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				<journal-title>Revista de Sociologia e Pol&#xED;tica</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. Sociol. Polit.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="ppub">0104-4478</issn>
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				<publisher-name>Universidade Federal do Paran&#xE1;</publisher-name>
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					<subject>Artigo</subject>
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				<article-title>Governan&#xE7;a e capacidades estatais: uma an&#xE1;lise comparativa de programas federais</article-title>
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					<institution content-type="orgname">Instituto de Pesquisa Econ&#xF4;mica Aplicada</institution>
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					<institution content-type="original">Roberto Rocha Coelho Pires (roberto.pires@ipea.gov.br) &#xE9; Doutor em Pol&#xED;ticas P&#xFA;blicas pelo Massachusetts Institute of Technology (EUA) e Pesquisador na Diretoria de Estudos do Estado, das Institui&#xE7;&#xF5;es e da Democracia do Instituto de Pesquisa Econ&#xF4;mica Aplicada (IPEA). V&#xED;nculo institucional: Diretoria de Estudos do Estado, das Institui&#xE7;&#xF5;es e da Democracia, IPEA, Bras&#xED;lia, DF, Brasil</institution>
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					<institution content-type="original">Alexandre de &#xC1;vila Gomide (alexandre.gomide@ipea.gov.br) &#xE9; Doutor em Administra&#xE7;&#xE3;o P&#xFA;blica e Governo pela Funda&#xE7;&#xE3;o Getulio Vargas (FGV-SP) e Pesquisador na Diretoria de Estudos do Estado, das Institui&#xE7;&#xF5;es e da Democracia do Instituto de Pesquisa Econ&#xF4;mica Aplicada (IPEA). V&#xED;nculo institucional: Diretoria de Estudos do Estado, das Institui&#xE7;&#xF5;es e da Democracia, IPEA, Bras&#xED;lia, DF, Brasil</institution>
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			<volume>24</volume>
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				<copyright-holder>Revista de Sociologia e Política</copyright-holder>
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					<license-p>License information: This is an open-access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution License (CC-BY-NC 4.0), which permits unrestricted use, distribution, and reproduction in any medium, provided the original work is properly cited.</license-p>
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			<abstract>
				<title>Resumo</title>
				<p>O artigo se dedica ao exame dos arranjos institucionais que marcaram a implementa&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas pelo governo federal no Brasil na &#xFA;ltima d&#xE9;cada. Pretende-se compreender de que forma as caracter&#xED;sticas desses arranjos condicionaram as capacidades estatais dispon&#xED;veis e afetaram o desempenho e os resultados at&#xE9; ent&#xE3;o observados de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas pr&#xE9;-selecionadas. A pesquisa se baseia em uma an&#xE1;lise comparativa de oito casos de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas federais priorit&#xE1;rias no per&#xED;odo recente (nomeadamente entre os anos de 2003 e 2013). Os casos foram selecionados em fun&#xE7;&#xE3;o da homogeneidade de seus contextos de implementa&#xE7;&#xE3;o e da heterogeneidade de suas &#xE1;reas tem&#xE1;ticas (social, infraestrutura e desenvolvimento industrial). A partir do mapeamento dos arranjos institucionais e da avalia&#xE7;&#xE3;o de capacidades t&#xE9;cnico-administrativas e pol&#xED;tico-relacionais de cada caso, desenvolveu-se uma compara&#xE7;&#xE3;o entre os casos baseada em t&#xE9;cnicas de QCA (
					<italic>Qualitative Comparative Analysis</italic>), as quais permitiram identificar associa&#xE7;&#xF5;es e mecanismos causais entre as caracter&#xED;sticas dos arranjos, tipos e n&#xED;veis de capacidades estatais e o desempenho observado por fontes secund&#xE1;rias das pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas em termos de entrega de resultados e inova&#xE7;&#xE3;o. A an&#xE1;lise comparativa indicou uma expressiva varia&#xE7;&#xE3;o na configura&#xE7;&#xE3;o dos arranjos institucionais que sustentam a implementa&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas federais contempor&#xE2;neas. O exame dessa varia&#xE7;&#xE3;o apontou dois achados relevantes. De um lado, verificou-se que os arranjos institucionais indutores de altas capacidades t&#xE9;cnico-administrativas, envolvendo combina&#xE7;&#xE3;o de organiza&#xE7;&#xF5;es profissionalizadas com mecanismos efetivos de coordena&#xE7;&#xE3;o intra e intergovernamentais, tendem a promover um melhor desempenho relativo em termos de entrega de resultados. De outro lado, arranjos promotores de altas capacidades pol&#xED;tico-relacionais, envolvendo intera&#xE7;&#xF5;es com agentes pol&#xED;ticos e canais para a participa&#xE7;&#xE3;o da sociedade civil, tendem a ampliar, relativamente, o potencial de revis&#xE3;o, aprendizado e inova&#xE7;&#xE3;o nas pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas. Estas conclus&#xF5;es contribuem para o avan&#xE7;o dos debates sobre governan&#xE7;a e capacidades estatais, pois permitem compreender como diferentes tipos e n&#xED;veis de capacidades estatais afetam diferentemente o desempenho e os resultados de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas. Os resultados sugerem um campo de pesquisa prof&#xED;cuo sobre as estruturas de governan&#xE7;a de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas no Brasil contempor&#xE2;neo, suas implica&#xE7;&#xF5;es te&#xF3;ricas para o debate sobre capacidades do Estado e suas decorr&#xEA;ncias pr&#xE1;ticas para o campo da gest&#xE3;o de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas.
				</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Abstract</title>
				<p>This article examines the governance arrangements that have been supporting the implementation of federal public policies in Brazil in the last decade. The goal is to understand how the characteristics of such governance arrangements condition state capacities and influence the performance and outcomes of contemporary public policies. The research is based on the comparative analysis of eight cases of public policies or programs implemented by the federal government. The cases were selected because of the homogeneity in their contexts of implementation and because of the heterogeneity of their substantive policy focus (social, infrastructure, and industrial development). For each of the eight cases, we mapped out their specific governance arrangements and evaluated their respective technical-administrative and political-relational state capacities. Based on this, we used QCA (Qualitative Comparative Analysis) techniques to identify associations and causal mechanisms linking the characteristics of governance arrangements, types and levels of state capacities, and policy performance in terms of output delivery and innovation. The comparative analysis indicated substantive variations in the configurations of the governance arrangements that support policy implementation in the Brazilian federal government. The analysis of such variations revealed two main findings. On the one hand, the governance arrangements that induced greater technical-administrative capacities &#x2013; 
					<italic>i.e.</italic> those involving some combination of professionalized bureaucracies and effective inter and intra-government coordination mechanisms &#x2013; promoted better performance in terms of output delivery, in relation to the other cases. On the other hand, governance arrangements that induced higher political-relational capacities &#x2013; 
					<italic>i.e.</italic> involving interactions with political agents and channels for civil society participation &#x2013; expanded the potential for revision, learning, and innovation in policy implementation. These findings advance the debates on governance and state capacity because they allow us to understand how different types and levels of state capacity produce different effects on the performance and outcomes of public policies. These conclusions suggest the need for more research on governance structures for public policy in contemporary Brazil, as well as on their theoretical implications for debates on state capacities, and on their consequences for the actual management of public policies.
				</p>
			</trans-abstract>
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				<title>PALAVRAS CHAVE:</title>
				<kwd>governan&#xE7;a</kwd>
				<kwd>capacidades estatais</kwd>
				<kwd>burocracia</kwd>
				<kwd>implementa&#xE7;&#xE3;o</kwd>
				<kwd>pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas</kwd>
			</kwd-group>
			<kwd-group xml:lang="en">
				<title>KEYWORDS:</title>
				<kwd>governance</kwd>
				<kwd>state capacity</kwd>
				<kwd>bureaucracy</kwd>
				<kwd>implementation</kwd>
				<kwd>public policy</kwd>
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	<body>
		<sec sec-type="intro">
			<title>I. Introdu&#xE7;&#xE3;o
				<xref ref-type="fn" rid="fn1">*</xref>
			</title>
			<p>O artigo se prop&#xF5;e a avan&#xE7;ar nossa compreens&#xE3;o das condi&#xE7;&#xF5;es que tornam o Estado brasileiro, especificamente o Poder Executivo Federal, mais capaz de produzir pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas e entregar bens e servi&#xE7;os &#xE0; sociedade. Para isso, dedica-se &#xE0; an&#xE1;lise comparativa dos arranjos institucionais de um conjunto de oito planos, programas e projetos
				<sup>
					<xref ref-type="fn" rid="fn2">1</xref>
				</sup> do governo federal implementados ao longo da &#xFA;ltima d&#xE9;cada (especificamente entre 2003 e 2013). Tratam-se de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas
				<sup>
					<xref ref-type="fn" rid="fn3">2</xref>
				</sup> criadas, reformuladas ou fortemente expandidas durante os governos dos presidentes Lula e Dilma. Nosso objetivo &#xE9; examinar como os arranjos institu&#xED;dos nesse per&#xED;odo, e as suas respectivas formas de organiza&#xE7;&#xE3;o dos processos de produ&#xE7;&#xE3;o das pol&#xED;ticas
				<sup>
					<xref ref-type="fn" rid="fn4">3</xref>
				</sup>, afetaram as capacidades de a&#xE7;&#xE3;o e o desempenho do governo federal.
			</p>
			<p>A no&#xE7;&#xE3;o de arranjos institucionais
				<sup>
					<xref ref-type="fn" rid="fn5">4</xref>
				</sup> ser&#xE1; mobilizada como estrat&#xE9;gia anal&#xED;tica para lidar com a complexifica&#xE7;&#xE3;o dos processos de produ&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas no Brasil posteriormente &#xE0; Constitui&#xE7;&#xE3;o de 1988. Parte-se da constata&#xE7;&#xE3;o de que as institui&#xE7;&#xF5;es democr&#xE1;ticas ali (re)estabelecidas passaram a exigir novas capacidades de a&#xE7;&#xE3;o para o Estado brasileiro.
			</p>
			<p>Seguindo a indica&#xE7;&#xE3;o de S&#xE1; e Silva, Pires e Lopez (2010), o ambiente pol&#xED;tico-institucional no qual se insere a produ&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas no Brasil contempor&#xE2;neo pode ser decomposto em tr&#xEA;s dimens&#xF5;es: a pol&#xED;tico-representativa, a de controles horizontais e a participativa. A primeira dimens&#xE3;o remete &#xE0; quest&#xE3;o da governabilidade e &#xE0; da produ&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas nacionais em um sistema federativo, presidencialista e multipartid&#xE1;rio. No in&#xED;cio dos anos de 1990, como se sabe, muitos analistas eram c&#xE9;ticos quanto &#xE0; funcionalidade do sistema pol&#xED;tico institu&#xED;do pela Carta de 1988, pois a exist&#xEA;ncia de presidentes eleitos sem maioria no Congresso e a tend&#xEA;ncia a efeitos centr&#xED;fugos gerados pelo fortalecimento dos estados e munic&#xED;pios levariam o pa&#xED;s &#xE0; ingovernabilidade, acentuada pela cria&#xE7;&#xE3;o de in&#xFA;meros pontos de veto ao governo central. No entanto, como observado ao longo dos anos por v&#xE1;rios pesquisadores, a constru&#xE7;&#xE3;o e sustenta&#xE7;&#xE3;o de governos de coaliz&#xE3;o foi poss&#xED;vel no Brasil (
				<xref ref-type="bibr" rid="B26">Palermo 2000</xref>; 
				<xref ref-type="bibr" rid="B18">Limongi 2006</xref>), assim como a coordena&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas em &#xE2;mbito nacional (
				<xref ref-type="bibr" rid="B2">Arretche 2012</xref>). Contudo, a constru&#xE7;&#xE3;o da governabilidade e a produ&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas nacionais demandam esfor&#xE7;os e volumes crescentes de recursos humanos, financeiros e administrativos por parte do Executivo federal (como a libera&#xE7;&#xE3;o de emendas or&#xE7;ament&#xE1;rias, a concess&#xE3;o de cargos em minist&#xE9;rios, autarquias e empresas estatais, a constru&#xE7;&#xE3;o de espa&#xE7;os de articula&#xE7;&#xE3;o e negocia&#xE7;&#xE3;o federativa etc.). Essa din&#xE2;mica traz implica&#xE7;&#xF5;es para a produ&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas, pois decis&#xF5;es e recursos passam a ser &#x201C;filtrados&#x201D; pela l&#xF3;gica da manuten&#xE7;&#xE3;o do apoio pol&#xED;tico &#x2013; a qual nem sempre &#xE9; congruente com objetivos program&#xE1;ticos de longo prazo &#x2013; al&#xE9;m de ampliar as dificuldades da coordena&#xE7;&#xE3;o intergovernamental.
			</p>
			<p>A segunda dimens&#xE3;o envolve o conjunto de institui&#xE7;&#xF5;es e atores formalmente &#x201C;empoderados&#x201D; para a fiscaliza&#xE7;&#xE3;o, combate &#xE0; corrup&#xE7;&#xE3;o e promo&#xE7;&#xE3;o da transpar&#xEA;ncia da atividade estatal e a defesa dos interesses sociais. Trata-se de &#xF3;rg&#xE3;os e institui&#xE7;&#xF5;es cuja miss&#xE3;o e compet&#xEA;ncia envolvem o controle horizontal da a&#xE7;&#xE3;o governamental. A exist&#xEA;ncia de muitos deles &#xE9; anterior a 1988, mas a Constitui&#xE7;&#xE3;o renovou e expandiu suas capacidades e mandatos &#x2013; como nos casos do Minist&#xE9;rio P&#xFA;blico (MP) e do Tribunal de Contas da Uni&#xE3;o (TCU). Al&#xE9;m disso, cabe ao Poder Legislativo fiscalizar as atividades do Poder Executivo e ao Poder Judici&#xE1;rio analisar a legalidade das pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas.</p>
			<p>Por fim, a terceira dimens&#xE3;o se refere aos canais e formas institucionais de participa&#xE7;&#xE3;o social nos processos de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas que se disseminaram nos tr&#xEA;s n&#xED;veis de governo e sob os mais diferentes formatos (conselhos, confer&#xEA;ncias, audi&#xEA;ncias e consultas p&#xFA;blicas, dentro outros) (
				<xref ref-type="bibr" rid="B30">Pires 2011</xref>). Tais canais criaram oportunidades para consultas e delibera&#xE7;&#xF5;es sobre os rumos da a&#xE7;&#xE3;o governamental, ampliando as bases de sua legitimidade, al&#xE9;m de fornecerem informa&#xE7;&#xF5;es e parcerias no monitoramento e controle das pol&#xED;ticas. A emerg&#xEA;ncia desses espa&#xE7;os de participa&#xE7;&#xE3;o social, igualmente, introduziu novos atores nos processos governativos.
			</p>
			<p>Se o funcionamento de institui&#xE7;&#xF5;es nessas tr&#xEA;s dimens&#xF5;es representa avan&#xE7;os na constru&#xE7;&#xE3;o do Estado Democr&#xE1;tico de Direito no Brasil, ele concomitantemente acrescenta desafios para a arte de governar, ao potencializar as situa&#xE7;&#xF5;es em que os conflitos de interesses resultem em impasses e pontos de veto. Em um ambiente institucional com tais caracter&#xED;sticas, com uma diversidade de atores a serem coordenados e interesses a serem processados (de parlamentares de diversos partidos, das burocracias dos diferentes poderes e n&#xED;veis de governo, das associa&#xE7;&#xF5;es civis etc.), a produ&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas demandar&#xE1; a configura&#xE7;&#xE3;o de arranjos institucionais espec&#xED;ficos.</p>
			<p>Nesse contexto, pergunta-se: como se configuraram os arranjos institucionais de planos, programas e projetos do governo federal empreendidos nessa &#xFA;ltima d&#xE9;cada? Tais arranjos dotaram o governo de capacidades de implementa&#xE7;&#xE3;o? Existem associa&#xE7;&#xF5;es entre os arranjos institucionais criados e os resultados observados? Que mecanismos explicariam essas associa&#xE7;&#xF5;es?</p>
			<p>Para responder tais perguntas este artigo se divide em quatro se&#xE7;&#xF5;es, al&#xE9;m desta introdu&#xE7;&#xE3;o. A se&#xE7;&#xE3;o seguinte discute os conceitos de capacidades estatais e governan&#xE7;a, oferecendo uma sustenta&#xE7;&#xE3;o te&#xF3;rico-conceitual para a an&#xE1;lise dos arranjos institucionais de das pol&#xED;ticas federais recentes. A se&#xE7;&#xE3;o 3 apresenta e justifica os casos selecionados para an&#xE1;lise, al&#xE9;m de descrever a estrat&#xE9;gia anal&#xED;tica aplicada. A se&#xE7;&#xE3;o 4, por sua vez, apresenta os principais achados da an&#xE1;lise realizada, destacando os mecanismos que explicam as rela&#xE7;&#xF5;es entre os arranjos institucionais, as capacidades estatais que tais arranjos produzem e os resultados observados das pol&#xED;ticas estudadas. Por fim, a &#xFA;ltima se&#xE7;&#xE3;o conclui o texto, retomando as perguntas que motivaram a an&#xE1;lise, os achados produzidos e as contribui&#xE7;&#xF5;es e limites dos mesmos para os debates sobre governan&#xE7;a, arranjos institucionais e capacidades estatais.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>II. Capacidades estatais e governan&#xE7;a no contexto das transforma&#xE7;&#xF5;es do Estado: perspectivas presentes na literatura e desdobramentos conceituais</title>
			<p>O conceito de capacidades estatais tem uma longa hist&#xF3;ria nas Ci&#xEA;ncias Sociais e tem sido definido de forma diferente por diversos autores, de acordo com os seus prop&#xF3;sitos anal&#xED;ticos e tradi&#xE7;&#xF5;es te&#xF3;ricas (
				<xref ref-type="bibr" rid="B4">Cingolani 2013</xref>). No entanto, podem ser identificados pelo menos dois n&#xED;veis ou duas gera&#xE7;&#xF5;es de an&#xE1;lise (
				<xref ref-type="bibr" rid="B14">Jessop 2001</xref>). Em um n&#xED;vel mais amplo, o conceito refere-se &#xE0; cria&#xE7;&#xE3;o e &#xE0; manuten&#xE7;&#xE3;o da ordem em um determinado territ&#xF3;rio, o que, por sua vez, exige um conjunto de medidas para a prote&#xE7;&#xE3;o da soberania, como administrar um aparato coercitivo, arrecadar tributos e a administrar um sistema de justi&#xE7;a. Essa primeira abordagem guiou uma primeira gera&#xE7;&#xE3;o de estudos sobre o tema, que foram em grande parte dedicados &#xE0; an&#xE1;lise dos processos hist&#xF3;ricos de constru&#xE7;&#xE3;o do Estado. Tais an&#xE1;lises avan&#xE7;aram na compreens&#xE3;o sobre a forma&#xE7;&#xE3;o e constru&#xE7;&#xE3;o dos aparatos governamentais, onde eles nunca existiram ou onde eles eram fr&#xE1;geis e incipientes. Al&#xE9;m disso, embasaram estudos sobre a autonomia do Estado em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; oposi&#xE7;&#xE3;o de grupos da sociedade. Assim, em um n&#xED;vel macro, o conceito de capacidade do Estado tem sido empregado para explicar as situa&#xE7;&#xF5;es em que os Estados emergem, gerenciam conflitos internos e externos e transformam as suas sociedades e economias (
				<xref ref-type="bibr" rid="B44">Tilly 1975</xref>; 
				<xref ref-type="bibr" rid="B40">Skocpol 1979</xref>; 
				<xref ref-type="bibr" rid="B16">Levi 1988</xref>).
			</p>
			<p>Uma segunda gera&#xE7;&#xE3;o de estudos ancorados no conceito de capacidades estatais procura refletir sobre as capacidades que os Estados &#x2013; que j&#xE1; superaram seus est&#xE1;gios iniciais de constru&#xE7;&#xE3;o &#x2013; possuem (ou n&#xE3;o) para atingir, de forma efetiva, os objetivos que pretendem por meio de suas pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas, como a provis&#xE3;o de bens e servi&#xE7;os p&#xFA;blicos (
				<xref ref-type="bibr" rid="B24">Matthews 2012</xref>). Em um n&#xED;vel mais concreto (ou micro) em rela&#xE7;&#xE3;o ao anterior, alguns analistas t&#xEA;m se referido a estas como as capacidades do &#x201C;Estado em a&#xE7;&#xE3;o&#x201D; &#x2013; isto &#xE9;, as capacidades de identifica&#xE7;&#xE3;o de problemas, formula&#xE7;&#xE3;o de solu&#xE7;&#xF5;es, execu&#xE7;&#xE3;o de a&#xE7;&#xF5;es e entrega dos resultados. Assim, a produ&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas envolve atores, instrumentos e processos que, coordenados, capacitam o Estado para a produ&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas (
				<xref ref-type="bibr" rid="B41">Skocpol 1985</xref>; 
				<xref ref-type="bibr" rid="B42">Skocpol &#x26; Finegold 1982</xref>; 
				<xref ref-type="bibr" rid="B22">Mann 1993</xref>; 
				<xref ref-type="bibr" rid="B8">Evans 1995</xref>; 
				<xref ref-type="bibr" rid="B10">Geddes 1996</xref>).
			</p>
			<p>Apesar das diferen&#xE7;as de escopo e do n&#xED;vel de abstra&#xE7;&#xE3;o entre essas duas gera&#xE7;&#xF5;es, a literatura sobre as capacidades do Estado pode ser amplamente caracterizada por uma preocupa&#xE7;&#xE3;o com as habilidades e compet&#xEA;ncias do Estado de estabelecer seus objetivos e realiz&#xE1;-los.</p>
			<p>Embora tal preocupa&#xE7;&#xE3;o tenha guiado o trabalho acad&#xEA;mico na &#xE1;rea, ao longo do s&#xE9;culo XX, a virada para o s&#xE9;culo atual foi marcada por transforma&#xE7;&#xF5;es profundas n&#xE3;o s&#xF3; no pensamento, mas, sobretudo, nas formas como os Estados se organizam e atuam &#x2013; transforma&#xE7;&#xF5;es estas que v&#xEA;m ocorrendo n&#xE3;o s&#xF3; dentro dos governos, mas tamb&#xE9;m nas suas rela&#xE7;&#xF5;es com a sociedade e o mercado.</p>
			<p>Nesse contexto, a capacidade estatal passa a se relacionar com o conceito de governan&#xE7;a, j&#xE1; que a rela&#xE7;&#xE3;o entre as organiza&#xE7;&#xF5;es do setor p&#xFA;blico, do setor privado e da sociedade civil passa a ser fundamental para a efetividade do governo, mais do que a exist&#xEA;ncia de uma burocracia estatal competente e corporativamente coerente (
				<xref ref-type="bibr" rid="B12">Huerta 2008</xref>). Nas palavras de 
				<xref ref-type="bibr" rid="B33">Rhodes (1996</xref>, p.652): 
				<disp-quote>
					<p>&#x201C;Governan&#xE7;a significa uma mudan&#xE7;a no sentido da atividade governamental, referindo-se a novos processos de governo, ou a renovadas condi&#xE7;&#xF5;es para o exerc&#xED;cio do poder e para a organiza&#xE7;&#xE3;o estatal, ou a novos m&#xE9;todos por meio dos quais a sociedade &#xE9; governada&#x201D;.</p>
				</disp-quote>
			</p>
			<p>A literatura sobre &#x201C;governan&#xE7;a&#x201D; discute as possibilidades de configura&#xE7;&#xF5;es dessas rela&#xE7;&#xF5;es entre governo, setor privado e organiza&#xE7;&#xF5;es civis a partir de tr&#xEA;s matrizes gerais: hierarquia, mercado e rede. A hierarquia designa um princ&#xED;pio de integra&#xE7;&#xE3;o e coordena&#xE7;&#xE3;o marcado pela imposi&#xE7;&#xE3;o por meio de leis e de estruturas organizacionais (com alta formaliza&#xE7;&#xE3;o/rotiniza&#xE7;&#xE3;o e pouca flexibilidade e criatividade). J&#xE1; a ideia de mercado sugere as intera&#xE7;&#xF5;es entre os atores se baseiam em trocas autointeressadas que se organizam em rela&#xE7;&#xF5;es contratuais, as quais poderiam ser aplicadas &#xE0;s atividades de governo (lan&#xE7;a m&#xE3;o de incentivos e envolve an&#xE1;lises de custos e benef&#xED;cios, favorecendo a maior flexibilidade e a competi&#xE7;&#xE3;o). Por fim, a no&#xE7;&#xE3;o de rede sugere que as rela&#xE7;&#xF5;es entre os atores envolvam interdepend&#xEA;ncia, confian&#xE7;a, identidade, reciprocidade e compartilhamento de valores ou objetivos (alta flexibilidade e solidariedade, mas baixa sustentabilidade). Apesar da dissocia&#xE7;&#xE3;o entre estes tr&#xEA;s princ&#xED;pios e de sua apresenta&#xE7;&#xE3;o em uma aparente sequencia, na pr&#xE1;tica, o funcionamento interno das organiza&#xE7;&#xF5;es e as rela&#xE7;&#xF5;es entre organiza&#xE7;&#xF5;es envolve a combina&#xE7;&#xE3;o dos tr&#xEA;s elementos, com permanentes tens&#xF5;es advindas da sua coexist&#xEA;ncia, sendo que raramente &#xE9; poss&#xED;vel falar da substitui&#xE7;&#xE3;o completa de um pelo outro.</p>
			<p>Nessa linha, diversos autores t&#xEA;m referido aos debates sobre Estado a partir de um itiner&#xE1;rio intelectual que parte de reflex&#xF5;es sobre &#x201C;big government&#x201D; e se direciona para an&#xE1;lises de &#x201C;big governance&#x201D; (
				<xref ref-type="bibr" rid="B17">Levi-Faur 2012</xref>), designando um crescente distanciamento de arranjos centrados exclusivamente nas estruturas hier&#xE1;rquicas do Estado para arranjos mais desconcentrados, envolvendo a participa&#xE7;&#xE3;o de m&#xFA;ltiplos atores e mecanismos de articula&#xE7;&#xE3;o. Isso porque, de um lado, os grandes aparatos estatais verticalizados (que se constitu&#xED;ram em meados do s&#xE9;culo XX) se fragmentaram a partir de processos de descentraliza&#xE7;&#xE3;o, privatiza&#xE7;&#xE3;o e desregula&#xE7;&#xE3;o, e, por outro, novos atores sociais, econ&#xF4;micos e pol&#xED;ticos passam a ser reconhecidos como interlocutores e parceiros indispens&#xE1;veis. Assim, a produ&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas passou a requerer arranjos e estruturas mais complexas &#x2013; reflexos das modificadas rela&#xE7;&#xF5;es entre Estado, sociedade e mercado &#x2013; em que a tomada de decis&#xE3;o e a execu&#xE7;&#xE3;o de programas passam a ser distribu&#xED;da ou compartilhada entre atores governamentais e n&#xE3;o governamentais (
				<xref ref-type="bibr" rid="B39">Schneider 2005</xref>).
			</p>
			<p>Al&#xE9;m de contribuir para uma descri&#xE7;&#xE3;o das transforma&#xE7;&#xF5;es do Estado e dos processos de governo, a ideia de governan&#xE7;a suscita questionamentos sobre o impacto dessas mudan&#xE7;as sobre as capacidades do Estado em produzir pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas: os governos se tornaram menos capazes de definir seus rumos e executar suas a&#xE7;&#xF5;es? Ou simplesmente alteraram as formas de o fazerem? Em outras palavras, as transforma&#xE7;&#xF5;es do Estado exigem novas interpreta&#xE7;&#xF5;es sobre as implica&#xE7;&#xF5;es para a sua capacidade de produzir pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas.</p>
			<p>Sobre as rela&#xE7;&#xF5;es entre capacidades estatais e transforma&#xE7;&#xF5;es do Estado, &#xE9; poss&#xED;vel encontrar tr&#xEA;s perspectivas na literatura (
				<xref ref-type="bibr" rid="B24">Matthews 2012</xref>). Na primeira delas, as mudan&#xE7;as s&#xE3;o entendidas como redutoras das capacidades estatais. Trata-se das narrativas sobre o &#x201C;esvaziamento do Estado&#x201D; ou da percep&#xE7;&#xE3;o de perda de controle do Estado sobre os processos de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas a partir da emerg&#xEA;ncia e adensamento das intera&#xE7;&#xF5;es entre os atores estatais, do mercado e da sociedade civil. A desagrega&#xE7;&#xE3;o e fragmenta&#xE7;&#xE3;o das estruturas burocr&#xE1;ticas verticalizadas, al&#xE9;m da transfer&#xEA;ncia de responsabilidades e fun&#xE7;&#xF5;es para a sociedade civil, governos subnacionais e para o mercado, foi compreendida por muitos analistas como perda de capacidade estatal, abrindo espa&#xE7;o para o maior protagonismo do mercado e da sociedade (
				<xref ref-type="bibr" rid="B45">Zehavi 2012</xref>).
			</p>
			<p>Em rea&#xE7;&#xE3;o aos prov&#xE1;veis exageros cometidos por essa primeira narrativa, surgiu uma segunda perspectiva, baseada no argumento de que ocorreram sim transforma&#xE7;&#xF5;es nas fun&#xE7;&#xF5;es e pap&#xE9;is do Estado, mas n&#xE3;o necessariamente a diminui&#xE7;&#xE3;o das suas capacidades. Autores nessa linha defendem a ideia de um deslocamento das capacidades estatais, mas sem perda de sua centralidade ou relev&#xE2;ncia. Segundo autores dessa perspectiva, as capacidades teriam se deslocado da produ&#xE7;&#xE3;o para a regula&#xE7;&#xE3;o &#x2013; ou do Estado Positivo para o Estado Regulador (
				<xref ref-type="bibr" rid="B21">Majone 1999</xref>). Este novo papel (o de guiar &#x2013; 
				<italic>steer</italic> &#x2013; em vez de remar &#x2013; 
				<italic>row</italic>) ainda reteria no Estado a centralidade nos processos de produ&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas e controle dos recursos essenciais (financeiros, legais e simb&#xF3;licos), pois, como regulador, caberia ao Estado o papel singular de desenhar os arranjos de intera&#xE7;&#xE3;o com atores econ&#xF4;micos e sociais (
				<xref ref-type="bibr" rid="B24">Matthews 2012</xref>).
			</p>
			<p>Por fim, para al&#xE9;m das disputas entre as interpreta&#xE7;&#xF5;es que propuseram a redu&#xE7;&#xE3;o ou a substitui&#xE7;&#xE3;o das capacidades estatais tradicionais, percebe-se, mais recentemente, a emerg&#xEA;ncia de uma terceira perspectiva, a qual defende que as mudan&#xE7;as associadas &#xE0; no&#xE7;&#xE3;o de governan&#xE7;a t&#xEA;m o potencial de ampliar as capacidades de interven&#xE7;&#xE3;o do Estado. Autores nessa linha t&#xEA;m defendido que a intensifica&#xE7;&#xE3;o das intera&#xE7;&#xF5;es entre atores estatais e n&#xE3;o estatais na produ&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas pode resultar em complementariedades e sinergias, e n&#xE3;o apenas substitui&#xE7;&#xE3;o. Como afirma 
				<xref ref-type="bibr" rid="B25">Offe (2009</xref>, p.12): 
				<disp-quote>
					<p>&#x201C;a no&#xE7;&#xE3;o de governan&#xE7;a pode estar associada ao aumento da capacidade de interven&#xE7;&#xE3;o do Estado, ao proporcionar a mobiliza&#xE7;&#xE3;o de atores n&#xE3;o estatais na formula&#xE7;&#xE3;o e implementa&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas, contribuindo, assim, para maior efici&#xEA;ncia e efetividade [&#x2026;]. &#xC9; poss&#xED;vel pensar na exist&#xEA;ncia de &#x2018;for&#xE7;as auxiliares&#x2019; [e n&#xE3;o substitutivas] na sociedade civil que, por meio dos procedimentos adequados e de suas compet&#xEA;ncias espec&#xED;ficas, podem ser recrutadas para a coopera&#xE7;&#xE3;o na realiza&#xE7;&#xE3;o de tarefas de interesse p&#xFA;blico [&#x2026;] podendo gerar um Estado ao mesmo tempo mais leve e mais capaz&#x201D;.</p>
				</disp-quote>
			</p>
			<p>Arranjos institucionais mais sofisticados, envolvendo transfer&#xEA;ncia e distribui&#xE7;&#xE3;o de pap&#xE9;is e fun&#xE7;&#xF5;es de forma articulada e coordenada para atores estatais subnacionais e n&#xE3;o estatais podem contribuir para a constru&#xE7;&#xE3;o de novas capacidades, pois adicionam mais capilaridade, possibilitam a combina&#xE7;&#xE3;o de direcionamento central com flexibilidade na ponta, refor&#xE7;ando processos de monitoramento intensivo e multifocal, al&#xE9;m de oferecer oportunidades para o aprendizado e a inova&#xE7;&#xE3;o a partir de reflex&#xF5;es coletivas (
				<xref ref-type="bibr" rid="B24">Matthews 2012</xref>).
			</p>
			<p>Al&#xE9;m de enxergar nessas intera&#xE7;&#xF5;es a possibilidade de soma de esfor&#xE7;os e recursos, outros autores as t&#xEA;m enfatizado como vetor de inova&#xE7;&#xE3;o (
				<xref ref-type="bibr" rid="B43">Sorensen 2012</xref>; 
				<xref ref-type="bibr" rid="B37">Sabel &#x26; Zeitlin 2012</xref>). O encontro entre atores diversos permite que os problemas a serem enfrentados e os projetos a serem desenhados possam ser discutidos a partir de diferentes perspectivas, mobilizando conhecimentos e recursos variados. Isso amplia a aquisi&#xE7;&#xE3;o de informa&#xE7;&#xF5;es sobre os problemas, aumenta o estoque de conhecimento dispon&#xED;vel para a formula&#xE7;&#xE3;o das solu&#xE7;&#xF5;es e, por fim, envolve diversos agentes no acompanhamento, monitoramento e avalia&#xE7;&#xE3;o das iniciativas. Nessa linha, a inova&#xE7;&#xE3;o tem sido entendida como produto de intera&#xE7;&#xF5;es institucionalmente estruturadas entre m&#xFA;ltiplos atores, com recursos, compet&#xEA;ncias e perspectivas variadas. Para 
				<xref ref-type="bibr" rid="B36">Sabel (2004)</xref>, arranjos institucionais mais inclusivos permitem que atores &#x201C;locais&#x201D; julguem e revejam os processos de implementa&#xE7;&#xE3;o de forma a corrigi-los, adaptando os objetivos gerais de uma pol&#xED;tica aos contextos e condi&#xE7;&#xF5;es locais de implementa&#xE7;&#xE3;o, em uma din&#xE2;mica em que o monitoramento e a reflex&#xE3;o coletiva sobre os resultados da pol&#xED;tica alimentam seu cont&#xED;nuo aprimoramento (&#x201C;learning by monitoring&#x201D;). Assim, arranjos institucionais mais complexos podem oferecer oportunidades para que uma pluralidade de atores use seus conhecimentos, criatividade e recursos para a busca de formas novas e melhores formas de se produzir pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas.
			</p>
			<p>Assim, entende-se que tais perspectivas colocam desafios anal&#xED;ticos exigindo desenvolvimentos conceituais. Em primeiro lugar, elas sugerem que a rela&#xE7;&#xE3;o entre a &#x201C;governan&#xE7;a&#x201D; e &#x201C;capacidades estatais&#x201D; &#xE9; aberta e indeterminada. Dependendo de quais atores est&#xE3;o envolvidos, como eles interagem e qual &#xE9; a distribui&#xE7;&#xE3;o de pap&#xE9;is e fun&#xE7;&#xF5;es entre eles, a governan&#xE7;a pode ser associada com Estados mais capazes. Portanto, na an&#xE1;lise dos arranjos institucionais das pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas estaria uma chave para identificar e analisar as capacidades estatais.</p>
			<p>Em segundo lugar, acrescenta um ponto de vista relacional &#xE0; a&#xE7;&#xE3;o governamental, ao enfatizar a inclus&#xE3;o de m&#xFA;ltiplos atores e os procedimentos de negocia&#xE7;&#xE3;o/articula&#xE7;&#xE3;o entre eles, tanto para a intera&#xE7;&#xE3;o entre os diferentes grupos sociais com a burocracia estatal; quanto na coordena&#xE7;&#xE3;o entre as diferentes organiza&#xE7;&#xF5;es estatais. A literatura tradicional sobre as capacidades estatais, ao focar a autonomia do Estado, ignorou esta dimens&#xE3;o relacional. Os estudos cl&#xE1;ssicos que tentaram explicar o sucesso dos Estados desenvolvimentistas do s&#xE9;culo passado atribu&#xED;ram grande import&#xE2;ncia &#xE0; dimens&#xE3;o burocr&#xE1;tica (a exist&#xEA;ncia de burocracias &#x201C;weberianas&#x201D;), demonstrando como fatores-chave a profissionaliza&#xE7;&#xE3;o dos quadros governamentais, sua autonomia e os instrumentos de planejamento e coordena&#xE7;&#xE3;o. No entanto, tal como sugerido pela terceira perspectiva sobre a rela&#xE7;&#xE3;o entre governan&#xE7;a e capacidade do Estado, a inclus&#xE3;o de m&#xFA;ltiplos atores, processos de di&#xE1;logo entre Estado e sociedade, e a cria&#xE7;&#xE3;o de consensos m&#xED;nimos sobre quest&#xF5;es de pol&#xED;tica s&#xE3;o uma faceta importante para o estudo contempor&#xE2;neo do Estado, especialmente nos casos de pa&#xED;ses sob o regime democr&#xE1;tico (
				<xref ref-type="bibr" rid="B7">Edigheji 2010</xref>). Tais capacidades de car&#xE1;ter relacional estariam associadas com a legitimidade da a&#xE7;&#xE3;o do Estado, mobiliza&#xE7;&#xE3;o social e acomoda&#xE7;&#xE3;o de interesses conflitantes, elementos que n&#xE3;o eram centrais nas experi&#xEA;ncias dos Estados desenvolvimentistas autorit&#xE1;rios.
			</p>
			<p>Portanto, a fim de conciliar as abordagens tradicionais sobre as capacidades estatais com as no&#xE7;&#xF5;es contempor&#xE2;neas de governan&#xE7;a, prop&#xF5;e-se uma calibra&#xE7;&#xE3;o conceitual, pois uma an&#xE1;lise sobre as capacidades estatais apenas em fun&#xE7;&#xE3;o da cl&#xE1;ssica no&#xE7;&#xE3;o associada &#xE0; autonomia burocr&#xE1;tica n&#xE3;o ir&#xE1; capturar as transforma&#xE7;&#xF5;es e potencialidades produzidas pelas reformas democr&#xE1;ticas &#x2013; como no caso brasileiro p&#xF3;s-1988. Para perceber tais possibilidades, portanto, &#xE9; necess&#xE1;rio adicionar a nova dimens&#xE3;o dedicada a capturar as capacidades derivadas da inclus&#xE3;o e intera&#xE7;&#xF5;es entre os m&#xFA;ltiplos atores nos processos de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas. Deste modo, entende-se que as capacidades do Estado precisam ser analisadas sob duas dimens&#xF5;es: i) t&#xE9;cnico-administrativa, que envolve as capacidades derivadas da exist&#xEA;ncia e funcionamento de burocracias competentes e profissionalizadas, dotadas dos recursos organizacionais, financeiros e tecnol&#xF3;gicos necess&#xE1;rios para conduzir as a&#xE7;&#xF5;es de governo de forma coordenada; (ii) pol&#xED;tico-relacional, associadas &#xE0;s habilidades e procedimentos de inclus&#xE3;o dos m&#xFA;ltiplos atores (sociais, econ&#xF4;micos e pol&#xED;ticos) de forma articulada nos processos de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas, visando &#xE0; constru&#xE7;&#xE3;o de consensos m&#xED;nimos e coaliz&#xF5;es de suporte aos planos, programas e projetos governamentais. Enquanto a primeira dimens&#xE3;o pode ser associada &#xE0;s no&#xE7;&#xF5;es de efici&#xEA;ncia e efic&#xE1;cia, a segunda est&#xE1; relacionada com as ideias de legitimidade, aprendizagem e inova&#xE7;&#xE3;o nas a&#xE7;&#xF5;es dos governos.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>III. Uma estrat&#xE9;gia anal&#xED;tica para avaliar capacidades estatais</title>
			<p>Com o objetivo de identificar as condi&#xE7;&#xF5;es que tornam o governo federal capaz de produzir pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas, nesta se&#xE7;&#xE3;o s&#xE3;o apresentadas as pol&#xED;ticas selecionadas para estudo e compara&#xE7;&#xE3;o, como tamb&#xE9;m se exp&#xF5;e a estrat&#xE9;gia anal&#xED;tica adotada para avaliar as capacidades t&#xE9;cnico-administrativas e pol&#xED;tico-relacionais geradas pelos respectivos arranjos institucionais.</p>
			<p>Foram selecionados oito planos, programas ou projetos federais criados (reformulados ou expandidos) no per&#xED;odo entre 2003 e 2013 e considerados emblem&#xE1;ticos dos governos dos presidentes Lula e Dilma. Os casos selecionados foram: o Programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), o Programa de Integra&#xE7;&#xE3;o da Bacia do Rio S&#xE3;o Francisco (PISF), o Projeto da Usina Hidrel&#xE9;trica de Belo Monte (UHBM), o Programa de Revitaliza&#xE7;&#xE3;o da Ind&#xFA;stria Naval (RIN), o Programa Nacional de Produ&#xE7;&#xE3;o e Uso do Biodiesel (PNPB), o Plano Brasil Maior (PBM), o Programa Bolsa Fam&#xED;lia (PBF), e o Programa Nacional de Acesso ao Ensino T&#xE9;cnico e Emprego (PRONATEC). As informa&#xE7;&#xF5;es a respeito de cada um dos oito casos foram extra&#xED;das de estudos previamente publicados, conforme 
				<xref ref-type="table" rid="t1">Quadro 1</xref>, o qual tamb&#xE9;m exp&#xF5;e sumariamente os objetivos dos programas, seus contextos de cria&#xE7;&#xE3;o e a &#xE1;rea tem&#xE1;tica a que se vinculam.
			</p>
			<table-wrap id="t1">
				<label>Quadro 1</label>
				<caption>
					<title>Casos selecionados, seus objetivos e classifica&#xE7;&#xE3;o por &#xE1;rea tem&#xE1;tica</title>
				</caption>
				<alternatives>
					<graphic xlink:href="Qdro1.jpg"/>
				<table frame="hsides" rules="groups">
					<colgroup width="33%">
						<col/>
						<col/>
						<col/>
					</colgroup>
					<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
						<tr>
							<th align="left">Caso</th>
							<th align="left">Objetivo / Contexto</th>
							<th align="left">&#xC1;rea</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
						<tr>
							<td align="left">Programa Minha Casa Minha Vida (
								<bold>MCMV</bold>)
							</td>
							<td align="left">Lan&#xE7;ado em 2009 com o duplo objetivo de dinamizar a economia e reduzir o 
								<italic>d&#xE9;ficit</italic> habitacional para trabalhadores de baixa renda. Trata-se de uma pol&#xED;tica de financiamento de moradias e subs&#xED;dio aos compradores concedido pelo governo federal, privilegiando a produ&#xE7;&#xE3;o de unidades habitacionais de fam&#xED;lias com renda de at&#xE9; tr&#xEA;s sal&#xE1;rios m&#xED;nimos - integra a carteira de projetos do PAC. (
								<xref ref-type="bibr" rid="B19">Loureiro, Mac&#xE1;rio &#x26; Guerra 2013</xref>).
							</td>
							<td align="left">
								<bold>Social</bold>
							</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Programa Nacional de Acesso ao Ensino T&#xE9;cnico e Emprego (
								<bold>PRONATEC</bold>)
							</td>
							<td align="left">Lan&#xE7;ado em 2011, dando continuidade &#xE0;s pol&#xED;ticas de expans&#xE3;o da educa&#xE7;&#xE3;o profissional e de amplia&#xE7;&#xE3;o de infraestrutura de ensino (expans&#xE3;o da rede federal), assist&#xEA;ncia financeira e t&#xE9;cnica (ofertas de bolsas-forma&#xE7;&#xE3;o, financiamento a alunos e institui&#xE7;&#xF5;es, cursos &#xE0; dist&#xE2;ncia) e articula&#xE7;&#xE3;o com atores governamentais, nos estados e munic&#xED;pios, e com atores n&#xE3;o governamentais para ampliar o acesso a essa modalidade de ensino. O PRONATEC tem como objetivo central democratizar o acesso da popula&#xE7;&#xE3;o brasileira &#xE0; educa&#xE7;&#xE3;o profissional e tecnol&#xF3;gica de qualidade (
								<xref ref-type="bibr" rid="B3">Cassiolato &#x26; Garcia 2014</xref>).
							</td>
							<td align="left">
								<bold>Social</bold>
							</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Programa Bolsa Fam&#xED;lia (
								<bold>PBF</bold>)
							</td>
							<td align="left">Criado em 2004, com o objetivo apoiar o desenvolvimento das fam&#xED;lias vulner&#xE1;veis para que elas superem a situa&#xE7;&#xE3;o de extrema pobreza, promovendo o acesso das fam&#xED;lias mais pobres &#xE0; rede de servi&#xE7;os p&#xFA;blicos (em particular os de sa&#xFA;de, educa&#xE7;&#xE3;o e assist&#xEA;ncia social), por meio de transfer&#xEA;ncia de renda condicionada para as fam&#xED;lias com renda mensal por pessoa entre R$ 70 e R$ 140 (
								<xref ref-type="bibr" rid="B5">Coutinho 2013</xref>).
							</td>
							<td align="left">
								<bold>Social</bold>
							</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Projeto de Integra&#xE7;&#xE3;o do Rio S&#xE3;o Francisco (
								<bold>PISF</bold>)
							</td>
							<td align="left">Retomado em 2007, quando passa a integrar o PAC, o projeto tem como objetivo combater a escassez de &#xE1;gua no Nordeste Setentrional brasileiro e os efeitos das longas estiagens sobre os milhares de residentes na regi&#xE3;o. A obra prev&#xEA; a constru&#xE7;&#xE3;o de mais de 600 quil&#xF4;metros de canais de concreto em dois grandes eixos (norte e leste) e a constru&#xE7;&#xE3;o de nove esta&#xE7;&#xF5;es de bombeamento de &#xE1;gua para o desvio das &#xE1;guas do rio, ao longo do territ&#xF3;rio de quatro estados (Pernambuco, Para&#xED;ba, Cear&#xE1; e Rio Grande do Norte) - integra a carteira de projetos do PAC (
								<xref ref-type="bibr" rid="B20">Loureiro, Teixeira &#x26; Ferreira 2013</xref>).
							</td>
							<td align="left">
								<bold>Infraestrutura</bold>
							</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Usina Hidrel&#xE9;trica de Belo Monte (
								<bold>UHBM</bold>)
							</td>
							<td align="left">Retomada no primeiro mandato do ex-presidente Lula e passa a integrar o PAC em 2007. O projeto envolve a constru&#xE7;&#xE3;o de usina hidrel&#xE9;trica no Rio Xingu, com o objetivo de ampliar a oferta de energia el&#xE9;trica n&#xE3;o pa&#xED;s e dar suporte ao crescimento industrial (
								<xref ref-type="bibr" rid="B28">Pereira 2013</xref>).
							</td>
							<td align="left">
								<bold>Infraestrutura</bold>
							</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Programa Nacional de Produ&#xE7;&#xE3;o e Uso do Biodiesel (
								<bold>PNPB</bold>)
							</td>
							<td align="left">Lan&#xE7;ado em 2004, visa implantar a produ&#xE7;&#xE3;o e o uso do biodiesel no territ&#xF3;rio nacional, por meio da mistura obrigat&#xF3;ria e gradativa desse combust&#xED;vel ao diesel mineral. Orienta-se pelo duplo objetivo de estruturar o mercado e a cadeia de produ&#xE7;&#xE3;o do biodiesel, at&#xE9; ent&#xE3;o inexistente no pa&#xED;s, e incluir nessa cadeia a participa&#xE7;&#xE3;o da agricultura familiar, sem desestimular o investimento privado (
								<xref ref-type="bibr" rid="B27">Pedroti 2013</xref>).
							</td>
							<td align="left">
								<bold>Industrial</bold>
							</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Plano Brasil Maior (
								<bold>PBM</bold>)
							</td>
							<td align="left">O Plano foi anunciado em 2011, com o prop&#xF3;sito de fortalecer a capacidade de inova&#xE7;&#xE3;o e a competitividade econ&#xF4;mica do setor industrial. A proposta revela o vi&#xE9;s de uma pol&#xED;tica de transforma&#xE7;&#xE3;o da plataforma produtiva, contemplando um conjunto variado de instrumentos &#x2013; nas dimens&#xF5;es fiscal e tarif&#xE1;ria, financeira e institucional &#x2013; voltados para dezenove setores econ&#xF4;micos (
								<xref ref-type="bibr" rid="B38">Schapiro 2013</xref>).
							</td>
							<td align="left">
								<bold>Industrial</bold>
							</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">Revitaliza&#xE7;&#xE3;o da Ind&#xFA;stria Naval (
								<bold>RIN</bold>)
							</td>
							<td align="left">As iniciativas tomam corpo a partir de meados dos anos 2000 e, posteriormente, integram o PAC com o duplo objetivo de ampliar a autonomia nacional no transporte mar&#xED;timo e apoiar a ind&#xFA;stria de petr&#xF3;leo e g&#xE1;s, por meio da constru&#xE7;&#xE3;o de embarca&#xE7;&#xF5;es no Brasil. A pol&#xED;tica se materializou por meio de oferta de um volume expressivo de financiamentos subsidiados ao setor, associados a requisitos de conte&#xFA;do nacional e numa perspectiva de regionaliza&#xE7;&#xE3;o dos investimentos com a constru&#xE7;&#xE3;o de estaleiros em diversos estados (
								<xref ref-type="bibr" rid="B31">Pires, Gomide &#x26; Amaral 2013</xref>).
							</td>
							<td align="left">
								<bold>Industrial</bold> e de 
								<bold>infraestrutura</bold>
							</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
			</alternatives>
				<table-wrap-foot>
					<attrib>Fonte: Os autores.</attrib>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap>
			<p>Os casos selecionados pertencem a um mesmo contexto pol&#xED;tico-institucional &#x2013; isto &#xE9;, foram criados tendo como objetivo a promo&#xE7;&#xE3;o do desenvolvimento econ&#xF4;mico e social, sob o mesmo marco normativo, oportunidades e desafios institu&#xED;dos pela Constitui&#xE7;&#xE3;o de 1988 e legisla&#xE7;&#xE3;o subsequente, no mesmo per&#xED;odo (2003-2013), sob governos de continuidade liderados pelo mesmo partido pol&#xED;tico (o Partido dos Trabalhadores) em amplas coaliz&#xF5;es de governo com outros partidos de centro e centro-esquerda no espectro pol&#xED;tico-ideol&#xF3;gico.</p>
			<p>Ao mesmo tempo, eles foram selecionados para maximizar a varia&#xE7;&#xE3;o entre as diferentes &#xE1;reas de pol&#xED;tica (infraestrutura, industrial e social), permitindo a observa&#xE7;&#xE3;o da a&#xE7;&#xE3;o do Estado em diferentes contextos de implementa&#xE7;&#xE3;o
				<sup>
					<xref ref-type="fn" rid="fn6">5</xref>
				</sup>. Contemplam-se, com isso, as exig&#xEA;ncias metodol&#xF3;gicas para a an&#xE1;lise qualitativa e comparativa: homogeneidade externa e heterogeneidade interna.
			</p>
			<p>Ap&#xF3;s a identifica&#xE7;&#xE3;o dos objetivos das pol&#xED;ticas selecionadas, cada uma foi submetida a um exame em tr&#xEA;s etapas:</p>
			<list list-type="roman-lower">
				<list-item>
					<p>Mapeamento e descri&#xE7;&#xE3;o dos arranjos institucionais que nortearam a implementa&#xE7;&#xE3;o da pol&#xED;tica, plano ou a&#xE7;&#xE3;o, por meio da identifica&#xE7;&#xE3;o dos atores envolvidos (estatais e n&#xE3;o estatais), das organiza&#xE7;&#xF5;es e dos recursos (humanos, financeiros, tecnol&#xF3;gicos etc.) e instrumentos (legais, administrativos, etc.) atrav&#xE9;s do qual eles interagem;</p>
				</list-item>
				<list-item>
					<p>Avalia&#xE7;&#xE3;o dos arranjos em termos das capacidades que eles geram, considerando tanto a dimens&#xE3;o t&#xE9;cnico-administrativa quanto a pol&#xED;tico-relacional;</p>
				</list-item>
				<list-item>
					<p>Observa&#xE7;&#xE3;o do desempenho ou resultados de cada pol&#xED;tica, levando em considera&#xE7;&#xE3;o dois aspectos: produtos ou entregas (ou seja, o percentual de metas alcan&#xE7;adas) e inova&#xE7;&#xE3;o (ou seja, introdu&#xE7;&#xE3;o de altera&#xE7;&#xF5;es e melhorias no &#xE2;mbito da pol&#xED;tica, seus objetivos ou processos de gest&#xE3;o, conforme apontados nos estudos utilizados como fonte de informa&#xE7;&#xF5;es).</p>
				</list-item>
			</list>
			<p>A 
				<xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref> ilustra o modelo anal&#xED;tico desenvolvido, o qual associa os resultados observados de uma determinada pol&#xED;tica &#xE0;s capacidades estatais geradas pelo seu arranjo institucional.
			</p>
			<fig id="f1">
				<label>Figura 1</label>
				<caption>
					<title>Modelo anal&#xED;tico</title>
				</caption>
				<graphic xlink:href="gf01.jpg"/>
				<attrib>Fonte: Os autores.</attrib>
			</fig>
			<p>Apresenta-se o caso da revitaliza&#xE7;&#xE3;o da ind&#xFA;stria naval (RIN) como exemplo de aplica&#xE7;&#xE3;o desse modelo anal&#xED;tico. Depois de identificados os objetivos e as metas definidas para a pol&#xED;tica em quest&#xE3;o (cf. 
				<xref ref-type="table" rid="t1">Quadro 1</xref>), mapeou-se seu arranjo institucional. Foram identificados quatro atores principais: a Transpetro (empresa subsidi&#xE1;ria da Petrobras), o Minist&#xE9;rio dos Transportes, os bancos p&#xFA;blicos (agentes financeiros) e os estaleiros. Os &#xFA;ltimos, a partir de demandas da Transpetro, desenvolvem e submetem seus projetos para constru&#xE7;&#xE3;o de navios ao Conselho Diretor do Fundo de Marinha Mercante. O Conselho, composto por representantes do governo federal, das empresas privadas e dos trabalhadores do setor &#xE9; o respons&#xE1;vel pela gest&#xE3;o dos recursos do Fundo de Marinha Mercante (FMM), sob a supervis&#xE3;o do Minist&#xE9;rio dos Transportes. Se os projetos s&#xE3;o aprovados pelo Conselho, os estaleiros podem contrair empr&#xE9;stimos subsidiados com os bancos p&#xFA;blicos. Por sua vez, os bancos, o Minist&#xE9;rio dos Transportes e a Transpetro, de forma independente, monitoram a constru&#xE7;&#xE3;o das embarca&#xE7;&#xF5;es nos estaleiros privados. O programa tamb&#xE9;m envolveu a aprova&#xE7;&#xE3;o do Senado, que autorizou os n&#xED;veis de endividamento da Transpetro com os bancos p&#xFA;blicos, como tamb&#xE9;m esteve sujeito &#xE0; fiscaliza&#xE7;&#xE3;o do Tribunal de Contas da Uni&#xE3;o (TCU) e da Controladoria-Geral da Uni&#xE3;o (CGU). Al&#xE9;m disso, a constru&#xE7;&#xE3;o dos estaleiros foi submetida ao processo de licenciamento ambiental, com a atua&#xE7;&#xE3;o dos &#xF3;rg&#xE3;os governamentais (Ibama) e a realiza&#xE7;&#xE3;o de audi&#xEA;ncias p&#xFA;blicas com a participa&#xE7;&#xE3;o da sociedade civil social (
				<xref ref-type="bibr" rid="B31">Pires, Gomide &#x26; Amaral 2013</xref>).
			</p>
			<p>Como se percebe, a implementa&#xE7;&#xE3;o dessa pol&#xED;tica envolveu atores p&#xFA;blicos e privados. De forma a avaliar as capacidades t&#xE9;cnico-administrativas, analisaram-se tr&#xEA;s aspectos: i) presen&#xE7;a de burocracias governamentais profissionalizadas (ORGA); (ii) funcionamento de mecanismos de coordena&#xE7;&#xE3;o intragovernamental (COOR) e (iii) a exist&#xEA;ncia de procedimentos de monitoramento da implementa&#xE7;&#xE3;o (MONI). Seguindo esses crit&#xE9;rios, constataram-se capacidades t&#xE9;cnico-administrativas relativamente altas, quando comparadas aos outros programas analisados, no arranjo institucional da pol&#xED;tica em quest&#xE3;o. O Minist&#xE9;rio dos Transportes dedicou uma unidade t&#xE9;cnica para a gest&#xE3;o da pol&#xED;tica (o Departamento de Marinha Mercante), composta por funcion&#xE1;rios p&#xFA;blicos de carreira e especializados em pol&#xED;ticas de infraestrutura. A presen&#xE7;a de grandes bancos e empresas estatais no arranjo garantiu suficientes recursos financeiros e humanos. Ressalte-se que o arranjo contou com um fundo espec&#xED;fico destinado a prover recursos para a pol&#xED;tica, o FMM. Em termos de coordena&#xE7;&#xE3;o, o Conselho, que &#xE9; composto por representantes de v&#xE1;rias burocracias federais, funcionou como um instrumento de articula&#xE7;&#xE3;o das a&#xE7;&#xF5;es entre governo e setor privado. Al&#xE9;m disso, o Minist&#xE9;rio do Planejamento, por meio da Secretaria do Programa de Acelera&#xE7;&#xE3;o do Crescimento (PAC), dedicou especial aten&#xE7;&#xE3;o &#xE0; coordena&#xE7;&#xE3;o intragovernamental. Finalmente, diversos atores monitoraram a execu&#xE7;&#xE3;o dos projetos e o uso dos empr&#xE9;stimos de financiamento.</p>
			<p>Quando examinadas as capacidades pol&#xED;tico-relacionais promovidas por esse arranjo, tamb&#xE9;m se encontrou um n&#xED;vel comparativamente elevado. Essas capacidades tamb&#xE9;m podem ser avaliadas por tr&#xEA;s aspectos: i) intera&#xE7;&#xF5;es institucionalizadas entre atores burocr&#xE1;ticos e agentes pol&#xED;ticos (parlamentares de diversos partidos) (APOLI); (ii) a exist&#xEA;ncia e o funcionamento de mecanismos de participa&#xE7;&#xE3;o social (como conselhos e audi&#xEA;ncias p&#xFA;blicas) (PART) e (iii) a presen&#xE7;a da fiscaliza&#xE7;&#xE3;o de ag&#xEA;ncias de controle (CONT). A pol&#xED;tica de revitaliza&#xE7;&#xE3;o da ind&#xFA;stria naval esteve sujeita a discuss&#xF5;es e autoriza&#xE7;&#xF5;es por parte do Congresso Nacional, incorporou os atores da sociedade civil em seus processos decis&#xF3;rios (associa&#xE7;&#xF5;es empresariais e sindicatos de trabalhadores, por meio Conselho do Fundo de Marinha Mercante), e foi sujeita ao escrut&#xED;nio do TCU e da CGU. Al&#xE9;m disso, a constru&#xE7;&#xE3;o dos estaleiros, no que se refere aos impactos socioambientais, contou com a regula&#xE7;&#xE3;o aplicada pelo Ibama e a participa&#xE7;&#xE3;o das comunidades afetadas pelos empreendimentos por meio das audi&#xEA;ncias p&#xFA;blicas.</p>
			<p>No que diz respeito ao desempenho da pol&#xED;tica, os resultados observados foram avaliados em dois aspectos, produtos (
				<italic>outputs</italic>) e inova&#xE7;&#xE3;o, tal como ilustrado na 
				<xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref>. No caso da RIN, a entrega de produtos foi considerada alta, uma vez que a pol&#xED;tica cumpriu seus objetivos de estimular a produ&#xE7;&#xE3;o industrial nacional e o aumentar a oferta de empregos no setor
				<sup>
					<xref ref-type="fn" rid="fn7">6</xref>
				</sup>. No que diz respeito &#xE0; inova&#xE7;&#xE3;o, observou-se que melhorias foram adotadas no curso de implementa&#xE7;&#xE3;o, especialmente nos procedimentos de avalia&#xE7;&#xE3;o de projetos e no acompanhamento das obras e dos fluxos financeiros. Contudo, limita&#xE7;&#xF5;es persistiram na aplica&#xE7;&#xE3;o dos requisitos de conte&#xFA;do local. Desta maneira, no quesito inova&#xE7;&#xE3;o o resultado da pol&#xED;tica foi avaliado como intermedi&#xE1;rio (
				<xref ref-type="bibr" rid="B31">Pires, Gomide &#x26; Amaral 2013</xref>).
			</p>
			<p>A mesma abordagem foi aplicada aos outros sete casos. Suas respectivas classifica&#xE7;&#xF5;es em termos de capacidades estatais e resultados s&#xE3;o exibidos na 
				<xref ref-type="table" rid="t2">Tabela 1</xref>.
			</p>
			<table-wrap id="t2">
				<label>Tabela 1</label>
				<caption>
					<title>Crit&#xE9;rios para avalia&#xE7;&#xE3;o das capacidades t&#xE9;cnico-administrativa e pol&#xED;tico-relacionais (valores dicotomizados)</title>
				</caption>
				<alternatives>
					<graphic xlink:href="Tab1.jpg"/>
				<table frame="hsides" rules="groups">
					<colgroup width="14%">
						<col/>
						<col/>
						<col/>
						<col/>
						<col/>
						<col/>
						<col/>
					</colgroup>
					<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
						<tr>
							<th align="left" rowspan="2">Casos</th>
							<th align="center" colspan="3" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Capacidade t&#xE9;cnico-administrativa</th>
							<th align="center" colspan="3" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Capacidade pol&#xED;tico-relacional</th>
						</tr>
						<tr>
							<th align="center">ORGA</th>
							<th align="center">COOR</th>
							<th align="center">MONI</th>
							<th align="center">APOL</th>
							<th align="center">PART</th>
							<th align="center">CONT</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
						<tr>
							<td align="left">MCMV</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
							<td align="center">N&#xE3;o (0)</td>
							<td align="center">N&#xE3;o (0)</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">PRONATEC</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">PBF</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
							<td align="center">N&#xE3;o (0)</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">PISF</td>
							<td align="center">N&#xE3;o (0)</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">UHBM</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
							<td align="center">N&#xE3;o (0)</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
							<td align="center">N&#xE3;o (0)</td>
							<td align="center">N&#xE3;o (0)</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">PNPB</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
							<td align="center">N&#xE3;o (0)</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">PBM</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
							<td align="center">N&#xE3;o (0)</td>
							<td align="center">N&#xE3;o (0)</td>
							<td align="center">N&#xE3;o (0)</td>
							<td align="center">N&#xE3;o (0)</td>
							<td align="center">N&#xE3;o (0)</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">RIN</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
							<td align="center">Sim (1)</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
			</alternatives>
				<table-wrap-foot>
					<attrib>Fonte: Os autores.</attrib>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap>
			<p>A 
				<xref ref-type="table" rid="t3">Tabela 2</xref>, por sua vez, apresenta os casos em termos das capacidades (t&#xE9;cnico-administrativas e pol&#xED;tico-relacionais) geradas pelos arranjos institucionais, como tamb&#xE9;m em termos de seus resultados (produtos e inova&#xE7;&#xE3;o). Para classificar as dimens&#xF5;es t&#xE9;cnico-administrativas e pol&#xED;tico-relacionais dos oitos casos, adotou-se o seguinte crit&#xE9;rio: se na dimens&#xE3;o de capacidade em quest&#xE3;o verificou-se a presen&#xE7;a de tr&#xEA;s das tr&#xEA;s condi&#xE7;&#xF5;es analisadas, ela &#xE9; classificada como alta; se duas das tr&#xEA;s condi&#xE7;&#xF5;es s&#xE3;o verificadas, a dimens&#xE3;o &#xE9; considerada como m&#xE9;dia; e se uma ou nenhuma condi&#xE7;&#xE3;o est&#xE1; presente, a dimens&#xE3;o &#xE9; avaliada baixa. Por exemplo, o programa MCMV teve a capacidade t&#xE9;cnico-administrativa classificada como Alta (ou 2), por ter sido verificado a presen&#xE7;a de todas as tr&#xEA;s condi&#xE7;&#xF5;es analisadas nesta dimens&#xE3;o (ORGA, COOR e MONI), mas teve a capacidade pol&#xED;tico-relacional classificada como baixa por ter sido verificada a presen&#xE7;a de apenas uma das tr&#xEA;s condi&#xE7;&#xF5;es avaliadas (CONT), conforme pode ser observado na 
				<xref ref-type="table" rid="t3">Tabela 2</xref>.
			</p>
			<table-wrap id="t3">
				<label>Tabela 2</label>
				<caption>
					<title>Capacidades estatais e resultados observados de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas</title>
				</caption>
				<alternatives>
					<graphic xlink:href="Tab2.jpg"/>
				<table frame="hsides" rules="groups">
					<colgroup width="20%">
						<col/>
						<col/>
						<col/>
						<col/>
						<col/>
					</colgroup>
					<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
						<tr>
							<th align="left" rowspan="2">Casos</th>
							<th align="center" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Capacidades estatais</th>
							<th align="center" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Resultados</th>
						</tr>
						<tr>
							<th align="center">T&#xE9;cnico-administrativa</th>
							<th align="center">Pol&#xED;tico-relacional</th>
							<th align="center">Produto</th>
							<th align="center">Inova&#xE7;&#xE3;o</th>
						</tr>
					</thead>
					<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
						<tr>
							<td align="left">MCMV</td>
							<td align="center">Alta (2)</td>
							<td align="center">Baixa (0)</td>
							<td align="center">Alta (1)</td>
							<td align="center">Baixa (0)</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">PRONATEC</td>
							<td align="center">Alta (2)</td>
							<td align="center">Alta (2)</td>
							<td align="center">Alta (1)</td>
							<td align="center">Alta (1)</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">PBF</td>
							<td align="center">Alta (2)</td>
							<td align="center">M&#xE9;dia (1)</td>
							<td align="center">Alta (1)</td>
							<td align="center">Alta (1)</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">PISF</td>
							<td align="center">M&#xE9;dia (1)</td>
							<td align="center">Alta (2)</td>
							<td align="center">Baixa (0)</td>
							<td align="center">Alta (1)</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">UHBM</td>
							<td align="center">M&#xE9;dia (1)</td>
							<td align="center">Baixa (0)</td>
							<td align="center">Baixa (0)</td>
							<td align="center">Baixa (0)</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">PNPB</td>
							<td align="center">Alta (2)</td>
							<td align="center">M&#xE9;dia (1)</td>
							<td align="center">Alta (1)</td>
							<td align="center">Alta (1)</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">PBM</td>
							<td align="center">Baixa (0)</td>
							<td align="center">Baixa (0)</td>
							<td align="center">Baixa (0)</td>
							<td align="center">Baixa (0)</td>
						</tr>
						<tr>
							<td align="left">RIN</td>
							<td align="center">Alta (2)</td>
							<td align="center">Alta (2)</td>
							<td align="center">Alta (1)</td>
							<td align="center">Alta (1)</td>
						</tr>
					</tbody>
				</table>
			</alternatives>
				<table-wrap-foot>
					<attrib>Fonte: Os autores.</attrib>
				</table-wrap-foot>
			</table-wrap>
			<p>Na pr&#xF3;xima se&#xE7;&#xE3;o s&#xE3;o apresentados os resultados das an&#xE1;lises realizadas com o aux&#xED;lio da t&#xE9;cnica de An&#xE1;lise Comparativo-Qualitativa (
				<italic>Qualitative Comparative Analysis &#x2013;</italic> QCA).
			</p>
		</sec>
		<sec sec-type="results">
			<title>IV. Comparando pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas: as rela&#xE7;&#xF5;es entre capacidades estatais e resultados observados</title>
			<p>Com o objetivo de identificar as associa&#xE7;&#xF5;es entre as diferentes dimens&#xF5;es de capacidades estatais e os diferentes tipos de resultados de pol&#xED;tica p&#xFA;blica, bem como os mecanismos que explicam tais associa&#xE7;&#xF5;es, empregou-se a t&#xE9;cnica de An&#xE1;lise Comparativo-Qualitativa (QCA). O QCA se utiliza da teoria dos conjuntos e da &#xE1;lgebra booleana para comparar diferentes configura&#xE7;&#xF5;es de casos e identificar padr&#xF5;es de associa&#xE7;&#xE3;o entre condi&#xE7;&#xF5;es (vari&#xE1;veis independentes) e resultados (vari&#xE1;veis dependentes) (
				<xref ref-type="bibr" rid="B23">Marx, Rihoux &#x26; Ragin 2013</xref>)
				<sup>
					<xref ref-type="fn" rid="fn8">7</xref>
				</sup>.
			</p>
			<p>O QCA &#xE9; uma t&#xE9;cnica que permite uma an&#xE1;lise comparativa sistem&#xE1;tica de casos complexos. Os programas federais analisados no artigo enquadram-se nessa condi&#xE7;&#xE3;o. Ademais, &#xE9; uma t&#xE9;cnica que, por meio da identifica&#xE7;&#xE3;o das similaridades e diferen&#xE7;as entre as configura&#xE7;&#xF5;es de casos, permite descobrir as condi&#xE7;&#xF5;es de ocorr&#xEA;ncia de um determinado fen&#xF4;meno em pesquisas com pequeno n&#xFA;mero de observa&#xE7;&#xF5;es (no artigo foram analisados e comparados oito casos), produzindo 
				<italic>insights</italic> para compreender o fen&#xF4;meno sob a investiga&#xE7;&#xE3;o e explorar os processos causais.
			</p>
			<p>A an&#xE1;lise comparativo-qualitativa dos oito casos estudados gerou resultados interessantes para se pensar a rela&#xE7;&#xE3;o entre arranjos institucionais, capacidades do Estado e resultados das pol&#xED;ticas. Nesta se&#xE7;&#xE3;o, os achados da an&#xE1;lise s&#xE3;o apresentados em duas etapas. Na primeira, s&#xE3;o descritas as associa&#xE7;&#xF5;es encontradas entre capacidades e resultados; na segunda etapa, s&#xE3;o identificados os mecanismos que ligam as diferentes dimens&#xF5;es de capacidades com os diferentes tipos de resultados. As 
				<xref ref-type="table" rid="t2">Tabelas 1</xref> e 
				<xref ref-type="table" rid="t3">2</xref> fornecerem os dados b&#xE1;sicos para as an&#xE1;lises com o uso do software Tosmana (
				<xref ref-type="bibr" rid="B15">Lasse 2011</xref>).
			</p>
			<sec>
				<title>IV.1. As associa&#xE7;&#xF5;es entre capacidades e resultados</title>
				<p>Se considerarmos as duas dimens&#xF5;es de desempenho (produto e inova&#xE7;&#xE3;o) como resultado e as duas dimens&#xF5;es das capacidades estatais (t&#xE9;cnico-administrativo e pol&#xED;tico-relacional) como condi&#xE7;&#xF5;es, pode-se transformar a 
					<xref ref-type="table" rid="t3">Tabela 2</xref> em duas tabelas de configura&#xE7;&#xF5;es de casos ou &#x201C;truth tables&#x201D; (
					<xref ref-type="table" rid="t4">Tabelas 3</xref> e 
					<xref ref-type="table" rid="t5">4</xref>).
				</p>
				<table-wrap id="t4">
					<label>Tabela 3</label>
					<caption>
						<title>Tabela de configura&#xE7;&#xF5;es de casos para a vari&#xE1;vel de resultado &#x201C;entrega de produtos&#x201D;</title>
					</caption>
					<alternatives>
					<graphic xlink:href="Tab3.jpg"/>
					<table frame="hsides" rules="groups">
						<colgroup width="25%">
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
							<tr>
								<th align="center" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Condi&#xE7;&#xF5;es (vari&#xE1;veis explicativas)</th>
								<th align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Vari&#xE1;vel de resultado</th>
								<th align="center" rowspan="2">Casos</th>
							</tr>
							<tr>
								<th align="left">TEC.ADM-CAP</th>
								<th align="center">POL-CAP</th>
								<th align="center">OUTPUT_DEL</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
							<tr>
								<td align="left">2</td>
								<td align="center">0</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">MCMV</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">2</td>
								<td align="center">2</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">PRONATEC, RIN</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">2</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">PNPB, PBF</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1</td>
								<td align="center">0</td>
								<td align="center">0</td>
								<td align="center">UHBM</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1</td>
								<td align="center">2</td>
								<td align="center">0</td>
								<td align="center">PISF</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">0</td>
								<td align="center">0</td>
								<td align="center">0</td>
								<td align="center">PBM</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</alternatives>
					<table-wrap-foot>
						<attrib>Fonte: Os autores.</attrib>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap>
				<table-wrap id="t5">
					<label>Tabela 4</label>
					<caption>
						<title>Tabela de configura&#xE7;&#xF5;es de casos para a vari&#xE1;vel de resultado &#x201C;inova&#xE7;&#xE3;o&#x201D;</title>
					</caption>
					<alternatives>
					<graphic xlink:href="Tab4.jpg"/>
					<table frame="hsides" rules="groups">
						<colgroup width="25%">
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
							<tr>
								<th align="left" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Condi&#xE7;&#xF5;es</th>
								<th align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Vari&#xE1;vel de resultado</th>
								<th align="center" rowspan="2">Configura&#xE7;&#xF5;es de casos</th>
							</tr>
							<tr>
								<th align="left">TEC.ADM-CAP</th>
								<th align="center">POL-CAP</th>
								<th align="center">INNOV</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
							<tr>
								<td align="left">2</td>
								<td align="center">2</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">PRONATEC, RIN</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">2</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">PNPB, PBF</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1</td>
								<td align="center">2</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">PISF</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">2</td>
								<td align="center">0</td>
								<td align="center">0</td>
								<td align="center">MCMV</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1</td>
								<td align="center">0</td>
								<td align="center">0</td>
								<td align="center">UHBM</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">0</td>
								<td align="center">0</td>
								<td align="center">0</td>
								<td align="center">PBM</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</alternatives>
					<table-wrap-foot>
						<attrib>Fonte: Os autores.</attrib>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap>
				<p>A 
					<xref ref-type="table" rid="t4">Tabela 3</xref> apresenta seis tipos de configura&#xE7;&#xF5;es de casos, cada qual correspondendo a um ou dois casos. Tr&#xEA;s configura&#xE7;&#xF5;es est&#xE3;o associadas &#xE0; vari&#xE1;vel de resultado com valor 1 (alta entrega de produtos) e tr&#xEA;s configura&#xE7;&#xF5;es &#xE0; vari&#xE1;vel de resultado com valor 0 (baixa entrega de produtos).
				</p>
				<p>Observa-se na 
					<xref ref-type="table" rid="t4">Tabela 3</xref> que a vari&#xE1;vel de resultado 1 ocorre apenas na presen&#xE7;a da condi&#xE7;&#xE3;o &#x201C;altas capacidades t&#xE9;cnico-administrativas&#x201D; (valor igual a 2). Portanto, a minimiza&#xE7;&#xE3;o booleana
					<sup>
						<xref ref-type="fn" rid="fn10">9</xref>
					</sup> da vari&#xE1;vel de resultado 1 sugere que a alta entrega de produtos est&#xE1; associada com arranjos institucionais com altas capacidades t&#xE9;cnico-administrativas, tal como descrito na f&#xF3;rmula abaixo
					<sup>
						<xref ref-type="fn" rid="fn9">8</xref>
					</sup>.
				</p>
				<p>F&#xF3;rmula 1 (minimiza&#xE7;&#xE3;o das configura&#xE7;&#xF5;es de casos com resultado OUTPUT_DEL {1}, sem restos l&#xF3;gicos)
					<sup>
						<xref ref-type="fn" rid="fn11">10</xref>
					</sup>:

					<disp-formula id="e1">
						<label>1</label>
						<alternatives>
					<graphic xlink:href="Form1.jpg"/>
						<mml:math id="m1" display="block">
							<mml:mtable columnalign='left'>
								<mml:mtr>
									<mml:mtd>
										<mml:mtext>TEC</mml:mtext>
										<mml:mo>.</mml:mo>
										<mml:mtext>ADM</mml:mtext>
										<mml:mo>-</mml:mo>
										<mml:mtext>CAP</mml:mtext>
										<mml:mo>&#x7B;</mml:mo>
										<mml:mn>2</mml:mn>
										<mml:mo>&#x7D;</mml:mo>
										<mml:mo>&#x2192;</mml:mo>
										<mml:mtext>OUTPUT</mml:mtext>
										<mml:mo>&#x5F;</mml:mo>
										<mml:mtext>DEL</mml:mtext>
										<mml:mo>&#x7B;</mml:mo>
										<mml:mn>1</mml:mn>
										<mml:mo>&#x7D;</mml:mo>
									</mml:mtd>
								</mml:mtr>
								<mml:mtr>
									<mml:mtd>
										<mml:mo stretchy='false'>(</mml:mo>
										<mml:mtext>MCMV</mml:mtext>
										<mml:mo>,</mml:mo>
										<mml:mtext>PRONATEC</mml:mtext>
										<mml:mo>,</mml:mo>
										<mml:mtext>RIN</mml:mtext>
										<mml:mo>,</mml:mo>
										<mml:mtext>PNPB</mml:mtext>
										<mml:mo>,</mml:mo>
										<mml:mtext>PBF</mml:mtext>
										<mml:mo stretchy='false'>)</mml:mo>
									</mml:mtd>
								</mml:mtr>
							</mml:mtable>
						</mml:math>
					</alternatives>
					</disp-formula>
				</p>
				<p>A F&#xF3;rmula 1 pode ser lida assim: a presen&#xE7;a de altas capacidades t&#xE9;cnico-administrativas est&#xE1; associada &#xE0; alta entrega de produtos (tendo em vista os casos MCMV, PRONATEC, RIN, PNPB e PBF)
					<sup>
						<xref ref-type="fn" rid="fn12">11</xref>
					</sup>.
				</p>
				<p>A 
					<xref ref-type="table" rid="t5">Tabela 4</xref>, por sua vez, tamb&#xE9;m possui tr&#xEA;s configura&#xE7;&#xF5;es de casos para a vari&#xE1;vel de resultado 1 (alta inova&#xE7;&#xE3;o) e tr&#xEA;s configura&#xE7;&#xF5;es de casos para a vari&#xE1;vel de resultado zero (baixa inova&#xE7;&#xE3;o).
				</p>
				<p>Com base na 
					<xref ref-type="table" rid="t5">Tabela 4</xref>, a minimiza&#xE7;&#xE3;o booleana da vari&#xE1;vel de resultado INNOV{1} indica que a inova&#xE7;&#xE3;o &#xE9; observada em tr&#xEA;s combina&#xE7;&#xF5;es de condi&#xE7;&#xF5;es (F&#xF3;rmula 2).
				</p>
				<p>F&#xF3;rmula 2 (minimiza&#xE7;&#xE3;o das configura&#xE7;&#xF5;es de casos com resultado INNOV{1}, sem restos l&#xF3;gicos):

					<disp-formula id="e2">
						<label>2</label>
						<alternatives>
					<graphic xlink:href="Form2.jpg"/>
						<mml:math id="m2" display="block">
							<mml:mtable columnalign='left'>
								<mml:mtr>
									<mml:mtd>
										<mml:mtext>TEC.ADM-CAP&#x7B;2&#x7D;*POL-CAP&#x7B;2&#x7D;(PRONATEC,RIN)+</mml:mtext>
									</mml:mtd>
								</mml:mtr>
								<mml:mtr>
									<mml:mtd>
										<mml:mtext>TEC.ADM-CAP&#x7B;2&#x7D;*POL-CAP&#x7B;1&#x7D;(PBF,PNPB)+</mml:mtext>
									</mml:mtd>
								</mml:mtr>
								<mml:mtr>
									<mml:mtd>
										<mml:mtext>TEC.ADM-CAP&#x7B;1&#x7D;*POL-CAP&#x7B;2&#x7D;(PISF)</mml:mtext>
										<mml:mo>&#x2192;</mml:mo>
										<mml:mtext>INNOV&#x7B;1&#x7D;</mml:mtext>
									</mml:mtd>
								</mml:mtr>
							</mml:mtable>
						</mml:math>
					</alternatives>
					</disp-formula>
				</p>
				<p>A F&#xF3;rmula 2 sugere que a inova&#xE7;&#xE3;o ocorre em uma das tr&#xEA;s configura&#xE7;&#xF5;es de condi&#xE7;&#xF5;es: (a) altas capacidades t&#xE9;cnico-administrativas simultaneamente presentes com altas capacidades pol&#xED;tico-relacionais (caso do PRONATEC e RIN); ou (b) altas capacidades t&#xE9;cnico-administrativas simultaneamente presentes com m&#xE9;dias capacidades pol&#xED;tico-relacionais (caso do PBF e PNPB); ou (c) m&#xE9;dias capacidades t&#xE9;cnico-administrativas simultaneamente presentes com altas capacidades politico-relacionais (caso do PISF).</p>
				<p>Para conseguir uma express&#xE3;o mais parcimoniosa em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0; F&#xF3;rmula 2, permite-se que o software inclua os &#x201C;restos l&#xF3;gicos&#x201D;, isto &#xE9;, os casos n&#xE3;o observados criados pelo software no processo de minimiza&#xE7;&#xE3;o, com base em hip&#xF3;teses simplificadoras. Tal como mostra a F&#xF3;rmula 3, este procedimento produz uma express&#xE3;o mais simples. De acordo com a F&#xF3;rmula 3, a inova&#xE7;&#xE3;o est&#xE1; associada com a presen&#xE7;a de m&#xE9;dia ou altas capacidades pol&#xED;tico-relacionais dos arranjos institucionais
					<sup>
						<xref ref-type="fn" rid="fn13">12</xref>
					</sup>.
				</p>
				<p>F&#xF3;rmula 3 (minimiza&#xE7;&#xE3;o das configura&#xE7;&#xF5;es de casos com resultado INNOV {1}, com restos l&#xF3;gicos)
					<sup>
						<xref ref-type="fn" rid="fn14">13</xref>
					</sup>:

					<disp-formula id="e3">
						<label>3</label>
						<alternatives>
					<graphic xlink:href="Form3.jpg"/>
						<mml:math id="m3" display="block">
							<mml:mtable columnalign='left'>
								<mml:mtr>
									<mml:mtd>
										<mml:mtext>POL-CAP&#x7B;1,2&#x7D;</mml:mtext>
										<mml:mo>&#x2192;</mml:mo>
										<mml:mtext>INNOV&#x7B;1&#x7D;</mml:mtext>
									</mml:mtd>
								</mml:mtr>
								<mml:mtr>
									<mml:mtd>
										<mml:mtext>(PRONATEC,RIN+PNPB,PBF+PISF)</mml:mtext>
									</mml:mtd>
								</mml:mtr>
							</mml:mtable>
						</mml:math>
					</alternatives>
					</disp-formula>
				</p>
				<p>Em suma, as an&#xE1;lises realizadas at&#xE9; este ponto produziram dois achados principais. Em primeiro lugar, que altas capacidades t&#xE9;cnico-administrativas est&#xE3;o relacionadas com a alta entrega de produtos. Em segundo lugar, que m&#xE9;dias e altas capacidades pol&#xED;tico-relacionais est&#xE3;o relacionadas com a alta inova&#xE7;&#xE3;o. Estes achados s&#xE3;o interessantes porque indicam que os diferentes tipos de capacidades estatais est&#xE3;o associados a diferentes tipos de resultados. Em certo sentido, a literatura sobre capacidades estatais j&#xE1; havia argumentado sobre a import&#xE2;ncia de burocracias profissionalizadas para a implementa&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas eficazes (
					<xref ref-type="bibr" rid="B9">Evans &#x26; Rauch 1999</xref>); igualmente, vertentes da literatura mais recente sobre &#x201C;governan&#xE7;a&#x201D; tinham indicado uma associa&#xE7;&#xE3;o potencial entre a inclus&#xE3;o das m&#xFA;ltiplas partes interessadas nos processos de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas com a aprendizagem e a inova&#xE7;&#xE3;o. Cabe assim, por conseguinte, elucidar os mecanismos que explicam tais rela&#xE7;&#xF5;es.
				</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>IV.2. Os mecanismos explicativos</title>
				<p>A identifica&#xE7;&#xE3;o de rela&#xE7;&#xF5;es entre as diferentes dimens&#xF5;es das capacidades estatais e os resultados das pol&#xED;ticas &#xE9; interessante, mas pouco acrescenta ao conhecimento sobre os mecanismos pelo quais a presen&#xE7;a de capacidades t&#xE9;cnico-administrativas causa altas taxas de entrega de produtos ou porque altas capacidades pol&#xED;tico-relacionais promovem a inova&#xE7;&#xE3;o.</p>
				<p>No intuito de elucidar os mecanismos que explicam as rela&#xE7;&#xF5;es encontradas, ser&#xE3;o exploradas as associa&#xE7;&#xF5;es entre os subcomponentes (crit&#xE9;rios de classifica&#xE7;&#xE3;o) de cada dimens&#xE3;o das capacidades estatais com os diferentes tipos de resultados. Para isso, a 
					<xref ref-type="table" rid="t2">Tabela 1</xref> foi transformada em duas tabelas de configura&#xE7;&#xF5;es de casos, as 
					<xref ref-type="table" rid="t6">Tabelas 5</xref> e 
					<xref ref-type="table" rid="t7">6</xref>.
				</p>
				<table-wrap id="t6">
					<label>Tabela 5</label>
					<caption>
						<title>Configura&#xE7;&#xF5;es de casos para a vari&#xE1;vel de resultado &#x201C;entrega de produtos&#x201D;: subcomponentes da capacidade t&#xE9;cnico-administrativa</title>
					</caption>
						<alternatives>
					<graphic xlink:href="Tab5.jpg"/>
					<table frame="hsides" rules="groups">
						<colgroup width="20%">
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
							<tr>
								<th align="left" colspan="3" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Condi&#xE7;&#xF5;es</th>
								<th align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Resultado</th>
								<th align="center" rowspan="2">Configura&#xE7;&#xF5;es</th>
							</tr>
							<tr>
								<th align="left">ORGA</th>
								<th align="center">COOR</th>
								<th align="center">MONI</th>
								<th align="center">OUTPUT_DEL</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
							<tr>
								<td align="left">1</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">MCMV, PRONATEC, PBF, PNPB, RIN</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">0</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">0</td>
								<td align="center">PISF</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1</td>
								<td align="center">0</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">0</td>
								<td align="center">UHBM</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1</td>
								<td align="center">0</td>
								<td align="center">0</td>
								<td align="center">0</td>
								<td align="center">PBM</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</alternatives>
					<table-wrap-foot>
						<attrib>Fonte: Os autores.</attrib>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap>
				<table-wrap id="t7">
					<label>Tabela 6</label>
					<caption>
						<title>Configura&#xE7;&#xF5;es de casos para a vari&#xE1;vel de resultado &#x201C;inova&#xE7;&#xE3;o&#x201D;: subcomponentes da capacidade pol&#xED;tico-relacional</title>
					</caption>
						<alternatives>
					<graphic xlink:href="Tab6.jpg"/>
					<table frame="hsides" rules="groups">
						<colgroup width="20%">
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
							<col/>
						</colgroup>
						<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
							<tr>
								<th align="left" colspan="3" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Condi&#xE7;&#xF5;es</th>
								<th align="center" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Vari&#xE1;vel de resultado</th>
								<th align="center" rowspan="2">Configura&#xE7;&#xF5;es de casos</th>
							</tr>
							<tr>
								<th align="left">APOLI</th>
								<th align="center">PART</th>
								<th align="center">CONT</th>
								<th align="center">INNOV</th>
							</tr>
						</thead>
						<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
							<tr>
								<td align="left">1</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">PRONATEC, PISF, RIN</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1</td>
								<td align="center">0</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">PBF</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">1</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">0</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">PNPB</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">0</td>
								<td align="center">0</td>
								<td align="center">1</td>
								<td align="center">0</td>
								<td align="center">MCMV, UHBM</td>
							</tr>
							<tr>
								<td align="left">0</td>
								<td align="center">0</td>
								<td align="center">0</td>
								<td align="center">0</td>
								<td align="center">PBM</td>
							</tr>
						</tbody>
					</table>
				</alternatives>
					<table-wrap-foot>
						<attrib>Fonte: Os autores.</attrib>
					</table-wrap-foot>
				</table-wrap>
				<p>A 
					<xref ref-type="table" rid="t6">Tabela 5</xref> indica quatro configura&#xE7;&#xF5;es de casos, sendo uma para a vari&#xE1;vel de resultado 1 (ou seja, alta entrega de produtos) e tr&#xEA;s configura&#xE7;&#xF5;es de resultado para a vari&#xE1;vel de resultado 0 (ou seja, baixa entrega). A minimiza&#xE7;&#xE3;o da vari&#xE1;vel de resultado para &#x201C;entrega de produtos&#x201D; igual a 1, resultou numa express&#xE3;o que explica cinco casos, tal como mostra a F&#xF3;rmula 4.
				</p>
				<p>F&#xF3;rmula 4 (minimiza&#xE7;&#xE3;o das configura&#xE7;&#xF5;es de casos com resultado OUTPUT_DEL {1}, sem restos l&#xF3;gicos):

					<disp-formula id="e4">
						<label>4</label>
						<alternatives>
					<graphic xlink:href="Form4.jpg"/>
						<mml:math id="m4" display="block">
							<mml:mtable columnalign='left'>
								<mml:mtr>
									<mml:mtd>
										<mml:mtext>ORGA</mml:mtext>
										<mml:mo>&#x7B;</mml:mo>
										<mml:mn>1</mml:mn>
										<mml:mo>&#x7D;</mml:mo>
										<mml:mo>*</mml:mo>
										<mml:mtext>COOR</mml:mtext>
										<mml:mo>&#x7B;</mml:mo>
										<mml:mn>1</mml:mn>
										<mml:mo>&#x7D;</mml:mo>
										<mml:mo>*</mml:mo>
										<mml:mtext>MONI</mml:mtext>
										<mml:mo>&#x7B;</mml:mo>
										<mml:mn>1</mml:mn>
										<mml:mo>&#x7D;</mml:mo>
										<mml:mo>&#x2192;</mml:mo>
										<mml:mtext>OUTPUT</mml:mtext>
										<mml:mo>&#x5F;</mml:mo>
										<mml:mtext>DEL</mml:mtext>
										<mml:mo>&#x7B;</mml:mo>
										<mml:mn>1</mml:mn>
										<mml:mo>&#x7D;</mml:mo>
									</mml:mtd>
								</mml:mtr>
								<mml:mtr>
									<mml:mtd>
										<mml:mo stretchy='false'>(</mml:mo>
										<mml:mtext>MCMV</mml:mtext>
										<mml:mo>,</mml:mo>
										<mml:mtext>PRONATEC</mml:mtext>
										<mml:mo>,</mml:mo>
										<mml:mtext>PBF</mml:mtext>
										<mml:mo>,</mml:mo>
										<mml:mtext>PNPB</mml:mtext>
										<mml:mo>,</mml:mo>
										<mml:mtext>RIN</mml:mtext>
										<mml:mo stretchy='false'>)</mml:mo>
									</mml:mtd>
								</mml:mtr>
							</mml:mtable>
						</mml:math>
					</alternatives>
					</disp-formula>
				</p>
				<p>Como se pode ver na F&#xF3;rmula 4, as cinco pol&#xED;ticas federais que apresentam altas entregas de produtos (quais sejam, MCMV, PRONATEC, PBF, PNPB e RIN) s&#xE3;o caracterizadas pela presen&#xE7;a simult&#xE2;nea das tr&#xEA;s condi&#xE7;&#xF5;es que comp&#xF5;em a capacidade t&#xE9;cnica-administrativa: i) organiza&#xE7;&#xF5;es profissionalizadas (ORGA); (ii) funcionamento mecanismos de coordena&#xE7;&#xE3;o (COOR) e (iii) sistemas de monitoramento (MONI). Por outro lado, as combina&#xE7;&#xF5;es de condi&#xE7;&#xF5;es que envolvem uma ou mais aus&#xEA;ncias nesses tr&#xEA;s subcomponentes est&#xE3;o associados com a baixa entrega de produtos, tal como observado nos casos do PISF, UHBM e PBM.</p>
				<p>O Diagrama de Venn (
					<xref ref-type="fig" rid="f2">Figura 2</xref>) fornece uma visualiza&#xE7;&#xE3;o dessas configura&#xE7;&#xF5;es de condi&#xE7;&#xF5;es e resultados. Nele, os casos que apresentam altas entregas de produtos (valor igual a &#x201C;1&#x201D; na vari&#xE1;vel OUTPUT_DEL) est&#xE3;o todos situados na regi&#xE3;o do diagrama que expressa a intercess&#xE3;o, ou presen&#xE7;a simult&#xE2;nea, das tr&#xEA;s condi&#xE7;&#xF5;es &#x2013; ORGA, COOR e MONI (com valores igual a &#x201C;1&#x201D;). Os demais casos (PISF, UHBM e PBM) est&#xE3;o situados em outras regi&#xF5;es do gr&#xE1;fico, as quais expressam a aus&#xEA;ncia de uma ou duas das tr&#xEA;s condi&#xE7;&#xF5;es analisadas. Essas regi&#xF5;es do diagrama, por sua vez, apresentam-se associadas com a baixa entrega de produtos (OUTPUT_DEL igual a &#x201C;0&#x201D;).
				</p>
				<fig id="f2">
					<label>Figura 2</label>
					<caption>
						<title>Diagrama de Venn para a vari&#xE1;vel de resultado &#x201C;entrega de produtos&#x201D;: subcomponentes da capacidade t&#xE9;cnico-administrativa</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="gf02.jpg"/>
					<attrib>Fonte: Os autores, a partir de a partir do Tosmana: Tool for Small-N Analysis (Cf. 
						<xref ref-type="bibr" rid="B15">Lasse 2011</xref>).
					</attrib>
				</fig>
				<p>Buscando uma express&#xE3;o parcimoniosa da F&#xF3;rmula 4 por meio do processo de minimiza&#xE7;&#xE3;o booleana com a inclus&#xE3;o dos restos l&#xF3;gicos, obt&#xE9;m-se a F&#xF3;rmula 5
					<sup>
						<xref ref-type="fn" rid="fn15">14</xref>
					</sup>. Esta f&#xF3;rmula indica que a presen&#xE7;a simult&#xE2;nea de organiza&#xE7;&#xF5;es profissionalizadas (ORGA) e de mecanismos de coordena&#xE7;&#xE3;o (COOR) s&#xE3;o as condi&#xE7;&#xF5;es m&#xED;nimas comuns associadas aos casos em que se observaram altas entregas de produtos
					<sup>
						<xref ref-type="fn" rid="fn16">15</xref>
					</sup>.
				</p>
				<p>F&#xF3;rmula 5 (minimiza&#xE7;&#xE3;o das configura&#xE7;&#xF5;es de casos com resultado OUTPUT_DEL {1}, com restos l&#xF3;gicos):

					<disp-formula id="e5">
						<label>5</label>
						<alternatives>
					<graphic xlink:href="Form5.jpg"/>
						<mml:math id="m5" display="block">
							<mml:mtable columnalign='left'>
								<mml:mtr>
									<mml:mtd>
										<mml:mtext>ORGA</mml:mtext>
										<mml:mo>&#x7B;</mml:mo>
										<mml:mn>1</mml:mn>
										<mml:mo>&#x7D;</mml:mo>
										<mml:mo>*</mml:mo>
										<mml:mtext>COOR</mml:mtext>
										<mml:mo>&#x7B;</mml:mo>
										<mml:mn>1</mml:mn>
										<mml:mo>&#x7D;</mml:mo>
										<mml:mo>&#x2192;</mml:mo>
										<mml:mtext>OUTPUT</mml:mtext>
										<mml:mo>&#x5F;</mml:mo>
										<mml:mtext>DEL</mml:mtext>
										<mml:mo>&#x7B;</mml:mo>
										<mml:mn>1</mml:mn>
										<mml:mo>&#x7D;</mml:mo>
									</mml:mtd>
								</mml:mtr>
								<mml:mtr>
									<mml:mtd>
										<mml:mo stretchy='false'>(</mml:mo>
										<mml:mtext>MCMV</mml:mtext>
										<mml:mo>,</mml:mo>
										<mml:mtext>PRONATEC</mml:mtext>
										<mml:mo>,</mml:mo>
										<mml:mtext>PBF</mml:mtext>
										<mml:mo>,</mml:mo>
										<mml:mtext>PNPB</mml:mtext>
										<mml:mo>,</mml:mo>
										<mml:mtext>RIN</mml:mtext>
										<mml:mo stretchy='false'>)</mml:mo>
									</mml:mtd>
								</mml:mtr>
							</mml:mtable>
						</mml:math>
					</alternatives>
					</disp-formula>
				</p>
				<p>Quando se examinam os casos por dentro, as associa&#xE7;&#xF5;es aqui encontradas se tornaram mais claras. Praticamente todos os oito casos estudados indicaram a participa&#xE7;&#xE3;o de uma diversidade de atores estatais e n&#xE3;o estatais em seus arranjos institucionais. Do lado do governo, minist&#xE9;rios e suas ag&#xEA;ncias subsidi&#xE1;rias, bancos e empresas estatais. No lado n&#xE3;o governamental, empresas privadas, associa&#xE7;&#xF5;es de empres&#xE1;rios e trabalhadores e organiza&#xE7;&#xF5;es da sociedade civil. A a&#xE7;&#xE3;o de todos esses atores coletivos forneceu recursos humanos, financeiros e tecnol&#xF3;gicos, como tamb&#xE9;m compet&#xEA;ncias t&#xE9;cnicas e legais, para executar as tarefas que levaram &#xE0; realiza&#xE7;&#xE3;o (parcial ou total) dos objetivos estabelecidos por cada pol&#xED;tica.</p>
				<p>A presen&#xE7;a desses atores exige, necessariamente, a presen&#xE7;a e o funcionamento de mecanismos de coordena&#xE7;&#xE3;o para a entrega de produtos. Tais mecanismos s&#xE3;o uma pe&#xE7;a vital em arranjos institucionais, que os tornam capazes de combinar produtivamente atores e recursos, evitando sobreposi&#xE7;&#xF5;es, redund&#xE2;ncia e conflitos internos. Assim, um conjunto diversificado de organiza&#xE7;&#xF5;es habilitadas e competentes s&#xF3; pode contribuir efetivamente para alcan&#xE7;ar altos n&#xED;veis de entrega de resultados na presen&#xE7;a de mecanismos de coordena&#xE7;&#xE3;o &#x2013; e a combina&#xE7;&#xE3;o de organiza&#xE7;&#xF5;es profissionalizadas e habilitadas (ORGA) com o funcionamento de mecanismos de coordena&#xE7;&#xE3;o (COOR) estava presente nos casos que apresentaram alta entrega de produtos.</p>
				<p>A coordena&#xE7;&#xE3;o das burocracias governamentais se destacou em casos como o MCMV e PNPB. Seus arranjos institucionais envolveram diferentes organiza&#xE7;&#xF5;es federais. Em ambos os programas, a Casa Civil funcionou como um &#x201C;superminist&#xE9;rio&#x201D;, ditando diretrizes, conectando as diferentes ag&#xEA;ncias, mitigando conflitos e monitorando o desempenho. A atua&#xE7;&#xE3;o da Casa Civil tornou a implementa&#xE7;&#xE3;o dessas pol&#xED;ticas em um fluxo coerente e cont&#xED;nuo de a&#xE7;&#xF5;es. Da mesma forma, no caso da revitaliza&#xE7;&#xE3;o da ind&#xFA;stria naval (RIN), a Casa Civil e Minist&#xE9;rio do Planejamento estavam &#xE0; frente de um Grupo Executivo (GEPAC), destinado a controlar e superar os problemas que apareciam no processo de execu&#xE7;&#xE3;o, aliviando eventuais conflitos entre os &#xF3;rg&#xE3;os envolvidos. Finalmente, em outros casos, como o PRONATEC e o PBF, os minist&#xE9;rios setoriais respons&#xE1;veis pela sua aplica&#xE7;&#xE3;o, respectivamente, Minist&#xE9;rio da Educa&#xE7;&#xE3;o e Minist&#xE9;rio do Desenvolvimento Social, adquiriram as suas pr&#xF3;prias capacidades de coordena&#xE7;&#xE3;o, uma vez que estes projetos se tornaram prioridades da agenda do(a) presidente da rep&#xFA;blica. Com o apoio expl&#xED;cito do(a) presidente, estes minist&#xE9;rios ganharam capacidades para orientar as a&#xE7;&#xF5;es de outros &#xF3;rg&#xE3;os envolvidos nos projetos sob suas responsabilidades. Em todos esses casos, observou-se tamb&#xE9;m a presen&#xE7;a de grupos de trabalho e comiss&#xF5;es interministeriais que contribu&#xED;ram para a orquestra&#xE7;&#xE3;o de a&#xE7;&#xF5;es.</p>
				<p>A coordena&#xE7;&#xE3;o intergovernamental foi marcante nos casos do MCMV, PBF e PRONATEC. Os arranjos institucionais desses projetos lidaram ativamente com desafios em mat&#xE9;ria de articula&#xE7;&#xE3;o das burocracias federais, estaduais e municipais. Nos dois primeiros casos, a Caixa Econ&#xF4;mica Federal (CEF) desempenhou um papel fundamental, integrando a formula&#xE7;&#xE3;o de planos no n&#xED;vel federal com a sua execu&#xE7;&#xE3;o no n&#xED;vel local. Ao controlar o acesso ao financiamento habitacional e os dep&#xF3;sitos de transfer&#xEA;ncia condicionada de renda, a CEF p&#xF4;de introduzir os requisitos e diretrizes formuladas no topo. Nos casos do PBF e do PRONATEC, p&#xF4;de-se observar como as comiss&#xF5;es e f&#xF3;runs envolvendo representantes dos governos estaduais, municipais e federais desempenharam pap&#xE9;is importantes na cria&#xE7;&#xE3;o de espa&#xE7;os de discuss&#xE3;o e constru&#xE7;&#xE3;o de consenso entre os atores governamentais envolvidos com a implementa&#xE7;&#xE3;o dos programas.</p>
				<p>Por fim, outra dimens&#xE3;o de coordena&#xE7;&#xE3;o que se mostrou relevante para o sucesso dos casos se refere aos mecanismos para a organiza&#xE7;&#xE3;o das rela&#xE7;&#xF5;es p&#xFA;blico-privadas. No caso da RIN, a Transpetro, uma subsidi&#xE1;ria da Petrobr&#xE1;s, operou como um instrumento para estimular o interesse do setor privado na pol&#xED;tica e para a organiza&#xE7;&#xE3;o das demandas por financiamento subsidiado. Outro exemplo foi observado no PNPB, no qual um sistema de certifica&#xE7;&#xE3;o (Selo Combust&#xED;vel Social) organizou a cadeia produtiva do biodiesel, articulando os produtores, a agricultura em grande escala e a ind&#xFA;stria de distribui&#xE7;&#xE3;o final do combust&#xED;vel.</p>
				<p>Em contraste com estes cinco casos positivos, em que os mecanismos de coordena&#xE7;&#xE3;o foram vitais para transformar a presen&#xE7;a de diversas organiza&#xE7;&#xF5;es em resultados, os casos do PBM e UHBM demonstraram que a aus&#xEA;ncia efetiva desses mecanismos nos arranjos institucionais prejudicou a entrega de produtos. O caso da UHBM mostrou como o Minist&#xE9;rio da Energia e o Minist&#xE9;rio do Meio Ambiente, al&#xE9;m de outras ag&#xEA;ncias como o Ibama e Funai, foram frequentemente envolvidos em conflitos e impasses, provocando atrasos na implementa&#xE7;&#xE3;o. Tal situa&#xE7;&#xE3;o s&#xF3; come&#xE7;ou a evoluir anos depois do in&#xED;cio do projeto, quando a Casa Civil e Minist&#xE9;rio do Planejamento assumiram a coordena&#xE7;&#xE3;o da obra. Em paralelo, a pol&#xED;tica industrial (PBM) sofreu com problemas semelhantes. Apesar de o arranjo institucionais do PBM ter criado formalmente espa&#xE7;os para a articula&#xE7;&#xE3;o dos minist&#xE9;rios e ag&#xEA;ncias envolvidas na implementa&#xE7;&#xE3;o do plano, esses locais nunca funcionaram na pr&#xE1;tica. Al&#xE9;m disso, a aus&#xEA;ncia de um ator principal, ocupando o centro de tomada de decis&#xE3;o e com capacidade para orientar os demais participantes, comprometeu a execu&#xE7;&#xE3;o das a&#xE7;&#xF5;es previstas pelo plano (
					<xref ref-type="bibr" rid="B38">Schapiro 2013</xref>).
				</p>
				<p>Portanto, a an&#xE1;lise no interior dos casos confirma e detalha as associa&#xE7;&#xF5;es encontradas entre as capacidades t&#xE9;cnico-administrativas e entrega de produtos: a combina&#xE7;&#xE3;o de organiza&#xE7;&#xF5;es profissionalizadas com mecanismos de coordena&#xE7;&#xE3;o eleva as capacidades t&#xE9;cnico-administrativas; j&#xE1; a aus&#xEA;ncia de tais condi&#xE7;&#xF5;es reduz essas capacidades.</p>
				<p>Passando para a an&#xE1;lise das condi&#xE7;&#xF5;es associadas com a vari&#xE1;vel de resultado &#x201C;inova&#xE7;&#xE3;o&#x201D;, a 
					<xref ref-type="table" rid="t7">Tabela 6</xref> exibe cinco configura&#xE7;&#xF5;es dos casos, sendo tr&#xEA;s para vari&#xE1;vel de resultado igual a um (ou seja, alta inova&#xE7;&#xE3;o) e duas configura&#xE7;&#xF5;es para a vari&#xE1;vel de resultado igual a zero (baixa inova&#xE7;&#xE3;o). A minimiza&#xE7;&#xE3;o booleana das configura&#xE7;&#xF5;es de casos com resultado da vari&#xE1;vel &#x201C;inova&#xE7;&#xE3;o&#x201D; com valor 1, resultou na combina&#xE7;&#xE3;o de dois termos, como mostra a F&#xF3;rmula 6.
				</p>
				<p>F&#xF3;rmula 6 (minimiza&#xE7;&#xE3;o booleana das configura&#xE7;&#xF5;es de casos com resultado 1, sem restos l&#xF3;gicos):

					<disp-formula id="e6">
						<label>6</label>
						<alternatives>
					<graphic xlink:href="Form6.jpg"/>
						<mml:math id="m6" display="block">
							<mml:mtable columnalign='left'>
								<mml:mtr>
									<mml:mtd>
										<mml:mtext>APOLI</mml:mtext>
										<mml:mo>&#x7B;</mml:mo>
										<mml:mn>1</mml:mn>
										<mml:mo>&#x7D;</mml:mo>
										<mml:mo>*</mml:mo>
										<mml:mtext>CONT</mml:mtext>
										<mml:mo>&#x7B;</mml:mo>
										<mml:mn>1</mml:mn>
										<mml:mo>&#x7D;</mml:mo>
										<mml:mo>&#x2009;</mml:mo>
										<mml:mo>&#x2009;</mml:mo>
										<mml:mo>+</mml:mo>
										<mml:mo>&#x2009;</mml:mo>
										<mml:mo>&#x2009;</mml:mo>
										<mml:mtext>APOLI</mml:mtext>
										<mml:mo>&#x7B;</mml:mo>
										<mml:mn>1</mml:mn>
										<mml:mo>&#x7D;</mml:mo>
										<mml:mo>*</mml:mo>
										<mml:mtext>PART</mml:mtext>
										<mml:mo>&#x7B;</mml:mo>
										<mml:mn>1</mml:mn>
										<mml:mo>&#x7D;</mml:mo>
										<mml:mo>&#x2192;</mml:mo>
										<mml:mtext>INNOV</mml:mtext>
										<mml:mo>&#x7B;</mml:mo>
										<mml:mn>1</mml:mn>
										<mml:mo>&#x7D;</mml:mo>
									</mml:mtd>
								</mml:mtr>
								<mml:mtr>
									<mml:mtd>
										<mml:mo stretchy='false'>(</mml:mo>
										<mml:mtext>PRONATEC</mml:mtext>
										<mml:mo>,</mml:mo>
										<mml:mtext>PISF</mml:mtext>
										<mml:mo>,</mml:mo>
										<mml:mtext>RIN</mml:mtext>
										<mml:mo>+</mml:mo>
										<mml:mtext>PBF</mml:mtext>
										<mml:mo stretchy='false'>)</mml:mo>
										<mml:mo>&#x2009;</mml:mo>
										<mml:mo>&#x2009;</mml:mo>
										<mml:mo>&#x2009;</mml:mo>
										<mml:mo stretchy='false'>(</mml:mo>
										<mml:mtext>PRONATEC</mml:mtext>
										<mml:mo>,</mml:mo>
										<mml:mtext>PISF</mml:mtext>
										<mml:mo>,</mml:mo>
										<mml:mtext>RIN</mml:mtext>
										<mml:mo>+</mml:mo>
										<mml:mtext>PNPB</mml:mtext>
										<mml:mo stretchy='false'>)</mml:mo>
									</mml:mtd>
								</mml:mtr>
							</mml:mtable>
						</mml:math>
					</alternatives>
					</disp-formula>
				</p>
				<p>Como mostra o Diagrama de Venn a seguir (
					<xref ref-type="fig" rid="f3">Figura 3</xref>), tr&#xEA;s casos (PRONATEC, PISF e RIN) que apresentaram inova&#xE7;&#xF5;es se situam na regi&#xE3;o do gr&#xE1;fico caracterizada pela presen&#xE7;a simult&#xE2;nea das tr&#xEA;s condi&#xE7;&#xF5;es em an&#xE1;lise: APOLI (intera&#xE7;&#xE3;o com agentes pol&#xED;ticos), PART (presen&#xE7;a de mecanismos de participa&#xE7;&#xE3;o social) e CONT (intera&#xE7;&#xE3;o com &#xF3;rg&#xE3;os de controle). Os outros dois casos que envolveram inova&#xE7;&#xF5;es, PBF e PNPB, s&#xE3;o caracterizados pela presen&#xE7;a de apenas duas destas condi&#xE7;&#xF5;es. O PBF se situa na intercess&#xE3;o de CONT e APOLI. J&#xE1; no caso do PNPB, tem-se a intercess&#xE3;o de APOLI e PART. Assim, em conjunto, estes cinco casos podem ser explicados pela presen&#xE7;a simult&#xE2;nea de agentes pol&#xED;ticos (APOLI) e os &#xF3;rg&#xE3;os de controle (CONT) ou pela presen&#xE7;a simult&#xE2;nea de agentes pol&#xED;ticos (APOLI) e mecanismos de participa&#xE7;&#xE3;o (PART), como mostra a &#xE1;rea do diagrama marcada em correspond&#xEA;ncia ao valor &#x201C;1&#x201D; (para a vari&#xE1;vel &#x201C;inova&#xE7;&#xE3;o&#x201D;). Quando pelo menos duas destas condi&#xE7;&#xF5;es s&#xE3;o simultaneamente ausentes (APOLI e PART = 0), o resultado associado &#xE9; de baixa inova&#xE7;&#xE3;o na pol&#xED;tica (tal como nos casos do MCMV, UHBM e PBM).
				</p>
				<fig id="f3">
					<label>Figura 3</label>
					<caption>
						<title>Diagrama de Venn para a vari&#xE1;vel de resultado &#x201C;inova&#xE7;&#xE3;o&#x201D;: subcomponentes da capacidade pol&#xED;tico-relacional</title>
					</caption>
					<graphic xlink:href="gf03.jpg"/>
					<attrib>Fonte: Os autores, a partir de a partir do Tosmana: Tool for Small-N Analysis (Cf. 
						<xref ref-type="bibr" rid="B15">Lasse 2011</xref>).
					</attrib>
				</fig>
				<p>Buscando uma solu&#xE7;&#xE3;o mais parcimoniosa para a F&#xF3;rmula 6, procedeu-se a minimiza&#xE7;&#xE3;o booleana incluindo os &#x201C;restos l&#xF3;gicos&#x201D;, que resultou na F&#xF3;rmula 7. Esta f&#xF3;rmula indica que a presen&#xE7;a dos agentes pol&#xED;ticos nos arranjos institucionais dos programas estudados est&#xE1; ligada a altas inova&#xE7;&#xF5;es
					<sup>
						<xref ref-type="fn" rid="fn17">16</xref>
					</sup>.
				</p>
				<p>F&#xF3;rmula 7 (minimiza&#xE7;&#xE3;o das configura&#xE7;&#xE3;o de casos com valor 1, com restos l&#xF3;gicas)
					<sup>
						<xref ref-type="fn" rid="fn18">17</xref>
					</sup>:

					<disp-formula id="e7">
						<label>7</label>
						<alternatives>
					<graphic xlink:href="Form7.jpg"/>
						<mml:math id="m7" display="block">
							<mml:mtable columnalign='left'>
								<mml:mtr>
									<mml:mtd>
										<mml:mtext>APOLI</mml:mtext>
										<mml:mo>&#x7B;</mml:mo>
										<mml:mn>1</mml:mn>
										<mml:mo>&#x7D;</mml:mo>
										<mml:mo>&#x2009;</mml:mo>
										<mml:mo>&#x2009;</mml:mo>
										<mml:mo>&#x2009;</mml:mo>
										<mml:mo>&#x2192;</mml:mo>
										<mml:mo>&#x2009;</mml:mo>
										<mml:mo>&#x2009;</mml:mo>
										<mml:mo>&#x2009;</mml:mo>
										<mml:mtext>INNOV</mml:mtext>
										<mml:mo>&#x7B;</mml:mo>
										<mml:mn>1</mml:mn>
										<mml:mo>&#x7D;</mml:mo>
									</mml:mtd>
								</mml:mtr>
								<mml:mtr>
									<mml:mtd>
										<mml:mo stretchy='false'>(</mml:mo>
										<mml:mtext>PRONATEC</mml:mtext>
										<mml:mo>,</mml:mo>
										<mml:mtext>PISF</mml:mtext>
										<mml:mo>,</mml:mo>
										<mml:mtext>RIN</mml:mtext>
										<mml:mo>+</mml:mo>
										<mml:mtext>PBF</mml:mtext>
										<mml:mo>+</mml:mo>
										<mml:mtext>PNPB</mml:mtext>
										<mml:mo stretchy='false'>)</mml:mo>
									</mml:mtd>
								</mml:mtr>
							</mml:mtable>
						</mml:math>
					</alternatives>
					</disp-formula>
				</p>
				<p>Quando se analisam os casos por &#x201C;dentro&#x201D;, as liga&#xE7;&#xF5;es entre as capacidades pol&#xED;tico-relacionais e a inova&#xE7;&#xE3;o revelam-se de forma mais claras &#x2013; especialmente nas pol&#xED;ticas marcadas por intensos conflitos de interesses. As intera&#xE7;&#xF5;es das burocracias governamentais com os agentes pol&#xED;ticos (APOLI) e os espa&#xE7;os para participa&#xE7;&#xE3;o da sociedade civil (PART) criam oportunidades para debates e negocia&#xE7;&#xF5;es que levam &#xE0; transforma&#xE7;&#xE3;o dos objetivos e das estrat&#xE9;gias de implementa&#xE7;&#xE3;o dos projetos.</p>
				<p>Por exemplo, o projeto da transposi&#xE7;&#xE3;o do Rio S&#xE3;o Francisco (PISF) foi marcado por conflitos intensos entre as diferentes coaliz&#xF5;es de atores, sobretudo entre dos estados que perderiam recursos h&#xED;dricos e dos Estados que se beneficiariam com a transposi&#xE7;&#xE3;o. No Congresso Nacional, os debates foram intensos e polarizados entre as bancadas estaduais desses estados, al&#xE9;m da participa&#xE7;&#xE3;o ativa dos governadores (
					<xref ref-type="bibr" rid="B20">Loureiro, Teixeira &#x26; Ferreira 2013</xref>).
				</p>
				<p>Em paralelo com as batalhas no Congresso, mecanismos de articula&#xE7;&#xE3;o entre governo e sociedade desempenharam papel fundamental na cria&#xE7;&#xE3;o de espa&#xE7;os para o aprofundamento do debate e produ&#xE7;&#xE3;o de acordos que viabilizaram a obra. O Comit&#xEA; da Bacia Hidrogr&#xE1;fica do Rio S&#xE3;o Francisco, um organismo regional composto por representantes do governo e da sociedade civil, mobilizou os atores pol&#xED;ticos contr&#xE1;rios ao projeto e favoreceu debates cr&#xED;ticos que lavaram a questionamentos importantes (
					<xref ref-type="bibr" rid="B1">Abers &#x26; Keck 2013</xref>). Estes, por sua vez, tiveram que ser examinados pelo Conselho Nacional de Recursos H&#xED;dricos. Como resultado, o governo reformou o alcance e os objetivos do projeto que, desde ent&#xE3;o, n&#xE3;o s&#xF3; visava a constru&#xE7;&#xE3;o dos canais de transposi&#xE7;&#xE3;o, mas tamb&#xE9;m inclu&#xED;a investimentos significativos na revitaliza&#xE7;&#xE3;o das &#xE1;reas das margens do rio. Agora, o projeto conta com maior apoio e legitimidade, ao mesmo tempo, que beneficia os estados que primeiramente se consideravam &#x201C;perdedores&#x201D; (
					<xref ref-type="bibr" rid="B20">Loureiro, Teixeira &#x26; Ferreira 2013</xref>).
				</p>
				<p>Da mesma forma, no programa destinado a criar uma ind&#xFA;stria e um mercado de biodiesel no pa&#xED;s (PNPB), houve conflitos de interesses entre a necessidade da ind&#xFA;stria por mat&#xE9;ria-prima barata (como mamona e outros &#xF3;leos vegetais) vis-&#xE0;-vis o objetivo de inclus&#xE3;o do pequeno agricultor familiar na cadeia de produ&#xE7;&#xE3;o do biocombust&#xED;vel. A exist&#xEA;ncia de canais de participa&#xE7;&#xE3;o e discuss&#xE3;o foi chave para equilibrar os objetivos do PNPB. Desde a formula&#xE7;&#xE3;o do programa, o Congresso foi uma arena importante para a express&#xE3;o dos interesses da ind&#xFA;stria. Em paralelo, os espa&#xE7;os de participa&#xE7;&#xE3;o criados no &#xE2;mbito do Poder Executivo, como audi&#xEA;ncias p&#xFA;blicas, consultas e grupos de trabalho, serviram como canais para as express&#xF5;es de demandas de pequenas organiza&#xE7;&#xF5;es da agricultura familiar, ao mesmo tempo em que incluiu representantes da ind&#xFA;stria e da agricultura em grande escala. Atrav&#xE9;s destes canais, o programa foi revisto (
					<xref ref-type="bibr" rid="B27">Pedroti 2013</xref>). Portanto, ao garantir &#x201C;assentos&#x201D; e voz para os diferentes atores interessados, a execu&#xE7;&#xE3;o do programa tem sido capaz de contemplar as diferentes perspectivas sobre a pol&#xED;tica.
				</p>
				<p>Em contraste com estes dois casos, no projeto de constru&#xE7;&#xE3;o da hidrel&#xE9;trica de Belo Monte (UHBM), os atores afetados, sobretudo as popula&#xE7;&#xF5;es ind&#xED;genas e ribeirinhas, n&#xE3;o tiveram as mesmas oportunidades de participa&#xE7;&#xE3;o, debate e negocia&#xE7;&#xE3;o. Em primeiro lugar, o projeto foi aprovado pelo Congresso muito rapidamente, sob o regime de urg&#xEA;ncia, impedindo assim a sua discuss&#xE3;o por comiss&#xF5;es especializadas ou em sess&#xF5;es plen&#xE1;rias. Em segundo lugar, os processos de audi&#xEA;ncia p&#xFA;blica e consultas com as popula&#xE7;&#xF5;es afetadas, exigidas pela Conven&#xE7;&#xE3;o 169 da OIT, n&#xE3;o foram realizadas de forma adequada. Como resultado, os atores que se opunham ao projeto tiveram de canalizar a sua insatisfa&#xE7;&#xE3;o por meio de recursos ao Poder Judici&#xE1;rio (
					<xref ref-type="bibr" rid="B28">Pereira 2013</xref>).
				</p>
				<p>Em outros casos, a intera&#xE7;&#xE3;o com os agentes pol&#xED;ticos e sociais tem suscitado a aten&#xE7;&#xE3;o para os &#x201C;novos&#x201D; p&#xFA;blicos ou benefici&#xE1;rios. Por exemplo, no caso PRONATEC, debates no Congresso resultaram em leis que melhoraram o 
					<italic>design</italic> original do programa. Ap&#xF3;s an&#xE1;lises e discuss&#xF5;es, os parlamentares concordaram em incluir um componente de apoio t&#xE9;cnico e financeiro aos estados e governos locais. Eles tamb&#xE9;m introduziram quotas de a&#xE7;&#xE3;o afirmativa para estudantes de baixa renda e com defici&#xEA;ncia, bem como para aqueles que pertencem a grupos de popula&#xE7;&#xF5;es tradicionais (ind&#xED;genas) ou residentes nas regi&#xF5;es Norte e Nordeste. Al&#xE9;m disso, os institutos de educa&#xE7;&#xE3;o profissional e tecnol&#xF3;gica tiveram de realizar audi&#xEA;ncias p&#xFA;blicas locais, a fim de definir a lista de cursos oferecidos, bem como seus curr&#xED;culos. Ao fazer isso, eles foram chegando a um melhor alinhamento entre as ofertas educativas e demandas das localidades (
					<xref ref-type="bibr" rid="B3">Cassiolato &#x26; Garcia 2014</xref>).
				</p>
				<p>Diferentemente, na pol&#xED;tica de habita&#xE7;&#xE3;o (MCMV), observou-se o menor envolvimento do Congresso e uma lacuna em termos de participa&#xE7;&#xE3;o da sociedade civil na formula&#xE7;&#xE3;o do programa. A despeito do envolvimento ativo das empresas de constru&#xE7;&#xE3;o, movimentos de moradia e profissionais de planejamento urbano n&#xE3;o tiveram oportunidade de influenciar a pol&#xED;tica. Como consequ&#xEA;ncia, o MCMV acabou por repetir alguns dos problemas de pol&#xED;ticas habitacionais anteriores (
					<italic>i.e.</italic> do BNH), favorecendo a segrega&#xE7;&#xE3;o socioespacial, a especula&#xE7;&#xE3;o imobili&#xE1;ria e o crescimento desorganizado das cidades (
					<xref ref-type="bibr" rid="B19">Loureiro, Mac&#xE1;rio &#x26; Guerra 2013</xref>).
				</p>
				<p>Outros casos s&#xE3;o ilustrativos de como o escrut&#xED;nio cont&#xED;nuo das pol&#xED;ticas por &#xF3;rg&#xE3;os de fiscaliza&#xE7;&#xE3;o e controle estimulam revis&#xF5;es e melhorias nos processos de gest&#xE3;o. Por exemplo, o caso da RIN, em que as auditorias do TCU e da Controladoria-Geral da Uni&#xE3;o (CGU) ofereceram informa&#xE7;&#xF5;es e diagn&#xF3;sticos das limita&#xE7;&#xF5;es nos processos de gest&#xE3;o do Minist&#xE9;rio dos Transportes. Neste caso, a maioria das recomenda&#xE7;&#xF5;es provenientes dos relat&#xF3;rios de auditoria foi incorporada (total ou parcialmente) e, como resultado, foram aumentadas as capacidades operacionais das unidades t&#xE9;cnicas do Minist&#xE9;rio. Um processo semelhante tamb&#xE9;m foi observado no caso PISF, em que as respostas a estes relat&#xF3;rios de auditoria acabam por contribuir para a renegocia&#xE7;&#xE3;o de contratos frente aos desafios da gest&#xE3;o das obras da gest&#xE3;o das obras de constru&#xE7;&#xE3;o dos canais.</p>
				<p>Em suma, a an&#xE1;lise no interior dos casos revela os mecanismos que explicam as liga&#xE7;&#xF5;es entre as diferentes dimens&#xF5;es das capacidades e os distintos tipos de resultados. Como se p&#xF4;de ver, a maior intera&#xE7;&#xE3;o das burocracias estatais com os agentes pol&#xED;ticos, a incorpora&#xE7;&#xE3;o de canais participativos e a exposi&#xE7;&#xE3;o dos programas &#xE0; fiscaliza&#xE7;&#xE3;o criaram oportunidades, debates e negocia&#xE7;&#xF5;es, que geraram elementos para revis&#xE3;o e inova&#xE7;&#xE3;o de processos durante a implementa&#xE7;&#xE3;o das pol&#xED;ticas &#x2013; o que n&#xE3;o aconteceu nos casos em que essas condi&#xE7;&#xF5;es estavam ausentes.</p>
			</sec>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>V. Conclus&#xF5;es</title>
			<p>Este trabalho buscou investigar as condi&#xE7;&#xF5;es que tornam o Estado capaz de produzir pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas de forma eficaz e inovadora. O artigo come&#xE7;ou com uma breve revis&#xE3;o do conceito de capacidade estatal e uma reflex&#xE3;o sobre o seu significado no contexto das transforma&#xE7;&#xF5;es contempor&#xE2;neas do Estado, especialmente no Brasil. Completou-se essa revis&#xE3;o com duas propostas anal&#xED;ticas: a primeira sugeriu revis&#xF5;es sobre as defini&#xE7;&#xF5;es tradicionais de capacidade do Estado, de forma a incorporar a dimens&#xE3;o pol&#xED;tico-relacional e distingui-la da dimens&#xE3;o t&#xE9;cnico-administrativa; a segunda indicou as vantagens de se avaliar as capacidades estatais por meio dos arranjos institucionais de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas.</p>
			<p>Com o objetivo de aplicar essas propostas, partiu-se para uma a an&#xE1;lise emp&#xED;rica de oito programas federais. Para cada um deles, foram identificados seus objetivos, mapeados e avaliados seus arranjos institucionais, e observados seus desempenhos parciais (a an&#xE1;lise cobriu at&#xE9; o ano de 2013). De posse dessas informa&#xE7;&#xF5;es, realizou-se a an&#xE1;lise comparativa entre os diferentes casos, utilizando-se da t&#xE9;cnica do QCA. Tal an&#xE1;lise procurou encontrar rela&#xE7;&#xF5;es entre as diferentes dimens&#xF5;es de capacidades estatais e os diferentes tipos de resultados observados, como tamb&#xE9;m identificar mecanismos que explicam tais rela&#xE7;&#xF5;es.</p>
			<p>Os achados do trabalho indicaram, para os oito casos estudados, a exist&#xEA;ncia de rela&#xE7;&#xF5;es de causalidade importantes entre as capacidades estatais e o desempenho das pol&#xED;ticas. Na verdade, eles mostram que diferentes tipos de capacidades est&#xE3;o associados aos diferentes tipos de resultados at&#xE9; ent&#xE3;o observados: altas capacidades t&#xE9;cnico-administrativas est&#xE3;o associadas com a alta entrega de produtos (
				<italic>outputs</italic>); altas capacidades pol&#xED;tico-relacionais est&#xE3;o associadas com alta inova&#xE7;&#xE3;o. Em certo sentido, diferentes argumentos na literatura j&#xE1; haviam identificado a exist&#xEA;ncia dessas rela&#xE7;&#xF5;es. N&#xE3;o obstante, este trabalho permitiu ir mais fundo no entendimento dos mecanismos que explicam as associa&#xE7;&#xF5;es encontradas. A an&#xE1;lise comparativo-qualitativa dos casos indicou que:
			</p>
			<list list-type="roman-lower">
				<list-item>
					<p>A combina&#xE7;&#xE3;o de organiza&#xE7;&#xF5;es profissionalizadas com mecanismos efetivos de coordena&#xE7;&#xE3;o intra e intergovernamentais elevam as capacidades t&#xE9;cnico-administrativas, acarretando melhores resultados, em termos de efic&#xE1;cia (entrega de produtos).</p>
				</list-item>
				<list-item>
					<p>A intera&#xE7;&#xE3;o dos agentes estatais com os agentes pol&#xED;ticos, bem como a exist&#xEA;ncia e funcionamento de canais para a participa&#xE7;&#xE3;o dos agentes da sociedade civil nos processos das pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas trazem oportunidade para a revis&#xE3;o de objetivos e a introdu&#xE7;&#xE3;o de inova&#xE7;&#xF5;es na pol&#xED;tica p&#xFA;blica.</p>
				</list-item>
			</list>
			<p>Como se trata de uma pesquisa com um n&#xFA;mero de casos relativamente pequeno e que n&#xE3;o foram selecionados aleatoriamente, os resultados encontrados n&#xE3;o s&#xE3;o pass&#xED;veis de generaliza&#xE7;&#xE3;o para o conjunto de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas federais. Ademais, o per&#xED;odo analisado compreendeu at&#xE9; o ano de 2013, o que coloca reservas para os desempenhos at&#xE9; ent&#xE3;o observados. Contudo, a estrat&#xE9;gia anal&#xED;tica aplicada, bem como os achados da pesquisa podem ser utilizados para produzir novas an&#xE1;lises, novas hip&#xF3;teses e confront&#xE1;-las com casos diferentes ou para formular proposi&#xE7;&#xF5;es te&#xF3;ricas por meio das f&#xF3;rmulas m&#xED;nimas derivadas do uso da t&#xE9;cnica.</p>
			<p>Por fim, a an&#xE1;lise aqui empreendida corrobora a afirma&#xE7;&#xE3;o de que os estudos sobre as capacidades estatais em contexto democr&#xE1;tico, como o Brasil p&#xF3;s-1988, devem considerar com aten&#xE7;&#xE3;o a dimens&#xE3;o pol&#xED;tico-relacional, al&#xE9;m das avalia&#xE7;&#xF5;es tradicionais acerca da autonomia burocr&#xE1;tica e da dimens&#xE3;o t&#xE9;cnico-administrativa. Al&#xE9;m disso, os resultados apresentados sugerem um campo de pesquisa prof&#xED;cuo sobre as estruturas de governan&#xE7;a de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas no Brasil contempor&#xE2;neo.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<fn-group>
			<fn fn-type="other" id="fn1">
				<label>*</label>
				<p>Agradecemos aos pareceristas an&#xF4;nimos da 
					<italic>Revista de Sociologia e Pol&#xED;tica.</italic>
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>1</label>
				<p>Os casos selecionados para an&#xE1;lise ser&#xE3;o apresentados e justificados na se&#xE7;&#xE3;o metodol&#xF3;gica do artigo.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>2</label>
				<p>A an&#xE1;lise da literatura sugere que o conceito de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas &#xE9; amplo e impreciso. As defini&#xE7;&#xF5;es cl&#xE1;ssicas (
					<xref ref-type="bibr" rid="B6">Dye 1972</xref>; 
					<xref ref-type="bibr" rid="B29">Peters 1986</xref>; 
					<xref ref-type="bibr" rid="B13">Jenkins 1978</xref>) confluem para um ponto em comum: uma pol&#xED;tica p&#xFA;blica exprime um curso de a&#xE7;&#xE3;o visando determinados resultados a partir de um conjunto de escolhas ou decis&#xF5;es tomadas por um governo. &#xC9; nessa perspectiva que afirmamos que planos, programas e projetos governamentais se constituem como pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas, pois s&#xE3;o a&#xE7;&#xF5;es decididas pelo governo visando determinados fins.
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>3</label>
				<p>Por produ&#xE7;&#xE3;o de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas entende-se todo o conjunto de atividades e processos envolvidos na constru&#xE7;&#xE3;o de a&#xE7;&#xF5;es, programas e planos governamentais (envolvendo constru&#xE7;&#xE3;o de agenda, formula&#xE7;&#xE3;o, decis&#xE3;o, implementa&#xE7;&#xE3;o, monitoramento, avalia&#xE7;&#xE3;o etc.), mas n&#xE3;o necessariamente em uma l&#xF3;gica linear e sequencial, tal como definido pela ideia de ciclo de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>4</label>
				<p>Arranjos institucionais podem ser definidos como o conjunto de regras, mecanismos e processos que definem a forma pela qual se articulam atores e interesses na implementa&#xE7;&#xE3;o de uma pol&#xED;tica p&#xFA;blica espec&#xED;fica. Sendo assim, concebe-se que tais arranjos, quando bem organizados, t&#xEA;m o potencial de dotar o Estado das capacidades necess&#xE1;rias para a execu&#xE7;&#xE3;o bem-sucedida de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas (
					<xref ref-type="bibr" rid="B11">Gomide &#x26; Pires 2014</xref>).
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>5</label>
				<p>A compara&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o se at&#xE9;m &#xE0; subst&#xE2;ncia dos planos, programas e projetos analisados; nosso objeto de an&#xE1;lise e compara&#xE7;&#xE3;o s&#xE3;o os arranjos institucionais adotados por eles na forma definida neste artigo.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>6</label>
				<p>Isso at&#xE9; os efeitos da Opera&#xE7;&#xE3;o Lava Jato, que descobriu a exist&#xEA;ncia de esquema de corrup&#xE7;&#xE3;o na Petrobras envolvendo pol&#xED;ticos e empreiteiras nacionais, serem sentidos na ind&#xFA;stria naval brasileira com a paralisa&#xE7;&#xE3;o dos investimentos e, por consequ&#xEA;ncia, uma nova onda de demiss&#xF5;es no setor.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>7</label>
				<p>De acordo com 
					<xref ref-type="bibr" rid="B34">Rihoux e Ragin (2009</xref>, pp.xix-xxi), na terminologia dos m&#xE9;todos comparativos configuracionais &#x201C;condi&#xE7;&#xF5;es&#x201D; s&#xE3;o fatores, est&#xED;mulos, vari&#xE1;veis (causais ou explicativas), ingredientes ou determinantes etc. que produzem (ou est&#xE3;o associadas) um resultado de interesse.
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>8</label>
				<p>Minimiza&#xE7;&#xE3;o booleana &#xE9; o processo de reduzir uma express&#xE3;o longa em uma mais parcimoniosa. Pode ser verbalmente resumida como segue: &#x201C;se duas express&#xF5;es booleanas diferirem em apenas uma condi&#xE7;&#xE3;o causal, mas ainda produzirem o mesmo resultado, a condi&#xE7;&#xE3;o causal que distingue as duas express&#xF5;es pode ser considerada irrelevante e removida para criar uma express&#xE3;o mais simples&#x201D; (
					<xref ref-type="bibr" rid="B32">Ragin 1987</xref>, p.93).
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn10">
				<label>9</label>
				<p>As f&#xF3;rmulas seguintes utilizam nota&#xE7;&#xF5;es b&#xE1;sicas da &#xE1;lgebra booleana: &#x201C;{x}&#x201D; indica valor assumido pela vari&#xE1;vel (0 ou 1); &#x201C;*&#x201D; sugere que ambos os elementos da f&#xF3;rmula devem estar simultaneamente presentes (operador l&#xF3;gico &#x201C;e&#x201D;); &#x201C;+&#x201D; sugere que uma ou outra condi&#xE7;&#xE3;o da f&#xF3;rmula deve estar presente (operador l&#xF3;gico &#x201C;ou&#x201D;); &#x201C;&#xE0;&#x201D; expressa liga&#xE7;&#xE3;o entre um conjunto de condi&#xE7;&#xF5;es e o resultado.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn11">
				<label>10</label>
				<p>&#x201C;Restos l&#xF3;gicos&#x201D; (
					<italic>logical remainders</italic>) s&#xE3;o casos n&#xE3;o observados criados pelo software no processo de minimiza&#xE7;&#xE3;o com base em hip&#xF3;teses simplificadoras.
				</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn12">
				<label>11</label>
				<p>Inversamente, a minimiza&#xE7;&#xE3;o da vari&#xE1;vel de resultado OUTPUT_DEL {0} indicou sua associa&#xE7;&#xE3;o com a presen&#xE7;a de baixas ou m&#xE9;dias capacidades t&#xE9;cnicos-administrativa dos arranjos institucionais dos programas UHBM, PISF e PBM, como pode ser visto na f&#xF3;rmula TEC.-ADM CAP{0,1} &#x2192; OUTPUT_DEL {0} (UHBM, PISF e PBM).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn13">
				<label>12</label>
				<p>Por outro lado, quando a inova&#xE7;&#xE3;o &#xE9; baixa (INNOV{0}), o processo de minimiza&#xE7;&#xE3;o indicou a associa&#xE7;&#xE3;o deste resultado com a presen&#xE7;a de baixas capacidades pol&#xED;tico-relacionais.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn14">
				<label>13</label>
				<p>Hip&#xF3;teses simplificadoras utilizadas: CAP POL{1}CAP TEC{0} + CAP POL{1}CAP TEC{1}.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn15">
				<label>14</label>
				<p>Hip&#xF3;tese simplificadora utilizada: ORGA{1}COOR{1}MONI{0}.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn16">
				<label>15</label>
				<p>Inversamente, quando minimizados os casos com resultado iguais a 0, incluindo os restos l&#xF3;gicos, foi encontrada a associa&#xE7;&#xE3;o entre a aus&#xEA;ncia simult&#xE2;nea de organiza&#xE7;&#xF5;es profissionalizadas (ORGA) e de mecanismos de coordena&#xE7;&#xE3;o (COOR) com a baixa entrega de produtos.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn17">
				<label>16</label>
				<p>A minimiza&#xE7;&#xE3;o booleana das configura&#xE7;&#xF5;es com a vari&#xE1;vel de resultado INNOV{0} incluindo os &#x201C;restos l&#xF3;gicos&#x201D;, inversamente, indicou que a aus&#xEA;ncia de capacidades politico-relacionais est&#xE1; associadas &#xE0; baixas inova&#xE7;&#xF5;es.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn18">
				<label>17</label>
				<p>Hip&#xF3;tese simplificadora utilizada: APOLI{1}PART{0}CONT{0}</p>
			</fn>
		</fn-group>
		<ref-list>
			<title>Refer&#xEA;ncias</title>
			<ref id="B1">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Abers</surname>
							<given-names>R.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Keck</surname>
							<given-names>M.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2013</year>
					<source xml:lang="en">Practical Authority: Agency and Institutional Change in Brazilian Water Politics</source>
					<publisher-loc>Oxford</publisher-loc>
					<publisher-name>Oxford University Press</publisher-name>
				</element-citation>
				<mixed-citation>Abers, R. &#x26; Keck, M., 2013. 
					<italic>Practical Authority: Agency and Institutional Change in Brazilian Water Politics.</italic> Oxford: Oxford University Press.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B2">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Arretche</surname>
							<given-names>M.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2012</year>
					<source xml:lang="es">Democracia, federalismo e centraliza&#xE7;&#xE3;o no Brasil</source>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>Funda&#xE7;&#xE3;o Get&#xFA;lio Vargas/Fiocruz</publisher-name>
				</element-citation>
				<mixed-citation>Arretche, M., 2012. 
					<italic>Democracia, federalismo e centraliza&#xE7;&#xE3;o no Brasil</italic>. Rio de Janeiro: Funda&#xE7;&#xE3;o Get&#xFA;lio Vargas/Fiocruz.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B3">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>Cassiolato</surname>
							<given-names>M.</given-names>
						</name>
						<name>
							<surname>Garcia</surname>
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						</name>
					</person-group>
					<year>2014</year>
					<chapter-title xml:lang="pt">PRONATEC: m&#xFA;ltiplos arranjos e a&#xE7;&#xF5;es para ampliar acesso &#xE0; educa&#xE7;&#xE3;o profissional</chapter-title>
					<source xml:lang="pr">Texto para Discuss&#xE3;o</source>
					<comment>1.919</comment>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>IPEA</publisher-name>
				</element-citation>
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					<italic>Texto para Discuss&#xE3;o</italic>, 1.919. Rio de Janeiro: IPEA.
				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B4">
				<element-citation publication-type="journal">
					<person-group person-group-type="author">
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							<surname>Cingolani</surname>
							<given-names>L.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2013</year>
					<article-title>The State of State Capacity: A review of concepts, evidence and measures</article-title>
					<source xml:lang="en">UNU-MERIT Working Paper Series on Institutions and Economic Growth</source>
					<comment>IPD WP13. #2013-053</comment>
				</element-citation>
				<mixed-citation>Cingolani, L., 2013. The State of State Capacity: A review of concepts, evidence and measures. UNU-MERIT 
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				</mixed-citation>
			</ref>
			<ref id="B5">
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
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							<surname>Coutinho</surname>
							<given-names>D.</given-names>
						</name>
					</person-group>
					<year>2013</year>
					<chapter-title xml:lang="pt">Capacidades estatais no Programa Bolsa Fam&#xED;lia: o desafio de intera&#xE7;&#xE3;o com a assist&#xEA;ncia social na consolida&#xE7;&#xE3;o do SUAS</chapter-title>
					<source xml:lang="pt">Texto para Discuss&#xE3;o</source>
					<comment>1.852</comment>
					<publisher-loc>Rio de Janeiro</publisher-loc>
					<publisher-name>IPEA</publisher-name>
				</element-citation>
				<mixed-citation>Coutinho, D., 2013. Capacidades estatais no Programa Bolsa Fam&#xED;lia: o desafio de intera&#xE7;&#xE3;o com a assist&#xEA;ncia social na consolida&#xE7;&#xE3;o do SUAS. 
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				</mixed-citation>
			</ref>
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				<element-citation publication-type="book">
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						</name>
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				</mixed-citation>
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			<ref id="B7">
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					<article-title>Una ruta metodol&#xF3;gica para evaluar la capacidad institucional</article-title>
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