<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Publishing DTD v1.0 20120330//EN" "http://jats.nlm.nih.gov/publishing/1.0/JATS-journalpublishing1.dtd">
<article xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:mml="http://www.w3.org/1998/Math/MathML" dtd-version="1.0" specific-use="sps-1.8" article-type="research-article" xml:lang="pt">
<front>
<journal-meta>
<journal-id journal-id-type="publisher-id">rsocp</journal-id>
<journal-title-group>
<journal-title>Revista de Sociologia e Pol&#xED;tica</journal-title>
<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. Sociol. Polit.</abbrev-journal-title></journal-title-group>
<issn pub-type="ppub">0104-4478</issn>
<issn pub-type="epub">1678-9873</issn>
<publisher>
<publisher-name>Universidade Federal do Paran&#xE1;</publisher-name></publisher>
</journal-meta>
<article-meta>
<article-id pub-id-type="publisher-id">1678-987317256103</article-id>
<article-id pub-id-type="doi">10.1590/1678-987317256103</article-id>
<article-categories>
<subj-group subj-group-type="heading">
<subject>Artigo</subject></subj-group></article-categories>
<title-group>
<article-title>Doa&#xE7;&#xF5;es de campanha implicam em retornos contratuais futuros? Uma an&#xE1;lise dos valores recebidos por empresas antes e ap&#xF3;s as elei&#xE7;&#xF5;es</article-title>
<trans-title-group xml:lang="en">
<trans-title>Does Campaign Donation Results Future Contracts Returns? An Analysis about Contractual Values Received to Companies before and after Elections</trans-title></trans-title-group>
</title-group>
<contrib-group>
<contrib contrib-type="author">
<name><surname>Fonseca</surname><given-names>Thiago do Nascimento</given-names></name>
<xref ref-type="aff" rid="aff1"/></contrib>
<aff id="aff1">
<institution content-type="normalized">Universidade de S&#xE3;o Paulo</institution>
<institution content-type="orgname">USP</institution>
<institution content-type="orgdiv1">Departamento de Ci&#xEA;ncia Pol&#xED;tica</institution>
<addr-line>
<named-content content-type="city">S&#xE3;o Paulo</named-content>
<named-content content-type="state">SP</named-content></addr-line>
<country country="BR">Brasil</country>
<email>thiago.nascimento.fonseca@usp.br</email>
<institution content-type="original">Thiago do Nascimento Fonseca (thiago.nascimento.fonseca@usp.br) &#xE9; Doutorando em Ci&#xEA;ncia Pol&#xED;tica pela Universidade de S&#xE3;o Paulo (USP). V&#xED;nculo Institucional: Departamento de Ci&#xEA;ncia Pol&#xED;tica, USP, S&#xE3;o Paulo, SP, Brasil</institution></aff></contrib-group>
<pub-date pub-type="epub-ppub">
<day>01</day>
<month>03</month>
<year>2017</year></pub-date>
<volume>25</volume>
<issue>61</issue>
<fpage>31</fpage>
<lpage>49</lpage>
<history>
<date date-type="received">
<day>14</day>
<month>09</month>
<year>2015</year></date>
<date date-type="accepted">
<day>06</day>
<month>11</month>
<year>2015</year></date>
</history>
<permissions>
<!--<copyright-year>2017</copyright-year>-->
<license xml:lang="en" license-type="open-access" xlink:href="http://creativecommons.org/licenses/by-nc/4.0">
<license-p>This is an Open Access article distributed under the terms of the Creative Commons Attribution Non-Commercial License which permits unrestricted non-commercial use, distribution, and reproduction in any medium provided the original work is properly cited.</license-p></license></permissions>
<abstract>
<title>Resumo</title>
<p>O presente trabalho pretende averiguar se as empresas que efetuam doa&#xE7;&#xF5;es para partidos da coaliz&#xE3;o do governo federal recebem maiores valores contratuais, antes e ap&#xF3;s as elei&#xE7;&#xF5;es. A partir de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre doa&#xE7;&#xF5;es de campanha de 2006 e de valores contratuais extra&#xED;dos do Portal da Transpar&#xEA;ncia do Governo Federal, foi estimado o efeito m&#xED;nimo de doar para integrantes da coaliz&#xE3;o sobre os valores contratuais. Embora os estimadores contenham vi&#xE9;s de sele&#xE7;&#xE3;o, devido a vari&#xE1;veis omitidas e n&#xE3;o observadas, a expectativa do vi&#xE9;s &#xE9; positiva devido &#xE0; correla&#xE7;&#xE3;o tamb&#xE9;m positiva entre tratamento e vari&#xE1;vel dependente, de um lado, e entre tratamento e vari&#xE1;veis omitidas, de outro. Isso significa que &#xE9; poss&#xED;vel estimar o efeito m&#xED;nimo de doar para a coaliz&#xE3;o sobre retornos contratuais. O efeito sobre retornos contratuais ap&#xF3;s as elei&#xE7;&#xF5;es &#xE9; baix&#xED;ssimo, mas os valores contratuais recebidos por empresas antes das elei&#xE7;&#xF5;es est&#xE3;o associados &#xE0;s doa&#xE7;&#xF5;es de modo expressivo. Ademais, n&#xE3;o &#xE9; poss&#xED;vel afirmar que doadores do partido do chefe do Executivo recebem maiores contratos em rela&#xE7;&#xE3;o aos financiadores da oposi&#xE7;&#xE3;o. Em suma, se existe algum pacto entre empresas e integrantes da coaliz&#xE3;o, os acordos s&#xE3;o estabelecidos e cumpridos antes das elei&#xE7;&#xF5;es.</p></abstract>
<trans-abstract xml:lang="en">
<title>Abstract</title>
<p>This paper aims to investigate whether the companies that carry out donations to the federal government coalition parties receive higher contract values, before or after the elections. From 2006 campaign donations on the Superior Electoral Tribunal (TSE) data and contractual amounts of the Transparency Portal of the Federal Government, it was estimated the minimum effect to donate to the coalition members on contractual amounts. Although the estimators contain selection bias due to missed and unobserved variables, the bias expectation is positive due to a positive correlation between the dependent variable and treatment, on one hand, and between treatment and omitted variables on the other. This means it is possible to estimate the minimal effect of giveaway to the coalition on contractual returns. The effect on contractual returns after the elections is very low, but the contractual amounts received by companies before the elections are associated with donations expressively. In addition, it is not possible to state that the Chief Executive Party donors receive major contracts in relation to the opposition financiers. In short, if there is a pact between businesses and members of the coalition, the agreements are established and fulfilled before the elections.</p></trans-abstract>
<kwd-group xml:lang="pt">
<title>PALAVRAS-CHAVE:</title>
<kwd>financiamento eleitoral</kwd>
<kwd>elei&#xE7;&#xF5;es</kwd>
<kwd>coaliz&#xE3;o</kwd>
<kwd>campanhas eleitorais</kwd>
<kwd>contratos governamentais</kwd></kwd-group>
<kwd-group xml:lang="en">
<title>KEYWORDS:</title>
<kwd>electoral financing</kwd>
<kwd>elections</kwd>
<kwd>coalition government</kwd>
<kwd>electoral campaigns</kwd>
<kwd>government procurement</kwd></kwd-group>
<counts>
<fig-count count="8"/>
<table-count count="3"/>
<equation-count count="2"/>
<ref-count count="17"/>
<page-count count="19"/></counts></article-meta></front>
<body>
<sec sec-type="intro">
<title>I. Introdu&#xE7;&#xE3;o</title>
<p>O presente trabalho investiga se doadores de campanha s&#xE3;o recompensados com valores provenientes de contratos p&#xFA;blicos federais. Mais especificamente, pretende-se verificar duas indaga&#xE7;&#xF5;es. Primeiro, se as empresas que doam para integrantes da coaliz&#xE3;o governista recebem maiores recursos de contratos p&#xFA;blicos federais. Segundo, se as empresas recebem maiores valores contratuais antes de realizarem as doa&#xE7;&#xF5;es para a campanha, ou se recebem recompensas ap&#xF3;s a elei&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>Embora o emprego de modelos de regress&#xE3;o linear resulte em vi&#xE9;s de sele&#xE7;&#xE3;o, a expectativa da correla&#xE7;&#xE3;o entre as vari&#xE1;veis omitidas e as vari&#xE1;veis de interesse, de um lado, e a dependente, de outro, &#xE9; positiva. Isso significa que ainda &#xE9; poss&#xED;vel predizer o efeito m&#xED;nimo das doa&#xE7;&#xF5;es &#xE0; coaliz&#xE3;o governista sobre a recompensa proveniente dos contratos p&#xFA;blicos. Como ser&#xE1; discutido adiante, modelos probabil&#xED;sticos sofisticados evitam o vi&#xE9;s de sele&#xE7;&#xE3;o, mas mant&#xE9;m outras fontes de vi&#xE9;s devido &#xE0; pr&#xF3;pria natureza partid&#xE1;ria do processo decis&#xF3;rio e ao modo como os dados est&#xE3;o dispon&#xED;veis. A regress&#xE3;o linear n&#xE3;o &#xE9; suficiente para evitar o vi&#xE9;s dos estimadores, mas torna previs&#xED;vel a sua dire&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>Al&#xE9;m disso, pretende-se testar se doadores do partido do presidente da rep&#xFA;blica tem maiores vantagens quando comparado aos demais partidos, hip&#xF3;tese que n&#xE3;o se confirma a partir da an&#xE1;lise dos dados.</p>
<p>Na pr&#xF3;xima se&#xE7;&#xE3;o, estudos pertinentes &#xE0; proposta de trabalho ser&#xE3;o discutidos, destacando os aspectos metodol&#xF3;gicos do problema em quest&#xE3;o. Na terceira se&#xE7;&#xE3;o ser&#xE3;o apresentadas novas estrat&#xE9;gias anal&#xED;ticas e o modelo a ser empregado, al&#xE9;m dos supostos te&#xF3;ricos e probabil&#xED;sticos que tornam a regress&#xE3;o linear vi&#xE1;vel, apesar das cr&#xED;ticas realizadas pela literatura. Na quarta se&#xE7;&#xE3;o, os dados do banco ser&#xE3;o relatados. Na quinta sess&#xE3;o, os principais resultados ser&#xE3;o apresentados. Por fim os principais argumentos s&#xE3;o retomados, contextualizando-os no debate sobre o assunto.</p>
</sec>
<sec>
<title>II. A literatura sobre recompensa contratual dos doadores</title>
<p>Parte da literatura sobre financiamento p&#xFA;blico de campanha buscou investigar se doadores s&#xE3;o recompensados ap&#xF3;s a vit&#xF3;ria de seus candidatos. Ainda n&#xE3;o est&#xE1; claro se realmente os doadores s&#xE3;o recompensados. <xref ref-type="bibr" rid="B1">Ansolabehere, Figueiredo e Snyder Jr. (2003)</xref>, por exemplo, argumentaram que nos Estados Unidos a maior parte dos recursos &#xE9; fornecida por pessoas f&#xED;sicas, e que seu retorno financeiro &#xE9; muito baixo. Segundo os autores, o financiamento deveria ser visto principalmente como uma forma de participa&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica, e n&#xE3;o como um investimento rent&#xE1;vel.</p>
<p>No entanto, o impacto de doa&#xE7;&#xF5;es sobre recompensas futuras ainda merece testes emp&#xED;ricos, principalmente quando s&#xE3;o levadas em considera&#xE7;&#xE3;o as doa&#xE7;&#xF5;es realizadas por empresas privadas em outros contextos institucionais, como no Brasil. Por&#xE9;m, antes &#xE9; necess&#xE1;rio compreender a natureza da recompensa que se pretende testar. Afinal, obter recompensas futuras por meio da representa&#xE7;&#xE3;o pol&#xED;tica est&#xE1; dentro das regras do jogo democr&#xE1;tico. Parte da literatura especializada, por exemplo, argumenta que doa&#xE7;&#xF5;es geram impacto sobre o processo decis&#xF3;rio de pol&#xED;ticas p&#xFA;blicas (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Bronars &#x26; Lott 1997</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B15">Santos <italic>et al.</italic>, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B16">Welch 1982</xref>). Embora empresas possam ter mais poder de negocia&#xE7;&#xE3;o em compara&#xE7;&#xE3;o com cidad&#xE3;os individuais, distorcendo o princ&#xED;pio de um voto por indiv&#xED;duo, ser representado por atores pol&#xED;ticos na tomada de decis&#xE3;o ainda faz parte das regras do jogo.</p>
<p>Com a mesma preocupa&#xE7;&#xE3;o, <xref ref-type="bibr" rid="B8">Jayachandran (2004)</xref> argumentou que quando a maioria de cadeiras no Senado &#x2013; que anteriormente pertencia ao Partido Republicano &#x2013; passou para o Partido Democrata, o valor das a&#xE7;&#xF5;es das empresas que contribu&#xED;ram aos democratas aumentou no mercado sem que houvesse ind&#xED;cios de favorecimento il&#xED;cito. A princ&#xED;pio, a altera&#xE7;&#xE3;o do valor de a&#xE7;&#xF5;es a partir das perspectivas do mercado sobre a gest&#xE3;o pol&#xED;tica futura tamb&#xE9;m n&#xE3;o est&#xE1; em desencontro com as regras do jogo.</p>
<p>Entretanto, algumas recompensas violam as regras do jogo democr&#xE1;tico e as regras da livre concorr&#xEA;ncia. Com esta preocupa&#xE7;&#xE3;o impl&#xED;cita, alguns estudos testaram se doadores privados passam a receber vantagens econ&#xF4;micas futuras. <xref ref-type="bibr" rid="B10">Mancuso (2015)</xref> estabeleceu uma classifica&#xE7;&#xE3;o indispens&#xE1;vel para mapear os tipos de vantagem obtidos por doadores empresariais. A primeira vantagem se refere a empr&#xE9;stimos futuros fornecidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econ&#xF4;mico e Social (BNDS) e conquistados por empresas que doaram no mandato anterior (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Claessens, Feijen &#x26; Laeven 2008</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B9">Lazzarini <italic>et al.</italic>, 2011</xref>), ou ainda o financiamento obtido antes das elei&#xE7;&#xF5;es por grandes doadores do PT (<xref ref-type="bibr" rid="B14">Rocha 2011</xref>). A segunda diz respeito ao recebimento de benef&#xED;cios tribut&#xE1;rios a partir de doa&#xE7;&#xF5;es, segundo a evid&#xEA;ncia de que houve ren&#xFA;ncias de receita por parte da Uni&#xE3;o aos setores que contribu&#xED;ram ao partido que conquistou o Poder Executivo (<xref ref-type="bibr" rid="B7">Gon&#xE7;alves 2011</xref>). A terceira, explorada por <xref ref-type="bibr" rid="B2">Ara&#xFA;jo (2008)</xref>, envolve prote&#xE7;&#xE3;o comercial aos doadores, hip&#xF3;tese ainda n&#xE3;o confirmada pelos testes.</p>
<p>A &#xFA;ltima vantagem &#x2013; objeto de an&#xE1;lise deste trabalho, inclusive &#x2013; faz refer&#xEA;ncia a outra fonte de recompensa presumidamente il&#xED;cita, a saber, vantagens sobre valores contratuais com o poder p&#xFA;blico (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Arvate, Barbosa &#x26; Fuzitani 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B13">Oliveira &#x26; Ara&#xFA;jo 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B5">Boas, Hidalgo &#x26; Richardson 2014</xref>). Segundo os autores, empresas que doaram para deputados eleitos receberiam valores contratuais maiores no futuro quando comparadas &#xE0;s empresas que doaram para os candidatos perdedores.</p>
<p>De modo geral, os estudos mais recentes que tentam estimar o impacto das doa&#xE7;&#xF5;es sobre recompensas contratuais se preocupam muito com os pressupostos dos modelos estat&#xED;sticos e com a acur&#xE1;cia de seus estimadores. No entanto, negligenciaram outros pressupostos e problemas te&#xF3;ricos de natureza pol&#xED;tica, que prejudicam a validade do m&#xE9;todo empregado. Na pr&#xF3;xima se&#xE7;&#xE3;o, os problemas anal&#xED;ticos da literatura recente ser&#xE3;o revistos.</p>
</sec>
<sec>
<title>III. Pressupostos pol&#xED;ticos e estat&#xED;sticos</title>
<p>Os estudos mais recentes que pretenderam testar se empresas doadoras s&#xE3;o recompensadas por valores contratuais futuros partem de tr&#xEA;s pressupostos pol&#xED;ticos que merecem revis&#xE3;o (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Arvate, Barbosa &#x26; Fuzitani 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B13">Oliveira &#x26; Ara&#xFA;jo 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B5">Boas, Hidalgo &#x26; Richardson 2014</xref>). Nesta se&#xE7;&#xE3;o, os pressupostos pol&#xED;ticos e suas implica&#xE7;&#xF5;es ser&#xE3;o analisados, para tra&#xE7;ar uma nova estrat&#xE9;gia anal&#xED;tica.</p>
<p>O primeiro suposto &#xE9; o de que deputados eleitos, independentemente da filia&#xE7;&#xE3;o partid&#xE1;ria, t&#xEA;m alguma influ&#xEA;ncia individual sobre a distribui&#xE7;&#xE3;o valores contratuais. A possibilidade de propor emendas ao or&#xE7;amento e conex&#xF5;es com o Executivo seriam mecanismos &#xE0; disposi&#xE7;&#xE3;o de deputados individuais eleitos para favorecer suas respectivas empresas doadoras. Mecanismos estes que os candidatos derrotados nas elei&#xE7;&#xF5;es n&#xE3;o teriam (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Arvate, Barbosa &#x26; Fuzitani 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B13">Oliveira &#x26; Ara&#xFA;jo 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B5">Boas, Hidalgo &#x26; Richardson 2014</xref>).</p>
<p>No entanto, o poder individual dos deputados sobre a distribui&#xE7;&#xE3;o de valores contratuais, independentemente da din&#xE2;mica partid&#xE1;ria, n&#xE3;o se justifica em termos te&#xF3;ricos. Em primeiro lugar, a aprova&#xE7;&#xE3;o de emendas individuais ao or&#xE7;amento depende da din&#xE2;mica partid&#xE1;ria e da decis&#xE3;o do Executivo. Do mesmo modo como recompensa seus aliados, o Executivo pode punir seus advers&#xE1;rios. Afinal, porque o Executivo iria garantir privil&#xE9;gios &#xE0;s empresas que ajudaram seus advers&#xE1;rios na disputa eleitoral?</p>
<p>Em segundo, o chefe do Executivo divide minist&#xE9;rios e estabelece acordos mais consistentes com os membros da coalis&#xE3;o. Por isso, seria mais sensato contar com a expectativa de que congressistas que pertencem a partidos da coaliz&#xE3;o governista conquistem maior influ&#xEA;ncia sobre a distribui&#xE7;&#xE3;o de valores contratuais.</p>
<p>Em terceiro, as doa&#xE7;&#xF5;es de campanha n&#xE3;o s&#xE3;o alocadas apenas sobre candidatos individuais. Grande parte do volume de doa&#xE7;&#xF5;es &#xE9; dirigida a comit&#xEA;s e diret&#xF3;rios partid&#xE1;rios, os quais redistribuem os recursos estrategicamente entre seus filiados. Em 2006, por exemplo, do total de valores doados da esfera federal, 42,9% diziam respeito a candidatos individuais, enquanto que o restante de 57,1% foi alocado diretamente em associa&#xE7;&#xF5;es partid&#xE1;rias (comit&#xEA;s e diret&#xF3;rios). Portanto, desconsiderar as doa&#xE7;&#xF5;es direcionadas &#xE0;s associa&#xE7;&#xF5;es partid&#xE1;rias pode gerar um enorme vi&#xE9;s.</p>
<p>Em quarto lugar, empresas que doam para candidatos n&#xE3;o eleitos ajudam indiretamente seus respectivos partidos, uma vez que os votos dos perdedores s&#xE3;o inseridos no c&#xE1;lculo do quociente eleitoral. Ou seja, mesmo que alguns atores financiados n&#xE3;o fossem eleitos, talvez o partido recompense os doadores que ajudaram na busca pelo maior n&#xFA;mero de cadeiras.</p>
<p>Por isso, &#xE9; necess&#xE1;rio aplicar testes que levem em conta o partido do candidato financiado de modo adequado. Embora alguns estudos procurassem diferenciar os candidatos a partir da natureza de seu partido, de esquerda e de direita (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Arvate, Barbosa &#x26; Fuzitani 2013</xref>), ou ainda buscassem contrastar os candidatos do PT, da coaliz&#xE3;o governista e da oposi&#xE7;&#xE3;o (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Boas, Hidalgo &#x26; Richardson 2014</xref>), o tratamento ainda comparava os deputados individuais eleitos dos n&#xE3;o eleitos. O presente trabalho, ao contr&#xE1;rio, defende que a fonte de compara&#xE7;&#xE3;o deve residir em empresas que doam ou n&#xE3;o &#xE0; coaliz&#xE3;o governista. O estudo parte da expectativa de que o poder dos congressistas membros da coaliz&#xE3;o sobre a aloca&#xE7;&#xE3;o de contratos &#xE9; maior que o poder dos congressistas pertencentes &#xE0; oposi&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>O segundo suposto pol&#xED;tico diz respeito &#xE0; incerteza eleitoral. <xref ref-type="bibr" rid="B13">Oliveira e Ara&#xFA;jo (2013)</xref> aplicam o m&#xE9;todo de regress&#xE3;o descont&#xED;nua apenas aos candidatos pr&#xF3;ximos &#xE0; margem de vit&#xF3;ria, para evitar o vi&#xE9;s de sele&#xE7;&#xE3;o. Segundo os autores, para estimar o efeito do tratamento (ser eleito) &#xE9; necess&#xE1;rio que os doadores tenham incerteza quanto &#xE0; vit&#xF3;ria de seus candidatos financiados.</p>
<p>A preocupa&#xE7;&#xE3;o em garantir incerteza ao tratamento n&#xE3;o &#xE9; sup&#xE9;rflua. Entretanto, a dist&#xE2;ncia entre candidatos individuais vencedores e perdedores, medida por n&#xFA;mero de votos, &#xE9; utilizada como o indicador de incerteza eleitoral, o que impede que a din&#xE2;mica partid&#xE1;ria seja inserida na an&#xE1;lise. Ou seja, apesar de obter estimadores acurados, os dados envolvem apenas candidatos que recebem doa&#xE7;&#xF5;es individuais diretamente, excluindo o valor recebido por doa&#xE7;&#xF5;es endere&#xE7;adas a comit&#xEA;s e diret&#xF3;rios partid&#xE1;rios que, posteriormente, s&#xE3;o redistribu&#xED;das entre os pr&#xF3;prios candidatos.</p>
<p>O presente trabalho n&#xE3;o garante a aus&#xEA;ncia de vi&#xE9;s de sele&#xE7;&#xE3;o. No entanto, a dire&#xE7;&#xE3;o do vi&#xE9;s permite inferir o efeito m&#xED;nimo que o tratamento exerce sobre a vari&#xE1;vel dependente. A nova estrat&#xE9;gia anal&#xED;tica proposta na pr&#xF3;xima se&#xE7;&#xE3;o evita que sejam negligenciadas as doa&#xE7;&#xF5;es dirigidas &#xE0;s organiza&#xE7;&#xF5;es partid&#xE1;rias, que s&#xE3;o livremente realocadas.</p>
<p>O terceiro suposto pol&#xED;tico se refere ao momento em que a recompensa financeira &#xE9; conferida &#xE0;s empresas doadoras. Os estudos recentes partem da expectativa de que os financiadores esperam ser recompensados no futuro, ap&#xF3;s seus candidatos serem eleitos. No entanto, por que uma empresa confiaria no comprometimento dos atores pol&#xED;ticos em recompens&#xE1;-la no futuro? Que instrumentos as empresas teriam para garantir a recompensa em forma de valores contratuais? Seriam estas empresas tomadoras de risco?</p>
<p>O presente trabalho, ao contr&#xE1;rio, parte da expectativa de que acordos s&#xE3;o estabelecidos e cumpridos antes do novo mandato. Empresas recebem valores contratuais maiores que os concorrentes porque pretendem doar para a coaliz&#xE3;o durante as pr&#xF3;ximas elei&#xE7;&#xF5;es. Elas, espera-se, n&#xE3;o admitem correr grandes riscos e, por isso, se comprometem a creditar doa&#xE7;&#xF5;es porque conquistaram contratos valiosos antes da corrida eleitoral. Isso n&#xE3;o significa que devemos desvalidar a hip&#xF3;tese contemplada pela literatura, segundo a qual as empresas que doam para ganhadores receberiam vantagens no futuro. Afinal, uma empresa que faz doa&#xE7;&#xF5;es antes do novo mandato pode estabelecer la&#xE7;os de confian&#xE7;a com atores pol&#xED;ticos em longo prazo. Entretanto &#xE9; razo&#xE1;vel supor que estes la&#xE7;os de confian&#xE7;a s&#xE3;o mais incertos do que parcerias que n&#xE3;o dependam de um grande espa&#xE7;o de tempo. A <xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref> ilustra o argumento.</p>
<fig id="f1">
<label>Figura 1</label>
<caption>
<title>Representa&#xE7;&#xE3;o dos modelos explicativos acerca das expectativas sobre o per&#xED;odo de estabelecimento e cumprimento de acordos</title></caption>
<graphic xlink:href="0104-4478-rsocp-25-61-0031-gf01.jpg"/>
<attrib>Fonte: Elabora&#xE7;&#xE3;o pr&#xF3;pria.</attrib></fig>
<p>Ap&#xF3;s as elei&#xE7;&#xF5;es, governos poderiam quebrar acordos, favorecendo os concorrentes dos doadores e, consequentemente, evitariam sofrer com a car&#xEA;ncia de fornecedores de produtos e servi&#xE7;os (modelo p&#xF3;s-eleitoral). Por outro lado, empresas seriam incentivadas a n&#xE3;o quebrar contratos por iniciativa pr&#xF3;pria como forma de puni&#xE7;&#xE3;o aos governos que descumprissem acordos. Isso porque organiza&#xE7;&#xF5;es que pretendessem sancionar governos receberiam o mesmo &#xF4;nus de sua represaria: n&#xE3;o poderiam exercer atividades contratuais. Este quadro leva os doadores a n&#xE3;o confiarem em recompensas futuras.</p>
<p>Governos, ao contr&#xE1;rio, correriam menor risco se os doadores se comprometessem a creditar doa&#xE7;&#xF5;es antes das elei&#xE7;&#xF5;es (modelo pr&#xE9;-eleitoral). Afinal, empresas poderiam ser banidas de qualquer participa&#xE7;&#xE3;o contratual no futuro, caso for&#xE7;as pol&#xED;ticas que n&#xE3;o recebessem sua parte do acordo antes das elei&#xE7;&#xF5;es voltassem a alcan&#xE7;ar o poder no pr&#xF3;ximo mandato. Ademais, governos j&#xE1; eleitos s&#xF3; concorrem nas pr&#xF3;ximas elei&#xE7;&#xF5;es, enquanto que a concorr&#xEA;ncia no mundo empresarial ocorre durante todo o mandato.</p>
<p>Poucos estudos contribu&#xED;ram para gerar a suspeita de que vantagens s&#xE3;o distribu&#xED;das antes de novas elei&#xE7;&#xF5;es. Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B14">Rocha (2011)</xref>, quanto maior o disp&#xEA;ndio do BNDS recebido por empresas entre 2008 e 2010, maiores foram os valores doados ao Partido dos Trabalhadores em 2010. Ao coletar reportagens que associam benef&#xED;cios futuros &#xE0; contribui&#xE7;&#xE3;o de campanha, Mezzarana (2009) tamb&#xE9;m identificou casos em que as doa&#xE7;&#xF5;es s&#xE3;o creditadas somente ap&#xF3;s o recebimento de vantagens. Resta saber se esta suspeita se confirma a partir de modelos estat&#xED;sticos.</p>
<p>Os novos testes propostos neste trabalho n&#xE3;o s&#xE3;o suficientes para desvalidar completamente a hip&#xF3;tese segundo a qual a maior parte dos ganhos contratuais ocorre depois das elei&#xE7;&#xF5;es. Entretanto, oferecem uma importante contribui&#xE7;&#xE3;o ao averiguar com igual import&#xE2;ncia a hip&#xF3;tese concorrente, segundo a qual doadores estabelecem e cumprem acordos antes das elei&#xE7;&#xF5;es.</p>
</sec>
<sec>
<title>IV. Nova estrat&#xE9;gia anal&#xED;tica empregada</title>
<p>Nesta se&#xE7;&#xE3;o, duas estrat&#xE9;gias novas ser&#xE3;o empregadas. A primeira consiste em averiguar a dire&#xE7;&#xE3;o do vi&#xE9;s do efeito do tratamento, a fim de verificar se &#xE9; poss&#xED;vel estimar seu efeito m&#xED;nimo. A segunda pretende empregar como vari&#xE1;vel dependente os valores contratuais recebidos antes das elei&#xE7;&#xF5;es, para verificar se o ganho dos doadores ocorre em fun&#xE7;&#xE3;o de supostos acordos estabelecidos com a coaliz&#xE3;o governista antes das elei&#xE7;&#xF5;es.</p>
<p>Os estudos recentes que almejaram verificar se empresas doadoras recebem recompensas contratuais futuras utilizam como tratamento o fato de o candidato financiado conquistar uma cadeira como deputado federal (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Arvate, Barbosa &#x26; Fuzitani 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B13">Oliveira &#x26; Ara&#xFA;jo 2013</xref>)<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref>. A sa&#xED;da para evitar o vi&#xE9;s de sele&#xE7;&#xE3;o seria aplicar o m&#xE9;todo de regress&#xE3;o descont&#xED;nua. No entanto, tal procedimento teria um custo: depender de outros supostos te&#xF3;ricos de dif&#xED;cil sustenta&#xE7;&#xE3;o &#x2013; discutidos na se&#xE7;&#xE3;o anterior. Esse problema poderia ser resolvido com a regress&#xE3;o linear, caso fosse poss&#xED;vel lidar com o vi&#xE9;s de sele&#xE7;&#xE3;o de outro modo, a saber, verificar se sua dire&#xE7;&#xE3;o permite inferir estimadores m&#xED;nimos para o efeito do tratamento. Como ser&#xE1; argumentado adiante, as fontes de vi&#xE9;s geram um vi&#xE9;s positivo, o que permite estimar o efeito m&#xED;nimo do tratamento.</p>
<p>As equa&#xE7;&#xF5;es a seguir representam, respectivamente, o modelo real esperado e o modelo estimado sem as vari&#xE1;veis omitidas.</p>
<p>
<disp-formula id="eq1"><label>(1)</label><alternatives>
	<graphic xlink:href="e1.jpg"/>
<mml:math id="m1" display="block"><mml:mrow><mml:mtable columnalign='left'><mml:mtr columnalign='left'><mml:mtd columnalign='left'><mml:mrow><mml:mi>V</mml:mi><mml:mi>a</mml:mi><mml:mi>l</mml:mi><mml:mi>o</mml:mi><mml:mi>r</mml:mi><mml:mtext>&#x2009;</mml:mtext><mml:mi>c</mml:mi><mml:mi>o</mml:mi><mml:mi>n</mml:mi><mml:mi>t</mml:mi><mml:mi>r</mml:mi><mml:mi>a</mml:mi><mml:mi>t</mml:mi><mml:mi>u</mml:mi><mml:mi>a</mml:mi><mml:msub><mml:mi>l</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi></mml:msub><mml:mo>=</mml:mo><mml:mtext>&#x3C1;</mml:mtext><mml:msub><mml:mi>D</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi></mml:msub><mml:mo>+</mml:mo><mml:msubsup><mml:mrow><mml:mi>X</mml:mi></mml:mrow><mml:mrow><mml:mi>i</mml:mi></mml:mrow><mml:mrow><mml:mi>&#x2032;</mml:mi></mml:mrow></mml:msubsup><mml:mtext>&#x3B2;</mml:mtext><mml:mo>+</mml:mo><mml:msubsup><mml:mrow><mml:mi>O</mml:mi></mml:mrow><mml:mrow><mml:mi>i</mml:mi></mml:mrow><mml:mrow><mml:mi>&#x2032;</mml:mi></mml:mrow></mml:msubsup><mml:mtext>&#x3B3;</mml:mtext><mml:mo>+</mml:mo><mml:msub><mml:mi>e</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi></mml:msub></mml:mrow></mml:mtd></mml:mtr><mml:mtr columnalign='left'><mml:mtd columnalign='left'><mml:mrow><mml:mi>V</mml:mi><mml:mi>a</mml:mi><mml:mi>l</mml:mi><mml:mi>o</mml:mi><mml:mi>r</mml:mi><mml:mtext>&#x2009;</mml:mtext><mml:mi>c</mml:mi><mml:mi>o</mml:mi><mml:mi>n</mml:mi><mml:mi>t</mml:mi><mml:mi>r</mml:mi><mml:mi>a</mml:mi><mml:mi>t</mml:mi><mml:mi>u</mml:mi><mml:mi>a</mml:mi><mml:msub><mml:mi>l</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi></mml:msub><mml:mo>=</mml:mo><mml:mover accent='true'><mml:mtext>&#x3C1;</mml:mtext><mml:mo>&#x5E;</mml:mo></mml:mover><mml:msub><mml:mi>D</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi></mml:msub><mml:mo>+</mml:mo><mml:msubsup><mml:mrow><mml:mi>X</mml:mi></mml:mrow><mml:mrow><mml:mi>i</mml:mi></mml:mrow><mml:mrow><mml:mi>&#x2032;</mml:mi></mml:mrow></mml:msubsup><mml:mover accent='true'><mml:mtext>&#x3B2;</mml:mtext><mml:mo>&#x5E;</mml:mo></mml:mover><mml:mo>+</mml:mo><mml:msub><mml:mi>u</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi></mml:msub></mml:mrow></mml:mtd></mml:mtr></mml:mtable></mml:mrow></mml:math></alternatives></disp-formula></p>
<p>onde <italic>D</italic><sub><italic>i</italic></sub> &#xE9; o tratamento, &#x3C1; o efeito do tratamento, <inline-formula>
<mml:math id="m2" display="inline"><mml:msubsup><mml:mrow><mml:mi>X</mml:mi></mml:mrow><mml:mrow><mml:mi>i</mml:mi></mml:mrow><mml:mrow><mml:mi>&#x2032;</mml:mi></mml:mrow></mml:msubsup></mml:math></inline-formula> o conjunto de vari&#xE1;veis de controle, <inline-formula><mml:math id="m3" display="inline"><mml:msubsup><mml:mrow><mml:mi>O</mml:mi></mml:mrow><mml:mrow><mml:mi>i</mml:mi></mml:mrow><mml:mrow><mml:mi>&#x2032;</mml:mi></mml:mrow></mml:msubsup></mml:math></inline-formula> o conjunto de vari&#xE1;veis omitidas, e <italic>u</italic><sub><italic>i</italic></sub> e <italic>e</italic><sub><italic>i</italic></sub> os erros. Se as vari&#xE1;veis omitidas n&#xE3;o forem independentes do tratamento e da vari&#xE1;vel independente, o estimador do efeito do tratamento, &#x3C1; ser&#xE1; enviesado [<italic>E</italic>(<italic>u<sub>i</sub></italic>|<italic>D<sub>i</sub></italic>)&#x2260;0]. Se a expectativa dos estimadores das vari&#xE1;veis omitidas for positiva [&#x3B3; &#x3E; 0]&#x2013; ou seja, se a correla&#xE7;&#xE3;o entre a vari&#xE1;vel dependente e as vari&#xE1;veis omitidas for positiva &#x2013;, e se a correla&#xE7;&#xE3;o entre o tratamento e vari&#xE1;veis omitidas tamb&#xE9;m for positiva [<italic>Corr</italic>(<italic>D<sub>i</sub></italic>, <inline-formula><mml:math id="m4" display="inline"><mml:msubsup><mml:mrow><mml:mi>O</mml:mi></mml:mrow><mml:mrow><mml:mi>i</mml:mi></mml:mrow><mml:mrow><mml:mi>&#x2032;</mml:mi></mml:mrow></mml:msubsup></mml:math></inline-formula>)&#x3E;0], o vi&#xE9;s esperado do efeito do tratamento, &#x3C1;, &#xE9; positivo<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref> [&#x3C1; &#x3E; <inline-formula><mml:math id="m5" display="inline"><mml:mover accent='true'><mml:mtext>&#x3C1;</mml:mtext><mml:mo>&#x5E;</mml:mo></mml:mover></mml:math></inline-formula>].</p>
<p>Diferentemente da literatura recente, neste trabalho o tratamento <italic>D</italic><sub><italic>i</italic></sub> diz respeito a doa&#xE7;&#xF5;es direcionadas aos partidos da coaliz&#xE3;o governista. Mesmo com a altera&#xE7;&#xE3;o, as vari&#xE1;veis omitidas destacadas pela literatura tamb&#xE9;m s&#xE3;o respons&#xE1;veis por gerar a expectativa de um vi&#xE9;s positivo sobre o efeito estimado, <inline-formula>
<mml:math id="m6" display="inline"><mml:mover accent='true'><mml:mtext>&#x3C1;</mml:mtext><mml:mo>&#x5E;</mml:mo></mml:mover></mml:math></inline-formula>.</p>
<p>O primeiro tipo de vari&#xE1;veis omitidas destacado pela literatura est&#xE1; ligado &#xE0;s caracter&#xED;sticas de gest&#xE3;o das empresas doadoras. De um lado, os estudos sup&#xF5;em que empresas mais eficientes e com corpo diretivo mais agressivo teriam maior capacidade financeira para realizar doa&#xE7;&#xF5;es e uma maior propens&#xE3;o em estabelecer rela&#xE7;&#xF5;es pol&#xED;ticas com atores capazes de prover seus interesses (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Oliveira &#x26; Ara&#xFA;jo 2013</xref>) &#x2013; neste trabalho, aqueles que pertencem &#xE0; coaliz&#xE3;o. &#xC9; plaus&#xED;vel supor tamb&#xE9;m que estas empresas teriam mais chances de conseguir valores contratuais maiores devido &#xE0; sua pr&#xF3;pria efici&#xEA;ncia e agressividade. Em outras palavras, a efici&#xEA;ncia e a agressividade das empresas estariam positivamente correlacionadas com o tratamento e com o resultado.</p>
<p>A literatura sobre retornos contratuais n&#xE3;o menciona outras vari&#xE1;veis que est&#xE3;o vinculadas &#xE0; pr&#xF3;pria organiza&#xE7;&#xE3;o das empresas ou ao seu papel assumido no mercado. Sem d&#xFA;vida, a falta de dados &#xE9; o maior empecilho para inseri-las nos testes. Os estudos que inseriram de modo conjunto doa&#xE7;&#xF5;es de campanha e caracter&#xED;sticas do mundo empresarial n&#xE3;o empregaram como vari&#xE1;vel dependente o valor contratual. E mais importante, n&#xE3;o &#xE9; poss&#xED;vel adaptar o modo como seus dados foram organizados com o banco deste trabalho. <xref ref-type="bibr" rid="B2">Ara&#xFA;jo (2008)</xref> inseriu na analise a competitividade a partir da <italic>proxy</italic> &#x201C;quantidade de empregados&#x201D; e a balan&#xE7;a comercial do setor, mas as unidades de observa&#xE7;&#xE3;o (linhas do banco) se referem ao setor econ&#xF4;mico, e n&#xE3;o a empresas individuais. Para analisar o efeito de doa&#xE7;&#xF5;es de campanha sobre o desempenho das empresas, <xref ref-type="bibr" rid="B11">Mello e Marcon (2005)</xref> empregaram vari&#xE1;veis ligadas a caracter&#xED;sticas internas das empresas e ao setor econ&#xF4;mico de sua atua&#xE7;&#xE3;o, mas, por falta de dados, restringiram-se a analisar empresas p&#xFA;blicas, excluindo grande parte dos doadores.</p>
<p>O presente trabalho, ao contr&#xE1;rio, almejou abordar todos os doadores empresariais. Estudos futuros podem e devem adotar novas estrat&#xE9;gias, mas em um primeiro momento seria &#xFA;til aplicar modelos que abarcassem todos os casos. De qualquer forma, tamb&#xE9;m &#xE9; plaus&#xED;vel esperar que vari&#xE1;veis como o porte das empresas, o n&#xED;vel de organiza&#xE7;&#xE3;o em seu segmento e capacidade de obter financiamento tamb&#xE9;m estejam positivamente correlacionados com ambos, obten&#xE7;&#xE3;o de contratos mais rent&#xE1;veis (vari&#xE1;vel dependente) e prefer&#xEA;ncia em doar para a coaliz&#xE3;o (tratamento). Ou ainda, &#xE9; razo&#xE1;vel supor que algumas destas vari&#xE1;veis estejam associadas apenas &#xE0; vari&#xE1;vel dependente (valores contratuais), sem qualquer v&#xED;nculo &#xE0; prefer&#xEA;ncia de contribuir &#xE0; coaliz&#xE3;o, o que n&#xE3;o enviesaria o efeito do tratamento em caso de aus&#xEA;ncia. Os testes empreendidos a seguir admitem a validade deste suposto.</p>
<p>O segundo tipo de vi&#xE9;s ressaltado pela literatura &#xE9; derivado da falta de incerteza das empresas doadoras quanto o sucesso eleitoral dos candidatos (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Oliveira &#x26; Ara&#xFA;jo 2013</xref>). O presente trabalho considera que quanto maior a probabilidade de candidatos vitoriosos virem a pertencer &#xE0; coaliz&#xE3;o, maiores seriam os valores doados pelas empresas, uma vez que elas aumentariam sua expectativa de obter maiores retornos contratuais caso seus candidatos fossem eleitos. Por outro lado, quanto maior a probabilidade de sucesso de os candidatos pertencerem &#xE0; coaliz&#xE3;o, maior a capacidade destes mesmos atores em prover retornos contratuais aos seus financiadores. Portanto, a vari&#xE1;vel omitida (falta incerteza eleitoral) estaria positivamente associada ao tratamento (doar &#xE0; coaliz&#xE3;o) e &#xE0; vari&#xE1;vel dependente (valor contratual).</p>
<p>As equa&#xE7;&#xF5;es a seguir representam, respectivamente, o novo modelo real esperado e o modelo estimado sem as vari&#xE1;veis omitidas.</p>
<p>
<disp-formula id="eq2"><label>(1)</label><alternatives>
<graphic xlink:href="e2.jpg"/>
<mml:math id="m7" display="block"><mml:mrow><mml:mtable columnalign='left'><mml:mtr columnalign='left'><mml:mtd columnalign='left'><mml:mrow><mml:mi>V</mml:mi><mml:mi>a</mml:mi><mml:mi>l</mml:mi><mml:mi>o</mml:mi><mml:mi>r</mml:mi><mml:mtext>&#x2009;</mml:mtext><mml:mi>c</mml:mi><mml:mi>o</mml:mi><mml:mi>n</mml:mi><mml:mi>t</mml:mi><mml:mi>r</mml:mi><mml:mi>a</mml:mi><mml:mi>t</mml:mi><mml:mi>u</mml:mi><mml:mi>a</mml:mi><mml:msub><mml:mi>l</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi></mml:msub><mml:mo>=</mml:mo><mml:mtext>&#x3C1;</mml:mtext><mml:msub><mml:mi>D</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi></mml:msub><mml:mo>+</mml:mo><mml:msub><mml:mi>&#x3B3;</mml:mi><mml:mn>1</mml:mn></mml:msub><mml:mtext>&#x2009;</mml:mtext><mml:mi>e</mml:mi><mml:mi>f</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi><mml:msub><mml:mi>c</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi></mml:msub><mml:mo>+</mml:mo><mml:msub><mml:mi>&#x3B3;</mml:mi><mml:mn>2</mml:mn></mml:msub><mml:mtext>&#x2009;</mml:mtext><mml:mi>a</mml:mi><mml:mi>g</mml:mi><mml:mi>r</mml:mi><mml:mi>e</mml:mi><mml:mi>s</mml:mi><mml:msub><mml:mi>s</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi></mml:msub><mml:mo>+</mml:mo><mml:msub><mml:mi>&#x3B3;</mml:mi><mml:mn>3</mml:mn></mml:msub><mml:mi>Pr</mml:mi><mml:msub><mml:mrow><mml:mrow><mml:mo>(</mml:mo><mml:mrow><mml:mo>&#x2208;</mml:mo><mml:mi>c</mml:mi><mml:mi>o</mml:mi><mml:mi>a</mml:mi><mml:mi>l</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi><mml:mi>z</mml:mi><mml:mover accent='true'><mml:mi>a</mml:mi><mml:mo>&#x2DC;</mml:mo></mml:mover><mml:mi>o</mml:mi></mml:mrow><mml:mo>)</mml:mo></mml:mrow></mml:mrow><mml:mi>i</mml:mi></mml:msub><mml:mo>+</mml:mo><mml:msubsup><mml:mrow><mml:mi>X</mml:mi></mml:mrow><mml:mrow><mml:mi>i</mml:mi></mml:mrow><mml:mrow><mml:mi>&#x2032;</mml:mi></mml:mrow></mml:msubsup><mml:mtext>&#x3B2;</mml:mtext><mml:mo>+</mml:mo><mml:msub><mml:mi>e</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi></mml:msub></mml:mrow></mml:mtd></mml:mtr><mml:mtr columnalign='left'><mml:mtd columnalign='left'><mml:mrow><mml:mtext>&#x2003;&#x2003;</mml:mtext><mml:mi>V</mml:mi><mml:mi>a</mml:mi><mml:mi>l</mml:mi><mml:mi>o</mml:mi><mml:mi>r</mml:mi><mml:mtext>&#x2009;</mml:mtext><mml:mi>c</mml:mi><mml:mi>o</mml:mi><mml:mi>n</mml:mi><mml:mi>t</mml:mi><mml:mi>r</mml:mi><mml:mi>a</mml:mi><mml:mi>t</mml:mi><mml:mi>u</mml:mi><mml:mi>a</mml:mi><mml:msub><mml:mi>l</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi></mml:msub><mml:mo>=</mml:mo><mml:mover accent='true'><mml:mtext>&#x3C1;</mml:mtext><mml:mo>&#x5E;</mml:mo></mml:mover><mml:msub><mml:mi>D</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi></mml:msub><mml:mo>+</mml:mo><mml:msubsup><mml:mrow><mml:mi>X</mml:mi></mml:mrow><mml:mrow><mml:mi>i</mml:mi></mml:mrow><mml:mrow><mml:mi>&#x2032;</mml:mi></mml:mrow></mml:msubsup><mml:mover accent='true'><mml:mtext>&#x3B2;</mml:mtext><mml:mo>&#x5E;</mml:mo></mml:mover><mml:mo>+</mml:mo><mml:msub><mml:mi>u</mml:mi><mml:mi>i</mml:mi></mml:msub></mml:mrow></mml:mtd></mml:mtr></mml:mtable></mml:mrow></mml:math></alternatives></disp-formula></p>
<p>Ao omitir as vari&#xE1;veis de efici&#xEA;ncia, agressividade e a probabilidade de pertencer &#xE0; coaliz&#xE3;o, a expectativa do vi&#xE9;s do efeito estimado do tratamento <inline-formula>
<mml:math id="m8" display="inline"><mml:mover accent='true'><mml:mtext>&#x3C1;</mml:mtext><mml:mo>&#x5E;</mml:mo></mml:mover></mml:math></inline-formula> continua positiva (&#x3C1; &#x3E; <inline-formula><mml:math id="m9" display="inline"><mml:mover accent='true'><mml:mtext>&#x3C1;</mml:mtext><mml:mo>&#x5E;</mml:mo></mml:mover></mml:math></inline-formula>). Isso significa que, embora o efeito estimado do tratamento, <inline-formula><mml:math id="m10" display="inline"><mml:mover accent='true'><mml:mtext>&#x3C1;</mml:mtext><mml:mo>&#x5E;</mml:mo></mml:mover></mml:math></inline-formula>, possa ser menor do que o efeito real, &#x3C1;, ainda &#xE9; analiticamente &#xFA;til, uma vez que representa o retorno contratual m&#xED;nimo das empresas que doam para integrantes da coaliz&#xE3;o governista. Desse modo, nos livramos do suposto de que candidatos individuais eleitos teriam poder sobre a aloca&#xE7;&#xE3;o de contratos independentemente de partidos e alian&#xE7;as pol&#xED;ticas.</p>
<p>Para aplicar a nova estrat&#xE9;gia anal&#xED;tica, as unidades de observa&#xE7;&#xE3;o ser&#xE3;o adaptadas. Deixam de ser o total de recursos recebidos pelo candidato, e s&#xE3;o substitu&#xED;das pelo valor total doado por uma empresa a um partido independentemente se os recursos foram endere&#xE7;ados &#xE0;s associa&#xE7;&#xF5;es partid&#xE1;rias ou aos candidatos individuais. Assim, poder&#xE3;o ser acrescentadas &#xE0; an&#xE1;lise as doa&#xE7;&#xF5;es endere&#xE7;adas &#xE0;s associa&#xE7;&#xF5;es partid&#xE1;rias, que em 2006 representaram 57,1% do total dos recursos empresariais.</p>
<p>Como afirmado anteriormente, a partir dos testes ser&#xE1; poss&#xED;vel comparar, alternadamente, duas vari&#xE1;veis dependentes: o valor contratual obtido antes e ap&#xF3;s as elei&#xE7;&#xF5;es (<xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref>).</p>
<p>Vale ressaltar que a dire&#xE7;&#xE3;o causal entre tratamento (doar para a coaliz&#xE3;o) e vari&#xE1;vel dependente (valor contratual) n&#xE3;o deve ser alterada quando o teste est&#xE1; vinculado ao mandato antes da altern&#xE2;ncia de mandato. Como ilustra a <xref ref-type="fig" rid="f1">Figura 1</xref> da se&#xE7;&#xE3;o anterior, a presente hip&#xF3;tese sup&#xF5;e que as empresas se comprometem a doar antes de receberem valores contratuais, mas s&#xF3; podemos observar as contribui&#xE7;&#xF5;es prometidas momentos antes das elei&#xE7;&#xF5;es.</p>
<p>Na pr&#xF3;xima se&#xE7;&#xE3;o, a elabora&#xE7;&#xE3;o do banco de dados e suas vari&#xE1;veis ser&#xE3;o relatadas.</p>
</sec>
<sec>
<title>V. Os dados</title>
<p>Os dados de doa&#xE7;&#xF5;es de campanha prov&#xEA;m do Reposit&#xF3;rio de Dados Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref>. Foram coletados os dados de doa&#xE7;&#xF5;es realizadas por empresas privadas a candidatos individuais, para os tr&#xEA;s cargos de presidente, senador e deputado federal, e a associa&#xE7;&#xF5;es partid&#xE1;rias federais (comit&#xEA;s e diret&#xF3;rios) na disputa eleitoral de 2006.</p>
<p>Os dados referentes a valores contratuais federais recebidos por empresas privadas foram coletados no Portal da Transpar&#xEA;ncia do Governo Federal por <italic>web scraping</italic>, para os anos de 2004 a 2006 e 2008 a 2010. Como sugerido por <xref ref-type="bibr" rid="B13">Oliveira e Ara&#xFA;jo (2013)</xref>, os valores contratuais recebidos pelas empresas durante o primeiro ano de cada mandato devem ser exclu&#xED;dos do banco, uma vez que o Plano Plurianual entra em vigor sempre a partir do segundo ano de cada mandato. O CNPJ das empresas que receberam contratos foi cruzado com o CNPJ de doadores mencionados no banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A partir do CNPJ da empresa, os valores contratuais recebidos por um mesmo partido provenientes de uma mesma empresa foram somados para constituir as unidades de observa&#xE7;&#xE3;o.</p>
<p>Os dados ligados a coaliz&#xE3;o governista foram acrescentados a partir do banco de dados do Cebrap. Foram considerados apenas os integrantes da coaliz&#xE3;o para o primeiro e segundo mandato do governo Lula. Embora fossem exclu&#xED;dos os valores contratuais do primeiro ano de cada mandato devido aos tramites da execu&#xE7;&#xE3;o or&#xE7;ament&#xE1;ria, foram considerados todos os integrantes que participaram da coaliz&#xE3;o durante todo o mandato, mesmo que envolvessem o primeiro ano de governo, uma vez que os atores pol&#xED;ticos participam da elabora&#xE7;&#xE3;o dos Planos Plurianuais desde o in&#xED;cio do mandato. Uma <italic>dummy</italic> foi criada para representar empresas que doaram para partidos que participaram da coaliz&#xE3;o, ou seja, que participaram durante um ano pelo menos (<italic>coalizao1</italic>).</p>
<p>Embora a unidade de observa&#xE7;&#xE3;o seja o valor total doado por uma empresa a um partido, foi identificado: (1) se, do montante desse valor, parte era destinada a candidatos individuais ou a comit&#xEA;s e diret&#xF3;rios; (2) se parte era dirigida &#xE0; disputa para o cargo de presidente, senador e deputado. A partir destes dados foram criadas <italic>dummies</italic>. As <italic>dummies</italic> de doa&#xE7;&#xF5;es destinadas a partidos ou a candidatos individuais s&#xE3;o excludentes, enquanto as <italic>dummies</italic> de disputa de cargos espec&#xED;ficos n&#xE3;o s&#xE3;o excludentes. Ou seja, uma mesma empresa pode ter doado para deputados e senadores &#x2013; portanto, se uma empresa fez doa&#xE7;&#xF5;es a deputados isso n&#xE3;o significa que n&#xE3;o tenha financiado senadores.</p>
<p>Outras <italic>dummies</italic> complementares foram criadas. Primeiro, para identificar se a empresa doou para partidos que integravam ambos, coaliz&#xE3;o governista e oposi&#xE7;&#xE3;o (<italic>doadob</italic>), e se doadores contribu&#xED;ram apenas para a coaliz&#xE3;o (<italic>coalizao2</italic>). Segundo, para identificar se o doador contribuiu para o partido do presidente (<italic>do_part_exec</italic>) e para o restante da coaliz&#xE3;o (<italic>coalizao3</italic>). Na pr&#xF3;xima se&#xE7;&#xE3;o, os principais resultados ser&#xE3;o analisados.</p>
</sec>
<sec sec-type="results">
<title>VI. Resultados</title>
<p>O primeiro conjunto de modelos (<xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>) testa se empresas que doam para partidos da coaliz&#xE3;o governista (<italic>coalizao1</italic>) obt&#xEA;m maior retorno contratual em rela&#xE7;&#xE3;o aos doadores exclusivos da oposi&#xE7;&#xE3;o. Tamb&#xE9;m foram empregados tr&#xEA;s tipos de controle. O primeiro se refere ao valor doado (<italic>valor_doacao</italic>). O segundo diz respeito &#xE0; doa&#xE7;&#xE3;o endere&#xE7;ada para comit&#xEA;s e diret&#xF3;rios partid&#xE1;rios (<italic>doapart</italic>), para o partido e candidato individual (<italic>doaindpart</italic>), e apenas para o candidato, sendo esta &#xFA;ltima vari&#xE1;vel omitida para evitar multicolinearidade. O terceiro envolve doa&#xE7;&#xF5;es para presidente (<italic>doa_pres</italic>), senador (<italic>doa_sen</italic>) e deputado federal, esta &#xFA;ltima tamb&#xE9;m omitida. A vari&#xE1;vel dependente dos modelos 1 e 2 se refere ao retorno contratual antes das elei&#xE7;&#xF5;es, enquanto que a vari&#xE1;vel dependente dos modelos 3 e 4 diz respeito a recompensas futuras. Os modelos 2 e 4 apresentam uma vari&#xE1;vel de intera&#xE7;&#xE3;o entre o tratamento <italic>coaliz&#xE3;o1</italic> e o <italic>valor_doacao</italic>. Os valores doados e contratuais obtidos foram divididos por mil para tornar os estimadores mais claros (<xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>).</p>
<p>
<table-wrap id="t1">
<label>Tabela 1</label>
<caption>
<title>Efeito de doar para a coaliz&#xE3;o e do valor doado sobre valores contratuais recebidos</title></caption>
<alternatives>
	<graphic xlink:href="t1.jpg"/>
<table frame="hsides" rules="groups">
<colgroup width="20%">
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/></colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<th align="left"/>
<th align="center" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Valor contratual obtido antes das elei&#xE7;&#xF5;es</th>
<th align="center" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Valor contratual obtido ap&#xF3;s as elei&#xE7;&#xF5;es</th></tr>
<tr>
<th align="left">Vari&#xE1;vel</th>
<th align="center">Modelo 1</th>
<th align="center">Modelo 2</th>
<th align="center">Modelo 3</th>
<th align="center">Modelo 4</th></tr></thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<td align="left">coalizao1</td>
<td align="center">801.84</td>
<td align="center">657.47</td>
<td align="center">1.15</td>
<td align="center">0.90</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">273.38</td>
<td align="center">283.14</td>
<td align="center">0.50</td>
<td align="center">0.52</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">0.003</td>
<td align="center">0.020</td>
<td align="center">0.020</td>
<td align="center">0.080</td></tr>
<tr>
<td align="left">valor_doacao</td>
<td align="center">10.54</td>
<td align="center">7.47</td>
<td align="center">0.00</td>
<td align="center">-0.01</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">1.07</td>
<td align="center">1.90</td>
<td align="center">0.00</td>
<td align="center">0.00</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">0.000</td>
<td align="center">0.000</td>
<td align="center">0.981</td>
<td align="center">0.127</td></tr>
<tr>
<td align="left">doapart <xref ref-type="table-fn" rid="TFN2">I</xref></td>
<td align="center">1083.58</td>
<td align="center">1087.83</td>
<td align="center">-5.10</td>
<td align="center">-5.09</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">404.45</td>
<td align="center">404.43</td>
<td align="center">0.74</td>
<td align="center">0.74</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">0.007</td>
<td align="center">0.007</td>
<td align="center">0.000</td>
<td align="center">0.000</td></tr>
<tr>
<td align="left">doaindpart <xref ref-type="table-fn" rid="TFN3">II</xref></td>
<td align="center">8781.91</td>
<td align="center">8846.89</td>
<td align="center">9.35</td>
<td align="center">9.46</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">952.30</td>
<td align="center">952.82</td>
<td align="center">1.73</td>
<td align="center">1.73</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">0.000</td>
<td align="center">0.000</td>
<td align="center">0.000</td>
<td align="center">0.000</td></tr>
<tr>
<td align="left">doa_pres <xref ref-type="table-fn" rid="TFN4">III</xref></td>
<td align="center">-992.65</td>
<td align="center">-928.78</td>
<td align="center">-2.22</td>
<td align="center">-2.10</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">682.15</td>
<td align="center">682.89</td>
<td align="center">1.24</td>
<td align="center">1.24</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">0.146</td>
<td align="center">0.174</td>
<td align="center">0.074</td>
<td align="center">0.091</td></tr>
<tr>
<td align="left">doa_sen <xref ref-type="table-fn" rid="TFN5">IV</xref></td>
<td align="center">-13.43</td>
<td align="center">8.73</td>
<td align="center">3.55</td>
<td align="center">3.59</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">467.24</td>
<td align="center">467.35</td>
<td align="center">0.85</td>
<td align="center">0.85</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">0.977</td>
<td align="center">0.985</td>
<td align="center">0.000</td>
<td align="center">0.000</td></tr>
<tr>
<td align="left">coal1_doa <xref ref-type="table-fn" rid="TFN6">V</xref></td>
<td align="left"/>
<td align="center">4.29</td>
<td align="left"/>
<td align="center">0.01</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="left"/>
<td align="center">2.19</td>
<td align="left"/>
<td align="center">0.00</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="left"/>
<td align="center">0.050</td>
<td align="left"/>
<td align="center">0.062</td></tr>
<tr>
<td align="left">Constante</td>
<td align="center">756.57</td>
<td align="center">850.08</td>
<td align="center">17.27</td>
<td align="center">17.43</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">229.83</td>
<td align="center">234.73</td>
<td align="center">0.42</td>
<td align="center">0.43</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">0.001</td>
<td align="center">0.000</td>
<td align="center">0.000</td>
<td align="center">0.000</td></tr>
<tr>
<td align="left">N</td>
<td align="center">22419</td>
<td align="center">22419</td>
<td align="center">22419</td>
<td align="center">22419</td></tr>
<tr>
<td align="left">r2_a</td>
<td align="center">0.01</td>
<td align="center">0.01</td>
<td align="center">0.01</td>
<td align="center">0.01</td></tr></tbody></table></alternatives>
<table-wrap-foot><attrib>Fonte: Elabora&#xE7;&#xE3;o pr&#xF3;pria.</attrib>
<fn id="TFN1">
<p>Observa&#xE7;&#xE3;o: Os valores para cada vari&#xE1;vel se referem, respectivamente, ao estimador, erro padr&#xE3;o e &#xED;ndice de signific&#xE2;ncia; cada unidade de medida dos estimadores equivale a R$ 1.000.</p></fn>
<fn id="TFN2">
<label>I</label>
<p>Doa&#xE7;&#xE3;o endere&#xE7;ada para comit&#xEA;s e diret&#xF3;rios partid&#xE1;rios.</p></fn>
<fn id="TFN3">
<label>II</label>
<p>Doa&#xE7;&#xE3;o para o partido e candidato individual.</p></fn>
<fn id="TFN4">
<label>III</label>
<p>Doa&#xE7;&#xF5;es para presidente.</p></fn>
<fn id="TFN5">
<label>IV</label>
<p>Doa&#xE7;&#xF5;es para senador.</p></fn>
<fn id="TFN6">
<label>V</label>
<p>Vari&#xE1;vel de Intera&#xE7;&#xE3;o.</p></fn></table-wrap-foot></table-wrap></p>
<p>Exceto o modelo 4, doar para membros da coaliz&#xE3;o aumenta o retorno de valores contratuais significativamente. Mas o que chama a aten&#xE7;&#xE3;o &#xE9; que os modelos com retornos contratuais antes das elei&#xE7;&#xF5;es (modelos 1 e 2) apresentam estimadores bem maiores que os modelos que estimam impacto sobre recompensas futuras. Segundo o modelo 1, por exemplo, independentemente do valor doado, empresas que doam para integrantes da coaliz&#xE3;o receberam em m&#xE9;dia pelo menos R$ 819 mil a mais que os doadores de membros que pertenceram &#xE0; oposi&#xE7;&#xE3;o. Vale lembrar que o efeito real das vari&#xE1;veis independentes pode ser ainda maior que o efeito estimado, devido ao vi&#xE9;s positivo gerado pela omiss&#xE3;o de vari&#xE1;veis n&#xE3;o observadas discutidas anteriormente. Por outro lado, os estimadores m&#xED;nimos dos modelos 3 e 4 s&#xE3;o residuais.</p>
<p>O <xref ref-type="fig" rid="f2">Gr&#xE1;fico 1</xref> ajuda a visualizar a diferen&#xE7;a m&#xED;nima entre doar para a coaliz&#xE3;o entes e ap&#xF3;s as elei&#xE7;&#xF5;es, estimada a partir dos modelos 1 e 3. Apesar do grande intervalo de confian&#xE7;a, temos clareza que a diferen&#xE7;a contratual recebida antes das elei&#xE7;&#xF5;es &#xE9; elevada. Ap&#xF3;s as elei&#xE7;&#xF5;es, ao contr&#xE1;rio, o valor m&#xED;nimo estimado &#xE9; muito baixo.</p>
<fig id="f2">
<label>Gr&#xE1;fico 1</label>
<caption>
<title>Valor contratual recebido por doadores da coaliz&#xE3;o antes e ap&#xF3;s &#xE0;s elei&#xE7;&#xF5;es</title></caption>
<graphic xlink:href="0104-4478-rsocp-25-61-0031-gf02.jpg"/>
<attrib>Fonte: Elabora&#xE7;&#xE3;o pr&#xF3;pria.</attrib></fig>
<p>A vari&#xE1;vel interativa (<italic>coal1_doa</italic>) que mede o efeito do valor doado sobre o efeito do tratamento (<italic>coalizao1</italic>) &#xE9; significativa apenas para o per&#xED;odo pr&#xE9;-eleitoral, como indica o modelo 2. O <xref ref-type="fig" rid="f3">Gr&#xE1;fico 2</xref> ilustra com maior clareza como o efeito de ter doado para a coaliz&#xE3;o se altera conforme o valor doado pelas empresas aumenta. A diferen&#xE7;a contratual m&#xE9;dia entre empresas que doaram para a coaliz&#xE3;o e doadores da oposi&#xE7;&#xE3;o chega a ultrapassar 40 milh&#xF5;es de acordo com o aumento da doa&#xE7;&#xE3;o. O intervalo de confian&#xE7;a &#xE9; maior para doa&#xE7;&#xF5;es mais elevadas, porque o n&#xFA;mero dos grandes doadores &#xE9; bem menor que o dos pequenos doadores.</p>
<fig id="f3">
<label>Gr&#xE1;fico 2</label>
<caption>
<title>Efeito de doar para a coaliz&#xE3;o sobre valores contratuais recebidos antes das elei&#xE7;&#xF5;es em fun&#xE7;&#xE3;o do valor doado</title></caption>
<graphic xlink:href="0104-4478-rsocp-25-61-0031-gf03.jpg"/>
<attrib>Fonte: Elabora&#xE7;&#xE3;o pr&#xF3;pria.</attrib></fig>
<p>Ainda segundo a <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>, em rela&#xE7;&#xE3;o &#xE0;s empresas que doaram apenas para candidatos individuais, aqueles que doaram exclusivamente para os partidos ganham uma diferen&#xE7;a contratual m&#xE9;dia de R$ 1,08 milh&#xE3;o antes das elei&#xE7;&#xF5;es, enquanto que as organiza&#xE7;&#xF5;es que doaram de ambas as formas obtiveram em m&#xE9;dia R$ 8,78 milh&#xF5;es (modelo 1). No entanto, estes estimadores devem ser examinados com cautela, uma vez que sua validade tamb&#xE9;m depende dos supostos discutidos na se&#xE7;&#xE3;o anterior. Em rela&#xE7;&#xE3;o ao per&#xED;odo p&#xF3;s-eleitoral (modelo 3), os estimadores n&#xE3;o ultrapassam R$ 10 mil, embora significativos. O <xref ref-type="fig" rid="f4">Gr&#xE1;fico 3</xref> compara as formas de doa&#xE7;&#xE3;o para os dois per&#xED;odos, refor&#xE7;ando a hip&#xF3;tese de que acordos nascem e acabam antes das pr&#xF3;ximas elei&#xE7;&#xF5;es.</p>
<fig id="f4">
<label>Gr&#xE1;fico 3</label>
<caption>
<title>Retorno contratual para doadores de partidos e de ambos, partidos e candidatos individuais</title>
<p>Doa&#xE7;&#xE3;o endere&#xE7;ada para comit&#xEA;s e diret&#xF3;rios partid&#xE1;rios (doapart)</p>
<p>Doa&#xE7;&#xE3;o para o partido e candidato individual (doaindpart)</p></caption>
<graphic xlink:href="0104-4478-rsocp-25-61-0031-gf04.jpg"/>
<attrib>Fonte: Elabora&#xE7;&#xE3;o pr&#xF3;pria.</attrib></fig>
<p>No segundo conjunto de modelos, apresentado na <xref ref-type="table" rid="t2">Tabela 2</xref>, verifica-se que empresas que efetuam doa&#xE7;&#xF5;es para ambos os grupos, coaliz&#xE3;o governista e oposi&#xE7;&#xE3;o, s&#xE3;o mais beneficiadas com valores contratuais. Os modelos 1 e 2 se referem ao valor contratual obtido durante o primeiro mandato (antes das elei&#xE7;&#xF5;es), enquanto os modelos 3 e 4 estimam o impacto sobre valores contratuais ap&#xF3;s as elei&#xE7;&#xF5;es. Diferentemente dos modelos anteriores da <xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>, os novos testes empregam as vari&#xE1;veis <italic>doadob</italic> e <italic>coalizao2</italic>, que representam, respectivamente, doadores de ambos os grupos e doadores exclusivos da coaliz&#xE3;o. Os modelos 2 e 4 possuem a vari&#xE1;vel de intera&#xE7;&#xE3;o <italic>doadob_doa</italic>, que testa se o valor doado altera o efeito do tratamento <italic>doadob</italic>.</p>
<p>
<table-wrap id="t2">
<label>Tabela 2</label>
<caption>
<title>Efeito de doar apenas para ambos, coaliz&#xE3;o e oposi&#xE7;&#xE3;o, e exclusivamente para coaliz&#xE3;o</title></caption>
<alternatives>
	<graphic xlink:href="t2.jpg"/>
<table frame="hsides" rules="groups">
<colgroup width="20%">
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/></colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<th align="left"/>
<th align="center" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Valor contratual obtido antes das elei&#xE7;&#xF5;es</th>
<th align="center" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Valor contratual obtido ap&#xF3;s as elei&#xE7;&#xF5;es</th></tr>
<tr>
<th align="center">Vari&#xE1;vel</th>
<th align="center">Modelo 1</th>
<th align="center">Modelo 2</th>
<th align="center">Modelo 3</th>
<th align="center">Modelo 4</th></tr></thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<td align="left">Doadob <xref ref-type="table-fn" rid="TFN8">I</xref></td>
<td align="center">4062.61</td>
<td align="center">3995.01</td>
<td align="center">9.04</td>
<td align="center">9.80</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">433.90</td>
<td align="center">454.95</td>
<td align="center">0.79</td>
<td align="center">0.83</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">0.000</td>
<td align="center">0.000</td>
<td align="center">0.000</td>
<td align="center">0.000</td></tr>
<tr>
<td align="left">coalizao2</td>
<td align="center">736.20</td>
<td align="center">737.47</td>
<td align="center">1.48</td>
<td align="center">1.46</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">295.71</td>
<td align="center">295.73</td>
<td align="center">0.54</td>
<td align="center">0.54</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">0.013</td>
<td align="center">0.013</td>
<td align="center">0.006</td>
<td align="center">0.006</td></tr>
<tr>
<td align="left">valor_doacao <xref ref-type="table-fn" rid="TFN9">II</xref></td>
<td align="center">9.73</td>
<td align="center">9.41</td>
<td align="center">-0.00</td>
<td align="center">0.00</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">1.08</td>
<td align="center">1.26</td>
<td align="center">0.00</td>
<td align="center">0.00</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">0.000</td>
<td align="center">0.000</td>
<td align="center">0.358</td>
<td align="center">0.407</td></tr>
<tr>
<td align="left">doapart <xref ref-type="table-fn" rid="TFN10">III</xref></td>
<td align="center">712.66</td>
<td align="center">717.24</td>
<td align="center">-5.94</td>
<td align="center">-5.99</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">405.67</td>
<td align="center">405.78</td>
<td align="center">0.74</td>
<td align="center">0.74</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">0.079</td>
<td align="center">0.077</td>
<td align="center">0.000</td>
<td align="center">0.000</td></tr>
<tr>
<td align="left">doaindpart <xref ref-type="table-fn" rid="TFN11">IV</xref></td>
<td align="center">8072.54</td>
<td align="center">8066.31</td>
<td align="center">7.73</td>
<td align="center">7.80</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">953.68</td>
<td align="center">953.78</td>
<td align="center">1.73</td>
<td align="center">1.73</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">0.000</td>
<td align="center">0.000</td>
<td align="center">0.000</td>
<td align="center">0.000</td></tr>
<tr>
<td align="left">doa_presidente <xref ref-type="table-fn" rid="TFN12">V</xref></td>
<td align="center">-980.29</td>
<td align="center">-991.65</td>
<td align="center">-2.16</td>
<td align="center">-2.03</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">680.92</td>
<td align="center">681.32</td>
<td align="center">1.24</td>
<td align="center">1.24</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">0.150</td>
<td align="center">0.146</td>
<td align="center">0.082</td>
<td align="center">0.102</td></tr>
<tr>
<td align="left">doa_senador <xref ref-type="table-fn" rid="TFN13">VI</xref></td>
<td align="center">-80.50</td>
<td align="center">-79.38</td>
<td align="center">3.41</td>
<td align="center">3.40</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">466.43</td>
<td align="center">466.44</td>
<td align="center">0.85</td>
<td align="center">0.85</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">0.863</td>
<td align="center">0.865</td>
<td align="center">0.000</td>
<td align="center">0.000</td></tr>
<tr>
<td align="left">doadob_doa <xref ref-type="table-fn" rid="TFN14">VII</xref></td>
<td align="left"/>
<td align="center">1.08</td>
<td align="left"/>
<td align="center">-0.01</td></tr>
<tr>
<td align="left">Constante</td>
<td align="center">405.27</td>
<td align="center">413.38</td>
<td align="center">16.18</td>
<td align="center">16.09</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">245.90</td>
<td align="center">246.45</td>
<td align="center">0.45</td>
<td align="center">0.45</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">0.099</td>
<td align="center">0.093</td>
<td align="center">0.000</td>
<td align="center">0.000</td></tr>
<tr>
<td align="left">N</td>
<td align="center">22419</td>
<td align="center">22419</td>
<td align="center">22419</td>
<td align="center">22419</td></tr>
<tr>
<td align="left">r2_a</td>
<td align="center">0.02</td>
<td align="center">0.02</td>
<td align="center">0.01</td>
<td align="center">0.01</td></tr></tbody></table></alternatives>
<table-wrap-foot><attrib>Fonte: Elabora&#xE7;&#xE3;o pr&#xF3;pria.</attrib>
<fn id="TFN7">
<p>Observa&#xE7;&#xE3;o: Os valores para cada vari&#xE1;vel se referem, respectivamente, ao estimador, erro padr&#xE3;o e &#xED;ndice de signific&#xE2;ncia; cada unidade de medida dos estimadores equivale a R$ 1.000.</p></fn>
<fn id="TFN8">
<label>I</label>
<p>A empresa doou para partidos que integravam ambos, coaliz&#xE3;o governista e oposi&#xE7;&#xE3;o.</p></fn>
<fn id="TFN9">
<label>II</label>
<p>Doadores que contribu&#xED;ram apenas para a coaliz&#xE3;o.</p></fn>
<fn id="TFN10">
<label>III</label>
<p>Doa&#xE7;&#xE3;o endere&#xE7;ada para comit&#xEA;s e diret&#xF3;rios partid&#xE1;rios.</p></fn>
<fn id="TFN11">
<label>IV</label>
<p>Doa&#xE7;&#xE3;o para o partido e candidato individual.</p></fn>
<fn id="TFN12">
<label>V</label>
<p>Doa&#xE7;&#xF5;es para presidente.</p></fn>
<fn id="TFN13">
<label>VI</label>
<p>Doa&#xE7;&#xF5;es para senador.</p></fn>
<fn id="TFN14">
<label>VII</label>
<p>Vari&#xE1;vel de intera&#xE7;&#xE3;o.</p></fn></table-wrap-foot></table-wrap></p>
<p>As vari&#xE1;veis <italic>doadob</italic> e <italic>coalizao2</italic> s&#xE3;o significativas em todos os modelos, mas o que chama a aten&#xE7;&#xE3;o &#xE9; a diferen&#xE7;a de magnitude entre o efeito estimado antes (modelos 1 e 2) e ap&#xF3;s as elei&#xE7;&#xF5;es (modelos 3 e 4). A diferen&#xE7;a contratual m&#xE9;dia entre doadores de ambos os lados e doadores da oposi&#xE7;&#xE3;o equivale a pelo menos R$ 4,1 milh&#xF5;es (modelo 1), enquanto que ap&#xF3;s as elei&#xE7;&#xF5;es a diferen&#xE7;a contratual m&#xED;nima cai para R$ 9 mil (modelo 3). Ainda em rela&#xE7;&#xE3;o aos doadores da oposi&#xE7;&#xE3;o, empresas que doam apenas para a coaliz&#xE3;o (<italic>coalizao2</italic>) recebem em m&#xE9;dia R$ 736 mil a mais antes das elei&#xE7;&#xF5;es, enquanto ap&#xF3;s as elei&#xE7;&#xF5;es o valor cai para R$ 1,5 mil. A vari&#xE1;vel de intera&#xE7;&#xE3;o <italic>doadob_doa</italic>, por sua vez, n&#xE3;o &#xE9; significativa no modelo pr&#xE9;-eleitoral, e sua magnitude &#xE9; muito baixa quando o per&#xED;odo p&#xF3;s-eleitoral &#xE9; avaliado.</p>
<p>O <xref ref-type="fig" rid="f5">Gr&#xE1;fico 4</xref> facilita a compara&#xE7;&#xE3;o entre os estimadores. &#xC9; poss&#xED;vel notar com maior clareza que antes das novas elei&#xE7;&#xF5;es empresas que doam para ambos os lados obt&#xE9;m um valor contratual muito maior que os doadores exclusivos da coaliz&#xE3;o. Ap&#xF3;s as elei&#xE7;&#xF5;es os estimadores s&#xE3;o muito mais baixos.</p>
<fig id="f5">
<label>Gr&#xE1;fico 4</label>
<caption>
<title>Valor contratual recebido por doadores de ambos, coaliza&#xE7;&#xE3;o e oposi&#xE7;&#xE3;o, e de doadores exclusivos da coaliz&#xE3;o</title></caption>
<graphic xlink:href="0104-4478-rsocp-25-61-0031-gf05.jpg"/>
<attrib>Fonte: Elabora&#xE7;&#xE3;o pr&#xF3;pria.</attrib></fig>
<p>Dado que o partido que conquistou a Presid&#xEA;ncia da Rep&#xFA;blica possui instrumentos institucionais mais vantajosos para implementar sua agenda, &#xE9; poss&#xED;vel que as empresas prefiram financi&#xE1;-lo em detrimento do restante da coaliz&#xE3;o. Os modelos da <xref ref-type="table" rid="t3">Tabela 3</xref> comparam os doadores do partido do Executivo (<italic>part_exec</italic>) e os demais membros da coaliz&#xE3;o (<italic>coalizao3</italic>) com aqueles que contribu&#xED;ram apenas para a oposi&#xE7;&#xE3;o. Os modelos 2 e 4 inserem as vari&#xE1;veis de intera&#xE7;&#xE3;o <italic>exec_doa</italic> e <italic>coal3_doa</italic> para verificar se o valor doado altera o valor dos estimadores <italic>part_exec</italic> e <italic>coalizao3</italic>, respectivamente.</p>
<p>
<table-wrap id="t3">
<label>Tabela 3</label>
<caption>
<title>Efeito de doar para o partido do presidente ou para o restante da coaliz&#xE3;o sobre valores contratuais recebidos</title></caption>
<alternatives>
	<graphic xlink:href="t3.jpg"/>
<table frame="hsides" rules="groups">
<colgroup width="20%">
<col/>
<col/>
<col/>
<col/>
<col/></colgroup>
<thead style="border-top: thin solid; border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<th align="left"/>
<th align="center" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Valor contratual obtido antes das elei&#xE7;&#xF5;es</th>
<th align="center" colspan="2" style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">Valor contratual obtido ap&#xF3;s as elei&#xE7;&#xF5;es</th></tr>
<tr>
<th align="center">Vari&#xE1;vel</th>
<th align="center">Modelo 1</th>
<th align="center">Modelo 2</th>
<th align="center">Modelo 3</th>
<th align="center">Modelo 4</th></tr></thead>
<tbody style="border-bottom: thin solid; border-color: #000000">
<tr>
<td align="left">part_exec <xref ref-type="table-fn" rid="TFN16">I</xref></td>
<td align="center">67.36</td>
<td align="center">237.92</td>
<td align="center">1.82</td>
<td align="center">1.61</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">394.66</td>
<td align="center">405.63</td>
<td align="center">0.72</td>
<td align="center">0.74</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">0.864</td>
<td align="center">0.558</td>
<td align="center">0.011</td>
<td align="center">0.029</td></tr>
<tr>
<td align="left">coalizao3</td>
<td align="center">1076.69</td>
<td align="center">437.11</td>
<td align="center">0.90</td>
<td align="center">0.57</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">293.37</td>
<td align="center">304.31</td>
<td align="center">0.53</td>
<td align="center">0.56</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">0.000</td>
<td align="center">0.151</td>
<td align="center">0.091</td>
<td align="center">0.307</td></tr>
<tr>
<td align="left">valor_doacao</td>
<td align="center">10.59</td>
<td align="center">7.47</td>
<td align="center">-0.00</td>
<td align="center">-0.01</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">1.08</td>
<td align="center">1.90</td>
<td align="center">0.00</td>
<td align="center">0.00</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">0.000</td>
<td align="center">0.000</td>
<td align="center">1.000</td>
<td align="center">0.143</td></tr>
<tr>
<td align="left">doapart <xref ref-type="table-fn" rid="TFN17">II</xref></td>
<td align="center">1016.20</td>
<td align="center">437.08</td>
<td align="center">-5.04</td>
<td align="center">-5.17</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">405.24</td>
<td align="center">408.32</td>
<td align="center">0.74</td>
<td align="center">0.75</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">0.012</td>
<td align="center">0.284</td>
<td align="center">0.000</td>
<td align="center">0.000</td></tr>
<tr>
<td align="left">doaindpart <xref ref-type="table-fn" rid="TFN18">III</xref></td>
<td align="center">8709.75</td>
<td align="center">7971.06</td>
<td align="center">9.41</td>
<td align="center">9.33</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">952.59</td>
<td align="center">954.20</td>
<td align="center">1.73</td>
<td align="center">1.74</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">0.000</td>
<td align="center">0.000</td>
<td align="center">0.000</td>
<td align="center">0.000</td></tr>
<tr>
<td align="left">doa_presidente <xref ref-type="table-fn" rid="TFN19">IV</xref></td>
<td align="center">-526.37</td>
<td align="center">516.27</td>
<td align="center">-2.64</td>
<td align="center">-2.28</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">705.61</td>
<td align="center">711.50</td>
<td align="center">1.28</td>
<td align="center">1.30</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">0.456</td>
<td align="center">0.468</td>
<td align="center">0.040</td>
<td align="center">0.080</td></tr>
<tr>
<td align="left">doa_senador <xref ref-type="table-fn" rid="TFN20">V</xref></td>
<td align="center">18.23</td>
<td align="center">-20.88</td>
<td align="center">3.53</td>
<td align="center">3.55</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">467.34</td>
<td align="center">466.45</td>
<td align="center">0.85</td>
<td align="center">0.85</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">0.969</td>
<td align="center">0.964</td>
<td align="center">0.000</td>
<td align="center">0.000</td></tr>
<tr>
<td align="left">exec_doa <xref ref-type="table-fn" rid="TFN21">VI</xref></td>
<td align="left"/>
<td align="center">-3.46</td>
<td align="left"/>
<td align="center">0.01</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="left"/>
<td align="center">2.33</td>
<td align="left"/>
<td align="center">0.00</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="left"/>
<td align="center">0.138</td>
<td align="left"/>
<td align="center">0.216</td></tr>
<tr>
<td align="left">coal3_doa <xref ref-type="table-fn" rid="TFN21">VI</xref></td>
<td align="left"/>
<td align="center">23.01</td>
<td align="left"/>
<td align="center">0.01</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="left"/>
<td align="center">2.84</td>
<td align="left"/>
<td align="center">0.01</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="left"/>
<td align="center">0.000</td>
<td align="left"/>
<td align="center">0.027</td></tr>
<tr>
<td align="left">Constante</td>
<td align="center">737.85</td>
<td align="center">893.31</td>
<td align="center">17.29</td>
<td align="center">17.45</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">229.91</td>
<td align="center">234.27</td>
<td align="center">0.42</td>
<td align="center">0.43</td></tr>
<tr>
<td align="left"/>
<td align="center">0.001</td>
<td align="center">0.000</td>
<td align="center">0.000</td>
<td align="center">0.000</td></tr>
<tr>
<td align="left">N</td>
<td align="center">22419</td>
<td align="center">22419</td>
<td align="center">22419</td>
<td align="center">22419</td></tr>
<tr>
<td align="left">r2_a</td>
<td align="center">0.01</td>
<td align="center">0.02</td>
<td align="center">0.01</td>
<td align="center">0.01</td></tr></tbody></table></alternatives>
<table-wrap-foot><attrib>Fonte: Elabora&#xE7;&#xE3;o pr&#xF3;pria.</attrib>
<fn id="TFN15">
<p>Observa&#xE7;&#xE3;o: Os valores para cada vari&#xE1;vel se referem, respectivamente, ao estimador, erro padr&#xE3;o e &#xED;ndice de signific&#xE2;ncia; cada unidade de medida dos estimadores equivale a R$ 1.000.</p></fn>
<fn id="TFN16">
<label>I</label>
<p>Doadores do partido do Executivo.</p></fn>
<fn id="TFN17">
<label>II</label>
<p>Doa&#xE7;&#xE3;o endere&#xE7;ada para comit&#xEA;s e diret&#xF3;rios partid&#xE1;rios.</p></fn>
<fn id="TFN18">
<label>III</label>
<p>Doa&#xE7;&#xE3;o para o partido e candidato individual.</p></fn>
<fn id="TFN19">
<label>IV</label>
<p>Doa&#xE7;&#xF5;es para presidente.</p></fn>
<fn id="TFN20">
<label>V</label>
<p>Doa&#xE7;&#xF5;es para senador.</p></fn>
<fn id="TFN21">
<label>VI</label>
<p>Vari&#xE1;veis de intera&#xE7;&#xE3;o.</p></fn></table-wrap-foot></table-wrap></p>
<p>N&#xE3;o &#xE9; poss&#xED;vel afirmar que doadores do partido do Executivo recebem valores contratuais mais altos que os da oposi&#xE7;&#xE3;o antes das elei&#xE7;&#xF5;es, devido &#xE0; signific&#xE2;ncia insatisfat&#xF3;ria (modelos 1 e 2). Ap&#xF3;s as elei&#xE7;&#xF5;es, por sua vez, a diferen&#xE7;a de valores &#xE9; pouco expressiva, por n&#xE3;o ultrapassar R$ 2 mil. Por outro lado, os doadores do restante da coaliz&#xE3;o chegam a ganhar R$ 1,08 milh&#xE3;o a mais que os da oposi&#xE7;&#xE3;o antes das elei&#xE7;&#xF5;es (modelo1). A mesma associa&#xE7;&#xE3;o n&#xE3;o se confirma no per&#xED;odo p&#xF3;s-eleitoral, al&#xE9;m dos baixos estimadores (modelo 3). O <xref ref-type="fig" rid="f6">Gr&#xE1;fico 5</xref> ilustra com clareza a diferen&#xE7;a entre os estimadores.</p>
<fig id="f6">
<label>Gr&#xE1;fico 5</label>
<caption>
<title>Valor contratual recebido por doadores do partido do Executivo e do restante da coaliz&#xE3;o antes e ap&#xF3;s &#xE0;s elei&#xE7;&#xF5;es</title>
<p>Doadores do partido do Executivo (part_exec)</p></caption>
<graphic xlink:href="0104-4478-rsocp-25-61-0031-gf06.jpg"/>
<attrib>Fonte: Elabora&#xE7;&#xE3;o pr&#xF3;pria.</attrib></fig>
<p>Segundo os modelos 2 e 4, n&#xE3;o &#xE9; poss&#xED;vel afirmar que o valor doado gera efeito sobre a diferen&#xE7;a entre doar para o partido do Executivo e contribuir para a oposi&#xE7;&#xE3;o. Por outro lado, a vari&#xE1;vel <italic>coal3_doa</italic>, que estima a intera&#xE7;&#xE3;o entre doar para o restante da coaliz&#xE3;o e para a oposi&#xE7;&#xE3;o &#xE9; significativa em ambos os per&#xED;odos, pr&#xE9;-eleitoral e p&#xF3;s-eleitoral. No entanto, apenas o valor estimado no per&#xED;odo antes das elei&#xE7;&#xF5;es &#xE9; expressivo. Segundo o <xref ref-type="fig" rid="f7">Gr&#xE1;fico 6</xref>, o valor estimado sofre grande varia&#xE7;&#xE3;o conforme o valor doado aumenta, chegando a aproximadamente R$ 140 milh&#xF5;es. De acordo com o <xref ref-type="fig" rid="f8">Gr&#xE1;fico 7</xref>, ap&#xF3;s as elei&#xE7;&#xF5;es o retorno contratual recebido pelos maiores doadores n&#xE3;o ultrapassa R$ 70 mil &#x2013; montante bem inferior ao financiamento concedido pelas empresas.</p>
<fig id="f7">
<label>Gr&#xE1;fico 6</label>
<caption>
<title>Efeito de doar para a coaliz&#xE3;o com exce&#xE7;&#xE3;o do partido do Executivo antes das elei&#xE7;&#xF5;es</title></caption>
<graphic xlink:href="0104-4478-rsocp-25-61-0031-gf07.jpg"/>
<attrib>Fonte: Elabora&#xE7;&#xE3;o pr&#xF3;pria.</attrib></fig>
<fig id="f8">
<label>Gr&#xE1;fico 7</label>
<caption>
<title>Efeito de doar para a coaliz&#xE3;o com exce&#xE7;&#xE3;o do partido do Executivo ap&#xF3;s &#xE0;s elei&#xE7;&#xF5;es</title></caption>
<graphic xlink:href="0104-4478-rsocp-25-61-0031-gf08.jpg"/>
<attrib>Fonte: Elabora&#xE7;&#xE3;o pr&#xF3;pria.</attrib></fig>
<p>Quando significativas, as vari&#xE1;veis independentes dos modelos antes das elei&#xE7;&#xF5;es t&#xEA;m efeitos m&#xED;nimos muito superiores quando comparadas ao per&#xED;odo p&#xF3;s-eleitoral. E mais importante, os testes empreendidos ap&#xF3;s as elei&#xE7;&#xF5;es indicam que o retorno contratual n&#xE3;o cobre o investimento das empresas doadoras.</p>
<p>No entanto, essa compara&#xE7;&#xE3;o deve ser analisada com cautela. Como se tratam de estimadores m&#xED;nimos, nada garante que o vi&#xE9;s positivo no per&#xED;odo p&#xF3;s-eleitoral possa ser grande suficiente para aproxim&#xE1;-los dos valores estimados no per&#xED;odo anterior &#xE0;s elei&#xE7;&#xF5;es. Antes de eliminar esta expectativa, o presente estudo buscou ressaltar a import&#xE2;ncia da hip&#xF3;tese concorrente, geralmente negligenciada pela literatura e por grande parte da opini&#xE3;o p&#xFA;blica, segundo a qual acordos nascem e findam antes do pr&#xF3;ximo mandato.</p>
</sec>
<sec sec-type="conclusions">
<title>VII. Conclus&#xF5;es</title>
<p>O presente trabalho buscou analisar principalmente se as empresas que fazem doa&#xE7;&#xF5;es aos partidos que integram a coaliz&#xE3;o governista recebem valores contratuais mais elevados. E, de modo explorat&#xF3;rio, tamb&#xE9;m questionou se as empresas doam como forma de investimento futuro, ou se as doa&#xE7;&#xF5;es s&#xE3;o creditadas em troca da obten&#xE7;&#xE3;o de valores contratuais antes das elei&#xE7;&#xF5;es. Afinal, aparentemente as empresas n&#xE3;o contam com nenhum mecanismo para for&#xE7;ar atores pol&#xED;ticos a recompens&#xE1;-las no pr&#xF3;ximo mandato.</p>
<p>Os modelos que analisam o retorno contratual das empresas ap&#xF3;s as elei&#xE7;&#xF5;es apresentam estimadores muito baixos, o que levanta a suspeita de que as empresas n&#xE3;o doam como forma de investimento futuro. Em outras palavras, a recompensa contratual n&#xE3;o compensa a prefer&#xEA;ncia de investir em integrantes da coaliz&#xE3;o.</p>
<p>Os modelos que testam diferen&#xE7;as contratuais antes das elei&#xE7;&#xF5;es apresentam estimadores m&#xED;nimos mais expressivos. Doar para partidos da coaliz&#xE3;o governista significa ter obtido, em m&#xE9;dia, um retorno contratual m&#xED;nimo de R$ 800 milh&#xF5;es a mais que os doadores da oposi&#xE7;&#xE3;o (<xref ref-type="table" rid="t1">Tabela 1</xref>). Impressiona tamb&#xE9;m a diferen&#xE7;a de valores obtidos por empresas que doaram para ambos os lados. Essas empresas receberam em m&#xE9;dia R$ 7 bilh&#xF5;es a mais em rela&#xE7;&#xE3;o aos doadores exclusivos da oposi&#xE7;&#xE3;o (<xref ref-type="table" rid="t2">Tabela 2</xref>). N&#xE3;o foi poss&#xED;vel afirmar que doadores do partido do chefe do Executivo recebem valores contratuais maiores que os financiadores da oposi&#xE7;&#xE3;o, dado &#xE0; baixa signific&#xE2;ncia estat&#xED;stica (<xref ref-type="table" rid="t3">Tabela 3</xref>).</p>
<p>Os resultados apresentados est&#xE3;o em conson&#xE2;ncia com a hip&#xF3;tese defendida neste trabalho, segundo a qual acordos, quando estabelecidos, s&#xE3;o cumpridos antes das elei&#xE7;&#xF5;es. Como salientado anteriormente, devido ao vi&#xE9;s positivo, n&#xE3;o &#xE9; poss&#xED;vel desprezar a hip&#xF3;tese concorrente defendida pela literatura, de que contribui&#xE7;&#xF5;es geram retornos contratuais no pr&#xF3;ximo mandato (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Arvate, Barbosa &#x26; Fuzitani 2013</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B5">Boas, Hidalgo &#x26; Richardson 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B13">Oliveira &#x26; Ara&#xFA;jo 2013</xref>). Entretanto, a presente an&#xE1;lise indica que ambas as hip&#xF3;teses merecem ser investigadas com igual import&#xE2;ncia.</p>
<p>Outra contribui&#xE7;&#xE3;o importante foi elaborar uma estrat&#xE9;gia anal&#xED;tica capaz de inserir a din&#xE2;mica partid&#xE1;ria nos testes emp&#xED;ricos. Estudos futuros podem empregar novos modelos que evitem vi&#xE9;s sobre o tratamento, mas ter&#xE3;o que lidar com as doa&#xE7;&#xF5;es encaminhadas diretamente aos partidos (comit&#xEA;s e diret&#xF3;rios), valores estes que representam o maior volume de contribui&#xE7;&#xF5;es para a campanha.</p>
</sec></body>
<back>
<fn-group>
<fn fn-type="other" id="fn1">
<label>1</label>
<p>Mais especificamente, <xref ref-type="bibr" rid="B13">Oliveira e Ara&#xFA;jo (2013)</xref> utilizam como tratamento o cumprimento de pelo menos um ano exercido por deputados federais.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn2">
<label>2</label>
<p>Segundo <xref ref-type="bibr" rid="B17">Wooldridge (2002</xref>, cap. 3), se a vari&#xE1;vel n&#xE3;o observ&#xE1;vel se correlaciona positivamente com ambas, a vari&#xE1;vel de interesse independente e a vari&#xE1;vel dependente, o vi&#xE9;s &#xE9; positivo.</p></fn>
<fn fn-type="other" id="fn3">
<label>3</label>
<p>Dispon&#xED;vel em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.tse.jus.br/eleicoes/estatisticas/repositorio-de-dados-eleitorais">http://www.tse.jus.br/eleicoes/estatisticas/repositorio-de-dados-eleitorais</ext-link>. Acesso em 13 fev. 2017.</p></fn></fn-group>
<ref-list>
<title>Refer&#xEA;ncias</title>
<ref id="B1">
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>Ansolabehere</surname><given-names>S.</given-names></name>
<name><surname>Figueiredo</surname><given-names>J.</given-names></name>
<name><surname>Snyder</surname><given-names>J.</given-names></name></person-group>
<year>2003</year>
<article-title>Why is There So Little Money in U.S. Politics?</article-title>
<source xml:lang="en">Journal of Economic Perspective</source>
<volume>17</volume>
<issue>1</issue>
<fpage>105</fpage>
<lpage>130</lpage>
<pub-id pub-id-type="doi">10.3386/w9409</pub-id></element-citation>
<mixed-citation>Ansolabehere, S.; Figueiredo, J. &#x26; Snyder J., 2003. Why is There So Little Money in U.S. Politics? <italic>Journal of Economic Perspective</italic>, 17(1), pp.105-130. DOI: 10.3386/w9409</mixed-citation></ref>
<ref id="B2">
<element-citation publication-type="thesis">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>Ara&#xFA;jo</surname><given-names>G.B.</given-names></name></person-group>
<year>2008</year>
<source xml:lang="pt">O d&#xE9;ficit entre acordado e realizado no Mercosul</source>
<comment>Disserta&#xE7;&#xE3;o de Mestrado</comment>
<publisher-loc>S&#xE3;o Paulo</publisher-loc>
<publisher-name>Universidade de S&#xE3;o Paulo</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Ara&#xFA;jo, G.B., 2008. <italic>O d&#xE9;ficit entre acordado e realizado no Mercosul</italic>. Disserta&#xE7;&#xE3;o de Mestrado. S&#xE3;o Paulo: Universidade de S&#xE3;o Paulo.</mixed-citation></ref>
<ref id="B3">
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>Arvate</surname><given-names>P.</given-names></name>
<name><surname>Barbosa</surname><given-names>K.</given-names></name>
<name><surname>Fuzitani</surname><given-names>E.</given-names></name></person-group>
<year>2013</year>
<article-title>Campaign Donation and Government Contracts in Brazilian States</article-title>
<source xml:lang="en">Working Paper</source>
<fpage>7</fpage>
<lpage>7</lpage>
<comment>S&#xE3;o Paulo School of Economics.</comment></element-citation>
<mixed-citation>Arvate, P.; Barbosa, K. &#x26; Fuzitani, E., 2013. Campaign Donation and Government Contracts in Brazilian States. <italic>Working Paper</italic>, 7. S&#xE3;o Paulo School of Economics.</mixed-citation></ref>
<ref id="B4">
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>Bronars</surname><given-names>S.</given-names></name>
<name><surname>Lott</surname><given-names>J.R.</given-names></name></person-group>
<year>1997</year>
<article-title>Do Campaign Donations Alter How a Politician Votes? Or, Do Donors Support Candidates Who Value the Same Things that They Do?</article-title>
<source xml:lang="en">The Journal of Law and Economics</source>
<volume>40</volume>
<issue>2</issue>
<fpage>317</fpage>
<lpage>350</lpage>
<pub-id pub-id-type="doi">10.1086/467375</pub-id></element-citation>
<mixed-citation>Bronars, S. &#x26; Lott, J.R., 1997. Do Campaign Donations Alter How a Politician Votes? Or, Do Donors Support Candidates Who Value the Same Things that They Do? <italic>The Journal of Law and Economics</italic>, 40(2), pp.317-350. DOI: 10.1086/467375</mixed-citation></ref>
<ref id="B5">
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>Boas</surname><given-names>T.</given-names></name>
<name><surname>Hidalgo</surname><given-names>F.</given-names></name>
<name><surname>Richardson</surname><given-names>N.</given-names></name></person-group>
<year>2014</year>
<chapter-title xml:lang="en">The Spoils of Victory: Campaign Donations and Government Contracts in Brazil</chapter-title>
<source xml:lang="en">Working Paper</source>
<fpage>379</fpage>
<lpage>379</lpage>
<publisher-name>Boston University</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Boas, T.; Hidalgo, F. &#x26; Richardson, N., 2014. The Spoils of Victory: Campaign Donations and Government Contracts in Brazil. <italic>Working Paper</italic>, 379. Boston University.</mixed-citation></ref>
<ref id="B6">
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>Claessens</surname><given-names>S.C.</given-names></name>
<name><surname>Feijen</surname><given-names>E.</given-names></name>
<name><surname>Laeven</surname><given-names>L.</given-names></name></person-group>
<year>2008</year>
<article-title>Political Connections and Preferential Access to Finance: The Role of Campaign Contributions</article-title>
<source xml:lang="en">Journal of Financial Economics</source>
<volume>88</volume>
<issue>2008</issue>
<fpage>554</fpage>
<lpage>580</lpage>
<pub-id pub-id-type="doi">10.1016/j.jfineco.2006.11.003</pub-id></element-citation>
<mixed-citation>Claessens, S.C.; Feijen, E. &#x26; Laeven, L., 2008. Political Connections and Preferential Access to Finance: The Role of Campaign Contributions. <italic>Journal of Financial Economics</italic>, 88(2008), pp.554-580. DOI: 10.1016/j.jfineco.2006.11.003</mixed-citation></ref>
<ref id="B7">
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>Gon&#xE7;alves</surname><given-names>M.P.</given-names></name></person-group>
<year>2011</year>
<chapter-title xml:lang="pt">Financiamento pol&#xED;tico e benef&#xED;cios tribut&#xE1;rios: uma an&#xE1;lise da atua&#xE7;&#xE3;o de setores contemplados com benef&#xED;cios tribut&#xE1;rios no financiamento de campanhas eleitorais (2003-2010)</chapter-title>
<source xml:lang="pt">In 35&#xB0; Encontro da Anpocs</source>
<publisher-loc>Caxambu</publisher-loc></element-citation>
<mixed-citation>Gon&#xE7;alves, M.P., 2011. Financiamento pol&#xED;tico e benef&#xED;cios tribut&#xE1;rios: uma an&#xE1;lise da atua&#xE7;&#xE3;o de setores contemplados com benef&#xED;cios tribut&#xE1;rios no financiamento de campanhas eleitorais (2003-2010). In <italic>35&#xB0; Encontro da Anpocs</italic>. Caxambu.</mixed-citation></ref>
<ref id="B8">
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>Jayachandran</surname><given-names>S.</given-names></name></person-group>
<year>2004</year>
<source xml:lang="en">The Jeffords Effect</source>
<publisher-name>University of Berkeley</publisher-name>
<comment>Digit. Dispon&#xED;vel em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="http://www.econ.ucla.edu/people/papers/Jayachandran/Jayachandran297.pdf">http://www.econ.ucla.edu/people/papers/Jayachandran/Jayachandran297.pdf</ext-link>.</comment>
<date-in-citation content-type="access-date">Acesso em: 11 fev. 2017</date-in-citation></element-citation>
<mixed-citation>Jayachandran, S., 2004. <italic>The Jeffords Effect</italic>. University of Berkeley. Digit. Dispon&#xED;vel em: http://www.econ.ucla.edu/people/papers/Jayachandran/Jayachandran297.pdf. Acesso em: 11 fev. 2017.</mixed-citation></ref>
<ref id="B9">
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>Lazzarini</surname><given-names>S.G.</given-names></name>
<name><surname>Musacchio</surname><given-names>A.</given-names></name>
<name><surname>Bandeira-de-Mello</surname><given-names>R.</given-names></name>
<name><surname>Marcon</surname><given-names>R.</given-names></name></person-group>
<year>2011</year>
<chapter-title xml:lang="en">What Do Development Banks Do? Evidence from Brazil, 2002-2009</chapter-title>
<source xml:lang="en">Working Paper</source>
<fpage>12</fpage>
<lpage>12</lpage>
<publisher-name>Harvard Business School</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Lazzarini, S.G.; Musacchio, A.; Bandeira-de-Mello, R. &#x26; Marcon, R., 2011. What Do Development Banks Do? Evidence from Brazil, 2002-2009. <italic>Working Paper</italic>, 12. Harvard Business School.</mixed-citation></ref>
<ref id="B10">
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>Mancuso</surname><given-names>W.P.</given-names></name></person-group>
<year>2015</year>
<article-title>Investimento eleitoral no Brasil: balan&#xE7;o da literatura (2001-2012) e agenda de pesquisa</article-title>
<source xml:lang="pt">Revista de Sociologia e Pol&#xED;tica</source>
<volume>23</volume>
<issue>54</issue>
<fpage>155</fpage>
<lpage>183</lpage>
<pub-id pub-id-type="doi">10.1590/1678-987315235409</pub-id></element-citation>
<mixed-citation>Mancuso, W.P., 2015. Investimento eleitoral no Brasil: balan&#xE7;o da literatura (2001-2012) e agenda de pesquisa. <italic>Revista de Sociologia e Pol&#xED;tica</italic>, 23(54), pp.155-183. DOI: 10.1590/1678-987315235409</mixed-citation></ref>
<ref id="B11">
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>Mello</surname><given-names>R.B.</given-names></name>
<name><surname>Marcon</surname><given-names>R.</given-names></name></person-group>
<year>2005</year>
<article-title>Unpacking Firm Effects: Modeling Political Alliances in Variance Decomposition of Firm Performance in Turbulent Environments</article-title>
<source xml:lang="en">Brazilian Administration Review</source>
<volume>2</volume>
<issue>1</issue>
<fpage>21</fpage>
<lpage>37</lpage>
<pub-id pub-id-type="doi">10.1590/s1807-76922005000100003</pub-id></element-citation>
<mixed-citation>Mello, R.B. &#x26; Marcon, R., 2005. Unpacking Firm Effects: Modeling Political Alliances in Variance Decomposition of Firm Performance in Turbulent Environments. <italic>Brazilian Administration Review</italic>, 2(1), pp.21-37. DOI: 10.1590/s1807-76922005000100003</mixed-citation></ref>
<ref id="B12">
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>Mezzarana</surname><given-names>F.S.</given-names></name></person-group>
<year>2011</year>
<source xml:lang="pt">Poder econ&#xF4;mico na pol&#xED;tica: a influ&#xEA;ncia dos financiadores de campanha na atua&#xE7;&#xE3;o parlamentar. Monografia</source>
<publisher-loc>S&#xE3;o Paulo</publisher-loc>
<publisher-name>Universidade de S&#xE3;o Paulo</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Mezzarana, F.S., 2011. <italic>Poder econ&#xF4;mico na pol&#xED;tica: a influ&#xEA;ncia dos financiadores de campanha na atua&#xE7;&#xE3;o parlamentar</italic>. Monografia. S&#xE3;o Paulo: Universidade de S&#xE3;o Paulo.</mixed-citation></ref>
<ref id="B13">
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>Oliveira</surname><given-names>A.J.S.N</given-names></name>
<name><surname>Ara&#xFA;jo</surname><given-names>G.B.</given-names></name></person-group>
<year>2013</year>
<chapter-title xml:lang="pt">Doa&#xE7;&#xF5;es de Campanha para Deputados Federais Influenciam a Aloca&#xE7;&#xE3;o Posterior de Contratos P&#xFA;blicos? A elei&#xE7;&#xE3;o de 2006 e o interst&#xED;cio 2008-2010</chapter-title>
<source xml:lang="pt">In 37&#xB0; Encontro Anual da Anpocs</source>
<publisher-loc>&#xC1;guas de Lind&#xF3;ia</publisher-loc></element-citation>
<mixed-citation>Oliveira, A.J.S.N &#x26; Ara&#xFA;jo, G.B., 2013. Doa&#xE7;&#xF5;es de Campanha para Deputados Federais Influenciam a Aloca&#xE7;&#xE3;o Posterior de Contratos P&#xFA;blicos? A elei&#xE7;&#xE3;o de 2006 e o interst&#xED;cio 2008-2010. In <italic>37&#xB0; Encontro Anual da Anpocs</italic>. &#xC1;guas de Lind&#xF3;ia.</mixed-citation></ref>
<ref id="B14">
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>Rocha</surname><given-names>D.</given-names></name></person-group>
<year>2011</year>
<chapter-title xml:lang="pt">Rela&#xE7;&#xF5;es entre disp&#xEA;ndios do BNDES e financiamento eleitoral no governo Lula: uma an&#xE1;lise emp&#xED;rica</chapter-title>
<source xml:lang="pt">In 35&#xB0; Encontro da Anpocs</source>
<publisher-loc>Caxambu</publisher-loc></element-citation>
<mixed-citation>Rocha, D., 2011. Rela&#xE7;&#xF5;es entre disp&#xEA;ndios do BNDES e financiamento eleitoral no governo Lula: uma an&#xE1;lise emp&#xED;rica. In 35&#xB0; <italic>Encontro da Anpocs</italic>. Caxambu.</mixed-citation></ref>
<ref id="B15">
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>Santos</surname></name>
<etal/></person-group>
<year>2014</year>
<chapter-title xml:lang="pt">Financiamento de campanha e apoio parlamentar &#xE0; Agenda Legislativa da Ind&#xFA;stria na C&#xE2;mara dos Deputados</chapter-title>
<source xml:lang="pt">In IX Encontro da ABCP</source>
<publisher-loc>Bras&#xED;lia</publisher-loc></element-citation>
<mixed-citation>Santos <italic>et al.,</italic> 2014. Financiamento de campanha e apoio parlamentar &#xE0; Agenda Legislativa da Ind&#xFA;stria na C&#xE2;mara dos Deputados. In <italic>IX Encontro da ABCP</italic>. Bras&#xED;lia.</mixed-citation></ref>
<ref id="B16">
<element-citation publication-type="journal">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>Welch</surname><given-names>W.P.</given-names></name></person-group>
<year>1982</year>
<article-title>Campaign Contributions and Legislative Voting: Milk Money and Dairy Price Supports</article-title>
<source xml:lang="en">The Western Political Quarterly</source>
<volume>35</volume>
<issue>4</issue>
<fpage>478</fpage>
<lpage>495</lpage>
<pub-id pub-id-type="doi">10.2307/447336</pub-id></element-citation>
<mixed-citation>Welch, W.P., 1982. Campaign Contributions and Legislative Voting: Milk Money and Dairy Price Supports. <italic>The Western Political Quarterly</italic>, 35(4), pp.478-495. DOI: 10.2307/447336</mixed-citation></ref>
<ref id="B17">
<element-citation publication-type="book">
<person-group person-group-type="author">
<name><surname>Wooldredge</surname><given-names>J.M.</given-names></name></person-group>
<year>2002</year>
<source xml:lang="en">Introductory Econometrics: A Modern Approach</source>
<publisher-loc>Mason</publisher-loc>
<publisher-name>South-Western</publisher-name></element-citation>
<mixed-citation>Wooldredge, J.M., 2002. <italic>Introductory Econometrics: A Modern Approach</italic>. Mason: South-Western.</mixed-citation></ref></ref-list>
</back>
</article>
