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PRODUÇÃO DE NATUREZA E TURISMO SUSTENTÁVEL: UMA LEITURA DO DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO DA NOVA RÚSSIA, BLUMENAU (SC)
Clóvis Reis; Rodrigo B.S. da Silva
Clóvis Reis; Rodrigo B.S. da Silva
PRODUÇÃO DE NATUREZA E TURISMO SUSTENTÁVEL: UMA LEITURA DO DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO DA NOVA RÚSSIA, BLUMENAU (SC)
PRODUCTION OF NATURE AND SUSTAINABLE TOURISM: AN ANALYSIS OF TOURISM DEVELOPMENT IN NOVA RÚSSIA, BLUMENAU (SC)
PRODUCCIÓN DE LA NATURALEZA Y TURISMO SOSTENIBLE: UN ANÁLISIS DEL DESARROLLO TURÍSTICO EN NOVA RÚSSIA, BLUMENAU (SC)
Turismo - Visão e Ação, vol. 27, e21042, 2025
Universidade do Vale do Itajaí
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Resumo: Objetivo – Analisar a Produção de Natureza como base para o turismo sustentável na Nova Rússia (Blumenau/SC), com referência comparativa à Grande Reserva Mata Atlântica (Antonina e Morretes/PR), articulando os achados às dimensões ambiental, política, econômica, social e cultural do desenvolvimento sustentável.

Desenho/metodologia/abordagem – Estudo aplicado, qualitativo e exploratório. Procedimentos: pesquisa bibliográfica, documental e bibliométrica; entrevistas semiestruturadas com atores do poder público, iniciativa privada e sociedade civil (oito participantes); observação participante (incluindo o evento Ultra Trail); e análise orientada por matriz qualitativa baseada nas dimensões do desenvolvimento sustentável. Inclui contraste com a experiência da Grande Reserva Mata Atlântica como caso inspirador da Produção de Natureza.

Palavras-chave: airbnb, comportamento do consumidor, mercado turístico, emoções, turismo.

Abstract: Objective – To analyze Production of Nature as a foundation for sustainable tourism in Nova Rússia (Blumenau, SC), with a comparative reference to the Great Atlantic Forest Reserve (Antonina and Morretes, PR), aligning the findings with the environmental, political, economic, social, and cultural dimensions of sustainable development.

Design/methodology/approach – Applied, qualitative, and exploratory study. Procedures: bibliographic, documentary, and bibliometric research; semi-structured interviews with actors from local government, the private sector, and civil society (eight participants); participant observation (including the Ultra Trail event); and analysis guided by a qualitative matrix based on the dimensions of sustainable development. The study includes a contrast with the experience of the Great Atlantic Forest Reserve as an inspiring case of Production of Nature.

Findings – Nova Rússia has consolidated nature-based tourism as its core segment (natural recreation areas, pay-to-fish ponds, trails, cycle tourism), with recognition of nature as an economic asset and positive event-driven effects on the local economy. Gaps remain in governance, infrastructure (sanitation, mobility, carrying capacity), and visitors’ environmental awareness. The study proposes guidelines: (i) environmental – biodiversity conservation, carrying-capacity management, and event monitoring; (ii) political – creation of a local governance body and tourism policies; (iii) economic – diversification of products (wildlife/plant observation, scientific and adventure tourism) and support for entrepreneurship; (iv) social – workforce qualification and mitigation of seasonality; (v) cultural – enhancement of the Dr. Agobar Fagundes Ecomuseum and of tangible and intangible heritage.

Practical implications – Provides an operational roadmap for municipal managers and entrepreneurs: establishing a governing council, integrating the park with local stakeholders, investing in basic and tourism infrastructure, implementing environmental education programs, and adopting sustainable event protocols.

Originality/value – Advances the application of Production of Nature (Jiménez Pérez) to a Brazilian rural destination, combined with an operational analytical matrix and Sachs’ dimensions, addressing an empirical gap on how to convert conservation into local development via sustainable tourism.

Keywords: airbnb, consumer behavior, tourism market, emotions, tourism.

Resumen: Objetivo – Analizar la Producción de la Naturaleza como base para el turismo sostenible en Nova Rússia (Blumenau/SC), con referencia comparativa a la Gran Reserva de la Mata Atlántica (Antonina y Morretes/PR), articulando los hallazgos con las dimensiones ambiental, política, económica, social y cultural del desarrollo sostenible.

Diseño/metodología/enfoque – Estudio aplicado, cualitativo y exploratorio. Procedimientos: investigación bibliográfica, documental y bibliométrica; entrevistas semiestructuradas con actores del sector público, la iniciativa privada y la sociedad civil (ocho participantes); observación participante (incluido el evento Ultra Trail); y análisis guiado por una matriz cualitativa basada en las dimensiones del desarrollo sostenible. Incluye contraste con la experiencia de la Gran Reserva de la Mata Atlántica como caso inspirador de Producción de la Naturaleza.

Resultados – Nova Rússia consolidó el turismo de naturaleza como segmento central (áreas de recreación natural, pesque-pague [pague por pescar], senderos, cicloturismo), con reconocimiento de la naturaleza como activo económico y efectos positivos de los eventos en la economía local. Persisten brechas de gobernanza, infraestructura (saneamiento, movilidad, capacidad de carga) y conciencia ambiental de los visitantes. El estudio propone directrices: (i) ambiental – conservación de la biodiversidad, gestión de la capacidad de carga y monitoreo de eventos; (ii) política – creación de una instancia de gobernanza local y políticas de turismo; (iii) económica – diversificación de productos (observación de fauna/flora, turismo científico y de aventura) y fomento al emprendimiento; (iv) social – cualificación de la mano de obra y mitigación de la estacionalidad; (v) cultural – valorización del Ecomuseo Dr. Agobar Fagundes y del patrimonio material e inmaterial.

Implicaciones prácticas – Proporciona una hoja de ruta operativa para gestores municipales y emprendedores: creación de un consejo gestor, integración entre el parque y los actores locales, inversiones en infraestructura básica y turística, programas de educación ambiental y protocolos para eventos sostenibles.

Originalidad/valor – Avanza la aplicación del concepto de Producción de la Naturaleza (Jiménez Pérez) a un destino rural brasileño, combinado con una matriz analítica operativa y las dimensiones de Sachs, cubriendo una laguna empírica sobre cómo convertir la conservación en desarrollo local mediante el turismo sostenible.

Palabras clave: airbnb, comportamiento del consumidor, mercado turístico, emociones, turismo.

Carátula del artículo

ARTICULO CIENTIFICO

PRODUÇÃO DE NATUREZA E TURISMO SUSTENTÁVEL: UMA LEITURA DO DESENVOLVIMENTO TURÍSTICO DA NOVA RÚSSIA, BLUMENAU (SC)

PRODUCTION OF NATURE AND SUSTAINABLE TOURISM: AN ANALYSIS OF TOURISM DEVELOPMENT IN NOVA RÚSSIA, BLUMENAU (SC)

PRODUCCIÓN DE LA NATURALEZA Y TURISMO SOSTENIBLE: UN ANÁLISIS DEL DESARROLLO TURÍSTICO EN NOVA RÚSSIA, BLUMENAU (SC)

Clóvis Reis
Fundação Universidade Regional de Blumenau, SC, Brasil
Rodrigo B.S. da Silva
Fundação Universidade Regional de Blumenau, SC, Brasil
Turismo - Visão e Ação, vol. 27, e21042, 2025
Universidade do Vale do Itajaí

Recepción: 14 Mayo 2025

Aprobación: 25 Agosto 2025

INTRODUÇÃO

O turismo é considerado um dos maiores setores econômicos do mundo, e não é de surpreender que exista uma enorme literatura destacando os pontos positivos e negativos que esse setor pode impactar a sociedade como um todo (Rasoolimanesh et al., 2020). Entre os pontos positivos estão crescimento econômico e contribuição para os aspectos sociais e de uma comunidade, embora esses pontos sejam discutíveis (Pereira et al., 2020). Na contramão dos pontos positivos, existe uma preocupação que perdura décadas no quesito da sustentabilidade, principalmente ao que se refere à sustentabilidade ambiental (Berselli et al., 2021). Butler (1999) faz uma provocação alegando que as ambiguidades em torno do que se entende por essa vertente de turismo sustentável está mais relacionada a um monitoramento casual e não sistemático dos impactos que o turismo pode vir a provocar. Entre as diversas dificuldades para tal feito está a ausência de um consenso sobre qual será a escolha dos indicadores e de que forma eles devem ser aplicados (Hall et al., 2008; Rasoolimanesh et al., 2020). Logo, essa situação instaurada tem consequências de longo alcance, uma vez que, dada a importância de ter indicadores apropriados para avaliar e fazer a gestão do turismo, com o intuito de se tornar sustentável, acaba não acontecendo (Tanguay et al., 2013).

Compreender essas nuances que o turismo prova e como elas se comunicam entre si com o compromisso ambientalmente sustentável é fundamental para o setor (Yilmaz et al., 2021). Para isso, as diversas partes interessadas devem conversar entre si, desde os fornecedores, empreendedores até os consumidores finais. Por um lado, os consumidores têm um papel bastante significativo, já que é por meio deles que os pesquisadores identificam os comportamentos e as suas atitudes em relação aos produtos turísticos ligados à sustentabilidade (Lee & Moscardo, 2005). Referente a isso, a pouca troca entre áreas de estudo foi um fator limitador entre pesquisas com o viés pró-ambiental (Dolnicar et al., 2007; Rassolimanesh et al., 2020), no entanto, o foco dos estudos tem sido direcionado para a compreensão desse consumidor, ou seja, suas necessidades, desejos, valores e propósitos, bem como os antecedentes desse papel no contexto, seja do turismo ou da hospitalidade sustentável (Juvan & Dolnicar, 2014).

Fato é que se está vivenciando uma fase de transição com características de épocas, na qual esse momento está marcado por uma crise estrutural do capitalismo, bem como uma crise profunda nas condições humanitárias que, em parte, está muito relacionada às alterações climáticas que, inclusive, afetam, até o momento, a extinção de algumas espécies, podendo evoluir (Fernández, 2011). Essa fase de transição está cada vez mais dando indícios de que chegamos ao limite (Rockstrom, 2021). Nesse cenário, reflexões sobre esse assunto são pertinentes, principalmente no contexto Latino-Americano, onde as condições ainda são caracterizadas, ou pela permanência do colonialismo interno (Gonzálvez Casanova, 2003; Luna & Orellana, 2017), ou pela baixa capacidade de investimento em infraestrutura (Berselli et al., 2021), fato é que os modelos atuais não conseguem romper esse padrão extrativista.

Esse processo é fundamentado em princípios e paradigmas contemporâneos sobre a ecologia global, os quais são, em última instância, uma consequência da expansão do capitalismo em escala planetária, aliada à sua dimensão ideológica que facilitou tal expansão (Oliveros, 2022). Para o autor, as concepções anteriores sobre a natureza foram subjugadas e relegadas a uma posição inferior, de modo que, em muitos casos, foram instrumentalizadas para servir ao processo de acumulação de capital, resultando em uma percepção contraditória da natureza. Compreender esse processo requer considerar as relações coloniais estabelecidas durante a era da conquista e o surgimento do capitalismo, as quais colocaram os territórios americanos em um estado de dependência, manifestado, entre outras formas, por meio de exploração e pilhagem dos recursos ambientais (Oliveros, 2022). Sendo assim, com o advento das problemáticas ambientais e sociais das quais o desenvolvimento econômico em si não dera respostas factíveis, os eventos e estudos sobre tais problemáticas ganharam repercussão. Estavam dadas novas formas de se pensar o desenvolvimento (Silva, 2023).

Nesse contexto, torna-se evidente a existência de outras formas de avanço que vão além do mero desenvolvimento econômico, as quais combinam, de maneira integrada, duas ou mais dimensões, sejam elas ambientais, políticas, econômicas, sociais ou culturais, além de estarem intrinsecamente ligadas ao bem-estar, à qualidade de vida e à valorização do território. Diante disso, este estudo tem o objetivo de analisar “Produção de Natureza” como base para o turismo sustentável num estudo de caso da Nova Rússia (Blumenau, SC) e da Grande Reserva Mata Atlântica (Antonina e Morretes, PR). Esse conceito é encapsulado pelo paradigma do desenvolvimento sustentável (Silva, 2023). Segundo Jiménez Pérez (2019), a Produção de Natureza emerge como uma abordagem de desenvolvimento que busca harmonizar de forma sustentável a interação entre a economia e o meio ambiente. Além disso, a aplicação da Produção de Natureza no contexto do turismo sustentável, especialmente no segmento do ecoturismo e suas variações, surge como uma alternativa promissora para sua implementação prática (Silva, 2023). O autor argumenta que o turismo, quando focalizado unicamente na dimensão econômica, pode acarretar impactos negativos significativos para as comunidades locais, mas quando concebido sob a ótica da sustentabilidade, revela-se como uma opção relevante para a preservação da natureza, o respeito às tradições locais e, certamente, a valorização dos recursos como um ativo econômico.

Dessa forma, a Produção de Natureza reconhece o turismo como uma atividade intrinsecamente sustentável, pois sua proposta visa à conservação dos recursos naturais, transformando-os em oportunidades econômicas. A história da Nova Rússia antecede a fundação de Blumenau e envolve a presença dos indígenas Xokleng e a exploração de minérios desde 1846, marcada por conflitos e pela colonização europeia. Entre 1890 e 1897, imigrantes russos e alemães ocuparam a região, impulsionados pela mineração, que logo se mostrou inviável. Posteriormente, entre 1950 e 1980, a exploração madeireira devastou a área. Atualmente, a comunidade vive um novo ciclo econômico voltado aos serviços e ao turismo.

Apesar de existir uma ampla literatura sobre o turismo sustentável e desenvolvimento sustentável, existe uma carência de estudos se apropriando do conceito da produção da natureza (Silva, 2023). Dessa forma, este estudo apresenta no seu aporte teórico o imbricamento entre desenvolvimento sustentável de Sachs (2002) e Produção de Natureza de Jiménez Pérez (2019). Por isso, esta pesquisa tem o objetivo de analisar a Produção de Natureza como base para o desenvolvimento do Turismo Sustentável na Nova Rússia, Blumenau (SC).

REVISÃO TEÓRICA

O fenômeno do turismo encapsula inerentemente as dinâmicas de oportunidade e conservação. Por um lado, ele gera oportunidades econômicas para os atores envolvidos no comércio turístico, os provedores de serviços e as entidades municipais encarregadas da gestão. Por outro lado, o turismo pode tanto promover como ameaçar a preservação ambiental local, dependendo do modelo turístico implementado e de suas práticas associadas (Pereira et al., 2022). Analisando o turismo sob uma ótica econômica, em 2019, registrou-se um marco significativo com 1.5 bilhão de chegadas de turistas internacionais, conforme dados da Organização Mundial do Turismo (UNWTO). Esse aumento representou um crescimento de 4% em comparação com o ano anterior, marcando o décimo ano consecutivo de crescimento, como relatado pela Panrotas (2021a). No entanto, com a eclosão da pandemia de covid-19, os números sofreram uma queda acentuada. Em 2020, testemunhou-se uma diminuição de mais de um bilhão de chegadas de turistas internacionais, representando uma redução de 74% em comparação com os números de 2019. Esta crise sem precedentes provocada pelo coronavírus resultou no desemprego de aproximadamente 100 a 120 milhões de pessoas em todo o mundo (Panrotas, 2021b).

Por outro lado, sob a lente da sustentabilidade, há uma variedade de exemplos que ilustram como o turismo pode contribuir para os destinos turísticos. Diante dos desdobramentos positivos e negativos do setor, o turismo sustentável emerge como uma abordagem para equilibrar as questões de oportunidade e conservação geradas por essa atividade (Berselli et al., 2022). O turismo de massa, por sua vez, é considerado uma abordagem retrógrada no que diz respeito à preservação dos destinos turísticos, pois reduz o turismo a uma atividade exploratória de soma zero, como apontado por Ruschmann (2001) e Swarbrooke (2000). A análise dos impactos do turismo nos conduz a compreendê-lo sob a ótica da sustentabilidade. O turismo sustentável surge como uma abordagem que busca equilibrar as questões de oportunidade e preservação. Seu objetivo é transformar a dinâmica do ganha-perde para o ganha-ganha, em que os benefícios econômicos são harmonizados com a conservação ambiental e o bem-estar das comunidades locais (Gorrad et al., 2006).

A Produção de Natureza na promoção do desenvolvimento e da conservação ambiental

A reflexão ou discussão homem-natureza é evidenciada pelas ciências humanas e econômica seja pela Geografia, Antropologia, Sociologia ou Economia. Por um prisma percebe-se a natureza como geradora da vida e, por outro, como fornecedora de recursos ambientais para o homem, ficando evidente a relação de interdependência entre estes dois agentes. A visão romântica da natureza, da qual está para servir as necessidades do homem, por vezes a fragiliza, colocando-a numa situação de vulnerabilidade. Assim, a natureza existe para “servir” o homem em suas necessidades (Cavalcanti, 2010; Knop & Silva, 2018). A “passividade” da natureza coloca o homem em vantagem diante de sua capacidade de “ação”. No entanto, a vantagem em que está estabelecida para o homem pode colocá-lo numa situação de risco, pois a escassez ou o esgotamento dos recursos naturais torna a vida mais difícil ou inviável. Dada a exploração intensificada da natureza nos últimos duzentos anos, é possível classificá-la em primeira natureza e segunda natureza (Knop & Silva, 2018). A primeira natureza é a intocada pelo homem e a segunda é aquela que, de alguma forma, foi explorada por ele.

O conjunto de serviços ambientais apresentados pela natureza é proporcional aos impactos do homem sobre a exploração desses recursos. Ainda no século XXI são poucas as ações de minimização e mitigação dos impactos ambientais provocados pela ação antrópica. As iniciativas, iniciadas na década de 1970, de discussão e implementação de diretrizes de combate aos impactos ambientais ainda são incipientes em pleno início da segunda década do século XXI. Percebe-se o aumento de queimadas e avanço das ações do homem sobre as florestas, contaminação dos mananciais de água provocada por ocupações ilegais ou exploração dos recursos naturais e ainda, o mais desconcertante, a contaminação dos oceanos com ilhas de plástico. A ideia de desenvolvimento sustentável surge a partir deste movimento, a fim de apresentar diretrizes e orientações sobre um desenvolvimento capaz de garantir as necessidades da atual geração sem comprometer as necessidades das futuras gerações. Com este modelo de desenvolvimento surgem outras formas de pensar o desenvolvimento, tais como o Ecodesenvolvimento (Sachs, 1981), Desenvolvimento Socioespacial (Souza, 2013), Desenvolvimento como Liberdade (Sen, 2000), entre outros.

A busca pelo outro desenvolvimento trouxe à tona o paradoxo crescimento econômico e degradação ambiental. O crescimento econômico deixou de ser a única razão do desenvolvimento, é necessário pensar na sustentabilidade. (Sachs, 2002; Fernandes & Leite, 2021). Pelas evidências da degradação ambiental provocada pelo crescimento econômico sem controle, foi realizada a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano em Estocolmo (Suécia), em 1972. A ideia e o conceito de desenvolvimento sustentável apresentados no documento Nosso Futuro Comum pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento expõem uma obra estrutural com orientações, diretrizes, diagnósticos e prognósticos sobre o tema. Trata-se de uma missão complexa apresentar tal obra estrutural, pois ela tem que ser sobreposta a uma realidade. O que se observa na obra estrutural, Nosso Futuro Comum, é a sua fragilidade sistemática que não deixa claro o “caminho” a ser percorrido pelas nações/países. As proposições do desenvolvimento sustentável não são regadas por pragmatismo, estão rodeadas por um campo de ideias e conceitos que, por vezes, se confundem com os princípios do desenvolvimento econômico.

O desafio está na universalidade do conceito de desenvolvimento sustentável. Dada a diversidade social, econômica, ambiental e política das nações, sua factualidade é efêmera. “Os desafios reais do desenvolvimento sustentável são pelo menos tão heterogêneos e complexos quanto à diversidade de sociedades humanas e de ecossistemas naturais em todo o mundo” (Hanai, 2012, p. 202). A perspectiva pragmática do desenvolvimento sustentável é também discutida por Bellen (2005), que traça uma análise comparativa dos indicadores de sustentabilidade. Os indicadores de sustentabilidade são instrumentos que viabilizam a mensuração do desenvolvimento sustentável. De fato, há uma mudança de condição para melhor? Para tanto, os indicadores de sustentabilidade levam em conta as dimensões do desenvolvimento sustentável, face teórica. Já a face prática dos indicadores de sustentabilidade compreende (Bellen, 2005; Pereira et al., 2022) serem claros nos valores em seu conteúdo; impulsionar a ação política; serem relevantes politicamente, até para os menos poderosos; serem factíveis; serem suficientes para fornecerem o quadro adequado à situação.

Bellen (2005) trata da sustentabilidade levando em consideração que o ser humano, além de possuir um metabolismo ambiental, também apresenta metabolismos de ordem cultural e econômica. Dessa forma, o desafio é equalizar as necessidades do homem com a capacidade produtiva dos recursos naturais. O desdobramento contemporâneo dessa questão está na formalização dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Os 17 ODS definidos em 2015, no âmbito da Agenda 2030 (alicerçados nas lições apreendidas com os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, estabelecidos entre 2000 e 2015), constituem o guia mais recente para a transformação sustentável do Mundo (UNRIC, 2019). Os ODS apresentam recomendações e orientações para a promoção do bem-estar social, sustentabilidade, erradicação da fome e da pobreza, por meio de objetivos que tratam sobre boa saúde e bem-estar; educação; igualdade de gênero; água potável e saneamento; energia limpa; trabalho decente; inovação; minimização das desigualdades; cidades e consumo sustentável e justiça social. Trata-se de uma chamada às nações para uma mobilização mundial em favor do equilíbrio social, econômico e ambiental.

Diante dos desafios do desenvolvimento sustentável e da necessidade de se discutir outras formas de desenvolvimento e novas posturas sobre a conservação e preservação ambiental, aponta-se a prática de Produção de Natureza como mais uma alternativa para este feito. A Produção de Natureza, discutida por Ignacio Jiménez Pérez, apresenta uma ideia que, na prática, visa a contribuir com a conservação da natureza e geração de oportunidades econômico-sociais para os agentes sociais locais. Euclydes (2012), no estudo sobre proteção da natureza e produção da natureza, com uso da preposição “da”, apresenta uma discussão sobre Produção da Natureza. Neste estudo, Produção da Natureza nos termos de Henri (1991) significa “substitutos medíocres da natureza”, ou seja, é a natureza sendo utilizada para a produção do espaço, exclusivamente, e, consequentemente, do capitalismo. Já a Produção de Natureza, com uso da preposição “de”, envolve conservação e produção, ou seja, não se trata apenas de conservar, mas também de produzir natureza tal como reflorestamento da fauna local, reconstituição da mata ciliar, estruturação de parques ambientais e manutenção da biodiversidade local. “Este conceito favorece a convivência entre as atividades econômicas e a preservação de ecossistemas, tendo por base as áreas protegidas como ativo para o benefício de comunidades [...]” (Borges et al., 2021, p. 203).

A Produção de Natureza, vai além da conservação da natureza. “Combina o bem-estar dos ecossistemas com o das comunidades humanas” (Pérez, 2019, p. 14). É a contribuição do homem para conservar a natureza e gerar benefícios econômicos e sociais para o local. Está sustentado no argumento de que, para ser possível viabilizar empregos e renda, a geração de novos negócios e o desenvolvimento regional são fundamentais à existência e à manutenção de grandes áreas naturais bem conservadas, com a presença de espécies topo de cadeia (Pérez, 2019, p. 09). Trata-se da conservação e incentivo à expansão da natureza. Produzir a natureza é conservá-la e “adubá-la” para o seu próprio crescimento.

O conceito de Produção de Natureza faz sentido quando as áreas naturais (de propriedade pública, privada ou comunitária), com todas as suas espécies nativas e abundante vida silvestre, podem ser vistas com facilidade, atuando como espetáculos naturais que servem de base para uma indústria de ecoturismo que gera uma nova economia restaurativa, beneficiando as comunidades locais e promovendo o apoio popular para a manutenção em longo prazo dos próprios parques e da vida silvestre. Sob esta lógica, cria-se um círculo virtuoso que promove a resiliência ecológica, social e política dos ecossistemas naturais e das sociedades humanas que vivem dentro deles ou ao seu redor (Pérez, 2019, p. 42).

No Brasil, o projeto voltado à Produção de Natureza é coordenado pela Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem (SPVS) e Educação Ambiental, e denomina-se A Grande Reserva Mata Atlântica. Segundo o Coordenador da Grande Reserva Mata Atlântica, o projeto também teve participação de Ignacio Jiménez Pérez, o qual batizou o projeto, que possui como objetivo o aumento da visibilidade e da cooperação dos participantes; a retenção de turistas por mais tempo na região; a possibilidade de atração de fluxo internacional; a geração de renda; e a conservação da Mata Atlântica através da prática da Produção de Natureza. Constituindo-se no maior remanescente contínuo deste bioma em todo o mundo, com 2,2 milhões de hectares distribuídos por 50 municípios em três estados brasileiros (Santa Catarina, Paraná e São Paulo), seu uso como destino para o turismo de natureza garante a conservação da biodiversidade e a prevalência de culturas tradicionais na região (Borges et al., 2021). Trata-se de uma estratégia socioambiental voltada para a manutenção da organização socioeconômica local, por meio da oferta de produtos ambientais a serem consumidos de forma sustentável. Pode-se citar parques e reservas ambientais, felinos do topo da cadeia alimentar, complexos hídricos, a serem observados ou visitados por turistas, gerando receita para a localidade. “Trata-se de um conceito novo para traduzir ações que são realizadas há muito tempo. É a modernização do conceito de conservação da natureza” (Informante da Sociedade Civil Organizada).

O conceito de Produção de Natureza aponta que para ser possível viabilizar empregos e renda, geração de novos negócios e o desenvolvimento regional, são fundamentais a existência e a manutenção de grandes áreas naturais bem conservadas (Pérez, 2019). As discussões realizadas pela perspectiva da sustentabilidade sobre a influência do meio ambiente na economia, demostra que as iniciativas puramente econômicas tomadas de maneira geral não dão conta de promover produção de natureza. Neste caso, a economia ecológica auxilia na compreensão sobre as demandas da economia em relação às questões ambientais e vice-versa, à medida que aumenta a percepção da importância do meio ambiente para o andamento da economia. “A economia ecológica vai surgir porque cem anos de especialização da pesquisa científica deixaram o mundo incapaz de entender ou conduzir as interações entre os componentes humano e ambiental do planeta” (Cavalcanti, 2010, p. 58). A crescente percepção de que o sistema ecológico de sustentação da vida encontra-se cada vez mais ameaçado constitui, deveras, o ponto de partida da reflexão que deu origem formal à economia ecológica (Cavalcanti, 2010).

Nessa perspectiva, Produção de Natureza vem sendo discutida recentemente, como mais uma alternativa para a mudança da lógica natureza versus economia. Segundo Borges et al. (2021), o termo produção de natureza facilita um melhor entendimento de que dependemos dos serviços prestados pela natureza a partir de existência, conservação e uso de áreas naturais. Ainda, os autores apontam que abrir mão deste arcabouço de sustentação representa um comprometimento gradativo de nossa busca por melhorias de qualidade de vida, juntamente com condições adequadas para o desenvolvimento econômico. Para Borges et al. (2021) e Pérez (2019), há a necessidade de territórios protegidos, com toda sua biodiversidade. Seria a única maneira para se manter o funcionamento pleno da natureza. Esses espaços, ao contrário do que infere rotineiramente a maioria das pessoas, são áreas de intensa produção. E quanto melhor o nível de proteção presente, mais abundante e qualificada a geração de insumos básicos para garantir nossa sobrevivência (Borges et al., 2020).

METODOLOGIA

O objetivo geral deste estudo é analisar a Produção de Natureza como base para o desenvolvimento do Turismo Sustentável em Nova Rússia, Blumenau (SC). Quanto à configuração metodológica, esta pesquisa é caracterizada como aplicada. Em relação à abordagem do problema, trata-se de uma pesquisa qualitativa e, sobre a realização dos objetivos, é tratada como uma pesquisa exploratória. Os procedimentos utilizados para a coleta de dados incluem pesquisa bibliográfica, bibliométrica e documental, realização de entrevistas semiestruturadas, observação participante e estudo de caso.

A análise e interpretação de dados são conduzidas por meio da apreciação das entrevistas, das observações realizadas e dos conteúdos levantados nas pesquisas bibliográfica e bibliométrica. Dencker (1998, p. 159) sugere que o propósito da análise seja integrar as observações de modo coerente e estruturado, viabilizando a abordagem do problema de pesquisa e proporcionando uma compreensão mais abrangente dos dados reunidos, estabelecendo uma ligação entre esses dados e o conhecimento já existente.

Como método de análise, utiliza-se como referência a matriz analítica qualitativa de Busarello (2020) e seu refinamento apresentado no artigo de Reis, Raimondo Bairros, Sommer da Silva e Busarello (2022). Segundo os autores, após exaustiva revisão da literatura, a matriz foi refinada para servir como um roteiro operacional para a análise de dados. Neste estudo, foram consideradas as seguintes dimensões do desenvolvimento sustentável para a análise dos dados: ambiental, política, econômica, social e cultural, cada uma delas subdividida em critérios de análise, totalizando mais de 30 aspectos analisados.

No que tange à pesquisa documental para este estudo, foram realizadas consultas ao Plano de Desenvolvimento Integrado do Turismo Sustentável da Nova Rússia (PDITS), sites do IBGE, da Grande Reserva da Mata Atlântica, do Instituto Parque das Nascentes (IPAN), do Ecomuseu Dr. Agobar Fagundes, do Instituto Mudança que Queremos (IAMUQUE), das prefeituras municipais de Antonina, Morretes e Blumenau. As consultas aos sites e documentos foram importantes para o planejamento das entrevistas e observação participante, além de contribuir com o refinamento teórico e prático deste estudo.

Outra etapa para a construção desta investigação foi a realização de entrevistas. A escolha dos entrevistados ocorreu por meio da identificação dos principais atores envolvidos com o turismo sustentável e a conservação ambiental nos territórios investigados. O aspecto empírico desta pesquisa contou com entrevistados da Grande Reserva Mata Atlântica, Setor Serra do Mar Lagamar, Portal Graciosa, municípios de Antonina e Morretes localizados no Paraná e Nova Rússia (NR), localizada em Blumenau, Santa Catarina. As perguntas comuns giraram em torno dos seguintes assuntos: Turismo Sustentável e Turismo de Natureza. No entanto, levando em consideração o contexto de cada local, para os entrevistados da Grande Reserva Mata Atlântica, Setor Serra do Mar Lagamar, Portal Graciosa, Antonina e Morretes, além das perguntas comuns, foram realizadas indagações sobre Produção de Natureza. Já na Nova Rússia, além das perguntas comuns foram realizados questionamentos sobre o turismo em si da Nova Rússia e sobre o PDITS. Ainda que o público das entrevistas não conhecia o conceito de Produção de Natureza, fez-se a indagação sobre os desafios para conciliação entre as problemáticas econômica e ambiental. O público-alvo das entrevistas para ambas as localidades foi representante do poder público municipal: Secretaria de Turismo, representante da iniciativa privada do turismo e representante da sociedade civil organizada, totalizando oito entrevistas

Quadro 1
– Participantes da Pesquisa

Fonte: autoria própria (2023).

E para finalizar, este estudo contou com o método de observação participante, que, para Cruz Neto (2002), “A técnica de observação participante se realiza através do contato direto do pesquisador com o fenômeno observado para obter informações sobre a realidade dos atores sociais em seus próprios contextos” (Cruz Neto, 2002, p. 59-60). A observação participante desta pesquisa contou com observações realizadas na Nova Rússia, Blumenau (SC) e na Grande Reserva Mata Atlântica, Setor Serra do Mar Lagamar, Portal Graciosa, Antonina e Morretes (PR). A escolha pelos municípios de Antonina e Morretes se deu por serem os municípios pioneiros da aplicação do conceito de Produção de Natureza na rede de portais da Grande Reserva, possibilitando uma comparação efetiva com a Nova Rússia. As atividades de observação participante ocorreram entre novembro de 2019 e setembro de 2022.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

A Nova Rússia é uma comunidade localizada em Blumenau, Santa Catarina, no Bairro Progresso, conforme é possível observar na figura abaixo, que demonstra a localização de Blumenau e da Nova Rússia.


Figura 01
– Localização de Blumenau e da Nova Rússia
Fonte: Silva, 2023.

A realização do turismo na Nova Rússia é recente. Segundo os representantes da Secretaria de Turismo de Blumenau e da iniciativa privada do turismo da Nova Rússia, o turismo no local iniciou com a instalação dos primeiros Recantos Naturais na década de 1980 e passou a estabelecer princípios de governança a partir da criação da organização não governamental Nova Rússia Preservada. A Secretaria de Turismo de Blumenau aponta que “começou com os Recantos Naturais. Por volta de 2010 iniciou um projeto de desenvolvimento turístico com o apoio do SEBRAE. Depois do PDITS houve uma padronização. Fizeram uma visita ao caminho de Pedra no Rio Grande do Sul, sendo uma ação de benchmarking para diversificarem o produto turístico”. (Informante da iniciativa pública).

Com o valor paisagístico e cultural do local, investidores locais passaram a abrir, segundo Schmidt (2006), negócios de pesque-pague, recantos (espaço para atividades de lazer e serviços de alimentação), pousadas, comercialização de artesanato, hortaliças e produtos coloniais, bares e restaurantes. A comunidade é formada por pequenas propriedades que operam como sítios de segunda residência e algumas que atuam no setor primário com pequena produtividade de legumes, verduras, temperos e ervas, como também empreendimentos que atuam na prestação de serviços turísticos (Schmidt, 2006). O turismo se dá na Nova Rússia como uma oportunidade de geração de trabalho e renda, manutenção da população e conservação ambiental desta localidade.

A posição da Nova Rússia para o turismo de Blumenau está como um destino turístico com atrativos turísticos naturais, sendo referência até mesmo para o turismo regional e oferece ao turista: turismo de natureza, cultura, trilhas, gastronomia, banho de rio e cicloturismo (Informante da iniciativa pública). Para os informantes da iniciativa privada, a Nova Rússia oferece aos turistas natureza e lazer. E a sociedade civil organizada aponta que a Nova Rússia oferece ao turista: história, cultura, beleza natural e gastronomia.

Sobre o turismo sustentável, a iniciativa privada e sociedade civil apontam que é uma “possibilidade de manter como está sem destruir. O próprio negócio sustenta o local. O turismo é o que menos agride. Parque Nacional da Serra do Itajaí ainda é um grande potencial turístico” (Informante da iniciativa privada). “Respeito aos saberes e recursos locais” (Informante da sociedade civil organizada). “Turismo que não agride, que pensa as dimensões da sustentabilidade” (Informante da iniciativa pública).

Ainda, segundo o informante da iniciativa pública, a iniciativa privada e sociedade civil organizada apontaram que o turismo de natureza é um instrumento para preservar a natureza; fomentar o turismo sustentável e a preservação da Mata Atlântica; que engloba as atividades realizadas na natureza, sem agredi-la, de forma a usar os recursos naturais sem consumi-los e; respeito aos saberes e recursos locais.

Os entrevistados apontam que o papel do Turismo de Natureza para o desenvolvimento da Nova Rússia é de “gerar qualidade de vida para a população local e preservação. Trabalhar ações ambientais o ano inteiro para envolver o turista” (Informante da Iniciativa Privada); “desenvolvimento econômico da região, conservação e conscientização do turista” (Informante da iniciativa pública) e; “Quando o parque estiver melhor estruturado, a intenção não é instalar restaurante e hospedagem no parque, para deixar estes nichos para os demais empreendimentos” (Informante da sociedade civil organizada).

Os entrevistados apontam, a seguir, os desafios para conciliação entre as problemáticas econômica e ambiental: “Dependemos da natureza para sobreviver e ela depende de nós” (Informante da iniciativa privada); “Cultura - Trazer para o local a cultura do engajamento. Trabalhar ações ambientais o ano inteiro para envolver o turista. Vinda do IPAN para o Parque das Nascentes Plano de Manejo do Parque Nacional da Serra do Itajaí: estabeleceu a Nova Rússia como entrada principal do parque e as minas da prata acesso secundário, que foi fechada. Faltam ações para a população se apropriar do Parque da Serra do Itajaí” (Informante da iniciativa privada); “conscientização. Depois da pandemia mudou o perfil dos turistas. Pandemia levou as pessoas para o ar livre” (Informante da iniciativa pública); “é possível, a questão está em como fazer. Como fazer a via pública sem impacto visão multiprofissional. Nova Rússia deveria ter um conselho gestor do turismo. Começar pelas demandas mais fáceis. Quem sabe melhorar drenagem das estradas. Falta consciência ecológica dos turistas em geral” (Informante da sociedade civil organizada).

Quanto às iniciativas do poder público municipal voltadas ao Turismo Sustentável da Nova Rússia, a iniciativa privada e sociedade civil organizada apontam que são incipientes, focadas na manutenção da estrada e coordenação do PDITS. “Há a ideia de que não é o turismo da Nova Rússia que traz turistas para Blumenau, mas que Blumenau traz para Nova Rússia” (Informante da sociedade civil organizada). O informante da iniciativa pública diz que o poder público é “motivador, regulador integrador. Fomenta parceria com a SEMMAS – Secretaria Municipal do Meio Ambiente e Sustentabilidade para projetos de conscientização ambiental”.

Ainda, sobre o que o que o poder público está fazendo para preservar a Nova Rússia, a iniciativa privada aponta que “estão mantendo. Não sabemos, pois não somos envolvidos. Não estão agindo em relação às ocupações irregulares. Abre as portas para a irregularidade”. O informante da iniciativa pública relata que estão sendo realizadas ações de conscientização. A sociedade civil organizada destaca a importância da criação de duas unidades de conservação: Parque Municipal das Nascentes e Parque Nacional da Serra do Itajaí.

Já, quanto ao que a população está fazendo para preservar a Nova Rússia, a iniciativa privada diz que “moradores preservam cuidando do lixo. Preservam o local. Evitam o desmatamento e a caça. Fazendo o que está dentro do seu dia a dia, seguindo a legislação local”. A Secretaria de Turismo diz que “participam da coleta seletiva, das ações de limpeza do rio e monitoram a caça”. Por fim, o informante da sociedade civil organizada diz que “há caça pontual e a população não entende que esta ação também configura caça. Há esta preocupação de orientar os turistas quanto ao meio ambiente. Compreensão sobre a importância das unidades de conservação, alguns veem o parque como estorvo. Outros percebem a importância do parque para a qualidade e vida local”.

Dessa forma, o Turismo de Natureza contribui com o desenvolvimento sustentável da Nova Rússia, por meio da promoção de emprego e renda como também conservação da natureza. A partir da geração de emprego e renda há a propagação da qualidade de vida, além da manutenção, principalmente dos jovens, na localidade. Segundo os informantes da iniciativa pública e da iniciativa privada, o papel do Turismo de Natureza para o desenvolvimento da Nova Rússia está implicado em gerar qualidade de vida para a população local e conservação ambiental. Da mesma forma, apontaram que os desafios para conciliação entre as problemáticas econômica e ambiental devem ser superados por meio da compreensão de que dependemos da natureza para sobreviver e ela depende de nós e de trazer para o local a cultura do engajamento. Assim, a conservação da natureza ganha ainda mais relevância, pois a natureza é o principal atrativo da Nova Rússia que, quanto mais preservada, maior é o seu apelo cênico e turístico.

Na Nova Rússia, além de observações realizadas ao longo das entrevistas, também ocorreu observação e participação em eventos no local. Foi realizada observação participante na Nova Rússia, Blumenau, com o objetivo de acompanhar o Ultra Trail, evento ligado aos segmentos turísticos de aventura e de esportes, que visa a realizar corrida na natureza com distância de 4 km; 12 km; 25 km ou 50 km e contou com 430 participantes. Trata-se de um evento convergente ao Plano de Ação do Plano de Desenvolvimento do Turismo Sustentável da Nova Rússia que prevê a realização de eventos no local como estratégia de diversificação do produto turístico.

Foi realizada conversa com participantes e observadores do evento, que apontaram que o Ultra Trail contribuiu com a movimentação econômica do local, pois os meios de hospedagem estavam com 100% de ocupação e os restaurantes tiveram aumento de 20% de sua demanda. Ainda sob o ponto de vista ambiental, os organizadores e participantes do evento primam pelos princípios da sustentabilidade ambiental, ao ponto que é proibido jogar lixo ou realizar qualquer alteração na fauna e flora local, certos de que estas iniciativas visam a minimizar os impactos ambientais, mesmo que mínimos, da referida corrida. Quanto ao aspecto social, percebeu-se que a mão de obra do evento não era local, pois se entende que não há qualificação local para a realização do evento.

De acordo com a conversa com os organizadores, além de uma iniciativa esportiva, o evento promove a Nova Rússia como um destino turístico. Os corredores, geralmente, são acompanhados por membros da família, o que motiva futuras visitas ao local. Além disso, há preocupação com a sustentabilidade, pois a corrida ocorreu na estrada da Nova Rússia com recolhimento dos resíduos gerados pelos corredores. Observou-se a desarticulação com outros empreendimentos turísticos, um inclusive estava fechado e a problemática da infraestrutura pública, já que os carros estavam estacionados ao longo da via, o que prejudicou a circulação local. Percebe-se que a organização de eventos como esse se dá por meio de iniciativas pontuais, sem a articulação de uma associação representativa com vistas a organizar o turismo local, potencializando a governança e a cooperação.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O estudo e prática do desenvolvimento tornam-se desafiadores a cada momento do contexto social. Seja pela complexidade da relação entre os interesses e necessidades da sociedade ou pelos novos padrões de comportamento ditados pela ordem econômica, o desenvolvimento vem sendo alvo de críticas pela dificuldade de renunciar à retórica e gerar desdobramentos factíveis no tecido social. O desenvolvimento foi e, por vezes, continua visto como uma consequência do crescimento econômico, que para um período da história serviu para apresentar certas respostas. No entanto, o que está estabelecido como padrão de desenvolvimento alicerçado na ordem econômica não vem dando conta para resolução de problemas que dizem respeito às dimensões política, ambiental, social, cultural e até econômica.

Dessa forma, emerge o desenvolvimento sustentável como uma alternativa de abarcar no contexto do desenvolvimento outras dimensões que dialogam entre si e que dispõe da ordem econômica como mais um elemento de projeção do desenvolvimento. Sachs (2000), ao longo de seus estudos e publicações sobre desenvolvimento sustentável, aponta que, para assegurá-lo, é importante compreender e aplicar as seguintes dimensões: ambiental, política, econômica, social e cultural.

Ao olhar para a natureza como um ativo econômico do qual ela em pé vale mais do que derrubada, Jiménez Pérez (2019) apresenta o conceito de Produção de Natureza, que dialoga com as dimensões do desenvolvimento sustentável. Produção de Natureza compreende conservação ambiental para manutenção da biodiversidade, da qualidade de vida, da geração de divisas e da manutenção do tecido social e costumes locais. Esses elementos, quando estruturados e apropriados pelo poder público, iniciativa privada e sociedade geram resultados significativos, promovendo, na prática, o desenvolvimento. Nesse sentido, este estudo avança ao considerar que o turismo sustentável é uma alternativa, que associada a outras, de acordo com a dinâmica social local, contribui com a aplicabilidade do desenvolvimento sustentável e da Produção de Natureza.

Diante disso, este estudo cumpre com o objetivo de analisar a Produção de Natureza como base para o desenvolvimento do turismo sustentável. A pesquisa bibliométrica revelou o ineditismo do tema desta pesquisa, pois, por meio de publicações importantes e recentes, percebeu-se que ainda há uma carência de estudos, conforme o levantamento feito sobre estudos de Produção de Natureza. Dessa forma, este estudo avança ao identificar papel estratégico do turismo sustentável para a garantia da sustentabilidade dos destinos turísticos, além da importância da conservação ambiental e manutenção da composição social e cultural para o desenvolvimento local.

Percebe-se que a Nova Rússia apresenta elementos característicos de Produção de Natureza como conservação ambiental, percepção da natureza como ativo econômico e princípios de organização social, que bem articulados podem caracterizar, de fato, uma localidade que realiza a Produção de Natureza (Pérez, 2019). É uma questão que dialogada entre o poder público, iniciativa privada e sociedade para levantamento das oportunidades e responsabilidades pode conceber na prática a Produção de Natureza. Para tanto, este estudo propôs diretrizes para a consolidação do desenvolvimento do turismo sustentável da Nova Rússia, levando em consideração as dimensões do desenvolvimento sustentável, que podem servir como indicadores para o fomento do turismo sustentável e Produção de Natureza na Nova Rússia.

Nas diretrizes que compuseram as dimensões do desenvolvimento sustentável da Nova Rússia, tem-se um importante instrumento de planejamento turístico e de fomento à Produção de Natureza. A dimensão ambiental apontou que a Nova Rússia tem no turismo de natureza o seu segmento de referência e que há pontos que merecem atenção do poder público, iniciativa privada e sociedade, que giram em torno da conservação da biodiversidade local alinhada às estratégias de promoção da infraestrutura básica e turística. A dimensão política apontou para um contexto de estímulo ao engajamento e governança local pelo fomento da instância de governança e políticas públicas de turismo que potencializem o protagonismo dos atores sociais, no que diz respeito aos seus direitos e responsabilidades com o turismo sustentável da Nova Rússia. A dimensão econômica marcou o papel do empreendedorismo para o reconhecimento da natureza como um ativo econômico, diversificação da oferta turística e geração de emprego e renda. A dimensão social destacou ações para a qualidade de vida, seja dos moradores ou turistas do local ao projetar iniciativas que remetam a melhoria de renda, qualidade do ar, segurança e transporte. Por fim, a dimensão cultural chamou atenção para a identidade local e valorização do patrimônio cultural material e imaterial.

A contribuição teórica desta pesquisa se dá no sentido de fomentar o conhecimento, discussões e reflexões acerca da Produção de Natureza e conectá-la a outros temas de demandas apresentadas pelo desenvolvimento sustentável, seja pela ordem ambiental, política, econômica social ou cultural. Com destaque para o seu ineditismo, percebeu-se que a relação entre Produção de Natureza, desenvolvimento e turismo sustentável é profícua para a realização de outros estudos com aportes empíricos de aplicação da matriz analítica qualitativa. Ainda, visa a destacar a Nova Rússia sob os olhos do poder público, iniciativa privada e sociedade no reconhecimento do seu valor paisagístico, ambiental e cultural, com vistas de que este local possui características que podem conceber, na prática, a Produção de Natureza.

A Nova Rússia, uma comunidade rural de Blumenau, historicamente envolvida em ciclos de exploração mineral e madeireira no início do século XX, atualmente tem sua economia baseada no turismo e serviços, impulsionados pelo valor cênico da região. Com atrativos naturais e culturais, a área atrai turistas para seus balneários e paisagens, com destaque para o turismo de natureza como segmento central. Esse tipo de turismo oferece benefícios ambientais e econômicos, sendo a comunidade local ativa na conservação ambiental e na conscientização dos visitantes. A Nova Rússia desenvolveu iniciativas voltadas para a Produção de Natureza e turismo sustentável, estimuladas por uma cultura empreendedora e ações de preservação ambiental.

Dada a riqueza natural da região, o turismo de natureza é visto como prioritário, e o potencial da biodiversidade local abre possibilidades para o desenvolvimento de novos produtos turísticos, como cicloturismo, observação de fauna e flora, turismo científico, cultural e de aventura. Para sustentar essa expansão, é essencial conservar a biodiversidade, estudar a capacidade de carga turística, prevenir a caça, melhorar o saneamento básico, monitorar eventos de grande escala, aprimorar a infraestrutura turística e promover políticas públicas e produtos turísticos sustentáveis.

Na dimensão política, a participação da população, do setor privado e do poder público nas ações de conservação e desenvolvimento é significativa, embora a presença do poder público ainda seja limitada. A comunidade demanda melhorias na infraestrutura básica e turística, necessárias para maximizar o potencial turístico da Nova Rússia. Recomenda-se a estruturação da governança local do turismo, o aumento dos investimentos públicos e privados, a promoção de políticas públicas de turismo, o aprimoramento da gestão pública e a qualificação da legislação relacionada ao turismo.

Economicamente, o turismo apresenta uma oportunidade crucial para melhorar a renda da comunidade, que é baixa. O turismo de natureza, ainda pouco explorado como ativo econômico, oferece diversas oportunidades para diversificação da oferta turística. Socialmente, o turismo sustentável exige atenção ao bem-estar dos moradores e turistas, especialmente considerando os desafios de sazonalidade. Culturalmente, a Nova Rússia possui elementos valiosos, como o artesanato local e o Ecomuseu Dr. Agobar Fagundes, que integra natureza e cultura, sendo recomendada sua valorização e preservação.

Este estudo apresenta algumas limitações que sugerem direções para futuras pesquisas. O foco geográfico restrito à Nova Rússia pode limitar a generalização dos resultados. Deve-se expandir a análise para outras regiões com características distintas e integrar métodos quantitativos para complementar e robustecer os achados. Além disso, a pesquisa concentrou-se nas percepções de representantes do poder público, da iniciativa privada e da sociedade civil organizada, deixando de fora outros stakeholders relevantes, como turistas e comunidades indígenas. Incluir esses grupos em futuras investigações poderia proporcionar uma visão mais abrangente das dinâmicas do turismo sustentável. A ausência de dados longitudinais também é uma limitação, pois este estudo oferece apenas uma visão instantânea das práticas de Produção de Natureza e turismo sustentável.

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Notas
Notas
DISPONIBILIDADE DOS DADOS: Os dados de pesquisa estão no corpo do documento.
CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORE Clóvis Reis: Concepção da pesquisa e Metodologia.

Rodrigo Borsatto Sommer da Silva: Concepção da pesquisa, revisão da literatura, análise dos dados e discussão dos resultados.

Editor convidado: Tércio Pereira
Editora de Seção: Fabiana Roeder
Quadro 1
– Participantes da Pesquisa

Fonte: autoria própria (2023).

Figura 01
– Localização de Blumenau e da Nova Rússia
Fonte: Silva, 2023.
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