Debate

Recepção: 15 Agosto 2017
Aprovação: 19 Dezembro 2017
Publicado: 30 Dezembro 2017
Resumo: A diversidade cultural é um componente comum em todos os níveis de integração da vida social, desde perspectivas de micro até de macroescalas, e a etnicidade tem se mostrado um elemento importante para a dinamização de diferentes dimensões das sociedades. Nesse contexto, o objetivo deste artigo é realizar um levantamento de elementos da cultura polonesa na configuração de seis cidades brasileiras, com foco em instrumentos de gestão urbana e de políticas públicas de incentivo e apoio às manifestações étnicas e à manutenção e/ou preservação de patrimônio histórico material e imaterial. Trata-se de um estudo qualitativo, pautado na análise de conteúdo para identificar elementos identitários da cultura polonesa expressos em portais da internet de instituições públicas municipais brasileiras. Como resultados, (i) foi possível delinear aspectos importantes da trajetória histórica do povo polonês para construção de realidades sociais locais, expressas por meio das artes, da arquitetura, de costumes etc.; (ii) avaliar políticas públicas destinadas à preservação cultural da etnia polonesa no âmbito dos municípios analisados; (iii) e aprofundar a compreensão da capacidade que uma cultura pode ter para influenciar na configuração de espaços urbanos e na gestão municipal brasileira. A conclusão é que, não obstante a falta de incentivo de instituições governamentais brasileiras e polonesas, ainda há a permanência de importantes traços da cultura polonesa manifestos no patrimônio material e imaterial de cidades brasileiras, que abrem possibilidades de aproximações entre esses dois países com base nas ideias de indústrias e da economia criativa.
Palavras-chave: cidades, etnicidade, política cultural, cultura polonesa, indústrias e economia criativa.
Abstract: Cultural diversity is a common component at all levels of social life’s integration, from micro perspectives to macro scales, and ethnicity has been shown to be an important element for the societies’ promotion in different dimensions. In this context, the objective of this article is to carry out a survey of Polish culture’s elements to contribute in the configuration of six Brazilian cities, focusing on urban management tools and public policies to encourage and support ethnic manifestations and for the maintenance and / or material and immaterial historical patrimony preservation. This is a qualitative study based on content analysis to identify elements of Polish culture expressed in Brazilian municipal public institutions internet portals. As a result, (I) it was possible to delineate important aspects of the Polish people’s historical trajectory at local social realities of construction expressed through the arts, architecture, customs etc.; (II) to evaluate public policies aimed at the cultural preservation of the Polish ethnic group within the cities analyzed; (III) and to intensify the understanding of a culture capability to influence the configuration of the urban spaces and Brazilian’s municipal management. The conclusion is that, despite the lack of incentive of Brazilian and Polish governmental institutions, there are still important features of Polish culture manifested in the material and immaterial patrimony of Brazilian cities, which open possibilities of approximation between these two countries based on the ideas of industries and the creative economy.
Keywords: cities, ethnicity, cultural policy, Polish culture, industries and creative economy.
Introdução
Diante da constatação de que as cidades mudam tão rapidamente quanto as sociedades (Hiernaux, 2006: 197; Lima, 2006: 26), cabe a pergunta: como as sociedades, ou seus segmentos culturais, influenciam as cidades? Um dos caminhos para encetar respostas pode ser trilhado por meio da compreensão sobre como influências de algumas culturas impactam na formação de cidades em determinado espaço geográfico (Gaspar, 1977). Na atualidade, tanto no campo acadêmico quanto no de formulação de políticas públicas, essas questões relacionadas á diversidade cultural vêm sendo amplamente tratadas sob a perspectiva da interculturalidade, como meio de compreender e incentivar a criatividade, a dinamização e a inovação nas cidades (Watt, 2006; Council of Europe, 2008; Wood, 2009; Guidikova, Hutchinson, Wood, 2011; Kesten, et al., 2011; Guidikova, 2014).
A diversidade cultural é um componente comum em todos os níveis de integração da vida social, desde perspectivas de micro até de macroescalas. Por isso, são progressivos os esforços para compreender diferentes dimensões da diversificação cultural, que, ao longo do tempo, tem conectado, direta ou indiretamente, uma miríade de processos de mudanças sociais em diferentes espaços geográficos. O mundo em que vivemos, cada vez mais, “tem se tornado menor”, com cidades mais intimamente ligadas, econômica, política e culturalmente (Karwińska, 2010). Com esse estreitamento de relação, visões e valores que tendiam a se afastar com o passar do tempo parecem estar se aproximando, principalmente com as atuais facilidades de locomoção e de comunicação.
Se as interações entre espaços geográficos mudam, não são diferentes os processos históricos de transformação da própria concepção de cultura. As interfaces entre cultura, políticas nacionais e cidades vêm sendo dinamicamente reformuladas, com intensidade maior percebida nas últimas décadas. Até os anos 1960, por exemplo, a discussão se concentrava na arte e havia a separação entre a alta cultura e as culturas populares, com tendências apontando para a necessidade de difusão e democratização cultural. Nos primeiros anos da década de 1970, a atenção se voltou para a descentralização cultural, em direção ao que se considerava periferia. Seguindo para os anos 1980, a economia se aproximou da cultura, iniciando um movimento de instrumentalização econômica desta, até atingir o auge da gestão cultural. Nos anos 1990, evidenciam-se novas orientações que envolvem a cidade e a cultura em perspectiva socioterritorial. A partir de 2000 o interesse se voltou para pautar a produção cultural na interculturalidade e na convivencialidade. A cultura passa, com isso, a ser colocada como o quarto pilar do desenvolvimento local sustentável e como um dos direitos humanos básicos (Pascual, 2008: 61).
Diante da ressignificação da cultura, com reflexos na sua relação com a cidade e os cidadãos, as políticas públicas a que a ela se vinculam e lhe dão vida também têm sofrido alterações ao longo do tempo. No campo do patrimônio, por exemplo, a relevância da preservação passou a ser comumente associada com a contemplação, fruição estética e com os contatos de experiência em relação àquilo que já foi pré-selecionado e constituído como “patrimônio”. O patrimônio passou, então, a agregar elementos intangíveis de diferentes dimensões do desenvolvimento, como cultura, turismo, economia, educação, identidade, imagem, emprego, inserção social, entre outros (Varine, 2012).
Nessa linha, nascem iniciativas globais que procuram recolocar a cultura como elemento nuclear na configuração e funcionamento das cidades, como, por exemplo, a Agenda 21 da Cultura, coordenada pela Unesco desde 2004. São propostas que se colocam como instrumentos de apoio aos governos locais, com o intuito de compor uma rede mundial de cidades que se propõe a trabalhar nas interfaces entre diversos modos de expressar a cultura, a cidadania, a democracia e a criatividade (Pascual, 2008). Essas propostas, em essência, visam reforçar e renovar políticas públicas, fortalecendo a cultura como impulsionadora do desenvolvimento local. As iniciativas com esse objetivo têm sido voltadas para, de modo amplo, reconhecer o patrimônio material, imaterial e natural e fortalecer ações locais para preservação e a conservação (Unesco, 2009; 2014).
Nessa perspectiva, alinhado com estudos sobre as influências culturais polonesas em diferentes contextos – como, por exemplo, os de Gladsky (1998), Mitchell (2009), Burrell (2009), Afsari-Mamagani (2011), Garapic (2012), Dvorak (2013) e Porter (2013) – procura-se compreender com o presente trabalho o legado cultural deixado para as cidades brasileiras pelos poloneses, a partir de dois grandes movimentos migratórios1. O primeiro foi iniciado a partir de 1820 – com a chegada dos primeiros intelectuais, profissionais das áreas de medicina, engenharia, ciências naturais e pesquisadores, que mantinham contratos com o governo ou institutos de pesquisa poloneses – e, o segundo, com motivações econômicas, ocorreu entre 1870 e 1914, trazendo mais de cem mil poloneses para o Brasil (Malczewski, 2007).
No Brasil, principalmente na região Sul, os poloneses constituem um dos mais representativos grupos étnicos, cujas marcas podem ser facilmente identificadas nos bairros e cidades que criaram ou passaram a ocupar. Os poloneses, ao longo das gerações que se seguiram aos primeiros imigrantes, transplantaram valores, costumes e instituições, o que culminou por formar uma nova cultura polono-brasileira, muitas vezes com significativas particularidades locais. A história de cada grupo é claramente perceptível em diferentes cidades brasileiras, como resultado de esforços de quatro, cinco ou seis gerações, que contribuíram com conhecimentos de diferentes dimensões para definir identidades de lugares e cidades. No Brasil, são, portanto, promissoras as possibilidades de, a partir de linhas históricas da inserção polonesa em agrupamentos urbanos brasileiros, investigar a manifestação da cultura polonesa em cidades e quanto influenciaram na formação de contextos urbanos.
Nessa linha, o objetivo do presente artigo é realizar o levantamento de elementos da cultura polonesa na configuração de seis cidades brasileiras, com foco em instrumentos de gestão urbana e de políticas públicas de incentivo e apoio às manifestações étnicas e à manutenção e/ou preservação de patrimônio histórico. Os objetivos específicos são: 1) realizar levantamento dos instrumentos de gestão urbana (leis, decretos, portarias etc.) e de políticas públicas (no campo da cultura) voltadas para manutenção e/ou preservação de patrimônio histórico da etnia polonesa; 2) realizar levantamento dos equipamentos urbanos, monumentos históricos, expressões populares, festividades e celebrações que contenham a representação étnica e simbólica da cultura polonesa; 3) com base nas informações coletadas, elaborar documento descritivo para as seis cidades brasileiras, localizadas no Paraná (Mallet e Cruz Machado), em Santa Catarina (São Bento do Sul e Itaiópolis) e no Rio Grande do Sul (Guarani das Missões e Nova Prata); 4) analisar de maneira contextualizada os dados e informações coletados para explicitar cenários e delinear perspectivas sobre políticas públicas associadas à etnia polonesa no Brasil.
A abordagem utilizada neste artigo se diferencia de estudos que tradicionalmente têm abordado arquitetura, costumes religiosos, gastronomia, metodologias ligadas tanto ao ensino do idioma quando às metodologias educacionais dos poloneses e seus descendentes que vivem no Brasil. As contribuições da investigação estão em possibilitar avanços na definição de critérios para avaliar as influências polonesas na formação das cidades, o que pode ser ampliado em trabalhos futuros para a compreensão desse processo com outras etnias, bem como abrir espaços para ampliar as relações entre Brasil e Polônia a partir das ideais de economia e de indústrias criativas. Não se trata, portanto, de estudo de formação histórica, mas de recuperar conhecimento histórico produzido por uma etnia para compreender questões de gestão urbana atuais. São questões que perpassam, por exemplo, por estudos como os de Malheiros (1998), Wood (2009), Kesten, et al. (2011), Guidikova (2014) Guidikova, Hutchinson, Wood (2011).
Quadro teórico-conceitual
O processo de formação cultural em contextos urbanos acompanha as sociedades ao longo de toda a história e, mais recentemente, a função da cultura na cidade também vem ganhando novos significados. As cidades passaram a ser construídas e percebidas não apenas pela dimensão material – normalmente representada pelos grandes projetos arquitetônicos, mas como resultantes de forças políticas e socioeconômicas. Implícita nesse último conjunto de forças ocorre a produção simbólica, expressando a estética e a sociabilidade urbanas (Gondim, 2007b).
Como sinais de intensificação da necessidade de explicitação de identidades urbanas socialmente construídas, têm surgido recentemente e em várias cidades iniciativas denominadas “movimentos espontâneos”. Por exemplo, Salles (2015) procura compreender esses movimentos como originários do relacionamento dos moradores com a sua própria cidade, dando destaque ao projeto “Mapas afetivos”[2]. André Deak explica que são crescentes as necessidades desses relacionamentos, dado que “a cidade são as pessoas, a cidade não são apenas as edificações” (Salles, 2015). Surge, assim, a busca daquilo que Benjamim Moser chama de “escala humana” para as cidades (Evelin, 2015).
Nessa perspectiva, esforços já são visíveis para a caracterização da cidade, sempre levando em conta os processos culturais e imaginários de seus habitantes. A percepção e a interação com a cidade também acontecem na dimensão mental e emocional, variam de acordo com o modo escolhido por cada cidadão para viver suas interações sociais (Canclini, 2008). Essa nova forma de se relacionar com a cidade, a partir da revalorização de diferentes espaços urbanos, tem incentivado cidadãos comuns, das mais diversas etnias, a se tornarem protagonistas na cidade e da cidade (Kesten, et al., 2011).
Para além das dimensões materiais, portanto, em diferentes espaços públicos[3], formatados em contextos urbanos estruturados na modernidade e pós-modernidade, passa crescentemente a se naturalizar a “mediação entre espaço, economia e cultura, condensando relações sociais em práticas materiais e simbólicas que se desenvolvem em formas espaciais concretas” (Gondim, 2007a: 65), culminando em possíveis reconfigurações ou reconstituições de cidades. Espaços esses que podem ser caracterizados por uma miríade de características culturais, políticas e religiosas passíveis de serem identificadas em permanências solidificadas em bases materiais e imateriais.
Dentre as diferentes possibilidades de configuração de espaços urbanos, em especial no Brasil, as comunidades étnicas vêm merecendo atenção, haja vista que a formação da nossa sociedade é, em essência, multiétnica. Os códigos culturais que organizam os espaços das cidades são, em gama expressiva, construídos pelos vários grupos étnicos. São grupos que, por meio de seus saberes e de sua cultura, atribuem identidades a lugares e formam paisagens urbanas específicas (Slodkowski, 2009). Como um dos elementos difusores da multiculturalidade, a etnia se manifesta a partir de um sentimento subjetivo de pertencer a um grupo étnico ou a uma determinada nação, associada a critérios objetivos simultâneos e, normalmente, relacionada com a ascendência do indivíduo e com valores e crenças que ele preserva e procura reproduzi-los e vivenciá-los (Górny, Pudzianowska, 2010).
A etnicidade vai além da definição de culturas específicas, pois é composta de mecanismos de diferenciação e identificação que são acionados conforme os interesses dos indivíduos, assim como as exigências do momento histórico do qual fazem parte. O grupo étnico, portanto, define-se por diferentes combinações de características, que vão desde a cultura comum até a identidade étnica construída simbolicamente. Essa revisão conceitual de identidade étnica diferencia-se, portanto, do conceito tradicional, que entendia o grupo étnico como unidade cultural distinta, separada do todo (Luvizotto, 2009). A identidade não se afirma, portanto, isoladamente, mas por diferenciação. Isso ocorre quando o 0indivíduo ou grupos se comparam com outros grupos distintos, o que se torna a questão central da identidade étnica (Cardoso de Oliveira, 1976).
Os processos e arranjos sociais formam os significados, com indivíduos e grupos se vinculando a eles. Sob esse ponto de vista, a cultura deixa de ser vista como um sistema de dominação ao qual podem ser atribuídos os acontecimentos e comportamentos de uma sociedade. A cultura é, portanto, um contexto em que processos sociais podem ser interpretados (Geertz, 2014).
A identidade, como locus de preservação cultural, vincula-se à etnia e pauta-se fortemente no passado. Os grupos étnicos podem, portanto, ser percebidos como representantes, que, apesar da distância geográfica, darão continuidade às representações étnicas, por isso, o grupo é portador de uma cultura e tradição que o distinguem de outros (Brandão, 1986). Nessa perspectiva, os poloneses podem ser vistos como construtores de uma cultura particularizada a partir de significados, narrativas e modos de fazer distintivos, com reflexos objetivos em diferentes dimensões da vida (Garapic, 2012: 39), como, por exemplo, nas diferentes dimensões que atribuem identidades a lugares e cidades.
Nas sociedades democráticas contemporâneas, os grupos étnicos têm se mostrado capazes de articular, de forma coesa, seus interesses em questões políticas e econômicas atinentes aos contextos em que estão inseridos e, do mêsmo modo, de manter um conjunto de representações coletivas que expressam o vínculo com a identidade cultural mais ampla em que estão implexos (Parker, 1991: 11). No caso do Brasil, entre os vários grupos étnicos que ajudaram a formar a nossa sociedade e riquezas culturais, está o polonês. A influência polonesa nas cidades, na abordagem deste artigo, considera aspectos que impactaram, de forma relevante, na configuração das nossas cidades por meio: (a) da cultura familiar e organização do trabalho, com reflexos no fortalecimento e desenvolvimento local; (b) do envolvimento com questões sociopolíticas de territórios e da cidade; (c) de influências na arquitetura e paisagem da cidade; (d) de costumes e tradições incutidos por meio de festividades e celebrações religiosas e populares.
Além de influências sociais e culturais, como evidências do potencial de contribuição dos poloneses para a formação de contextos urbanos brasileiros, podem ser tomadas como exemplo as atuações dos recém-chegados no Paraná nos primeiros movimentos imigratórios, que atuavam como artesãos, ferreiros e sapateiros, dinamizando, assim, o comércio e a indústria locais. Contribuíram significativamente na inovação de técnicas construtivas e da carpintaria, na introdução de tecnologias, por exemplo, para construção de moinhos de cereais e bombeamento de água para abastecer cidades (Dvorak, 2013). Na atualidade, essas interações entre Polônia e Brasil, considerando o capital social e cultural mantidos e desenvolvidos por grupos étnicos poloneses no Brasil, podem, por exemplo, a partir das ideias de economia e indústrias criativas (Procopiuck, Freder, 2014). Isso permitiria criar espaços importantes para a instituição de políticas públicas em âmbito multissetorial, abrangendo desde serviços e produtos de origem artesanal até aqueles provenientes de segmentos tecnologicamente avançados (Procopiuck, Freder, 2013: 27-28). Isso tudo contribuiria, e.g., para manter vivas as relações culturais e permitir maior proximidade econômica entre as duas nações no contexto da globalização.
As múltiplas influências dos poloneses nas cidades brasileiras são mais fortemente percebidas naquelas que receberam os maiores contingentes dessa etnia nos processos imigratórios. Com maiores populações e descendentes, atualmente destacam-se cidades do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Com influências relevantes, há também comunidades polonesas nos estados de São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro, mas menos numerosas (Malczewski, 2007).
Metodologia
A pesquisa desenvolvida possui natureza qualitativa e a coleta de dados formou uma consistente base documental (Creswell, 2010), que oportunizou a utilização da análise de discurso associada à análise de conteúdo. A abrangência da pesquisa, como demonstrado na Figura 1 é constituída pelas seguintes cidades: Cruz Machado e Mallet, no Paraná; Itaiópolis e São Bento do Sul, em Santa Catarina; Nova Prata e Guarani das Missões, no Rio Grande do Sul.

A escolha das cidades indicadas na Figura 1 ocorreu em função da relevância e destaque que possuem diante das organizações diplomáticas na cooperação Brasil-Polônia, além de serem frequentemente citadas em pesquisas e visitas de intercâmbio. São cidades que, historicamente, têm mantido com sucesso fortes traços da cultura incorporados em diferentes dimensões que lhes atribuem forte identidade polonesa.
Expressando as dinâmicas social, políticas e cultural das cidades indicadas na Figura 1, as informações e hyperlinks constantes no Quadro 1 foram retiradas dos portais oficias das prefeituras, câmaras municipais e fundações de cultura dos governos municipais e formaram o corpus de análise do presente estudo. O foco desta busca foi identificar elementos representativos da contribuição da etnia polonesa para a formação e a dinâmica das cidades.

As informações encontradas nos hyperlinks do Quadro 1, depois de analisadas e sistematizadas, serviram de base para a elaboração do Quadro 2, que traz instrumentos de gestão urbana e políticas públicas. Foram estabelecidas quatro categorias analíticas que agrupam as informações deste estudo, são elas: (i) instrumentos de gestão urbana e políticas públicas culturais locais; (ii) patrimônio material (imóveis e móveis); (iii) patrimônio imaterial e (iv) organizações culturais polonesas.
Conjuntamente, as categorias analíticas do Quadro 2 possuem capacidade de expressar elementos essenciais que representam o grupo étnico polonês formador da cidade. A escolha dessas categorias tem como objetivo identificar um conjunto de dados capaz de formar uma unidade de análise que demonstre a influência polonesa nas cidades.

A escolha da categoria que agrupa os instrumentos de gestão urbana e políticas públicas culturais locais se justifica por ser por meio desses instrumentos que se torna possível assegurar a preservação e a conservação do patrimônio (material e imaterial) de municípios no Brasil.
Para os casos das categorias de patrimônio material e imaterial, procurou-se adotar os critérios da política nacional de patrimônio sob a gestão do IPHAN e, dessa forma, manter um alinhamento que facilitasse a análise e o agrupamento dos bens identificados na pesquisa. A evolução na legislação de proteção de patrimônio cultural de natureza material e imaterial pode ser constatada, por exemplo, no seguinte excerto:
A Constituição Federal de 1988, em seus artigos 215 e 216, ampliou a noção de patrimônio cultural ao reconhecer a existência de bens culturais de natureza material e imaterial e, também, ao estabelecer outras formas de preservação – como o Registro e o Inventário – além do Tombamento, instituído pelo Decreto-Lei n. 25, de 30 de novembro de 1937, que é adequado, principalmente, à proteção de edificações, paisagens e conjuntos históricos urbanos (IPHAN, 2016a).
A seleção da categoria que agrupasse as organizações culturais polonesas se revelou importante tendo em vista a sua representação enquanto sociedade civil, ator importante que mantém e transmite a cultura local. Na pesquisa exploratória, foram identificadas várias organizações e grupos culturais que expressam e mantêm costumes e tradições polonesas nos municípios pesquisados. Essa categoria de atores institucionais representa um importante conjunto de parceiros que, com o Estado, podem contribuir para elaborar as políticas culturais de patrimônio:
Reconhece-se a inclusão, no patrimônio a ser preservado pelo Estado em parceria com a sociedade, dos bens culturais que sejam referências dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira. O patrimônio imaterial é transmitido de geração a geração, constantemente recriado pelas comunidades e grupos em função de seu ambiente, de sua interação com a natureza e de sua história, gerando um sentimento de identidade e continuidade, contribuindo para promover o respeito à diversidade cultural e à criatividade humana (IPHAN, 2016b).
Com base nas categorias definidas no Quadro 2, o levantamento preliminar de informações ocorreu por meio de busca pela internet e, dessa forma, foi possível obter dados dos elementos da cultura polonesa nas seis cidades brasileiras. A partir dessas informações, foi realizada a análise dos dados encontrados sob as categorias analíticas definidas. Os resultados encontrados estão relatados no próximo item.
Resultados
A partir das categorias analíticas estabelecidas no Quadro 2 foi possível constatar que os elementos encontrados expressam características essenciais com capacidade de representar o grupo étnico polonês formador da cidade. Em alguns municípios, esses elementos são mais marcantes, têm características de permanência ao longo das décadas e, na atualidade, dialogam com a cidade em interações sociais mais frequentes. Em outro, há elementos que compõem a paisagem de determinados territórios, porém, as interações sociais com o patrimônio são eventuais, principalmente em momentos de festividades intragrupo.
A partir das categorias analíticas estabelecidas no Quadro 2 foi possível constatar que os elementos encontrados expressam características essenciais com capacidade de representar o grupo étnico polonês formador da cidade. Em alguns municípios, esses elementos são mais marcantes, têm características de permanência ao longo das décadas e, na atualidade, dialogam com a cidade em interações sociais mais frequentes. Em outro, há elementos que compõem a paisagem de determinados territórios, porém, as interações sociais com o patrimônio são eventuais, principalmente em momentos de festividades intragrupo.
Nos próximos subitens, separados por estados, serão apresentados os resultados encontrados para as seis cidades pesquisadas.
Resultados no Paraná
O município de Mallet[4] recebeu dois processos migratórios significativos de imigrantes europeus, sendo poloneses em sua maioria, entre os anos de 1890 e 1909 (IBGE, 2017). Foram encontrados nesse município elementos em cada uma das categorias analíticas da presente pesquisa, conforme organizado no Quadro 3.

O município de Cruz Machado[5] recebeu diversos grupos migratórios poloneses, em 1853 e em 1870. Destaca-se, pelos registros históricos do município, que o primeiro morador foi Jerônimo Durski[6], importante líder polonês no Paraná.
Em 1870 aportaram ao Paraná os primeiros imigrantes de nacionalidade polonesa, que se fixaram em diversos núcleos coloniais, na região sul da província. Cumpre notar, entretanto, que antes disso, já em 1853, procedente de Santa Catarina, aqui se fixara o primeiro elemento da etnia polonesa, Jeromin Durski, uma das mais notáveis figuras de imigrantes eslavos que o Paraná acolheu (IBGE, 2017).
Os elementos em cada uma das categorias analíticas da presente pesquisa, foram encontrados no município de Cruz Machado, conforme Quadro 4.

Resultados em Santa Catarina
O município de São Bento do Sul[7] recebeu imigrantes de diversas origens étnicas, entre eles o polonês (IBGE, 2017). Foram encontrados no município os elementos em cada uma das categorias analíticas da presente pesquisa, como demonstrado no Quadro 5.

No município de Itaiópolis[8], cerca de 5 mil poloneses chegaram por volta de 1889, sob a proteção e com auxílio do Governo Federal. Em 1890, esses imigrantes fundaram a Colônia Lucena, que deu origem ao município de Itaiópolis (IBGE, 2017). Foram encontrados no município os elementos em cada uma das categorias analíticas da presente pesquisa, conforme consta no Quadro 6.

Resultados no Rio Grande do Sul
No município de Nova Prata[9], os poloneses representam 10% da população, de acordo com informações do website da prefeitura municipal. É um município que recebeu contingentes maiores de italianos e outras etnias (IBGE, 2017). Foram encontrados no município os elementos em cada uma das categorias analíticas da presente pesquisa, como demonstrado no Quadro 7.

No município de Guarani das Missões[10] foram identificados significativos traços da imigração polonesa, que se mistura a outras etnias. Foram encontrados os elementos em cada uma das categorias analíticas, como demonstrado no Quadro 8.

O presente trabalho de levantamento de informações em prefeituras e instituições locais responsáveis pela política cultural nos municípios permitiu formar um primeiro cenário sobre as influências da cultura polonesa nas relações políticas municipais. Nos levantamentos realizados, para os seis municípios estudados, os elementos encontrados (apresentados nos Quadros 3 a 8) demonstram importantes representações, por diferentes meios. Esses resultados demonstram a atuação da etnia polonesa na configuração de instituições e de símbolos culturais com influências na formação dessas cidades.
Alguns municípios apresentam escassez de informações, conforme consta no Quadro 1. Em alguns casos, isso pode decorrer da deficiência de meios para divulgação e, em outros, da inexistência de políticas específicas voltadas para questões relativas à etnia polonesa. Entre as cidades que mais se sobressaíram nos registros de elementos das quatro categorias selecionadas, é possível destacar Itaiópolis e São Bento do Sul, no estado de Santa Catarina, e Nova Prata e Guarani das Missões, ambas no estado Rio Grande do Sul, especialmente em termos de instrumentos normativos e institucionais.
Análise e discussão
Os resultados se mostraram promissores ao representarem de um modo específico a influência cultural polonesa em cidades brasileiras. Foi possível demonstrar, por diferentes meios, que a atuação da etnia polonesa tem influenciado na configuração de instituições e de símbolos culturais importantes para as cidades brasileiras analisadas. O levantamento de informações publicadas em portais de prefeituras e instituições locais, responsáveis pela política cultural nos municípios, permitiu formar um primeiro cenário sobre as influências da cultura polonesa nas relações políticas municipais.
Dentre as categorias analíticas utilizadas, a que se refere aos instrumentos normativos e institucionais foi a que mais se destacou. Nessa categoria, os municípios que mais se sobressaíram nos registros de elementos foram Itaiópolis e São Bento do Sul, no estado de Santa Catarina, e Nova Prata e Guarani das Missões, no estado do Rio Grande do Sul. Isso pode refletir o ativismo político da comunidade polonesa local.
Quando se associam os elementos encontrados e as características de permanência de uma cultura na atualidade, os municípios que mais se destacaram foram Itaiópolis, especialmente o bairro Alto Paraguaçú, em Santa Catarina, e Guarani das Missões, no Rio Grande do Sul. Nesses dois municípios, tanto o patrimônio material quanto o imaterial identificados dialogam com a cidade em interações sociais mais frequentes e contemporâneas.
Os dados coletados indicam que o estado com menor representação das categorias analisadas – a saber, instrumentos de gestão urbana, políticas públicas voltadas à preservação da cultura polonesa, equipamentos urbanos, monumentos, festividades, celebrações, elementos de patrimônio material e imaterial – é o Paraná (Mallet e Cruz Machado). O segundo lugar é ocupado por Santa Catarina (São Bento do Sul e Itaiópolis). O Rio Grande do Sul (Nova Prata e Guarani das Missões) concentra o maior número de itens, em geral, voltados à proteção e conservação da cultura polonesa.
De modo sintetizado, o Quadro 9 traz os elementos que evidenciam como os objetivos específicos da pesquisa foram alcançados.

A síntese trazida no Quadro 9 permite concluir que foi possível levantar elementos importantes da cultura polonesa na configuração das seis cidades brasileiras estudadas, considerando instrumentos de gestão urbana e de políticas públicas de incentivo e apoio às manifestações étnicas e à manutenção e/ou preservação de patrimônio histórico. Os resultados indicam, portanto, que há significativa presença étnica polonesa nessas localidades, o que tem colaborado para a interação cultural entre povos distintos, que convivem de forma amigável e respeitosa em tais contextos. Em perspectiva mais ampla, é possível afirmar que a cultura polonesa continua influenciando a dinâmica dessas cidades e suas relações até os dias atuais. Isso ocorre principalmente por meio do patrimônio material construído – representado por monumentos, igrejas, estilos arquitetônicos típicos presentes em casas etc. – e do patrimônio imaterial, que é vivenciado em festividades, costumes e tradições mantidas naqueles territórios.
Conclusão
Esta pesquisa oportunizou uma importante aproximação com as realidades locais. Entretanto, como as informações étnicas e culturais não são o foco dos portais públicos da internet, não foi possível constatar relatos mais detalhados sobre as expressões da etnia polonesa. Essa relativa superficialidade das informações pode indicar a falta de investimentos para a preservação da cultura, fragilidade na divulgação e falta de investimentos em levantamentos e catalogações do patrimônio manifesto pelos grupos étnicos locais. Uma das alternativas para fortalecer esses grupos locais e torná-los visíveis em contextos mais amplos poderia ser por meio de investimentos em portais especializados nesse tipo de informação, o que poderia ser facilmente viabilizado por meio de fomento a pesquisas por agentes privados e governamentais nacionais ou internacionais, bem como pela viabilização de condições materiais para a criação de infraestruturas tecnológicas para dar suporte a tais bases de informações.
No caso das políticas públicas brasileiras, as fragilidades identificadas na presente pesquisa refletem não só uma realidade regional, mas também nacional. Isso, em essência, decorre do fato de as políticas de cunho cultural não apresentarem resultados tangíveis e imediatos, o que tende a não estimular políticas de governos transitórios. Um meio para contornar essas dificuldades seria criar mecanismos que instituam políticas culturais, como políticas de estado; logo, com permanência independente de governos transitórios.
Os resultados do presente estudo demonstram, por parte do Brasil, as dificuldades enfrentadas por limitações financeiras e falta de priorização de políticas públicas voltadas para a preservação da cultura de inúmeras etnias que formam o tecido social brasileiro. Por outro lado, quando comparada com etnias que conseguiram manter forte representatividade cultural no Brasil – como, por exemplo, a alemã, a italiana e a japonesa –, a relativamente baixa expressividade da manifestação cultural polonesa decorre também de certo desinteresse histórico, demonstrado pelo Estado polonês e por suas instituições responsáveis pela difusão e preservação da riqueza do seu patrimônio cultural, exportado por meio das grandes imigrações. Portanto, sob o ponto de vista dos grupos étnicos poloneses no Brasil, tanto o Estado brasileiro quanto o polonês ainda não envidaram esforços suficientes para que haja reconhecimento e valorização de elementos culturais poloneses.
Apesar das fragilidades de políticas públicas brasileiras e polonesas para preservação das riquezas culturais mantidas pela etnia polonesa no Brasil, os esforços das comunidades locais demonstram que é possível o fortalecimento da interação social e política entre instituições brasileiras e polonesas para promoção de saberes como dinamizadores de comunidades locais, tanto em um país quanto noutro, de projeção de recursos culturais intangíveis e sua conversão em resultados econômicos, por exemplo, a partir de atividades turísticas, de intercâmbios culturais, de produções artísticas conjuntas etc. Nesse sentido, a força étnica polonesa no Brasil pode representar um importante componente para, por meio de troca de saberes e dinamização econômica, fortalecer as bases da economia criativa e a economia cultural entre os dois países.
Referências
Afsari-Mamagani, G. (2011). Poles in Ireland: a cultural interplay. Dublin: Dartmouth College.
Brandão Rodrigues, C. (1986). Identidade e etnia: construção da pessoa e resistência cultural. São Paulo: Brasiliense.
Burrell, K. (2009). Polish Migration to the UK in the "New" European Union. Aldershot: Ashgate.
Canclini García, N. (2008). Imaginários culturais da cidade: conhecimento, espetáculo, desconhecimento. In: T. Coelho (org.), A cultura pela cidade. São Paulo: Iluminuras.
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Notas
Autor notes