Artigos Originais
Recepção: 31 Dezembro 2017
Revised document received: 01 Junho 2018
Aprovação: 10 Julho 2018
DOI: 10.1590/1678-987319276905
Resumo
Introdução: Este artigo analisa a suposta simplicidade das percepções e imagens que os eleitores usam para basear seus entendimentos e condutas acerca da política institucional, caracterizadas por Fábio Wanderley Reis como a “Síndrome do Flamengo”.
Materiais e Métodos: A pesquisa está assentada em análises econométricas e psicométricas de dados coletados nas eleições presidenciais brasileiras – no Datafolha, ESEB e Lapop -, de 1989-2014. Para tanto, verificou-se a validade do arrazoado mediante o exame de uma possível associação entre os posicionamentos políticos e o voto, ao longo dos anos considerados.
Resultados: É infundado o postulado que atribui aos brasileiros pouca complexidade nas escolhas eleitorais. A relevância das concepções programáticas, e não meramente materiais e simbólicas, dos cidadãos mostraram-se estatisticamente significativas em todos os anos explorados.
Discussão: A convicção segundo a qual eleitores brasileiros padecem de uma enfermidade, a “Síndrome do Flamengo”, alicerçou uma literatura que permaneceu pouco atenta às convicções programáticas dos eleitores. Neste trabalho, demonstro que existe uma correlação clara entre os posicionamentos políticos dos eleitores e o voto, aspecto que contraria o postulado defendido por Reis.
Palavras-chave: Síndrome do Flamengo, comportamento político, multidimensionalidade, sofisticação política, voto.
Abstract
Introduction: This article aims to analyze the supposed simplicity of perceptions and images that voters use to base their understandings and behaviors on institutional politics, treated by Fábio Wanderley Reis as the “Flamengo Syndrome”.
Materials and Methods: The research is based on econometric and psychometric analyzes of survey data collected in the Brazilian presidential elections – in Datafolha, ESEB and Lapop -, from 1989 to 2014. For this, the validity of the reasoning was verified by examining a possible association between political preferences and voting over the years.
Results: As a result, the unfounded presence of the postulates that give the Brazilian voters a little complex orientation is verified. The relevance of programmatic rather than merely material and symbolic conceptions of citizen behavior proved to be statistically significant in all the years under study.
Discusssion: The conviction of a group of voters suffering from a disease, the “Flamengo Syndrome”, laid the foundations of a literature that remained little attentive to the political convictions of the voters. In this article, I demonstrate that there is a clear correlation between political positions and vote, an aspect that contradicts the claim defended by Reis.
Keywords: Flamengo Syndrome, political behavior, multidimensionality, political sophistication, vote.
I. Introdução1
Hipocondria. Sf. “Transtorno psicológico caracterizado por uma preocupação compulsiva e medo constante de sofrer ou vir a sofrer de enfermidade(s) grave(s), a partir de interpretações pessoais baseadas em sintomas somáticos, que persistem a despeito das investigações médicas e que não podem ser atribuídos a uma doença real”. - Dicionário Michaelis, edição eletrônica.
Decerto, a enfermidade mais famosa nos diagnósticos da literatura de comportamento eleitoral no Brasil é a “Síndrome do Flamengo”, cunhada pelo cientista político Fábio Wanderley Reis nos anos 1980. O autor retratou assim a suposta simplicidade das percepções e imagens que os eleitores usariam para basear seus entendimentos e condutas sobre a política institucional. Nesse sentido, o fato de os cidadãos não possuírem crenças estruturadas atinentes ao jogo político afetaria, por consequência, a decisão eleitoral dos indivíduos – ancoradas em vinculações personalistas. O cenário nacional, de fato, parece pouco afeito a manifestações do tipo, em virtude de composições institucionais desfavoráveis, baixos níveis de instrução da população, alto grau de desigualdade social e, consequentemente, um modelo de gestão de bens públicos alicerçada em práticas clientelistas.
O efeito de contágio dessa prescrição provocou, então, uma epidemia na literatura especializada, que depositou pouca atenção aos condicionantes empíricos da tese. Por conseguinte, as análises dos determinantes do voto padecem de verificações acuradas sobre a pertinência do diagnóstico desenvolvido, aparentando uma espécie de transtorno hipocondríaco – no qual os prognósticos foram sentidos sem uma manifestação concreta da psicopatologia.
Signatário dessa teoria, o recente livro “O voto para presidente no Brasil: condicionantes e fatores explicativos” (Bonifácio, Caselecchi & Freitas 2014) fornece um catálogo dos principais elementos discutidos pela literatura nos últimos anos – sistema eleitoral, financiamento de campanha, sofisticação política, voto econômico, influência de grupos religiosos, corrupção, papel da mídia, interferência das emoções, além de um inconclusivo artigo a respeito da ascendência da ideologia - ratificando o pouco entusiasmo dos politólogos com o nexo dos posicionamentos políticos e a conduta observada nas urnas.
O objetivo das linhas seguintes é de testar a precisão do arrazoado. Será analisado o impacto das questões de posição na inclinação eleitoral dos brasileiros em diversos pleitos presidenciais.
Antes, entretanto, cabem algumas observações: o voto orientado por questões de posição ocorre quando o votante, dentre as opções disponíveis, opta pelo candidato que melhor representa suas visões de mundo (Stokes 1963). As questões de posição, ao contrário das de valência, causam divisões entre os atores sociais – casos de temas como o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o papel do Estado na economia, a aceitação do aborto etc. Tal atuação também se diferencia de condutas clientelísticas – a troca do sufrágio por benefícios privados exclusivos – ou personalistas, cujos traços pessoais norteiam a interface.
Ademais, a ideia de multidimensionalidade das crenças aparece como o fio condutor deste trabalho, separando as predileções políticas em eixos distintos. A conceitualização favorece um entendimento mais pormenorizado de aspectos da ideologia dos cidadãos e auxilia a capturar a forma heterogênea como os indivíduos concebem os conflitos sociais (Feldman & Johnston 2014).
Como resultado, constata-se a presença infundada dos postulados que atribuem aos votantes brasileiros uma orientação respaldada unicamente pela identificação com os traços pessoais dos representantes, vinculações afetivas com as legendas partidárias e o julgamento do desempenho dos governantes. As concepções programáticas, e não meramente materiais ou simbólicas, das condutas dos cidadãos desvelam efeitos substanciais em todos os pleitos explorados. Contudo, a importância indicada, ou seja, o peso que as pessoas atribuem às diferentes dimensões não é a mesma, variando de acordo com o grau de sofisticação dos votantes. Entende-se, assim, que os levantamentos propostos servem como um complemento de uma literatura que muito avançou nos últimos anos, oferecendo diagnósticos criativos e originais sobre o voto no Brasil.
O artigo está estruturado em três seções, além desta introdução. Na primeira, apresento uma descrição pormenorizada da “Síndrome do Flamengo” e seus efeitos sobre a literatura de comportamento eleitoral. Na segunda, discuto a metodologia empregada, baseada no uso de análises fatoriais, cuja função é autorizar a inferência sobre as possíveis dimensões utilizadas como preditores do voto no Brasil. Por fim, são expostos os resultados das associações entre as questões de posição e o voto em quatro pleitos presidenciais.
II. A “Síndrome do Flamengo” e os determinantes do voto no Brasil
Segundo Reis (1988), as preferências ideológicas ou partidárias dos brasileiros não estão apoiadas em assuntos propriamente programáticos, mas em imagens obscuras, simplificadas, do cenário em questão2. Existiria, portanto, uma divisão quase binária, baseada em emblemas tais como “povo”, “governo”, “oposição”, “pobres” e “ricos”. Essa situação inevitavelmente conduziria a política nacional rumo ao populismo. Conforme o autor:
“Assim, no eleitorado popular, em cuja percepção não se integram senão precariamente os diversos aspectos ou dimensões do universo sociopolítico, a opção eleitoral oposicionista parece ligar-se antes ao contraste vagamente apreendido entre o popular e o elitista (“pobres vs. “ricos”, “povo” vs. “governo”), no qual se traduz uma insatisfação difusa incapaz de articular-se por referência a problemas específicos de qualquer natureza. Por outras palavras: votar na oposição é, para o eleitorado em questão, um pouco como torcer por um clube popular de futebol – o Flamengo, digamos, para tomar talvez o mais popular deles. [...] Temos, assim, uma espécie de “Síndrome do Flamengo” que não apenas tende a negar um regime autoritário como o que controlou o país até 1985 a possiblidade de verdadeira legitimação pela via eleitoral como também faz do populismo, na atualidade brasileira, uma fatalidade, desde que as condições institucionais permitam um jogo político razoavelmente aberto e sensível perante o eleitorado” (Reis 1988, pp.78-79).
A ideia da falta de uma atuação política issue-oriented, isto é, pautada por atores informados sobre as principais agendas coletivas, cuja compreensão levaria ao estabelecimento de um amálgama entre as preferências políticas dos cidadãos – supostamente aplicável a eleitores de outras searas – logo influenciou uma série de trabalhos de comportamento político. Castro (1994), diretamente inspirado pelos postulados de Reis, levou a cabo a intenção de explicar o comportamento eleitoral segundo o grau de sofisticação dos cidadãos, pois somente uma minoria conseguiria nortear suas decisões guiada por assuntos políticos, enquanto a grande parcela da população seria desinformada e, consequentemente, não teria opiniões sobre as questões centrais do debate público. Isoo posto, a maioria do eleitorado guiaria seus julgamentos por “imagens políticas vagas e ponderações atinentes às características pessoais dos candidatos em disputa”. Nessa direção, Silveira (1998) pontua que a política atual, fruto de um novo panorama vigente, alicerçada nos veículos midiáticos e de marketing, contribui para a consubstanciação de um eleitor intuitivo e não-racional. Para Baquero (1994), sob a óptica da cultura política, o votante personalista e pragmático marca o estilo predominante dos brasileiros, mais preocupados com critérios de eficiência da gestão pública.
Em razão da baixa identificação e saber político, a compreensão dos conteúdos coletivos no arquétipo sublinhado se daria de forma desordenada e, assim, concorreria para o aumento da volatilidade desses indivíduos. Para Carreirão (2002, p.48):
“O pressuposto de que os eleitores conhecem as posições dos candidatos em issues salientes, de que eles conhecem suas próprias preferências perante esses issues e de que eles conceptualizam os resultados eleitorais em termos de dimensões políticas bem definidas, parece estar em desacordo fundamental com as descobertas de décadas de pesquisas de opinião”.
O “desacordo fundamental”, evidenciado pelo autor, encontra suporte ainda em trabalhos com desenhos comparados. A título de exemplo, Kitscheldt (2000) considera os sistemas político-partidários da América Latina menos programaticamente organizados se comparados aos correlatos da Europa Ocidental. Na escala dos autores, nenhum dos 12 países ponderados exibe altos níveis nesse quesito, e somente Chile e Uruguai atingem pontos intermediários. Nessa perspectiva, os compósitos institucionais com alta polarização e menor fragmentação partidária teriam mais chances de produzir eleitores orientados por questões de posição.
A personalização da escolha dos dirigentes, embora uma tendência de escopo global3, encontraria no sistema de lista aberta, adotado no Brasil, outro impulso considerável (Tavares 1994; Samuels 1997; Ames 2003; Nicolau 2006)4. Entre as principais consequências desse ordenamento incluem-se a fragilização das identidades dos cidadãos com as legendas, a dificuldade de controle das candidaturas pelos partidos e o incitamento da competição intrapartidária.
Singer (1999), mesmo ao defender a incorporação da identificação ideológica à guisa de variável preditiva do voto, usa instrumental semelhante quando pontua o conhecimento abstrato, porém desestruturado dos conceitos “esquerda” e “direita”, revelando um emprego intuitivo dessas categorias, caracterizadas tal qual um sentimento ideológico que “[...] permite ao eleitor colocar-se na escala em uma posição que está de acordo com suas inclinações, embora não saiba verbalizar. E a mesma intuição o conduz a situar os candidatos (e os partidos) nessa escala e a votar corretamente” (Singer 1999, p.149).
Em outras versões, por seu turno, a estruturação do sistema de crenças é afetada pelos níveis de sofisticação política dos cidadãos (Batista 2013). Ou seja, o entendimento que os indivíduos têm a respeito dos objetos e dos fatos do mundo da política auxilia a organização das ideias e atitudes, conectadas por “alguma forma de estruturação ou interdependência funcional” (Batista 2013, p.302). Fora isso, os mais sofisticados têm opiniões mais estáveis, adquirem mais informações e tendem a expressar de maneira contumaz suas predileções.
Com efeito, a avaliação positiva da estruturação das crenças políticas não consta nos exames da maioria dos analistas, diante de um cenário institucional complexo, combinado a uma realidade social incompatível, em que a maioria dos eleitores careceria de níveis de conhecimento e de condições materiais para exercer a cidadania. Os estudos atinentes a esse campo desenvolveram-se, portanto, sob o pano de fundo de certa incapacidade cognitiva dos eleitores em ajustar suas predileções aos programas políticos oferecidos pelos candidatos. Vale, então, elencar brevemente alguns dos principais determinantes utilizados para a compreensão do sufrágio no país.
III. Personalismo, identidades partidárias e o julgamento da economia
Fora o personalismo, outros condicionantes ocupam lugar central nas inferências: a identificação partidária e a avaliação da economia, já que ambos seriam diretrizes mais simples e diretas, e se acomodariam a um cenário de eleitores menos sofisticados (Mendes & Venturi 1994; Soares & Terron 2008; Peixoto & Rennó 2011). O raciocínio por trás dessa lógica é claro: as pessoas votam para punir ou recompensar os governantes em diferentes matizes – nas concepções egotrópica ou sociotrópica5, no arranjo temporal retrospectivo, momentâneo ou prospectivo e no cruzamento dessas dinâmicas6. Por óbvio, se a economia vai bem, o incumbente recebe maior apoio; se vai mal, a oposição se beneficia (Key 1966).
Modelos recente têm focado ainda em políticas distributivas – sobretudo o Programa Bolsa Família (PBF)7 – para compreender o modo como estas impactam a competição eleitoral (Hunter & Power 2007; Licio, Rennó & Castro 2009; Amaral & Ribeiro 2015). O tom, mais ou menos consensual, revela a ressonância efetiva na lógica da disputa entre PT e PSDB, vocalizando a inversão das bases das duas legendas nos interstícios do pleito de 2006, em grande parte devido ao PBF (Singer 2009)8. Os efeitos de iniciativas afinadas com a redução da pobreza, orquestradas sob a égide dos governos Lula (2003-2010), produziram, ainda, resultados na autopercepção da situação de classe dos segmentos mais carentes da população. Como corolário, a ascensão social passou a fulgurar enquanto preditor das disposições políticas (Peixoto & Rennó 2011). Também na esteira das questões de valência – temas consensuais, cujo mote se revolve de concordância pelos contendores do jogo político – e da análise do desempenho dos governantes, Rennó e Cabello (2010) e Rennó e Ames (2014) ressaltam o peso da corrupção como um prisma das sanções aos representantes. Para os autores, o envolvimento em escândalos de corrupção prejudicou as intenções de Lula (PT), em 2006, e Dilma (PT), em 2010.
A importância dos partidos figura no hall dos preditores usualmente examinados, embora conte com as devidas discordâncias. De um lado, os que enfatizam o protagonimo monológico do PT (Carreirão & Barbetta 2004), espécie de condutor fundamental da simpatia e da rejeição nas escolhas eleitorais; de outro, estudos mais otimistas destacam a estabilização dialógica entre PT e PSDB para ressaltar a força da variável nos resultados das urnas (Limongi & Cortez 2010; Braga & Pimentel 2011; Samuels & Zucco 2014). Samuels (2004), no entanto, realça que os contornos da simpatia com as legendas não precisam necessariamente se revestir de tons programáticos, mas podem refletir algum tipo de vinculação afetiva de natureza personalista, como é supostamente o caso dos petistas com Lula, retomando assim os padrões tradicionais da política brasileira.
Na linhagem sociológica das explicações do sufrágio, a religião – especialmente a evangélica – vem se tornando o carro-chefe das análises em períodos recentes (Oro 2003; Bohn 2004; Rodrigues & Fuks 2015). O bloco protestante, com atuação modesta até os anos 1980, chama a atenção desde os debates da Assembleia Constituinte de 1986. Os sucessivos êxitos eleitorais de candidatos ligados a esses segmentos religiosos despertam progressivamente a curiosidade dos estudiosos9.
IV. Os diagnósticos alternativos
Se a vasta maioria dos estudos corrobora a tese de que o comportamento dos eleitores no Brasil se reduz à avaliação do desempenho de incumbentes ou à apreciação de apelos personalistas ou partidários, os poucos trabalhos produzidos com a tentativa de encontrar vínculos programáticos entre as diretrizes econômicas e sociais dos representantes e as preferências dos representados se depararam com achados um tanto excêntricos: existe, de fato, congruência entre as preferências das partes.
Surpreende, nessas investigações, a evidência de um tipo de cidadão que orienta suas condutas políticas em virtude de posicionamentos objetivos reais acerca de temas específicos. De outro modo, detectou-se a presença de uma espécie rara em ambiente pouco propício à sua reprodução: o eleitor guiado por questões de posição em um país marcado por indicadores sociais desfavoráveis e um sistema político-eleitoral pautado pelo multipartidarismo e pelo sistema de lista aberta.
Assim sendo, poucos estudos examinaram direta ou indiretamente o impacto dos issues nos resultados eleitorais. Conquanto não fosse o cerne de suas intenções, Rennó e Ames (2011) testaram a importância da aprovação do aborto na direção do voto em 2010 e concluíram que a pauta trouxe prejuízos para Dilma Rousseff, especialmente no segmento evangélico, servindo para “acentuar as clivagens religiosas e mostrar a força que temas ligados à religião podem ter em eleições” (Rennó & Ames 2011, p.212). Baker e Greene (2011), explorando a guinada à esquerda na América Latina, apontaram como causa central do sucesso das legendas progressistas no continente o declínio do entusiasmo dos latino-americanos com as reformas de mercado. A combinação de atitudes ambíguas em relação à condução da economia, com suporte ao livre mercado e oposição às privatizações, autorizava, enfim, partidos de oposição ao modelo hegemônico a modificar de maneira ponderada o projeto edificado durante os tempos do chamado Consenso de Washington.
Nesse quesito, Bello (2016) foi mais a fundo e investigou o “voto correto”, concebido por Lau e Redlawsk (2006), no Brasil. O autor – considerando proposições atinentes à reforma agrária, gastos sociais, ideologia e privatizações – concluiu que o ato de escolher os representantes que melhor defenderam as predileções da população ocorreu em níveis significativos no país, no pleito de 2002. Em sua versão, os brasileiros aprenderam a “votar corretamente” graças a um fator informal, o contexto social imediato, mediante conversas interpessoais.
As pesquisas elencadas até aqui se estruturam com base em itens individuais. Uma virada metodológica, todavia, permite uma averiguação mais robusta do fenômeno. Trata-se da construção de índices compósitos com o objetivo de verificar as preferências políticas, modelo sugerido por Achen (1975) e posto à prova por Ansolabehere, Rodden & Snyder (2008). Nesses índices, criados a partir da variação compartilhada de diversos preditores, capta-se a dimensão latente das opiniões a respeito de uma pauta específica. Com efeito, Baker e Greene (2015), observaram a influência dos issues fatorializados na direção do voto nos países antes observados. E o desfecho foi semelhante: em pelo menos 14 nações do continente, ao longo dos últimos 15 anos, tivemos o positional issue voting em níveis estatisticamente significativos nos enunciados ligados à economia.
Nos estudos elencados, contudo, é preciso lidar com duas limitações: 1) o exame de apenas alguns poucos itens; (2) a inspeção restrita a um modesto número de eleições. No primeiro ponto, oculta-se a possiblidade de identificação de outros temas de relevo para o comportamento eleitoral; no segundo, encobre-se o fator contextual dos pleitos, negligenciando a perspectiva de cenários eleitorais diferentes, com maior ou menor polarização ideológica.
Aliada à proposição metodológica, a tese de que os cidadãos organizam suas crenças políticas de maneira multidimensional fornece o aporte teórico para uma revisão dos condicionantes do voto no país (Conover & Feldman 1981; Silva 2016). Em vez do desarranjo das convicções políticas, aposta-se em uma configuração cognitiva em que os eleitores possam combinar preceitos em eixos independentes. Como um produto crítico da multidimensionalidade, a relevância de algumas crenças varia entre os indivíduos, criando quadros de referência dessemelhantes pelos quais o jogo eleitoral é compreendido.
As pesquisas que lidam com a teoria da multidimensionalidade geralmente enfatizam a separação das disposições econômicas e morais conferidas pelos eleitores (Conover & Feldman 1981; Treier & Hillygus 2009; Baldassari & Golberg 2014; Carmines 2015). Entretanto, Silva (2016), influenciado pelas obras de Singer (2000) e Ames e Smith (2010), nota que pelo menos um terceiro fator pode ser incluído no arcabouço da estruturação cognitiva dos brasileiros: a tolerância com a desordem social. Nesse sentido, cabe enfatizar, o traço se sustenta em virtude do intenso envolvimento dos movimentos sociais na democratização e na ampliação do cânone democrático vigente no país, mediante a participação de ativistas em arenas de formulação e implementação de políticas públicas – casos do Orçamento Participativo e das experiências dos Conselhos Gestores (Singer 1999; Abers & Büllow 2011)10. Ademais, Silva (2016) mostrou que a estruturação multidimensional não muda conforme o grau de sofisticação dos indivíduos. O trabalho citado, no entanto, não considerou a possiblidade de um peso diferenciado em relação às questões de posição, atribuído por eleitores com graus distintos de informação.
Diante do quadro teórico exposto, testam-se duas hipóteses centrais: a) a suposta irrelevância das questões de posição no comportamento eleitoral dos cidadãos; (b) a tendência de que o nível de sofisticação política dos eleitores configure uma alteração no mérito das dimensões consideradas na definição do voto.
V. Dados e metodologia
Para dar conta do intento, utilizo diversas bases para mapear os pleitos presidenciais ao longo dos anos. Assim, privilegio dois aspectos como critério de escolha do material empírico: a) o uso de pesquisas em anos eleitorais; (b) a opção por bancos de dados com o maior número de questões de posição e de variáveis consideradas relevantes pela literatura especializada. De antemão, cabe ressaltar que nem sempre os parâmetros foram cumpridos, em virtude da indisponibilidade de dados adequados para a presente investigação. O registro mais grave é a ausência de bons indicadores nos pleitos de 1994 e 1998, no período das disputas entre Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Lula (PT).
O uso do Datafolha/Cultura Política de 1993 para fazer inferências sobre o pleito de 1989 pode ser considerado outro “desvio”. O maior revés dessa escolha está na distância temporal da coleta de dados, que torna a declaração do voto mais imprecisa. No entanto, a consulta do resultado do embate entre Collor (PRN) e o candidato petista no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não expõe grandes diferenças nas intenções de voto na base designada11. Por outro lado, o estudo figura como mais apropriado para captar os desígnios ideológicos dos cidadãos, quando cotejados a pesquisas alternativas – sobretudo do Datafolha/Cultura Política de 1989 -, devido ao número superior de questões de posição concernentes ao primeiro.
De resto, as pesquisas apreciadas foram o Estudo Eleitoral Brasileiro (ESEB) de 2002 e de 2014, e o Barômetro das Américas (LAPOP), versões 2006 e 2010. Assim, contemplo 70% do total de eleições da República fundada em 1988. Cabe informar que os itens não se repetem com a mesma configuração nos anos subsequentes, o que dificulta um pouco as medidas de comparabilidade.
As variáveis dependentes possuem uma configuração binária, simulando a decisão do segundo turno. Na configuração dummy, excluí os casos faltantes e as abstenções. Os candidatos petistas foram assinalados como categorias omitidas.
Quanto às questões de posição, segui a dimensionalidade proposta por Silva (2016), fundamentada em três âmbitos independentes – exceto no ESEB de 2014, em que o questionário permite o agrupamento somente da dimensão econômica. Os itens elencados12 foram fatorializados e os parâmetros estimados via mínimos quadrados ponderados com erros-padrão robustos. Adotou-se as funções ordenadas e probit nos modelos de análise fatorial, tendo em vista que a maioria dos itens é categórica. Nos modelos multidimensionais, optei por um ajuste que autoriza a correlação entre as dimensões (rotação oblimum), em vez de um arquétipo ortogonal. Os fatores latentes possuem escala variância de 1 e os valores mais elevados indicam orientações conservadoras nas respectivas dimensões. Na esfera econômica, “ser conservador” significa apoiar mecanismos pró-mercado; na social, dar suporte a posições contrárias às liberdades comportamentais; e, quanto à ordem, endossar um discurso de oposição às manifestações populares. A Tabela 1 oferece um panorama dos itens selecionados nas diversas bases.

Também fazem parte das equações as variáveis relativas aos determinantes contemplados nas seções anteriores: avaliações do desempenho econômico e do governo, identificação partidária, percepções acerca da economia, consciência subjetiva de ascensão social, opinião acerca das características pessoais dos candidatos, denominação religiosa, sofisticação e demais controles socioeconômicos. A Tabela 2 fornece um panorama sobre a configuração dos preditores. Os modelos possuem uma abordagem bayesiana com prévias não-informativas para os coeficientes de regressão, com média zero e variância de 100013. Foram calculadas 3 cadeias com 30 mil iterações, sendo que 10 mil delas foram descartadas como burn-in.

A vantagem de se trabalhar com escalas compostas de múltiplas medidas é de conter os impactos dos erros de mensuração presentes nos questionários, tipicamente atinentes a pesquisas fundamentadas em questões individuais (Ansolabehere, Rodden & Snyder 2008). Além disso, reduz-se prováveis problemas de multicolinearidade. Em relação aos trabalhos de Baker e Greene (2015) e Bello (2016), a estratégia aqui adotada apresenta duas desvantagens. Por não tratar os dados conforme estruturas dinâmicas – caso do artigo dos autores americanos – assume-se o risco da endogeneidade. Este artigo também não se preocupa com as causas do desenvolvimento de compreensões estruturadas do universo político entre os eleitores – efeito investigado por Bello (2016). Não obstante, como o objetivo deste artigo é tão somente testar a associação entre as questões de posição e o voto, acredita-se que o desenho de pesquisa indicado satisfaz as proposições anteriormente levantadas.
VI. Resultados
As medidas de ajuste da análise fatorial encontram-se na Tabela 3. Em todos os anos, os postulados multidimensionais aparecem com valores de CFI acima do mínimo aceito (0,90) e de RMSEA abaixo de 0,05, considerado o limite desejável (Fabrigar et al., 1999; Reise et al., 2000). As baixas taxas de correlação dos fatores (< 0,02) reforçam a validade do enquadramento. Os coeficientes padronizados, exibidos no Apêndice, rodam com magnitudes consideráveis nos fatores delimitados (sempre superiores a 0,4), reforçando a estruturação multidimensional dos preceitos políticos.

Seguindo com o exame das questões de posição, na Tabela 4 estão dispostas as distribuições posteriores dos coeficientes das três dimensões, junto com as variáveis de controle e os erros-padrão (em parênteses) dos modelos. Pelo menos uma dimensão se mostrou estatisticamente significativa nas regressões estimadas, contrariando de imediato a tese da “Síndrome do Flamengo”.

Se olharmos os períodos separadamente, em 1993 a dimensão econômica não teve peso na escolha eleitoral, ao passo que o conservadorismo concernente aos costumes sociais e à participação popular está positivamente associado com o sufrágio em Fernando Collor (PRN). Em contraste, as avaliações de desempenho, um dos aspectos preponderantes das conceituações sobre comportamento político, não evidenciam o protagonismo revelado em tempos posteriores. Também pudera: as candidaturas mais expressivas daquele pleito se apresentavam em situação de ruptura com as lideranças incumbentes. Por consequência, nem o postulante do PRN, tampouco Lula, tentariam galvanizar os apoiadores do governo Sarney, fato que transforma a disputa em um embate sui generis no contexto dos embates presidenciais no país. A base do Datafolha 1993, no entanto, conta somente com a avaliação egotrópica da economia, o que sugere certa parcimônia na análise dos resultados. Conforme veremos adiante, quando acrescentamos outras ponderações a respeito da economia e do governo, a variável “ordem” não atinge os níveis de significância estipulados. Se, por um lado, a excepcionalidade do achado pode ser consequência de um viés de variável omitida, por outro, a tolerância com a desordem social talvez tenha perdido força em virtude da consolidação democrática no país, alcançada na metade da década de 2010. Além dos issues, simpatizantes de Lula, eleitores com maiores níveis de sofisticação e escolaridade e os mais jovens evitaram a candidatura de Collor. As identificações partidárias atestaram importância com os petistas e pedetistas contrários, e pedessistas a favor do postulante do PRN.
Em 2002, apenas a dimensão moral aparece com algum destaque. Neste período, as tradicionais variáveis da Ciência Política retomam o posto de ingredientes principais do caldo eleitoral, destacando-se o personalismo – tendo na afeição aos candidatos Lula e Serra dois determinantes de relevo – a conjectura dos rumos econômicos e o sentimento acerca das legendas. Dentre os componentes sociodemográficos, salienta-se a sofisticação política.
A dimensão econômica finalmente adquire proeminência em 2006, junto com os perduráveis aspectos morais. A competição renovada entre PT e PSDB parece ter ativado as diferenças no gerenciamento dos negócios públicos desde então. Cumpre ressaltar que, logo depois do primeiro mandato Lula, a Ciência Política nacional começou a discutir a possibilidade de um realinhamento no país – evento importante para elucidar a alteração das clivagens eleitorais, definindo um novo ciclo político (Hunter & Power 2007; Bohn 2011; Silva & Rennó 2015).
Conforme Singer (2010), a modificação da base lulista – que passou a ser constituída por cidadãos com baixos níveis de renda e escolaridade, sobretudo das regiões Norte e Nordeste, expressa uma conversão em duplo sentido: de um lado, a aproximação de grupos sociais mais carentes, beneficiados pelas conquistas materiais provenientes dos programas de governo; de outro, o concomitante afastamento dos setores de classe média, por conta da vinculação do PT ao escândalo do “mensalão”, em maio de 2005, e de um “cerco político-midiático ao presidente” (Singer 2010, p.84). Especula-se, portanto, que a reorientação econômica promovida pelo PT, baseada na concessão de crédito aos trabalhadores mais pobres, no controle de preços da cesta básica, no aumento real do salário mínimo e no PBF, foi notada pelos eleitores e começou a ser um determinante considerável dos pleitos presidenciais. Afinal, a partir de então os cidadãos tiveram a oportunidade de comparar dois projetos federais distintos.
Se antes de 2006 a variável econômica não tinha relevância, depois deste momento ela figura como um preditor estatisticamente significativa, tanto em 2010 quanto na acirrada disputa de 201414. Por seu turno, a ampliação do cânone democrático deixou de entrar no cômputo geral dos votantes. O sentido “assembleísta” da organização horizontal e de radicalização do PT cedeu lugar a um “reformismo fraco”, pautado pelos processos de burocratização do partido15. Em 2006, 2010 e 2014, a identificação partidária e o desempenho da economia compõem o conjunto das variáveis de relevo. Entre os fatores sociodemográficos, idade – com os mais velhos afiançando a campanha das candidaturas conservadores – cor, região, escolaridade e sofisticação exibem algum impacto.
Portanto, os achados contrariam a primeira hipótese deste artigo, de que os brasileiros dispensam as questões de posição para escolher seus candidatos favoritos. Para melhor visualizar a magnitude dos efeitos dos issues, calculou-se as probabilidades de voto nos presidenciáveis de partidos à direita, segundo posicionamentos reacionários nas dimensões consideradas. A Figura 1 exibe as diferenças entre os eleitores de preferências progressistas e os de preferências conservadoras nos tópicos em questão, bem como os respectivos intervalos de credibilidade (em 95%)16. Mantidas todas as demais variáveis constantes, e levando em conta somente os extremos, nota-se que a chance de um indivíduo destinar seu voto a candidatos à direita do espectro político aumenta 14%, em média, quando o mesmo sustenta predileções conservadoras nas dimensões destacadas. À guisa de exemplo, a probabilidade de uma eleitora apoiar Alckmin em 2006 subia em torno de 2% de acordo como seu nível de posicionamento pró-mercado.

A segunda hipótese faz referência a uma possível dessemelhança entre as dimensões examinadas de acordo com o nível de sofisticação política dos eleitores. Para testar esse raciocínio, estimou-se as mesmas regressões expostas anteriormente, mas separando os ditos sofisticados daqueles com menor índice de sofisticação. Dividiu-se ambos os segmentos a partir das sugestões expressas por Luskin (1990), segundo o qual a variável deve ser mensurada mediante o grau de conhecimento político de um cidadão. Assim, os respondentes que concederam resoluções corretas às questões arguidas receberam um ponto, enquanto os demais, zero. Nas bases trabalhadas sempre se dispôs de mais de um item para diagnosticar as ocorrências e, desse modo, separou-se os dois grupamentos a partir do 3º quartil das distribuições.
Os efeitos preditos das regressões constam na Figura 2. Nela, aparecem as diferentes dimensões, organizadas por ano, ponderadas de acordo com a sofisticação dos entrevistados. Grosso modo, verifica-se a disparidade observada entre as duas categorias. Controlando os demais fatores, os mais sofisticados normalmente privilegiam a dimensão econômica como bússola para a orientação do voto para presidente, ao passo que os menos sofisticados se ancoram em conceituações morais e, excepcionalmente em 1993, relativas à ordem. O único ano em que os grupos observados coincidem na influência dos issues destacados é na eleição de 2010, embora a magnitude do efeito seja um tanto díspar entre os dois perfis.

Em suma, embora as questões de posição figurem como atributos importantes do voto, estas não são abalizadas igualmente pelos eleitores. O achado se soma aos apontamentos feitos anteriormente por Batista (2013): além de ter predileções políticas mais estáveis, adquirir mais informações e expressar mais opiniões, os sofisticados enquadram os fatos políticos de acordo com perspectivas distintas. A discordância com os exames de Batista, no entanto, é pontual. Com os dados observados, chegou-se à conclusão de que o suposto da organização multidimensional dos preceitos políticos não se altera de acordo com o nível de sofisticação dos indivíduos. No entanto, vale dizer, o intuito de Batista (2013) foi aferir o arranjo das crenças em torno de uma única dimensão – no caso, a econômica – que se mostrou mais cara, de fato, àqueles com maior grau de instrução.
VII. Conclusões
Em quase três décadas de estudo sobre os condicionantes do voto no país, os diagnósticos predominantes enfatizam um cenário particular: o caráter volátil e pouco estruturado das crenças políticas, pautado por compreensões intuitivas dos fundamentos do jogo institucional. Diante desse quadro, as análises mais otimistas ressaltam a suposta independência de um eleitor não afeito à influência programática dos partidos e do sistema convencional de posicionamento no espectro esquerda-direita – horizonte propício, portanto, para uma avaliação aprimorada da atuação dos governantes e, quando muito, na identificação partidária afetiva dos eleitores com os partidos.
Fica a impressão, no entanto, que os postulados confeccionados nesse período reforçaram elaborações desenvolvidas a priori, ou seja, sem comprovações empíricas substantivas. A convicção de um conjunto de eleitores que padece de uma enfermidade, a “Síndrome do Flamengo”, sedimentou os alicerces de uma literatura que avançou muito, mas permaneceu pouco atenta às convicções políticas dos eleitores. A proposta, portanto, é de inclusão – tanto nos trabalhos acadêmicos, quanto nas pesquisas de opinião – das formulações políticas atinentes às questões coletivas.
Ao longo do artigo foi demonstrado que os eleitores no Brasil utilizam referenciais posicionais para escolher seus governantes. Aqui, cumpre informar a inclusão dos tradicionais preditores do voto em todos os modelos apresentados, fato que reforça os achados. O aspecto, entretanto, não é uma novidade construída com o passar dos anos, mas um elemento resiliente da política nacional desde a abertura do regime, no final dos anos 1980. Fora isso, este estudo realça as dimensões ponderadas de acordo com o grau de sofisticação dos cidadãos: para os mais sofisticados, os postulados ligados à economia ocupam lugar central nas escolhas presidenciais, enquanto a dimensão moral recebe maior atenção do restante do eleitorado.
O diagnóstico alternativo, no entanto, não invalida asserções pautadas nas insuficiências do sistema democrático brasileiro, mas convida a uma reflexão acerca da normatividade ostentada pelos especialistas, que continuam construindo uma narrativa pejorativa a respeito das potencialidades do público. Em vez dos atestados de inépcia, mais significativos seriam os esforços voltados para a compreensão das considerações e dos comportamentos dos comuns.
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Notas