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				<journal-title>Revista Brasileira de História</journal-title>
				<abbrev-journal-title abbrev-type="publisher">Rev. Bras. Hist.</abbrev-journal-title>
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			<issn pub-type="epub">1806-9347</issn>
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				<publisher-name>Associação Nacional de História - ANPUH</publisher-name>
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			<article-id pub-id-type="publisher-id">00005</article-id>
			<article-id pub-id-type="doi">10.1590/1806-93472016v36n73-005</article-id>
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				<subj-group subj-group-type="heading">
					<subject>DOSSIÊ &quot;SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA: 80 ANOS DE RAÍZES DO BRASIL&quot; DOSSIER&quot;SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA: 80 YEARS OF RAÍZES DO BRASIL&quot;</subject>
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				<article-title>Tentativas de desmitologia: a revolução conservadora em <italic>Raízes do Brasil</italic></article-title>
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					<trans-title>Experiments in demythology: The Conservative Revolution in Roots of Brazil</trans-title>
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						<surname>Mata</surname>
						<given-names>Sérgio da</given-names>
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					<institution content-type="original">Departamento de História, Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). Pesquisador do CNPq e membro do Núcleo de História da Historiografia e Modernidade. Ouro Preto, MG, Brasil. sdmata@ichs.ufop.br</institution>
					<institution content-type="normalized">Universidade Federal de Ouro Preto</institution>
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			<pub-date pub-type="epub">
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				<year>2016</year>
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			<volume>36</volume>
			<issue>73</issue>
			<fpage>63</fpage>
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					<license-p>Este é um artigo publicado em acesso aberto sob uma licença Creative Commons</license-p>
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				<title>RESUMO</title>
				<p>O artigo investiga as conexões existentes entre o jovem intelectual Sérgio Buarque de Holanda e a constelação de autores ligados à chamada &quot;revolução conservadora&quot; alemã da época da República de Weimar. Propõe-se uma interpretação alternativa a respeito dos posicionamentos políticos do jovem historiador paulista, bem como dos temas do personalismo e da cordialidade em sua obra de estreia, por meio da análise de documentos inéditos, do entrecruzamento de seus escritos das décadas de 1920 e 1930 com a primeira edição de Raízes do Brasil, das anotações feitas por ele nos exemplares de sua biblioteca pessoal, e da reconstrução do contexto intelectual e social da Berlim dos anos 1929-1931.</p>
			</abstract>
			<trans-abstract xml:lang="en">
				<title>ABSTRACT</title>
				<p>This article investigates the connections between Sérgio Buarque de Holanda and the constellation of authors known as representatives of the Weimar Republic's &quot;conservative revolution&quot;. What is proposed here is an alternative interpretation of his early political positions, as well as a reappraisal of personalism and the &quot;cordial man&quot; concept in his debut book. Our research strategy was based on the examination of new documents, the comparison of his writings of the 1920s and 1930s with Raízes do Brasil first edition, the notes made by him in books of his personal library, and the reconstruction of the intellectual and social contexts in Berlin from 1929 to 1931.</p>
			</trans-abstract>
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				<title>Palavras-chave:</title>
				<kwd>Sérgio Buarque de Holanda</kwd>
				<kwd>Alemanha</kwd>
				<kwd>Revolução Conservadora</kwd>
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				<title>Keywords:</title>
				<kwd>Sérgio Buarque de Holanda</kwd>
				<kwd>Germany</kwd>
				<kwd>Conservative Revolution</kwd>
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		<disp-quote>
			<p><italic>All the best stories are true.</italic></p>
		</disp-quote>
		<disp-quote>
			<p>(David Shields, <italic>Reality hunger</italic>)</p>
		</disp-quote>
		<sec>
			<title>ESTETICISMO E POLÍTICA</title>
			<p>Às vezes, a biografia de um livro está umbilicalmente ligada à de seu autor. Isso certamente vale para <italic>Raízes do Brasil</italic>. Mas o que sabemos a respeito daqueles 17 meses (junho de 1929 a janeiro de 1931) em que Sérgio Buarque de Holanda viveu na Alemanha? O que se depreende do conhecido artigo de Antonio Candido &quot;Sérgio em Berlim e depois&quot; é relativamente pouco. Somos informados que o jovem intelectual brasileiro que chega a Berlim nos tumultuados anos da República de Weimar seria &quot;simpático à esquerda&quot;, que teria observado criticamente a ascensão do nazismo, que teria passado pelos cursos de Meinecke e lido as obras dos discípulos de Stefan George. Mergulhado num novo caldo de cultura, movido por &quot;instintos políticos corretamente orientados&quot;, Sérgio teria produzido uma &quot;interpretação progressista do seu país&quot;, uma interpretação destituída &quot;de qualquer traço de irracionalidade&quot;. Dentre os nossos clássicos da década de 1930, RdB seria o único no qual se atribui ao povo &quot;o papel de substituir as lideranças da sociedade&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Candido, 1982</xref>, p.4-9).</p>
			<p>Estudos recentes sugerem que muito do que acreditávamos saber a respeito da gênese desse livro começa a passar por uma profunda reavaliação. Que há nele um inegável componente irracionalista, mostraram-no de forma convincente João Kennedy (<xref ref-type="bibr" rid="B11">Eugenio, 2010</xref>) e Leopoldo (<xref ref-type="bibr" rid="B71">Waizbort, 2011</xref>). Cruzando textos de Sérgio produzidos naquela época e posteriores a ela, relendo cuidadosamente a primeira edição do livro (e sobretudo aquilo que Waizbort chama de expurgos realizados a partir da segunda edição), Eugenio afirma que RdB estaria fortemente marcado pelo organicismo e por aquele autor do qual, quase compulsivamente, Sérgio procurava se dissociar em suas entrevistas: Ludwig Klages. Waizbort, por sua vez, aponta na direção de Nietzsche e do movimento filosófico da <italic>Lebensphilosophie</italic> ou vitalismo. Torna-se cada vez mais difícil, hoje, subscrever leituras como as de Brasil Pinheiro (<xref ref-type="bibr" rid="B40">Machado, 2008[1976]</xref>) e Pedro Meira (<xref ref-type="bibr" rid="B50">Monteiro, 1999</xref>), que apostavam no weberianismo do livro. Quem quer que esteja atento aos fundamentos intelectuais e filosóficos da obra de Weber sabe que ele sempre se situou no polo oposto da <italic>Lebensphilosophie</italic> e de todo irracionalismo (<xref ref-type="bibr" rid="B45">Mata, 2013</xref>).</p>
			<p>É por assim dizer inevitável que a perspectiva revisionista atualmente em curso nos conduza a outra e difícil questão. Até que ponto, e em que medida, se pode dizer que o irracionalismo filosófico tenha tido também um significado <italic>político</italic> para o jovem Sérgio e para seu livro de estreia? Ao passo que Eugenio o sugere apenas de forma indireta, Waizbort foi o primeiro a afirmar que RdB está longe de ser o livro progressista que acreditávamos ser.</p>
			<p>Uma vez que o manuscrito já se achava &quot;parcialmente escrito&quot; e &quot;no essencial quase todo pensado&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Holanda, 2008</xref>, p.618-619) quando de seu retorno da Alemanha, nada mais justificado que ampliar - e é disso que se trata aqui - o esforço de mapeamento dos traços que a breve experiência alemã do autor deixou em RdB. Este artigo procura situar melhor a pré-história de RdB no conturbado e fascinante contexto da República de Weimar, baseando-se para tanto no levantamento das obras de autores alemães que constam da biblioteca particular de Sérgio e no trabalho de comparação e interpretação das anotações e marcações existentes nos seus livros.<xref ref-type="fn" rid="fn2"><sup>2</sup></xref> Embora Eugenio tenha realizado um levantamento similar, seu cotejamento não pôde seguir adiante seja pela compreensível multiplicação de variáveis que isso acarretaria, seja por limitações de ordem filológica.</p>
			<p>Faz-se necessário radicalizar a hipótese há pouco sustentada por Thiago (<xref ref-type="bibr" rid="B53">Nicodemo, 2014</xref>, p.141-156) de que as alterações a que foi submetido o texto de RdB na segunda e terceira edições tinham por objetivo mitigar o componente sociológico do livro e obliterar a influência de Gilberto Freyre. Com as mudanças realizadas no texto original de RdB, e que doravante hão de ser mais bem estudadas graças ao aparecimento de uma edição crítica, o livro não foi apenas &quot;desfreyrianizado&quot;. Como bem apontou Waizbort, a lista dos expurgados é mais extensa. Ora, tais nomes bem podem nos oferecer um itinerário através do qual se torna possível saber um pouco mais a respeito das concepções <italic>políticas</italic> do jovem Sérgio. Autores, como corpos celestes, se organizam em constelações. Na medida em que trazemos à luz algumas dessas referências perdidas, conseguimos formar uma ideia mais clara das forças que os articulavam entre si, e, não menos importante, que outras referências intelectuais a eles ligadas lograram se manter até agora fora do nosso campo de visão. Tal estratégia de pesquisa se nos afigura tão mais importante porque, comparadas às concepções <italic>estéticas</italic> de Sérgio durante as décadas de 1920-1930, nós praticamente nada sabemos a respeito - com o que o esforço de interpretação de RdB fica impedido de acessar uma de suas camadas de sentido mais importantes. Por meio do itinerário aqui proposto, e que necessariamente teve de incluir textos anteriores a RdB, chegaremos enfim à &quot;revolução conservadora&quot; e ao papel que os intelectuais com ela identificados parecem ter tido em nosso clássico de nascença.</p>
			<p>Ninguém ignora que é vã a tentativa de estabelecer uma cesura entre o jovem ativista do modernismo e o autor do ensaio de 1936. Os interesses e as disposições que o guiaram em Berlim não se formaram a partir de um zero absoluto, o de sua chegada a Hamburgo: foram cunhados no Brasil. De que forma essa constatação, de resto trivial, permite lançar alguma luz sobre sua percepção do político? Existe, a esse respeito, uma declaração importante e raramente evocada pelos historiadores da historiografia. Apenas 10 meses antes de seu embarque para Berlim, Sérgio publica uma crítica do volume <italic>Ensaios</italic> de Alceu Amoroso Lima. Retomando argumentos já antecipados em &quot;O lado oposto e outros lados&quot;, ele censura o intelectual católico por ver na transcendência religiosa e na tradição forças orientadoras capazes de fazer frente ao &quot;niilismo de nossos dias&quot;, ao fim do que sentencia: &quot;o pensamento que realmente quiser importar para nossa época há de se afirmar sem nenhum receio pelos seus reflexos sociais, por mais detestáveis que estes pareçam. Há de ser essencialmente um pensamento <italic>apolítico</italic>&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B30">Holanda, 1928</xref>).</p>
			<p>Em sua famosa réplica, aparecida um ano depois, Lima descreve a atitude espiritual de Sérgio como &quot;disponibilidade gidiana&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B38">Lima, 1969</xref>, p.16). O que vem a ser essa disponibilidade gidiana, e de que forma ela pode estar relacionada com o ideal apolítico em questão?</p>
			<p>A admiração de Sérgio pela obra de Gide não era novidade. Aversão à &quot;fixidez&quot;, à &quot;comodidade&quot; e à &quot;necessidade de opção&quot; seriam os elementos centrais da moral dos seus heróis (<xref ref-type="bibr" rid="B21">Holanda, 1996a</xref>, p.356-357). De fato, tanto nas <italic>Nourritures</italic> 
 <italic>terrestres</italic> quanto em <italic>Os</italic> 
 <italic>subterrâneos</italic> 
 <italic>do</italic> 
 <italic>Vaticano</italic> se encontram sentenças peremptórias, não de todo estranhas ao gosto da época, como &quot;a necessidade de opção sempre me foi intolerável&quot;, &quot;cada novidade deve nos encontrar sempre totalmente disponíveis&quot;, &quot;deixar-me-ia morrer de fome diante do guisado da lógica&quot; ou &quot;sou um ser inconsequente&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B17">Gide, 1921</xref>, p.6769; <xref ref-type="bibr" rid="B18">1982</xref>, p.96-97). As semelhanças entre Gide e Nietzsche, que Sérgio sublinhara já em 1924, parecem mesmo aproximar o elogio gidiano do indecisionismo e da inconsequência à afirmação feita por Nietzsche em <italic>Ecce homo</italic> de que seria ele &quot;o último alemão antipolítico&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B54">Nietzsche, 1995</xref>, p.26). As conexões existentes entre o filósofo, o romancista e o jovem crítico literário tornam-se mais claras quando a eles acrescentamos uma quarta figura: Thomas Mann. Na entrevista que fez com ele, pouco depois de ser agraciado com o Nobel de literatura, Sérgio compara-o a Tolstói e eleva <italic>Tonio Kröger</italic> e <italic>Morte em Veneza</italic> à condição de obras-primas. Com efeito, encontramos nessas duas novelas a mesma recusa da moral burguesa, o mesmo apreço à noção de personalidade, o mesmo esteticismo, o mesmo gosto pela aventura que há em Gide.<xref ref-type="fn" rid="fn3"><sup>3</sup></xref> Numa passagem célebre, o narrador de <italic>Morte em Veneza</italic> pergunta: &quot;De que lhe valiam ainda arte e virtude face às vantagens do caos?&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B43">Mann, 2004</xref>, p.581). Mais importante para nossos objetivos, porém, é uma obra menos conhecida de Thomas Mann, mas que Sérgio deu mostras de ter lido, e isso a ponto de considerá-la &quot;admirável&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B29">Holanda, 1989c</xref>, p.200). Trata-se das <italic>Considerações de um apolítico</italic>, um robusto ensaio de mais de 600 páginas e que foi bem caracterizado por Pedro Spinola Caldas como &quot;uma das obras norteadoras do conservadorismo alemão&quot;; livro escrito quando seu autor ainda se identificava &quot;com a tendência da revolução conservadora de inspiração nietzscheana&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B8">Caldas, 2014</xref>, p.114).</p>
			<p>O que foi a &quot;revolução conservadora&quot;? Essa expressão - já bem estabelecida na historiografia alemã - designa uma geração de intelectuais que, ao longo dos anos da República de Weimar, tinham em comum o irracionalismo filosófico, o antiliberalismo, a crítica dos direitos humanos, a recusa da democracia representativa e a apologia de uma ditadura cesarista (<xref ref-type="bibr" rid="B55">Pfahl-Traughber, 1998</xref>, p.66-79). Edgar Julius Jung, Arthur Moeller van den Bruck, Hans Günther, Carl Schmitt, Oswald Spengler, Ernst Jünger e Othmar Spann são considerados os representantes mais importantes desse movimento, para o qual a obra de Nietzsche havia se tornado <italic>a</italic> referência obrigatória (<xref ref-type="bibr" rid="B54">Breuer, 1995</xref>, p.229). Os estudiosos observam, a respeito, que embora os admiradores de Nietzsche de forma alguma se limitassem a um dos polos do espectro político-ideológico, &quot;havia como que uma afinidade natural à direita&quot;, e em especial junto à &quot;nova direita&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B48">Mohler; Weissmann, 2005</xref>, p.55). Sabe-se que Thomas Mann se afastou desse ideário em 1922, no entanto suas <italic>Considerações de um apolítico</italic> de 1919 podem ser vistas como &quot;o primeiro escrito programático da revolução conservadora&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B48">Mohler; Weissmann, 2005</xref>, p.66).</p>
			<p>Não sabemos se, àquela altura de sua vida, Sérgio chegou a comprar esse livro &quot;admirável&quot;, se leu o exemplar emprestado por alguém ou por alguma biblioteca. Como quer que seja, a leitura das <italic>Considerações</italic> permite ver o muito que havia de comum entre Nietzsche, Gide e Thomas Mann. Para o autor da <italic>Montanha mágica</italic>, existiria uma antinomia insuperável entre o verdadeiro artista e a política, posto que &quot;a mais verdadeira definição do conceito de 'política' só é possível por meio de seu conceito oposto; qual seja: 'política é o oposto de esteticismo'&quot;. Nietzsche é onipresente no livro, e Thomas Mann recupera sua crítica a Bismarck por ter este supostamente contribuído para a europeização e a democratização da Alemanha. O chanceler não teria compreendido que a nação &quot;não é apenas um ser social, mas metafísico&quot;. Política democrática &quot;pouco ou nada tem a ver com a elevada vida espiritual da nação&quot; alemã. A atualidade do conservadorismo estaria, assim, em sua resistência à despersonalização coletiva deflagrada pelo advento do regime democrático-parlamentar: &quot;Ser conservador significa: querer manter alemã a Alemanha - justamente o que não é o desejo da democracia&quot;. A essência do conservadorismo radicaria, por sua vez, na preservação a todo custo das essências nacionais, segundo a máxima: &quot;manter alemã a Alemanha, e mais nada&quot;. Mas a tentação do paradoxo, que se diria típica do adepto do esteticismo <italic>dieses Ja-und-doch-Nein ist mein Fall</italic> -, essa religião da arte e da beleza, colocariam o esteta acima de todo dever de coerência, uma vez que para Thomas Mann &quot;a arte é irresponsável&quot;. Consequentemente, caberia ao homem de espírito escolher entre radicalismo e ironia, sabendo, porém, que somente a última expressaria a natureza verdadeiramente artística: &quot;por oposição ao radicalismo, considero a ironia um elemento artístico; pois nela o espírito se torna conservador e erótico&quot;. Mais ainda, o autor acredita na existência de uma afinidade eletiva entre ironia e conservadorismo: &quot;Ironia e conservadorismo são disposições afins (<italic>nahe verwandte Stimmungen</italic>). Poder-se-ia dizer que o espírito do conservadorismo radica na ironia&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B42">Mann, 1974</xref>, p.222, 248-249, 362, 275, 264, 546, 573, 583).</p>
			<p>Sérgio retornaria mais tarde às <italic>Betrachtungen</italic> ao adquirir um exemplar da edição de 1956, o que aliás coincide com uma fase de seu trabalho como historiador em que a dimensão do político virtualmente desaparece. Está para além das nossas possibilidades saber se essa releitura foi feita com o mesmo entusiasmo de outrora, mas um pequeno índice anotado na última contracapa permite ver o que lhe pareceu especialmente relevante desta vez. Quando Thomas (<xref ref-type="bibr" rid="B41">Mann, 1956</xref>, p.202) afirma que &quot;nunca ocorreu a uma alma na Alemanha politizar o <italic>pathos</italic> vital (<italic>Lebenspathos</italic>) nietzscheano&quot;, pois &quot;isso seria totalmente não-alemão (<italic>undeutsch</italic>)&quot;, Sérgio anota a lápis na margem: <italic>Hitler undeutsch?</italic> Ele se interessa ainda por passagens em que o alemão é caracterizado como um &quot;homem gótico&quot;, tipo humano que (<xref ref-type="bibr" rid="B41">Mann, 1956</xref>, p.502) descreve como &quot;neofanático&quot;. Trata-se do &quot;homem da nova intolerância, da nova anti-humanidade do espírito, da nova unanimidade e determinação, do crer na crença; ele não é mais o homem burguês, mas o homem <italic>fanático</italic>&quot; (Mann, 1956, p.488). Revisitadas nos anos de ouro do existencialismo, as <italic>Considerações de um apolítico</italic> continuaram a merecer a atenção do já maduro intelectual brasileiro. Uma das razões disso, além do esteticismo e do &quot;apolitismo&quot;, bem pode ter sido o profundo pessimismo professado pelo jovem Thomas Mann, que depois de repelir os &quot;desaforos idealistas&quot; (Mann, 1956, p.502), conclui: &quot;Pois eu sou constituído de uma forma tal que a dúvida, e mesmo o desespero, me parecem mais morais, mais decentes e mais artísticos que qualquer otimismo de liderança, que dirá daquele otimismo político que por toda a parte se quer santificar por meio da crença - da crença em quê? Na democracia!&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B41">Mann, 1956</xref>, p.509).<xref ref-type="fn" rid="fn4"><sup>4</sup></xref>
			</p>
			<p>Esse breve salto para adiante no tempo se justifica na medida em que oferece pistas a respeito daquilo que, aos olhos do historiador paulista, continuava atual (ou inatual) no &quot;escrito programático da revolução conservadora&quot;; mas ainda assim não deve nos desviar do fundamental. Diante do exposto, acreditamos que a ascendência de Nietzsche, Gide e Mann sobre o jovem Sérgio pode ser resumida <italic>à aventura como princípio vital, ao esteticismo como visão de mundo e ao paradoxo como estilo de pensamento</italic>.</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>VIRTUDES DO FANATISMO</title>
			<p>O pouco que conseguimos saber de novo a respeito dos primeiros dias de Sérgio na Alemanha sugere que ele manteve-se rigorosamente fiel àquela tríade. Segundo o relato de Josias Leão, então militante comunista e ex-participante da coluna Prestes, que viajara no mesmo vapor rumo a Hamburgo e acompanhara Sérgio até Berlim, seu compatriota chega à Alemanha sem um único tostão: metade de seu dinheiro teria sido gasto na viagem e a outra metade roubada. No início da tarde do primeiro dia de julho de 1929, com apenas 25 marcos, os dois chegam à estação Lehrter da capital (atual Estação Central), situada nas proximidades do <italic>Reichstag</italic>. Depois de almoçarem, Sérgio propõe irem ao consulado brasileiro para solicitar ajuda &quot;a um amigo&quot;, o qual não encontraram. Leão escreve: &quot;Apesar disso Sérgio estava tranquilo, fazendo planos de dormir num jardim&quot; enquanto ia &quot;estudando demoradamente as vitrines das livrarias&quot;. Por sorte, acharam na Mittelstrasse o hotel Westphalia, onde as diárias só eram cobradas à saída. Dois dias depois, numa quarta-feira, o dinheiro que seria enviado por via bancária a Sérgio ainda não havia chegado, e como tudo o que lhes restava agora eram 90 <italic>pfennige</italic>, não tiveram o suficiente sequer para jantar. No dia seguinte retornam ao consulado brasileiro e enfim encontram o &quot;amigo&quot; (provavelmente Ildefonso Falcão), a quem Sérgio pede algum dinheiro emprestado. O que obtém é &quot;o suficiente para pagar o hotel e garantir a comida de uma semana&quot;. Mas Sérgio não resiste ao apelo das livrarias, e com o pouco de que dispunham compra papel, caneta e livros, entre eles um exemplar do grande sucesso de Erich Maria Remarque, <italic>Nada de novo no front</italic>. A última anotação de Leão, datada de um domingo, 7 de julho, dá conta que o tão esperado dinheiro do Brasil não havia chegado. &quot;Nossa fortuna é de um marco e dez. Como será amanhã? Sérgio, aqui ao lado, deitado na cama, lê alegremente, tranquilamente, o livro de Remarque...&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B37">Leão, 1929</xref>).</p>
			<p>Aquela situação não deve ter perdurado por muito tempo, e daí em diante ignoramos os rumos tomados por Josias Leão. Sérgio se estabelece na capital, e tudo ou quase tudo observa, enviando as primeiras reportagens para <italic>O Jornal</italic> ainda em julho. Era a Berlim de fins da década de 1920. Segundo Stefan Zweig, a cidade tornara-se &quot;a Babel Mundial&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B16">Gay, 1978</xref>, p.148), um sinônimo de cosmopolitismo e de uma intensa vida noturna, atraindo artistas e turistas de todo o mundo. Em seus textos sobre Pontes de Miranda e Raul Bopp, Sérgio lista inúmeros restaurantes e casas noturnas que parece ter frequentado, como <italic>Blaue Affe</italic>, <italic>Bender</italic>, <italic>Femina Palast</italic>, <italic>Zigeunerkeller</italic>, <italic>Tanz</italic>, <italic>Esplanade</italic>, <italic>Eden</italic>, <italic>Casanova</italic>, <italic>Ambassadeurs</italic>, <italic>Johny's Night Club</italic> e <italic>Barberina</italic>. Sua liberalidade não o impediu de frequentar até mesmo cabarés voltados para o público homossexual, como os famosos <italic>Eldorado</italic> e <italic>Silhouette</italic> (que incentivava abertamente o <italic>cross-dressing</italic>, e onde Marlene Dietrich recebeu do compositor Friedrich Holländer a notícia de sua contratação para atuar em <italic>O anjo azul</italic>).<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref> Vez por outra terá ido nadar no <italic>Wansee</italic>, nos arredores de Berlim. Ildefonso Falcão menciona num artigo alguns brasileiros que por lá encontrara, entre eles Raul Bopp &quot;e até o filósofo Sérgio Buarque de Holanda, de narinas latejantes, magrela e assanhado, como um fauno de óculos, a acordar meninas que dormiam de ventre ao sol&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B12">Falcão, 1932</xref>, p.27).</p>
			<p>Entre a <italic>dolce vita</italic>, as vitrines das livrarias e a necessidade de enviar reportagens com alguma frequência ao Brasil, terá Sérgio conseguido se manter fiel ao ideal apolítico que havia professado antes de seu embarque? À medida que avançamos na reconstrução das constelações literárias que o marcaram nas décadas de 1920 e 1930, percebemos que o conceito de &quot;apolítico&quot; era antes a expressão - expressão irônica - de um ideário político que estava longe de confirmar aquela inclinação à esquerda de que fala a mitologia historiográfica produzida a seu respeito. Outra evidência nesse sentido é o grande interesse de Sérgio em relação ao Círculo do poeta Stefan George. Os nomes de Friedrich Gundolf, Ernst Bertram e Ernst Kantorowicz são mencionados repetidas vezes em seus escritos e entrevistas. De fato, esse círculo gozava de imenso prestígio nos meios literários e intelectuais alemães. Sua biblioteca na Unicamp preserva pelo menos quatro obras de Gundolf. Bertram publicou em 1919 uma famosa biografia de Nietzsche, cujo título inspiraria Sérgio em seus anos maduros: <italic>Nietzsche. Tentativa de uma mitologia</italic>. Sobre Kantorowicz e o estrondoso sucesso de seu <italic>Kaiser Friedrich der Zweite</italic>, falaremos mais adiante. O fato decisivo a sublinhar: o círculo de George situava-se politicamente à direita, e seus membros chegaram a manter estreitas relações com os nomes da revolução conservadora (<xref ref-type="bibr" rid="B5">Breuer, 1995</xref>, p.226, 228).</p>
			<p>Mas a euforia mundana e a agitação artística berlinense enganavam. Também ali vigorou um <italic>falso fausto</italic> capaz de enredar o olhar ingênuo do observador estrangeiro. Quem sabe seja essa a razão pela qual procuramos em vão, nas reportagens de Sérgio, um relato da gigantesca crise econômica e social que se abateu sobre a Alemanha justamente no período em que lá viveu. (Martin <xref ref-type="bibr" rid="B35">Kitchen, 2013</xref>, p.306) mostra que &quot;já na primavera de 1929, a depressão causara um efeito devastador na economia&quot;. Depois da quebra da bolsa de Nova York, em outubro, a situação se precipita ainda mais: o produto nacional bruto alemão cai nada menos que 35%, enquanto o número de desempregados salta de 1,5 milhão em setembro para 2,9 milhões em dezembro. Em 1930, serão 3,7 milhões (<xref ref-type="bibr" rid="B73">Wehler, 2003</xref>, p.257-260). Não foram poucos os artistas e escritores que retrataram, por vezes magistralmente, a rápida desagregação do tecido social alemão. A <italic>Ópera dos três vinténs</italic> de Brecht estreara em 1928, obtendo retumbante sucesso de público. Otto Dix colocava aleijados de guerra, miseráveis e prostitutas lado a lado com a despreocupada elite dançante dos cabarés em seu <italic>Tríptico da Metrópole</italic>. E enquanto Alfred Döblin desvela o mundo dos marginalizados em <italic>Berlim, Alexanderplatz</italic>, Kurt Tucholsky, pouco antes de partir para o exílio na Suécia, expõe ao ridículo o grotesco nacionalismo alemão no seu <italic>Deutschland, Deutschland über alles</italic>. Sérgio estava no olho do furacão, no entanto relatos jornalísticos passaram ao largo de tudo isso.</p>
			<p>Seus testemunhos contrastam de maneira impressionante com os de Raymond Aron, escritos quase que simultaneamente, quando o jovem intelectual francês viveu em Colônia e Berlim. Ao retornar ao Brasil, Sérgio faz uma rápida menção à crise econômica, &quot;cujo termo não se pode desde já prever&quot; (Diário da Noite, 13 jan. 1931), para logo depois expressar a Manuel Bandeira todo seu fascínio pela &quot;liberação dos instintos&quot; de que fora testemunha e partícipe. Bem outro, infinitamente mais sombrio, é o tom de Aron, em texto publicado em fevereiro daquele mesmo ano: &quot;Me parece impossível exagerar sobre a seriedade da situação atual da Alemanha ... Somente uma atenuação da crise econômica e uma diminuição da miséria seria capaz de deter a agitação demagógica e nacionalista&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Aron, 1993</xref>, p.27, 28). Em seus artigos de inícios de 1930, é verdade, Sérgio descreve a atividade febril do Partido Nacional do Povo Alemão (DNVP) e do Partido Nazista (NSDAP). Liderados respectivamente pelo magnata Alfred Hugenberg e por Hitler, a agitação dessas duas agremiações de extrema-direita contra a adoção do Plano Young é caracterizada por Sérgio como uma &quot;luta titânica&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Holanda, 1989a</xref>, p.260), ao passo que Aron denuncia o &quot;misticismo do sangue ariano e da violência contra o pacifismo dos fracos e a impureza dos estrangeiros&quot;, a &quot;manipulação barata de todos os sentimentos revanchistas reunidos no coração das massas&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B1">Aron, 1993</xref>, p.40).</p>
			<p>Sérgio faz ao fim do artigo citado uma importante ressalva: &quot;se justifico, até certo ponto, as atitudes do nacionalismo revolucionário alemão, nunca pretenderei defender o espírito retrógrado detestável que representam&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B22">Holanda, 1989a</xref>, p.261). O que não se entende com facilidade é que poucos meses antes Sérgio havia manifestado simpatia pelo regime e até mesmo pela pessoa do ditador polonês Jozef Pilsudski, que chegara ao poder por meio de um golpe de Estado em 1926 (<xref ref-type="bibr" rid="B59">Rotschild, 1963</xref>). Mas para Sérgio a &quot;vontade enérgica&quot; de Pilsudski vinha sendo &quot;mal interpretada&quot; no exterior. Não se tratava de um &quot;simples ambicioso&quot;, mas sim de um &quot;estadista&quot; e mesmo de um literato, autor de um &quot;sensacional&quot; artigo contra as aspirações políticas do parlamento polonês. Sérgio subscreve ainda a &quot;denúncia&quot; de Pilsudski aos &quot;vícios&quot; e ao &quot;caráter antidemocrático&quot; do legislativo de seu país, e enaltece &quot;o empenho do Primeiro Marechal em conduzir a nação a uma nova democracia&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B27">Holanda, 1989b</xref>, p.157-160).</p>
			<p>O que, na ditadura polonesa, tornava-a tão superior assim às forças políticas que pretendiam implantar uma ditadura de extrema-direita na Alemanha? É difícil acreditar que as diferenças fossem tão grandes entre uma e outra quando se lê o que Joseph Goebbels anotou no seu diário em 11 de dezembro de 1935: &quot;Leitura: 'A vida de Pilsudski'. Um romance excitante. Um homem, um guerreiro, um herói nacional!&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B20">Goebbels, 2000</xref>, p.919).</p>
			<p>Sérgio não ignorava as violências de que vinham sendo vítimas os judeus, mas não há registro de que tenha escrito a respeito. É um estranho silêncio, pois diferentemente do que afirmou em uma de suas últimas entrevistas, que não teria sido confundido com algum judeu na Alemanha (<xref ref-type="bibr" rid="B24">Holanda, 2004</xref>, p.5), uma crônica escrita por seu amigo Di Cavalcanti indica que tal confusão chegou a ocorrer. O texto, de agosto de 1933, descreve uma acalorada discussão na Livraria Schmidt sobre a existência ou não de perseguição aos judeus na Alemanha, até que Sérgio, que acabara de chegar ao local, confirma as perseguições. Para comprovar o que dizia, narra o seguinte episódio:</p>
			<disp-quote>
				<p>Eu vinha por uma rua escusa de Berlim, depois de ter passado umas horas no Eldorado, quando um grupo de nazistas aproximou-se. Um deles foi logo investindo para mim: - Você é judeu. Na eminência de ser espancado, protestei; disse ser brasileiro, católico, e até simpatizante de Hitler. Nada convencia os exaltados rapazes. A minha situação complicava-se. Eu via não haver meios de me livrar daquela malta de facínoras. Um dos nazistas, porém, que me pareceu mais graduado que os outros resolveu intervir. Disse a seus colegas: - Sou perito em conhecer o judeu mais 'camuflado'. Pelo cheiro adivinho se ele o é ou não. (<xref ref-type="bibr" rid="B10">Di Cavalcanti, 1933</xref>)</p>
			</disp-quote>
			<p>A história termina com o protagonista ileso graças a uma gripe que o obrigara a ficar mais de uma semana sem banho, de modo que &quot;cheirava um cheiro profundamente nazista&quot;. Supondo que o episódio em questão tenha de fato acontecido - o que não é certo -, e a alegação de simpatia para com Hitler não passasse de um estratagema para se ver livre dos <italic>facínoras</italic>, há ali um inegável substrato de realidade: o gosto de Sérgio pela vida noturna berlinense, as idas ao <italic>Eldorado</italic>, a violência antissemita. Neste ponto, a comparação se faz mais uma vez incontornável: se Raymond Aron estava particularmente sensível à gravidade do que então se passava pela simples razão de ser liberal, pacifista e judeu, não deixa de surpreender que Sérgio tenha encontrado lugar em suas reportagens para temas perfeitamente triviais, como a primeira viagem do <italic>Graf Zeppelin</italic> ao Brasil, e evitado qualquer menção à crescente violência antissemita. E isso sobretudo - a ser verídico o relato de Di Cavalcanti - por quase ter se tornado uma vítima daquela mesma &quot;truculência desabrida e exasperada, quase apocalíptica que tanto colorido emprestou&quot; ao fascismo italiano e alemão (RdB, p.159). Temos a impressão de encontrar nessas palavras os ecos daquele fascínio pela violência que levara o leitor de Sorel e Marinetti a afirmar, em 1921, que &quot;os modernos têm desprezado sem motivo essa nunca assaz louvada virtude social que é o fanatismo&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B26">Holanda, 1996b</xref>, p.110).<xref ref-type="fn" rid="fn5"><sup>5</sup></xref>
			</p>
		</sec>
		<sec>
			<title>ELOGIO DO CESARISMO</title>
			<p>Podemos agora explorar mais de perto os influxos da revolução conservadora sobre RdB. Para tanto, o ano de 1936 adquire um valor que vai muito além do simbólico. Friedrich Meinecke publicava então seu último grande livro, <italic>O surgimento do historicismo</italic>. Terá Meinecke, como reza o velho <italic>topos</italic> dos estudos sergianos, e como afirmou o próprio Sérgio, &quot;lhe sugerido novos caminhos&quot;? Não se trataria, antes, de uma tentativa de mitologia? Nem tanto pelo fato de que RdB é, em sua construção e concepção, o exato oposto do historicismo clássico de que Meinecke foi talvez o último grande representante, ou porque Sérgio dedica em 1935 um artigo a Carl Schmitt, autor que via no liberal Meinecke um inimigo a ser derrotado tanto no plano político quanto no acadêmico (<xref ref-type="bibr" rid="B47">Mehring, 2009</xref>, p.197).</p>
			<p>Mas o que dizer sobre as preleções de Meinecke, de que tratavam? O que nelas pode ter atraído um intelectual brasileiro ainda desprovido de formação histórica? Pesquisando na Biblioteca Estatal de Berlim os volumes (<italic>Vorlesungsverzeichnisse</italic>) que contêm os registros de todos os cursos oferecidos na Universidade durante o período em que Sérgio esteve na Alemanha, descobrimos algo interessante. Os temas abordados por Meinecke dificilmente coadunavam com as temáticas ou os períodos históricos de que trata RdB. Nos três semestres acadêmicos entre meados de 1929 e inícios de 1931, Meinecke oferece cursos sobre <italic>A era da Contrarreforma</italic> (verão de 1929); <italic>Exercícios históricos</italic> (inverno de 1929-1930); <italic>A vida política das grandes potências na Era do Absolutismo</italic> (verão de 1930) e <italic>História da Alemanha na era da Restauração e da Revolução de Março até 1850</italic> (inverno de 1930-1931). Provavelmente por não estar muito longe da aposentadoria (ocorrida em 1932), Meinecke ministrou todos esses cursos na modalidade <italic>privatim</italic>, isto é, em sua própria casa e abertos a um número muito limitado de participantes. É difícil acreditar que Sérgio, sem ser aluno regular da Universidade, tenha tido acesso a qualquer uma das sessões <italic>destes</italic> cursos. Nada impede que ele possa ter assistido a alguma conferência de Meinecke naqueles dias. Mas frequentar preleções ou seminários do grande historiador das ideias, ainda que &quot;sem regularidade&quot;, parece ser praticamente impossível.<xref ref-type="fn" rid="fn7"><sup>7</sup></xref>
			</p>
			<p>Deixemos Meinecke de lado.</p>
			<p>RdB vem a lume 5 meses após a morte de Oswald Spengler. Em que pese o esforço de Antonio (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Candido, 1982</xref>, p.7) em dissociar RdB da morfologia das culturas spengleriana, o influxo desse autor sobre o primeiro livro de Sérgio pode ser constatado sem maiores dificuldades. Spengler sintetiza e leva à sua forma paradigmática a <italic>Lebensphilosophie</italic>, o irracionalismo filosófico e as tendências antidemocráticas que grassaram na República de Weimar. Como vimos, ele também é considerado, ao lado de Carl Schmitt, uma das figuras mais representativas da revolução conservadora. Na primeira edição de RdB, Spengler é evocado duas vezes, nas páginas 106 e 165 - o que não chega a ser muito. Talvez por isso a maioria dos intérpretes (à exceção de Waizbort) desconsidera a sua influência, quanto mais porque essas duas menções seriam expurgadas em 1948. O estudo da biblioteca de Sérgio revela, todavia, que nenhum pensador alemão daquele período foi tão lido por ele quanto Spengler. Sem vencer os seus grossos volumes, sem percorrer cuidadosamente os incontáveis grifos deixados nos exemplares ainda hoje preservados em Campinas, sem esmorecer ante o estilo pesado e fortemente alegórico do &quot;profeta do neoconservadorismo alemão&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B49">Mommsen, 1996</xref>, p.90), a sua influência sobre o jovem Sérgio evidentemente não se dá a ler.<xref ref-type="fn" rid="fn8"><sup>8</sup></xref>
			</p>
			<p>Para situar o significado de Spengler no Entre Guerras, o mais indicado é recorrer ao erudito estudo do historiador holandês Frits Boterman. Spengler era um filósofo da cultura que tinha a pretensão de sintetizar todas as correntes contemporâneas de pensamento, sublinhando sempre o ancoramento de sua filosofia no tempo presente (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Boterman, 2000</xref>, p.82). Graças ao sucesso extraordinário do <italic>Declínio do Ocidente</italic>, ele conquistou admiradores em toda a Europa e, como mostrou (<xref ref-type="bibr" rid="B3">Birkenmaier, 2013</xref>), também na América Latina (na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro criou-se, em 1933, um &quot;Centro Oswald Spengler&quot;). Seu método &quot;fisiognômico&quot; e sua morfologia cultural articulam três níveis de análise. O primeiro deles é o nível metafísico, onde se distingue a &quot;alma&quot; coletiva, aquilo que dá a expressão mais própria a uma determinada sociedade. O segundo nível é o morfológico-cultural: as diversas culturas são analisadas enquanto organismos que, como tais, nascem, desenvolvem-se e entram em declínio. Chega-se, enfim, ao nível político. A partir do diagnóstico feito nos dois momentos anteriores, extraem-se lições para a ação política no presente. Nestes três passos - diagnóstico sobre nossa &quot;essência&quot; personalista e emotivista, morfologia histórica, prognóstico político - reconhece-se a estrutura mesma de RdB.</p>
			<p>O pensamento de Spengler está estreitamente ligado a autores que, na mesma época, acreditavam numa superação definitiva do humanismo e do espírito das luzes. Pense-se na <italic>vontade de poder</italic> de Nietzsche, na interpretação dos sonhos de Freud, no <italic>élan vital</italic> de Bergson e no <italic>mito político</italic> de Sorel (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Boterman, 2000</xref>, p.90). Desse caldo de irracionalismo e misticismo crescentes, emerge a &quot;filosofia da vida&quot; de que Spengler foi o mais conhecido representante. Antecipando uma tendência que encontrará seu ponto mais alto em Ludwig Klages, Spengler substitui o conceito &quot;intelectualista&quot; de <italic>espírito</italic> pela noção holística e metafísica de <italic>alma</italic>.</p>
			<p>Menos inofensivas são as implicações políticas da sua obra. Como afirma (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Boterman, 2000</xref>, p.166), Spengler &quot;via com grande ceticismo todo sistema abstrato de ideias que, por meios políticos e sociais, pretendesse instaurar uma sociedade melhor e mais justa&quot;. Entusiasta dos valores guerreiros e aristocráticos, que associava à <italic>alma prussiana</italic>, Spengler rejeitava a liberdade como falta de unidade intelectual, anarquia política e perda de tradições. Ainda que sua filosofia não possa ser considerada um análogo da ideologia nacional-socialista, suas posições estavam em perfeita sintonia com as tendências autoritárias da época (<xref ref-type="bibr" rid="B4">Boterman, 2000</xref>, p.191). Spengler tinha ainda em comum com outros representantes da revolução conservadora a crença de que o capitalismo liberal se esgotara, e que seria necessário instaurar um sistema alternativo ao constitucionalismo ocidental, mas firmemente ancorado nas tradições políticas alemãs. O mundo chegara à &quot;era do cesarismo&quot;. Em seu exemplar do <italic>Declínio</italic>, Sérgio destaca a lápis o seguinte trecho: &quot;A democracia em declínio repete o mesmo erro, de tentar preservar o que era o ideal de ontem. É este o perigo do século XX&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B66">Spengler, 1930</xref>, p.554). Vimos acima que um diagnóstico idêntico era feito nas <italic>Considerações de um apolítico</italic>. A marcha da história fizera da democracia um mal-entendido não apenas no Brasil, mas em toda parte.</p>
			<p>Conquanto (<xref ref-type="bibr" rid="B71">Waizbort, 2011</xref>, p.53) tenha afirmado que o argumento de Sérgio &quot;independe de Spengler&quot;, o cotejamento dos dois autores nos levará a uma conclusão oposta. Por razões de espaço teremos de nos limitar aqui a apenas algumas das aproximações existentes, e a mostrar ainda como outros personagens, não necessariamente secundários, se articulam a eles:</p>
			<p><italic>Essencialismo culturalista (camada metafísica).</italic> A &quot;cultura da personalidade&quot; é o traço distintivo dos povos hispânicos desde &quot;épocas imemoriais&quot; (RdB, p.4-5). Mais tarde, em 1967, Sérgio admitirá que as reformulações a que submeteu o livro não foram capazes de eliminar o substrato essencialista que estava no fundamento de RdB: &quot;Fosse como fosse, não servia a ressalva para alterar, senão superficialmente, o que eu, de fato, dissera ... Mantinha-se a tal mentalidade monolítica, peremptória, sempre igual a si mesma, resistente a toda influência vinda do exterior e a toda mudança possível&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B25">Holanda, 2008</xref>, p.620).</p>
			<p><italic>A cidade não como espaço, mas como esteio da &quot;nossa revolução&quot;.</italic> Cidades são formas antinaturais de convívio coletivo, elas &quot;opõem-se à natureza&quot; (RdB, p.59). Numa passagem do <italic>Declínio</italic> grifada por Sérgio, Spengler afirma que a cidade &quot;contradiz as linhas da natureza. Ela nega toda natureza ... A história universal é a história da cidade&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B66">Spengler, 1930</xref>, p.111). <italic>Sans ville, pas d'histoire</italic>. Em que há de consistir, portanto, a revolução brasileira? Na lenta superação do agrarismo e na ascensão da cidade que teria sido deflagrada em 1888. O que assistimos, assevera Sérgio, é um &quot;lento cataclisma, cujo sentido parece ser o do aniquilamento das raízes ibéricas de nossa cultura&quot; (RdB, p.137), processo este que se confunde com &quot;a transição para a 'urbanocracia'&quot; (RdB, p.45). O advento do novo se consumará quando nossas raízes forem fortes o suficiente para penetrar o paralelepípedo, o cimento e o asfalto. Há de ser uma revolução lenta, sem sobressaltos nem revolucionários. Uma revolução conservadora.<xref ref-type="fn" rid="fn9"><sup>9</sup></xref>
			</p>
			<p><italic>Biologismo e antropologia negativa</italic>. O gosto pelo paradoxo talvez explique por que Sérgio se vale simultaneamente de teorias opostas a respeito do ser humano. A princípio e discretamente, dois dos mais importantes teóricos raciais alemães, Hans Günther e Eugen Fischer, são mobilizados no segundo capítulo. Apoiado em Günther, Sérgio afirma que os portugueses tinham &quot;contingente maior de sangue negro&quot; (RdB, p.27-28). Partindo de outro &quot;antropólogo iminente&quot; - Fischer -, ele argumenta que uma das causas do fracasso da experiência holandesa no Brasil foram as &quot;enormes, praticamente intransponíveis ... dificuldades que reservava o holandês aos africanos&quot; (RdB, p.38). Da mesma maneira, haveria uma &quot;incompatibilidade&quot; entre os Europeus do norte e os trópicos. É que o indivíduo isolado pode adaptar-se a um novo <italic>habitat</italic>, explica-nos Sérgio, &quot;mas a raça, essa decididamente não&quot; (RdB, p.38). A presença dos dois grandes eugenistas do nazismo nas páginas de RdB, contudo, está longe de ter maior importância para a construção do seu argumento.<xref ref-type="fn" rid="fn10"><sup>10</sup></xref> Bem mais significativa, decisiva até, é a existência, ao fim do livro, de uma antropologia negativa. Eis aí o claro ponto de convergência entre Schmitt, Spengler e aquele entusiasta de Mussolini resenhado na extensa &quot;nota E&quot; da primeira edição (RdB, p.173-176): Otávio de Faria.<xref ref-type="fn" rid="fn11"><sup>11</sup></xref> A crença na bondade natural do ser humano, oriunda do romantismo e incorporada pelo liberalismo, foi criticada por todos eles - em consonância, de resto, com a tradição do pensamento antiliberal desde Joseph de Maistre (<xref ref-type="bibr" rid="B31">Holmes, 1999</xref>). Para Schmitt tal crença inviabiliza a elaboração de uma verdadeira teoria do Estado, cuja premissa, oposta, é a de que o ser humano seria mau por natureza (RdB, p.155). Otávio de Faria, menos sutil, se irrita com as &quot;tolices&quot; de Rousseau e declara que o ser humano &quot;não presta&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B15">Faria, 1931</xref>, p.34, 37). Sérgio parecia estar afinado com tais visões. É o que sugerem as marcações que deixou em seus livros, por exemplo nesta passagem nos <italic>Escritos políticos</italic> de Spengler: &quot;Quem não é capaz de odiar não é um homem, e a história é feita por homens&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B67">Spengler, 1933</xref>, p.147). Ou nesta outra, da <italic>Teologia política</italic> de Schmitt: &quot;Toda ideia política assume, de alguma forma, posição quanto à 'natureza' do ser humano e pressupõe que ele seja 'bom por natureza' ou 'mal por natureza'&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B62">Schmitt, 1934</xref>, p.72). Eis aí as premissas por detrás da afirmação de Sérgio de que o liberalismo democrático configuraria uma &quot;ideologia impessoal e <italic>antinatural</italic>&quot; (RdB, p.122 - grifo nosso). Daí por que um dos grandes problemas colocados pela realidade brasileira estava no fato de que &quot;a noção de bondade natural do homem combina singularmente com o nosso já assinalado 'cordialismo'&quot;. A simples ideia de que o ser humano possa ser mau é para o homem cordial &quot;antipática e desconcertante&quot; (RdB, p.154).<xref ref-type="fn" rid="fn12"><sup>12</sup></xref> Chega-se assim à cordialidade, tema sempre em aberto - seja por causa de seu caráter metafórico, como sugeriu há pouco Luiz Costa (<xref ref-type="bibr" rid="B39">Lima, 2016</xref>), seja porque seu tratamento em RdB é francamente heteróclito: para Sérgio ela expressa, ao mesmo tempo, um traço caracteriológico (o <italic>ethos</italic> emocional), um problema sociológico (a aversão a ritos de hierarquia, o &quot;horror a distâncias&quot;) e uma antropologia equívoca (não traduz a bondade em si, mas a crença ingênua na bondade do ser humano).</p>
			<p><italic>Cesarismo, caudilhismo, personalismo.</italic> Spengler profetizara, em trecho sublinhado por Sérgio, a entrada do Ocidente na &quot;era do cesarismo&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B66">Spengler, 1930</xref>, p.518). Outros autores lidos por ele repercutem a mesma visão. Embora fosse considerado por Max Weber um &quot;diletante absoluto&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B72">Weber, 1998</xref>, p.740) e por (<xref ref-type="bibr" rid="B69">Tucholsky, 1928</xref>, p.936) um &quot;perigoso artigo de exportação&quot;, Hermann Keyserling foi lido, citado e festejado por nossos modernistas (<xref ref-type="bibr" rid="B13">Faria, 2013</xref>). Também para o conde russo a era democrática ficara para trás. Em suas <italic>Meditações sul-americanas</italic> (obra citada na primeira edição de RdB, mas expurgada da segunda) se pode ler que &quot;doravante, os caudilhos sul-americanos, com seu sangue frio, seu cego impulso de poder e sua carência de metas, não se apresentam como fenômeno de exceção, mas sim como protótipos&quot;. A comparação entre Rússia e Brasil sugeria que &quot;povos atrasados e desprovidos de homogeneidade cultural não podem ser governados à maneira democrática moderna&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B34">Keyserling, 2009</xref>, p.166, 175). Até que ponto Sérgio subscreveu as palavras desse &quot;observador perspicaz e imaginoso&quot; (RdB, p.141)?<xref ref-type="fn" rid="fn13"><sup>13</sup></xref> Em <italic>Corpo e alma do Brasil</italic>, esse embrião de RdB, encontram-se indicações preciosas e que convém recordar. Nós o vemos fazer ali o elogio do personalismo (&quot;noção positiva - talvez a única verdadeiramente positiva que conhecemos&quot;), cuja expressão tradicional na América Latina seria o caudilhismo. O antiliberalismo de Rosas e Porfírio Díaz, para Sérgio, era agora reatualizado na figura do que chama os novos &quot;caudilhos esclarecidos&quot; europeus. Ele chega mesmo a reconhecer no fascismo o &quot;grande mérito&quot; de &quot;ter tornado possível a instauração de uma reforma espiritual&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Holanda, 2011</xref>, p.69, 74-75). Mais adiante, no mesmo ensaio, assevera que &quot;o Chile teve os três decênios mais felizes da sua história sob o regime inaugurado por Diego Portáles&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B23">Holanda, 2011</xref>, p.77). Ora, sabe-se que a Constituição chilena de 1833, ao seguir de perto os princípios estabelecidos por Portáles, consagrava &quot;el poder discrecional del gobernante, el personalismo, el desapego por el derecho, la suplantación de la ley, la subordinación del parlamento y de la justicia, la persecución de la prensa, la anulación de los derechos ciudadanos y el rechazo a cualquier manifestación divergente&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B70">Villalobos R., 1989</xref>, p.214). Somente à luz de tais fatos e juízos se compreende plenamente o sentido da crítica de Sérgio à &quot;despersonalização democrática&quot; (RdB, p.149) e sua célebre frase sobre o &quot;mal-entendido&quot; da democracia (RdB, p.153). Se tais evidências e conexões não são propriamente numerosas, certo é que elas não falam a favor da interpretação de Henrique Estrada Rodrigues (<xref ref-type="bibr" rid="B58">Rodrigues, 2007</xref>) de que há uma &quot;crítica radical à dominação&quot; em RdB, nem da hipótese de (<xref ref-type="bibr" rid="B51">Monteiro e Schwarcz, 2016</xref>) de que Sérgio teria sido um &quot;crítico&quot; do modelo de Estado forte.<xref ref-type="fn" rid="fn14"><sup>14</sup></xref> Com efeito, à constelação política autoritária que parece gozar da simpatia do jovem historiador paulista deve-se ajuntar um último título, sempre mencionado em suas entrevistas: a biografia de Frederico II escrita por Ernst Kantorowicz. Aclamado imediatamente após seu lançamento em 1927, o livro do discípulo de Stefan George foi adquirido e lido de ponta a ponta por Sérgio, como atestam os muitos grifos existentes no seu exemplar.<xref ref-type="fn" rid="fn15"><sup>15</sup></xref> Embora judeu, à época Kantorowicz se aliava à extrema-direita, tendo até mesmo lutado nos <italic>Freikorps</italic>. Seu livro foi lido pela alta cúpula do partido nazista, e consta que Hermann Göring em pessoa enviou um exemplar de presente a Mussolini (<xref ref-type="bibr" rid="B60">Ruehl, 2000</xref>; <xref ref-type="bibr" rid="B56">Ramonat, 2004</xref>). Na impossibilidade de explorar neste espaço tudo o que Sérgio pode ter extraído de sua minuciosa leitura do <italic>Kaiser Friedrich der Zweite</italic>, nos limitaremos a evocar uma só passagem. Kantorowicz discorre a certa altura sobre Ezzelino da Romano (1194-1259), genro do Imperador. Movido pelo desejo de impor sua personalidade e por uma ilimitada vontade de poder, Ezzelino instaura a tirania em Pádua, Verona e Vicenza. Sérgio assinala a lápis a passagem em que Kantorowicz descreve Ezzelino como um novo tipo de líder político, o &quot;senhor e príncipe ilegítimo que em última análise sobe ao trono apenas às suas próprias custas, com violência e astúcia, e que com dureza, crueldade e rigor tirânicos impõe um domínio do terror, o qual se baseia somente em si mesmo, em sua personalidade&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B33">Kantorowicz, 1927</xref>, p.559). Não é um detalhe destituído de importância que a atenção de Sérgio tenha se voltado para um trecho como este. O juízo que nele se expressa é perfeitamente análogo ao daquela passagem de RdB em que se afirma que &quot;a tese de que expedientes tirânicos nada realizam de duradouro é apenas uma das muitas invenções fraudulentas da mitologia liberal&quot; (RdB, p.156-157).</p>
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			<title>PALAVRAS FINAIS</title>
			<p>Das várias clivagens que atravessam RdB, uma em especial nos chama a atenção. Se o livro abre com a análise daquilo &quot;que há de mais positivo&quot; em nossas raízes, o personalismo, ele se encerra com a crítica daquilo de que em breve nos veríamos livres: o &quot;defunto&quot; da cordialidade. Trata-se de valores sociais cujas implicações na esfera do político são inegáveis, mas que atuam em sentidos diametralmente opostos. O primeiro guarda uma afinidade natural com o caudilhismo (RdB, p.149), e a segunda com a democracia liberal (RdB, p.154). Uma é força verticalizante, e a outra, horizontalizante.<xref ref-type="fn" rid="fn16"><sup>16</sup></xref> A gradativa urbanização e modernização da sociedade brasileira haveriam de solapar a segunda, mas não o primeiro - o que só pode significar uma coisa: para Sérgio a cordialidade é um fenômeno histórico, o personalismo não. Dada a &quot;importância extraordinária do exame dos fundamentos antropológicos das sociedades para a compreensão das doutrinas de Estado&quot; (RdB, p.154-155), fica claro que no Brasil tal fundamento, sobre o qual se poderá enfim erigir um sistema político orgânico, haveria de ser o personalismo, jamais a cordialidade. RdB é uma obra complexa sob inúmeros pontos de vista, mas que não chega a apontar uma solução explícita para o dilema brasileiro. Tal indecisão, que os primeiros resenhistas não deixaram de observar, revela a que ponto a sua atitude espiritual básica se definia ainda pelos termos da disponibilidade gidiana. Como quer que seja, a releitura da primeira edição de RdB à luz de alguns dos principais representantes da revolução conservadora sugere que o Sérgio da década de 1930 estava influenciado justamente por aquelas obras em que grassava, como observou lapidarmente Antonio Candido, a &quot;fantasia mais arbitrária e, dado o contexto histórico, perigosa&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B9">Candido, 1982</xref>, p.7).</p>
			<p>Quase no mesmo instante em que se deu a publicação desse livro inesgotável e de leitura ainda hoje instigante, chegava anonimamente ao Brasil o ícone literário da revolução conservadora, Ernst Jünger. Num período relativamente curto, visita Belém, Recife, Salvador, Rio de Janeiro, Santos e São Paulo. Jünger se convence de que nos trópicos não havia cultura, mas apenas natureza. Em 22 de novembro de 1936, ele envia um cartão-postal a seu amigo Carl Schmitt. É uma foto em preto e branco da boca banguela da Baía de Guanabara. No dia seguinte, escreve em seu diário: &quot;nas proximidades da selva ... a decadência moral é mais rápida, mais violenta&quot;.<xref ref-type="fn" rid="fn17"><sup>17</sup></xref>
			</p>
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			<title>REFERÊNCIAS<xref ref-type="fn" rid="fn18"><sup>18</sup></xref>
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					<comment>Miscellània en honor del Prof. Dr. Knut Forssmann</comment>
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				<mixed-citation>RODRIGUES, Henrique E. A democracia em Raízes do Brasil. Cadernos de Ética e Filosofia Política, v.10, n.1, p.137-156, 2007.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>ROTSCHILD, Joseph. The ideological, political, and economic background of Pilsudski's coup d'état of 1926. Political Science Quarterly, v.78, n.2, p.224-244, 1963.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>RUEHL, Martin A. &quot;In this time without emperors&quot;: The politics of Ernst Kantorowicz's Kaiser Friedrich der Zweite reconsidered. Journal of the Warburg and Courtauld Institutes, v.63, p.187-242, 2000.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>SCHMIDT, Karin. Untersuchungen in den Südamerikanischen Meditationen von Graf Hermann Keyserling. Ein Beitrag zur komparatistischen Imagologie. Thesis (Doktor der Philosophie) - RWTH Aachen Universität. Aachen, 1992.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>TÖPPEL, Roman. &quot;Volk und Rasse&quot;: Hitlers Quellen auf der Spur. Vierteljahrshefte für Zeitgeschichte, v.64, n.1, p.1-35, 2016.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>VILLALOBOS R., Sergio. Portales: una falsificación histórica. Santiago: Ed. Universitaria, 1989.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>WAIZBORT, Leopoldo. O mal-entendido da democracia. Sérgio Buarque de Hollanda, Raízes do Brasil, 1936. Revista Brasileira de Ciências Sociais, v.26, n.76, p.39-62, 2011.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>WEBER, Max. Max Weber Gesamtausgabe (2/7, 2). Briefe 1911-1912. Tübingen: Mohr Siebeck, 1998.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>WEHLER, Hans-Ulrich. Deutsche Gesellschaftsgeschichte 1914-1949. München: C. H. Beck, 2003.</mixed-citation>
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				<mixed-citation>WEISS, Sheila F. The race hygiene movement in Germany, 1904-1945. In: ADAMS, Mark B. (Ed.) The wellborn science: Eugenics in Germany, France, Brazil, and Russia. New York: Oxford University Press, 1990.</mixed-citation>
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			<title>Documentos impressos (Biblioteca estatal de Berlim)</title>
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				<mixed-citation>Friedrich-Wilhelms-Universität zu Berlin. Verzeichnis der Vorlesungen Wintersemester 1928-1929. Berlin: Buchdruckerei Friz Stritzke, 1928.</mixed-citation>
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			<fn fn-type="supported-by" id="fn1">
				<label>1</label>
				<p>O levantamento das fontes em Campinas e Berlim contou com o apoio financeiro, respectivamente, do CNPq e da Fundação Alexander von Humboldt. Empregou-se sempre no texto, para fins de simplificação, a sigla &quot;RdB&quot; para nos referirmos à primeira edição de <italic>Raízes do Brasil</italic>. Edições posteriores não foram utilizadas. Este artigo se beneficiou do diálogo que, em diferentes ocasiões, mantivemos com Henrique Estrada Rodrigues, Leopoldo Waizbort, Barbara Picht, Edgar de Decca, Luiz Costa Lima, Rafael Pereira da Silva, Arthur Alfaix Assis, Fernando Nicolazzi, Sérgio Alcides, Jurandir Malerba e Dalton Sanches. Naturalmente, o resultado final é de responsabilidade exclusiva do autor.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn2">
				<label>2</label>
				<p>Não ignoramos as dificuldades e limitações que aqui se colocam ao investigador. Nem sempre é possível precisar quando aquela leitura foi realizada, nem mesmo se as marcações foram feitas pelo proprietário do livro etc. Desde que empregado de forma cuidadosa, porém, esse &quot;método&quot; abre perspectivas para uma modalidade auxiliar de hermenêutica historiográfica de que os estudos em história intelectual poderiam tirar grande proveito. Foi o que tentamos fazer ao vasculhar o pouco que restou da biblioteca pessoal de Max Weber, hoje preservada na Academia de Ciências da Baviera (<xref ref-type="bibr" rid="B45">MATA, 2013</xref>). Após trabalhar com os volumes da biblioteca de Nietzsche na Herzogin Anna Amalia Bibliothek de Weimar, Thomas H. Brobjer defendeu convincentemente essa estratégia de pesquisa: &quot;If the philosopher annotated the books he read, then we are able to meet him not only in the omnipotent role of the author but also in the much humbler role of listener and commentator. This gives us the opportunity not merely to listen to the thinker proclaiming but also to listen in, so to speak, on his conversations with other thinkers&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B7">BROBJER, 2008</xref>, p.105). Agradecemos a Aniele Crescêncio por nos chamar a atenção para o trabalho de Brobjer.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn3">
				<label>3</label>
				<p>Num inspirado ensaio de 1919, Georg Simmel evidenciou a identidade profunda que parece existir entre o <italic>ethos</italic> do aventureiro e o do artista (<xref ref-type="bibr" rid="B63">SIMMEL, 1998</xref>, p.171-187).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn4">
				<label>4</label>
				<p>Tal como as demais passagens citadas neste parágrafo, o trecho foi grifado a lápis por Sérgio Buarque. Agradeço a Michele Rosado e Fabrício Moreira as fotos do original em Campinas.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn5">
				<label>5</label>
				<p>Para uma história cultural dos cabarés berlinenses àquela época, ver (<xref ref-type="bibr" rid="B32">Jelavich, 1993</xref>) e (<xref ref-type="bibr" rid="B57">Rodal, 2006</xref>). Particularmente útil e bem documentado, a esse respeito, é o <italic>site Cabaret Berlin</italic>, www.cabaret-berlin.com.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn6">
				<label>6</label>
				<p>Victor Klemperer e Robert Spaemann mostraram por meio da linguística e da história dos conceitos a estreita relação entre a ascensão do fascismo no Entre Guerras e a tentativa de se conferir um sentido positivo ao conceito de &quot;fanatismo&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B64">SPAEMANN, 1971</xref>, p.273; <xref ref-type="bibr" rid="B36">KLEMPERER, 2009</xref>, p.114).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn7">
				<label>7</label>
				<p>Se de fato Sérgio chegou a acompanhar algumas preleções em Berlim, o que, no rol de preleções dadas pelo Instituto de História, poderia tê-lo interessado? RdB faz referência a um único historiador da Berlim de fins da década de 1920: Kurt Breysig (outro nome expurgado na segunda edição). Em 1903, Breysig defendera a existência de nada menos que 24 leis históricas. Que isso contribuiu para que ele gozasse de pouco prestígio entre seus pares, mostra-o o fato de que nenhum livro de sua vasta produção foi resenhado na <italic>Historische Zeitschrift</italic> entre 1909 e 1932. Mas como seus cursos eram abertos, qualquer um poderia acompanhá-los. Que cursos foram esses? &quot;Exercícios de introdução à história social comparada e à teoria da sociedade&quot;, oferecido todos os semestres, &quot;Teoria do desenvolvimento (da construção da trajetória da história da humanidade)&quot; e &quot;O desenvolvimento do espírito alemão desde 1871, comparado com o de outros destacados povos europeus&quot; (verão de 1929); &quot;Teoria social: psicologia (Psicologia da história universal)&quot; e &quot;O desenvolvimento do espírito alemão na era do gótico e da mística&quot; (inverno 1929-1930); &quot;História da teoria da história e da filosofia da história&quot; (verão de 1930 e inverno de 1930-1931). Parece-nos haver muito mais afinidade entre esses temas (até pelo seu escopo comparativo, &quot;universal&quot;) e desse vocabulário com RdB do que é o caso dos cursos de Meinecke. Ademais, na virada do século Breysig estivera próximo do círculo de George. Quanto mais Breysig se tornava um <italic>outsider</italic> ilustre no campo historiográfico alemão das décadas de 1920-1930, mais sua terminologia e sua perspectiva se aproximavam do vitalismo. O livro de Breysig citado em RdB (p.147) é <italic>A história da alma na trajetória da humanidade</italic>, de 1931. A menção é rápida. Sérgio apoia-se em Breysig apenas para afirmar que os povos ditos &quot;primitivos&quot; seriam mais &quot;formalistas&quot; que a média. Convém, de todo modo, passar os olhos nesse estranho livro. Falando sobre seu método, Breysig afirma que pretende identificar a &quot;força da alma&quot; (<italic>Seelenkraft</italic>) subjacente à história - &quot;pois as forças, de cujos efeitos estou falando, não são produtos do pensamento ... mas forças das profundezas, verdadeiras realidades da alma&quot; que &quot;se revelam em todo evento singular&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B6">BREYSIG, 1931</xref>, p.VIII). Nota-se aqui aquele mesmo vocabulário metafísico que encontramos em <italic>Corpo e alma do Brasil</italic> e em RdB. Breysig acreditava que a vitória do fascismo italiano pôde ocorrer porque estava em sintonia com a longa tradição cesarista daquele país; tal como a vitória do bolchevismo estava em consonância com a tradição política ditatorial e o caráter popular dos russos (<xref ref-type="bibr" rid="B6">BREYSIG, 1931</xref>, p.388-389; 509-510). Chegara o tempo em que o entendimento racional do mundo (<italic>Verstand</italic>) tornara-se mero &quot;criado&quot; e mera &quot;ferramenta&quot; das verdadeiras potências criadoras: a &quot;força de vontade&quot; e o &quot;sentimento&quot;.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn8">
				<label>8</label>
				<p>Sérgio possuía nada menos que cinco livros de Spengler, todos profusa e meticulosamente grifados, revelando o cuidado com que foram lidos: <italic>O declínio do Ocidente</italic> (ed. 1930-31), <italic>O homem e a técnica</italic> (ed. 1932), <italic>Anos de decisão</italic> (ed. 1933), <italic>Escritos políticos</italic> (ed. 1933) e o póstumo <italic>Conferências e estudos</italic> (ed. 1937). A estes se somam ainda os volumes de André Faucounnet, <italic>Um filósofo alemão contemporâneo: Oswald Spengler</italic> (1925), e de Arthur Zweiniger, <italic>Spengler no terceiro Reich: uma resposta a 'Anos de decisão' de Oswald Spengler</italic> (1933).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn9">
				<label>9</label>
				<p>Essa visão ultralenta do processo revolucionário em RdB não estava em desacordo com o conhecimento sociológico mais recente. Durante sua leitura do verbete &quot;Revolução&quot; escrito por Theodor Geiger para o manual de sociologia de Alfred Vierkandt, Sérgio grifou a lápis esta passagem: &quot;O caráter violento ou repentino não pertence necessariamente à essência da revolução, mas apenas a quebra da continuidade&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B19">GEIGER, 1931</xref>, p.511). Para (<xref ref-type="bibr" rid="B19">Geiger, 1931</xref>, p.515), além da acepção tradicional é igualmente válida &quot;a concepção processualística de revolução&quot;.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn10">
				<label>10</label>
				<p>Um importante estudo sobre o processo de composição de <italic>Mein Kampf</italic> atesta: &quot;Hitler tinha grande admiração por Günther e ficou demonstrado que ele possuía várias edições de seu <italic>Rassenkunde des deutschen Volkes</italic> ... A influência dos escritos de Günther se evidencia em diversas passagens de <italic>Mein Kampf</italic>&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B68">TÖPPEL, 2016</xref>, p.15). Para o caso de Fischer, ver (<xref ref-type="bibr" rid="B74">Weiss, 1990</xref>, p.8-68).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn11">
				<label>11</label>
				<p>Em <italic>Cristo e César</italic>, Otávio de Faria escreve: &quot;Não <italic>sou</italic> político ... mas quase me sinto fascista, cesarista, até a medula dos ossos e no calor do sangue&quot; (<xref ref-type="bibr" rid="B14">FARIA, 1937</xref>, p.17).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn12">
				<label>12</label>
				<p>Sabe-se que a partir de fins da década de 1920 multiplicaram-se as tentativas de se estabelecer os fundamentos da <italic>conditio humana</italic>: o ser humano seria um &quot;ser para a morte&quot; (Heidegger), um &quot;ser aberto para o mundo&quot; (Scheler), um &quot;ser para a disciplina&quot; (Günther), um &quot;animal de rapina&quot; (Spengler), um &quot;ser de carências&quot; (Gehlen) etc.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn13">
				<label>13</label>
				<p>Um dos poucos no Brasil a fazer severas críticas a Keyserling, já em 1937 e 1938, foi Evaristo de Moraes Filho. Pouco antes da segunda edição de RdB, ele dedica a terça parte de seu <italic>Profetas de um mundo que morre</italic> ao pensamento do conde russo (<xref ref-type="bibr" rid="B52">MORAES FILHO, 1946</xref>). Para um estudo abrangente sobre a recepção de Keyserling pelos intelectuais latino-americanos, ver (<xref ref-type="bibr" rid="B61">Schmidt, 1992</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn14">
				<label>14</label>
				<p>Na contracapa de seu exemplar dos Escritos políticos de (<xref ref-type="bibr" rid="B67">Spengler, 1933</xref>) Sérgio fez uma anotação que vale a pena transcrever: &quot;Na Itália a crítica ao sistema parlamentar foi erigida em sistema político positivo e orgânico, sob o fascismo, seja adotando o modelo proposto por Maquiavel, seja restaurando o sistema de (ideal do) Estado prussiano. As formas atuais de ditadura, longe de suplantar [sic] o liberalismo, nada mais fazem do que negar os seus postulados. O que elas nos oferecem não é uma construção orgânica que supere o individualismo do século XIX, e sim a manifestação final, com sinal negativo embora, desse individualismo. Todos os teóricos do 'Estado total' ficam por esse lado, que pretende abolir o pluralismo político e resolver as contradições e as insuficiências do liberalismo, nada mais fazem do que [sic] não fazem essencialmente senão inverter [sic] suas premissas&quot;. Percebe-se que a ressalva feita ao fascismo é que ele não teria superado suficientemente o espírito do liberalismo. As nítidas semelhanças entre o início da anotação acima e o trecho do seu livro em que Sérgio afirma que o fascismo &quot;nada mais é do que uma crítica do liberalismo em sua forma parlamentarista, erigida em sistema político positivo&quot; (RdB, p.149) sugere que as últimas páginas de Raízes do Brasil foram escritas sob o impacto da leitura de Spengler, tanto quanto de Schmitt. O que se almeja, ao fim e ao cabo, é uma &quot;superação da doutrina democrática&quot; capaz de ultrapassar a antítese que opõe mutuamente o &quot;impersonalismo&quot; (isto é, o liberalismo) e o &quot;caudilhismo&quot; (RdB, p.149-150). Que síntese haveria de brotar daí? Sérgio nada diz a respeito. O fato de que nossa historiografia nunca tenha guardado maior distância em relação a tudo o que há de ambíguo nas últimas páginas de Raízes do Brasil é uma evidência de que, a despeito de todas as nuances, o antiliberalismo da geração de intérpretes dos anos 1930 continua onipresente nos meios intelectuais brasileiros. Discutimos em outro lugar o significado desse fenômeno (<xref ref-type="bibr" rid="B46">MATA, 2015</xref>).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn15">
				<label>15</label>
				<p>Sérgio diz na sua entrevista à <italic>Novos Estudos</italic> (<xref ref-type="bibr" rid="B24">HOLANDA, 2004</xref>, p.7) que chegara ao livro de Kantorowicz por meio da obra de Nietzsche. De fato, o filósofo faz o elogio do imperador Hohenstaufen como o &quot;primeiro europeu&quot; em <italic>Além do bem e do mal</italic>, além de mencioná-lo num dos capítulos de <italic>Ecce homo</italic>. De toda forma, é provável que o intenso debate suscitado pelo livro de Kantorowicz tenha chamado sua atenção.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn16">
				<label>16</label>
				<p>Citando em nota uma passagem de (<xref ref-type="bibr" rid="B65">Spengler, 1931</xref>, p.258), para quem a estepe seria o símbolo da ausência de &quot;senso de verticalidade&quot; dos russos, Sérgio sugere que o catolicismo popular brasileiro revelaria a existência de algo análogo entre nós (RdB, p.106). Na contracapa do seu exemplar do <italic>Declínio</italic>, ele anota: &quot;Cristo como irmão - p.258&quot;.</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn17">
				<label>17</label>
				<p>Citado por (<xref ref-type="bibr" rid="B2">Bense, 2009</xref>, p.87).</p>
			</fn>
			<fn fn-type="other" id="fn18">
				<label>18</label>
				<p>O asterisco em alguns dos títulos listados na bibliografia indica os casos em que se empregou um exemplar pertencente ao fundo Sérgio Buarque de Holanda da Biblioteca Central da Unicamp.</p>
			</fn>
		</fn-group>
	</back>
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