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				<journal-title>Revista de Sociologia e Pol&#xED;tica</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. Sociol. Polit.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="ppub">0104-4478</issn>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.1590/1678-987316245707</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Artigo</subject>
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				<article-title>Um balan&#xE7;o das pol&#xED;ticas do governo Lula para a educa&#xE7;&#xE3;o superior: continuidade e ruptura</article-title>
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						<surname>Aguiar</surname>
						<given-names>Vilma</given-names>
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					<institution content-type="normalized">Universidade Federal do Paran&#xE1;</institution>
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					<email>vilmaaguiar@gmail.com</email>
					<institution content-type="original">Vilma Aguiar (vilmaaguiar@gmail.com) &#xE9; Doutora em Ci&#xEA;ncias Sociais pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro do N&#xFA;cleo de Pesquisa das Intera&#xE7;&#xF5;es Estado/Sociedade da Universidade Federal do Paran&#xE1; (UFPR). V&#xED;nculo Institucional: Universidade Federal do Paran&#xE1;, Curitiba, PR, Brasil</institution>
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				<day>01</day>
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			<volume>24</volume>
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				<copyright-holder>Revista de Sociologia e Política</copyright-holder>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>O trabalho apresenta e analisa as principais pol&#xED;ticas para o setor privado de educa&#xE7;&#xE3;o superior adotadas pelo governo de Luiz In&#xE1;cio Lula da Silva (2003/2010). A partir de uma retrospectiva hist&#xF3;rica e de uma an&#xE1;lise de sua implementa&#xE7;&#xE3;o, as pol&#xED;ticas s&#xE3;o consideradas por meio de uma revis&#xE3;o cr&#xED;tica da literatura e dos dados oficiais. O trabalho demonstra que, apesar de ter realizado pol&#xED;ticas para o setor p&#xFA;blico bastante distintas das do governo de Fernando Henrique Cardoso, no caso do setor privado, h&#xE1; antes um aprofundamento das op&#xE7;&#xF5;es pol&#xED;ticas j&#xE1; desenvolvidas durante o governo de Cardoso. Essas op&#xE7;&#xF5;es se traduzem em a&#xE7;&#xF5;es de fomento ao desenvolvimento do setor privado, na medida em que ampliaram o financiamento deste e consolidaram um marco legal que proporcionou seguran&#xE7;a jur&#xED;dica &#xE0;s mantenedoras. Esse fomento, entretanto, veio acompanhado de um sens&#xED;vel aumento e aperfei&#xE7;oamento dos mecanismos de controle sobre o crescimento do setor privado.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>The paper presents and analyzes the key policies for the private sector of higher education adopted by the government of Luiz Inacio Lula da Silva (2003/ 2010). From a historical retrospective and an analysis of their implementation, policies are considered through a critical review of the literature and official data. The work seeks to demonstrate that, despite the quite distinct policies for the public sector if compared with the government of Fernando Henrique Cardoso, in the case of the private sector, there is rather a deepening of policy options already developed during the Cardoso government. These options translate into actions to encourage the development of the private sector, to the extent that the financing of this expanded and consolidated legal framework that provided legal certainty to sponsors. This promotion, however, was accompanied by a significant increase and improvement of the mechanisms of control over the growth of the private sector. The result was a fall in the growth of the private sector, even though it has remained at a fairly high level.</p>
			</trans-abstract>
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				<title>PALAVRAS CHAVE:</title>
				<kwd>setor privado de educa&#xE7;&#xE3;o superior</kwd>
				<kwd>reforma univerist&#xE1;ria</kwd>
				<kwd>educa&#xE7;&#xE3;o superior</kwd>
				<kwd>pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas</kwd>
				<kwd>governo Lula</kwd>
			</kwd-group>
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				<title>KEYWORDS:</title>
				<kwd>private sector of higher education</kwd>
				<kwd>university reform</kwd>
				<kwd>higher education</kwd>
				<kwd>public policies</kwd>
				<kwd>Lula government</kwd>
			</kwd-group>
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			</counts>
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	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>I. Introdu&#xE7;&#xE3;o
				<sup>
					<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref>
				</sup>
			</title>
			<p>As principais balizas do debate contempor&#xE2;neo sobre educa&#xE7;&#xE3;o superior podem ser resumidas em grandes quest&#xF5;es expressas na literatura em pares conceituais como acesso e equidade; qualidade e massifica&#xE7;&#xE3;o; privatiza&#xE7;&#xE3;o e mercantiliza&#xE7;&#xE3;o; diversidade e diferencia&#xE7;&#xE3;o (cf. 
				<xref ref-type="bibr" rid="B23">Silva Junior &#x26; Sguissardi 2005</xref>; 
				<xref ref-type="bibr" rid="B9">Dias Sobrinho 2010</xref>; 
				<xref ref-type="bibr" rid="B15">Morosini 2009</xref>). Essas quest&#xF5;es foram trazidas principalmente por uma grande expans&#xE3;o mundial, ocorrida a partir de 1970. Segundo 
				<xref ref-type="bibr" rid="B20">Sampaio (2014)</xref>, entre 1975-1995 as matr&#xED;culas dobraram, passando de 40 para 80 milh&#xF5;es. Em 2000, j&#xE1; havia 100 milh&#xF5;es estudantes universit&#xE1;rios. Um s&#xE9;culo antes, estes n&#xE3;o eram mais que 500 mil.
			</p>
			<p>No Brasil, o in&#xED;cio da grande expans&#xE3;o ocorreu a partir de 1995, no governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2003) e esta prosseguiu, a taxas um pouco decrescentes, durante o governo de Luiz In&#xE1;cio Lula da Silva (2004-2010). No per&#xED;odo, as matr&#xED;culas passaram de cerca de um milh&#xE3;o e setecentos mil, em 1995, a seis milh&#xF5;es e trezentos mil em 2010. Nesse sentido, a onda brasileira se inscreveu em um movimento internacional, mas precisou lidar com as particularidades do sistema j&#xE1; implantado aqui e com as demandas econ&#xF4;micas e sociais oriundas de um represamento enfim desatado do crescimento da economia brasileira e do acirramento das disputas em torno da necessidade de mitiga&#xE7;&#xE3;o das desigualdades raciais, econ&#xF4;micas, de g&#xEA;nero etc. No final dos anos 1990, em linhas bastante gerais, esse sistema p&#xF4;de ser descrito como (i) bastante elitista em termos de possibilidade de acesso; (ii) dual, no sentido de que os setores p&#xFA;blico e privado desempenham papeis complementares; (iii) constitu&#xED;do por uma larga predomin&#xE2;ncia do setor privado; (iv) concentrado em poucas carreiras; e (v) pouco interiorizado e enraizado (
				<xref ref-type="bibr" rid="B19">Sampaio 2000</xref>; 
				<xref ref-type="bibr" rid="B1">Aguiar 2013</xref>).
			</p>
			<p>Assim, ler as pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas adotadas pelo governo Lula apenas como respostas &#xE0; necessidade de gerar igualdade de oportunidades e inclus&#xE3;o social (
				<xref ref-type="bibr" rid="B18">Pereira &#x26; Silva 2010</xref>) parece reducionista justamente porque aquelas dialogam com um conjunto mais amplo de quest&#xF5;es, ou seja, outros pares conceituais j&#xE1; aludidos tamb&#xE9;m t&#xEA;m de entrar nas equa&#xE7;&#xF5;es explicativas a respeito das mudan&#xE7;as no sistema. Se, de um lado, programas como o PROUNI e o Fies abordam o problema da inclus&#xE3;o econ&#xF4;mica de estudantes carentes, por outro, o aperfei&#xE7;oamento dos mecanismos de avalia&#xE7;&#xE3;o, levado a cabo com o SINAES, e o projeto de reforma universit&#xE1;ria, debru&#xE7;am-se sobre quest&#xF5;es como a qualidade e a necessidade da diversidade e diferencia&#xE7;&#xE3;o do sistema. Al&#xE9;m dos problemas de fundo, ou seja, a necessidade de regular a expans&#xE3;o e o peso do setor privado no conjunto do sistema.
			</p>
			<p>Dessa forma, o vi&#xE9;s da leitura aqui apresentada, privilegiando as medidas que se dirigem ao setor privado de educa&#xE7;&#xE3;o superior, na avalia&#xE7;&#xE3;o das pol&#xED;ticas adotadas pelo governo Lula, busca examinar como este lidou com as grandes quest&#xF5;es pol&#xED;ticas e sociais da educa&#xE7;&#xE3;o superior. A hip&#xF3;tese &#xE9; que, embora o governo tenha enfrentado os principais temas do debate e procurado se diferenciar do governo anterior, os resultados nas duas principais frentes s&#xE3;o controversos. No lado da amplia&#xE7;&#xE3;o do acesso e da equidade, programas com o ProUni e o FIES trouxeram avan&#xE7;os pontuais. Entretanto, no par privatiza&#xE7;&#xE3;o/mercantiliza&#xE7;&#xE3;o
				<sup>
					<xref ref-type="fn" rid="fn2">2</xref>
				</sup>, estas se aprofundaram durante o governo Lula.
			</p>
			<p>Do ponto de vista conceitual, o presente artigo se caracteriza como um estudo de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas. A inten&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o &#xE9; fazer uma discuss&#xE3;o te&#xF3;rica sobre pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas, mas estudar um objeto espec&#xED;fico &#xE0; luz dessa discuss&#xE3;o. Do ponto de vista conceitual, considera-se algumas das defini&#xE7;&#xF5;es mais consagradas pelo debate. Assim, segue-se a s&#xED;ntese sugerida por 
				<xref ref-type="bibr" rid="B24">Souza (2006</xref>, p. 26), cuja &#xEA;nfase recai sobre aspectos comuns sublinhados por diferentes autores quanto &#xE0; centralidade das decis&#xF5;es e a&#xE7;&#xF5;es governamentais. &#xC9; neste sentido que Lynn e Peters, por exemplo, convergem no que diz respeito aos efeitos espec&#xED;ficos almejados e que influenciam a vida dos cidad&#xE3;os, assim como Dye aponta para as escolhas das a&#xE7;&#xF5;es governamentais e Laswell para quem ganha e o que ganha com estas (
				<italic>apud</italic>
				<xref ref-type="bibr" rid="B24">Souza 2006</xref>).
			</p>
			<p>Segundo 
				<xref ref-type="bibr" rid="B25">Viana (1996)</xref>, as diferentes abordagens te&#xF3;ricas das pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas tentam explicar as intera&#xE7;&#xF5;es e contradi&#xE7;&#xF5;es entre as 
				<italic>inten&#xE7;&#xF5;es,</italic> presentes durante a fase de formula&#xE7;&#xE3;o destas, e as 
				<italic>a&#xE7;&#xF5;es</italic>, realizadas na fase de implementa&#xE7;&#xE3;o (
				<italic>idem</italic>, p. 6). A dist&#xE2;ncia, portanto, entre o que &#xE9; pensando do que &#xE9; efetivamente realizado. Al&#xE9;m disso, pretendem dar conta das intera&#xE7;&#xF5;es entre &#x201C;o meio social, pol&#xED;tico e econ&#xF4;mico e o governo (ou melhor, a a&#xE7;&#xE3;o governamental)&#x201D;, ou seja, &#x201C;a rela&#xE7;&#xE3;o que se estabelece entre atores governamentais e entre atores governamentais e n&#xE3;o-governamentais no processo de &#x2018;fazer&#x2019; pol&#xED;tica&#x2019;&#x201D; (
				<italic>ibidem</italic>).
			</p>
			<p>Nesses termos, o problema abordado aqui diz respeito &#xE0; maneira como o governo Lula atuou sobre os problemas hist&#xF3;ricos da educa&#xE7;&#xE3;o superior brasileira, considerando tamb&#xE9;m a maneira como os diferentes atores sociais envolvidos responderam a essa atua&#xE7;&#xE3;o.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>II. O Ensino Superior no governo Lula</title>
			<p>Apesar de haver um certo consenso no PT sobre quais seriam os problemas da educa&#xE7;&#xE3;o superior e da abrang&#xEA;ncia das propostas apresentadas no plano de governo, as primeiras iniciativas do governo Lula para a educa&#xE7;&#xE3;o foram t&#xE3;o ziguezagueantes quanto as mudan&#xE7;as no minist&#xE9;rio. O primeiro ministro nomeado, Cristovam Buarque (2003), manteve-se pouco mais de um ano no cargo e n&#xE3;o foi capaz de imprimir uma dire&#xE7;&#xE3;o para as pol&#xED;ticas educacionais, tendo sido substitu&#xED;do por Tarso Genro (2004-2005) em 27 de janeiro de 2004. Entretanto, durante a chamada crise do mensal&#xE3;o, este foi chamado para presidir o Partido dos Trabalhadores e foi substitu&#xED;do por Fernando Haddad (2005-2010), ent&#xE3;o secret&#xE1;rio executivo do MEC, em 29 de julho de 2005. Fernando Haddad ficou no Minist&#xE9;rio da Educa&#xE7;&#xE3;o at&#xE9; o final do governo Lula e definiu o perfil das pol&#xED;ticas efetivamente adotadas por este.</p>
			<p>A impress&#xE3;o generalizada de uma gest&#xE3;o err&#xE1;tica e sem projeto pode ser corroborada pela institui&#xE7;&#xE3;o, por iniciativa da Casa Civil, em outubro de 2003, por meio de um decreto presidencial, de um grupo de trabalho interministerial encarregado de analisar a situa&#xE7;&#xE3;o das IFES (Institui&#xE7;&#xF5;es Federais de Educa&#xE7;&#xE3;o Superior) e apresentar um plano de a&#xE7;&#xE3;o visando &#xE0; reestrutura&#xE7;&#xE3;o, desenvolvimento e democratiza&#xE7;&#xE3;o destas. A principal atribui&#xE7;&#xE3;o era propor medidas para enfrentar rapidamente a crise ent&#xE3;o vivida pelas universidades p&#xFA;blicas, cujas verbas de custeio teriam diminu&#xED;do cerca de 50% durante o governo FHC, segundo afirma&#xE7;&#xE3;o do relat&#xF3;rio final do GTI. Este, intitulado 
				<italic>Bases para o enfrentamento da crise emergencial das universidades federais e roteiro para a Reforma Universit&#xE1;ria brasileira</italic> &#xE9; composto de quatro partes: a&#xE7;&#xF5;es emergenciais, autonomia universit&#xE1;ria, complementa&#xE7;&#xE3;o de recursos (financiamento) e as etapas para a implementa&#xE7;&#xE3;o da Reforma Universit&#xE1;ria. O texto do relat&#xF3;rio, depois de afirmar que a d&#xE9;cada anterior foi de &#x201C;desarticula&#xE7;&#xE3;o do setor p&#xFA;blico brasileiro&#x201D;, e que isso redundara em um quadro geral de crise para as universidades brasileiras, apresenta um diagn&#xF3;stico gen&#xE9;rico: 
				<disp-quote>
					<p>&#x201C;De um lado, as universidades governamentais sofreram consequ&#xEA;ncias da crise fiscal do Estado que incidem sobre seus recursos humanos, de manuten&#xE7;&#xE3;o e de investimento. De outro lado, a prioridade ao setor privado em todas as &#xE1;reas tamb&#xE9;m chegou ao setor do Ensino Superior: as universidades privadas, que viveram uma expans&#xE3;o recorde nos &#xFA;ltimos anos, chegando a responder, em 2002, por 63,5% do total de cursos de gradua&#xE7;&#xE3;o e 70% das matr&#xED;culas, encontram-se agora amea&#xE7;adas pelo risco de uma inadimpl&#xEA;ncia generalizada do alunado e de uma crescente desconfian&#xE7;a em rela&#xE7;&#xE3;o a seus diplomas&#x201D; (Brasil 2003).</p>
				</disp-quote>
			</p>
			<p>A partir desse diagn&#xF3;stico, o documento analisa rapidamente os n&#xFA;meros de matr&#xED;culas e de docentes atuando no setor p&#xFA;blico, para apresentar a meta de dobrar a oferta de vagas em universidades p&#xFA;blicas federais entre 2003 e 2007, passando de 600 mil para um milh&#xE3;o e 200 mil
				<sup>
					<xref ref-type="fn" rid="fn3">3</xref>
				</sup>. Apesar de algumas propostas pontuais e proje&#xE7;&#xF5;es quanto a custos e investimentos envolvidos nestas, a maior parte jamais colocada em pr&#xE1;tica, podemos afirmar que o documento apresentado, em seu conjunto, ficou muito aqu&#xE9;m de um plano de a&#xE7;&#xE3;o que visaria &#xE0; reestrutura&#xE7;&#xE3;o, desenvolvimento e democratiza&#xE7;&#xE3;o das IFES. Ele &#xE9; demasiadamente gen&#xE9;rico, impreciso e irrealista
				<sup>
					<xref ref-type="fn" rid="fn4">4</xref>
				</sup>. Pensando nas etapas da reforma universit&#xE1;ria, por exemplo, afirma que esta deve ser aprovada ainda em 2004 e colocada em pr&#xE1;tica j&#xE1; em 2005
				<sup>
					<xref ref-type="fn" rid="fn5">5</xref>
				</sup>. Ou seja, um ano depois da posse de Lula, o documento produzido por um conjunto representativo de minist&#xE9;rios ainda se assemelha a um documento de campanha.
			</p>
			<p>Em fins de janeiro de 2004, Cristovam Buarque &#xE9; exonerado por Lula e Tarso Genro &#xE9; escolhido. Este nomeou Fernando Haddad para a Secretaria Executiva do Minist&#xE9;rio. As principais iniciativas do que foi realizado em sua gest&#xE3;o s&#xE3;o idealizadas e/ou lideradas por aquele. Por isso, a passagem de uma gest&#xE3;o a outra n&#xE3;o apresentou solu&#xE7;&#xE3;o de continuidade e ser&#xE3;o tratadas aqui conjuntamente.</p>
			<p>Estas gest&#xF5;es parecem retomar o programa de governo do PT, pelo menos como uma agenda para as a&#xE7;&#xF5;es, uma vez que a quase totalidade das propostas deste s&#xE3;o retomadas e desenvolvidas por meio de programas e pol&#xED;ticas posteriormente adotadas.</p>
			<p>Durante a gest&#xE3;o de Tarso Genro, as principais iniciativas do Minist&#xE9;rio da Educa&#xE7;&#xE3;o para o Ensino Superior est&#xE3;o concentradas em tr&#xEA;s &#xE1;reas. A apresenta&#xE7;&#xE3;o ao Congresso Nacional de um projeto de reforma universit&#xE1;ria, a formula&#xE7;&#xE3;o de um novo modelo de avalia&#xE7;&#xE3;o em substitui&#xE7;&#xE3;o ao Prov&#xE3;o (SINAES) e um modelo de inclus&#xE3;o de estudantes oriundos das camadas mais pobres da popula&#xE7;&#xE3;o em institui&#xE7;&#xF5;es do setor privado (ProUni).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>III. A reforma que n&#xE3;o houve: Reforma Universit&#xE1;ria</title>
			<p>O tema da reforma &#xE9; interessante por duas raz&#xF5;es principais. De certo modo, o texto apresentado ao Congresso Nacional, cristaliza aquilo que se tornou o projeto poss&#xED;vel do governo Lula para a quest&#xE3;o universit&#xE1;ria, uma vez que ele foi longamente discutido e negociado com agentes pol&#xED;ticos e com a sociedade civil. Nesse sentido, merece uma an&#xE1;lise para quem estuda o governo do PT. Por outro lado, entretanto, como sua vota&#xE7;&#xE3;o ficou para as calendas, denota tamb&#xE9;m como ele era prescind&#xED;vel. Tanto para o governo como para o sistema. O enfrentamento, ou n&#xE3;o, das quest&#xF5;es implicadas a&#xED; se deu de forma diversa
				<sup>
					<xref ref-type="fn" rid="fn6">6</xref>
				</sup>.
			</p>
			<p>O tema da reforma universit&#xE1;ria estava na pauta do Minist&#xE9;rio da Educa&#xE7;&#xE3;o desde o governo FHC. No in&#xED;cio do governo Lula, a necessidade de uma lei geral que regulasse o sistema federal de educa&#xE7;&#xE3;o superior foi reposta. Havia quest&#xF5;es consideradas fundamentais para o desenvolvimento do sistema que precisariam de uma regula&#xE7;&#xE3;o. Uma das principais era a autonomia universit&#xE1;ria, assegurada pela Constitui&#xE7;&#xE3;o de 1988, mas jamais regulamentada. Outra seria uma pol&#xED;tica mais est&#xE1;vel para o setor privado e que pudesse oferecer um enquadramento para o emaranhado legal que se formara nos &#xFA;ltimos anos. A discuss&#xE3;o tomou um ano e meio e mobilizou cerca de duas centenas de organiza&#xE7;&#xF5;es e atores sociais e foram apresentadas quatro vers&#xF5;es de projetos de lei, sendo que a &#xFA;ltima, entregue em 2006 ao Congresso Nacional, nunca foi votada
				<sup>
					<xref ref-type="fn" rid="fn7">7</xref>
				</sup>.
			</p>
			<p>Na exposi&#xE7;&#xE3;o de motivos assinada pelos ministros Fernando Haddad, Guido Mantega (Fazenda), Sergio Machado Rezende (Ci&#xEA;ncia e Tecnologia) e Paulo Bernardo Silva (Planejamento, Or&#xE7;amento e Gest&#xE3;o), demonstrando a articula&#xE7;&#xE3;o interna da proposta, afirma-se que: 
				<disp-quote>
					<p>&#x201C;S&#xE3;o tr&#xEA;s os principais eixos normativos do Projeto de Lei em quest&#xE3;o: (i) constituir um s&#xF3;lido marco regulat&#xF3;rio para a educa&#xE7;&#xE3;o superior no Pa&#xED;s; (ii) assegurar a autonomia universit&#xE1;ria prevista no art. 207 da Constitui&#xE7;&#xE3;o, tanto para o setor privado quanto para o setor p&#xFA;blico, preconizando um sistema de financiamento consistente e respons&#xE1;vel para o parque universit&#xE1;rio federal; e (iii) consolidar a responsabilidade social da educa&#xE7;&#xE3;o superior, mediante princ&#xED;pios normativos e assist&#xEA;ncia estudantil&#x201D; (
						<xref ref-type="bibr" rid="B34">Brasil 2013</xref>).
					</p>
				</disp-quote>
			</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B13">Martins (2006)</xref> apresenta uma an&#xE1;lise bastante positiva do projeto, ao afirmar que este mant&#xE9;m sintonia com algumas tend&#xEA;ncias do cen&#xE1;rio internacional, tais como &#x201C;a democratiza&#xE7;&#xE3;o do acesso ao Ensino Superior, diversifica&#xE7;&#xE3;o acad&#xEA;mica e institucional dos centros de ensino, amplia&#xE7;&#xE3;o das fun&#xE7;&#xF5;es do Ensino Superior, busca de uma maior pertin&#xEA;ncia social da atividade acad&#xEA;mica etc&#x201D; (
				<italic>idem</italic>, p.1015) Al&#xE9;m disso, ele procuraria estabelecer um marco regulat&#xF3;rio para assegurar a qualidade acad&#xEA;mica das institui&#xE7;&#xF5;es. 
				<disp-quote>
					<p>&#x201C;De forma adequada, distancia-se de certas sugest&#xF5;es formuladas por organismos multilaterais, tais com a desregulamenta&#xE7;&#xE3;o do Ensino Superior, transfer&#xEA;ncia de fundos p&#xFA;blicos da educa&#xE7;&#xE3;o superior para outros n&#xED;veis de ensino, diminui&#xE7;&#xE3;o da participa&#xE7;&#xE3;o estatal no financiamento das universidades p&#xFA;blicas etc. O projeto cont&#xE9;m pontos relevantes na recupera&#xE7;&#xE3;o da dimens&#xE3;o estrat&#xE9;gica da educa&#xE7;&#xE3;o superior, no processo de moderniza&#xE7;&#xE3;o e democratiza&#xE7;&#xE3;o do pa&#xED;s, da retomada de sua dimens&#xE3;o p&#xFA;blica. Ao mesmo tempo, aponta para o fortalecimento do ensino p&#xFA;blico, apresenta avan&#xE7;os significativos quanto &#xE0; recomposi&#xE7;&#xE3;o da universidade federal, especialmente quanto ao seu financiamento&#x201D; (
						<xref ref-type="bibr" rid="B13">Martins 2006</xref>, p.1010).
					</p>
				</disp-quote>
			</p>
			<p>
				<xref ref-type="bibr" rid="B21">Sguissardi (2005</xref>, p.1047), por outro lado, critica duramente o projeto. O autor chama aten&#xE7;&#xE3;o para o fato de que salvaguardas existentes das primeiras vers&#xF5;es foram abandonadas na &#xFA;ltima, que teria passado pelo crivo do Minist&#xE9;rio da Fazenda. Al&#xE9;m disso, aponta para quest&#xF5;es como o sil&#xEA;ncio sobre o percentual de investimento do PIB nas IFES, apesar da necessidade de amplia&#xE7;&#xE3;o da cobertura da popula&#xE7;&#xE3;o atendida, tendo em vista a meta do PNE, a manuten&#xE7;&#xE3;o das funda&#xE7;&#xF5;es de apoio nas universidades p&#xFA;blicas com um perfil privatizante, a incipiente pol&#xED;tica de avalia&#xE7;&#xE3;o da qualidade nas institui&#xE7;&#xF5;es privadas e a igual validade de diplomas concedidos por universidades e faculdades, apesar das exig&#xEA;ncias d&#xED;spares entre umas e outras.
			</p>
			<p>Ao que parece, uma parte importante do esfor&#xE7;o do projeto est&#xE1; centrado em oferecer um enquadramento legal consolidado para situa&#xE7;&#xF5;es e/ou procedimentos j&#xE1; existentes de fato mas amparados t&#xE3;o somente em decretos, resolu&#xE7;&#xF5;es ou portarias. Ou ainda simplesmente ocupar um v&#xE1;cuo legal at&#xE9; ent&#xE3;o existente, como o caso da limita&#xE7;&#xE3;o de participa&#xE7;&#xE3;o de capital estrangeiro em IES privadas.</p>
			<p>Ou seja, h&#xE1; bem poucas inova&#xE7;&#xF5;es no projeto apresentado, o que talvez explique o pouco interesse que ele despertou no Congresso Nacional. &#xC9; o caso, por exemplo, das exig&#xEA;ncias e prerrogativas conferidas &#xE0;s universidades, centros universit&#xE1;rios e faculdades, que v&#xE3;o ao encontro do estabelecido no Decreto-Ponte n. 5.773 de 2006 e pelas demais resolu&#xE7;&#xF5;es e portarias emanadas logo no in&#xED;cio da gest&#xE3;o de Haddad.</p>
			<p>&#xC9; interessante notar inclusive que a aus&#xEA;ncia da lei n&#xE3;o causou nenhum embara&#xE7;o nem para o setor p&#xFA;blico nem para o privado e, por isso, nenhum ator pol&#xED;tico importante manteve a luta por sua aprova&#xE7;&#xE3;o. O setor p&#xFA;blico, representado pelas universidades federais, expandiu-se como nunca antes e o setor privado manteve sua curva ascendente de crescimento, ainda que em menor velocidade. Para este &#xFA;ltimo, apenas dois pontos que deixaram de ser normatizados poderiam ter potencialmente impacto sobre a din&#xE2;mica do setor. O primeiro &#xE9; a exig&#xEA;ncia de que 70% do capital votante das mantenedoras estejam nas m&#xE3;os de brasileiros natos ou naturalizados, tendo-se em vista o processo de internacionaliza&#xE7;&#xE3;o do setor, com a abertura de sociedades an&#xF4;nimas com participa&#xE7;&#xF5;es de fundos de investimento estrangeiros. O outro &#xE9; a composi&#xE7;&#xE3;o majorit&#xE1;ria de professores na composi&#xE7;&#xE3;o dos colegiados superiores em universidades e centros universit&#xE1;rios, numa tentativa de equilibrar o poder entre mantidas e mantenedoras. Mas, dificilmente ambas as exig&#xEA;ncias n&#xE3;o seriam contornadas com os malabarismos administrativos para os quais o setor j&#xE1; tem traquejo.</p>
			<p>Assim, apesar da amplitude do debate ocorrido e do forte engajamento dos diferentes atores, inclusive dos representantes do setor privado que chegaram a entregar uma vers&#xE3;o pr&#xF3;pria de projeto de reforma
				<sup>
					<xref ref-type="fn" rid="fn8">8</xref>
				</sup>, a tramita&#xE7;&#xE3;o no Congresso Nacional esvaziou o tema e ele foi abandonado por todos.
			</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>IV. A pol&#xED;tica de avali&#xE7;&#xE3;o da educa&#xE7;&#xE3;o superior: o SINAES</title>
			<p>O tema da avalia&#xE7;&#xE3;o da educa&#xE7;&#xE3;o superior esteve na agenda da oposi&#xE7;&#xE3;o ao governo de FHC desde a cria&#xE7;&#xE3;o do Prov&#xE3;o. As cr&#xED;ticas mais comuns diziam respeito &#xE0; simplifica&#xE7;&#xE3;o conceitual embutida na ideia de reduzir a avalia&#xE7;&#xE3;o do sistema a uma prova realizada pelos alunos ao final do curso de gradua&#xE7;&#xE3;o. Por isso, uma das primeiras iniciativas do ministro Tarso Genro foi a aprova&#xE7;&#xE3;o da lei do SINAES (Sistema Nacional de Avalia&#xE7;&#xE3;o da Educa&#xE7;&#xE3;o Superior). Esta prev&#xEA; que a avalia&#xE7;&#xE3;o esteja fundada no trip&#xE9; constitutivo do Ensino Superior, ou seja, o aluno, o curso e a institui&#xE7;&#xE3;o. Para cada ponta, procedimentos avaliativos distintos em termos de instrumentos utilizados e temporalidade de aplica&#xE7;&#xE3;o.</p>
			<p>Segundo 
				<xref ref-type="bibr" rid="B2">Barreyros e Rothen (2006</xref>, p.971): 
				<disp-quote>
					<p>&#x201C;O SINAES &#xE9; o resultado da cumula&#xE7;&#xE3;o e da metamorfose. Os tr&#xEA;s pilares que constituem o Sistema atualmente s&#xE3;o derivados das experi&#xEA;ncias anteriores: a) a Avalia&#xE7;&#xE3;o Institucional, do PAIUB, b) a Avalia&#xE7;&#xE3;o dos Cursos de Gradua&#xE7;&#xE3;o, da Avalia&#xE7;&#xE3;o das Condi&#xE7;&#xF5;es de Ensino e c) o Exame Nacional do Desempenho dos Estudantes, do Prov&#xE3;o. A cumula&#xE7;&#xE3;o dos mecanismos de avalia&#xE7;&#xE3;o foi realizada sem considerar que cada um deles &#xE9; produto de valores e paradigmas divergentes: a vis&#xE3;o formativa/emancipat&#xF3;ria do PAIUB, fundada na participa&#xE7;&#xE3;o e na autonomia institucional, a vis&#xE3;o somativa da Avalia&#xE7;&#xE3;o das Condi&#xE7;&#xF5;es de Ensino e o mecanismo de 
						<italic>ranking</italic> do Prov&#xE3;o&#x201D;.
					</p>
				</disp-quote>
			</p>
			<p>Os alunos seriam submetidos ao ENADE (Exame Nacional de Cursos), que se constitu&#xED;a numa prova realizada no primeiro ano do curso e outra no &#xFA;ltimo ano deste, expressando uma tentativa de medir n&#xE3;o apenas o n&#xED;vel de conhecimento adquirido pelo estudante (produto), mas tamb&#xE9;m o n&#xED;vel de aporte que a passagem pela institui&#xE7;&#xE3;o propicia a este (processo). A partir dessas duas notas, submetidas a pondera&#xE7;&#xF5;es estat&#xED;sticas, o ENADE gera um conceito para cada curso envolvido. Al&#xE9;m disso, com a cria&#xE7;&#xE3;o posterior do IDD (&#xCD;ndice de Diferen&#xE7;a entre o Resultado Esperado e o Observado), buscou-se realizar um ajuste mais fino no instrumento, de modo a conhecer melhor o sistema e n&#xE3;o punir injustamente institui&#xE7;&#xF5;es que recebem alunos pouco qualificados, uma vez que estas seriam comparadas entre si. Durante o processo de implementa&#xE7;&#xE3;o e modifica&#xE7;&#xE3;o do SINAES, o IDD passou a ter import&#xE2;ncia crescente no processo de regula&#xE7;&#xE3;o, superando inclusive o conceito ENADE
				<sup>
					<xref ref-type="fn" rid="fn9">9</xref>
				</sup>.
			</p>
			<p>A avalia&#xE7;&#xE3;o do curso se d&#xE1; por duas vari&#xE1;veis: o desempenho de seus alunos no ENADE, ao qual &#xE9; atribu&#xED;do um conceito, e por uma visita 
				<italic>in loco</italic> realizada por uma comiss&#xE3;o 
				<italic>ad hoc</italic> de especialistas. Esta avalia infraestrutura (instala&#xE7;&#xF5;es, laborat&#xF3;rios e biblioteca), qualifica&#xE7;&#xE3;o e regime de trabalho do corpo docente e organiza&#xE7;&#xE3;o did&#xE1;tico-pedag&#xF3;gica, que inclui a avalia&#xE7;&#xE3;o do projeto do curso e as condi&#xE7;&#xF5;es de funcionamento operacional a ele oferecidas pela institui&#xE7;&#xE3;o, como a titula&#xE7;&#xE3;o e experi&#xEA;ncia do coordenador, a realiza&#xE7;&#xE3;o de eventos extracurriculares etc.
			</p>
			<p>A &#xFA;ltima perna do trip&#xE9; &#xE9; a avalia&#xE7;&#xE3;o de cada institui&#xE7;&#xE3;o. Esta &#xE9; realizada internamente a partir da cria&#xE7;&#xE3;o de uma CPA (Comiss&#xE3;o Pr&#xF3;pria de Avalia&#xE7;&#xE3;o) e no momento do seu recredenciamento, tamb&#xE9;m realizada por uma comiss&#xE3;o 
				<italic>ad hoc</italic> de especialistas, por meio de uma visita que tem o intuito de identificar o perfil institucional e a qualidade de sua atua&#xE7;&#xE3;o, considerando inser&#xE7;&#xE3;o regional, atividades, cursos, programas, projetos e setores etc.
			</p>
			<p>Segundo autores como Barreyro e Rothen (2009) e Dias Sobrinho (2008), o SINAES representava uma mudan&#xE7;a substancial na concep&#xE7;&#xE3;o de avalia&#xE7;&#xE3;o, pois teria como centro o desenvolvimento institucional por meio de um ciclo avaliativo e instrumentos de auto avalia&#xE7;&#xE3;o
				<sup>
					<xref ref-type="fn" rid="fn10">10</xref>
				</sup>.
			</p>
			<p>O conjunto de avalia&#xE7;&#xF5;es que comp&#xF5;e o SINAES tornou-se expressamente o referencial b&#xE1;sico para os processos de regula&#xE7;&#xE3;o e supervis&#xE3;o da educa&#xE7;&#xE3;o superior, para fins de emiss&#xE3;o dos atos regulat&#xF3;rios de autoriza&#xE7;&#xE3;o, reconhecimento e renova&#xE7;&#xE3;o de reconhecimento de cursos e credenciamento e recredenciamento de institui&#xE7;&#xF5;es de educa&#xE7;&#xE3;o superior.</p>
			<p>A opera&#xE7;&#xE3;o desse complexo sistema cabe &#xE0; CONAES (Comiss&#xE3;o Nacional de Avalia&#xE7;&#xE3;o do Ensino Superior) e ao INEP (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais An&#xED;sio Teixeira). A CONAES tem fun&#xE7;&#xE3;o consultiva para as diretrizes da pol&#xED;tica de avalia&#xE7;&#xE3;o e ao INEP cabe a elabora&#xE7;&#xE3;o dos instrumentos e a realiza&#xE7;&#xE3;o de todas as avalia&#xE7;&#xF5;es, al&#xE9;m de realizar anualmente o Censo da Educa&#xE7;&#xE3;o Superior.</p>
			<p>A partir de 2008 foram criados novos &#xED;ndices que, na pr&#xE1;tica, passaram a ocupar uma parte do sistema avaliativo e mesmo substitu&#xED;-lo. &#xC9; o caso do Conceito Preliminar de Cursos (CPC)
				<sup>
					<xref ref-type="fn" rid="fn11">11</xref>
				</sup> e do &#xCD;ndice Geral de Cursos (IGC)
				<sup>
					<xref ref-type="fn" rid="fn12">12</xref>
				</sup>. Estes &#xED;ndices facilitaram a reinstaura&#xE7;&#xE3;o dos 
				<italic>rankings</italic> entre as institui&#xE7;&#xF5;es, pr&#xE1;tica comum quando o Prov&#xE3;o (1996-2003) era aplicado. Segundo 
				<xref ref-type="bibr" rid="B4">Calder&#xF3;n, Poltronieri e Borges (2011)</xref>, a import&#xE2;ncia dos 
				<italic>rankings</italic> se tornou tamanha como est&#xED;mulo &#xE0; concorr&#xEA;ncia para a melhoria da qualidade da educa&#xE7;&#xE3;o superior que teriam ganhado consenso e legitimidade p&#xFA;blicas, deixando inclusive de serem pol&#xED;ticas cambiantes de governo &#x201C;para se tornarem pol&#xED;tica do Estado Brasileiro com vig&#xEA;ncia de longo prazo, acima dos interesses dos grupos pol&#xED;ticos que se alternam no poder&#x201D; (
				<italic>idem</italic>, p.820).
			</p>
			<p>Esse fen&#xF4;meno pode ser constatado pelo fato de que a elabora&#xE7;&#xE3;o e divulga&#xE7;&#xE3;o de 
				<italic>rankings</italic> (hierarquizando os melhores e os piores cursos de gradua&#xE7;&#xE3;o) passaram a ser feitos pelo pr&#xF3;prio Minist&#xE9;rio da Educa&#xE7;&#xE3;o, que divulga os resultados em planilhas de Excel nas quais as notas das institui&#xE7;&#xF5;es aparecem em ordem decrescente.
			</p>
			<p>Segundo Calder&#xF3;n, Poltronieri e Borges (
				<italic>idem</italic>), ocorre ent&#xE3;o algo semelhante ao que ocorreu na era FHC: a sobreposi&#xE7;&#xE3;o e a primazia de um instrumento de avalia&#xE7;&#xE3;o sobre os demais. 
				<disp-quote>
					<p>&#x201C;Naquele governo, o &#x2018;Prov&#xE3;o&#x2019; ganhava a m&#xED;dia e ficavam no ostracismo os outros instrumentos: Avalia&#xE7;&#xE3;o das Condi&#xE7;&#xF5;es de Ensino (ACE) e a Avalia&#xE7;&#xE3;o Institucional. O fen&#xF4;meno se repete no segundo mandato do governo Lula. O Enade ganha a m&#xED;dia, enquanto a Avalia&#xE7;&#xE3;o Institucional e, principalmente, a Autoavalia&#xE7;&#xE3;o ficaram no ostracismo. Desta forma, o Prov&#xE3;o e o Enade, que t&#xEA;m na sua ess&#xEA;ncia a elabora&#xE7;&#xE3;o de 
						<italic>rankings</italic> se constituem nos instrumentos indutores da qualidade por meio da concorr&#xEA;ncia, dinamizando o mercado educacional&#x201D; (
						<italic>idem</italic>, p.817)
					</p>
				</disp-quote>
			</p>
			<p>Isso pode ser verdade, mas &#xE9; preciso considerar que h&#xE1; uma diferen&#xE7;a importante entre as pol&#xED;ticas adotadas pelos respectivos governos. Pois enquanto no governo FHC a divulga&#xE7;&#xE3;o da avalia&#xE7;&#xE3;o se constitu&#xED;a como a &#xFA;nica &#x201C;medida&#x201D; tomada pelo governo em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s institui&#xE7;&#xF5;es e aos cursos considerados deficientes a partir da avalia&#xE7;&#xE3;o, uma vez que expunha essa defici&#xEA;ncia aos olhos da opini&#xE3;o p&#xFA;blica, no governo Lula, pela primeira vez, foram realizadas a&#xE7;&#xF5;es efetivas de supervis&#xE3;o e puni&#xE7;&#xE3;o por parte do MEC. Ou seja, o governo n&#xE3;o deixou apenas ao mercado e aos consumidores a decis&#xE3;o sobre a continuidade ou o crescimento das institui&#xE7;&#xF5;es do sistema
				<sup>
					<xref ref-type="fn" rid="fn13">13</xref>
				</sup>.
			</p>
			<p>As a&#xE7;&#xF5;es de supervis&#xE3;o e puni&#xE7;&#xE3;o foram poss&#xED;veis a partir da promulga&#xE7;&#xE3;o do Decreto n. 5.773, de 9 de maio de 2006, depois de ter sido colocado &#xE0; discuss&#xE3;o p&#xFA;blica durante o m&#xEA;s de fevereiro do mesmo ano, j&#xE1; na gest&#xE3;o de Fernando Haddad como ministro. Foi chamado pelo pr&#xF3;prio Minist&#xE9;rio da Educa&#xE7;&#xE3;o de 
				<italic>decreto ponte,</italic> e fez parte da &#x201C;faxina legislativa&#x201D;, empreendida pelo novo ministro. Ponte at&#xE9; a aprova&#xE7;&#xE3;o da reforma universit&#xE1;ria, da qual adianta alguns pontos. Ele substituiu o Decreto n. 3.860/2001, que dispunha sobre a organiza&#xE7;&#xE3;o do Ensino Superior e regulamentava a Lei n. 9.131/95 nos aspectos relativos aos procedimentos da avalia&#xE7;&#xE3;o.
			</p>
			<p>Segundo 
				<xref ref-type="bibr" rid="B2">Barreyros e Rothen (2006</xref>, p.970): 
				<disp-quote>
					<p>&#x201C;Na sua estrutura&#xE7;&#xE3;o, o decreto assume a tese defendida pela Comiss&#xE3;o Especial de Avalia&#xE7;&#xE3;o na sua proposta, retomada na orienta&#xE7;&#xE3;o das 
						<italic>Diretrizes para a Avalia&#xE7;&#xE3;o das Institui&#xE7;&#xF5;es de Educa&#xE7;&#xE3;o Superior</italic>, de que a regula&#xE7;&#xE3;o/avalia&#xE7;&#xE3;o ocorre em tr&#xEA;s momentos distintos: a) a regula&#xE7;&#xE3;o pelo poder p&#xFA;blico nas etapas iniciais da autoriza&#xE7;&#xE3;o e credenciamento; b) a avalia&#xE7;&#xE3;o e c) a aplica&#xE7;&#xE3;o pelo poder p&#xFA;blico dos efeitos regulat&#xF3;rios da avalia&#xE7;&#xE3;o&#x201D;.
					</p>
				</disp-quote>
			</p>
			<p>Durante o governo Lula, foi realizada uma grande investida de a&#xE7;&#xF5;es de supervis&#xE3;o nos cursos superiores de Direito e na educa&#xE7;&#xE3;o a dist&#xE2;ncia. Segundo dados oficiais, at&#xE9; mar&#xE7;o de 2010, 89 cursos passaram pela supervis&#xE3;o e cerca de 20.000 vagas foram suspensas. Dois cursos foram fechados (MEC 2010). No caso da educa&#xE7;&#xE3;o a dist&#xE2;ncia, os n&#xFA;meros da supervis&#xE3;o, segundo dados de 2010 s&#xE3;o exibidos na 
				<xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>.
			</p>
			<table-wrap id="t1">
				<label>Tabela 1</label>
				<caption>
					<title>Balan&#xE7;o das a&#xE7;&#xF5;es de supervis&#xE3;o na EAD</title>
				</caption>
				<alternatives>
					<graphic xlink:href="Tbela1.jpg"/>
				<table frame="hsides" rules="groups">
					<colgroup width="50%">
						<col/>
						<col/>
					</colgroup>
					<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
						<tr>
							<th align="left">Tipo</th>
							<th align="center">Quantidade</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
						<tr>
							<td align="left">Institui&#xE7;&#xF5;es em supervis&#xE3;o</td>
							<td align="center">38</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Termos de saneamento assinados</td>
							<td align="center">12</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Descredenciamentos</td>
							<td align="center">1</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Processos administrativos para descredenciamento</td>
							<td align="center">2</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Polos de apoio presencial fechados</td>
							<td align="center">3.800</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">N&#xFA;mero de ingressos suspensos</td>
							<td align="center">Mais de 20.000</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
			</alternatives>
				<table-wrap-foot>
					<fn id="TFN1">
						<p>Nota: O descredenciamento foi o da Universidade de Tocantins (Unitins), ocorrido em 2009. Ver 
							<xref ref-type="bibr" rid="B30">Brasil (2009)</xref>.
						</p>
					</fn>
					<attrib>Fonte: A autora, a partir de 
						<xref ref-type="bibr" rid="B31">Brasil (2010)</xref>.
					</attrib>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap>
			<p>Uma medida acess&#xF3;ria mas importante para a pol&#xED;tica de avalia&#xE7;&#xE3;o do Ensino Superior foi a reformula&#xE7;&#xE3;o do Censo. Apesar de ser realizado com alguma regularidade desde 1930, apenas em 2008, por meio do Decreto n&#xB0;&#xA0;6.425, ele se torna obrigat&#xF3;rio. A partir de reformula&#xE7;&#xF5;es recentes, o Censo da Educa&#xE7;&#xE3;o Superior levanta, por meio eletr&#xF4;nico, informa&#xE7;&#xF5;es individualizadas sobre institui&#xE7;&#xF5;es, cursos, alunos e docentes, vagas, candidatos, ingressantes, matr&#xED;cula, concluintes, docentes e extens&#xE3;o universit&#xE1;ria. &#xC9; realizado em parceria com as institui&#xE7;&#xF5;es de Ensino Superior, que alimentam anualmente o banco de dados em per&#xED;odo pr&#xE9;-determinados. Os dados do censo potencialmente aumentam o controle sobre as institui&#xE7;&#xF5;es de Ensino Superior nos processos avaliativos, uma vez que permitem o cruzamento de informa&#xE7;&#xF5;es indispens&#xE1;veis a estes, como por exemplo, a titula&#xE7;&#xE3;o e o regime de trabalho de professores efetivamente vinculados a um determinado curso. Al&#xE9;m disso, subsidiam o c&#xE1;lculo do Conceito Preliminar de Curso (CPC) e &#xCD;ndice Geral Curso (IGC).</p>
			<p>Segundo dados oficiais, entre 2004 e 2009, foram realizadas 14.270 avalia&#xE7;&#xF5;es 
				<italic>in loco</italic> de institui&#xE7;&#xF5;es de educa&#xE7;&#xE3;o superior (IES) e de cursos de gradua&#xE7;&#xE3;o. Considerando aquilo que a nova legisla&#xE7;&#xE3;o chama de atos de regula&#xE7;&#xE3;o e supervis&#xE3;o, s&#xE3;o 15.312 atos de credenciamento, recredenciamento e descredenciamento de institui&#xE7;&#xF5;es, autoriza&#xE7;&#xE3;o, reconhecimento, renova&#xE7;&#xE3;o de reconhecimento e desativa&#xE7;&#xE3;o de cursos.
			</p>
			<p>O ENADE foi aplicado at&#xE9; 2008, de forma amostral, aos estudantes nas &#xE1;reas avaliadas anualmente e, a partir de 2009, passou a ser adotado para todos os estudantes ingressantes e concluintes, ampliando significativamente a participa&#xE7;&#xE3;o na avalia&#xE7;&#xE3;o da educa&#xE7;&#xE3;o superior. Em 2004, o Exame foi efetivamente aplicado a 140.340 estudantes e, em 2009, no formato censit&#xE1;rio, foi feito por 802.534 estudantes. Em 2010, o ENADE foi realizado em 1.344 munic&#xED;pios, sendo disponibilizado pela primeira vez nos polos de educa&#xE7;&#xE3;o a dist&#xE2;ncia
				<sup>
					<xref ref-type="fn" rid="fn14">14</xref>
				</sup>.
			</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>V. O Programa Universidade para Todos: pol&#xED;tica redistributiva?</title>
			<p>O ProUni foi uma das politicas mais pol&#xEA;micas e populares do governo Lula. Pretendia de uma s&#xF3; vez atacar dois problemas estruturais do sistema de Ensino Superior. De um lado, a barreira socioecon&#xF4;mica que praticamente interditava a inclus&#xE3;o das camadas mais desfavorecidas no sistema, de outro o problema do enquadramento fiscal das institui&#xE7;&#xF5;es filantr&#xF3;picas e sem fins lucrativos.</p>
			<p>Em primeiro lugar, &#xE9; preciso lembrar que, malgrado toda expans&#xE3;o havida durante o governo FHC, em 2004 a escolaridade l&#xED;quida da popula&#xE7;&#xE3;o de 18 a 24 anos ainda era de apenas de 10,4%, sistema classificado internacionalmente como de elite
				<sup>
					<xref ref-type="fn" rid="fn15">15</xref>
				</sup>. Para compreender a dimens&#xE3;o desse elitismo, precisamos desagregar os dados por renda familiar 
				<italic>per capita</italic> em sal&#xE1;rios m&#xED;nimos nessa faixa et&#xE1;ria. Segundo 
				<xref ref-type="bibr" rid="B5">Carvalho (2006</xref>, p.992) &#x201C;observa-se que a propor&#xE7;&#xE3;o de alunos aumenta conforme as faixas de renda mais elevadas. Nas faixas acima de tr&#xEA;s sal&#xE1;rios m&#xED;nimos, a propor&#xE7;&#xE3;o de estudantes &#xE9; superior a 35%, ao passo que, com a renda de at&#xE9; um sal&#xE1;rio m&#xED;nimo, apenas 1,5% frequenta a gradua&#xE7;&#xE3;o&#x201D;. Segundo a mesma autora, utilizando dados de 
				<xref ref-type="bibr" rid="B6">Castro (2005)</xref>, 86% da popula&#xE7;&#xE3;o na faixa et&#xE1;ria 18-24 anos enquadra-se nos n&#xED;veis de renda de menos de tr&#xEA;s sal&#xE1;rios m&#xED;nimos, p&#xFA;blico-alvo do ProUni. 
				<disp-quote>
					<p>&#x201C;A situa&#xE7;&#xE3;o &#xE9; mais grave, pois a maior parte dessa popula&#xE7;&#xE3;o encontra- se em atraso escolar e, dessa forma, n&#xE3;o pode ser atingida por qualquer pol&#xED;tica de est&#xED;mulo &#xE0; entrada no sistema. De acordo com os dados da PNAD (1999): 46% abandonaram os estudos antes de completar o ensino m&#xE9;dio; 10% estudam, mas com distor&#xE7;&#xE3;o de idade-s&#xE9;rie; 19% terminaram o ensino m&#xE9;dio e pararam de estudar; e apenas 25% frequentam o ensino m&#xE9;dio ou superior&#x201D; (
						<xref ref-type="bibr" rid="B5">Carvalho 2006</xref>, p.993)
					</p>
				</disp-quote>
			</p>
			<p>Neste contexto n&#xE3;o &#xE9; de se admirar que o programa tenha tido o apoio de parte significativa da sociedade civil, de sindicatos e do movimento estudantil e dos movimentos sociais em prol das a&#xE7;&#xF5;es afirmativas, &#x201C;bem como dos egressos do ensino m&#xE9;dio p&#xFA;blico, por n&#xE3;o se considerarem uma demanda potencial &#xE0;s institui&#xE7;&#xF5;es p&#xFA;blicas frente &#xE0;s barreiras impostas pelos exames vestibulares&#x201D; (
				<italic>idem</italic>, p.985).
			</p>
			<p>O segundo problema a ser enfrentado pelo programa, o das entidades filantr&#xF3;picas, &#xE9; assim descrito em uma publica&#xE7;&#xE3;o do MEC de 2008 intitulada 
				<italic>Revista do ProUni</italic>, concebida para divulgar os n&#xFA;meros e pretensos benef&#xED;cios sociais do programa:
			</p>
			<p>&#x201C;Com atraso de 16 anos, foram reguladas pelo ProUni as isen&#xE7;&#xF5;es fiscais constitucionais concedidas &#xE0;s institui&#xE7;&#xF5;es privadas de Ensino Superior. De 1988 a 2004, as institui&#xE7;&#xF5;es de Ensino Superior sem fins lucrativos, que respondem por 85% das matr&#xED;culas do setor privado, amparadas pela Constitui&#xE7;&#xE3;o Federal, gozaram de isen&#xE7;&#xF5;es fiscais sem nenhuma regula&#xE7;&#xE3;o do Poder P&#xFA;blico. Ou seja, sem nenhuma contrapartida. Ac&#xF3;rd&#xE3;o do Supremo Tribunal Federal (STF), de 1991, tornou reconhecida a lacuna legislativa. Mas, por conta dessa omiss&#xE3;o, garantia o gozo das isen&#xE7;&#xF5;es enquanto perdurasse a situa&#xE7;&#xE3;o&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B29">Brasil 2008</xref>, p.6)
				<sup>
					<xref ref-type="fn" rid="fn16">16</xref>
				</sup>.
			</p>
			<p>Segundo a publica&#xE7;&#xE3;o, at&#xE9; 2004 as institui&#xE7;&#xF5;es sem fins lucrativos concediam bolsas de estudos, &#x201C;mas eram elas que definiam os benefici&#xE1;rios, os cursos, o n&#xFA;mero de bolsas e os descontos concedidos&#x201D; (
				<italic>ibidem</italic>). Como resultado, raramente era concedida uma bolsa integral e quase nunca em curso de alta demanda e alto custo como Medicina e Engenharia. Desse modo, a isen&#xE7;&#xE3;o fiscal, j&#xE1; existente, n&#xE3;o resultaria em uma amplia&#xE7;&#xE3;o do acesso ao Ensino Superior, al&#xE9;m de ser discricion&#xE1;ria. O ProUni, por outro lado, ao regulamentar a situa&#xE7;&#xE3;o, estabelece que as institui&#xE7;&#xF5;es beneficiadas por isen&#xE7;&#xF5;es fiscais passem a conceder bolsas de estudos na propor&#xE7;&#xE3;o dos alunos pagantes por curso e turno, sem exce&#xE7;&#xE3;o.
			</p>
			<p>&#xC9; preciso lembrar, conforme 
				<xref ref-type="bibr" rid="B5">Carvalho (2006)</xref>, que o Estado brasileiro lan&#xE7;a m&#xE3;o de pol&#xED;tica de incentivos e isen&#xE7;&#xF5;es fiscais para apoiar a atua&#xE7;&#xE3;o privada desde o final dos anos de 1960, quando o governo militar valeu-se desses instrumentos para impulsionar o projeto de desenvolvimento nacional, beneficiando ampla gama de setores em diferentes &#xE1;reas. Segundo a autora: 
				<disp-quote>
					<p>&#x201C;Em rela&#xE7;&#xE3;o ao Ensino Superior, o mecanismo de ren&#xFA;ncia fiscal tornou-se fator central no financiamento do segmento privado. A Lei n. 5.172/66, que instituiu o C&#xF3;digo Tribut&#xE1;rio Nacional, em concord&#xE2;ncia com a CF/67, determinava a n&#xE3;o incid&#xEA;ncia de impostos sobre a renda, o patrim&#xF4;nio e os servi&#xE7;os dos estabelecimentos de ensino de qualquer natureza. Em outras palavras, as organiza&#xE7;&#xF5;es privadas de Ensino Superior gozaram do privil&#xE9;gio, desde a sua cria&#xE7;&#xE3;o, de imunidade fiscal, n&#xE3;o recolhendo aos cofres p&#xFA;blicos a receita tribut&#xE1;ria devida. [&#x2026;] Apesar de existirem requisitos restritivos para as entidades educacionais terem acesso &#xE0; imunidade fiscal, na pr&#xE1;tica, grande parte usufruiu deste benef&#xED;cio&#x201D; (
						<italic>idem</italic>, p.982).
					</p>
				</disp-quote>
			</p>
			<p>A ideia da troca de bolsas de estudos para alunos carentes por isen&#xE7;&#xF5;es fiscais j&#xE1; havia sido cogitada desde os anos de 1990, sem sucesso. Segundo Gilda Gouvea, ent&#xE3;o assessora do ministro Paulo Renato, a ideia chegou a ser apresentada a ele, que teria avaliado que n&#xE3;o havia condi&#xE7;&#xF5;es pol&#xED;ticas para tal. T&#xE3;o logo chegou ao minist&#xE9;rio, Fernando Haddad a retomou e obteve a pronta aprova&#xE7;&#xE3;o do presidente Lula. A negocia&#xE7;&#xE3;o com os representantes do setor privado e posteriormente com o Congresso Nacional foi dif&#xED;cil e tortuosa. O projeto original sofreu in&#xFA;meras altera&#xE7;&#xF5;es antes de ser aprovado
				<sup>
					<xref ref-type="fn" rid="fn17">17</xref>
				</sup>, inclusive quanto aos percentuais de desconto concedido aos alunos e ao n&#xFA;mero total de bolsas exigidas das institui&#xE7;&#xF5;es, que chegou &#xE0; metade do proposto inicialmente no PL.
			</p>
			<p>O presidente Lula parecia ter pressa na ado&#xE7;&#xE3;o do programa porque apesar de ter enviado ao Congresso um projeto de lei, logo depois editou, em 10 de setembro de 2004, a Medida Provis&#xF3;ria (MP) n&#xBA; 213, que instituiu o Programa Universidade para Todos. Logo em seguida, o Decreto n&#xBA; 5.245, de 18 de outubro de 2004, regulamentou a MP e a Portaria n&#xBA; 3.268, de 19 de outubro de 2004, estabeleceu os procedimentos para ades&#xE3;o das institui&#xE7;&#xF5;es privadas de educa&#xE7;&#xE3;o superior ao ProUni. Mais recentemente, em 13 de janeiro de 2005, o Programa foi transformado em lei &#x2013; Lei n&#xBA; 11.096/05.</p>
			<p>O ProUni concede a todas as institui&#xE7;&#xF5;es privadas (com ou sem fins lucrativos) que aderem ao programa isen&#xE7;&#xE3;o de Imposto de Renda de Pessoa Jur&#xED;dica, Contribui&#xE7;&#xE3;o Social sobre o Lucro L&#xED;quido, Contribui&#xE7;&#xE3;o Social para Financiamento da Seguridade Social e Contribui&#xE7;&#xE3;o para o Programa de Integra&#xE7;&#xE3;o Social. O aluno precisa comprovar sua condi&#xE7;&#xE3;o socioecon&#xF4;mica e sua qualifica&#xE7;&#xE3;o acad&#xEA;mica e/ou profissional, atendendo alguns pr&#xE9;-requisitos: obter nota m&#xED;nima de 450 pontos no ENEM; ter renda familiar, por pessoa, de at&#xE9; tr&#xEA;s sal&#xE1;rios m&#xED;nimos, ter cursado o Ensino M&#xE9;dio completo em escola p&#xFA;blica, ou o Ensino M&#xE9;dio completo em escola privada com bolsa integral, ou ser portador de defici&#xEA;ncia, ou, ainda, ser professor da rede p&#xFA;blica de Ensino B&#xE1;sico, em efetivo exerc&#xED;cio, concorrendo a vagas em cursos de Licenciatura ou Pedagogia, sendo que, neste caso, a renda familiar por pessoa n&#xE3;o &#xE9; considerada.</p>
			<p>Ao final do governo Lula, segundo balan&#xE7;o oficial, foram contabilizados 748 mil estudantes com bolsas do ProUni, sendo 69% com bolsas integrais. Desse total, 48% s&#xE3;o afrodescendentes. Dentre estes, 5.194 estudantes receberam bolsa perman&#xEA;ncia, no valor de R$ 300,00, destinada a alunos que realizam cursos de per&#xED;odo integral (mais de seis horas di&#xE1;rias). Os dados de 2010 indicavam que havia 462 mil bolsas em utiliza&#xE7;&#xE3;o e 116 mil estudantes com a gradua&#xE7;&#xE3;o conclu&#xED;da como bolsistas do ProUni (
				<xref ref-type="table" rid="t2">Tabela 2</xref>)
				<sup>
					<xref ref-type="fn" rid="fn18">18</xref>
				</sup>.
			</p>
			<table-wrap id="t2">
				<label>Tabela 2</label>
				<caption>
					<title>N&#xFA;mero de bolsas ocupadas no ProUni (2005-2010)</title>
				</caption>
				<alternatives>
					<graphic xlink:href="Tbela2.jpg"/>
				<table frame="hsides" rules="groups">
					<colgroup width="50%">
						<col/>
						<col/>
					</colgroup>
					<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
						<tr>
							<th align="left">Ano</th>
							<th align="center">Bolsas ocupadas</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
						<tr>
							<td align="left">2005</td>
							<td align="center">95.608</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">2006</td>
							<td align="center">204.625</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">2007</td>
							<td align="center">310.186</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">2008</td>
							<td align="center">434.750</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">2009</td>
							<td align="center">596.077</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">2010</td>
							<td align="center">748.788</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
			</alternatives>
				<table-wrap-foot>
					<attrib>Fonte: A autora, a partir de 
						<xref ref-type="bibr" rid="B31">Brasil (2010a)</xref>.
					</attrib>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap>
			<p>As cr&#xED;ticas recebidas pelo programa foram variadas e compreendem diferentes vertentes. As mais comuns referem-se &#xE0; transfer&#xEA;ncia de recursos p&#xFA;blicos (impostos devidos) ao setor privado, incentivando a privatiza&#xE7;&#xE3;o do sistema de Ensino Superior, &#xE0; falta de controle p&#xFA;blico sobre a qualidade das institui&#xE7;&#xF5;es participantes e as bolsas concedidas
				<sup>
					<xref ref-type="fn" rid="fn19">19</xref>
				</sup>, ao refor&#xE7;o da pol&#xED;tica discriminat&#xF3;ria, que relega uma educa&#xE7;&#xE3;o de baixa qualidade (privada) para a popula&#xE7;&#xE3;o mais carente, &#xE0; precariedade das pol&#xED;ticas de manuten&#xE7;&#xE3;o no sistema do estudante atendido
				<sup>
					<xref ref-type="fn" rid="fn20">20</xref>
				</sup>.
			</p>
			<p>Segundo Mancebo (2004b, p.13): 
				<disp-quote>
					<p>&#x201C;[&#x2026;] longe de resolver ou de corrigir a distribui&#xE7;&#xE3;o desigual dos bens educacionais, a privatiza&#xE7;&#xE3;o promovida pelo programa tende a aprofundar as condi&#xE7;&#xF5;es hist&#xF3;ricas de discrimina&#xE7;&#xE3;o e de nega&#xE7;&#xE3;o do direito &#xE0; educa&#xE7;&#xE3;o superior a que s&#xE3;o submetidos os setores populares. A aloca&#xE7;&#xE3;o dos estudantes pobres nas institui&#xE7;&#xF5;es particulares cristalizar&#xE1; mais ainda a din&#xE2;mica de segmenta&#xE7;&#xE3;o e diferencia&#xE7;&#xE3;o no sistema escolar, destinando escolas academicamente superiores para os que passarem nos vestibulares das institui&#xE7;&#xF5;es p&#xFA;blicas&#x201D;.</p>
				</disp-quote>
			</p>
			<p>&#xC9; preciso considerar, entretanto, que mecanismos de ren&#xFA;ncia fiscal t&#xEA;m sido utilizados pelo Estado brasileiro desde muitas d&#xE9;cadas, em diferentes contextos. A partir de 2008, por exemplo, foi largamente utilizado como instrumento da pol&#xED;tica econ&#xF4;mica anticrise. A ren&#xFA;ncia ao IPI dos autom&#xF3;veis, um exemplo comum, beneficia tanto a ind&#xFA;stria automobil&#xED;stica e toda a sua cadeia produtiva quanto os consumidores das classes m&#xE9;dia e alta, que podem adquirir um carro. Nesse sentido, o ProUni pode ser visto como uma pol&#xED;tica de redistribui&#xE7;&#xE3;o indireta de renda, na medida em que beneficia os estratos mais pobres. A maior parte dos alunos beneficiados se encontra estruturalmente exclu&#xED;da da rede p&#xFA;blica, se considerarmos que esta, al&#xE9;m de seu tamanho diminuto, situa-se em grandes centros urbanos e oferece cerca de 70% de seus cursos em per&#xED;odo diurno. De acordo com Corbucci, mesmo que os recursos renunciados &#x201C;fossem arrecadados, n&#xE3;o beneficiariam necessariamente esses grupos sociais&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B8">Corbucci 2004</xref>, p.698).
			</p>
			<p>Outra medida foi a reformula&#xE7;&#xE3;o do Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (FIES), criado ainda em 1999
				<sup>
					<xref ref-type="fn" rid="fn21">21</xref>
				</sup>, em substitui&#xE7;&#xE3;o ao antigo Programa de Cr&#xE9;dito Educativo, heran&#xE7;a do regime militar. As principais mudan&#xE7;as foram a disponibiliza&#xE7;&#xE3;o do FIES a fluxo cont&#xED;nuo, permitindo aos estudantes contratarem o financiamento a qualquer tempo do curso. A car&#xEA;ncia foi ampliada para 18 meses e o prazo para pagamento dilatado para tr&#xEA;s vezes o tempo de utiliza&#xE7;&#xE3;o do financiamento. Os juros para todos os contratos passaram para 3,4% anuais e foi facultado aos estudantes dos cursos de Medicina e licenciaturas ressarcirem o financiamento com trabalho nas redes p&#xFA;blicas de educa&#xE7;&#xE3;o e sa&#xFA;de, amortizando 1% da d&#xED;vida consolidada por m&#xEA;s de trabalho.
			</p>
			<p>Foi lan&#xE7;ado ainda o Fundo de Garantia de Opera&#xE7;&#xF5;es de Cr&#xE9;dito Educativo (FGEDUC), constitu&#xED;do com recursos do Tesouro Nacional e contribui&#xE7;&#xF5;es das entidades mantenedoras de institui&#xE7;&#xF5;es de Ensino Superior, com o objetivo de prestar fian&#xE7;a aos estudantes matriculados em curso de licenciatura ou que possuam renda familiar mensal bruta 
				<italic>per capita</italic> de at&#xE9; um sal&#xE1;rio m&#xED;nimo e meio. Em 2010, at&#xE9; outubro, mais de 60 mil contratos foram firmados, no valor global superior a R$ 2 bilh&#xF5;es (
				<xref ref-type="bibr" rid="B31">Brasil 2010a</xref>).
			</p>
			<p>A literatura sobre as pol&#xED;ticas adotadas pelo governo Lula &#xE9; bastante severa. A esmagadora maioria dos int&#xE9;rpretes, apesar de reconhecer os avan&#xE7;os havidos em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; amplia&#xE7;&#xE3;o do setor p&#xFA;blico, &#xE9; cr&#xED;tica em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; maneira como esta foi conduzida, apontando para a precariedade das novas universidades p&#xFA;blicas e a manuten&#xE7;&#xE3;o da l&#xF3;gica privatizante nas pol&#xED;ticas adotadas, tanto em rela&#xE7;&#xE3;o ao setor privado quanto ao setor p&#xFA;blico, sendo que, para este &#xFA;ltimo, as metas do REUNI seriam o exemplo mais evidente
				<sup>
					<xref ref-type="fn" rid="fn22">22</xref>
				</sup>.
			</p>
			<p>Em rela&#xE7;&#xE3;o ao setor privado, as expectativas de controle da expans&#xE3;o e da qualidade das institui&#xE7;&#xF5;es, principalmente quando da aprova&#xE7;&#xE3;o do SINAES, foram frustradas. Ainda que os n&#xFA;meros do crescimento do setor privado tenham sofrido significativa queda, este j&#xE1; &#xE9; de tal monta e relev&#xE2;ncia que as iniciativas do governo pareceram t&#xED;midas e paliativas.</p>
			<p>Al&#xE9;m disso, a ado&#xE7;&#xE3;o do ProUni &#xE9; vista como o recrudescimento da chamada l&#xF3;gica mercantilista-privatizante j&#xE1; presente no governo anterior. 
				<xref ref-type="bibr" rid="B14">Minto (2011)</xref> aponta, por exemplo, que uma metamorfose ideol&#xF3;gica-conceitual (transformando a educa&#xE7;&#xE3;o de direito a bem p&#xFA;blico) permitiu ao governo Lula instituir os mecanismos do programa, uma vez que &#x201C;o Estado garante a todos o 
				<italic>consumo</italic> de um bem (
				<italic>equidade</italic>). Por isso n&#xE3;o h&#xE1; impedimento para que as IES privadas recebam recursos estatais, j&#xE1; que se organizam para exercer uma fun&#xE7;&#xE3;o social de &#x2018;interesse p&#xFA;blico&#x2019;&#x201D; (
				<italic>idem</italic>, p.260).
			</p>
			<p>Nesse sentido, o autor defende a ideia de um &#x201C;adensamento privatista&#x201D; da educa&#xE7;&#xE3;o superior. 
				<disp-quote>
					<p>&#x201C;Adensamento, pois ele n&#xE3;o inaugura a presen&#xE7;a dos interesses privados no Ensino Superior, mas acarreta sua reestrutura&#xE7;&#xE3;o, fazendo com que o adensamento seja, por um lado, absoluto (crescimento das IES privadas e de sua presen&#xE7;a no campo da educa&#xE7;&#xE3;o superior); e, por outro lado, relativo, tamb&#xE9;m no interior das IES e nas suas formas de rela&#xE7;&#xE3;o com a sociedade e o Estado&#x201D; (
						<italic>idem</italic>, p.263).
					</p>
				</disp-quote>
			</p>
			<p>Vemos ent&#xE3;o que o teor das cr&#xED;ticas ao governo Lula, pelo menos no que tange &#xE0;s pol&#xED;ticas adotadas para o setor privado, mant&#xEA;m a discuss&#xE3;o em torno dos temas da privatiza&#xE7;&#xE3;o do sistema. Aqui, ainda temos a decep&#xE7;&#xE3;o daqueles que esperavam uma mudan&#xE7;a de rumo mais acentuada.</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>VI. Conclus&#xF5;es</title>
			<p>A an&#xE1;lise das pol&#xED;ticas adotadas pelo governo Lula indica que este privilegiou algumas quest&#xF5;es da agenda da educa&#xE7;&#xE3;o superior, como a amplia&#xE7;&#xE3;o e democratiza&#xE7;&#xE3;o de acesso, inclusive procurando o vi&#xE9;s da equidade, ao contemplar popula&#xE7;&#xF5;es historicamente n&#xE3;o atendidas, quer por raz&#xF5;es econ&#xF4;micas, quer, aliada a estas, raciais. Outra quest&#xE3;o que mereceu destaque entre as pol&#xED;ticas implementadas &#xE9; a representada pelo par qualidade/massifica&#xE7;&#xE3;o, uma vez que houve um razo&#xE1;vel aperfei&#xE7;oamento dos instrumentos de avalia&#xE7;&#xE3;o, como garantidores da qualidade do sistema, ao lado de um grande incremento da educa&#xE7;&#xE3;o a dist&#xE2;ncia, com enfoque francamente massificador.</p>
			<p>Considerando as quest&#xF5;es relativas &#xE0; mercantiliza&#xE7;&#xE3;o/privatiza&#xE7;&#xE3;o, os resultados foram mais controversos. Se, de um lado, a privatiza&#xE7;&#xE3;o sofreu um pequeno reflexo, principalmente por conta da amplia&#xE7;&#xE3;o das vagas em institui&#xE7;&#xF5;es federais, por outro, a mercantiliza&#xE7;&#xE3;o se aprofundou. A aus&#xEA;ncia da regulamenta&#xE7;&#xE3;o quanto &#xE0; possibilidade de abertura de capital das mantenedoras e &#xE0; atua&#xE7;&#xE3;o dos fundos de capital nacionais ou estrangeiros permitiu o surgimento de megagrupos financeiros que exploram a educa&#xE7;&#xE3;o superior como uma 
				<italic>commodity</italic> cuja principal fun&#xE7;&#xE3;o &#xE9; gerar dividendos aos acionistas.
			</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Agrade&#xE7;o aos pareceristas an&#xF4;nimos da 
					<italic>Revista de Sociologia e Pol&#xED;tica</italic> por seus coment&#xE1;rios.
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>&#x201C;Privatiza&#xE7;&#xE3;o refere-se ao avan&#xE7;o da participa&#xE7;&#xE3;o do setor privado no total de matr&#xED;culas e de institui&#xE7;&#xF5;es de ensino superior; j&#xE1; o termo mercantiliza&#xE7;&#xE3;o remete &#xE0; emerg&#xEA;ncia de institui&#xE7;&#xF5;es com fins lucrativos no pa&#xED;s &#x2013; os 
					<italic>novos provedores,</italic> conforme a denomina&#xE7;&#xE3;o de 
					<xref ref-type="bibr" rid="B3">Brunner e Uribe (2007)</xref> &#x2013; e, em decorr&#xEA;ncia disso, &#xE0;s transa&#xE7;&#xF5;es de aquisi&#xE7;&#xE3;o que as envolvem e suas implica&#xE7;&#xF5;es no desenho do sistema nacional de ensino superior&#x201D; 
					<xref ref-type="bibr" rid="B20">(Sampaio 2014</xref>, p. 7).
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>Segundo dados do Censo de 2010, no &#xFA;ltimo ano do governo Lula havia cerca de 938.000 alunos matriculados nas universidades federais. Isso apesar da abertura de 14 novas IFES e 124 novos campi universit&#xE1;rios. O que demonstra o quanto a meta de um milh&#xE3;o e 200 mil vagas em 2007 era irrealista (
					<xref ref-type="bibr" rid="B31">Brasil 2010</xref>).
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>Nesse ponto discordamos de 
					<xref ref-type="bibr" rid="B16">Otranto (2006)</xref>, para quem o documento serviu de baliza para toda a pol&#xED;tica para a educa&#xE7;&#xE3;o desenvolvida posteriormente pelo governo Lula.
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>Lembrando que, em 2015, o projeto de reforma ainda tramita no Congresso.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p>Em 2009, Fernando Haddad defendeu a atualiza&#xE7;&#xE3;o do projeto, afirmando que este se tornara obsoleto.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p>Uma boa discuss&#xE3;o sobre o tema e a trajet&#xF3;ria da reforma universit&#xE1;ria, a partir do governo FHC at&#xE9; 2006, encontra-se em 
					<xref ref-type="bibr" rid="B21">Sguissardi (2005)</xref> e 
					<xref ref-type="bibr" rid="B21">Silva Junior e Sguissardi (2005)</xref>.
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>8</label>
				<p>Ver Associa&#xE7;&#xE3;o Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (2005).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>9</label>
				<p>A aplica&#xE7;&#xE3;o do ENADE passou por algumas mudan&#xE7;as nos &#xFA;ltimos anos. Iniciou-se como amostral e passou a censit&#xE1;rio. Em 2010, deixou de ser aplicado aos ingressantes, sendo substitu&#xED;do, para fins de c&#xE1;lculo do IDD, pelo desempenho do aluno no ENEM.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn10">
				<label>10</label>
				<p>Os mesmos autores apontaram para o desvirtuamento do esp&#xED;rito da lei ocorrido ao longo de sua implementa&#xE7;&#xE3;o e a restaura&#xE7;&#xE3;o dos 
					<italic>rankings</italic> como um dos instrumentos principais da efetividade desta, deixando de lado a avalia&#xE7;&#xE3;o processual, formativa, democr&#xE1;tica e emancipat&#xF3;ria.
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn11">
				<label>11</label>
				<p>O Conceito Preliminar de Cursos (CPC) &#xE9; composto de alguns &#xED;ndices, calculados a partir de pesos diferenciados, a saber: (a) desempenho dos concluintes no ENADE; (b) desempenho dos ingressantes no ENADE; (c) diferen&#xE7;a entre os desempenhos esperados e observados; (d) titula&#xE7;&#xE3;o e regime de trabalho do corpo docente; (e) infraestrutura escolar e organiza&#xE7;&#xE3;o did&#xE1;tico-pedag&#xF3;gica.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn12">
				<label>12</label>
				<p>&#xC9; um indicador de qualidade de institui&#xE7;&#xF5;es de educa&#xE7;&#xE3;o superior que considera, em sua composi&#xE7;&#xE3;o, a qualidade dos cursos de gradua&#xE7;&#xE3;o e de p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o (mestrado e doutorado). No que se refere &#xE0; gradua&#xE7;&#xE3;o, &#xE9; utilizado o CPC (Conceito Preliminar de Curso) e, em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o, &#xE9; usada a nota Capes. O resultado est&#xE1; em valores cont&#xED;nuos (que v&#xE3;o de 0 a 500) e em faixas (de 1 a 5).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn13">
				<label>13</label>
				<p>Para alguns autores, o governo Lula no seu segundo mandato adotou ou reeditou pr&#xE1;ticas do governo anterior: &#x201C;
					<italic>ranking</italic> e m&#xED;dia&#x201D; (Barreyro &#x26; Rothen 2009, p.1), retomando medidas pr&#xF3;prias do paradigma t&#xE9;cnico-burocr&#xE1;tico (Dias Sobrinho 2008).
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn14">
				<label>14</label>
				<p>Ver 
					<xref ref-type="bibr" rid="B31">Brasil (2010a</xref>).
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn15">
				<label>15</label>
				<p>Cf. 
					<xref ref-type="bibr" rid="B5">Carvalho (2006)</xref>. Segundo o Censo 2010, a taxa l&#xED;quida de escolariza&#xE7;&#xE3;o ao final do governo Lula atingiu 14,4%.
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn16">
				<label>16</label>
				<p>N&#xE3;o foi poss&#xED;vel confirmar que as filantr&#xF3;picas e comunit&#xE1;rias sem fins lucrativos responderiam de fato por 85% das vagas no setor privado na ocasi&#xE3;o da aprova&#xE7;&#xE3;o do ProUni, conforme alega&#xE7;&#xE3;o do Minist&#xE9;rio.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn17">
				<label>17</label>
				<p>Para uma boa an&#xE1;lise da transforma&#xE7;&#xE3;o da proposta inicial do governo e do processo de implanta&#xE7;&#xE3;o inicial do PROUNI, ver 
					<xref ref-type="bibr" rid="B7">Catani, Hey &#x26; Gilioli (2006)</xref>.
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn18">
				<label>18</label>
				<p>Um dos &#xFA;ltimos atos do ministro Fernando Haddad, j&#xE1; no governo Dilma Rousseff, foi a comemora&#xE7;&#xE3;o pelas um milh&#xE3;o de bolsas concedidas, no in&#xED;cio de 2012. Ver 
					<xref ref-type="bibr" rid="B33">Brasil (2012)</xref>.
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn19">
				<label>19</label>
				<p>O ProUni &#xE9; controlado, em &#xE2;mbito nacional, pela Comiss&#xE3;o Nacional de Acompanhamento e Controle Social do ProUni (Conap) e, em &#xE2;mbito regional, pelas comiss&#xF5;es locais de acompanhamento e controle social, presentes onde cada institui&#xE7;&#xE3;o oferta seus cursos. Ver 
					<xref ref-type="bibr" rid="B31">Brasil (2010a</xref>).
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn20">
				<label>20</label>
				<p>Uma cr&#xED;tica mais recente refere-se &#xE0; concentra&#xE7;&#xE3;o das vagas ofertadas no Sul e Sudeste, uma vez que estas s&#xE3;o as regi&#xF5;es onde o setor privado &#xE9; mais atuante.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn21">
				<label>21</label>
				<p>O FIES foi institu&#xED;do pela Medida Provis&#xF3;ria n&#xBA; 1.827, de 27 de maio de 1999, posteriormente convertida na Lei n&#xBA; 10.260, de 12 de julho de 2001. Foi reformulado pela Lei n&#xBA; 11.552, de 19 de novembro de 2007, e regulamentado pela Portaria Normativa MEC n&#xB0; 1, de 22 de janeiro de 2010 e Portaria n&#xBA; 10, de 30 de abril de 2010.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn22">
				<label>22</label>
				<p>Ver, por exemplo, autores como Dourado (2009); 
					<xref ref-type="bibr" rid="B17">Paula (2009)</xref>; 
					<xref ref-type="bibr" rid="B11">Gomes (2003)</xref>; 
					<xref ref-type="bibr" rid="B22">Sguissardi (2006)</xref>, entre outros.
				</p>
			</fn>
		</fn-group>
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			<title>Refer&#xEA;ncias</title>
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				<element-citation publication-type="thesis">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Aguiar</surname>
							<given-names>V.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2013</year>
					<source xml:lang="pt">Amplia&#xE7;&#xE3;o e diversifica&#xE7;&#xE3;o do acesso no Ensino Superior: a forma&#xE7;&#xE3;o do sistema de massa no setor privado</source>
					<comment>Tese de Doutorado</comment>
					<publisher-loc>Campinas</publisher-loc>
					<publisher-name>Universidade Estadual de Campinas</publisher-name>
				</element-citation>
				<mixed-citation>Aguiar, V., 2013. Amplia&#xE7;&#xE3;o e diversifica&#xE7;&#xE3;o do acesso no Ensino Superior: a forma&#xE7;&#xE3;o do sistema de massa no setor privado. Tese de Doutorado. Campinas: Universidade Estadual de Campinas.</mixed-citation>
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			<ref id="B2">
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Barreyro</surname>
							<given-names>G.B.</given-names>
						</name>
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							<surname>Rothen</surname>
							<given-names>J.</given-names>
						</name>
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					<year>2006</year>
					<article-title>&#x201C;SINAES&#x201D; Contradit&#xF3;rios: considera&#xE7;&#xF5;es sobre a elabora&#xE7;&#xE3;o e implementa&#xE7;&#xE3;o do Sistema de Nacional de Avalia&#xE7;&#xE3;o do Ensino Superior</article-title>
					<source xml:lang="pt">Educa&#xE7;&#xE3;o &#x26; Sociedade</source>
					<volume>27</volume>
					<fpage>955</fpage>
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					<pub-id pub-id-type="doi">10.1590/s0101-73302006000300015</pub-id>
				</element-citation>
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				</mixed-citation>
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				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
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							<surname>Brunner</surname>
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						</name>
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					<year>2007</year>
					<source xml:lang="pt">Mercados universit&#xE1;rios: el nuevo scenario de la educaci&#xF3;n superior</source>
					<publisher-loc>Santiago</publisher-loc>
					<publisher-name>Ediciones Universidad Diego Portales</publisher-name>
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				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
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							<surname>Calder&#xF3;n</surname>
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							<surname>Borges</surname>
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						</name>
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					<year>2011</year>
					<article-title>Os rankings na educa&#xE7;&#xE3;o brasileira: pol&#xED;ticas de Estado ou de governo?</article-title>
					<source xml:lang="pt">Ensaio: Avalia&#xE7;&#xE3;o e Pol&#xED;ticas P&#xFA;blicas em Educa&#xE7;&#xE3;o</source>
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				</mixed-citation>
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							<surname>Carvalho</surname>
							<given-names>C.A.</given-names>
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					<year>2006</year>
					<article-title>O PROUNI no governo Lula e o jogo pol&#xED;tico em torno o acesso ao Ensino Superior</article-title>
					<source xml:lang="pt">Educa&#xE7;&#xE3;o &#x26; Sociedade</source>
					<volume>27</volume>
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					<lpage>1000</lpage>
					<pub-id pub-id-type="doi">10.1590/s0101-73302006000300016</pub-id>
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				<element-citation publication-type="book">
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						<name>
							<surname>Castro</surname>
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					<year>2005</year>
					<chapter-title xml:lang="pt">Ensino superior: perfil da gradua&#xE7;&#xE3;o e da p&#xF3;s-gradua&#xE7;&#xE3;o</chapter-title>
					<person-group person-group-type="editor">
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							<surname>Landi</surname>
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				<element-citation publication-type="journal">
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							<surname>Catani</surname>
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					<year>2006</year>
					<article-title>ProUni: Democratiza&#xE7;&#xE3;o do acesso &#xE0;s institui&#xE7;&#xF5;es de Ensino Superior?</article-title>
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					<article-title>Financiamento e democratiza&#xE7;&#xE3;o do acesso &#xE0; educa&#xE7;&#xE3;o superior no Brasil: da deser&#xE7;&#xE3;o do Estado ao projeto de reforma</article-title>
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							<surname>Dias</surname>
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						</name>
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					<article-title>&#x201C;Universidade para todos&#x201D;: a privatiza&#xE7;&#xE3;o em quest&#xE3;o</article-title>
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					<article-title>Reforma Universit&#xE1;ria no Brasil &#x2013; 1995-2006: Prec&#xE1;ria trajet&#xF3;ria e incerto futuro</article-title>
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