Debate
Discurso do Reitor da Missão Católica Polonesa no Brasil, Pe. Dr. Zdzisław Malczewski SChr, “Esboço da pastoral polonesa em Porto Alegre”
Speech of the Rector of the Polish Catholic Mission in Brazil, Father Dr. Zdzisław Malczewski SChr, “A Brief Outline of the Polish Pastoral Service in Porto Alegre (Brazil)”
Discurso do Reitor da Missão Católica Polonesa no Brasil, Pe. Dr. Zdzisław Malczewski SChr, “Esboço da pastoral polonesa em Porto Alegre”
Revista del CESLA, núm. 20, pp. 25-38, 2017
Uniwersytet Warszawski

As fontes acessíveis informam que os imigrantes poloneses começaram a estabelecer-se em Porto Alegre (na capital do estado Rio Grande do Sul) a partir de 1890 (Nievinski Filho, 2002). Naturalmente, o maior número de imigrantes poloneses foi trazido pela famosa “febre brasileira” (Głuchowski, 1927: 17, 19-21). A primeira organização polonesa que foi fundada no Rio Grande do Sul foi a associação Zgoda (Concórdia), em Porto Alegre. A associação surgiu em 1896 graças aos empenhos do Dr. Estanislau Kłobukowski e desenvolve a sua eficaz atividade até o dia de hoje. A Sociedade Polônia atualmente em atividade é a herdeira da associação Zgoda (Kłobukowski, 1899: 185-186; Malczewski, 1998: 63).
Segundo Casimiro Głuchowski, nos anos 20 do século passado residiam em Porto Alegre 600 famílias polonesas (Malczewski, 1998: 108). O período de entreguerras, o tempo da Segunda Guerra Mundial e os anos que se seguiram ao seu término trouxeram novas ondas de imigrantes poloneses ao Brasil. Informa-se que nos primeiros anos após a Segunda Guerra Mundial vieram ao Brasil de 10 a 20 mil poloneses. De maneira geral, essa nova onda imigratória dirigia-se às cidades. Dessas ondas imigratórias, certa percentagem de poloneses também fixou residência em Porto Alegre (Malczewski, 1995: 25-29).
O Pe. Martim Francisco Modrzejewski[2] é considerado o primeiro sacerdote polonês a chegar ao Rio Grande do Sul. Era a primavera de 1891. Foi aceito na diocese do Rio Grande do Sul pelo bispo Cláudio José Gonçalves Ponce de Leão. Tendo iniciado o ministério entre os imigrantes poloneses em Porto Alegre, Rio Grande e Pelotas (RS), fazia para eles celebrações nas barracas de imigrantes, visto que naquela época os poloneses não tinham nenhuma igreja ou capela. Decidiu visitar outras regiões colonizadas pelos poloneses (RS, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, até voltar novamente a Porto Alegre). Em razão do frágil estado de saúde e da escassez de recursos (que havia trazido dos Estados Unidos), decidiu deixar o Brasil (Malczewski, 2001: 153-156). Nos Estados Unidos escreveu Pamiętnik misjonarza (Memórias de um missionário), que publicou na revista Dzwon Najświętszych Serc Jezusa i Marii (Sino dos Sacratíssimos Corações de Jesus e Maria), editada em Manitowoc, Wisconsin (Modrzejewski, 1893).
O início da pastoral polonesa organizada na capital do estado do Rio Grande do Sul remonta à atividade do Pe. João Antônio Peres[3]. Por ter sido nomeado chanceler da cúria arquiepiscopal em Porto Alegre, ele fixou residência nessa cidade. Visto que ninguém se ocupava oficialmente com a situação espiritual dos imigrantes poloneses residentes naquela cidade nem demonstrava interesse por eles, esse padre começou a organizar para eles a assistência pastoral regular. Inicialmente reunia os poloneses na igreja da paróquia S. Pedro, onde celebrava para eles a Missa dominical, durante a qual proclamava a palavra de Deus. Ele assumiu esse ministério no início de 1930. Após dois meses, o Pe. Peres chegou à conclusão de que a igreja de S. Pedro não era o lugar mais apropriado para os poloneses. Como eles residiam em outros bairros distantes de Porto Alegre, a distância dificultava a participação regular na Eucaristia dominical. Teve início a busca de um santuário situado mais perto do lugar de residência dos imigrantes poloneses. Para isso foi escolhida a igreja de S. Geraldo. Foi encaminhado um pedido ao pároco local para que ele cedesse aos poloneses o mencionado santuário, a fim de que nela fossem celebradas as Missas para a comunidade polonesa. O religioso não somente cedeu aos poloneses a igreja de S. Geraldo, mas também entregou à disposição deles uma sala paroquial, para que ali pudessem organizar as suas reuniões mensais. Era julho de 1930. A partir daquele mês, em todos os domingos e dias santificados os poloneses tinham as suas Missas celebradas pelo Pe. Peres.
É também nesse período que ocorre a consolidação dos imigrantes poloneses católicos, que instituíram a Associação Católica Nossa Senhora de Częstochowa. A partir do surgimento dessa agremiação, surgiu entre os imigrados poloneses a ideia de possuir uma igreja própria, onde pudessem não somente participar da Missa dominical, mas também cultivar as tradições religiosas trazidas da longínqua Polônia. Considerando a época, procedeu-se à realização desse propósito com muita rapidez. No dia 2 de outubro de 1932 realizou-se a solenidade da bênção da pedra fundamental da igreja polonesa a ser construída na Avenida Eduardo (atualmente chamada Presidente Roosevelt). Para padroeira do santuário foi escolhida Nossa Senhora de Monte Claro. A construção iniciada progredia rapidamente. As obras da construção da nova igreja foram concluídas em abril de 1934. A bênção da nova igreja dedicada a Nossa Senhora de Monte Claro ocorreu no dia 29 de abril de 1934, e o monsenhor João Antônio Peres celebrou nela a primeira Missa. Desde esse dia, em todos os domingos e festas o Pe. Peres celebrava Missas para os poloneses. No novo santuário, ele satisfazia as necessidades espirituais desses imigrantes: celebração regular da Missa, atendimento no confessionário, ensino da religião às crianças. Além disso, o Pe. Peres fundou o Apóstolado da Oração, que por muitos anos preservou entre os poloneses residentes em Porto Alegre o espírito da fé.
Não nos esqueçamos de que a obrigação principal do Pe. Peres era o exercício da função de chanceler na cúria metropolitana. Por isso, já havia algum tempo, ele pretendia transferir a pastoral polonesa na igreja de Nossa Senhora de Monte Claro a um protetor permanente da comunidade polônica. Na concretização desses propósitos foi útil a visita do bispo Dom Teodoro Kubina, ordinário de Częstochowa, o qual, na volta do Congresso Eucarístico Internacional em Buenos Aires, na Argentina, visitou os núcleos dos imigrantes poloneses no Brasil. O hierarca polonês visitou também os poloneses residentes em Porto Alegre. Em entendimento com o arcebispo Dom João Batista Becker (1870-1946), metropolita de Porto Alegre, foi acertada a presença permanente de um sacerdote polonês na igreja de Nossa Senhora de Monte Claro. Nos primeiros dias de dezembro de 1934, foi enviado um pedido ao cardeal Augusto Hlond, Primaz da Polônia, solicitando que fosse enviado um padre para prestar assistência aos poloneses em Porto Alegre.
Já na segunda metade de abril de 1935 veio da Polônia o Pe. Antônio Białowąs[4] e assumiu as tarefas pastorais na igreja de Nossa Senhora de Częstochowa. Infelizmente, a sua estada em Porto Alegre foi muito breve. Estendeu-se até maio de 1935. Como escreve o Pe. João Wróbel CM, o Pe. Białowąs não soube ou não foi capaz de adaptar-se às exigências da cúria episcopal local. Por isso o seu afastamento introduziu muita confusão entre os imigrantes poloneses, especialmente entre aqueles de frágil consciência religiosa. Infelizmente, ocorreu até uma divisão no seio da comunidade polonesa e a adesão de uma parte dos fiéis à Igreja Nacional Polonesa. A colônia polonesa, que gozava até então de boa fama em Porto Alegre, em consequência dessa desnecessária divisão, perdeu o seu prestígio em meio a outras comunidades de imigrantes[5].
Após a breve e tempestuosa estada do Pe. Białowąs entre os poloneses de Porto Alegre, a cúria metropolitana nomeou o Pe. Alexandre Studziński como o responsável pela pastoral polonesa. O Pe. Studziński exerceu o ministério entre os imigrantes poloneses por pouco tempo, de novembro de 1936 a março de 1937. Provavelmente, a cisão espiritual na colônia polonesa, as dificuldades e adversidades encontradas provocaram a sua breve presença ministerial na igreja de Nossa Senhora de Częstochowa.
A cúria metropolitana se empenhava para que a assistência pastoral aos imigrantes poloneses em Porto Alegre tivesse continuidade. Por essa razão, enviou um pedido aos padres vicentinos, em Curitiba, solicitando que eles assumissem a assistência espiritual aos poloneses. O Pe. Ludovico Bronny CM, que exercia a função de visitador dos padres vicentinos, atendeu de forma positiva ao pedido da cúria de Porto Alegre. No início de 1937 viajou a essa cidade em companhia do Pe. José Kiełczewski CM[6] e confiou a ele a assistência espiritual aos compatriotas que ali residiam.
Graças ao seu bom relacionamento com os poloneses, bem como aos contatos com a cúria, o Pe. Kiełczewski conquistou a benevolência e a estima deles. Obteve então da cúria metropolitana todos os direitos para exercer a assistência pastoral na igreja polonesa. Com dedicação e solicitude pastoral, entregou-se à assistência aos seus compatriotas. Organizou o Apostolado da Oração, fundou a associação dos Marianos e, para as crianças, o Coro dos Anjos da Guarda. Visitava as famílias polonesas no período natalino, estimulando à participação na vida religiosa na igreja polonesa. Graças a essas visitas natalinas do Pe. Kiełczewski, fortaleceu-se a união entre os imigrantes poloneses e seus descendentes. Além disso, ele se dedicou ao trabalho social e cívico. Além de cumprir as suas obrigações em Porto Alegre, por recomendação da cúria ele viajava aos núcleos poloneses, onde fortalecia os seus compatriotas na fé e no amor à velha pátria. Visitava também os mineiros nas minas de carvão em São Jerônimo, bem como outros núcleos poloneses onde não havia um padre polonês permanente. Acompanhava o arcebispo Dom Becker nas visitas pastorais às paróquias onde residiam poloneses.
No dia 17 de novembro de 1939, o Pe. José Kiełczewski foi transferido de Porto Alegre a Guarani das Missões. Para o seu lugar, os superiores religiosos nomearam o Pe. João Wróbel CM[7] como responsável pela pastoral dos poloneses em Porto Alegre. Por vários anos, o novo pastor entregou-se de todo o coração ao serviço da comunidade polonesa, bem como dos fiéis de outras nacionalidades (Wróbel, 1953: 115-117). Graças aos esforços do Pe. Wróbel, foi concluída a construção do santuário de Nossa Senhora de Częstochowa, que havia sido iniciada em 1932 na Rua Presidente Roosevelt, 920.
Em 1956 o Pe. João Wróbel foi transferido a Curitiba, e para o seu lugar foi indicado o Pe. João Pitoń CM[8]. Além do trabalho pastoral polônico em Porto Alegre, ele atendia também as comunidades polonesas no estado do Rio Grande do Sul, quando foi nomeado reitor da Missão Católica Polonesa. Além disso, fundou um coral e uma pré-escola e estimulou a atividade da ajuda caritativa.
Como reitor da Missão Católica Polonesa, o Pe. João Pitoń mudou-se para Curitiba. Para a assistência à comunidade polonesa em Porto Alegre foi destacado no seu lugar o Pe. Leo Pedro Lisiewicz CM[9]. No dia 22 de novembro de 1962 ele assume o ministério na igreja polonesa em Porto Alegre. Durante o seu ministério, ele fundou dentro da comunidade polônica porto-alegrense o conjunto de folclore polonês Jovem Polônia (Jupol), continuou o trabalho pastoral e caritativo entre os necessitados e organizou a catequese para adultos e crianças. Sob a sua direção, no dia 4 de outubro de 1969 foi iniciada a construção da Casa S. Vicente de Paulo, na Rua Presidente Roosevelt, 910. A solene inauguração dessa casa ocorreu no dia 5 de maio de 1977. Participaram das solenidades o bispo Dom Domingos Wisniewski, o Pe. Ladislau Biernaski e o Pe. Tadeu Dziedzic. Outro empreendimento do Pe. Lisiewicz foi o Lar Maximiliano Kolbe, situado na Avenida Pátria, 307 e inaugurado em 1973, cuja atividade envolve a educação e a assistência social. Em 2001, o seu nome original foi mudado para Unidade Assistencial Pe. Leo. Junto a esse centro muito atuante são promovidos diversos trabalhos caritativos e sociais direcionados às pessoas provenientes das mais pobres camadas sociais. Torna-se visível na promoção dessas obras caritativas o trabalho das dedicadas Irmãs Servas de Pleszew. Foram justamente as Irmãs Servas que se tornaram a mão direita do Pe. Leo e passaram a cuidar dos pobres. Envolvido no trabalho caritativo, o Pe. Lisiewicz não negligenciava as suas obrigações diante da comunidade polônica. Na igreja de Nossa Senhora de Monte Claro ele promovia a pastoral polonesa, e no período natalino visitava as famílias polonesas e polônicas (Lisiewicz, 2002: 38-41). Graças aos seus esforços, foi reformada a igreja polonesa, foi construído um novo altar de mármore e foram pintados afrescos representando imagens da Polônia. O Pe. Lisiewicz exerceu o ministério pastoral no seio da colônia polonesa em Porto Alegre por 48 anos (Biernaski, 2010: 10). Como assinala o Pe. Lourenço Biernaski CM, o Pe. Leo prestou assistência à comunidade polônica até o fim da sua vida. Nos últimos anos, quando estava doente, prestavam-lhe ajuda na assistência pastoral os coirmãos da congregação vicentina Pe. Clístenes Natal Bósio e Pe. Humberto Sinka. Igualmente no período anterior, quando viajava para passar férias na Polônia, era substituído pelos padres Vítor Paszek e João Kulaga (Biernaski, 1937: 3).
Tendo recebido do Pe. Lourenço Biernaski a notícia sobre o propósito de a congregação dos padres vicentinos se afastar da capelania polonesa em Porto Alegre, na manhã do dia 27 de abril de 2010 mantive um diálogo com o Pe. Dirceu Keller, provincial dos vicentinos, a respeito dessa capelania. No decorrer da nossa conversa o Pe. Keller confirmou essa informação. Por uma feliz coincidência, no final de abril realizava-se o VII Capítulo da Província da Sociedade de Cristo na América do Sul (nos dias 27-28 de abril de 2010). Como participante desse importante evento (na qualidade de delegado por escolha), no segundo dia dos debates, como reitor da Missão Católica Polonesa, tive a possibilidade de apresentar os mais importantes desafios que se apresentam à pastoral polonesa no Brasil. Encaminhei um veemente apelo aos membros do Capítulo para que a província dos padres da Sociedade de Cristo se interessasse pela possibilidade de assumir a capelania polonesa em Porto Alegre, da qual se haviam afastado os padres vicentinos. O Pe. Tomás Sielicki SChr, Superior Geral da Sociedade de Cristo, que participava do capítulo, expressou o desejo de viajar a Porto Alegre para in loco familiarizar-se com a realidade da comunidade polônica local. Da minha parte, mostrei-me pronto a acompanhar o Superior Geral nessa viagem. Além disso, comprometi-me a informar alguns compatriotas em Porto Alegre a respeito dessa visita, para que eles avisassem ao maior número possível de membros da colônia polonesa que o Superior Geral viria a Porto Alegre.
No dia 29 de abril de 2010 novamente me dirigi à casa provincial dos padres vicentinos, onde me encontrei com o provincial Pe. Dirceu Keller. O principal objetivo desse encontro era a capelania polonesa em Porto Alegre. Participaram do encontro o Pe. Lourenço Biernaski e o Pe. Benedito Grzymkowski SChr, chanceler da Missão Católica Polonesa. O superior da província dos padres vicentinos informou-nos oficialmente a respeito da decisão já tomada de a congregação se afastar da pastoral polônica em Porto Alegre. Pedi que o Pe. Dirceu informasse o capelão polônico, Pe. Humberto Sinka CM, a respeito da planejada visita do Superior Geral Pe. Tomás Sielicki a Porto Alegre para o domingo, 1 de maio daquele ano, e a respeito do seu desejo de se encontrar com a comunidade polônica local. Nos dias 1-2 de maio de 2010 tive a possibilidade de acompanhar o Pe. Sielicki, Superior Geral da Sociedade de Cristo para os Poloneses Emigrados, na sua viagem a Porto Alegre.
No primeiro dia da nossa estada na capital do Rio Grande do Sul conhecemos a história da comunidade polônica local, bem como visitamos a sede da Sociedade Polônia. Na biblioteca dessa benemérita associação polônica (que conta cerca de 5 mil volumes), tive a possibilidade de conhecer a filha da grande ativista Sra. Figurska. No domingo celebramos uma Missa concelebrada. O Superior Geral presidiu a Eucaristia e pronunciou a homilia. Concelebraram o Pe. Humberto Sinka, capelão da comunidade local, bem como o abaixo assinado. Após a Missa na igreja, juntamente com os compatrícios tivemos ocasião para um diálogo e uma troca de opiniões a respeito do futuro da capelania polonesa em Porto Alegre. Dessa reunião com representantes da comunidade polônica brotou em mim a profunda convicção de quanto lhes era importante ter a assistência religiosa assegurada por um sacerdote polonês. Os representantes da geração polônica mais jovem, já nascidos no Brasil, em seus pronunciamentos demonstravam um profundo interesse pela vida religiosa. Tinha-se a impressão de que eles buscam e desejam algo mais que a simples satisfação da piedade polonesa pelo cultivo das tradições religiosas trazidas de suas famílias. Para esses jovens polônicos, a capelania polonesa deve ser não apenas a guardiã da religiosidade polonesa, mas sobretudo deve lhes ajudar no aprofundamento da sua consciência cristã e na vivência da fé de uma forma bem mais profunda e mais pessoal.
Após o encontro no santuário polonês, o capelão da comunidade polônica, Pe. Humberto, acompanhado de alguns líderes, convidou-nos para almoçar num restaurante dirigido por um brasileiro de origem polonesa oriundo da região sul do Paraná. Durante a refeição, houve também a ocasião para uma conversa sobre as perspectivas que se apresentavam no futuro próximo à comunidade polônica de Porto Alegre. No decorrer dos dois dias da nossa estada em Porto Alegre, prestou-nos grande ajuda o líder Sidnei Ordakowski, da Braspol, muito envolvido e preocupado com a capelania e a comunidade polônica (Echo Polskiej…, 2010: 8).
A benemérita congregação dos padres vicentinos, com valiosos serviços prestados à Igreja e à comunidade polônica no Brasil, já não dirige a capelania polonesa em Porto Alegre. Após 73 anos de dedicado e proveitoso trabalho em prol da comunidade polônica, os padres vicentinos se afastaram de Porto Alegre. Com certeza desejam concentrar mais os seus esforços na realização do carisma que lhes assinalou o fundador, S. Vicente de Paulo.
Nos anos 2010-2015, esporadicamente eu viajava de Curitiba a Porto Alegre para nas festas mais importantes celebrar a Missa para a órfã comunidade polônica na capital do Rio Grande do Sul. Nesse período ia brotando em mim a profunda convicção a respeito de que o ministério na capelania polonesa em Porto Alegre devia tornar-se uma prioridade da pastoral polônica no Brasil. Assegurar a essa comunidade polônica a presença de um sacerdote polonês é muito mais importante do que a administração de uma tradicional paróquia territorial, na qual encontramos até um numeroso e dinâmico grupo de fiéis de raízes étnicas polonesas, mas que já se encontra na quarta, na quinta... geração. Tal paróquia já pode ser tranquilamente atendida por um sacerdote local, não necessariamente oriundo da Polônia ou de origem polonesa.
No dia 4 de maio de 2015, juntamente com uma delegação da colônia polonesa de Porto Alegre, participei de um encontro com o Pe. Carlos Gustavo Haas − vigário-geral da arquidiocese de Porto Alegre. O principal objetivo do encontro e do diálogo era a questão de assegurar uma pastoral permanente à capelania polonesa na capital do Rio Grande do Sul. O vigário-geral comprometeu-se a transmitir ao pastor da arquidiocese a situação da capelania polonesa, bem como as propostas que naquele dia foram apresentadas durante o encontro comum na cúria da arquidiocese.
No dia 30 de agosto de 2015 celebrei para a comunidade polônica uma Missa em honra da Senhora de Monte Claro − Padroeira da igreja e da capelania polonesa. Participaram da solene Eucaristia mais de trezentas pessoas. Havia já muitos anos a igreja polonesa em Porto Alegre não via um número tão grande de polônicos reunidos. Isso era um sinal visível de que a comunidade polônica faz questão de preservar o culto de Nossa Senhora de Monte Claro, bem como de ter um sacerdote permanente.
No dia 31 de agosto de 2015, mais uma vez me dirigi com uma delegação da colônia polonesa de Porto Alegre para um encontro com o arcebispo Dom Jaime Spengler. Durante o fraternal diálogo, o arcebispo demonstrou a sua solicitude pastoral pela vida espiritual da comunidade polonesa. Ele me entregou a nomeação (datada de 18 de agosto de 2015) para capelão da comunidade polônica residente na área da arquidiocese. Para a comunidade polono-brasileira na capital do Rio Grande do Sul, havia chegado ao fim o difícil período de mais de cinco anos da ausência de um padre polonês e da Missa celebrada em língua polonesa. A Sociedade de Cristo deu conta da sua responsabilidade pela comunidade polônica no Brasil, e em pouco tempo assumi o ministério no seio da colônia polonesa porto-alegrense.
Em setembro, eu vinha de Curitiba para nos domingos (13, 20, 27) celebrar a Eucaristia para a comunidade polônica em Porto Alegre.
No final de setembro de 2015 deixo Curitiba para, após 20 anos de residência nessa cidade, transferir a minha tenda de viandante a Porto Alegre. Inicia-se uma etapa especial no limiar do outono da minha vida.
No dia 4 de novembro de 2015 fiz uma visita à cúria arquiepiscopal em Porto Alegre, onde conversei com o Pe. Carlos Gustavo Haas − vigário-geral, o Pe. Carlos J. M. Steffen − chanceler da cúria e com um funcionário leigo responsável pelas questões legais da arquidiocese relacionadas com a plena atividade da capelania polonesa. Durante esse encontro na cúria, foi completado o decreto do arcebispo, no qual foi adicionada a autorização para celebrar casamentos de cidadãos brasileiros na igreja polonesa.
Desejo enfatizar que a colaboração da Sociedade Polônia com a capelania polonesa é muito boa. A Sociedade possui uma bela sede de quatro andares, que dista da igreja polonesa não mais que um quilômetro. A administração da Sociedade cedeu a sua sede para a realização de um chá beneficente cuja renda foi destinada para a reforma da residência do capelão.
No dia 21 de novembro de 2015 (sábado), após sete anos de interrupção, dediquei o dia todo à visita natalina das famílias em Porto Alegre, tarefa em que me fez companhia o Sr. Geraldo Tyburski. Ele me serve de excelente guia, por conhecer bem os polônicos porto-alegrenses.
Concluindo este texto, gostaria de assinalar que em 1934 o bispo Dom Teodoro Kubina, ordinário de Częstochowa, foi o primeiro hierarca polonês a visitar os poloneses residentes em Porto Alegre. Posteriormente, dois primazes da Polônia visitaram a comunidade polônica: em 1984 o cardeal José Glemp e em 2013 o arcebispo José Kowalczyk.
Referências
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Echo Polskiej Misji Katolickiej w Brazylii (2010, maio-junho). Curitiba, 7 (3).
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Notas
Autor notes