFE
ÍndiceDefiniçãoSolicitado
Kayser-Meyer-Olkin (KMO)Indica quão adequada é a aplicação da AFE para o conjunto de dados, sugerindo a proporção de variância dos itens que pode ser explicada por uma variável latente.Acima de 0,7
ComunalidadeQuantia total de variância que uma variável original compartilha com todas as outras variáveis incluídas na análise.Acima de 0,5, preferencialmente acima de 0,6
Teste de Esferacidade de BartlettTeste estatístico da significância geral de todas as correlações em uma matriz de correlaçãop-valor<0,05
Medida de Adequação da Amostra (MSA)Medida calculada para avaliar quão adequada é a aplicação de uma análise fatorial.MSA≤0,50
Cargas FatoriaisCorrelação entre as variáveis originais e os fatores, bem como a chave para o entendimento da natureza de um fator particular. Seu valor ao quadrado indicam o percentual da variância em uma variável que é explicado por um fator.Acima de ±0,50
Alpha de CronbachMedida de confiabilidade que varia de 0 a 1.Acima de 0,60
Adaptado de Hair (2005)

O método de extração utilizado foi a Análise de Componentes Principais, já que se objetivou resumir o máximo possível da informação original em um número mínimo de fatores. A rotação foi analisada caso a caso. A Análise Fatorial Confirmatória foi implementada, quanto ao seu ajuste, seguindo os critérios estabelecidos por Marôco (2014), esses representados no Quadro 5.

Quadro 5
Critérios para ajuste da AFE
ÍndiceDefiniçãoSolicitado
χ2;p-valueVisa medir quão discrepante é a amostra do modelo teóricoQuanto menor melhor; P>0,05
χ2/glPadronização do teste qui-quadrado (sensível ao tamanho da amostra) a partir da divisão pelos graus de liberdade>5 ajustamento mau
]2;5] ajustamento sofrível
]1;2] ajustamento bom
~1 ajustamento muito bom
Comparative Fit Index (CFI)Corrige a subestimação ao se utilizar o NFI para amostras pequenas. Compara também o ajustamento do modelo em estudo (χ2) com os graus de liberdade (gl) com o ajustamento do modelo basal com os graus de liberdade.[0,8;0,9[ ajustamento sofrível
[0,9;0,95[ ajustamento bom
≥0,95 ajustamento muito bom
Goodness of Fit Index (GFI)Proporção das covariâncias observadas explicadas pelo modelo ajustado.[0,8;0,9[ ajustamento sofrível
[0,9;0,95[ ajustamento bom
≥0,95 ajustamento muito bom
Root Mean Square Error of Aproximation (RMSEA); p-valorMede a qualidade do ajuste do modelo à matriz de covariâncias da amostra considerando os graus de liberdade]0,05;0,10] Ajustamento aceitável
≤0,05 ajustamento muito bom; P-valor≥α
Adaptado de Marôco (2014)

Vale salientar que problemas quanto aos testes de χ2 já são esperados, pois essas medidas devem ser relevadas devido às suas sensibilidades ao tamanho da amostra (BYRNE, 2010). Contudo, optou-se por mostrar este resultado dado que os demais o tomariam como base.

Uma vez em que os dados apresentaram falhas de normalidade multivariada, comuns em aplicações nas Ciências Humanas e Sociais, utilizou-se da Distribuição Assimptótica Livre (ADF), que relaxa as pressuposições para normalidade multivariada (MARÔCO, 2014). Analisou-se, ainda, na AFC a Validade Fatorial, Convergente e Discriminante como propõe Marôco (2014). A Validade Fatorial ocorre quando as especificações dos itens de um dado constructo estão corretas. Já a Validade Convergente demonstra se os itens constituintes de um constructo apresentam correlações positivas e elevadas entre si. Por fim, a Validade Discriminante ocorre quando o constructo não se encontra, consideravelmente, correlacionado com constructos que operacionalizam variáveis latentes que diferem da operacionalizada pelo constructo. Os três componentes em conjunto demonstram a Validade de Constructo. Cada qual foi analisado sendo os coeficientes mínimos sugeridos pelo autor para cada tipo de validade destacados no Quadro 6.

Quadro 6
Testes de validade realizados
Tipo de ValidadeÍndices UtilizadosValor solicitado
Validade FatorialConfiabilidade individual ( )>0,25
Validade ConvergenteVariância Média Explicada (VME)VME≥0,5
Confiabilidade Composta (FC)FC>0,70
Validade DiscriminanteVME versusVME>
Adaptado de Marôco (2014)

4 Resultados

De acordo com a Tabela 2, é possível verificar a composição das questões, no que tange a média e desvio padrão, com base nos valores entre 1 e 9.

Referente ao Sistema 2, a questão que apresentou os valores mais fortes em relação à média diz respeito ao fato de que aprender novos modos seria interessante para as pessoas, sendo a mais próxima do valor máximo, seguida da questão que afirma que utilizar a lógica normalmente funciona bem para que as pessoas resolvam os problemas na vida delas, e ainda a que afirma ter, geralmente, razões explicáveis e claras para as tomadas de decisões. Bem como, o questionamento sobre aprender novos modos de pensar seria muito atraente, também apresentou o menor desvio padrão, indicando mais constância em relação aos demais questionamentos.

No que se refere ao Sistema 1, destaca-se maior uniformidade nas respostas referente ao fato das pessoas responderem que acham que existem momentos nos quais se deve confiar em sua intuição, pelo fato de ter sido observado a maior média e menor desvio padrão.

Tabela 2
Resultados da análise descritiva
QuestõesComponentes
MédiaDesvio Padrão
REI_R12,53662,17806
REI_R22,87372,20915
REI_R36,94712,60111
REI_R43,58792,53979
REI_R52,31342,04892
REI_R66,21942,58036
REI_R72,35912,05441
REI_R83,01102,26109
REI_R92,82392,22256
REI_R105,06252,63395
REI_R113,77402,61311
REI_R124,88902,90438
REI_R135,61712,38022
REI_R146,17242,39311
REI_R155,49972,52123
REI_R166,92822,45579
REI_R177,02892,13610
REI_R182,59222,12698
REI_R197,01032,17022
REI_R207,97391,62202
REI_I16,41262,38621
REI_I23,66962,45539
REI_I35,60782,51783
REI_I46,29192,28672
REI_I55,34752,52451
REI_I65,44352,49098
REI_I74,93202,69222
REI_I85,34942,58596
REI_I94,24772,47200
REI_I104,66132,63521
REI_I117,37741,92796
REI_I124,64562,73785
REI_I135,21202,78226
REI_I144,13712,60586
REI_I154,91662,47007
REI_I165,67762,49246
REI_I174,30612,31443
REI_I184,67222,62228
REI_I195,45072,54128
REI_I205,23032,26052
Elaboração própria

Sistemas Intuitivo e Racional

A partir dos itens traduzidos e aplicados na amostra que versaram sobre a escala REI, buscou-se validar a pesquisa através de uma Análise Fatorial Exploratória. Decidiu-se por rotação oblíqua (Oblimin) dado que se espera um relacionamento entre as dimensões inerentes (HAIR, 2005).

Tal deliberação torna-se ainda mais importante uma vez que quando as atividades não demandam muita capacidade analítica, o sistema racional adota sugestões do intuitivo com pouca ou nenhuma modificação e, quando o inverso ocorre, o Sistema Intuitivo recorre ao Racional, visando um processamento mais detalhado e específico (KAHNEMAN, 2012). O método de rotação selecionado possibilitou analisar se a troca de tarefas e informações entre os sistemas se configuraria como uma relação significativa entre ambos ou apenas um compartilhamento de informações, visando uma consolidação de tarefas independentes.

O número de fatores não foi fixado porque, embora Hodgkinson et al. (2009), Witteman et al. (2009) e Akinci e Sadler-Smith (2011) tenham encontrado 2 fatores, o instrumento foi originalmente concebido por Pacini e Epstein (1999) e validado para 4 fatores. Com isso, a falta de consistência no número de fatores encontrados na literatura internacional aliada ao fato da escala jamais ter sido validada para realidade brasileira culminou na decisão pela não-fixação de fatores. Os principais resultados oriundos da validação da escala encontram-se sumarizados na Tabela 4.

Tabela 4
Resultados da validação da REI
ASPECTO ANALISADOCOEFICIENTES
Kayser-Meyer-Olkin (KMO)0,736
Comunalidade[0,612; 0,807]
Teste de Esferacidade de Bartlett7576,393; p-valor = 0,000
Medida de Adequação da Amostra (MSA)[0,552; 0,849]
Variância Explicada70,512%
Alpha Fator 1 – Racionalidade Reflexiva0,692
Alpha Fator 2 – Racionalidade Lógica0,772
Alpha Fator 3 – Intuição0,783
Elaboração própria

A escala pôde, então, ser validada com 3 fatores de significativa confiabilidade. Percebeu-se que, embora a intuição tenha se agrupado em um fator único, a racionalidade se dividiu em dois fatores. A matriz rotacionada, de padrão, encontra-se na Tabela 5.

Tabela 5
Matriz padrão da REI
QuestõesComponente
123
Eu tento evitar situações que requerem pensamentos muito profundos sobre algo (REI_R1),841
Eu não sou tão bom em entender problemas complicados (REI_R2),698
Eu não gosto de ter que pensar muito (REI_R5),801
Eu sou muito melhor em entender coisas logicamente do que a maioria das pessoas (REI_R13),904
Eu tenho uma mentalidade lógica (REI_R14),888
Eu gosto de confiar em minhas impressões intuitivas (REI_I1),837
Utilizar meus sentimentos instintivos normalmente funciona bem para eu resolver problemas em minha vida (REI_I3),849
Eu confio em minhas impressões (REI_I4),851
Eu geralmente sigo meus instintos quando decido um curso de ação (REI_I6),790
Dados da pesquisa

Os entrevistados pareceram perceber (o instrumento trata de percepção) a racionalidade como procedente de dois diferentes mecanismos: um lógico, Racionalidade 1, e um mais profundo e exigente, Racionalidade 2. Essa relação é apresentada na Análise Fatorial Confirmatória do instrumento na Figura 3.

AFC da REI
Figura 3
AFC da REI
Elaboração própria

Os resultados do ajuste mantiveram-se dentro dos critérios estabelecidos para um bom ajuste do modelo, exceto no que tange ao χ2, o que já era esperado dado o tamanho da amostra. A validade do instrumento pode ser avaliada a partir da Tabela 6, onde o único problema encontrado seria a Validade Convergente e apenas no que tange ao VME da Racionalidade 2.

Tabela 6
Testes de validade da REI
Validade em análiseFatorResultados
Validade Fatorial = [0,34;0,67]
Validade ConvergenteRacionalidade 2VME=0,24 e FC=0,76
IntuiçãoVME = 0,61 e FC = 0,86
Racionalidade 1VME=0,45 e FC = 0,71
Validade DiscriminanteVME>
Elaboração própria

A percepção dos indivíduos acerca da racionalidade está em linha aos estudos de Stanovich (2009), Stanovich (2011), Evans e Stanovich (2013), Vaughan et al. (2016) e Palkovics e Takac (2016). Nesses, a racionalidade é tratada como uma resultante de uma mentalidade algorítmica e reflexiva, ambas relacionadas. Entretanto, são vistas como diferentes níveis e independentes de um mesmo sistema.

Para Stanovich (2009), a mente reflexiva abrange a tendência individual de satisfação com respostas superficialmente atraentes, dado o desejo individual de finalizar o processo do pensamento. Sendo assim, pessoas que utilizam pouco sua mente reflexiva evitariam “pensamentos profundos”, “problemas complicados” e “pensar muito”. Esses aspectos se agruparam no fator Racionalidade 2, que é denominado de “Racionalidade Reflexiva”, sendo constitutivo do Sistema Racional.

A Racionalidade Reflexiva engloba a utilização plena da racionalidade no dia a dia a partir de questões que envolvem o “gostar” e “evitar”. Diferentemente dessa, na Racionalidade 1, tem-se uma abrangência estreita, onde analisa se o indivíduo “tem uma mentalidade lógica” e se é “melhor em entender coisas logicamente”, não incluindo a prática da racionalidade, mas, sim, sua capacidade para tal. Tal aspecto corrobora com Stanovich (2009), onde a mente algorítmica estaria relacionada à capacidade de um indivíduo agir de forma racional, servindo de aparato para o processamento e as realizações de ações que permitem o indivíduo apresentarem crenças bem calibradas (nível reflexivo) e agirem adequadamente, visando atingirem seus objetivos (nível reflexivo).

Tem-se, ainda, que, para Kahneman (2012), enquanto a mente reflexiva de Stanovich (2009) poderia ser tratada como a “racionalidade”, a algorítmica seria a “inteligência”. A Racionalidade 2 se aproxima da inteligência, uma vez que a lógica remonta ao raciocínio normativo, sendo comumente associada aos testes de inteligência e à capacidade cerebral, ambos relativos à mentalidade algorítmica.

Sendo assim, o fator Racionalidade 2 foi denominada de “Racionalidade Algorítmica” e estaria relacionado à mentalidade algorítmica devido aos dois aspectos: sua abrangência estreita (trata da racionalidade apenas como capacidade) e sua pertinência ao raciocínio normativo.

5 Conclusão

O presente trabalho se propôs a validar uma escala para mensuração dos Sistemas Cognitivos, aprofundando assim o entendimento de como estes se dividem. A necessidade de se entender os sistemas cognitivos se dá uma vez em que a literatura tende a analisar os sistemas a partir de uma estrutura bipartida (Sistema 1 e 2), contudo, a ideia de uma estrutura tripartida tem ganhado espaço e apoiadores (STANOVICH, 2009; STANOVICH; WEST; TOPLAK 2011; EVANS; STANOVICH, 2013; VAUGHAN et al., 2016; PALKOVICS; TAKAC, 2016), sobretudo na inteligência artificial (SAMUELS, 2005; STANOVICH, 2009; VAUGHAN, et al., 2016).

Ao testar-se a Validade de Constructo o único problema encontrado foi quanto a Validade Convergente e apenas no que tange ao VME da Racionalidade 2. A REI foi reconhecida estatisticamente encontrando-se 3 fatores, dois relativos à racionalidade e um à intuição, havendo um relacionamento entre as duas racionalidades.

Tal subdivisão é similar à sugerida nos estudos de Stanovich (2009), Stanovich (2011), Evans e Stanovich (2013), Vaughan et al. (2016) e Palkovics e Takac (2016), onde a racionalidade é subdividida em uma algorítmica e outra reflexiva. Essa observação sugere uma necessidade de aprofundamento nas teorias da estrutura tripartida, até então parcamente explorada por pesquisadores que não são oriundos da Inteligência Artificial (SLOMAN; CHRISLEY, 2003; SAMUELS, 2005; STANOVICH, 2009; VAUGHAN, et al., 2016).

Por isso, acredita-se que se faz necessário o aprofundamento do estudo de tais relações, visando não apenas o entendimento de como os Sistemas Cognitivos afetam os vieses e heurísticas, mas também como esse relacionamento se diferencia dentre os diversos grupos. É importante salientar que a amostragem não foi aleatória, de forma que não se é possível a realização de generalizações.

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