Editorial
Este editorial encerra o volume 25 da Revista Brasileira de Orientação Profissional e de Carreira (RBOP) e suas publicações no ano de 2024. Ao longo deste ano, publicamos artigos com temáticas diversificadas e públicos variados que demonstram que as pesquisas no campo da Orientação Profissional e de Carreira (OPC) têm buscado cada vez mais dialogar com as demandas contemporâneas e emergentes. Pensar de maneira diversa é um desafio, pois nos convida a sair do lugar do conforto a que estamos acostumados e questionar a adequação das nossas teorias, instrumentos e métodos. Todavia, contemplar a diversidade nos permite inovar e avançar, levando nossas práticas para uma parcela mais ampla da população. A diversidade é, portanto, um meio potente e necessário para romper com padrões excludentes.
Neste sentido, o presente número chega aos leitores em um momento em que a diversidade foi escolhida como tema central da III Jornada Online da Associação Brasileira de Orientação Profissional e de Carreira (ABRAOPC) que neste ano definiu como tema: “Diversidade em OPC: carreira para quem?”. O evento aconteceu no mês de outubro de 2024 e reuniu profissionais e pesquisadores para repensar como nossas metodologias podem ser mecanismos para a justiça social, quais os desafios e oportunidades para a construção de carreiras levando em consideração aspectos etários, de raça, de gênero e de escolaridade. Refletiu também sobre a lacuna entre o desejo de pesquisas e práticas diversas e a situação real que, por vezes, esconde barreiras estruturais que perpetuam desigualdades.
Contribuindo para as discussões, o presente número da RBOP é composto por nove artigos elaborados por pesquisadores e pesquisadoras do Brasil e do Peru. O artigo que abre este fascículo é de autoria de Larrisa Santos Dalzotto, Maiana Farias Oliveira Nunes e Andréa Barbará da Silva Bousfield, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Neste artigo (Relação entre os comportamentos do orientador profissional e a aliança de trabalho), as autoras buscaram analisar quais comportamentos são percebidos pelos orientadores de carreira como meio de estabelecer aliança de trabalho nas intervenções de carreira. Os resultados sugeriram que o vínculo, a escuta ativa, a ética e a formação são aspectos que podem favorecer a relação entre orientadores de carreira e orientandos. Ainda com foco em intervenções de carreira, Bruno Ferreira Martins e Camélia Santina Murgo, vinculados à Universidade do Oeste Paulista (UNOESTE) conduziram o estudo “Intervenções em Orientação Profissional na Psicologia Histórico-cultural e Sócio-histórica: revisão de escopo” para analisar como a Psicologia Histórico-Cultural e a Sócio-Histórica propõem intervenções em OPC. Os autores constaram que as intervenções são conduzidas por pessoas com formações diversas, mais focadas em adolescentes e no contexto escolar.
O terceiro artigo deste número é entitulado “O que pensam e sentem os adolescentes sobre o ENEM?” e é de autoria de Thays Ferreira Carreiro (Universidade Salgado de Oliveira - UNIVERSO) e Adriana Benevides Soares (UNIVERSO). A partir de um grupo focal com nove estudantes do 3º ano do Ensino Médio, as autoras analisaram as concepções das estudantes sobre o Exame Nacional do Ensino Médio, as emoções experimentadas, as consequências do resultado do ENEM, percepções sobre o desempenho, desafios e cobranças vivenciadas. O quarto artigo foca também um público mais jovem e analisou as perspectivas da Geração “Z” sobre valores no Trabalho. A partir de uma revisão integrativa de literatura, os pesquisadores da Atitus Educação, Rafael Spada, Júlia Gonçalves e Juliane Ruffato identificaram que indíviduos deste grupo geracional buscam por trabalhos em ambientes mais felxiveis, positivos e sustentávais, mas que não há homogeneidade nos valores, uma vez que estes são influenciados por aspectos como nacionalidade, gênero e cultura.
A pesquisadora Valia Solan Castro da Universidad Mayor de San Marco (Peru) é a autora do trabalho “Tecnoestrés en estudiantes: Revisión sistemática de modelos teóricos adoptados en investigación”, quinto artigo deste fascículo. Os resultados da revisão demonstram a diversidade de modelos teóricos para explicar o estresse tecnológico nos contextos de aprendizagem. Além disso, os achados indicaram que o estresse tecnológico pode impactar no desempenho acadêmico dos estudantes. O sexto artigo deste número também foca na experiência de estudantes. No estudo “Transição Universidade-Trabalho: um estudo com cotistas e não cotistas”, Verônica da Nova Quadro Côrtes (Universidade Federal do Vale do São Francisco) e Adriano de Lemos Alves Peixoto (Universidade Federal da Bahia) constataram que egressos cotistas relataram menor percepção de sucesso na transição universidade-trabalho do que egressos que não foram cotistas.
O mundo do trabalho e suas implicações para o desenvolvimento de carreira e para a saúde mental foram temas dos últimos artigos desta edição. O artigo “Psicologia Positiva, Mindfulness e Trabalho: Revisão Sistemática”, sétimo trabalho deste número, foi elaborado por pesquisadores da Pontícia Universidade Católia do Rio Grande do Sul. Neste trabalho, João Matheus Barcelos da Silva, Cecília Faccenda Pivoto e Manoela Ziebell Oliveira indicam que a promoção de uma mentalidade positiva e a prática de mindfulness podem aumentar o bem-estar emocional e o desenvolvimento profissional, ao passo que também permitem a redução do estresse e podem aumentar a resiliência dos trabalhadores no contexto profissional.
O oitavo artigo deste fascíulo é o “Retirement Planning Self-efficacy Scale (RPSS): Evidências Psicométricas com Trabalhadores” de autoria de Rafael Nogueira de Souza, Priscilla de Oliveira Martins da Silva, Alexsandro Luiz De Andrade e Mariana Ramos de Melo, todos vinculados à Universidade Federal do Espírito Santo. Nesta pesquisa realizou-se o processo de adaptação e a busca por evidências de validade interna e externa para a escala. Por fim, o último artigo desta edição (Percepções individuais sobre fatores que influenciam a continuidade do trabalho na aposentadoria) também focou no tema da aposentadoria. Paula Andréa Prata Ferreira (UNIVERSO), Samantha de Toledo Martins Boehs (Universidade Federal do Paraná), Diogo Henrique Helal (Fundação Joaquim Nabuco), Andreia Pereira Souza (UNIVERSO) e Lucia Helena de Freitas Pinho França (UNIVERSO) concluem que a decisão de aposentadoria é moldada por fatores individuais, condições de saúde, necessidades financeiras e elementos subjetivos relacionados à satisfação profissional e ao ambiente de trabalho.
Encerro o presente editorial fazendo meus agradecimentos para todas as pessoas que ao longo deste ano possibilitaram que a RBOP pudesse se manter como um periódico de alta qualidade. Agradeço a autoras e autores que escolheram a RBOP como veículo de publicação dos seus trabalhos. Agradeço às pessoas que se prontificaram a avaliar os trabalhos, contribuindo para aperfeiçoamento e qualificação dos estudos publicados. Estendo meus agradecimentos a toda equipe editorial e à diretoria da ABRAOPC por investirem tempo, recursos e solidariedade para a a manutenção desta Revista.
Que em 2025 possamos seguir produzindo conhecimento crítico, livre, diverso e socialmente alinhado.
Uma boa leitura!
Prof. Dr. Leonardo de Oliveira Barros
Editor Chefe
Universidade Federal da Bahia, Salvador-BA, Brasil