Debate
Semeando a terra, colhendo os frutos: a autodesconstrução do epistemicídio Paiter Suruí
Sowing the land, harvesting fruit: the self-deconstruction of the Paiter Suruí epistemicide
Semeando a terra, colhendo os frutos: a autodesconstrução do epistemicídio Paiter Suruí
Revista del CESLA, vol. 30, pp. 119-138, 2022
Uniwersytet Warszawski

Recepción: 29 Junio 2022
Aprobación: 11 Noviembre 2022
Resumo: O texto tem como objetivo demonstrar a autodesconstrução do epistemicídio realizada pelos indígenas Paiter Suruí ao longo dos últimos anos. Mediante a análise de trabalhos acadêmicos e dos relatos Paiter Suruí, evidencia-se como reverteram uma situação de epistemicídio iniciada com o contato oficial em 1969, num contexto de colonialismo interno brasileiro, até serem premiados e reconhecidos nacionalmente e internacionalmente pelo seu trabalho.
Palavras-chave: epistemicídio, indígenas Paiter Suruí, Brasil.
Abstract: The text aims to demonstrate the self-deconstruction of epistemicide carried out by the Surui indigenous people themselves over the past years. Through the analysis of academic works and Paiter Suruí reports, it is evident how they have reverted a situation of epistemicide that began with the official contact in 1969, in the context of internal Brazilian colonialism, to the point of being awarded and recognized nationally and internationally for their work.
Keywords: epistemicide, Paiter Surui Indians, Brazil.
Introdução
Este artigo tem como propósito demonstrar como os indígenas Paiter Suruí desconstroem o epistemicídio no qual estão inseridos por parte da sociedade não indígena, quebrando assim com o estabelecimento de uma hierarquia de saberes que atribui à concepção europeia (não indígena) uma superioridade perante os outros conhecimentos. Conforme Santos e Meneses (2009), o “epistemicídio” significa a destruição de diversas formas de saberes locais produzidos por grupos minoritários e a inferiorização de outras formas de produção do conhecimento, diferentes daquelas que se fundamentam em contextos culturais e políticos bem definidos, como: o mundo moderno cristão ocidental, o colonialismo e o capitalismo. Para atingir o objetivo deste artigo, foi realizada uma análise dos trabalhos acadêmicos escritos pelos estudantes Paiter Suruí: relatos retirados de livros, artigos e entrevistas coletadas mediante uma pesquisa de campo, realizada entre os dias 18 de setembro a 13 de outubro de 2019, na Terra Indígena Sete de Setembro, nos estados de Rondônia e Mato Grosso, pelo autor deste texto. Nessa perspectiva de estudos indígenas, também foram somadas produções bibliográficas não indígenas, mas que dialogam com a desconstrução do epistemicídio. Contudo, o destaque maior é para os relatos dos Paiter Suruí sobre eles mesmos.
O artigo está dividido em quatro partes. Após a introdução, o item, “a terra e o povo” apresenta um recorte da realidade sociocultural e territorial dos Paiter Suruí para, em seguida, no item “semeando a terra: Os Paiterey[1] e seu dinamismo cultural”, mostrar como este povo indígena se apropriou do conhecimento não indígena das universidades para compreender melhor a lógica do outro e se autoformar na luta pela sobrevivência cultural e física na sociedade brasileira e no mundo globalizado. No terceiro item, “a colheita dos frutos: o reconhecimento dos Paiter ey”, evidencia-se como o trabalho de desconstrução epistêmica realizado pelos Paiter Suruí foi ganhando reconhecimentos e prêmios em nível nacional e internacional. Por último, são apresentadas as considerações finais a fim de demonstrar como os Paiter ey foram autodesconstruindo o epistemicídio perpetrado contra o seu povo.
Acredita-se que, para compreender melhor a realidade atual dos povos indígenas no Brasil, torna-se necessário incorporar a visão do indígena sobre seu próprio devir. Parto do entendimento de que o indígena é o protagonista da sua própria história, visão que possibilita ter certa empatia com os povos originários, contribuindo para combater os preconceitos existentes contra eles, seja no nível do epistemicídio como no do racismo.
Apesar dos esforços nas últimas décadas, o ensino das humanidades acaba por marginalizar outras formas de construção do relato histórico ou cultural próprio das sociedades periféricas ou com outros saberes (Santos & Meneses, 2009). A produção do conhecimento, de certa forma, se construiu sempre a partir de uma dinâmica centro-periferia, estabelecendo assim uma hierarquia de saberes, na qual o saber ocidental está acima dos saberes das outras sociedades do mundo. Por esse motivo, os Paiter Suruí precisaram adentrar o espaço das universidades para terem os seus saberes reconhecidos pelas instituições e corporações não indígenas, já que compreenderam que essa seria uma tática que traria benefícios ao seu povo.
O epistemicídio perpetrado contra os Paiter Suruí teve início quando os antropólogos colocaram o nome “Suruí” para denominar essa etnia, e continuou com o contato oficial e a influência da sociedade envolvente, sobretudo quando foram introduzidos ao sistema capitalista predatório. Os Paiter Suruí começaram a vender madeira, a sofrer com o alcoolismo e ter como objetivo conseguir bens materiais da sociedade de consumo. Desse modo, gradualmente, foram abandonando suas formas de saberes para valorizar as formas não indígenas. O processo de evangelização marginalizou os pajés e seus saberes, já que os pastores consideravam os conhecimentos xamânicos como demoníacos.
A terra e o povo
O Contato oficial[2] dos Paiter Suruí com os sertanistas da Funai aconteceu em 1969. A construção da rodovia BR-364, que cortava o território dos Paiter Suruí, foi a causa principal pela qual a Funai decidiu organizar o contato com estes indígenas. O modelo integracionista[3] seguido pelo sertanista responsável pelo contato, Apoena Meirelles, foi a primeira marca do epistemicídio sofrida pelos Paiter Suruí, pois tratou-se de uma imposição.
Na atualidade, o povo indígena Paiter Suruí vive na Terra Indígena Sete de Setembro, localizada entre os estados de Rondônia e Mato Grosso[4], na Amazônia legal[5]. Visto por satélites, o território dos Paiter Suruí parece uma ilha verde cercada pelo desmatamento. Visualmente fica evidente que este povo indígena preservou uma extensa área de floresta amazônica, realizando um trabalho de conservação e reflorestamento. As práticas agrícolas utilizadas na Terra Indígena Sete de Setembro são resilientes às mudanças climáticas iguais aos alimentos autóctones. Os Paiter Suruí praticam um estilo de vida que se adapta aos espaços que habitam e que respeita os recursos naturais.
Mediante um projeto realizado pelos Paiter Suruí em parceria com a Google, foi criado o mapa cultural Suruí[6] com a finalidade de localizar lugares emblemáticos para esta etnia. Este mapa foi elaborado a partir do treinamento de jovens Paiter Suruí que aconteceu durante as três visitas dos técnicos da Google na Terra Indígena Sete de Setembro, em 2008 (Figura 1). Os jovens aprenderam a fazer vídeos e fotografias para coletar as histórias dos anciãos, e depois fazer o upload do material para a nuvem do Google, mediante ferramentas como Picasa, Google Docs e YouTube - todo este trabalho realizado pelos jovens incluiu-se no mapa cultural da etnia indígena. Nesta carta geográfica digital, inserem-se pontos de interesse que refletem a cultura indígena e sua relação com a floresta, localizando áreas onde se encontram os materiais para a fabricação de flechas e cerâmicas, além das árvores frutíferas, onde podem-se observar araras, tucanos, onças e outros animais; quais são os melhores locais para caça e pesca, além de marcar os lugares sagrados, onde aconteceram batalhas com outras tribos ou contra os colonos invasores.

A nomenclatura “Suruí” foi estabelecida por antropólogos, isto é, por não indígenas, fato que evidencia o epistemicídio da sua própria identidade. A autodenominação desse povo indígena é Paiter, que significa “gente de verdade”. Cabe destacar que muitas etnias indígenas se autodenominam de formas semelhantes a essa para diferenciar o seu povo dos outros povos. Neste trabalho será utilizado o termo Paiter Suruí por ser a nomenclatura mais utilizada nos documentos escritos pelos mesmos indígenas, além de evitar a confusão com outro povo indígena chamado Suruí no Estado do Pará, mas também chamados de suruís-aiqueuaras, Aikewara, Sororó ou suruís do Pará (DAI-AMTB, 2010).
Conforme informações relatadas pelos korubey[7] Paiter Suruí, para estabelecer o termo Suruí é possível que os antropólogos tenham feito uma adaptação do termo yorey, que era utilizado por outros povos falantes do tupi mondé para designar “os que usam tatuagem no rosto” (Mendes, 2017).
A língua dos Paiter Suruí é do tronco tupi, especificamente da pequena família tupí mondé, compartilhada com outras etnias indígenas como os Zoró, Cinta-Larga e Gavião (Sampaio & Sinha, 2014). A língua dos Paiter Suruí foi passada da oralidade à escrita mediante o trabalho realizado por um casal de missionários evangélicos do Summer Institute of Linguistics (SIL)[8], que desde 1971 (dois anos após o contato oficial), passavam longas estadas com os indígenas. O objetivo dos membros do SIL era estudar a língua desses povos para poder traduzir a Bíblia para o Tupi Mondé, facilitando dessa forma a evangelização[9] do grupo indígena. Atualmente, há várias formas de escrita da língua Paiter Suruí, já que os membros desta etnia não conseguiram o objetivo de unificar todas elas.
O povo Paiter Suruí está atualmente dividido em quatro clãs e cada um está simbolizado por um elemento da natureza, fato que destaca a sua relação intrínseca com a floresta. Eles esclarecem que essa simbologia naturalista foi dada pelo criador, enquanto cada clã aparecia no mundo, na seguinte ordem: o clã dos Gapgir está simbolizado por um marimbondo amarelo, ainda que pela tradução marimbondo teria que ser branco (gap=marimbondo e gir=branco, claro); o clã Gapmep está simbolizado por um marimbondo preto; o clã Makór é representado por uma Taquara; e o clã dos Kaban, que foi originado pelo roubo de uma mulher Cinta-Larga, é representado por uma frutinha vermelha (Cardozo, 2014). O caso dos Kaban resulta diferente dos demais, pois – ao contrário dos outros clãs, que provêm de uma linhagem patrilinear – os Kaban surgiram a partir da linhagem materna. Atualmente, o clã Kaban é o de maior contingente populacional entre os Paiter Suruí, aproximadamente 45% da população, seguidos pelos Gapgir com 30%, os Gapmep com 20% e os Makor com 5% (Yvinec, 2011). Por isso, hoje em dia, quase todas as uniões matrimoniais se fazem entre os Kaban e os outros três clãs (nas gerações passadas, eram numerosos os matrimônios entre Gapgir e Gapmep e destes com os Makor).
Conforme relatou o indígena Marimop Suruí, além dos quatro clãs citados, existiam mais três clãs antes do contato oficial de 1969.
Então ele coloca que tinham vários grupos, né? Aqui, ele cita: Gapmep, Kaban, Makor e Gapgir e outro ele fala: Watãr, Kaler, Agoy. Na época, dentro desse processo todo, alguns grupos conflitavam e acabou sendo, dizimado, né? Entre eles mesmo, e principalmente na época do contato, os outros também foram dizimados. E, hoje, os que existem são porque esses grupos tinham mais números de pessoas. Eles nunca tiveram. Então, esses grupos que foram dizimados, era pouco, né? Então, com esse impacto eles facilmente foram dizimados, né? (C. Suruí, 2013, p. 21).
Chicoepab Suruí comenta que os clãs antigos que desapareceram na época do contato também tinham sua representação nos elementos da natureza. O clã Agoy Pep (é uma espécie de árvore), Agoy Kir, Watãr (outra espécie de árvore), Kaler (borboleta) e Mãp (castanheira) (C. Suruí, 2013).
Sobre os aspetos culturais nos quais se baseiam os Paiter ey na atualidade, Naraiel Paiter Suruí escreve em seu TCC - Trabalho de conclusão de curso:
O povo Paíter Suruí ainda preserva a cultura tradicional, mesmo depois do contato com os não indígenas, mantendo nas aldeias a roça comunitária para o sustento interno, onde plantam cará, batata-doce, amendoim, banana e milho. E as regras de conceito tradicional para plantar e colher ainda são mantidas. Praticam, também, a atividade da caça e coleta de frutas nativas, valorizando o costume das regras culinárias de modo geral. As pessoas da aldeia confeccionam artesanatos tradicionais para usos diários e também para festas tradicionais. O povo ainda valoriza a festa Mapimai a cada ano (A criação do universo), quanto à festa de pajelanças (Hoey-atẽ), não é mais praticada, mas a utilização das plantas medicinais é mantida pelos (as) raizeiros (as) nas ocasiões de precisão (Paiter Suruí, 2016, p. 14).
O conhecimento indígena e o conhecimento não indígena foram se hibridando em um processo histórico de luta pela sobrevivência. Os Paiter Suruí passaram também a ser reconhecidos internacionalmente por utilizarem tecnologias do século XXI, na luta contra o desmatamento da sua terra[10].
No entanto, para compreender melhor o trabalho de autodesconstução epistêmica, cabe compreender a trajetória que foi e continua sendo percorrida pelos Paiter ey, e portanto, demostrar que os membros desta etnia não foram, nem são sujeitos passivos, maleáveis e inertes frente ao seu devir.
Semeando a terra: os Paiter ey e seu dinamismo cultural
Como afirma Marshall Sahlins (1986, 2004), a cultura indígena é dinâmica e, portanto, vai incorporando, não de forma homogênea, certos aspectos da sociedade não indígena que consideram interessantes. Após o contato oficial, as novas formas não indígenas de entender o mundo não substituíram as formas ancestrais, já que as duas maneiras convivem na atualidade, ainda que os korubey estão em número cada vez menor devido à idade avançada. Alguns adultos e crianças ficaram interessados em preservar os seus próprios etnoconhecimentos. Naraykopega Suruí, no seu Trabalho de Conclusão de Curso em Educação Intercultural na Universidade Federal de Rondônia, afirma que:
O contato trouxe coisas boas, por exemplo: foi reduzido o conflito com outros grupos indígenas e não indígena isolados através da ação da FUNAI. Foi possível conhecer um pouco mais o mundo do branco, utilizar suas ferramentas – antes do contato a gente usava a flecha, hoje usamos o documento escrito, a tecnologia digital e outros, assim juntamos os dois mundos de conhecimentos, o do branco e os nossos costumes tradicionais (N. Suruí, 2015, p. 3).
Essa afirmação de Naraykopega Suruí deixa evidente como os indígenas são conscientes das transformações vivenciadas na sua cultura. A oralidade continua, mas os novos formatos escritos e digitais são incorporados para desconstruir o epistemicídio. A entrada dos Paiter Suruí no mundo acadêmico das universidades resultou em vários trabalhos nos quais são compilados etnoconhecimentos e memórias, como veremos a seguir. Os trabalhos passam a ser fontes históricas escritas, a partir do olhar Paiter Suruí sobre o seu próprio processo histórico e ao mesmo tempo um valioso recurso para dignificar de reconhecimento seus conhecimentos perante o epistemicídio.
Gaami Anine Suruí, um dos sujeitos históricos protagonistas na época do contato, destaca na apresentação do livro de memórias, Histórias do começo e do fim do mundo: o contato do povo Paiter Suruí (Pappiani & Lacerda, 2016), a importância de registrar de forma escrita as lembranças dos Paiter Suruí para que todos os interessados possam conhecer a história e a cultura desse povo indígena:
Agora nós estamos construindo esta nossa história, de todos os Suruí, para que amanhã o povo possa conhecer seu passado, o que aconteceu há muitos anos, saber quem foram aquelas pessoas que não chegaram a conhecer, como o povo Suruí vivia, como enfrentava as guerras com outros povos, como foi a chegada do homem branco. Tudo isso estará aqui registrado, em cada capítulo. Por isso este livro é bom, é tão importante! Porque vamos deixar esta história não só para o povo Suruí, mas para outros povos indígenas, para o não indígena, para o antropólogo, para o estudante, para uma pessoa que nunca conheceu o povo indígena e que pode se interessar e querer saber mais sobre a história Suruí. Precisamos mostrar ao mundo que nós temos nosso pensamento, uma cultura diferente, uma história, uma vontade de futuro. Cada brasileiro tem sua cultura, assim como nós temos o nosso modo de viver. E essa diferença deve ser respeitada (Pappiani & Lacerda, 2016, p. 9).
Anine Suruí afirma em seu relato, “nós estamos construindo nossa história”, no sentido de que os indígenas Paiter Suruí estão relatando sua própria visão sobre os fatos históricos. Essa autoconstrução histórica realizada na atualidade, na qual os Paiter já possuem um longo período de convivência e de aprendizado sobre a sociedade nacional brasileira e o mundo globalizado, resulta na chave para levantar um arcabouço histórico inclusivo que a História oficial invisibilizou. Portanto, são os próprios indígenas que desconstroem o epistemicídio histórico perpetrado historicamente contra eles.
Um fator que contribuiu para a autodesconstrução do epistemicídio Paiter Suruí, foi o acesso à educação escolar própria do não indígena, sobretudo o ingresso dos Paiter Suruí ao ensino superior, no final da década de 1990, quando começaram a refletir e a aprofundar seus conhecimentos sobre o funcionamento tanto da sociedade não indígena quanto da sua própria sociedade.
Foi durante os primeiros anos após o contato que a professora Neli Vera de Oliveira alfabetizou em Língua Portuguesa 97 Paiter Suruí à luz de vela, numa precária escola, que nem ao menos tinha sido registrada (Newlands, 2007). Atualmente o povo dos Paiter ey tem quase 35 professores indígenas na Terra Indígena Sete de Setembro, contratados pelas secretarias de educação. O trabalho desses professores garante uma educação escolar específica e diferenciada no território Paiter Suruí, em que os etnoconhecimentos próprios são ensinados junto com o saber não indígena. Hoje estão matriculados nas escolas das aldeias aproximadamente 400 alunos Paiter Suruí (Pawah Suruí, 2015).
O ingresso dos Paiter Suruí na universidade e o contato com a formação do conhecimento não indígena ampliou a maneira como esse povo indígena vê o mundo e a sua própria história, impulsionando um processo de resgate e de valorização de sua própria cultura e historicidade. A maioria dos trabalhos acadêmicos realizados pelos Paiter Suruí parte de uma perspectiva autobiográfica, o que os torna fontes históricas das trajetórias de vida dos Paiter Suruí como sujeitos protagonistas. Mas, por outro lado, os acadêmicos indígenas Paiter Suruí pesquisaram e escreveram seus trabalhos sobre etnoconhecimentos, mediante o suporte dos sabedores anciãos possuidores das “memórias vivas”, tal como destaca, Alexandre Suruí nos agradecimentos do seu Trabalho de Conclusão de Curso:
Após o término da pesquisa, quero agradecer aos meus Sábios Paiter Suruí, Mogeron Suruí, Gakaman Suruí, Joaquim Surui, que com sua imensa sabedoria e gratidão me cederam seu tempo e seus conhecimentos ancestrais que já receberam de seus antepassados, sendo estes saberes que foram memorizados e ainda hoje trazem essas memórias vivas, portanto como professor e agora pesquisador da nossa ciência, me sinto privilegiado e agradecido por tantos conhecimentos que a mim foram repassados, para o registro, sou imensamente grato pela vasta experiência que junto desenvolvemos no decorrer da pesquisa. (A. Suruí, 2015, p. 29)
Pesquisas nesse formato questionam as pedagogias coloniais (Walsh, 2009) e elaboram um conhecimento alternativo criado pelos povos indígenas de suas trajetórias de vida em contextos de colonialismo interno da América Latina. Lembrando que, o conceito do colonialismo interno foi impulsionado por autores como Casanova (2006), Rivera Cusicanqui (1993), Quijano (2003, 2014) e Quintero (2015), esse conceito auxilia na compreensão da complexa natureza dos conflitos nas sociedades pós-coloniais.
A partir de 2015, os Trabalhos de Conclusão de Curso dos Paiter Suruí formados no curso de Licenciatura em Educação Básica Intercultural foram introduzidos no repositório digital[11] do Departamento de Educação Intercultural da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e podem ser consultados de forma aberta. Vale ressaltar que, a maioria dos acadêmicos Paiter Suruí são pessoas reconhecidas dentro da sua comunidade, com trajetórias de vida marcadas pela interculturalidade no ensino. Um exemplo é Garixama Suruí, considerado um “intelectual da oralidade” (G. Suruí, 2015, p. 2). Mas existem vários outros trabalhos realizados nas universidades e faculdades que podem ser encontrados pelo acesso livre na internet.
Como exemplo da trajetória para desconstruir o epistemicídio Paiter Suruí, podemos destacar os seguintes trabalhos escritos por eles: “Dificuldades de ensino e aprendizagem de matemática na Escola Indígena Noá Suruí” de Mopidakeras Suruí (2017); a dissertação de Mestrado Profissional em Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília “Reflorestamento da Terra Indígena Sete de Setembro: uma mudança da percepção e da conduta do povo Paiter Suruí de Rondônia?” (C. Suruí, 2013); e o artigo “O protagonismo Paiter Suruí no cenário educacional indígena: elementos para um diálogo possível de interculturalidade” de C. Suruí et al. (2014); além do livro em francês “Sauver la planète: le message d'un chef indien d'Amazonie”, de Almir Suruí (em colaboração com Sombrun, 2015).
Os irmãos Joaton Suruí e Uraan Anderson Suruí trabalharam no projeto Fortalecimento Econômico e Cultural Paiter, em parceria com o Laboratório de Línguas e Literaturas Indígenas da Universidade de Brasília. Coordenado por Joaton Suruí, o projeto conseguiu lançar três publicações didáticas sobre história e mitos da etnia Paiter Suruí: História do clã G̃apg̃ir e o Mito do Gavião Real (Surui & Surui, 2011); a cartilha O tempo da floresta (Surui & Surui, 2012a); e o glossário Paiter e por ah etĩg (Surui & Surui, 2012b). Os livros bilíngues foram fruto da participação de 22 professores de distintas aldeias.
Outro indígena Paiter Suruí, que tem se destacado no âmbito universitário, é Gasodá Suruí: graduado em turismo pelo Centro Universitário São Lucas de Porto Velho (2009), mestre (2018) e doutorando em geografia pela UNIR, foi o primeiro estudante indígena a concluir o curso de mestrado pela UNIR. Para valorizar a conclusão do mestrado sobre sua etnia e com o intuito de animar os outros Paiter Suruí a continuarem seus estudos, a defesa foi realizada na aldeia Linha 9 da Terra indígena Sete de Setembro. A dissertação, intitulada “Paiterey Kãrah: a terra onde os paiter ey se organizam e realizam a gestão coletiva do seu território”, teve como objetivo destacar a importância da valorização da visão de mundo Paiter ey. Em entrevista para o site da UNIR, Gasodá Suruí afirmou que, escolheu esse tema porque há uma preocupação muito grande por parte dos Paiter ey em valorizar o território, a sua cultura, para poder manter a sua identidade como povo indígena (G. Suruí, 2018).
Considera-se que os trabalhos acadêmicos realizados pelos Paiter Suruí são ferramentas de desconstrução do epistemicídio, fontes históricas que demostram o olhar desses indígenas sobre os processos históricos, sociais e econômicos. Nas obras escritas pelos Paiter Suruí, são inseridas construções identitárias, que reforçam a valorização da própria cultura, utilizadas pelos autores como uma forma de interlocução com os que são externos a sua etnia. Conforme o antropólogo Albert (2002), a construção de novas formas de autorrepresentação podem juntar saberes cosmológicos às várias categorizações e representações dos não indígenas sobre os povos originários, com a finalidade de tornar o seu discurso inteligível ao “outro”. Desse modo, os trabalhos escritos pelos Paiter Suruí, que estudam o Ensino Superior, seriam considerados como uma forma de discurso, na qual, segundo Albert (2002), o discurso colonial passa a ser contornado ou subvertido.
A colheita dos frutos: o reconhecimento dos Paiter ey
Para Mota Neto (2015), a decolonialidade como perspectiva de superação do colonialismo provoca fissuras nas estruturas de poder construídas ao longo da história, contudo, a luta política é permanente, devendo ser assumida por inúmeros agentes e movimentos para de maneira conjunta construírem um diálogo capaz de promover a descolonização da economia, da cultura, da língua e da educação. Isso é exatamente o que o líder Almir Suruí realiza.
Na década de 1990, Almir Suruí – filho do líder falecido em 28 de agosto de 2011, Marimop Suruí – aceitou o convite da Pontifícia Universidade Católica de Goiás para estudar biologia, sendo assim, o primeiro indígena dessa etnia a se matricular na universidade. Porém, Almir não conseguiu concluir seus estudos, mas abriu o caminho para outros Paiter ey, que nos anos seguintes ingressaram na universidade. Contudo, em 2013, Almir Suruí foi contemplado com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal de Rondônia, por sua trajetória de vida vinculada à defesa dos direitos dos povos indígenas e a causa ambientalista[12]. Este título permitiu a Almir Suruí converter-se no primeiro indígena em formar parte de uma banca de mestrado no estado do Paraná[13], avaliando a dissertação intitulada “Os Paiter Suruí: do arco e flechas às tecnologias do Século XXI”. Além desse marco histórico, Almir Suruí acumulou várias distinções ao longo da vida. Os principais prêmios e homenagens lhe concedidos foram: Prêmio Internacional de Defensor de Direitos Humanos, pela Société Internationale dês Droits de L home, em Genebra Suíça, em 2008; Prêmio da Missing Foundation, pela proteção e restauração de habitats e espécies florestais; Reconhecimento da cidade de San Francisco, na Califórnia, com o “dia do Chefe Almir”, que se comemora em 4 de outubro, o dia da luta pelo meio ambiente; Reconhecimento da Google, como personalidade sul americana em 2008; Prêmio da Google Earth Hero, por utilizar a tecnologia em favor da humanidade; Reconhecimento da Revista Época como um dos 100 brasileiros mais influentes em 2009; Prêmio de Meio Ambiente dado pela Intel, em São Francisco – EUA; Ganhador do Cacau de Ouro em 2010, como reconhecimento dos seus feitos em defesa do meio ambiente, dado pela colunista Marisa Linhares de Cacoal-RO; Homenageado pela USAID – Agência Americana de Desenvolvimento e Meio Ambiente pelos serviços prestados a preservação da floresta em 2010; Personalidade incluído na Revista americana Fast Economy entre as 100 pessoas mais criativas do mundo em 2011 (camara-e.net, 2013).
Além do reconhecimento da liderança Almir Suruí, professores e alunos Paiter ey também foram contemplados com premiações pelo seu trabalho de resgate e valorização dos etnoconhecimentos Paiter Suruí. Segundo Nascimento (2013), os etnoconhecimentos são os saberes passados de geração em geração nas comunidades tradicionais, aprendidos com a vida cotidiana e a interação direta com o meio e seus fenômenos naturais. Os dois professores citados a seguir se formaram no Curso de Educação Básica Intercultural da UNIR[14], no qual as temáticas aprendidas buscam um diálogo intercultural com abordagem da etnociência[15].
O licenciado e mestre em educação escolar, Joaton Suruí leciona as disciplinas de Língua Materna e Identidade Étnica Histórica na Escola “Sertanista José do Carmo Santana” da Terra Indígena Sete de Setembro. O mestre relatou numa entrevista concedida para a pedagoga Leide Maria Ruiz Ferreira em 2014, que:
Os etnoconhecimentos que trabalho nessas duas disciplinas diversificadas são escolhidos junto com a comunidade, nas reuniões que participei, onde eles discutem o futuro da cultura e qual a contribuição da escola para a manutenção da mesma. Produzo textos para trabalhar com os alunos a respeito desses conhecimentos, também costumo citar um tema da cultura, para os estudantes pesquisarem junto aos mais velhos da sua família, que trazem para a sala de aula para apresentar para os colegas e a partir daí construir o material daquele tema. (Trubiliano & Ferreira, 2016, p. 135).
Joaton Suruí, assim como Almir Suruí, recolheu como fruto do seu trabalho diversos prêmios. Em 2008, ganhou o prêmio Educador Nota 10[16], criado em 1998, pela Fundação Victor Civita. Este galardão reconhece e valoriza professores e gestores escolares da Educação Infantil ao Ensino Médio no Brasil. Em 2014, o professor ganhou o Prêmio Educação em Direitos Humanos do Ministério de Educação em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, sob a coordenação da Organização dos Estados Ibero-americanos para Educação, Ciência e Cultura (OEI). Em 2017, Joaton conquistou o Prêmio Culturas Indígenas do Ministério de Cultura pelo seu trabalho em prol do fortalecimento das expressões culturais e identitárias dos Paiter Suruí.
Outro professor reconhecido pelos seu trabalho é Luiz Weymilawa Suruí. Licenciado e mestre em Educação Escolar, idealizador e diretor do Museu Indígena Paiter a soe e articulador da Rede Indígena de Memória e Museologia Social da Região Norte. Trabalha desde 2010, como professor concursado na Escola Indígena Estadual de Ensino Fundamental Sertanista José do Carmo Santana, onde leciona Geografia e História. No ano de 2016, Luiz foi distinguido com o prêmio Educador Nota 10 pelo seu projeto “Lap G̃up: Nossa casa, nosso lar”. Com este projeto, o professor procurou que sua turma superasse alguns preconceitos relativos aos etnoconhecimentos Paiter Suruí com o intuito de preservar e mostrar novas alternativas de sobrevivência para este tipo de conhecimento indígena e, portanto, desconstruir o epistemicídio.
Em 2018, o mestre ganhou o Prêmio Professores do Brasil para a região Norte com seu projeto “Aplicativo da cultura Paiter Suruí”[17], no qual foram desenvolvidos conteúdos específicos da sua cultura para tablet e celulares. Conforme escreveu no projeto:
Realizamos pesquisas com as pessoas mais velhas e sábias de nossa comunidade, discutimos o uso da tecnologia de forma positiva e como um instrumento de luta e preservação da nossa identidade Paiter, aprendemos a desenvolver tecnologia social e usá-la a nosso favor para a divulgação da nossa cultura, saímos da condição de consumidores passivos e entramos na etapa de produtores culturais com essa experiência, diante dessa ferramenta tecnológica, já pensamos em novos projetos como um app para vender nossos artesanatos e gerar renda para nossa comunidade (Ministério da Educação, 2018).
Como visto anteriormente, os Paiter Suruí conseguem inserir sua sabedoria ancestral nas tecnologias do século XXI, demostrando assim que sua cultura é dinâmica e se adapta aos novos tempos.
A professora Elisângela Dell-Armelina Suruí foi galardoada com o prêmio Educador Nota 10[18] e o prêmio Educador do Ano, em 2017. A professora foi selecionada entre mais de 5000 inscritos pelo seu trabalho MamugKoe Ixo Tig (A fala e a escrita da criança), em que elaborou um material didático, junto com seus alunos Paiter Suruí para os 15 alunos, do 1º ao 5º ano do ensino fundamental, da sala multisseriada onde leciona. Este caderno de atividades de escrita e leitura na língua materna, estabelece relações com a língua portuguesa e com a língua de sinais, já que existem alunos surdos entre o povo Paiter Suruí. Apesar do reconhecimento conquistado por Elisângela, isso não impediu que ela e seu marido sofressem uma tentativa de homicídio, que ocorreu poucos meses depois, após receber o prêmio, mas, por sorte, saíram ilesos[19].
Não somente os professores foram distinguidos com premiações. Mediante o uso do etnoconhecimento Paiter Suruí, o projeto “Alisante Natural para Cabelos”, orientado pelo professor de Química não indígena Cleverson Silva e executado pelos alunos Oikolalap Sulivan Suruí e Charles Oywewamê Suruí, da aldeia Nabekod Abadakiba, venceu o primeiro prêmio da Feira Científica de Inovação e Tecnologia de Rondônia na categoria de Ensino Médio. O projeto contou com a ajuda de toda a comunidade já que eles usam como base a planta Pãrha Sihn para alisar o cabelo desde os tempos ancestrais. Mas os dois alunos fizeram a constatação prática mediante a uso do microscópio, ou seja, que mediante a ciência não indígena foi comprovado um conhecimento adquirido há centenas de anos pelos Paiter Suruí. O aluno Oikolalap Sulivan Suruí relatou que:
Eu tô muito feliz por ter ido lá mostrar o conhecimento do meu povo e mostrar uma, entre tantas plantas, que a gente usa para o nosso bem. Não é porque a gente vive na floresta, que a gente não se cuida. Esta planta, além de alisar os cabelos, serve como um shampoo para limpar e também ajuda a acabar com a caspa. É um conhecimento que vem de muito tempo, que era muito mais usado do que é hoje, mas que a gente tenta mostrar através deste trabalho que realmente funciona e vale a pena usar (Mais Rondônia, 2017).
Para o povo Paiter Suruí, foi uma conquista importante para desconstruir o epistemicídio perpetrado contra seu povo. Anine Suruí, Cacique geral da Terra Indígena Sete de Setembro, enfatizou que:
É maior honra e temos que agradecer ao pessoal que ajudou. É muito bom quando os não-índios reconhecem a nossa cultura, o nosso conhecimento. Esta floresta alimenta a gente. Nós tiramos dela o alimento, os remédios, perfumes, tudo o que a gente precisa. Todo o conhecimento que nós temos, a gente tenta passar para os nossos jovens (Mais Rondônia, 2017).
As premiações recebidas por Almir Suruí, Joaton Suruí, Luiz Weymilawa Suruí, Oikolalap Sulivan Suruí e Charles Oywewamê Suruí são exemplos da relevância do intenso trabalho de autodesconstrução do epistemicídio por parte dos membros desta etnia. Considera-se que reconhecimento por parte de instituições e corporações não indígenas ajuda a motivar a outros Paiter ey a continuar a tarefa de dignificação dos saberes herdados dos seus ancestrais.
Considerações finais
Ao longo deste artigo, foi evidenciado como os Paiter Suruí provocaram iniciativas de desconstruir o epistemicídio que recaiu contra eles ao longo da história. Em “a terra e o povo”, além de apresentar a realidade sociocultural e territorial dos Paiter Suruí, foram apontadas algumas formas de combate ao epistemicídio realizadas por esta etnia.
Em “semeando a terra: Os Paiter ey e seu dinamismo cultural” foi demonstrado como a trajetória dos Paiter ey na educação não indígena, sobretudo a universitária, auxiliou para a desconstrução do epistemicídio mediante o entendimento e o uso da ciência não indígena. Este processo resultou em trabalhos acadêmicos que elevam a etnoestima[20] (Fritz, 2001) Paiter Suruí e que resultam em pesquisas realizadas pelos mesmos Paiter Suruí em lugar de pesquisadores externos a sua sociedade. Em “a colheita dos frutos: o reconhecimento dos Paiter ey” foram destacadas ações de reconhecimento, por meio de premiações do trabalho de desconstrução epistêmica realizado pelos indígenas Paiter Suruí. Mas também foi evidenciado como o processo de desconstrução do epistemícidio pode custar caro, até o ponto de correr-se risco de vida, como no caso da professora Elisângela Dell-Armelina Suruí.
Em síntese, foi demonstrado como, ao longo dos últimos anos, os Paiter Suruí foram autodesconstruindo o epistemicídio no qual foram historicamente inseridos por meio de uma narrativa não indígena. A trajetória dos líderes, professores e alunos Paiter Suruí mostra como mediante o uso e entendimento da ciência não indígena e as alianças com parceiros não indígenas, este povo consegue contornar o colonialismo interno que historicamente desvalorizou os etnoconhecimentos Paiter ey. Os Paiter Suruí foram e continuam sendo sujeitos ativos da sua própria História, questionado as pedagogias coloniais e escrevendo o seu próprio devir.
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Notas