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					<article-title>Felippe, Guilherme Galhegos. A cosmologia construída de fora: a relação com o outro como forma de produção social entre os grupos chaquenhos no século XVIII</article-title>
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						<institution content-type="original">Doutorando em Antropologia Social, PPGAS/Museu Nacional/UFRJ. Rio de Janeiro, RJ, Brasil. messias.basques@gmail.com</institution>
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						<p>Pesquisador do Laboratório de Antropologia da Arte, Ritual e Memória - LARMe/Museu Nacional, Rio de Janeiro, RJ.</p>
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			<p>O livro A cosmologia construída de fora foi originalmente escrito como tese de doutorado e recebeu o Prêmio Capes na área de História em 2014. Trata-se de uma importante contribuição à história e à etnologia indígena das Terras Baixas da América do Sul, pois se baseia em uma aproximação bem-sucedida entre pesquisas antropológicas e um extenso corpo documental referente às práticas e concepções de povos chaquenhos e às suas relações com o outro no século XVIII: afins e inimigos, missionários e invasores europeus. O livro tem o mérito de abordar uma região pouco estudada pela antropologia brasileira: o Grande Chaco, uma das principais regiões geográficas da América do Sul e que constitui zona de transição entre a planície da bacia amazônica, a planície argentina e a zona subandina.<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref> A análise de registros produzidos por observadores civis e religiosos ao longo do século XVIII evidencia o contraste entre o discurso europeu, centrado na denúncia da barbárie e da inconstância que caracterizariam os nativos, e o modo propriamente indígena de responder ao avanço colonial. Felippe examina três aspectos da cosmologia chaquenha: a guerra, a reciprocidade, e o regime de produção e consumo alimentar. O fio condutor da análise é a mitologia desses povos, aqui entendida como fonte de conhecimento sobre o pensamento ameríndio.</p>
			<p>Desde o título até suas páginas finais, o livro demonstra a fertilidade da proposição levistraussiana a respeito da importância da &quot;abertura ao outro&quot; no pensamento ameríndio e nos modos pelos quais esses povos costumam se situar diante da alteridade. Segundo Anne-Christine (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Taylor, 2011</xref>), essa característica foi desde cedo detectada por Claude Lévi-Strauss, como mostram os dois artigos por ele publicados no ano de 1943 e que estabeleciam &quot;o aspecto sociologicamente produtivo da guerra vista como forma de vínculo ... e a primazia da afinidade no universo social dos índios, a primazia da relação com o não-idêntico sobre as ligações de consanguinidade ou, mais exatamente, de identidade&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Taylor, 2011</xref>, p.83). O tema da &quot;abertura ao outro&quot; inspirou profundamente os autores mobilizados por Felippe em seu diálogo com a antropologia e, sobretudo, com a etnologia amazonista. Inserindo-se nessa tradição, Felippe apresenta uma descrição histórica e etnográfica que corrobora uma tendência recente da antropologia chaquenha de acentuar as ressonâncias entre os povos da região e aqueles da Amazônia. Retomando o clássico artigo de (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Seeger et al., 1979</xref>), alguns autores têm defendido a existência de um &quot;pacote amazônico&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B6">Londoño Sulkin, 2012</xref>, p.10) cujos componentes também estariam presentes no Grande Chaco e dentre os quais se destacam: o foco no corpo humano e seus elementos como matriz primária de significado social e a existência de um cosmos perspectivista que se encontraria mediado por relações com alteridades perigosas e potencialmente fecundas (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Echeverri, 2013</xref>, p.41).</p>
			<p>O primeiro capítulo trata dos mitos indígenas como construção da realidade, partindo de uma reflexão teórica acerca das diferenças entre o conhecimento objetivo e subjetivo, bem como das concepções de natureza e cultura que fundamentavam o cotidiano e os conhecimentos dos povos chaquenhos no século XVIII. Apesar da grande variedade de versões registradas nas fontes documentais, pode-se notar que, quando tomadas em conjunto, as narrativas míticas refletem problemas similares, como o tema da origem da humanidade e dos animais a partir de uma mesma constituição ontológica, de um fundo comum marcado pela comunicação interespecífica e pela partilha de subjetividade e da capacidade de agência. Felippe descreve como a absorção de ele- mentos exógenos era o eixo do pensamento indígena e, nesse sentido, as transformações criativas que se podem observar na mitologia desses povos revelariam a sua forma de refletir e de responder aos &quot;brancos&quot;, ora incorporando, ora recusando elementos do cristianismo, bem como os objetos, animais, atividades e tecnologias trazidos pelos europeus.</p>
			<p>No segundo capítulo, a guerra aparece como meio por excelência para a internalização do outro e como produtora de relações entre diferentes sociedades e no interior de cada uma delas. Nas palavras do autor, a guerra chaquenha era diametralmente oposta à guerra praticada pelos europeus, pois &quot;não se fundamentava na extinção do inimigo, nem na busca pela paz. Era, em realidade, o método mais eficaz de estabelecer relações e, consequentemente, movimentar o meio social&quot; (Felippe, 2014, p.121). O modelo utilizado na análise da guerra chaquenha é &quot;amazônico&quot; e se apoia nas teorias da &quot;economia simbólica da alteridade&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Viveiros de Castro, 1993</xref>) e da &quot;predação familiarizante&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Fausto, 1997</xref>). A hipótese, em suma, é a de que em ambas as regiões encontraríamos &quot;economias que predam e se apropriam de algo fora dos limites do grupo para produzir pessoas dentro dele&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Fausto, 1999</xref>, p.266-267).</p>
			<p>Esse capítulo oferece um sólido contraponto às teses que defendem a ocorrência de escravidão - e o uso desse conceito na análise das práticas de apresamento - entre os ameríndios (cf. <xref ref-type="bibr" rid="B9">Santos-Granero, 2009</xref>), pois Felippe demonstra que &quot;ao grupo vencedor interessava capturar pessoas e levá-las à sua aldeia como cativos de guerra, porém sem a intenção de mantê-los prisioneiros ou fazer deles escravos&quot; (2014, p.175). Isto é, os cativos de guerra não eram con- vertidos em mercadorias e não viviam sob a lógica de uma objetificação de caráter utilitário: &quot;se havia algum acúmulo era de relações sociais, e não de bens&quot; (p.213). O mesmo pode ser dito acerca dos frequentes roubos e assaltos entre os povos da região e, sobretudo, contra reduções jesuíticas, cidades e vilarejos, práticas estas que lhes permitiam a obtenção de montaria, de armas e de bebidas alcoólicas, e que serviriam para intensificar uma lógica preexistente de captura do outro. Em suma, as reduções e as rotas de comércio &quot;proporcionaram aos índios vantagens materiais e estratégicas que acrescentavam elementos à dinâmica relacional nativa - ao invés de substituí-la&quot; (p.141).</p>
			<p>A economia indígena é o tema da última parte do livro. No terceiro capítulo, retrata-se o avanço colonial por meio da implantação de relações comerciais e da integração dos povos nativos ao sistema mercantil. Sem menosprezar a violência e as suas consequências, o autor argumenta que os chaquenhos não foram meramente integrados ao mercantilismo, já que são abundantes os relatos acerca do protagonismo indígena no que concerne à potencialização das relações de reciprocidade com outros povos por intermédio de sua participação no comércio e na circulação de mercadorias não indígenas. Não obstante os esforços dos jesuítas para incutir entre os indígenas o sentido da falta e o desejo pela produção de excedentes, Felippe nos mostra que os missionários repetidamente testemunharam o fracasso dessa &quot;conversão&quot; para uma economia de acumulação. Segundo o autor, os Jesuítas não mediram esforços para &quot;introduzir nos índios a insegurança que os modernos tinham em relação ao futuro&quot; (Felippe, 2014, p.305-306). No entanto, se a inconstância era a resposta indígena diante da obrigatoriedade da crença, a prodigalidade parece ter sido a sua contrapartida às ideias de contrato e previdência.</p>
			<p>O quarto capítulo apresenta as razões de outra recusa: a não incorporação de métodos e técnicas do sistema econômico moderno, em especial, da agricultura como forma de produção de excedente e da domesticação de animais para reprodução. Inspirando-se em (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Sahlins, 1994</xref>, p.163), Felippe procura de- monstrar que as razões dessa recusa não se resumiam a uma divergência de percepções ou aos limites do entendimento dos povos nativos, conforme alegavam os missionários e agentes burocráticos ou coloniais, pois &quot;o problema não era empírico, nem tampouco prático: era cosmológico&quot;. Daí os índios que optaram por ou foram cooptados a viver nos povoados missioneiros não terem se dedicado à domesticação de animais, tampouco demonstrado interesse pela manutenção do &quot;stock de subsistência&quot; oferecido nas haciendas. A recusa à domesticação seria, desse modo, o &quot;efeito de uma impossibilidade&quot;, pois &quot;tudo se passa como se entre o amansamento dos animais autóctones passíveis de ser caçados e sua domesticação verdadeira havia um passo que os ameríndios sempre se recusaram a dar&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Descola, 2002</xref>, p.103, 107). A resiliência indígena frustrava os missionários, que denunciavam o fato de consumirem &quot;com desordem o rebanho destinado a sua manutenção&quot; (Fernández, 1779 apud Felippe, 2014, p.315) e de sua economia de produção alimentar se limitar ao consumo imediato, mesmo nos casos de povos horticultores.</p>
			<p>A invasão europeia no Chaco e o avanço da empresa colonizadora provocaram grande movimentação de povos indígenas, bem como o seu decréscimo populacional e o extermínio de tribos marginais à área chaquenha. Diante das transformações por que passaram, não podemos negligenciar a distância que se impõe entre os modos de vida indígena pré e pós-conquista. Entretanto, há um inegável &quot;ar de familiaridade&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Fausto, 1992</xref>, p.381) entre os relatos sobre os chaquenhos dos Setecentos analisados por Guilherme Galhegos Felippe e os povos que hoje se encontram nessa região, o que torna o seu livro leitura obrigatória para antropólogos e historiadores interessados no Grande Chaco e em suas ressonâncias com a história e a cultura dos povos indígenas das Terras Baixas da América do Sul.</p>
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					<mixed-citation>DESCOLA, Philippe. Genealogia dos objetos e antropologia da objetivação. Horizontes Antropológicos, v.8, n.18, p.93-112, 2002.</mixed-citation>
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					<mixed-citation>ECHEVERRI, Juan Álvaro. La etnografía del Gran Chaco es amazónica, In: TOLA, F. et al. Gran Chaco. Ontologías, poder, afectividad. Buenos Aires: Asociación Civil Rumbo Sur, 2013, p.41-43.</mixed-citation>
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					<p>A palavra &quot;chaco&quot; deriva do Quechua e significa &quot;grande território de caça&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B7">MITCHELL, 2015</xref>, p.15).</p>
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