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				<journal-title>Revista Brasileira de História</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. Bras. Hist.</abbrev-journal-title>
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				<publisher-name>Associação Nacional de História - ANPUH</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="doi">10.1590/1806-93472016v36n72_001</article-id>
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					<subject>Editorial</subject>
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				<article-title>EDITORIAL</article-title>
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					<institution content-type="original">Universidade Federal da Bahia (UFBA). Salvador, BA, Brasil. rbh@anpuh.br</institution>
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			<pub-date pub-type="epub-ppub">
				<season>May-Aug</season>
				<year>2016</year>
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			<volume>36</volume>
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		<p>Assim como a Anpuh, a <italic>Revista Brasileira de História</italic> (RBH) apoia a rejeição da escola sem partido. Os motivos são simples e remetem à nossa História.</p>
		<p>Em seu livro <italic>Machado de Assis, Historiador</italic>, Sidney Chalhoub analisa a ideologia senhorial da escravatura detendo-se na personagem de Estácio, criada pelo brilhante escritor negro. Herdeiro de seu pai morto, cabe a Estácio cumprir a vontade patriarcal expressa em testamento. Operando com a hegemonia cultural de homens livres brancos - proprietários membros de boas famílias, em geral donos de escravos e escravas -, Estácio é incapaz de relativizar valores e perceber diferenças. Toda diferença perante sua vontade senhorial é, pois, entendida como provocação, desobediência, indisciplina, desvio, doença ou rebeldia. Ao repicar o bordão &quot;minha família, minhas regras&quot;, a escola sem partido vem, em nome de sábios homens brancos, afirmar a primazia do particular, do doméstico, o domínio do arbítrio privado, onde abuso e violência campeiam impunes e soltos, dada sua proximidade com a prática do estupro, da agressão, da mentira e da tortura. Em nome da defesa de sua cultura - que lhes é específica mas afirmam ser válida para todos -, põem em risco a igualdade da cidadania, difícil e histórica conquista numa sociedade, como a nossa, de desigualdades duráveis, desigualdades seculares.</p>
		<p>Por sua vez, em <italic>O Estado Novo</italic>, Maria Celina Soares D'Araujo disseca o motivo pelo qual é autoritária uma proposta que afirma o apolítico - o apartidário - como adequado. Desdenhando a sociedade civil (vista como praça de desentendimentos, de diferenças aberrantes, de confusão permanente), o Estado Novo, ao decretar um Brasil sem partido como solução para o bem-estar e o desenvolvimento, recorreu à força para suprimir outras formas de pensar e agir. O fim da diversidade foi a extinção da política, da sociedade civil. A lei e a mordaça, a perseguição e a polícia calaram - prenderam e arrebentaram - a pluralidade social. Congregando a egrégia escola da família com Deus pela liberdade e a propriedade (vide editorial de <italic>O Globo</italic> em favor do término do ensino público superior gratuito), projeta-se uma efetiva ameaça à igualdade e à democracia. Tanto a sinopse quanto a trama do filme são notórias e sinistras.</p>
		<p>A RBH é um periódico de acesso livre domiciliado na SciELO e no DOAJ. Aberta a autorias e às leituras as mais variadas, não postula uma História contada a partir de uma versão consagradora do Estado nacional, por ser a cidadania quem constitui a pátria (e não o contrário).</p>
		<p>Montado a partir da publicação avançada de artigos, este número 72 veio a lume gradativamente. Ao ser fechado, sua pauta tem nove artigos e três resenhas. Quatro artigos compõem o dossiê &quot;Perspectivas recentes da História Medieval no Brasil&quot;, organizado por Marcelo Cândido da Silva e Néri de Barros Almeida (vide sua Apresentação).</p>
		<p>O &quot;Crime da miscigenação&quot;, de Luciana Brito, discute como o caso brasileiro foi apropriado pela elite branca estadunidense, interessada, no pós-abolição, em dar vida durável a ideologias de supremacia branca e segregação racial. Não por acaso, o Brasil vira exemplo de atraso e degeneração, o que aviva as políticas segregacionistas nos Estados Unidos.</p>
		<p>No artigo sobre a política externa equatoriana durante a Guerra do Pacífico (1879-1884), Claudio Figueroa analisa o papel de reivindicações territoriais no conflito, as quais declaravam defender o interesse nacional. O autor mostra como o Equador, que não foi um país beligerante, buscou redefinir sua fronteira com o Peru.</p>
		<p>Com &quot;Sou escravo de oficiais da Marinha&quot;, álvaro Nascimento situa a Revolta da Chibata no contexto do pós-abolição. O autor descreve os problemas enfrentados pela marujada, mormente negra (enquanto o oficialato era branco), nas décadas seguintes a 1888, detendo-se na insurgência contra castigos corporais que, em 1910, eram usados em nome do disciplinamento.</p>
		<p>No seu esboço biográfico sobre &quot;Miranda&quot;, codinome de Antônio Bonfim, secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro de 1934 a 1936, Raimundo Moreira, com base em pesquisa de fontes inéditas, discute sua trajetória e formação como militante e sugere uma reavaliação de sua biografia.</p>
		<p>Em &quot;Sou ainda uma Brazilianist&quot; Barbara Weinstein questiona essa categoria. Nos anos 1970, o termo &quot;brasilianista&quot; rotulou o estrangeiro que estudava o Brasil. Nascido no contexto da Guerra Fria e do nosso regime militar, invocava uma figura com orientação política específica. Mudanças no mundo acadêmico, lá ou aqui, complicam esse indicador de &quot;lugar&quot; de quem faz pesquisa.</p>
		<p>Nas três resenhas deste número, está mais uma vez indiciado o fato de não ser a RBH uma revista paroquial. Uma autora atua na Inglaterra, um livro resenhado foi publicado fora do Brasil e outro resulta de uma tradução. Isso significa circulação e comunicação através de fronteiras estabelecidas. Lamentavelmente, até onde a vista alcança, nada disso é levado em conta quando se faz uma avaliação. Mantém-se aqui o pioneirismo do número 69, que publicou simultaneamente em português e inglês todos os seus artigos. Não são todos os periódicos que fazem isso. Também vale a pena notar que três autorias de artigos atuam fora do Brasil.</p>
		<p>A RBH agradece a quem se envolveu com seu labor e engenho, voluntário, gratuito, ou não. Pablo Serrano e Deivison Amaral concorreram positivamente como assistentes editoriais, com entusiasmo e afinco diários. Armando Olivetti, Eoin O'Neill, Flavio Peralta e Roberta Accurso prestaram serviços profissionais de grande qualidade.</p>
		<p>Deplora-se a queda, via golpe, da presidenta Dilma Rousseff.</p>
		<p>Gravam-se aqui penhorados agradecimentos ao Programa de Pós-Graduação em História, Cultura e Práticas Sociais da Universidade do Estado da Bahia (PPGHCPS-UNEB), e também ao CNPq.</p>
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			<sig>Antonio Luigi Negro</sig> Universidade Federal da Bahia (UFBA). Salvador, BA, Brasil. rbh@anpuh.br</sig-block>
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