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				<journal-title>Revista de Sociologia e Pol&#xED;tica</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. Sociol. Polit.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">1678-9873</issn>
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				<publisher-name>Universidade Federal do Paran&#xE1;</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.1590/1678-987316245708</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Ensaio Bibliogr&#xE1;fico</subject>
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				<article-title>O Poder no Executivo: explica&#xE7;&#xF5;es no presidencialismo, parlamentarismo e presidencialismo de coaliz&#xE3;o</article-title>
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						<surname>Batista</surname>
						<given-names>Mariana</given-names>
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					<institution content-type="normalized">Universidade Federal de Pernambuco</institution>
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					<email>mariana.bsilva@gmail.com</email>
					<institution content-type="original">Mariana Batista (mariana.bsilva@gmail.com) &#xE9; Doutora em Ci&#xEA;ncia Pol&#xED;tica pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Professora do Departamento de Ci&#xEA;ncia Pol&#xED;tica da mesma universidade. V&#xED;nculo institucional: Programa de P&#xF3;s-Gradua&#xE7;&#xE3;o em Ci&#xEA;ncia Pol&#xED;tica, UFPE, Recife, PE, Brasil</institution>
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				<year>2016</year>
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			<volume>24</volume>
			<issue>57</issue>
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			<lpage>155</lpage>
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				<copyright-holder>Revista de Sociologia e Política</copyright-holder>
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					<license-p>License information: This is an open-access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution License, which permits unrestricted use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited.</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>Como a literatura vem analisando o Poder Executivo nos diferentes regimes pol&#xED;ticos? A partir da diferen&#xE7;a institucional b&#xE1;sica entre presidencialismo e parlamentarismo pode-se identificar dois conjuntos de contribui&#xE7;&#xF5;es principais para o entendimento do funcionamento do Executivo em democracias: a literatura sobre a presid&#xEA;ncia americana e as discuss&#xF5;es sobre os governos de coaliz&#xE3;o no parlamentarismo europeu. O que os dois conjuntos de teorias t&#xEA;m em comum &#xE9; a preocupa&#xE7;&#xE3;o com a pol&#xED;tica intra-executivo. Esta literatura &#xE9; analisada, identificando as principais quest&#xF5;es, institui&#xE7;&#xF5;es, comportamentos e vari&#xE1;veis enfatizadas. Como resultado tem-se a sistematiza&#xE7;&#xE3;o e compara&#xE7;&#xE3;o dos principais argumentos sobre o funcionamento interno do Executivo n&#xE3;o s&#xF3; no presidencialismo e no parlamentarismo, mas tamb&#xE9;m a contribui&#xE7;&#xE3;o para a explica&#xE7;&#xE3;o do caso espec&#xED;fico do presidencialismo de coaliz&#xE3;o.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>How has the literature been analyzing the Executive Branch in the different political regimes? From the basic institutional difference between presidentialism and parliamentarism we can identify two sets of major contributions to the understanding of the functioning of the Executive in democracies: the literature on the American presidency and discussions about coalition governments in European parliamentarianism. What these two sets of theories have in common is a concern with intra-executive politics. This literature is analyzed, identifying key issues, institutions, behaviors and emphasized variables. As a result we have the systematization and comparison of the main arguments about the internal workings of the Executive not only in presidentialism and parliamentarism, but also the contribution to the explanation of the specific case of coalition presidentialism.</p>
			</trans-abstract>
			<kwd-group xml:lang="pt">
				<title>PALAVRAS CHAVE:</title>
				<kwd>Poder Executivo</kwd>
				<kwd>presidencialismo</kwd>
				<kwd>parlamentarismo</kwd>
				<kwd>presidencialismo de coaliz&#xE3;o</kwd>
				<kwd>gabinete</kwd>
			</kwd-group>
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				<title>KEYWORDS:</title>
				<kwd>Executive Branch</kwd>
				<kwd>presidentialism</kwd>
				<kwd>parliamentarism</kwd>
				<kwd>coalitional presidentialism</kwd>
				<kwd>cabinet</kwd>
			</kwd-group>
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			</counts>
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	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>I. Introdu&#xE7;&#xE3;o
				<sup>
					<xref ref-type="fn" rid="fn1">1</xref>
				</sup>
			</title>
			<p>O papel do Poder Executivo nos sistemas pol&#xED;ticos democr&#xE1;ticos, especialmente sua for&#xE7;a e intera&#xE7;&#xE3;o com o Poder Legislativo, &#xE9; um tema central na literatura institucional. Quest&#xF5;es como a separa&#xE7;&#xE3;o dos poderes, a for&#xE7;a do Executivo frente ao Legislativo e sua capacidade de governo se tornaram recorrentes. Nota-se que os poderes e atua&#xE7;&#xE3;o do Executivo frente ao Legislativo variam expressivamente em sistemas presidencialistas e parlamentaristas. O objetivo deste ensaio &#xE9; deslocar o foco da atua&#xE7;&#xE3;o e desempenho externo do Executivo na sua rela&#xE7;&#xE3;o com o Legislativo para a pol&#xED;tica intraexecutiva, isto &#xE9;, o funcionamento interno das estruturas de poder no Executivo nos diferentes tipos de regime.</p>
			<p>A principal diferen&#xE7;a entre presidencialismo e parlamentarismo est&#xE1; na separa&#xE7;&#xE3;o de origem e de sobreviv&#xEA;ncia entre os poderes Executivo e Legislativo (
				<xref ref-type="bibr" rid="B71">Stepan 1990</xref>). No parlamentarismo, o governo somente existe enquanto mant&#xE9;m apoio da maioria do Legislativo e o foco do poder est&#xE1; no gabinete. Quando nenhum partido alcan&#xE7;a status majorit&#xE1;rio o governo &#xE9; formado com apoio de uma coaliz&#xE3;o multipartid&#xE1;ria. Esse &#xE9; o caso de grande parte das democracias europeias. No caso do presidencialismo, o foco est&#xE1; no presidente e este &#xE9; eleito por voto direto e normalmente possui autonomia para decidir a composi&#xE7;&#xE3;o do governo. Sua estabilidade tem por base o mandato e n&#xE3;o depende de apoio legislativo. O caso mais influente de presidencialismo &#xE9; o sistema americano. O sistema pol&#xED;tico brasileiro &#xE9; atualmente definido como um presidencialismo de coaliz&#xE3;o (
				<xref ref-type="bibr" rid="B1">Abranches 1988</xref>). Esse sistema tem por base um presidente eleito diretamente e com mandato pr&#xF3;prio, mas que para governar conta com o apoio de uma coaliz&#xE3;o multipartid&#xE1;ria.
			</p>
			<p>Como a literatura vem analisando o papel dos atores, institui&#xE7;&#xF5;es e o processo decis&#xF3;rio do Poder Executivo nesses diferentes regimes? O objetivo deste trabalho &#xE9; resgatar, de forma sistem&#xE1;tica, as principais contribui&#xE7;&#xF5;es da literatura sobre a din&#xE2;mica e funcionamento interno do Poder Executivo no presidencialismo, no parlamentarismo e no caso do presidencialismo de coaliz&#xE3;o
				<xref ref-type="fn" rid="fn2">
					<sup>2</sup>
				</xref>. Para tanto, a estrat&#xE9;gia &#xE9; focar os casos com maior ac&#xFA;mulo te&#xF3;rico. No caso do presidencialismo, as principais an&#xE1;lises t&#xEA;m por objeto ou se inspiraram no presidencialismo americano. No caso do parlamentarismo o foco est&#xE1; nos governos de coaliz&#xE3;o da Europa ocidental. Argumentos sobre o presidencialismo de coaliz&#xE3;o aparecem de forma mais dispersa em contribui&#xE7;&#xF5;es pontuais na Am&#xE9;rica Latina.
			</p>
			<p>Este ensaio est&#xE1; organizado da seguinte forma: primeiramente, a literatura sobre o presidencialismo &#xE9; analisada. Nota-se aqui a subdivis&#xE3;o da literatura em dois enfoques espec&#xED;ficos, o enfoque personalista, que trata principalmente da figura do presidente, e o enfoque institucional, que analisa o desenho institucional do Executivo. Em seguida &#xE9; analisada a literatura sobre os governos de coaliz&#xE3;o no parlamentarismo, que se subdividem em estudos sobre a forma&#xE7;&#xE3;o do governo e nos estudos sobre governan&#xE7;a. Por &#xFA;ltimo, analisa-se a literatura incipiente sobre o presidencialismo de coaliz&#xE3;o.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>II. A presid&#xEA;ncia norte-americana: entre a personalidade e a institucionaliza&#xE7;&#xE3;o</title>
			<p>As an&#xE1;lises sobre o papel do presidente e da presid&#xEA;ncia se constituem num dos t&#xF3;picos mais difundidos da Ci&#xEA;ncia Pol&#xED;tica americana (
				<xref ref-type="bibr" rid="B35">King 1993</xref>). Contudo, mesmo constatando a grande difus&#xE3;o de estudos sobre o Poder Executivo, regularidades emp&#xED;ricas e o ac&#xFA;mulo te&#xF3;rico demoraram a aparecer. Por muito tempo os avan&#xE7;os observados em &#xE1;reas similares como os estudos legislativos, comportamento eleitoral ou at&#xE9; nas rela&#xE7;&#xF5;es Executivo-Legislativo n&#xE3;o foram sentidos na &#xE1;rea de estudos presidenciais e no estudo espec&#xED;fico da din&#xE2;mica intra-executivo, denotando uma l&#xF3;gica particular de constru&#xE7;&#xE3;o do campo (
				<xref ref-type="bibr" rid="B57">Moe 1993</xref>).
			</p>
			<p>Dentro dessa l&#xF3;gica de constru&#xE7;&#xE3;o do campo podem ser observadas duas correntes principais: o foco na personalidade ou na lideran&#xE7;a pessoal do presidente e as an&#xE1;lises da presid&#xEA;ncia institucional. O elemento inicial do debate est&#xE1; na seguinte quest&#xE3;o: dado que no sistema presidencialista o presidente &#xE9; o chefe absoluto do Poder Executivo, a personalidade e o estilo individual dos presidentes determinam os resultados ou as regras e procedimentos da institui&#xE7;&#xE3;o constrangem e orientam os comportamentos gerando regularidades? Os trabalhos sobre a presid&#xEA;ncia americana podem ser classificados de acordo com a resposta que d&#xE3;o a essa quest&#xE3;o.</p>
			<sec>
				<title>II.1. A abordagem legal e o dom&#xED;nio da personaliza&#xE7;&#xE3;o nos estudos sobre a presid&#xEA;ncia</title>
				<p>&#xC9; interessante notar que, inserindo-se na orienta&#xE7;&#xE3;o mais geral da Ci&#xEA;ncia Pol&#xED;tica daquele momento hist&#xF3;rico, as primeiras an&#xE1;lises do Executivo americano podem ser classificadas como institucionais, ainda que um institucionalismo antigo e legalista (
					<italic>idem</italic>). Classificada originalmente como a abordagem legal da presid&#xEA;ncia (
					<xref ref-type="bibr" rid="B24">Edwards III 1985</xref>), esse tipo de an&#xE1;lise tem por foco os poderes formais e a autoridade constitucional do cargo de presidente. &#x201C;Os pesquisadores, nesta perspectiva, analisam a Constitui&#xE7;&#xE3;o, as leis, os tratados e os precedentes legais com o objetivo de entender as fontes, o escopo e o uso dos poderes formais do presidente, incluindo as suas limita&#xE7;&#xF5;es legais&#x201D; (
					<italic>idem</italic>, p.46).
				</p>
				<p>Dado que o principal objetivo dessa perspectiva &#xE9; avaliar os presidentes de acordo com o seu poder formal, identificando a for&#xE7;a e tamb&#xE9;m as limita&#xE7;&#xF5;es do cargo, grande parte dos resultados podem ser classificados como descritivos e de orienta&#xE7;&#xE3;o hist&#xF3;rica. O foco da abordagem est&#xE1; na descri&#xE7;&#xE3;o dos poderes formais e a sua evolu&#xE7;&#xE3;o ao longo do tempo, uma vez ou outra com &#xEA;nfase em mecanismos espec&#xED;ficos como a interven&#xE7;&#xE3;o do presidente na libera&#xE7;&#xE3;o de verbas, o poder de emitir ordens executivas e o poder de veto.</p>
				<p>Frequentemente, o estudo dos poderes do presidente leva n&#xE3;o s&#xF3; a an&#xE1;lises da realidade do cargo, mas tamb&#xE9;m a avalia&#xE7;&#xF5;es normativas de qual deveria ser a extens&#xE3;o e o escopo dos poderes do presidente, considerando-se o equil&#xED;brio da separa&#xE7;&#xE3;o de poderes no sistema pol&#xED;tico americano.</p>
				<p>As cr&#xED;ticas que podem ser levantadas a essa abordagem &#xE9; que claramente poder formal n&#xE3;o se traduz em poder de fato e tamb&#xE9;m que grande parte do que um presidente faz para governar n&#xE3;o est&#xE1; previsto na letra da Constitui&#xE7;&#xE3;o. Nas palavras de Edwards III: &#x201C;A maior parte do relacionamento do presidente com o p&#xFA;blico, o Congresso, a assessoria da Casa Branca e a burocracia do Estado n&#xE3;o se encaixa facilmente no &#xE2;mbito da perspectiva legal&#x201D; (
					<italic>idem</italic>, p.47).
				</p>
				<p>Para al&#xE9;m da clara limita&#xE7;&#xE3;o da perspectiva legal em abarcar a totalidade do escopo de atua&#xE7;&#xE3;o do presidente, a principal cr&#xED;tica &#xE9; de cunho metodol&#xF3;gico. A abordagem legal n&#xE3;o se presta &#xE0; explica&#xE7;&#xE3;o. Apesar do grande n&#xFA;mero de trabalhos avaliando se os poderes do presidente s&#xE3;o apropriados, n&#xE3;o h&#xE1; estudos que identifiquem o poder de tais regras formais em orientar os comportamentos, por que alguns comportamentos ocorrem dentro dos limites formais, por que tantos outros escapam da regra e quais s&#xE3;o as consequ&#xEA;ncias desses fatos.</p>
				<p>A revolu&#xE7;&#xE3;o comportamentalista na Ci&#xEA;ncia Pol&#xED;tica teve por principal efeito deixar o argumento institucional-legal em segundo plano e enfatizar aquilo que de fato poderia ser observado: o comportamento. Como n&#xE3;o poderia ser diferente, o comportamentalismo influenciou diretamente os estudos sobre a presid&#xEA;ncia americana, deslocando o foco dos poderes formais do presidente para as caracter&#xED;sticas pessoais de lideran&#xE7;a (
					<xref ref-type="bibr" rid="B57">Moe 1993</xref>).
				</p>
				<p>Em trabalho cl&#xE1;ssico, Neustadt (1960) estabelece o foco dos estudos presidenciais no poder pessoal do presidente, na sua capacidade de lideran&#xE7;a e no seu poder de persuadir os demais atores a agirem de acordo com os seus interesses. De acordo com o argumento de Neustadt, poderes formais n&#xE3;o garantem a&#xE7;&#xE3;o e estar no topo da hierarquia formal n&#xE3;o o estabelece no topo do sistema pol&#xED;tico de fato.</p>
				<p>Uma vez investido no cargo, o problema do presidente passa a ser identificar estrat&#xE9;gias de fazer o seu governo trabalhar em fun&#xE7;&#xE3;o dos seus interesses. A ideia &#xE9; a de que o sistema de divis&#xE3;o de poderes nos Estados Unidos gera um presidente que tem que buscar transformar uma suposta autoridade formal em poder de fato. As vari&#xE1;veis relevantes passam longe das institui&#xE7;&#xF5;es e focam a capacidade de persuadir, de convencer, de barganhar acordos pol&#xED;ticos e convencer os atores pol&#xED;ticos de que seus interesses s&#xE3;o os mesmos que os do presidente (
					<xref ref-type="bibr" rid="B30">Howell 2003</xref>). Explicar o desempenho da presid&#xEA;ncia n&#xE3;o tem por base a presid&#xEA;ncia como organiza&#xE7;&#xE3;o, poderes legais ou procedimentos: &#x201C;my theme is personal power and its politics: what it is, how to get it, how to keep it, how to use it. My interest is in what a president can do to make his own will felt in his own administratition&#x201D; (Neustadt 1960, p.
					<italic>vii</italic>) e &#x201C;Presidential power is the power to persuade&#x201D; (
					<italic>idem</italic>, p.10).
				</p>
				<p>A necessidade de buscar influ&#xEA;ncia vai al&#xE9;m dos atores externos ao Poder Executivo. O poder da barganha &#xE9; o que faz o presidente alcan&#xE7;ar seus objetivos no Congresso, no Judici&#xE1;rio e entre os entes subnacionais, mas tamb&#xE9;m &#xE9; fundamental para a lideran&#xE7;a dentro da estrutura do pr&#xF3;prio Executivo. Para o argumento, mesmo existindo a vis&#xE3;o externa de uma estrutura &#xFA;nica, &#x201C;o&#x201D; Poder Executivo, no qual o presidente tem autoridade absoluta, quando o presidente precisa de algo feito por seu gabinete, suas ag&#xEA;ncias administrativas, o Ex&#xE9;rcito ou at&#xE9; mesmo de sua assessoria direta, seu poder de persuas&#xE3;o &#xE9; necess&#xE1;rio e apresenta as mesmas limita&#xE7;&#xF5;es vistas nas negocia&#xE7;&#xF5;es com atores externos.</p>
				<p>A qualidade do governo &#xE9; totalmente dependente das qualidades pessoais do seu chefe. De acordo com as descri&#xE7;&#xF5;es de Neustadt (
					<italic>idem</italic>), o estilo de Roosevelt era o modelo a ser seguido e o exemplo negativo de lideran&#xE7;a a presid&#xEA;ncia de Eisenhower. O primeiro se caracteriza por uma gest&#xE3;o informal, altamente personalizada e focada no presidente, com controle direto sobre o processo decis&#xF3;rio de modo que o pr&#xF3;prio presidente tinha m&#xE1;ximo envolvimento e controle. J&#xE1; Eisenhower construiu uma presid&#xEA;ncia com organiza&#xE7;&#xF5;es formais e um modelo n&#xE3;o pol&#xED;tico de lideran&#xE7;a burocr&#xE1;tica e hierarquizada onde cada pe&#xE7;a tem o seu papel, culminando na decis&#xE3;o presidencial (Neustadt 1960; 
					<xref ref-type="bibr" rid="B57">Moe 1993</xref>).
				</p>
				<p>Esse argumento da lideran&#xE7;a presidencial tornou-se dominante no debate e ainda hoje muitos autores discutem a personalidade presidencial e estilos de lideran&#xE7;a (
					<xref ref-type="bibr" rid="B29">Hargrove 1993</xref>). Contudo, cr&#xED;ticas contundentes podem ser apontadas. 
					<xref ref-type="bibr" rid="B57">Moe (1993)</xref> aponta que a domin&#xE2;ncia do argumento da lideran&#xE7;a presidencial n&#xE3;o corresponde &#xE0;s mudan&#xE7;as observadas na realidade. Enquanto Neustadt (1960) exaltava o modelo da lideran&#xE7;a e controle pessoal de todas as decis&#xF5;es pelo presidente, a presid&#xEA;ncia americana passava por um processo de aumento, institucionaliza&#xE7;&#xE3;o e mudan&#xE7;a organizacional.
				</p>
				<p>A descri&#xE7;&#xE3;o atual da presid&#xEA;ncia tem por base centenas de funcion&#xE1;rios, com papeis definidos e redes organizacionais altamente diferenciadas, ganhando estabilidade e uniformidade ao longo do tempo. N&#xE3;o &#xE9; esperado do presidente moderno que controle a totalidade das decis&#xF5;es sobre programas legislativos, regula&#xE7;&#xF5;es e dota&#xE7;&#xF5;es or&#xE7;ament&#xE1;rias, que negocie diretamente com cada parlamentar a aprova&#xE7;&#xE3;o de cada projeto de lei, etc. H&#xE1; divis&#xE3;o do trabalho e especializa&#xE7;&#xE3;o de modo a alcan&#xE7;ar essa infinidade de decis&#xF5;es que s&#xE3;o estabelecidas pelo Poder Executivo. Resumindo, &#x201C;at precisely the same time that Neustadt&#x27;s work was reorienting scholarly thinking around the concept of the personal presidency, the presidency itself was becoming highly institutionlized&#x201D; (
					<xref ref-type="bibr" rid="B57">Moe 1993</xref>, p.340).
				</p>
				<p>Outra cr&#xED;tica &#xE9; de cunho metodol&#xF3;gico: o foco se deslocou do formal para o informal, do estrutural para o pessoal buscando sempre explicar a totalidade do fen&#xF4;meno sob an&#xE1;lise. A unidade de an&#xE1;lise normalmente &#xE9; o presidente, orientando os trabalhos para estudos de caso com base em evid&#xEA;ncia hist&#xF3;rica e descritiva das presid&#xEA;ncias espec&#xED;ficas. Os trabalhos sobre a presid&#xEA;ncia n&#xE3;o seriam propriamente te&#xF3;ricos, tendo em vista que a &#x201C;metodologia do personalismo&#x201D; levava a explica&#xE7;&#xF5;es baseadas em anedotas, hist&#xF3;ria, descri&#xE7;&#xE3;o, fragmentos impressionistas e julgamentos informados (
					<xref ref-type="bibr" rid="B24">Edwards III 1985</xref>). Nas palavras de um dos maiores expoentes do debate: 
					<disp-quote>
						<p>&#x201C;Good work remained, above all else, a matter of good writing &#x2013; writing so elegant, so interwoven with stories and illustrations, a flush with historical details, that one might almost overlook its absence of theory, testing, logical rigor, objectivity, or other mainstays of modern social science&#x201D; (
							<xref ref-type="bibr" rid="B57">Moe 1993</xref>, p.344).
						</p>
					</disp-quote>
				</p>
				<p>De acordo com 
					<xref ref-type="bibr" rid="B35">King (1993)</xref>, os estudos sobre a presid&#xEA;ncia s&#xE3;o o &#xFA;ltimo basti&#xE3;o de pesquisa hist&#xF3;rica e n&#xE3;o quantitativa da Ci&#xEA;ncia Politica americana e muito disso se deve a um entendimento equivocado dos pesquisadores de que buscar o conhecimento sistem&#xE1;tico &#xE9; sin&#xF4;nimo de analisar aspectos irrelevantes da presid&#xEA;ncia. Segundo o autor, &#x201C;although probably more has been written about the presidency than all other areas of American politics combined, most work in the field is not to the point where concepts are to be measured and theories tested systematically&#x201D; (
					<italic>idem</italic>, p.387).
				</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>II.2. A abordagem institucional</title>
				<p>A sugest&#xE3;o de 
					<xref ref-type="bibr" rid="B57">Moe (1993)</xref> para superar essas limita&#xE7;&#xF5;es do campo &#xE9; focar o aspecto institucional da presid&#xEA;ncia, especificamente os t&#xF3;picos da centraliza&#xE7;&#xE3;o, politiza&#xE7;&#xE3;o e os modelos de escolha estrutural das ag&#xEA;ncias administrativas. De acordo com o autor: 
					<disp-quote>
						<p>&#x201C;Presidential scholars must take a more restrictive view of what they want to explain. They cannot explain everything about the presidency that they find interesting or importante. They can explain institutional aspects better than they can explain personal aspects, and they can probably explain some properties of institutions &#x2013; structure, in particular &#x2013; more readily than others. In the long run, it seems to me that they will learn more about the presidency, produce better theories, and invest their scarce resources more wisely if they concentrate their scientific efforts more narrowly and strategically&#x201D; (
							<italic>idem</italic>, p.354).
						</p>
					</disp-quote>
				</p>
				<p>Moe (
					<italic>idem</italic>) argumenta que uma teoria institucional da presid&#xEA;ncia constru&#xED;da com base na teoria da escolha racional &#xE9; fundamental pois insere as explica&#xE7;&#xF5;es sobre a presid&#xEA;ncia nas explica&#xE7;&#xF5;es mais gerais sobre o sistema pol&#xED;tico como um todo, abrindo caminho para uma explica&#xE7;&#xE3;o unificada da pol&#xED;tica. A aplica&#xE7;&#xE3;o desse princ&#xED;pio pode ser vista em alguns dos seus trabalhos.
				</p>
				<p>As funda&#xE7;&#xF5;es para o desenvolvimento desse argumento est&#xE3;o no estudo das rela&#xE7;&#xF5;es intra-executivo, focando o controle do presidente sobre as ag&#xEA;ncias administrativas (
					<xref ref-type="bibr" rid="B55">Moe 1982</xref>). O presidente delega poderes para ag&#xEA;ncias aut&#xF4;nomas, que podem trabalhar contra os seus interesses. As an&#xE1;lise s&#xE3;o feitas com base no modelo 
					<italic>principal-agent</italic> e buscam identificar se o presidente &#xE9; capaz de manter a ag&#xEA;ncia sob controle, trazendo resultados favor&#xE1;veis &#xE0;s prefer&#xEA;ncias do seu 
					<italic>principal</italic>
					<xref ref-type="fn" rid="fn3">
						<sup>3</sup>
					</xref>. Focando a ideologia do presidente, os trabalhos buscam identificar se esse ator &#xE9; capaz de controlar os resultados da ag&#xEA;ncia (
					<xref ref-type="bibr" rid="B55">Moe 1982</xref>; 
					<xref ref-type="bibr" rid="B77">Wood 1988</xref>; 
					<xref ref-type="bibr" rid="B78">Wood &#x26; Waterman 1991</xref>).
				</p>
				<p>No seu bastante influente trabalho sobre a presid&#xEA;ncia politizada, 
					<xref ref-type="bibr" rid="B56">Moe (1985)</xref> prop&#xF5;e uma abordagem do Executivo a partir do foco na rela&#xE7;&#xE3;o entre a presid&#xEA;ncia e a burocracia em geral do Executivo. A teoria prop&#xF5;e que com o aumento e a maior complexidade das quest&#xF5;es a serem tratadas pelo presidente e a observada maior fragmenta&#xE7;&#xE3;o da burocracia, o presidente buscar&#xE1; trazer para sua &#xF3;rbita de decis&#xE3;o o maior n&#xFA;mero de fun&#xE7;&#xF5;es, de forma a fazer valer as suas prefer&#xEA;ncias. Isso porque o custo de ag&#xEA;ncia passa a aumentar e o presidente &#x201C;centraliza&#x201D; para que as pol&#xED;ticas que s&#xE3;o constru&#xED;das no Executivo de fato reflitam as suas prefer&#xEA;ncias.
				</p>
				<p>Para esta literatura, centralizar significa deslocar fun&#xE7;&#xF5;es da burocracia mais ampla do Executivo para o presidente e, particularmente no caso americano, para o 
					<italic>Executive Office of the President</italic>. Nesse sentido, h&#xE1; uma divis&#xE3;o entre os minist&#xE9;rios e ag&#xEA;ncias independentes de um lado e o presidente e seus &#xF3;rg&#xE3;os de assist&#xEA;ncia direta do outro. Ainda de acordo com Moe (
					<italic>idem</italic>), uma estrat&#xE9;gia adicional para impor suas prefer&#xEA;ncias &#xE0;s pol&#xED;ticas &#xE9; a chamada &#x201C;politiza&#xE7;&#xE3;o&#x201D;, que tem por objetivo aparelhar a burocracia e ag&#xEA;ncias independentes com funcion&#xE1;rios de sua confian&#xE7;a.
				</p>
				<p>Apesar de bastante influente para a abordagem institucional da presid&#xEA;ncia, o argumento de Moe (
					<italic>idem</italic>) acerca da centraliza&#xE7;&#xE3;o e da politiza&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o trazia a especifica&#xE7;&#xE3;o necess&#xE1;ria para o seu efetivo teste emp&#xED;rico. Isto &#xE9;: 
					<disp-quote>
						<p>&#x201C;The theory that Moe postulated, however, lacked the dynamic components needed to identify when, pricisely, presidents would centralize or politicize authority and when they would not &#x2013; that is, Moe&#x27;s work did not generate any clear comparative statics. Moreover, Moe&#x27;s empirical analysis resembled the existing literature at the time. Evidence of centralization and politicization consisted of selected case studies of individual agencies and a handful of policies that helped write, and little else&#x201D; (
							<xref ref-type="bibr" rid="B31">Howell 2006</xref>, pp.308-309).
						</p>
					</disp-quote>
				</p>
				<p>O teste emp&#xED;rico das hip&#xF3;teses estabelecidas no trabalho de 
					<xref ref-type="bibr" rid="B56">Moe (1985)</xref> &#xE9; realizado por 
					<xref ref-type="bibr" rid="B68">Rudalevige (2002)</xref>. Rudalevige analisa a escolha entre a produ&#xE7;&#xE3;o centralizada das iniciativas legislativas no presidente ou a delega&#xE7;&#xE3;o para os minist&#xE9;rios. Em outras palavras, o presidente tem um problema do tipo &#x201C;make or buy&#x201D; com a escolha sobre formular a pol&#xED;tica dentro da presid&#xEA;ncia ou deleg&#xE1;-la &#xE0; burocracia. H&#xE1; custos de transa&#xE7;&#xE3;o associados &#xE0;s duas op&#xE7;&#xF5;es e o presidente tem de escolher entre duas diferentes estruturas de governan&#xE7;a. Sob quais circunst&#xE2;ncias o presidente vai escolher um governo centralizado sobre a delega&#xE7;&#xE3;o &#xE0; burocracia? Segundo o autor: 
					<disp-quote>
						<p>&#x201C;The cost of policy formulation to the president, then is a similar combination of price and a consideration of reliability. The latter hinges on whether the president trusts the information he is given, with trust, in turn, seen as an assessment of the expertise of the giver, weighted by the degree to which she shares presidential preferences. [&#x2026;] Clearly the calculation of presidential transaction costs will not translate into dollars and cents or, for that matter, into any exact unit of measurement. We can instead aim to define shift parameters &#x2013; to get a sense of which options are more costly than others under what circumstances, and thus to make predictions about effects, in direction and intensity, of different management environments on president&#x27;s choices regarding centralization and policy formulation&#x201D; (
							<italic>idem</italic>, pp.31-32).
						</p>
					</disp-quote>
				</p>
				<p>O autor prop&#xF5;e que maior centraliza&#xE7;&#xE3;o &#xE9; esperada quando: (i) a proposta envolve projetos com v&#xE1;rios setores ou reorganiza&#xE7;&#xE3;o do governo, j&#xE1; que as informa&#xE7;&#xF5;es fornecidas pelos minist&#xE9;rios e pela burocracia mais ampla do governo em tais casos n&#xE3;o s&#xE3;o confi&#xE1;veis; (ii) o presidente tem forte apoio direto de uma burocracia institucionalizada, de modo que o custo da informa&#xE7;&#xE3;o diminui e &#xE9; mais confi&#xE1;vel; (iii) a proposta requer urg&#xEA;ncia, uma vez que a espera de uma resposta da burocracia n&#xE3;o &#xE9; vi&#xE1;vel; (iv) a proposta refere-se a um tema completamente novo e (v) n&#xE3;o h&#xE1; burocracia especializada dentro do quadro mais amplo do Executivo. Em contraste, mais delega&#xE7;&#xE3;o &#xE9; esperada quando: (i) a complexidade da pol&#xED;tica aumenta e conhecimento especializado &#xE9; necess&#xE1;rio; (ii) quando a maioria no Congresso &#xE9; ideologicamente pr&#xF3;xima do presidente, dado que o Legislativo &#xE9; tamb&#xE9;m um 
					<italic>principal</italic> para a burocracia (
					<italic>idem</italic>).
				</p>
				<p>Esse argumento ficou conhecido como o da centraliza&#xE7;&#xE3;o contingente e se mostra bastante inovador por tratar os dilemas de delega&#xE7;&#xE3;o e controle na formula&#xE7;&#xE3;o da agenda legislativa dentro do pr&#xF3;prio Poder Executivo. Como um desenvolvimento dessa abordagem, 
					<xref ref-type="bibr" rid="B69">Rudalevige e Lewis (2005)</xref> testam o argumento de 
					<xref ref-type="bibr" rid="B56">Moe (1985)</xref> na sua total extens&#xE3;o, analisando o uso da estrat&#xE9;gia de centraliza&#xE7;&#xE3;o e de politiza&#xE7;&#xE3;o da burocracia simultaneamente. Os autores desenvolvem o argumento de que centraliza&#xE7;&#xE3;o e politiza&#xE7;&#xE3;o na verdade s&#xE3;o estrat&#xE9;gias substitutas e n&#xE3;o complementares, como poderia ser entendido no argumento original de Moe (
					<italic>idem</italic>), dados os custos associados a cada forma de interven&#xE7;&#xE3;o. Finalmente, ainda dialogando com Moe (
					<italic>idem</italic>), 
					<xref ref-type="bibr" rid="B45">Lewis (2009)</xref> faz um alerta para a aceita&#xE7;&#xE3;o direta da premissa de que a politiza&#xE7;&#xE3;o &#xE9; um mecanismo de controle pol&#xED;tico da burocracia. Segundo o autor, a politiza&#xE7;&#xE3;o pode ser orientada por objetivos de distribui&#xE7;&#xE3;o de patronagem para os aliados pol&#xED;ticos e n&#xE3;o com o objetivo de controle pol&#xED;tico. Sendo esse controle muitas vezes diminu&#xED;do com a indica&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica.
				</p>
				<p>Para al&#xE9;m desse foco na formula&#xE7;&#xE3;o da agenda legislativa, alguns trabalhos deslocaram o olhar para a atua&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o legislativa do Executivo. Isso porque o presidente americano &#xE9; reconhecidamente fraco nesse aspecto, uma vez que n&#xE3;o tem o poder constitucional de iniciar legisla&#xE7;&#xE3;o. Nesse sentido, muitos trabalhos buscam identificar a atua&#xE7;&#xE3;o do presidente de acordo com aquilo que esse ator tem poder para fazer independentemente da concord&#xE2;ncia de outros atores.</p>
				<p>Presidentes t&#xEA;m trabalhado com base em sua autoridade administrativa e formulado pol&#xED;ticas unilateralmente sem interfer&#xEA;ncia do Congresso ou do Judici&#xE1;rio (
					<xref ref-type="bibr" rid="B51">Mayer 2001</xref>). O mecanismo mais utilizado para a a&#xE7;&#xE3;o unilateral s&#xE3;o as 
					<italic>executive orders</italic>, diretivas presidenciais que requerem ou autorizam uma a&#xE7;&#xE3;o no Poder Executivo, instrumentos legais que criam ou modificam leis, procedimentos ou pol&#xED;ticas por decreto (
					<italic>idem</italic>).
				</p>
				<p>Esse mecanismo &#xE9; constantemente utilizado para criar ou abolir ag&#xEA;ncias administrativas, determinar como leis ser&#xE3;o implementadas, entre outras a&#xE7;&#xF5;es dentro do limite constitucional de a&#xE7;&#xE3;o do Executivo. Com base na an&#xE1;lise desses atos unilaterais do presidente, quando este busca agir sem a anu&#xEA;ncia do Congresso, observa-se um descompasso entre o aumento cont&#xED;nuo do uso da a&#xE7;&#xE3;o unilateral pelos presidentes americanos e a aus&#xEA;ncia de an&#xE1;lises sistem&#xE1;ticas sobre o uso desse mecanismo. Mesmo aparentando ser usado apenas para a&#xE7;&#xF5;es cotidianas e sem impactos profundos na pol&#xED;tica americana, Howell identifica que &#x201C;many of the most important policy changes in the modern era came at the hands of presidents going it alone&#x201D; (
					<xref ref-type="bibr" rid="B30">Howell 2003</xref>, p.
					<italic>xiii</italic>).
				</p>
				<p>As ordens executivas se tornaram uma forma de o presidente governar com o &#x201C;golpe da caneta&#x201D; (
					<xref ref-type="bibr" rid="B51">Mayer 2001</xref>). Contudo, n&#xE3;o &#xE9; uma a&#xE7;&#xE3;o sem custos. A a&#xE7;&#xE3;o unilateral &#xE9; vista como um caminho para a ditadura presidencial e a nega&#xE7;&#xE3;o do poder do Congresso. A cr&#xED;tica mais branda atesta o d&#xE9;ficit de 
					<italic>accountability</italic> associado com o uso desse mecanismo. Dessa forma, a quest&#xE3;o que se torna premente &#xE9; sob quais condi&#xE7;&#xF5;es o presidente far&#xE1; valer o seu poder de agir unilateralmente.
				</p>
				<p>O modelo de pol&#xED;tica unilateral de 
					<xref ref-type="bibr" rid="B30">Howell (2003)</xref> estabelece como diferentes contextos institucionais afetam as oportunidades e incentivos para o presidente agir unilateralmente. As principais predi&#xE7;&#xF5;es do modelo s&#xE3;o que governos unificados, a baixa capacidade institucional do Congresso e quando um novo governo &#xE9; estabelecido (ao inv&#xE9;s de um governo reeleito) s&#xE3;o fatores que incentivam a a&#xE7;&#xE3;o unilateral.
				</p>
				<p>O presidencialismo americano tem caracter&#xED;sticas institucionais espec&#xED;ficas e um conjunto de argumentos foi constru&#xED;do para tentar explicar o funcionamento do Poder Executivo sob a regra de separa&#xE7;&#xE3;o dos poderes. Os fundamentos legalistas e desprovidos de pol&#xED;tica foram substitu&#xED;dos por um argumento focado na lideran&#xE7;a e no estilo pessoal do presidente. Com o desenvolvimento cont&#xED;nuo, foi observada a cr&#xED;tica ao argumento focado na pessoa do presidente e cada vez mais enfatizada a import&#xE2;ncia das institui&#xE7;&#xF5;es e como estas afetam o c&#xE1;lculo dos atores, at&#xE9; mesmo dentro do Poder Executivo.</p>
				<p>A teoria da escolha racional e o neoinstitucionalismo, que se tornaram dominantes nos estudos legislativos e na explica&#xE7;&#xE3;o do comportamento eleitoral, finalmente passaram a ter espa&#xE7;o tamb&#xE9;m na explica&#xE7;&#xE3;o da a&#xE7;&#xE3;o presidencial. A presid&#xEA;ncia &#xE9; regida por regras e procedimentos, o Executivo &#xE9; um conjunto de organiza&#xE7;&#xF5;es e atores que realizam c&#xE1;lculos racionais.</p>
				<p>Considerar esses aspectos do Poder Executivo n&#xE3;o significa excluir o principal aspecto institucional do presidencialismo: o presidente &#xE9; o chefe absoluto do governo. A quest&#xE3;o passa a ser compreender as escolhas que esse ator faz sob o constrangimento das institui&#xE7;&#xF5;es tendo em vista os seus objetivos. Dessa forma, contribui&#xE7;&#xF5;es foram feitas no sentido de compreender quando o presidente centralizar&#xE1; o processo de formula&#xE7;&#xE3;o de sua agenda legislativa e quando delegar&#xE1; para os membros do seu gabinete, quando usar&#xE1; o mecanismo da a&#xE7;&#xE3;o unilateral e quando recorrer&#xE1; ao processo legislativo usual. A pr&#xF3;xima se&#xE7;&#xE3;o desloca o foco para a estrutura institucional do parlamentarismo, identificando as principais contribui&#xE7;&#xF5;es na explica&#xE7;&#xE3;o do Poder Executivo.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec>
			<title>III. Governos de coaliz&#xE3;o no parlamentarismo europeu</title>
			<p>No parlamentarismo, quando um determinado partido alcan&#xE7;a a maioria legislativa, este forma o governo e se mant&#xE9;m no poder enquanto contar com o apoio majorit&#xE1;rio. Contudo, quando nenhum partido alcan&#xE7;a a maioria legislativa, e essa &#xE9; atualmente a situa&#xE7;&#xE3;o mais frequente nos sistemas parlamentaristas europeus (Strom, Muller &#x26; Bergman 2008), como o governo ser&#xE1; formado? Quem compor&#xE1; o ramo executivo do poder? At&#xE9; quando o governo se mant&#xE9;m no poder? Como as decis&#xF5;es ser&#xE3;o tomadas? A resposta para essas quest&#xF5;es se tornou um dos principais programas de pesquisa da Ci&#xEA;ncia Politica contempor&#xE2;nea, focando os governos de coaliz&#xE3;o como solu&#xE7;&#xE3;o para a forma&#xE7;&#xE3;o de governos em sistemas parlamentaristas.</p>
			<p>Os estudos sobre as coaliz&#xF5;es no parlamentarismo europeu podem ser divididos em duas vertentes principais: os estudos sobre forma&#xE7;&#xE3;o e os estudos sobre governan&#xE7;a. Os estudos sobre forma&#xE7;&#xE3;o se preocupam com quest&#xF5;es como quantos e quais partidos far&#xE3;o parte da coaliz&#xE3;o, qual o tamanho e disposi&#xE7;&#xE3;o ideol&#xF3;gica e qual o papel do 
				<italic>formateur</italic>. J&#xE1; os estudos sobre governan&#xE7;a se preocupam com o que acontece depois que o governo &#xE9; formado. Isto &#xE9;, como as coaliz&#xF5;es de fato governam. O foco est&#xE1; no processo decis&#xF3;rio e em quais atores influenciam as decis&#xF5;es e como (
				<xref ref-type="bibr" rid="B47">Martin &#x26; Vanberg 2011</xref>).
			</p>
			<sec>
				<title>III.1. Modelos de forma&#xE7;&#xE3;o: tamanho, ideologia e institui&#xE7;&#xF5;es</title>
				<p>O trabalho pioneiro que estabeleceu o ritmo inicial dos estudos sobre a forma&#xE7;&#xE3;o de governos de coaliz&#xE3;o &#xE9; o de 
					<xref ref-type="bibr" rid="B66">Riker (1962)</xref> sobre o tamanho das coaliz&#xF5;es. Referindo-se a coaliz&#xF5;es como um grupo composto de ao menos dois atores que buscam a tomada de decis&#xE3;o, do qual as coaliz&#xF5;es governativas s&#xE3;o um tipo espec&#xED;fico, Riker p&#xF5;e em discuss&#xE3;o a aplica&#xE7;&#xE3;o do argumento de 
					<xref ref-type="bibr" rid="B23">Downs (1999</xref> [1957]) ao estudo das coaliz&#xF5;es.
				</p>
				<p>Em uma das passagens mais importantes da teoria pol&#xED;tica positiva, Downs (
					<italic>idem</italic>) afirma que &#x201C;os governos democr&#xE1;ticos agem racionalmente para maximizar o apoio pol&#xED;tico&#x201D; (
					<italic>idem</italic>, p.41). Assim como as firmas e os consumidores no mercado, governantes e eleitores tamb&#xE9;m agem racionalmente e dessa forma &#xE9; poss&#xED;vel prever os resultados pol&#xED;ticos em equil&#xED;brio.
				</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B66">Riker (1962)</xref> toma por base o pressuposto da racionalidade downsiano, mas apresenta uma incoer&#xEA;ncia no argumento quando aplicado ao estudo das coaliz&#xF5;es. De acordo com o argumento de 
					<xref ref-type="bibr" rid="B23">Downs (1999)</xref> &#xE9; esperado que as coaliz&#xF5;es 
					<italic>maximizem</italic> votos, como exposto na passagem acima. Contudo, para 
					<xref ref-type="bibr" rid="B66">Riker (1962)</xref> os atores pol&#xED;ticos n&#xE3;o buscam a maximiza&#xE7;&#xE3;o de votos, mas sim o n&#xFA;mero 
					<italic>suficiente</italic> de votos para vencer. Esse &#xE9; o argumento das coaliz&#xF5;es minimamente vencedoras (
					<italic>minimum winning coalitions</italic>).
				</p>
				<p>O argumento das coaliz&#xF5;es minimamente vencedoras &#xE9; primeiramente apresentado no livro fundador da teoria dos jogos de 
					<xref ref-type="bibr" rid="B75">Von Neumann e Morgenstern (1944)</xref>, mas traduzido num modelo formal por 
					<xref ref-type="bibr" rid="B66">Riker (1962)</xref>, que o estabelece como &#x201C;the size principle&#x201D;: &#x201C;In n-person, zero-sum games, where side-payments are permitted, where players are rational, and where they have perfect information, only minimum winning coalitions occur&#x201D; (
					<italic>idem</italic>, p.32).
				</p>
				<p>O princ&#xED;pio apresentado acima estabelece que os atores, aqui identificados como os partidos, apenas formem coaliz&#xF5;es do tamanho suficiente para ganhar, n&#xE3;o incluindo membros &#x201C;sup&#xE9;rfluos&#x201D;. A explica&#xE7;&#xE3;o tem por base a racionalidade dos atores: o governo &#xE9; identificado como uma esp&#xE9;cie de pr&#xEA;mio a ser dividido entre os ganhadores, de forma que quanto maior o n&#xFA;mero de ganhadores, menor a participa&#xE7;&#xE3;o de cada ganhador na divis&#xE3;o do pr&#xEA;mio. Nas palavras de Riker, &#x201C;the greater the number of losers, the greater the sum of their losses, and hence the gains of the winners. Or conversely, the fewer the winners, the more each can expect to win&#x201D; (
					<italic>idem</italic>, p.33).
				</p>
				<p>Dessa forma, o argumento contradiz o postulado da maximiza&#xE7;&#xE3;o estabelecendo que a forma racional de dividir os ganhos do poder (controlar o governo) &#xE9; atrav&#xE9;s da forma&#xE7;&#xE3;o de coaliz&#xF5;es que n&#xE3;o contenham membros desnecess&#xE1;rios para vencer e assim cada membro da coaliz&#xE3;o receber&#xE1; a maior parcela poss&#xED;vel dos ganhos. Como os atores s&#xE3;o racionais e possuem informa&#xE7;&#xE3;o perfeita, eles sabem que a forma de maximizar os ganhos &#xE9; atrav&#xE9;s de coaliz&#xF5;es m&#xED;nimas, o que faz com que esse tipo de coaliz&#xE3;o seja formada. A cr&#xED;tica ao axioma dowsiano &#xE9; assim resumida: 
					<disp-quote>
						<p>&#x201C;Downs assumed that political parties (a kind of coalition) seek to maximize votes (membership). As against this, I shall attempt to show that they seek to maximize only up to the point of subjective certainity of winning. After that point they seek to minimize, that is, to maintain themselves at the size (as subjectively estimated) of minimum winning coalition&#x201D; (
							<italic>ibidem</italic>).
						</p>
					</disp-quote>
				</p>
				<p>Desenvolvida simultaneamente ao argumento formal de 
					<xref ref-type="bibr" rid="B66">Riker (1962)</xref> est&#xE1; a constata&#xE7;&#xE3;o sociol&#xF3;gica estabelecida por 
					<xref ref-type="bibr" rid="B28">Gamson (1961)</xref>, tamb&#xE9;m com base no argumento geral de 
					<xref ref-type="bibr" rid="B75">Von Neumann e Morgenstern (1944)</xref> das coaliz&#xF5;es minimamente vencedoras, estabelecendo o que ficou conhecido como o 
					<italic>princ&#xED;pio da proporcionalidade</italic> ou Lei de Gamson.
				</p>
				<p>Algumas defini&#xE7;&#xF5;es s&#xE3;o importantes. 
					<xref ref-type="bibr" rid="B28">Gamson (1961)</xref> define uma coaliz&#xE3;o como o uso conjunto de recursos por duas ou mais unidades sociais para chegar a uma decis&#xE3;o, no caso aqui considerado conquistar o poder de decidir. &#x201C;Power is the currency of politics&#x201D; (
					<italic>idem</italic>, p.374). Para a decis&#xE3;o ser tomada &#xE9; preciso uma quantidade cr&#xED;tica de recursos associados aos participantes e h&#xE1; um 
					<italic>payoff</italic> estabelecido como recompensa.
				</p>
				<p>No caso aqui de interesse, a decis&#xE3;o em quest&#xE3;o &#xE9; a forma&#xE7;&#xE3;o do governo, os participantes s&#xE3;o os partidos pol&#xED;ticos, os recursos a quantidade de cadeiras controladas ou o peso do partido e o 
					<italic>payoff</italic> a parcela de poder controlada no governo identificada como os minist&#xE9;rios no gabinete. Resta saber qual a regra que rege a distribui&#xE7;&#xE3;o desses benef&#xED;cios. Esta &#xE9; a lei de Gamson: &#x201C;Any participant will expect others to demand from a coalition a share of the payoff proportional to the amount of resources which each contribute to a coalition&#x201D; (
					<italic>idem</italic>, p.376). As condi&#xE7;&#xF5;es para a lei de Gamson se sustentar s&#xE3;o as seguintes: 
					<disp-quote>
						<p>&#x201C;1. There is a decision to be made and there are more than two social units attempting to maximize their share of the payoffs. 2. No single alternative will maximize the payof to all participants. 3. No participant has dictatorial powers, 
							<italic>i.e.</italic>, no one has initial resources sufficient to control the decision by himself. 4. No participant has veto power, 
							<italic>i.e.</italic>, no member 
							<italic>must</italic> be included in every winning coalition&#x201D; (
							<italic>idem</italic>, p.374).
						</p>
					</disp-quote>
				</p>
				<p>O 
					<italic>payoff</italic> total &#xE9; constante e o ator tem que escolher entre op&#xE7;&#xF5;es de coaliz&#xE3;o que maximize a sua participa&#xE7;&#xE3;o no 
					<italic>payoff</italic>. Nesse caso, &#xE9; esperado que os participantes demandem participa&#xE7;&#xE3;o no 
					<italic>payoff</italic> proporcional aos recursos controlados para a tomada de decis&#xE3;o. &#xC9; interessante notar que para essa conclus&#xE3;o se sustentar o participante precisa ter alternativas, quando a condi&#xE7;&#xE3;o quatro acima &#xE9; mantida, j&#xE1; que &#x201C;where one member has veto power, there is no alternative to his inclusion; he could no longer be expected to demand only a proportional share of the payoff&#x201D; (
					<xref ref-type="bibr" rid="B28">Gamson 1961</xref>, p. 377).
				</p>
				<p>A Lei de Gamson n&#xE3;o se trata de um modelo formal, mas sim de uma formula&#xE7;&#xE3;o para teste emp&#xED;rico. Tais testes foram feitos com base na propor&#xE7;&#xE3;o de cadeiras controladas pelo partido e a propor&#xE7;&#xE3;o de minist&#xE9;rios recebidos no governo como indicadores, respectivamente, de recursos do partido e 
					<italic>payoff</italic> na divis&#xE3;o do governo, e v&#xEA;m sendo replicados praticamente em todos os trabalhos sobre forma&#xE7;&#xE3;o de governos de coaliz&#xE3;o, at&#xE9; mesmo fora do parlamentarismo europeu. Os resultados indicam uma das associa&#xE7;&#xF5;es mais expressivas da Ci&#xEA;ncia Pol&#xED;tica. Nas palavras de 
					<xref ref-type="bibr" rid="B39">Laver (1998</xref>, p.4) &#x201C;one of the highest nontrivial 
					<italic>r-</italic>squared figures in political science (0.93)&#x201D;.
				</p>
				<p>At&#xE9; o momento, os modelos de forma&#xE7;&#xE3;o de governo orientados pelo princ&#xED;pio do tamanho e o argumento da demanda proporcional de participa&#xE7;&#xE3;o no governo estabelecem implicitamente o que &#xE9; conhecido como o argumento 
					<italic>office-seeking</italic> dos partidos. Isto &#xE9;, o pr&#xEA;mio a ser dividido s&#xE3;o posi&#xE7;&#xF5;es no gabinete e isso &#xE9; tudo a ser considerado no jogo de forma&#xE7;&#xE3;o da coaliz&#xE3;o. Alguns trabalhos posteriores passaram a enfatizar a dimens&#xE3;o ideol&#xF3;gica na forma&#xE7;&#xE3;o de governos de coaliz&#xE3;o. Isto &#xE9;, algumas coaliz&#xF5;es s&#xE3;o mais prov&#xE1;veis do que outras e isso acontece devido a raz&#xF5;es de proximidade ideol&#xF3;gica entre os futuros parceiros. Aqui a &#xEA;nfase &#xE9; na busca por cargos, por&#xE9;m, esses cargos seriam um instrumento para a implementa&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas. Como ap&#xF3;s a forma&#xE7;&#xE3;o da coaliz&#xE3;o &#xE9; esperado que os membros governem juntos, considera&#xE7;&#xF5;es acerca da 
					<italic>policy-position</italic> dos atores s&#xE3;o de import&#xE2;ncia.
				</p>
				<p>O modelo de 
					<xref ref-type="bibr" rid="B7">Axelrod (1970)</xref> &#xE9; um dos primeiros a considerar o papel da ideologia na forma&#xE7;&#xE3;o do governo. Seu postulado prev&#xEA; a forma&#xE7;&#xE3;o de coaliz&#xF5;es m&#xED;nimas conectadas vencedoras (
					<italic>minimal connected winning coalitions</italic>). As coaliz&#xF5;es seriam conectadas ideologicamente no sentido de que somente partidos adjacentes no espectro ideol&#xF3;gico seriam parceiros em coaliz&#xF5;es vi&#xE1;veis dentre as op&#xE7;&#xF5;es de coaliz&#xF5;es minimamente vencedoras. Sob orienta&#xE7;&#xE3;o do argumento de 
					<xref ref-type="bibr" rid="B23">Downs (1999)</xref> de que a competi&#xE7;&#xE3;o partid&#xE1;ria se d&#xE1; no eixo esquerda-direita, os partidos seriam dispostos nesse eixo e somente coaliz&#xF5;es conectadas se formariam, como por exemplo coaliz&#xF5;es entre partidos de esquerda ou partidos de direta, mas n&#xE3;o entre partidos dos polos opostos do espectro (
					<xref ref-type="bibr" rid="B7">Axelrod 1970</xref>).
				</p>
				<p>Um aspecto caracter&#xED;stico do argumento de Axelrod (
					<italic>idem</italic>) &#xE9; o de que somente o car&#xE1;ter ordinal do posicionamento ideol&#xF3;gico &#xE9; levado em considera&#xE7;&#xE3;o. 
					<xref ref-type="bibr" rid="B22">De Swaan (1973)</xref> enfatiza a amplitude da dist&#xE2;ncia ideol&#xF3;gica entre os membros extremos da coaliz&#xE3;o e para isso &#xE9; preciso identificar a exata posi&#xE7;&#xE3;o ideol&#xF3;gica dos partidos no espectro ideol&#xF3;gico. A previs&#xE3;o do modelo &#xE9; que coaliz&#xF5;es com amplitude m&#xED;nima ser&#xE3;o formadas.
				</p>
				<p>O argumento geral da &#xEA;nfase na ideologia, seja atrav&#xE9;s da adjac&#xEA;ncia entre os partidos, seja da pequena amplitude entre os extremos, &#xE9; que coaliz&#xF5;es ideologicamente compactas s&#xE3;o mais valorizadas porque envolvem menos custos em termos de 
					<italic>policy compromises</italic> do que as demais op&#xE7;&#xF5;es. Contudo, 
					<italic>como</italic> esses acordos s&#xE3;o alcan&#xE7;ados n&#xE3;o &#xE9; enfatizado pela teoria. Aspecto esse comum tanto da abordagem 
					<italic>policy-seeking</italic> quanto do argumento exclusivamente 
					<italic>office-seeking</italic> apresentado anteriormente. Essa &#xE9; uma caracter&#xED;stica de modelos cooperativos de teoria dos jogos (
					<xref ref-type="bibr" rid="B39">Laver 1998</xref>).
				</p>
				<p>De acordo com 
					<xref ref-type="bibr" rid="B36">Kreps (1990)</xref>, a diferen&#xE7;a entre modelos cooperativos e n&#xE3;o cooperativos de teoria dos jogos &#xE9; que nos modelos de coopera&#xE7;&#xE3;o a unidade de an&#xE1;lise normalmente &#xE9; o grupo (coaliz&#xE3;o) especificando o que o grupo pode conseguir, mas sem maior &#xEA;nfase em como a coaliz&#xE3;o afetaria um resultado em particular
					<xref ref-type="fn" rid="fn4">
						<sup>4</sup>
					</xref>. J&#xE1; nos modelos n&#xE3;o-cooperativos a unidade de an&#xE1;lise &#xE9; o ator, que tem por objetivo a maximiza&#xE7;&#xE3;o do seu benef&#xED;cio individual. A coopera&#xE7;&#xE3;o aqui &#xE9; entendida como resultado do interesse de cada participante individual
					<xref ref-type="fn" rid="fn5">
						<sup>5</sup>
					</xref> (
					<xref ref-type="bibr" rid="B36">Kreps 1990</xref>; 
					<xref ref-type="bibr" rid="B39">Laver 1998</xref>).
				</p>
				<p>A emerg&#xEA;ncia dos modelos n&#xE3;o-cooperativos de forma&#xE7;&#xE3;o de governos de coaliz&#xE3;o est&#xE1; tamb&#xE9;m associada &#xE0; &#xEA;nfase em vari&#xE1;veis institucionais nas an&#xE1;lises, principalmente o papel do 
					<italic>formateur,</italic> o 
					<italic>timming</italic> da forma&#xE7;&#xE3;o da coaliz&#xE3;o ou o n&#xFA;mero de rodadas para o estabelecimento de um acordo e tamb&#xE9;m o processo de decis&#xE3;o governamental ap&#xF3;s a forma&#xE7;&#xE3;o do governo (
					<xref ref-type="bibr" rid="B67">Rubinstein 1982</xref>; 
					<xref ref-type="bibr" rid="B6">Austen-Smith &#x26; Banks 1988</xref>; 
					<xref ref-type="bibr" rid="B8">Baron &#x26; Ferejohn 1989</xref>; 
					<xref ref-type="bibr" rid="B41">Laver &#x26; Shepsle 1990</xref>; 
					<xref ref-type="bibr" rid="B43">1996</xref>).
				</p>
				<p>Os modelos n&#xE3;o cooperativos analisam a forma&#xE7;&#xE3;o de governos de coaliz&#xE3;o como o resultado de barganhas sequenciais. Uma barganha &#xE9; uma situa&#xE7;&#xE3;o na qual dois indiv&#xED;duos tem diante de si diversas op&#xE7;&#xF5;es de contrato. Ambos t&#xEA;m interesse em chegar a um acordo, por&#xE9;m seus interesses n&#xE3;o s&#xE3;o id&#xEA;nticos. O objetivo passa a ser identificar qual ser&#xE1; o acordo, assumindo que os atores s&#xE3;o racionais (
					<xref ref-type="bibr" rid="B67">Rubinstein 1982</xref>). Com base nessa defini&#xE7;&#xE3;o de barganha, Rubinstein (
					<italic>idem</italic>) estabelece o modelo geral para an&#xE1;lise da forma&#xE7;&#xE3;o de coaliz&#xF5;es com base nos atores racionais como unidade de interesse. Nota-se que mesmo tendo interesse na a&#xE7;&#xE3;o coletiva, o c&#xE1;lculo individual &#xE9; o que importa para a compreens&#xE3;o dos governos a serem formados. A estrutura geral das barganhas sequenciais proposta por Rubinstein &#xE9; a seguinte: 
					<disp-quote>
						<p>&#x201C;Two individuals have to reach an agreement on the partition of a pie of size 1. Each has to make in turn, a proposal as to how it should be divided. After one party has made such an offer, the other must decide either to accept it or to reject it and continue with the bargaining&#x201D; (
							<italic>idem</italic>, p.98).
						</p>
					</disp-quote>
				</p>
				<p>Como pode ser visto, o modelo de barganhas sequenciais &#xE9; uma aplica&#xE7;&#xE3;o do famoso jogo &#x201C;
					<italic>divide the dollar</italic>&#x201D;. Trazendo o modelo geral para a an&#xE1;lise da forma&#xE7;&#xE3;o de governos de coaliz&#xE3;o, o pr&#xEA;mio a ser dividido &#xE9; o governo (minist&#xE9;rios) e esse pr&#xEA;mio possui um tamanho fixo. A barganha se d&#xE1; em torno de como os partidos dividir&#xE3;o esses minist&#xE9;rios. 
					<italic>k</italic>
					<sub>
						<italic>n</italic>
					</sub> partidos controlam cadeiras no Legislativo e o modelo prev&#xEA; a barganha apenas entre pares. De forma aleat&#xF3;ria, 
					<italic>k</italic>
					<sub>
						<italic>1</italic>
					</sub> &#xE9; estabelecido como o 
					<italic>formateur</italic>. Isto &#xE9;, pode fazer a oferta primeiro. 
					<italic>k</italic>
					<sub>
						<italic>1</italic>
					</sub> oferece uma determinada divis&#xE3;o dos minist&#xE9;rios a 
					<italic>k</italic>
					<sub>
						<italic>2</italic>.
					</sub> A l&#xF3;gica de barganha sequencial estabelece que 
					<italic>k</italic>
					<sub>
						<italic>2</italic>
					</sub> tem duas op&#xE7;&#xF5;es, aceitar a proposta de 
					<italic>k</italic>
					<sub>1</sub> ou passar para a pr&#xF3;xima rodada, podendo at&#xE9; ele mesmo assumir a posi&#xE7;&#xE3;o de 
					<italic>formateur</italic> e fazer a sua oferta. A sequ&#xEA;ncia se mant&#xE9;m at&#xE9; o governo ser formado (
					<xref ref-type="bibr" rid="B67">Rubinstein 1982</xref>).
				</p>
				<p>Como pode ser visto no modelo descrito acima, ao contr&#xE1;rio dos modelos que enfatizam o tamanho ou a ideologia, a proposta das barganhas sequenciais busca especificar explicitamente as regras e procedimentos que orientam o processo de barganha para forma&#xE7;&#xE3;o do governo (
					<xref ref-type="bibr" rid="B49">Martin &#x26; Stevenson 2001</xref>). No caso do modelo de Rubisntein (1982), o papel do 
					<italic>formateur</italic> &#xE9; fundamental uma vez que esse ator pode usar seu poder de agenda para garantir uma parcela maior na divis&#xE3;o do governo. De fato, esse &#xE9; o resultado previsto pelo modelo que estabelece a vantagem do 
					<italic>formateur</italic> em barganhas sequenciais.
				</p>
				<p>A &#xEA;nfase nas regras que estruturam o processo de forma&#xE7;&#xE3;o do governo tamb&#xE9;m &#xE9; observada no argumento de 
					<xref ref-type="bibr" rid="B8">Baron e Ferejohn (1989)</xref>, na medida em que estas afetam a ordem na qual os partidos podem fazer a sua proposta. O diferencial desse modelo est&#xE1; na barganha multilateral em oposi&#xE7;&#xE3;o &#xE0; restri&#xE7;&#xE3;o do modelo de 
					<xref ref-type="bibr" rid="B67">Rubinstein (1982)</xref> na an&#xE1;lise apenas de pares de partidos. Tamb&#xE9;m de interesse &#xE9; que o poder de agenda &#xE9; estabelecido de forma end&#xF3;gena. Nesse caso, os atores t&#xEA;m de formar expectativas quanto &#xE0;s futuras propostas, uma vez que podem ser inferiores do que a proposta sendo considerada. O resultado &#xE9; semelhante ao do modelo proposto por 
					<xref ref-type="bibr" rid="B67">Rubinstein (1982)</xref>, &#x201C;the member recognized to make a proposal neverthless retains some agenda power and recieves more benefits than any other member&#x201D; (
					<italic>idem</italic>, p.1200).
				</p>
				<p>Um aspecto interessante desses modelos &#xE9; que apontam a necessidade de levar as regras e procedimentos que governam o processo de forma&#xE7;&#xE3;o em considera&#xE7;&#xE3;o. Por&#xE9;m, falham em especificar quais regras e procedimentos s&#xE3;o esses. Parte da limita&#xE7;&#xE3;o est&#xE1; na restri&#xE7;&#xE3;o da teoria dos jogos em levar um n&#xFA;mero elevado de par&#xE2;metros em considera&#xE7;&#xE3;o sem perder a simplicidade e capacidade preditiva, isto &#xE9;, a identifica&#xE7;&#xE3;o de situa&#xE7;&#xF5;es de equil&#xED;brio.</p>
				<p>Uma tentativa de superar essa limita&#xE7;&#xE3;o &#xE9; desenvolvida por 
					<xref ref-type="bibr" rid="B6">Austen-Smith e Banks (1988)</xref>, estabelecendo uma conex&#xE3;o entre o papel do 
					<italic>formateur</italic> e os resultados eleitorais. O modelo fundamenta o poder de agenda, especificando o partido mais votado como o primeiro ator a fazer a oferta. Se a oferta n&#xE3;o for aceita, a sequ&#xEA;ncia segue e o segundo partido mais votado tem a prerrogativa de fazer a sua oferta, e assim sucessivamente. A conex&#xE3;o entre forma&#xE7;&#xE3;o do governo e as elei&#xE7;&#xF5;es &#xE9; estendida de forma a incluir a competi&#xE7;&#xE3;o interpartid&#xE1;ria por votos, antecipando o poder de agenda no est&#xE1;gio de forma&#xE7;&#xE3;o de governo.
				</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B18">Carroll e Cox (2007)</xref> expandem o modelo de barganha ao considerarem tamb&#xE9;m o estabelecimento de acordos pr&#xE9;-eleitorais entre os partidos, que influenciariam a distribui&#xE7;&#xE3;o de portf&#xF3;lios no momento da forma&#xE7;&#xE3;o do governo. De acordo com o modelo, a exist&#xEA;ncia de acordos pr&#xE9;-eleitorais aumenta a proporcionalidade da aloca&#xE7;&#xE3;o de portf&#xF3;lios.
				</p>
				<p>Dos modelos apresentados acima podemos observar duas vertentes principais: os modelos baseados na demanda (
					<italic>demand-based models</italic>) e os modelos baseados na proposta (
					<italic>proposal-based models</italic>) (Ansolabehere 
					<italic>et al.</italic>, 2003). Os modelos de demanda s&#xE3;o os que estabelecem a proporcionalidade da distribui&#xE7;&#xE3;o de minist&#xE9;rios e os modelos de proposta s&#xE3;o os que identificam a vantagem do 
					<italic>formateur</italic>. O que os testes emp&#xED;ricos dizem sobre esses argumentos? A Lei de Gamson ou a regra da proporcionalidade &#xE9; uma das principais regularidades emp&#xED;ricas da Ci&#xEA;ncia Pol&#xED;tica. Contudo, a rela&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o &#xE9; perfeita e alguns trabalhos de fato identificam uma vantagem do 
					<italic>formateur</italic>, ainda que pequena e muitas vezes inst&#xE1;vel (
					<xref ref-type="bibr" rid="B76">Warwick e Druckman 2001</xref>; Ansolabehere 
					<italic>et al.</italic>, 2003).
				</p>
				<p>Um desenvolvimento interessante dessas duas perspectivas &#xE9; encontrado no argumento de 
					<xref ref-type="bibr" rid="B9">Bassi (2013)</xref>, que prev&#xEA; que a vantagem do 
					<italic>formateur</italic> &#xE9; dirimida quando h&#xE1; competi&#xE7;&#xE3;o end&#xF3;gena pelo papel de fazer a oferta. A competi&#xE7;&#xE3;o faz com que o 
					<italic>formateur,</italic> para ter sua proposta aceita, n&#xE3;o ofere&#xE7;a uma distribui&#xE7;&#xE3;o desigual dos minist&#xE9;rios. Contudo, quando a posi&#xE7;&#xE3;o de 
					<italic>formateur</italic> &#xE9; estabelecida exogenamente, como atrav&#xE9;s do resultado das elei&#xE7;&#xF5;es por exemplo, o ator tem a vantagem para oferecer uma distribui&#xE7;&#xE3;o desigualmente favor&#xE1;vel.
				</p>
				<p>Deslocando um pouco o foco do papel do 
					<italic>formateur</italic>, o desenvolvimento mais recente dos modelos institucionais de forma&#xE7;&#xE3;o de governos de coaliz&#xE3;o focam as institui&#xE7;&#xF5;es que alocam posi&#xE7;&#xF5;es no gabinete diferenciadamente de acordo as prefer&#xEA;ncias dos partidos. Isto &#xE9;, para al&#xE9;m de toda uma literatura que estabelece o governo como composto de posi&#xE7;&#xF5;es no gabinete totalmente homog&#xEA;neas, onde a decis&#xE3;o a ser tomada &#xE9; exclusivamente quanto ao n&#xFA;mero de minist&#xE9;rios que cada partido controlar&#xE1;, esses modelos identificam diferen&#xE7;as entre os minist&#xE9;rios, estabelecendo que diferentes partidos possuem prefer&#xEA;ncias por diferentes minist&#xE9;rios (
					<xref ref-type="bibr" rid="B40">Laver &#x26; Hunt 1992</xref>; 
					<xref ref-type="bibr" rid="B76">Warwick &#x26; Druckman 2001</xref>).
				</p>
				<p>Diferentes partidos apresentam diferentes prefer&#xEA;ncias por minist&#xE9;rios espec&#xED;ficos e isso est&#xE1; totalmente ligado ao fato de que os partidos uma vez no governo controlar&#xE3;o o processo decis&#xF3;rio de pol&#xED;ticas. Para um partido &#xE9; de maior interesse controlar o minist&#xE9;rio que controlar as decis&#xF5;es mais relevantes para sua 
					<italic>constituency</italic>. Para o partido verde o minist&#xE9;rio do meio ambiente pode ser mais importante do que os demais. Para um partido ligado a industriais o minist&#xE9;rio da ind&#xFA;stria pode ser central. E para todos os partidos a posi&#xE7;&#xE3;o de primeiro-ministro &#xE9; fundamental (
					<xref ref-type="bibr" rid="B40">Laver &#x26; Hunt 1992</xref>; 
					<xref ref-type="bibr" rid="B76">Warwick &#x26; Druckman 2001</xref>).
				</p>
				<p>Do ponto de vista emp&#xED;rico, a principal contribui&#xE7;&#xE3;o &#xE9; apresentada em 
					<xref ref-type="bibr" rid="B40">Laver e Hunt (1992)</xref> e re&#xFA;ne os resultados de um 
					<italic>survey</italic> desenvolvido para identificar a sali&#xEA;ncia relativa de cada minist&#xE9;rio. Trabalho este aprimorado por 
					<xref ref-type="bibr" rid="B76">Warwick e Druckman (2001)</xref>, que constroem uma medida cont&#xED;nua de sali&#xEA;ncia ministerial, levando em considera&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o apenas a diferen&#xE7;a ordinal entre os minist&#xE9;rios, mas tamb&#xE9;m quanto cada minist&#xE9;rio &#xE9; mais importante que os demais.
				</p>
				<p>O argumento da &#x201C;sali&#xEA;ncia&#x201D; dos minist&#xE9;rios traz dois pontos de fundamental import&#xE2;ncia: primeiro, o &#x201C;pr&#xEA;mio&#x201D; a ser dividido n&#xE3;o &#xE9; composto de partes homog&#xEA;neas e isso deve ser considerado nos c&#xE1;lculos de proporcionalidade. Segundo, admitir que os partidos possuem prefer&#xEA;ncias por determinados minist&#xE9;rios &#xE9; ressaltar um aspecto muitas vezes esquecido nos governos de coaliz&#xE3;o: os partidos conquistam votos de diferentes parcelas do eleitorado, possuindo 
					<italic>constituency</italic> diferenciada e 
					<italic>policy preferences</italic> espec&#xED;ficas a serem implementadas uma vez no governo. Isso traz a pergunta fundamental: como o processo decis&#xF3;rio governamental, isto &#xE9;, como a influ&#xEA;ncia sobre decis&#xF5;es de pol&#xED;ticas afeta quem recebe qual minist&#xE9;rio?
				</p>
				<p>O modelo cl&#xE1;ssico que estabelece esse argumento &#xE9; o proposto por 
					<xref ref-type="bibr" rid="B41">Laver e Shepsle (1990)</xref>. Segundo os autores, a forma&#xE7;&#xE3;o de um governo de coaliz&#xE3;o tem por base o acordo entre os partidos-membros de que uma vez investido no controle de uma pasta ministerial, o partido usar&#xE1; tal controle para implementar pol&#xED;ticas mais pr&#xF3;ximas de suas prefer&#xEA;ncias. Tal argumento prev&#xEA; a total autonomia dos minist&#xE9;rios, ou como ficou conhecido na literatura, o &#x201C;governo ministerial&#x201D;, no qual cada ministro &#xE9; respons&#xE1;vel pelas decis&#xF5;es de seu minist&#xE9;rio com total autonomia e aus&#xEA;ncia de interfer&#xEA;ncia dos demais partidos da coaliz&#xE3;o.
				</p>
				<p>O equil&#xED;brio da autonomia ministerial &#xE9; alcan&#xE7;ado porque &#xE9; a &#xFA;nica op&#xE7;&#xE3;o cr&#xED;vel de forma&#xE7;&#xE3;o do governo. Quando um partido assume uma pasta ministerial ele n&#xE3;o pode se comprometer, ao menos n&#xE3;o de forma cr&#xED;vel, a implementar pol&#xED;ticas que s&#xE3;o contr&#xE1;rias a seus interesses (
					<xref ref-type="bibr" rid="B41">Laver &#x26; Shepsle 1990</xref>; 
					<xref ref-type="bibr" rid="B42">1994</xref>; 
					<xref ref-type="bibr" rid="B43">1996</xref>).
				</p>
				<p>O desenvolvimento do argumento &#xE9; o princ&#xED;pio da n&#xE3;o interfer&#xEA;ncia m&#xFA;tua: cada ministro implementa decis&#xF5;es de acordo com suas prefer&#xEA;ncias nos minist&#xE9;rios e todos os ministros se comprometem a n&#xE3;o interferir nas decis&#xF5;es de seus pares. Dito de outra forma, ter total autonomia nas decis&#xF5;es do minist&#xE9;rio implica tamb&#xE9;m abrir m&#xE3;o da prerrogativa de interferir nas decis&#xF5;es de outro minist&#xE9;rio, mesmo que essas sejam contr&#xE1;rias &#xE0;s suas prefer&#xEA;ncias. A ideia subjacente aqui &#xE9; a da reciprocidade: ao interferir nas decis&#xF5;es de outro minist&#xE9;rio, o ministro pode sofrer retalia&#xE7;&#xE3;o na mesma moeda. Nas palavras de 
					<xref ref-type="bibr" rid="B4">Andweg (2000</xref>, p.378), &#x201C;ministers forgo their right to intervene in other portfolios to protect their own autonomy; if one criticizes the proposal of a colleague, one should expect that colleague to reciprocate likewise&#x201D;.
				</p>
				<p>Esses trabalhos, mesmo se tratando de modelos de forma&#xE7;&#xE3;o, j&#xE1; ressaltam a import&#xE2;ncia do que acontece depois que o governo &#xE9; formado. Isto &#xE9;, como as coaliz&#xF5;es de fato governam. Preocupando-se com a sali&#xEA;ncia de diferentes minist&#xE9;rios e tamb&#xE9;m com os compromissos feitos no momento da forma&#xE7;&#xE3;o da coaliz&#xE3;o sobre como cada partido controlar&#xE1; as decis&#xF5;es circunscritas aos seus minist&#xE9;rios, abrem espa&#xE7;o para uma nova discuss&#xE3;o agora com foco na governan&#xE7;a das coaliz&#xF5;es.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>III.2. Modelos de governan&#xE7;a: governo ministerial versus controle m&#xFA;tuo</title>
				<p>Os modelos de governan&#xE7;a das coaliz&#xF5;es t&#xEA;m como ponto de partida uma cr&#xED;tica &#xE0; concentra&#xE7;&#xE3;o excessiva dos estudos no momento da forma&#xE7;&#xE3;o do governo de coaliz&#xE3;o. Uma conclus&#xE3;o que pode facilmente ser entendida, principalmente a partir dos modelos de barganha, &#xE9; que uma vez &#x201C;dividido o d&#xF3;lar&#x201D; a rela&#xE7;&#xE3;o &#xE9; encerrada e n&#xE3;o importa o que cada ator faz com a sua parcela do ganho. Nas palavras de Laver e Shepsle: 
					<disp-quote>
						<p>&#x201C;When the executive is considered at all by conventional coalition theories, it is seen not as a decision-making body in its own right, but rather as a prize to be shared out by a winning legislative coalition &#x2013; a set of perks of office, the most important of which are seats at the cabinet table. [&#x2026;] Cabinet portfolios, once allocated, are simply consumed as benefits by the legislative parties that hold them&#x201D; (
							<xref ref-type="bibr" rid="B43">Laver &#x26; Shepsle 1996</xref>, p.12).
						</p>
					</disp-quote>
				</p>
				<p>Os modelos de governan&#xE7;a
					<xref ref-type="fn" rid="fn6">
						<sup>6</sup>
					</xref> buscam problematizar o que acontece depois que a coaliz&#xE3;o &#xE9; formada e depois que os portf&#xF3;lios s&#xE3;o distribu&#xED;dos. Isto &#xE9;, como as coaliz&#xF5;es de fato governam. Invariavelmente, os partidos s&#xE3;o vistos como 
					<italic>policy-oriented</italic>. Em outras palavras, ao contr&#xE1;rio do argumento 
					<italic>office-seeking</italic> de que &#x201C;simply to get into the executive, almost regardless of the precise distribution of portfolios, is probably the most salient payoff&#x201D; (
					<xref ref-type="bibr" rid="B15">Budge &#x26; Laver 1986</xref>, p.491), os partidos seriam 
					<italic>policy-seekers</italic>, maximizando cargos no Executivo como uma forma de influenciar as pol&#xED;ticas seja em si ou de forma instrumental como uma estrat&#xE9;gia para conseguir votos nas pr&#xF3;ximas elei&#xE7;&#xF5;es (
					<italic>idem</italic>).
				</p>
				<p>Identificada a centralidade das pol&#xED;ticas para o jogo pol&#xED;tico, o foco se desloca para o que acontece ap&#xF3;s a forma&#xE7;&#xE3;o da coaliz&#xE3;o, o que at&#xE9; recentemente era ignorado. A cr&#xED;tica de Laver e Shepsle &#xE9; bastante enf&#xE1;tica: 
					<disp-quote>
						<p>&#x201C;Discussions of government coalitions have concentrated almost exclusively on the fact that they are 
							<italic>coalitions</italic> and more or less ignored the fact that they are also 
							<italic>governments</italic>. Little attention has been devoted to what happens 
							<italic>after</italic> a government has been formed or to how rational expectations about what will happen influences the formation process itself&#x201D; (
							<xref ref-type="bibr" rid="B41">Laver &#x26; Shepsle 1990</xref>, p.873; grifos no original).
						</p>
					</disp-quote>
				</p>
				<p>Curiosamente, o principal modelo de governan&#xE7;a &#xE9; derivado de um modelo de forma&#xE7;&#xE3;o de governos de coaliz&#xE3;o: o modelo do governo ministerial (
					<xref ref-type="bibr" rid="B41">Laver &#x26; Shepsle 1990</xref>; 
					<xref ref-type="bibr" rid="B42">1994</xref>; 
					<xref ref-type="bibr" rid="B43">1996</xref>). No modelo original, 
					<xref ref-type="bibr" rid="B41">Laver e Shepsle (1990)</xref> argumentam que a divis&#xE3;o do trabalho num governo multipartid&#xE1;rio indica que o partido que controla determinado minist&#xE9;rio tem poder de agenda e controla as decis&#xF5;es relacionadas &#xE0;quela determinada 
					<italic>policy dimension</italic>. O argumento &#xE9; de uma simplicidade e simult&#xE2;nea intelig&#xEA;ncia: na aus&#xEA;ncia de controles externos atores racionais somente podem se comprometer a implementar as decis&#xF5;es que s&#xE3;o o 
					<italic>seu</italic> ponto ideal. Qualquer outro compromisso que busque implementar decis&#xF5;es que n&#xE3;o s&#xE3;o a sua prefer&#xEA;ncia s&#xE3;o promessas n&#xE3;o cr&#xED;veis ou, como dizem os autores, 
					<italic>cheap-talk</italic>.
				</p>
				<p>A l&#xF3;gica do modelo pode ser assim resumida: dois partidos, A e B, negociam a forma&#xE7;&#xE3;o de uma coaliz&#xE3;o. Reduzindo a negocia&#xE7;&#xE3;o a duas dimens&#xF5;es, afirma-se que cada partido possui prefer&#xEA;ncias formadas por cada dimens&#xE3;o e cada uma das dimens&#xF5;es &#xE9; controlada por um minist&#xE9;rio. Por exemplo, dimens&#xE3;o 
					<italic>x</italic> seria o minist&#xE9;rio da fazenda e dimens&#xE3;o 
					<italic>y</italic> o minist&#xE9;rio da sa&#xFA;de. Cada partido &#xE9; caracterizado por um ponto ideal em cada uma das dimens&#xF5;es, 
					<italic>x</italic>
					<sub>
						<italic>A</italic>
					</sub>
					<italic>y</italic>
					<sub>
						<italic>A</italic>
					</sub> para o partido A e 
					<italic>x</italic>
					<sub>
						<italic>B</italic>
					</sub>
					<italic>y</italic>
					<sub>
						<italic>B</italic>
					</sub> para o partido B, e prefere pol&#xED;ticas pr&#xF3;ximas a seu ponto ideal a pol&#xED;ticas mais distantes. O modelo da autonomia ministerial de 
					<xref ref-type="bibr" rid="B41">Laver e Shepsle (1990</xref>; 
					<xref ref-type="bibr" rid="B43">1996</xref>) prev&#xEA; que uma vez no governo o partido que controla o minist&#xE9;rio implementar&#xE1; seu ponto ideal. Dessa forma, a distribui&#xE7;&#xE3;o espec&#xED;fica dos minist&#xE9;rios afeta quais coaliz&#xF5;es s&#xE3;o &#x201C;vi&#xE1;veis&#x201D;. A regra majorit&#xE1;ria estabelece que uma nova coaliz&#xE3;o ser&#xE1; formada quando apresentar o apoio da maioria em detrimento do 
					<italic>status quo</italic>. As curvas de indiferen&#xE7;a dos partidos indicam todas as pol&#xED;ticas preferidas ao 
					<italic>SQ</italic> (
					<xref ref-type="bibr" rid="B41">Laver &#x26; Shepsle 1990</xref>; 
					<xref ref-type="bibr" rid="B43">1996</xref>; 
					<xref ref-type="bibr" rid="B47">Martin &#x26; Vanberg 2011</xref>) (
					<xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref>).
				</p>
				<fig id="f1">
					<label>Figura 1</label>
					<caption>
						<title>Equil&#xED;brio da Autonomia Ministerial</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="gf01.jpg"/>
					<attrib>Fonte: adaptado de 
						<xref ref-type="bibr" rid="B47">Martin e Vanberg (2011)</xref>.
					</attrib>
				</fig>
				<p>Como pode ser visto na 
					<xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref>, a op&#xE7;&#xE3;o que satisfaz o crit&#xE9;rio de alcan&#xE7;ar o apoio da maioria frente ao 
					<italic>status quo</italic> &#xE9; a coaliz&#xE3;o 
					<italic>x</italic>
					<sub>
						<italic>B</italic>
					</sub>
					<italic>y</italic>
					<sub>
						<italic>A</italic>
					</sub>
					<italic>,</italic> isto &#xE9;, o governo no qual o partido B controla o minist&#xE9;rio da fazenda e A controla o minist&#xE9;rio da sa&#xFA;de. Nota-se que a precisa distribui&#xE7;&#xE3;o dos minist&#xE9;rios &#xE9; fundamental, uma vez que a coaliz&#xE3;o 
					<italic>x</italic>
					<sub>
						<italic>A</italic>
					</sub>
					<italic>y</italic>
					<sub>
						<italic>B</italic>
					</sub>, mesmo contando com exatamente os mesmos participantes, n&#xE3;o &#xE9; vi&#xE1;vel j&#xE1; que n&#xE3;o est&#xE1; na intersec&#xE7;&#xE3;o entre os dois partidos.
				</p>
				<p>O que &#xE9; importante notar nesse modelo &#xE9; que ele endogeniza o processo de distribui&#xE7;&#xE3;o dos portf&#xF3;lios. Isto &#xE9;, a coaliz&#xE3;o &#xE9; formada com base na expectativa dos partidos sobre as pol&#xED;ticas que ser&#xE3;o implementadas uma vez formado o governo. Como os partidos somente podem se comprometer a implementar os seus pontos ideais, o acordo da coaliz&#xE3;o se auto refor&#xE7;a e &#xE9; compat&#xED;vel com os incentivos sobre os atores (
					<italic>idem</italic>).
				</p>
				<p>O modelo da autonomia ministerial ou 
					<italic>portfolio allocation</italic> de 
					<xref ref-type="bibr" rid="B41">Laver e Shepsle (1990</xref>; 
					<xref ref-type="bibr" rid="B43">1996</xref>) &#xE9; central na literatura e se tornou a refer&#xEA;ncia com a qual os demais modelos dialogam. Com base nesse modelo foi desenvolvida aplica&#xE7;&#xE3;o espec&#xED;fica na explica&#xE7;&#xE3;o da aloca&#xE7;&#xE3;o do or&#xE7;amento, constituindo um argumento central na economia pol&#xED;tica dos governos de coaliz&#xE3;o. De acordo com o argumento, cada ministro setorial usaria o seu poder de aloca&#xE7;&#xE3;o or&#xE7;ament&#xE1;ria no controle do minist&#xE9;rio para distribuir benef&#xED;cios para o seu eleitorado. Uma vez que cada ministro possui o mesmo controle sobre o or&#xE7;amento (n&#xE3;o interfer&#xEA;ncia m&#xFA;tua) e tem como objetivo o sucesso eleitoral, o resultado seria um problema de recursos comuns ou 
					<italic>common pool problem</italic>. Cada ministro busca manter os seus gastos e os benef&#xED;cios distribu&#xED;dos para o eleitorado, transferindo para os demais ministros a preocupa&#xE7;&#xE3;o de manter as contas do governo sob controle. Uma vez que todos os ministros realizam o mesmo c&#xE1;lculo racional, a tend&#xEA;ncia &#xE9; que governos de coaliz&#xE3;o levem a altos gastos p&#xFA;blicos e descontrole fiscal. Adicionalmente, quanto maior o n&#xFA;mero de partidos no governo, maior o d&#xE9;ficit (
					<xref ref-type="bibr" rid="B12">Bawn &#x26; Rosembluth 2006</xref>; 
					<xref ref-type="bibr" rid="B63">Persson, Holland &#x26; Tabellini 2007</xref>; Hallerberg &#x26; Von Hagen 1997).
				</p>
				<p>Mesmo se tratando de um modelo fundamental, o modelo do governo ministerial se concentra no aspecto delegativo dos governos de coaliz&#xE3;o, n&#xE3;o analisando os mecanismos de controle estabelecidos para reduzir as perdas de ag&#xEA;ncia nesse tipo espec&#xED;fico de governo no qual essas perdas s&#xE3;o exacerbadas.</p>
				<p>Como alternativas emp&#xED;ricas aos modelos da autonomia ministerial, 
					<xref ref-type="bibr" rid="B42">Laver e Shepsle (1994)</xref> propuseram um esquema no qual os governos de coaliz&#xE3;o poderiam ser classificados de acordo com o seu modelo de decis&#xE3;o. Segundo 
					<xref ref-type="bibr" rid="B42">Laver e Shepsle (1994)</xref>, h&#xE1; seis modelos poss&#xED;veis: o governo burocr&#xE1;tico, no qual a composi&#xE7;&#xE3;o da burocracia determina as pol&#xED;ticas adotadas; o governo legislativo, no qual todas as decis&#xF5;es sobre pol&#xED;ticas s&#xE3;o tomadas pela legislatura; o governo do primeiro-ministro, no qual as prefer&#xEA;ncias do primeiro ministro determinam as pol&#xED;ticas adotadas; o governo do partido, em que partidos bem organizados e disciplinados, ao controlar o governo, controlam as decis&#xF5;es pol&#xED;ticas tomadas; governo do gabinete, em que as decis&#xF5;es s&#xE3;o tomadas coletivamente; por &#xFA;ltimo, o governo ministerial, no qual as pol&#xED;ticas adotadas por cada minist&#xE9;rio refletem as prefer&#xEA;ncias do ministro que lidera o minist&#xE9;rio.
				</p>
				<p>Nota-se que no governo da burocracia a pol&#xED;tica em si n&#xE3;o &#xE9; relevante, uma vez que mudan&#xE7;as na composi&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica do governo n&#xE3;o alteram as decis&#xF5;es tomadas e que o modelo do governo legislativo desloca o foco para o Legislativo e torna nula a relev&#xE2;ncia do Executivo como inst&#xE2;ncia de tomada de decis&#xE3;o. Os demais modelos de fato indicam o Executivo como arena de barganha e decis&#xE3;o. A evid&#xEA;ncia emp&#xED;rica mobilizada a partir de estudos de caso traz elementos a favor da autonomia ministerial. Por&#xE9;m, levando-se em considera&#xE7;&#xE3;o a import&#xE2;ncia do gabinete como inst&#xE2;ncia de decis&#xE3;o coletiva, uma vez que o ministro individualmente n&#xE3;o pode ir de encontro ou desafiar as decis&#xF5;es do gabinete. Nesse sentido, h&#xE1; evid&#xEA;ncia emp&#xED;rica a favor do modelo de autonomia ministerial. Contudo, essa autonomia &#xE9; bem mais restrita do que inicialmente proposta no modelo inicial de 
					<xref ref-type="bibr" rid="B41">Laver e Shepsle (1990)</xref>. Concentrando-se principalmente no poder de agenda dos minist&#xE9;rios na sua &#xE1;rea de atua&#xE7;&#xE3;o, contudo, limitado pelo poder coletivo do gabinete.
				</p>
				<p>O modelo da autonomia ministerial se tornou dominante. Contudo, a discuss&#xE3;o sobre as condi&#xE7;&#xF5;es dessa autonomia e os mecanismos de formula&#xE7;&#xE3;o de uma agenda coletiva ou de controle m&#xFA;tuo entre os parceiros de coaliz&#xE3;o se tornou emergente. De acordo com Thies: 
					<disp-quote>
						<p>&#x201C;The ministerial government model represents a worst-case scenario in the face of interparty delegation problems, for two reasons. First, it is risky in the presence of 
							<italic>ex ante</italic> uncertainity about the full range of decisions that ministers will make during the life of the government. Second, it is subotimal, in that all coalition partners can benefit more from delegation if each party&#x27;s ministers can be reined in; they can implement a policy package that is Pareto superior to that implemented by ministerial government&#x201D; (
							<xref ref-type="bibr" rid="B73">Thies 2001</xref>, p.581).
						</p>
					</disp-quote>
				</p>
				<p>Segundo 
					<xref ref-type="bibr" rid="B47">Martin e Vanberg (2011)</xref>, o principal aspecto que diferencia o processo decis&#xF3;rio dos governos de coaliz&#xE3;o &#xE9; que os partidos governam juntos, mas disputam elei&#xE7;&#xF5;es separadamente. Nesse sentido, os partidos possuem incentivos para implementar seu ponto ideal. Por&#xE9;m, os demais partidos do governo s&#xE3;o responsabilizados pelas decis&#xF5;es tomadas por cada ministro individualmente em sua &#xE1;rea de atua&#xE7;&#xE3;o. Ou seja, as decis&#xF5;es seriam individuais e a responsabilidade coletiva. Com base nesse dilema dos governos de coaliz&#xE3;o, mesmo n&#xE3;o sendo poss&#xED;vel rejeitar a autonomia ministerial devido ao controle da agenda exercido pelos ministros, os partidos possuem incentivos para buscar o controle m&#xFA;tuo e assim gerar um equil&#xED;brio Pareto superior como apresentado na 
					<xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref>.
				</p>
				<fig id="f2">
					<label>Figura 2</label>
					<caption>
						<title>Policy Compromise como Solu&#xE7;&#xE3;o Pareto Superior no Governo de Coaliz&#xE3;o</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="gf02.jpg"/>
					<attrib>Fonte: adaptado de 
						<xref ref-type="bibr" rid="B47">Martin e Vanberg (2011)</xref>.
					</attrib>
				</fig>
				<p>Na 
					<xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref>, o X representa uma solu&#xE7;&#xE3;o na qual os partidos se comprometem a implementar pol&#xED;ticas que n&#xE3;o s&#xE3;o seu ponto ideal, mas que se tornam uma solu&#xE7;&#xE3;o na qual a coaliz&#xE3;o coletivamente seria beneficiada. De acordo com 
					<xref ref-type="bibr" rid="B47">Martin e Vanberg (2011)</xref>, o dilema dos governos de coaliz&#xE3;o &#xE9; justamente identificar formas de superar &#x201C;the inherent tension between their 
					<italic>collective</italic> interest in mutual accomodation and their 
					<italic>individual</italic> incentives to pursue their particular policy objectives&#x201D; (
					<italic>idem</italic>, p.4; grifos no original).
				</p>
				<p>Contudo, quais seriam as formas de estabelecer tais solu&#xE7;&#xF5;es de equil&#xED;brio? Isto &#xE9;, como &#xE9; poss&#xED;vel induzir decis&#xF5;es coletivas que n&#xE3;o s&#xE3;o os pontos ideais dos partidos que comp&#xF5;em o governo? De acordo com o argumento de 
					<xref ref-type="bibr" rid="B41">Laver e Shepsle (1990</xref>; 
					<xref ref-type="bibr" rid="B43">1996</xref>), a autonomia ministerial &#xE9; o resultado previsto, uma vez que n&#xE3;o necessita de mecanismos externos para ser refor&#xE7;ada. Assim, para argumentar a favor do equil&#xED;brio Pareto superior da acomoda&#xE7;&#xE3;o das prefer&#xEA;ncias dos parceiros da coaliz&#xE3;o, &#xE9; preciso identificar os mecanismos atrav&#xE9;s dos quais &#xE9; poss&#xED;vel o controle m&#xFA;tuo. Tal preocupa&#xE7;&#xE3;o com mecanismos capazes de minimizar os resultados negativos do c&#xE1;lculo racional individual tem por base a incorpora&#xE7;&#xE3;o do desenho das institui&#xE7;&#xF5;es como aspecto relevante na explica&#xE7;&#xE3;o do funcionamento dos governos de coaliz&#xE3;o.
				</p>
				<p>Strom, 
					<xref ref-type="bibr" rid="B60">Muller e Bergman (2000)</xref> prop&#xF5;em olhar para os 
					<italic>coalition agreements</italic>. Esses acordos, normalmente formulados pelos partidos no momento de forma&#xE7;&#xE3;o da coaliz&#xE3;o como um dos elementos da barganha, especificam pol&#xED;ticas a serem iniciadas, decis&#xF5;es a serem tomadas e implementadas pelo gabinete, tornando-se uma forma de restringir a autonomia ministerial e estabelecer resultados coletivamente positivos de forma 
					<italic>ex-ante</italic>. Esses acordos, que em grande parte das democracias parlamentaristas s&#xE3;o escritos e autoritativos, podem especificar um grande n&#xFA;mero de situa&#xE7;&#xF5;es engessando ou cristalizando um conjunto de decis&#xF5;es contra a autonomia dos agentes respons&#xE1;veis pela &#xE1;rea. A an&#xE1;lise dos acordos mostra que pol&#xED;ticas espec&#xED;ficas e regras de resolu&#xE7;&#xE3;o de conflitos, como atrav&#xE9;s de comiss&#xF5;es ou de 
					<italic>inner cabinets</italic>, s&#xE3;o os principais t&#xF3;picos, indicando a preocupa&#xE7;&#xE3;o dos atores com o controle dos ministros no processo decis&#xF3;rio.
				</p>
				<p>Um mecanismo de controle citado por Muller, Strom e Bergman (
					<italic>idem</italic>), mas desenvolvido na sua total extens&#xE3;o por 
					<xref ref-type="bibr" rid="B73">Thies (2001)</xref> &#xE9; o uso da indica&#xE7;&#xE3;o dos ministros-j&#xFA;nior como uma forma de manter os parceiros da coaliz&#xE3;o sob controle. De acordo com Thies (
					<italic>idem</italic>), a &#x201C;administra&#xE7;&#xE3;o&#x201D; da delega&#xE7;&#xE3;o aos ministros seria uma op&#xE7;&#xE3;o superior e viabilizada atrav&#xE9;s da indica&#xE7;&#xE3;o de ministros-j&#xFA;nior de outro partido que n&#xE3;o o do ministro, como um contraponto ao controle absoluto do chefe do minist&#xE9;rio e tamb&#xE9;m como uma fonte de informa&#xE7;&#xE3;o alternativa para os parceiros da coaliz&#xE3;o.
				</p>
				<p>A indica&#xE7;&#xE3;o de ministros-j&#xFA;nior de partidos que n&#xE3;o o do ministro reduz a vantagem informacional do ministro e desempenha assim duas tarefas: a de monitoramento das a&#xE7;&#xF5;es dos ministros e a de freio sobre a sua capacidade de implementar decis&#xF5;es. Dessa forma, o poder de agenda dos ministros frente ao gabinete &#xE9; diminu&#xED;do dando a este a capacidade de manter as decis&#xF5;es do governo sob controle. A indica&#xE7;&#xE3;o de ministros-j&#xFA;nior seria um mecanismo para alcan&#xE7;ar o resultado Pareto superior em termos de pol&#xED;ticas. O modelo de Thies (
					<italic>idem</italic>) prev&#xEA; que esse mecanismo ser&#xE1; utilizado quando: 1) os ministros n&#xE3;o forem &#x201C;constrangidos&#x201D; por outros mecanismos institucionais como por exemplo um primeiro ministro forte e com grande assessoramento organizacional direto; 2) quando o portf&#xF3;lio for de maior sali&#xEA;ncia; 3) quanto maior for a incerteza. Essas condi&#xE7;&#xF5;es implicam que a indica&#xE7;&#xE3;o de ministros-j&#xFA;nior apresenta custos e deve ser usada estrategicamente.
				</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B19">Carroll e Cox (2012)</xref> analisam como os presidentes das comiss&#xF5;es no parlamento podem se tornar &#x201C;sombras&#x201D; (
					<italic>shadow minister</italic>) dos ministros e assim monitorar as decis&#xF5;es tomadas por cada minist&#xE9;rio no gabinete e por conseguinte trazer as decis&#xF5;es do governo para mais pr&#xF3;ximo das prefer&#xEA;ncias da coaliz&#xE3;o como um todo e n&#xE3;o s&#xF3; do ministro espec&#xED;fico. Para tal mecanismo ser utilizado para o monitoramento &#xE9; preciso existir correspond&#xEA;ncia entre os minist&#xE9;rios e as comiss&#xF5;es. Dito isso, os autores argumentam que os ministros ser&#xE3;o monitorados pelos presidentes das comiss&#xF5;es no Legislativo quando (i) o ministro apresentar fortes desacordos com os outros partidos da coaliz&#xE3;o quanto &#xE0;s pol&#xED;ticas que devem ser adotadas e (ii) quando o presidente da comiss&#xE3;o &#xE9; forte.
				</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B46">Martin e Vanberg (2004</xref>; 
					<xref ref-type="bibr" rid="B47">2011</xref>) aprontam o papel do parlamento nas democracias parlamentaristas como uma arena decis&#xF3;ria alternativa, na qual os conflitos n&#xE3;o resolvidos ou a assimetria informacional entre os parceiros da coaliz&#xE3;o tem uma nova oportunidade de discuss&#xE3;o e revis&#xE3;o dos acordos. De acordo com os autores, os parceiros da coaliz&#xE3;o est&#xE3;o envolvidos num jogo de sinaliza&#xE7;&#xE3;o envolvendo seus eleitores. Dessa forma, o ministro, ao controlar uma determinada pasta, buscar&#xE1; usar a sua posi&#xE7;&#xE3;o privilegiada para sinalizar a&#xE7;&#xF5;es para o seu eleitorado. Assim, o equil&#xED;brio da coaliz&#xE3;o est&#xE1; sob constante amea&#xE7;a uma vez que as pol&#xED;ticas implementadas por um minist&#xE9;rio como uma forma de satisfazer o seu eleitorado podem ferir o eleitorado de um parceiro da coaliz&#xE3;o.
				</p>
				<p>Como uma forma de reduzir os riscos da delega&#xE7;&#xE3;o, os membros da coaliz&#xE3;o podem remeter ao Legislativo como institui&#xE7;&#xE3;o de escrut&#xED;nio e mudan&#xE7;a das iniciativas legislativas do gabinete. Nesse sentido, as bancadas dos partidos e membros da coaliz&#xE3;o podem observar as decis&#xF5;es de minist&#xE9;rios controlados por outros partidos, utilizando a prerrogativa de modificar os projetos recebidos do gabinete e, assim, manter as decis&#xF5;es do governo mais pr&#xF3;ximas das prefer&#xEA;ncias da coaliz&#xE3;o como um todo e n&#xE3;o s&#xF3; do partido que controla o minist&#xE9;rio espec&#xED;fico (
					<xref ref-type="bibr" rid="B46">Martin &#x26; Vanberg 2004</xref>; 
					<xref ref-type="bibr" rid="B47">2011</xref>).
				</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B48">Martin e Vanberg (2013)</xref> utilizam o mesmo argumento do constrangimento institucional sobre o c&#xE1;lculo racional individual para explicar como os governos de coaliz&#xE3;o podem restringir o impulso &#x201C;gastador&#x201D; de seus ministros e manter as contas do governo sob controle. Segundo os autores, o 
					<italic>common pool problem</italic> somente se imp&#xF5;e quando regras e procedimentos n&#xE3;o regulam o comportamento dos ministros. Uma vez que regras de decis&#xE3;o coletiva ou mecanismos de escrut&#xED;nio s&#xE3;o impostos, os incentivos para o aumento dos gastos p&#xFA;blicos s&#xE3;o mitigados.
				</p>
				<p>Enquanto os modelos de forma&#xE7;&#xE3;o se preocupam com quem integra o governo, as an&#xE1;lises sobre a governan&#xE7;a da coaliz&#xE3;o se preocupam com o exerc&#xED;cio do governo ou como as decis&#xF5;es de fato s&#xE3;o tomadas uma vez formada a coaliz&#xE3;o. Da literatura sobre forma&#xE7;&#xE3;o entendemos que o tamanho importa e que a proporcionalidade &#xE9; a regra. Contudo, a ideologia e as institui&#xE7;&#xF5;es tamb&#xE9;m s&#xE3;o relevantes para explicar quem ganha o qu&#xEA;, quando e por que no jogo da coaliz&#xE3;o. Das an&#xE1;lises sobre governan&#xE7;a podemos identificar que o governo ministerial &#xE9; esperado na aus&#xEA;ncia de mecanismos de controle m&#xFA;tuo. Para alcan&#xE7;ar o equil&#xED;brio Pareto superior &#xE9; preciso formular regras e procedimentos que mantenham os parceiros da coaliz&#xE3;o sob controle.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec>
			<title>IV. Entre o Executivo unipartid&#xE1;rio americano e a coaliz&#xE3;o multipartid&#xE1;ria europeia: como explicar o Executivo no presidencialismo de coaliz&#xE3;o?</title>
			<p>Para al&#xE9;m da cl&#xE1;ssica dicotomia entre presidencialismo e parlamentarismo, o presidencialismo de coaliz&#xE3;o se apresenta como uma variante institucional que combina a estrutura hier&#xE1;rquica centrada no presidente com a forma&#xE7;&#xE3;o de coaliz&#xF5;es multipartid&#xE1;rias. Como ent&#xE3;o explicar o Poder Executivo nesse sistema? Como os argumentos desenhados para explicar o Poder Executivo no presidencialismo americano e os governos de coaliz&#xE3;o do parlamentarismo europeu podem contribuir para o seu entendimento? E ainda, quais fatores impedem a apropria&#xE7;&#xE3;o direta dessas abordagens? Aqui s&#xE3;o apresentados os argumentos formulados para explicar o presidencialismo de coaliz&#xE3;o, enfatizando a import&#xE2;ncia de aproveitar as contribui&#xE7;&#xF5;es dos dois lados do Atl&#xE2;ntico.</p>
			<p>Explicar o funcionamento do Executivo nos sistemas presidencialistas de coaliz&#xE3;o se mostra uma tarefa desafiadora. Apesar de n&#xE3;o ser um fen&#xF4;meno restrito ao Brasil, j&#xE1; que podemos observar a conjun&#xE7;&#xE3;o entra a forma de governo presidencialista e a forma&#xE7;&#xE3;o de coaliz&#xF5;es em pa&#xED;ses da Am&#xE9;rica Latina como Chile e Uruguai e tamb&#xE9;m em outros continentes como na &#xC1;frica, grande parte dos modelos te&#xF3;ricos s&#xE3;o formulados para explicar ou o funcionamento do Executivo unipartid&#xE1;rio americano ou os governos de coaliz&#xE3;o nas democracias parlamentaristas europeias (
				<xref ref-type="bibr" rid="B53">Melo &#x26; Pereira 2013</xref>).
			</p>
			<p>Nas an&#xE1;lises do sistema pol&#xED;tico americano, mesmo considerando os custos associados &#xE0; delega&#xE7;&#xE3;o do presidente para os seus ministros, esses custos s&#xE3;o de outra ordem quando consideramos que no presidencialismo de coaliz&#xE3;o a tomada de decis&#xE3;o envolve v&#xE1;rios partidos com objetivos eleitorais diferentes.</p>
			<p>No caso das an&#xE1;lises do funcionamento dos governos de coaliz&#xE3;o em sistemas parlamentaristas, a pr&#xF3;pria no&#xE7;&#xE3;o de &#x201C;forma&#xE7;&#xE3;o&#x201D; de um governo de coaliz&#xE3;o no presidencialismo n&#xE3;o pode ser diretamente aplicada, uma vez que o chefe do Executivo &#xE9; eleito diretamente e o governo ser&#xE1; estabelecido formada a coaliz&#xE3;o ou n&#xE3;o. Da mesma forma, n&#xE3;o podemos falar em dissolu&#xE7;&#xE3;o do gabinete ou da legislatura em situa&#xE7;&#xF5;es de conflito, o que afeta diretamente os objetivos e o poder de barganha dos atores no presidencialismo.</p>
			<p>Nesse sentido, trabalhos sobre o presidencialismo americano e os governos de coaliz&#xE3;o no parlamentarismo trazem grandes contribui&#xE7;&#xF5;es e 
				<italic>insights</italic> importantes para pensar o presidencialismo de coaliz&#xE3;o. Por&#xE9;m, as diferen&#xE7;as institucionais devem sempre ser consideradas no uso dos conceitos e dos indicadores de ambas literaturas. Feita esta ressalva, como os trabalhos espec&#xED;ficos sobre o presidencialismo de coaliz&#xE3;o v&#xEA;m incorporando essas discuss&#xF5;es sobre o funcionamento do Executivo? Esse sistema est&#xE1; associado a pa&#xED;ses com desenvolvimento da Ci&#xEA;ncia Pol&#xED;tica emp&#xED;rica bastante recente, de forma que trabalhos sobre o funcionamento do Executivo s&#xE3;o ainda incipientes. Contudo, o ac&#xFA;mulo te&#xF3;rico j&#xE1; come&#xE7;a a ser observado. Podemos aqui dividir os trabalhos que vem analisado o Poder Executivo como arena de interesse em dois conjuntos principais: primeiro, os estudos sobre a composi&#xE7;&#xE3;o do governo, e aqui est&#xE3;o inclu&#xED;dos os trabalhos sobre a forma&#xE7;&#xE3;o de governos de coaliz&#xE3;o, a coalesc&#xEA;ncia dos governos formados e tamb&#xE9;m as indica&#xE7;&#xF5;es pol&#xED;ticas tanto para cargos ministeriais como para a burocracia mais ampla. Segundo, os estudos sobre a organiza&#xE7;&#xE3;o do Executivo, que vem apresentando foco principal no papel da presid&#xEA;ncia, seja como vari&#xE1;vel dependente ou como vari&#xE1;vel independente.
			</p>
			<sec>
				<title>IV.1. An&#xE1;lises sobre composi&#xE7;&#xE3;o</title>
				<p>At&#xE9; recentemente, ainda que de forma impl&#xED;cita, grande parte dos trabalhos que se referiam ao Poder Executivo no Brasil focavam exclusivamente a figura do presidente: a ideologia do presidente, a agenda do presidente ou os poderes do presidente. Contudo, uma agenda vem se formando no sentido de ir al&#xE9;m dessa vis&#xE3;o do Executivo como ator unit&#xE1;rio focado no presidente, olhando para esse poder como arena decis&#xF3;ria na qual a composi&#xE7;&#xE3;o e estrutura organizacional importam.</p>
				<p>O trabalho fundamental sobre o Executivo nas am&#xE9;ricas &#xE9; o de 
					<xref ref-type="bibr" rid="B3">Amorim Neto (2006a)</xref> sobre a composi&#xE7;&#xE3;o dos governos e sua rela&#xE7;&#xE3;o com a estrat&#xE9;gia do presidente ou o &#x201C;c&#xE1;lculo presidencial&#x201D;. De acordo com a essa contribui&#xE7;&#xE3;o fundamental, o presidente, no in&#xED;cio do seu mandato, tem uma escolha a fazer quanto ao tipo de governo que formar&#xE1;. Essa escolha est&#xE1; condicionada ao tipo de agenda legislativa que o presidente decide implementar: uma agenda legislativa a ser passada pelo Congresso, isto &#xE9;, composta de projetos de lei e de emendas constitucionais requer um governo de gabinete majorit&#xE1;rio, de alta partidariza&#xE7;&#xE3;o e alta coalesc&#xEA;ncia. Quando a op&#xE7;&#xE3;o &#xE9; pelo governo unilateral, no caso do Brasil por meio do uso de medidas provis&#xF3;rias, o tipo de governo &#xE9; o gabinete minorit&#xE1;rio, de baixa partidariza&#xE7;&#xE3;o e coalesc&#xEA;ncia.
				</p>
				<p>A an&#xE1;lise se d&#xE1; com base no c&#xE1;lculo presidencial: qual o custo e o benef&#xED;cio associados a cada curso de a&#xE7;&#xE3;o. Um governo majorit&#xE1;rio, composto de apoio majorit&#xE1;rio, com ministros vinculados a partidos pol&#xED;ticos e n&#xE3;o ministros t&#xE9;cnicos de confian&#xE7;a do presidente e a alta coalesc&#xEA;ncia que significa a proporcionalidade da representa&#xE7;&#xE3;o do partido no gabinete ao seu tamanho no Congresso incentiva a rela&#xE7;&#xE3;o pr&#xF3;xima entre Executivo e Legislativo e o apoio dos partidos que comp&#xF5;em o governo &#xE0; agenda legislativa do presidente. Ao contr&#xE1;rio, o governo minorit&#xE1;rio, com baixa partidariza&#xE7;&#xE3;o e baixa coalesc&#xEA;ncia est&#xE1; associado ao maior isolamento e a&#xE7;&#xE3;o unilateral do presidente em rela&#xE7;&#xE3;o ao Legislativo.</p>
				<p>A abordagem proposta por Amorim Neto (
					<italic>idem</italic>) trouxe para o estudo do presidencialismo de coaliz&#xE3;o argumentos desenvolvidos para explicar a composi&#xE7;&#xE3;o do governo em sistemas parlamentaristas, notadamente a aplica&#xE7;&#xE3;o da Lei de Gamson quanto &#xE0; proporcionalidade da distribui&#xE7;&#xE3;o de portf&#xF3;lios. O autor descobre que a proporcionalidade nos sistemas presidencialistas varia expressivamente, de acordo com o c&#xE1;lculo presidencial. Contudo, essa proporcionalidade n&#xE3;o chega aos expressivos valores observados nas democracias parlamentaristas. Provavelmente devido ao fato de o presidencialismo infringir uma das condi&#xE7;&#xF5;es da Lei de Gamson, a exist&#xEA;ncia de um ator que deve ser inclu&#xED;do em toda e qualquer coaliz&#xE3;o formada: o partido do presidente. Nesse sentido, de acordo com a Lei de Gamson, &#xE9; esperado que o partido do presidente reivindique parcela do governo maior que a sua contribui&#xE7;&#xE3;o em termos de cadeiras no Legislativo.
				</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B17">Carroll (2007)</xref>, num dos poucos trabalhos a integrar sistemas presidencialistas e parlamentaristas num modelo de distribui&#xE7;&#xE3;o de portf&#xF3;lios, aponta para um aspecto de extrema import&#xE2;ncia no presidencialismo: o impacto dos acordos pr&#xE9;-eleitorais sobre a forma&#xE7;&#xE3;o da coaliz&#xE3;o e distribui&#xE7;&#xE3;o de minist&#xE9;rios entre os parceiros. De acordo com o autor: 
					<disp-quote>
						<p>&#x201C;Pre-election alliances have become governments in many competitive regimes with presidential cabinet influence, particularly in Brazil, Chile, and Uruguay. Presidential alliances (&#x2026;) revolve around competition for the slate of portfolios and involve electoral cooperation, a common label (the presidential candidate), and agreements to divide the spoils of government&#x201D; (
							<italic>idem</italic>, p.46).
						</p>
					</disp-quote>
				</p>
				<p>Um elemento acerca da distribui&#xE7;&#xE3;o de portf&#xF3;lios ainda n&#xE3;o explorado para o caso do presidencialismo de coaliz&#xE3;o &#xE9; a dimens&#xE3;o qualitativa da distribui&#xE7;&#xE3;o precisa dos portf&#xF3;lios, ou qual partido controla qual minist&#xE9;rio e por qu&#xEA;. A aus&#xEA;ncia &#xE9; tanto te&#xF3;rica, no sentido de desenvolvimento de argumentos sobre a precisa distribui&#xE7;&#xE3;o de pastas, quanto emp&#xED;rica, no sentido de propostas de mensura&#xE7;&#xE3;o da sali&#xEA;ncia dos minist&#xE9;rios.</p>
				<p>A partir da identifica&#xE7;&#xE3;o da possibilidade de governos de coaliz&#xE3;o no presidencialismo (
					<xref ref-type="bibr" rid="B20">Cheibub 2007</xref>) e tamb&#xE9;m o c&#xE1;lculo presidencial que orienta a sua composi&#xE7;&#xE3;o (
					<xref ref-type="bibr" rid="B3">Amorim Neto 2006a</xref>), estudos come&#xE7;aram a se desenvolver em outras frentes. Uma dessas &#xE9; a an&#xE1;lise da forma&#xE7;&#xE3;o de governos de coaliz&#xE3;o inspirados pelos estudos cl&#xE1;ssicos de forma&#xE7;&#xE3;o apresentados anteriormente. Pouco foi feito ainda no sentido de explicar o est&#xE1;gio anterior da distribui&#xE7;&#xE3;o de minist&#xE9;rios, identificando quais partidos integrar&#xE3;o a coaliz&#xE3;o e por qu&#xEA;. Uma contribui&#xE7;&#xE3;o &#xE9; a de 
					<xref ref-type="bibr" rid="B2">Alem&#xE1;n e Tsebelis (2011)</xref>, que analisam o processo de forma&#xE7;&#xE3;o de coaliz&#xF5;es nos sistemas presidencialistas. Os autores identificam que o presidente tende a incluir partidos ideologicamente pr&#xF3;ximos na coaliz&#xE3;o. O argumento explora tamb&#xE9;m o impacto das institui&#xE7;&#xF5;es, identificando o impacto da balan&#xE7;a de poder entre Executivo e Legislativo sobre a forma&#xE7;&#xE3;o e composi&#xE7;&#xE3;o da coaliz&#xE3;o.
				</p>
				<p>Explorando o tema da indica&#xE7;&#xE3;o dos ministros e suas caracter&#xED;sticas, 
					<xref ref-type="bibr" rid="B33">In&#xE1;cio (2013)</xref> analisa os determinantes da indica&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticos experientes ou pol&#xED;ticos novatos/tecnocratas para posi&#xE7;&#xF5;es nos minist&#xE9;rios no Brasil. O argumento tem por base uma estrat&#xE9;gia de reten&#xE7;&#xE3;o e proje&#xE7;&#xE3;o de quadros do partido atrav&#xE9;s de um cargo nacional. Os resultados indicam que a trajet&#xF3;ria partid&#xE1;ria &#xE9; fundamental para explicar a sele&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticos pelo partido para ocupar cargos no gabinete. A partir de tema similar, a indica&#xE7;&#xE3;o para cargos nos minist&#xE9;rios, 
					<xref ref-type="bibr" rid="B21">D&#xE1;vila, Lavados e Avend&#xF1;o (2013)</xref> analisam a rela&#xE7;&#xE3;o entre 
					<italic>expertise</italic> e ocupa&#xE7;&#xE3;o de minist&#xE9;rios em &#xE1;reas espec&#xED;ficas no Chile. Como resultado os autores apontam a correla&#xE7;&#xE3;o entre forma&#xE7;&#xE3;o acad&#xEA;mica e a ocupa&#xE7;&#xE3;o de minist&#xE9;rios na &#xE1;rea econ&#xF4;mica.
				</p>
				<p>Deslocando o foco para a politiza&#xE7;&#xE3;o da burocracia no presidencialismo de coaliz&#xE3;o, 
					<xref ref-type="bibr" rid="B64">Pra&#xE7;a, Freitas e Hoepers (2011)</xref> analisam a indica&#xE7;&#xE3;o de filiados pol&#xED;ticos para os cargos de confian&#xE7;a na burocracia do Executivo brasileiro. O argumento &#xE9; que a indica&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica para cargos de confian&#xE7;a seria um tipo de recurso &#xE0; disposi&#xE7;&#xE3;o do presidente para administrar a coaliz&#xE3;o, para al&#xE9;m de emendas or&#xE7;ament&#xE1;rias e a distribui&#xE7;&#xE3;o de minist&#xE9;rios. Os autores identificam que o uso de indica&#xE7;&#xF5;es pol&#xED;ticas varia expressivamente de acordo com o minist&#xE9;rio e que n&#xE3;o h&#xE1; proporcionalidade partid&#xE1;ria na distribui&#xE7;&#xE3;o desses cargos. Aqui o argumento desenvolvido se assemelha ao proposto por 
					<xref ref-type="bibr" rid="B45">Lewis (2009)</xref>, das indica&#xE7;&#xF5;es pol&#xED;ticas como instrumento de patronagem e n&#xE3;o de controle pol&#xED;tico.
				</p>
				<p>Para al&#xE9;m da composi&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica do governo e da distribui&#xE7;&#xE3;o de cargos nos minist&#xE9;rios, um tema que vem chamado a aten&#xE7;&#xE3;o dos pesquisadores sobre o presidencialismo de coaliz&#xE3;o s&#xE3;o os desafios do processo decis&#xF3;rio num sistema composto pela hierarquia presidencial, mas que conta com m&#xFA;ltiplos partidos com diferentes prefer&#xEA;ncias e objetivos eleitorais na sua estrutura. A pr&#xF3;xima subse&#xE7;&#xE3;o analisa as principais contribui&#xE7;&#xF5;es nesse tema.</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>IV.2. An&#xE1;lises sobre organiza&#xE7;&#xE3;o</title>
				<p>As an&#xE1;lises sobre organiza&#xE7;&#xE3;o ou processo decis&#xF3;rio do Executivo no presidencialismo de coaliz&#xE3;o vem majoritariamente focando o papel da presid&#xEA;ncia &#x201C;by resorting to what constitutes the undisputed benchmark for such a feat: the literature on the US presidency&#x201D; (
					<xref ref-type="bibr" rid="B14">Bonvecchi &#x26; Scartascini 2011</xref>, p.4). As an&#xE1;lises sobre a presid&#xEA;ncia representam a primeira experi&#xEA;ncia no sentido de ac&#xFA;mulo te&#xF3;rico sobre a din&#xE2;mica interna do Executivo, olhando para al&#xE9;m da figura do presidente. Aqui tem-se a preocupa&#xE7;&#xE3;o com como as decis&#xF5;es s&#xE3;o tomadas e como o governo de fato governa. Como mencionado, a influ&#xEA;ncia maior &#xE9; a literatura sobre a presid&#xEA;ncia institucional, com excepcional refer&#xEA;ncia ao trabalho de 
					<xref ref-type="bibr" rid="B56">Moe (1985)</xref> sobre a presid&#xEA;ncia politizada. Com poucas exce&#xE7;&#xF5;es, os termos do debate se referem as categorias propostas por Moe, principalmente a centraliza&#xE7;&#xE3;o das decis&#xF5;es na presid&#xEA;ncia.
				</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B13">Bonvecchi (2014)</xref> prop&#xF5;e a interessante classifica&#xE7;&#xE3;o sobre os estudos sobre a presid&#xEA;ncia entre aqueles que analisam a presid&#xEA;ncia como vari&#xE1;vel dependente, isto &#xE9;, que buscam explicar as caracter&#xED;sticas da presid&#xEA;ncia em diferentes contextos, e aqueles que buscam analisar o impacto da presid&#xEA;ncia sobre o processo decis&#xF3;rio, como por exemplo a rela&#xE7;&#xE3;o entre o presidente e os seus ministros. Essa classifica&#xE7;&#xE3;o ser&#xE1; aqui utilizada para analisar os trabalhos sobre a organiza&#xE7;&#xE3;o do Executivo no presidencialismo de coaliz&#xE3;o.
				</p>
				<p>Sobre os estudos focados na presid&#xEA;ncia Bonvecchi argumenta: 
					<disp-quote>
						<p>&#x201C;La investigaci&#xF3;n sobre el centro presidencial en Am&#xE9;rica Latina se encuentra todav&#xED;a en su infancia. El conjunto de trabajos sobre el tema es a&#xFA;n peque&#xF1;o y limitado en sus alcances: trata apenas sobre um pu&#xF1;ado de pa&#xED;ses y se ocupa de per&#xED;odos hist&#xF3;ricos relativamente cortos y recientes. Sin embargo, las perguntas planteadas, las teor&#xED;as que las sustentan y las metodolog&#xED;as empleadas colocan a este incipiente campo de estudio en condiciones de producir investigaciones consistentes y de amplia base comparativa, que contribuyen significativamente a la expansi&#xF3;n del conocimento sobre la coordinaci&#xF3;n del Poder Ejecutivo&#x201D; (
							<italic>idem</italic>, p.14).
						</p>
					</disp-quote>
				</p>
				<p>Sobre a perspectiva da presid&#xEA;ncia como vari&#xE1;vel dependente, o objetivo &#xE9; descrever e explicar a composi&#xE7;&#xE3;o, fun&#xE7;&#xF5;es e evolu&#xE7;&#xE3;o dos &#xF3;rg&#xE3;os de assessoramento direto do presidente. A ideia &#xE9; que essas caracter&#xED;sticas variam de acordo com as prefer&#xEA;ncias do presidente e o contexto pol&#xED;tico no qual os atores interagem. Nesse sentido, o Executivo &#xE9; visto como uma arena decis&#xF3;ria complexa e com uma l&#xF3;gica pr&#xF3;pria, como muitos anos antes o Legislativo passou a ser visto.</p>
				<p>Nessa perspectiva, o trabalho de 
					<xref ref-type="bibr" rid="B32">In&#xE1;cio (2006)</xref> foi pioneiro ao apontar as especificidades do presidencialismo de coaliz&#xE3;o. A ideia desenvolvida &#xE9; que a institucionaliza&#xE7;&#xE3;o da presid&#xEA;ncia pode ser considerada uma estrat&#xE9;gia do presidente para lidar com os custos de transa&#xE7;&#xE3;o de um governo multipartid&#xE1;rio. O argumento central &#xE9; que o aumento dos quadros de apoio direto ao presidente e a diferencia&#xE7;&#xE3;o dos &#xF3;rg&#xE3;os, constituindo a institucionaliza&#xE7;&#xE3;o da presid&#xEA;ncia, &#xE9; fun&#xE7;&#xE3;o direta do aumento da complexidade dos governos de coaliz&#xE3;o. Para fazer frente aos desafios de coordena&#xE7;&#xE3;o com coaliz&#xF5;es cada vez mais complexas, o presidente transforma a estrutura da presid&#xEA;ncia para constituir uma fonte de informa&#xE7;&#xF5;es confi&#xE1;vel frente aos dilemas da delega&#xE7;&#xE3;o.
				</p>
				<p>Em sua an&#xE1;lise sobre o M&#xE9;xico, 
					<xref ref-type="bibr" rid="B54">M&#xE9;ndez (2007)</xref> desenvolve um argumento que pode ser um interessante complemento ao argumento do desenvolvimento da presid&#xEA;ncia no presidencialismo de coaliz&#xE3;o com base na complexidade da barganha entre os atores num governo multipartid&#xE1;rio. Segundo o autor, a presid&#xEA;ncia no M&#xE9;xico n&#xE3;o sofreu expressivo desenvolvimento devido a reduzida complexidade e ao baixo custo de coordena&#xE7;&#xE3;o no governo. Em suas palavras: 
					<disp-quote>
						<p>&#x201C;[&#x2026;] los presidentes mexicanos han visualizado como mucho m&#xE1;s &#x2018;cercanas&#x2019; y &#x2018;dependientes&#x2019; a las secretarias de Estado y a sus funcionarios altos e intermedios (analistas, directores de &#xE1;rea, etc.). El que &#xE9;stos tuvieran nombramientos &#x2018;de confianza&#x2019; y estuvieran m&#xE1;s accesibles ha evitado que el presidente se vea en la necessidad de tener en las oficinas de la residencia presidencial um grupo m&#xE1;s grande de analistas y directores para el impulso y coordinaci&#xF3;n de las pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas&#x201D; (
							<italic>idem</italic>, p.855).
						</p>
					</disp-quote>
				</p>
				<p>Este &#xE9; um ponto interessante que mostra a varia&#xE7;&#xE3;o no tamanho e na diferencia&#xE7;&#xE3;o da presid&#xEA;ncia em fun&#xE7;&#xE3;o da complexidade do contexto de decis&#xE3;o. Ainda segundo o autor, uma vez que a tomada de decis&#xE3;o se tornou mais complexa com a inclus&#xE3;o de mais interesses, a presid&#xEA;ncia come&#xE7;ou a se ampliar. Sobre o caso do Uruguai, 
					<xref ref-type="bibr" rid="B37">Lanzaro (2013)</xref> aborda o tema pouco explorado nessa literatura, que &#xE9; o estilo presidencial. Enquanto um estilo &#x201C;hier&#xE1;rquico&#x201D; incentiva o fortalecimento da presid&#xEA;ncia, o estilo &#x201C;arbitral&#x201D; aumenta a tomada de decis&#xE3;o horizontal e o compartilhamento de poder com ministros centrais e tamb&#xE9;m com o conselho de ministros.
				</p>
				<p>Com o objetivo de tornar a discuss&#xE3;o sobre a presid&#xEA;ncia mais clara e sistem&#xE1;tica, 
					<xref ref-type="bibr" rid="B16">Carmelo e Coutinho (2014)</xref> prop&#xF5;em uma interessante tipologia de arenas decis&#xF3;rias do Poder Executivo. Segundo os autores, o Executivo &#xE9; formado da arena presidencial, composta das unidades internas da presid&#xEA;ncia; a arena governamental, composta das unidades internas do gabinete e inst&#xE2;ncias interministeriais; e a arena setorial, composta das unidades internas dos minist&#xE9;rios. Essa tipologia &#xE9; importante para estudos comparativos no sentido de diferenciar as arenas do Executivo e identificar quais fatores explicam a varia&#xE7;&#xE3;o em quais tipos de arena executiva.
				</p>
				<p>Deslocando o foco da assist&#xEA;ncia direta formal, 
					<xref ref-type="bibr" rid="B70">Siavelis (2010)</xref> analisa as estruturas informais. Nas palavras do autor, &#x201C;presidents often build or rely upon informal networks of supporters and advisors that help them structure relations with congress, protect their image, and navigate difficult political waters by providing presidents avenues of influence and power that are informal in nature&#x201D; (
					<italic>idem</italic>, p.3). O argumento desenvolvido &#xE9; que a estrutura das organiza&#xE7;&#xF5;es informais do Executivo ajuda a explicar quando a distribui&#xE7;&#xE3;o formal de minist&#xE9;rios alcan&#xE7;ar&#xE1; o objetivo de estabelecer um consenso multipartid&#xE1;rio no processo decis&#xF3;rio. Isto &#xE9;, para al&#xE9;m da distribui&#xE7;&#xE3;o formal dos minist&#xE9;rios, &#xE9; preciso identificar quem de fato tem o poder de decidir: os ministros ou a assist&#xEA;ncia direta ao presidente. Para tanto, &#xE9; preciso olhar tamb&#xE9;m para as estruturas informais do Executivo e seu processo decis&#xF3;rio.
				</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B38">Lameir&#xE3;o (2011)</xref> faz uma densa apresenta&#xE7;&#xE3;o da evolu&#xE7;&#xE3;o do papel da Casa Civil na presid&#xEA;ncia brasileira. 
					<xref ref-type="bibr" rid="B74">Vieira (2014)</xref> analisa, com base no caso brasileiro, como o conflito entre os atores intra-executivo afeta a cria&#xE7;&#xE3;o de estruturas centralizadas na presid&#xEA;ncia, em oposi&#xE7;&#xE3;o a delega&#xE7;&#xE3;o para os minist&#xE9;rios. Numa primeira contribui&#xE7;&#xE3;o no sentido de pol&#xED;tica comparada para o estudo da presid&#xEA;ncia, 
					<xref ref-type="bibr" rid="B34">In&#xE1;cio e Llanos (2014)</xref> testam o argumento inicialmente proposto por 
					<xref ref-type="bibr" rid="B32">In&#xE1;cio (2006)</xref>, para o Brasil, de que governos de coaliz&#xE3;o aumentam a complexidade das barganhas e os custos de transa&#xE7;&#xE3;o no processo decis&#xF3;rio, influenciando o aumento e diferencia&#xE7;&#xE3;o das estruturas da presid&#xEA;ncia. As autoras encontram precisamente que quanto maior o n&#xFA;mero de partidos na coaliz&#xE3;o, maior ser&#xE1; a institucionaliza&#xE7;&#xE3;o da presid&#xEA;ncia devido aos custos de governo.
				</p>
				<p>Para al&#xE9;m dessas an&#xE1;lises que t&#xEA;m como objetivo explicar a estrutura e composi&#xE7;&#xE3;o da presid&#xEA;ncia, isto &#xE9;, an&#xE1;lises que focam a presid&#xEA;ncia como vari&#xE1;vel dependente, h&#xE1; tamb&#xE9;m o enfoque na presid&#xEA;ncia como fator explicativo do comportamento dos atores, isto &#xE9;, como vari&#xE1;vel independente. Essas abordagens preocupam-se mais com o processo decis&#xF3;rio de fato e principalmente como o presidente se relaciona com os seus ministros.</p>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B50">Martinez-Gallardo (2010)</xref> &#xE9; uma das primeiras a chamar a aten&#xE7;&#xE3;o para o papel desempenhado pelos ministros no processo decis&#xF3;rio do Poder Executivo. Segundo a autora, &#x201C;the vast authority that is delegated to cabinet ministers in Latin American presidential countries stands in sharp contrast with the lack of academic work on cabinet politics and its influence on policymaking&#x201D; (
					<italic>idem</italic>, p.119). O argumento &#xE9; que, apesar de no presidencialismo os ministros apresentarem poderes formais limitados, constituindo-se basicamente em conselheiros do presidente, no processo decis&#xF3;rio desempenham papel fundamental por tr&#xEA;s raz&#xF5;es: 1) tem o poder de agenda e 
					<italic>expertise</italic> para iniciar legisla&#xE7;&#xE3;o de origem executiva; 2) s&#xE3;o respons&#xE1;veis pelo acompanhamento da tramita&#xE7;&#xE3;o dos projetos de iniciativa do Executivo no Legislativo; 3) s&#xE3;o o ator central na implementa&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas.
				</p>
				<p>Avan&#xE7;ando na discuss&#xE3;o sobre o papel dos ministros no processo decis&#xF3;rio do Executivo, 
					<xref ref-type="bibr" rid="B65">Renn&#xF3; e Gaylord (2012)</xref> analisam o Brasil e exploram a autoria das iniciativas legislativas do Executivo, buscando identificar padr&#xF5;es de concentra&#xE7;&#xE3;o e compartilhamento da agenda legislativa com os partidos da coaliz&#xE3;o. Sob quais condi&#xE7;&#xF5;es o presidente compartilha a agenda legislativa com os partidos da coaliz&#xE3;o e quando o presidente concentra a formula&#xE7;&#xE3;o nas m&#xE3;os do seu pr&#xF3;prio partido? Os autores identificam que crit&#xE9;rios partid&#xE1;rios de fato importam e podemos observar uma concentra&#xE7;&#xE3;o da agenda legislativa no partido do presidente, mesmo sob presidencialismo de coaliz&#xE3;o.
				</p>
				<p>Fortemente influenciada pelo argumento proposto por 
					<xref ref-type="bibr" rid="B68">Rudalevige (2002)</xref> da centraliza&#xE7;&#xE3;o contingente, 
					<xref ref-type="bibr" rid="B10">Batista (2013)</xref> identifica que no processo de formula&#xE7;&#xE3;o da agenda legislativa o presidente tem duas op&#xE7;&#xF5;es: centralizar a decis&#xE3;o na presid&#xEA;ncia ou delegar para os ministros. Cada op&#xE7;&#xE3;o apresenta custos de transa&#xE7;&#xE3;o e o presidente decide de acordo com as caracter&#xED;sticas da mat&#xE9;ria e do ministro em quest&#xE3;o. Os resultados para o caso brasileiro mostram a import&#xE2;ncia da dist&#xE2;ncia ideol&#xF3;gica para a escolha do presidente. Adicionalmente, aponta a centralidade dos minist&#xE9;rios no processo decis&#xF3;rio e a atua&#xE7;&#xE3;o contingencial da presid&#xEA;ncia no controle das decis&#xF5;es.
				</p>
				<p>Analisando o uso da indica&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica como instrumento de controle presidencial, 
					<xref ref-type="bibr" rid="B62">Pereira 
						<italic>et al.</italic> (2013)
					</xref> apresentam uma an&#xE1;lise da estrat&#xE9;gia do presidente na indica&#xE7;&#xE3;o de ministros-j&#xFA;nior, ou, como &#xE9; chamado no Brasil, secret&#xE1;rios-executivos. O argumento desenvolvido &#xE9; uma aplica&#xE7;&#xE3;o do modelo proposto por 
					<xref ref-type="bibr" rid="B73">Thies (2001)</xref> da indica&#xE7;&#xE3;o de ministros-j&#xFA;nior de um partido diferente do partido do ministro no sentido de controlar as a&#xE7;&#xF5;es do ministro e manter as decis&#xF5;es do governo pr&#xF3;ximas das prefer&#xEA;ncias do presidente. Os autores encontram que quanto maior a dist&#xE2;ncia ideol&#xF3;gica entre o presidente e o ministro, maior a chance de indica&#xE7;&#xE3;o de um ministro-j&#xFA;nior alinhado com as prefer&#xEA;ncias do presidente.
				</p>
				<p>Com foco espec&#xED;fico na influ&#xEA;ncia dos ministros no processo decis&#xF3;rio do Executivo brasileiro, 
					<xref ref-type="bibr" rid="B11">Batista (2014)</xref> analisa o controle ministerial sobre as iniciativas legislativas e sobre a aloca&#xE7;&#xE3;o or&#xE7;ament&#xE1;ria, identificando que quanto maior a dist&#xE2;ncia ideol&#xF3;gica entre o presidente e o ministro, menor a influ&#xEA;ncia do ministro no processo decis&#xF3;rio do Executivo. Adicionalmente, &#xE9; identificado que o presidente tende a concentrar a formula&#xE7;&#xE3;o da agenda legislativa no seu pr&#xF3;prio partido, delegando a aloca&#xE7;&#xE3;o do or&#xE7;amento para os demais partidos da coaliz&#xE3;o.
				</p>
				<p>A an&#xE1;lise do Executivo no presidencialismo de coaliz&#xE3;o &#xE9; bastante recente e ainda incipiente. Contudo, j&#xE1; mostra desenvolvimento de argumentos relevantes e importante ac&#xFA;mulo te&#xF3;rico. Outro aspecto importante &#xE9; a preocupa&#xE7;&#xE3;o com o teste emp&#xED;rico de hip&#xF3;teses teoricamente fundamentadas. O ac&#xFA;mulo de conhecimento vem sendo alcan&#xE7;ado com base no di&#xE1;logo direto seja com a literatura sobre a presid&#xEA;ncia americana seja com a literatura sobre os governos de coaliz&#xE3;o no parlamentarismo europeu, facilitando a compara&#xE7;&#xE3;o e fundamentando a generaliza&#xE7;&#xE3;o. Contudo, esse di&#xE1;logo n&#xE3;o &#xE9; feito de forma irrestrita, tendo os autores a preocupa&#xE7;&#xE3;o de identificar os aspectos espec&#xED;ficos do presidencialismo de coaliz&#xE3;o.</p>
				<p>Essa discuss&#xE3;o dos argumentos desenvolvidos especificamente para o presidencialismo de coaliz&#xE3;o mostra que se trata de um tema ainda incipiente, por&#xE9;m com grandes perspectivas de desenvolvimento. A transi&#xE7;&#xE3;o para o entendimento do Executivo como estrutura de poder em si ainda n&#xE3;o foi completada, mas quest&#xF5;es relevantes come&#xE7;am a se estabelecer, constituindo-se numa grande e importante agenda em aberto.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>V. Conclus&#xF5;es</title>
			<p>O Poder Executivo desempenha um papel fundamental nas democracias contempor&#xE2;neas. Contudo, diferen&#xE7;as institucionais entre presidencialismo e parlamentarismo importam e &#xE9; poss&#xED;vel identificar essas diferen&#xE7;as tamb&#xE9;m no funcionamento do Executivo. Al&#xE9;m dessa dicotomia cl&#xE1;ssica entre presidencialismo e parlamentarismo, temos o presidencialismo de coaliz&#xE3;o como forma institucional que combina a hierarquia centrada no presidente da forma presidencialista com a forma&#xE7;&#xE3;o de governos multipartid&#xE1;rios dos sistemas parlamentaristas de coaliz&#xE3;o.</p>
			<p>O objetivo deste ensaio foi apresentar como a literatura vem olhando para o funcionamento interno do Executivo como arena de tomada decis&#xE3;o nessas diferentes formas. Especificamente, buscou-se recuperar, sistematizar e analisar a literatura sobre o funcionamento interno do Executivo no presidencialismo americano, no parlamentarismo de coaliz&#xE3;o europeu e no presidencialismo de coaliz&#xE3;o. O foco est&#xE1; no papel dos atores, no processo decis&#xF3;rio e nas principais caracter&#xED;sticas enfatizadas em cada sistema.</p>
			<p>Nas an&#xE1;lises sobre a presid&#xEA;ncia americana, o elemento inicial do debate &#xE9; a pergunta: tendo em mente que nos sistemas presidencialistas o presidente &#xE9; o chefe absoluto do Poder Executivo, personalidade e estilo individual determinam os resultados ou institui&#xE7;&#xF5;es, regras e procedimentos constrangem e orientam o comportamento gerando regularidades? Com base na resposta a essa pergunta, duas grandes correntes de estudo podem ser observadas: o foco na personalidade ou habilidades pessoais de lideran&#xE7;a do presidente e an&#xE1;lises sobre a presid&#xEA;ncia institucional, nas quais o Executivo &#xE9; visto de forma mais ampliada e regras e procedimentos importam para os resultados.</p>
			<p>J&#xE1; as teorias sobre governos de coaliz&#xE3;o formuladas para explicar os sistemas parlamentaristas europeus s&#xE3;o racionalistas no seu n&#xFA;cleo. A composi&#xE7;&#xE3;o do Executivo e o seu funcionamento s&#xE3;o resultado de uma barganha entre atores racionais maximizando a participa&#xE7;&#xE3;o em algum tipo de pr&#xEA;mio. A literatura pode ser dividida em dois focos principais: as an&#xE1;lises sobre a forma&#xE7;&#xE3;o de coaliz&#xF5;es e a literatura sobre governan&#xE7;a. A forma&#xE7;&#xE3;o de coaliz&#xF5;es tem por base o compartilhamento de um pr&#xEA;mio: o governo. O pr&#xEA;mio pode ser dividido em unidades menores &#x2013; os portf&#xF3;lios &#x2013; e o principal objetivo dos partidos &#xE9; maximizar a sua parte do pr&#xEA;mio, controlando um conjunto de minist&#xE9;rios. No entanto, o que os partidos fazem com a sua parte do pr&#xEA;mio tamb&#xE9;m importa e a governan&#xE7;a da coaliz&#xE3;o, ou seja, como as coaliz&#xF5;es de fato governam, tornou-se o t&#xF3;pico emergente. O ponto &#xE9; identificar quem decide em governos de coaliz&#xE3;o. Dois argumentos s&#xE3;o dominantes: o argumento do governo ministerial e o argumento do controle m&#xFA;tuo.</p>
			<p>Entre o presidencialismo americano e o parlamentarismo europeu est&#xE1; o presidencialismo de coaliz&#xE3;o, sobre o qual aparece um n&#xFA;mero cada vez maior de contribui&#xE7;&#xF5;es. A figura do presidente &#xE9; fundamental e parte dos argumentos sobre a presid&#xEA;ncia americana podem aqui ser incorporados. Contudo, o processo decis&#xF3;rio em governos de coaliz&#xE3;o imp&#xF5;e custos que somente uma an&#xE1;lise complexa pode abarcar. Das an&#xE1;lises do presidencialismo americano n&#xF3;s aprendemos que o presidente est&#xE1; no centro do processo de tomada de decis&#xE3;o. Regras e procedimentos tamb&#xE9;m s&#xE3;o importantes para constranger o comportamento e podem ser um instrumento fundamental para o presidente manter controle sobre as decis&#xF5;es do governo. Das abordagens dos governos de coaliz&#xE3;o no parlamentarismo europeu compreendemos que o Executivo &#xE9; uma arena complexa de barganha entre atores. O processo decis&#xF3;rio importa e o governo ministerial &#xE9; esperado quando mecanismos de controle e monitoramento n&#xE3;o est&#xE3;o em funcionamento.</p>
			<p>Incorporando essas contribui&#xE7;&#xF5;es da literatura sobre o Executivo unipartid&#xE1;rio focado no presidente do presidencialismo americano e sobre o Executivo multipartid&#xE1;rio do parlamentarismo europeu, a crescente literatura sobre o funcionamento interno do Executivo no presidencialismo de coaliz&#xE3;o vem adquirindo cada vez mais ac&#xFA;mulo te&#xF3;rico, comparabilidade e capacidade de generaliza&#xE7;&#xE3;o, sem esquecer as especificidades desse sistema. Essa literatura pode ser subdividida em an&#xE1;lises sobre a composi&#xE7;&#xE3;o do governo com foco na distribui&#xE7;&#xE3;o de minist&#xE9;rios entre os parceiros da coaliz&#xE3;o e na composi&#xE7;&#xE3;o partid&#xE1;ria do governo, e em an&#xE1;lises sobre a organiza&#xE7;&#xE3;o do governo, com foco no papel da presid&#xEA;ncia e no processo decis&#xF3;rio.</p>
			<p>A apresenta&#xE7;&#xE3;o sistem&#xE1;tica dessas contribui&#xE7;&#xF5;es te&#xF3;ricas busca contribuir para o debate sobre o Executivo de tr&#xEA;s maneiras espec&#xED;ficas: primeiro, fundamentar o crescente debate sobre o Executivo apresentando as principais quest&#xF5;es, argumentos e vari&#xE1;veis da literatura; segundo, enfatizar esse poder como uma arena de tomada de decis&#xE3;o e negocia&#xE7;&#xE3;o que possui l&#xF3;gica pr&#xF3;pria; terceiro, evidenciar uma agenda ainda em aberto, especialmente no caso do presidencialismo de coaliz&#xE3;o brasileiro.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Agrade&#xE7;o a Marcus Melo pelo apoio, Magna In&#xE1;cio pelo constante incentivo e Gabriela Tarouco pelos in&#xFA;meros coment&#xE1;rios. Agrade&#xE7;o ainda aos pareceristas an&#xF4;nimos da 
					<italic>Revista de Sociologia e Pol&#xED;tica</italic> pelas excelentes sugest&#xF5;es. Quaisquer incorre&#xE7;&#xF5;es remanescentes s&#xE3;o de minha total responsabilidade.
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>Resenha anterior sobre os estudos sobre o Executivo de forma mais ampla pode ser encontrada em 
					<xref ref-type="bibr" rid="B26">Figueiredo (2004)</xref>.
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>Esse &#xE9; um tema de pesquisa cl&#xE1;ssico na Ci&#xEA;ncia Pol&#xED;tica americana: o 
					<italic>principal</italic> varia, podendo ser o presidente, o Congresso ou ambos.
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>&#x201C;In cooperative games, the players can sign binding agreements. Once the players sign an agreement, they must follow its terms. When Prisoner&#x27;s Dilemma is played as a cooperative game, the dilemma disappears. The players can sign an agreement to play (S
					<sub>1</sub>;s
					<sub>1</sub>)&#x201D; (
					<xref ref-type="bibr" rid="B58">Morrow 1994</xref>, p.111).
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>[Noncooperative approach] considers the actors&#x27; incentives in the bargaining as what offers they should make and when they should accept those offers. Rather than ask what rational bargains look like, we ask how rational actors bargain. The noncooperative approach allows us to explore bargaining behavior as well as the final bargaining reached&#x201D; (
					<italic>idem</italic>, p.145).
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p>Governan&#xE7;a pode ter se tornado um termo bastante gen&#xE9;rico ultimamente, mas neste contexto &#x201C;it denotes both the practice of governing and the stage in the life cycle of governments that is devoted to policy execution and implementation&#x201D; (Strom, Muller &#x26; Bergman 2008, p.9).</p>
			</fn>
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			<title>Refer&#xEA;ncias</title>
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