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				<journal-title>Revista Brasileira de História</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. Bras. Hist.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">1806-9347</issn>
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				<publisher-name>Associação Nacional de História - ANPUH</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="publisher-id">00008</article-id>
			<article-id pub-id-type="doi">10.1590/1806-93472016v36n71-007</article-id>
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					<subject>Artigos</subject>
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				<article-title>A aprovação da lei de limitação de remessa de lucros no governo Goulart e o empresariado nacional e estrangeiro (1961-1964)<xref ref-type="fn" rid="fn1"><sup>1</sup></xref></article-title>
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					<trans-title>The Passing of the Profit Remittance Limitation Law during the Goulart Administration and Brazilian and Foreign Entrepreneurs (1961-1964)1</trans-title>
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						<surname>Loureiro</surname>
						<given-names>Felipe Pereira</given-names>
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					<institution content-type="original"> Instituto de Relações Internacionais, Universidade de São Paulo (IRI-USP). São Paulo, SP, Brasil. felipeloureiro@usp.br 2</institution>
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					<label>2</label>
					<p>Doutor em História Econômica, FFLCH/USP.</p>
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			<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<season>Jan-Apr</season>
				<year>2016</year>
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			<volume>36</volume>
			<issue>71</issue>
			<fpage>155</fpage>
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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			<abstract>
				<title>RESUMO</title>
				<p>O artigo analisa o processo de aprovação da lei de limitação de remessa de lucros pelo Congresso Nacional durante o governo Goulart (1961-1964), tendo como foco as reações e as opiniões de empresários nacionais e estrangeiros. Argumenta-se que o entendimento das razões por detrás da aprovação da lei passa por dois aspectos pouco abordados pela literatura: o papel das pressões exercidas por setores empresariais nacionalistas sobre os parlamentares, e o das articulações do presidente Goulart para retomar plenas prerrogativas presidenciais. Acredita-se que as conclusões são relevantes na medida em que trazem novas evidências acerca do papel do empresariado para a aprovação de uma das mais importantes leis da administração Goulart.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>Summary:</title>
				<p>The paper analyzes the passing of the Profit Remittance Limitation Law by the Brazilian Congress during the administration of President João Goulart (1961-1964), focusing on the reactions and opinions of foreign and domestic entrepreneurs. We argue that to understand the reasons behind the passing of the law we need to look at two aspects relatively neglected by the literature: first, the lobbying by some domestic entrepreneurs of members of the Brazilian congress; and, second, President Goulart's maneuvers to regain full presidential powers. We believe our conclusions are important as they present new evidence about the role played by part of Brazilian entrepreneurs in the passing of one of the Goulart administration's most important pieces of legislation.</p>
			</trans-abstract>
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				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>remessa de lucros</kwd>
				<kwd>capital estrangeiro</kwd>
				<kwd>João Goulart</kwd>
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				<title>Keywords:</title>
				<kwd>profit remittance</kwd>
				<kwd>foreign capital</kwd>
				<kwd>João Goulart</kwd>
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		<p>O início da década de 1960 foi marcado por fortes desequilíbrios no balanço de pagamentos do Brasil. O aumento do endividamento externo e o forte influxo de capitais estrangeiros ocorridos durante a administração Kubitschek (1956-1961) culminaram em crescente saída de recursos sob a forma de juros, lucros e dividendos. A pressão que esses pagamentos exerciam sobre a conta de serviços era ainda mais grave na medida em que a capacidade do país de criar divisas estava em queda. O valor das exportações reduziu-se na segunda metade da década de 1950, puxado pela baixa dos preços do café. A pauta de importações mostrava-se cada vez mais inflexível. O avanço do processo de industrialização substitutiva, apesar de ter resultado em uma diminuição do coeficiente global de importações, aumentou a dependência para determinados tipos de produtos, sobretudo combustíveis, matérias-primas, máquinas e equipamentos. Uma redução na importação desses bens significaria menor taxa de crescimento do produto. Daí o porquê de se ter instalado no país um debate sobre medidas que poderiam ser tomadas para minorar as dificuldades no balanço de pagamentos (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Mesquita, 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B34">1992</xref>, cap. 1; <xref ref-type="bibr" rid="B35">Monteiro, 1999</xref>, cap. 2).</p>
		<p>Foi nesse contexto que a proposta de impor limites às remessas de lucros e dividendos de capitais estrangeiros ganhou força no Congresso Nacional, culminando na aprovação em setembro de 1962 da Lei no 4.131, mais conhecida como lei de limitação de remessa de lucros. Essa legislação estipulou restrições quantitativas à remessa de lucros e dividendos de investimentos estrangeiros no Brasil. Investidores estrangeiros só poderiam remeter para o exterior valor equivalente a até 10% do capital social registrado da empresa junto à Superintendência da Moeda e do Crédito (Sumoc). Remessas que ultrapassassem esse limite seriam classificadas como retorno de capital, entrando em outro tipo de faixa de tributação e acarretando diminuição do capital registrado para fins de futuras remessas. Estipulou-se ainda que lucros maiores do que 10% do capital registrado, e que não fossem remetidos ao exterior, não poderiam ser integralizados ao capital da empresa. Com isso, reinvestimentos realizados a partir da promulgação da lei não poderiam ser contabilizados para remessas posteriores. A aprovação da lei gerou fortes protestos de investidores estrangeiros e, na visão de alguns autores, teria sido a principal responsável pela queda abrupta de investimentos externos no país entre 1962 e 1964 (<xref ref-type="bibr" rid="B35">Monteiro, 1999</xref>, p.2).</p>
		<p>Este artigo tem como objetivo analisar o processo de aprovação da lei de limitação de remessa de lucros no Congresso Nacional, destacando reações e atuações do empresariado nacional e estrangeiro. A lei de remessa de lucros talvez tenha sido uma das mais polêmicas legislações do governo Goulart, comparável à defesa feita pelo presidente sobre a necessidade de aprovação de projetos de reforma de base, entre os quais os de reforma agrária e tributária. Apesar disso, salvo referências esparsas, poucos estudos debruçaram-se sobre o tema (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Dulles, 1970</xref>, p.177; <xref ref-type="bibr" rid="B52">Skidmore, 2010</xref>, p.269-270). Aqueles que o fizeram enfatizaram os debates entre os parlamentares, discutindo pouco as condições que permitiram sua aprovação e a maneira pela qual a atuação do empresariado teria influído no processo (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Gennari, 1999</xref>, cap. 2).</p>
		<p>Mais especificamente, o trabalho visa responder a uma questão que, a priori, parece um paradoxo: como é possível entender a aprovação de uma legislação de esquerda, como a lei de limitação de remessa de lucros, em um Congresso que apresentava maioria conservadora? Os poucos autores que tentaram solucionar esse problema, como Thomas <xref ref-type="bibr" rid="B52">Skidmore (2010</xref>, p.270), assinalam que os deputados nacionalistas, embora constituíssem minoria no Parlamento, teriam sido capazes &quot;de formar uma maioria explorando a desconfiança generalizada contra os investidores estrangeiros de que compartilhavam deputados geralmente moderados&quot;.<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref> Apesar de plausível, essa explicação parece-nos insuficiente.</p>
		<p>Para refletir sobre o tema, o artigo analisa o posicionamento de empresários do comércio e da indústria nacionais e estrangeiros. Empregam-se fontes públicas e confidenciais de grupos de interesse regionais, sobretudo de entidades dos estados da Guanabara, Rio de Janeiro e São Paulo. A estrutura corporativista de representação de classes no Brasil, por conceder pesos semelhantes às federações dentro das associações nacionais, tendia a aumentar a importância relativa das entidades estaduais em detrimento dor órgãos de representação nacional. (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Leopoldi, 2000</xref>, cap. 7; <xref ref-type="bibr" rid="B50">Schmitter, 1972</xref>). Daí o porquê de termos privilegiado órgãos estaduais. Cabe esclarecer que, com exceção da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que não nos deu acesso a documentos confidenciais, as demais entidades nos autorizaram a pesquisa em seus arquivos privados. Apesar de a perda ter sido grande, já que a Fiesp era um dos mais importantes grupos de pressão empresarial do Brasil e onde se concentrava a maior parte do empresariado nacionalista, essa limitação foi em parte compensada pela consulta a fontes oficiais norte-americanas. As autoridades diplomáticas estadunidenses possuíam uma ampla rede de contatos no Brasil, apresentando relatórios minuciosos a Washington. Entre os membros dessa extensa rede incluíam-se lideranças políticas e empresariais de alto escalão, entre as quais representantes da própria Fiesp.</p>
		<p>Autores enfatizam que divisões no seio do empresariado no Brasil teriam se aprofundado em meados dos anos 1950, particularmente entre aqueles que tinham pouca ou nenhuma participação de capital estrangeiro em seus negócios, defendendo posições identificadas como &quot;nacionalistas&quot;, e aqueles que tinham fortes vínculos com investidores estrangeiros, seja por estarem a eles associados, seja por serem seus representantes no Brasil (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Dreifuss, 1981</xref>, cap. 3). Essa divisão tornou-se clara nas associações de classe. Alguns grupos empresariais, como a Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), a Federação das Indústrias do Estado da Guanabara (Fiega) e, em menor medida, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) teriam sido hegemonizadas por empresários associados ou internacionais, apresentando ampla convergência com posições defendidas por Câmaras de Comércio Estrangeiras. Aliás, a fundação do Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (Ipes) em novembro de 1961 - entidade que congregaria, a partir de então, as principais lideranças estrangeiras e associadas no Brasil, e que teria papel destacado na articulação civil do golpe de 1964 - surgiu exatamente no contexto da aprovação da lei de remessa de lucros pela Câmara dos Deputados, tendo forte presença de membros da ACRJ e da Fiega (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Dreifuss, 1981</xref>, p.163-165). Industriais paulistas, entretanto, apresentavam maior heterogeneidade. Dentro da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) encontrava-se, segundo termo de <xref ref-type="bibr" rid="B31">Leopoldi (2000</xref>, p.273), uma divisão mais equilibrada entre alas &quot;nacionalistas&quot; e &quot;estrangeiras&quot;, que partilhavam postos estratégicos no interior da entidade. As eleições de 1962 da Fiesp, que elegeram Raphael Noschese como presidente, resultaram de um acordo entre as duas alas, evitando um racha (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Leopoldi, 2000</xref>, p.275). Vale destacar que o estado de São Paulo concentrava mais da metade do parque industrial do país nesse período, além de praticamente monopolizar a fabricação de itens manufaturados capital-intensivos (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Moraes, R., 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B40">Negri, 1996</xref>, p.117). Era sobretudo em São Paulo, portanto, que legislações de impacto sobre o desempenho empresarial tendiam a gerar maiores discussões.</p>
		<p>O artigo traz evidências que apontam a importância da participação do empresariado nos debates em torno da aprovação da lei de limitação de remessa de lucros, sobretudo daqueles que defendiam uma linha nacionalista para o desenvolvimento econômico brasileiro. Essa conclusão é relevante porque sugere um quadro mais complexo sobre o papel da chamada &quot;burguesia nacional&quot; durante o governo Goulart. Mesmo que o empresariado tenha assumido posturas conservadoras com relação às reformas distributivas (agrária e tributária) e ao acirramento de conflitos sociais (greves, manifestações), vê-se que, em temas como a limitação de remessa de lucros, havia espaço para convergência entre alas progressistas do empresariado e dos trabalhadores.<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref> Vale lembrar que a unidade de setores nacionalistas era defendida por grupos importantes da esquerda no Brasil, sobretudo pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), as quais depois seriam interpretadas como tendo sido pouco factíveis em razão do apoio de empresários ao golpe de 1964 (<xref ref-type="bibr" rid="B42">Prado Jr., 1966</xref>, p.108-111; <xref ref-type="bibr" rid="B37">Moraes, M., 2014</xref>, p.55). Apesar de o artigo não refutar essa posição, nossas conclusões sugerem que o contexto social pré-golpe era mais complexo do que normalmente se supõe.</p>
		<p>Uma segunda conclusão relevante do trabalho refere-se ao papel do presidente João Goulart durante o trâmite do projeto de limitação de remessas de lucros no Congresso. O artigo aponta que a participação de Goulart teria sido marcada por dois momentos: na fase inicial, quando o projeto foi aprovado pela Câmara dos Deputados no final de 1961, Goulart teve mínima participação. Na fase final, porém, quando o projeto foi aprovado com modificações no Senado e retornou à Câmara em meados de 1962, Goulart teve papel extremamente relevante. Argumenta-se que o presidente teria sido motivado a atuar de forma mais incisiva nessa segunda etapa por razões pragmáticas e não por ideais reformistas. Em outras palavras: Goulart teria utilizado a bandeira das reformas de base (incluindo a questão das remessas de lucros) como meio para pressionar o Parlamento a aprovar a antecipação do plebiscito que decidiria sobre a continuidade do parlamentarismo. Chama a atenção também o fato de esse aspecto ainda ter sido pouco abordado pela literatura, apesar de sua relevância.<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref>
		</p>
		<p>Para além desta introdução, o artigo tem três seções. A segunda seção discute a passagem do projeto Celso Brandt de limitação de remessa de lucros em novembro de 1961 pela Câmara. A terceira seção analisa o caso do projeto Mem de Sá no Senado em julho de 1962, assim como sua modificação pela Câmara em agosto do mesmo ano, culminando na lei de remessa de lucros. A quarta seção apresenta as conclusões.</p>
		<sec>
			<title>A APROVAÇÃO DO PROJETO CELSO BRANDT DE REMESSA DE LUCROS, NOVEMBRO DE 1961</title>
			<p>O projeto Celso Brandt da lei de limitação de lucros, aprovado em 29 de novembro de 1961 pela Câmara dos Deputados, estabeleceu severas restrições à atuação do capital externo no Brasil.<xref ref-type="fn" rid="fn6"><sup>6</sup></xref> Entre as suas principais determinações, a mais famosa foi a imposição de um limite anual para a remessa de lucros e dividendos correspondente a 10% do capital social das empresas estrangeiras. O texto proibia a contabilização de qualquer tipo de reinvestimento como parte dos ativos das empresas, o que influiria negativamente no cálculo de remessas. Estabeleceu-se que bancos estrangeiros estariam impedidos de possuir carteiras de depósito em território nacional, respeitando-se o princípio da reciprocidade. Proibiram-se também firmas estrangeiras de adquirir empresas brasileiras em funcionamento e de receber empréstimos de bancos públicos nacionais. Por fim, empresas que camuflassem valores de exportação e importação para fins de remessas ilegais ficariam proibidas de participar por tempo indeterminado do comércio exterior no Brasil (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Câmara aprova..., OESP, 30 nov. 1961</xref>). Os comunistas fizeram efusivos elogios ao projeto, que teria representado, de acordo com o PCB, uma vitória das forças nacionalistas sobre o imperialismo (<xref ref-type="bibr" rid="B45">Que é o projeto..., Novos Rumos, 1961</xref>).</p>
			<p>As críticas do empresariado, notadamente de empresas estrangeiras ou a elas associadas, foram contundentes. Dias após a passagem do texto, membros do Conselho Nacional de Comércio Exterior norte-americano criticaram o projeto para o secretário de Estado Dean Rusk, ressaltando a necessidade de impedir sua aprovação no Senado brasileiro.<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref> Entidades empresariais no Brasil também manifestaram profundo descontentamento com a atitude da Câmara, vista como &quot;ruinosa&quot; para atrair capitais externos.<xref ref-type="fn" rid="fn8"><sup>8</sup></xref> Para o presidente da Fiesp, a lei de remessa de lucros condenaria o Brasil à &quot;estagnação&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B48">Remessa de lucros..., OESP, 1 dez. 1961</xref>). Giulio Lattes, diretor da Associação Comercial paulista (ACSP) e representante chileno no Conselho das Câmaras de Comércio Estrangeiras de São Paulo, classificou o texto como &quot;o caminho aberto para a introdução do comunismo no Brasil&quot;.<xref ref-type="fn" rid="fn9"><sup>9</sup></xref> Para Rui Gomes de Almeida, presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), vinculado a empreendimentos norte-americanos e canadenses, e uma das principais lideranças do Ipes, o projeto Brandt já teria criado &quot;problemas insuperáveis&quot; à economia. Mesmo que o Senado anulasse a &quot;nefasta proposta&quot;, não seria possível retomar de imediato a confiança dos investidores internacionais (<xref ref-type="bibr" rid="B28">A indústria paulista..., OESP, 6 dez. 1961</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B15">Dreifuss, 1981</xref>, p.502, 526). Para além de analisar a percepção do empresariado, ou de considerar as implicações econômicas do projeto - em parte responsável pela queda do influxo de Investimentos Externos Diretos (IEDs) pós-1961 -, interessa-nos compreender as condições que viabilizaram sua aprovação (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Mesquita, 1992</xref>, p.145-146).<xref ref-type="fn" rid="fn10"><sup>10</sup></xref> Muitos estudiosos pressupõem, implicitamente, que o projeto Brant teria sido aprovado porque a presidência estava nas mãos de João Goulart, isto é, sob comando de um presidente identificado no imaginário nacional com a luta pelas reformas de base, ideário político nacionalista e defesa dos interesses dos trabalhadores (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Ferreira, 2011</xref>, p.278, 293, 317; <xref ref-type="bibr" rid="B38">Moreira, 2014</xref>, cap. 4; <xref ref-type="bibr" rid="B37">Moraes, M., 2014</xref>, p.54; <xref ref-type="bibr" rid="B51">Silva, 2014</xref>, p.30-31).<xref ref-type="fn" rid="fn11"><sup>11</sup></xref> Há problemas em se interpretar a questão dessa maneira. Primeiro, as evidências apontam para uma pequena participação do presidente Goulart no processo de negociação para a aprovação do projeto, pelo menos quando de sua aprovação inicial pela Câmara.<xref ref-type="fn" rid="fn12"><sup>12</sup></xref> Diante da sua situação política delicada no começo de mandato, o presidente parecia mais interessado em cultivar um bom relacionamento com as elites, até mesmo com grupos associados ao capital estrangeiro, do que em pressionar o Parlamento a aprovar reformas de base (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Inovações do projeto..., OESP, 23 set. 1961</xref>).<xref ref-type="fn" rid="fn13"><sup>13</sup></xref> Segundo, mesmo que Goulart tivesse atuado secretamente junto a congressistas nesse sentido, o Conselho de Ministros, que dividia autoridade com Jango, havia marcado clara posição a favor de uma versão mais moderada da proposta. Evidências sugerem que a ordem da liderança do governo no Parlamento contra o projeto Brandt teria sido desrespeitada pela base dos partidos aliados (<xref ref-type="bibr" rid="B48">Remessa de lucros..., OESP, 1 dez. 1961</xref>).<xref ref-type="fn" rid="fn14"><sup>14</sup></xref> Por fim, e este talvez seja o aspecto mais relevante, mesmo que se suponha, hipoteticamente, que até o próprio Conselho de Ministros tivesse aderido à luta pela aprovação do projeto, sua passagem pela Câmara não poderia ter sido obtida com margem tão ampla (150 votos a favor e apenas 61 contra), tendo em vista a vasta presença de parlamentares conservadores no Congresso.<xref ref-type="fn" rid="fn15"><sup>15</sup></xref> O embaixador norte-americano no Brasil, Lincoln Gordon, classificou a folgada aprovação como um &quot;fator perturbador&quot;. Aliás, seria exatamente a presença significativa de grupos conservadores no Parlamento que impediria a aprovação de projetos reformistas defendidos por Goulart em 1963, entre os quais o da reforma agrária (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Figueiredo, 1993</xref>, cap. 3). Logo, é preciso encontrar razões mais sólidas ara explicar a passagem do projeto Brandt na Câmara.</p>
			<p>Uma alternativa é analisar a percepção dos representantes do empresariado sobre o assunto. Chama a atenção o fato de que a mesma surpresa causada hoje também havia sido demonstrada no período por empresários, e até por políticos em atuação no Parlamento. Em debate na Federação das Indústrias do Estado da Guanabara (Fiega) com a presença do deputado federal Othon Mader (União Democrática Nacional, UDN-PR), membro da Ação Parlamentar Democrática (ADP), a diretoria da Federação carioca mostrou-se surpresa com a aprovação do projeto, principalmente pelo fato de 72 dos 155 integrantes da ADP terem votado favoravelmente à proposta.<xref ref-type="fn" rid="fn16"><sup>16</sup></xref> Mader respondeu que o isolamento da recém-inaugurada capital federal e o fato de a maior parte dos congressistas possuir apenas interesses eleitoreiros teriam permitido que a &quot;liderança esquerdista&quot; controlasse o Congresso.<xref ref-type="fn" rid="fn17"><sup>17</sup></xref>
			</p>
			<p>Na Associação Comercial de São Paulo (ACSP), os diretores demonstraram o mesmo senso de desorientação. Um dos conselheiros da ACSP, Azevedo e Sá, disse que teve a oportunidade de conversar com &quot;vários deputados&quot; e que havia ficado impressionado com o fato de muitos não terem estado &quot;a par da importância da deliberação e do imenso prejuízo que essa lei traria ao Brasil&quot;. Azevedo e Sá chegou a afirmar que inúmeros deputados lhe teriam perguntado: &quot;por que vocês (da ACSP) não nos esclareceram antes?&quot;. O diretor da ACSP concluiu em linhas semelhantes àquelas apresentadas à Fiega: &quot;Quando vem um projeto desses, os comunistas se unem ... procurando, numa cortina de fumaça, encobrir o que tem (n)esse projeto e apresentam o aspecto do nacionalismo e os indivíduos os ouvem&quot;.<xref ref-type="fn" rid="fn18"><sup>18</sup></xref>
			</p>
			<p>Do mesmo modo, durante as investigações feitas pela embaixada norte-americana, um dos representantes diplomáticos teria ouvido do deputado José de Souza Nobre (Partido Trabalhista Brasileiro, PTB-MG) explicação parecida. Conforme Souza Nobre, a maior parte daqueles que teriam votado a favor havia sido &quot;enganada&quot; por tabelas e gráficos apresentados pelos &quot;comunistas&quot; antes da votação, ou teria tido o intuito de ganhar popularidade junto a grupos progressistas da sociedade, jogando o custo político de barrar o projeto sobre o Senado.<xref ref-type="fn" rid="fn19"><sup>19</sup></xref> Vê-se que a explicação de personalidades do próprio período parece-se muito com a interpretação vigente na historiografia, tal como exemplificada pelo trabalho de Skidmore.</p>
			<p>Será possível, então, que apenas a astúcia e a engenhosidade dos grupos esquerdistas no Parlamento, aliadas ao interesse eleitoreiro de alguns deputados, teriam sido capazes de aprovar o projeto Brandt com margem tão folgada? Ao que parece, não. Tais fatores podem até ter contribuído para esse resultado, mas há evidências de que outro aspecto teria sido ainda mais determinante: o lobby realizado por industriais nacionalistas, notadamente pelo chamado &quot;grupo nacionalista&quot; da Fiesp, sobre membros do Congresso Nacional. O termo é utilizado por Maria Antonieta <xref ref-type="bibr" rid="B31">Leopoldi (2000</xref>, p.273) para caracterizar a ala de industriais dentro da Federação que apresentava pouco ou nenhum contato com capital estrangeiro. Entre os seus principais representantes destacavam-se importantes industriais e líderes de sindicatos-chave da indústria paulista, entre os quais José Ermírio de Moraes Filho (Sindicato das Indústrias de Cimento), Fernando Gasparian (Sindicato da Indústria de Fiação e Tecelagem) e Ramiz Gattás (Sindicato da Indústria de Peças para Automóveis).</p>
			<p>Ermírio de Moraes era proprietário do grupo Votorantim, maior conglomerado manufatureiro de capital nacional do Brasil, com mais de cinquenta empresas, distribuídas entre os ramos de cimento, alumínio, químico e têxtil (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Leopoldi, 2000</xref>, p.273; <xref ref-type="bibr" rid="B46">Queiroz, 1972</xref>, p.65-68, 157). Além de ser industrial têxtil, Fernando Gasparian tinha enorme capilaridade política nacional, até mesmo junto a deputados da Frente Parlamentar Nacionalista (FPN) no Congresso. Quando da intervenção do Ministério do Trabalho sobre a Confederação Nacional da Indústria (CNI) em abril de 1961, em razão de supostas irregularidades do então presidente Lídio Lunardi, Gasparian assumiu o controle interino da entidade entre outubro de 1961 e janeiro de 1962 (coincidindo, aliás, com o exato momento em que o projeto Brandt foi aprovado pela Câmara) (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Leopoldi, 2000</xref>, p.274). Ramiz Gattás, por fim, também importante industrial do setor de autopeças, liderava o sindicato de um dos ramos fabris mais dinâmicos do país, incentivado pelo boom da produção de veículos do final dos anos 1950 (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Gattás, 1981</xref>). Atuando a partir de São Paulo - estado que concentrava mais de 55% do valor de produção fabril total do país em 1962 (<xref ref-type="bibr" rid="B46">Queiroz, 1972</xref>, p.157) -, não há dúvida de que esses industriais lideravam um grupo com grande poder de pressão para fazer valer seus interesses.</p>
			<p>No final da década de 1950, líderes fabris nacionalistas fizeram duras críticas ao que consideraram benefícios excessivos concedidos ao capital estrangeiro pelo governo Kubitschek, sobretudo a manutenção da Instrução 113 da Sumoc, editada pela breve administração Café Filho (1954-1955) (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Caputo; Melo, 2009</xref>, p.513-538). O tema do disciplinamento do capital externo por meio da remessa de lucros era frequentemente citado por lideranças industriais nacionalistas como forma de frear o que consideravam uma excessiva penetração de capitais estrangeiros no país. Aliás, essa rápida entrada de firmas externas e associadas fortaleceu grupos e entidades industriais estrangeiras domésticas (também dentro da Fiesp), que defendiam a manutenção de ampla liberdade de investimento no Brasil (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Dreifuss, 1981</xref>, cap. 2-3; <xref ref-type="bibr" rid="B26">Gattás, 1981</xref>, p.305-306; <xref ref-type="bibr" rid="B31">Leopoldi, 2000</xref>, cap. 8).</p>
			<p>Com a desaceleração econômica do início dos anos 1960, os embates entre grupos empresariais nacionalistas e estrangeiros tornaram-se mais fortes. A aprovação do projeto Brandt pela Câmara foi episódio marcante nesse sentido. Há vários indícios que apontam para um papel determinante desempenhado por industriais nacionalistas. Por exemplo, em conversa com o embaixador Lincoln Gordon em dezembro de 1961, Augusto Schmidt, assessor do senador e ex-presidente Juscelino Kubitschek, comentou que deputados conservadores, tais como Mendes de Moraes (sem partido-GB), teriam &quot;vendido seus votos para os industriais de São Paulo&quot;.<xref ref-type="fn" rid="fn20"><sup>20</sup></xref> No mesmo período, em encontro com membros do Departamento de Estado, banqueiros norte-americanos afirmaram que o embaixador do Brasil em Washington, Roberto Campos, disse que a aprovação do projeto teria decorrido de uma &quot;aliança profana entre nacionalistas, elementos esquerdistas e industriais brasileiros&quot;.<xref ref-type="fn" rid="fn21"><sup>21</sup></xref> Por fim, após obter informações por meio de fontes sigilosas, Lincoln Gordon notou que &quot;alguns grandes industriais, notadamente de São Paulo&quot;, por meio de &quot;esforços provavelmente coordenados com esquerdistas-nacionalistas&quot;, teriam incentivado &quot;o Congresso e o Executivo a aprovar uma legislação nacionalista, a fim de reduzir a competição estrangeira&quot;.<xref ref-type="fn" rid="fn22"><sup>22</sup></xref>
			</p>
			<p>A hipótese de que industriais nacionalistas teriam se empenhado na aprovação do projeto Brandt não ficou restrita a comunicados secretos da embaixada norte-americana. Um dia após a aprovação da lei, o jornal Correio da Manhã noticiou que a Fiesp teria entregado um memorial ao presidente Goulart e ao primeiro-ministro Tancredo Neves com propostas sobre o disciplinamento do capital estrangeiro em linhas semelhantes àquelas contidas no projeto Brandt. O periódico também identificou o industrial José Ermírio de Moraes Filho, herdeiro do grupo Votorantim, como um dos principais defensores da lei de remessas (<xref ref-type="bibr" rid="B24">A Fiesp e a remessa..., OESP, 15 dez. 1961</xref>). Em resposta, o presidente da Fiesp, Antônio Devisate, afirmou que, de fato, a Federação havia oferecido um memorial às autoridades federais, mas que as sugestões sobre investimentos estrangeiros não coincidiriam com as linhas do projeto Brandt (<xref ref-type="bibr" rid="B28">A indústria paulista..., OESP, 6 dez. 1961</xref>). Para a Fiesp, concluiu Devisate, a lei aprovada pela Câmara condenaria &quot;o nosso país, pela redução de investimentos que vai ocasionar, a uma estagnação na marcha de seu desenvolvimento&quot;, pois não teria distinguido &quot;o falso investimento do legítimo capital estrangeiro&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B48">Remessa de lucros..., OESP, 1 dez. 1961</xref>). José Ermírio de Moraes Filho também desmentiu a acusação de que teria liderado uma pressão sobre os deputados para que a lei fosse aprovada (<xref ref-type="bibr" rid="B41">Objeções à lei..., OESP, 7 dez. 1961</xref>).</p>
			<p>A análise do polêmico memorial da Fiesp sobre o assunto, redigido por um grupo de trabalho organizado pelo próprio José Ermírio de Moraes Filho, mostra, porém, que a entidade havia proposto várias medidas visando disciplinar o &quot;retorno dos capitais estrangeiros&quot; aos países de origem. Se, por um lado, não constava no memorial um dos mais polêmicos artigos do projeto Brandt (o que estabeleceu a limitação anual de remessas a até 10% do capital registrado, sem levar em conta futuras inversões), por outro lado a Fiesp pleiteou que &quot;o retorno ou transferência do equivalente do investimento estrangeiro sem cobertura cambial ... só pode(ria) ser autorizado decorridos cinco anos de seu ingresso no país, em parcelas anuais de 20%&quot;. Tendo em vista que os investimentos externos &quot;sem cobertura cambial&quot; (feitos por meio da Instrução 113) atingiram altos montantes no governo Kubitschek, a implementação dessa demanda certamente feriria interesses estrangeiros e associados. Até que ponto ela foi negociada com deputados de esquerda, sendo trocada por outras que constaram na versão final do projeto, não foi possível saber, mas é fato que um grupo da Fiesp defendeu controles mais rígidos sobre capital estrangeiro, e que esse segmento do empresariado teve algum peso (aparentemente determinante) para aprovar o projeto Brandt.</p>
			<p>As declarações do presidente Antônio Devisate contra a lei de remessas podem ser interpretadas como uma forma de despistar a relação da entidade com a aprovação do projeto, ou como uma manifestação da ala estrangeira da Fiesp contra a medida. A atuação de Fernando Gasparian, líder têxtil de São Paulo e então presidente da CNI, também parece ter sido fundamental na pressão exercida sobre congressistas. João Pinheiro Neto, em editorial no jornal Última Hora, identificou Gasparian e José Ermírio de Moraes Filho como as duas figuras principais para a aprovação do projeto (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Editorial, Última Hora, 5 jan. 1962</xref>). Da mesma forma, segundo José Gregori, que seria assessor de San Tiago Dantas no Ministério da Fazenda em 1963, Fernando Gasparian teria tido papel fundamental no lobby para a aprovação da lei.<xref ref-type="fn" rid="fn23"><sup>23</sup></xref> Evidências apontam ainda que o próprio surgimento do Ipes em novembro de 1961 teria sido, em parte, uma resposta do grupo empresarial estrangeiro-associado para que setores empresariais estrangeiros tivessem maior articulação junto ao Parlamento, impedindo a aprovação de projetos nacionalistas semelhantes no futuro (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Loureiro, 2012</xref>, p.222-224). Nota-se, portanto, uma nítida divisão de posicionamento entre os empresariados nacional e estrangeiro-associado sobre temas públicos de relevância. Essa divisão já havia aparecido em meados dos anos 1950 com a questão da Instrução 113 e foi reforçada com o debate sobre a lei de limitação de lucros (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Leopoldi, 2000</xref>, cap. 5).</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>O PROJETO MEM DE SÁ E A APROVAÇÃO DA LEI DE REMESSA DE LUCROS, SETEMBRO DE 1962</title>
			<p>A aprovação do projeto Brandt em novembro de 1961 acionou a mobilização de grupos conservadores no Congresso Nacional, incentivada por lideranças do Ipes, para impedir sua transformação em lei.<xref ref-type="fn" rid="fn24"><sup>24</sup></xref> Logo no início de 1962, montou-se uma comissão mista formada por senadores e deputados federais para elaborar uma nova proposta, retirando os termos mais radicais do projeto. O relator dessa proposta conciliatória foi o senador Mem de Sá (Partido Libertador, PL-RS). Após meses de negociação entre os parlamentares e de conversas com representantes da sociedade civil, o projeto Mem de Sá foi apresentado ao Senado em junho de 1962 (<xref ref-type="bibr" rid="B44">Propostos à comissão.... OESP, 20 jun. 1962</xref>). Basicamente, retiraram-se os artigos mais controvertidos do projeto Brandt, tais como a limitação quantitativa de 10% para remessa de lucros; a proibição a instituições oficiais de crédito de prover empréstimos a empresas estrangeiras; a suspensão permanente de participação no comércio exterior às empresas processadas por remessas maquiadas de lucros; e a criação de um Conselho de Investimentos Estrangeiros para monitorar a atuação de capitais externos. Em contraste, o projeto Mem de Sá estipulou limite de 8% de remessa de lucros a empresas produtoras de &quot;bens suntuários&quot; (a definição de &quot;bem suntuário&quot; seria feita por decreto do Executivo). Além disso, o projeto deu poder à Sumoc para limitar remessa de lucros em caso de &quot;graves desequilíbrios&quot; nas contas externas do país. Empresas que fizessem remessas ilícitas ficaram proibidas de participar de atividades de comércio exterior por um período de 1 a 5 anos (<xref ref-type="bibr" rid="B44">Propostos à comissão..., OESP, 20 jun. 1962</xref>). Em linhas gerais, seria esse projeto que o Senado aprovaria em julho de 1962, enviando-o em seguida à Câmara para ratificação (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Aprovou o Senado..., OESP, 17 jul. 1962</xref>). Mesmo essa versão moderada do projeto não agradou determinados setores do empresariado, sobretudo aqueles vinculados a grupos estrangeiros. Na ACSP, por exemplo, o conselheiro Giulio Lattes admitiu que o projeto Mem de Sá seria &quot;mais liberal e menos xenófobo&quot; do que o projeto Brandt. No entanto, Lattes reclamou do artigo que limitava em 8% ao ano a remessa de lucros para empresas produtoras de &quot;bens suntuários&quot;. O presidente da Associação, Paulo Barbosa, ponderou que, dadas as circunstâncias, seria melhor aprovar o projeto como estava. Ao final das contas, Lattes resignou-se: &quot;diante do mal, escolhamos o menor&quot;.<xref ref-type="fn" rid="fn25"><sup>25</sup></xref> Na Fiega, o clima foi menos amistoso. Um dos conselheiros da Federação carioca, Mário Ludolf, afirmou que a aprovação do projeto Mem de Sá teria sido &quot;ruinoso para o desenvolvimento da economia nacional e, se transformado em lei, (daria) fim ao investimento do capital estrangeiro no Brasil&quot;. Segundo Ludolf, nem todas as &quot;incoerências&quot; e &quot;absurdos&quot; do projeto Brandt tinham sido extraídos, entre as quais a obriga-toriedade de &quot;registro permanente de capitais estrangeiros&quot;.<xref ref-type="fn" rid="fn26"><sup>26</sup></xref>
			</p>
			<p>Apesar de não ter agradado a todos, é fato que o projeto Mem de Sá era bem mais moderado do que o projeto Brandt. Esperava-se que sua passagem pela Câmara fosse protocolar, já que ele havia sido fruto de uma comissão mista formada por senadores e deputados - criada, exatamente, em prol da construção de um consenso sobre a matéria. No entanto, isso não aconteceu. A Câmara aprovou o projeto Mem de Sá em 17 de agosto de 1962, mas com duas importantes modificações. Incluíram-se no texto artigos que constavam do antigo projeto Brandt, entre os quais a limitação de remessa de lucros em 10% do valor do capital registrado, e a proibição de que lucros superiores fossem integralizados ao capital, impactando no cálculo de futuras remessas. A reação dos empresários ligados ao capital externo foi imediata. A ACSP destacou a &quot;traição&quot; dos deputados, tendo em vista que, conforme Giulio Lattes, seria do &quot;conhecimento público que as duas casas do legislativo haviam-se comprometido a adotar o substitutivo elaborado pela comissão mista&quot;.<xref ref-type="fn" rid="fn27"><sup>27</sup></xref> Críticas semelhantes foram feitas pela Fiega e pelo Centro das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Cierj). Destacou-se que a lei representaria o fim dos investimentos estrangeiros, freando o desenvolvimento econômico nacional (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Fiega e Cierj criticam..., OESP, 31 ago. 1962</xref>).</p>
			<p>Em contraste com o que ocorreu no episódio da aprovação do projeto Brandt, quando a atuação do presidente Goulart não foi decisiva, no caso da aprovação com alterações do projeto Mem de Sá a situação foi outra. O país havia passado por uma profunda crise política em julho de 1962, culminando com a ascensão de um primeiro-ministro (Brochado da Rocha) totalmente alinhado com os propósitos do presidente (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Loureiro, 2012</xref>, p.276-295). Entre esses propósitos, destacava-se a antecipação do plebiscito sobre o parlamentarismo, algo que é consenso na literatura, mesmo entre autores com profundas divergências interpretativas (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Ferreira, 2011</xref>, p.304; <xref ref-type="bibr" rid="B54">Villa, 2004</xref>, p.66-67). Como se sabe, Goulart assumiu a Presidência em setembro de 1961 após a turbulenta renúncia de Quadros e com a condição de ter poderes limitados, por meio de emenda constitucional que instituiu um regime parlamentarista. Essa emenda estipulou que, 6 meses antes do final do mandato de Goulart (meados de 1965), ocorreria um plebiscito para a população decidir sobre a continuidade do parlamentarismo. Goulart queria antecipar esse plebiscito para o quanto antes, a fim de retomar plenas prerrogativas presidenciais. Isso não era fácil, porém, já que o Congresso apresentava ampla maioria de membros favorável à continuidade do parlamentarismo.</p>
			<p>A estratégia de Goulart para superar esse problema foi fortalecer um discurso pró-reformas de base, deixando entender à população que tais reformas não poderiam ser implementadas em razão da inoperância do Congresso Nacional e, sobretudo, da falta de poderes do presidente (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Dulles, 1970</xref>, p.177; <xref ref-type="bibr" rid="B32">Loureiro, 2012</xref>, p.295-309). O primeiro-ministro Brochado da Rocha foi fundamental nesse sentido. Em julho de 1962, ao que tudo sugere incentivado por Goulart, Brochado anunciou que se o Congresso não aprovasse a antecipação do plebiscito e uma ampla delegação de poderes ao Conselho de Ministros até o dia 17 de agosto, ele pediria demissão, o que abriria nova crise política no país. Não à toa o influente jornalista Carlos Castello Branco chamaria Brochado de &quot;um premier para o sacrifício&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Castello Branco, 1975</xref>, p.21). Entre os pedidos de delegação de poderes ao Congresso, incluíam-se solicitações de decretos sobre reforma agrária, reforma tributária, legislação antitruste e legislação de limitação de remessa de lucros. Sobre esta, Brochado afirmou que significaria incluir uma limitação anual de 10% sobre remessas para capitais estrangeiros. Em outras palavras: o primeiro-ministro, chancelado indiretamente pelo presidente, passou a defender a perspectiva do projeto Brandt, que recentemente havia sido repudiada pelo Senado mediante aprovação do texto Mem de Sá (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Loureiro, 2012</xref>, cap. 6).</p>
			<p>Como forma de responder à ofensiva do primeiro-ministro, o Congresso agiu em duas frentes: primeiro, montou comissões especiais para apreciar os pedidos de delegação de poderes, mostrando que o Parlamento estava disposto a analisá-los com rapidez (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Compostas as oito..., OESP, 12 ago. 1962</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B18">Escolhidos os presidentes..., OESP, 15 ago. 1962</xref>). As mais inofensivas dessas demandas foram aprovadas, tais como a formação de duas pastas ministeriais extraordinárias e a permissão para que o governo promulgasse leis para lidar com o problema do abastecimento (<xref ref-type="bibr" rid="B12">As comissões ultimam..., OESP, 16 ago. 1962</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B7">A Câmara aceita..., OESP, 17 ago. 1962</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B14">Dados mais dois poderes..., OESP, 18 ago. 1962</xref>). Segundo, no caso dos temas considerados sensíveis, o Congresso esforçou-se para aprovar leis, ao invés de entregar tal prerrogativa ao gabinete, conforme relatado por vários congressistas ao embaixador Lincoln Gordon.<xref ref-type="fn" rid="fn28"><sup>28</sup></xref> Os exemplos mais importantes foram, exatamente, as passagens das leis antitruste e de limitação de remessa de lucros, ambas aprovadas no último dia do prazo dado por Brochado da Rocha (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Aprovado pela Câmara..., OESP, 17 ago. 1962</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B3">Aprovada pela Câmara..., OESP, 18 ago. 1962</xref>). Apesar de o conteúdo dessas leis ter desagradado a alguns setores da sociedade, em especial no caso da lei de lucros e em referência aos empresários estrangeiros e associados, não há dúvida de que os textos aprovados foram bem menos radicais do que se poderia esperar caso tivessem sido elaborados pelo Conselho de Ministros mediante delegação de poderes.</p>
			<p>As evidências sugerem, portanto, que a reinserção dos artigos polêmicos do projeto Brandt ao projeto de lei formulado pela Comissão Mista (projeto Mem de Sá) teria sido fruto do contexto da luta política em torno da manutenção do parlamentarismo. Membros do Congresso queriam mostrar à sociedade que as reformas de base poderiam ser aprovadas mesmo dentro de um regime parlamentarista. Isso fortaleceu a posição de deputados nacionalistas no sentido de que a lei de lucros só teria legitimidade se ela fosse ao encontro da proposta do primeiro-ministro, que defendia a imposição de limites quantitativos às remessas sobre todos os tipos de investimentos - e não apenas sobre aqueles produtores de &quot;bens suntuários&quot;, como constava na versão original do projeto Mem de Sá.<xref ref-type="fn" rid="fn29"><sup>29</sup></xref>
			</p>
			<p>Para além disso, houve outro fator que contribuiu para a aprovação de uma versão mais radical da lei de lucros pela Câmara em agosto de 1962. Evidências apontam que mais uma vez setores nacionalistas do empresariado teriam exercido lobby sobre parlamentares, tal como ocorrera no final de 1961. Em debate na Associação Comercial paulista sobre o tema, o conselheiro Paulo Egydio Martins, um dos membros de destaque do Ipes de São Paulo, afirmou que a lei não teria sido aprovada se não fosse, novamente, a atuação de grupos empresariais &quot;nacionalistas&quot;. Em razão de sua clareza, vale reproduzir sua fala junto à ACSP:</p>
			<disp-quote>
				<p>No momento em que as classes produtoras deveriam se unir, vemos que através dessas restrições ao capital estrangeiro ... (há) um incentivo à formação de trustes nacionais. E vemos neste momento grandes representantes das classes produtoras serem os maiores adeptos de Celso Brandt ... não em defesa do bem comum, mas dos trustes nacionais, sem atentar para que estão seguindo o caminho do nacional socialismo ... Esses homens devem ser denunciados à Nação, sejam eles quem forem, porque estão, sob a capa de industriais, de classes conservadoras, e muitas vezes até de reacionários, trabalhando pela comunização do Brasil.<xref ref-type="fn" rid="fn30"><sup>30</sup></xref>
				</p>
			</disp-quote>
			<p>A lógica por detrás da atuação desses empresários nacionalistas, de acordo com a perspectiva de Paulo Egydio Martins, seria inviabilizar investimentos estrangeiros no Brasil, a fim de tornar o mercado doméstico cativo para investimentos de propriedade nacional. Uma posição menos radical poderia interpretar o lobby exercido por esses empresários como forma de retirar pressão sobre a balança de pagamentos, permitindo a continuidade de importações necessárias à manutenção do processo de industrialização substitutiva. De uma forma ou de outra, tendo em vista que a documentação que faz referência à atuação dos empresários nacionalistas é, em sua maioria, de caráter confidencial e pertencente a associações de classe (ACSP e Fiega), fica difícil imaginar que os comentários ali reproduzidos não tivessem algum embasamento. Mesmo no caso da Fiesp, onde a maior parte do empresariado nacionalista concentrava-se, a documentação pública da Federação complementa-se com fontes oficiais norte-americanas de caráter restrito, que sugerem conclusões semelhantes.</p>
			<p>Após a aprovação da lei de lucros pela Câmara em agosto de 1962, o texto subiu ao Executivo para receber sansão presidencial. Goulart, que não queria se comprometer publicamente com o teor da lei, decidiu deixar caducar o prazo para sanção. Com isso, seguindo preceitos constitucionais, o presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, foi obrigado a sancioná-la em 3 de setembro de 1962 (<xref ref-type="bibr" rid="B43">Promulgada... OESP, 5 set. 1962</xref>).</p>
			<p>O problema não acabou aqui, porém. A lei de remessas havia deixado propositadamente algumas questões em aberto, demandando regulamentação presidencial. A mais importante referia-se à dúvida sobre se reinvestimentos de lucros ocorridos antes da promulgação da lei poderiam ser incorporados ao capital registrado junto à Sumoc. O texto legal era claro sobre reinvestimentos após a promulgação da lei (não poderiam ser incorporados), mas não sobre aqueles que ocorreram antes. Por detrás desse debate aparentemente técnico, havia um ponto fundamental: caso reinvestimentos ocorridos antes fossem considerados legítimos, como representantes do capital estrangeiro e associado defendiam, isso permitiria que empresas estrangeiras tivessem permissão para remeter mais lucros ao exterior.</p>
			<p>O presidente Goulart protelou o quanto pôde para baixar a regulamentação da lei. O primeiro semestre de 1963 foi marcado pela tentativa de implementação do Plano Trienal, um programa de estabilização econômica que visava, para além do combate à inflação, manter o crescimento do produto. Como para isso era fundamental atrair capitais estrangeiros, Goulart deixou a questão da regulamentação da lei de lado. Com o abandono do Plano Trienal em meados de 1963 e a radicalização política que tomou conta do país no segundo semestre, Goulart acabou unindo-se a setores mais radicais da esquerda, baixando finalmente a tão aguardada regulamentação em janeiro de 1964. Esta foi ao encontro dos objetivos de setores esquerdistas por considerar capital registrado apenas aquele aplicado diretamente do exterior no país; lucros, ao contrário, foram interpretados como &quot;nacionais&quot;, não podendo constituir base para futuras remessas (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Ferreira, 2011</xref>, cap. 8; <xref ref-type="bibr" rid="B34">Mesquita, 1992</xref>, cap. 4; <xref ref-type="bibr" rid="B35">Monteiro, 1999</xref>, cap. 3). A implementação dessa versão radical da lei duraria pouco tempo. Com o golpe de 1964, uma das primeiras atitudes do governo Castelo Branco foi aprovar uma nova legislação no Congresso (L no 4.390 de agosto de 1964), que mudaria vários artigos da lei de 1962, visando incentivar a entrada de capitais estrangeiros por meio de uma política liberal de remessas de lucros e dividendos (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Gennari, 1999</xref>, p.185).</p>
		</sec>
		<sec sec-type="conclusions">
			<title>CONSIDERAÇÕES FINAIS</title>
			<p>As evidências apresentadas por este artigo sugerem que as razões comumente apontadas para explicar a aprovação da lei de limitação de remessas de lucros do governo Goulart são insatisfatórias. É plausível supor, como aponta Thomas Skidmore, que a organização de parlamentares nacionalistas, aliada à desinformação e à moderação de um grupo de deputados, tenha contribuído para os resultados das votações. No entanto, a ampla maioria conquistada a favor da lei, em um Congresso que apresentava número substancial de membros conservadores, sugere que outros aspectos tenham sido ainda mais importantes. O artigo argumenta que dois fatores teriam sido fundamentais nesse sentido: primeiro, a pressão exercida por setores nacionalistas do empresariado sobre o Parlamento; e, segundo, a utilização de uma agenda pró-reformas de base pelo presidente Goulart em meados de 1962, incluindo a aprovação de uma versão mais radical da lei de remessas de lucros, para antecipar o plebiscito sobre o parlamentarismo e reconquistar plenas prerrogativas presidenciais.</p>
			<p>Sobre o primeiro aspecto, apresentaram-se evidências, extraídas principalmente de documentos diplomáticos norte-americanos e de fontes públicas e privadas de entidades empresariais, os quais sugerem que a chamada ala nacionalista da Fiesp teria tido papel importante tanto no lobby para a aprovação do projeto Celso Brandt da remessa de lucros em novembro de 1961, quanto na inclusão de artigos de cunho nacionalista no projeto Mem de Sá durante seu trâmite na Câmara em meados de 1962. O interesse desse grupo, de acordo com empresários associados a investidores externos, teria sido limitar as condições de penetração do capital externo no Brasil, garantindo reserva de mercado a empresários nacionais.</p>
			<p>O segundo aspecto que ajuda a explicar as condições de aprovação da lei de remessas relaciona-se à adoção de uma bandeira radical pró-reformas de base pelo gabinete Brochado da Rocha em meados de 1962 - gabinete este que é reconhecido pela literatura como tendo agido fortemente alinhado aos interesses políticos do presidente Goulart. Por meio de evidências de jornais de circulação nacional e fontes diplomáticas norte-americanas, sugeriu-se que o discurso pró-reformas de Jango teria sido, sobretudo, um meio para forçar o Congresso a antecipar a data do plebiscito que decidiria sobre a continuidade do parlamentarismo no país. A lógica presidencial parece ter sido a de impor uma agenda de reformas impossível de ser aprovada pelo Parlamento em tempo hábil, a fim de demonstrar a ineficácia do parlamentarismo e abrir caminho para a reinstalação do presidencialismo. A apresentação de uma data limite (relativamente curta) por Brochado da Rocha ao Parlamento para votar uma extensa delegação de poderes (inclusive delegação para decretação de uma lei de remessas radical) constitui forte indício nesse sentido. Evidências sugerem ainda que parlamentares conservadores calcularam (corretamente) que seria melhor aprovar alguma legislação pró-limite de remessas pelo próprio Congresso do que deixar a matéria sob a deliberação do Conselho de Ministros. Isso deu força a deputados de esquerda, que, com o apoio de setores empresariais nacionalistas, conseguiram reintroduzir artigos do projeto Brandt na versão final da lei, sancionada pelo presidente do Senado em setembro de 1962.</p>
			<p>Essas conclusões são importantes porque apontam para uma perspectiva menos pessimista com relação à atuação da chamada &quot;burguesia nacional&quot; no contexto pré-golpe de 1964. Alguns estudiosos argumentam que a postura do antigo PCB no início dos anos 1960 - isto é, favorável à construção de uma aliança entre operários, camponeses e &quot;burguesia nacional&quot;, em oposição à dominação estrangeira, ou ao &quot;imperialismo&quot; - teria sido ingênua, na medida em que subestimara a natureza de classe intrínseca a qualquer burguesia e negligenciado o fato de que vários elementos do empresariado nacional já estariam vinculados, em menor ou maior grau, ao capital estrangeiro.<xref ref-type="fn" rid="fn31"><sup>31</sup></xref> É razoável argumentar que, por si só, a articulação feita por empresários nacionalistas para aprovar a lei de lucros não basta para concluir que o PCB estivesse correto, já que posições nacionalistas de parcelas do empresariado sobre o capital estrangeiro conviveram com posturas conservadoras sobre outras questões - como a tendência reacionária contra as reformas de base, ou mesmo a oposição diante da intensificação de greves do período. De qualquer forma, apesar de ser preciso avançar muito no conhecimento sobre o tema, as conclusões aqui apresentadas sugerem que o jogo de forças sociais que culminou com o fim da democracia no Brasil teria sido mais complexo, merecendo ser escrutinado à luz de novas fontes e, no que se refere às associações de classe, com base em novos recortes temáticos, setoriais e geográficos.</p>
		</sec>
	</body>
	<back>
		<ref-list>
			<title>REFERÊNCIAS</title>
			<ref id="B1">
				<mixed-citation>ABREU, Alzira et al. Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro. 2.ed. Rio de Janeiro: Ed. FGV, 2001.</mixed-citation>
				<element-citation publication-type="book">
					<person-group person-group-type="author">
						<name>
							<surname>ABREU</surname>
							<given-names>Alzira</given-names>
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					<article-title>O governo João Goulart e o empresariado industrial: tensões e rupturas na última valsa do social desenvolvimentismo no Brasil (1961-1964)</article-title>
					<source>Anuário CEEED - Centro de Estudios Económicos de la Empresa y el Desarrollo</source>
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				<mixed-citation>PROMULGADA pelo presidente do Senado a lei de remessa de lucros. O Estado de S. Paulo, 5 set. 1962, p.2.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>REIS, Daniel Aarão. Ditadura e democracia no Brasil: 50 anos de golpe de 1964. Rio de Janeiro: Zahar, 2014.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>REMESSA de lucros: estagnação da economia nacional. O Estado de S. Paulo , 1 dez. 1961, p.19.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>VILLA, Marco Antônio. Jango: um perfil. São Paulo: Globo, 2004.</mixed-citation>
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		<fn-group>
			<fn fn-type="supported-by" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>Agradeço a Adriana Schor, Gustavo Barros, Renato Colistete e a dois pareceristas anônimos da Revista Brasileira de História os comentários e sugestões. Evidentemente, erros e omissões são de minha responsabilidade. Esta pesquisa recebeu apoio financeiro do CNPq e da Capes.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>O trabalho de <xref ref-type="bibr" rid="B27">Gennari (1999</xref>), que é um dos poucos focados na lei de remessas, não levanta essa questão.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>Para as posições conservadoras do empresariado sobre temas como reforma agrária, reforma tributária e greves, para além de seu apoio ao golpe militar de 1964, ver <xref ref-type="bibr" rid="B25">Figueiredo (1993</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B32">Loureiro (2012</xref>) e Rafael <xref ref-type="bibr" rid="B37">Moraes (2014</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>Para exemplos de trabalhos que não exploram essa questão, ver: <xref ref-type="bibr" rid="B2">Alonso e Dolhnikoff (2015</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B20">Ferreira (2011</xref>, cap. 7), <xref ref-type="bibr" rid="B21">Ferreira e Gomes (2007</xref>, cap. 5; <xref ref-type="bibr" rid="B22">2014</xref>, cap. 8), <xref ref-type="bibr" rid="B25">Figueiredo (1993</xref>, p.75-86), <xref ref-type="bibr" rid="B30">Labaki (1986</xref>), Mário <xref ref-type="bibr" rid="B36">Moraes (2014</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B39">Napolitano (2014</xref>, cap. 1), <xref ref-type="bibr" rid="B49">Santos (1986</xref>, cap. 3), <xref ref-type="bibr" rid="B52">Skidmore (2010</xref>, cap. 7) e <xref ref-type="bibr" rid="B53">Toledo (2014</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p>O deputado Celso Brandt (PR-MG) era um árduo defensor de uma política nacionalista e de desenvolvimento autônomo para o país, tendo aderido em 1959 à Frente Parlamentar Nacionalista (FPN) - órgão suprapartidário criado em 1957 que defendia princípios semelhantes. Para mais informações, ver <xref ref-type="bibr" rid="B1">Abreu et al., 2001</xref>, p.786-787.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p>Telegrama 1583, Departamento de Estado para Embaixada dos Estados Unidos no Brasil, 6 dez. 1961, Classified General Records, compiled 1941-1963 (a seguir CGR), Folder 501, Box 129, Record Group 84 (a seguir RG), National Archives and Records Administration, College Park, Estados Unidos (a seguir NARA), p.1.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>8</label>
				<p>Federação das Indústrias do Estado da Guanabara (a seguir FIEGA), Ata da Reunião do Conselho de Representantes do Centro das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro e da Federação das Indústrias do Estado da Guanabara (a seguir CIERJ-FIEGA), 24 jul. 1962, Rio de Janeiro, p.2.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>9</label>
				<p>Associação Comercial de São Paulo (a seguir ACSP), Ata de Reunião de Diretoria Plena da ACSP, 5 dez. 1961, São Paulo, p.7.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn10">
				<label>10</label>
				<p>Para uma perspectiva diferente, ver <xref ref-type="bibr" rid="B35">Monteiro (1999</xref>, p.79).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn11">
				<label>11</label>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B47">Reis (2014</xref>, p.32-36) reconhece a predominância de membros conservadores no Congresso Nacional, mas deixa a entender que pressões populares teriam puxado a pauta reformista na sociedade. Posição semelhante é advogada por <xref ref-type="bibr" rid="B9">Campos (2014</xref>, p.14), que credita a aprovação da lei às &quot;lutas do complexo nacional-popular&quot;, apesar de o autor não apresentar evidências de como tal luta teria se manifestado no contexto da aprovação.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn12">
				<label>12</label>
				<p>Telegrama 1326, Embaixada dos Estados Unidos no Brasil para Secretário de Estado, 1 dez. 1961, p.2; Telegrama 1390, Embaixada dos Estados Unidos no Brasil para Secretário de Estado, 11 dez. 1961, CGR, Folder 501, Box 129, RG 84, NARA, p.2.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn13">
				<label>13</label>
				<p>Telegrama s/n, Embaixada dos Estados Unidos no Brasil para Secretário de Estado, 1 mar. 1962, CGR, Folder 350, Box 135, RG 84, NARA, p.1.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn14">
				<label>14</label>
				<p>Telegrama 1326, Embaixada dos Estados Unidos no Brasil para Secretário de Estado, 1 dez. 1961, p.2; Telegrama 1390, Embaixada dos Estados Unidos no Brasil para o Secretário de Estado, 11 dez. 1961, CGR, Folder 501, Box 129, RG 84, NARA, p.2.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn15">
				<label>15</label>
				<p>Telegrama 1326, Embaixada dos Estados Unidos no Brasil para Secretário de Estado, 1 dez. 1961, CGR, Folder 501, Box 129, RG 84, NARA, p.2.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn16">
				<label>16</label>
				<p>A ADP era um bloco interpartidário criado em 1961 com o intuito &quot;de combater a infiltração comunista na sociedade brasileira&quot;. Seu contraponto ideológico no Congresso Nacional era a Frente Parlamentar Nacionalista (FPN), formada em 1956 para defender &quot;políticas e soluções nacionalistas para os problemas do desenvolvimento&quot; no país. Ver <xref ref-type="bibr" rid="B1">Abreu et al. (2001</xref>, p.24-25 e 2397).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn17">
				<label>17</label>
				<p>FIEGA, Ata do Conselho de Representantes do CIERJ-FIEGA, 5 dez. 1961, Rio de Janeiro, p.1-2.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn18">
				<label>18</label>
				<p>ACSP, Ata de Reunião de Diretoria Plena da ACSP, 5 dez. 1961, São Paulo, p.18-19.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn19">
				<label>19</label>
				<p>Memorando de Conversação, Souza Nobre, Eugenio Delgado Arias et al., 1 dez. 1961, CGR, Folder 350, Box 124, RG 84, NARA, p.2.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn20">
				<label>20</label>
				<p>Memorando de Conversação, Juscelino Kubitschek, Sebastião Paes de Almeida, Augusto Schmidt, Lincoln Gordon, 7 dez. 1961, CGR, Folder 350, Box 124, RG 84, NARA, p.2.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn21">
				<label>21</label>
				<p>Memorando de Conversação, Frank Mitchell, Jack Camp et al., 5 dez. 1961, CGR, Folder 350, Box 124, RG 84, NARA, p.1.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn22">
				<label>22</label>
				<p>Telegrama 1441, Embaixada dos Estados Unidos no Brasil para o Secretário de Estado, 18 dez. 1961, Folder &quot;Brazil General 12/1/61-1/16/62&quot;, Box 12, National Security Files (a seguir NSF), John F. Kennedy Library, Boston, Estados Unidos (a seguir JFKL), p.1-2.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn23">
				<label>23</label>
				<p>José Gregori, entrevista, 6 abr. 2010, São Paulo.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn24">
				<label>24</label>
				<p>Para as intensas articulações de líderes do IPES com membros do Parlamento, ver Ata de Reunião da Comissão Executiva, IPES, 16 mar. 1962; Ata de Reunião da Comissão Diretora, IPES, 27 mar. 1962; Relatório do Setor de Estudos para o Comitê Diretor, IPES, 29 mar. 1962, Caixa 29, PAC 2, Arquivo Nacional-RJ (a seguir AN).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn25">
				<label>25</label>
				<p>ACSP, Ata de Reunião de Diretoria Plena da ACSP, 27 jul. 1962, São Paulo, p.7.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn26">
				<label>26</label>
				<p>FIEGA, Ata do Conselho de Representantes do Cierj-Fiega, 24 jul. 1962, Rio de Janeiro, p.2.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn27">
				<label>27</label>
				<p>ACSP, Ata de Reunião de Diretoria Plena da ACSP, 21 ago. 1962, São Paulo, p.26.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn28">
				<label>28</label>
				<p>Telegrama 410, Embaixada dos Estados Unidos no Brasil para o Secretário de Estado, 16 ago. 1962, Folder &quot;Brazil General 8/16 - 8/31/62&quot;, Box 13, NSF, JFKL, p.1.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn29">
				<label>29</label>
				<p>Ibidem, p.1.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn30">
				<label>30</label>
				<p>ACSP, Ata de Reunião de Diretoria Plena da ACSP, 21 ago. 1962, São Paulo, p.27-28.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn31">
				<label>31</label>
				<p>Um exemplo dessa posição pode ser encontrado em <xref ref-type="bibr" rid="B42">Prado Jr. (1966</xref>, p.108-111). Esse posicionamento também embasa trabalhos adeptos da Teoria da Dependência, ver <xref ref-type="bibr" rid="B19">Faletto e Cardoso (2004</xref>, cap. 4). Para um estudo recente que advoga perspectiva semelhante, ver Mário <xref ref-type="bibr" rid="B36">Moraes (2014</xref>, p.55).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn34">
				<label>3</label>
				<p>The work of <xref ref-type="bibr" rid="B27">Gennari (1999</xref>), one of the few who focus on the profit remittances law, does not deal with this question.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn35">
				<label>4</label>
				<p>For the conservative position of the entrepreneurial sector about questions such as agrarian reform, tax reform, and strikes, as well as their support for the 1964 military coup, see <xref ref-type="bibr" rid="B25">Figueiredo (1993</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B32">Loureiro (2012</xref>), and Rafael <xref ref-type="bibr" rid="B37">Moraes (2014</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn36">
				<label>5</label>
				<p>For examples of works which do not explore this question, see: <xref ref-type="bibr" rid="B2">Alonso and Dolhnikoff (2015</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B20">Ferreira (2011</xref>, Chapter 7), <xref ref-type="bibr" rid="B21">Ferreira and Gomes (2007</xref>, Chapter 5; <xref ref-type="bibr" rid="B22">2014</xref>, Chapter 8), <xref ref-type="bibr" rid="B25">Figueiredo (1993</xref>, pp. 75-86), <xref ref-type="bibr" rid="B30">Labaki (1986</xref>), Mário <xref ref-type="bibr" rid="B36">Moraes (2014</xref>), <xref ref-type="bibr" rid="B39">Napolitano (2014</xref>, Chapter 1), <xref ref-type="bibr" rid="B49">Santos (1986</xref>, Chapter 3), <xref ref-type="bibr" rid="B52">Skidmore (2010</xref>, Chapter 7), and <xref ref-type="bibr" rid="B53">Toledo (2014</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn37">
				<label>6</label>
				<p>Deputy Celso Brandt (PR-MG) was an arduous defender of a nationalist policy and for the automous development of the country, having joined in 1959 the Nationalist Parliamentary Front (Frente Parlamentar Nacionalista - FPN) - a super-party organ created in 1957 which defended similar principles. For more information, see <xref ref-type="bibr" rid="B1">Abreu et al., 2001</xref>, pp. 786-787.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn38">
				<label>7</label>
				<p>Telegram 1583, State Department to the United States Embassy in Brazil, 6 Dec. 1961, Classified General Records, compiled 1941-1963 (hereafter CGR), Folder 501, Box 129, Record Group 84 (hereafter RG), National Archives and Records Administration, College Park, United State (hereafter NARA), p. 1.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn39">
				<label>8</label>
				<p>Federação das Indústrias do Estado da Guanabara (hereafter FIEGA), Ata da Reunião do Conselho de Representantes do Centro das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, and Federação das Indústrias do Estado da Guanabara (hereafter CIERJ-FIEGA), 24 jul. 1962, Rio de Janeiro, p. 2.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn40">
				<label>9</label>
				<p>Associação Comercial de São Paulo (hereafter ACSP), Ata de Reunião de Diretoria Plena da ACSP, 5 dez. 1961, São Paulo, p. 7.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn41">
				<label>10</label>
				<p>For a different perspective, see <xref ref-type="bibr" rid="B35">Monteiro (1999</xref>, p. 79).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn42">
				<label>11</label>
				<p>
					<xref ref-type="bibr" rid="B47">Reis (2014</xref>, pp. 32-36) recognizes the predominance of conservative members of the National Congress, but leaves it understood that popular pressures had pressurized the reformist agenda in society. A similar position is advocated by <xref ref-type="bibr" rid="B9">Campos (2014</xref>, p. 14), who credits the passing of the law to the &quot;struggles of the national-popular complex,&quot; although the author does not present evidence of how this struggle would have occurred in the context of approval.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn43">
				<label>12</label>
				<p>Telegram 1326, United States Embassy in Brazil to the Secretary of State, 1 Dec. 1961, p. 2; Telegram 1390, United States Embassy in Brazil to the Secretary of State, 11 Dec. 1961, CGR, Folder 501, Box 129, RG 84, NARA, p. 2.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn44">
				<label>13</label>
				<p>Telegram w/n, United States Embassy in Brazil to the Secretary of State, 1 Mar. 1962, CGR, Folder 350, Box 135, RG 84, NARA, p. 1.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn45">
				<label>14</label>
				<p>Telegram 1326, United States Embassy in Brazil to the Secretary of State, 1 Dec. 1961, p. 2; Telegram 1390, United States Embassy in Brazil to the Secretary of State, 11 Dec. 1961, CGR, Folder 501, Box 129, RG 84, NARA, p. 2.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn46">
				<label>15</label>
				<p>Telegram 1326, United States Embassy in Brazil to the Secretary of State, 1 Dec. 1961, CGR, Folder 501, Box 129, RG 84, NARA, p. 2.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn47">
				<label>16</label>
				<p>ADP was an inter-party bloc created in 1961 with the purpose &quot;of combating communist infiltration in Brazilian society.&quot; Its ideological counterpoint in the National Congress was the Nationalist Parliamentary Front (Frente Parlamentar Nacionalista - FPN), formed in 1956 to defend &quot;nationalist policies and solutions for the problems of development&quot; in the country. See <xref ref-type="bibr" rid="B1">Abreu et al. (2001</xref>, pp. 24-25 and 2397).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn48">
				<label>17</label>
				<p>FIEGA, Ata do Conselho de Representantes do CIERJ-FIEGA, 5 dez. 1961, Rio de Janeiro, pp. 1-2.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn49">
				<label>18</label>
				<p>ACSP, Ata de Reunião de Diretoria Plena da ACSP, 5 dez. 1961, São Paulo, pp. 18-19.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn50">
				<label>19</label>
				<p>Memorandum of Conversation, Souza Nobre, Eugenio Delgado Arias et al., 1 Dec. 1961, CGR, Folder 350, Box 124, RG 84, NARA, p. 2.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn51">
				<label>20</label>
				<p>Memorandum of Conversation, Juscelino Kubitschek, Sebastião Paes de Almeida, Augusto Schmidt, Lincoln Gordon, 7 Dec. 1961, CGR, Folder 350, Box 124, RG 84, NARA, p. 2.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn52">
				<label>21</label>
				<p>Memorandum of Conversation, Frank Mitchell, Jack Camp et al., 5 Dec. 1961, CGR, Folder 350, Box 124, RG 84, NARA, p. 1.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn53">
				<label>22</label>
				<p>Telegram 1441, United States Embassy in Brazil to the Secretary of State, 18 Dec. 1961, Folder &quot;Brazil General 12/1/61-1/16/62&quot;, Box 12, National Security Files (hereafter NSF), John F. Kennedy Library, Boston, United States (hereafter JFKL), pp. 1-2.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn54">
				<label>23</label>
				<p>José Gregori, interview, 6 Apr. 2010, São Paulo.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn55">
				<label>24</label>
				<p>For the intense connections between the leaders of IPES and members of Parliament, see Ata de Reunião da Comissão Executiva, IPES, 16 mar. 1962; Ata de Reunião da Comissão Diretora, IPES, 27 mar. 1962; Relatório do Setor de Estudos para o Comitê Diretor, IPES, 29 mar. 1962, Caixa 29, PAC 2, Arquivo Nacional-RJ (AN).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn56">
				<label>25</label>
				<p>ACSP, Ata de Reunião de Diretoria Plena da ACSP, 27 jul. 1962, São Paulo, p. 7.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn57">
				<label>26</label>
				<p>FIEGA, Ata do Conselho de Representantes do Cierj-Fiega, 24 jul. 1962, Rio de Janeiro, p. 2.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn58">
				<label>27</label>
				<p>ACSP, Ata de Reunião de Diretoria Plena da ACSP, 21 ago. 1962, São Paulo, p. 26.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn59">
				<label>28</label>
				<p>Telegram 410, United States Embassy in Brazil to the Secretary of State, 16 Aug. 1962, Folder &quot;Brazil General 8/16 - 8/31/62&quot;, Box 13, NSF, JFKL, p. 1.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn60">
				<label>29</label>
				<p>Ibid., p. 1.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn61">
				<label>30</label>
				<p>ACSP, Ata de Reunião de Diretoria Plena da ACSP, 21 ago. 1962, São Paulo, pp. 27-28.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn62">
				<label>31</label>
				<p>An example of this position can be found in <xref ref-type="bibr" rid="B42">Prado Jr. (1966</xref>, pp. 108-111). This position also provides the foundation for works based on Dependency Theory, see <xref ref-type="bibr" rid="B19">Faletto and Cardoso (2004</xref>, Chapter 4). For a recent study which advocates a similar perspective, see Mário <xref ref-type="bibr" rid="B36">Moraes (2014</xref>, p. 55).</p>
			</fn>
		</fn-group>
	</back>
	<!--<sub-article article-type="translation" id="s1" xml:lang="en">
		<front-stub>
			<article-categories>
				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>Articles</subject>
				</subj-group>
			</article-categories>
			<title-group>
				<article-title>The Passing of the Profit Remittance Limitation Law during the Goulart Administration and Brazilian and Foreign Entrepreneurs (1961-1964)1</article-title>
			</title-group>
			<contrib-group>
				<contrib contrib-type="author">
					<name>
						<surname>Loureiro</surname>
						<given-names>Felipe Pereira</given-names>
					</name>
					<xref ref-type="aff" rid="aff2"><sup>*</sup></xref>
				</contrib>
				<aff id="aff2">
					<label>*</label>
					<institution content-type="original"> Instituto de Relações Internacionais, Universidade de São Paulo (IRI-USP). São Paulo, SP, Brasil. felipeloureiro@usp.br 2</institution>
				</aff>
			</contrib-group>
			<author-notes>
				<fn fn-type="other" id="fn33">
					<label>2</label>
					<p>Doctorate in Economic History, FFLCH/USP.</p>
				</fn>
			</author-notes>
			<abstract>
				<title>ABSTRACT</title>
				
			</abstract>
			
		</front-stub>
		<body>
			<p>The beginning of the 1960s was marked by strong imbalance in the Brazilian balance of payments. The increase in foreign debt and the strong influx of foreign capital which occurred during the Kubitschek administration (1956-1961) culminated in the growing exit of funds in the form of interest, profits, and dividends. Furthermore, the pressure that these payments exerted on the debt servicing account was even more serious to the extent that the capacity of the country to create foreign reserves was falling. The value of exports was reduced in the second half of the 1950s, dragged down by low coffee prices and the range of imports was increasingly inflexible. In addition, although the advance of the process of substitute industrialization had resulted in a reduction in the global coefficient of imports, it increased dependency on certain types of products, especially fuels, raw materials, machinery and equipment. A reduction in imports of these goods signified a lower GDP growth rate. As a result, there was a need for a debate in the country about the measures to be taken to reduce the difficulties in the balance of payments (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Mesquita, 2014</xref>; 1992, Chapter 1; <xref ref-type="bibr" rid="B35">Monteiro, 1999</xref>, Chapter 2).</p>
			<p>It was in this context that the proposal to impose limits on the remittances of profits and dividends of foreign capital gained strength in the National Congress, culminating in the approval in September 1962 of Law 4.131, better known as the Profit Remittance Limitation Law. This legislation stipulated quantitative restrictions on the remittances of profits and dividends of foreign investments in Brazil. Foreign investors could only send abroad a value equivalent to 10% of the company's corporate capital registered with the Superintendency of Currency and Credit (Superintendência da Moeda e do Crédito - Sumoc). Remittances above this limit would be classified as the return of capital, entering into another type of taxation and involving the reduction of the capital registered for the purposes of future remittances. It is also stipulated that profits higher than 10% of the registered capital, and which were not sent abroad as remittances, could not be added to the company's capital. As a result, reinvestments made after the enactment of the law could not be entered into the company's books for the purposes of future remittances. The passing of the law created strong protests from foreign investors, and in the vision of some authors was the principal factor responsible for the abrupt fall in external investments in the country between 1962 and 1964 (<xref ref-type="bibr" rid="B35">Monteiro, 1999</xref>, p. 2).</p>
			<p>This article has the purpose of analyzing the passage of the Remittance Limitation Law through the Brazilian Congress, highlighting the actions and reactions of Brazilian and foreign entrepreneurs. The Remittance Limitation Law perhaps was one of the most controversial laws of the Goulart administration, comparable with the president's defense of the need to pass the basic reforms, amongst which were agrarian and tax reform. Despite this, with the exception of some sparse references, few studies have focused on the question (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Dulles, 1970</xref>, p. 177; <xref ref-type="bibr" rid="B52">Skidmore, 2010</xref>, pp. 269-270). Those who have done so have emphasized the debates between parliamentarians, not really discussing the conditions which allowed its passing and the manner in which the actions of entrepreneurs influenced the process (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Gennari, 1999</xref>, Chapter 2).</p>
			<p>More specifically, this paper aims to answer a question which, a priori, appears a paradox: how is it possible to understand the passing of a leftwing law, such as the law limiting the remittance of profits, in a Congress which had a conservative majority? The few authors who tried to resolve this problem, such as Thomas <xref ref-type="bibr" rid="B52">Skidmore (2010</xref>, p. 270), emphasized that the nationalist deputies, despite being a minority in the parliament, were capable &quot;of forming a majority exploring the generalized suspicion of foreign investors which moderate deputies generally shared.&quot;<xref ref-type="fn" rid="fn34"><sup>3</sup></xref> Although it is plausible, this explanation seems insufficient to us.</p>
			<p>To reflect on the theme, the article will analyze the position of Brazilian and foreign businessmen from the commercial and industrial sectors. Public and confidential sources will be used from regional interest groups, especially entities from the states of Guanabara, Rio de Janeiro, and São Paulo. The corporatist class representation structure in Brazil, by conceding similar weights to federations within national associations, tended to increase the relative importance of state entities to the detriment of national representation bodies. (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Leopoldi, 2000</xref>, Chapter 7; <xref ref-type="bibr" rid="B50">Schmitter, 1972</xref>). This explains why we have privileged state bodies. It should be clarified that, with the exception of the Federation of Industries of the State of São Paulo (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo - Fiesp), which did not give us access to confidential documents, the other entities authorized us to carry our research in their private archives. Although the loss was significant, since Fiesp was one of the most important entrepreneurial pressure groups in Brazil, and where the majority of nationalist entrepreneurs was concentrated, this limitation was in part compensated by the consultation of official US sources. US diplomatic authorities had a wide range of contacts in Brazil, presenting meticulous reports to Washington. Among the members of this extensive network included political leaders and high ranking entrepreneurs, including representatives of Fiesp.</p>
			<p>Some writers have emphasized that divisions within the entrepreneurial class in Brazil deepened in the middle of the 1950s, particularly amongst those which had little or no participation of foreign capital in their business, defending positions identified as 'nationalist,' and those which had strong links with foreign investors, whether they were associated with them or were their representatives in Brazil (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Dreifuss, 1981</xref>, Chapter 3). This division became clear in the class based associations. Some business groups, such as the Commercial Association of Rio de Janeiro (Associação Comercial do Rio de Janeiro - ACRJ), the Federation of Industries of the State of Guanabara (Federação das Indústrias do Estado da Guanabara - Fiega) and, to a lesser extent, the Commercial Association of São Paulo (Associação Comercial de São Paulo - ACSP) had been hegemonized by international entrepreneurs or those associated with them, presenting a wide-ranging convergence with the positions defended by the Foreign Commerce Chambers. In fact, the foundation of the Institute of Research and Social Studies (Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais - Ipes) in November 1961 - a organization which from them on brought together the principal foreign and associated leaders in Brazil, and which would have an important role in the civil networking of the 1964 coup - emerged exactly in the context of the passing of the profit remittance law by the Chamber of Deputies, with a strong presence of members of ACRJ and Fiega (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Dreifuss, 1981</xref>, pp. 163-165). São Paulo industries, however, had a greater heterogeneity. Within the Federation of Industries of the State of São Paulo (Fiesp) could be found, according to the words of <xref ref-type="bibr" rid="B31">Leopoldi (2000</xref>, p. 273), a more balanced division between the 'nationalist' and 'foreign' wings, which shared strategic positions within the body. The 1962 Fiesp election, in which Raphael Noschese was elected president, resulted from an agreement between the two wings, avoiding a split (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Leopoldi, 2000</xref>, p. 275). It should be noted that São Paulo state concentrated more than half of the industrial capacity of the country in this period, as well as practically monopolizing the production of capital-intensive manufactured items (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Moraes, R., 2014</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B40">Negri, 1996</xref>, p. 117). It was in São Paulo above all that laws impacting business performance tended to create the greatest discussions.</p>
			<p>The article presents evidence which highlights the importance of entrepreneurs in the debates about the passing of the Profit Remittance Limitation Law, especially those who defended a nationalist line for Brazilian economic development. This conclusion is relevant because it suggests a more complex scenario about the role of the so-called 'national bourgeoisie' during the Goulart administration. Even though the entrepreneurial sector had assumed conservative postures in relation to the distributive reforms (agrarian and tax) and the worsening of social conflicts (strikes, manifestations), it can be seen that in questions like the limitation of profit remittances, there was space for convergence between progressive wings of the entrepreneurial sector and workers.<xref ref-type="fn" rid="fn35"><sup>4</sup></xref> It should be noted that the unity of nationalist sectors was defended by important leftwing groups in Brazil, especially the Brazilian Communist Party (PCB), which would later be interpreted as having been infeasible due to the support of the business for the 1964 coup (<xref ref-type="bibr" rid="B42">Prado Jr., 1966</xref>, pp. 108-111; <xref ref-type="bibr" rid="B37">Moraes, M., 2014</xref>, p. 55). Although the article does not refute this position, our conclusions suggest that the pre-coup social context was more complex than is normally supposed.</p>
			<p>A second relevant conclusion of this paper refers to the role of President João Goulart during the voting of the remittance limitation bill in Congress. The article shows that Goulart's participation was marked by two moments: in the initial phase, when the bill was passed by the Chamber of Deputies at the end of 1961, Goulart did not really play any role. However, later, when the bill was passed with modifications in the Senate and returned to the Chamber of Deputies in the middle of 1962, Goulart's role was extremely significant. It is argued that the president was motivated in a more incisive manner in the second stage for pragmatic reasons and not for reformist ideals. In other words: Goulart had used the slogan of the basic reforms (including the question of the remittances of profits) as a means to pressurize Parliament to approve the anticipation of the plebiscite which would decide about the continuity of parliamentarianism. What also calls attention is the fact that this aspect has been little dealt with in the literature, despite its relevance.<xref ref-type="fn" rid="fn36"><sup>5</sup></xref>
			</p>
			<p>In addition to this introduction, the article has three sections. The second section discusses the passage of Celso Brandt's Bill limiting the remittance of profits through the Chamber of Deputies in November 1961. After this, the case of Mem de Sá's bill in the Senate in July 1962 is looked at, as well as its modification by the Chamber of Deputies in August of the same year, culminating in the in the Profit Remittance Limitation Law. Presented in the last section are the conclusions.</p>
			<sec>
				<title>THE PASSING OF CELSO BRANDT'S PROFIT REMITTANCE BILL IN NOVEMBER 1961</title>
				<p>Celso Brandt's Profit Remittance Limitation Bill, passed on 29 November 1961 by the Chamber of Deputies, established severe restrictions on the action of foreign capital in Brazil.<xref ref-type="fn" rid="fn37"><sup>6</sup></xref> Among its principal determinations, the most famous was the imposition of an annual limit for the remittance of profits and dividends corresponding to 10% of the corporate capital of foreign companies. The text prohibited any type of reinvestment from being included in the accounting books as part of a company's assets, which would negatively influence the calculation of remittances. It was also established that foreign banks were prohibited from having deposit portfolios in Brazil, respecting the principle of reciprocity. Foreign firms were also forbidden from acquiring operating Brazilian companies and from receiving loans from Brazilian public banks. Finally, companies which camouflaged export and import values for the purposes of illegal remittances were prohibited from participating for an undetermined time from foreign trade in Brazil (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Câmara aprova..., OESP, 30 nov. 1961</xref>). The communists effusively praise the bill, which represented, according to the PCB, a victory of nationalist forces over imperialism (<xref ref-type="bibr" rid="B45">Que é o projeto..., Novos Rumos, 1961</xref>).</p>
				<p>The criticisms of entrepreneurs, notably from foreign companies or those associated with them, were scathing. Days after the text had been passed, members of the US National Foreign Trade Council criticized the project to the Secretary of State Dean Rusk, highlighting the need to prevent it being passed in the Brazilian Senate.<xref ref-type="fn" rid="fn38"><sup>7</sup></xref> Business entities in Brazil also manifested their profound discontentment with the Chamber of Deputies' attitude, seen as 'ruinous' for attracting foreign capital.<xref ref-type="fn" rid="fn39"><sup>8</sup></xref> According to the president of Fiesp, the profit remittance law would condemn Brazil to 'stagnation' (<xref ref-type="bibr" rid="B48">Remessa de lucros..., OESP, 1 dez. 1961</xref>). Giulio Lattes, director of the São Paulo Commercial Association (ACSP) and Chilean representative in the Council of Foreign Trade Chambers of São Paulo, classified the text as &quot;an open road to the introduction of communism in Brazil.&quot;<xref ref-type="fn" rid="fn40"><sup>9</sup></xref> According to Rui Gomes de Almeida, president of the Commercial Association of Rio de Janeiro (ACRJ), linked to US and Canadian business interests, and one of the principal leaders of Ipes, the Brandt Bill created 'insuperable problems' for the economy. Even if the Senate annulled the &quot;disastrous proposal,&quot; it would not be possible to regain immediately the trust of international investors (<xref ref-type="bibr" rid="B28">A indústria paulista..., OESP, 6 dez. 1961</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B15">Dreifuss, 1981</xref>, p. 502, 526).</p>
				<p>As well as analyzing the perception of entrepreneurs, or considering the economic implications of the bill - in part responsible for the fall in the influx of Foreign Direct Investment (FDI) after 1961 -, it interests us to understand the conditions which allowed it to pass (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Mesquita, 1992</xref>, pp. 145-146).<xref ref-type="fn" rid="fn41"><sup>10</sup></xref> Many scholars implicitly assume that the Brant Bill was passed because the presidency was in the hands of João Goulart, in other words, under the command of a president identified in the national imagination with the struggle for the basic reforms, the nationalist political ideal, and the defense of workers (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Ferreira, 2011</xref>, p. 278, 293, 317; <xref ref-type="bibr" rid="B38">Moreira, 2014</xref>, chapter 4; <xref ref-type="bibr" rid="B37">Moraes, M., 2014</xref>, p. 54; <xref ref-type="bibr" rid="B51">Silva, 2014</xref>, pp. 30-31).<xref ref-type="fn" rid="fn42"><sup>11</sup></xref> However, there are problems in interpreting the question in this manner. First, the evidence points to a restricted participation of President Goulart in the negotiation process to pass the bill, at least during the initial vote in the Chamber of Deputies.<xref ref-type="fn" rid="fn43"><sup>12</sup></xref> Given his delicate political situation at the beginning of his mandate, the president appeared more interested in cultivating a good relationship with the elites, even groups associated with foreign capital, than in pressurizing the Parliament to pass the basic reforms (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Inovações do projeto..., OESP, 23 set. 1961</xref>).<xref ref-type="fn" rid="fn44"><sup>13</sup></xref> Second, even if Goulart had acted secretly with members of congress, the Council of Minister, which divided authority with Jango had marked a clear proposal in favor of a more moderate version of the proposal. Evidence suggests that the order of the government leadership in the Parliament against the Brandt Bill had been disrespected by the base of allied parties (<xref ref-type="bibr" rid="B48">Remessa de lucros..., OESP, 1 dez. 1961</xref>).<xref ref-type="fn" rid="fn45"><sup>14</sup></xref> Finally, and this is perhaps the most relevant aspect, even hypothetically assuming that even the Council of Ministers had adhered to the struggle for the approval of the project, its passing by the Chamber could not have been approved with such a broad margin (150 votes in favor and only 61 against), taking into account the vast presence of conservatives in Congress.<xref ref-type="fn" rid="fn46"><sup>15</sup></xref> The US ambassador in Brazil, Lincoln Gordon, classified the easy passing of the bill as a &quot;disturbing factor.&quot; In fact, it was exactly the significant presence of conservative groups in Parliament which prevented the approval of reformist projects defended by Goulart in 1963, including agrarian reform (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Figueiredo, 1993</xref>, Chapter 3). It is therefore necessary to find more solid reasons to explain the passing of the Brandt Bill in the Chamber of Deputies.</p>
				<p>An alternative is to analyze the perceptions of entrepreneurial representatives about the subject. What calls attention here is the fact that the same surprise caused today had been demonstrated at the time by entrepreneurs and even by politicians in the Parliament. In a debate in the Federation of Industries of the State of Guanabara (Fiega) with the presence of Federal Deputy Othon Mader (União Democrática Nacional, UDN-PR), member of Parliamentary Democratic Action (Ação Parlamentar Democrática, ADP), the board of the Carioca federation expressed its surprise with the passing of the project, especially because 72 of the 155 members of ADP had voted in favour of the proposal.<xref ref-type="fn" rid="fn47"><sup>16</sup></xref> Mader answered that the isolation of the recently opened federal capital and the fact that most members of Congress only had electoral interests had allowed that the 'left-wing leaders' to control Congress.<xref ref-type="fn" rid="fn48"><sup>17</sup></xref>
				</p>
				<p>In the Commercial Association of São Paulo (ACSP), the directors demonstrated the same sense of disorientation. One of the ACSP councilors, Azevedo e Sá, said that he had had the opportunity to talk with 'various deputies' and he had been impressed by the fact that many of them had not been &quot;aware of the importance of the decision and the immense prejudice this law would cause Brazil.&quot; Azevedo e Sá even stated that numerous deputies had asked him: &quot;why did you (from ACSP) not clarify this before?&quot; The director of ACSP concluded similar to what had been presented to Fiega: &quot;When a project like this comes, the communists unite... seeking, behind a curtain of smoke, to cover up what this project is about and to present the aspect of nationalism and individuals hear them.&quot;<xref ref-type="fn" rid="fn49"><sup>18</sup></xref>
				</p>
				<p>Similarly, during the investigations made by the US ambassador, one of the diplomatic representatives heard a similar explanation from Deputy José de Souza Nobre (Partido Trabalhista Brasileiro, PTB-MG). According to Souza Nobre, most of those who had voted in favor had been 'tricked' by the tables and figures presented by the 'communists' before the vote, or they had the intention of gaining popularity with progressive groups in society, throwing the political cost of the project on the Senate.<xref ref-type="fn" rid="fn50"><sup>19</sup></xref> It can be seen that the explanation of personalities from the period appears very like the interpretation present in the historiography, as exemplified in Skidmore's work.</p>
				<p>Is it thereby possible that the cunning and ingenuity of leftwing groups in the Parliament, allied to the electoral interest of some deputies, had been capable of passing the Brandt Bill by such a wide margin? From what it appears, no. These factors may even have contributed to this result, but there is evidence that something else had been even more determinant: the lobbying of members of Congress by nationalist industrialists, notably the so-called 'nationalist group' of Fiesp. The term is used by Maria Antonieta <xref ref-type="bibr" rid="B31">Leopoldi (2000</xref>, p. 273) to describe the industrial wing within the Federation which had little or no contact with foreign capital. Among its principal representatives were important industrialists and leaders of key federations of São Paulo industry, including José Ermírio de Moraes Filho (Union of Cement Industries), Fernando Gasparian (Union of the Spinning and Weaving Industry) and Ramiz Gattás (Union of the Auto-Parts Industry).</p>
				<p>Ermírio de Moraes was the owner of the Votorantim group, the largest nationally owned manufacturing conglomerate in Brazil, with more than fifty companies, distributed among the areas of cement, aluminum, chemicals, and textiles (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Leopoldi, 2000</xref>, p. 273; <xref ref-type="bibr" rid="B46">Queiroz, 1972</xref>, pp. 65-68, 157). As well as being from the textile industry, Fernando Gasparian had enormous political capillarity in Brazil, even among the deputies from the Nationalist Parliamentary Front (FPN) in Congress. When the Ministry of Labor intervened in the National Confederation of Industry (CNI) in April 1961, due to the supposed irregularities of the them president Lídio Lunardi, Gasparian assumed interim control of the organization between October 1961 and January 1962 (actually coinciding with the exact moment when the Brandt Bill was passed by the Chamber of Deputies) (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Leopoldi, 2000</xref>, p. 274). Finally, Ramiz Gattás, also an important industrialist from the auto-parts sector, led the union of one of the most dynamic branches of manufacturing in the country, stimulated by the boom in the production of vehicles at the end of the 1950s (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Gattás, 1981</xref>). Operating out of São Paulo - a state in which was concentrated more than 55% of the value of manufacturing production in the country in 1962 (<xref ref-type="bibr" rid="B46">Queiroz, 1972</xref>, p. 157) -, there was no doubt that these industrialists led a group with great power to apply pressure to achieve their interests.</p>
				<p>At the end of the 1950s, nationalist manufacturing leaders were harshly critical of what they considered to be the excessive benefits conceded to foreign capital by the Kubitschek administration, especially the maintenance of Sumoc Instruction 113, issued by the brief administration of Café Filho (1954-1955) (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Caputo; Melo, 2009</xref>, pp. 513-538). The theme of the disciplining of foreign capital through the remittance of profits was frequently cited by nationalist industrial leaders as a form of reducing what they considered was an excessive penetration of foreign capital in the country. In fact, this rapid entrance of foreign firms and their associates strengthened domestically owned foreign groups and industrial entities (also within Fiesp), who defended the maintenance of a widespread freedom of investment in Brazil (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Dreifuss, 1981</xref>, Chapters 2-3; <xref ref-type="bibr" rid="B26">Gattás, 1981</xref>, pp. 305-306; <xref ref-type="bibr" rid="B31">Leopoldi, 2000</xref>, Chapter 8).</p>
				<p>With the economic deceleration at the beginning of the 1960s, the conflict between nationalist and foreign business groups became stronger. The passing of the Brandt Bill by the Chamber of Deputies was a striking episode in this sense. Various indications point to a determinant role played by nationalist industrialists here. For example, in a conversation with Ambassador Lincoln Gordon in December 1961, Augusto Schmidt, advisor of the senator and former president Juscelino Kubitschek, commented that conservative deputies, such as Mendes de Moraes (no party-GB), had &quot;sold their votes to the industries of São Paulo.&quot;<xref ref-type="fn" rid="fn51"><sup>20</sup></xref> In the same period, in a meeting with members of the State Department, US bankers stated that the Brazilian ambassador in Washington, Roberto Campos, said that the approval of the project had resulted from a &quot;profane alliance between nationalists, leftwing elements, and Brazilian industrialists.&quot;<xref ref-type="fn" rid="fn52"><sup>21</sup></xref> Finally, after obtaining information from confidential sources, Lincoln Gordon noted that &quot;some large industrialists, notably from São Paulo,&quot; through &quot;efforts probably coordinated with nationalist-leftwingers,&quot; had encouraged &quot;Congress and the Executive to approve a nationalist legislation, in order to reduce foreign competition.&quot;<xref ref-type="fn" rid="fn53"><sup>22</sup></xref>
				</p>
				<p>The hypothesis that nationalist industrialists had been involved in the passing of the Brandt Bill was not restricted to the secret communications of the US embassy. A day after the law was passed, Correio da Manhã newspaper reported that Fiesp had submitted a memorial to President Goulart and Prime Minister Tancredo Neves with proposals about the disciplining of foreign capital in a similar manner to those contained in the Brandt Bill. The newspaper also identified the industrialist José Ermírio de Moraes Filho, heir of the Votorantim group, as one of the principal defenders of the remittances law (<xref ref-type="bibr" rid="B24">A Fiesp e a remessa..., OESP, 15 dez. 1961</xref>). In response, the president of Fiesp, Antônio Devisate, stated that the Federation had offered a memorial to the federal authorities, but that the suggestions about foreign investment did not coincide with the lines of the Brandt Bill (<xref ref-type="bibr" rid="B28">A indústria paulista..., OESP, 6 dez. 1961</xref>). According to Fiesp, Devisate concluded, the law passed by the Chamber of Deputies would condemn &quot;our country to the reduction of investment that would cause a stagnation in the march of its development,&quot; since it had not distinguished &quot;false investment from legitimate foreign capital&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B48">Remessa de lucros..., OESP, 1 dez. 1961</xref>). José Ermírio de Moraes Filho also refuted the accusation that he had put pressure on the deputies for the law to be passed (<xref ref-type="bibr" rid="B41">Objeções à lei..., OESP, 7 dez. 1961</xref>).</p>
				<p>The analysis of the controversial memorial of Fiesp about the subject, written by José Ermírio de Moraes Filho himself shows, however, that the entity had proposed various measures aimed at disciplining the 'return of foreign capital' to its countries of origin. While, on the one hand, there did not appear in the memorial one of the most controversial articles of the Brandt Bill (which stipulated the annual limits of remittances of up to 10% of the registered capital, without taking into account future inversion), on the other hand Fiesp asked that &quot;the return or transfer of the equivalent of foreign investment without currency coverage... can only be authorized five years after it entered country, in annual parcels of 20%.&quot; Taking into account that foreign investments 'without exchange coverage' (made in accordance with Instruction 113) reached a peak under the Kubitschek administration, the implementation of this demand would certainly hinder the interests of foreign investors and their Brazilian associates. It is not possible to know up to which point it was negotiated with leftwing deputies, being changed for others which appeared in the final version of the bill, but it is a fact that a Fiesp group defended more rigid controls on foreign capital, and this segment of the business sector had some weight (apparently determinant) in the passing of the Brandt Bill.</p>
				<p>Antônio Devisate, president of Fiesp, opposition to the remittances law can be interpreted as a form of disguising his organization's relationship with the passing of the bill, or as an expression of the foreign wing of Fiesp against the measure. The actions of Fernando Gasparian, the textile leader of São Paulo and then president of CNI, also appears to have been fundamental in the pressure exerted on members of Congress. In an editorial in Última Hora newspaper, João Pinheiro Neto identified Gasparian and José Ermírio de Moraes Filho as the two principal figures responsible for the passing of the bill (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Editorial, Última Hora, 5 jan. 1962</xref>). Similarly, according to José Gregori, who would become an advisor to San Tiago Dantas in the Ministry of Finance in 1963, Fernando Gasparian played a fundamental role in the lobbying to pass the law.<xref ref-type="fn" rid="fn54"><sup>23</sup></xref> Evidence also points to the emergence of Ipes in November 1961 as being in part a response of the foreign business and associates group, so that foreign business sectors could have greater influence on Parliament, preventing the passing of similar nationalist bills in the future (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Loureiro, 2012</xref>, pp. 222-224). What can, thus, be noted is a clear division of positioning between national entrepreneurs and foreign ones (and those associated with them) about relevant public issues. This division had already appeared in the 1950s with the question of Instruction 113 and was reinforced with the debate on the remittances limitation law (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Leopoldi, 2000</xref>, Chapter 5).</p>
			</sec>
			<sec>
				<title>THE MEM DE SÁ BILL AND THE PASSING OF THEPROFIT REMITTANCES LIMITATION LAW, SEPTEMBER 1962</title>
				<p>The passing of the Brandt Bill in November 1961 triggered the mobilization of conservative groups in Congress, stimulated by Ipes leaders, to prevent it becoming a law.<xref ref-type="fn" rid="fn55"><sup>24</sup></xref> At the beginning of 1962, a mixed commission was formed consisting of senators and federal deputies to prepare a new proposal, removing the most radical terms from the bill. The relator of this conciliatory proposal was the Senator Mem de Sá (Partido Libertador, PL-RS). After months of negotiation between the parliamentarians and conversations with representatives from civil society, Mem de Sá's bill was presented to the Senate in June 1962 (<xref ref-type="bibr" rid="B44">Propostos à comissão.... OESP, 20 jun. 1962</xref>). Basically, the most controversial articles were removed from the Brandt Bill, such as the quantitative limitation of 10% for the remittances of profits; the prohibition of official credit institutions from providing loans to foreign companies; the permanent suspension from participation in foreign trade of companies sued for manipulating the remittances of profits; and the creation of a Foreign Investment Council to monitor the actions of foreign capital. In contrast, the Mem de Sá Bill stipulated a limit of 8% of profit remittances for companies that produced 'sumptuary goods' (the definition of a 'sumptuary good' was to be made by Executive Decree). Moreover, the bill gave the power to Sumoc to limit the remittances of profits in the case of 'serious imbalances' in the external accounts of the country. Companies which made illegal remittances would be prohibited from participating in foreign trade activities for a period of 1-5 years (<xref ref-type="bibr" rid="B44">Propostos à comissão..., OESP, 20 jun. 1962</xref>). In general terms, this was the bill which the Senate passed in July 1962, afterwards sending it to the Chamber of Deputies for ratification (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Aprovou o Senado..., OESP, 17 jul. 1962</xref>).</p>
				<p>Even this moderate version of the bill did not please certain business sectors, notably those linked to foreign groups. In ACSP, for example, Councilor Giulio Lattes admitted that the Mem de Sá Bill would be &quot;more liberal and less xenophobic&quot; than the Brandt Bill. However, Lattes complained about the article which limited to 8% a year the remittance of companies that produced 'sumptuous goods.' The president of the Association, Paulo Barbosa, pondered that, due to the circumstances, it would be better to have had the bill passed as it was. At the end, Lattes resigned himself: &quot;we chose the lesser of two evils.&quot;<xref ref-type="fn" rid="fn56"><sup>25</sup></xref> In Fiega, the mood was less friendly. One of the councilors of the Carioca federation, Mário Ludolf, stated that the passing of the Mem de Sá Bill had been &quot;ruinous for the development of the Brazilian economy and if transformed into law [it would result] in the end of the investment of foreign capital in Brazil.&quot; According to Ludolf, not all the &quot;incoherencies&quot; and &quot;absurdities&quot; of the Brandt Bill had been removed, including the obligation for the &quot;permanent registration of foreign capital.&quot;<xref ref-type="fn" rid="fn57"><sup>26</sup></xref>
				</p>
				<p>Despite not having pleased everyone, the Mem de Sá bill was much more moderate than the Brandt one. It was expected that is passing by the Chamber of Deputies would be routine, since it had been the fruit of a mixed commission formed of senators and deputies - created to construct consensus about the subject. However, this did not happen. The Chamber of Deputies passed Mem de Sá's bill on 17 August 1962, but with two important modifications. Included in the text were articles which had appeared in the old Brandt Bill, amongst which were limitations on the remittances of profits at 10% of the value of the registered capital, and the prohibition that higher profits be added to the capital, impacting on the calculation of future remittances. The reaction of business sectors linked to foreign capital was immediate. ACSP highlighted the 'treason' of the deputies, since, according to Giulio Lattes, it was of &quot;public knowledge that the two houses of the legislature had committed themselves to adopt the substitute prepared by the mixed commission.&quot;<xref ref-type="fn" rid="fn58"><sup>27</sup></xref> Similar criticisms were made by Fiega and the Center of Industries of the State of Rio de Janeiro (Cierj). It was highlighted that the law would represent the end of foreign investment, halting Brazilian economic development (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Fiega e Cierj criticam..., OESP, 31 ago. 1962</xref>).</p>
				<p>In contrast with what happened during the passing of the Brandt Bill, when the action of President Goulart was not decisive, in the case of the passing with alterations of the Mem de Sá Bill, the situation was different. The country has undergone a profound political crisis in July 1962, culminating with the ascension of a prime minister (Brochado da Rocha) totally aligned with the purposes of the president (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Loureiro, 2012</xref>, pp. 276-295). Among these purposes, of most importance was the anticipation of the plebiscite on parliamentarianism, something which is a consensus in the literature, even among authors with profound interpretative divergences (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Ferreira, 2011</xref>, p. 304; <xref ref-type="bibr" rid="B54">Villa, 2004</xref>, pp. 66-67). As is known, Goulart assumed the Presidency in September 1961 after the turbulent resignation of Quadros and with the condition of having limited powers, through a constitutional amendment which instituted a parliamentarian regime. This amendment stipulated that, six months before the end of the Goulart's mandate (in the middle of 1965), a plebiscite would be held for the population to decide about the continuity of parliamentarianism. Goulart wanted to anticipate this plebiscite this as quickly as possible, in order to return to full presidential prerogatives. However, this was not easy, since the Congress had an ample majority of members favorable to the continuity of parliamentarianism.</p>
				<p>Goulart's strategy to overcome this problem was to strengthen a pro-basic reforms discourse, letting the population understand that these reforms could not be implemented due to the inoperability of Congress and, above all, a lack of presidential powers (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Dulles, 1970</xref>, p. 177; <xref ref-type="bibr" rid="B32">Loureiro, 2012</xref>, pp. 295-309). Prime Minister Brochado da Rocha was fundamental in this sense. In July 1962, apparently encouraged by Goulart, Brochado announced that if Congress would not approve the anticipation of the plebiscite and a wide ranging delegation of powers to the Council of Ministers by 17 August, he would resign, which would open a new political crisis the country. It was not by chance that the influential journalist Carlos Castello Branco called Brochado &quot;a premier to be sacrificed&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Castello Branco, 1975</xref>, p. 21). Amongst the requests to Congress for the delegation of powers were for decrees on agrarian reform, tax reform, anti-trust legislation, and legislation limiting the remittances of profits. In relation to the latter, Brochado stated that it signified including an annual limitation of 10% on the remittances of foreign capital. In other words, the prime minister, indirectly supported by the president, started to defend the perspective of the Brandt Bill, which had recently been repudiated by the Senate through the passing of Mem de Sá's text (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Loureiro, 2012</xref>, Chapter 6).</p>
				<p>As a form of responding to the prime minister's offensive, Congress acted on two fronts: first, special commissions were established to analyze the delegation of power requests, showing that Parliament was willing to analyze them quickly (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Compostas as oito..., OESP, 12 ago. 1962</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B18">Escolhidos os presidentes..., OESP, 15 ago. 1962</xref>). The most inoffensive of the requested demands were approved, such as the creation of two extraordinary ministerial positions and permission for the government to enact laws to deal with supply problems (<xref ref-type="bibr" rid="B12">As comissões ultimam..., OESP, 16 ago. 1962</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B7">A Câmara aceita..., OESP, 17 ago. 1962</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B14">Dados mais dois poderes..., OESP, 18 ago. 1962</xref>). Second, in the case of the issues considered sensitive, Congress made an effort to pass laws, instead of giving this prerogative to the cabinet, as reported by various members of Congress to Ambassador Lincoln Gordon.<xref ref-type="fn" rid="fn59"><sup>28</sup></xref> The most important examples were the passing of the anti-trust and profit remittance limitations laws, both passed on the final day of the deadline given by Brochado da Rocha (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Aprovado pela Câmara..., OESP, 17 ago. 1962</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B3">Aprovada pela Câmara..., OESP, 18 ago. 1962</xref>). Although the content of these laws displeased some sectors of society, especially in the case of the remittance law and in reference to foreign companies and the entrepreneurs associated with them, there can be no doubt that the texts passed were much less radical than would have been the case if they have been prepared by the Council of Ministers through the delegation of powers.</p>
				<p>The evidence thereby suggests that the reinsertion of the controversial articles from the Brandt Bill in the one formulated by the Mixed Commission (Mem de Sá Bill) was the fruit of the context of the political struggle over the maintenance of parliamentarianism. Members of Congress wanted to show society that the basic reforms could be passed in a parliamentarian system. This strengthened the position of nationalist deputies in the sense that the remittances law would only be legitimate if was similar to the prime minister's proposal, which defended the imposition of quantitative limits on remittances of all types of investment - and not only for the producers of 'sumptuous goods,' as appeared in the original version of Mem de Sá's bill.<xref ref-type="fn" rid="fn60"><sup>29</sup></xref>
				</p>
				<p>Moreover, there was another factor which contributed to the passing of a more radical version of the profit remittances law by the Chamber of Deputies in August 1962. Evidence shows that once again nationalist entrepreneurs had lobbied parliamentarians, as had occurred at the end of 1961. In a debate in the São Paulo Commercial Association (ACSP) about the question, Councilor Paulo Egydio Martins, one of the most important members of Ipes in São Paulo, stated that the law would not have been passed if it had not been, once again, for the actions of 'nationalist' entrepreneurial groups. For reasons of clarity, it is worth reproducing his words to ACSP:</p>
				<disp-quote>
					<p>At a moment which the productive classes should unite, we can see that through these restrictions on foreign capital... (there is) an incentive for the formational of national trusts. And we can see at this moment the large representatives of the productive classes being the greatest adepts of Celso Brandt ... not in defense of the common good, but of national trusts, without being aware that they are following the path to national socialism ... These men should be denounced to the Nation, whoever they are, because they are, under the cloak of industrialists, of conservative classes, and often even reactionaries, working for the communization of Brazil.<xref ref-type="fn" rid="fn61"><sup>30</sup></xref>
					</p>
				</disp-quote>
				<p>The logic behind the actions of these nationalist entrepreneurs, according to the logic of Paulo Egydio Martins, was to make foreign investment in Brazil unfeasible, in order to keep the domestic market captive for nationally owner property. A less radical position would be to interpret the lobbying of these entrepreneurs as a form of reducing pressure on the balance of payments, allowing the continuity of the imports necessary for substitute industrialization. In one way or another, taking into account that the majority of the documentation which refers to the actions of nationalist entrepreneurial sectors is of a confidential nature and belongs to representative associations (ACSP and Fiega), it is difficult to imagine that the comments reproduced here had no foundation. Even in the case of Fiesp, where most of the nationalist business sectors were concentrated, the public documentation of the Federation is complemented by official restricted US documents, which suggest similar conclusions. </p>
				<p>After the passing of the profit remittances law by the Chamber of Deputies in August 1962, the text was submitted to the Executive to receive presidential sanction. Goulart, who did not want to publically commit himself to the content of the law, decided to let the deadline for its approval elapse. As a result, according to constitutional procedures, the president of the Senate, Auro de Moura Andrade, was obliged to sanction it on 3 September 1962 (<xref ref-type="bibr" rid="B43">Promulgada... OESP, 5 set. 1962</xref>).</p>
				<p>However, the problem did not end there. The remittances law had purposefully left some questions open, which demanded presidential regulation. Of these the most important referred to the doubt about whether the reinvestments of profits which occurred before the enactment of the law could be incorporated in the corporate capital registered with Sumoc. The legal text was clear about reinvestments after the enactment of the law (which could not be incorporated), but not about those which occurred beforehand. Behind this apparently technical debate there was a fundamental point: if reinvestments occurred beforehand were considered legitimate, as the representatives of foreign and associated capital defended, this would allow foreign companies to have permission to remit more profits abroad.</p>
				<p>President Goulart delayed as much as he could to regulate the law. The first semester of 1963 was marked by the attempt to implement the Triennial Plan, an economic stabilization program which aimed, as well fighting inflation, to maintain GDP growth. It was therefore fundamental to attract foreign capital, Goulart left the question of the regulation of the law aside. After the abandonment of the Triennial Plan in the middle of 1963 and the political radicalization which took over the country in the second half of the year, Goulart ended up uniting with the most radical sectors of the left, finally implementing this regulation in January 1964. This met the aims of leftwing sectors by considering registered capital as only what was directly invested from abroad; profits, to the contrary, were interpreted as 'Brazilian,' and could not constitute the base for future remittances (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Ferreira, 2011</xref>, Chapter 8; <xref ref-type="bibr" rid="B34">Mesquita, 1992</xref>, Chapter 4; <xref ref-type="bibr" rid="B35">Monteiro, 1999</xref>, Chapter 3). The implementation of this radical version of the law, however, did not last long. Following the 1964 coup, one of the first measures of the Castelo Branco administration was to approve new legislation in Congress (L no. 4.390, from August 1964), which changed various aspects of the 1962 law, aiming to encourage the entrance of foreign capital through a liberal policy for remitting profits and dividends (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Gennari, 1999</xref>, p. 185). </p>
			</sec>
			<sec sec-type="conclusions">
				<title>FINAL CONSIDERATIONS</title>
				<p>The evidence presented in this article suggest that the reasons commonly given to explain the passing of the law limiting remittances of profit under the Goulart administration are unsatisfactory. It is plausible to assume, as Thomas Skidmore points out, that the organization of nationalist parliamentarians, linked to disinformation and the moderation of a group of deputies, contributed to the result of the votes. Nevertheless, the large majority conquered in favor of the law, in a Congress which had a substantial number of conservative members, suggest that other aspects were more important. It is argued here that the two factors were fundamental in this sense: first, the pressure exerted by nationalist entrepreneurial sectors on Parliament; and second, the use of a pro-basic reform agenda by President Goulart in the middle of 1962, including the approval of a more radical version of the profit remittances law, to anticipate the plebiscite about parliamentarianism and to reconquer full presidential prerogatives.</p>
				<p>In relation to the first aspect, evidence was presented, principally obtained from US diplomatic documents and public and private sources from entrepreneurial entities, which suggests that the so called nationalist wing of Fiesp played an important role both in the lobbying for the passing of the Celso Brandt Bill about profit remittances in November 1961, and also the inclusion of nationalist articles in the Mem de Sá Bill when it was going through the Chamber of Deputies in the middle of 1962. What this group was interested in, according to entrepreneurs associated with foreign investors, was to limit the conditions of the penetration of foreign capital in Brazil, guaranteeing a reserved market for Brazilian businesses.</p>
				<p>The second aspect which helps to explain the conditions for the passing of the remittances law is related to the adoption of a radical pro-basic reform banner by the Brochado da Rocha cabinet in the middle of 1962 - a cabinet which is acknowledged by the literature as having strongly acted in alignment with the political interests of President Goulart. Through the evidence of national newspapers and US diplomatic sources, it is suggested that the pro-reform discourse of Jango was, above all, a means for forcing Congress to anticipate the date of the plebiscite which would decide on the continuity of parliamentarianism in the country. The presidential logic appears to have been to impose a reform agenda that was impossible for Parliament to pass quickly, in order to demonstrate the ineffectiveness of parliamentarianism and to open the way to the reinstallation of presidentialism. The presentation of a (relatively short) deadline by Brochado da Rocha to Parliament to vote an extensive delegation of powers (including delegation for the decree of a radical remittances law) is a strong indication of this. Also suggested by the evidence is that conservative parliamentarians (correctly) calculated that it would be better for Congress to pass some legislation limiting remittances than to leave the question to the decision of the Council of Ministers. This gave strength to leftwing deputies who, with the support of nationalist business sectors, managed to reintroduce articles from the Brandt Bill in the final version of the law, approved by the president of the Senate in September 1962.</p>
				<p>These conclusions are important because they point to a less pessimistic perspective in relation to the actions of the so-called 'Brazilian bourgeoisie' in the context of the pre-1964 coup era. Some scholars have argued that the posture of the old PCB at the beginning of the 1960s - i.e., favorable to the construction of an alliance between workers, peasants, and the 'national bourgeoisie,' in opposition to foreign domination, or 'imperialism' - was naive, to the extent that it underestimated the nature of class intrinsic to all of the bourgeoisie and neglecting the fact that various elements of the national business sector had ties, to greater or lesser degrees, with foreign capital.<xref ref-type="fn" rid="fn62"><sup>31</sup></xref> It is reasonable to argue that, in themselves, the connections made by nationalist entrepreneurs to pass the profit remittances law were not enough to conclude that the PCB was correct, since the nationalist positions of parts of the business sector in relation to foreign capital coexisted with conservative postures towards other questions - such as the reactionary tendency opposed to the basic reforms, or even the opposition to the intensification of strikes at that time. Nevertheless, although it is necessary to advance further in knowledge about the question, the conclusions presented here suggest that the game of social forces which culminated in the end of democracy in Brazil was more complex, deserving to be examined in light of new sources and also in relation to representative associations, based on new thematic, sectorial, and geographic foci.</p>
			</sec>
		</body>
		<back>
			<fn-group>
				<fn fn-type="supported-by" id="fn32">
					<label>1</label>
					<p>I would like to thank Adriana Schor, Gustavo Barros, Renato Colistete, and the two anonymous peer reviewers from Revista Brasileira de História for their comments and suggestions. Evidentially, all errors and omissions are my responsibility. This research received financial support from CNPq and Capes.</p>
				</fn>
			</fn-group>
		</back>
	</sub-article>-->
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