ARTICULO CIENTIFICO
Recepción: 20 Mayo 2025
Aprobación: 03 Noviembre 2025
DOI: https://doi.org/10.14210/tva.v27.21074
Resumo:
Objetivo – Este estudo analisa criticamente as conexões estabelecidas entre o turismo sexual e a “síndrome do turista”, proposta por Zygmunt Bauman, destacando interseções e refletindo sobre implicações no campo do turismo contemporâneo.
Desenho/metodologia/abordagem – Foi adotado um viés exploratório-descritivo, de abordagem qualitativa e interpretativista. Empregou-se como técnica a pesquisa bibliográfica, com seleção criteriosa de artigos científicos em bases internacionais (Web of Science), priorizando os mais citados e recentes, além de obras de referência de Bauman. A análise concentrou-se em categorias como transitoriedade, consumo de sensações, anonimato e alteridade, possibilitando correlações entre o fenômeno social comumente denominado turismo sexual (construto discursivo criticamente problematizado no texto) e a “síndrome do turista”.
Resultados – Os achados revelam que ambos os conceitos compartilham elementos estruturantes, como: efemeridade das relações, mercantilização de corpos e lugares, desigualdade social e fragilização da alteridade. O cruzamento das categorias evidenciou que a lógica de consumo da modernidade líquida sustenta tanto a superficialidade dos vínculos turísticos quanto práticas de exploração sexual.
Implicações práticas – Os resultados ampliam o debate sobre políticas públicas, regulação e prevenção da exploração sexual no turismo, especialmente no enfrentamento de crimes como tráfico de pessoas e exploração de crianças e adolescentes. Também oferecem subsídios iniciais para formulação de estratégias voltadas à promoção de um turismo ético e responsável em relação às culturas locais.
Originalidade/valor – O artigo avança ao utilizar a “síndrome do turista” como lente teórica inédita para compreender criticamente o que se convencionou tratar como turismo sexual, deslocando o debate além das explicações tradicionais e propondo novas perspectivas para o turismo crítico.
Limitações da pesquisa – A ausência de dados empíricos restringe a generalização dos resultados, embora não comprometa sua relevância analítica. Recomenda-se que pesquisas futuras integrem abordagens empíricas e comparativas.
Palavras-chave: Crítica ao Turismo, Exploração Sexual no Contexto do Turismo, Modernidade Líquida, Síndrome do Turista, Turismo Sexual.
Abstract:
Purpose – This study offers a critical analysis of the connections between sex tourism and the “tourist syndrome” proposed by Zygmunt Bauman, highlighting conceptual intersections and reflecting on their implications for contemporary tourism.
Design/methodology/approach – The research adopts an exploratory-descriptive design with a qualitative, interpretivist approach was adopted. A bibliographic research method was employed, involving a selective review of scientific articles from international databases (Web of Science), prioritizing the most cited and recent publications, as well as key works by Bauman. The analysis focused on categories such as transience, consumption of sensations, anonymity, and otherness, enabling correlations between the social phenomenon commonly referred to as sex tourism (a discursive construct critically problematized in this study) and the “tourist syndrome.”
Findings – The results reveal that both concepts share structural elements, including the ephemerality of relationships, commodification of bodies and places, social inequality, and the erosion of otherness. Cross-analysis showed that the consumption logic of liquid modernity sustains both the superficiality of tourist bonds and practices of sexual exploitation.
Practical implications – The findings contribute to broader debates on public policy, regulation, and prevention of sexual exploitation in tourism, and the prevention of crimes such as human trafficking and exploitation of children and adolescents. They also provide initial support for strategies promoting ethically and culturally responsible tourism.
Originality/value – The article advances the use of the “tourist syndrome” as an innovative theoretical lens for critically examining what has conventionally been termed sex tourism, extending the debate beyond traditional explanations and proposing new perspectives for critical tourism studies.
Research limitations – The absence of empirical data limits the generalizability of the findings, though not their analytical relevance. Future studies are recommended that integrate broad and comparative empirical approaches.
Keywords: Liquid Modernity, Sexual Exploitation in Tourism, Sex Tourism, Tourism Critique, Tourist Syndrome.
Resumen:
Objetivo: este estudio analiza críticamente las relaciones establecidas entre el turismo sexual y el “síndrome del turista” propuesto por Zygmunt Bauman, destacando los cruces y reflexionando sobre sus implicaciones en el campo del turismo contemporáneo.
Diseño/metodología/enfoque: se adoptó un enfoque exploratorio-descriptivo de abordaje cualitativo e interpretativo. Se empleó como técnica la investigación bibliográfica, con una selección cuidadosa de artículos científicos en bases internacionales (Web of Science), dando prioridad a los más citados y recientes, además de obras de referencia de Bauman. El análisis se centró en categorías como transitoriedad, consumo de sensaciones, anonimato y alteridad, lo que permitió establecer correlaciones entre el fenómeno social comúnmente denominado turismo sexual (constructo discursivo críticamente problematizado en el texto) y el “síndrome del turista”.
Resultados: los hallazgos revelan que ambos conceptos comparten elementos estructurantes, como la efímera naturaleza de las relaciones, la mercantilización de los cuerpos y los lugares, la desigualdad social y la fragilización de la alteridad. El cruce de categorías puso de manifiesto que la lógica de consumo de la modernidad líquida sustenta tanto la superficialidad de los vínculos turísticos como las prácticas de explotación sexual.
Implicaciones prácticas: los resultados amplían el debate sobre las políticas públicas, la regulación y la prevención de la explotación sexual en el turismo, especialmente en la lucha contra delitos como la trata de personas y la explotación de niños y adolescentes. También ofrecen apoyo inicial para la formulación de estrategias destinadas a promover un turismo ético y responsable en relación con las culturas locales.
Originalidad/valor: el artículo avanza al utilizar el “síndrome del turista” como una lente teórica inédita para comprender críticamente lo que se ha acordado en llamar turismo sexual, desplazando el debate más allá de las explicaciones tradicionales y proponiendo nuevas perspectivas para el turismo crítico.
Limitaciones de la investigación: la ausencia de datos empíricos limita la generalización de los resultados, aunque no compromete su relevancia analítica. Se recomienda que futuras investigaciones integren enfoques empíricos y comparativos.
Palabras clave: Crítica al Turismo, Explotación Sexual en el Contexto del Turismo, Modernidad Líquida, Síndrome del Turista, Turismo Sexual.
INTRODUÇÃO
O encontro com o diferente, com o outro ou com o que antes era apenas imaginado marca substancialmente a prática do turismo. Embora as motivações para viajar sejam diversas, o contato com o inabitual é um elemento constante (Gabrielli, 2011). Essa particularidade estimula os turistas a se permitirem vivenciar o novo, com o que contraste com a dinâmica de seu cotidiano (Uriely, 2005).
O primeiro contato entre visitantes e anfitriões já estabelece as bases para as possíveis relações futuras. Camargo (2021) afirma que esse momento inicial ocorre a partir de uma “hospitalidade neutra”, definida como interações desprovidas de envolvimento pessoal. Essa neutralidade primária pode evoluir em duas direções distintas: quando a interação é bem-sucedida, pautada pela urbanidade e hospitalidade, tende a gerar laços empáticos e respeitosos. Por outro lado, um encontro marcado pela inospitalidade ou hostilidade pode transformar a potencial empatia e o respeito em indiferença ou até mesmo em aversão.
Essa dinâmica relacional pode ser compreendida à luz da modernidade líquida, conceito do sociólogo Zygmunt Bauman. Para Bauman (2001), a modernidade líquida caracteriza a reação da sociedade contemporânea a mudanças constantes, promovendo relações sociais, econômicas e culturais fluídas e instáveis, divergindo da noção de relações harmoniosas e isentas de pressões.
Em grandes centros urbanos, cada vez mais, nota-se um movimento crescente de turistas com menor interesse em criar vínculos com os moradores, restringindo o contato à prestação de serviços (formal ou informal). Em alguns casos, prefere-se inclusive o serviço de robôs, indicando certo retraimento social (Hou, Zhang, & Li, 2021).
Bauman conceitua esse desinteresse pelo outro como a “síndrome do turista”. De forma geral, refere-se à indiferença individual e à superficialidade dos vínculos, metáfora que descreve vínculos frágeis e descompromissados no contexto das viagens, conforme será aprofundado neste estudo (Franklin, 2003).
Essa postura de desapego e busca por prazeres imediatos aproxima-se de outras dinâmicas que atravessam o turismo, como aquelas associadas ao fenômeno social comumente conhecido como turismo sexual. Nesse contexto, a superficialidade das relações, centrada em satisfação e subjetividades (que, por vezes, podem ter caráter criminoso), impede a reflexão sobre as implicações nas comunidades visitadas, frequentemente em situação de vulnerabilidade social.
Diante do exposto, o objetivo desta pesquisa é analisar as conexões estabelecidas entre as particularidades que caracterizam a prática do turismo sexual e o conceito da “síndrome do turista” proposto por Zygmunt Bauman, destacando suas principais correlações.
A relevância teórica reside na análise das nuances do turismo sexual sob a perspectiva do conceito “síndrome do turista”, visando a uma compreensão crítica de suas implicações no turismo contemporâneo. Compreender o ser humano por meio de suas motivações e experiências de viagem, explorando como estas determinam sua vida e comportamento, são questões relevantes que demandam estudo (Figueiredo & Van de Meene Ruschmann, 2004).
Avalia-se, também, que a leitura do turismo sexual a partir do arcabouço conceitual da “síndrome do turista” pode oferecer novas perspectivas, sobretudo, por considerar a modernidade líquida como um vetor que impacta a teoria e a prática do turismo.
No âmbito social, o estudo destaca-se pela relevância do debate sobre a prevenção de crimes sexuais articulados à prática do turismo sexual, como é o caso da exploração sexual de crianças e adolescentes, do tráfico de pessoas, entre outros. Assim, a organização deste estudo contempla: introdução, revisão teórica, percurso metodológico, apresentação e discussão dos resultados e, por último, as considerações finais.
REVISÃO TEÓRICA
Turismo Sexual em Análise
Compreender o turismo como um fenômeno social complexo (Santos, 2007) permite qualificá-lo como um canal articulador entre turistas e moradores locais. E diante das múltiplas oportunidades de interações, o encontro sexual destaca-se como possibilidade.
Vale destacar, de início, que este estudo aborda a prática do sexo como um processo biológico, natural e essencial na vida dos indivíduos. Validando-a como possibilidade de “interações afetivo-sexuais” (Trindade, 2009, p. 29) entre parceiros durante suas viagens ou entre turistas e desconhecidos (sejam outros turistas ou residentes), desde que haja consentimento mútuo entre adultos emancipados.
É importante sublinhar também que, em vários países, encontros sexuais mediados por pagamento são legais (Rossetto Ferreira, 2008). No Brasil, a prostituição é reconhecida como profissão desde 2002 e integra a Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) com o código 5198-05, vinculada ao Ministério do Trabalho (Brasil, 2023). No entanto, não se trata de um reconhecimento absoluto, visto que o Código Penal Brasileiro, artigo 230, considera como crime o rufianismo, definido como “tirar proveito da prostituição alheia, participando diretamente de seus lucros ou fazendo-se sustentar, no todo ou em parte, por quem a exerça” (Brasil, 2024).
Nesse sentido, é imperativo distinguir as diferentes camadas que compõem o fenômeno do turismo sexual. A prostituição entre adultos, quando exercida de forma consentida e autônoma, não constitui crime no Brasil e pode ocorrer em distintos contextos, inclusive no âmbito do turismo. Já a exploração sexual de crianças e adolescentes, o tráfico de pessoas e outras práticas baseadas em coerção configuram graves violações de direitos humanos, caracterizando crimes previstos na legislação brasileira e passíveis de punição.
No campo jurídico, a legislação brasileira tem avançado nessa pauta. A Lei n. 15.073, de 26 de dezembro de 2024, que altera a Lei n. 11.771, de 17 de setembro de 2008 (Lei Geral do Turismo), estabelece sanções específicas para prestadores de serviços turísticos que facilitem ou se envolvam em práticas relacionadas ao turismo sexual, reforçando a centralidade da proteção integral de direitos humanos e o compromisso do Estado brasileiro em coibir tais violações.
Diante desse aparato conceitual e legal, torna-se evidente que não há equivalência entre prostituição consentida e exploração sexual. A primeira, ainda que envolva debates sobre estigmatização e regulação, não é considerada crime quando praticada sem intermediação de terceiros. A segunda, por sua vez, caracteriza-se como grave violação de direitos humanos e encontra tipificação criminal na legislação brasileira.
Nota-se que, diante desses cenários, surgem críticas e normas coercitivas em resposta à práxis dos encontros sexuais, que migra de uma condição espontânea para situações de domínio, poder, exploração e violência. Piscitelli (2006, p. 213) fala que:
A sexualização que torna populações das comunidades receptoras alvo de consumo sexual no marco do turismo, sobretudo mulheres e crianças que corporificam etnicidades e cores inferiorizadas, expressa apenas uma diferença no estilo de estratégias de subordinação e no grau de exploração dos seres consumidos.
Feitas as devidas ressalvas, informa-se que não há consenso sobre o conceito e a origem histórica da prática do turismo sexual. No entanto, autores estrangeiros e nacionais identificam contextos que contribuíram para a definição e o surgimento desse fenômeno. Desde 1995, o turismo sexual tem gerado preocupações. Durante a 11ª reunião da Assembleia Geral da Organização Mundial do Turismo (OMT, 1995), principal organização internacional do setor, já se manifestava certa inquietação quanto à constância de práticas de turismo sexual estruturadas.
Essa estruturação e proximidade com um turismo amparado pelo Estado, acaba produzindo conflitos para comunidades locais e para o próprio turismo legalizado, como: (a) impacto negativo na imagem do turismo e do destino, (b) exploração e violação de direitos humanos, (c) propagação de doenças sexualmente transmissíveis, (d) estigmatização da comunidade local, dentre outros cenários que perpetuam ciclos de violência contra grupos mais vulneráveis (Jeong & Lee, 2023).
Para Do Bem (2005, p. 9), o turismo sexual, longe de ser considerado um segmento turístico com apoio ministerial e articulado legalmente com uma cadeia produtiva para atender a diferentes demandas, trata-se de “uma perniciosa deformação do turismo”, o que indica a precedência de problemas sociais desafiadores.
De fato, ao analisar o cenário nacional, observa-se que considerar o turismo sexual como um segmento legalizado leva à ideia equivocada de que haveria um setor formalizado para a venda de encontros sexuais no turismo, com reconhecimento e estruturação oficial pelo Estado — hipótese que configuraria crime à luz do Código Penal Brasileiro. Além disso, não existem empresas de serviços sexuais registradas no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (CADASTUR) autorizadas a atuar no setor turístico (Brasil, 2023).
Para Jeffreys (2003), o turismo sexual é um fenômeno marcado por sujeitos (homens e mulheres) que viajam para destinos turísticos com a intenção de praticar atividades sexuais. E esta motivação não se limita ao sexo comercial, podendo incluir também a busca por interações sexuais com outros turistas e/ou moradores locais.
Refletindo sobre uma possível origem histórica, Piscitelli (2015) aponta que o termo turismo sexual emergiu em pesquisas sobre o Sudoeste Asiático (Tailândia, Coreia do Sul e Filipinas), na década de 1950, e passou a ser delineado na interseção entre o turismo de massa e a prostituição.
Durante esse período, o turismo sexual contava com o suporte de infraestruturas como rede de hotéis, cabarés, casas de massagem e bordéis, que prestavam serviços sexuais. Esse recorte restringia qualquer possibilidade de conexão com a cultura ou a comunidade local que não fosse mediada pelo sexo (Clift & Carter, 2000).
Na Tailândia, especificamente, durante a guerra entre a Coreia, Indochina e Vietnã, o turismo sexual se consolidava com a presença de soldados estadunidenses, que movimentavam o mercado sexual. Mas foi somente no pós-guerra que a infraestrutura turística da Tailândia se especializou visando a atender à crescente demanda (Enloe, 1989).
Com isso, o Leste e o Sudoeste da Ásia destacavam-se como importantes destinos de turismo sexual para homens ocidentais, brancos e heteronormativos, que viam as mulheres asiáticas como sinônimos de mercadoria exótica e promiscuidade, eliminando qualquer envolvimento além do sexual (Mullings, 1999).
Nos países do Caribe e na região Nordeste do Brasil, a prática do turismo sexual emergiu a partir de 1990 de maneira não organizada, em contraste com a situação nos países asiáticos (Ramos, 2017). A chegada do turismo sexual no Caribe e no Brasil ocorreu diante de uma expansão do mercado em países como Tailândia e Filipinas (Piscitelli, 2015).
À medida que os turistas procuravam novos destinos, o Caribe e o Brasil destacaram-se por sua cultura vibrante e pela percepção de uma predisposição para encontros sexuais. Além disso, esses locais eram vistos como menos massificados em comparação aos destinos asiáticos, oferecendo experiências ainda mais personalizadas. Esse contexto contribuiu para a imagem desses destinos como “parques de diversão sexual” (Bandyopadhyay, 2013).
De acordo com Nascimento (2020) e Rossetto Ferreira (2008), os estereótipos associados ao Brasil se intensificaram ao longo do tempo devido a diversos fatores, dentre eles: (a) a promoção governamental, através da Embratur e suas campanhas que destacavam mulheres , praias, carnaval e samba, reforçando imaginários de um país sensual/sexual; (b) a influência da mídia, que apresenta o Brasil como um lugar de beleza exótica, paixão e desinibição, reforçando a ideia de permissividade; (c) o impacto da comunicação política, com recentes declarações estereotipadas de líderes políticos, que sugeriram encontros sexuais no contexto do turismo; e (d) as representações culturais brasileiras, quase sempre associadas a uma vida boêmia vibrante, muita música e dança.
Ainda refletindo sobre o Brasil, é possível resgatar o contexto dos investimentos em infraestrutura básica e turística na região Nordeste durante as décadas de 1990-2000, no âmbito do Programa de Desenvolvimento do Turismo (PRODETUR). Esses investimentos visavam a preparar a região para receber melhor o fluxo internacional de turistas, reforçando a ideia de que o turismo poderia ser uma “tábua de salvação” para a situação econômica periférica do Nordeste brasileiro (Barbosa & Coriolano, 2015). Considerando o uso compartilhado dessas estruturas e o contexto externo, observa-se o crescimento do turismo sexual em paralelo ao desenvolvimento da atividade turística na região.
Entre as diferentes abordagens, sobressai a perspectiva que considera o turismo sexual como reflexo de uma postura colonial. Homens brancos, ocidentais e aventureiros, em busca de viagens eróticas para satisfazer seus desejos, deslocam-se para regiões vulneráveis do sul global para explorá-las (Piscitelli, 2015). Nota-se que a pobreza e as desigualdades sociais desempenham papéis centrais na captação de fluxos de turistas do norte para o sul do globo (Hall & Ryan, 2005).
Para Ouriques (2005), o turismo sexual reflete uma lógica colonial contemporânea. Entende-se que a exploração econômica e o imaginário associado aos destinos perpetuam desigualdades e relações de dependência entre os sujeitos. Nesse contexto, o turismo sexual surge como um desdobramento das práticas de fetichismo e exploração do período colonial, com a comodificação e a mercantilização dos destinos e das experiências turísticas se intensificando ao longo do tempo.
Por todo o exposto, nota-se que o turismo sexual resulta da convergência de vários fatores: (a) baixo nível de desenvolvimento socioeconômico dos destinos escolhidos , (b) vantagem cambial em relação à moeda local, (c) presença de características naturais favoráveis, como clima quente, vegetação e litoral exuberante, (d) condições adequadas de infraestrutura e segurança, (e) imagem sexualizada da população nativa, e (f) existência de uma demanda internacional – seja ocasional ou forjada (Ramos, 2017; Bandyopadhyay, 2013; Jeffreys, 2003).
Compreende-se que o turismo sexual envolve uma mescla de camadas que exigem uma análise crítica e a formação de um posicionamento firme sobre as dinâmicas de exploração e consumo que o sustentam. Nota-se uma demanda de revisão e definição de normas e políticas públicas que busquem assegurar o respeito aos direitos humanos e a promoção de práticas responsáveis.
A Síndrome do Turista e a Dinâmica da Modernidade Fluida
A pós-modernidade, tratada por Zygmunt Bauman também como “modernidade líquida”, teria surgido na segunda metade do século XX, com a terceira revolução industrial. Esse período testemunhou a expansão de complexos industriais, empresas multinacionais e setores como informação e automação, que passaram a priorizar mão de obra especializada, em comparação com a modernidade anterior.
Nesse contexto, a dinâmica social começou a valorizar a flexibilidade em vez da rigidez, abrindo espaço para uma diversidade de opções e pluralidades. O autor argumenta que, sob a globalização e tendo o neoliberalismo como ideologia, a sociedade não é mais assegurada pelo Estado, mas depende de forças que não governam ou não comandam diretamente e que não assumem responsabilidades formais.
Nessa lógica, o turismo se revela como um fenômeno social organizado e voltado para o consumo temporário. De acordo com Figueiredo e Van de Meene Ruschmann (2004), o turismo constitui uma forma de viagem característica da modernidade, desempenhando papel de destaque na compreensão da sociedade contemporânea.
Representando um fenômeno e uma prática distintiva, a expressão “modernidade líquida”, como proposta por Bauman, utiliza as características do turismo para metaforizar a vida social atual. Ao falar dos “turistas” e do “turismo” como metáforas da vida contemporânea, o autor ressalta aspectos da condição ou experiência turística – como estar temporariamente em um lugar e conhecê-lo, sem pertencer a ele e sem se enraizar na vida local “para o bem ou para o mal” (Bauman, 2003, p. 4).
Nesse cenário, as interações sociais são caracterizadas pela superficialidade nos vínculos com outras pessoas, com o espaço, o local e o destino. Segundo o escritor, essas dinâmicas se manifestam no dia a dia, não apenas durante férias ou em áreas turísticas. Ele sugere que esses comportamentos refletem a condição do sujeito pós-moderno. Nessas relações predomina o conhecimento sem um comprometimento profundo, sem a formação de laços afetivos que envolvam responsabilidades ou um sentimento de pertencimento ao lugar e às pessoas. Sobre esses aspectos da vida contemporânea que Zygmunt Bauman estabelece um paralelo com a chamada “síndrome do turista”.
No artigo intitulado “A síndrome do turista: uma entrevista com Zygmunt Bauman”, o pesquisador Adriano Franklin (2003) explora como o trabalho do sociólogo, que aborda temas como globalização, modernidade líquida, espaço, hospitalidade e consumismo, influencia os estudos do turismo e propõe um conceito a ser analisado. Com base na entrevista, o autor afirma que a noção de transitoriedade está profundamente enraizada no modo de ser e nas atitudes das pessoas na contemporaneidade.
Isso contrasta com a era moderna, quando havia uma sensação de segurança proveniente da estabilidade e rigidez do sistema social da época. Corrobora, ainda, que naquele período as pessoas sentiam um forte senso de pertencimento ao lugar e tinham a certeza de que, se viajassem, retornariam. Por isso, encontravam maneiras de conviver harmoniosamente em grupo, estabelecendo acordos mútuos e criando regras, mesmo que inconscientemente. Para o sociólogo, normas e leis são fundamentais apenas se forem permanentes.
Se não for durável nem presumido que seja, você simplesmente tropeça de um episódio para outro e cria as regras à medida que avança, sempre ad hoc, regras locais com apenas uma vida de borboleta – como fazem os turistas. . . Tal frouxidão de apego – ser em mas não de o lugar – faz do turismo uma metáfora certeira e pertinente para a vida contemporânea (Bauman, 2003, p. 4).
Portanto, o turista que está em um destino sente uma sensação de liberdade, acreditando que pode fazer o que quiser e que tudo lhe é permitido. As limitações que segue são estabelecidas por si próprio ao longo da sua jornada. “Ele não precisa ser nada, apenas passar pela experiência da viagem e assim compor sua vida societal” (Figueiredo & Van de Meene Ruschmann, 2004, p. 181). Como não há um vínculo duradouro e sabe que partirá em breve, não há razão para seguir estritamente o que está prescrito pelo local.
Por sua vez, outra peculiaridade da “síndrome do turista” é o que Bauman denomina de “comportamento de pastoreio”. Ele compara o comportamento dos turistas ao de ovelhas pastando em um prado. Reflete que, assim como os animais permanecem no pasto enquanto há comida e se movem para outro lugar quando o alimento se esgota, os turistas agem de maneira semelhante. “Os turistas têm uma ‘relação pura’ com o local que visitam – ‘puro’ significa que não tem outro propósito senão o consumo de sensações prazerosas e que uma vez que a satisfação diminui, ele murcha e desaparece” (Bauman, 2003, p. 5). Ou seja, quando eles obtêm o que buscavam, sejam experiências, novas sensações ou desejos satisfeitos, rapidamente procuram novos destinos para continuar experimentando novas sensações.
A partir do panorama discutido sobre a síndrome do turista, é possível analisar esse contexto sob a perspectiva do fenômeno do turismo e fazer uma analogia com algumas práticas associadas a essa atividade. Entre essas práticas, destaca-se o turismo sexual, que merece atenção especial por não ser amplamente abordado na literatura.
Ao estabelecer um paralelo entre os estudos de Zygmunt Bauman e a prática do turismo sexual, busca-se compreender a dinâmica que envolve as motivações, desejos e necessidades por trás dessas práticas. Essa análise sinaliza como tais comportamentos estão diretamente relacionados à modernidade líquida e suas implicações.
Na visão do sociólogo, os turistas não se preocupam em estabelecer relações profundas com os habitantes locais ou com o lugar que visitam. Eles são guiados pelos impulsos gerados pela sensação de liberdade que as experiências temporárias proporcionam. Suas motivações estão ligadas à satisfação de desejos imediatos; assim que alcançam seus objetivos, despedem-se do local sem considerar as possíveis consequências de suas ações.
E então não esqueçamos a fragilidade de relacionamentos que os turistas estabelecem onde quer que vão. Esta característica da “síndrome do turista” está intimamente ligada ao que discutimos antes: como eles são a priori temporários e reduzidos ao consumo de sensações (limitadas e em rápido encolhimento), o esforço para construir uma estrutura rígida e resistente de direitos e obrigações mútuos e regras de conduta mutuamente vinculativas é completamente redundante – uma perda de tempo e energia (Bauman, 2003, p. 5).
O autor argumenta que, como os desejos dos turistas estão centrados no consumo e na satisfação pessoal – dimensões internas pouco influenciadas por normas ou regulamentações externas –, esses indivíduos não demonstram preocupação em reconhecer ou cumprir direitos e deveres. Ademais, tendem a acreditar que sua estadia temporária terá impacto irrelevante no cotidiano dos residentes, o que os leva a considerar desnecessário o esforço de adaptação às regras locais.
Outro ponto interessante pautado pelo filósofo é a conexão entre turismo e consumismo, em que afirma que, na sociedade contemporânea, qualquer coisa pode ser manipulada para despertar desejos e se transformar em uma atração turística. Tudo pode ser transformado em objeto de estímulo a desejos e, uma vez feito o investimento inicial, muito dinheiro pode ser ganho com pouco estímulo adicional (Bauman, 2003, p. 8).
A autora Moesch (2002) comenta que há uma relação de diálogo entre novidade e insaciabilidade no cerne do consumismo pós-moderno, e o turismo seria um exemplo desse contexto. Isso leva as pessoas a consumirem por impulso, sem refletir sobre o que está por trás desse consumo e sobre as possíveis consequências.
Nesse sentido, o turismo sexual pode ser visto como mais um produto a ser comercializado dentro do universo do turismo. Nessa perspectiva, o autor observa que, no turismo, é fácil criar marcas turísticas; até mesmo um simples objeto pode ter uma marca e oferecer experiências prazerosas e diferenciadas para o público-alvo.
Bem, qualquer coisa poderia ter uma marca, pelo menos ostentar uma marca de “atracção turística” (as placas castanhas perto das saídas das autoestradas não são uma espécie de “logotipo” da indústria turística?), e ser marcada significa ser transformada numa experiência interessante. Algo incomum, algo que você nunca viu antes, prometendo uma experiência que você ainda não teve, pela qual vale a pena fazer uma viagem (Franklin, 2003, p. 8).
Com base no exposto, o uso do termo “turismo sexual” – ainda que não se trate de um segmento institucionalizado do setor – pode ser interpretado como uma marca adicional dentro da atividade turística. Trata-se de uma prática que pode se consolidar sem a devida consideração de suas repercussões negativas, nem contar com supervisão e regulamentação adequadas.
Ainda, Bauman destaca o conceito de alteridade, que, segundo o autor, envolve o interesse em conhecer novas culturas e respeitá-las em sua integridade. No entanto, ele argumenta que, com a globalização e o consumismo aplicados ao turismo, a ideia de alteridade é distorcida e manipulada com o objetivo de comercialização e lucro, transformando um sentimento genuíno em um mero produto do capitalismo.
No contexto do turismo sexual, observa-se que a alteridade pode ser desvirtuada de duas maneiras: por parte do turista, que usa o discurso de interesse cultural para viajar, mas esconde intenções inadequadas ou até mesmo ilegais; e pelo mercado, que se apropria da ideia de alteridade com o objetivo de comercialização e lucro.
Diante do exposto, observa-se que os textos de Bauman podem oferecer subsídios relevantes e de suporte para a compreensão de como determinadas práticas surgem e se estabelecem no turismo, considerando nuances da pós-modernidade e sua característica líquida.
METODOLOGIA
No que se refere ao objetivo traçado, este estudo teórico adota uma abordagem exploratório-descritiva, caracterizada pela coleta prévia de informações e pelo criterioso cruzamento de dados, visando a identificar possíveis conexões (Veal, 2011).
Dessa forma, a análise das nuances do “turismo sexual” é validada ao relacionar os aspectos desse fenômeno com o conceito da “síndrome do turista”, descrito no artigo The Tourist Syndrome: An Interview with Zygmunt Bauman, de 2003, que se pauta no viés da “modernidade líquida”.
Já sobre a perspectiva descritiva, seu uso está associado à ideia de suporte metodológico para o comportamento exploratório. Köche (2016) destaca que explorar e descrever são ações interdependentes para fins interpretativos. Assim, a relevância dos registros, presentes em livros e artigos científicos, é evidenciada como procedimento adequado à pesquisa.
Para a análise do objeto de estudo, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa, caracterizada por um “estilo que busca aprofundamento em um tema, a fim de compreender os aspectos subjetivos acerca do fenômeno e/ou objeto estudado” (Ribeiro, Picalho, & Fadel, 2023, p. 4).
A demanda por compreender uma realidade social específica, através dos significados, interpretações e análises dos sujeitos e estudiosos, guia a pesquisa para uma abordagem teórico-metodológica interpretativista, baseada na hermenêutica, permitindo analisar fenômenos sociais para além das características positivistas (Santana & Sobrinho, 2007).
Desse modo, compreende-se que o emprego da abordagem interpretativista (Ribeiro, Picalho, & Fadel, 2023) é adequado para este estudo pelos seguintes motivos: (a) Análise de experiências subjetivas: permite examinar as motivações e percepções dos turistas sobre o local visitado e seus moradores; (b) Contextualização de fenômenos sociais: examina o turismo a partir do contexto sociocultural, abordando o “turismo sexual” como um desvio das práticas sustentáveis; (c) Ênfase na interação social: explora as conexões e implicações entre turistas e moradores locais; (d) Viés indutivista: fundamenta-se em observações e documentos para identificar significados e padrões significativos (Saccol, 2009).
A abordagem interpretativista centra-se nas percepções para compreender os significados dos fenômenos, sempre partindo da ideia de que a realidade é resultado dos distintos encontros sociais (Hatch & Yanow, 2005).
Para a etapa de coleta de dados, realizou-se uma pesquisa de caráter bibliográfico, típica do estudo qualitativo. Essa técnica permitiu analisar o conteúdo dos textos selecionados, compreendendo seus contextos, objetos, relações e lacunas, o que possibilitou desenvolver interpretações sobre o contexto pesquisado (Flick, 2019).
Diante do viés qualitativo do estudo, optou-se por uma seleção de livros e artigos estabelecendo protocolos para o devido registro e organização das informações. Segundo Luvezute Kripka, Scheller e De Lara Bonotto (2015, p. 57), “o desafio desta técnica é a capacidade do pesquisador de selecionar, tratar e interpretar a informação, visando a compreender a interação”.
O conceito da “síndrome do turista” foi introduzido por Zygmunt Bauman, de forma inédita, no já citado artigo The Tourist Syndrome: An Interview with Zygmunt Bauman (2003), que serve como uma das principais fontes para as análises do tema. De forma complementar, foram selecionados os seguintes livros de Bauman: Globalização: As Consequências Humanas (1999), Modernidade Líquida (2001), A Sociedade Individualizada (2008) e Amor Líquido: Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos (2004). Essas obras ampliam a compreensão das características sociais e culturais discutidas na “síndrome do turista”, contextualizando o fenômeno em meio às transformações da sociedade moderna.
Já para a seleção de artigos científicos que abordam a temática do “turismo sexual”, escolheu-se a plataforma de dados Web of Science (indicada para ciências sociais) a partir do acesso disponibilizado pela Comunidade Acadêmica Federada (CAFe), no Portal da Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Ao acessar a plataforma, foram preenchidos os filtros que direcionaram a busca do conteúdo para artigos de acesso livre e que apresentassem no seu título, de forma expressa, algum termo presente na string de pesquisa: “sex tourism” OR “sexual tourism” OR “tourism and sex” OR “sex and tourism”.
A partir disso, foram separados os estudos mais citados (acima de 50 citações) e, estabelecendo um paralelismo para a coleta da pesquisa, também foram selecionados estudos mais recentes, em igual número aos estudos mais citados. Para ambos os casos, exigia-se que o texto fosse publicado em revistas especializadas da área do turismo.
Justifica-se a seleção dos textos com mais de 50 citações por sua relevância e impacto na área de estudo, assegurando a seleção de pesquisas já reconhecidas por outros pares. O critério que seleciona os textos mais recentes garante que a análise se baseie em discussões mais atuais do campo de estudo. Já sobre o critério que seleciona somente textos produzidos em revistas especializadas em turismo, aplicado para ambos os blocos (os mais citados e os mais recentes), garante que a amostra seja relevante e estabeleça conexão direta com a área e o tema estudado.
Todos esses critérios fundamentam-se na definição de uma amostra não probabilística por conveniência, em que a seleção dos elementos para a análise resulta do julgamento dos pesquisadores envolvidos, fundamentados nos encaminhamentos propostos pelas particularidades da pesquisa (Veal, 2011). Desse modo, foi permitido construir o Quadro 1.

Com a amostra definida, foram analisadas as seguintes seções dos textos selecionados: introdução, análises e considerações finais. Em sequência, foram aplicadas as seguintes etapas: (a) triagem de elementos e argumentos (semelhanças/diferenças), identificando possíveis interpretações; (b) correlação dos significados; e (c) formulação de uma base interpretativa e de categorias de análise tanto para o “turismo sexual” quanto para a “síndrome do turista”, visando à validação dos resultados destacados.
Em face da complexidade das temáticas, também é permitido pontuar a ausência de dados empíricos como uma limitação da pesquisa. Mesmo não invalidando os resultados alcançados, restringem de certo modo, o escopo das análises. Contudo, entende-se que essas limitações acabam sinalizando para possíveis ajustes visando a uma outra proposta de estudo. Por fim, buscou-se realizar um processo interativo de exploração, coleta, descrição e análise de dados, permitindo o cruzamento de informações, a fim de fundamentar subsídios coerentes.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Explorando a relação entre o Turismo sexual e a “Síndrome do turista”
Diante do objetivo de analisar criticamente as conexões entre a prática do turismo sexual e o campo conceitual da síndrome do turista, a leitura cuidadosa das seções selecionadas dos textos (introdução, análises e conclusões) que compõem o escopo da análise possibilitou a elaboração do Quadro 2.
Destaca-se a identificação das principais categorias de análise, as quais apresentam regularidade nos textos examinados. Formalizando uma caracterização da prática do turismo sexual sob a perspectiva analítica dos respectivos autores, permitindo, na sequência, o cruzamento dessas categorias em busca de conexões.
Antes de iniciar a interpretação dos dados, informa-se que, dos oito artigos da amostra, sete foram publicados em inglês e um em espanhol. Todos os artigos foram validados e publicados em renomadas revistas internacionais de turismo, o que confere rigor científico e uma base sólida para a análise. O quadro abaixo apresenta as categorias de análise recorrentes nos textos examinados.

Fonte: Elaborado pelos autores com base na pesquisa bibliográfica (2024).
Em continuidade à metodologia empregada, a análise da seção referente à síndrome do turista também revelou categorias que enriquecem e delimitam a compreensão do conceito de Bauman. São elas: transitoriedade, temporalidade, consumo de sensações, marca e alteridade, as quais serão exploradas na sequência.
Fala-se em transitoriedade para destacar a ideia de que tudo é passageiro, compreensão que gera uma sensação de liberdade e uma equivocada impressão do lugar como um espaço permissivo. Essa perspectiva leva o turista a não desejar estabelecer vínculos duradouros com o local e seus habitantes, visto que sua permanência é intencionalmente efêmera. Daí o uso da expressão “Não sou daqui e nem vim para ficar” como reflexo dessa realidade. Observa-se que o viés transitório atende a demandas momentâneas, sem qualquer responsabilidade em relação à alteridade. O lócus da visita é tratado como um palco temporário de satisfação de desejos, desconsiderando dinâmicas e peculiaridades, em favor de um consumo descartável das comunidades.
Na temporalidade, revela-se uma relação diretamente proporcional: quanto menor o tempo de permanência no local visitado, menor o comprometimento com o ambiente, seus habitantes e suas formas de organização. Esse desapego permite que o visitante adote comportamentos que provavelmente não praticaria em um contexto de permanência ou de envolvimento duradouro. Como aponta Francklin (2003, p. 2009), “viver de um momento para o outro, viver para o momento, é uma característica crucial da síndrome do turista”, reforçando o caráter fluído desse tipo de envolvimento.
A terceira característica identificada é o consumo de sensações, que se refere ao impulso pelo consumo de experiências hedonistas. Essa busca por estímulos instantâneos marginaliza o impacto social e coletivo das ações centradas na satisfação dos desejos pessoais. O turismo se posiciona como uma plataforma de sensações, disponibilizando vivências. “Os turistas têm, por definição, uma ‘relação pura’ com o lugar que visitam – ‘pura’ no sentido de que não têm outro propósito senão o consumo de sensações prazerosas” (Franklin, 2003. p. 208). Esse processo valida a transformação do destino turístico em um “produto”, esvaziando-o de autenticidade e submetendo-o ao atendimento de demandas estranhas ao local.
Quando se identifica a marca como uma categoria que compõe o conceito da síndrome do turista, evidencia-se que todo objeto, situação ou conceito pode ser transformado em uma marca que promova consumo massificado. A marca se associa automaticamente ao imaginário que promete as melhores experiências, não importando a realidade sociocultural das localidades visitadas. Assim, lugares, práticas locais e até mesmo relações tornam-se “marcas” aptas para um consumo, promovendo expectativas desvinculadas das realidades locais, em favor do que pode ser estereotipado e comercializado.
Uma outra característica assinalada corresponde à alteridade, que se refere ao reconhecimento e à compreensão do “outro”. Esse desejo de conhecer novas culturas em sua totalidade é um aspecto positivo, pois promove a empatia, o respeito e a ampliação dos horizontes pessoais. A alteridade possibilita a percepção das diversidades e da complexidade dos modos de vida, incentivando uma relação mais equilibrada entre os indivíduos e as sociedades. No entanto, esse desejo pode ser distorcido e manipulado, transformando-se em uma ferramenta para a mercantilização e lucratividade. Quando a alteridade é reduzida a um produto ou a uma experiência de consumo, há uma perda do seu significado autêntico.
Trata-se da lógica dominante do mercado, que sufoca o espaço turístico ao inserir nele experiências superficiais e direcionadas para atender a um modelo ideal de turismo, muitas vezes alheio às realidades locais. “Tudo pode ser transformado em um objeto que desperte desejo, e, uma vez feito o investimento inicial, muito dinheiro pode ser ganho com ele” (Franklin, 2003. p. 210). Aspecto que só reforça a noção de que a mercantilização das vivências no turismo retroalimenta um sistema de estereotipagem e consumo.
Em suma, a análise revela uma relação sinérgica entre as 11 categorias (seis relacionadas ao turismo sexual e cinco à síndrome do turista). Essa interação é impulsionada por uma conjuntura que transcende as particularidades de cada categoria individualmente, impedindo a definição de hierarquias ou fluxos de influência unidirecionais entre elas. As conexões entre essas categorias emergem das subjetividades nos comportamentos dos turistas e se projetam no contexto sociocultural do coletivo. Essa ligação é orientada por uma lógica de consumo hegemônica, concebida a partir dos ideais da modernidade, que atua como eixo unificador das relações estabelecidas entre as categorias que descrevem a prática do “turismo sexual” e aquelas que caracterizam os sintomas da síndrome do turista.
A objetificação e desumanização do “outro” e do destino visitado, somadas à mercantilização das experiências para atender às particularidades, configuram um cenário de exploração e apropriação do local. A seguir, destacam-se algumas das principais conexões identificadas. A ênfase no consumo rápido (de bens, pessoas, lugares) promove relações desiguais. No turismo sexual, nota-se a absorção e reprodução de estereótipos e imagens idealizadas para negociar o exótico e o diferente (alteridade) como atrações turísticas planejadas para um público específico e exigente.
Nesse sentido, o anonimato surge como um artifício de escape para o turista sexual. Ao ocultar momentaneamente sua identidade, evita-se o conflito direto com as repercussões negativas de seus atos sobre a comunidade e os locais visitados, impedindo reflexões sobre empatia e senso de comunidade, gerando uma falsa sensação de imunidade frente às normas locais. A lacuna entre identidade e comportamento possibilita a impunidade, favorecida pela temporalidade dos encontros, aspecto também presente na síndrome do turista.
Portanto, no turismo sexual, o anonimato rompe a reciprocidade da alteridade, permitindo interações que ignoram a individualidade do “outro”. O turista se coloca em um patamar de superioridade, negligenciando a subjetividade e a complexidade do local, enfraquecendo oportunidades de interação autêntica. Inexiste o reconhecimento das diferenças; o “outro” torna-se um recurso passivo e disponível para satisfazer necessidades subjetivas, sem troca ou reconhecimento significativo.
Nesse contexto, a alteridade é reduzida a uma representação funcional, utilizada para alimentar desejos e fantasias de forma descompromissada. Ao usar o anonimato, o turista evita responsabilizações e estabelece uma conexão onde a alteridade é consumida a partir de suas motivações e expectativas exóticas. O processo de objetificação é reforçado pela transitoriedade e temporalidade, elementos centrais da síndrome do turista.
A brevidade da estada induz no turista uma sensação de liberdade das normas cotidianas, propiciando envolvimentos que seriam evitados em situações de maior permanência. Consequentemente, a ausência de relações profundas restringe o ambiente a uma dinâmica de prestação de serviços, facilitando a exploração de culturas e pessoas vulneráveis.
A ideia de marca, na síndrome do turista, relaciona-se à identidade local transformada em produto para consumo. No turismo sexual, essa marca, promovida por estratégias estatais e privadas, atraí fluxos específicos de turistas, conforme a imagem comercializada. A presença constante de turistas sexuais impõe uma reputação que impacta a imagem externa e a autopercepção das comunidades. Ao objetificar o “outro”, o turista sexual utiliza a alteridade para reafirmar seu poder colonialista. O local e seus habitantes são codificados a partir de um imaginário de submissão. Esse distanciamento emocional e cultural fomenta um consumo sem diálogo e compreensão, evidenciando a ausência de empatia, o que reforça a lógica de poder e subordinação.
Em síntese, a prática do turismo sexual e a síndrome do turista estão interligadas por todos esses elementos. Cada categoria atua como um elo que reforça a normalização de um consumo descartável e efêmero, e a consolidação de um sistema que promove desigualdades e exploração, conforme demonstrado na Figura 1.

Na figura 1, observa-se que a dinâmica do turismo sexual, quando sobreposta à síndrome do turista, evidencia como destinos são subjugados por uma lógica colonialista. Essa lógica é expressa tanto nos elementos característicos da síndrome do turista quanto nas práticas associadas ao turismo sexual, orientada para o consumo e o posterior descarte. A partir dessa ótica, o poder econômico assume um papel decisivo para a compreensão das conexões assimétricas que sustentam a prática do turismo sexual e os sintomas da síndrome do turista.
Pelo exposto, a síndrome do turista configura-se como uma estrutura analítica pertinente para a leitura da prática do turismo sexual. Podendo ser compreendida como um quadro teórico (modelo explicativo) que expõe e sustenta as dinâmicas e lógicas presentes no turismo sexual.
Embora Baumann não tenha direcionado seu foco à questão sexual em sua formulação inicial, ele delineou implicitamente uma narrativa de esvaziamento de significados e relações autênticas, e essa abordagem possibilita explicar a prática do turismo sexual como uma ação que se apropria de destinos e pessoas como mercadorias temporárias, seguindo uma lógica de consumo e satisfação imediata.
Complementarmente, é crucial distinguir a síndrome do turista da prática do turismo sexual, a fim de abordar a complexidade do fenômeno e possibilitar o desenvolvimento de intervenções e estratégias de prevenção. A síndrome do turista, caracterizada por comportamentos e atitudes que podem culminar em práticas questionáveis, não se equipara às ações ilegais veladas no turismo sexual, como a exploração sexual de crianças e adolescentes e o tráfico de pessoas. Essa distinção permite compreender que, embora a síndrome do turista possa ser um fator favorável ao turismo sexual, ela não é uma condição necessária ou suficiente para sua ocorrência. A decisão de se envolver em atividades ilegais constitui um ato individual, influenciado por diversos outros fatores sociais, culturais e psicológicos.
Ao destacar a diferença entre as duas práticas, promove-se uma maior conscientização sobre os riscos do turismo sexual e a importância de relações mais significativas. Contudo, essa distinção não obscurece a complexa interação entre esses fenômenos. Assim, a interseção entre turismo sexual e a síndrome do turista revela uma intrincada rede de relações que se fundamenta na lógica de instrumentalização do outro, reforçando um ciclo de consumo fugaz e repetitivo. Normaliza e reproduz práticas que esvaziam as culturas locais, consolidando um modelo de experiências que prioriza a satisfação imediata em detrimento de interações autênticas e do respeito à diversidade cultural.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise das interconexões entre o turismo sexual e a síndrome do turista evidencia a complexidade das dinâmicas sociais e culturais que envolvem a prática turística. As categorias de análise identificadas, como desigualdade econômica, estereótipos, poder, anonimato e percepção de lugar, entre outras, demonstram como as relações entre turistas e os destinos visitados podem ser profundamente desiguais e desumanizadoras.
A abordagem da síndrome do turista, com suas características de transitoriedade, temporalidade, consumo de sensações, marca e alteridade, fornece uma estrutura teórica robusta para compreender as motivações e comportamentos que sustentam o turismo sexual e suas consequências para as comunidades locais.
A pesquisa reforça a compreensão de que a prática do turismo sexual, ao ser associada à síndrome do turista, torna-se um reflexo de um sistema de consumo de experiências e pessoas, em que o lugar e seus habitantes são reduzidos a objetos de desejo temporários. Esse processo alimenta uma lógica de exploração e apropriação, sem vínculos significativos ou respeito pelas dinâmicas sociais e culturais locais.
Nesse contexto, o anonimato surge como uma forma de desvinculação das normas locais, permitindo ao turista a busca de prazer sem considerar as repercussões de suas ações, enquanto a alteridade é distorcida para atender a estereótipos que sustentam relações de poder e subordinação.
É importante reforçar que o termo turismo sexual é mantido no estudo por razões metodológicas e por corresponder ao modo como o fenômeno tem sido convencionalmente nomeado em pesquisas acadêmicas e debates sociais. Contudo, a análise evidencia a necessidade de problematizar esse uso: diante de cenários marcados por violações, abusos, violências e relações não consensuais, não cabe falar em turismo, mas sim em exploração sexual no contexto do turismo – prática que pode envolver tanto pessoas adultas quanto crianças e adolescentes.
Do mesmo modo, nos casos de encontros consensuais entre adultos emancipados, trata-se de experiências possíveis no âmbito das interações proporcionadas pelo turismo, mas que não precisam ser categorizadas como um possível “tipo de turismo”.
A imprecisão conceitual, portanto, coloca perigosamente no mesmo plano, situações distintas, reforçando a importância de uma leitura crítica e analítica sobre o fenômeno multifatorial.
Compreender as diferenças e articulações entre a síndrome do turista e a prática do turismo sexual é relevante para fomentar estratégias de prevenção e enfrentamento contra práticas ilegais, como o tráfico de pessoas e a exploração sexual de crianças, adolescentes e adultos.
Pontuar essa distinção também faz concluir que, embora a síndrome do turista possa predispor a comportamentos questionáveis, ela não se traduz invariavelmente em atividades ilegais e criminosas, pois estas são influenciadas por uma complexa teia de fatores sociais, culturais e psicológicos.
O reconhecimento das conexões e diferenças possibilita a reflexão sobre as implicações negativas que se desdobram de um consumo efêmero que só fragiliza culturas locais. Normalizar essas práticas reforça desigualdades e dificulta o incentivo a interações respeitosas entre turistas e comunidades. Ao destacar essa distinção, é possível pensar na formulação de políticas e iniciativas que se esforcem por um turismo mais ético, responsável e culturalmente sensível.
Logo, entende-se que essa é uma temática ampla, que gera debates a partir de diferentes perspectivas, e que lacunas poderão surgir ao longo das discussões. Destaca-se, portanto, a necessidade de pesquisas futuras que aprofundem a compreensão desse fenômeno e desenvolvam estratégias de prevenção.
Entre as linhas de investigação promissoras, destacam-se: a análise das intrincadas implicações psicológicas e sociais do turismo sexual; o estudo dos multifacetados impactos econômicos e sociais nas comunidades locais; a elaboração de políticas públicas robustas de prevenção e conscientização; dentre outras.
Assim, diante da efemeridade do “Não sou daqui e nem vim para ficar”, este estudo convida a repensar o turismo como um espaço para encontros humanizados, éticos e duradouros, em contraposição à exploração efêmera, desigual e marcada por violências.
Agradecimentos
Este trabalho contou com o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), via Programa de Pós-Graduação em Turismo da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (PPGTUR/UFRN).
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Notas
Deise Cristina Gomes da Silva: Elaboração e operacionalização do estudo, desenvolvimento das análises e redação do manuscrito.
Wilker Ricardo de Mendonca Nóbrega: Orientação metodológica, indicação de referências teóricas e bibliográficas e revisão crítica.
Información adicional
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